PROGRAMA EQ-ANP

Processamento, Gestão e Meio Ambiente na Indústria do Petróleo e Gás Natural

Simulação da Torre Atmosférica de uma Refinaria de Petróleo
João Paulo Pinheiro Porto

Projeto de Final de Curso
Orientador Prof. Fernando Luiz Pellegrini Pessoa, D.Sc.

Fevereiro de 2006

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SIMULAÇÃO DA TORRE ATMOSFÉRICA DE UMA REFINARIA DE PETRÓLEO
João Paulo Pinheiro Porto
Projeto de Final de Curso submetido ao Corpo Docente do Programa Escola de Química / Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – Processamento, Gestão e Meio Ambiente na Indústria de Petróleo e Gás Natural, como parte dos requisitos necessários para a obtenção do grau de Engenharia Química com ênfase na área de Petróleo e Gás Natural – Refino e Processamento.

Aprovado por:

________________________________________ Andréa Medeiros Salgado, D.Sc.

________________________________________ Carlos Eduardo P. S. Campos, M.Sc.

________________________________________ Gláucia A. da S. Torres, Eng. Química Orientado por:

________________________________________ Fernando Luiz Pellegrini Pessoa, D.Sc.

Rio de Janeiro, RJ - Brasil Fevereiro de 2006

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Porto, João Paulo Pinheiro. Simulação da torre atmosférica de uma refinaria de petróleo / João Paulo Pinheiro Porto. Rio de Janeiro: UFRJ/EQ, 2006. xv, 59 p.; il. (Monografia) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Escola de Química, 2006. Orientador: Fernando Luiz Pellegrini Pessoa. 1. Simulação. 2. Destilação. 3. Petróleo. 4. Monografia. (Graduação – UFRJ/EQ). 5. Fernando Luiz Pellegrini Pessoa. I. Título.

nos últimos tempos. foram meus olhos. .iii Aos amigos que.

. pode-se começar de novo e fazer um novo fim".iv "Não importa saber se a gente acredita em Deus.)" (Mario Quintana) "Embora não se possa voltar atrás e fazer um novo começo.. (Chico Xavier) . o importante é saber se Deus acredita na gente (.

Dalva. Dani. amizade e companheirismo. o que seria de mim sem vocês? a PETROBRAS pelos dados concedidos para a realização deste trabalho. ao apoio financeiro da Agência Nacional de Petróleo. amizade e por ter acreditado em mim. pela convivência e amizade ao longo desses “cinco anos”. aos amigos Leia. ao Professor Eduardo Mach pela sua impressionante capacidade de ser prestativo e atento às necessidades dos alunos. pela atenção. em especial aos meus pais. Elias. às amigas Celli. pela paciência. pela dedicação e grande competência em ensinar e orientar. acima de tudo. disponibilidade. às amigas e funcionárias da Escola de Química Zizi e Márcia. me estimulam e me encorajam. às minhas amigas Gláucia e Cristina. Ujá e Ton. ao longo da minha caminhada vocês me incentivam. . à minha família. Hudson. à minha madrinha Rita e aos tios Joaquim. à vovó Tita. Alê. ao meu orientador. Goretti e Orlando. só elas sabem como foi a caminhada até aqui.v AGRADECIMENTOS Toda minha gratidão. Gás Natural e Biocombustíveis – ANP – e da Financiadora de Estudos e Projetos – FINEP – por meio do Programa de Recursos Humanos da ANP para o Setor de Petróleo e Gás – PRH-ANP/MCT. a Professora Elioni Nicolaiewsky. sua amizade vale muito para mim. Fernando. Del. a Deus. Rê e Tiça. aos meus irmãos.

esgotamento. projeto. o petróleo está presente no dia-a-dia de todos. extrativa. referentes a um período em que a planta estava operando próximo ao regime estacionário. D. entre outros. Fernando Luiz Pellegrini Pessoa. utilizando um simulador comercial. modificações e paradas. quanto como matéria-prima de produtos como plásticos. . É por meio dessa operação que se obtêm as frações básicas do petróleo sendo aplicada em diferentes condições (à pressão atmosférica ou a vácuo) e em configurações de processo como retificação. partida. construção. O principal objetivo é estudar melhorias na separação do cru. Nesse contexto. de conversão e de acabamento complexos. como o número de pratos de uma coluna de destilação e o diâmetro de um vaso. azeotrópica. Contudo. Afim de realizar este estudo de simulação de processos foram utilizados dados reais de uma Unidade de Destilação de uma refinaria típica de petróleo. A destilação é o processo de separação mais utilizado nessa indústria. identificando as causas de falhas ou de baixa eficiência no processo. As colunas de retificação e os refluxos circulantes associados a colunas de destilação fracionada tornam o processo cada vez mais complicado.vi Resumo do Projeto Final apresentado à Escola de Química como parte dos requisitos necessários para obtenção do grau de Engenheiro Químico com ênfase na área de Petróleo e Gás Natural – Refino e Processamento.Sc. SIMULAÇÃO DA TORRE ATMOSFÉRICA DE UMA REFINARIA DE PETRÓLEO João Paulo Pinheiro Porto Fevereiro. a simulação de processos tem sido usada para projetar fluxogramas e para especificar parâmetros importantes de equipamentos. 2006 Orientador: Prof. entre a extração do óleo do solo e o seu consumo. pneus. este trabalho se propôs a usar um modelo matemático representativo para simular a torre atmosférica de uma refinaria de petróleo. que dificultam a execução de testes o que faz da simulação de processos uma ferramenta indispensável na indústria do petróleo. entre outros. Informações composicionais das correntes do processo e de operação da Unidade foram inseridas no simulador para a geração do modelo. O petróleo tornou-se importante matéria-prima para a civilização moderna devido às inúmeras aplicações de seus derivados. tratando o processo em todos os estágios: síntese. foi realizado um estudo para determinação da influência do ponto de entrada da alimentação na distribuição das cargas térmicas da referida torre de destilação. são necessários processos de separação. Outras áreas de aplicação estão crescendo em importância. Com o modelo definido e validado. Tanto como fonte de energia. Tradicionalmente. como gasolina e diesel.

which demand a lot of specification tests. With the definitive and validated model. a study on the influence of feed point location on thermal duty of crude oil distillation column has been established. since its exploration until its consumption. rectification. The objective of the present work was the simulation of an atmospheric distillation column. However. associated to fractional distillation columns. Traditionally. Other areas of application which are growing in importance are: synthesis. turning the process more and more complicated. Crude oil has become a very important raw material in our society.vii Abstract of a Final Project presented to Escola de Química/UFRJ as partial fulfillment of the requirements for the degree of Engenheiro Químico with emphasis on Petroleum and Natural Gas – Refining and Processing. In order to accomplish the present simulation study it has been used real Data from a Distillation Unit of a typical oil refinery.Sc. construction. due to its several applications of its valuable products. like gasoline and diesel oil and also as raw material for products like crayons. stripping. and is the most important step in the whole refining process. The main purpose was to enhance crude separation by the identification of causes of fault or low efficiency in the process. start up. Crude oil is present in our lives as energy. in a commercial simulator. the simulation of processes has been used to design flowcharts and to specify important equipment parameters. modifications and shut down procedures. Therefore. conversion and finishing. Fernando Luiz Pellegrini Pessoa. extractive. it is necessary many operations like: separation processes. besides the products high value which can not be compromised. Oil refining process starts with a fractional distillation column that separate the different fractions of hydrocarbons in several useful products. SIMULATION OF AN ATMOSPHERIC DISTILLATION COLUMN João Paulo Pinheiro Porto February. azeotropic among others. Fractional distillation is useful for separating a mixture of substances with narrow differences in boiling points. There are also side stripper columns and pumparounds. design. . Information about crude oil composition and process streams have been inserted in the simulator for the model generation. plastics. simulation of processes can be a valuable tool for oil industry. 2006 Supervisor: Prof. synthetic fibers and tires. referring to a period when the plant was operating close to a steady state condition. D. Distillation can be characterized by its operation conditions (atmospheric pressure or vacuum) or process configuration as distillation. on crude oil separation. using a suitable mathematical model. as number of trays of a distillation column and the diameter of a drum.

4.4. Torre de Pré-fracionamento ou Pré-flash II.5. II.5.1.5. Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) II. Curva de Destilação PEV 02 02 02 03 04 04 05 05 06 06 06 07 07 08 08 08 09 09 09 10 11 12 13 .6. Revisão Bibliográfica II. Dessalgadoras II.1.1.4.4.4.6.2.5.1. Gasóleos de Vácuo II. Resíduo de Vácuo (RV) II. Gasóleos Atmosféricos II. O Petróleo O Refino do Petróleo Destilação Unidades de Destilação de Petróleo II. Primeira Bateria de Preaquecimento II.2.3.3.1.1. Segunda Bateria de Preaquecimento II.6.5.4.5. Introdução 01 II.4. Gás Combustível (GC) II.3. Frações da unidade de destilação II.1. Torre de Destilação Atmosférica II. Descrição do fluxo na unidade de destilação II. Caracterização do Petróleo II. II.viii ÍNDICE I.1.7.6. Nafta II.4.1.5.4.4.7.1.1. Querosene (Q) II.5. Torre de Destilação a Vácuo II.2. II.4.5.1.5. Carga da Unidade II.

Torres retificadoras laterais III.1. Torre Atmosférica III.2.1.1.2. Etapas de construção do modelo III.3.1.1.1. Torre a Vácuo III.2. Agente Simulador de Processo II.1. Validação do modelo 13 14 14 16 17 17 18 III.8.8. Temperaturas ao longo das baterias e fornos III.8.1. Densidade relativa II.1.1. Torre de vácuo III. Definição da base da simulação 20 20 20 22 22 22 23 24 24 25 25 26 26 28 29 29 30 . Produtos Simulação de Processos Químicos II.6. Torre Pré-flash III.1.6.3. Dados III.6.2.1.5.2.2.2. Rendimentos dos Produtos III.2.1.4.1. Simuladores de Processo II.8.1.1.1. Petróleo III.2. Torre Atmosférica III.4. II. Simulação do Processo III.2.1.7.1.1. Projeto III.1. Torre Pré-fracionadora III.3.ix II. Pseudocomponentes II. Dessalgação III.2.8. Elaboração do Modelo III.7.

x III.1.2.2. Conjunto de componentes químicos que serão utilizados. Definição das operações unitárias envolvidas no processo 34 III.2.1.2.1. propriedades físico-químicas e termodinâmicas III.2. Caracterização da carga do sistema 30 31 30 III.1.4.1.1.2.5.3. Especificação dos graus de liberdade do sistema III.2. Validação do modelo III. Conclusões e Sugestões 53 Referências Bibliográficas 54 Apêndice A1 55 . Estudo de Caso 46 V.2.1. Torre atmosférica 38 39 40 42 IV.2.2.1.5. Conjunto de equações para os cálculos de equilíbrio.5.1. Torre pré-flash III.1.1.1.2. III.

7 Figura III. baterias de preaquecimento e dessalgação. Curva de densidades experimental e calculada.1 52 44 48 49 50 51 Fluxograma simplificado da Unidade: Entrada da carga.8 Figura III. 57 Figura A1. 35 36 08 12 16 21 21 33 33 05 Representação esquemática e simplificada da torre atmosférica. Figura II.2 Frações do petróleo obtidas a partir da destilação [2].3 Figura IV.1 Figura II.4 Figura III.3 Figura III. Figura IV. Cargas térmicas do condensador. Curva de destilação PEV experimental e calculada. 41 41 42 Figura III. Figura III. 37 Vazões de líquido e vapor em cada estágio da torre pré-flash.10 Perfil de temperaturas ao longo da torre pré-flash.1 Figura III.2 Figura IV. Curva da destilação PEV.1 Figura IV.11 Vazões de líquido e vapor por estágio nas T ATM e retificadoras laterais. 43 44 Figura III.2 Fluxograma simplificado da Unidade: Torre pré-flash.6 Figura III. Curva de densidades. Figura A1. Esquema simplificado do fluxo do petróleo na unidade de destilação.3 Figura II.4 Figura III. torre estabilizadora de nafta e forno atmosférico. Consumo de derivados de petróleo.4 Figura IV. Perfil de pressões ao longo da torre pré-flash. Carga térmica enviada às baterias de trocadores de calor. Figura III.9 Representação esquemática e simplificada da torre pré-flash.5 Incorporação de um separador de fases ao processo. Figura III.12 Perfil de pressões ao longo das torres T ATM e retificadoras laterais.2 Figura III.5 Caracterização do petróleo [2]. Diferenças entre os ganho de energia nas baterias e as perdas no condensador em cada caso.xi ÍNDICE DE FIGURAS Figura II. Representação esquemática e simplificada do processo no simulador.13 Perfil de temperaturas ao longo das torres T ATM e retificadoras laterais. Cargas térmicas do condensador e das baterias de trocadores. 58 .

xii Figura A1. 59 .3 Fluxograma simplificado da Unidade: Torre atmosférica. forno de vácuo e torre de vácuo.

Composição da carga. Temperatura das panelas de retirada de produtos. Fracionamento nos leitos.23: Especificações para simulação.10: 24 23 23 23 15 22 22 Pontos de entrada e saída das correntes da torre de vácuo teórica. 37 39 Tabela III.7: Tabela III.20: Tabela III. Resumo da operação das dessalgadoras. Principais temperaturas ao longo do circuito do petróleo pela unidade.19: Tabela III.12: Perfil de pressões na torre pré-flash e vazão de nafta instabilizada.xiii ÍNDICE DE TABELAS Tabela II.22: Fracionamento nos leitos. temperatura e pressão dos vapores. Pontos de entrada e saída das correntes da torre atmosférica teórica.9: Tabela III.1: Tabela III.2: Tabela III.8: Tabela III.14: Tabela III. Variação no teor de nitrogênio no CPV representando craqueados formados. Resumo das análises de laboratório dos produtos. 27 27 27 27 28 28 28 28 32 34 Tabela III. . Perfil de pressões ao longo da torre. Tabela III.6: Equivalência das correntes da torre retificadora de diesel pesado real e teórica.13: Tabela III.3: Destinos mais comuns das frações de petróleo.15: Tabela III.18: Tabela III.1: Tabela III. Tabela III. Pseudocomponentes calculados. Tabela III.16: Tabela III. Tabela III.4: Equivalência das correntes da torre retificadora de querosene real e teórica. Equivalência das correntes da torre pré-flash real e teórica.5: Equivalência das correntes da torre retificadora de diesel leve real e teórica. 26 25 25 Tabela III. Teor de leves presentes no petróleo.11: Tabela III. Vazões.21: Tabela III.17: Tabela III. Resumo das análises de laboratório dos produtos. 24 Vazões médias a 20/4°C e rendimentos médios dos produtos. 26 Perfil de pressões ao longo da torre atmosférica (valores manométricos).

26: Pressões.1: Tabela IV.2: Legenda com códigos das correntes (figuras A1.3).24: Tabela III.2 e A1. A1. temperaturas e vazões de líquido e vapor nos estágios. A1. Análise econômica em cada caso estudado.1: Cargas térmicas calculadas para os casos estudados. Comparação entre valores do processo com os obtidos pelo simulador. 40 43 45 49 52 Tabela IV.3). temperaturas e vazões de líquido e vapor nos estágios. 56 .xiv Tabela III.2 e A1.2: Tabela A1. Pressões.1.1. 55 Tabela A1. Legenda com códigos dos equipamentos (figuras A1.25: Tabela III.

fração do petróleo diesel pesado .fração do petróleo craqueamento catalítico em leito fluidizado gás combustível .fração do petróleo gasóleo de vácuo leve .fração do petróleo nafta pesada .fração de petróleo .corrente intermediária diesel leve .fração do petróleo curva de pontos de ebulição verdadeiros querosene .xv ABREVIATURAS Abreviatura Descrição ASTM CNTP CPV DL DP FCC GC GLP GOL GOP ND NL NP PEV Q RAT RV American Society for Testing and Material condições normais de temperatura e pressão cru pré-vaporizado .fração do petróleo nafta direta .fração do petróleo resíduo atmosférico .corrente intermediária nafta leve .fração do petróleo gasóleo de vácuo pesado .corrente intermediária resíduo de vácuo .fração do petróleo gás liquefeito de petróleo .

reduzindo ou eliminando resíduos. ao mau funcionamento de equipamentos. técnicos e supervisores de processos tomem decisões baseados em resultados de simulação. ela pode reduzir o custo de novos processos permitindo ao engenheiro simplificar sistemas. O treinamento de operadores e técnicos para o processo necessita que os simuladores de processo sejam cada vez mais realistas para melhorar suas habilidades na operação da planta de forma eficiente. hoje se tornam mais acessível devido aos simuladores de processo. O objetivo do presente trabalho é estabelecer um procedimento para avaliar as condições operacionais ideais do processo de separação na torre atmosférica em uma refinaria de petróleo utilizando simulador comercial. No estágio de projeto. ainda. Um grande número de programas comerciais permite que operadores. apresentados graficamente numa tela de computador. A simulação reduz o tempo para o desenvolvimento de novos empreendimentos. Durante a operação da planta os engenheiros utilizam programas de simulação para superar problemas devido. avaliar estratégias alternativas de controle e tentar novas técnicas de separação. entre outros. identificando problemas e oportunidades no estágio inicial de pesquisa. Melhorias fundamentais em processos. substituindo experimentos em planta piloto em muitos casos e complementando os dados 1 . por exemplo. INTRODUÇÃO A simulação de processos está presente ativamente na maior parte das indústrias de processos químicos. pelo grande número de variáveis de processo e pela forte interação não linear entre as variáveis.I. em outros. que são de difícil obtenção pela falta de dados de entrada representativos. A simulação de processos vem.

Estados Unidos. indústria petroquímica utiliza como matéria-prima derivados do óleo cru. de onde originam inúmeros produtos tais como plásticos. a qual é ou pode ser removida da terra no estado líquido. ou seja. em 1859 na Pensilvânia. II. tornou-se indispensável para a civilização. Para um dado mercado. borracha. O Petróleo O petróleo é uma mistura complexa e suas características variam de acordo com o campo produtor. Automóveis. O petróleo. desde a sua descoberta em quantidades comerciais. nitrogenados e oxigenados. trens. máquinas são lubrificadas com produtos extraídos do petróleo. o conjunto de processos empregados. matéria inorgânica e gases. O petróleo bruto está comumente acompanhado por quantidades variáveis de substâncias estranhas tais como água. o produto resultante não poderá mais ser considerado petróleo” [1].II. Estradas são pavimentadas por meio de A asfalto. O Refino do Petróleo Partindo de petróleos de campos produtores diferentes. o refino de petróleos diferentes se distingue apenas quanto ao grau de refino.2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA II. se houver qualquer processo que altere apreciavelmente a composição do óleo. consistindo predominantemente de hidrocarbonetos e derivados orgânicos sulfurados. pode-se obter a maioria dos derivados. O tipo de petróleo é 2 . No entanto. navios e aviões são movidos pela energia gerada pela combustão de seus derivados.1. A American Society for Testing and Material (ASTM) o define como “Uma mistura de ocorrência natural. contudo em quantidades variáveis. A remoção dessas substâncias estranhas não modifica a condição de mistura do petróleo cru. entre outros [2].

Esta distribuição relativa da produção dos derivados de petróleo. • Acabamento: não ocorre nem alteração física nem química nos hidrocarbonetos. ou para outra unidade da refinaria. catalíticos ou não. havendo apenas a remoção ou transformação dos contaminantes da carga por meio de processos químicos ou físicos como lavagem cáustica. II. Nestes processos não há nenhuma transformação química dos constituintes da carga. hidrotratamento e outros. O refino consiste em processos físicos ou químicos.3. Pode ser 3 . chamada de perfil do refino.que vai determinar os processos necessários para a produção das quantidades e qualidades desejadas aos derivados. denominados em geral de processos de refino. desasfaltação). O refino do petróleo se inicia com a separação em frações por destilação atmosférica e a vácuo. a solubilidade (desaromatização. onde são obtidas as frações básicas do refino em quantidades que dependem das faixas de temperatura de ebulição e das características do petróleo a ser refinado. entre outros. Freqüentemente estes processos são complementados por processos físicos que separam a fração não convertida dos constituintes obtidos pela transformação da carga. As frações obtidas podem ser encaminhadas ou para estocagem. exige que as refinarias estejam capacitadas com processos de refino que permitam produzir os derivados necessários ao mercado com o menor custo [2]. e são separados em três grandes classes [2]: • Separação: os constituintes da carga do processo são separados de acordo com alguma propriedade física que os caracterize tal como o ponto de ebulição (destilação). • Conversão: os constituintes da carga são transformados em outros por meio de processos químicos. Destilação A destilação é um processo de separação de substâncias baseado na diferença de volatilidade dos componentes de uma mistura.

extração. quanto ao tipo dos estágios (pratos. Frações da unidade de destilação Um esquema simplificado da obtenção das frações por meio de destilação está apresentado na figura II. esgotamento. contudo. batelada alimentada ou contínuo). pois não há reações químicas. apenas pelo processo de destilação. quanto à composição (binária ou multicomponente). petroquímico. serão definidas.4. nos dias de hoje inúmeras indústrias utilizam a destilação para promover separação de misturas. a seguir. sendo usado na quase II. entre todas.1. devido às elevadas temperaturas de operação [1]. recheio ou misto). as propriedades físicas dos componentes não são modificadas.4. perfumes. entre outros) e quanto ao tipo de processo (refino. craqueamento térmico das frações mais pesadas. a indústria da energia é a que mais investe em pesquisas para aprimoramento e aperfeiçoamento da técnica. bebidas. 4 . Por ser a destilação um processo físico.classificada quanto à forma de operação (batelada. indesejavelmente possa ocorrer. azeotrópica. embora. Unidades de Destilação de Petróleo São Unidades que separam o petróleo cru em diversas frações. entre outros) [3]. de uma forma incipiente. as frações do petróleo. Embora seja um processo de separação e purificação muito antigo.1. quanto à configuração do processo (retificação. totalidade dos processos do refino [2]. II. Para uma maior clareza. É um processo fundamental para uma refinaria de petróleo.

1: Frações do petróleo obtidas a partir da destilação [2]. Gás Combustível (GC) Mistura de gases rica em metano e etano com teores menores de propano e butano. II. Constitui parte do gás combustível das refinarias. II.1.1. são comercializados no 5 .4. que embora gasosos a pressão atmosférica.1.4.2. além de gases inorgânicos como o gás sulfídrico. Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) Mistura formada basicamente por hidrocarbonetos de 3 a 4 átomos de carbono. É a fração mais leve do petróleo e de menor rendimento na destilação.Figura II.

4. para geração de óleo diesel ou é usado como querosene de aviação (produção comercial restrita a alguns petróleos devido às suas características especiais). naftênicos e aromáticos. matéria-prima petroquímica. II. Gasóleos Atmosféricos Constituem uma fração composta por hidrocarbonetos com faixa de ebulição podendo variar de 150 a 400°C e possui uma composição química variada quanto à distribuição dos hidrocarbonetos parafínicos.3. São obtidos separadamente na coluna atmosférica em dois cortes 6 .1.4. que abrange a faixa de destilação dos produtos comerciais gasolina e querosene. mas também é usado como matériaprima petroquímica.1. II. Sua maior utilização é como combustível doméstico. O fracionamento da nafta em dois ou três cortes depende da aplicação final. A nafta obtida na destilação é chamada nafta direta [1] e pode ser fracionada em duas ou três outras naftas conhecidas como naftas leve (NL) e pesada (NP) ou naftas leve. Dependendo do petróleo esta corrente é misturada aos gasóleos atmosféricos. intermediária (NI) e pesada. entre outros.1. Pode ser constituinte da gasolina automotiva (em baixa proporção).4. por estarem sob pressões da ordem de 10 Kgf/cm². solventes industriais. Nafta Termo genérico usado para frações leves do petróleo.estado líquido.5. produção de II.4. como constituinte de gasolina de aviação e como veículo propelente para aerossóis. Querosene (Q) É normalmente constituído de hidrocarbonetos predominantemente parafínicos de 9 a 17 átomos.

(normalmente em função da otimização da configuração da torre) e por isso são identificados como leve e pesado. Seu maior uso é como combustível de motores a diesel, por isso essas frações também são chamadas de diesel leve (DL) e pesado (DP).

II.4.1.6. Gasóleos de Vácuo

Estes derivados só passaram a ser obtidos na destilação do petróleo quando a indústria automotiva passou a exigir um combustível em maior quantidade e melhor qualidade, sendo necessário uma matéria-prima mais leve que o resíduo da destilação atmosférica (RAT) [2]. Assim como os gasóleos atmosféricos, são retirados, normalmente, em dois cortes sendo identificados, similarmente, como leve (GOL) e pesado (GOP). O GOL pode ser adicionado total ou parcialmente às correntes que constituem o diesel e o GOP é encaminhado como carga para a unidade de craqueamento catalítico em leito fluidizado (FCC) ou para outras unidades. Quando a unidade de destilação é projetada para obtenção de óleos lubrificantes, os gasóleos não são produzidos em apenas dois cortes, são fracionados em quatro [1]. Estes destilados são tratados para constituírem os óleos lubrificantes básicos.

II.4.1.7. Resíduo de Vácuo (RV)

É o resíduo final da destilação do petróleo e pode ter diferentes aplicações: óleo combustível industrial (geração de energia), constituinte do asfalto (pavimentação e isolamento), matéria-prima para óleos lubrificantes de alta viscosidade ou carga para produção de coque [2].

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II.5. Descrição do fluxo na unidade de destilação

O escoamento do petróleo e dos produtos obtidos na destilação pode variar de unidade para unidade em função do esquema de refino previsto e da particularidade de cada projeto. Contudo, os projetos são constituídos por etapas que são, em geral, invariantes (figura II.2).

Figura II.2: Esquema simplificado do fluxo do petróleo na unidade de destilação.

II.5.1. Carga da Unidade

O petróleo pode ser succionado de diversos tanques de armazenamento por bombas de carga. Sob controle de vazão, as bombas enviam o óleo para o sistema de preaquecimento e dessalgação.

II.5.2. Primeira Bateria de Preaquecimento

O petróleo é preaquecido sucessivamente com produtos e refluxos circulantes arranjados em série e em paralelo. Nesta bateria, o petróleo é levado até a temperatura necessária à dessalgação, que situa na faixa de 120160°C. 8

II.5.3. Dessalgadoras

Tem como objetivo a remoção de água, incluindo os sais e sedimentos nela presentes, por meio da coalescência destas gotículas dispersas no óleo pela ação de um campo elétrico. A água presente no petróleo está emulsionada (dispersa em forma de gotículas finamente divididas e envolvidas por uma película de compostos emulsificantes que oferece grande resistência a coalescência) e o campo elétrico de alta intensidade promove uma desestabilização da emulsão, por enfraquecimento da película de agentes emulsificantes. Além da temperatura adequada, é necessária a injeção de água aquecida antes da introdução do óleo cru na dessalgadora para melhorar a eficiência de dessalgação e, quando necessário, deve ser adicionado também desemulsificante [1]. Para conseguir uma redução apreciável no teor de sal no petróleo, utilizam-se, geralmente, dois estágios de dessalgação, o que permite reduzir o teor de sal do cru de 300mg/L para valores menores que 3mg/L [1].

II.5.4. Segunda Bateria de Preaquecimento

O petróleo ao deixar a dessalgadora troca calor com correntes de produtos e refluxos circulantes que apresentam maiores temperaturas. A condução do cru ao longo da bateria é feito, normalmente, por dois ramais em paralelo, geralmente simétricos e se faz necessário um bombeamento extra (realizado sob controle de vazão) a fim de vencer as perdas de carga nesta segunda bateria, até chegar à primeira torre de fracionamento [1].

II.5.5. Torre de Pré-fracionamento ou Pré-flash

O cru, previamente aquecido e parcialmente vaporizado, é pré-fracionado em um produto de topo constituído por frações leves (GC, GLP e nafta) e em 9

A retirada dos leves é necessária para evitar a vaporização da carga no forno atmosférico e para possibilitar um ganho em altura na torre atmosférica (uma altura menor). A seção de esgotamento possui normalmente 4 a 5 bandejas que tem por finalidade remover os compostos leves do cru pré-vaporizado. O destilado. II. O gás efluente do tambor de topo é normalmente enviado. 10 As cargas das . A carga entra na torre cerca de 60% vaporizada no estágio conhecido como “zona de flash” ou “zona de vaporização”. Torre de Destilação Atmosférica O CPV é encaminhado para o forno de carga da torre atmosférica para receber o aquecimento final e a vaporização parcial necessária para a destilação. O produto de fundo da estabilizadora pode constituir o “pool” da gasolina. mistura de GLP e nafta. Esta remoção é feita por retificação com vapor d’água superaquecido de baixa pressão. DL e DP. ser encaminhado para o tanque de nafta petroquímica ou para a unidade de solventes. onde são removidos os compostos leves.6. é enviado para as esferas de armazenamento. Conjugadas à torre atmosférica ficam as torres de retificação dos produtos laterais. Os produtos laterais são Q.um produto de fundo constituído pelos cortes mais pesados que a nafta. a fim de corrigir o ponto de fulgor dos cortes laterais (ponto de fulgor é a menor temperatura na qual um produto se vaporiza em quantidade suficiente para formar com o ar uma mistura capaz de se inflamar momentaneamente quando se incide uma centelha [2]). sob controle de pressão. conhecido como cru pré-vaporizado (CPV) ou pré-fracionado que será a carga da torre atmosférica. para um sistema de recuperação de gases ou liberado para tocha quando está em excesso [1]. entra como carga na torre estabilizadora.5. após tratamento adequado. seguir para a torre de fracionamento de nafta (caso se deseje obter uma nafta com faixa de destilação determinada). O produto de topo desta torre é o GLP que.

Estas correntes fornecem calor ao cru nos trocadores das baterias de preaquecimento e depois de resfriadas elas retornam a torre na mesma vazão de saída.retificadoras são retiradas em pratos determinados e os leves. em geral.5. que será enviada para armazenamento. Um refluxo circulante pode ser retirado do mesmo prato de retirada de um produto lateral ou numa posição intermediária entre dois produtos laterais [1]. sejam misturados depois do fracionamento na unidade de destilação. a vaporização de todo o gasóleo contido na carga. II. eles são removidos separadamente da torre de vácuo devido à flexibilidade e à redução de gastos com energia conseguidas com este procedimento. o fracionamento e o balanço térmico da torre são controlados por correntes de refluxo circulantes (de dois a três refluxos circulantes). Torre de Destilação a Vácuo O RAT é bombeado para o forno de vácuo para ser aquecido até a temperatura necessária para que se tenha. estas colunas são projetadas sem a preocupação de fracionamento entre os cortes que são o GOL e o GOP.7. A pressão na torre de vácuo deve ser mantida a mais baixa possível de modo a permitir a retirada dos gasóleos do RAT e. à pressão de operação da torre. Após o condensador de topo. retornam à torre atmosférica. dependendo do sistema de vácuo adotado. Os vapores que sobem pela coluna serão condensados e retirados . seco ou úmido (neste é injetado vapor d’água para redução da pressão de 11 . um prato acima do prato de retirada. Dentro do esquema de produção de combustíveis. ocorre a separação da água e da nafta pesada. retirados pela ação de vapor d’água. As seções são projetadas de forma a promover a troca de calor entre os vapores ascendentes e os reciclos frios destes cortes. Do fundo da seção de esgotamento é retirado o RAT que é bombeado para os fornos de carga da torre de vácuo. Além das retiradas dos produtos de topo e laterais. geralmente. Embora o GOL e o GOP.

que tornariam a caracterização impraticável se fosse feita de forma completa. Caracterização do Petróleo A qualificação do petróleo depende de sua constituição e composição química. cada qual com propriedades diferentes. podem ser obtidas informações parciais sobre a natureza química preponderante no petróleo por meio de análises físicas e físico-químicas mais baratas e mais rápidas.6.3: Caracterização do petróleo [2]. as quais determinam os rendimentos e tipos de seus derivados e suas características de escoamento e estocagem. considerando que o comportamento global do petróleo é reflexo da sua composição e constituição (figura II. II.3).vapor dos hidrocarbonetos). uma vez que o petróleo é constituído por hidrocarbonetos de composição diversa. CONSTITUIÇÃO DO PETRÓLEO Propriedades Físicas Distribuição Relativa de Leves e Pesados Escoamento Armazenamento Corrosividade DENSIDADE VOLATILIDADE Figura II. algumas demoradas e caras. Como alternativa. 12 . respectivamente. O conhecimento destas características requer análises químicas. a pressão de operação da torre será menor ou maior.

6. Apesar de se assemelhar a um produto líquido. se estivessem puros. componentes gasosos e sólidos. Pseudocomponentes Por ser composto por uma infinidade de componentes. não seria possível identificá-los ou determinar a sua composição em termos dos componentes puros. A curva de destilação denominada como Pontos de Ebulição Verdadeiros (PEV) é o ponto de partida para determinação do rendimento dos derivados do petróleo. O intervalo relativo de temperaturas usado para separar as frações depende do nível de informação desejado. O procedimento PEV pode ser conduzido de duas maneiras: com retirada de produto a temperatura constante ou a volume constante. Assim.6. o primeiro procedimento costuma ser mais utilizado em avaliações de petróleo. os componentes do petróleo são agrupados em frações de petróleo que são misturas complexas de hidrocarbonetos sendo identificadas pela determinação.1.II. II.1. são determinados a partir da curva PEV e utilizados quando se deseja uma composição representativa de um petróleo. chamados de pseudocomponentes. Estes compostos aparentes. Este procedimento permite a separação do cru em cortes ou frações de acordo com suas temperaturas de ebulição verdadeiras. Curva de Destilação PEV O petróleo apresenta constituintes que nas condições normais de temperatura e pressão (CNTP) são gases ou líquidos e possui outros constituintes que. Desta forma. 13 . caso não haja suficiente quantidade de produto com pontos de ebulição próximos somando o volume definido [2]. de maneira indireta e experimental. na verdade trata-se de uma emulsão coloidal constituída por componentes no estado líquido e.1. dispersos na emulsão. A melhor separação é conseguida no primeiro caso. de propriedades médias [1]. se encontrariam no estado sólido. pois no segundo produtos com pontos de ebulição bem distintos podem sair juntos.

As destinações possíveis para as frações do petróleo podem ser observadas na tabela II.1.5 d 15. pois se trata de uma propriedade aditiva em base volumétrica. Outra informação necessária para determinar a pseudocomposição de um petróleo é a curva de densidades. II.6 é a densidade relativa do produto a 15.6 /15. Produtos Os derivados do petróleo podem ser compostos por correntes de diversos processos do refino. que expressam a densidade em outras escalas. Na indústria do petróleo a escala mais comum como medida de densidade é a °API definida pela expressão: ° API = 141. obrigatoriamente. A diferença básica entre uma fração e um derivado do petróleo é que a primeira sozinha pode não apresentar todas as características necessárias para ser um derivado de petróleo. todas as características necessárias [2].A curva de destilação é fundamental para gerar os pseudocomponentes de um petróleo.6°C II.6.2. 14 .7. Densidade relativa A densidade relativa de um produto é definida como a relação entre a massa específica desse produto a uma dada temperatura e a massa específica de um padrão a temperatura igual ou diferente daquela do produto . A partir da densidade relativa pode-se definir outras grandezas.5 − 131. 6 onde d 15. Já o derivado é composto por frações que produzem uma mistura que apresenta. sendo chamado de “pool” o conjunto de correntes que fazem parte de um produto. 6 / 15. A densidade do petróleo é importante porque ela reflete o conteúdo de frações leves e pesadas do cru.6°C/15. além da curva PEV há outras que são obtidas por diferentes métodos.

1: Destinos mais comuns das frações de petróleo. nafta e gasóleos). • Não-combustíveis ou não-energéticos: lubrificantes. coque. aviação (gasolina e querosene) e industrial (gás e óleo combustível). extrato aromático.Os produtos obtidos do petróleo estão divididos em duas classes principais [2]: • Combustíveis ou Energéticos: doméstico (gás de cozinha). 15 . solventes. graxas. parafinas. entre outros. matéria-prima para fertilizantes (gases. automotivo (gasolina e diesel). asfaltos. Tabela II. óleos para pulverização agrícola.

16 .4 [2].Os combustíveis são os derivados de maior demanda e de maior obtenção no processo de refino. permitindo a interação dos participantes. alcançando mais de 80% do consumo no Brasil. de um sistema real que pode ser usado para descrever. levando-os à percepção dos efeitos de suas decisões. Combustíveis 80% Nafta Petroquímica 13% Outros 7% Figura II. avaliar e otimizar processos já existentes. com o processo. Pode ser usada em treinamento individual. ou lógico. como ilustrado na figura II. em tempo real. II. A simulação ocupa um papel chave na verificação e validação de processos químicos. Permite aos engenheiros prever o comportamento de novos processos. explicar e predizer o comportamento do sistema real [4]. É importante tanto para o projeto quanto para a avaliação de um processo já implementado.8. A simulação é uma eficiente ferramenta de comunicação capaz de mostrar como processos trabalham e como podem ser melhorados.4: Consumo de derivados de petróleo. Simulação de Processos Químicos Simulação é o processo de desenvolvimento de um modelo matemático. estudar novas configurações e implementações em ambiente operacional.

com a alta capacidade de cálculo. em geral. Neste sentido. os simuladores de processo (também conhecidos como pacotes computacionais) são importantes ferramentas para o engenheiro químico. o programa deve ser capaz de predizer os valores de capacidade calorífica. Os simuladores são programas que realizam balanços de massa e energia em equipamentos de processos pré-determinados. II. equilíbrio químico. entalpia.8. não consideram a dimensão tempo. os programas de simulação são amplamente difundidos [4]. Simuladores de Processo A análise de um processo químico envolve a representação matemática dos fenômenos físico-químicos pertinentes. Para efetuar estes balanços.1.8. ou seja. focando-se nas distribuições correspondentes a um equilíbrio termodinâmico [6].analisar problemas operacionais. II. Estes modelos não incluem as taxas do processo. dispõem. Desta forma. A termodinâmica fornece as condições de contorno que governam qualquer processo físico-químico que venha a ser criado sem violar as leis 17 . equilíbrio de fases. o desempenho do simulador depende significativamente do seu banco de dados e modelos termodinâmicos implementados [6].2. de um banco de dados completo e confiável contendo informações que os permite efetuar os cálculos das propriedades físico-químicas dos componentes envolvidos no processo. Atualmente. É a essência do simulador [4]. entropia. interface gráfica e baixo custo. Agente Simulador de Processo Constitui o conjunto de modelos matemáticos e lógicos utilizados na obtenção da modelagem do processo. entre outros. detectar origem de falhas e entender as suas unidades industriais a ponto de poder controlá-las melhor [5]. Para tal. massa específica.

II. contudo não está relacionada à sofisticação das equações envolvidas na descrição das operações unitárias [7]. assim como a sua validação para as condições operacionais desejadas. A qualidade final dos resultados da modelagem de um processo é função dos dados obtidos a partir de um modelo termodinâmico e da qualidade e confiabilidade dos dados de entrada do modelo. líquido e sólido presentes. a qualidade dos resultados que eles fornecem depende fortemente do sistema químico onde esse modelo é aplicado. porque os balanços de massa. representações simplificadas do comportamento da natureza. não pode ser deixada em segundo plano. que por sua vez são determinados pela grandeza termodinâmica denominada fugacidade e o balanço de energia é função das entalpias das correntes presentes no processo.8. Algumas vezes. e não modelos e é destes que são obtidas as propriedades físico-químicas tão importantes para a simulação de processos químicos. e essas grandezas são obtidas por meio da termodinâmica. A compreensão do modelo termodinâmico aplicado ao mundo real. engenheiros químicos são tentados a achar que a modelagem adequada da operação unitária em estudo irá fornecer resultados precisos.3. Contudo.fundamentais da natureza. Sendo assim. além de depender também da temperatura. Por isso. elas fornecem relações. Validação do modelo A validação dos parâmetros de um modelo que se planeja usar em uma simulação é feita por intermédio de gráficos ou tabelas onde se pode confrontar 18 . o balanço de massa é dependente das quantidades de vapor. freqüentemente. é necessário transformar as relações gerais termodinâmicas em modelos úteis para a prática de engenharia Os modelos termodinâmicos utilizados no cálculo de processos são. energia e quantidade de movimento estão escritos corretamente. pressão e composição utilizadas na determinação dos parâmetros do modelo. Embora as leis básicas da termodinâmica sejam gerais.

dados reais com dados obtidos por simulação. 19 . inferindo em que grau o simulador representa o processo em questão [5].

III. Petróleo A carga do processo utilizada no dia de medição apresentava uma densidade de 29. A produção estava em campanha diesel.2) e o teor de leves (tabela III. Os dados disponíveis são médias referentes aos valores medidos no período citado. as frações querosene. Dados Os dados utilizados neste trabalho foram fornecidos pela PETROBRAS.500 m3/d. ou seja.III. III. Foram obtidos durante a operação de uma unidade de destilação da empresa em 30/09/1999 de 07:40h às 16:40h. SIMULAÇÃO DO PROCESSO A simulação do processo foi realizada por etapas e a primeira consistiu na aquisição dos dados representativos de uma unidade de destilação de uma refinaria de petróleo.1). O processo manteve-se sem alterações expressivas durante o período sendo considerado operando próximo a um regime estacionário.1.1) serão utilizados para a definição composicional da carga pelo simulador. a curva de densidades (figura III.1. A curva de destilação PEV (figura III. 20 .1.5 °API e a vazão era de 28. diesel leve e pesado foram obtidas para compor o “pool” de diesel.

0 20.1: Curva da destilação PEV.0 30.0 75.0 25.0 250.0 90.0 100.0 20.0 80.0 100.0 40.0 0.0 50.0 80.0 60. 21 .0 0.Curva PEV T (°C) 1000.0 10.0 0.0 % (v/v) de Petróleo Figura III.0 750.0 % (v/v) de Petróleo Figura III.0 500.0 70.0 40. Curva de Densidades °API 100.2: Curva de densidades.0 0.0 60.0 50.

Tabela III. III.2. usadas na simulação.1. considerando uma eficiência média de 50%.contudo não foram fornecidas as equivalências referentes à torre real. Torre Pré-flash A torre pré-flash real apresenta vinte e dois pratos. III.Tabela III.1: Teor de leves presentes no petróleo. 22 . III.1. A tabela III.2 apresenta as correspondências entre a torre real e a teórica.2.2. o número de pratos teóricos usado na simulação foi de onze.2: Equivalência das correntes da torre pré-flash real e teórica. O número de pratos teóricos usado na simulação foi vinte e seis e as entradas na torre teórica estão descritas na tabela III. Projeto Nesta seção estão apresentados os pratos onde há entradas e saídas de correntes nas torres de destilação da unidade e a correspondência entre estes pontos nas torres reais e teóricas.3 . Torre Atmosférica A torre atmosférica real apresenta dez pratos e recheio (altura e tipo de recheio não informados).1.1.2.

Tabela III.5 e III. Tabela III.5: Equivalência das correntes da torre retificadora de diesel leve real e teórica.Tabela III.1. Torres retificadoras laterais As torres de retificação reais apresentam.4: Equivalência das correntes da torre retificadora de querosene real e teórica.3. III. possuem dois pratos cada. cada uma. para uma eficiência média de 40%. As tabelas III. III.3: Pontos de entrada e saída das correntes da torre atmosférica teórica. cinco pratos e as torres teóricas.4. 23 .2.6 apresentam as correspondências entre as torres reais e as teóricas.

Tabela III.Tabela III.1. O número de pratos teóricos para esta torre é nove.1.7). Torre a Vácuo A torre de vácuo real é de recheio (altura e tipo de recheio não informados).4.8. Rendimentos dos Produtos As vazões médias referentes às frações do petróleo obtidas pela separação e os seus rendimentos médios estão descritos na tabela III. 24 . III. Assim como na torre atmosférica.6: Equivalência das correntes da torre retificadora de diesel pesado real e teórica. não foram fornecidas as equivalências referentes à torre real (tabela III.2. III.7: Pontos de entrada e saída das correntes da torre de vácuo teórica.3.

5.9 são mostradas as quantidades e percentagens volumétricas de água. III.4.10 apresenta um resumo com as principais medidas de temperatura ao longo do aquecimento do Cru.8: Vazões médias a 20/4°C e rendimentos médios dos produtos. Tabela III. usadas para pré-diluição e dessalgação do petróleo.1. Dessalgação Na tabela III. 25 . do CPV e do RAT. III. Temperaturas ao longo das baterias e fornos A tabela III.9: Resumo da operação das dessalgadoras. em relação ao cru.Tabela III.1.

Torre Pré-fracionadora Os dados de pressão que o simulador se baseia para determinar o perfil de pressões ao longo da torre está apresentado na figura III.11.Tabela III.10: Principais temperaturas ao longo do circuito do petróleo pela Unidade. um resumo das análises de laboratórios relacionadas à 26 . Local Dessalgadoras Entrada pré-flash Fundo pré-flash Entrada forno atmosférico (média dos passes) Saída do forno atmosférico (média dos passes) Zona de flash torre atmosférica ∆t da Linha de Transferência para torre atmosférica Entrada forno de vácuo (média dos passes) Saída forno de vácuo (média dos passes) Zona de flash torre de vácuo ∆t da Linha de Transferência para torre de vácuo Temperatura (°C) 137 241 260 280 357 353 4 344 414 390 24 III. III.7. Tabela III.1.6.1. Torre Atmosférica O perfil de pressões ao longo da torre. o fracionamento nos leitos. apresentado por meio das diferenças de temperatura entre as fases que deixam cada leito.11: Perfil de pressões na torre pré-flash e vazão de nafta instabilizada.

Tabela III.15: Vazões. III. 27 .14: Resumo das análises de laboratório dos produtos. III. temperatura e pressão dos vapores.14 e III. Tabela III. respectivamente.12: Perfil de pressões ao longo da torre atmosférica (valores manométricos).15.13.qualidade dos produtos e os dados do vapor de média usado na torre atmosférica e nas retificadoras laterais estão apresentados nas tabelas III.12.13: Fracionamento nos leitos. Tabela III. Tabela III.

8. Tabela III.18 e III.19.16: Temperatura das panelas de retirada de produtos.17: Perfil de pressões ao longo da torre.16.1. o fracionamento nos leitos. Tabela III. Tabela III. III. Torre de vácuo As temperaturas das panelas. o perfil de pressões na torre. apresentado como na torre atmosférica e as análises relacionadas à qualidade dos produtos estão apresentados. Tabela III.19: Resumo das análises de laboratório dos produtos.III. III.17. 28 . nas tabelas III.18: Fracionamento nos leitos. respectivamente.

iterativo. Etapas de construção do modelo Os seguintes aspectos foram considerados para a elaboração do modelo do processo: • • Definição da base da simulação. III. O simulador utilizado neste trabalho foi o HYSYSTM. Algoritmo de solução não seqüencial.2. • • Operação modular. Elaboração do Modelo Esta etapa consiste em. utilizando os dados disponíveis. Consiste em utilizar equações simples para cálculo de constantes de equilíbrio e de entalpias. com modelos rigorosos. da Aspen Technology Inc.2.. Este algoritmo. na sua versão 3. Dentre suas características pode-se destacar: • • Ambiente WindowsTM. Para a simulação das colunas de destilação. para resolver as equações de equilíbrio e de balanço de massa e energia na iteração interna.2. atualizar o cálculo da constante de equilíbrio e da entalpia.III. e na externa é o erro na fração molar da fase vapor [8]. o método de solução utilizado foi o do tipo “inside-out”. é largamente utilizado devido à sua robustez e aplicação para vários tipos de fracionamento. descrever o processo no simulador estabelecendo as condições termodinâmicas e físicoquímicas necessárias para o cálculo de um modelo representativo. em uma iteração externa. 29 . e. Os critérios para a convergência na iteração interna são os erros no balanço de energia e nas especificações. Caracterização da carga do sistema. após. Serviço de transferência dinâmica de dados entre programas como MATLABTM e EXCELTM.1.

prevê com boa precisão as propriedades para moléculas apolares. os componentes foram listados. especificou-se a natureza química dos componentes químicos da simulação como hidrocarbonetos.1. desenvolvido por Peng e Robinson [9].1. III. baseado na equação de Van der Walls.1.1. o modelo O modelo termodinâmico pode ser representado por equações de estado. os mesmos foram caracterizados por meio da curva de destilação 30 . Especificação dos graus de liberdade do sistema.• • • Definição das operações unitárias envolvidas no processo. Conjunto de equações para os cálculos de equilíbrio. Com o modelo apropriado definido. componentes da carga.2.1. Sendo assim. quando comparado com dados experimentais (considerando a influência dos constituintes polares do petróleo desprazível devido aos seus baixos teores relativos). Conjunto de componentes químicos que serão utilizados. III. devem ser definidos todos os componentes que participarão do processo e não apenas os III. propriedades físico-químicas e termodinâmicas Na definição do modelo de propriedades das substâncias envolvidas no sistema em estudo. Validação do modelo.1. Nesta etapa. Definição da base da simulação A base de uma simulação consiste em definir o modelo termodinâmico adequado ao processo e na determinação dos componentes químicos que serão utilizados ao longo de todo o processo.1.2.2.2. em particular para o equilíbrio líquido-vapor. Neste caso.

PEV. listados na tabela III.1. Por meio da curva PEV o simulador define a quantidade e a volatilidade dos pseudocomponentes. de leves (início das curvas PEV e de Densidades).3 e III. A região da curva onde o modelo descreveu o processo com menor exatidão foi na região III. foram inseridos como componentes puros. por estarem presentes em teores relativamente baixos. respectivamente. A curvas de destilação PEV e de densidades calculadas pelo simulador estão confrontadas com os valores experimentais nas figuras III. Caracterização da carga do sistema O cru.4. Com os componentes puros definidos e o teor de leves especificado. nitrogenados e oxigenados. Os pseudocomponentes e suas propriedades calculadas encontram-se na tabela III. Os hidrocarbonetos leves. apresenta um teor de água residual (limite de operação) de 0. Da mesma forma foram introduzidos a água e o nitrogênio. Os demais componentes do petróleo. após descontar os leves previamente definidos. sendo desnecessário considerá-los neste trabalho.2. após passar pelas dessalgadoras. foi requisitada a geração automática dos pseudocomponentes pelo simulador. mostrando que os resultados são acurados.11 m³/d de água.2%(v/v). 57. da curva de densidades e pelo teor de leves.20. Considerando a vazão de cru especificada em 28.500 m³/d. foi incorporado ao cru uma vazão de água de 31 .2. causam alterações insignificantes na modelagem do processo. constituintes que serão citados posteriormente. Para realizar a determinação das demais propriedades dos pseudocomponentes o simulador necessita também dos dados da curva de densidades. como derivados orgânicos sulfurados.1.

A composição final da carga está descrita na Tabela III. Com a composição e a vazão da carga definidas e a temperatura e a pressão retiradas dos dados fornecidos sendo.Tabela III.05%(m/m).3 Kg/h.20: Pseudocomponentes calculados. respectivamente.21.0 Kgf/cm². a alimentação está complemente especificada.0°C e 15. a vazão de nitrogênio adicionada foi de 522. Considerando a vazão mássica de óleo 1. 241. 32 .004·104 Kg/h. Outra consideração relevante é a necessidade de incorporar à carga um teor de nitrogênio de 0. Esta recomendação de projeto é uma tentativa de reproduzir a presença de inertes dissolvidos no petróleo.

4: Curva de densidades experimental e calculada. 33 . Figura III.3: Curva de destilação PEV experimental e calculada.Figura III.

ou seja.2.21: Composição da carga. na seqüência do circuito do petróleo na unidade. cada módulo.Tabela III. Definição das operações unitárias envolvidas no processo O pacote computacional permite que a simulação seja feita de forma seqüencial. III.1. 34 .3. é calculado individualmente e gera seus produtos independentemente à medida que é anexado ao processo e seus graus de liberdade especificados.

e a outra parte é removida como produto de fundo. A solução foi usar um refluxo circulante com saída e entrada no último prato da coluna (figura III. o gás combustível (GC) e a corrente de água ácida (AAT01). após passar pelo refervedor. o simulador oferece facilidades para a especificação das operações unitárias envolvidas bem como das correntes que as interligam. 35 . Água e Nitrogênio no misturador (Mis01). A corrente de carga.5: Representação esquemática e simplificada do processo no simulador. Logo em seguida. Figura III.6) . a carga é introduzida na torre pré-flash no estágio oito. separada no tanque por decantação. No fundo da coluna.5 representa o fluxograma simplificado do processo simulado. a energia térmica é fornecida por um refervedor total.Caracterizada a carga. A figura III. o simulador usado não disponibiliza um módulo de refervedor com refluxo total. é formada a partir das correntes Cru*. Contudo. O líquido do último estágio da coluna é dividido: uma parte retorna a coluna como vapor. A coluna pré-flash (T Pré-Flash) possui condensador parcial e as correntes de saída são o refluxo de topo da torre. Cru. a nafta. o cru pré-vaporizado (CPV).

Voltando à figura III. a carga térmica do condensador e do refervedor. O CPV sai do forno atmosférico a temperatura de 357°C e pressão de 0. analogamente à torre pré-flash. A corrente de nitrogênio (Nitrogênio*) que é introduzida ao CPV por meio do misturador (Mis02) na saída do forno atmosférico. que não está sendo simulada neste trabalho.662 Kg/h e a variação da composição de nitrogênio no CPV pode ser verificada na tabela III. A vazão necessária de nitrogênio nesta etapa foi de 3. 36 . No forno atmosférico a corrente CPV é aquecida e há uma perda de carga equivalente a uma variação de pressão de 2.88 Kgf/cm² entrando.8.25 Kgf/cm². A corrente de nafta. seria a carga da torre estabilizadora. se não considerados. A corrente de cru pré-vaporizado segue para o forno atmosférico (FATM) de onde será encaminhada como carga para a torre atmosférica (T ATM). é referente a um possível craqueamento no forno levando a formação de leves que. respectivamente. impossibilitam a convergência da coluna devido à discrepância no cálculo da temperatura do condenasador. a corrente de gás combustível é enviada para um sistema de recuperação de gases e a água ácida é encaminhada para tratamento.22. à carga térmica do forno atmosférico.6: Representação esquemática e simplificada da torre pré-flash. no estágio 24 da torre atmosférica.. A corrente E-003 é referente. GLP e nafta leve ou direta. As correntes E-001 e E-002 são correntes de energia. em seguida. referentes.Figura III.

Vapor03 e Vapor04 das torres retificadoras de querosene. a nafta pesada (NP) e a corrente de água ácida (AAT02) que separada após o condensador. Não há formação de gás de topo e a corrente E-004 é a carga térmica do condensador (figura III. Nesta coluna não há refervedor.Tabela III. o líquido proveniente da zona de flash é retificado com vapor de baixa pressão (corrente Vapor01) que é injetado no último estágio da coluna. diesel leve e diesel pesado.22: Variação no teor de nitrogênio no CPV representando craqueados formados.7: Representação esquemática e simplificada da torre atmosférica. respectivamente).7). 37 . As colunas retificadoras laterais também trabalham com retificação por vapor (correntes Vapor02. A torre atmosférica possui condensador total e as correntes de saída são o refluxo de topo da torre. Figura III.

2. retirando calor da coluna e transferindo para o cru nas baterias de trocadores de calor. Para a torre atmosférica.4. considerando que o CPV já está completamente calculado e o perfil de pressões na coluna e as correntes de vapor de média foram especificados. diesel leve (DL) e diesel pesado (DP) também são resfriadas trocando calor com o cru nas baterias de trocadores de calor e seguem para tratamento ou armazenamento. O produto de fundo desta torre é o resíduo atmosférico (RAT) que é carga da torre de vácuo. foi importante para a definição do número de variáveis que deveriam ser. RCI (intermediário) e RCF (de fundo). querosene. um refluxo circulante (representando o refervedor) e uma saída de fundo o número de graus de liberdade são quatro. independentemente. com um condensador total. Os graus de liberdade calculados devem ser especificados a fim de tornar o modelo do sistema unívoco em termos de condições operacionais.Há três refluxos circulantes: RCT (de topo). especificadas. três retificadoras laterais. Para a torre pré-flash com um condensador parcial. que é a diferença entre o número de equações independentes do projeto e o número de variáveis. Podem ser verificados dados de vazão. Para informações complementares. Estes refluxos são fundamentais para o equilíbrio energético da coluna. está disponível no apêndice A1 o fluxograma simplificado do processo fornecido pela PETROBRAS. III. Especificação dos graus de liberdade do sistema A avaliação dos graus de liberdade do sistema.. Foram consideradas desprezíveis as perdas de carga nos trocadores dos refluxos circulantes. três refluxos circulantes e uma saída de fundo. As correntes de saída: nafta pesada. As 38 . pressão e temperatura ao longo do percurso do petróleo na unidade de destilação. os graus de liberdade são dez. considerando que o perfil de pressões da coluna já foi especificado e a carga é conhecida.1. contudo esta torre não será simulada neste trabalho.

2.5. III. Validação do modelo A comparação foi efetuada em relação ao balanço material e energético.23: Especificações para simulação. as torres de destilação foram utilizadas para validar o modelo devido a sua elevada complexidade quando comparadas as outras duas operações.especificações para as torres e demais operações unitárias do processo estão representadas na tabela III. Tabela III. Dentre as três operações unitárias utilizadas na simulação (misturador. A presença de módulos internos. como 39 .23. trocador de calor e torre de destilação).1.

Torre pré-flash As vazões de líquido e vapor em cada estágio e os perfis de pressões e temperaturas ao longo da torre. reciclos internos e torres laterais. calculados pelo simulador.9 e III. III.5.2.24: Pressões.8. Tabela III. Estes perfis mostram que os cálculos estão coerentes com o processo: o aumento de temperatura e pressão ao longo da coluna (sentido descendente) e vazões de líquido e vapor em todos os estágios permitindo a transferência de massa entre as fases líquida e vapor. podem ser verificados na tabela III. leva a um número de variáveis correlacionadas expressivo e faz com que a reprodução das torres no ambiente de simulação seja o maior obstáculo para o ajuste do processo. temperaturas e vazões de líquido e vapor nos estágios.condensador. III.10.24 e nas figuras III.1.1. 40 .

0 700.0 0.8: Vazões de líquido e vapor em cada estágio da torre pré-flash.00 1 3 5 7 9 11 Estágio Figura III.0 1400.0 Vazão de Liquido Vazão de Vapor 2100.F (m³/d) 3500.50 3. p (Kgf/cm²) 4.0 1 3 5 7 9 11 Estágio Figura III.9: Perfil de pressões ao longo da torre pré-flash.0 Perfis de Vazões 2800.00 2.00 Perfil de Pressões 3. 41 .50 2.

0 200.0 250.1. Torre atmosférica As vazões de líquido e vapor em cada estágio e os perfis de pressões e temperaturas ao longo das torres atmosférica e retificadoras laterais.10: Perfil de temperaturas ao longo da torre pré-flash. III.12 e III.T (°C) 300. Como mencionado no item anterior.5.25 e nas figuras III. calculados pelo simulador.0 100.2.11.13.0 50. estão apresentados na tabela III.0 1 3 Perfil de Temperaturas 5 7 9 11 Estágio Figura III. 42 .0 150. III.2. apresenta coerência com o processo.0 0.

T. Q . DP .Vapor Ret.11: Vazões de líquido e vapor por estágio nas T ATM e retificadoras laterais. Atmosférica . Atmosférica .Vapor Ret. DL . DL .Tabela III.25: Pressões. T. T.Líquido Ret. 43 . T. DP . temperaturas e vazões de líquido e vapor nos estágios. T.Líquido T.Líquido Ret. T.Vapor 10000 0 1 6 11 16 Estágio 21 26 Q DL 31 DP Figura III. Q .Líquido Ret.Vapor Ret. Perfis de Vazões F (m³/d) 20000 T.

Q T.13: Perfil de temperaturas ao longo das torres T ATM e retificadoras laterais.0 0. DP 120.50 1.0 Perfis de Temperaturas 240. Ret. Atmosférica T.0 T. T (°C) 360. Ret. Ret. 44 .00 0.00 1 6 T. Ret.12: Perfil de pressões ao longo das torres T ATM e retificadoras laterais. Retif. DL 0. Atmosférica T. DP 11 16 Estágio 21 26 Q DL 31 DP Figura III. Retif. DL T. Q T.0 1 6 11 16 Estágio 21 26 Q DL 31 DP Figura III.50 T.Perfis de Pressões p (Kgf/cm²) 1.

Tabela III.26: Comparação entre valores do processo com os obtidos pelo simulador.26 apresenta o resultado do ajuste do modelo. o erro de cada torre foi considerado a média aritmética dos erros relativos. sendo representativo do processo real. foi calculado o erro em relação ao valor da planta.4%. Foi considerado o mesmo peso para as variáveis comparadas. O modelo calculado apresenta um erro médio em predições e diagnósticos de 8. A comparação mostra que o modelo está bem ajustado. O erro global do ajuste do processo foi calculado pelo mesmo procedimento. onde foi feita uma comparação entre os resultados partindo do modelo calculado e os valores retirados da planta.A tabela III. A fim de validar o modelo. 45 . sendo assim.

assim como um produto com um preço inferior ao de mercado. desde que não leve a uma redução expressiva na qualidade esperada pelo consumidor. No processo em questão. será estabelecida a influência do ponto de entrada do CPV na carga térmica da torre atmosférica. é utilizado vapor de média para retificação. A coluna de destilação atmosférica. quanto para as retificadoras laterais. em que o produto seja gerado com qualidade tal que reflita no maior lucro possível. levando a uma redução no gasto com óleo combustível na geração de calor no forno 46 . Um fator crucial para o custo de produção de uma refinaria é o gasto com energia térmica. enquanto o calor excedente na coluna que é retirado por meio dos refluxos circulantes representa economia. Os pontos que envolvem trocas de energia com o meio externo numa torre de destilação são a água de refrigeração do condensador. este pode ser utilizado para realizar estudos. entre outros. ESTUDO DE CASO Uma vez obtido o modelo para o processo. mas com qualidade inferior a exigida pelo cliente.IV. um processo deve funcionar em condições próximas do ideal econômico. Um produto de alta qualidade com um preço acima do valor que o consumidor está disposto a pagar não tem perspectivas de se estabelecer no mercado. o vapor de média para retificação e os refluxos circulantes. e três refluxos circulantes. Para exemplificar. A produção e o consumo de calor tem um custo elevado e a redução de custos sempre é positiva. otimização. a queima realizada nos fornos e refervedores. apresenta um condensador. ou seja. já que este calor é transferido para o cru nas duas baterias de trocadores de calor. testar alterações. tanto na torre atmosférica quanto nas três retificadoras laterais. não possui refervedor. A carga térmica disponibilizada no condensador representa gasto com água de refrigeração. o vapor de média está especificado tanto para a torre atmosférica. Para ser viável.

atmosférico ou usado para aquecer o cru até a temperatura ideal de entrada nas dessalgadoras. à redução do consumo de água de refrigeração e à economia no consumo de óleo combustível usado na queima para aquecimento do CPV no forno atmosférico. quanto menor a carga térmica do condensador e quanto maior a carga térmica disponível por meio dos refluxos circulantes menor é o custo de produção. De posse do modelo do processo e com a proposta de redução no custo energético da Unidade. inviabilizando o estudo (não houve convergência nos cálculos do simulador). Desta forma. Contudo. a manutenção da corrente de entrada em pratos diferentes do original levou à secagem em alguns estágios da coluna. foram propostas alterações no ponto de entrada do CPV. Com estas 47 . respectivamente. a redução de carga térmica do condensador e o aumento da carga térmica dos refluxos circulantes foram relacionados. o custo real é US$13.1. Para poder realizar uma avaliação econômica simplificada. considerações o custo da água de refrigeração é US$ 1/Gcal. A solução encontrada foi manter a fração líquida no prato original (estágio vinte e cinco) e variar o ponto de entrada da fração vaporizada do CPV. caso não fosse feito esse reaproveitamento energético. A água de refrigeração sofre uma variação de temperatura no condensador de cerca de 10°C na faixa entre 25°C e 35°C.64/Gcal) e da água de refrigeração US$10/(1000m³ de água) (dados gentilmente cedidos pela PETROBRAS referentes a janeiro do presente ano). O custo do óleo combustível é US$12/Gcal (com uma eficiência no forno de 88%. Aproximações como calor específico [1cal/(g·°C)] e massa específica (1g/cm³) da água constantes neste intervalo de temperatura foram consideradas para facilitar os cálculos. Para isso foi necessário introduzir ao processo um separador (Sep01) ilustrado na figura IV.

também são resfriados por meio de troca térmica com o cru. A fração vaporizada foi introduzida na torre do prato dezenove ao vinte e quatro e no vinte e seis.1: Incorporação de um separador de fases ao processo. Como a carga térmica dos refluxos circulantes é utilizada para o aquecimento do cru nas baterias de trocadores de calor. quinze e dezoito). os pratos de entrada da fração vaporizada relacionados e a carga térmica disponibilizada no condensador e nos refluxos circulantes em cada caso. A tentativa de injetar a fração vaporizada da carga em pratos mais altos não foi bem sucedida. para os sete casos estudados. a carga térmica total disponibilizada pelos refluxos circulantes está denominada como a carga para as baterias. entre outros.Figura IV. 48 . os produtos laterais da torre atmosférica. os refluxos circulantes não são as únicas correntes que fornecem calor ao petróleo nas baterias de trocadores: as correntes de gasóleos de vácuo. não havendo convergência para os casos testados (pratos dez.1 estão descritos. Na tabela IV. Contudo.

3).1: Cargas térmicas calculadas para os casos estudados.Tabela IV. Figura IV. já que se trata de três refluxos circulantes e apenas um condensador (figura IV.2: Cargas térmicas do condensador e das baterias de trocadores. o caso onde houve o menor consumo de água de refrigeração foi o um (figura IV.2). A diferença entre a carga térmica disponibilizada no condensador e a que vai para as baterias é elevada. entrada 49 . Considerando apenas a carga disponível no condensador.

mas sem grandes discrepâncias.da fração vaporizada no prato vinte e seis. exceto pelo caso seis que apresentou o valor mais elevado. O caso sete apresentou o maior consumo e foi o prato mais alto estudado (dezenove).3: Cargas térmicas do condensador.4). o único caso que apresentou uma carga térmica inferior à carga disponibilizada no caso base foi o caso um (figura IV. (casos um e seis). Os extremos (casos um Figura IV. e sete) estão em azul. os casos com entrada nos pratos de vinte a vinte e quatro não levaram a alterações expressivas no consumo quando comparados com o caso base. Avaliando a carga térmica fornecida às baterias de calor. os demais apresentaram uma carga maior que a do caso base. Os extremos estão destacados em azul 50 .

Figura IV.4: Carga térmica enviada às baterias de trocadores de calor. O caso seis apresentou o pior resultado e os demais casos não apresentaram uma diferença expressiva. O caso base foi considerado como referência. 51 .5 apresentam a análise econômica em cada caso e mais uma vez os extremos estão representados em azul. A economia gerada pela redução da carga térmica no condensador do caso um supera a redução da carga térmica disponibilizada neste mesmo caso (foi o caso que apresentou a maior economia no condensador e a maior perda de carga para as baterias) sendo este. assim. A tabela IV. o caso mais vantajoso (levando-se em consideração as aproximações para a realização desta análise). já que é o custo intrínseco ao processo.2 e a figura IV.

Figura IV. .5: Diferenças entre os ganho de energia nas baterias e as perdas no condensador em cada caso 52 .2: Análise econômica em cada caso estudado.Tabela IV.

• Outra sugestão é a realização de estudos para a otimização do processo de separação da unidade estudada. apresentando um erro médio nas predições e diagnósticos de 8. que pelo caso base é realizada no estágio vinte e cinco junto à fração líquida. tal medida deve levar em consideração. sugere-se introduzir as torres estabilizadora de nafta e de vácuo para a realização de estudos mais elaborados. A avaliação dos efeitos das condições de temperatura e pressão do CPV na entrada da coluna e a utilização de outros petróleos possibilitariam tornar o estudo mais abrangente e completo. comparado com o valor real. se for deslocada para o estágio vinte e seis acarretará numa economia da ordem de US$20 por hora de produção. Essa consideração foi importante para o ajuste do modelo do processo sendo adicionado nitrogênio na simulação em lugar dos possíveis leves formados. além deste fator estudado.4%. A entrada da fração vaporizada do CPV. fatores operacionais e análise da qualidade dos produtos. • A análise econômica do estudo de caso indicou uma alteração na entrada da carga positiva para a redução do custo de energia. o projeto da torre (capacidade da torre para receber esta fração vaporizada no último estágio). haja formação de leves no forno atmosférico. • O modelo calculado é representativo para o processo de separação da unidade de destilação de onde foram extraídos os dados de planta. Contudo. em baixa quantidade.V. • Para tornar o modelo uma representação mais real do processo. CONCLUSÕES E SUGESTÕES • É possível que. 53 .

FARAH. . Ind. A.. Acesso em: 15/01/2006 . 1995. Apostila.. REIS.UFRGS . 5 . A. D. 1992 9 . L.ualg. Texto: Distillation . Acesso em: 15 jan.quimica.com/distill.ucs. 6 .pdf . A. Disponível em: http://www. 2006 . Destilação .distillationgroup. Departamento de Engenharia Química ..br/ccet/denq/prof/luis/a1_439. Dissertação . Y. ROBINSON. 2006 . .pt/npfcma/docs/trab_bmp/pem_modelos. Chem. Disponível em: http://www. Acesso em: 21 jan. D.uol.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1 . 1976 54 .Universidade de Caxias do Sul . A new two constant equaltion of state . Acesso em: 22 jan.br/revista/qd420/simulacao1. Disponível em: http://clima_reis.com. Caracterização do Petróleo e seus Produtos . 3 .Centro de Ciências Exatas e Tecnologia . Disponível em: http://www. v. Prática em Simulação de Processos . Eng.15 p. R.A.htm 4 .. Apostila . Petróleo Brasileiro S. Disponível em: http://www. KISTER. H.com. . BRASIL.htm.sites. Acesso em: 19 jan. C. 2 . Petróleo Brasileiro S. 2006 . PENG.br/publicacoes/qualify/QUALIFY_carla. Apostila. 2006 . 1995.59 . A. Distillation Desigh .Instituto de Informática . I. MUNIZ. Ambientes de Desenvolvimento de Software e seus Mecanismos de Execução de Processos de Software . (Mestrado em Ciência da Computação) . Fundamen.pdf 7 . . L. B.htm 8 . Porto Alegre . M. New York : McGraw Hill. N.64.

Na primeira estão representadas as etapas de dessalgação e as baterias de trocadores de calor.1.1: Legenda com códigos dos equipamentos (figuras A1.2 as codificações representadas no fluxograma para equipamentos e correntes. na segunda estão representadas as torres préflash e estabilizadora de nafta e na terceira estão as torres atmosférica. 55 .3). A1. estão disponíveis nas tabelas A1.APÊNDICE A1 As figuras A1.3 apresentam o fluxograma simplificado do processo.1 e A1.2 e A1. respectivamente.2 e A1.1. Para a melhor compreensão do fluxograma. Tabela A1. A1. retificadoras laterais e de vácuo.

56 . A1.2 e A1.1.3).Tabela A1.2: Legenda com códigos das correntes (figuras A1.

1: Fluxograma simplificado da Unidade: Entrada da carga.Figura A1. 57 . baterias de preaquecimento e dessalgação.

58 .2: Fluxograma simplificado da Unidade: Torre pré-flash. torre estabilizadora de nafta e forno atmosférico.Figura A1.

Figura A1.3: Fluxograma simplificado da Unidade: Torre atmosférica. forno de vácuo e torre de vácuo. 59 .

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