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Campos de experiências todos os dias! Como trabalhá-los?

Postado em 2018-02-04T18:52:23+00:00 por Tempo de Creche


Falamos em planejar, registrar, refletir e replanejar como uma postura
contemporânea do educador, que percebe as crianças e acolhe suas contribuições.
Mas isso é suficiente no contexto formal da Educação Infantil?
O que dizer de currículos oficias, como a BNCC, com conteúdos a serem ensinados ?
→ Por onde começar?
→ Quem pensa sobre a criança e a infância hoje?

Podemos partir de uma discussão baseada na


Antropologia da Criança para buscar conclusões. Clarice Cohn (2005) disse que a
criança produz cultura, não pelos objetos ou relatos que constrói, mas pela formulação
de um sentido que dá ao mundo que a rodeia. Segundo a antropóloga, criança não
sabe menos, sabe outra coisa e nós adultos precisamos entrar neste mundo
respeitando uma cultura que já existe. Essa postura faz toda a diferença ao pensar em
“currículos” e “ensinos”, porque não é possível construir desenvolvimento sobre um
território desrespeitado ou até destruído.
Conhecer a cultura da infância das crianças com as quais trabalhamos, é o primeiro
ponto de partida para pensar no contexto educativo.

O segundo ponto é refletir sobre a forma como entendemos a infância e o que ela
representa para a constituição do futuro adulto.

É a criança um adulto em miniatura?


Já vimos que a Antropologia da
Criança distancia-se desse pensamento porque considera que a criança tem universo
próprio.

O terceiro ponto apoia-se nas pesquisas da arquitetura do cérebro, que é formado


pelas experiências, aprendizagens e emoções vividas na infância.

Os estudos de ambas as ciências – antropologia e fisiologia do pensamento – falam


que crianças aprendem pela experiência, pela pesquisa e interações que realizam ao
brincar, que deixam marcas por toda a vida.
Esse é o nosso guia!
Simples?
Não, complexo! E desafiador!

Fomos treinados para conduzir o ensino e dar aulas. Esse modo de agir não é
respeitoso e nem produtivo.
Se aquilo que é planejado só parte do desejo do
educador, por mais interessante que seja, cai na imposição. Se planejamos pensando
nos interesses e pesquisas já apresentados pelas crianças e nas necessidades
identificadas nas reflexões pedagógicas, então oferecemos oportunidades de
experiências. Se pensamos em propor (não fazer!) atividade, com opções de propostas
“paralelas” para quem tem outros desejos, garantimos vivências significativas.

Mas afinal, qual a responsabilidade sobre o desenvolvimento das crianças na escola?

Nossa responsabilidade com as infâncias é garantir brincadeiras, desafios, espaços de


relações, o desejo de criar e se expressar e o bem estar, experiências organizadas
em CAMPOS DE EXPERIÊNCIAS:
Habilidades do Corpo (corpo, gestos e movimentos*)
 Autonomia e segurança para buscar objetos, pessoas, se deslocar e brincar.
 Brincadeiras, busca por desafios corporais, controle motor, posicionamento
espacial, deslocamentos, adequação dos gestos e movimentos.
 Gestos e movimentos expressivos do corpo como comunicador.
 Cuidados com o próprio corpo, higiene, alimentação e bem estar.

Habilidades Sociais, Autonomia e Identidade (o eu, o outro e o nós*)


 Percepção do próprio corpo, dos limites, habilidades e singularidades.
 Reconhecimento e valorização da própria cultura. Contato com a cultura local e as
culturas de outros povos.
 Vivências sobre a diversidade e a inclusão.
 Expressão de sentimentos, desejos e necessidades.
 Percepção do efeito das próprias ações e empatia.
 Curiosidade, pesquisa envolvimento em desafios e soluções de problemas.
 Autonomia no brincar e nos cuidados de si, do outro e do ambiente.
 Participação em situações de colaboração e compartilhamento.
 Relação: interação com adultos e crianças. Ter iniciativa e buscar soluções para
conflitos. Brincadeiras: individuais, lado a lado e em grupo.

Campo da Oralidade e Letramento (escuta, fala, pensamento e


imaginação*)
 Expressão oral e diálogo: balbucios, fala e brincadeiras com a
oralidade. Comunicar-se no cotidiano
 Narração de acontecimentos, criação de enredos e recontos.
 Vivência de oportunidades para compreender a fala dos adultos e das crianças
 Percepção dos diferentes discursos e usos sociais da língua (falada e escrita)
 Brincar com as palavras (cantigas, parlendas, quadrinhas)
 Experiências com momentos de narrativas literárias (contação de histórias,
cantigas, parlendas etc.) e momentos de conversas em grupo (roda).
 Oportunidades para desenvolver o comportamento leitor.
 Experimentação gráfica de marcas – desenho/pintura – para ampliar as narrativas
e despertar hipóteses para a escrita.
 Elaboração de hipóteses e explicações para situações-problema.
Traços, sons, formas e imagens (traços, sons, cores e formas*)
 Expressão e comunicação
 Criação e experimentação de diversas linguagens e formas expressivas
 Vivências artísticas e ampliação de repertório cultural e artístico
→Expressão Musical e Dança
o Brincadeira e pesquisa sonora
o Vivência de repertório musical variado em gêneros, estilos, épocas e culturas
diferentes
o Reconhecimento de sons e ritmos
o Criação e produção de sons
o Momento de cantiga, roda e brincadeiras tradicionais
o Dança: movimentos e gestos expressivos

→ Expressão em Artes Visuais


o Prática frequente (diária) do desenho, marcas gráficas e experiências com cor
o Situações que instiguem a curiosidade, criatividade e a expressão
o Experimentação de uma diversidade de materiais plásticos, riscadores e suportes
o Pesquisa bidimensional e tridimensional (desenho, pintura, modelagem,
construção, colagem)
o Exploração de materiais de largo alcance (não convencionais e sucatas)
→Expressão no Faz de Conta
 Brincadeiras com autonomia na criação de enredos, cenários e papeis.
 Vivência em espaços e materiais organizados (espaços propositores) que ampliem
o faz de conta.
 Oportunidades para brincar com autonomia e também participar de brincadeiras
mediadas pelo professor.
 Oportunidades para brincar sozinho, em grupo, com crianças da mesma faixa etária
e de idades diferentes.

Conhecimento de mundo: natureza, ciência e matemática (espaços,


tempos, quantidades, relações e transformações*)
 Exploração das características dos objetos e materiais: odor, sabor, sonoridade,
forma, peso, tamanho, posição, plasticidade etc..
 Observação de padrões, irregularidades e permanências; noções de espaço e
tempo; percepção de transformações, causas e consequências.
 Vivência e pesquisa de transformações e fenômenos naturais (clima, tempo,
relevo), físicos e químicos. Elaboração de hipóteses e oportunidades para testá-las.
 Experimentação de conceitos relacionados à quantidade, peso, tamanho, forma e
posição
 Vivência da ocupação de espaços, deslocamentos e das construções
tridimensionais.
 Oportunidades para criar estratégias para classificar, ordenar, relacionar, transferir
e transvasar.
 Relação direta e experiências com a natureza (flora e fauna) e seus ciclos de vida,
diversidade, relações entre os seres vivos, os elementos (água, ar, terra e fogo),
respeito e conservação.

Quais interesses estão demonstrando?


O que estão pesquisando?
… Percebeu que as crianças se interessaram pela borboleta que sobrevoou o pátio
ontem? Então vamos aproveitar!
Imitar os movimentos do bichinho;
Perguntar se as crianças imaginam como as borboletas vivem, o que comem, onde
moram;
Pintar inspiradas nas cores dos animais observados;
Desenhar os bichinhos, seu voo, as plantas e flores:
Pesquisar fotografias de borboletas que existem na localidade;
Observar a diversidade de cores, formas e tamanhos;
Ouvir histórias e ler livros sobre o bichinho;
Compor cenários para um faz de contas temático.
Cantar cantigas e inventar a dança da borboleta.
Estas são somente possibilidades imaginadas por nós. Mas Propostas assim poderiam
compor uma sequencia didática ou até um projeto sobre borboletas.
As perguntas e o interesse continuam? Ótimo! Damos sequência avaliando as pistas
que as próprias crianças deixam. A curiosidade cessou? Então é hora de buscar outros
conteúdos para provocar e levantar os interesses. Não há um tempo pré-determinado
para que sequências didáticas e projetos aconteçam! O importante é não deixar
escapar as oportunidades e ter o currículo embaixo do braço.
* Denominação dos campos de experiências segundo a terceira versão da Base
Nacional Comum Curricular – Educação Infantil (BNCC)

O objetivo da Antropologia da Criança é apresentar o campo de pesquisas que se abre


quando a antropologia foca as crianças como objeto e/ou interlocutoras.
Howard Gardner é um psicólogo cognitivo e educacional americano, da Universidade
de Harvard e conhecido em especial pela sua teoria das inteligências múltiplas.