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Exmo. Sr. Dr.

Orlando Rochadel Moreira


MD. Corregedor Nacional do Conselho Nacional do Ministério Público
Brasília / DF

Ínclito Corregedor,

O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), por força do artigo 130-A, §2º, II da
Constituição Federal, é o órgão incumbido de fiscalizar, de ofício ou mediante provocação de
qualquer cidadão, os atos administrativos e financeiros do Ministério Público da União e dos
Estados, bem como a atuação funcional dos seus membros. Nesse mesmo sentido, é o artigo 74 do
Regime Interno do CNMP.

“Art. 74 – A reclamação disciplinar é o procedimento investigatório de notícia de falta disciplinar


atribuída a membro ou servidor do Ministério Público, proposta por qualquer interessado, nos
termos do artigo 130-A, § 2º, III e § 3º, I, da Constituição Federal.”

Com forte nas legislações supramencionadas, e em nome da cidadania, venho por meio desta
DENUNCIAR atos de nepotismo praticados pelo Procurador-Geral de Justiça dessa Instituição,
como segue:

Na data de 01 de março de 2019, o Procurador-Geral de Justiça, nomeou TARSIS SARTORI EKO


- Gerente de Fiscalização de Obras, símbolo/ nível MP-CNE-IV, lotado no Departamento de
Engenharia-DENGE e mantém seu irmão, MÁRCIO SARTORI EKO, sendo esse seu
concunhado, pois o mesmo é casado com a irmã da esposa do Procurador-Geral de Justiça,
que se encontra a disposição (cedido) através do Termo de Cooperação nº 001/2015, ao Ministério
Público do Estado de Mato Grosso e atuando como Escrivão no GAECO.

Não obstante o referido Termo de Cooperação para cessão de seu concunhado, ter ser sido realizado
no ano de 2015, com término em 2020, o referido servidor, não deve permanecer nos quadros dessa
honrada Instituição, devendo retornar as suas antigas funções na Polícia Judiciária Civil, pelo fato
de estar na condição de concunhado, ou seja, ser parente em 3º grau por afinidade do Procurador-
Geral de Justiça, conforme Súmula 13, bem como a Resolução 37 do Conselho Nacional do
Ministério Público e art. 37 caput da Constituição Federal/88.

As vedações estabelecidas pela súmula vinculante nº 13 interpretam o art. 37 da Constituição


da República para dizer que o artigo proíbe a utilização de critérios pessoais para nomeações, ou
seja, evitar que o agente político utilize-se de nomeações para satisfação de questões de interesse
distinto do público. O ponto crucial da súmula vinculante nº 13 é exatamente vedar a
impessoalidade decorrente do uso do poder para satisfação de interesses pessoais em detrimento do
interesse da coletividade. É a própria aplicação do princípio da impessoalidade. A partir desse
enfoque, pode-se afirmar que a vedação decorrente do princípio da impessoalidade seria bem mais
ampla que o próprio nepotismo, pois vedaria qualquer nomeação de cunho pessoal e não somente
ao parentesco com a pessoa nomeante.

Portanto, o conteúdo da súmula visa vedar o resultado da conduta pessoal, mesmo que não seja
oriunda da autoridade superiora. No mesmo sentido, poderíamos entender que está abrangido o
ato que nomeia com pessoalidade em decorrência de interesses de subalternos.

A nomeação de parentes para ocupar cargos na Administração Pública, prática conhecida como
nepotismo, sempre esteve presente na política nacional. Com a promulgação da Constituição
Federal de 1988, esta conduta revela-se incompatível com o ordenamento jurídico pátrio, pois,
através dos princípios da impessoalidade, moralidade, eficiência e isonomia, evitam que o
funcionalismo público seja tomado por aqueles que possuem parentesco com o governante, em
detrimento de pessoas com melhor capacidade técnica para o desempenho das atividades.

Podemos conceber o conceito de nepotismo como a prática pela qual um agente público usa de sua
posição de poder para nomear, contratar ou favorecer um ou mais parentes, sejam por vínculo da
consangüinidade ou da afinidade, em violação às garantias constitucionais de impessoalidade
administrativa.

O nepotismo, por igual, também desrespeita o princípio da igualdade, na medida em que tal prática
favorece parentes dos administradores em detrimento dos não-parentes, criando, por critério de
casta, tratamento discriminatório injustificado àqueles que não possuem relações familiares com
os atuais detentores do poder.

In casu, podemos constatar através das quantidades de diárias e fotos juntadas nessa denúncia,
que demonstram de forma irrefutável a proximidade e o direcionamento do chefe do MP, no
intuito de beneficiar os seus parentes por afinidade de 3º grau por afinidade, MÁRCIO SARTORI
EKO E TARSIS SARTORI EKO, concunhado e seu irmão, respectivamente. Isto é: o irmão do
concunhado, TARSIS SARTORI EKO, somente foi nomeado (ainda que extremamente
competente) por conta do parentesco, caracterizando um protecionismo, um privilégio odiento e
condenável. Imoral!

A que se consignar a razão pelas quais algumas diárias estão sob o crivo do SIGILO, em confronto
com o Princípio da Transparência, que deve prevalecer na administração pública, principalmente
na Instituição Ministério Público quem tem como papel fiscalizar e proteger os princípios e
interesses fundamentais da sociedade, não pode se curvar diante de uma aberração dessa magnitude.
No Poder Executivo Federal, dispõe sobre a vedação do nepotismo o Decreto nº 7.203, de
04/06/2010. No âmbito do Poder Judiciário, foram editadas pelo Conselho Nacional de Justiça
(CNJ) a Resolução nº 7 (18/10/2005), alterada pelas Resoluções nº 9 (06/12/2005) e nº 21
(29/08/2006). Também para o Ministério Público, o Conselho Nacional do Ministério Público
(CNMP) publicou as Resoluções de nº 1 (04/11/2005), nº 7 (14/04/2006) e nº 21 (19/06/2007) e
nº 37 (28/04/2009).

In verbis:
RESOLUÇÃO Nº 1, DE 7 DE NOVEMBRO DE 2005.
Disciplina o exercício de cargos, empregos e funções por parentes, cônjuges e companheiros de
membros do Ministério Público e dá outras providências.
Art. 1º É vedada a nomeação ou designação, para os cargos em comissão e para as funções
comissionadas, no âmbito de qualquer órgão do Ministério Público da União e dos Estados, de
cônjuge, companheiro ou parente até o terceiro grau, inclusive, dos respectivos membros.
Art. 2º (in omissis)
Art. 3º Não serão admitidas nomeações no âmbito dos órgãos do Ministério Público que
configurem reciprocidade por nomeações das pessoas indicadas no art. 1º para cargo em comissão
de qualquer órgão da Administração Pública, direta e indireta, da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios.

RESOLUÇÃO Nº 21, DE 19 DE JUNHO DE 2007.


Veda a admissão, por órgãos do Ministério Público, de servidores cedidos ou postos à disposição
por outros órgãos, que sejam parentes de membros e servidores do Ministério Público e dá outras
providências.
Considerando o sentido das Resoluções números 1/2006 e 7/2006 deste Conselho; RESOLVE:
Art. 1º É vedado aos órgãos do Ministério Público da União e dos Estados manter em seus
quadros funcionais servidores cedidos ou colocados à sua disposição por órgãos da
Administração Pública, direta ou indireta, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, que seja cônjuge, companheiro ou parente até o terceiro grau, inclusive, dos
respectivos membros e servidores ocupantes de cargos de direção, chefia e assessoramento do
Ministério Público.
RESOLUÇÃO Nº 37, DE 28 DE ABRIL DE 2009.
Altera as Resoluções do CNMP nº 01/2005, nº 07/06 e nº 21/07, considerando o disposto na
Súmula Vinculante nº 13 do Supremo Tribunal Federal.
Art. 1° É vedada a nomeação ou designação para cargos em comissão e funções comissionadas,
no âmbito do Ministério Público da União e dos Estados, de cônjuge, companheiro ou parente em
linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, dos respectivos membros,
compreendido o ajuste mediante designações ou cessões recíprocas em qualquer órgão da
Administração Pública direta e indireta dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios.
Art. 2° É vedada a nomeação ou designação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta,
colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, de servidor ocupante, no âmbito do
mesmo Ministério Público, de cargo de direção, chefia ou assessoramento, para exercício de cargo
em comissão ou função comissionada, compreendido o ajuste mediante designações ou cessões
recíprocas em qualquer órgão da administração pública direta e indireta dos Poderes da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

Conforme as lições de Fernanda Marinela.


“Esses diplomas proíbem a presença de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral
ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive dos respectivos membros ou juízes vinculados ao
tribunal, assim como de qualquer servidor ocupante de cargo de direção ou assessoramento, para
exercer cargo em comissão ou função de confiança, para as contratações temporárias e para as
contratações diretas com dispensa ou inexigibilidade de licitação em que o parentesco exista entre
os sócios, gerentes ou diretores da pessoa jurídica”. (Curso de Direito Administrativo, 5ª ed., pg.
65.)
Mesmo com todos estes dispositivos, a perniciosa prática persistia. Em agosto de 2008, o Supremo
Tribunal Federal (STF) editou a Súmula Vinculante nº 13, na tentativa de impedir o nepotismo em
todos os órgãos do Estado, incluindo as estruturas do Poder Executivo e Legislativo, bem como as
pessoas jurídicas da Administração Pública indireta (autarquias, fundações, empresas públicas e
sociedades de economia mista). Estabelece a referida Súmula:

“A nomeação de cônjuge, companheiro, ou parente, em linha reta, colateral ou por afinidade,


até o 3º grau inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica,
investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão
ou de confiança, ou, ainda, de função gratificada na Administração Pública direta ou indireta,
em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal”.

Além dos parentes consanguíneos, a proibição alcança também os parentes por afinidades e
colaterais.

Quem são os parentes por afinidade:


1º Grau: padrasto, madrasta, enteado(a), sogro,(a), genro e nora;
2º Grau: cunhado(a), avô e avó do cônjuge.
3º Grau: concunhado(a).

Quem são os parentes colaterais:


2º Grau: irmãos
3º Grau: tio(a) e sobrinho(a).
Fonte: site
http://www.tjmt.jus.br/intranet.arq/downloads/nepotismo/QUADRO_ESQUEMATICO_DE_RELA
ÇÃO DE_PARENTESCO_PARA_FINS_DE_NEPOTISMO.pdf (anexo).

Tanto a Resolução nº 7 do CNJ como a Súmula Vinculante nº 13, foram objeto de inúmeras críticas.
Primeiramente, alegou-se que para vedar a prática do nepotismo na esfera do Executivo e do
Legislativo, seria necessária a existência de lei formal neste sentido. Entretanto, no julgamento do
Recurso Extraordinário nº 579.951, a Suprema Corte declarou que a proibição decorre diretamente
dos princípios expressos no art. 37, caput, da Constituição da República.

Vejamos a ementa:

EMENTA: ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. VEDAÇÃO NEPOTISMO. NECESSIDADE DE LEI


FORMAL. INEXIGIBILIDADE. PROIBIÇÃO QUE DECORRE DO ART. 37, CAPUT, DA CF.
RE PROVIDO EM PARTE.

I - Embora restrita ao âmbito do Judiciário, a Resolução 7/2005 do Conselho Nacional da Justiça,


a prática do nepotismo nos demais Poderes é ilícita.
II - A vedação do nepotismo não exige a edição de lei formal para coibir a prática.
III - Proibição que decorre diretamente dos princípios contidos no art. 37, caput, da Constituição
Federal.
IV - Precedentes.
V - RE conhecido e parcialmente provido para anular a nomeação do servidor, aparentado com
agente político, ocupante, de cargo em comissão.

O combate ao nepotismo revela-se como um importante meio para a preservação da moralidade


administrativa, contribuindo na construção de uma Administração Pública eficiente e democrática,
na medida em que prestigia a aptidão técnica do servidor e assegura a todos o acesso aos cargos,
empregos e funções públicas, desde que preenchidas as condições legalmente exigidas.
Não obstante, o Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº
579.951-4, em 20 de agosto de 2008, entendendo pela repercussão geral da matéria e aprovando a
Súmula Vinculante nº 13, concluiu que a prática do nepotismo nos demais poderes é ilícita, pois tal
vedação decorre diretamente dos princípios previstos no art. 37, caput, da Constituição Federal, os
quais regem a Administração Pública.

Fundamentação:

Não é crível o fundamento de que o fato que os parentes por afinidades não podem ser alcançados
pela Súmula Vinculante 13, pois o parentesco por afinidade é limitado aos ascendentes,
descendentes e irmãos do cônjuge ou companheiro, nos termos do art. 1.595, § 1º, do Código Civil.
Tal entendimento não merece prosperar. A Súmula Vinculante 13 é expressa em incluir a nomeação
de parentes por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, no conceito de nepotismo.
Tal formulação, é verdade, pode se entender que conflitaria com o conceito de parentesco
delimitado na lei civil, que conforme já ressaltado, limita-o aos ascendentes, descendentes e irmãos
do cônjuge ou companheiro.
Essa suposta incompatibilidade, contudo, foi afastada por ocasião do julgamento da ADC 12-
MC/DF, Rel. Min. Ayres Britto.

O Relator, inicialmente, formulou seu voto com a seguinte ressalva:

“(...) a Resolução n° 7/05, ato normativo que tenho como de natureza primária, podia mesmo fazer
do terceiro grau de parentesco consanguíneo um critério de inibição ao '‘nepotismo’. Impedida
estava, no entanto, de criar um grau do parentesco, por afinidade, devido a que essa matéria é de
caráter civil, reservada pela Constituição à competência do Poder Legislativo Federal. E o fato é
que ela (Resolução n° 07/05) distendeu as fronteiras do parentesco para incluir os ’parentes de 3°
grau' por afinidade, ultrapassando, assim, o instituto do cunhadio. Daí a necessidade de
emprestar-se interpretação conforme aos incisos do art. 2º da Resolução nº 07 do CNJ, para
restringir o parentesco por afinidade da linha colateral aos irmãos do cônjuge ou companheiro”.

Contrapondo-se a esta posição, assentou o Min. Nelson Jobim:

“Sustento, Ministro Cezar Peluso, que a questão do parentesco definida no Código Civil é para
efeitos civis e, aqui, visa-se a vigência absoluta do princípio da impessoalidade. Não teremos a
impessoalidade efetiva se deixarmos em aberto, como o Conselho fechou a possibilidade da
nomeação dos chamados parentescos por afinidade; porque a impessoalidade será rompida
exatamente por esse caminho”.

E arrematou o Min. Cezar Peluso:

“Entra na mesma ratio juris, ou seja, o problema não é de definir quais são os parentes para
efeitos civis, mas definir quais aquelas pessoas que, sob a classe de parentela, tendem a ser
escolhidas, não por interesse público, mas por interesse de caráter pessoal. Não faço nenhuma
restrição, Senhor Presidente”.
Atento a tais ponderações o Relator, Min. Ayres Britto, afirmou:

“Senhor Presidente, também é justo. Se Vossas Excelências entendem que a resolução nada mais
fez do que transformar o terceiro grau de parentesco num simples critério de inibição, eu
concordo”.

Destaco, ainda, o quanto consignou o Min. Sepúlveda Pertence:

“Saúdo e alinho-me à evolução do eminente Relator no que toca à extensão ao terceiro grau de
afinidade das proibições veiculadas na resolução. Não há conceito constitucional de parentesco ou
da extensão do parentesco. Por isso, a uma norma infraconstitucional válida é dado atribuir, para
determinados efeitos, conceitos diversos daquele insculpido no Código Civil”.

Verifica-se, dessa forma, que há independência entre as esferas civil e administrativa-constitucional,


razão pela qual o conceito de parentesco estabelecido no Código Civil não tem o mesmo alcance
para fins de obediência aos princípios da impessoalidade, moralidade e eficiência, que vedam a
prática de nepotismo na Administração Pública.
Por essas razões, julgo procedente esta reclamação para cassar o acórdão proferido no MS
2008.0001.002888-4. Prejudicado, pois, o agravo de fls. 33-39.

Comunique-se, com urgência.


Publique-se.
Brasília, 21 de setembro de 2011.
Ministro RICARDO LEWANDOWSKI
- Relator -

Em 2005, o CNJ editou a Resolução 7 (alterada pela Resolução 9 de 2005), vedando o nepotismo
no Poder Judiciário, sendo certo que essa resolução foi objeto da ADC 12 ajuizada em 02.02.2006,
oportunidade na qual o Supremo Tribunal Federal na assentada de 16.02.2006, ao analisar o pedido
de medida liminar proclamou sua higidez constitucional. Imprescindível consignar o seguinte
excerto do voto do Ministro Carlos Brito, Relator, dando conta da sintonia da resolução com os
postulados da impessoalidade, eficiência e igualdade, concluindo que o CNJ, nada mais fizera do
que “debulhar os próprios conteúdos lógicos” desses primados:

"Em palavras diferentes. é possível concluir que a spiritus


rectus da Resolução do CNJ é debulhar os próprios
conteúdos lógicos dos princípios constitucionais de
centrada regência de todo a atividade administrativo do
Estado. Princípios como; I - o da impessoalidade.
consistente no descarte do personalismo. Na proibição do
marketing pessoal ou da autopromoção com cargos. as
funções. os empregos. os feitos. as obras. os serviços. e
componhas de natureza público. Na absoluta separação
entre o público e o privado. ou entre a Administração e o
administrador, segundo a republicana metáfora de que
'’não se pode fazer cortesia com o chapéu alheio’'.
Conceitos que se contrapõem a multissecular da cultura do
patrimonialismo e que se vulnerabilizam. não há negar.
com a prótica do chamado '‘nepotismo’'. Traduzido este no
mais renitente vezo da nomeação ou da designação de
parentes não-concursados para trabalhar.
comissionadamente ou em função de confiança. debaixo
da aba familiar dos seus próprios nomeantes. Seja
ostensivamente. seja pela fórmula enrustida do
'‘cruzamento’' (situação em que uma autoridade recruto o
parente de um colega para ocupar cargo ou função de
confiança. em troco do mesmo favor);

II - o princípio do eficiência. o postular o recrutamento de


mão de obra qualificado para os atividades públicas,
sobretudo em termos de capacitação técnica. vocação poro
os atividades estatais. disposição para fazer do trabalho em
fiei compromisso com o assiduidade e uma constante
oportunidade de manifestação de espírito gregório, real
compreensão de que servidor público é. em verdade.
servidor do público. Também estes conceitos passam o
experimentar bem mais difícil possibilidade de transporte
para o mundo das realidades empíricas. se praticados num
ambiente de projeção do doméstico no intimidade das
repartições estatais. o começar pela óbvio razão de que jó
não se tem a necessária isenção. em regra. quando se vai
avaliar o capacitação profissional de um parente ou
familiar. Quando se vai cobrar assiduidade e pontualidade
no comparecimento 00 trabalho. Mais ainda. quando se é
preciso punir exemplarmente o servidor faltoso (como
castigar na devido medido um pai. a próprio mãe. um
filho. um (o) esposo (a) ou companheiro (o). um (a)
sobrinho (a). enfim. com que eventualmente se trabalhe
em posição hierárquica superior?). E como sintam em
posição de obsequioso tratamento funcional? Em sumo.
como desconhecer que o sobrevindo de uma enfermidade
mais sério. um trauma psicofísico ou um transe existencial
de membros de uma mesmo famí1ia tendo a repercutir
negativamente no rotina de um - trabalho que é comum a
todos? O que já significa a paroquial fusão do ambiente
caseiro com o espaço público. Para não dizer a confusão
mesma entre tomar posse nos cargos e tomar posse dos
cargos. na contramão do insuperável conceito de que
'administrar não é atividade de quem é senhor de coisa
própria, mas gestor de coisa alheia' (Rui Cime Lima);
III - o princípio da igualdade, por último, pois o mais
facilitado acesso de parentes e familiares aos cargos em
comissão e funções de confiança traz consigo os exteriores
sinais de uma prevalência do critério doméstico sobre os
parâmetros da capacidade profissional (mesmo que não
seja sempre assim). Isto sem mencionar o fato de que essa
cultura da prevalente costuma carrear para os núcleos
domésticos assim favorecidos uma super-afetação de
renda, poder político e prestígio social."

Não é demasia lembrar que, nos termos do artigo 103-A, da Lei Maior, à súmula vinculante devem
obediência as Administrações Públicas Federal, Estadual, Distrital e Municipal, direta e indireta,
sujeitando-se à cassação, mediante reclamação, quaisquer atos que colidam com o seu enunciado.
Assim, a partir da Súmula Vinculante 13, parece possível fixar que a autoridade administrativa
contrariará a constituição Federal, incorrendo em ato de improbidade:

(a) se nomear para o exercício de cargos em comissão, sem vínculo, ou de funções gratificadas,
com vínculo, cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o
terceiro grau; e,

(b) se nomear, para idênticos cargos ou funções, cônjuge, companheiro ou parente em linha reta,
colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, de servidor efetivo da mesma pessoa jurídica,
investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento.

Conclusão:

Fixadas essas premissas, parece-nos incontestável que servidores estatutários, cônjuges ou


companheiros (união estável), e parentes até o 3º grau por afinidade, que ocupem cargo de
confiança, função gratificada, ou mesmo cedidos por outro órgão, com subordinação mediata aos
considerados parentes, estão alcançados pela vedação contida na Súmula Vinculante 13 do STF,
bem como pela Resolução nº 37 do CNMP.

Assim, no caso em tela, restou suficientemente demonstrado, em sede de cognição sumária, o


parentesco entre o servidor MÁRCIO SARTORI EKO, e o Procurador-Geral de Justiça, JOSÉ
ANTÔNIO BORGES PEREIRA, posto que está a disposição (cedido) através do Termo de
Cooperação nº 001/2015, ao Ministério Público do Estado de Mato Grosso, bem como os fatos e
fotos que configuram o direcionamento em beneficiar o irmão de seu concunhado, TARSIS
SARTORI EKO, em afronta ao verbete da Súmula Vinculante nº 13 do STF e ao art. 37, caput,
da Constituição Federal, à Resolução nº 37 do Conselho Nacional do Ministério Público
(CNMP), bem como pela afronta aos princípios da pessoalidade, moralidade, eficiência e
isonomia.

Assim, ainda que vozes possam sugerir compreensão pessimista no enfrentamento do tema, a nosso
ver, não há argumentação jurídica idônea e razoável capaz de justificar eventual inércia da
instituição Ministério Público frente ao problema do nepotismo sob a simplista alegação de que
inexiste “expressa vedação legal”.

Barrar o nepotismo, portanto, não depende de outra coisa a não ser compromisso na defesa
intransigente da constituição já promulgada pelo povo brasileiro, além de vontade e coragem para
mudar velhos hábitos de conteúdo antidemocrático.
Nessa senda, CONSIDERANDO que, nos termos do art. 37 da Constituição Federal, a
Administração Pública deverá proceder observando os princípios da legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência;
CONSIDERANDO que a Lei n. 8.429/92 (Lei de Improbidade Administrativa) no art. 4º dispõe
que “os agentes públicos de qualquer nível ou hierarquia são obrigados a velar pela estrita
observância dos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência no
trato dos assuntos que lhe são afetos”;
CONSIDERANDO que o mesmo Diploma Legal no art. 11 dispõe que “constitui ato de
improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação
ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade às
instituições, [...]”;
CONSIDERANDO que a nomeação de parentes para o exercício de cargos públicos em comissão
ou de confiança ou, ainda, de função gratificada, constitui uma prática nociva à Administração
Pública denominada NEPOTISMO;
CONSIDERANDO que o nepotismo é incompatível com o conjunto de normas éticas abraçadas
pela sociedade brasileira e pela moralidade administrativa; que é uma forma de favorecimento
intolerável em face da impessoalidade administrativa; e que, sendo praticado reiteradamente,
beneficiando parentes em detrimento da utilização de critérios técnicos para o preenchimento dos
cargos e funções públicas de alta relevância, constitui ofensa à eficiência administrativa necessária
no serviço público;
CONSIDERANDO que, com isso, a prática do nepotismo viola os Princípios da Moralidade, da
Impessoalidade e da Eficiência, norteadores da Administração Pública, de modo que configura-se
como uma prática repudiada pela própria Constituição de 1988 (art. 37, caput), não necessitando de
lei ordinária para sua vedação;
CONSIDERANDO que a Súmula Vinculante nº 13 editada pelo Supremo Tribunal Federal,
vedando o nepotismo nos seguintes termos: “a nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em
linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de
servidor da mesma pessoa jurídica, investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o
exercício de cargo em comissão ou de confiança, ou, ainda, de função gratificada na Administração
Pública direta e indireta, em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal”;
CONSIDERANDO a decisão de mérito do STF, em sede de controle concentrado de
constitucionalidade, nos autos da ADC nº 12, consolidando o teor da Resolução nº 07 do Conselho
Nacional de Justiça em nosso ordenamento jurídico, de modo a proibir o exercício de qualquer
função pública em Tribunais, que não as providas por concurso público, por parentes
consanguíneos, em linha reta e colateral, ou por afinidade até o terceiro grau de magistrados
vinculados aos mesmos, ainda que por meio indireto, como a contratação temporária, a terceirização
ou a contratação direta de serviços de pessoas físicas; e que a decisão da ADC tem eficácia geral e
“efeito vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública
direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal” (Constituição da República, artigo 102,
§2º);
CONSIDERANDO que os fundamentos de decisões adotados em sede de controle concentrado de
constitucionalidade — do qual a ADC é espécie — são tão vinculantes quanto seus dispositivos, e
deles inafastáveis, como se pode aferir da decisão do mesmo Pretório na Reclamação 2986/SE;
CONSIDERANDO que também a decisão do STF, nos autos do recurso extraordinário nº 579.951-
4, que, por meio do voto condutor do Ministro Ricardo Lewandowski, delineou fundamentos de
mérito, confirmando a inconstitucionalidade da prática do nepotismo à luz dos já asseverados
princípios da moralidade, eficiência, impessoalidade e igualdade — independentemente da atuação
do legislador ordinário;
CONSIDERANDO, por fim, que o descumprimento da Súmula Vinculante n. 13 ensejará
Reclamação perante o Supremo Tribunal Federal contra os agentes públicos responsáveis pela
nomeação e exoneração ou contra decisão judicial, nos termos do art. 103-A, §3º, da CF, sem
prejuízo das sanções aplicáveis no âmbito da improbidade administrativa, nos termos do artigo 11,
caput, da Lei nº 8.429/92;
CONSIDERANDO que a Resolução nº 37 do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP),
no seu art. 1º proíbe o ajuste mediante designações ou cessões recíprocas em qualquer órgão da
Administração Pública direta e indireta dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios;

Em razão de tais fatos, requer a imediata suspensão do Termo de Cooperação nº 001/2015,


mantido com a Secretaria de Segurança Pública, bem como o consequente e imediato afastamento
de MÁRCIO SARTORI EKO da função de Escrivão do GAECO, bem como a imediata
exoneração do servidor, TARSIS SARTORI EKO, Gerente de Fiscalização de Obras, não devendo
ser nomeado para qualquer outro cargo comissionado no Ministério Público do Estado de Mato
Grosso, durante a permanência no cargo de Procurador-Geral de Justiça, o Exmo. Senhor Doutor
JOSÉ ANTÔNIO BORGES PEREIRA.

Em nossa modesta compreensão e ponto de vista, é isto que a sociedade espera do Ministério
Público. Chega de nepotismo! Já basta de imoralidade!