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Universidade Cândido Mendes

EDUARDO HENRIQUE BIRUEL

Ensino de Sociologia: movimentos sociais e a construção


da cidadania.

CAMPO GRANDE
2019/1ºsemestre
Universidade Cândido Mendes

EDUARDO HENRIQUE BIRUEL


Mat.: 2692020371

Ensino de Sociologia: movimentos sociais e a construção


da cidadania.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Cândido Mendes


como requisito para aprovação no curso de Pós-Graduação Política e Sociedade

Campo Grande
2019/1º Semestre
Eduardo Henrique Biruel

Mat.: 2692020371

Ensino de Sociologia: movimentos sociais e a construção da cidadania.

Artigo/Monografia apresentada à Universidade Cândido Mendes em como requisito


para a aprovação no curso de Pós-Graduação Política e Sociedade

Nota: _____ Data: __/__/_____


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RESUMO

O objetivo desse artigo é estabelecer os elementos e conceitos para a compreensão das dinâmicas dos
movimentos sociais contemporâneos para estudantes do ensino médio e articular esses conhecimentos com
direitos e cidadania. Os estudos dos movimentos sociais compõe a disciplina de sociologia, e essa exposição
prévia e a delimitação deste conteúdo servirão para o desenvolvimento de atividades que possam estabelecer a
capacidade de articulação entre os conceitos apresentados e situações do cotidiano em relação aos movimentos
sociais que serão analisados pelos estudantes enquanto prática guiada pelos referenciais curriculares. Em um
primeiro momento são discutidos os conceitos e correntes contemporâneos referentes aos movimentos sociais
para. A seguir os livros didáticos de sociologia do PNLD (Programa Nacional do Livro Didático) e seus
conceitos de movimentos sociais são analisados, bem como a apresentação do referencial curricular do ensino
médio do Estado de Mato Grosso do Sul e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e discutido a articulação
dos conteúdos e competências com os conceitos apresentados sobre movimentos sociais contemporâneos. Por
fim são delimitadas as atividades a serem desenvolvidas com os estudantes para articular os conceitos referentes
aos movimentos sociais contemporâneos e as competências e conteúdos apresentados pelos referenciais

curriculares e pela BNCC. Palavras-chave: Movimentos Sociais; Ensino de Sociologia;


Cidadania.
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1.INTRODUÇÃO

O objetivo desse artigo é estabelecer os elementos e conceitos para a compreensão das


dinâmicas dos movimentos sociais contemporâneos para estudantes do ensino médio.
Os estudos dos movimentos sociais compõe a disciplina de sociologia e essa exposição
prévia e a delimitação deste conteúdo servirão para o desenvolvimento de atividades que possam
estabelecer capacidade de articulação entre os conceitos apresentados e situações do cotidiano em
relação aos movimentos sociais que serão analisados pelos estudantes.
Para tal objetivo algumas definições, delimitações e metodologias serão necessárias. A
primeira distinção é entre a política enquanto atividade delimitada apenas pelo Estado e forma
parlamentar e suas consequentes linhas ideológicas e os movimentos sociais enquanto uma forma
de fazer política distinta da formal e também capaz de articular novas compreensões da vida
cotidiana, valores, sujeitos e solidariedades por parte da sociedade e suas ações coletivas.
Um segundo aspecto é referente a definição de movimentos sociais, embora não haja
concordância entre os diversos autores e sim diversas correntes teóricas, alguns elementos serão
apresentados para melhor articulação didática e para o entendimento do debate dos movimentos
sociais contemporâneos.
Em relação a esse objeto, que sejam os movimentos sociais contemporâneos, as
características serão delimitadas para análise e como instrumento de interpretação de fenômenos
cotidianos mediados por conceitos elaborados por autores clássicos e contemporâneos e também a
sua verificação em livros didáticos escolhidos pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD)
em relação a conceituação do tema.
Do mesmo modo, são apresentados os principais movimentos sociais contemporâneos, isso
em relação ao que os livros didáticos se guiam e também a que se estabelece o referencial curricular
do ensino médio do Estado de Mato Grosso do Sul a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Por fim, a metodologia a ser empregada nas atividades é estabelecida delimitada, que de
antemão se apresenta como interpretação de recortes de notícias referentes a movimentos sociais
que serão apresentados e deverão ser analisados, mediados por conceitos apresentados em sala de
aula.
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2. A POLÍTICA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS

A política enquanto atividade humana de configuração e discussão do espaço público é uma


construção que remete às primeiras sistematizações da Grécia Antiga e, na constituição da política
moderna, na disputa e organização pelo Estado, órgão permanente de organização e legitimação da
política, principalmente a parlamentar e de caráter de sufrágio universal.
Entretanto, essa forma de fazer política vem encontrando resistências e perdendo a
legitimidade. O Estado perde centralidade e algumas questões são debatidas pela sociedade civil e
em espaços menos convencionais (GOHN, 2007).
Essa caracterização não é uma definição e por si a construção de objetos de análise dos
movimentos sociais ou um conceito, mas a preliminar caracterização do espaço de atuação dos
movimentos sociais, que sejam a sociedade civil e a sua relação com o Estado e seus poderes
instituídos, sejam ele na disputa pelo poder ou por construção de novas identidades e solidariedades.
Assim, é em um primeiro momento que se apresenta de antemão a compreensão, mesmo que
breve de duas escolas básicas de estudo dos movimentos sociais, a de classes (Marxista) e a
Funcionalista. Conhecidas como paradigmas clássicos ALONSO (2009); TONI (2001) que
compreendem os conflitos enquanto uma desmobilização e frustração (teoria funcionalista) 1 ou
como problemas de classes em conflitos no capitalismo (teoria marxista).
Essa primeira apresentação compreende que os movimentos se dariam em um cenário de
conflito de classes em um modelo econômico típico do consumo de massas e capitalismo tardio,
sendo que cada escola elabora uma compreensão do surgimento deste fenômeno, seja ela de caráter
psicossocial (frustração com os paradigmas de reprodução de uma sociedade) ou inerentes ao modo
de produção capitalista.
Fato que esses movimentos, segundo essas escolas, se articulam com a determinação de
tomar maior parte do Estado, ou promovendo transformações pontuais e participação democrática,
típicas de um modelo de Welfare State, em um modelo de participações delimitadas, que não sejam
ideologias enquanto religiões seculares, sejam liberais ou comunistas, e sim que articulem utopias
enquanto problemas específicos e pontuais (BELL, 1980) ou até críticas ao modelo estatal e suas
1A teoria funcionalista compreendia que os problemas seriam de ordem psicossocial e que os movimentos sociais
trabalham “Dado o caráter cômodo da dominação no capitalismo tardio ou na sociedade de massa, operada via consumo
e afinada com o padrão dominante de individuação, a mobilização coletiva eclodiria apenas como irracionalidade ou,
conforme Smelser, como explosão reativa de frustrações individuais, que as instituições momentaneamente não
lograriam canalizar. De uma maneira ou de outra, a explicação tinha pilares psicossociais, amparando-se em emoções
coletivas, e tom sombrio, ressoando o contexto de avanço dos regimes totalitários.”(ALONSO, 2009, p.50)
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ideologias enquanto capazes de resolver seus problemas enquanto participação e ampliação em um


modelo industrial de bem-estar.
As escolas clássicas de estudo dos movimentos sociais, embora não tenham definições
consensuais em relação a definição destes, trabalham com a perspectiva de articulação de demandas
da sociedade que podem ser articuladas e organizadas pelo Estado, formando lideranças para
solucionar situações conflituosas, segundo a Escola de Chicago e um de seus teóricos “Blumer
definiu os movimentos sociais como empreendimentos coletivos para estabelecer uma nova ordem
de vida”(GOHN, 2007,p.30).
Por parte do Marxismo que coloca em locus a disputa pelo Estado como central por
estruturas partidárias (vide vanguarda Leninista) ou lutas por hegemonia na sociedade civil
(Gramsci e o Estado Ampliado).
Há, entretanto, sob o paradigma contemporâneo, com críticas a essas teorias, que
compreende os movimentos sociais como formas moderna de atuação política, enquanto
movimentos contenciosos típicos da modernidade (Teoria do Processo Política) e também a escola
europeia dos Novos Movimentos Sociais2, criticando o marxismo, o qual elegia como locus dos
movimentos sociais o Estado (TONI, 2001) e também a caracterização dos movimentos sociais
enquanto situações anormais. Segundo Alonso, os movimentos sociais contemporâneos:

Não se baseavam em classe, mas sobretudo em etnia (o movimento pelos direitos civis),
gênero (o feminismo) e estilo de vida (o pacificismo e o ambientalismo), para ficar nos
mais proeminentes. Tampouco visavam a revolução política, no sentido da tomada do poder
de Estado. Não eram reações irracionais de indivíduos isolados, mas movimentação
concatenada, solidária e ordeira de milhares de pessoas. Então não cabiam bem em nenhum
dos dois grandes sistemas teóricos do século XX, o marxismo e o funcionalismo.A ruptura
está no próprio nome que o fenômeno ganhou. Tratava-se seguramente de “movimentos”,
no sentido de ações coordenadas de mesmo sentido acontecendo fora das instituições
políticas, mas não eram, de modo algum, protagonizadas por mobs, tampouco por
“proletários”. Eram jovens, mulheres, estudantes, profissionais liberais, sobretudo de classe
média, empunhando bandeiras em princípio também novas: não mais voltadas para as
condições de vida, ou para a redistribuição de recursos, mas para a qualidade de vida, e para
afirmação da diversidade de estilos de vivê-la. (2009, p.50-51)

Essas limitações dos movimentos sociais e suas teorias clássicas têm fundamentos em
autores que colocam em primeiro plano as limitações da ação estatal enquanto modelo eficaz e
capaz de solucionar situações presentes com a crise do modelo de Estado de Bem Estar Social
(HABERMAS,1987) e a emergência de uma sociedade pós-industrial com novas ordens quanto a

2“O enquadramento macro-histórico do fenômeno aparece nas duas outras teorias sobre os movimentos sociais.A Teoria
do Processo Político (TPP) e a Teoria dos Novos Movimentos Sociais (TNMS) nasceram dos debates sobre a revolução,
ou melhor, da exaustão dos debates marxistas sobre as possibilidades da revolução”.(ALONSO, 2009, p.53).
7

atuação, sejam simbólicas e culturais (TOURAINE, 2006) que compreende que “o conflito não está
mais associado a um setor considerado fundamental da atividade social, à infraestrutura da
sociedade, ao trabalho em particular; ele está em toda a parte” (TOURAINE, 1989b, p.13) ou como
novas formas de solidariedade e construção de uma identidade e ampliando os limites de atuação
política “(...) defino analiticamente um movimento social como uma forma de ação coletiva (a)
baseada na solidariedade, (b) desenvolvendo um conflito, (c) rompendo os limites do sistema que
ocorre a ação”(MELUCCI, 1989, p.57).
Em síntese:

Touraine, Habermas e Melucci têm teorias particulares, mas confluem para o mesmo
postulado central, o da especificidade dos movimentos sociais da segunda metade do século
XX. Para todos, uma mudança macrossocial teria gerado uma nova forma de dominação,
eminentemente cultural (por meio da tecnologia e da ciência) e borrado as distinções entre
público e privado, acarretando mudanças nas subjetividades e uma nova zona de conflito.
As reivindicações teriam se deslocado dos itens redistributivos, do mundo do trabalho, para
a vida cotidiana, demandando a democratização de suas estruturas e afirmando novas
identidades e valores. Estaria em curso uma politização da vida privada. Os movimentos de
classe dariam lugar, assim, a novos movimentos expressivos, simbólicos, identitários, caso
do feminismo, do pacifismo, do ambientalismo, do movimento estudantil. Isto é, os
movimentos mais em evidência no momento em que escreviam.
Os novos movimentos sociais seriam, então, antes grupos ou minorias que grandes
coletivos. Suas demandas seriam simbólicas, girando em torno do reconhecimento de
identidades ou de estilos de vida. Recorreriam à ação direta, pacífica, baseada numa
organização fluída, não hierárquica, descentralizada, desburocratizada. Não se dirigiriam
prioritariamente ao Estado, mas à sociedade civil, almejando mudanças culturais no longo
prazo. (ALONSO, 2009, p.67).

Em outra linha de interpretação dos movimentos sociais, que foca mais no processo político
de conquista de espaço e reivindicações, compreendendo os movimentos sociais como ações
contenciosas ou confronto político3, como tipicamente fenômenos da construção de democracias
modernas (TARROW, 2009).
A teoria do processo político4 compreende que “A mobilização é, então, o processo pelo
qual um grupo cria solidariedade e adquire controle coletivo sobre os recursos necessários para sua
ação”(ALONSO, 2009, p.55).
Em uma definição própria de um de seus principais autores em relação especificamente aos
movimentos sociais, Charles Tilly:

3“O confronto político tem início quando, de forma coletiva, as pessoas fazem reivindicações a outras pessoas cujos
interesses seriam afetados se elas fossem atendidas”.(MCADAM; TARROW; TILLY;2009,p.11)
4A teoria do processo político tem como ponto de partida discussões da teoria da mobilização de recursos que
“(...)privilegia a racionalidade e a organização e nega relevo a ideologias e valores na conformação das mobilizações
coletivas”(ALONSO,2009,p.53)Entretanto com estrutura cultural e de solidariedade.
8

O que constitui um movimento social não são apenas as ações dos demandantes, os objetos
de demanda ou o público, mas a interação entre esses três elementos. Mesmo que alguns
entusiastas se dediquem dia e noite ao movimento, o grosso dos participantes se move
alternadamente entre a apresentação de demandas públicas e outras atividades, incluindo o
trabalho cotidiano de organização que sustenta uma campanha.(2010,p.137)

Os teóricos dessa escola tem como definição das ações que norteiam movimentos sociais
como confronto político.

Adotamos o termo “confronto político”, em vez da conhecida tríade “movimentos sociais,


revoluções e ação coletiva”, não apenas por economia de linguagem, mas por que cada um
desses termos está intimamente identificado com uma subárea específica que é apenas uma
parte do domínio acadêmico que este artigo percorre. Incluímos a interação coletiva no
confronto político na medida em que: (1) ela envolve confronto, ou seja, faz reivindicações
vinculadas a outros interesses e (2) pelo menos um grupo da interação (incluindo terceiros)
é um governo, isto é, uma organização que controla os principais meios de coerção
concentrados num território definido. Movimentos sociais, ciclos de protesto e revoluções
se encaixam neste âmbito de fenômenos. Nosso enfoque mais amplo ajudará a relacioná-
los entre si, à política institucional e à mudança social histórica. Este prólogo propõe um
esforço sistemático em favor de uma síntese teórica e empírica que abarque as várias
subáreas ligadas ao estudo do confronto político. (MCADAM; TARROW,;
TILLY,2009,p.12)

Os teóricos da escola do Processo Político focam em como formas de ação coletiva da


sociedade civil se utilizam de redes, significações comuns e significados para atuarem
politicamente. O foco da ação contenciosa é ainda a política, entretanto não por meios
parlamentares e formais, mas visa a estudar como processos de protestos, reivindicações geram
transformações históricas e quais recursos são mobilizados.
O primeiro ponto de articulação dessa teoria é gerar solidariedade, agregando o valor
cultural a sua ação, entretanto não é por si só a articulação final do confronto político, e sim um
momento que devem ser somados a conceitos de articulação e formas de ação política propriamente
dita “Já “solidariedade” e catnet têm peso explicativo bem reduzido e não competem na armação da
teoria com os outros dois conceitos carros-chefe, EOP e repertório (ALONSO,2009,p.58)5.
São esses dois elementos explicativos que possibilitaram a tradução de conflitos político na
ação estatal.
Entretanto a ação coletiva tem como formas de atuação como repertórios 6, como marchas,
assembleias, discursos entre outros “O repertório também inclui diversas variedades de greve, envio

5O conceito de “estrutura de oportunidades políticas” (EOP) dá o parâmetro político. Tarrow (1998, p. 20) argumenta
que, quando há mudanças nas EOPs, isto é, nas dimensões formais e informais do ambiente político, se abrem ou se
criam novos canais para expressão de reivindicações para grupos sociais de fora da polity.(ALONSO,2009,p.54-55)

6Alonso(2012) debate o conceito de repertório e as transformações de conceitos como ação coletiva e conflitos e suas
transformações e implicações na análise, adotamos os conceitos ação coletiva e conflitos em um marco amplo.
9

de petições, organização de grupos de pressão, e umas tantas outras maneiras de articular queixas e
demandas”.(TILLY, 1978, p151-152 apud ALONSO,2012.p23)
Em um primeiro momento, na definição de Tilly, repertórios são formas de ação, mas
posteriormente formas conflituosas e de agência de atores e construção de significados coletivos.
São rotinas, performances que vão atuando na forma de ação coletiva, ou de delimitação e
construção do marco do conflito político.

A ideia de repertório como conjunto de performances se desenvolve. Performance suplanta


rotina como unidade mínima do repertório, num esforço para adendar significados a
repertório, assimilando temas afins com a sociologia da cultura, mas sem adentrar os
meandros da discussão semântica. Assim, “identidade” é o que os atores definem como tal
num conflito particular, por contraste e confronto com grupos rivais. Conceito relacional,
não substantivo. Idem para “programa”. Para Tilly, sentidos são inapartáveis das práticas,
por isso, o melhor acesso a eles é a análise de performances – não de discursos.
(ALONSO,2012,p.29)

O que é por último colocado em jogo é justamente a dinâmica e a construção conflituoso do


espaço social, que coloca os atores, suas ações como relacionais. “A transferência de repertórios é,
então, processo relacional e disputado (pelos agentes em interações conflituosas), histórica e
culturalmente enraizado (o peso da tradição) e condicionado pelo ambiente político nacional (as
estruturas de oportunidade)”(ALONSO, 2012, p.31).
Para efeitos de compreensão dos estudos em movimentos sociais a primeira sentença e
contribuição que em síntese fica do repertório é que:

Esta última abordagem tillyana dos repertórios privilegia, então, o improviso, a capacidade
dos atores de selecionar e modificar as performances de um repertório, para ajeitá-las a
programas, circunstância e tradição locais, isto é, ao contexto de sentido daquele grupo,
naquela sociedade. O repertório só existe encarnado em performances confrontacionais.
Tilly nunca arredou pé do postulado de que o eixo fundamental da vida social é o conflito,
que ganha formas históricas peculiares. Qualquer invenção, uso, mudança de repertórios só
podem ser entendidos neste esquadro histórico e relacional, que põe o confronto em
primeiríssimo plano.(ALONSO,2012,p.32)

Para termos de ensino, de um primeiro contato com a dinâmica dos movimentos sociais
contemporâneos se deve planar sobre suas linhas gerais, as novas formas de atuação social, as suas
estratégias, compreendendo que o conflito é mais do simplesmente um desvio ou condição
estrutural de um modo de produção, mas a própria condição de reformulação, dinâmica e
transformação social.
Os atores, os agentes, as novas formas de solidariedade e valores são fenômenos sociais a
serem observados mediante conceitos analíticos, que brevemente foram expostos. Entender a
emergência de novos problemas e como esses atores agem, atuam e usam de repertórios são
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decisivos no estudo dos movimentos sociais.

3. MOVIMENTOS SOCIAIS E ENSINO DE SOCIOLOGIA

Em termos de conteúdo didático, segundo o referencial curricular da Rede Estadual de


Ensino de Mato Grosso do Sul- Ensino Médio (2012), o estudo dos movimentos sociais se situam
no 3º Bimestre do segundo ano do Ensino Médio, posterior ao estudo de Raça, Cultura e Etnicidade,
e anterior ao estudo da formação do Estado Moderno e projetos políticos da modernidade.
Entretanto, baseada na autonomia do professor e na a confecção dessa análise, a escolha
para ministrar as aulas para o ensino médio se opta por alterar a ordem, assim o conteúdo da
formação do Estado moderno é apresentado anteriormente ao conteúdo de movimentos sociais,
assim sendo já possível ao aluno compreender a dinâmica dessa crítica e construção do conteúdo
apresentado na seção anterior, que servirá de guia para o debate.
Também é posterior aos estudos dos clássicos da sociologia, os principais conceitos e sua
história e contexto social de emergiram, a sociedade moderna, industrial, de classes e racional, que
já foram apresentados no primeiro ano letivo.
Aos estudantes foi apresentado no bimestre referente ao Estado Moderno principalmente os
conceitos de burocracia e organização de um Estado permanente e seus projetos históricos:
Absolutismo, liberalismo, fascismo, comunismo, Welfare State e Neoliberalismo que se estabelecem
como conteúdos estabelecidos pela BNCC :

As discussões sobre formas de organização do Estado, de governo e do poder são temáticas


enunciadas no Ensino Fundamental e aprofundadas no Ensino Médio, especialmente em
sua dimensão formal e como sistemas jurídicos complexos. Essas temáticas apresentadas de
forma ampla na BNCC fornecem alguns elementos capazes de agregar diversos temas de
ordem econômica, social, política, cultural e ambiental e permitem, sobretudo, a discussão
dos conceitos veiculados por diferentes sociedades e culturas.(BRASIL,2017,p.556)

Desse modo, o estudo dos movimentos sociais nesse momento de apresentação aos alunos
se articula como crítica e visualização de mudança das relações sociais entre os clássicos da política
e sociologia com transformações mais recentes, sejam elas a maior participação da sociedade civil,
novos conceitos para além de participação política partidária e de classes.
Essas formas ideológicas e projetos amplos de regulação social, projetos políticos da
modernidade, agora serão debatidos no cenário de até que ponto foram capazes de articular
interesses de forma ampla e se são capazes de se enquadrar algumas demandas e reivindicações da
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sociedade civil de forma completa e se esses movimentos são intrinsecamente ligados a esses
projetos ou são partes distintas, mas que podem se relacionar.
Os livros didáticos a serem analisados e adotados na rede estadual de ensino em Mato
Grosso do Sul são “Sociologia em Movimento 7” e “Sociologia8”, ambos contemplados pelo PNLD
2018.
Nesses livros didáticos há a discussão das origens de movimentos sociais e “Pobreza e
exclusão social são resultados concretos das desigualdades que fazem surgir os movimentos
sociais” ou de forma clara a síntese :
O que é um movimento social? Em geral, as pessoas consideram os movimentos sociais sob
apenas um ponto de vista: o das reivindicações. Já os estudiosos do tema levam em
considerações em conta diversas dimensões dos movimentos: crenças, valores, história e
diferenças internas, bem como suas ações e práticas sociopolíticas.
O tema dos movimentos sociais se entrelaça com o da cidadania, A história desses
movimentos é a história de grupos em geral desprivilegiados, que tentaram (ou tentam)
ampliar os direitos de cidadania e o alcance dos protestos, de modo a se estenderem dos
limites locais aos âmbitos nacional e global.
Movimentos sociais, portanto, são ações coletivas com o objetivo de manter ou mudar uma
situação. Em geral, envolvem confronto político e tem relação de oposição ou de parceria
com o Estado. São uma poderosa força de mudança social. Tal força pode ser exercida “de
baixo”, por meio de atividades construídas por pessoas comuns, em graus diversos de
associação, ou pode vir “de cima”, por iniciativa de membros da elite (legisladores,
governantes, dirigentes, juristas, administradores, intelectuais, etc).(SILVA et all, 2016,
p.196)

Além da caracterização dos movimentos sociais:


● (…)São capazes de ação coletiva, ou seja, desencadeiam grandes mobilizações por
necessidades sociais comuns, como moradias, escolas, centros hospitalares, postos
de saúde, estradas, saneamento, entre outras coisas.
● Dispõem de componentes ideológicos, visões de mundo que os inspiram e
desenvolvem por meio deles. Baseiam-se em valores, na consciência social sobre
determinadas situações e na crença de ser possível modificá-las
dependem de uma organização para sua formação e desenvolvimento
● Agem por meio de redes de movimentos. Essas redes articulam vários atores sociais
e podem se caracterizar: pelo pluralismo organizacional e ideológico, como no
movimento pacifista,
● Estabelecem novos canais de comunicação dos indivíduos com a sociedade e o
Estado.(ARAÚJO; BRIDI; MOTIM, 2016,p.267)

Os livros tratam dos seguintes temas:


Sociologia em Movimento:
I. Movimentos sociais como fenômenos históricos;
II. Características estruturais dos movimentos sociais;
III. Movimentos sociais tradicionais e novos movimentos sociais;

7SILVA,Afrânio, et all. SOCIOLOGIA EM MOVIMENTO. 2ª ed. São Paulo: Ed. Moderna, 2016
8ARAÚJO, S. M; BRIDI, M. A.; MOTIM, B. L. Sociologia. 2ª ed.São Paulo: Scipione, 2016.
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Sociologia
I. Movimentos sociais, classes e pobreza
II. Características dos movimentos sociais
III. Breve História dos Movimentos Sociais.
Em síntese, conforme os comparativos há a definição dos movimentos sociais, a distinção
entre tradicionais e novos movimentos sociais e a sua história.
No referencial curricular do Ensino Médio do Estado de Mato Grosso do Sul há a divisão do
conteúdo assim disposta:
I. Aspectos ideológicos e políticos dos movimentos sociais
– gênero e direitos sexuais
– étnicos e raciais
– luta pela terra
– juvenis
– ambientais
– culturais
II. Minorias
III. Minorias e movimentos sociais e as lutas por direitos de terceira geração.(MATO
GROSSO DO SUL, 2012, p.242).

A questão das minorias é tratado da forma que os movimentos sociais contemporâneos não
tratam mais com categorias amplas de revolução ou tomada do Estado e sim como ampliação da
participação e efetivação de direitos de terceira geração.
A questão dos aspectos ideológicos e políticos são tratados a partir da definição conceitual
de movimentos sociais ao longo do texto e as escolas teóricas apresentadas, enquanto articulação de
valores e formas de confronto político
O que se apresenta por último é justamente a articulação dos movimentos sociais por
direitos de terceira geração ou direitos difusos9, conteúdo apresentado no bimestre anterior por
proposta de alteração.
Os direitos difusos são justamente a consideração de direitos transindividuais, superando
também a noção de coletividade típica do modelo industrial de proteção associado à prestação de
serviços. Isso é importante ressaltar porque as gerações propostas por Marshall, direitos individuais,
políticos e sociais não subsidiam a compreensão da dinâmica atual de busca por direitos, e que se
ressalte que os direitos humanos são históricos segundo Bobbio:
9Sobre as gerações de direitos Bobbio debate: “Ao lado dos direitos sociais, que foram chamados de direitos de segunda
geração, emergiram hoje os chamados direitos de terceira geração, que constituem uma categoria, para dizer a verdade,
ainda excessivamente heterogênea e vaga, o que nos impede de compreender do que efetivamente se trata.(...)As
primeiras, correspondem os direitos de liberdade, ou um não-agir do Estado; aos segundos, os direitos sociais, ou uma
ação positiva do Estado. Embora as exigências de direitos possam estar dispostas cronologicamente em diversas fases
ou gerações, suas espécies são sempre — com relação aos poderes constituídos, apenas duas: ou impedir os malefícios
de tais poderes ou obter seus benefícios. Nos direitos de terceira e de quarta geração, podem existir direitos tanto de
uma quanto de outra espécie.(2011,p.09).
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Do ponto de vista teórico, sempre defendi — e continuo a defender, fortalecido por novos
argumentos — que os direitos do homem, por mais fundamentais que sejam, são direitos
históricos, ou seja, nascidos em certas circunstâncias, caracterizadas por lutas em defesa de
novas liberdades contra velhos poderes, e nascidos de modo gradual, não todos de uma vez
e nem de uma vez por todas (2011, p.09).

O referencial curricular do ensino médio trabalha com esses conceitos de história e direitos,
mediados pelas suas competências (1, 5 e 6) especificamente:

1. Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais nos


âmbitos local, regional, nacional e mundial em diferentes tempos, a partir de procedimentos
epistemológicos e científicos, de modo a compreender e posicionar-se criticamente com
relação a esses processos e às possíveis relações entre eles.(…)
5. Reconhecer e combater as diversas formas de desigualdade e violência, adotando
princípios éticos, democráticos, inclusivos e solidários, e respeitando os Direitos Humanos.
6. Participar, pessoal e coletivamente, do debate público de forma consciente e
qualificada, respeitando diferentes posições, com vistas a possibilitar escolhas alinhadas ao
exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência
crítica e responsabilidade. (BNCC,2017)

Da discussão sobre os movimentos sociais em seu aspecto teórico e quadro


paradigmático da discussão atual até sua inserção no currículo no ensino médio há uma distância
que se apresenta pela necessidade de compreender os movimentos sociais enquanto cenário de
conflitos pela construção e ampliação de direitos fundamentais.
É essa justamente essa condição que será trabalhada em sala de aula com os estudantes do
ensino médio. Como mediar os conflitos apresentados pelos movimentos sociais como a construção
da cidadania e direitos e garantias.

4. ATIVIDADE PEDAGÓGICA

O desenvolvimento das atividades em relação aos movimentos sociais se dará em três


Etapas: 1.Discussão conceitual sobre os movimentos sociais; 2. Apresentação de um filme que trate
de movimentos sociais; Atividade de pesquisa e discussão sobre movimentos sociais
contemporâneos mediados por notícias apresentadas por alunos.
A estratégia de ensino se dará no 3º Bimestre com 8 aulas.

4.1. Discussão conceitual


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A primeira parte da atividade é a apresentação e discussão conceitual sobre movimentos


sociais. É discutido a existência dos movimentos sociais como fenômeno de conflito da sociedade
de forma típica, não caracterizando como anormal, desconstruindo ideias e senso comum como
situações descontroladas em relação aos movimentos sociais, mas como dinâmicas da sociedade em
transformação.
A natureza dos movimentos sociais, suas características, suas dinâmicas, em síntese todo o
aparato conceitual apresentado na primeira parte deste texto é discutido com os alunos para
apresentar as principais características.
Salienta-se a identificação de formas novas de solidariedade, tipos de associação,
repertórios, entre outros para que na fase de identificação dos movimentos sociais por parte dos
alunos sejam explorados esses conceitos de forma empírica.
Essa etapa demandará de duas aulas.

4.2. Apresentação de um Filme

Será apresentado o filme “Junho: Junho – O Mês que Abalou o Brasil”10 de João Wainer, que
servirá como primeira experiência com diversos movimentos sociais dos estudantes após a
apresentação dos conceitos referentes a movimentos sociais e como exercício para compreender e
identificar algumas características dos movimentos sociais.
Essa atividade demandará de uma aula, sendo que o filme completo está disponível em
Youtube.

4.3 Movimentos sociais e notícias

Essa é a última atividade e que demandará dos alunos a organização em grupos (Sindical,
Estudantil, Feminista, LGBT+, Ecológico e Negro) e a pesquisa de uma notícia em um jornal de
grande circulação e apresentação para a classe referente a alguma atividade, debate, acontecimento
referente a algum desses movimentos sociais.
Nessa notícia deverá ser explorado algumas questões que tragam a tona conceitos de
dinâmicas dos movimentos sociais tais como:
Qual o conflito emergente nessa discussão?
Quais os valores em debate?

10JUNHO – O mês que abalou o Brasil. Direção: João Wainer. [S.I.]: Paris Filmes, 2014.1DVD(72 min)
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Qual a forma de manifestação (repertório utilizado)?


Qual as dinâmicas sociais que se apresentam com esse movimento, relacionados a que
mudanças na sociedade?
Quais direitos estão em debate? Individuais, coletivos, difusos? Qual a sua relação com o
Estado?
Quais os valores e grupos em questão que participam ou são atingidos por essa
problemática?
Quais alterações e conflitos essas demandas geram no Estado e coletividade.?
Essas questões devem, se não todas, maioria serem debatidas pelos alunos que apresentam a
notícia.
Essas temáticas apresentam consonância com os principais temas em debate dos
movimentos sociais contemporâneos e estão em consonância com o referencial curricular do ensino
médio do Estado de Mato Grosso do Sul.

5.CONCLUSÃO

Há uma distância entre os paradigmas teóricos apresentados em relação às competências


apresentadas pelo BNCC e também pelo referencial curricular, e é justamente nesse espaço que a
atividades se desenvolvem em relação ao estudo os movimentos sociais.
A capacidade de articular conceitos, compreender as dinâmicas da sociedade e compreender
a articulação das lutas, sejam pautadas por conceitos como minorias, ou como novas formas de
conflitos, que os estudantes devem identificar e estabelecer os nexos necessários para o seu
entendimento.
A relação dos conflitos, ações coletivas, novos valores e construção da cidadania por novos
direitos é que deve ser articulado por essas atividades.
É um exercício que disponibiliza aos estudantes pensar por conceitos científicos e articular
os mesmos em cenários empíricos e reconhecer as diferenças sociais e a construção da cidadania e
participação como elemento fundamental para garantia dos direitos humanos.
Compreender as desigualdades e suas lutas, mediados por conceitos que explicitem as
origens das mesmas, e os instrumentos de seus atores para a redução das mesmas é fundamental
para o exercício da autonomia e cidadania.
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6.REFERÊNCIAS

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