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ESTACAS MOLDADAS IN LOCO: EXECUÇÃO, VANTAGENS

E DESVANTAGENS

Resumo:Para realização de qualquer obra seja grande, média ou de pequeno porte, antes de
tudo precisa- se de um levantamento de dados do solo, para saber exatamente o tipo de solo
que se trata, verificando sua compressibilidade e resistência, e suas devidas características a
fim de tornar uma construção segura, e evitar problemas futuros; depois de dados obtidos
veem a decisão do profissional da escolha da melhor e mais viável economicamente do tipo
de fundação; dentre tantas no mercado. Com esse objetivo o presente artigo tem por objetivo
dar ênfase em estacas de fundação profunda do tipo in loco; que éfundação realizada
exatamente no local podendo ser cravadas ou perfuradas; como revisão bibliográfica,
apresentando seus métodos de execução, os tipos, suas características, vantagens e
desvantagens.

Introdução

Estacas pré-moldadas in loco, são estacas construídas exatamente no local,


diferentemente das estacas de madeira, ou metálicas por exemplo que são trazidas para a
obra para serem alocadas. Há vários tipos de fundações sendo subdivididas em dois grupos;
as rasas e as profundas; e dentro do grupo profundas, temos as estacas que são elementos
dessas fundações, executadas por ferramentas ou equipamentos podendo ser cravadas,
perfuradas, ou ainda pelo processo de prensagem.
Estacas compõem fundações profundas a fim detransferir por efeito de atrito lateral com o
solo e por meio de um fuste; são normalmente utilizadas quando o solo superficial não é
capaz de suportar uma estrutura de grande porte, não sendo um solo bom.
Temos atualmente no mercado uma variedade grande de estacas para fundações, e
com certo tempo novotipos são acrescidos no mercado, incluindo novas técnicas de execução
para as mesmas, fazendo com que o processo torne- se cada vez maiságil e eficaz.Dentro do
processo de execução de estacas profundas empregadas no Brasil temos as estacas pré-
moldadas e estacas moldadas in loco,
Segundo explica a engenheira Gisleine Coelho de Campos, pesquisadora do
Agrupamento de Fundações da Divisão de Engenharia Civil do IPT, normalmente, a esse tipo
de fundação (estacas moldadas in loco) estão associadas as estruturas de grandes cargas ou
características de solo superficial ruim. No entanto, solos com baixa capacidade de suporte em
pequena profundidade também podem obrigar a utilização de fundações profundas até mesmo
para uma casa ou um sobrado. "É importante destacar essa falsa ideia de que fundação
profunda serve apenas para obras de grande porte. O que define o tipo de sistema é o
conjunto: tipo de estrutura e característica do solo" complementa.
"Muitas vezes, na escolha da fundação são privilegiados critérios como custo e velocidade de
execução, e essa é a causa de grande parte dos problemas futuros que uma fundação possa vir
a apresentar", comenta a pesquisadora do IPT, Gisleine Coelho de Campos. Da mesma forma,
não basta fazer uma bela campanha de investigação, possuir um projeto perfeitamente
adequado, com cálculos coerentes e bem-dimensionados, se na hora de executar há um
operador sem treinamento.
Cada vez mais com as tecnologias avançadas, os equipamentos para perfuração tendem a
serem mais ágeis e eficazes revolucionando o mercado construtivo, mas a essência de quando
o homem construía suas primeiras cabanas é a mesma.
No caso das estacas moldadas in loco, as tecnologias disponíveis vão desde simples estacas-
brocas até as modernas estacas ômega e a hélice contínua monitorada .O que diferencia
grande parte dos métodos de fundações é o processo executivo( TÉCHNE, fundações
profundas II, edição 83).

Principais tipos de estacas moldadas in loco


Como há uma variedade de tipos de fundações no mercado atual muito grande, torna-se mais
eficaz na escolha da mais viável a ser empregada em uma construção; no entanto estacas de
concreto moldadas in loco podem encontradas do tipo: Strauss, Franki, Raiz, Barrete ou
Estação e a mais comum e rudimentar estaca broca.
As estacas moldadas in loco são executadas enchendo-se de concreto perfurações previamente
executadas no terreno, através de escavações ou de deslocamento do solo pela cravação de
soquete ou de tubo de ponta fechada. Estas perfurações, quando escoradas, podem ter suas
paredes suportadas por revestimento a ser recuperado ou a ser perdido, ou por lama
tixotrópica. Só se admite a perfuração não suportada em terrenos coesivos, acima do lençol
d’água, natural ou rebaixado. Estas estacas podem ainda apresentar base alargada. (NBR
6122/ 1996).
Estacas tipo Franki e sua execução

É um tipo de estaca de concreto armado feita diretamente no solo, por processo de cravação e
tem uma capacidade de carga elevada.
A execução desse tipo de estaca funciona da seguinte maneira: primeiramente é posicionado
um tubo de revestimento sobre o terreno e coloca uma quantidade de brita e areia no seu
interior para ser compactada pelo impacto de golpes do pilão (equipamento do bate estaca) em
queda livre; essa mistura forma uma bucha comprimida, com a função de que a agua e o solo
não penetrem na estaca em execução;a profundidade dessa cravação será definida pelo
comprimento prefixado em projeto (nega). Após o termino da cravação, o tubo será preso a
torre do bate estaca, para expulsar a bucha e iniciar a execução da base alargada (obtida por
pequenas quantidades de concreto seco apiloando-se), da- se então o processo da colocação da
armação e iniciando a concretagem do fuste, removendo o tubo com o apiloamento das
camadas. Em media o pilão do bate estaca em queda livre pode chegar a um peso aproximado
de 1 a 4,5 t.( Fundações Teoria e Prática,1998).
As vantagens da estaca Franki vão desde o suporte de cargas elevadas, podem também ser
executavas abaixo do nível do mar; suas desvantagens são que esse tipo de estaca tem um alto
custo e o espaço da obra deve ser grande para permitir o manuseio dos equipamentos; na
execução provoca uma vibração muito grande, por isso não é recomendado em grandes
centros urbanos ou próximos a construções podendo ser danificadas devido a vibração do
solo.(Revista Téchne).

Figura 01 – Processo de execução dasEstacas tipo Franki


Fonte: Construção Mercado

Estaca Strauss

Diferente da estaca franki, a estaca do tipo Strauss é escavada, ou seja, para a


realização da mesma é necessário á remoção parcial do solo com um equipamento chamando
sonda ou piteira, tendo facilidade no processo de execução por se tratar de um tipo de estaca
mais leve e de fácil locomoção.

A execução da estaca Strauss inicia com a abertura de umpré furo para a colocação do
primeiro tubo ( coroa)no local a ser construído, com o auxilio de uma piteira ou o soquete,
com golpes de sonda que vai fazer com que esse tubo desça, a seguir rosqueia-se o tubo
seguinte ate a profundidade determinada em projeto.Após realizado processo do furo é
colocada água dentro do tubos para que haja a limpeza, essa água será retirada através da
sonda; o concreto então preparado é lançado no interior dos tubos apiloando com o soquete, a
mediada que o concreto é apiloado o tubo vai sendo retirado por um guincho; a concretagem
prossegue com a ultima operação que ser a colocação dos ferros de espera para armação aos
blocos. (Fundações Teoria e Pratica, 1998).
A estaca Strauss além de possuir uma simples execução com baixo custo o seu processo de
execução é caracterizado por um processo lento e não causa vibrações; e como desvantagens
dessa estaca é que sua execução possui limitação quanto ao nível do lençol freático e tem –se
um concreto de má qualidade(feito a mão) Também apresenta dificuldade para escavar solo
mole de areia fofa por causa do estrangulamento do fuste. (Revista Téchne).

Figura 02 – Processo de execução das Estacas Strauss

Fonte: Construção Mercado

Estaca tipo hélice continua

Consiste na fase de execução desse tipo de estaca: perfuração, concretagem, extração


da hélice e colocação da armação, é executada, no entanto por meio de um trado (evolução da
broca).

Na execução dessa estaca é introduzido o trado (ate profundidade determinada) por


rotação; a entrada de solo ou água no trado é impedida por uma tampa de proteção colocada
na sua extremidade, que será expulsa no inicio da concretagem; A perfuração desse tipo de
estaca como o próprio nome diz é continua, pois garante que não ocorra alivio do terreno,
tornando possível sua execução tanto em solos firmes como arenosos, na presença ou
ausência de lenço freático. Alcançada a profundidade necessária, o concreto é bombeado
através do tubo central, preenchendo a perfuração deixada pela hélice que é extraída na
maioria dos casos sem girar; e colocada a armação após a concretagem. (Fundações, Teoria e
Pratica).

Tem-se como vantagens a utilização dessa estaca emobras que demandam rapidez, ausência
de barulho e de vibrações prejudiciais a prédios da vizinhança. Pode ser executada em
terrenos coesivos e arenosos, na presença ou não do lençol freático e atravessa camadas de
solos resistentes. Também oferece uma solução técnica e economicamente interessante em
obras onde há um grande número de estacas sem variações de diâmetros, pela produtividade
alcançada.( Revista Téchne).
As desvantagens dessa estaca são em função do porte do equipamento, as áreas de trabalho
devem ser planas e de fácil movimentação. Exige central de concreto nas proximidades do
local de trabalho. É necessário um número mínimo de estacas compatível com os custos de
mobilização dos equipamentos envolvidos.Os equipamentos disponíveis permitem executar
estacas de no máximo 32 m de profundidade e inclinação de até 1:4 (H:V). (Revista Techne).

Figura 03 – Processo de execução das estacas tipo hélice continua

Fonte: Geofix Fundações

Estaca Raiz
A execução dessa estaca ocorre pela perfuração do solo por rotação de tubos com o
auxilio de circulação de água ou lama betonitica( em casos especiais) ; esses tubos serão
emendados por rosca, sendo tirados após a colocação da armadura e preenchimento do furo.
A perfuração do furo é executada mediante a utilização de equipamentos mecânicos
apropriados denominados perfuratrizes (hidráulicas, mecânicas ou pneumáticas).
Recomendadas quando a camada resistente localiza-se em profundidades variáveis. Também
no caso de terrenos com pedregulhos ou pequenos matacões relativamente dispersos. A forma
rugosa do fuste garante boa aderência ao solo (resistência por atrito).
Algumas limitações dessa estaca são seus maiores inconvenientes dizem respeito à vibração
do solo durante a execução. Demanda área para o bate-estacas. Há possibilidade de alterações
do concreto do fuste por deficiência do controle.

Figura 04 – Processo de execução das estacas tipo Raiz

Fonte: Brasfond Fundações Especiais

Estaca Barrete
Essa estacas são escavadascom uso de lama betonítica, na medida em que é retirado o
solo escavado é preenchido com essa lama; executadas com equipamentos de grande porte,
como o clam-shell (equipamento da construção civil utilizado em obras); podem ser
escavadas abaixo do nível d’ agua levando em consideração a profundidade prevista em
projeto.

Segundo a FUNDESP (1987), a lama bentonítica é constituída de água e bentonita, sendo


esta última uma rocha vulcânica, onde o mineral predominante é a montimorilonita. No
Brasil, existem jazidas de bentonita no Nordeste (Bahia e Rio Grande do Norte). Trata-se de
um material tixotrópico que em dispersão muda seu estado físico por efeito da agitação (em
repouso é gelatinosa com ação anti-infiltrante; agitada fluidifica-se). Seu efeito estabilizante é
eficaz quando a pressão hidrostática da lama no interior da escavação é superior à exercida
externamente pelo lençol e a granulometria do terreno é tal que possa impedir a dispersão da
lama.

É indicadaquando há necessidade de suportar cargas elevadas. O comprimento das estacas é


bastante variável, atingindo até 45 m. Permite inspeção do solo à medida que se escava.
Rápida execução e pouca vibração.
Apresenta algumas desvantagens como por exemplona necessidade de um amplo
canteiro de obras para equipamentos e tanques de armazenamento de lama e depósito de solo
escavado. Nível do lençol freático muito alto ou lençol com artesianismo podem dificultar a
execução, principalmente quando em camadas de areias finas e fofas. Recuperação ou
reforços são de difícil execução.(Revista Techne).

Figura 05 – Processo de execução das estacas tipo Barrete


Fonte: Brasfond Fundações Especiais

Estaca Broca

São estacas de fundação executadas sem molde e da maneira “in loco” que
desempenha função estrutural. É necessária a perfuração do terreno que poderá ser feita de
maneira manual ou automática, sempre com o auxílio do equipamento chamado de trado. O
furo, após os procedimentos necessários, será preenchido com concreto.

É a estaca mais rudimentar que existe, executado com trado, concha manual (apiloada
ou não) e sem revestimento.
É utilizada em pequenas obras (com pouca responsabilidade) e em contenções de
subsolo de edificações.
Todas as dimensões da perfuração da broca variam de acordo com as necessidades e
serão todas determinadas por um calculista, sendo que elas terão que aparecer no projeto.
Todas as especificações necessárias serão de acordo com o que consta na norma NBR
6118/80.

O primeiro passo para a execução e levantamento das brocas é a locação. Os pontos


nos quais serão feitos os vãos serão demarcados e constarão em gabarito para que saiba
exatamente onde colocar. Após a locação faz-se a perfuração com o auxílio do trado até a
profundidade prevista em projeto. Após atingir a profundidade, é necessário limpar o fundo
da perfuração completamente, tirando resquícios de terra e qualquer tipo de lama ou água que
estejam no fundo. Após a limpeza, despeja-se o concreto com a ajuda de um funil. Após a
concretagem do vão, prepara-se a armadura, que deverá ser feita tanto transversal quando
longitudinalmente, prolongando a armadura até o bloco de coroamento.

A recomendação para brocas de concreto é de um diâmetro que esteja entre 20 e 40 cm


e o espaçamento entre as estacas deve ser, também no mínimo, três vezes o diâmetro da broca.
Para erros na localização, tem um máximo de tolerância sem que haja necessidade de
manutenção. Até 1% de desvio, pode deixar da maneira como está.

As principais vantagens são o baixo custo, não provoca vibrações durante a execução,
evitando danos em estruturas vizinhas e a concretagem no comprimento estritamente
necessário.
As principais desvantagens são a baixa carga de trabalho, baixa qualidade executiva,
não é executada abaixo do N.A. (nível de água do solo) e comprimentos de no máximo 8m.

Figura 06 – Processo de execução das estacas Broca

Fonte: Construção Mercado


Conclusão

Para determinarmos o tipo de fundação com estacas moldadas in loco devemos levar
em consideração alguns fatores como a escolha do tipo de estaca de fundação a ser utilizada
em um projeto sendo aquela que irá suportar as cargas a serem recebidas da estrutura
respeitando os quesitos de segurança e fatores econômicos. Outros fatores como topográficos,
o tipo do solo que será aplicada e técnicos também influenciam na escolha do melhor tipo de
estaca a ser utilizada assim como a preocupação com as edificações vizinhas.

Referências Bibliográficas

Hachich Waldemar, Luiz José Saes, Fundações teoria e prática, São Paulo: Pini, 1998.
http://construcaomercado.pini.com.br/negocios-incorporacao-construcao/48/estacas-281649-
1.aspx;
http://redefederal.mec.gov.br/images/pdf/setec_orientacoes_sobre_escolha_de_fundacoes.pdf;
https://www.escolaengenharia.com.br/tipos-de-estacas-para-fundacao/;
https://aprenderengenharia.blogspot.com.br/2014/05/estaca-broca.html.