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Língua Portuguesa

Língua Portuguesa
2ª edição

Telma Ardoim
Língua Portuguesa

DIREÇÃO SUPERIOR
Chanceler Joaquim de Oliveira
Reitora Marlene Salgado de Oliveira
Presidente da Mantenedora Jefferson Salgado de Oliveira
Pró-Reitor de Planejamento e Finanças Wellington Salgado de Oliveira
Pró-Reitor de Organização e Desenvolvimento Jefferson Salgado de Oliveira
Pró-Reitor Administrativo Wallace Salgado de Oliveira
Pró-Reitora Acadêmica Jaina dos Santos Mello Ferreira
Pró-Reitor de Extensão Manuel de Souza Esteves
Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa Marcio Barros Dutr a

DEPARTAMENTO DE ENSINO A DISTÂNCIA


Diretora Claudia Antunes Ruas Guimarães
Assessora Andrea Jardim
Coordenadora Geral de Pós-Graduação Maria Alice Correa Ribeiro

FICHA TÉCNICA
Texto: Telma Ardoim
Revisão: Livia Antunes Faria Maria e Walter P. Valverde Júnior
Projeto Gráfico e Editoração: Andreza Nacif, An tonia Machado, Edu ardo Bordoni e Fabrício Ramos
Supervisão de Materiais Instrucionais: Janaina Gonçalves de Jesus
Ilustração: Leonardo Siebra, Tatiana Galliac e Eduardo Bordoni
Capa: Eduardo Bordoni e Fabrício Ramos

COORDENAÇÃ O GERAL:
Departamento de Ensino a Distância
Rua Marechal Deodoro 217, Centro, Niterói, RJ, CEP 24020-420 www.universo.edu.br

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universo – Campus Niterói

A6771m Ardoim, Telma.


Língua Portuguesa / Telma Ardoim. 2.ed – Niterói, RJ:
Universo. 2010.
149. p .

1. Língua Portuguesa – Estudo ensino. 2. Lingüística.


3. Linguagem e línguas. Comunicação não- verbal. 5.
Semântica. I . – Título.

CDD 469

Bibliotecária: An a Mar ta Toledo Piza Viana – CRB 7/2224

© Departamento de Ensino a D istância - Universid ade Salgado de Oliveira


Todos os d ireitos reservados. Nenhuma p arte desta publ icação pode ser reproduzi da, arqu ivada ou tran smitida de nenhuma forma
ou por nenhum meio sem permissão expressa e por escrito da Associação Sa lgado de O liveira de Educação e Cultura , mantenedora
da Universidade Salga do de Ol iveira (UNIVERSO).
Língua Portuguesa

Informações sobre a disciplina

Ementa

A disciplina trata dos princípios básicos da língua escrita e falada e das


estruturas das diversas modalidades textuais com a intenção de desenvolver a
compreensão dos mecanismos da comunicação e de sua utilização como forma de
expressão.
Língua Portuguesa

Palav ra da Reit ora

Acompanhando as necessidades de um mundo cada vez mais complexo,


exigente e necessitado de aprendizagem contínua, a Universidade Salgado de
Oliveira (UNIVERSO) apresenta a UNIVERSO Virtual, que reúne os diferentes
segmentos do ensino a distância na universidade. Nosso programa foi
desenvolvido segundo as diretrizes do MEC e baseado em experiências do gênero
bem-sucedidas mundialmente.
São inúmeras as vantagens de se estudar a distância e somente por meio
dessa modalidade de ensino são sanadas as dificuldades de tempo e espaço
presentes nos dias de hoje. O aluno tem a possibilidade de administrar seu próprio
tempo e gerenciar seu estudo de acordo com sua disponibilidade, tornando-se
responsável pela própria aprendizagem.
O ensino a distância complementa os estudos presenciais à medida que
permite que alunos e professores, fisicamente distanciados, possam estar a todo
momento ligados por ferramentas de interação presentes na Internet através de
nossa plataforma.
Além disso, nosso material didático foi desenvolvido por professores
especializados nessa modalidade de ensino, em que a clareza e objetividade são
fundamentais para a perfeita compreensão dos conteúdos.
A UNIVERSO tem uma história de sucesso no que diz respeito à educação a
distância. Nossa experiência nos remete ao final da década de 80, com o bem-
sucedido projeto Novo Saber. Hoje, oferece uma estrutura em constante processo
de atualização, ampliando as possibilidades de acesso a cursos de atualização,
graduação ou pós-graduação.
Reafirmando seu compromisso com a excelência no ensino e compartilhando
as novas tendências em educação, a UNIV ERSO convida seu alunado a conhecer o
programa e usufruir das vantagens que o estudar a distância proporciona.

Seja bem-vindo à UNIVERSO Virtual!


Professora Marlene Salgado de Oliveira
Reitora
Língua Portuguesa

Sumário

1. Apresentação da disciplina.......................................................................................... 06

2. Plano da disciplina....................................................................................................... 08

3. Unidade 1 – A linguagem verbal e a linguagem não verbal...................................... 11

4 Unidade 2 – Os signos linguísticos ............................................................................. 21

5. Unidade 3 – Os elementos da comunicação humana................................................ 29

6. Unidade 4 – As funções da linguagem ....................................................................... 44

7. Unidade 5 – As diversidades do uso da língua – Os níveis da linguagem................. 60

8. Unidade 6 – Os mecanismos de combinação e seleção............................................. 80

9. Unidade 7 – Elementos coesivos – O controle de “nós” linguísticos através

dos mecanismos coesivos ...................................................................... 98

10. Unidade 8 – A semântica: o sentidos das palavras..................................................... 109

11. Unidade 9 – A construção do texto – Os gêneros textuais - Reconhecimento......... 120

9. Considerações finais .................................................................................................... 141

10. Conhecendo o autor .................................................................................................... 142

11. Referências ................................................................................................................... 143

12. Anexos .......................................................................................................................... 144


Língua Portuguesa

Apr esent açã o da Di sci plina

Encontramos em Bechara (1991:15-6)1, a seguinte explicação: “Cada


falante é um poliglota na sua própria língua, à medida que dispõe da sua modalidade
linguística e está à altura de decodificar algumas outras modalidades linguísticas com
as quais entra em contato (....)”.
Em termos estruturais, uma língua pode ser concebida como um sistema
que, associando os dois planos – falado e escrito – transforma o seu usuário em um
falante / ouvinte e/ou um leitor / escritor, capaz de integrar-se no meio em que vive,
como um cidadão que, além de ter o domínio de seu idioma, consegue interagir
com a língua, cujo código linguístico se insere em algo muito maior – A
LINGUAGEM – sistema de signos que permite a comunicação.
Para melhor entendermos essa noção, citamos o linguista dinamarquês
Louis Hjelmslev2 ( In. Terra, 2002:12 ) que reitera;
A linguagem é inseparável do homem,
segue-o em todos os seus atos. A
linguagem é o instrumento graças ao
qual o homem modela seu
pensamento, seus sentimentos, suas
emoções, seus esforços, sua vontade,
seus atos, o instrumento graças ao qual
ele influencia e é influenciado, a base
mais profunda da sociedade humana.

Em função daquilo que foi dito acima, o nosso objetivo é levá-lo a


compreender os mecanismos linguísticos que garantem a coesão e a coerência do
texto oral e escrito, não nos desviando nunca de que o contato com a língua é um
processo natural, isto é, deriva do que chamamos de processo internalizado,
próprio da natureza humana.

1
Gramática Escolar da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Lucerna, 2001.
2
Linguagem, língua e fala. São Paulo: Scipione, 1997.
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Língua Portuguesa

Ao optar por fazer a disciplina Língua Portuguesa no método de Ensino


a Distância, você terá uma grande flexibilidade em efetuar o seu trabalho. O tempo,
por exemplo, será definido por você. Prevemos um prazo para que você termine as
atividades propostas, portanto, não deixe para o último momento a realização
delas. Siga sempre as instruções de como proceder.

No mais... Bom trabalho.

Esperamos que você tenha um ótimo desempenho e um excelente


aproveitamento.

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Língua Portuguesa

Plan o Da Di sci plina

Dividimos a disciplina em nove unidades, sendo que algumas se subdividem,


por sua vez, em alguns tópicos para melhor compreensão.

Todas as unidades têm como base objetivos claros, baseados nas


competências e habilidades necessárias para o seu enriquecimento enquanto
usuário da língua materna. São eles:

— Aplicar correta e fluentemente a língua, tanto escrita como falada,


produzindo textos claros e coerentes;

— Construir meios de expressão oral e escrita através das várias


modalidades do uso da língua materna atendendo, sempre que necessário, à
norma culta da língua;

— Inferir as diversas representações das palavras e d as imagens no discurso


do cotidiano;

— Aplicar a língua em sua relação com o contexto real da fala, propiciando a


inter-relação idiomática da sociedade;

— Consolidar uma reflexão analítica e crítica sobre a linguagem como


fenômeno psicológico, social, educacional, histórico, cultural, político e ideológico.

Faremos, então, um pequeno resumo acerca de cada unidade para que


você possa ter uma visão global daquilo que irá estudar.

UNIDADE 1 – A LINGUAGEM VERBAL E A LINGUAGEM NÃO-VERBAL

Sendo a linguagem um sistema de signos utilizados para a sua produç ão,


podemos fazer uso da palavra (escrita ou falada) ou de outras formas de
comunicação (sons, gestos, desenhos, cores, etc.). Quando utilizamos a palavra,
estamos diante da LINGUAGEM VERBAL. No outro caso, temos a LINGUAGEM NÃO-
VERBAL.

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Língua Portuguesa

UNIDADE 2 – OS SIGNOS LINGUÍSTICOS

A Linguística – ciência que estuda as mútuas relações e princípios da


língua – nos apresenta o signo lingü ístico como o código verbal necessário para a
comunicação. É a língua a mais concreta manifestação de identidade de um povo.

UNIDADE 3 – OS ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO HUMANA

Para que, realmente, a comunicação aconteça se fazem necessários


alguns elementos que estabeleçam vínculos fundamentais, visando o envio e a
recepção da mensagem.

UNIDADE 4 – AS FUNÇÕES DA LINGUAGEM

Sempre que nos comunicamos, temos uma razão para fazê-lo. Assim, para
cada tipo de mensagem que enviamos (ou recebemos) há uma função específica
que está intrinsecamente ligada aos elementos da comunicação (conteúdo da
Unidade III).

UNIDADE 5 - AS DIVERSIDADES DO USO DA LÍNGUA – OS NÍVEIS DA


LINGUAGEM

Do mesmo modo que temos funções diferentes para cada de tipo de


comunicação, também temos o uso diversificado da língua em diferentes
situações, ambientes, faixa etária, culturas, etc. É sob esses aspectos que podemos
caracterizar o dinamismo da língua.

UNIDADE VI - OS MECANISMOS DE COMBINAÇÃO E SELEÇÂO: A COERÊNCIA –


A ARTICULAÇÂO DE SENTIDOS

A Coerência – a articulação de sentido. Todo texto – independente do seu


tamanho – necessita de uma estruturação lógica que faz com que palavr as e frases
componham um todo significativo para seus interlocutores. Não só o texto em si
deve ser coerente, mas também as idéias terão que estar articuladas entre si.

UNIDADE VII – ELEMENTOS COESIVOS – O CONTROLE DO ‘NÓS’ LINGUÍSTICOS


ATRAVÉS DOS MECANISMOS COESIVOS

Se em um texto deve haver coerência de idéias; há de haver também uma


conexão gramatical capaz de fazer as articulações entre as palavras, orações,
períodos e parágrafos.

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Língua Portuguesa

UNIDADE VIII – A SEMÂNTICA: O SENTIDO DAS PALAVRAS

Parte da gramática que se dedica ao estudo dos aspectos relacionados


aos sentidos de palavras e enunciados. A Semântica se detém ao contexto em que
essas palavras estão empregadas.

UNIDADE IX – A CONSTRUÇÃ O DO TEXTO – OS GÊNEROS TEXTUAIS –


RECONHE CIMENTO

Ao construirmos um texto, teremos que atentar para o tipo de texto que


queremos redigir. Sendo assim, reconhecer os gêneros textuais e suas
características específicas é fundamental para a sua elaboração.

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Língua Portuguesa

1 A linguagem verbal e a
linguagem não verbal

Linguagem e Sociedade.

A Linguagem e o Processo de Comunicação.

Conceitos de Linguagem, língua, Fala e Discurso.


Língua Portuguesa

O presente material faz parte da Unidade I do conteúdo da disciplina Língua


Portuguesa I.

É importante que você atente para o fato de que, como ser social que é, “usa e
abusa” da linguagem para se comunicar.

Imagine-se num mundo sem as diversas formas de comunicação encontradas.


Seria possível algo assim?

Já dizia o comunicador Chacrinh a que ‘quem não se comunica, se trumbica’.

Portanto, vamos começar a nossa primeira comunicação, digo, a nossa


primeira aula.

TEXTO 1:

Língua e Sociedade

O caráter social de uma língua já parece ter sido fartamente demonstrado.


Entendida como um sistema de signos convencionais que faculta aos membros de
uma comunidade a possibilidade de comunicação, acredita-se, hoje, que seu papel
seja cada vez mais importante nas relações humanas, razão pela qual seu estudo já
envolve modernos processos científicos de pesquisa, interligados às mais novas
ciências e técnicas, como, por exemplo, a própria Cibernética.

Entre sociedade e língua, de fato, não há uma relação de mera casualidade.


Desde que nascemos, um mundo de signos linguísticos nos cerca e suas inúmeras
possibilidades comunicativas começam a tornar-se reais a partir do momento em
que, pela imitação e associação , começamos a formular nossas mensagens. E toda

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Língua Portuguesa

a nossa vida em sociedade supõe um problema de intercâmbio e comunicação que


se realiza fundamentalmente pela língua, o meio mais comum de que dispomos
para tal.

Sons, gestos, imagens, diversos e imprevistos, cercam a vida do homem


moderno, compondo mensagens de toda ordem (Henri Lefèbvre diria
poeticamente que “niágaras de mensagens caem sobre pessoas mais ou menos
interessadas e contagiadas”), transmitidas pelos mais diferentes canais, como a
televisão, o cinema, a imprensa, o rádio, o telefone, o telégrafo, os cartazes de
propaganda, os desenhos, a música e tantos outros. Em todos, a língua
desempenha um papel preponderante, seja em sua forma oral, seja através de seu
código substitutivo escrito. E, através dela, o contato com um mundo que nos
cerca é permanentemente atualizado.

Nas grandes civilizações, a língua é o suporte de uma dinâmica social, que


compromete não só as relações diárias entre os membros da comunidade, como
também uma atividade intelectual, que vai desde o fluxo informativo dos meios de
comunicação de massa até a vida cultural, científica ou literária.

PRETI, Dino. Sociolingüística: os níveis da fala . São Paulo, Editora Nacional, 1974.
P. 7

ATIVIDADE 1

PARA VOCÊ PENSAR

Depois da leitura do texto que abre essa unidade, procure pensar nas
seguintes questões:

Como podemos definir Língua, baseado na leitura do 1º parágrafo do texto?

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Língua Portuguesa

O 2º parágrafo nos mostra que a relação entre sociedade e língua não é mera
casualidade. Por quê?

O que Henri Lefèbre quis dizer ao enunciar que “niágaras de mensagens caem
sobre pessoas mais ou menos interessadas e contagiadas”, no 3º parágrafo?

A língua, sendo “suporte de uma dinâmica social” (4º parágrafo) tem uma
abrangência que vai além de nossas expectativas. Em que níveis isso acontece?

A linguagem e o pr ocesso de comunicação:

Muitas vezes não observamos algo que é tão normal para nós que não d amos
a devida atenção: a nossa volt a, a lingu agem está presente em todas as suas
manifestações o tempo todo, fazendo parte do nosso cotidiano.

Para isso, faz-se necessário conceituarmos o que é LINGUAGEM, LÍNGUA, FALA e


DISCURSO – vocábulos que iremos usar com bastante constância em nossas aulas:

LINGUAGEM: é a representação do pensamento humano através de sina is que


garantem a comunicação e a interação entre as pessoas.

LÍNGUA: é um código formado por palavras e combinações de leis por meio do


qual as pessoas se comunicam entre si.

FALA: é a ação ou a faculdade de utilização da língua. A opos ição língua X fala


separa o social do indiv idual.

DISCURSO: é a utilização individual da língua. Ass im sendo, como a cada um é


dado um modo próprio de se expressar, essa marca própria, recebe o nome de
estilo.

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Língua Portuguesa

Inúmeras linguagens aparecem nos atos de comunicação. Entre elas fazemos


uso da linguagem verbal (que utiliza a língua oral ou escrita) e a linguagem não-
verbal (faz uso de qualquer código que não seja a palavr a – sinais, símbolos, cores,
gestos, expressões fisionômicas, sons, etc.).

Podemos citar como exemplo do uso da linguagem verbal uma carta, um out-
door anunciando grandes promoções de uma loja, um pedido de socorro, um
grupo de alunos cantando o Hino Nacional.

Já, o semáforo, o apito de um guarda, o som da sirena de uma ambulância


pedindo passagem e um cartaz com a foto de uma mulher vestida de enfermeira
pedindo silêncio apenas com gesto, ao colocar o dedo indicador sobre a boc a, são
exemplos da linguagem não-verbal.

Comece a perceber o ambiente que o cerca e a “ouvir” os múltiplos sons que


existem a sua volta e você terá numerosos exemplos dessa fantástica “máquina” de
sinais convencionais que se chama LINGUAGEM.

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Língua Portuguesa

EXERCÍCIOS – UNIDADE 1

1- O conceito de língua pode ser apresentado como:

a) um conjunto de signos convencionais que faculta aos membros de uma


comunidade a possibilidade de uma comunicação;

b) uma união de símbolos verbais ou não usados para a comunicação;

c) signos unidos não-convencionais que facilitam a comunicação entre os


membros de uma comunidade;

d) um conjunto de significantes convencionais que faculta aos membros de


uma comunidade a possibilidade de uma comunicação;

e) uma união de signos convencionais ou não que possibilita a comunicação


entre os membros de uma comunidade.

2 - Pode-se definir a linguagem como:

a) a utilização individual da língua;

b) a ação ou a faculdade de utilização da língua;

c) a marca própria, individu al, que recebe o nome de estilo;

d) a representação do pensamento humano através de sinais que garantem


a comunicação e a interação entre as pessoas;

e) um código formado por palavras e combinações de leis por meio do qual


as pessoas se comunicam entre si.

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Língua Portuguesa

3-A fala tem por definição:

a) a comunicação coletiva por meio de palavras e combinações de leis;

b) a ação ou a faculdade de utilização da língua;

c) o estilo de cada um;

d) é a representação do pensamento humano;

e) um conjunto de sinais que permitem a comunicação.

4 - É correto afirmar que discurso é:


a) a combinação das palavras por meio de leis;
b) a representação do pensamento humano através de sinais utilizados na
comunicação;
c) a utilização individual da língua;
d) a ação ou a faculdade de utilização da língua;
e) a utilização coletiva d a língua.

5-As palavras nunca estão sozinhas. E qualquer discussão sobre a linguagem, seu
sentido e sua natureza deverá, obrigatoriamente, discutir também as condições
reais em que ela existe.
(Faraco & Cristóvão Tezza)

Baseado no trecho acima, podemos afirmar que:

a) Os conceitos de erro e acerto não são relativos.

b) A diversidade linguística da oralidade está inegavelmente associada à


ignorância do falante.

c) A linguagem é uma realidade exclusivamente escrita.

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Língua Portuguesa

d) Toda língua é um conjunto de variedades que devem ser consideradas.

e) Não há diferença entre a língua falada e a língua escrita.

6 -São exemplos de linguagem verbal:

a) gestos e cores das bandeiras;

b) discursos políticos;

c) desenhos que distinguem os banheiros femininos dos masculinos;

d) cartões apresentados pelo juiz durante uma partida de futebol a um


jogador que tenha cometido uma infração;

e) discursos políticos e cores das bandeiras.

7 - São exemplos de linguagem não-verbal:

a) sinais de trânsito e uma conversa informal entre alunos e professores;

b) cores das bandeiras e sinais de trânsito;

c) cantigas infantis;

d) discursos políticos;

e) apitos e discursos políticos.

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Língua Portuguesa

8 - Pode-se dizer que:

a) há dicotomia entre língua e fala;

b) não há dicotomia entre língua e fala;

c) tanto a língua quanto a fala são bens públicos e individuais;

d) todas as afirmativas anteriores são corretas;

e) todas as afirmativas anteriores são incorretas.

TEXTO PARA AS QUESTÕES 9 e 10:

Tanto que tenho falado, t anto que tenho escrito – como não imaginar
que, sem querer, feri alguém? Às vezes sinto, numa pessoa que acabo de conhecer,
uma hostilidade surda, ou uma reticência de mágoas. Imprudente ofício é este, de
viver em voz alta.

Às vezes, também a gente tem o consolo de saber que alguma coisa que
se disse por acaso ajudou alguém a se reconciliar consigo mesmo ou com a sua
vida de cada dia; a sonhar um pouco, a sentir uma vontade de fazer alguma coisa
boa.

Agora sei que outro dia eu disse uma palavra que fez bem a alguém.
Nunca saberei que palavra foi; deve ter sido alguma frase espontânea e distraída
que eu disse com naturalidade porque senti no momento – e depois esqueci.

Alguma coisa que eu disse distraído – talvez palavras de algum poeta


antigo – foi despertar melodias: esquecidas dentro da alma de alguém. Foi como se
a gente soubesse que de repente, num reino muito distante, uma princesa muito

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Língua Portuguesa

triste tivesse sorrido. E isso fizesse bem ao coração do povo; iluminasse um pouco
as suas pobres choupanas e as suas remotas esperanças.

(Rubem Braga)

9 - A linguagem possui um papel de grande importância como forma de


“transmitir” informações do emissor ao receptor. O texto nos fala ainda de um
outro “poder” que tem a palavra. Que “pode r” é esse?

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10 - Na frase “deve ter sido alguma frase espontânea e distraída que eu disse com
naturalidade porque senti no momento”, que características da fala foram
destacadas? Explique.

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Língua Portuguesa

2 Os signos Linguísticos

Conceito de signo.

O significante e o significado – conceituação.


A relação significante X significado.

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Língua Portuguesa

Como vimos na aula anterior, a comunicação se dá pela linguagem verbal e


pela linguagem não-verbal.

Agora, vamos tratar da linguagem verbal e de todos os mecanismos


que a envolvem.

Você terá contato com o s igno linguístico, isto é, com todo o


processo que envolve a língua.

Vamos lá, então?

Ao introduzirmos essa aula com a definição de signo, queremos ressaltar


que signo é, antes de mais nada, sinal, símbolo e, portanto, refere-se a alguma
coisa.

Sempre que tentamos representar a realidade por meio da palavra,


estamos falando de signo linguístico.

Conceituamos signo, linguisticamente falando, como a menor unidade


dotada de sentido. Compõe-se de um elemento material, de caráter linear,
denominado significante e do conceito, da idéia, a imagem psíquica que temos, -
estamos falando do significado.

Veja o verbete tirado do dicionário Eletrônico Michaelis – UOL, 2002:

signo

s. m. 1. Astr. Cada uma das doze partes em que se divide o zodíaco e cada uma
das constelações respectivas. 2. Linguíst. T udo aquilo que, sob ce rtos aspectos e
em alguma medida, substitui alguma coisa, representando-a para alguém. —
S. linguís tico: o que designa a combinação de conceito c om a imagem
acústica, ou seja, a combinação de um significado com um signif icante. Em

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Língua Portuguesa

bola, por exemplo, a sequênc ia de sons b-o-l-a é o signif icante, e a idé ia do


objeto é o signif icado. S.-de-salomão: emblema místico, símbolo da união do
corpo e da alma, que consiste em dois triângulos entrelaçados formando uma
estrela de seis pontas; signo salomão. Era usado, outrora, como amuleto contra a
febre e outras doenças. S.-salomão: signo-de-salomão.

A relação significante X significado é convencional, ou seja, há um acordo


implícito e explícito entre os usuários da língua. Convencionou-se chamar de gato
o animal mamífero, doméstico, da classe dos felídeos, por exemplo.. essa relação
presente no signo linguístico é também arbitrária, visto que não h á qualquer
propósito entre a representação gráfica “ g – a – t – o ” e a idéia que temos
representada em nossas mentes desse animal.

Também temos o significante “g – a – t – o” com outros significados, como:


Ladrão, gatuno, larápio ou em expressões do tipo gato-pingado: cada um dos
poucos assistentes de uma reunião ou espetáculo, ou de algum agrupamento e
ainda gato e sapato: coisa desprezível.

Sendo assim, signo é a associação de um significante (sons da fala, imagens


gráficas, desenhos, etc.) e um significado (conceito, idéia ou imagem mental).

O signo LIVRO se compõe, portanto de:

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Língua Portuguesa

Devemos ressaltar, ainda, que quando falamos em signo linguístico, referimo-


nos a uma representação da realidade através da palavra. Acentuamos que palavra
é criação humana, usada para representar algo que temos em mente. A palavra
maçã não é a maçã (você não come a palavra maçã); mas ao dizermos ou lermos
essa palavra, é claro que nos vem à mente a idéia da maçã (fruto da macieira).
Mesmo que o objeto mencionado não esteja na nossa frente, ao evocá-lo, usamos
a palavr a que o nomeia, a sua imagem surge em nossa mente de maneira
instantânea.

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Língua Portuguesa

EXERCÍCIOS – UNIDADE 2

1 – Com relação ao conceito de signo linguístico, NÃO é correto afirmar que:


a) É um conceito binário já que se compõe de dois elementos: o significante
e o significado.
b) A imagem acústica é o significado da palavr a.
c) A imagem psíquica corresponde ao significado da palavra.
d) /m/e/z/a/ corresponde ao significante fônico da palavra mesa.
e) A palavra “mesa” corresponde ao significado da palavra.

2 – Com relação ao conceito de signo linguístico, é correto afirmar que:


a) A imagem acústica corresponde ao significado da palavra.
b) A forma gráfica corresponde ao significado da palavra.
c) O conceito de signo se constitui de uma relação arbitrária ou
convencionalizada entre significante e significado.
d) A imagem psíquica corresponde ao significante da palavra.
e) O elemento material corresponde ao significado da palavra.

3 – Escreva V (Verdadeiro) ou F (Falso) para as afirmativas abaixo. Depois, marque a


alternativa correta:
I – ( ) O significado é o conceito, a ideia, a imagem psíquica que temos dos
elementos verbalizados.
II – ( ) O signo linguístico é a fusão do elemento material e da imagem psíquica.
III – ( ) O signo linguístico tem duas faces: o significante e o significado.

a) F– V– F
b) V–V–F

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Língua Portuguesa

c) F– F– V
d) V– F– F
e) V–V–V

4 – O elemento composto pelos sons da fala e pelas representações gráficas desses


sons é:

a) o signo linguístico.
b) o significado.
c) a fala.
d) o significante.
e) a arbitrariedade.

5 – Com relação ao conceito de signo linguístico, identifique a sequência correta:


I – O signo linguístico corresponde a uma relação simbólica e arbitrária entre dois
elementos: o significante e o significado.
II – O significante corresponde à representação material da palavra, seja por
recursos gráficos ou sonoros.
III – O significante corresponde à representação conceitual da palavra.
IV – O signo linguístico se constitui em uma relação binária entre elementos de
natureza concreta e abstrata, respectivamente.

a) V – V – F– F
b) F– V– F– V
c) V – F – V– F
d) F– F– V– V
e) V – V – F– V

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Língua Portuguesa

6 – Complete os espaços abaixo.

Um _____________ compõe-se de um elemento material de caráter linear,

denominado __________ e do conceito, da ideia, a imagem psíquica que temos, ou

seja: ___________.

A alternativa que preenche adequadamente o enunciado é:

a) signo – significante – significado.


b) signo – significado – significante.
c) signo – significante – signo.
d) significante – signo – significado.
e) significado – significante – signo.

7 – Um signo linguístico é a combinação de um elemento concreto com um


elemento inteligível. Qual a denominação dada, respectivamente, a cada um
desses elementos?
a) Língua e Linguagem.
b) Linguagem e Língua.
c) Significante e Significado.
d) Fala e Discurso.
e) Língua e Fala.

8 – Signo = representação material (Significante) + conceito mental (Significado). É


claro que um mesmo significante pode nos remeter a vários significados. Esse fato
linguístico chama-se:

a) sinônimo.
b) antônimo.
c) semântica.
d) denotação.
e) polissemia.

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Língua Portuguesa

TEXTO PARA A QUESTÃO 9:

Marina, linda e loira, tinha quatro aninhos, as melenas já estavam nos


ombros, quando a mãe resolveu dar um trato na cabeça da criança. Pegou uma
tesoura grande e disse:
– Mamãe só vai cortar dois dedinhos.
Marina aos prantos, mostrando a mão para a mãezinha, pergunta:
– Qual deles, mamãe?
(ILARI, Rodolfo. Introdução à Semântica – brincando com a gramática)

9 - O humor desta piada surge da confusão entre os signos e significados de


algumas palavras. Qual a palavr a que gera confusão no texto lido? Quais os
significados que esta palavra pode ter?

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____________________________________________________________________

10 – Observe o anúncio publicitário e explique as relações de significado


exploradas pelo contexto no que diz respeito às palavras destacadas:

SE SEU AMIGO USA DROGAS


E VOCÊ NÃO FALA NADA,
QUE DROGA DE AMIGO É VOCÊ?

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____________________________________________________________________
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Língua Portuguesa

3 Os elementos da
comunicação humana

Esquematizando o Processo Comunicativo.

Conceituando emissor, receptor, mensagem, canal, código e


referente.

O referente situacional e o referente textual.

A comunicação unilateral e a comunicação bilateral.

O ruído.

A Intencionalidade Discursiva.

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Língua Portuguesa

Nessa aula, ainda falaremos dos processos da comunicação humana. Desta


vez, vamos tratar dos componentes que formam todo esse processo. São, o que
chamamos de ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO.

Falaremos, também, da intencionalidade discursiva, ou seja, dos


mecanismos utilizados por quem fala/escreve

Mãos a obra!

1
Para Francis Vanoye “toda comunicação tem por objetivo a transmissão de
uma mensagem”.

Assim para que a comunicaç ão aconteça temos que ter alguém


construindo um texto (verbal ou não-verbal) e enviando-o a alguém. Esse material
enviado se utilizará de um sistema de sinais e de um meio ou contato para fazer
chegar àquilo que se pretenda comunicar.

O ato comunicativo, portanto, sendo um ato social, concretiza várias


manifestações, tanto do ponto de vista cultural como no nosso cotidiano. Vale
dizer: sempre estamos nos comunicando com alguém através de uma mensagem.

Assim, podemos esquematizar esse processo comunicativo do seguinte


modo:

1
Usos da Linguagem – problemas e técnicas na produção oral e escrita. 11
ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

30
Língua Portuguesa

O emissor – ou destinador ou ainda remetente – é o que emite (envia) a


mensagem. Essa mensagem pode ser transmitida de forma individual ou em
grupo.

O receptor ou destinatário é o que recebe a mensagem.

A mensagem é o que se denomina, ainda segundo Vanoye “objeto da


comunicação”. Constitui-se no conteúdo daquilo que é transmitido.

O canal comunicativo é definido como os meios utilizados pelo emissor a fim


de enviar a mensagem ao receptor.

Uma mensagem, por exemplo, que é transmitida por um órgão de controle de


tráfego – uma placa do tipo “PERMITIDO ESTACIONAR” se dá através dos meios
visuais de que o receptor é portador.

31
Língua Portuguesa

O som do apito de um guarda, sinalizando algo, acontece através do meio


sonoro (ondas sonoras, ouvido ...)

É através do canal de comunicação que utilizamos é que podemos


empreender a classificação das mensagens. Assim, teremos:

As mensagens visuais, cuja base são as imagens (desenhos, fotos) e os


símbolos (a escrita ortográfica).

As mensagens tácteis – um aperto de mão, uma carícia..

As mensagens sonoras: os diversos sons significativos, as palavras faladas, as


músicas, etc.

As mensagens gustativas: uma comida, por exemplo, apimentada ou salgada


demais.

As mensagens olfativas: um perfume, um escapamento de gás de cozinha, etc.

O código é um conjunto de signos combinados entre si, do qual o emissor se


utiliza para elaborar a mensagem. Ao montá-la, o remetente estará operando a
codificação; ao recebê-la, o destinatário – identificando o código utiliz ado – estará
procedendo a decodificação.

Os processos de codificação / decodificação se realizam de algumas maneiras,


tais como:

32
Língua Portuguesa

a) O emissor envia uma mensagem. O destinatário a recebe, mas não a


compreende, porque não possuem signo em comum.

Como exemplo
poderíamos apontar
uma tentativa de
diálogo entre um
brasileiro e um japonês.

b) O emissor “tenta” manter um diálogo com um receptor que domina pouco


o código utilizado. Neste caso, a comunicação é retrita, pois são poucos os signos
em comum.

Um americano recém-
chegado ao Brasil, tentado
se comunicar com um
estudante que está
estudando inglês há apenas
um ano.

33
Língua Portuguesa

c) A comunicação é mais abrangente; embora ainda não total – quando, por


exemplo, um professor explica um determinado conteúdo, mas alguns alunos não
dominaram ainda o anterior, que, por sua vez, seria pré-requisito do atual.

d) Finalmente, temos a comunicação total. Todos os signos emitidos pelo


emissor são do conhecimento do receptor e a figura assim representará esse caso:

34
Língua Portuguesa

O referente é constituído pelo conteúdo ao qual a mensagem nos


remete. Temos o referente situacional e o referente textual. O 1º diz respeito aos
elementos da situação e das circunstâncias da transmissão da mensagem. Assim,
quando uma professora pede aos alunos que abram o livro na página 80, supõe-se
que ela esteja dentro de uma sala de aula e os alunos, além de possuírem o referido
livro, saibam sobre o que ela está falando.

Já, o referente textual é constituído pelos elementos do contexto


linguístico. Num conto ou em um romance, por exemplo, todos os referentes são
textuais, ou seja, têm como base o texto.

Temos, ainda, dois tipos de comunicação: a comunicação unilateral e a


comunicação bilateral. Quando se estabelece de um emissor para o receptor, sem
qualquer reciprocidade, chama-se comunicação unilateral. Uma palestra, um
anúncio em out-door ou uma placa de sinalização de trânsito transmitem
mensagens sem precisar receber resposta, são bons exemplos.

35
Língua Portuguesa

Já, em uma conversa, em um debate em sala de aula temos a


comunicação bilateral, pois o emissor e o receptor “trocam” de papéis.

Muitas vezes, a transmissão da mensagem é prejudicada por algo que


denominamos ruído. Não podemos entendê-lo apenas como um problema de
ordem sonora. Na verdade, para o processo de comunicação, ruído é tudo aquilo
que pode atrapalh ar o receptor em receber a mensagem enviada pelo emissor.
Podemos estabelecer, por exemplo, que ruído pode ser, entre outros: uma voz
muito baixa, o barulho de uma britadeira funcionando perto de um “orelhão”, um
defeito no sistema eletrônico de uma televisão; uma linha cruzada durante uma
ligação telefônica, uma notícia cujo jornal apresenta uma das pontas rasgadas, não
permitindo a leitura em seu todo; uma mancha borrada no papel de uma carta, etc.

Como vimos, a comunicação humana está muito além de um simples ato


mecânico de estímulo e resposta. Não haverá comunicação de fato se não houver
interação entre emissor e receptor; isto é, sempre estamos nos relacionando com o
outro ou outros, através da linguagem (verbal ou não-verbal) num processo
contínuo.

A intencionalidade discursiva

A piadinha que se segue constitui uma situação comunicativa entre duas


pessoas:
Um amigo encontra o outro na rua:
Onde você está morando, rapaz?
Em Copacaban a.
Em que altura ?

No 7º andar.

36
Língua Portuguesa

Nesse caso, a comunicação entre o emissor e o receptor não tem muito


sucesso e é aí que o humor se faz presente; exatamente pelo fato de que os
interlocutores não atenderem a um princípio básico da comunicação: a
intencionalidade discursiva – intenções (explícitas ou implícitas ) existentes na
linguagem dos membros que participam de uma determinada situação
comunicativa.

Ao interagir com outra pessoa através da linguagem, temos a “intenção” de


modificar o pensamento ou o comportamento de nosso(s) interlocutor(es).

O sucesso da comunicação está, portanto, em saber lidar com a


intencionalidade. É através dela que o emissor impressiona, persuade, informa,
pede, solicita, etc. o receptor.

37
Língua Portuguesa

EXERCÍCIOS – UNIDADE 3

1) Para se obter uma comunicação efetiva, que elemento( s) da comunicação


humana não pode(m) falhar:

a) o código.
b) o emissor e o receptor.
c) o canal.
d) o assunto.
e) nenhum dos seis elementos.

2) Na frase “(... ) se eu não compusesse este capítulo, padeceria o leitor um forte


abalo, assaz danoso ao efeito do livro” de Machado de Assis, os elementos
sublinhados denotam referência, respectivamente, ao:

a) canal, emissor, receptor.


b) emissor, contato, canal.
c) código, receptor, mensagem.
d) código, receptor, canal.
e) emissor, receptor, mensagem.

38
Língua Portuguesa

Estudo de Texto

Nem a Rosa, Nem o Cravo

As frases perdem seu sentido, as palavras perdem sua significação


costumeira, como dizer das árvores e das flores, dos teus olhos e do mar, das
canoas e do cais, das borboletas nas árvores, quando as crianças são assassinadas
friamente pelos nazistas? Como falar da gratuita beleza dos campos e das cidades,
quando as bestas soltas no mundo ainda destroem os campos e as cidades?
Já viste um loiro trigal balanç ando ao vento? É das coisas mais belas do mundo,
mas os hitleristas e seus cães danados destruíram os trigais e os povos morrem de
fome. Como falar, então, da beleza, dessa beleza simples e pura da farinha e do
pão, da água da fonte, do céu azul, do teu rosto na tarde?
Não posso falar dessas coisas de todos os dias, dessas alegrias de todos os
instantes. Porque elas estão perigando, todas elas, os trigais e o pão, a farinha e a
água, o céu, o mar e teu rosto. (...) Sobre toda a beleza paira a sombra da
escravidão. É como uma nuvem inesperada num céu azul e límpido. Como então
encontrar palavras inocentes,
doces palavras cariciosas, versos suaves e tristes? Perdi o sentido destas palavras,
destas frases, elas me soam como uma traição neste momento.

(...)

Mas eu sei todas as palavras de ódio e essas, sim, têm um significado


neste momento. Houve um dia em que eu falei do amor e encontrei para ele os
mais doces vocábulos, as frases mais trabalhadas.
Hoje só o ódio pode fazer com que o amor perdure sobre o mundo. Só o
ódio ao fascismo, mas um ódio mortal, um ódio sem perdão, um ódio que venha
do coração e que nos tome todo, que se faça dono de todas as nossas palavras,
que nos impeça de ver qualquer espetáculo – desde o crepúsculo aos olhos da
amada – sem que junto a ele vejamos o perigo que os cerca.
Jamais as tardes seriam doces e jamais as madrugadas seriam de
esperança. Sobre toda beleza do mundo, sobre a farinha e o pão, sobre a pura água
da fonte e sobre o mar, sobre teus olhos também, se debruçaria a desonra que é o
nazifascismo, se eles tivessem conseguido dominar o mundo. Não restaria
nenhuma parcela de beleza, a mais mínima. Amanhã saberei de novo palavras
doces e frases cariciosas. Hoje só sei palavras de ódio, palavras de morte. Não
encontrarás um cravo ou uma rosa, uma flor na minha literatura. Mas encontrarás
um punhal ou um fuzil, encontrarás uma arma contra os inimigos da beleza, contra

39
Língua Portuguesa

aqueles que amam as trevas e a desgraça, a lama e os esgotos, contra esses restos
de podridão que sonharam esmagar a poesia, o amor e a liberdade!
AMADO, Jorge. Folha da Manh ã.
22/04/1945)

3) O uso das palavras rosa e cravo é recusado pelo enunciador do texto de Jorge
Amado. Essa recusa ocorre, pois essas palavras assumem, no texto, o sentido de:

a) ameaça.
b) alienação.
c) infelicidade.
d) cumplicidade.
e) medo.

4) Para expressar um ponto de vista definido, o enunc iador de Nem a rosa, Nem o
cravo emprega determinados recursos discurs ivos.
Um desses recursos e a justificativa para seu uso estão presentes em:

a) emprego da 1ª pessoa – discussão de um tema polêmico.

b) resgate de práticas pessoais passadas – conservação de uma visão de


mundo.

c) interlocução direta com os possíveis leitores – fortalecimento de um


pacto de omissão.

d) presença de um interlocutor em 2ª pessoa - desenvolvimento de uma


estratégia de confissão.

e) presença de um narrador em 3ª pessoa – demonstração de pleno


conhecimento dos fatos.

5) O enunciador do texto Nem a Rosa, nem o Cravo defende como modo de reação
às crueldades referidas, a utilização das mesmas armas dos agressores. O trecho em
que essa ideia se apresenta mais claramente é:

a) “Sobre toda a beleza paira a sombra da escravidão.”

40
Língua Portuguesa

b) “Houve um dia em que eu falei do amor encontrei para ele os mais doces
vocábulos.”
c) “Hoje só o ódio pode fazer com que o amor perdure sobre o mundo.”
d) “Jamais as tardes seriam doces e jamais as madrugadas seriam de
esperança.”
e) “Não restaria nenhuma parcela de beleza, a mais mínima.”

Leia o texto.

“Meu coração estrala”...


Que imagem sem verdade.
Porém não tive ideia de mentir...
Foram os nervos, a alma?...
Que quer dizer estralo!
Nem ao menos sou Padre Vieira...
Oh dicionário pequitito!”
(Mário de Andrade)

6) Este poema salienta um problema relacionado ao emissor, pois fala:

a) da incomunicabilidade entre as pessoas.

b) da ineficácia das palavras em transmitir sensações e estados d’alma.

c) da falta de conhecimento de vocabulário.

d) da solidão.

e) da ausência de equilíbrio interior.

Leia o trecho com atenção.

“Minhas mãos ainda estão molhadas


do azul das ondas entreabertas
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas.” ( Cecília Meireles)

41
Língua Portuguesa

7) A estrofe acima revela que o eu-poético ( a voz que fala no texto) desenvolve a
percepção ................. do mundo.

a) sentimental

b) racional

c) emotiva

d) sensorial

e) onírica

Leia .

“ O matuto foi fazer uma consulta médica.


O médico pede:
- Tire a calça. E começa em seguida a examiná-lo.
- Mas o senhor está totalmente descalcificado!
- Claro! Foi o senhor que mandou.” ( Ziraldo )

8) Segundo Saussure, “a língua não existe senão em virtude duma espécie de


contrato estabe lecido entre os membros da comunidade.” No texto, o contexto
contraria esse conceito porque houve:

a) identificação da mensagem.

b) decodificação da mensagem.

c) diversificação no emprego do código.

d) sistematização do emprego do código.

e) identificação e decodificação entre emissor e receptor.

42
Língua Portuguesa

Leia o texto abaixo e responda às questões 1 e 2.

TRÊS APITOS

“ Quando o apito
Da fábrica de tecidos
Vem ferir os meus ouvidos,

Eu me lembro de você.
Mas você anda,
Sem dúvida bem zangada
E está mesmo interessada
Em fingir que não me vê.

Você que atende ao apito


De uma chaminé de barro
Por que não atende ao grito,
Tão aflito,
Da buzina do meu carro?

Você no inverno
Sem meias vai para o trabalho,
Não faz fé com agasalho,
Nem no firo você crê.
Mas você é mesmo
Artigo que não se imita,
Quando a fábrica apita
Faz reclame de você.

Nos meus olhos você lê


Que eu sofro cruelmente
Com ciúmes do gerente
Impertinente
Que dá ordens a você.

Sou do sereno,
Poeta muito soturno
Vou virar guarda-noturno
E você sabe por quê.
Mas você não sabe

43
Língua Portuguesa

Que, enquanto você faz pano,


Faço junto do piano
Estes versos pra você.”
Noel Rosa.

9) Em que pessoa está escrito o texto? Qual o elemento da comunicação em


evidência? Justifique com palavras retiradas do próprio texto.
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_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________

10) Caracterize a segunda pessoa do discurso. A que elemento da comunicação se


refere? Podemos afirmar que o texto está centrado exclusivamente na segunda
pessoa do discurso?
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_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________

44
Língua Portuguesa

4 As funções da linguagem

A função referencial.

A função expressiva ou emotiva.

A função conativa ou apelativa: a intenção do emissor e a organização da


mensagem.

A função poética.

A função fática.
A função metalingüística.

45
Língua Portuguesa

Hoje estaremos falando de como toda mensagem tem uma finalidade


predominante, quer seja transmitir uma informação, uma emoção, quer seja um
pedido.

Você perceberá, no decorrer da leitura, que nenhuma mensagem existe sem


que haja uma intenção do emissor.

A nossa, hoje, é lhe ensinar mais um conteúdo necessário para a sua formação
acadêmica. Boa aula!!!

Quando realizamos um ato de comunicação verbal, procuramos


selecionar as palavras e depois de organizá-las, combiná-las entre si, temos que
adequá-las de acordo com a intenção, com o sentido que queremos dar à
mensagem que enviaremos ao receptor.

Por ser o ato de falar algo bastante automático, raramente percebemos


que essa organização e adequação das palavr as usadas estão ligad as a uma ou
mais funções. Sendo assim, ao darmos ênfase a um dos elementos de
comunicação, já estudados na aula anterior, estaremos priorizando uma das seis
funções que a linguagem possui.

Foi o linguista russo Roman Jakobson quem elaborou, em 1969, estudos


acerca das funç ões das linguagem. Para cada um dos elementos da comunicação
humana existe uma função estritamente ligada a c ada elemento, como veremos a
seguir:

46
Língua Portuguesa

Estudaremos uma a uma dessas funções:

1. Função referencial:

Também chamada de função informativa é centrada no referente, isto é,


naquilo que se fala. Cabe ao emissor a intenção de transmitir ao seu interlocutor,
de modo direto e objetivo, dados estruturados, geralmente, na ordem direta. Essa
função está presente em grande parte dos textos dissertativos, técnicos,
jornalísticos, em receitas médicas, bulas de remédio, manuais de instrução, avisos
institucionais, mapas, gráficos, etc.

A função referencial é tratada por alguns autores como função denotativa, visto
que no texto não há ambigüidades ou duplo sentido.

47
Língua Portuguesa

2. Função expressiva ou emot iva:

Centrada no emissor da mensagem, exprime a sua atitude em relação ao


conteúdo da mensagem e da situação. Nesse caso, o emissor expressa seus
sentimentos e emoções, resultando num texto subjetivo (diferente da objetividade
da função referencial).

A mensagem é estruturada com algumas marcas gramaticais que merecem


registro: verbos e pronomes em 1ª pessoa, interjeições, adjetivos de valores, sinais
de pontuação como as reticências, ponto de exclamação.

O exemplo que lhe daremos é o famoso Soneto da Fidelidade, escrito por


Vinícius de Moraes. Repare como o uso da 1ª pessoa é uma marca significativa para
acentuar a subjetividade do eu-poético.

SONETO DA FIDELIDADE

De tudo ao meu amor serei atento


Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento


E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

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Língua Portuguesa

E assim, quando mais tarde me procure


Quem sabe a morte, angústia de que vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor ( que tive ):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.


MORAES, Vinicius de. Obra Completa e prosa.
Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1998.

3. Função conativa ou apelativa:

O destaque está no receptor que, por sua vez, é estimulado pela mensagem.

Os textos em que essa função predomina são marcados por verbos no


imperativo, por vocativos, por pronomes de tratamento. Outro recurso utilizado
pela imprensa para prender o receptor e que caracteriza muito bem a função
CONATIVA é a argumentação, em que o emissor procura a adesão do receptor ao
seu ponto de vista.

Podemos traçar um paralelo entre a intenção do emissor da mensagem e


a organização da mesma na função conativa. Perceba:

49
Língua Portuguesa

INTENÇÃO DO EMISSOR influenciar, envolver, persuadir

ORGANIZAÇÃO DA MENSAGEM apelo, súplica, ordem, chamamento,


argumento.

Numa mensagem publicitária, por exemplo, de um produto para limpeza,


o texto parece falar com a mulher – dona-de-casa – a quem interessa vender o
produto.

Já, quando o objetivo é influenciar um jovem a comprar uma mochila, por


exemplo, a intenção discursiva é outra e, consequentemente, o texto vai privilegiar
palavr as do universo dos adolescentes, usando gírias do momento, termos
centrados em seu linguajar.

Assim, a função conativa ou apelativa da linguagem é


predominantemente encontrada nos anúncios publicitários, nos discursos
políticos, nos horóscopos, nos livros de auto-ajuda, nas preces religiosas, etc.

4. Função poética

Acontece quando a comunicação dá ênfase à própria mensagem.

Uma das características dessa função é o uso de recursos literários na


construção da linguagem. Ao selecionar as palavras para compor um texto, o poeta
escolhe as que realçam o sentido que ele quer dar ao seu texto e também a sua
sonoridade e o ritmo; privilegiar as figuras de linguagem, os recursos fonológicos, a
falta ou o excesso de sinais de pontuação.

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Língua Portuguesa

Nos textos em que predomina a função poética da linguagem, podemos


encontrar, com muita frequência, o sentido conotativo das palavras.

Tem tudo a ver

A poesia
tem tudo a ver
com o sorriso da criança,
o diálogo dos namorados,
as lágrimas diante da morte,
os olhos pedindo pão.

A poesia
– é só abrir os olhos e ver –
tem tudo a ver
com tudo.
Elias José. Segredinhos de amor.
São Paulo, Moderna, 1991

5. função fática

Esta função se manifesta quando se percebe a preocupação do emissor em


manter contato com o receptor, sem deixar com que a comunicação se perca.

Centrada no can al, ou c ontato como alguns autores preferem, a função fática
acontece tanto na comunicação oral, através de sons do tipo “Hum ... hum ...”,
“Hein? ...”, “Tá... tá ...”, “Sim ... sei ...”; de frases como “Está me ouvindo?”, “Estão me
entendendo?” e de marcas sonoras como o famoso “plim ! plim!” da Rede Globo que
chama o telespectador “distraído” para a retomada de comunicação.

51
Língua Portuguesa

Como na comunicação escrita, encontramos a função fática da linguagem ao


empregarmos marcadores linguísticos que se repetem, como os balões que você
vê e lê no início e no fim de cada aula desse curso.

6. função metalinguística

Acontece quando a ênfase está no código, isto é, quando o código é o tema da


mensagem ou é usado para explicar o próprio código.

Sabemos que, na linguagem verbal, o código é a língua; portanto,


quando utilizamos a língua para explicar a própria língua, temos a metalinguagem
ou seja, a função metalinguística.

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Língua Portuguesa

Um exemplo bem claro são os dicion ários e as gramátic as, pois utilizam
palavr as para explicar as próprias palavras.

fren.te
s. f. 1. Parte superior do ros to, desde
os cabelos até as sobrancelhas.
2. Parte anterior de qua lquer coisa.
3. Fachada de edifício. 4. Mil. Vanguarda.
5. Meteor. Superf ície que marca o contato
de duas massas de ar convergentes
e de temperaturas diferentes.

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Língua Portuguesa

EXERCÍCIOS – UNIDADE 4

TEXTO PARA AS QUESTÕES 1 e 2:

O último poema

Assim eu quereria o meu último poema

Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais

Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas

Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume

A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos

A paixão dos suicidas que se matam sem explicação."

(Manuel Bandeira, Libertinagens)

1. Qual a função predominante nessa poesia?

a) função referencial ou informativa.

b) função poética.

c) função emotiva ou expressiva.

d) função metalinguística.

e) função conativa ou apelativa.

54
Língua Portuguesa

2. Podemos detectar outra função, não predominante, mas presente ainda no


poema. Marque o item em que ele se encontra.

a) função referencial ou informativa.

b) função poética.

c) função emotiva ou expressiva.

d) função metalinguística.

e) função conativa ou apelativa.

3. Veja o texto abaixo – adaptado de um anúncio publicitário – e escolha o item


correto quanto à função predominante:

“CETIVA: Vitamina C sem cama. Adquira o hábito de tomar CETIVA


regularmente e você terá mais saúde, dinamismo e resistência às infecções.
Tome CETIVA todos os dias e vá para a cama só quando você bem
entender.”

a) função referencial ou informativa.

b) função poética.

c) função emotiva ou expressiva.

d) função metalinguística.

e) função conativa ou apelativa.

55
Língua Portuguesa

4. Diga qual a função da lingu agem predominante em:

Promover a recuperação de trabalhadores acidentados ou incapacitados


física ou mentalmente para o trabalho, a nobre tarefa que o SESI realiza
através da Subdivisão de Reabilitação.

a) função referencial ou informativa.

b) função poética.

c) função emotiva ou expressiva.

d) função metalinguística.

e) função conativa ou apelativa.

5. A partir do texto abaixo, marque o item correto em relação à função


predominante:

56
Língua Portuguesa

a) função referencial ou informativa.

b) função poética.

c) função emotiva ou expressiva.

d) função fática.

e) função conativa ou apelativa.

6. Leia o texto abaixo e marque a função da linguagem que nele predomina:

“CNBB aceita explicações de Arcoverde depois de um telefonema do Ministro


Waldir Arcoverde que, segundo o secretário-geral da CNBB, D. Luciano
Mendes, fez reparos ao Programa de Planejamento familiar, a Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil divulgou nota atribuindo a um ‘equívoco da
imprensa’ a notícia de que o Governo está disposto a adotar a esterilização
como método anticoncepcional.” (JB, 30/12/80)

a) função referencial ou informativa.

b) função poética.

c) função emotiva ou expressiva.

d) função metalinguística.

e) função conativa ou apelativa.

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Língua Portuguesa

7. Numere os parênteses de acordo com a coluna d a esquerda e depois escolha o


item correto:

1. função conativa. ( ) centrada no emissor.


2. função fática. ( ) centrada no receptor.
3. função poética. ( ) centrada no canal.
4. função emotiva. ( ) centrada no referente.
5. função referencial. ( ) centrada no código.
6. função metalinguística. ( ) centrada na mensagem

a) 2 – 5–6 –4 –1 –3
b) 4 – 2–3 –5 –3 –6
c) 6 – 2–4 –1 –2 –5
d) 4 – 1–2 –5 –6 –3
e) 1 – 2–3 –4 –5 –6

8. Leia o texto de Millôr Fernandes e marque a alternativa que contém a função da


linguagem predominante:

“A ‘boite’ é um local em que o excesso de escuridão faz com


que cada um dance com a mulher do outro. Desse engano constante
nasce o infinito número de maridos enganados. É tão escura a ‘boite’ que
nunca se sabe o que a orquestra está tocando. Nem o que se está
comendo. Nem o que se está pagando. A ‘boite’ é o louvor da incógnita.”

a) função referencial ou informativa.


b) função poética.
c) função emotiva ou expressiva.
d) função metalinguística.
e) função conativa ou apelativa.

58
Língua Portuguesa

9. Dê a função da linguagem do seguinte anúncio vinculado nas tevês, revistas e


jornais e depois, justificando a sua resposta.

_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________

10. Leia a poesia que se segue e diga quais as du as funções da linguagem que
podem caracterizar o texto. Qual das duas é a predominante? Por quê?

“Que é Poesia?
uma ilha
cercada
de palavras
por todos
os lados.” (Cassiano Ricardo)

_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________

59
Língua Portuguesa

5 As diversidades do uso da
língua – os níveis da
linguagem

A modalidade escrita e falada.

As variantes socioculturais – a norma culta e a norma coloquial; a gíria; a


linguagem da Internet.

As variantes regionais.

As variantes de época.
·As variantes de estilo.

60
Língua Portuguesa

Hoje, trataremos dos níveis da linguagem, ou seja, da diversidade lingüística,


fato que ocorre, muitas vezes com bastante evidência; em outras, de forma pouco
perceptível. Mas, de qualquer maneira, o estudo dessas variedades de uma língua
implica em fatores de vital importância para o bom uso dela.

Boa aula!!!

TEXTO 1:

“Uma das características mais evidentes das línguas é sua variedade. Entende-se
por isso, fundamentalmente, que as línguas apresentam formas variáveis em
determinada época, o que significa que não são faladas uniformemente por todos os
falantes de uma sociedade. (....) Esta característica não é exclusiva das língua
modernas. O latim e o grego antigo também tinham formas variáveis. O português,
por exemplo, descende do chamado latim vulgar (popular), diferente em vários
aspectos do latim dos escritores que chegou até nós.(...).

Uma outra característica das línguas é que as diferenças que apresentam


decorrem do fato de que os falantes de uma comunidade linguística não são
considerados iguais pela própria sociedade. As diferenças de linguagem são uma
espécie de distintivo ou emblema dos grupos, e, nesse sentido, colaboram para
construir sua identidade. (...) As variedades (ou os dialetos) correspondem em grande
parte a grupos sociais relativamente definidos: os que residem numa região ou em
outra; os que pertencem a uma classe social ou a outra; os que são mais jovens ou mais
velhos; os que são homens ou são mulheres; os que têm uma profissão ou outra etc.“

M.B.M. Abaurre e S. Possenti. Vestibular Unicamp: Língua Portuguesa.

61
Língua Portuguesa

Apenas prestando atenção, percebemos intuitivamente que uma língua


não é falada do mesmo modo por todos os seus falantes. Em particular, veremos o
caso da Língua Portuguesa, falada em Portugal, no Brasil, em Angola, Moçambique,
Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe; em regiões asiáticas como Macau,
Goa, Damão e Dio e em Timor Leste, na Oceania.

Além do fator geográfico, temos também a variação de ordem social do


falante, a situação em que ele deve falar ou escrever, etc.

Sendo assim, podemos dizer que uma língua sofre variações de acordo
com cinco eixos, criados pelo linguista romeno Eugenio Coseriu, que são:

1º EIXO: a modalidade escrita e falada.

2º EIXO: as variantes socioculturais – a norma culta e a norma coloquial.

3º EIXO: as variantes regionais.

4º EIXO: as variantes de época.

5º EIXO: as variantes de estilo.

Não podemos esquecer de que, enquanto a linguagem em si mesma é


um fenômeno universalmente igual para todos, a língua se manifesta de maneira
diferente entre os falantes de uma mesma comunidade linguística, quer por fatores
de ordem interna como externa.

As línguas, portanto, manifestam a mesma capacidade humana de


expressão, mas há, por exemplo, maneiras típicas de falar relacionadas às regiões
de um país – principalmente o nosso, com essa dimensão continental, às faixas
etárias, aos grupos e classes sociais, às situações em que nos encontramos, ao estilo

62
Língua Portuguesa

individual e até mesmo ao sexo, visto que, em algumas situações, há palavras que
contemplam mais o sexo masculino que o feminino.

Para tanto, existem as normas linguísticas. Algumas são mais livres e


espontâneas; outras mais rígidas, com “sansões” formais àqueles que infringem a
norma culta ou formal.

O gramático Adriano d a Gama Kury (In. Novas lições de análise sintática. 2


ed. São Paulo: Ática, 1985.) tem uma frase que sintetiza todas essas variações de
uma língua dinâmica e potencialmente rica: “O bom falante é um poliglota em sua
própria língua.”

Vamos, então, analisar um a um os cinco eixos dessas variantes


linguísticas:

1º eixo: a modalidade escrita e falada:

As diferenças entre o código escrito e o falado não podem ser ignoradas,


visto que, ao contrário da modalidade escrita, a falad a tem uma característica
marcante que se fundamenta na profunda vinculação às situações em que é usada.
Normalmente, o contato entre os interlocutores é direto e, ao conversarem sobre
um determinado assunto, esses interlocutores elaboram mensagens marcadas por
fatos da língua falada. O vocabulário utilizado é fortemente alusivo, pois usamos
pronomes como eu, você, isso e advérbios como aqui, agora, cá, lá, etc.

O código oral também conta com elementos expressivos que o código


escrito não contempla. Nesse caso, aparece a entonação, capaz de modificar
totalmente o significado de certas frases.

Sabemos que nem todas as sociedades do mundo tem domínio sobre a


modalidade escrita, mas todas as sociedades humanas fazem uso da modalidade

63
Língua Portuguesa

oral. A essas sociedades – como muitas das comunidades indígenas do Brasil –


damos o nome de sociedades ágrafas.

Já, nas sociedades ditas letradas podemos classificar a linguagem em


três categorias, que veremos mais adiante: temos a linguagem coloquial, a norma
culta ou padrão e a linguagem literária.

Mas, antes da classificação cit ada, vamos analisar, no quadro que se


segue – tirado de MESQUITA, Melo Roberto. Gramática da Língua Portuguesa. 8 ed.
ref. atual. São Paulo: Editor a Sar aiva, 1999 – as diferenças entre a língua falada e a
língua escrita:

LINGUA FALADA LÍNGUA ESCRITA

Numa situação de comunicação, Numa situação de comunicação, a


a mensagem é transmitida de forma mensagem é transmitida de forma
imediata. imediata.

Em geral, o emissor e o receptor O receptor não precisa conhecer de


devem conhecer bem a situação e as forma direta e situação do emissor nem o
circunstâncias que os rodeiam. Se, contexto da mensagem.
por qualquer motivo, isso não
acontecer, pode haver problemas de
comunicação ou, simplesmente, não
haver mensagem.

64
Língua Portuguesa

A mensagem costuma ser São empregadas construções mais


transmitida de forma mais breve, complexas, mais planejadas, pois
notando-se nítida tentativa de subtende-se que o emissor teve mais
economizar palavras. tempo para elaborar a mensagem,
repensando-a, modificando-a. É, por
Com a presença de um
isso, mais comum o uso de orações mais
interlocutor, que pode, a qualquer
complexas, subordinadas, que exigem
momento, interromper a conversa, é
mais esforço de memória ou de
comum o emprego de construções
raciocínio.
mais simples, frases incompletas,
com ênfase nas orações
coordenadas, “mais espontâneas e
mais livres, menos reflexivas”2

Há elementos prosódicos, como Como não é possível, na língua


entonação, pausa, ritmo e gestos, escrita, a utilização dos elementos
que enfatizam o significado dos prosódicos da língua falada, o emprego
vocábulos e das frases. dos sinais de pontuação tenta reconstruir
alguns desses elementos.

2º eixo: as variantes socioculturais – a norma


culta e a norma coloquial .

Quanto à variaç ão da linguagem (quer falada, quer escrita), deparamo-


nos com alguns registros que merecem a nossa atenção:

2
BORBA, Francisco da Silva. Introdução aos estudos linguísticos. São
Paulo: Companhia Editora Nacional, 1975. p. 262.

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Língua Portuguesa

LINGUAGEM COLOQUIAL ou norma popular: é a linguagem que empregamos


em nosso cotidiano, em determinadas situações que não exigem formalidade, com
interlocutores que consideramos “iguais” a nós no que diz respeito ao domínio d a
língua.

Nesse tipo de linguagem, não temos preocupação em falar “certo” ou “errado”,

já que não somos obrigados a usar regras e o nosso objetivo é a transmissão da

informação, dando prioridade à expressividade .

1. Norma culta ou norma padrão:

Leia o que nos fala Magda Soares, em Linguagem e escola: uma perspectiva
social. 3 ed. São Paulo: Ática, 1986.

“Dialeto padrão: também chamado norma padrão culta, ou simplesmente norma


culta, é o dialeto a que se atribui, em determinado contexto social, maior prestígio; é
considerado o modelo – daí a designação de padrão, de norma – segundo o qual se
avaliam os demais dialetos. É o dialeto falado pelas classes sociais privilegiadas,
particularmente em situações de maior formalidade, usado nos meios de comunicação
de massa (jornais, revistas, noticiários de televisão etc.), ensinado na escola, e
codificado nas gramáticas escolares (por isso, é corrente a falsa idéia de que só o
dialeto padrão pode ter uma gramática, quando qualquer variedade linguística pode
ter a sua). É ainda, fundamentalmente, o dialeto usado quando se escreve (há,
naturalmente, diferenças formais,. Que decorrem das condições específicas de
produção da língua escrita, por exemplo, de sua descontextualização). Efetuadas

66
Língua Portuguesa

diferenças de pronúncia e pequenas diferenças de vocabulário, o dialeto padrão


sobrepõe-se aos dialetos regionais, e é o mesmo, em toda a extensão do país.”

A) A gíria: Segundo William Cereja (In. Gramática Reflexiva: texto, semântica e


interação. São Paulo: Editor a Atual, 1999. p. 11) “a gíria é um dos dialetos de uma
língua. Quase sempre criada por um grupo social, como o dos fãs de ‘rap’, de ‘heavy
metal’, o dos que praticam certas lutas, como capoeira, jiu-jítsu, etc. quando ligada a
profissões, a gíria é chamada de jargão. É o caso do jargão dos jornalistas, dos
médicos, dos dentistas e de outras profissões.”

Temos a gíria como uma contribuição da definição da identidade de um grupo


que a utiliza, às vezes de caráter contestador, como a dos jovens de uma
determinada geração, funcionando como uma espécie de meio de exclusão dos
indivíduos externos ao grupo. Algumas,funcionam como transgressoras dos
padrões sociais vigentes e, por conseqüência da própria língua.

Para ilustrar, leia o texto que se segue:

TRUS MOSTRAM VITALIDADE DA GÍRIA EM SP

Termo derivado de truta (amigo, companheiro), é usual nas rodinhas de


estudantes.

Ficar na port a de uma escola paulistana na hora da saída de aula pode ser uma
experiência única. Para quem não faz parte d a turma, compreender o que se diz é
tarefa pra lá de difícil. Meninos e meninas, com idade entre 13 e 17 anos, não
economizam em gírias das mais variadas e engraçadas, num código indecifrável:

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Língua Portuguesa

E aí, tru?! Belê?

Sussu

Vô na minha goma. Ta na fita?

Se pá eu vou lá.

Cola lá. Falou?

Trata-se do diálogo entre amigos. Um convida o outro para ir à sua casa. O que
foi convidado diz que talvez vá, mas não tem certeza. O outro reafirma o convite e
despede-se.

As gírias paulistanas, que nem sempre pegam ou viram mania nacion al como
as do Rio, onde recentemente nasceram sangue bom, sarado e o ah1 Eu tô maluco!,
originam-se, segundo os jovens da capital, nos bailes funk e escolas e entre
praticantes de skate e de surfe.

Depois de criadas, elas podem ser ouvidas nas conversas de jovens de todas as
regiões da cidade. Além das já imortalizadas mina e ô, meu, são incontáveis as
expressões inventadas pela moçada. “Não sei explicar, mas minha goma é o
mesmo que minha casa”, diz Jonas Spindell, de 16 anos, estudante do Colégio
Equipe, em Pinheiros, zona oeste.

Só para falar – Escrever o que se diz é uma dificuldade. “Acho que sussu se
escreve assim, com dois esses”, arrisca Pedro Fiorino Barros, de 15 anos. “A gíria é
para ser dita e não escrita”, define Spindell.

Muitas vezes, elas têm dois ou mais significados ou são criadas a partir de
outras. Tru, por exemplo, vem de truta, que significa companheiro, amigo. Nos
últimos meses, os garotos têm pontuado suas frases com o tá ligado?. Usam a
expressão no fim das frases para reafirmar uma idéia. “Tipo assim é outra coisa que
a gente fala muito”, diz Gabriela Gehrke, de 15 anos.

68
Língua Portuguesa

Colega de classe de Gabriela, Soraia Barbosa Cardoso, de 15 anos, é nova na


escola, mas já ganhou um novo repertório de palavras. “No outro colégio não se
falava tant a gíria”, diz. “É uma coisa que, quando a gente vê, já está falando.”

Há divergências na hor a de empregar as palavras. Os meninos não saem mais


para azarar, mas para c atar umas minas.

“Acho muito feio dizer isso”, diz Luísa Werneck, de 17 anos, Sua colega Renata
Lins Alves, de 15 anos, não se intimida em adaptar a expressão: “As meninas
podem dizer que vão catar uns manos.”

“Procedê” – Na escola Estadual Padre Manuel da Nóbrega, na Casa Verde, zona


norte, são as meninas que mais usam termos esquisitos, “Quando um cara está
interessado, mas não quero nada, digo: Ih! Parei com as drogas”, diz Gabriela
Novaes do Amaral, de 15 anos.

“Surfar é o mesmo que transar, trocar um procedê é quando o cara quer ficar
com uma menina”, ensina Jaqueline de Oliveira Santos, de 14 anos. “Pá e tal,
derrepentemente também serve para dizer que a pessoa está a fim de ficar”,
completa Diana Chaves da Silva de 15.

( Cláudia Fontoura. O Estado de S. Paulo, 5 out. 1997.)

Lendo e respondendo sobre o texto

1) O uso de gíria por parte dos jovens estudantes tem algum propósito
definido? Comente.

2) Qual a função do itálico no texto? Há coerência no seu emprego?

3) Explique por que é difícil escrever os termos de gírias.

69
Língua Portuguesa

4) O texto está dividido em três partes. Essa divisão corresponde ao


esquema de idéias adotado pelo redator para desenvolver seu texto?
Explique.

5) Você usa gíria? Os textos que lê ou escreve apresentam termos de


gíria?Comente.

B) A linguagem da Internet: a natureza interativa da Internet, ao contrário


da televisão, tenta estimular o intercâmbio entre as pessoas, como interlocutores
das famosas “ salas de bate-papos”. É bom ressaltar, entretanto, que a língua escrita,
na rede, assume uma forma peculiar, em que foi criado um código misto, que faz
uso de sinais capazes de expressão alegria, tristeza, choro, dúvida, decepção, etc.

Também lançam mão de abreviaturas, de início de palavras, de apenas uma


letra para significar muitas palavras e até frases. É bom lembrar, porém, que essa
linguagem serve apenas para incrementar a agilidade da conversação, mas nunca
para responder a questionário, enviar curriculum, mandar mensagens de caráter
formal, etc.

3º Eixo: variant es regionais

Também chamadas de variação geográfica ou dialetos, esse tipo de


variante, no Brasil, é bastante grande e facilmente notada. Caracteriza-se pela
diferenciação do acento linguístico – conjunto das qualid ades fisiológicas do som
no que tange à altura, ao timbre, à intensidade – e por isso é um tipo de variante
cujas marcas se notam basicamente na pronúncia.

70
Língua Portuguesa

Também percebemos essa variaç ão geográfica no vocabulár io, em certas


frases estruturadas de modo diferente e no sentido que algumas palavras
assumem em diversas regiões do país. Também chamadas de dialetos, essas
variantes regionais podem ser bem distintas, quer no falar nordestino, pela
abertura das vogais pré-tônicas; quer na pronúncia dos gaúchos, que se caracteriza
por uma entonação particular; quer na maneira peculiar de se pronunciar o fonema
“s” final das palavras (normalmente, de modo chiado).

Ainda, chamamos atenção para as variações geográficas encontradas no


vocabulário. Basta percebermos o uso de expressões encontradas nas diferentes
regiões geográficas brasileiras, com toda a sua peculariedade e distinção.

Da mesma maneira, as regiões urbanas e rurais possuem vocabulário e


pronúncias diferentes, além das expressões típicas que encontramos em cada uma
dessas localidades.

4º eixo: as variant es de época:

Sabemos que as línguas não são fixas, estáticas. Esse caráter dinâmico,
mutável é que nos apresenta palavras cujo uso está defasado, perderam o seu
sentido original, deram lugar a outras palavras; enfim, houve uma mudança
significativa que é registrada pelos livros escritos no início do século XVIII, em
contrapartida com os de hoje, por exemplo.

Para ilustrar esse tipo de variante, leia os trechos de dois textos de Carlos
Drummond de Andrade, que mostram como a língua vai mudando com o tempo:

71
Língua Portuguesa

TEXTO 1: ANTIGAMENTE

Antigamente, as moças chamam-se mademoiselles e eram todas mimosas


e prendadas. Não faziam anos: completavam primaveras, em geram dezoito. Os
janotas, mesmo não sendo rapagões, faziam-lhes pé-de-alferes, arrastando a asa,
mas ficavam longos meses debaixo do balaio. E se levavam tábua, o remédio era
tirar o cavalo da chuva e ir pregar em outra freguesia. (..) Os mais idosos, depois da
janta, faziam o quilo, saindo para tomar a fresca; e também tomavam cautela de
não apanhar sereno. Os mais jovens, esses iam ao animatógrafo, e mais tarde ao
cinematógrafo, chupando balas de altéia. Ou sonhavam em andar de aeroplano; os
quais, de pouco siso, se metiam em camisas de onze varas, e até em calças pardas;
não admira que dessem com os burros n’água.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar,
1988.

TEXTO 2: ENTRE-PALAVRAS
Entre coisas e palavras – principalmente entre palavras – circulamos. A
maioria delas não figura nos dicionários de há trinta anos, ou figura com outras
acepções. A todo momento impõe-se tomar conhecimento de novas palavras e
combinações de.
....................................................................................................................................
O malote, o cassete, o spray, o fuscão, o copião, a Vemaguet, a chacrete, o
linóleo, o nylon, o nycron, o dit afone, a informática, a dublagem, o sinteco, o telex
..... existiam em 1940?
....................................................................................................................................

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Língua Portuguesa

Estão reclamando, porque não citei a conotaç ão, o conglomerado, a


diagramação, o ideograma, o idioleto, o ICM, a IBM, o falou, as operações
triangulares, o zoom e a guitarra elétrica.
.................................................................................................................................... Não havia nad a
disso no jornal do tempo de Venceslau Brás, ou mesmo, de Washington Luís.
Algumas dessas coisas começam a aparecer sob Getúlio Vargas. Hoje estão ali na
esquina, para consumo geral. A enumeração caótica não é uma invenção crítica de
Leo Spitzer. Está aí, na vida de todos os dias. Entre palavras circulamos, vivemos,
morremos, e palavras somos, finalmente, mas com que significado?
ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988.

5º Eixo: as variant es de estilo:

Entendemos, aqui, as variações nos enunciados linguísticos que se relacionam


aos diferentes graus de formalidade do contexto de interlocução. Podemos
explicá-las, partindo do princípio de maior ou menor conhecimento e proximidade
entre os falantes. Em um dos pólos, tomando-o como eixo contínuo de
formalidade, temos as situações informais em que se manifesta a linguagem. No
outro extremo desse mesmo eixo temático, encontramos as situações formais de
uso da linguagem (por exemplo, as escolhas linguísticas caracterizando um
discurso feito em um Congresso).

Também podemos lembrar que as variações de estilo podem ocorrer em


relação aos escritores e poetas da nossa literatura. Mesmo sendo representantes de
um mesmo momento literário, encontramos autores com estilos bastante
diferentes. Como exemplo, podemos citar Manuel Bandeira e Mário de Andrade.

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Língua Portuguesa

EXERCÍCIOS – UNIDADE 5

As diversidades do uso da língua: os níveis de linguagem

Leia os itens abaixo e responda à questão 1:


I) Positivo! O elemento acaba de ser preso
II) Que mandioca o quê, mineiro, aqui, isso se chama macaxeira
III) Ó meu docinho, a mamãe te ama

1) Sobre os enunciados acima, só não é correto afirmar que:

(a) em I, II e III, há variedades linguísticas

(b) em I e II, há, respectivamente, jargão profissional e variedade regional

(c) em III, há predominância do uso familiar da linguagem

(d) em I, II e III, há exemplificação de homogeneidade linguística

(e) em III, há afetividade por parte do falante.

2) Em “ vou cumprimentar a mademoiselle que completa 18 primaveras hoje”;


“olá, que tal um passeio pela cidade” e “o propósito da presente palestra é
tornar claros os seguintes pontos: assiduidade profissional e credibilidade”,
registram-se, respectivamente, as seguintes modalidades linguísticas:

(a) de época, coloquial e formal

74
Língua Portuguesa
(b) coloquial, de época e formal
(c) formal, de época e padrão
(d) formal, de época e coloquial
(e) coloquial, de época e coloquial.

3) Um professor, em uma turma de 8 a série, ao solicitar que cada grupo de alunos


redija um texto, opinando sobre a redução da maioridade penal, e o envie para
destinatários diferentes: ao presidente da República do Brasil; a um jornal de
grande circulaç ão de sua cid ade; à autoridade máxima de sua denominação
religiosa; ao colega de outro turno escolar, objetiva, especialmente, que:

(a) os alunos respeitem a variação regional de cada falante


(b) os alunos conheçam apenas a modalidade culta da língua
(c) os alunos aprendam a usar diferentes registros linguísticos no meio
social
(d) os alunos preconizem apenas a modalidade coloquial da língua
(e) os alunos deem preferência a modalidade oral da língua

Leia o relato a seguir e responda ao que se pede:

Nóis fico sem lúiz.


Tem uns inquilinu lá né, então,
Tudo barracu qui meu padastru tinha alugadu.
Então um cumeçô num pagá, atrasá c’ u alugue,
Dipois num pagava lúiz nem nada.
Aí us otru falaru: “Só nóis qui vai pagá, tudu mundu usanu!
Aí cumeçaru a num pagá tamém,
Um pagá, u otru num pagá,
Aí meu padastru pego i corto.

Num pagô tamém na laiti,

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Língua Portuguesa

Aí cortaru né.
Aí ficamu sem lúiz dipois, né.
(narrativa de um adolescente nascido em São Paulo, carregador de pacotes em
um grande supermercado e morador de uma das favelas da cidade, in:
TARALLO, Fernando. A Pesquisa Sociolinguística. Ática, São Paulo, 1994).

4) Através do texto, nota-se um pensamento de grande parte dos brasileiros:


“não é justo somente uma pessoa trabalhar e as outras apenas usufruírem
desse trabalho”. A alternativa abaixo que contém uma frase demonstradora
desse pensamento é:

(a) nóis fico sem luiz aí, seis méis sem luiz

(b) tem us inquilinu lá né, então

(c) aí us otru falaru: “Só nóis qui vai pagá, tudu mundu usanu”

(d) aí cortaru né

(e) aí ficaru sem luiz depois, né

5) Sobre o texto é correto afirmar que:

(a) há predominância de termos regionais

(b) o texto é altamente formal, embora faça parte de um relato

(c) há, no texto, pormenores sociais de uma comunidade ágrafa

(d) a escrita do texto representa particularidades da oralidades linguística

(e) o texto deixa transparecer particularidades linguísticas de uma


modalidade de época

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Língua Portuguesa

6) Marque a opção abaixo que registra aspectos predominantes na modalidade


oral da língua:

(a) há usos de elementos como: entonação, gestos, ritmos, etc.

(b) há amplo uso de oração subordinada

(c) há necessidade de explicar o contexto situacional (lugar onde se fala,


momento da fala, etc.)

(d) há emprego marcante de sinais de pontuação, tais como: dois pontos,


ponto e vírgula

(e) há preferência pelo uso de frases longas

7) O uso coloquial da língua só é adequado na situação descrita na seguinte


alternativa:
(a) pronunciamentos de altas autoridades em cerimônias de posses
(b) palestras para graduandos em congressos sobre Educação
(c) relatos de jogos de futebol aos amigos
(d) cumprimentos a autoridades como juízes, governadores e prefeitos
(e) editoriais feitos por telejornais como Jornal Nacional, Jornal Band e
Repórter Record.

Leia o texto abaixo e responda ao que se pede:

(...)- Então lá [Portugal] há moças bem arreadas?- perguntou Emília.

Sim - respondeu a velha. Uma dama bem arreada não espanta ninguém lá no
outro lado. Aqui [Brasil], MOÇO significa jovem; lá, significa serviçal, criado.

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Língua Portuguesa

Também no modo de pronunciar as palavras existem variações. Aqui, todos


dizem PEITO; lá, todos dizem PAITO, embora escrevam a palavra da mesma
maneira. Aqui se diz TENHO e lá se diz TANHO. Aqui se diz VERÃO e lá se diz V’RÃO.

- Também eles dizem por lá VATATA, VACALHAU, BAVA, VESOURO- lembrou


Pedrinho.

- Sim, o povo de lá troca muito o V pelo B e vice-versa.

Nesse caso, aqui nesta cidade [Brasil] se fala mais direito do que

na cidade velha [Portugal] - concluiu Narizinho. (...)

O que sucede é que uma língua, sempre que muda de terra, começa a variar
muito mais depressa do que se não tivesse mudado. Os costumes são outros, a
natureza é outra - as necessidades de expressão tornam-se outras. Tudo junto força
uma língua que emigra a adaptar-se à sua nova pátria (...).

(MONTEIRO LOBATO in Emília no País da Gramática)

8) A respeito do texto de Monteiro Lobato, acima, é correto afirmar que:

(a) uma língua sofre variação apenas no âmbito da escrita

(b) uma língua não sofre variação na modalidade oral

(c) a língua que emigra perde totalmente as características de sua terra


de origem

(d) a mudança linguística ocorre em razão da falta de apego à pátria

(e) a variação linguística ocorre em função de fatores particulares: costumes,


histórias, etc.

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Língua Portuguesa

9 - Explique o que se pode entender por variação linguística e identifique a


principal var iedade linguística ilustrada no texto de Monteiro Lobato
exemplificado na questão 8:

_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
Observe o texto seguinte para responder à questão 10:

Cara, esse trambolho aí já era: pineu furado, para brisa ferrado. Ah!
Troque ele por outro carro mais chão.

10- Leia texto acima e responda ao que se pede nos itens I e II:
I) Diferencie modalidades formal e coloquial da língua
II) Reescreva o trecho ilustrado acima para a modalidade formal da língua.

_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________

79
Língua Portuguesa

Os mecanismos de

6 combinação e seleção: a
coerência – a articulação de
sentidos

Os mecanismos de combinação e articulação de sentidos.

A Coerência Textual.

Os Tipos de Coerência Textual: a coerência semântica, a coerênc


sintática, a coerência estilística, a coerência pragmática.
A diferença entre coerência global e coerência local.

80
Língua Portuguesa

Conforme falamos na nossa aula anterior, o assunto dessa semana trata de


como podemos combinar os elementos para a formação de um texto coeso, claro,
conciso e coerente.

Uma excelente semana de aula para você!!!

Como você já deve ter percebido, escrever não é só colocar as ideias no


papel. Até porque essas idéias não surgem do nada. Elas fazem parte do processo
de comunicação de que participamos e de todas as informações que nos chegam,
através de trocas de experiências com seus interlocutores e muita, muita leitura.

Veja a manchete de um jornal de grande circu lação nacional que


publicou o seguinte:

Professoras mandam carta a deputados protestando contra


o aumento de seus salários.

Repare que, da forma como a manchete foi redigida, o leitor poderia


entendê-la de dois modos diversos: as professoras, chateadas com o aumento
insignificante de seus salários, reclamam, protestando, através de uma carta, aos
senhores deputados; ou as professoras questionam o aumento de salário que os
deputados tiveram, comparando com o salário delas e escrevem-nos protestando.

Por que essa dupla interpretação aconteceu e acontece quando menos


esperamos?

Nesse caso, é o emprego do pronome “seus” o causador desse duplo


sentido. Podemos dizer que o pronome possessivo destacado também pode se
referir aos salários das professoras como dos deputados.

81
Língua Portuguesa

Sendo o texto ‘uma unidade de sentido’, os elementos que o


compõem (palavras, orações, períodos) precisam se relacionar harmonicamente.

A estruturação de uma simples frase pode ser comparada com a


articulação de um esqueleto com seus ossos. Do mesmo jeito que uma articulação
entre dois ou mais ossos acontece, resultando num movimento, as palavras devem
combinar umas com as outras numa articulação de pensamentos, tornando o texto
coeso, com nexo. Não se esqueça de que nexo significa “ligação, vínculo”

Esse modo de estruturar o texto, a combinação e seleção das palavras


para evitar a falta de nexo, recebem o nome de mecanismos de coesão.

A coesão decorre das relações de sentido que se operam entre os


elementos de um texto. Também resulta da perfeita relação de sentido que tem de
haver entre as partes de um texto. Assim, o uso de conectivos é de grande
importância para que possa haver coesão textual.

Veja o significado da palavra conectivo, t irado do d icionário Michaellis


Eletrônico – Michaelis Moderno Dicionário da Língua Portuguesa – 2000.

co.nec.ti.vo adj (lat connect(ere)

+ivo) Que liga, ou une. sm 1 Gram Vocábulo que estabelece conexão entre
palavr as ou partes de uma frase. Em português são conectivos: conjunções,
pronomes relativos e preposições (Matoso Câmara Jr.).

Veja o texto que se segue:

“Além de ter liberdade para receber e transmitir informações é preciso que


todos sejam livres para manifestar opiniões e críticas sobre o comportamento do

82
Língua Portuguesa

governo. Não basta, porém, dizer na Constituição que essas liberdades existem. É
preciso que existam meios concretos ao alcance de todo o povo par a a obtenção e
divulgação de informações, e por esses meios o povo participe constantemente do
governo, que existe para realizar sua vontade, satisfazer suas necessidades e
promover a melhoria de suas condições de vida. “

DALLARI, Dalmo de Abreu. In: Viver em sociedade. São Paulo: Ed itora


Moderna, 1985. p. 41.

Atente para o fato de que as orações que formam esse trecho apresentam uma
perfeita relação de sentido criada com a ajuda dos conectivos. Vamos analisar um a
um os períodos encontrados no texto transcrito acima para entender esses
mecanismos relacionais que os conectivos nos dão.

“Além de ter liberdade para receber e transmitir informações é preciso que todos
sejam livres para manifestar opiniões e críticas sobre o comportamento do governo.”

No 1º segmento, encontramos a locução conjuntiva ‘além de’ que introduz as


orações seguintes, ambas subordinadas adverbiais finais ‘para receber e (para)
transmitir’, que por sua vez são coordenadas aditivas entre si, ou seja, têm a
mesma função.

Na 2ª oração “Não basta, porém, dizer na Constituição que essas liberdades


existem”, a conjunção destacada indica contradição, oposição ou restrição ao que
foi dito na oração anterior.

Já, no último segmento do texto, no trecho sublinhado, encontramos o


pronome relativo que retomando o substantivo governo da oraç ão anterior e que
aparece como oração principal de três outras orações subordinadas a ela, também
com o sentido de finalidade – para realizar sua vontade; (para) satisfazer suas
necessidades e (para) promover a melhoria de suas condições de vida.

83
Língua Portuguesa

Veja o trecho agora, por inteiro:

‘É preciso que existam meios concretos ao alcance de todo o povo para a


obtenção e divulgação de informações, e por esses meios o povo participe
constantemente do governo, que existe para realizar sua vontade, satisfazer suas
necessidades e promover a melhoria de suas condições de vida’

Repare que trabalhamos com os conectores (outro nome para os conectivos)


visando à perfeita relação de sentido que deve haver entre as partes que compõem
um texto.

Sendo os conectivos elementos que relacionam partes de um discurso,


estabelecendo relações de significado entre essas partes, possuem valores
próprios, uns exprimindo finalidade, outros, oposição; outros, escolha e assim por
diante.

A seleção vocabular é também um importante mecanismo coesivo e a


estamos empregando quando substituímos uma palavra que já foi usada por outra
que lhe retoma o sentido. Podemos usar sinônimos, pronomes (retos ou oblíquos),
pronomes relativos, etc.

Esse mecanismo seletivo, além de dar coesão ao texto, tem função


estilística, pois permite que as palavras não sejam repetidas.

De maneira geral, podemos dizer que temos um texto coerente e coeso


quando este não contém contradições, o vocabulário utilizado está adequado, as
afirmações são relevantes para o desenvolvimento do tema, os fatos estão
corretamente seqüenciados; ou seja, o texto deverá estar constituído de relações
de sentido entre os vocábulos, expressões e frases e do encadeamento linear das
unidades lingüísticas no texto.

84
Língua Portuguesa

O inverso é verdadeiro e podemos dizer que não haverá coesão quando, por
exemplo, empregarmos conjunções e pronomes de modo inadequado, deixarmos
palavr as ou até frases inteiras desconectadas e quando a escolha vocabular foi
inadequada, levando à ambiguid ade, entre outros problemas.

Aconselhamos que, para se perceber a falta de coesão no texto produzido


por você, o melhor que se tem a fazer é lê-lo atentamente, estabelecer as relações
entre as palavras que o compõem, as orações que formam os períodos e, por fim,
os períodos que formam o texto.

Vejamos a acepção do vocábulo coerência, retirado do Dicionário Houaiss da


Língua Portuguesa - Eletrônico / 2001.

CO.E.RÊN.CIA

■ substantivo feminino

qualidade, condição ou estado de coerente

ligação, nexo ou harmonia entre dois fatos ou duas ideias; relação harmônica,
conexão

congruência, harmonia de uma coisa com o fim a que se destina

uniformidade no proceder, igualdade de ânimo

Como você deve ter percebido, coerência diz respeito a tudo que se
harmoniza entre si, que tem ligação. O conceito da palavra se relaciona à presença
de conexão, de nexo entre as ideias. Isso porque buscamos sempre a existência de
sentido, quer seja ao refletirmos sobre algo; quer seja, interpretando o que nos

85
Língua Portuguesa

rodeia; quer seja, ao tentarmos compreender o conteúdo daquilo que nos é


apresentado em forma de texto escrito.

Para que possamos exemplificar as acepções do vocábulo, na prática, leia o


texto que se segue que consiste em uma redação de um vestibulando, cujo
conteúdo, como veremos ao lê-lo, é truncado e, por vezes, há a necessidade da
retomada da leitura para a sua melhor compreensão.

“Felicidade é um viver como aprendiz. É retirar de cada fase da vida uma


experiências significativa para o alc ance de nossos ideais.

É basear-se na simplicidade do caráter ao executar problemas complexos; ser


catarse permanente de doação sincera e espontânea.

A felicidade, onde não existem técnicas científicas para sua obtenção, faz-se de
pequenos fragmentos captados de sensíveis expressões vivenciais. Cada dia traz,
inserido na sua forma, um momento cujo silêncio sussurra no interior de cada
vivente chamando-o para a reflexão de um episódio feliz.”

Vestibular – Universidade Federal de Uberlândia. Apud Ingedore Villaça Koch e


Luiz Carlos Travaglia. In. A Coerência Textual. São Paulo: Contexto, 2001. p. 36

Assim, podemos inferir que o uso de algumas expressões compromete o


entendimento do texto. Como exemplo, citamos “simplicidade do caráter ao
executar problemas complexos” e “ser catarse permanente de doação sincera e
espontânea”. Também, o pronome relativo ‘onde’ – indicativo de lugar – na oração
“A felicidade, onde não existem técnicas científicas para sua obtenção ...” está
completamente inadequado. Até a construção inversa da frase, compromete-a.

Mesmo tendo uma incoerência, causada pelo mau uso de elementos


lingüísticos, conseguimos detectar o tema e o assunto do texto. Portanto, essa
incoerência não impede totalmente a sua compreensão.

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Língua Portuguesa

Sendo assim, a coerência textual é um processo que inclui dois fatores


básicos:

1º) o conhecimento que o emissor e o receptor têm do que está sendo tratado
no texto;

2º) o conhecimento que têm da língua usada: a tipologia textual, o


vocabulário, os recursos da estilísticas, etc.

É claro que o tipo de texto influencia no processo da construção de


sentido. Os textos literários e publicitários, Por exemplo, manifestam a coerência de
um modo diferente da coerência de um texto dissertativo, em que os recursos
lingüísticos devem facilitar a compreensão do assunto. Um poeta não precisa
desses mecanismos da linguagem, pois o sentido de um texto literário não tem o
compromisso de contemplar o raciocínio lógico-argumentativo de uma
dissertação.

As autoras Marina Ferreira e Tânia Pellegrini – em seu livro Redação: palavra e


arte . São Paulo: Atual, 1999. – fazem uma chamada na p. 221 que vale à pena
reproduzir:

“Quando você estiver lendo um texto qualquer; veja se é capaz de falar sobre seus
pontos mais importantes, se consegue discorrer sobre ele, ligando uma ideia à outra,
numa sequência lógica. Se não conseguir, é porque ainda não compreendeu esse texto.
Nesse caso, tente identificar se sua dificuldade reside nos termos empregados, na
organização das frases ou no próprio assunto debatido. Leia, então, de novo, uma vez,
outra, até entender.

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Língua Portuguesa

E ao escrever sua redação, antes de passá-la a limpo, observe se há


continuidade no desenvolvimento das idéias, se uma ‘puxa’’ a outra, se você as
percebe globalmente, como um todo, se não há contradições, enfim, se é um texto
coerente. E lembre-se de que fazer rascunhos é muito importante para o exercício
da coerência.

A coerência textual, tem basicamente a ver com as condições para se


estabelecer um sentido em um determinado contexto.

Sendo assim, coerência textual é a relação harmônica que se dá entre as


partes de um texto, em um contexto específico, sendo responsável pela percepção
de uma unidade de sentido.

Para detectarmos se um texto é coerente ou incoerente teremos que


levar em conta o contexto em que um texto (ou ainda uma gravura, uma pintura,
uma escultura) foi feito.

Queremos deixar claro que nada é incoerente por si só. Algumas


passagens textuais (quer orais, quer escritas) apresentam incoerência por falta de
habilidade do emissor no uso da língua, em seus diversos níveis. Muitas vezes, ao
indicarmos alguma incoerência ou contradição na fala ou no texto escrito por
alguém, ouvimos: “Não foi bem isso que eu quis dizer!” “Eu escrevi isso?”

No livro A Coerência Textual de Ingedore V. Koch e Luiz Carlos Travaglia


(Editora Contexto, 1996) trata dos vários níveis em que a coerência textual se
manifesta.

COERÊNCIA SEMÂNTICA: diz respeito à relação entre os significados dos


elementos das frases em sequência em um texto ou entre os elementos de um
texto como um todo.

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Língua Portuguesa

A contradição de sentidos também compromete a coerência semântica como


podemos perceber no exemplo que se segue:

“A frente da casa de vovó é voltada para o leste e tem uma enorme varanda.
Todas as tardes ela fica na varanda em sua cadeira de balanço apreciando o pôr-do-
sol. ”

Assim, a posição da frente da casa e o fato da avó ver o pôr-do-sol são


contraditórios, visto que o sol se põe a oeste e a localização da casa está no leste.

COERÊNCIA SINTÁTICA: trata dos meios sintáticos para expressar a coerência


semântica, ou seja, o uso de conectivos, pronomes, sintagmas nominais. A
coerência sintática nada mais é do que um dos aspectos da coesão.

COERÊNCIA ESTILÍSTICA: responde pelo fato de um usuário empregar em


seu texto elementos linguísticos pertencentes ao mesmo registro linguístico. Seria,
por exemplo, incoerente, o uso de gíria em textos acadêmicos.

COERÊNCIA PRA GMÁTICA: tem a ver com o texto visto como uma sequência
do ato de falar. Os atos da fala devem satisfazer as condições presentes em uma
dada situação comunicativa. Isso quer dizer que se um amigo faz um pedido a
outro, este deverá responder algo que esteja dentro do “contexto”, ou seja, dentro
de uma situação de comunicação.

Veja, como exemplo, um diálogo com incoerência pragmática para que você
possa entender melhor esse aspecto:

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Língua Portuguesa

Você pode me emprestar seu livro do Guimarães Rosa?

Hoje eu comi um chocolate que é uma delícia.

Existe, também, uma distinção importante que deve ser citada aqui. É a
diferença entre coerência global – propriedade tomada em um texto como um
todo e a coerência local, que pode ser percebida em sequências textuais menores.
Muitas vezes, o fato de ocorrer incoerência de ordem local em um texto, não
significa que o mesmo foi prejudicado como um todo, pois podemos entender a
sua mensagem, mesmo como trechos incoerentes.

Sendo assim, concluímos que a coerência é resultado da não-contradição


entre os diversos segmentos textuais.

Reiteramos que enquanto a coesão existe no plano linguístico, isto é, nas


relações semânticas e gramaticais entre as partes de um texto, a coerência se
estende para o plano das idéias, dos conceitos.

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Língua Portuguesa

EXERCÍCIOS – UNIDADE 6

Os mecanismos de combinação e seleção: a coerência - a articulação dos


sentidos
Leia o texto abaixo e responda às questões 1 e 2:

A Vaguidão Específica

“As mulheres têm uma maneira de falar que eu chamo de vago-específica.”


(Richard Gehman)

- Maria, ponha isso lá fora em qualquer parte.


- Junto com as outras?
- Não ponha junto com as outras, não. Senão pode vir alguém e querer fazer
qualquer coisa com elas. Ponha no lugar do outro dia.
- Sim senhora. Olha, o homem está aí.
- Aquele de quando choveu?
- Não, o que a senhora foi lá e falou com ele no domingo.
-Que é que você disse a ele?
- Eu disse para ele continuar.
- Ele já começou?
- Acho que já. Eu disse que podia principiar por onde quisesse.
- É bom?
- Mais ou menos. O outro parece mais capaz.
- Você trouxe tudo para cima?
- Não senhora, trouxe as coisas. O resto não trouxe porque a senhora recomendou
para deixar até a véspera.
- Mas traga, traga. Na ocasião, nós descemos tudo de novo.
É melhor senão atravanca a entrada e ele reclama como na outra noite.
- Está bem, vou ver como.

Millôr Fernandes in: Trinta anos de Mim Mesmo)

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Língua Portuguesa

1. Pode-se dizer que, para o leitor, o desconhecimento do local, da época e do


grau de afinidade entre as duas mulheres do diálogo implica:

(a) diálogo coerente, pois é fácil inferir o tema d a conversa d as duas


mulheres.

(b) falta de conexão gramatical no diálogo das duas mulheres.

(c ) incoerência textual , pois não é possível entender o assunto das duas


mulheres.

(d) ausência de interação comunicativa entre as duas mulheres.

(e) interação comunicativa estabelecida entre leitor e as duas mulheres.

2. A respeito do Título “Vaguidão específica” e da frase de Richard Gehman


associados ao diálogo das duas mulheres, pode-se afirmar que:

(a) há incoerência de Millôr Fernandes, pois a frase de outro autor ficou


descontextualizada no diálogo das personagens.

(b) o título do texto e a frase de R.. Gehman demonstram vaguidão de


Millôr Fernandes em relação ao texto.

(c) a vaguid ão dita por Millôr refere-se à falta de leitura do leitor e não das
mulheres do diálogo.

(d) a frase de R. Gehman e o título do texto tornam coerente o texto de


Millôr.

(e) a frase de R. Gehman e o título do texto enfraquecem a tese de Millôr


sobre o falar das mulheres.

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Língua Portuguesa

Leia o texto abaixo e responda às questões 3 e 4.


Perguntas idiotas
Garçon (para o casal que senta à mesa) - É para dois?
Homem - Não, eu vou comer e ela só vai ficar assistindo.
Maître (ao freguês que chega) - É pra jantar?
Freguês - Não, é pra jogar tênis. (pausa) Tem raquete? Não?! Então a gente
aproveita e janta.
Mulher (ao marido chegando em casa todo molhado) - Está chovendo?
Marido - Não , é que todo mundo na rua resolveu cuspir em mim,
Amigo 1 (encontrando outro na rua) - Cortou o cabelo?
Amigo 2 - Não, caiu
Repórte r de TV (para senhora subindo escadaria da igreja de joelhos) - Pagando
promessas?
Senhora - Não, é que sou muito alta, então eu ando assim pra não chamar a
atenção.
Dona de casa (abrindo a porta para o convidado) - Oi, você veio?
Convida do - Não, não sou eu não, é o outro.
Namorada (recebendo flores) - São flores?
Namorado - Não, são cenouras.
Namorada (na volta do cinema, encontrando namorado com capacete na mão) -
Veio de moto?
Namorado - Não, eu vim com isso na cabeça pra não despentear o cabelo.
Chefe (no escritório) - Voltou de férias?
Empregado - Não, ainda tô lá.
Passageiro 1 (a bordo do avião) - Está indo pra Goiás?
Passageiro 2 - Não, eu peguei o avião errado.
Ascensorista (no térreo, para hóspede que chega) - Sobe?
Hóspede - Não, eu quero só ficar dentro do elevador parado.
Apostador (no prado) - A senhora gosta de corridas de cavalos?
Apostadora - Não, eu venho aqui para sofrer.
Médico - Dói?
Paciente - Não, eu estou gritando só pra assustar a enfermeira.
Senhora (ao ver um senhor acendendo um charuto) - O senhor fuma charuto?
Senhor - Não, senhora, é que eu estou treinando pra pai-de-santo.
Banhista fora d’água - Aí onde você está dá pé?
Banhista dentro d’água - Só lá no fundo.

(Jô Soares in Revista Veja, 30/06/93).

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Língua Portuguesa

3. O texto de Jô Soares, acima, apresenta um título:

(a) coerente, pois as perguntas são desnecessárias em razão do contexto


situacional em que ocorrem.

(b) incoerente, pois todo mundo tem direito a perguntar o que quiser.

(c) ofensivo, pois choca o leitor e o afasta da leitura.

(d) fora de contexto, pois toda pergunta merece uma resposta.

(e) sem coerência, pois fala de várias situações ao mesmo tempo.

4. Através do humor de Jô Soares, nota-se que a coerência de um texto pode


ser estabelecida por todos os itens constantes nas alternativas abaixo,
excetuando-se:
(a) inferência ou deduções por parte do leitor.
(b) conhecimento, exclusivamente, dos mecanismos de coesão por parte
do leitor.
(c) conhecimento do lugar em que estão os interlocutores.
(d) conhecimento dos papéis sociais (ou da profissão) dos interlocutores
por parte do leitor.
(e) pressuposições por parte do leitor.

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Língua Portuguesa

Leia os textos I e II do quadro abaixo e responda à questão 5:

I) II)
Luís Cláudio, os professores da Novo ataque aos Estados
UNIVERSO, a Lúcia e o genro, a atleta Unidos, todas as escolas do Brasil
Dayane dos Santos, o porteiro do terão de hastear a Bandeira
prédio. Nacional, o preço da gasolina cai
pela metade, o otimismo faz bem
à saúde.

5. Se acrescentarmos as expressões “Segue a lista de convidados para a festa


natalina”( par a o texto I) e “Estas são as notícias dos jornais de hoje”, (para o
texto II), tornaremos os textos:

(a) incoerentes.

(b) imprecisos.

(c) coerentes.

(d) apenas coesos.

(e) sem coesão e sem coerência.

6. No seguinte texto “ Da costela de Adão, Deus fez a mulher. O único a fazer uma
costela melhor que a nossa (Estrela do Sul- Churrascaria – RJ)”, o anúncio só terá
efeito de sentido (coerência) para o leitor que tiver conhecimento linguístico e de
mundo, pois a mensagem primordial do texto é:

(a) só Deus todo-poderoso sabe fazer costelas quentinhas e bem passadas.

(b) a existência da mulher depende da existência do homem.

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Língua Portuguesa

(c ) apenas a Estrela do Sul supera a sabedoria de Deus.

(d) a Estrela do Sul oferece o melhor churrasco da cidade.

(e) a Estrela do Sul agradece a Deus pela existência das mulheres.

Leia os textos abaixo e responda à questão 07:

Eu sou uma pessoa totalmente a favor da leitura. Através da leitura, o ser humano
fica preso a um mundinho só dele, sem interagir com outras pessoas, sem
perspectiva de vida. Isso enfraquece a humanidade.

7. O texto acima apresenta-se incoerente, pois:

(a) há erros de ortografia em várias palavras.

(b) o texto apresenta uma ideia e, em seguida, contradiz essa mesma


ideia.

(c) o texto não apresenta ideias e nem argumentos.

(d) o texto fala de uma at ividade cultur al, desmerecendo outras também
importantes.

(e) o texto não apresenta elementos de coesão.

8. Uma distinção pertinente a respeito de coesão e coerência encontra-se na


seguinte alternativa:
(a) a coesão faz parte da superfície do texto e a coerência faz parte d a
interpretabilidade do leitor.
(b) a coesão é estabelecida pelo leitor e a coerência apenas pelo autor.

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Língua Portuguesa

(c) a coerência depende somente dos elementos linguísticos do texto e a


coesão depende da interpretação do leitor.
(d) a coesão depende do conhecimento prévio do leitor, a coerência
depende do conhecimento de gramática.
(e) a coerência depende da interpretação do leitor e a coesão depende
apenas de deduções do leitor.

9. Leia o texto “O aluno queria passar no concurs o, porém estudou muito e


passou em primeiro lugar” e reescreva-o apenas substituindo a palavra
sublinhada por outra que torne o texto, exemplificado, coerente para o
leitor.

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Durante uma entrevista ao apresentador Clodovil Hernandes, a dupla Pepê e


Neném afirmou “não tememos ser enganadas pelo nosso novo empresário no
momento, visto que ele está agindo conforme a lei, bem diferente do anterior”.

10. Leia o trecho da entrevista de Pepê e Neném, acima, e diga qual a


informação primordial a dupla fornece sobre o empresário anterior.

Possíveis respostas:

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Língua Portuguesa

7
Elementos coesivos – o
controle dos ‘nós’
linguísticos através dos
mecanismos coesivos

A Coesão Referencial: os processos de substituição de elementos e


de reiteração de elementos.

A Coesão Recorrencial: recorrência de termos, paráfrase, recursos


fonológicos, elipse.
A Coesão Seqüencial: a condicionalidade, a causalid ade, a
implicação lógica e a explicação ou justificativa.

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Língua Portuguesa

Nesta semana estaremos abordando – ainda dentro da Coesão Textual – os


elementos coesivos, ou seja, o controle dos “nós” linguísticos através dos
mecanismos coesivos.

Uma ótima semana de aulas para você!!!

Sendo a coesão uma d as marcas fundamentais da textualidade, ela pode


ocorrer através de alguns mecanismos que iremos abordar aqui.

Temos três tipos de coesão: a coesão referencial, a coesão recorrencial e a


coesão sequencial.

1. Coesão referencial:

Acontece quando um elemento da sequência textual se remete a outro


elemento do mesmo texto, substituindo-o.

Ex. Encontrei o livro que tanto procurava. Ele estava guardado na estante.

Ainda dentro da coesão referencial temos:

A substituição de um elemento por outro: se dá nas seguintes situações:

Nas formas pronominais:

Pronomes pessoais de terceira pessoa:

Ex. Os meninos saíram cedo da escola. Eles foram treinar para o torneio de
futebol.

99
Língua Portuguesa

Pronomes Indefinidos :

Ex. O aluno e a mãe foram chamados à direção d a escola, mas ninguém


compareceu.

Pronomes Possessivos:

Ex. Cássio levou um livro de suspense para a escola, porém quis ler o meu.

Pronomes Demonstrativos:

Ex. Márcia experimentou uma saia azul escura, mas decidiu comprar aquela.

Pronomes Interrogativos:

Ex. Celso, Ricardo e Tânia depuseram na Delegacia, entretanto quem disse a


verdade?

Pronomes Relativos:

Ex. Todos os alunos que foram convocados compareceram à reunião.

Nas formas verbais: nesse caso, encontramos os verbos fazer e ser empregados
referindo-se a todo o predicado da frase; não somente ao verbo.

Ex. A professora de Português corrigiu todas as provas, mas o de Matemática


não pode fazer o mesmo.

Nas formas adverbiais: substitui a circunstância indicada pelo advérbio


presente.

Ex. A garota saía cerca de três vezes por mês; seu irmão, nunca.

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Língua Portuguesa

Nas formas numerais: são usadas para substituir tudo aquilo que pode ser
mensurável.

Ex: O pai premiou o filho com duas surpresas; a primeira delas era um
computador novo.

Já li trinta pág inas desse livro, mas amanhã pretendo ler o dobro.

Reiteração de elementos do texto:

As repetições do mesmo termo:

de forma idêntica:

Ex. Comprou um lindo carro, mas o carro não era novo.

com um novo determinante:

Ex. Comprou um lindo carro, mas o esse carro estava batido.

de forma abreviada:

Ex. A Fundação Nacional do Índio quer combater os maus garimpeiros; portanto


a FUNAI controla as terras indígenas.

101
Língua Portuguesa

de forma ampliada:

Ex. O IBGE divulgou ontem alguns gráficos sobre a nossa economia; porém, o
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística não falou dos índices de inflação.

com palavra cognata:

Ex. Sabemos que passear é ótimo e muitos passeios são, ao mesmo tempo, fonte
de cultura.

Os sinônimos ou quase-sinônimos:

uso de hipônimos:

Ex. Houve um acidente envolvendo três veículos; os carros tiveram que ser
rebocados.

uso de hiperônimos:

Ex. Recebi um buquê de rosas amarelas; as flores estavam lindas!

nomes genéricos:

Ex. Comprei legumes, verduras, frutas e muitas outras coisas.

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Língua Portuguesa

termos-símbolos:

Ex. Durante o filme vimos os nazistas em ação; a cruz da suástica estava sempre
presente.

Apostos:

Ex. Pelé, rei do futebol, foi também Ministro dos Esportes.

A coesão recorrencial:

Tem como característica a repetição de um elemento anterior como alusão a


um mesmo referente. Esse tipo de coesão se dá pela:

Recorrênc ia de termos:

Ex. Ricardo tremia, tremia, tremia ...

Paralelismo: refere-se à recorrência da mesma estrutura sintática.

Ex. Amor escondido, dinheiro no banco e sol na segunda-feira nos trazem


insatisfação.

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Língua Portuguesa

Paráfrase: consiste na recorrência de conteúdos semânticos marcada por


expressões chamadas de introdutórias como isto é; ou seja; quer dizer; digo; ou
melhor; em outras palavras, etc.

Ex. Ele ainda não chegou até esse momento; isto é, não deve vir mais.

Recursos Fonológic os: fazemos uso de palavras que tenham sons idênticos,
ou quase, para dar idéia de rima.
Ex. Os problemas do Brasil são a corrupção, a inflação, a falta de feijão e a
alienação.

A elipse:
Ex. Tudo o queremos não é só o seu sucesso, mas a sua felicidade. (Seria o
mesmo que dizer: ‘Tudo o queremos não é só o seu sucesso, como (queremos também)
a sua felicidade)

A coesão sequencial:

Para esse tipo de coesão, fazemos uso de termos pertencentes ao mesmo campo
semântico por meio de novos acréscimos ao texto.

Esses acréscimos se dão através da:

Condicionalidade:
Ex. Caso ele apareça, mande-o me procurar.

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Língua Portuguesa

Causalidade :
Ex. Todos se interessaram pelo livro, porque falava de um assunto dado em aula.

Implicação Lógica:

Ex. Existe apenas um jeito de conseguir novamente a sua confiança: falando-


lhe toda a verdade.

Explicação ou Justificativa:

Ex. A prova estava fácil, pois todas as questões foram comentadas em sala-de-
aula.

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Língua Portuguesa

EXERCÍCIOS – UNIDADE 7

1. “A definição clássica de democracia a descreve como o governo do povo, pelo


povo e para o povo. Há aqui, de saída, uma homogeneização da cidadania (...)”

O advérbio acima sublinhado, de valor referencial, se aplica especificamente:

(A) ao Brasil.

(B) às sociedades capitalistas

(C) a uma sociedade de classes.

(D) à definição clássica de democracia.

(E) à realidade “em que há exploradores e explorados”.

2. O período no qual a falta de coerência se deve ao uso indevido da conjunção é:

(A) “Meu colega se esforçou muito, portanto não passou de ano.”

(B) “Mas, apesar dessas coisas todas, eu gosto de onde eu estudo.”

(C) “Só um na minha sala passou direto, que a escola não é muito boa...”

(D) “Porque não está num lugar adequado, não temos uma escola decente.”

(E) “Se a escola fosse boa, isso não acontecia que nós não somos tão ‘burros’
assim.”

106
Língua Portuguesa

Indique os mecanismos de coesão realizados nos segmentos textuais abaixo.

3. “O aluno saiu, mas ele e sua mãe voltaram logo a seguir.”

(A) coesão referencial de reiteração por sinônimo ou quase-sinônimo.

(B) coesão referencial de substituição por pronome substantivo indefinido.

(C) coesão referencial de substituição por um pronome pessoal de 3ª pessoa.

(D) coesão referencial de reiteração de elementos do texto.

(E) coesão referencial de reiteração de forma idêntica.

4. “Comprou flores e deu as rosas para a mulher.”

(A) coesão referencial de substituição por formas pronominais.

(B) coesão referencial por sinônimos ou quase-sinônimos: hiperônimos.

(C) coesão referencial por reiteração de forma ampliada.

(D) coesão referencial por reiteração de forma idêntica.

(E) coesão referencial por sinônimos ou quase-sinônimos: hipônimos.

107
Língua Portuguesa

5. “ Pão no forno, água na garrafa e fruta na geladeira não alimentam.”

(A) coesão recorrencial por paráfrase.


(B) coesão recorrencial por paralelismo.
(C) coesão recorrencial com a repetição idêntica de termos.
(D) coesão recorrencial por elipse.
(E) coesão recorrencial por sinônimos.

6. “Os males do Brasil são a corrupção , a educação e o Fernandão!

(A) coesão recorrencial por recursos fonológicos.


(B) coesão recorrencial por paráfrase.
(C) coesão recorrencial por paralelismo.
(D) coesão recorrencial por recorrência de termos.
(E) coesão sequencial.

7. “Todos foram de roupa de praia porque estava fazendo sol.”

(A) coesão sequencial por condicionalidade.


(B) coesão sequencial por implicação lógica.
(C) coesão sequencial por explicação ou justificativa.
(D) coesão sequencial por causalidade.
(E) coesão sequencial por explicação.

108
Língua Portuguesa

8. “Todos chegaram na hora marcada, pois o trânsito estava bom.”

(A) coesão sequencial por condicionalidade


(B) (B) coesão sequencial por explicação ou justificativa.
(C) (C) coesão sequencial por implicação lógica.
(D) (D) coesão sequencial por causalidade.
(E) (E) coesão sequencial por acréscimo de conjunção.

Para cada frase abaixo, redija uma segunda, utilizando o recurso de coesão
sugerido entre parênteses.

9. “Um dos graves problemas das metrópoles são os meios de locomoção.”


(palavra sinônima ou quase-sinônima)

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10. “ Não se pode comparar São Paulo com o Rio de Janeiro.” ( uso de pronomes)

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109
Língua Portuguesa

8 A semântica: o sentido
das palavras

O valor denotativo ou referencial.

O valor conotativo ou figurado.

A relação entre o sentido e o contexto no plano das significações: o


sentido literal e o sentido figurado.

110
Língua Portuguesa

Passaremos, a partir dessa semana, à nossa segunda etapa de conteúdos.


Depois da elaboração da V1, entraremos no estudo semântico das palavras e
estudaremos o sentido real e o sentido figurativo da palavra.

Boa aula!!!

A Semântica é o estudo da significação das palavras. Aqui, é bom que


esclareçamos que as palavras e os enunciados de uma língua natural transitam por
dois eixos de significação: o eixo denotativo ou referencia l e o eixo conotativo
ou afetivo.

Dizemos que uma palavra ou enunciado tem valor denotativo qu ando é


utilizada em seu sentido literal, isto é, aquele que aparece como a primeira (e
segunda) acepção de um vocábulo no dicionário de língua. Portanto, esse sentido
comum caracteriza os textos chamados de textos informativos, quer estejam na
modalidade oral, quer estejam na modalidade escrita.

Em contrapartida, dizemos que um vocábulo tem valor conotativ o


quando o seu sentido não é tomado literalmente, e sim modificado ou até mesmo
ampliado por quem o estiver usando. O objetivo para esse uso é obter um efeito
particular em um contexto específico.

Vamos exemplificar o que acabamos de relatar com o vocábulo noite.


Para tanto, vamos reproduzir as acepções da palavra, guiando-nos pelo Dicionário
Eletrônico de Antônio Houaiss – 2001.

111
Língua Portuguesa

noi. te (substantivo feminino )

tempo que transcorre entre o ocaso e o nascer do sol, em determinado lugar


da Terra, de outro planeta ou de um satélite [Nas regiões terrestres situadas no
equador, a noite vai das 18h do dia anterior até as 6h do dia seguinte, o que, nas
outras latitudes, só ocorre nos equinócios.]

horário em que está escuro, por falta da luz solar, e em que geralmente. as
pessoas descansam ou dormem .

Derivação: por extensão de sentido: ausência de claridade; escuridão, trevas.

Derivação por metáfora: estado de dor, desesperança; tristeza, melancolia,


abatimento.

Derivação: sentido figurado. falta da visão; cegueira

Derivação: por metáfora: falta de estudos, de cultura, com predomínio do


preconceito e das superstições; ignorância, obscurantismo.

Poderíamos, por conseguinte, formular frases, em que o vocábulo aparecesse


com a primeira acepção e, portanto, com o valor denotativo:

As noites de inverno são mais longas que as do verão.

ou

Passei a noite toda tossindo e quase não consegui dormir.

112
Língua Portuguesa

Já, nas frases que se seguem, o mesmo vocábulo aparece com acepções cujos
valores fogem dos literais e são ampliados em estruturas diferenciadas. Estamos
diante do valor conotativo da palavr a.

Sua vida tornou-se uma noite sem fim com a morte do filho.

No Renascimento, o mundo emerge da noite medieval.

Por exemplo, na 1ª frase, o vocábulo destacado aparece com a acepção


número 4: estado de dor, desesperança; tristeza, melancolia, abatimento.

Na oração dois, noite aparece com o significado de ignorância,


obscurantismo.

Sabemos que existe uma relação entre o plano de expressão ou


significante e o plano do conteúdo ou significado. Sendo assim, toda palavra que
esteja em estado de dicionário, usada em seu sentido primitivo, informando aquilo
que é objetivo, concreto tem a função denotativa; enquanto que a palavra
carregada de emoções, resultado das associações que representam algo mais do
que o estado de dicionário tem o valor conotativo.

113
Língua Portuguesa

EXERCÍCIOS – UNIDADE 8

1. Leia as frases e a seguir marque a opção correta quanto ao sentido.

I. A esperança pousou na toalha.

II. A esperança é alma da humanidade.

III. A D. Esperança será homenageada.

IV. A esperança é verde da cor da folhagem.

a) Denotativo, conotativo, denotativo e denotativo.

b) Denotativo, conotativo, conotativo e conotativo.

c) Denotativo, conotativo, denotativo e conotativo.

d) Denotativo, denotativo, denotativo e denotativo.

e) Conotativo, denotativo, denotativo e conotativo.

2. Leia as frases abaixo e marque a opção correta quanto ao sentido.

I. O relógio é uma convenção social. ( )

II.O relógio do coração marca o compasso da vida. ( )

III. O relógio é um tear de sonhos. ( )

114
Língua Portuguesa

a) Denotativo, conotativo e denotativo.

b) Denotativo, conotativo e conotativo.

c) Denotativo, denotativo e conotativo.

d) Conotativo, conotativo e conotativo.

e) Conotativo, denotativo e denotativo.

3. Indique nos parênteses (P) próprio e (F) Figurado quanto ao sentido e assinale a
opção correta.

As bruxas estão soltas. ( )

As bruxas voam em vassouras. ( )

A inspetora é uma bruxa. ( )

a) F– F– F

b) F– P – P

c) P – P– P

d) P – P– F

e) P – F– F

115
Língua Portuguesa

4. Em: “Comprei um excelente carro com um bom rádio que venderei


imediatamente”. Marque a alternativa correta quanto ao sentido.

a) Ocorre um significado único.

b) Ocorre ambiguidade.

c) Ocorre a denotação.

d) Ocorre a conotação.

e) Não ocorre ambiguidade.

5. Leia as frases abaixo e a seguir assinale a alternativa que contenha ambiguidade


semântica.

O homem trouxe o carrinho.

A cliente encontrou a linha e o vendedor que procurava.

Comprou um carro novo com um bom som.

a) I e III.

b) I e II.

c) Apenas a I.

d) Apenas a II.

e) Apenas a III.

116
Língua Portuguesa

6. Leia as frases usando (P) para próprio e (F) para figurado e indique a alternativa
correta:

Um homem caminha devagar pelo calçadão; ( )

As janelas espiam os homens; ( )

João foi para a Inglaterra; ( )

“Café preto que nem a preta velha”. (C.D.A) ( )

a) P – F – P- F

b) P – F– F– F

c) P – F – P– P

d) F– F– F– F

e) P – P– P– P

7. Leia as sentenças abaixo.

I. “Alguns anos vivi em Itabira”. (C.D.A)

II. “Oitenta por cento de ferro nas almas”. (C.D.A)

III. Itabira era a terra natal do poeta.

117
Língua Portuguesa

Indique respectivamente os sentidos das frases acima.

a) Denotativo, denotativo e denotativo.


b) Denotativo, conotativo e denotativo.
c) Denotativo, denotativo e conotativo.
d) Conotativo, conativo e conotativo.
e) Conotativo, denotativo e denotativo.

8 - Leia as sentenças abaixo.

O carnaval será animado em Salvador.

Assistiremos ao desfile de carnaval.

Tudo no Brasil acaba em carnaval.

Indique respectivamente os sentidos das frases acima.

a) Denotativo, denotativo e denotativo.


b) Denotativo, conotativo e conotativo.
c) Denotativo, denotativo e conotativo.
d) Conotativo, conativo e conotativo.
e) Conotativo, denotativo e denotativo.

118
Língua Portuguesa

9 - Em: Conheci o prefeito e a menina de que gosto. Ocorre a ambiguidade. Por


quê?

_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________

Leia o fragmento abaixo::

O garçom pergunta a um sujeito que entra no bar:

– O senhor, o que toma?

Ele responde:

– Eu tomo uma boa vitamina pela manhã, remédio para combater minha dor
nas costas e, aos sábados, uma cervejinha com os amigos.

10 - O diálogo acima contém uma interpretação errônea pelo cliente do bar. Por
quê?
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________

119
Língua Portuguesa

9 A construção do texto – os
gêneros textuais -
reconhecimento

Os conceitos básicos de descrição, narração e dissertação.

A Narração e seus elementos.

A Descrição objetiva X a descrição subjetiva.

A Descrição Técnica.

A Dissertação: a persuasão e a argumentação.

A dissertação objetiva X a dissertação subjetiva.

O texto dissertativo-argumentivo: a tese, os argumentos, os fatos e


as hipóteses.

Considerações finais

120
Língua Portuguesa

Desta vez, vamos estudar os Gêneros Textuais em que as produções se


classificam. Teremos três momentos para esse estudo. Primeiramente, falaremos da
NARRAÇÃO, em um segundo estágio, da DESCRIÇÃO e por fim, da DISSER TAÇÃO.

Tenha uma boa aula !!!

Para podemos entender bem a tipologia textual é necessário, antes de tudo,


reconhecermos o seu modo de organização discursiva e as características
peculiares a cada um deles.

De imediato podemos dizer que existem, basicamente, três tipos de


textos: a descrição, a narração e a dissertação.

Primeiramente, leia o trecho abaixo:

“Descrever, narrar e dissertar são, na verdade, as três formas básicas com


que, em nossa vida cotidiana, desvendamos as situações reais, as situações
imaginárias, o entrelaçamento daquilo que chamamos dia-a-dia e daquilo que
chamamos fantasia, na e pela linguagem. Trata-se das várias linguagens da
linguagem, da diversidade de procedimentos através dos quais vamos encorpando
e solidificando a nossa capacidade de expressão. [...] do descrever ao narrar
percorremos muitos caminhos dentro de nós. Todos eles, de uma forma ou de
outra, convergem para o dissertar.”

AMARAL, Emília & ANTÔNIO, Severino. Novíssimo curso vestibular – redação I.


São Paulo: Nova Cultur al, 1990. p. 2.

121
Língua Portuguesa

Resumindo, temos na descrição o registro de características de pessoas,


objetos, lugares; na narração, o relato de um fato contado por um narrador e na
dissertação, a expressão de opinião a respeito de um assunto.

É bom ressaltar que esses tipos de textos se misturam e é fácil encontrar


elementos descritivos, narrativos e dissertativos num mesmo texto, com a
predominância de um ou de outro. A narração de um passeio, por exemplo, poderá
ser predominantemente narrativo, mas também pode apresentar descrições de
lugares e pessoas e, por fim, trazer um comentário sobre o descuido em que a
prefeitura deixou determinado lugar. Nesse caso, teremos, sem dúvida,
características dissertativas.

A seguir, colocaremos um quadro-resumo das principais características


de cada formatação textual:

Narração:

relato de fatos;

presença de narrador, personagens, enredo, cenário, tempo;

apresentação de um conflito;

uso de verbos de ação;

geralmente, é mesclada de descrições;

o diálogo direto e o indireto são frequentes.

122
Língua Portuguesa

Descrição:

retrato de pessoas, ambientes, objetos;

predomínio de atributos;uso de verbos de ligação;

frequente emprego de metáforas, comparações e outras figuras de linguagem;

tem como resultado a imagem física ou psicológica.

Dissertação:

defesa de um argumento:

apresentação de uma tese que será defendida,

desenvolvimento ou argumentação,

c) fechamento;

predomínio da linguagem objetiva;

prevalece a denotação.

CAMPEDELLI, Samira Yousseff & SOUZA, Jésus Barbosa. Produção de Textos &
Usos da Linguagem – Curso de Redação. São Paulo: Editora Saraiva, 1998. p. 89.

123
Língua Portuguesa

A narração e seus element os

Começaremos o nosso estudo de tipologia textual pela NARRAÇÃO –


relato centrado em um fato ou acontecimento. É um tipo de texto marcado por
uma progressão temporal, em que atuam personagens e um narrador, cujo papel é
relatar e ação.

As ações narradas direcionam-se para um conflito, desenvolvidas sempre


numa linha de tempo e num determinado espaço.

Vamos agora discorrer acerca dos elementos da narrativa:

ENREDO = caracteriza-se pelo desenrolar dos acontecimentos na trama da


narrativa. É o fato em si.

NARRADOR = é aquele que narra, relata os fatos. Quando o narrador participa dos
acontecimentos narrados, temos a ação em 1ª pessoa, portanto, ele é um narrador-
personagem. Já, quando o narrador não participa, mas fica observando tudo o que
ocorre, temos a ação em 3ª pessoa e um denominado onisciente ou narrador-
observador.

PERSONAGENS = são aqueles que vivenciam os acontecimentos. Ao(s)


personagem(ns) principal(is), chamamos protagonista(s) e àquele(s) que se
opõe(m) ao primeiro, antagonista(s).

AMBIENTE = caracteriza o espaço, o cenário pelo qual os personagens transitam e


onde se desenrolam os acontecimentos.

TEMPO = diz respeito à época, ao momento em que acontecem os fatos. Podemos


classificar o tempo em duas modalidades: o tempo cronológico – aquele narra os

124
Língua Portuguesa

fatos no momento em que eles estão acontecendo ou entremear o presente e


passado, em forma de ‘flash-back’ – e o tempo psicológico, em que o tempo não
mantém nenhuma relação com o tempo propriamente dito.

As propostas de redação, normalmente, deixam claro o tipo de texto desejado.


É basicamente impossível fazer uma boa redação sem entender o que está sendo
proposto.

A descrição

Conforme falamos na semana anterior, estamos entrando no 2º momento do


estudo dos tipos de textos. Hoje, falaremos da DESCRIÇÂO – uma das tipologias
muito conhecidas de quem fotografa, através da palavra, algo ou alguém.

Tenha um bom aproveitamento nessa aula!!!

É através dos sentidos que construímos as imagens das pessoas, coisas ou


lugares. Quando utilizamos a linguagem para expressar essa imagem que
construímos, estaremos elaborando um texto descritivo.

Consultando o Dicionário Eletrônico Houaiss – 2001 encontramos o


vocábulo ‘descrição’ assim definido:

DESCRIÇÃO: substantivo feminino


ato ou efeito de descrever; reprodução, traçado, delimitação
representação fiel, imitação, cópia, retrato
representação oral ou escrita de; exposição

125
Língua Portuguesa

A descrição tem como característica básica o fato de ser o que os manuais de


redação chamam de ‘retrato verbal’ de objetos, cenas, pessoas ou ambientes. O
texto procura trabalhar com as imagens, permitindo quase que uma visualização
daquilo que está sendo descrito.

Nos textos descritivos predominam os adjetivos e as locuções adjetivas.


Normalmente, os períodos são curtos, prevalecendo as comparações.

Existem alguns tipos de descrição que devemos ressaltar. Temos a descrição


objetiva que procura transmitir uma imagem concreta e precisa, bem próxima da
realidade, com os detalhes que caracterizam o cenário bem nítidos. Já, na descrição
subjetiva, o narrador descreve a personagem, partindo de um ponto de vista
pessoal.

Revisando:

A descrição pode ir além de um simples retrato. Muitas vezes, transmite ao


leitor uma visão pessoal ou a interpretação do autor acerca do que está descrito.

Quando o narrador não emite juízos de valor, nem estabelece comparações de


caráter subjetivo, transmitindo uma imagem concreta e precisa, bem próxima da
realidade, falamos que estamos diante de uma descrição objetiva.

Já, a descrição subjetiva marca uma visão muito pessoal do narrador. Na


verdade, são impressões que transmitem um retrato bem íntimo daquilo que os
personagens são. Há, na descrição subjetiva, um juízo de valor a respeito dos
hábitos, costumes e até do perfil psicológico dos personagens.

Há, também um tipo especial de descrição que é a descrição técnica – uma


espécie de descrição objetiva que transmite a imagem do objeto com vocabulário
preciso, ligado ao um ramo d a ciência ou tecnologia. Como exemplo, podemos
citar a descrição de determinados órgãos do corpo humano, peças de automóvel,
manuais de instrução e artigos científicos.

126
Língua Portuguesa

Raramente você verá um texto de ficção exclusivamente descritivo. É comum


encontrar trechos descritivos inseridos em textos narrativos e dissertativos.

Finalmente, é bom ressaltar que numa descrição utilizamos os cinco sentidos


(visão, audição, olfato, gosto, tato e audição). Isso porque a realidade que nos cerca
pode ser apresentada através dos sentidos e depois interpretada por imagens
lingüísticas (ou seja, pelas palavras)

Sendo assim, essas descrições fazem uso de adjetivos com valor sensorial.

A dissertação – persuasão e argumentação

Nesse momento, estudaremos o mecanismo e as características de um texto


dissertativo. Veremos o quanto usamos a DISSER TAÇÃO no nosso dia-a-dia, mesmo
sem darmos conta disso.

Uma excelente aula para você !!!

Começaremos respondendo à pergunta: O que é dissertar?

Dissertar é expor uma ideia, argumentando, comparando os defendendo


um ponto de vista.

As características de um texto dissertativo podem ser resumidos em:

 é um texto temático – toda a sua evolução parte de um raciocínio;

 é um texto que analisa e interpreta;

127
Língua Portuguesa

 é um texto que aponta para relações lógicas de idéias, fazendo


comparações, mostrando correspondências, analisando
consequências;

 é um texto que usa, preferencialmente, os verbos no presente.

A dissertação apresenta a seguinte estrutura:

INTRODUÇÃ O: Consiste na apresentação da ideia ou do ponto de vista que será


defendido. É importante que uma introdução:

 defina a questão, situando o problema;

 indica o caminho que será seguido.

DESENVOLVIMENTO: consiste em se desenvolver o ponto de vista, tentando


convencer o leitor. Devemos usar, para isso, uma argumentação sólida,
exemplificar, citar opiniões de pessoas ou órgãos especializados, fornecer dados
que promovam a fundamentação do(s) argumento(s) empregado por você.

CONCLUSÃO: é o desfecho do texto até aqui escrito. Ela deve ser coerente com o
desenvolvimento, com o(s) argumento(s) apresentado(s).

No que diz respeito à linguagem, deve prevalecer o sentido denotativo das


palavr as e as orações deverão apresentar-se na ordem direta. É de vital
importância, em um texto dissertativo que as ideias estejam coerentes umas com
as outras e os elementos coesivos – estudados na Unidade VII – explicitem e liguem
as relações entre as idéias expostas.

128
Língua Portuguesa

É fundamental, para que possamos elaborar um texto dissertativo-


argumentativo, que preparemos um plano ou um roteiro para que não fiquemos
perdidos, dando voltas em torno do tema.

Num texto dissertativo, devemos ser objetivos, impessoais e imparciais. Para


tanto, devemos optar pela 3ª pessoa.

Podemos caracterizar a dissertação, levando-se em conta a pessoa do discurso


em que foi elaborada em dissertação objetiva e dissertação subjetiva.

A primeira, o autor expõe os argumentos de forma impessoal e objetiva,


procurando não se incluir na explanaç ão, conferindo ao texto um caráter imparcial.
Embora saibamos que o autor está nos transmitindo a sua visão pessoal a respeito
de um determinado tema, ele não aparece para o leitor de maneira a que
possamos defini-lo.

Já, a dissertação subjetiva, o autor perde o caráter impessoal e assume, de


forma explícita, um caráter subjetivo, pessoal. O verbo aparece em 1ª pessoa do
singular ou do plural, sendo esse último mais comumente encontrado.

Na dissertação, temos que definir um importante aspecto que é


a argumentação. É muito comum ouvirmos fala de um texto dissertativo-
argumentativo – aquele em que o enunciador busca convencer o leitor sobre um
determinado ponto de vista. Ao fazê-lo, ele se utiliza de elementos básicos para a
construção desse tipo de texto: a tese e os argumentos. Na primeira, o enunciador
expõe um ponto de vista sobre determinado assunto polêmico e procura
convencer o leitor de que essa opinião é a mais adequada. E, para defender essa
opinião, o autor deverá se valer dos argumentos persuasivos, que procurarão
confirmar a tese apresentada. A mais eficiente forma de se argumentar é aquela
que busca demonstrar a tese se baseando em fatos e não em hipóteses –
proposição que se admite, independentemente do fato de ser verdadeira ou falsa.

129
Língua Portuguesa

Ao redigirmos uma dissertação é bom atentarmos para alguns tópicos de vital


importância. De modo geral, os assuntos são muito amplos e abrangentes. Para
isso, é preciso delimitarmos previamente o tema e depois faz-se necessário a
elaboração de um encadeamento lógico das idéias para que não nos
atrapalhemos. Sugerimos fazer um esquema por parágrafo e ir colocando, em
forma de tópicos, as ideias que surgirem. Essas ideias, normalmente, vêm sem
qualquer ordem. É preciso, portanto, ordená-las, selecionar as melhores e colocá-
las em ordem de importância.

130
Língua Portuguesa

EXERCÍCIOS – UNIDADE 9

1 - Indique a tipologia textual nos trechos abaixo de acordo com a coluna:

“O homem viu o rio e se entusiasmou pela sua beleza. O rio pela planície,
contornando árvores e molhando grandes pedras. Refletia o sol e era margeado
pela grama verde e macia.”

“Ergueu-se precipitado, encostou-se à parede, com receio de vergar os


joelhos”;

“Apagaram-se as últimas luzes do bar da esquina e meu quarto ficou às


escuras”;

“É necessário que se ensine às crianças o que seja moral; contudo, é


dispensável que se lhes ensine o que seja imoral”.

a) narração, dissertação, descrição e descrição;

b) descrição, descrição, dissertação e narração;

c) descrição, narração, descrição e dissertação;

d) narração, descrição, dissertação e descrição;

e) descrição, narração, dissertação e descrição.

131
Língua Portuguesa

2 - Leia os textos e a seguir marque a opção correta quanto à tipologia textual:

Texto I

“O quarto estava localizado na parte oeste de Santa Catarina. Não era grande
mas tinha uma estante, um abajour, uma c ama de solteiro. Um jarro com girassóis
sobre a mesa.”

Texto II

“Fernando viajou para Paris, no final de julho. Ao chegar à cidade dirigiu-se ao


hotel. Ao ocupar o aposento deixou sobre a cama um baú com fotos e cartas de
sua amada (...)”

Texto III

“O artista tem uma alma distinta. O seu olhar sobre a cidade se detém em
pequenos detalhes das coisas e das imagens, enfim, seu olhar contempla a vida e a
poesia por entre os caras e ruas da cidade.”

a) descrição, descrição e narração;


b) descrição, narração e narração;
c) descrição, narração e dissertação;
d) descrição, descrição e descrição;
e) narração, narraç ão e narração.

132
Língua Portuguesa

3 - Leia o trecho abaixo e a seguir marque a tipologia textual:

Texto I

“De súbito, surgiu no jardim, um gato. Um gato arr astava um novelo de lã.
Passeava pelo jardim, tomava sol e se espichava na grama.”

Texto II

“Cada um tira dos acontecimentos a conclusão que bem entende. Cada


cidadão tem sua visão de mundo.”

a) narração e argumentação;

b) narração e descrição;

c) narração e narração;

d) descrição e descrição;

e) argumentação e argumentação.

133
Língua Portuguesa

4 - Marque a opção correta quanto à tipologia textual:

Texto I

“Um cão, que carregava um pedaço de carne na boca, enquanto atravessava


um rio, viu seu reflexo na água. Julgou, de imediato, que um outro cão levava um
outro pedaço de carne maior do que o seu (...)”

Texto II

“Ontem fui ao banco depositar certa quantia, visitei um amigo no hospital,


assisti a uma palestra da universidade e escrevi duas cartas para amigos distantes. “

a) descrição e descrição;

b) narração e narração;

c) narração e descrição;

d) descrição e narração

e) narração e dissertação.

5 - Leio os textos I e II e a seguir assinale a opção correta quanto à tipologia textual.

Texto I

“João entrou no bar, sentou-se de costume e dois minutos depois, já estava


mais calmo, tomando o chope de sempre”.

134
Língua Portuguesa

Texto II

“Depois de muito tempo de pescaria sem nenhum resultado, os pescadores se


lastimavam, sentados num barco e pediram ajuda a Zeus. Logo a seguir, um atum,
que havia sido perseguido por eles, mas que havia conseguido escapar, lançou-se
dentro do barco. Os pescadores o pegaram, levaram-no à cidade e o venderam”.

a) narração e narração;

b) descrição e descrição;

c) narração e descrição;

d) descrição e narração;

e) narração e dissertação.

6 - Leia os textos I e II e a seguir marque a opção correta:

Texto I

“Um pastor que conduzia seu rebanho pela beira do mar notou a calmaria das
águas e resolveu navegar para fazer comércio. Após vender parte dos seus
cordeiros, comprou tâmaras e partiu de volta para casa. Uma forte tempestade o
apanhou no caminho de volt a e, temeroso de que o barco afundasse, jogou toda a
carga no mar e conseguiu salvar-se.”

135
Língua Portuguesa

Texto II

“Em redor o vasto campo. Mergulhado em névoa br anda, o verde era pálido e
opaco. Contra o céu erguiam-se os negros penhascos tão retos que pareciam
recortados a faca. Espetado na ponta da pedra mais alta, o sol espiava através de
uma nuvem.”

a) narração e narração;

b) descrição e descrição;

c) narração e descrição;

d) descrição e narração;

e) narração e argumentação

7 - Leia as afirmativas que seguem sobre os textos 1 e 2 e assinale a alternativa


correta:

TEXTO 1:

“O velho, um bêbedo esfarrapado, deitara-se de comprido no banco, dirigira


palavr as amenas a um vizinho invisível e agora dormia. A mulher estava sentada
entre nós, apertando nos braços a criança enrolada em panos. Era uma mulher
jovem e pálida. O longo manto escuro que lhe cobria a c abeça d ava-lhe o aspecto
de uma figura antiga.”

136
Língua Portuguesa

TEXTO 2:

“Zeca era pequeno, tez baça e magríssimo. Nunca vi ninguém mais magro.
Magro assim, só quem está às últimas. Mas o Zeca era magro assim e tinha um
porte, uma vivacidade de rapaz com perfeita saúde. Esse contraste era coisa
surpreendente.”

I – Os textos 1 e 2 apresentam o foco narrativo em primeira pessoa, o que


podemos perceber pelos verbo e pronome destacados nos fragmentos.

II – Em ambos os textos predomina a descrição de personagens.

III – No texto 1 temos um narrador-personagem, no texto 2 temos um


narrador-observador.

a) Estão corretas as afirmativas I e III.

b) Estão corretas as afirmativas II e III.

c) Estão corretas as afirmativas I e II.

d) Todas as afirmativas estão corretas.

e) Todas as afirmativas estão incorretas.

137
Língua Portuguesa

8 - Observe os textos I e II e a seguir, marque a alternativa correta:

Texto I

“Um casarão abandon ado abrig ava bom número de ratos, até que um gato
descobriu a fartura de roedores e resolveu morar ali também. Foi um massacre.
Famílias inteiras de ratos viram-se devastadas em poucas semanas.”

Texto II

“Dario vinh a apressado, o guarda-chuva no br aço esquerdo e, assim que


dobrou a esquina, diminuiu o passo até parar, encostando-se à parede de uma
casa. Foi escorregando por ela, de costas, sentou-se na calçada, ain da úmida d a
chuva, e descansou no chão o cachimbo.”

a) narração e narração;

b) descrição e descrição;

c) descrição e narração;

d) narração e argumentação;

e) narração e descrição.

138
Língua Portuguesa

Leia o texto a seguir para as questões discursivas:

Várias situações que presenciei ao longo desses anos me fizeram refletir


bastante sobre o melhor modo de analisar a racionalid ade de uma cultura diferente
da nossa – no meu caso, de algumas nações indígenas brasileiras. (...)

Minha primeira investida n a busca da r acionalid ade waimiri-atroari foi com os


silogismos. Iniciei explicando ‘como o branco pensa` (para eles os não-índios são
denominados brancos, independente da raça), mostrando alguns silogismos
clássicos e outros do cotidiano deles, como por exemplo: “Todo índio waimiri-
atroari caç a com arco e flecha, Marcelo é um waimiri-atroari, logo Marcelo caç a
com arco e flecha”. Isto era mais que natural para eles, pois Marcelo é um professor
waimiri-atroari e todos sabiam que ele caçava com arco e flecha.

Quando solicitei que construíssem silogismos, obtive frases do tipo: “Todo


waimiri-atroari pesca pirarucu, Pedrinho caça, logo Davi é casado”. Todas as
afirmações são verdadeiras, mas não seguem um caminho lógico para o silogismo.

Acredito que o que significou para eles um silogismo eram verdades que
conhecem. Foram incapazes de construir silogismos descontextualizados de suas
realidades.

FERREIRA, Eduardo Sebastiani. Racionalidade dos índios brasileiros.

In: Scientific American Brasil. Etnomatemática, nº 11, pp.90-93.

139
Língua Portuguesa

9 - O texto em questão é argumentativo. Os textos dissertativos podem ser


objetivos ou subjetivos. Como você o classificaria? Justifique.

_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________

10 - A estrutura dos textos dissertativos divide-se em introdução, desenvolvimento


e conclusão. Identifique qual(is) parágrafo(s) caracteriza(m) cada parte.

Introdução: _________________________________________________________

Desenvolvimento: ____________________________________________________

Conclusão: __________________________________________________________

140
Língua Portuguesa

Considerações finais

Ao chegarmos ao fim do nosso estudo, queremos parabenizá-lo pela aquisição


de novos conteúdos na disciplina Língua Portuguesa.

Durante todo o semestre você tomou conhecimento de muitos


mecanismos e conceitos a respeito da linguagem, da língua e da fala – ferramentas
indispensáveis no seu dia-a-dia, tanto no uso da língu a formal-culta como na
língua coloquial, aquela que você usa para as conversas com amigos, tentando
“desamarrar os nós lingüísticos” do texto.

Agora, você pode articular o sentido do texto e também do contexto,


quer nos textos narrativos, descritivos ou dissertativos.

É de vital importância que você pratique aquilo que foi aprendido, pois o
seu bom desempenho em usar a nossa língua-mãe lhe trará bons frutos.

Por fim, reflita sobre as palavras do escritor francês Victor Hugo (1773 –
1828):

“A palavra, como se sabe, é um ser vivo.”

Sucesso!

141
Língua Portuguesa

C onhecen do o aut or

A professora Telma Ardoim é Mestre em Língua Portuguesa pela Universidade


do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, é professora da Universidade Salgado de
Oliveira – UNIVERSO, atua na Coordenação de Projetos dos cursos de Capacitação
em Serviço e participa como Coordenadora Setorial do Programa de Alfabetização
Solidária.

142
Língua Portuguesa

Referências

ABREU, Antônio Suárez. Curso de redação. 11 ed. São Paulo: Ática, 2001.

CARNEIRO, Agostinho Dias. Texto em construção: interpretação de texto. 2 ed. São


Paulo: Moderna, 1996.

FÁVERO, Leonor Lopes. Coesão e Coerência Textuais. 8 ed. São Paulo: Editora Ática,
2000.

GERALDI, João Wanderley. O texto na sala de aula. 3 ed. 5 imp. São Paulo: Editora
Ática, 2002.

SOUZA, Luiz Marques, de & Carvalho, Sérgio Waldeck. Compreensão e Produção de


Textos. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.

TERRA. Ernani. Linguagem, língua e fala. São Paulo: Scipione, 1997.

VALENTE, André Crim. A linguagem nossa de cada dia. Petrópolis: Vozes, 1997.

VANOYE, Francis. Usos da Linguagem – problemas e técnicas na produção oral e


escrita. 11 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

143
Língua Portuguesa

Anexos

144
Língua Portuguesa

Gabarit os

Unidade 1

1. A
2. D
3. B
4. C
5. D
6. B
7. B
8. A

9. O texto fala em troca de informações e toca na questão dos sentimentos, isto


é, a linguagem manifesta os sentimentos do emissor e pode despertar, em
função disso, emoções no receptor.
10. A frase destaca o caráter individual e espontâneo da fala, que foi transferido
para algum texto escrito pelo autor

Unidade 2
1. B
2. C
3. E
4. D
5. E
6. A
7. C
8. E

9. A palavra que gera confusão é “dedinhos”. Para a menina, a mãe quer lhe
cortar dois dedos, enquanto para a mãe é uma medida (similar a dois
centímetros) para cortar o cabelo.
10. A palavra droga, no primeiro momento, significa narcótico (por exemplo,
maconha, cocaína, etc.), no segundo, droga quer dizer “um amigo ruim”.

145
Língua Portuguesa

Unidade 3
1. E
2. E
3. B
4. D
5. C
6. B
7. D
8. C

9. O texto está escrito na 1ª pessoa do singular. Refere-se ao emissor. Exemplos:


“Vem ferir os meus ouvidos / Eu me lembro de você”, por exemplo.
10. A segunda pessoa do discurso, tratada por você, a interlocutora do falante, é
a operária de uma fábrica de tecidos. Não podemos afirmar que o texto está
centrado exclusivamente na segunda pessoa do discurso. O texto está
orientado para a destinatária, mas, escrito em primeira pessoa, exprime
desejos e intenções do falante.

Unidade 4
1. C
2. B
3. E
4. A
5. D
6. A
7. D
8. D

9. A função predominante é a função conativa ou apelativa, pois está centrada


no receptor, tentando convencê-lo de que beber não combina com direção.
10. As funções encontradas no texto são a função poética e a função
metalinguística. A função predominante é a poética, pois está centrada na
mensagem.

146
Língua Portuguesa

Unidade 5

1. D
2. A
3. C
4. C
5. D
6. A
7. C
8. E

9. Respostas possíveis:

Variação linguística refere-se a alterações que uma língua pode sofrer,


conforme a região, a classe social, a profissão, a escolaridade, a idade,
dentre outros fatores, da comunidade de fala.

A principal variedade ilustrada no texto de M. Lobato é a variação regional


também conhecida por variação geográfica

10. Possíveis respostas:

I) modalidade formal refere-se ao emprego da língua conforme


recomendações da gramática normativa do português, em situações
formais; modalidade coloquial refere-se ao uso espontâneo da língua, sem
preocupações com regras gramaticais. É o uso da língua com amigos e
familiares, por exemplo.

II) Amigo, esse carro está ultrapassado: Ah! Pneu furado, para-brisa quebrado.
Troque-o por outro mais potente

147
Língua Portuguesa

Unidade 6
1. C
2. D
3. A
4. B
5. C
6. D
7. B
8. A

9. Possíveis respostas:
a) O aluno queria passar no concurso, por isso, estudou muito e passou em
primeiro lugar.
b) O aluno queria passar no concurso, portanto, estudou muito e passou em
primeiro lugar.
c) O aluno queria passar no concurso, desta forma, estudou muito e passou em
primeiro lugar.

10. Possíveis respostas:

O empresário anterior era desonesto com a dupla.

O empresário anterior agia fora da lei em relação à dupla.

O empresário anterior enganava a dupla.

Unidade 7
1. D
2. A
3. C
4. E
5. B
6. A
7. D
8. B

148
Língua Portuguesa

9. Um dos graves problemas das metrópoles são os meios de locomoção. Os


transportes são em número insuficiente para a população.

10. Não se pode comparar São Paulo com o Rio de Janeiro. Esta é mais bonita que
aquela.

Unidade 8
1. A
2. B
3. D
4. B
5. D
6. C
7. B
8. C

9. Ocorre a ambiguidade porque não fica claro de quem se gosta: do prefeito ou


da menina.
10. A interpretação equivocada se dá pelo fato de o receptor (cliente) não
perceber a intencionalidade discursiva do emissor (garçom), visto que ambos
estão em um bar.

Unidade 9
1. C
2. B
3. A
4. B
5. A
6. C
7. C
8. A

9. O texto é uma dissertação subjetiva, pois apresenta opiniões pessoais do


autor, por isso está em primeira pessoa.
10. introdução: primeiro parágrafo.
desenvolvimento: segundo e terceiro parágrafos.
conclusão: quarto parágrafo.

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