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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

FACULDADE DE FARMÁCIA

DISCIPLINA: ESTÁGIO MODULAR I

PROFª.: REGINA SANTOS

CURSO: FARMÁCIA

EVERTON MIRANDA DOS SANTOS

DIÁRIO DE CAMPO DE ATIVIDADES PRÁTICAS EM FARMÁCIA


COMUNITÁRIA

Salvador
2011
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

FACULDADE DE FARMÁCIA

DISCIPLINA: ESTÁGIO MODULAR I

PROFª.: REGINA SANTOS

CURSO: FARMÁCIA

EVERTON MIRANDA DOS SANTOS

DIÁRIO DE CAMPO DE ATIVIDADES PRÁTICAS EM FARMÁCIA


COMUNITÁRIA

Relatório das atividades realizadas durante o


Estágio Modular I – Farmácia Comunitária,
apresentado a Universidade Federal da Bahia –
UFBA como instrumento de avaliação,

Salvador
2011
Everton Miranda dos Santos – Farmácia Bom Preço – Itapuã

07/02/11 Dia 1 – Estágio Modular I – Farmácia Comunitária

Em um primeiro contato com o ambiente do estágio tive como principal impressão, a


sobrecarga de funções por parte dos funcionários, uma vez que cada colaborador realiza
diversas funções. Passado um pouco o susto de um ambiente com forte caráter comercial, que
como tal tem por primeiro objetivo o lucro e a realização de metas, pude aos poucos me
familiarizar com as rotinas operacionais realizadas no estabelecimento.

O ambiente é dividido de forma que parte dos medicamentos e outros produtos


comercializados no ficam em uma área de livre acesso dos clientes e outro com acesso apenas
dos balconistas e do farmacêutico, um terceiro ambiente é composto por armários para
medicamentos controlados e para armazenagem.

Em conversas com a farmacêutica responsável ficou claro que ela era a responsável direta
pela administração do estabelecimento, algo comum segundo ela, que teve de aprender na
vivência prática, já que pouco ou quase nada viu no curso sobre gerencia de farmácia
comercial.

Como a rotina da farmácia estava bastante corrida devido a uma visita da gerência da rede de
farmácias, não pude conversar muito com a farmacêutica, e tive um maior contato com os
funcionários do caixa e os balconistas, que me ajudaram falando da rotina normal da farmácia
e dos processos normalmente realizados, considero assim bastante produtivo como um
primeiro dia de trabalhos, e espero poder ter um maior contato com as funções realizadas pela
farmacêutica no dias subseqüentes.
Everton Miranda dos Santos – Farmácia Bom Preço – Itapuã

08/02/11 Dia 2 – Estágio Modular I – Farmácia Comunitária

Nesse segundo dia de trabalho, pude ter um maior contato com a farmacêutica, conversando
sobre como funciona a gerência de estoque. Acompanhei os funcionários durante a
conferência dos materiais que chegavam dos distribuidores, tendo a farmácia um deposito
separado do restante da loja. Percebi que o estabelecimento cumpre com as normas
estabelecidas pela Vigilância, um vez todos os medicamentos são armazenados em prateleira
com espaço suficiente em local seco, sem umidade e calor.

Fui apresentado ao sistema de informação utilizado para controle dos medicamentos e dos
estoques, GesCom, que reuni várias funções, como pesquisa por código de barras, pesquisa
por nome, estoque de cada produto, entradas e saídas, relatórios etc. Com a ajuda dos
balconistas e da farmacêutica, aprendi as funções básicas do programa, e pude começar a
participar do atendimento aos clientes, A partir desse contato maior com as pessoas que
procuram o serviço pude desfazer um pouco a idéia comercial do estabelecimento, e afirmar
para mim mesmo a real função do farmacêutico dentro desse contexto, que é a de servir a
comunidade na atenção a saúde.

Além do atendimento ao cliente através do GesCom fui orientado no uso dos guias de
medicamentos, e do DEF – Dicionário de Especialidades Farmacêutica, para tirar dúvidas
quanto a utilização das diversas formulações e para consultar o preço máximo e mínimo de
cada medicação, isso foi importante para sanar as dúvidas dos clientes, que freqüentemente
pedem orientação, sobre a posologia e utilização de cada medicação, esse processo de
atenção básica é feito basicamente pelos balconista, somente casos mais complicados chegam
as mão do farmacêutico, isso é reflexo basicamente do fato deste estar imbuído das funções
administrativas, tendo pouca disponibilidade para contato com o público.
Everton Miranda dos Santos – Farmácia Bom Preço – Itapuã

09/02/11 Dia 3 – Estágio Modular I – Farmácia Comunitária

Nesse terceiro dia de trabalho, a rotina do estabelecimento ficou bastante clara, consegui
participar ativamente da maioria delas, indo desde o atendimento ao cliente, ate a arrumação
dos produtos nas diversas prateleiras, o estabelecimento segue a Resolução RDC nº 44, de
2010, que torna uma controlados os medicamentos antimicrobianos. Fui orientado sobre o
procedimento para dispensasão desse tipo de medicamento, onde a receita teria um prazo
máximo de dez dias e ficaria retida. Além disso os antibióticos tanto os de marcas quanto os
genéricos ficaram separados dos demais medicamentos. Essa resolução modificou totalmente
a rotina da farmácia. Segundo os funcionários anteriormente havia uma grande procura por
esse tipo de medicação, isso se refletia hoje na insatisfação de muitos clientes por não mais
conseguir algumas formulações sem receita médica.

Isso nos leva a refletir sobre a utilização inadequada de substancias, com conseqüências
maléficas a saúde coletiva, e a importância de normas como essas para impedir ou ao menos
amenizar a automedicação. Apesar de onerar seus lucros o estabelecimento fica obrigado a
promover uma maior consciência na utilização de medicamentos.

Além da venda de antibióticos, participei de uma série de atividades, no trato com o público
tive a oportunidade de ajudar alguns clientes que tinham dúvidas na utilização de
determinados produtos para emagrecimento. Outro fator preocupante, a meu ver, é a
exposição excessiva desses produtos, onde promotores de vendas designados pelos
fabricantes atuam indicando os produtos aos clientes da farmácia, isso mostra o caráter
comercial do estabelecimento.
Everton Miranda dos Santos – Farmácia Bom Preço – Itapuã

10/02/11 Dia 4 – Estágio Modular I – Farmácia Comunitária

No quarto dia de trabalho, participei das funções de atendimento ao público, prestando


atenção básica. Tive um contato superficial com o sistema utilizado pela farmacêutica para
lançar as receitas e os guias de notificação no sistema da ANVISA. Minha supervisora me
mostrou os diversos tipos de receitas e de guias de notificação, falando sobre os itens a serem
observados, como a UF, a data, o carimbo e a assinatura da receita.

Em um atendimento ao cliente me deparei com uma receita de substância de uso controlado,


que não apresentava os itens básicos a serem observadas, e tive que insistir com a cliente que
não poderia estar disponibilizando aquela medicação. Outro caráter observado foi a
quantidade de cada medicamento que poderia ser vendida, tendo algumas substancias limites
que não poderiam ser ultrapassados, alguns tratamentos por exemplo, só poderiam ser
disponibilizados para um máximo de 30 dias. Muitos cliente reclamavam e solicitavam uma
quantidade maior de medicação da que poderia ser vendida.

Uma grande dificuldade que observei no atendimento ao público, foi a de muitas vezes
termos alguns produtos de um determinado tratamento e não termos outro, assim muitos
clientes relatavam encontrar um determinado medicamento em uma farmácia e encontrar
outro em um outro estabelecimento, como geralmente o médico faz apenas um receituário há
dificuldade em encontrar todos os medicamentos em um único estabelecimento, já que com
essa legislação a receita fica retida.
Everton Miranda dos Santos – Farmácia Bom Preço – Itapuã

11/02/11 Dia 5 – Estágio Modular I – Farmácia Comunitária

Nesse quinto dia de trabalho, participei das atividades normais da farmácia, como
atendimento ao cliente e reposição de mercadoria nas prateleiras. Em conversas com a
farmacêutica cobrei um pouco mais para ter contato com sua rotina de trabalho, já que fico na
maior parte do tempo realizando as funções junto aos balconistas. Nesse sentido segundo suas
palavras nos próximos dias terei um maior contato com o sistema para lançamento das
receitas junto a ANVISA, e as rotinas administrativas.

De forma sucinta consegui observar com a ajuda da farmacêutica o controle de estoque de


alguns produtos, vendo no GesCom as entradas e saídas de cada produto analisado. Falando
sobre a rotina de trabalho foi dito que gerenciar uma farmácia comercial dentro de uma rede
de supermercado era algo quase que sobre-humano como fator agravante há além das funções
normais do farmacêutico há uma grande pressão, por margens de lucros, e resultados isso
torna a rotina ainda mais estressante e o desgaste é visível nos profissionais da área.
Everton Miranda dos Santos – Farmácia Bom Preço – Itapuã

14/02/11 Dia 6 – Estágio Modular I – Farmácia Comunitária

Nessa segunda semana de estágio, após uma primeira adaptação estou percebendo partes das
rotinas de trabalho em uma farmácia comunitária que não havia percebido antes. Um ponto
importante é a quantidade de pessoas que chegam ao estabelecimento a procura de uma
indicação, e a quantidade absurda de pessoas que acabam se automedicando, com todo tipo
de droga que vão desde antigripais até antiinflamatórios de várias famílias, notadamente os
AINES, antiinflamatórios não esteroidais, como o diclofenaco sódico e potássico.

No Brasil existe ainda a tradição, por parte da população de tratar pequenos ou mesmo
grandes problemas de saúde sem procurar ajuda médica, assim chegam às farmácias, a
procura de “remédio” para uma vasta gama de doenças, que vão desde micoses de pele a
dores abdominais. Essa cultura está tão interiorizada, que certo momento, ao informar uma
cliente sobre a impossibilidade de darmos indicação ela prontamente respondeu: -- “Então
para que serve o farmacêutico?!”. Cabe então nos questionarmos sobre a função verdadeira
do farmacêutico. Outra questão que cabe discussão é sobre medicamentos que ficam ao
alcance dos clientes, nas sessões de cartelados, com medicamentos antigripais, antipiréticos,
analgésicos, etc. Além das chamadas farmacinhas com medicamentos e produtos de limpeza
que ficam junto a outras sessões da loja, e ainda os chamados papa-filas, prateleiras com
medicamentos junto às filas para o caixa. Sem sombra de dúvidas que essas estratégias de
marketing incentivam a automedicação, sendo um dos grandes problemas de saúde pública,
uma vez que a população muitas vezes não tem a verdadeira noção dos perigos que a
utilização de medicamentos pode trazer para saúde.

Questionados sobre a disponibilização de medicamentos ao alcance do público os


funcionários da farmácia argumentaram que se não fosse dessa forma a farmácia iria falir,
alem de que para retirar esses medicamentos e colocá-los em outro local haveria uma
demanda maior por atendentes, isso seria refletido em maiores despesas e menores lucros, já
que muitas vezes os clientes só levam o medicamento devido a facilidade e a disponibilidade.
Everton Miranda dos Santos – Farmácia Bom Preço – Itapuã

15/02/11 Dia 7 – Estágio Modular I – Farmácia Comunitária

A Resolução de Diretoria Colegiada RDC Nº 44, de 17 de Agosto de 2009, trais uma série de
critérios e condutas que asseguram o cumprimento das Boas Práticas Farmacêutica em
farmácias e drogarias de todo o território nacional. Entendendo Boas Práticas como o
conjunto de ações e disposições que asseguram a qualidade no serviço farmacêutico.

Nada mais didático para um aluno de farmácia do que o confronto da realidade com as
normas e resoluções, portanto uma vez entendido a RDC 44 de 2009, sua importância e
objetivos, parti para a observação dos pontos dentro do estabelecimento no qual estava
inserido que eram condizentes com a resolução. No capitulo II da resolução estão enunciados
os documentos que o estabelecimento deve possuir para funcionar de forma legal:
Autorização de Funcionamento de Empresa (AFE) expedida pela Anvisa; Autorização
Especial de Funcionamento (AE) para farmácias, quando aplicável; Licença ou Alvará
Sanitário expedido pelo órgão Estadual ou Municipal de Vigilância Sanitária, segundo
legislação vigente; Certidão de Regularidade Técnica, emitido pelo Conselho Regional de
Farmácia da respectiva jurisdição; e Manual de Boas Práticas Farmacêuticas, conforme a
legislação vigente e as especificidades de cada estabelecimento.

O que foi observado é que a farmácia possuía todos os documentos necessários para seu
funcionamento, no entanto tais documentos encontravam-se fixados a parede, como
determina a resolução, no entanto em local onde o público não tinha acesso, isso é na verdade
uma grande contradição uma vez que são os clientes os maiores interessados, já que o
objetivo principal da resolução nesse sentido é assegurar a população que aquele
estabelecimento segue as normais e está sujeito as fiscalizações.

Sobre a infra estrutura física que também é tratada na RDC não foi observada nenhuma
divergência com a norma, no entanto, a RDC 44 de 2009 na Seção IV, Art. 40 § 1º determina
que os medicamentos estejam em local com acesso somente de funcionários, ou seja, é
proibida a exposições de medicamentos ao alcance dos clientes, isso não é observado na
pratica uma vez que uma grande quantidade de medicamentos são expostos aos clientes,
incentivando a automedicação e contribuindo para a epidemia de PRMs observados pelos
profissionais da área farmacêutica.
Everton Miranda dos Santos – Farmácia Bom Preço – Itapuã

16/02/11 Dia 8 – Estágio Modular I – Farmácia Comunitária

Outro ponto da RDC 44 de 2009, que o estabelecimento não cumpre é