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CAROLINE STRAPASSON

HOMICÍDIO DE TRÂNSITO POR EMBRIAGUEZ AO


VOLANTE: DOLO EVENTUAL OU CULPA CONSCIENTE?

SINOP
2019
CAROLINE STRAPASSON

HOMICÍDIO DE TRÂNSITO POR EMBRIAGUEZ AO


VOLANTE: DOLO EVENTUAL OU CULPA CONSCIENTE

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à


Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de
Sinop, como requisito parcial para a obtenção do
título de graduado em Direito.

Orientador: Daniela Pereira

SINOP
2019
“Nunca ande pelo caminho traçado, pois ele conduz
somente até onde os outros já foram.”
(Alexander Graham Bells.)
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ART. Artigo
CF Constituição Federal
CTB Código de Trânsito Brasileiro
CONTRAM Conselho Nacional de Trânsito
CP Código Penal
CPP Código de Processo Penal
OMS Organização Mundial de Saúde
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 6
2. CONSIDERAÇÕES GERAIS ACERCA DO HOMICÍDIO NO TRÂNSITO
ENVOLVENDO EMBRIAGUEZ AO VOLANTE .......................................................... 9
2.1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA LEGISLAÇÃO DE TRÂNSITO BRASILEIRA ........... 9
2.2 NOÇÕES GERAIS E HISTÓRICAS A RESPEITO DO HOMICÍDIO DE TRÂNSITO
ENVOLVENDO ALCOOLEMIA ................................................................................. 11
2.3 DA RELAÇÃO ENTE A EMBRIAGUEZ AO VOLANTE E OS HOMICÍDIOS NO
TRÂNSITO E DOS MEIOS DE CONSTATAÇÃO DA MESMA. .................................. 16

3.TIPOS PENAIS IMPUTÁVEIS AOS HOMICÍDIOS DE TRÂNSITO CAUSADOS


POR EMBRIAGUEZ ....................................... ERROR! BOOKMARK NOT DEFINED.
3.1 DA CULPA CONSCIENTE....................................ERROR! BOOKMARK NOT DEFINED.
3.2 DO DOLO EVENTUAL..........................................ERROR! BOOKMARK NOT DEFINED.
3.2 DIFERENÇAS ENTRE A CULPA CONSCIENTE E O DOLO EVENTUAL ... ERROR!
BOOKMARK NOT DEFINED.

4. SITUAÇÃO ATUAL ACERCA DA TIPIFICAÇÃO DOS HOMICIDIOS DE


TRÂNSITO CAUSADOS POR EMBRIAGUEZ AO VOLANTE ERROR! BOOKMARK
NOT DEFINED.
4.1 DO HOMICÍDIO CULPOSO DE TRÂNSITO QUALIFICADO PELA EMBRIAGUEZ
DO CONDUTOR ........................................................ERROR! BOOKMARK NOT DEFINED.
4.2 DA POSSIBILIDADE DE IMPUTAÇÃO DO DOLO EVENTUAL AOS HOMICÍDIOS
DE TRÂNSITO CAUSADOS POR EMBRIAGUEZ ......ERROR! BOOKMARK NOT DEFINED.
4.3 ENTENDIMENTO JURISPRUDENCIAL ACERCA DOS HOMICÍDIOS DE
TRÂNSITO CAUSADOS POR EMBRIAGUEZ AO VOLANTE .. ERROR! BOOKMARK NOT
DEFINED.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................ ERROR! BOOKMARK NOT DEFINED.


REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 19
6

1. INTRODUÇÃO

O presente trabalho abordou as consequências jurídicas do homicídio no


trânsito causado por condutor em estado de embriaguez, explanando a possibilidade
de imputação do dolo eventual e da culpa consciente a estes casos. Apesar da Lei
13.546/17, prever a conduta descrita, como homicídio culposo de trânsito qualificado,
frequentemente, verifica-se a imputação do dolo eventual ao agente que comete o
delito nestas circunstâncias.
A justificativa do presente trabalho, revela-se na suma relevância do tema
estudado, haja vista, que o Brasil é um dos países com o maior índice de acidentes
de trânsito do mundo, sendo que, muitos destes resultam em mortes, além de serem,
em grande parte, causados por embriaguez ao volante. Nesta seara, muito se discute
sobre as consequências penais dos delitos causados por embriaguez ao volante,
principalmente, referente ao homicídio de trânsito cometido por condutor embriagado.
Embora exista expressa previsão legal, no Código de Trânsito Brasileiro, no sentido
de, nestes casos restar configurado o homicídio culposo, presencia-se
hodiernamente, indivíduos serem denunciados, pronunciados e condenados por
homicídio doloso, na modalidade dolo eventual, nestas mesmas condições. É certo
que, cada situação deve ser analisada em suas particularidades, contudo, é
demasiadamente relevante traçar as características gerais que definirão em qual tipo
penal se encaixará a conduta do autor.
A problemática do estudo foi acerca de quais seriam as consequências jurídicas
do homicídio no trânsito envolvendo a alcoolemia e quais seriam as possíveis
circunstâncias que configurariam o dolo eventual ou a culpa consciente nestes casos.
Com a entrada em vigor da Lei 13.546 de 19 de dezembro de 2017, que trouxe em
seu art. 302, §3, a figura do homicídio de trânsito culposo qualificado pelo motorista
estar sob a influência de álcool, além de outras substâncias, acreditou-se haver
chegado ao fim destas discussões, o que de fato, não ocorreu, pois, o Ministério
Público continua oferendo denúncias por homicídio doloso, na modalidade dolo
eventual a estas conduta, e motoristas que praticaram tais condutas foram e estão
sendo submetidos ao julgamento pelo tribunal do júri, mesmo após a entrada em vigor
da referente Lei.
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Destarte, tem-se como principal objetivo da presente monografia, estudar quais


serão as consequências jurídicas do homicídio no trânsito praticado por motorista
embriagado, e discutir acerca da possibilidade de imputação do dolo eventual e da
culpa consciente a tais delitos. Como objetivos específicos, o presente trabalho
buscou demonstrar as diferenças entre o dolo eventual e a culpa consciente, tal como
compreender quais elementos caracterizam cada tipo penal na conduta do indivíduo.
Ademais, buscou-se compreender a possibilidade de imputação do dolo eventual ao
condutor embriagado que venha a praticar homicídio de trânsito, pois, trata-se de
medida prejudicial ao réu. Objetivou-se ainda, estudar a atuação dos Tribunais quanto
à tipificação de tais condutas, além de verificar a posição doutrinária e legislativa
referente ao tema.
Quanto à metodologia utilizada para o desenvolvimento do presente trabalho,
que possui natureza de Pesquisa Básica, sendo, no que tange aos objetivos,
explicativa e descritiva, foi realizado através de pesquisa bibliográfica,
fundamentando-se em material já elaborado, principalmente livros, especialmente as
doutrinas dos autores Rogério Greco, Fernando Nogueira e Guilherme de Souza
Nucci, artigos científicos, artigos de publicações periódicas e de sites especializados,
e também documental, pois serão utilizadas as normas legais relacionadas ao tema,
em especial a Lei 13.546/17 e 9503/97, além de jurisprudências dos Tribunais
Superiores. Quanto ao método de abordagem da pesquisa, foi utilizado o dialético, no
tocante ao método de procedimento, foi utilizado o método monográfico, já quanto à
análise e interpretação de dados, a pesquisa é qualitativa.
Quanto à estrutura da presente monografia, no primeiro capítulo foi tratada a
evolução histórica da legislação que trata do homicídio no trânsito, bem como as
principais mudanças trazidas pela Lei 13.546 de 19 de novembro de 2017, referentes
ao assunto. Ainda no primeiro capítulo foi discutido o problema dos homicídios no
trânsito causados pela embriaguez, e como se dá a constatação da mesma. No
segundo capítulo foram estudados os elementos subjetivos, dolo eventual e culpa
consciente, demonstrando suas diferenças, bem como quais são os elementos
caracterizadores de cada um na conduta do agente. Por fim, no terceiro capítulo foram
demonstradas as possibilidades de imputação do dolo eventual e da culpa consciente
aos homicídios de trânsito causados por motorista embriagado, através do
8

posicionamento da doutrina, bem como estudada a atuação dos magistrados frente a


estas situações.
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2. CONSIDERAÇÕES GERAIS ACERCA DO HOMICÍDIO NO TRÂNSITO


ENVOLVENDO EMBRIAGUEZ AO VOLANTE

Neste capítulo trata-se a evolução histórica da legislação de trânsito brasileira,


abordando os principais dispositivos e as mudanças significativas do Código de
Trânsito Brasileiro, acerca do homicídio de trânsito, e a embriaguez ao volante. Além
disso, são explanados os principais conceitos presentes no Código de Trânsito, no
que tange ao tema em comento.
Ademais, abordam-se as noções gerais e históricas referentes ao homicídio de
trânsito envolvendo a alcoolemia, apontando a problemática acerca do grande número
de mortes no trânsito e como o legislador lidou com a mesma durante as alterações
legislativas no vigente Código de Trânsito. Estuda-se ainda, o direito fundamental à
segurança no trânsito, e como está sendo violado, frente a situação atual do trânsito
brasileiro. Trata-se ainda, da conceituação e classificação do homicídio de trânsito.
Por fim, discorre-se sobre a embriaguez ao volante, sua relação com os
números elevados de mortes no trânsito, bem como sua conceituação, e as medidas
cabíveis para a constatação da mesma.

2.1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA LEGISLAÇÃO DE TRÂNSITO BRASILEIRA

Remontam à primeira década do século passado, os primeiros estudos


referentes a necessidade de criação de legislação que regulamentasse a circulação
de automóveis. Essa necessidade aumentou muito com o passar do tempo,
principalmente no final do século XIX, com o início do processo de urbanização
Brasileiro, “quando os fazendeiros de café se deram conta de que lhes era mais
conveniente, para os negócios transferir suas residências para os núcleos urbanos,
como Rio Preto, São Paulo, Rio de Janeiro, para exemplificar” (NOGUEIRA, 2019,
p.39).
Desta forma, frente a preocupação, principalmente com a segurança, em 27 de
outubro de 1910, foi assinado, pelo então presidente Nilo Peçanha, o Decreto n. 8.324,
a primeira legislação nacional sobre trânsito. O dispositivo além de outras disposições,
regulamentava o serviço subvencionado de transporte por automóveis, de
mercadorias e passageiros, e instituía medidas de segurança, fiscalização e
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penalidades referentes a circulação de automóveis. Após isso, muitos foram os


Decretos a regulamentar o tema, dentre eles:

O Decreto Legislativo de 11 de janeiro de 1922 dedicou-se a


construção de estradas e carga máxima de veículos.
O Decreto Legislativo n. 5.141, de 5 de janeiro de 1927, se referiu aos
caminhões.
O Decreto n. 18.323, de 27 de abril de 1928, com 93 artigos dispôs
sobre sinalização, segurança de trânsito, polícia das estradas de
rodagem e foi o primeiro texto legal sistematizado sobre trânsito no
Brasil. (NOGUEIRA, 2019, p.19).

Até que, em 28 de janeiro de 1941, o Decreto-Lei n. 2.994, trouxe o primeiro


Código de Trânsito Brasileiro, que foi revogado posteriormente em 25 de setembro de
1941, pelo Decreto-Lei n. 3.651, que vigorou até 1966, quando foi promulgada a Lei
n. 5.108, de 21 de setembro de 1966, o Código Nacional de Trânsito. No entanto, não
havia, no Código Nacional de Trânsito de 1966, normas penais sobre o trânsito, ou
seja, os crimes de trânsito eram regulamentados pela lei penal comum, pelo Código
Penal (CP) de 1940 e pela Lei de Contravenções Penais (LCP), também de 1940.
Com o passar dos anos, o crescente número de veículos automotores, gerou,
em iguais proporções, o aumento do número de sinistros de trânsito, e com isso, a
preocupação em regulamentar o trânsito de forma adequada também foi crescendo.
A grande quantidade de acidentes com vítimas fatais, gerava a necessidade de
criação de tipos penais específicos de trânsito, o que não era previsto na legislação
vigente na época. Enfim, em 1998, entrou em vigor o Decreto n. 9.503/97, o atual
Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que muito embora ainda fosse alvo de críticas e
divergências, melhor se adequava com a realidade do Brasil naquele momento, pois
regulamentava o trânsito de maneira mais ampla e efetiva, além de tipificar os Crimes
de Trânsito.
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) conceituou em seu Anexo I, o automóvel,
como sendo: “veículo automotor destinado ao transporte de passageiros, com
capacidade para até oito pessoas, inclusive o condutor” (BRASIL, 1997). Tal definição
é de suma importância para que se possa compreender o conceito de crimes de
trânsito, que é previsto no caput do art. 291 do CTB como “crimes cometidos na
direção de veículos automotores, previstos neste Código” (BRASIL, 1997). Encontra-
se disposto ainda no art. 291, §1 do Código de Trânsito Brasileiro de 1997, o conceito
de trânsito, como “a utilização das vias por pessoas, veículos e animais, isolados ou
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em grupos, conduzidos ou não, para fins de circulação, parada, estacionamento e


operação de carga ou descarga” (BRASIL, 1997).
O conceito de trânsito além de estar previsto na própria norma, foi disposto pelo
legislador no Anexo I do CTB, como “a movimentação e imobilização de veículos,
pessoas e animais nas vias terrestres” (BRASIL, 1997). Portanto, através dos artigos
supracitados infere-se que crimes de trânsito são os delitos praticados na direção de
veículos automotores, sendo que, trânsito, é considerado todo o tipo de utilização das
vias terrestres, seja por pessoas, ou por animais.
Outra disposição do CTB que pode ser considerada de suma importância,
também prevista no caput do art. 291, é a de que o Código Penal (CP), o Código de
Processo Penal (CPP) e a Lei n. 9.099/95, podem ser aplicados supletivamente aos
crimes praticados na direção de veículo automotor, respeitados os casos em que o
mesmo dispuser de modo diverso.
É válido destacar, que quando se fala em legislação de trânsito, não se refere
somente ao Código de Trânsito Brasileiro, compreendem-se como tal, as normas em
sentido amplo, qual sejam, os atos normativos emitidos pelos órgãos de trânsito, como
as Resoluções do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAM), que servem de
complementação às normas do CTB, além disso, é possível ainda, como citado
anteriormente, a aplicação subsidiária do CP, do CPP e da Lei 9.099/95.
O CTB foi alterado por mais de 30 vezes, dentre elas podendo destacar-se as
mudanças trazidas pelas seguintes leis: Lei 11.275/2006; Lei 11.705/2008, conhecida
como Lei seca; Lei 12.760/2012, popularmente conhecida como Nova Lei Seca; Lei
12.971/2014; Lei 13.546/2017 e Lei 13.614/2018. Tais diplomas legais trouxeram
mudanças principalmente no que se refere ao homicídio no trânsito, e à direção de
veículo automotor após a ingestão de álcool ou outras substâncias capazes de alterar
a capacidade psicomotora do agente, que foram especificamente tratadas nos
próximos tópicos.

2.2 NOÇÕES GERAIS E HISTÓRICAS A RESPEITO DO HOMICÍDIO DE


TRÂNSITO ENVOLVENDO ALCOOLEMIA

O Brasil, infelizmente, está entre os países com maior número de mortes por
ano em acidentes de trânsito, tais números confrontam o direito fundamental e coletivo
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à segurança no trânsito, previsto pelo art. 1º, § 2° do Código de Trânsito Brasileiro, in


verbis:

§ 2º. O trânsito, em condições seguras, é um direito de todos e dever


dos órgãos e entidades componentes do Sistema Nacional de
Trânsito, a estes cabendo, no âmbito das respectivas competências,
adotar as medidas destinadas a assegurar esse direito. (BRASIL,
1997)

Conforme previsto pelo artigo supracitado, o direito à segurança no trânsito, é


um direito coletivo, sendo atribuído pelo legislador, aos órgãos e entidades integrantes
do CONTRAM, adotar as medidas cabíveis para a sua efetivação. Quanto ao caráter
de direito fundamental, os arts. 5º e 6º da Constituição Federal (CF), pertencentes ao
título II, denominado “Dos direitos e das garantias fundamentais”, garantem o direito
à segurança, como direito social e inviolável. Neste sentido, é consenso da maior parte
da doutrina que:

Com a norma de trânsito, foi esculpido um direito fundamental


específico, que se acolhe do direito humano fundamental genérico da
segurança, que tanto evidencia seu caráter individual (art. 5º da
Constituição Federal) como social (art. 6º da Constituição Federal). Tal
direito é exemplo típico de direito fundamental de terceira dimensão
ou geração, que também pode receber sua classificação, por sua
natureza, de direito metaindividual. (SANTOS, 2009, p.43)

Entretanto, para um trânsito ser considerado seguro, deveria abarcar um índice


de acidentes zerado, com números inexpressivos, ou no mínimo, probabilidade baixa
de virem a ocorrer, neste sentido Vasconcellos (1998, p. 28) afirma:

Um trânsito com condições ideais de segurança deveria apresentar


um índice de acidentes igual à zero. Todas as pessoas e todos os
veículos circulariam sem nunca se envolver (ou provocar) em
acidentes de trânsito.
A situação ideal nunca é verificada na prática, pois sempre ocorre
certo número de acidentes. O desejável é que esse número seja
sempre o menor possível, ou seja, que exista uma pequena
probabilidade de as pessoas se envolverem em acidentes.

Lamentavelmente, é nítido que o Brasil ainda está à uma grande distância de


alcançar um trânsito considerado seguro, já que, segundo informações divulgadas em
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2016 pela Organização Mundial de Saúde (OMS)1, o Brasil ocupa a quarta posição
entre os países com maior número de mortes por acidentes de trânsito, já segundo o
Blog Saúde, do Portal Ministério da Saúde2, seria o quinto país, com um número de
cerca de 45 mil mortes por ano. Apesar de haver algumas discordâncias numéricas
entre as informações, em qualquer das hipóteses, o número é assustador.
Sempre houveram muitas discussões acerca do homicídio de trânsito.
Anteriormente à vigência do Código de Trânsito de 1997, não havia tipo penal
específico às mortes causadas por condutor de veículo automotor, então, tais
condutas eram tratadas como homicídio culposo, previsto no art. 121, § 3º do Código
Penal.
Somente a partir da entrada em vigor do atual CTB, no dia 22 de janeiro de
1998, é que foi instituído o homicídio culposo de trânsito, porém, não havia em sua
redação original, previsão de agravante de pena aos casos em que o homicídio fosse
praticado por motorista que estivesse sob influência de álcool ou outras substâncias
psicoativas. Desta feita, a doutrina majoritária da época entendia que nestes casos, a
ingestão de álcool, prevista no art. 306 do CTB, seria absorvida pelo homicídio culposo
de trânsito, previsto no art. 302 do mesmo código.
Neste cenário, visando principalmente acabar com a brecha de impunidade
daqueles que, irresponsavelmente ingeriam álcool e tomavam a direção de automóvel,
acabando por causar acidente e provocar a morte de outrem, no ano de 2006, a Lei
11.275/06, promoveu considerável alteração legislativa no Código de Trânsito
Brasileiro. Entre as mudanças trazidas pela referida lei, pode-se destacar a inserção
do inciso V ao art. 392 do CTB, prevendo causa de aumento de pena, de um terço a
metade, ao crime de homicídio culposo, quando o autor do delito, estivesse sob a
influência de álcool ou outra substância tóxica ou entorpecente de efeitos análogos.
No entanto, a referida alteração não foi suficiente para resolver o problema dos
elevados números de acidentes e mortes no trânsito envolvendo embriaguez,
destarte, o legislador alterou novamente o Código de Trânsito em 2008, através da

1 Informações disponíveis no endereço eletrônico:<


https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/05/1772858-brasil-e-o-quarto-pais-com-mais-mortes-no-
transito-na-america-diz-oms.shtml> (Acessado em 10 de março de 2019, às 19 horas e 30 minutos).

2 Informações disponíveis no endereço eletrônico:< http://www.blog.saude.gov.br/35535-brasil-e-o-


quinto-pais-no-mundo-em-mortes-por-acidentes-no-transito.html > (Acessado em 10 de março de
2019, às 20 horas e 05 minutos).
14

Lei 11.705 de 2008, conhecida como Lei Seca, desta vez fixando penas mais severas
ao agente que dirigia, após a ingestão de bebida alcoólica ou outra substância capaz
de alterar a capacidade psicomotora e impondo tolerância de alcoolemia zero.
Ainda visando diminuir a quantidade de mortes no trânsito provocadas pela
embriaguez ao volante, em 2014, a Lei 12.971, acrescentou à legislação de trânsito
Brasileira, importantes alterações. A referida lei, revogou o inciso V do §1º do artigo
302 do CTB, que havia sido incluído pela Lei 11.275/06, e por sua vez, incluiu o §2º
ao referido artigo. Desta feita, a ingestão de álcool ou outra substância análoga, deixou
de ser considerada uma casa de aumento, e se tornou causa qualificadora do
homicídio culposo no trânsito, conforme art. 302, § 2°, in verbis:

Art. 302
[...]
§ 2º Se o agente conduz veículo automotor com capacidade
psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra
substância psicoativa que determine dependência ou participa, em
via, de corrida, disputa ou competição automobilística ou ainda de
exibição ou demonstração de perícia em manobra de veículo
automotor, não autorizada pela autoridade competente:
Penas - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e suspensão ou
proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo
automotor.

Contudo, apesar da previsão de tipo penal autônomo, trazida pela Lei


12.971/14, ao incluir o §2° ao artigo 302 do CTB, a forma qualificada do homicídio
culposo, permaneceu com o mesmo quantum de pena previsto à forma simples, que
seria de 2 a 4 anos, assim, a única modificação foi em relação ao regime de
cumprimento de pena, que seria reclusão, no caso da forma qualificada, ao passo que,
o previsto para a forma simples do homicídio culposo era a detenção.
Por fim, a última alteração referente ao homicídio no trânsito causado por
embriaguez ao volante, foi trazida pela Lei 13.546/17, que entrou em vigor no dia 19
de abril de 2018. A alteração diz respeito ao quantum de pena cominada à forma
qualificada do homicídio culposo de trânsito, que era, na redação anterior, previsto no
art. 302, §3º, com a seguinte pena:“ reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e
suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo
automotor”. (BRASIL, 2014). De acordo com a nova redação, comina-se à conduta,
agora prevista no §3° do art. 302 do CTB, a pena de: “reclusão, de cinco a oito anos,
e suspensão ou proibição do direito de se obter a permissão ou a habilitação para
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dirigir veículo automotor” (BRASIL, 2017).


No que tange à classificação do crime de homicídio de trânsito, segundo a
doutrina, trata-se de crime de dano. Quanto aos crimes de dano “são os que se
consumam com a efetiva lesão a um bem jurídico tutelado. Trata se da ocorrência de
um prejuízo efetivo e perceptível pelos sentidos humanos” (NUCCI, 2014, p.147).
Portanto, o delito só será consumado com a efetiva lesão ao bem jurídico tutelado,
qual seja, a vida humana.
Quanto aos sujeitos do crime, trata-se de crime comum, podendo ser praticado
por qualquer pessoa, desde que, na direção de veículo automotor, ao passo que, o
sujeito passivo, pode ser também qualquer um, neste sentido a doutrina entende que:

O crime é comum e pode ser cometido por qualquer pessoa.


Exige-se apenas que o autor do crime esteja na direção de veículo
automotor. Ou seja, fazendo funcionar, movimentando, dirigindo e
guiando o veículo automotor.
Sujeito passivo poderá ser qualquer pessoa, desde o nascimento com
vida. (NOGUEIRA, 2019, p.99)

Destarte, o crime é comum tanto a respeito do sujeito ativo, quanto ao sujeito


passivo. No que diz respeito à conduta do agente, capaz de configurar o delito,
caracteriza-se, segundo Nogueira (2019, p.100), por “estar o agente na direção de
veículo automotor, ou seja, movimentando, acionando, dirigindo o veículo automotor,
ainda que esteja ingressando na via naquele momento do acidente.” Portanto, infere-
se que o agente deva estar efetivamente na direção do veículo, ou seja, em
movimento, não bastando estar simplesmente no interior do automóvel, neste sentido
ainda afirma o autor:

Vale destacar que a conduta deverá ocorrer, de todo modo, na direção


do veículo automotor. Ou seja, não basta que o sujeito ativo esteja
parado, posicionado ao banco do motorista, para que o crime se
perfaça.
É necessário que ele esteja conduzindo, dirigindo e movimento o
veículo na via. Assim, se o condutor, por exemplo, com o veículo já
estacionado junto ao meio fio, abrir a porta e der causa a acidente,
atingindo ciclista ou motociclista, ele responderá por homicídio
culposo, ou lesão corporal culposa nos termos do Código Penal (arts.
121, § 3º, e 129, § 6º, do Código Penal). (NOGUEIRA, 2019, p.100)

Logo, a conduta do agente somente se amoldará ao fato típico, com a efetiva


movimentação do veículo, ou seja, se estiver realmente dirigindo. Ainda, deve estar
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presente na conduta do sujeito ativo, a voluntariedade, para tanto, segundo Nogueira


(2019, p. 103) “basta a culpa, a imprevisão diante do que era previsível. Culpa é a
imprevisão grosseira daquilo que era previsível”. Desta feita, para que se configure o
delito em questão, basta que o sujeito passivo, podendo ser qualquer pessoa, na
direção de veículo automotor, efetivamente em movimento, venha a causar a morte
de outrem, ocorrendo imprevisão grosseira por parte do agente, de fato previsível nos
moldes do homem comum.
As especificações quanto ao homicídio no trânsito envolvendo embriaguez, em
sua modalidade culposa, que é a regra prevista no CTB, em seu art. 302, § 3°, bem
como acerca do homicídio doloso, na modalidade dolo eventual, causado por
embriaguez no trânsito, foram feitas no capítulo 4 do presente trabalho, onde foram
tratados os tipos penais exaustivamente. O presente tópico ateve-se a tratar do
histórico e das noções gerais do homicídio praticado na direção de veículo automotor,
envolvendo embriaguez ao volante. Quanto à embriaguez ao volante, a relação de
causalidade com os homicídios de trânsito, bem como a constatação da mesma,
tratam-se do assunto do tópico a seguir.

2.3 DA RELAÇÃO ENTE A EMBRIAGUEZ AO VOLANTE E OS HOMICÍDIOS NO


TRÂNSITO E DOS MEIOS DE CONSTATAÇÃO DA MESMA.

A embriaguez ao volante é delito autônomo tipificado no art. 306 do Código de


Trânsito Brasileiro. O crime consiste em “conduzir veículo automotor com capacidade
psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância
psicoativa que determine dependência” (BRASIL,1997).No entanto, quando a
embriaguez do agente dá causa a acidente de trânsito, que resulte em morte, esta se
torna, circunstância qualificadora do homicídio culposo de trânsito, conforme art. 302,
§ 3º do CTB.
Conforme já aludido anteriormente, o número de acidentes de trânsito com
resultado morte no Brasil, é assustador, sendo que a embriaguez ao volante, muitas
vezes é a principal causa dos mesmos. Neste sentido, afirma o Relator Ministro
Hermam Benjamin da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, em julgamento
de REsp.:
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Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a ingestão de álcool é a


terceira maior causa de mortes por acidente de trânsito em 2016,
perdendo apenas para a falta de atenção e o excesso de velocidade
(www.metrojornal.com.br/foco/2017/05/01/brasil-e-o-quinto-pais-no-
mundo-em-mortes-no-transito-segundo-oms.html). E os jovens de 20
a 24 anos são a faixa etária mais atingida. (Superior Tribunal de
Justiça, 2017)

Desta forma, tão grande é a preocupação com relação ao consumo de álcool


somando à direção de veículo automotor, que frequentemente, a conduta do agente
que, após ingerir álcool, vier a causar acidente de trânsito com resultado morte, é
tratada como dolo eventual. O que era de certa forma justificável antes da entrada em
vigor da lei 13.546/17, frente ao sentimento de impunidade que a pena,
consideravelmente branda, do homicídio culposo de trânsito, deixava nestes casos,
contudo, após a vigência da referida lei, e a tipificação pelo art. 302, § 3º do CTB, da
conduta em comento, como homicídio de trânsito qualificado, com uma pena
considera alta, a doutrina majoritária, entende não ser mais cabível a imputação do
dolo eventual a estas situações, contudo, não esta sendo unânime este entendimento
na jurisprudência. O presente assunto, sobre as discussões acerca da imputação do
dolo eventual aos homicídios causados por embriaguez ao volante foi trabalhado com
mais profundidade no capítulo 4, portanto o presente tópico ater-se-á a estas
considerações.
Conforme o entendimento de Nogueira (2019, p.157) embriaguez ao volante,
“se verifica toda vez que alguém, com a capacidade psicomotora alterada em razão
da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência,
conduzir veículo automotor.” Desta forma, embriaguez ao volante, trata-se da junção
entre o consumo de substância psicoativa, tal como o álcool, capaz de alterar a
capacidade psicomotora do agente, com a direção de automóvel.
Quanto à constatação da embriaguez, além da mesma estar configurada
quando a agente conduzir automóvel com mais de 6 decigramas de álcool por litro de
sangue, também se configura pela presença de sinais que evidenciam a redução da
capacidade psicomotora, neste sentido:

A lei atual continua a prever que o crime se configura quando o


condutor dirigir veículo automotor com mais de 6 decigramas de álcool
por litro de sangue.
Mas também estabeleceu que o delito se perfaz com a presença de
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sinais evidenciadores de comprometimento da capacidade


psicomotora.
São os clássicos sinais da embriaguez, previstos na Resolução n.
432/12 do Contram: arrogância, voz pastosa, andar cambaleante, fala
desconexa, olhos vermelhos, dificuldade de equilíbrio, vestes em
desalinho etc. (NOGUEIRA,2019, p.164)

Portanto, caso o condutor se recuse a fazer o teste do bafômetro, ou ainda,


negue-se a fornecer amostra de sangue pra o exame de dosagem de álcool no
sangue, serão relatados pelo agente de trânsito, os sinais que demonstrem
embriaguez no comportamento do agente, sendo este conduzido até a repartição
policial e submetido a consulta de médico legista que elaborará laudo. Porém, caso o
agente se negue ao procedimento, estará sujeito a infração administrativa, prevista no
art. 165-A do Código de Trânsito Brasileiro, que implica em multa e suspensão do
direito de dirigir. Neste sentido, foi a decisão proferida pelo Relator Grassi Neto, em
julgamento de apelação:

Crime de Trânsito – Condução de veículo automotor com capacidade


psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra
substância psicoativa – Conjunto probatório desfavorável ao réu
lastrado em depoimento policiais harmônicos – Validade - A
constatação de que o motorista conduzia veículo automotor em via
pública em estado de embriaguez mediante prova testemunhal
harmônica dos policiais que atenderam a ocorrência é perfeitamente
válida, até mesmo pelo princípio de presunção de veracidade
inerente aos atos administrativos em geral. Crime de Trânsito –
Suspensão ou proibição de obter-se a permissão ou a habilitação
para dirigir veículo automotor – Fixação consoante os mesmos
critérios empregados para estabelecimento da privação de liberdade
– Art. 293 CTB –. (Tribunal de Justiça de São Paulo, 2017)

Portanto, a constatação da embriaguez ao volante, se dá através de teste de


etilômetro, ou exame de sangue e caso o agente se negue a realiza-lo ou a coletar
sangue, o agente de trânsito relatará os sinais de comprometimento da capacidade
psicomotora, que poderá ser posteriormente confirmada pelo médico legista na
repartição policial e, não obstante o agente não ser obrigado a contribuir com a
produção de provas contra si mesmo, caso o infrator se recuse ao procedimento, não
haverá prejuízo das sanções administrativas cabíveis.
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REFERÊNCIAS

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Trânsito. Brasília,1966. Disponível em: http://www.planalto
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Brasileiro. Brasília, 1997. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503.htm. Acesso em 23 de fev. de 2019,
às 09h17min.

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277 e 302 da Lei no 9.503, de 23 de setembro de 1997, que institui o Código de
Trânsito Brasileiro. Brasília, 2006. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11275.htm. Acesso em
03 de mar. de 2019, às 10h13min.

______. Lei n. 11.705, de junho de 2008. Altera a Lei nº 9.503, de 23 de setembro


de 1997, que ‘institui o Código de Trânsito Brasileiro’, e a Lei no 9.294, de 15 de
julho de 1996, que dispõe sobre as restrições ao uso e à propaganda de
produtos fumígeros, bebidas alcoólicas, medicamentos, terapias e defensivos
agrícolas, nos termos do § 4o do art. 220 da Constituição Federal, para inibir o
consumo de bebida alcoólica por condutor de veículo automotor, e dá outras
providências. Brasília, 2008. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11705.htm. Acesso em
03 de mar. de 2019, às 09h34min.

______. Lei n. 12.760, de 20 de dezembro de 2012. Altera a Lei nº 9.503, de 23 de


setembro de 1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro. Brasília, 2012.
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-
2014/2012/Lei/L12760.htm. Acesso em 12 de mar. de 2019, às 10h04min.

______. Lei n. 12.971, de 9 de maio de 2014. Altera os arts. 173, 174, 175, 191, 202,
203, 292, 302, 303, 306 e 308 da Lei no 9.503, de 23 de setembro de 1997, que
institui o Código de Trânsito Brasileiro, para dispor sobre sanções
administrativas e crimes de trânsito. Brasília, 2014. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L12971.htm. Acesso
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______. Lei n. 13.536, de 19 de dezembro de 2017. Altera dispositivos da Lei no


9.503, de 23 de setembro de 1997 (Código de Trânsito Brasileiro), para dispor
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Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-
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