Manhas Rasgadas...

Os primeiros seis meses do Blog Simulações. http://simulacros.wordpress.com Thales de Souza Barreto

Primeira Parte. Poesias.
FEVEREIRO
Sábado, 10 de Fevereiro de 2007
Eu tenho um desses amores doces... Amores estranhos... Amores bandidos... Amo essa sua boca pequena Seus olhinhos tristes Seu cabelo desarrumado Suas mordidas... Te amo minha menina Te amo minha criança Te amo meu bebê Amo essa sua cara ingênua e sedutora Amo suas pernas... Curtinhas é verdade... Esse seu olhar apavorado e provocante Amo suas confusões Sei que me ama... E que nos deixem em paz. Thales Barreto

Sábado, 10 de Fevereiro de 2007
Me beija Me beija Me beija Deixa eu morrer assim Na tua boca Sentindo o teu gosto Tua face vermelha... Quente Deixa eu morrer assim Deixa eu sentir teus lábios A doçura e o amor na tua boca Deixa eu sentir no seus braços o abrigo que preciso pra matar minha solidão E deitar sobre seus seios e ali repousar... Sonhar com um mundo de amores... De sonhos... Deixa eu dormir enrolado na suas pernas... Deixa eu sentir você Deixa eu sussurra no seu ouvido todo o amor que sinto por você E quando morrer... Que suas lágrimas seja aparadas pelo meu corpo... e sugado pela minha pele Deixa eu morrer... E virar o solo onde você passa... O chão que você pisa...

Eu te amo... Não me recuse mais... Não me abandona... Não deixa essas palavras morrer comigo... No espaço e no tempo... Thales Barreto

Sábado, 10 de Fevereiro de 2007
Entre rosas e outros tipos de pequenas flores encontro você. Seu sorriso largo e seus olhos pequeninos fechadinhos. Seus dentes brancos cercado por uma linda boca. As suas unhas vermelhas e seus dedos claros. Seu cabelo colorido ou negro... Curto ou comprido... E seu cheiro inconfundível. Seu pé pequeno e seu coração gigante. Suas mãos delicadas com unhas lindas, com dedos lindos, com formas secretas. Onde você está As coisas são mais lindas De peso desprezível, de amor maior do mundo. De carinho incalculável. De felicidade contagiante e de tristeza calada. Seu silêncio me mata. E essas pequenas coisas difíceis de entender... Em uma menina mulher... Linda e admirável... De mil coisas que não falei. E de só uma coisa que posso definir... Meu amor por você é maior que os adversários dele... Thales Barreto

MARÇO
Domingo, 18 de Março de 2007 Passado a limpo Vivo no meu paralelo... Cheio de flores, cadernos, canetas... Penso no meu amor que nunca vem... Na minha vida que aos poucos se vai... Amores, solidão... Tenho uma vida imperfeita... Sou um posso de mágoas, de erros Sou um defeito... Sou vários... Amo quem me despreza, desprezo quem me ama... Já quis me acabar... Quem sabe? Ainda respiro... Bebo... Ainda pulo, escuto rock, MPB, samba... Estudo... Não durmo, nem deixo dormirem... Quero festa, fazer rirem, pularem... Queria ser feliz... Mas... Isso é um detalhe que tenho que esconder No fundo... Não sou nada, além de erros.

Thales Barreto - 18.12.2004

Quinta-feira, 22 de Março de 2007
Rosa congelada. Rosa congelada. Coração Partido. Rosa congelada. Sonhos esquecidos. Rosa congelada. Frio na pele. Rosa congelada. Te amo. Rosa congelada. Os dias passam. Rosa congelada. Sinto sua falta. Rosa congelada. Mais um beijo. Rosa congelada. Sinto seu gosto. Rosa congelada. O tempo. Rosa congelada. Amores roubados. Rosa congelada. Seu calor no inverno. Rosa congelada. Sentimentos perdidos. Rosa congelada. Sonhos aquecidos. Rosa congelada. Sangue pulsante. Rosa congelada. Cabeça pensante. Rosa congelada. Você distante. Rosa congelada. Num futuro próximo. Rosa congelada. Você e eu juntos. Rosa congelada. Eu e você. Thales Barreto / Março de 2007

Quinta-feira, 15 de Março de 2007
Recomeçar Reconstruir Reconstituir Reerguer Reiniciar Amar novamente Lutar novamente Voltar. Recomeçar é mudar o que está errado Mantendo o que sempre te fez feliz. É não deixar que as dores do passado vençam a vontade de amar A vontade de ser feliz. A vontade de estarem juntos de novo. Recomeço Reconstruo Reconstituo Reinicio A minha caminhada não terminou A nossa caminhada não terminou Esperança e fé Desejo e vontade de te amar.

Mais uma vida. Mais um século. Mais uma vez. Eu te amo. Thales Barreto

ABRIL
Terça-feira, 10 de Abril de 2007
Olhares... Corpo nu de cicatrizes gigantes De tatuagens incolores Metal escondido perto do céu Lugar onde quero repousar Olhos que vigiam meu olhar fixo Observo suas perfeições Seus seios e seu pescoço Sua boca e seus dentes Seu cabelo e seu rosto embriagante Desejo cada milímetro de você. Por apenas um sonho. Thales Barreto Abril / 2007

Segunda-feira, 2 de Abril de 2007
Para Italiana... Um dia estava numa reunião de pauta na Cyberfam quando a minha colega Francesca viu minha letra na agenda e pediu um texto pra eu escrever para ela. Era em tom de brincadeira, mas como gosto de escrever aí está o texto. Espero que gostem:

E das coisas que existem nesse mundo, Qual delas você entende? Qual dos seus sonhos você vai atrás? E de quais você já desistiu? Amores perdidos Pecados realizados Vidas amarradas Saudade... Novas dores e novas paixões Recomeço... A esperança mora no amanhecer Ela renasce todo o dia Nas tuas mãos, finas e claras No desejo de paz E felicidade Thales Barreto – 02. Abril. 2007

MAIO
Terça-feira, 1 de Maio de 2007
Observo seus olhos que com a claridade se mostram mais claros. Mais azuis do que a noite. Observo seu sorriso, seu lábio fino ao sorrir. Observo suas mãos nem grandes nem pequenas. Mãos. Apenas. Perfeitas como você. Suas pernas. Sua coxa. Minhas confusões. As ruas limpas. As pedras. O seu cabelo. Meus desejos silenciosos. Meus desejos. Coisas que talvez não devesse querer. Coisas que não existem além de minha mente. Coisas e mais coisas que não sei. Coisas que desconfio de mim mesmo. Coisas que não acredito em mim. Apenas você. Apenas a imaginação da minha cabeça doente. A próxima esquina trará alguma resposta. Terei certezas ao dobrar a vida. Thales Barreto Maio/ 2007

Quinta-feira, 3 de Maio de 2007
Quando olhei pra frente vi sua cara linda. Sua beleza me encanta. Toda a tarde busco encontrar você. Sei onde deve estar à noite. Preciso saber o gosto dessa boca. Lábios de belo sorriso. Tua perna cruzada. Palavras que você usa e me confundem. Sua fragilidade misturada com uma personalidade marcante. Me diga como faço pra conquistar tudo isso. Como faço pra sentir seu cabelo e seu perfume. Sua boca seu, gosto? Queria você do meu lado não só por uns minutos. Thales Barreto Segunda-feira, 7 de Maio de 2007 Contra Manual Já li milhares de manuais de vida. Modos de como agir em situações de crise. O que devo e não devo fazer. No que devo acreditar cegamente e no que devo me manter distante. Já me disseram que sentimentos não nos tornam donos das pessoas, já me disseram para aproveitar mais a juventude. Me criaram ilusões e mundos perfeitos. Pessoas que devia seguir e não me preocupar. Ser honesto, fiel, sincero, companheiro. Ser amigo dos meus irmãos e conhecer mais meus pais. Agora vidas, destinos quem escolhe são seus donos. Não se julga vidas. Faço aos outros o que gostariam que fizessem pra mim, por isso sou justo num mundo injusto. Se me machuco e sofro é

porque manuais são lidos e não são seguidos. Nem sempre o bom é o melhor e experiência não é conquistada com a idade, mas com observações do mundo. Manuais não são seguidos porque deles se espera a perfeição e uma hora vamos falhar. Thales Barreto

Segunda-feira, 7 de Maio de 2007
Cabelos negros contrastando com um manto branco. Pele avermelhada devida a timidez apaixonante. Sutileza impressionante. Olhos escuros e olhares inspiradores. Boca rosada. Sorriso encantador. Voz suave e mãos... Mãos delicadas como ela. Menina linda será que sabe de sua beleza? Talvez sua timidez seja mais um feitiço de sua magia. Thales Barreto

Quarta-feira, 9 de Maio de 2007
O sorriso. Os dentes Os lábios. Os olhos castanhos. A sobrancelha. O cabelo. O rosto e sua cor delicada. Sua fala discreta. Sua presença encantadora. Suas palavras. Seus escritos... Seu único defeito é amar o vermelho. Thales Barreto

Domingo, 13 de Maio de 2007
Vomitei poesias e engoli sonhos. Já inventei milhres de beijos pra milhares de bocas. Já sonhei vidas do lado de várias pessoas que acha possível. Já morri tantas vezes que nem sei se estou vivo. Já me apaixonei tanto que só sei viver de amor. Vomitei poesias e engoli sonhos. Me cortei com palavras apaixonadas. Morri de tédio em declarações de amor. Queria pegar um trem e sumir, evaporar. E esse amor que quero e não sinto.

Esse amor que peço em silêncio e nem olhares recebo. As vezes acho que quero um carinho que ninguem tem pra me dar. Thales Barreto Maio/ 2007

Terça-feira, 15 de Maio de 2007
Outra noite Páginas em branco Gritos, pequenos barulhos Os nossos gemidos Os lencóis desarrumados Nossas bocas, seu cabelo. Sonhos, lâminas, amores. O que sem amor vale? Até a dor de um ex-amor ajuda a te reerguer. A noite termina apenas no beijo. Os olhos se fecham. Amanha será outros os amantes. Thales Barreto

Quarta-feira, 16 de Maio de 2007
Olhos castanhos às vezes esverdeados O contorno da boca e a perfeição do nariz As maças rosadas. O lindo cabelo e a franja O pescoço delicado e cheiroso. Os ombros, braços e as mãos fortes O peito... Coisas que ainda não sei. As costas macias e ainda não marcadas. Pernas... Frente e verso Para eu explorar Pés no coturno que duro demonstra a personalidade Forte e a doçura De meu novo amor... Thales Barreto Abril/ 2007

Sexta-feira, 18 de Maio de 2007
Num dia de tédio Acho que vou morrer num dia de tédio como esse... Onde tudo que mais quero é ocupação pra mente. Alguma coisa pra criar, inventar, fazer... Alguma pessoa pra ama. E um sonho pra viver.

Queria um mundo só pra eu mudar... Um amor só pra eu viver Um gato só pra ouvir ronronar E uma boca pra beija. Queria idéias minhas. Lutas próprias e carinhos Só pra mim Queria viajar... Conhecer o mundo E não perder tempo... E também não queria morrer num dia de tédio... Como esse... Thales Barreto Maio/ 2007

Domingo, 20 de Maio de 2007
Caderno de espinhos Caderno de espinhos Antigos amores Caderno de espinhos Velhas poesias Caderno de espinhos Novos amores Caderno de espinhos Preciso de ar Caderno de espinhos Você não voltou Caderno de espinhos Velhos desejos Caderno de espinhos Mentiras Caderno de espinhos Sangrando Caderno de espinhos Novas poesias Caderno de espinhos Já te esqueci Caderno de espinhos Um sonho Caderno de espinhos Livro de espinhos... Thales Barreto Maio/2007

Segunda-feira, 21 de Maio de 2007
Linhas... Já derramei muitas lágrimas. Gritei. Berrei seu nome em desespero. Quis o silêncio pra sentir a morte mais perto. Quis sentir uma dor maior logo após não ter mais sua boca pra beijar e seus cabelos amarelos pra alisar. Minhas mãos não sabiam achar outra coisa

se não seu corpo e hoje estão vazias. Sem você por perto. E por mais que isso seja dolorido pra mim o sorriso que tenho em meu rosto não é falso. Ele que tinha desaparecido depois de suas atitudes está voltando. Queria saber qual a sua reação quando soubesse de meu sucesso. Tenho me exposto mais. Vivido mais. E melhor. Sinto a sua falta pra me esquentar na cama nas noites frias. Mas tenho te substituído pelos meus animais de estimação. Minha gata tem me acompanhado nas minhas jornadas. Ela que você tanto desprezou é quem ocupa seu lugar nas promessas de me acompanhar. E é ela quem tem feito a missão que você não soube cumprir. É ela quem tem feito eu sorrir todas as manhas e dizer que cada segundo depois de você vale muito mais a pena. Depois que você saiu da minha vida. Ela retomou seu caminho de felicidade. Dedico a você apenas boa sorte. Porque estou muito bem. Estou melhor do que quando me encontrou. Não estou perdido estou muito bem tratado. Em outros braços e longe de você. Thales Barreto

Sexta-feira, 25 de Maio de 2007
Risquem as manhas dos meus dias. Prolonguem a noite. Digam que nunca amei. Que fui cruel, mau. Revelem apenas minhas fraquezas. Minhas infidelidades. A certeza que tudo acaba mau E que sorrisos são sinais de burrice por que só existe dor entre as pessoas. Eu nunca amei. E sou feliz por isso. Thales Barreto Maio/200

Sexta-feira, 25 de Maio de 2007
Aprendi com você que desprezo é lembrança. E que amor é frescura. Das maiores dores que tive você foi a mais fútil delas. Hoje ando sorrindo, amando mais. Mil garotas já me amaram Você é a ultima da lista É a pior de todas. Thales Barreto Maio/ 2007

Segunda-feira, 28 de Maio de 2007
O se apaixonar no primeiro olhar e acreditar que pode dar certo sem mesmo saber seu nome.

Na parada de ônibus nossos olhares se cruzam. Seu cabelo e teus olhos, um azul claro gritante, me chamam a atenção. Sentado ao seu lado observo a mão pequena e as unhas grandes. Os anéis e os sonhos. O seu rosto de menina precisando de amor e proteção e eu tão sozinho. Desejos. Nossos. Conversamos nos intensos olhares. Te desejo sem saber nada de você apenas que seu olhar fala com o meu de uma maneira embriagante. Te amo. Thales Barreto

Segunda-feira, 28 de Maio de 2007
As rosas... As rugas e as flores. Nossos beijos e os sonhos. Os desejos, os sentidos. Teus olhos. Nossa boca e nossos beijos. O destino na palma da mão. A felicidade de estar com você. As palavras sussurradas em seu ouvido... O gemido, nossos corpos... A confusão do prazer... Amanhecer com você em meus braços... Thales Barreto

Quarta-feira, 30 de Maio de 2007
Texto Negro: Obsessão Verdes... Vermelhos Amarelos. Lua cheia O brilho da lua ilumina meu rosto Penso em você sua franja. Seu cabelo Desarrumado de paixão. Nos seus lábios mordidos Nos teus dentes retos Na face em tua mão. Carne com carne Olhos nos olhos Tesão Sussurrando paixões que não existem. Corpos suados sujos Chocolate. Mordidas. Fogo. Oração. Reviram-se mentes, línguas. Mãos perdidas e confusas.

Busca-se o ponto, o piercing. Unhas na medida do prazer. Lábios da cor do pecado, do desejo. Do tamanho do vermelho. A convulsão dos corpos. O máximo no olhar. Desperto de cara pra tua foto e suspiro. Angel. Thales Barreto Abril / 2007

Quarta-feira, 30 de Maio de 2007
Neurose Deixo marcas de dentes em seu corpo. Seus gritos, gemidos, sussurros fazem meu corpo tremer. Beijos deslavados, descordenados, enlouquecidos. Cabelos puxados... Olhares de desejo O calor cerca nossos corpos Sinto seu cheiro, seu gosto em minha carne... Minha boca procura cada milímetro de você E perdido me entrego apenas aos instintos. Loucos. Febris. Apaixonados... Indecentes. Menino mau e menina má. Par perfeito. Par que os olhares inocentes apontam como santos. De perto dois demônios. Que na cama ou em qualquer lugar fazem maldades. Thales Barreto Abril/ 2007

Quinta-feira, 31 de Maio de 2007
Não sei Te amo e não sei quando começou Não sei se foi no primeiro beijo Na catedral iluminada de laranja Não sei se foi na primeira vez que te vi Ou se foi agora Embora à distância ainda Sinto suas costas macias Na palma das minhas mãos Seu perfume, seu sorriso... Encabulada de tesão. O rosto corado e os olhos brilhando A voz suave falando de coisas da vida As mãos exatas... A paixão O permitir carinho... A doçura selvagem... Mil formas de amar você.

Thales Barreto – Abril /2007

Quinta-feira, 31 de Maio de 2007
Venho procurando respostas Para as perguntas que já nem sei. Venho buscando abrigo Em corações desconhecidos Já tive mais medo, mais frágil Exagero sentimentos Amores, mortes, dores... Busco paixões verdadeiras De quem nem sei. E a necessidade louca de amar De carinho... De busca De mim, do que não sei... Thales Barreto – Maio /2007

JUNHO
Segunda-feira, 4 de Junho de 2007
Musas... Seu sotaque e seus olhos cor de mel... A atenção... A dedicação... A alegria... Meu amor Quero provar sua boca E me perder em seus olhos. Quero percorrer o Brasil Nas curvas do teu corpo... Estados e mais estados O amor e o pecado... Desejos de um iniciante Você o amor do resto Do meu tempo... Thales Barreto – Junho/ 2007

Segunda-feira, 4 de Junho de 2007
Musa... As formas perfeitas e os olhos cor de mel. O cabelo negro e belo. Como adjetivar a perfeição? Como não se intimidar diante de tanta maravilha? Não tem como não se encantar ao ser atingido Pelo ar que você respira.

Não te amar seria um ato imperdoável. E como conquistar tão belo ser? Como sentir seus lábios? Nem milhões de palavras te descreveriam Tão bem quanto a PERFEIÇÃO. Agradeço a Deus por poder te admirar... Thales Barreto – Junho/ 2007

Segunda-feira, 11 de Junho de 2007
Ilusões... Varro o mundo Cruzo estradas Atravesso cidades Varo madrugadas Busco no lixo amores Amores desperdiçados Vou atrás do sorriso Idiota de criança E te encontro... Deitada na cama De outro... Thales Barreto – Junho /2007

Segunda-feira, 11 de Junho de 2007
Sentidos O Exagero e o doce O amargo do sangue O gosto da boca Paisagem pro olhar A pele nua O sexto sentido Os corpos em um só. O calor... O lábio mordido E as unhas nas costas O desejo e os sonhos O fogo... Vermelho! Amores depois do amanhecer. Thales Barreto – Junho /2007

Domingo, 17 de Junho de 2007
Coisas...

Sol que nasce torto A manha dos apaixonados. Toda a noite é dos desesperados. A escuridão vazia e cega do amor. A bala perdida que encontra o peito As pequenas crianças africanas O maldito sol que arde. Terras sempre prometida Vaga ilusão de céu, Vago sonho de amor. Fé no que sentimos. Thales Barreto - Junho/ 2007

Domingo, 17 de Junho de 2007
Especial Queria te abraçar... Sentir a tua mão... Tua boca... Teu peito batendo acelerado... A delicadeza da tua pele... Ver no fundo dos teus olhos a alma doce De quem quer descobrir o mundo... E de quem precisa só de um abraço apertado... Por segurança... Queria ver o seu sorriso abrindo calmamente... E ficar admirando seu dormir... Após beijos e sonhos... Queria a eternidade do seu lado... Te amo. Thales Barreto - Junho/ 2007

Segunda-feira, 18 de Junho de 2007
Palavras... Respirar o ridículo da vida. Mil formas. A mão sobre a face. O carinho. Atenção. Dores delicadas do parto. Perto do seu olhar fixo. Nasce a esperança... Chorando. Thales Barreto - Junho/ 2007

Segunda-feira, 18 de Junho de 2007
Do ato de esperar Sempre espero amores sinceros... Amores sinceros das bocas que beijos... Das bocas que olho... Dos olhos que passam por mim... Pelos meus olhos... Espero amores impensados...

Espero carinhos de um ditador... Espero beijos de uma musa imaginária... Espero... Talvez nao tenha calma... Mas pro amor... Espero sempre... Te amo. Thales Barreto - Junho/ 2007

Terça-feira, 26 de Junho de 2007
Lua.. Lua... olhos negros rosto encantador redondo... feliz os dente de linhas retas E a boca que me atiça Braços longos, brancos meu mundo em suas mãos cuidadas... Cuidando de meu corpo... Te abraço com meus braços magros Aperto seus corpo... Sinto medo de me perder em você Em sua magia... Em suas confusões Já não sei mais onde estou... Só sigo os redondos olhos negros... Delírios. Thales Barreto - Junho/ 2007

Quinta-feira, 28 de Junho de 2007
Esses olhos negros de olhares duvidosos De coração doce e de palavras inteligentes. Olhos de interrogação assustadora De uma paixão, de um desejo ensurdecedor. De uma timidez reveladora De um amor que eu não tenho. Pele macia, clara. Doce de ver. Pernas... Mãos... Cabelos... Um sorriso encabulado Deslumbrante. Seu corpo deitado ao luar... Sonho... Iniciante... Thales Barreto – Junho/ 2007

Sexta-feira, 29 de Junho de 2007
Não Matarás!

Não matarás! “Homem é espancado até a morte em Passo Fundo” Não matarás! “Menino é arrastado sete quarteirões no Rio de Janeiro” Não matarás! “Casal é morto na frente do filho de sete anos” Não matarás! “Adolescente de 19 anos é morto a facadas em São Paulo” Não matarás! “Rio: quatro jovens são mortos dentro de condomínio” (Terra – Polícia) Não matarás! “Francês é morto em bairro Paulista” Não matarás! “Mulher é morta a facadas no Rio” Estamos ou não perdidos? Boa Sorte. Thales Barreto

Segunda Parte. Textos.
Outubro / 2006

Sexta-feira, 20 de Outubro de 2006 Questão de amor Assim como todos os dias ele fez de novo. Levantou, saiu de casa rumo ao trabalho e deixou-a lá, abandonada. Seus cabelos loiros curtos na altura do ombro, sua pele clara e seus lábios rosados repousavam. Ao abrir seus olhos suaves nada encontram no quarto a não ser um pequeno bilhete. “Os dias que passeia aqui foram os suficientes para comprovarem que nada sei de mim nem de você. E as palavras que um dia te disse, hoje já não fazem mais sentido, pra nem um de nós dois. Não preciso mais torturas minha mente achando que um dia saberei de tudo que nos envolve. Nada mais faz sentido.” Em um instante seu coração que batia suave, acelera, descontrolado, desordenado. Ele havia saído fazia pouco tempo, mas já estava faltando. Parecia que seu desaparecimento havia ocorrido há muito tempo, mas na verdade eram apenas horas. Quando foi que tudo terminou? Um dia isso será que começou? Seus olhos azuis e claros logo ficaram vermelhos e as lágrimas começaram a rolar. O dia passou sem mais sentimentos, as horas iam corroendo suas energias. Pés descalçados, olhos fixo num quadro parado. Em uma mão um copo, dentro dele o sangue dos deuses, no outro um relógio. Presente dado pelo homem que fugiu, e deixou vagas respostas para seu sumiço. Terminava uma relação e a única coisa que ela se

perguntava era, Havia começado? Porque tantas guerras de sentimentos, tantos egos colocados à prova, tanta força por disputas por domínios se o que restava agora um relógio e garrafas quase vazias? E o amor? Onde foram tantas juras tantos carinhos se hoje nem mais os olhos se cruzam. Já era madrugada quando decidida a mudar a historia de sua noite ela decide levantar sair daquele lugar buscar abrigo. Mesmo sem condições depois de litros e litros ingeridos ela sai. Pega seu carro e volta para casa de seus pais. Nessa hora ela está irreconhecível. Seu rosto desfigurado pela bebida e pela dor que toma conta de seu corpo, seus sentimentos desaparecidos. Completamente desiludida ela aparece em frente de seus pais. Nada é como era antes e ela novamente chora. Seu destino estava nas mãos de um sujeito que nem do destino dele sabia cuidar. O sono justo é a saída, amanha será mais um dia. O sol nasceu, os pássaros cantam abafados pelos motores nervosos de mais um dia na cidade grande. Cimento, cinza e sem coração. As flores desapareceram, as pessoas que um dia aqui moraram agora são máquinas e a menina apaixonada só sabe que perdeu o amor que nunca teve por não saber ser ela. Sem sua identidade, sem ser ela acabou sendo dois, a vida toda.

Thales Barreto

Março
Terça-feira, 20 de Março de 2007 Você já teve vontade de desistir? Um sonho esbarra em regras. Esbarra em erros. Futuros são decididos entra A e E, e você tem que saber qual esta certa. Papeis frios, máquinas geladas selam seu destino. Não importa o que você pensa (se você pensa) importa a marca que você fez. O urubu apenas observa você... Sua sorte pode ser se jogar do alto de um prédio e morrer junto com seus sonhos, seus ideais. Tem horas em que você não pode ser único, ser exclusivo. Existem momentos que tudo parece difícil. Você é jovem demais para saber o que é realmente difícil. Daí esbarra em você, nas suas limitações seus defeitos. Voltamos pro alto do prédio... Vai se jogar ou vai preferir quebrar a cara num outro momento? Afinal acontece sempre. Você precisa quebrar a cara, dar sangue. Posso dar um conselho a seu filho? Não sonhe! Sonhos são para os fracos, sonhei a vida toda... Agora apenas penso no que não fui, nas minhas frustrações e nos meus desejos não realizados... Em tudo que podia ter sido e por burrice ou panaquice não fui. A única coisa que sou nessa vida é mortal! Do resto ainda traga sonhos, embora já esteja perto do fim trago eles comigo... Um louco, idiota como eu ainda não aprendeu que não se deve sonhar... Agora to no alto do prédio novamente... E tenho medo de pular... Thales Barreto – 26/06/2005 Sábado, 17 de Março de 2007 Se eu morrer não chore não, é só a lua Era a imagem do que não era. Sorriso da alegria que faltava. Da felicidade perdida nas mudanças que sua vida lhe pregou. Pronta pra esquecer o que estava vivendo. Ele também estava sorrindo. Seu coração sangrando e seus lábios entre

abertos. Dentes a mostra. Sorriso que havia perdido com a solidão que tomava conta de seu tempo. Prontos pra festa. Amigos, pessoas, novas canções. Lembranças de um amor que eles têm e queria não sentir mais. Você vai lembra, sim... Você vai lembrar de mim... Os olhos se fecham e por um instante os dois voltam no tempo. Voltam há pouco tempo, onde carinhos e palavras de amor eram trocados sem restrições. Hoje se luta contra o que se sente em nome de uma coisa que não se têm. Solidão amiga do peito... Dias em casa sem nada pra fazer. Sonhos guardados no fundo da mente. Falta carinho. Consolo para a perda temporária de esperança. Tudo acabou. Tudo se foi. Menos a vontade incontrolável de mudar as coisas. De sorrir verdadeiramente. O futuro é um quarto escuro... E nossa mente é a luz dessa escuridão. A força de nossos sonhos nos leva pra frente. Motivada por desejos e por amores. Amores que temos. Amores que somos. Você não ligou quando eu disse para ter cuidado E tinha razão você precisa ser livre... Liberdade subjetiva. Pra que tanta liberdade se seu coração está preso no passado? Se sua vida está no passado? Se seu coração não segue suas atitudes. E contrário a tudo sangra. Eu não entendo a sua volta Eu não entendo a sua indecisão Num dia sou o seu grande amor No outro dia não, não, não... Os olhos se fecham agora para dormirem. E nos sonhos viver o que o passado deu de bom e sorrir de verdade. Ao seu lado. Thales Barreto

Abril
Quinta-feira, 26 de Abril de 2007 Falso Amor Tarde chuvosa e gelada. Escrevo mais uma vez pra buscar você. Seus olhos e seu cabelo. Seu amor que por pouco tempo tive. Sem juras sem escolhas sem palavras e sem compromisso. Me perco naquilo que imaginei. Nos sonhos solitários que criei pra nós dois. Nessas tarde que me desmancho atrás de carinhos, de afeto. De seus beijos. Engulo o café como quem cria sonhos. Aos poucos. De maneira sutil. A cadela apenas me observa como se quisesse dar conselhos. A gata já desistiu. Me acompanhava toda a manha agora apenas resmunga quando tem fome. As velhas roupas ainda me cobrem. Espero sua voz delicada sussurrando em minha orelha. Fazendo mil pedidos, mil palavras que você não diria se não estivesse louca assim. Coisa que me encanta em você. Sua voz tenta ser escutada pelos meus ouvidos. Podia ter gravado algumas frases suas. Podia ter eternizado seus lábios se movimentando na minha frente. Hoje apenas as lembranças mais marcantes tenho de você. Seu beijo, algumas expressões só tuas. A maneira de falar. A delicadeza nas mãos marcadas, com um rosto. A sutileza do piscar. Do olhar. Do carinho que transmite pra quem ta do seu lado, só no respirar. Para de chover. O frio cresce. A minha solidão também. Caminho lentamente até o quarto. Me deito na cama. Abraço forte um pequeno travesseiro e tento repousar. Sonhar com algo diferente de você. Com algo que mais perto posso ter. A distância me anestesia. Me deixa imóvel. Sem ter muitas coisas pra fazer. No olhar pro lado imagino um dia ideal. Certo. Justo. Seus olhos me acompanham lentamente. Separados e juntos. Que Deus é esse que separa o desejado de seu desejo?

Thales Barreto

Terça-feira, 24 de Abril de 2007 Manhãs rasgadas Encolhido, como um feto, durmo em meu leito. O calor é infernal, mas estou tapado. Meu edredom antigo me cobre o corpo. Estou suando, mas ainda sinto frio. O despertador me acorda confuso e com sono. Levanto cambaleante e vou até o guardaroupa busco algo que cubra minhas carnes magras. Visto as primeiras peças mais limpas que encontro. Abro lentamente a porta de meu quarto e ela parada me olha. Falo qualquer coisa e caminho em direção da cozinha. Ela que muitas vezes fugiu de mim agora me acompanha. Resmunga algo que nem que quisesse entenderia. Preparo um café e ela sentada aos meus pés me observa. Seu pêlo e seus olhos me encantam. Me agacho vagaroso e estendo a mão. Uma segura a xícara de café frio que tomo aos poucos a outra alisa sua pele. Atrasado e solitário deixo pra trás aquela que muitas vezes me deu seu desprezo. Retorno ao meu quarto separo papéis, vou ao banheiro, me lavo, pego os papéis e saio. Ela está deitada tímida na cadeira da mesa. Retorno de mais um dia conturbado. Atividades que não precisaria e coisas que amo. Volto pra meu pequeno pedaço. Estou cansado e com dores nas costas. A solidão tem prejudicado minhas costas, elas não recebem uma massagem há meses. Vou até o computador e busco algumas coisas que tinha que ter terminado já faz tempo. Queria terminar aquele livro de poesias, mas as atividades do dia-a-dia tem me ocupado todo o tempo. Sem perceber ela esta nos meus pés. Olha como se pedisse atenção. Quer carinho que a muito não ganho. Esse amar fulminante que sinto e que talvez não devesse sentir. Meus poros exalam paixões das mais variadas. Das realizadas, das platônicas, daquelas que desconheço. Mas a felina continua a me olhar com os pequenos olhos de quem tem afeto mesmo depois do desprezo. Fico pensando no que mudou desde que ela veio morar comigo. Porque agora que estou mais velho ela me dá a atenção que precisava quando era mais novo? Porque quando mais precisei, ela fugiu de mim? Porque fico só quando preciso da multidão? Com os porquês que cercam minha mente vou para o banheiro. Preciso retirar o odor que toma conta do meu corpo, grudento e nojento. Mais refrescado deito em minha cama. Seminu, observo o teto e a lâmpada. O velho som, a pilha de CDs, os livros que não terminei de ler. Penso em você. Ela sem eu saber o motivo segue em minha volta. Agora deita ao meu lado. Sem movimentar ela levanto fecho a porta, desligo a luz e me deito. Estamos juntos em mais uma noite quente que irei morrer de frio. Thales Barreto

Domingo, 22 de Abril de 2007 Lua e sol Naquela noite a lua aparecia em seu máximo e ela deitada na cama se mostrava. A pele de vela, os cabelos negros, as mãos grandes. Enrolada em sua camisola lilás ela se revira na cama. Tenta dormir. Eu sentado em minha poltrona tento me distrair com um livro barato. Mas meus olhos não se concentram nas páginas e buscam as formas perfeitas da menina que sem querer apenas provoca. Meus pensamentos vão alem de

minhas visões. Tento retornar ao meu livreto. Mas a história de José e sua solidão na rua não estão mais interessante que as formas que meus olhos persistem observar. Decido me levantar e aproximar aos poucos. Seu rosto está coberto por um lençol de seda vermelho. Descubro e mesmo na penumbra vejo seus olhos molhados. Sem saber o motivo que minha linda musa chora começo a dizer palavras que a acalmem. Ela ergue a cabeça e me olha com um rosto vazio. Perdido. A solidão que transtorna está estampada em seu rosto. Não sei o motivo, sempre estive ali cercando de maravilhas aquela donzela. E agora seu olhar abandonado me assusta. Deito ao seu lado. Abraço firme e sussurro em seu ouvido. Limpo suas lágrimas e ali em meus braços ela repousa. Os primeiros raios de sol atravessam as cortinas. Ela permanece dormindo em meu peito. Passeio minhas mãos em suas costas. Sinto a maceis do tecido que cobre seu corpo. Ela desperta. Seu rosto está tranqüilo. Seu cabelo permanece intacto como se não tivesse dormido. Seus olhos castanhos agora transmitem paixão. Parece agradecer por eu estar ali ao seu lado. A solidão que outrora sentia se transforma no amor que devera sente. E sem eu esperar me beija. Desconcertado com toda aquela cena apenas digo seu nome. Amanda. Thales Barreto

Maio
Sexta-feira, 4 de Maio de 2007 Amores passageiros, solidão Sentada na sacada de sua casa observa os carros passarem. Seu cabelo caído no rosto e os braços cruzados a boca cerrada e uma lágrima escorrendo tímida de seus olhos já vermelhos. Ela tenta segurar o que não consegue mais agüentar. Acabou. Está cansada das noites em braços estranhos em bocas estranhas por apenas mais um desejo de se afirmar de se mostrar. Quer afastar a solidão que está cravada em seu coração. Mas será que é em braços diferentes que ela irá encontrar a saída da solidão? Qual o melhor caminho se não retornar ao amor? Não ao antigo, mas aos novos amores? A uma paixão arrebatadora, alguém que lhe queira de verdade que esteja disposta a ajudar nesses momentos. Os carros passam, a noite cai tímida, as lágrimas já não existem mais. Novamente ela retorna pra sua cama sozinha. Abraça sua pelúcia e dorme. Não são os amigos da internet nem aquela velha lembrança que ela agarra como se fosse a ultima coisa que tivesse na vida. Amanha novas palavras serão ditas. Mentiras serão contadas pra distrair sua dor. E a solidão segue em seu peito embora no rosto ainda um sorriso insiste em permanecer. É o coração que sangra com desejos que não conseguiu realizar. Não conseguiu fazer ele feliz agora sonha que isso seja realizada por outra. A felicidade volta com o tempo com novos amores e novos sonhos. As possibilidades de felicidade são únicas. Faça o melhor de você. Se entregue sem medo para o amor. Ele é o caminho. Thales Barreto

Segunda-feira, 7 de Maio de 2007 Contra Manual

Já li milhares de manuais de vida. Modos de como agir em situações de crise. O que devo e não devo fazer. No que devo acreditar cegamente e no que devo me manter distante. Já me disseram que sentimentos não nos tornam donos das pessoas, já me disseram para aproveitar mais a juventude. Me criaram ilusões e mundos perfeitos. Pessoas que devia seguir e não me preocupar. Ser honesto, fiel, sincero, companheiro. Ser amigo dos meus irmãos e conhecer mais meus pais. Agora vidas, destinos quem escolhe são seus donos. Não se julga vidas. Faço aos outros o que gostariam que fizessem pra mim, por isso sou justo num mundo injusto. Se me machuco e sofro é porque manuais são lidos e não são seguidos. Nem sempre o bom é o melhor e experiência não é conquistada com a idade, mas com observações do mundo. Manuais não são seguidos porque deles se espera a perfeição e uma hora vamos falhar. Thales Barreto

Quinta-feira, 10 de Maio de 2007 Abraço Curto Perdido bêbado e sentado na sarjeta ele espera olhando fixamente pra janela da casa de sua amada. Ela está nesse momento dormindo. Seus cabelos amarelos e seus olhinhos azuis estão repousando. Descansa em sua cama macia tapada com vários edredons. Seu corpo frágil de menina amada esta encolhido deitado como se estivesse sentada. Ele raciocina lentamente como fazer pra acordar sua donzela com palavras bonitas, sem medo. Nunca se declarara antes embora seus olhares já tivessem se cruzado e traído ele várias vezes. Era um casal sem ser. Era beijos sonhados. A cerveja já não cabe mais no corpo magro do menino que com sua jaqueta de couro observa os ônibus que cruzam o local pronto para deixar seus passageiros. Cantarola uma música, pensa em sua amada de cabelos claros em seus braços com seus olhos pedindo alguma coisa que ele não sabe definir se é um beijo ou doces. Levanta vagarosamente e vai até a grade da casa da menina uma cadela se aproxima assustando o garoto quês e distancia rápido, parece ter um momento de lucidez em meio a tanta bebida. Logo o álcool e a paixão tomam conta do menino que sem saber o que está fazendo bate palmas. Grita o nome da amada. Mas nenhuma resposta chega até ele. No quarto assustada achando que estava tendo um pesadelo a menina abre seus tímidos olhos azuis para ver que horas são. Esta amedrontada, mas escuta novamente os gritos que chamam pelo seu nome. Ela reconhece a voz tímida de seu futuro alvo. Menina esperta experiente sabe brincar fácil com corações, mas se perdeu com o seu. Já não sabe mais o que é certo fazer a não ser rasgar manhas perdidas. Em bocas de desconhecidos, ou novos amigos. O jovem apaixonado grita sem saber o que faz. Inconsciente só pensa nos lábios que um dia quer provar. Grita, berra e nenhuma resposta lhe vem. Sem sentido algum de amor próprio parte para a porta, grita, clama por seu amor e toca a campainha. Já não quer mais saber quem ira acordar. Quer fazer a declaração que de cara limpa não fez, quer mostrar que ama uma menina que não lhe dá valor. Amor não é medido por trocas, mas por coisas que se faz ou não se faz. Ele estava decidido a arriscar sua imagem de bom menino por um só olhar de sua amada. A porta se abre lentamente ela sai atrás dela sua mãe. Bêbado e sem controle do que faz ele apenas caminha em sua direção diz que a ama e cai. Acorda em sua casa com um bilhetinho ao seu lado. “Amor, me fui. Não vamos dar certo. Não perca seu tempo comigo. Te amo, mas não sei nem gostar de mim. Não posso querer cuidar de você.”

Thales Barreto

Sábado, 12 de Maio de 2007 Definições É meio estranho, mas todos nós sabemos que um dia vamos morrer. E porque esse medo louco de não perder as coisas, essa guerra na paixão. Esse sofrer todos os dias em busca de uma felicidade desesperada ao invés de só sermos felizes e ponto. Porque tantas preocupações com a idéia dos outros se nem nós sabemos controlar nossas idéias? Que inferno é esse de querer amar de ter que ser amado e de ser reconhecido uma hora pelas coisas que você faz. Por que essa crueldade toda em nossos corações? Porque essa vontade maluca de se sentir amado quando você é tratado como um ser mais que único. Porque esse desespero atrás de carinho, de um carinho que você recebe mais do que o necessário. Porque dores por uma coisa que já não se quer mais. Porque lutar contra você mesmo se nem tudo é só sorriso. As dores que senti em volta do meu pescoço às vezes voltam, são passageiras. Preciso de amor, de carinho de futuro ao lado de alguém. Não consigo definitivamente ser sozinho. Sei dessa maluquice de não sofrer por quem não te merece, sei que tudo um dia acaba assim como a minha e a tua vida. A tristeza parece que às vezes mora em mim, faz parte do meu sangue, do meu corpo, e não quer sair. Não adiante me ferir. Ele parece um vírus incurável. Tristeza dores e amor. Vírus que estão no meu sangue. Me dêem o limite do amor. Já que nem a morte comum de todos nós separa isso da gente. Thales Barreto

Domingo, 13 de Maio de 2007 Quem saiba exista vida no amanhecer. Numa tarde cinzenta a porta o meu pequeno quarto se abre e ela entra lentamente. Seus olhos estão vermelhos e seus cabelos bagunçados. Sua cara está inchada. Levanto rápido e busco confortá-la com palavras que não sei, não consigo conforta as pessoas em momentos de crise sempre acho que estou falando alguma bobagem perguntando alguma coisa que não devia. Deitei ela na cama como se implorasse pra ela relaxar. Suas mãos de unhas curtinhas roídas tapam seu rosto. Ela quer se esconder do mundo, muitas vezes me senti assim como ela, querendo desaparecer, descobrir o meu real valor com as pessoas buscando onde cada uma sentiria falta de mim, sempre tive a necessidade de aparecer, de ser lembrado. Talvez esquecendo de mim sempre valorizei todas as pessoas que estavam do meu lado. Pouco me sentia valorizado. Deitado do seu lado alisava seu cabelo ela apenas chorava sem dizer nada. Em posição fetal ela soluçava. Minha preocupação crescia a cada segundo mais não tinha noção do que havia acontecido com a pessoa que eu mais amava. Tentei fazer ela falar se alguma maneira. Disse que estaria com ela até o fim. Foi ai que ela retirou as mãos do rosto me olhou e disparou: “Esse é o final. To grávida de outro. Eu te amo.” Sem reação nenhuma fiquei olhando para ela. Parado. Apenas respirava. Na minha mente milhões de momentos de dedicações por amor. Por ela pelo crescimento

dela e agora uma porrada dessas. As desilusões passam na sua frente, e a palavra traição só pode ser usada quando você realmente acha que aquela pessoa não faria determinada coisa pra você. Eu nunca esperei aquilo dela. Estava agora eu com a cabeça dela em meu colo mudo. Com as mãos em seu cabelo com ela na minha cama, mas sem mais nada. O amor estava ali, mas não tinha mais condições e eu lutando contra eu mesmo pra me dar o direito de amar. De ser amado por uma pessoa que aos prantos dizia que estava grávida de outro, mas me amava. Que troca é essa? Que mundo é esse onde o prazer do segundo vale mais que o sonho de uma vida? Descartáveis por natureza? Cadê o amor que eu plantei em nossa relação durante todos os dias? Ela se levantou se despediu de mim e saiu lentamente pela porta, antes recolheu algumas coisas dela que estavam por ali e me deixou definitivamente sozinho. Nunca mais a vi. Só uma coisa eu não consegui dizer de coração. Eu não perdoei. Nem ela nem eu. Não terei outra oportunidade de perdoar. Ontem ela se foi. Deixou um filho pequeno. Soube por amigos em comum que suas ultimas palavras foram “Eu te amo” e disse meu nome. Nunca desejei aquilo. Sinto a dor de ter perdido ela de vez. Mesmo sem suportar ela de volta. Eu perdi ontem meu amor. Agora procuro motivos pra estar por aí. Quem sabe outros lábios mais doces me encontrem. Quem saiba exista vida no amanhecer. Quando os lençóis serão revirados novamente por amor. Quando vamos parar de respira e viver? Thales Barreto Domingo, 13 de Maio de 2007 Eu nunca tive vocação pra otário Chovia uma dessas finas chuvas de outono. O frio era grande. E ele estava sentado no seu sofá velho olhando pela janela os carros de todas as cores que passam pela rua em frente a sua casa. Seu pensamento é distante. Nas mãos segura apenas uma xícara azul de café. Seus olhos não demonstram a felicidade que sente. Seus sentidos estão trocados. Espera que ela com seu cabelo negro, seus olhos castanhos e seu rosto delicado venha lhe dar um pouco do carinho que ele busca, finge não ter. Ainda olhando a janela ele pensa em seu novo amor. Sua voz suave e seu jeito encantador. Uma timidez quase ensurdecedora. Algo que encanta qualquer um. Espera que ela seda. Que ela deixe o medo de lado. Que acredite no que ele diz, nos sentimentos que nascem só com o tempo. E nas trocas de olhares. Ele relembra os momentos que tiveram perto um do outro. Lado a lado. E o silêncio que dominou os dois nos poucos minutos que sentiam um o perfume do outro. Sem perceber ele adormece olhando a chuva. Quer buscar aquela colorada em seu sonho. Seu novo sonho de amor. Pelo menos que assim ele possa tocar seu cabelo macio e negro. Sua pele avermelhada e doce. Ter ela em suas mãos ali, dormindo, era possível. Sonhador repousa. Ele não sabe o que será de seu amanha. Só sabe que ama e não é amado. Como todos nós. Thales Barreto

Quinta-feira, 17 de Maio de 2007 Olhos nos Olhos

Era noite e seus passos seguiam apressados. Ele não queria chegar em casa depois dela. Não tinha nenhum motivo específico. Não tinha nada para esconder. Pelo contrário, queria fazer uma surpresa. Preparar algo mais para uma noite que tinha tudo para ser especial. Velas, meia luz. Uma mesa cheia de flores. Vinho tinto. Seco e suave. Bombons, chocolate. Caixas de presentes. Tudo por amor. Coisa de um apaixonado que tinha novidades para o casal. O futuro estava batendo na porta e a viagem para a Europa estava prestes a se realizar. Ele toma banho prepara o jantar e espera ela de terno e gravata. Vestimenta especial para aquela noite peculiar. Sentado na ponta da mesa abre a primeira garrafa de vinho da noite. Escuta Chico Buarque. De frente pra porta Espera ela chegar. Ela havia prometido chegar mais cedo nessa noite, mas pelo visto vai chegar no horário de sempre. Ele espera. Está feliz. O seu amor recompensa a demora. Ele a ama. Já são onze e meia. A segunda garrafa já está aberta e pela metade. Ainda segue tocando a discografia de Chico no som. Ele segue na ponta da mesa de frente pra porta esperando ansioso que ela seja aberta e que dela surja seu amor. É nesse momento que ela se abre lentamente. E cansada Ela invade a casa sem perceber todos os enfeites, os presente, e a meia luz. A música ambiente e as velas. Ele recepciona sua amada com um largo sorriso desprezando os minutos que a esperou. Ela não responde seus comprimentos e passa reto para o quarto do casal. Ele vai de atrás surpreso. Ela abre o guarda roupa e começa a pegar suas peças. Abre uma mala e sem falar nada, apenas chorando joga tudo dentro dela. Ele perdido sem saber o que está acontecendo questiona agora aquela desconhecida que está em sua frente. Ela aparentemente transtornada o encara. Olhos nos olhos. E entre lágrimas e um sorriso indiferente ela apenas diz que está partindo. Ele reage. Questiona se é um novo amor. Dissimulada ela diz que não. Deveres inadiáveis fazem com que ela retorne para a casa dos pais. Alega doença. Ele sem saber o que fazer acaba entregando a surpresa. Revela a promoção no trabalho. Diz que está pronto para ir para a Europa. Nada isso modifica o semblante artificial que ela carrega no rosto. E um vá em paz são as únicas palavras que ele escuta antes de sem perceber a porta da frente se bate. E ele volta para sua solidão. Confuso se deita no sofá com suas garrafas de vinho. Sua fome acaba se desfazendo. Apenas engole rapidamente os litros do sangue de Cristo. Já não sabe mais o que pensar de sua vida. Desnorteado, apenas com a promoção e o dever de comparecer dali alguns dias na sede da empresa em que trabalha na Europa ele acaba a noite chorando e refletindo ao som de Chico. Quando os primeiros raios do dia invadem sua janela e já não existem mais gotas para serem bebidas apenas uma musica lhe toca a mente. Tantas águas rolaram Quantos homens me amaram Bem mais e melhor que você Quando talvez precisar de mim Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim Olhos nos olhos Quero ver o que você diz Quero ver como suporta me ver tão feliz. Ele sorri e exclama. Chico! Thales Barreto

Sábado, 19 de Maio de 2007 O pior cego... Sempre me achei com cara de perfeito idiota. Até o dia que descobri que só Deus é perfeito em tudo. Logo classifiquei Deus como um Perfeito idiota também. Acabei expulso da paróquia que freqüentava. Não posso me dedicar a tudo. Após a expulsão da Igreja cheguei à conclusão que Deus é apenas um personagem de um livro muito grande que ninguém lê inteiro só em partes. Deve ser muito chato pensei eu. Não

acredito em mais nada. Pra me convencer disso me levanto todos os dias me olho no espelho e digo que sou lindo. Recomendação médica pra levanta minha auto-estima... Não adianta, mas sigo. Ordens vindas de um médico são sagradas. Também não acredito em nada muito sagrado. Essa descrença começou quando descobri que a igreja também pagava conta de luz. Ué, mas não foi Deus que criou as águas? E não é das águas que é feita a energia elétrica? Porque então se paga a conta de luz? O padre mando pararem de me cobra dizimo depois dessa. Comprei um carro sem mata ninguém. E minha santa filha estuda numa ótima faculdade da capital. No EPA. Meu filho mora com ela ali na cidade baixa. Mesmo meu filho não trabalha, passa o dia fumando um cigarro caseiro coçando a cabeça, sim cabeça mesmo... Ele não precisa trabalha. Meu filho admira o trabalho. Bem de longe. Quanto mais de longe melhor. Pedi demissão do meu trabalho depois que o meu amado chefe fez uma proposta pra minha mulher, a secretária dele. Queria que eles fossem viaja pra um país estranho ai. Não sei qual. Ah! Nepal. Eu não deixei. Mas ela foi. Se casaram lá. Ela chego a me liga dizendo que a vista do pico no Nepal é ótima. Mandei ela longe. Vem fala da vida intima deles. E eu com isso. Quando era casada comigo ela não precisava viaja pra dize que a vista do pico era linda. Coisas de mulher. Se bem que ela nunca deu prejuízo. Ela nunca deu nada também. Pelo menos pra mim. Sou branco. E tenho uma filha loirinha, e um filho pretinho. Mas ela jura que sempre foi fiel. O meu vizinho o Nilson também diz que ela é fiel. Não sei por que ele se metia lá em casa. Mas é amigo dela. Nunca quis me intromete nessas amizades dela. Ela sempre foi muito dada. Tinha muitos amigos, muito religiosa. Era uma mulher que eu sempre admirei. Mas eu tenho mudado. Tenho andado mais de cabeça erguida. Antes tava difícil. Sentia uma dor, um peso enjoado. Depois da separação as coisas começaram a anda. E pra frente. Acertei na loteria. Eu sempre acreditei na minha beleza. Agora to com uma garotinha de 20 aninhos. Linda. Essa não tem amigos. Mas não quer ter filhos. Não é gastadeira. Passa só em casa. Anda sempre junto comigo. Não sei, mas to desconfiado que ela ta me traindo. Odeio se passado pra trás. Não tenho vocação pra otário. Acho que vou tenta volta pra Nathálya. Ela era da igreja. Uma santa. Um doce. E fiel. Fiel! Thales Barreto Domingo, 20 de Maio de 2007 Curvas da vida Ele levanta trôpego. Está cansado da noite anterior. A cerveja que tomou com longos goles ainda está em seu sangue. O que deixa seu cérebro desnorteado. Ele vai até o banheiro. Olha seu rosto sujo e com barba por fazer no espelho. Balbucia alguma palavra incompreendida. Olha o relógio pra seu tempo é cedo. Retorna para a cama e se ajeita do lado dela. Acaba abraçando-a. Sussurra em seu ouvido que te ama e agradece a noite que passaram juntos. Ela sorri. Ainda está anestesiada pela felicidade da noite anterior. Ela foi recebida como rainha. Tinha presentes pela casa e um belo convite. Ele estava no banho. No convite dizia várias vezes o quanto ele a amava e queria que na noite que estavam completando dois anos de casados eles fossem ao restaurante onde se encontraram pela primeira vez. Queria fazer uma coisa só diferente. Queria poder dormir junto dela, diferente daquela noite. Ela aceitou de imediato o convite e se arrumou rapidamente. Ele ficou surpreso, pois ela sempre demorava muito e dessa vez mesmo com toda rapidez estava mais deslumbrante do que nunca. Seu perfume encantaria qualquer um naquela noite. Partiram para o mesmo local onde eles se encontraram pela primeira vez. Estavam

juntos desde aquele dia. Fazia cinco anos que namoravam e resolveram que o casamento seria no mesmo dia do aniversario de namoro. Aquela data estava eternizada na alma dos dois. Jantaram se olhando nos olhos. Depois da janta foram ao cinema. Pegaram a ultima seção. E depois forma para uma danceteria. Dançaram e beberam como nunca. E pra celebrar voltaram pra casa onde dormiram juntos. Matando o desejo que cinco anos antes não pode ser realizado. Foi o quinto ano deles juntos. E não seria o ultimo, pois naquele mesmo ano descobririam que o fruto dessa relação estava sendo gerado. Que em pouco tempo os dois não seriam mais sozinhos. Teriam que dividir suas funções com mais um lindo bebe. Ela realizava um sonho. Seria mãe. E ele o de ser pai. Nada mais separaria esse casal. Ficaram juntos mais dez anos. Até que uma curva terminou com a linda historia de amor. Mas começou com uma fascinante história de eternidade. Eles perderam o controle do carro em que viajam para a casa dos pais naquele fim de ano. Apenas o fruto do amor dos dois sobreviveu. Tínhamos certeza que se completavam. E depois daquele dia um não sobreviveria sem o outro. O amor é eterno. E não são as curvas da vida que decidem o destino dele. Thales Barreto Segunda-feira, 21 de Maio de 2007 Linhas... Já derramei muitas lágrimas. Gritei. Berrei seu nome em desespero. Quis o silêncio pra sentir a morte mais perto. Quis sentir uma dor maior logo após não ter mais sua boca pra beijar e seus cabelos amarelos pra alisar. Minhas mãos não sabiam achar outra coisa se não seu corpo e hoje estão vazias. Sem você por perto. E por mais que isso seja dolorido pra mim o sorriso que tenho em meu rosto não é falso. Ele que tinha desaparecido depois de suas atitudes está voltando. Queria saber qual a sua reação quando soubesse de meu sucesso. Tenho me exposto mais. Vivido mais. E melhor. Sinto a sua falta pra me esquentar na cama nas noites frias. Mas tenho te substituído pelos meus animais de estimação. Minha gata tem me acompanhado nas minhas jornadas. Ela que você tanto desprezou é quem ocupa seu lugar nas promessas de me acompanhar. E é ela quem tem feito a missão que você não soube cumprir. É ela quem tem feito eu sorrir todas as manhas e dizer que cada segundo depois de você vale muito mais a pena. Depois que você saiu da minha vida. Ela retomou seu caminho de felicidade. Dedico a você apenas boa sorte. Porque estou muito bem. Estou melhor do que quando me encontrou. Não estou perdido estou muito bem tratado. Em outros braços e longe de você. Thales Barreto

Trabalham deitadas e descançam em pé Clodovil é uma figura que sempre chamou a atenção da mídia e soube se aproveitar dela sempre que quis. Em sua ultima declaração que causou choro na câmara federal disse que as mulheres estavam “trabalhando deitadas e descansando em pé”. Essa frase é o que todo mundo percebe, mas ninguém quer falar. Exigem retratação, mas sabem que no fundo nossa sociedade passa por um difícil momento de moral e ética. Estamos numa sociedade volátil. Nada de sentimentos. Tudo rápido e descartável.

Já não existe mais cordialidade, cavalheirismos. A juventude está completamente perdida. Talvez viva numa época que não seja a minha, talvez veja velho como digo, mas acho tudo muito vulgar. Ta tudo muito simples e fácil. Seres descartáveis. E o “amor”... Que ridículo esse já não existe mais. Não somos mais seres educados. Nem no “romantismo”, na “conquista”. Somos cada vez mais animais ao invés de evoluirmos estamos regredindo. Cultural e intelectualmente. Estamos num mundo que já terminou. Não sabemos mais onde estamos. Matar, amar, brigar, é tudo tão simples. É só chegar. Acabem com as religiões que pregam o “fazer o bem” e cometem os maiores pecados. Talvez o errado o utópico seja eu. Mas descartável eu não sou e talvez por um erro genético ainda amo e prego a “evolução da espécie”. Boa sorte. Desculpem minha breguice. Thales Barreto

Junho
Domingo, 10 de Junho de 2007 Raspas... Tanta coisa pra fala, tanta coisa pra escreve. Parece que hoje o dia nasceu torto. Nada quer sair. Parece que a gripe, que se abateu sobre mim, hoje está mais forte que nos outros dias. As coisas estão desencontradas e o frio só serve pra coroa um sábado escuro, sonolento. As coisas parecem fora do lugar. Falta um sentido um amor... Sei que no amor sempre nos machucamos, mas amar é estar mais perto da felicidade. Amor é o caminho sobre o fio da navalha. Nem doces conseguem melhorar o ânimo em dias assim. O sono, o cansaço. A vida bate na porta e você chuta ela pra longe. Chuta ela pra perto do sol. Que na verdade um cantinho pra ficar deitado ouvindo o ronronar de um gato. Sinto falta de um corpo do meu lado me aquecendo nessas noites frias. Minha cama tem ficado cada vez maior. Não que eu esteja diminuindo, mas a solidão não me deixa. O que é a liberdade sem um amor verdadeiro? Ta na hora de valorizar o que sentimos. O que realmente sentimos. Esse medo, esse tempo vagabundo. Tento me agarrar nas coisas felizes que tenho ao redor. Não preciso de migalhas velhas de um pão bolorado, por mais que isso me atraia. Loucos desejos... A ardência que cobre meus olhos é sinal de coisas piores já passei. A vermelhidão é sinal de que energia minha foi transformada em lágrima. Mas meu peito é otário e segue apaixonado, perdido em pequenos detalhes. Iludido com olhares perdidos, num mar azul quase branco e de boca rosa. Os cabelos cacheados e amarelos. O sorriso e a voz que me provocam. Amo sem restrições, nem as dores me param. Sei onde todos acabam, mas poderia ser na sua cama. Thales Barreto

Domingo, 10 de Junho de 2007 Se é pra dança, porque tem letra? “Eu gosto de funk, gosto da batida é pra dançar”. Ok. Agora não precisa fazê meu

ouvidinho de penico. Se é pra dança que não tenha letra. Se é a “batida” que gostam, façam ela sem letra. É ridículo ver “patricinhas” sendo chamadas de “cachorras” e adorando, como se isso fosse o melhor dos elogios. Ver crentes indo “até o chão chão chão”. É uma contradição. É a falência total de nossa sociedade. Depois quando voltamos a discutir o básico, o fundamental, quando vemos um nível de descrença horrível. Quando nos apavoramos com a corrupção e o estado de letargia que nos encontramos. Com a violência matando gente antes de nasce. O numero cada vez mais crescente de jovens entregue ao mundo das drogas e em idade cada vez menor. Alguma coisa ta errada e não é culpa do presidente. É nossa culpa. Eu sozinho não mudo quase nada seria pretensão demais querer mudar o mundo, mas vamos nivelar por cima? Vamos nos unir pelo bem comum? Vamos fazer alguma coisa que preste nessa merda ou vamos deixar o nosso país ser conhecido lá fora pelas nossas mulheres de costas ou pelo que elas podem fazer por alguns dólares. Por favor, sonhem! Boa Sorte. Thales Barreto

Terça-feira, 12 de Junho de 2007 Ao meu redor Vamos tirar um tempo pra pensar nessa sociedade falida que estamos vivendo? Podemos nos furtar um minuto só pra pensar no outro? Ou vamos atolar cada vez mais nessa merda que estamos? É. Povinho complicado esse. O que será noticia nos próximos dias? Nada mais comove essa gente. Crianças em jornais nas ruas já é rotina há décadas nesse país. Criança arrastada, bala perdida, pobreza, tráfico de drogas, trabalho infantil, exploração sexual de menores. O que abala você hoje em dia? O que pode chocar uma comunidade que não está nem ai para as coisas? Tudo é banal no Brasil. Boa Sorte. Thales Barreto

Quinta-feira, 14 de Junho de 2007 Primeiras confissões Abraçada em seus cadernos espera mais uma vez o ônibus. Chove, ela observa com seus chamativos olhos azuis, quase brancos, a rua molhada. Os carros passam levantando uma fina camada de água, quase como um spray. Parece estar pensativa. Olhar direcionado para o nada. E eu, como otário, a admirar a pequena orelha de traços perfeitos. A pele clara, a boca rosada, as bochechas e o contorno do queixo, a linha dos dentes. É encantadora a minha cara pequena. Seu tamanho e suas medidas são o paraíso onde quero repousar. Sem perceber o ônibus encosta. Ela já estava esperando, eu sou pego de surpresa. Subo lentamente atrás dela. Passo a roleta e me sento ao seu lado. Observo agora suas mãos, pequenas e de unhas profundas. A pasta está em seu colo. Momento em que encontro suas pernas em meu olhar. Pernas grossas. Fortes. Fico as imaginando sem a calça jeans que veste. Devem ser lindas e claras como as mãos. Alias as mãos tem poucos anéis, e um relógio. Relógio branco! Subo o olhar e vejo a ponta de seus cabelos que estão perfeitamente enrolados em uma linda trança. Esse é o penteado que ela costuma usar. Pra ela da um toque especial, o cabelo negro com a pela alva.

A cara pequena olha pela janela, parece querer me ignorar. Agora desvio minha atenção para um livro que carrego. Livro amarelo. Contos Rodriguianos. “Duas mãos postas”; “A virgem sonhava no jardim”; “Ama-se, trai-se, mata-se pra frente”; “Só os idiotas respeitam Shakespeare”; “Os falsos Cretinos”; “O culto da Imaturidade”. Percome entre os detalhes e as palavras de Nélson. Parece que isso incomoda a menina como se ser os centro de minhas atenções fosse algo que ela não poderia perder. Arruma uma leve tosse. Pigarro. Para chamar minha atenção e consegue. Seu olhar agora não é mais para a janela, muito menos para a pasta. Seu olhar oscila entre o meu e o resto do ônibus. Parece estar querendo dizer alguma coisa. Suspeito que deseja falar comigo. As trocas de olhares já estavam se tornando intensas nos últimos dias. Fico quieto esperando um simples “Oi”, nada sai de sua suave boca. Respiro fundo e desvio meu olhar para seu encontro. Gaguejo, titubeio e balbucio, “Oi.” Ela rapidamente volta a olhar as ruas e a chuva. Não entendo. Retomo outros contos de Nélson. “Oitenta milhões de vendidos”; “O destino de ser traída”; “Maridos jovens e velhos”... Em um momento ela retorna a me olhar. “Oi. Qual seu nome?” pergunta já com a cara vermelha. Antes que possa encher os pulmões para lhe responder, chega minha parada. Apenas retribuo com um sorriso e outra pergunta. “Amanha nos encontramos?" Thales Barreto

Quinta-feira, 14 de Junho de 2007 Clarisse, a cara pequena. O dia seguinte. Sim... Sai correndo para a parada. Precisava reencontrar a minha cara pequena. Entreguei voando os papéis que precisava e trôpego, cheguei. A fila já era grande e dessa vez não a vi. Poucos minutos o ônibus chega. Penso que não será hoje que iremos recomeçar nossa conversa interrompida pela timidez dos dois seres. Acabei entrando no ônibus e desanimado fui para um canto. Sentei-me e abri novamente o livro de capa laranja. Percebo que alguém senta ao meu lado, porém não dou importância. Sigo minha leitura. Quando meu olhar escorrega pelo canto da página para um joelho. Sim um joelho seguido de uma bela coxa. Mesmo coberta pode se perceber as formas da perna. A mão que está cruzada entre as pernas confirma minhas inclinações. É a cara pequena. Rapidamente um sentimento confuso toma conta de mim. Estou perdido. As paradas passam. Mas parece que tudo dura uma eternidade. Quando decido, vou cumprimentar ela novamente. Me viro com um olhar meio “pidão” e digo. “Oi menina. Tudo bem?” Ela sorri. Tem um sorriso lindo. Seu rosto é delicado e bem cuidado. Sem imperfeições. Límpido e vivo. Seu olho me encanta tem hoje um azul mais forte do que dos outros dias. Sua voz sai baixinha. Responde e me questiona. “Seu nome?” Respiro fundo. “Felipe e o seu?” “Clarisse” responde com um leve rubor em sua face. Não sei por que depois que soube o nome da minha cara pequena apenas olhei pela janela e parecia que queria sumir dali. Ela ainda me perguntou “E esse tempo maluco?” Não escuto. Minto. Finjo que não escuto. Espero ouvir mais uma vez aquela voz suave repetir. “E o tempo?” Olho no fundo dos seus olhos e digo “Seria pouco...” Ela parece confusa não entende no que penso. A minha resposta não bate com sua pergunta. Delicada ela sorri e diz “A chuva seria pouco?” Disparo “Não. O tempo... O tempo é pouco para tudo que se tem que fazer ultimamente. Sobre a Chuva. Gosto do tempo frio, mas não sou de chuva. Prefiro os dias nublados, mas sem chuva.” Abro um

sorriso, desses que sem sair uma palavra dizem “somos amigos”... Ela completa “Gosto também de dias de frio. Também sem chuva.” E ri... A risada é a palavra da alma. Estamos agora em sintonia. Descobrimos um ponto em comum. Pessoas que amam o frio em geral são românticas. Pessoas que gostam de verão, calor ou não tem dinheiro ou gostam de corpos expostos. Acredito que no Brasil a segunda opção prevalece. Embora pouca gente pode dizer que tem dinheiro nesse país. Retornando a cara pequena. Suas palavras soaram como um pedido para ir ao cinema. “Hum... O que você faz? Sempre vejo você nesse ônibus.” Pergunto. Quero ter certeza de que os encontros serão prolongados. Antes de ela responder. Ou ser objetiva a interrompo. “Preciso partir.” Com um sorriso me despeço dela. Antes de sair do ônibus trocamos olhares. Os próximos dias serão melhores. Thales Barreto

Quinta-feira, 14 de Junho de 2007 Os olhos azuis e a cara pequena Seus olhos azuis encontraram outros olhos antes mesmo da saído do prédio onde, sem saber passavam as manhas. Dessem as escadas em direção a saída como se um cuidasse o outro sem querer ser percebido. Sabiam que fatalmente iriam se encontrar na parada. Algo novo estava para acontecer e eles sabiam disso. Chegam aos seus destinos. Cumprimentam-se falam de banalidades, descobrem gostos semelhantes. Conversam sobre livros. Aquele livro amarelo (ou seria laranja?) não sai da cabeça da menina de cara pequena. Ele retira suas duvidas. Ela tira duvidas dele. Ambos sobem para o ônibus. Agora estão novamente um sentado do lado do outro, nos bancos finais do ônibus. A conversa parece ter engrenado. Tímidos sorrisos tomam conta do assunto. Estão entrosados. Trocam telefones. E-mails. Olhares mais profundos. Ela levemente morde os lábios. O olhar dele foge para a rua. Parece que quer fugir de seus pensamentos. A cena de desejo fez com que ele precisasse conter seus impulsos. A conversa retoma seu “caminho normal”. As paradas vão passando. A conversa distraia os dois. Parecem encantados um com o outro. Derrepente as palavras parecem escassas e os olhos ficam fixos um no outro. A boca suave, o nariz redondo, as bochechas rosadas, o pescoço, as pequenas orelhas. Como se estivessem sozinhos e em um silêncio profundo. A respiração é ofegante, temerosa. Os olhos se fecham. Dois lábios. É hora de descer. Outro beijo. Um leve toque nas mãos. Nova troca de olhares. O sonho começou... Thales Barreto Sábado, 16 de Junho de 2007 40 anos depois... "Pra frente”... Parece que Nélson Rodrigues escreveu “O óbvio ululante” ontem. Ainda vivemos numa era em que cada vez mais o ser “jovem” é melhor do que ser velho. Estamos na mesma era do “pra frente”, temos mais que dezoito quilômetros de “mulher nua” e também fortalecemos o “anti-Brasil”. Nós perdemos o fino do Brasil. Estamos cada vez mais vulgares, amando o ódio e esquecendo-se do amor. Em quase 40 anos não mudamos em nada. Aliás, mudamos sim, pra pior. Estamos mais tudo que o próprio Nélson condenava em 1968. Hoje somos o lixo da

geração da Ditadura. A ditadura prostituiu ainda mais o Brasil. Perdemos o romantismo, perdemos a inocência. Estamos cruéis e ferozes. Não cumprimentamos mais, agora se facilitar, trocamos ofensas, na melhor das hipóteses. Tem gente que troca chumbo. Realmente todos têm a imagem de um Nélson pornográfico. Eu não tenho a imagem dele assim. Essa imagem de “pornográfico” eu tenho desse país, que cada dia mais se parece com um prostíbulo do que com um país. Pretendo ainda encontrar alguma coisa séria e que realmente faça valer a pena nesse país. A situação é periclitante. A esperança é a ultima que morre. Ajudem-me. Boa Sorte. Thales Barreto Domingo, 17 de Junho de 2007 Esperando o amanhecer... A cara pequena, de olhos azuis gritantes, estava deitada em minha cama. Estava ao seu lado escorado em meu braço, apenas observando a mais bela das meninas dormindo. Seu cabelo negro em contraste com sua pele clara. O brinco. Seu pescoço trazia imaginações pra minha mente. E ela apenas dormia. Observava aquela cena plástica da menina de boca rosada deitada repousando ao meu lado. Por um momento tive certeza que o amor espera, com calma, os fatos acontecerem. Tinha uma esperança e um velho romantismo no ar. Minha mão deslizava carinhosamente me seu rosto. Fazia o contorno do belo nariz. A testa e a bochecha. Contornava a linha de seus lábios. E sentia cada vez mais perto a sua respiração tranqüila. O sol que entrava pela janela, era um calmante... Era final de tarde. O céu começava a se esconder. Tínhamos feito muita coisa aquela tarde. Caminhadas e caminhadas. Ela iria dormir ali. De fato dormiu. Passou a noite ronronando como uma gata. Gata menina. Gata paixão. Com a presença inconfundível da lua senti pela primeira vez teu corpo junto do meu. Senti o seu calor. A delicadeza de sua pele. A graça de seu sussurrar. Da tua voz. As delicadas mãos arranhando minhas costas. E o repousar sabendo que, amanha quando o sol voltar a brilhar, nosso amor estará mais forte. Dormimos juntos um aquecendo o outro nessa noite fria. Thales Barreto Terça-feira, 26 de Junho de 2007 Seja burro rapaz, seja burro! Parado, na mesma parada que conhecera o amor, folheia um livro desconhecido de um dos mais famosos escritores. Perde-se nas suas páginas. O ônibus para as pessoas entram ele não fica pra trás, sobe meio perdido como se recém acordasse. Paga a passagem, passa a roleta, e vai, com a cabeça sabe-se lá onde. Senta nos últimos bancos. Retoma a leitura. Só que sua cabeça para em uma frase. “Seja burro rapaz, seja burro!” Ele interrompe a leitura e desvia seus olhos castanhos para a janela do transporte. Lá fora o dia ta cinza. Chove, caem pequenas gotas. Seria lágrimas de um Deus inexistente sempre presente, mas nunca no presente. Volto à interrogação que lhe fez parar a leitura. Como assim? Como podemos valorizar cada dia mais a burrice, cada minuto mais a ignorância. Privilegiamos tantas bobagens. Tanta imoralidade. Cobramos ética, sem nós mesmo sermos ou sabermos o que isso significa. As paradas novamente passam correndo por ele. Seus olhos percorrem o pequeno riacho que o leva até em casa. A cidade parece ter se esquecido dele. A

poluição e seu cheiro fétido já não incomodam mais. O que realmente importa hoje não tem mais valor. Somos cada vez mais animais. Por isso o “seja burro” tenha lá um sentido definitivo, menos agressivo. Aliás, nessa nossa época nada mais no transtorna. Nada nos perturba tudo é tão normal em nome da “uniformidade” desuniformizada. As religiões perderam o sentido, nem as mais crentes são tão crentes assim. Estamos na pior faze da humanidade. E isso nada significa. Deus não existe mais, e nem os mais fervorosos sentem medo. O pecado perdeu sentido quando a vida perdeu a vida. “Seja burro!” O que realmente vale numa sociedade onde tudo é consumido tão rapidamente. Onde o vulgar virou popular e a timidez, o rubor que enfeitavam o amor não existe mais. O amor não existe mais. Existem apenas músculos e desejos voláteis. Enfim, seja burro! Assim não irá magoar ninguém, nem você mesmo. Siga esse conselho e seja burro! Thales Barreto Terça-feira, 26 de Junho de 2007 Tristes e nus... Chamam Nélson Rodrigues de Pornográfico. Muito apenas avaliam suas obras pelo lado sexual. Hoje Nélson pode ser considerado um santo, por que a cada esquina a cada noite de sexta-feira, de sábado podemos ouvir sem sair de casa, sem precisar de muito esforço, sem idade limitada ouvir um ato sexual fonográfico. O brasileiro é triste. Despes-se com naturalidade torpe. O que se esperaria de um país de pulhas? A imaginação o desejo o segredo foi tornado banal. Hoje não se mata mais por traição, hoje é tudo tão natural tão normal, tão artificial. Mecânico. Vulgarizamos o amor, o matamos com corpos cada vezes mais nus. A burrice do mostrar acabou com a inteligência do imaginar. Como pode um pais pensar em futuro se não consegue nem imaginar o corpo do outro nu? Às vezes o imaginar, o idealizar é mais interessante do que o ver. A visão escancarada tem defeitos a do sonho às imperfeições são corrigidas. Hoje, mais cedo, disse que deveríamos não demonstrara inteligência. Isso não atrai ninguém. Perdemos o nosso imaginário. O brasileiro não imagina mais, não sonha mais está cada vez mais mecânico pornográfico e triste. O que adianta posar de feliz se não existe mais amor. Defendo aqui a visão de Nélson, a nudez sem amor é fútil, vulgar e feia. Não temos mais elegância, charme. Não gastamos mais horas na guerra da conquista. O banal virou normal. Concordamos com tudo, e achamos que estamos indo “pra frente”. Uma sociedade sem sonhos, sem utopias é uma sociedade morta. Diria a Nélson que há quarenta anos somos “pra frente” e nesse mesmo tempo estamos parados. Estacionados. Mortos. Gelados, nus, sem amor, com um falso sorriso nos lábios e um ilusório amor no coração. Estamos completamente perdidos. Boa Sorte. Thales Barreto

Sábado, 30 de Junho de 2007 Brasil?

Tínhamos um país aqui na América do sul, um projeto interessante de país na verdade, que tinha muita terra, belezas naturais e gente feliz e criativa. Mas sabe, inteligência usada pro lado do mal só pode dar bobagem. Daí nós banalizamos o nu, as nossas mulheres perderam o senso, o respeito, o amor próprio. O homem perdeu o brilho do cavalheirismo, o respeito pela “dama”, o amor pela pátria. Perdemos o dom de nos preocuparmos com o próximo, nos queremos é ferrar, mais e melhor, o próximo. Vulgarizamos os corpos e esquecemo-nos de pensar. Descobrir é algo que já não se faz mais. E nossa sociedade exibe seus corpos de fora como se nesse país fosse uma grande praia de nudismo. Não fazemos mais sexo. Inventamos o sexo auditivo. Do qual damos o nome, errado, de funk e batizamos da cidade onde se “originou”. É o nosso “bom” e “velho” Funk carioca. Assim você não precisa nem pensar é só seguir o ritmo da musica. Não somos racistas, embora para os nossos negros estudarem, terem um curso superior, instalamos cotas. Rebaixamos o nível de nossa educação e vulgarizamos a “criação de ciência”. Estamos vulgarizando, com facilidade, tudo. A vida já não vale nem um gol do Amaral. Somos um falso país com falsas expectativas e falsas esperanças. Eu não entendo como podemos ser o país mais católico do mundo e estarmos nesse puteiro que estamos. Deveríamos ser o melhor país do mundo, mas somos a “casa da mãe Joana. Sem ofender as “Joanas”, por favor. Esse país é a maior zona do mundo. Não vamos resolvê-lo muito menos questioná-lo estão todos fu... zilados. Bola pra frente afinal amanha tem jogo do Brasil. E se ganhar o sangue derramado nas favelas serão esquecidos. Um novo sonho vai renascer ao som do funk e dos corpos nus. O Brasil é santo e prostituído. Boa Sorte. Thales Barreto

Julho
Terça-feira, 3 de Julho de 2007 Sem saber o fim... Deitada, no chão, com as pernas nuas, ela observa a televisão. Seus seios estão comportados, em uma blusa negra que contrasta com sua pele clara. Eu, sentado no sofá, apenas olho as suas perfeições. Meus olhares caminham lentamente pelo seu corpo. Suas pequenas unhas dos pés. Subo meus olhares até sua canela, lisa, macia. Lugar que minha boca gosta de andar. Meus pequenos olhos castanhos descobrem seu joelho, beijam como se fossem mil bocas e descem por sua coxa. Algo me distrai desvio meus olhares. Confusões. Levanto. Questiono seus olhos negros. Ela, sonolenta, pede que desligue a televisão e fica viajando de olhos fechados. Acabo ligando o som em um CD de Tom Jobim. Busco-a pra minha paisagem. Encontro seu pé batendo, no ritmo da música, no chão. Seus braços cruzados em seu ventre, olhos fechados. Pernas dobradas, comportadas. E a cabeça movimentando lentamente como se desfilasse em uma passarela. Desnorteado vou até a estante e pego uma garrafa de vinho tinto seco, do seu preferido. Taças, não pergunto nada sei que ela também ira beber comigo. Abro a garrafa e sirvo. Deixo um copo sobre a mesa de centro e me recolho no sofá a admirar minha mais bela paisagem. Meu quadro vivo. Ela, de olhos fechados, apenas movimenta os lábios me chamando pro seu lado. Deixou minha taça ao lado da sua e deito meu corpo ao lado do seu. Sem abrir os olhos ela apenas vira o rosto e me beija. A noite começa... Ninguém sabe a hora de terminar.

Thales Barreto Quarta-feira, 4 de Julho de 2007 Tão carismático quanto um chuchu! Em uma conversa de MSN um dia desses o Otto Herok Netto largou uma frase que marcou. Foi escrita, lapidada, pensada durante anos. Porém estava à procura de um personagem pra ela. Tentei criar um casal em uma cena patética, superficial, mas desisti de “contemplá-los” ia ficar “sem nexo”. (Como se alguma coisa nesse blog tivesse nexo, enfim...) Depois segui minha caçada ao “personagem perdido”. Alguém teria que se encaixar naquela frase tão bem preparada. Eis que surge um mestre, não o Otto, nem o Pase, mas o Antônio R! Sim... Ele é genial, porém é a “educação” em pessoa. As atividades dele são tão cansativas quanto o tédio. Diria que só o tédio é pior que o Antônio R Mesmo com toda sua inteligência seu conhecimento ele consegue ser admirável de longe. Apenas de longe e friso DE LONGE! Assim ele não irá ser “gentil” com você. Também quero repetir, não retiro uma vírgula de seu admirável currículo! E termino por aonde queria chegar. A bendita frase que me motivou a isso tudo. Antônio R é tão carismático quanto um chuchu. Boa Sorte. Thales Barreto Quinta-feira, 5 de Julho de 2007 A pergunta do futuro... A campainha toca e Nathalia vai lentamente abrir a porta. Pedro espera com as mãos para trás, um leve e tímido sorriso no rosto. Tem em mente um convite irrecusável. Acabara de ser promovido em seu primeiro emprego e amava a sua companheira. Ela era uma dessas jóias de menina. Estudava, era dedicada, delicada. Tinha olhos negros, cabelos encantadores, pele clara e mãos expressivas. Era atriz. E seria mesmo se não quisesse, tinha o jeito o cheiro de artista. A porta se abre junto com ela o sorriso cresce no rosto de Pedro. - Posso entra? Diz ele com um olhar de pedinte. - Não precisa pergunta paixão. Responde ela com os dentes claros e retos amostra. Os passos de ambos são lentos. Estão abraçados. Agarrados. Parece um só. Sem querer Pedro derruba as fores que estavam em suas mãos. Nathalia pisa sem intenção. Mas o calor de ambos faz tudo ser secundário. O mundo é apenas um pedaço, uma extensão dos dois. Debatem-se na mesa que esta na sala, cai no sofá. O tempo pára. Ele pára. Com ela em seus braços os olhares se fixam novamente ele fala. - Quanto tempo a gente tem pro amor? Pergunta Pedro, com certo suspense no ar. - O tempo todo! Responde Nathalia, como se dominasse as horas. - Quer casar comigo? Questiona ele com timidez que convém ao momento. Os olhares da moça fogem do rosto do amado. Busca algo para se apoiar. Não esperava um convite tão inesperado. O futuro lhe larga uma charada. Mas os problemas do presente a pressionam. Escondia alguma coisa do companheiro, algo que não confessaria nem para o médium depois de morta. Porém o futuro exige coisas que nunca se faria, nem mesmo depois da morte. - Não posso. Espero um filho de seu pai. Responde ela esperando o pior. Os corpos enrolados se desprendem rapidamente.

- Traído! Você me traiu com meu pai! Grita histérico com uma suave lágrima escorrendo pelo canto dos olhos. Nathalia apenas cobre o rosto. Seus cabelos recaem sobre sua face. Aos prantos pede perdão. Que perdoe o imperdoável. Ao ver o lamento da japoninha se atira em seu encontro. - É meu! É meu! Amar é trair-se pelo outro. É meu! Eles apenas se beijam. O futuro tem sua resposta. Thales Barreto