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Roteiro memorias de um sargento de milícias

Escrito por Giovanna e Érica


Personagens
Leonardo:
protagonista que garante unidade à narrativa. O sargento de milícias a que se refere o
título da obra é Leonardo, embora o personagem obtenha esse cargo somente nas
últimas páginas do livro.
Leonardo Pataca:
pai de Leonardo, um meirinho (oficial de Justiça) que fora vendedor de roupas em
Lisboa e, durante sua viagem ao Brasil, conhece Maria das Hortaliças, o que resultará
no nascimento de Leonardo.
Luisinha:
Sobrinha de dona Maria. Seu aspecto, inicialmente sem graça, se transforma
gradualmente, até se tornar uma rapariga encantadora.
Barbeiro:
É dono de uma barbearia e toma a guarda de Leonardo após os pais abandonarem a
criança. Torna-se um segundo pai para ele.
mulher gorda e bonachona, apresentada como ingênua, frequentadora assídua de missas
e festas religiosas.
Vidinha:
Mulata de 18 a 20 anos, muito bonita, que atrai as atenções de Leonardo.
D. Maria:
Mulher idosa e muito gorda, não era bonita, mas tinha aspecto bem-cuidado. Era rica e
devotada aos pobres. Tinha, contudo, o vício das demandas (disputas judiciais).
Maria das Hortaliças
mãe do personagem, portuguesa, trai o Pataca e foge com outro para Portugal.
Vizinha
Só uma vizinha chata
Mãe de Vidinha
Mãe de Vidinha. Só pra ter
Padre
Leonardo faz várias merdas com ele. Ele possui um caráter duvidoso e fica com ciganas.
Primo:
Da família da Vidinha. Só pra ter também

Abertura da peça:
Uma breve entrada das personagens. A ideia seria que as personagens entrassem no
palco fazendo uma dinâmica entre si, que ocorreria enquanto uma música dançante e
gostosinha tocasse, e seria da seguinte maneira:
- Entram no palco Leonardo Pataca e Maria das Hortaliças. Leonardo pisa no pé dela e
ela vai atrás dele tentar revidar. Ambos saem do palco em ritmo acelerado.
- D. Maria e Luísa entram no palco, sendo que Luísa deixa claro seus cuidados ao ajuda-
la
- Neste momento o major Vidigal dividirá o palco com Leonardo Pataca, cada um
entrará por um lado em direção ao centro. Major sempre com sua pose de oficial eles se
cruzam e o major deixa claro seu desprezo, enquanto Leonardo deixa claro sua
vergonha.
- Leonardo entra no palco com o barbeiro, de mãos dadas, porem Leonardo corre e
começa a interagir com a plateia, o barbeiro tentar conter, mas não consegue. Após isso
Leonardo volta e as cortinas se fecham.

Tudo isso precisa acontecer quase que simultaneamente. Em aproximadamente


15s. É pra parecer meio bagunçadinho e tals porque vai ser bem rapidinho.

Narrador (não é necessário um tom formal): “Memórias de um Sargento de


Milícias”, de Manuel Antônio de Almeida, conta uma história muito antiga, do tempo
do Rei D. João VI, um pouco após a corte portuguesa ter vindo ao Brasil.
Porém, vamos voltar um pouco no tempo para o ano de 1800, e ver a história do nosso
protagonista, o pequeno Leonardo.
No tempo do rei, seus pais, Maria da Hortaliça e Leonardo-Pataca, se conheceram em
um navio, quando voltavam de Portugal para o Brasil. Desde então, viveram um
romance daqueles de uma pisadela e um beliscão... Literalmente!
Cortinas se abrem
Maria estava encostada em uma parede e olhava distraída para a paisagem a frente,
quando Leonardo Pataca passa por ela e lhes pisa o pé. Ação simultânea à narração.
Maria: És louco ou cego, homem? (Cruza os braços, irritada e incrédula).
Leonardo Pataca: Sinto não tê-la visto, senhorita. (Sorriso e reverência irônica. Se o
personagem estiver de chapéu, irá tirá-lo e juntar ao peito).
Maria sorri como envergonhada, e deu-lhe também um tremendo beliscão nas costas da
mão esquerda, que ele havia estendido na reverência. Logo depois Leonardo lhes
estende o braço como se pedisse que ela o acompanhasse em algo e ela aceita.
Fecha-se as cortinas
Narrador: Pois é, isso que acabaram de ver foi uma declaração de amor. Depois das
pisadelas e dos beliscões, finalmente chegaram ao Brasil. Ao desembarcarem, Maria
começou a ficar enjoada e 7 meses depois nasceu o motivo dos seus enjoos. O herói
desta história
Abrem as cortinas
Maria: O que tanto o preocupa, homem? Não devia estar feliz?
Leonardo Pataca: Devia? É o batizado de nosso filho hoje e sequer temos um padrinho
para ele! Considero tanto o Sr. Juiz... Sou um meirinho, oficial de justiça. O juiz como
padrinho do meu filho é o mínimo que ele merece
Maria: Não, nada disso! Nosso filho será batizado pela parteira do menino e pelo
Barbeiro. Não tem decisão nenhuma a tomar, isso já está determinado. Meu deus, estou
a pagar meus pecados com esse menino!
(barulho de choro)
Segue-se a cena do batizado onde muitos convidados chegam conversando, o Padre
molha a cabeça do menino gesticulando um sinal da cruz e uma oração. Tanto o
Barbeiro quanto a comadre ao lado do menino que em seguida beijam-lhe a testa.
Todos saem do palco e o choro continua
Narrador: Como esperado desde o seu nascimento, o menino era traquina e comilão.
Chorava alto e incomodava toda a vizinhança quando bebê, mas o mal apenas aumentou
quando ele aprendeu a andar e a falar.

Separação

Entra Leonardo com chapéus na mão, e ele começa a jogar, vestir, pisar

Narrador: Tornou-se um verdadeiro problema para toda a vizinhança, que vivia a


reclamar de seu comportamento para sua mãe, que o batia e castigava, mas nada mudava
com o menino.

Enquanto essa fala do narrador, Maria tenta tirar os chapéus de Leonardo, E eles saem
do palco

Narrador: Assim, chegou ele à idade de 7 anos, e sua vida tomaria um outro rumo.

Abre as cortinas

Leonardo Pataca (Com papeis na mão): Menino, outra vez recebo reclamação de sua
madrinha! Nunca vi um menino fazer tanta idiotice como você
Leonardo: Ah, eu já disse, eu não gosto da minha madrinha

Pataca: Problema seu! Senta Aí. Segura esses jornais

Leonardo senta e começa a picotar os jornais e brincar com eles

(Barulho de gemidos)

Pataca: Mas que barulho é esse? MARIA????

Do fundo do palco, sai um homem, que atravessa correndo o palco para a saída deste. E
grita:

Homem: Desculpe. Já estava de saída.

Leonardo-Pataca: Mas que grande... (Leonardo se engasga, dando tempo para o homem
correr. Maria, por outro lado, aparece e cruza os braços como se não tivesse medo do
marido).

Maria: Não começa, Leonardo!

Pataca: Não chame pelo meu nome, infeliz. Ou encherei sua boca de socos!

Maria: Tu não tens esse direito. Quem mandou por se de namoricos comigo a bordo?
Maria responde com um sorriso irônico e frio.

Leonardo-Pataca coloca a mão sobre o peito e começa a chorar, partindo sobre Maria
e enchendo-a de socos

Pataca: Eu... tanto te amei Maria... (Diz em tom baixo, enquanto arfa e soca Maria)

Maria: Ai! Socorro! Sr. Compadre, por favor ajuda! (Maria grita desesperada e chora).

Narrador: O Barbeiro, porém, estava ocupado. Mas o menino não. O menino assistia
aquela cena como imperturbável sangue frio. Enquanto Maria apanhava e Leonardo-
Pataca gritava. O menino apenas abaixou-se em um canto com as folhas que seu pai trazia
do trabalho e as rasgava, uma por uma.

Leonardo, notando que o filho estava rasgando todo seu trabalho, larga Maria chorando
no chão e puxa a orelha do menino com raiva.

Pataca: És filho de uma pisadela e de um beliscão; mereces que um pontapé te acabe a


casta.

Entra em cena o barbeiro

Entrando na casa, o barbeiro segura Leonardo que havia voltado a gritar com
Maria.
Barbeiro: Oras, compadre. Perdeu o juízo? (Segura o braço de Leonardo, que o afasta
com um empurrão).

Leonardo-Pataca: O juízo não. A honra! (Ele responde ainda com raiva e respirando
profundamente).

Maria: E desde quando meirinhos tem honra? (Ainda caída no chão, rindo)
Leonardo novamente parece irritado e tenta bater em Maria, mas o Compadre entra no
meio e separa os dois, acaba levando um soco acidentalmente também. Então Pataca sai
gritando

Maria: Esse homem vai ver o que o espera com a justiça


Barbeiro: Não meta a justiça nisso. Isso é gênio, com o tempo passa. E se não, o dito
está tido. Eu fico com o pequeno
Ambos saem do palco. Maria bravíssima e murmurando
Fecha as cortinas

Narrador: No outro dia, todos já sabiam que a mulher de Leonardo tinha fugido para
Portugal com o capitão de um navio. Se o perguntassem o porquê, ele apenas dizia “Ah,
eram saudades da antiga terrinha”
Abrem-se as cortinas
Narrador: O Barbeiro adotou o menino. No começo era até que tímido. Conforme o
tempo passava, foi se acostumando com sua casa e colocando as manguinhas de fora. O
barbeiro, por sua vez, achava tudo isso muito engraçado.
Simultaneamente a narração: Cenário de uma barbearia, Leonardo entra e pega uma
tesoura. Começa a brincar com ela e bagunçar tudo.
Barbeiro: você está ficando um homem, é preciso que aprenda alguma coisa para vir
um dia a ser gente; de segunda-feira em diante começarei a ensinar-lhe o bê-á-bá.

Menino: Mas eu só tenho nove anos... e hoje já é quarta-feira. Como farei minhas
travessuras? (Menino responde como se tivesse nojo do que o padrinho o falava).

Barbeiro: Poderá se fartar de travessuras até o fim da semana.

Menino: Então eu não hei de ir mais ao quintal, nem hei de brincar na porta?

Barbeiro: Aos domingos, quando voltarmos da missa...

Menino: Ora, eu não gosto da missa.

Fecha as cortinas

Narrador: O padrinho obviamente não gostou da resposta do menino. Era péssimo um


futuro clérigo não gostar de missas, mas este obviamente não desistiu do objetivo de
educar o menino. Ele, porém, obedeceu ao padrinho e fartou-se de suas travessuras pelo
resto da semana.

Abre as cortinas
Barbeiro está em sua casa e a Comadre entra
Comadre: Eu não vim fazer fofoca, só vim saber se queres ajuda. Faz tempo que não
vejo a peste do meu afilhado, e ce não sabe, menino, hoje na igreja ouvi uma conversa
de duas fofoqueiras lá falando absurdos sobre o menino. Elas disseram também que o
senhor toma conta dele.
Barbeiro: uma delas deve ser essa vizinha do demônio
Comadre: Então quer dizer que a Maria fugiu com o capitão do navio???
Barbeiro: nãoo, só apertaram as saudades de Lisboa
Comadre: Mentiraaaa, não minta para mim homem! E você ainda ficou com as cargas
nas costas?
Barbeiro: Carga não. Ele é um anjinho. Tenho ótimas intenções com o garoto. Quero
faze-lo padre
Comadre: CE ACHA QUE AQUELE MULEQUE TEM JEITO PRA PADRE? ELE
VAI BOTAR FOGO NA IGREJA
Barbeiro: Sim. Ele será padre sim senhora
Comadre: Chega por hoje. Vou colocar meus pés numa água morna, muita besteira pra
um só dia. Fique com Deus.
Fecha as cortinas

Narrador: A muito custo, Leonardo passou 2 anos em uma escola. Sempre que dava
cabulava aula, ia a igreja, pois fizeste amizade com um sacristão da igreja, um menino
tão endiabrado quanto ele. Convenceu seu padrinho a deixá-lo ser um sacristão também,
para assim se acostumar com a vida clerical. Obviamente era apenas uma desculpa para
não ir à escola. Ele aprontou tantas nessa igreja...
Abre as cortinas
Leonardo e Cigana estão em cena

Leonardo: O padre está aí? (Gritando)


Cigana: Fala baixo garoto! Que tu queres com o ele?
Padre: Entre! (Apressado) as pessoas não podem me ver aqui, entre garoto!
Leonardo: Vim dizer que a missa é as 10 amanhã.
Padre: As dez? Isso é mais tarde que o normal! (confuso)

A partir daí se dá uma confusão, passam os figurantes e algum grita ‘Cadê o Padre? Tá
atrasado para a missa’. Os mesmos saem e começa um diálogo entre o Padre e
Leonardo.
Padre: Garoto! Que horas era a missa? (Com muita raiva em sua voz)
Leonardo: Nem eu lembro muito bem da hora que eu falei. - Por que não pergunta para
aquela mulher que o senhor tava.
Padre: Que moça? (Espantado)
Leonardo: Aquela Cigana que tava lá onde o senhor tava! Ela ouviu! Eu falei às 9h!
Padre: Calunia! Esse mentiroso tem grande imaginação! Desde que entrou aqui só
causou problemas! O quero fora daqui!
Fecha as cortinas
Narrador: Como o destino estava a favor do Leonardo, entra agora na história uma
personagem que fará muito bem a ele. D. Maria é seu nome.
Abre as cortinas
O cenário é a casa da dona maria
Comadre: Mas então D. Maria, como vão as demandas?
Maria: Estão dando trabalho né comadre! Mas é o que me satisfaz na vida.

Entra então o Barbeiro e o Leonardo

Barbeiro: Licença D. Maria. Posso entrar?


Maria: Claro! Quanto tempo! Preciso lhe prestar conta daquela antiga demanda. Ela
ainda não acabou
Barbeiro: Ora, não precisa prestar contas agora, deixe para um momento maus
propicio. Quero lhe apresentar meu afilhado, Leonardo
Maria: Afilhado? Desde quando você tem um afilhado
Barbeiro: Ah dona maria...é uma longa história. Te conto qualquer dia desses
Vizinha: Não esqueça de contar o demônio que ele é
Barbeiro: Oh vizinha, meta-se com a sua vida,
Vizinha: Meta-se com sua vida o caramba. D. Maria, esses dias eu estava na igreja e
esse demônio jogou cera quente nas minhas costas e o amiguinho dele sacristão jogou
fumaça na minha cara. Ve se pode uma coisa dessas
Leonardo: Eu ainda vou te dar o troco por isso que você esta falando
Vizinha: Dar os trocos? É o que eu digo. Esse moleque tem maus bofes
D. Maria: Ora, a vizinha tem razão quanto a essa história da cera e da
fumaça...Vizinha, traga-me a bolacha

Leonardo coloca o pé a vizinha cai


Vizinha: Minhas costas!
Comadre: Olha isso compadre, e você ainda quer que o menino seja padre
Barbeiro: Sim, ele se dará bem. É um menino calmo, sossegado...
Vizinha se afoga com o chá
D. Maria: Se fosse comigo colocá-lo-ia em um cartório e fá-lo-ia um bom procurador
de causas
Leonardo: Padrinho!! Vamos, vai passar a procissão
Vizinha: Afinal, pra que viemos se não pra ver a procissão né! Menino burro.

Todos vão a frente, vizinha e Leo discutem


Fecha as cortinas
Narrador: Porém, nosso protagonista escolheu o pior destino de todos. Fez-se um
completo vagabundo. Vadio Mestre. Seu padrinho viu frustrado seu belo sonho, porém
não contrariava mais o afilhado. Deixava-o livre para fazer o que bem quiser da vida.Os
anos se passaram e Leonardo e seu Padrinho continuavam a visitar dona maria, que
entrou na justiça para ficar com a guarda de uma sobrinha órfã. Ela ganhou a causa, e
Luisinha, a menina em questão, passou a morar com sua tia.
Abre as cortinas
O cenário é a casa de D. Maria. Ela está no chão a procura de seus óculos
Leonardo e o Barbeiro (Agora mais velho e com bengala) entram na sala
Barbeiro: O que foi dona Maria?
D. Maria: Meus óculos sumiram homem
Barbeiro: Menino, ajuda a mulher
Leonardo pega os óculos da cabeça de D. Maria e leva em direção ao barbeiro
Barbeiro: É pra entregar pra velha
Ele entrega os óculos e a ajuda a levantar
Todos sentam no sofá
D. Maria: Sabe Luisinha? Aquela que te falei, que eu falei que o padrinho dela não
presta? Que eu ia entrar na justiça? Então, venci a causa
Barbeiro: Muito bom isso D. Maria
D. Maria: O que você acha que se conhecerem? OH LUISA, VRM CÁ MENINA
Entra em cena a Luísa
Barbeiro: Então essa é a Luísa...E então menina, tá gostando de morar com sua tia?
Luisinha: Estou
Barbeiro: O que tá achando da cidade?
Luisinha: Bonita
D. Maria: É um pouco tímida, isso a de passar. Pode ir minha filha

Luísa se retira do palco correndo, Leonardo começa a rir

Barbeiro: Que foi menino


Leonardo: Essa menina é engraçada
Barbeiro: Já vi que está com tédio outra vez. Não tem nada pra fazer nessa casa e
arranja tempo pra rir... vamos embora, me ajuda aqui. E da próxima vez que perder os
óculos não vai ter eu pra ajudar não
Leonardo ainda ri
Barbeiro: E agora? Por que está rindo?
Leonardo: Essa guria é engraçada. Cada vez que eu lembro dela me dá um negócio
Barbeiro: Então lembra de cada detalhe dela né, porque desde que saímos não para de
rir
Leonardo: É...
Fecha-se as cortinas
Narrador: Realmente Leonardo estava sentindo algo que nunca havia sentido antes.
Era amor né... Luisinha não conseguia sair de sua cabeça. E quando chegou o dia de
novamente visitar D. Maria, Leonardo ficou todo contente e foi o primeiro a se aprontar.
Nesse dia, que era festa do divino espirito santo, as pessoas saiam de suas casas para ver
fogos em diversos locais da cidade. Era a festa favorita do povo fluminense. Leonardo,
D. Maria, o barbeiro e Luisinha foram para o campo, que estava cheio de gente.
Abre as cortinas
Entra em cena Luísa com a velha e Leo com o barbeiro, então, o barbeiro chega
próximo de D. Maria e ambos vão conversar, desatentando-se a Luísa e Léo. Leonardo
não para de reparar na menina. Em suas vestes.
Barbeiro: Então D. Maria, sua sobrinha nunca viu a festa do divino?
D. Maria: Nunca coitada, nem saia de casa
Barbeiro: Não é à toa que está tão encantada
D. Maria: Repara como Leonardo não para de olhar pra ela
Barbeiro: Vamos comer que eu estou com fome. Vamos menino, vamos comer
Leonardo: Vem Luisinha, vamos comer
Leonardo puxa a menina com delicadeza e os 4 vão para o fundo do palco e sentam
Começa barulho dos fogos. Luisinha vai para a frente do palco instantaneamente e Leo
vai atrás.
Lá na frente:
Luisinha: Leonardo, olhe como são lindos
Leonardo: nunca tinha visto antes?
Luisinha: Não, é a coisa mais linda que já vi. Me ajuda Leonardo, me ajuda a ver
melhor
Leonardo: Ali perto do coreto. Vem, me abraça, eu te ajudo a ver melhor
Luisinha: Nunca vi algo tão lindo
Leonardo: Linda é você
As cortinas se fecham
Narrador: Apesar da cena que acabamos de ver, e de parecer que Luisinha e Leonardo
eram amigos de longa data, depois que tudo isso acabou, a menina tomou o mesmo
comportamento de antes, toda vez que Leonardo e seu padrinho iam visitar D. Maria, lá
estava Luisinha, com o queixo enfiado no pescoço. Isso desgostou muito Leonardo,
ainda mais quando veio um conhecido de D. Maria que havia acabado de chegar da
Bahia. Um homem falso e fofoqueiro com o nome de José Manuel. Ele começou a
visitar a velhas, com intenções na sobrinha. D. Maria era rica e velha, quando morresse,
Luisinha teria todo o seu dinheiro. Nada mais interessante para José Manuel, unir o útil
ao agradável. Mas ele não contava com a fúria de Leo, e da cumplicidade de sua
madrinha, que tratou de colocar o homem fora de combate quando soube toda a história.
Abre as cortinas:
José Manuel: Pois fique sabendo que com sua sobrinha quero casar. Ela tem uma
grande beleza e já é uma moça.
D. Maria: Ah sim, estas certo. (confusa)
Fecha as cortinas
Narrador: Havia no Rio de Janeiro, um lugar chamado oratório de pedra, que na época
que o livro foi escrito já havia sido desmontado, isso ocorreu porque o local era alvo de
roubos, fugas e assassinatos. O caso mais recente a história do livro era a de uma garota
que lá estava com a família e sumira com um homem não identificado.
Abre as cortinas
Na casa de D. Maria:

D. Maria: A comadre estava lá?


Comadre: Claro que sim. Que antes não estivesse
D. Maria: Tenho perguntado a todos e ninguém sabe me dizer
Comadre: A senhora não sabe quem foi?
D. Maria: Não, quero saber quem foi o descarado que sumiu com a moça e o dinheiro
Comadre: Pois eu sei
D.Maria: Diga mulher
Comadre: Foi o grande camarada e boa peça do José Manuel. (Sarcasmo)
Fecha as cortinas:
Narrador: Enquanto isso, Leonardo tentava arranjar um jeito de se declarar para
Luisinha. E o resultado foi esse:
Abre as cortinas
Fora da casa se encontram Leonardo e seu Compadre
Leonardo: Estou com muito ciúme compadre! Eu a amo tanto!
Compadre: Então você tem que falar com ela.
Leonardo: Então vou sim!

Leonardo se dirige ao encontro de Luisinha

Leonardo: Luisinha? - Ah! A senhora sabe... Uma coisa? (ansioso)


Luisinha: O que?
Leonardo: Então, a senhora sabe ou não sabe?
Luisinha: O que?... Não entendi
Leonardo: Quero dizer então... Que eu te quero muito bem! (Sorrindo)
Luisinha sai correndo do palco
Fecha as cortinas
Narrador: fique sabendo que o Zé Manuel soube das mentiras que a Comadre inventou
a seu respeito, e tratou logo de se defender. Em meio a tudo isso, Leonardo sofreu um
baque, o padrinho dele morreu. O destino guardava uma reviravolta na vida do nosso
herói, com a morte do padrinho, foi morar com o pai, Leonardo pataco, o corno. A
história dele foi parecida com a do seu filho: Outros amores, decepções com uma cigana
e se casou, se juntou, na verdade, e pior, com a filha da comadre, da parteira, da
madrinha do Leonardinho. O nome dela era Chiquinha.
Abrem-se as cortinas
Leonardo Pataca: Não sirvo para isto... Estas coisas não se dão com minha cabeça.
Estou tremendo como se fosse comigo.
Comadre: - Ah ela está tendo o bebe. Vamos comigo querida para o outro quarto. -
Você Leonardo fique aí e espere.
Passa-se um minuto enquanto Leonardo (Pai) anda pelo palco se coloca um som de
choro de bebe e vem à comadre avisar da boa notícia.
Comadre: É uma garota!
Pataca: Isso é coisa boa! Com o outro que era homem não me fui feliz.

Todos saem do palco. Entra Chiquinha e Leonardo

Chiquinha: Se comporte garoto! Pare se sujar as coisas!


Leonardo: - Ah! Vá! (Atira uma almofada no chão)
Chiquinha: Mas sua desgraça! Desaforado! (Com muita raiva)
Leonardo: Não se meta com a minha vida que com a sua não me meto.
Chiquinha: Você tem raça de Saloio! (exaltada)
Leonardo: Idiota! (Levanta a mão para bater nela então chega Leonardo o pai)
Pataca: Mas o que? Pensas que isto é casa de seu padrinho? Eu quero é respeito! -Ora!
Já te dei um pontapé te dou outro agora!
Leonardo: Por ela? Há de te dar bom pago! Tão bom quando o da Cigana que querias
antes!
Leonardo: Espera maltrapilho que te ensino!
Comadre: O que houve? Acalmasse Leonardo!
Chiquinha: Foi uma das acomodações de seu afilhado!
Comadre: E onde está ele?
Pataca: Saiu por ali desencabrestado e tomara que aqui nunca mais volte! Aquele lá
nasceu com má sina!
Fecham-se as cortinas
Narrador: Só mesmo a Comadre pra se preocupar com o Leonardo. E ela estava certa.
O menino saiu por aí, desnorteado, pensando em Luisinha, em José Manuel, que
visitava D. Maria com uma frequência cada vez maior. Isso lhe dava nos nervos. Na rua,
Leonardo ouviu umas risadas atrás de uma moita, e foi verificar. Viu algumas moças e
moços sentados em roda enquanto jogavam cards. Um desses moços reconheceu
Leonardo. Era aquele sacristão da igreja. Aquele menino tão endiabrado quando ele,
chamado Thomas. Após contar tudo ao amigo, Thomas convidou Leonardo para morar
com sua gente, que era uma família de ciganos. Nessa família havia uma linda
mulher...Vidinha...
Em meio a uma linda música, entra vidinha dançando no palco, em seguida os ciganos
Todos sentam em roda e conversam, após isso a musica volta e lonardo e vidinha
começam a dançar juntos

Leonardo: Mas que bela!


Vidinha: Se os meus suspiros pudessem a ti chegar!(Cantando)
Leonardo: Olá a todos! Meu padrinho morreu... E não tenho onde morar peço-lhes
ajuda.
Mãe de Vidinha: Sim, claro.
Primo: Aqui não fica! (Bravo e pula encima de Leonardo para bater nele)
Livra-se da briga se levanta e sai se encontra com a Comadre
Comadre: Seu louco! Ainda bem que te achei! - Vou resolver isso é agora!

Comadre tenta arrastar o menino e o os primos saem de cena

Mãe de Vidinha: - Deixe-o aqui que está bem!


Vidinha: - Ah! Estou tão feliz que iras ficar. (Corre e abraça Leonardo)
Caminham todos na cena e Vidinha e Leonardo conversam . Saem os dois primos e
logo depois chegam eles com o Major Vidigal.
Major Vidigal: - Quem aqui é Leonardo?
Leonardo: Sou eu... Há algum problema?
Major Vidigal: - Poderia vir comigo? (Olha pros outros e fala) - Se puder voltará em
breve!
Vidinha: Mas que fez ele?
Major Vidigal: - Ele nem fez nem faz nada por isso vai comigo. SOLDADOS
Os soldados entram por trás seguidos das moças e repondo no lugar suas vestes
Fecha as cortinas
Narrador: Luísa foi tão esquecida, que acabou concordando com o pedido de
casamento de José Manuel
Abre as cortinas
José Manuel: Vim aqui, arrependido, pedir desculpas e pedir a mão de sua sobrinha.
D. Maria: Suas desculpas, aceito! Mas minha sobrinha que terá que dizer sim ou não
José Manuel: Então, que me diz?
Luisinha: Leonardo me deixou... Então, sim!
Fecha as cortinas
Narrador: Leonardo era tão malandro que conseguiu escapar do Major e de seus
Soldados. O major ficou louco da vida, pois a fuga de Leonardo tirava todo o respeito
que as pessoas tinham por ele. A comadre, que já sabia do novo lar de Leonardo, ficou
sabendo também de sua prisão.
Saem eles novamente e volta para a casa de Vidinha, chega Leonardo correndo e
esbarra com ela.
Vidinha: Leonardo! Que faz aqui?
Leonardo: - Na hora que passei por um tumulto me livrei das mãos do capitão corri e
fugi para cá. - O Major deve estar atrás de mim!
Saem os dois e entram a Comadre e o Major
Comadre: Major! Liberte meu afilhado!
Major Vidigal: Aquele Fugiu!
Comadre: Não vá atrás dele, te imploro!
Diz comadre ajoelhando-se
Major Vidigal: Vou pensar no seu caso.
Sai o Major e chegam Leonardo e família de Vidinha
Comadre: Leonardo! Te consegui um emprego! Um grande futuro! Longe das iras do
Vidigal. Vai trabalhar para o rei
Mãe de Vidinha: - Espero que tudo dê certo! - É mesmo um grande emprego! - De
grande importância.
Leonardo: É verdade.
Comadre: Como pode ter sido demitido? - O que você fez?
Leonardo: Eu não sei! Armaram para mim!
Comadre: Oh! Coitado!
Fecha as cortinas

Narrador: Após alguns acontecimentos, Leonardo virou soldado. Quem melhor para
ser soldado se não um vagabundo que sabe de cor e salteado todas as trapaças de rua?
Por isso o Vidigal quis que ele trabalhasse pra ele. E luisinha, após ter se casado com
aquele vigarista não podia colocar a babeça para fora de casa. D. Maria percebeu a
besteira que fez ao dar confiança pra ele... Bom, então ele morreu de derrame cerebral...
Lusinha estava viúva. E Leonardo? Foi para uma vida de sargento, Sargento de
Milicias. Onde vocês estavam que não acompanharam o final da história de Luisinha e
Leonardo? Ah, já sei, no casamento deles
Musica de casamento. Entra luisinha e Leonardo
Leonardo: Vim aqui te ver meu eterno amor!
Luisinha: - Oh! (Começa a chorar)
Leonardo: - Não poderei me casar se for Sargento de granadeiros então me rebaixei
para o cargo de Sargento de Milícias. Comadre fala com o Major Vidigal pedindo outra
ajuda.
Comadre: Poderia fazer isso por ele? Poderia rebaixá-lo?
Major Vidigal: Sim claro! Desejo felicidades a ele. Aqui estão Leonardo, sua baixa de
tropa de linha e sua nomeação de sargento de milícias.
Leonardo: Muito obrigado. Luisinha! Agora podemos nos casar!
Festa, casamento, todos estão felizes e os dois caminham e termina.