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DIREITO ADMINISTRATIVO

Autarquia III
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AUTARQUIA III

AUTARQUIAS PROFISSIONAIS OU CORPORATIVAS

Os conselhos profissionais, entidades que fiscalizam profissões, possuem


forma jurídica de autarquia, como o CRM, CRC, CRO etc.
O art. 58, § 3º, da Lei n. 9.649/1998 estabelece que:

Os empregados dos conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas são


regidos pela legislação trabalhista, sendo vedada qualquer forma de transposição,
transferência ou deslocamento para o quadro da Administração Pública direta ou
indireta.

As autarquias devem realizar concurso público com vínculo jurídico estatutá-


rio, e não celetista. O art. 39 da Constituição Federal de 1988 estabelecia regime
jurídico único para a Administração direta, autarquias e fundações. Em 1998, a
Emenda n. 19 autorizou pluralidade de regimes. No mesmo ano, a Lei n. 9.649
determinou a utilização da CLT para as autarquias profissionais.
Em 2007, a ADIN n. 2135/4 questionou a emenda que alterou o art. 39 da CF,
alegando que o Congresso Nacional não atendeu as formalidades necessárias
para edição de emenda constitucional (vício de formalidade). Mediante liminar,
o STF determinou o retorno do art. 39, em sua redação originária, isto é, a volta
do regime jurídico único.
As contratações realizadas entre 1998 e 2007 foram aperfeiçoadas e conti-
nuaram válidas, o STF declarou efeitos ex nunc. Dessa forma, o art. 58, § 3º, da
Lei n. 9.649/1998 foi declarado inconstitucional.

DIREITO ADMINISTRATIVO. CONSELHOS DE FISCALIZAÇÃO PROFISSIONAL.


NATUREZA JURÍDICA. AUTARQUIAS CORPORATIVAS. REGIME DE CONTRA-
TAÇÃO DE SEUS EMPREGADOS. INCIDÊNCIA DA LEI N. 8.112/1990.
1. A atividade de fiscalização do exercício profissional é estatal, nos termos dos arts.
5º, XIII, 21, XXIV, e 22, XIV, da Constituição Federal, motivo pelo qual as entidades
que exercem esse controle têm função tipicamente pública e, por isso, possuem
natureza jurídica de autarquia, sujeitando-se ao regime jurídico de direito público.
ANOTAÇÕES

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4. Com a Lei n. 9.649/1998, o legislador buscou afastar a sujeição das autarquias


corporativas ao regime jurídico de direito público. Entretanto, o Supremo Tribunal
Federal, na ADI n. 1.717/DF, julgou inconstitucional o dispositivo que tratava da
matéria.
6. As autarquias corporativas devem adotar o regime jurídico único, ressal-
vadas as situações consolidadas na vigência da legislação editada nos termos da
Emenda Constitucional n. 19/1997.
7. Esse entendimento não se aplica a OAB, pois no julgamento da ADI n. 3.026/
DF, ao examinar a constitucionalidade do art. 79, §1º, da Lei n. 8.906/1996, o Ex-
celso Pretório afastou a natureza autárquica dessa entidade, para afirmar que seus
contratos de trabalho são regidos pela CLT.
8. Recurso especial provido para conceder a segurança e determinar que os impe-
trados, com exceção da OAB, tomem as providências cabíveis para a implantação
do regime jurídico único no âmbito dos conselhos de fiscalização profissional, inci-
dindo no caso a ressalva contida no julgamento da
ADI n. 2.135 MC/DF. REsp N. 507.536-DF (Rel. Min. JORGE MUSSI)

A OAB, apesar de ser um conselho profissional, não possui forma de autar-


quia, tratando-se de entidade sui generis.

Direto do concurso
1. (CESPE/PC-PB/DELEGADO DE POLÍCIA) A OAB, conforme entendimento
do STF, é uma autarquia pública em regime especial e se submete ao con-
trole do TCU.

Comentário
A OAB não possui forma de autarquia, pois é considerada como entidade sui
generis.

2. (FGV/PROCEMPA/ADVOGADO/2014) Considerando a decisão liminar do


STF na ADI n. 2.135-4, que suspendeu a eficácia da nova redação do caput
do Art. 39 da Constituição Federal de 1988, dada pela Emenda Constitucio-
nal n. 19/1998, assinale a afirmativa correta.
ANOTAÇÕES

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a. Todos os servidores da Administração Pública direta e indireta, de todos os


entes da Federação, estão sujeitos ao regime estatutário
b. Os empregados públicos da Administração direta, autárquica e fundacio-
nal, admitidos entre a edição da Emenda Constitucional n. 19 e o julga-
mento da liminar, não tiveram sua situação jurídica modificada pela aludida
decisão.
c. Lei federal definirá o regime jurídico único que vinculará os servidores da
Administração Pública direta, das autarquias e das fundações públicas, de
todos os entes da Federação.
d. Todos os servidores ocupantes de cargo em comissão na Administração
Pública direta, de qualquer dos entes da Federação, estão submetidos ao
regime celetista.
e. A decisão da Corte Suprema aplica-se, inclusive, aos servidores que in-
gressaram na Administração Pública antes daquele julgamento, eis que
não há direito adquirido a regime jurídico, conforme jurisprudência pacífica
do próprio STF.

Comentário
Comentando item a item:
a. Os órgãos da Administração Pública indireta são pessoas de direito privado
e utilizam o regime celetista para contratar.
b. Os empregados públicos da Administração direta, autárquica e fundacional
admitidos entre 1998 e 2007 não tiveram situação jurídica modificada. Todas
as contratações realizadas nesse período foram mantidas.
c. Cada ente da federação cria seu próprio regime jurídico.
d. Os ocupantes de cargo em comissão têm regime diferenciado, mas não são
regidos pela CLT.
e. O servidor que era estatutário antes da decisão da Corte Suprema não teve
seu regime jurídico alterado.
ANOTAÇÕES

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GABARITO

1. E
2. b

�Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a
aula preparada e ministrada pelo professor Rodrigo Cardoso.
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