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Sheila Moreira Alves
Stela Lopes Soares
Viviany Caetano Freire Aguiar

FISIOLOGIA DO ESFORÇO

1ª Edição
2017

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Sumário

Palavra do Professor autor


Sobre os autores
Ambientação à disciplina
Trocando ideias com os autores
Problematizando

UNIDADE I: INTRODUÇÃO À FISIOLOGIA DO ESFORÇO


Conceito de Fisiologia
Fisiologia do Esforço
Aspectos Históricos da Fisiologia do Exercício
Aspectos Contemporâneos

UNIDADE II: BIOENERGÉTICA, JUNÇÃO NEUROMUSCULAR E O EXERCÍCIO


FÍSICO
Compreendendo a Bioenergética
Conceituando Energia
Formas de Energia
Quilocaloria
Macronutrientes
Enzimas como Catalizadores Biológicos
Adenosina Trifosfato - ATP
Sistemas Energéticos
Volume de Oxigênio Máximo - VO2máx
Junção Neuromuscular
Tipos de Fibras Musculares
Fadiga Muscular
Propriocepção

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UNIDADE III: NOÇÕES DE ADAPTAÇÃO FISIOLÓGICA
O funcionamento do Sistema Cardiovascular gerando efeitos agudos ao exercício físico
Adaptações crônicas do exercício físico e a frequência cardíaca
Sistema Endócrino e o Exercício Físico
O Exercício Físico e o Sistema Respiratório

Explicando melhor com a pesquisa


Leitura Obrigatória
Saiba mais
Pesquisando com a Internet
Vendo com os olhos de ver
Revisando
Autoavaliação
Bibliografia
Bibliografia Web
Vídeos

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Palavra do Professor autor

A Fisiologia do Esforço estuda os processos adaptados e relacionados com a


atividade física na execução de tarefas motoras em diferentes situações de exercício.

Hoje, entre os principais objetivos da Educação Física no âmbito escolar,


relaciona-se à compreensão do funcionamento do organismo e sua relação com a
aptidão física, noções sobre fatores em suas práticas corporais, estudos com
perspectiva na cultura corporal e sobre atividade física como promotora de saúde. O
aspecto prático da Educação Física reforça valores morais e normas de forma mais
consistente que discursos teóricos.

Quando se fala de movimentos, de exercício físico, de regularidade, de


sobrecarga, não se pode, jamais, esquecer que o corpo é uma estrutura biológica em
constante processo de transformação e adaptação. E, que o exercício físico é um
agente estressor, que promoverá a quebra da homeostasia das funções orgânicas, o
que gera uma demanda energética e um remodelamento neurofisiológico.

Assim, a partir do conceito dos principais fundamentos que a literatura


recomenda sobre o funcionamento do corpo durante o exercício e adaptação que serão
expostos no material, pretendemos desenvolver no estudante um conhecimento
integrado da Fisiologia do Esforço, para que possa contribuir com sua formação
enquanto futuro professor de Educação Física.

Bons estudos!

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Sobre as autoras

Sheila Moreira Alves, mestre em Ciências da Saúde pela


Universidade Federal do Ceará (UFC), graduada em Educação
Física (Licenciatura) pela Universidade Estadual Vale do Acaraú
(UVA). Professora Tutora do Laboratório de Estudos e Práxis em
Educação Física (LEPEF) da UVA, locada no Núcleo de Estudos
em Atividade Física e Saúde.

Stela Lopes Soares é Mestranda em Ensino na Saúde pela


Universidade Estadual do Ceará – UECE. Especialista em Fisiologia
do Exercício e Biomecânica do Movimento e Gerontologia pelo
Centro Universitário UNINTA, Docência no Ensino na Saúde pela
Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e em Saúde
da Família pela Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA.
Graduada em Educação Física pela Universidade Estadual Vale do
Acaraú - UVA e em Fisioterapia pelo UNINTA. Membro do Grupo de Estudos e
Pesquisas em Educação Física Escolar - GEPEFE pela UECE e do Laboratório de
Pesquisa Social, Educação Transformadora e Saúde Coletiva – LABSUS pela UVA.
Professora do curso de Educação Física na modalidade à Distância no Centro
Universitário UNINTA.

Viviany Caetano Freire Aguiar é Pós-graduanda em Saúde


Pública e Saúde da Família pelo Instituto Superior de Teologia
Aplicada (UNINTA). Graduada em Educação Física pela
Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), participou como
monitora do Programa de Educação pelo Trabalho (PET-Saúde)
durante dois anos, monitora voluntária do Projeto de Extensão
Idade Ativa pela UVA durante o período de graduação. Atualmente é Orientadora
Educacional na Coordenação do Curso de Educação Física EAD no UNINTA - Centro
Universitário INTA.
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Ambientação

Caros estudantes, bem - vindos!

A disciplina Fisiologia do Esforço estuda o funcionamento do corpo antes


durante e depois do exercício. No decorrer das unidades que organizamos para seu
estudo, você irá aprender os principais fundamentos que a literatura recomenda e que
serão indispensáveis na consolidação de sua prática enquanto futuro Educador Físico.

Pensando na proposta de um material inovador, selecionamos com muito


cuidado os temas para esta jornada de estudos, a saber: a história; os princípios
fisiológicos da atividade física; respostas fisiológicas ao exercício; adaptações
fisiológicas ao treinamento; princípios básicos das atividades físicas; patologias
funcionais e prescrição da atividade individual e coletiva, e outros assuntos
relacionados para o entendimento teórico-prático sobre a função da disciplina de
Fisiologia do Exercício no curso de Educação Física.

O material propõe aprofundar o assunto, através da indicação de leituras de


obras, artigos e vídeos que serão indicados ao longo da disciplina.

Esperamos despertar seu interesse em conhecer ainda mais a sua área de


formação e que o estudo que por ora se inicia estimule a pesquisa científica, a novas
experiências e vivências.

Bons estudos!

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Trocando ideias com os autores

Sugerimos que leia a obra Fisiologia Humana do autor Guyton. O


livro traz um apanhado dos últimos avanços em biologia molecular,
cardiovascular, neurofisiologia e tópicos gastrointestinais, com
acréscimo de ilustrações e diagramas. Este livro oferece uma base
sólida tanto na teoria como na pesquisa, com uma abordagem
prática para uma compreensão mais abrangente e a valorização da
fisiologia do exercício na atualidade.

GUYTON, ARTHUR C. Fisiologia humana. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,


2011. ISBN 978-85-277-1412-9

Este livro oferece uma base sólida tanto na teoria como na


pesquisa, com uma abordagem prática. Aplicações e informações
práticas destacam tópicos como ácido lático vs. lactato, distúrbios
induzidos pelo esporte e pelo exercício, perturbações no equilíbrio
ácido-básico dos músculos, como calcular o aumento da
temperatura corporal durante o exercício, causas principais vs.
causas reais de morte, e estudos que nos revelam como a
atividade física e o condicionamento cardiovascular estão ligados à doença cardíaca e
à morte.

HOWLEY, EDWARD; POWERS, SCOTT K. Fisiologia do exercício: teoria e


aplicação ao condicionamento e ao desempenho. 6. ed. Barueri: Manole, 2009. 646 p.
ISBN 978-85-204-2783-5

GUIA DE ESTUDO: Elabore um resumo comparativo entre o pensamento dos autores.


Em seguida coloque o seu texto no fórum para compartilhar com seus colegas na sala
virtual

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Problematizando

O Adolescente SAD, 18 anos diabético do tipo I é hipertenso. Faz uso de


medicação anti-hipertensiva e uso de insulina, vem queixando-se de dores articulares
nos joelhos há uns 2 anos. Ao procurar um ortopedista, foi diagnosticado com artrose
unilateral direita. Sendo encaminhada para o profissional de Educação Física.

Você, professor de Educação Física, com os conhecimentos da Fisiologia do


Exercício, quais orientações você daria para este indivíduo? É possível trabalhar com
ele? Se sim, realizando quais tipos de exercícios?

GUIA DE ESTUDO: Analise a situação problema e faça reflexões a respeito de como


seria a conduta do professor diante das situações. Em seguida, apresente suas
reflexões na sala virtual.

Vídeo de apresentação

https://vimeo.com/294370639

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INTRODUÇÃO À
FISIOLOGIA DO ESFORÇO

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CONHECIMENTO

Compreender alguns conceitos e a história da Fisiologia do Exercício.

HABILIDADE

Reconhecer sobre o que trata a Fisiologia do Exercício e a contribuição de cada grande


estudioso no decorrer da história.

ATITUDES

Desenvolver uma postura ética, o espírito de equipe, cooperação e solidariedade


em sua prática profissional.

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Conceito de Fisiologia

A palavra fisiologia possui origem grega, “physis” = natureza, função ou


funcionamento e “logos” = estudo. Teorias descritas por estudiosos relatam que o
corpo humano possui inúmeras diferenças por fora, porém por dentro, constituem
semelhanças extremamente altas, semelhanças estas responsáveis por desempenhar
funções.

Partindo de teorias e estudos, a fisiologia humana pode ser definida como o


estudo do funcionamento do corpo, seus sistemas, órgãos, auxiliando assim, outras
áreas do conhecimento, principalmente a biomédica. Baseia-se de conceitos da física e
da química para explicar como acontecem as funções vitais dos diferentes organismos
e suas adaptações frente aos estímulos do meio ambiente.

Células constituem os tecidos, que formam os órgãos do nosso corpo. Os


sistemas estudados dentro da fisiologia são, por sua vez, constituídos desses órgãos e,
que simultaneamente, formam o organismo. Evidente a importância da funcionalidade
adequada para todos os órgãos e sistemas do corpo para que o organismo mantenha-
se com saúde. Qualquer problema / limitação na atividade de um dos órgãos pode
produzir alteração na sua respectiva função, comprometendo a desempenho do
respectivo sistema e o estado de saúde do indivíduo.

Portanto, a Fisiologia Humana estuda os processos da vida, as funções dos


diferentes órgãos e sistemas do organismo humano. O objetivo da fisiologia humana é
elucidar os processos responsáveis pela origem, desenvolvimento e continuação da
vida do ser humano.

Fisiologia do Esforço

A Fisiologia do Esforço (conhecida também por Fisiologia do Exercício) é o


campo da fisiologia, que trata como as funções dos organismos podem responder e se
adequar ao estresse agudo do exercício físico.

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O princípio da Fisiologia do Exercício relaciona-se com a medicina e prescrição
da atividade física, tendo em vista os tratamentos de doenças e manutenção de
melhores condições de saúde. Com o passar dos anos, alavancou-se o conhecimento
sobre as propriedades mecânicas do músculo esquelético e o controle da temperatura
do corpo durante o exercício.

Seguidamente, pesquisas relacionadas ao condicionamento físico, saúde e


resistência aeróbia foram obtendo destaque. Esses fortalecimentos dos estudos
impulsionaram a execução da biópsia para a investigação da estrutura e da bioquímica
muscular. Tal técnica possibilitou que os fisiologistas do exercício compreendessem
melhor o metabolismo energético e a implicação que os tipos de fibra muscular podem
causar no desempenho físico dos atletas.

Quando exploramos épocas passadas, é reconhecível que as atividades


acadêmicas desenvolveram-se porque grandes pesquisadores estudaram o desporto e
o exercício com base em uma poderosa perspectiva científica e fisiológica. Tais
pesquisadores demonstraram que era essencial possuírem os professores de
educação física uma base sólida, apoiada tanto nos alicerces científicos quanto nos
conceitos subjacentes e nos princípios da fisiologia do exercício.

Este capítulo, contém informações históricas acerca de tópicos contendo


grandes nomes de pesquisadores onde iremos realçar alguns marcos e experiências
engenhosas, que fomentaram o estudo do desporto e do exercício como um campo
respeitável da investigação científica.

Aspectos Históricos da Fisiologia do Exercício

A fisiologia do exercício teve seu surgimento na Grécia e Ásia. Assuntos sobre


exercício, jogos, desportos, saúde já inquietava até outros povos. Porém, as maiores
influências do marco da fisiologia vieram de médicos gregos da antiguidade, Heródicus
e Hipócrates. Veja a historia dos pioneiros na área:

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Heródicus (5° século a.C.), era médico e atleta, era bastante a favor da dieta
aliada ao treinamento físico.

Hipócrates (460-377 a.C.), considerado o pai da medicina, possuía um


direcionamento da saúde no caminho científico. Hipócrates chegou a uma teoria que
direcionava a forma de entender o funcionamento do organismo humano. Para ele, a
quantidade de fluídos existentes no corpo, poderiam ser os principais responsáveis
pelo estado de equilíbrio ou de doença.

Sua teoria influenciou outro importante estudioso, Cláudio Galeno. Galeno deu
início aos seus estudos voltados para a medicina por volta dos 16 anos de idade e,
durante anos, aperfeiçoou o pensamento existente da época voltado a saúde e higiene
científica. Realizou experimentos provenientes da fisiologia, medicina e anatomia,
também executou dissecações em animais e seres humanos.

Santorio (1561-1636) Colega de Galileu Galilei e professor de medicina na


Itália, Santorio manuseava equipamentos inovadores em sua pesquisa. Ele conseguiu
registrar mudanças na temperatura do corpo que são ocorridas diariamente com o
primeiro termômetro de ar. Realizou medições de frequências do pulso por meio de um
aparelho inventado por ele e Galileu, nomeado como pulsilogium (pulsiometro).

William Harvey (1578-1657) descobriu a circulação do sangue em uma única


direção, derrubando desta forma, a concepção que era aceita até então na época.
Harvey deduziu, com a nova técnica, que o sangue corria do coração para as artérias
e, das veias, que passava a voltar para o coração, tudo isto em uma única direção.
Partindo disto, atravessava para os pulmões antes de finalizar o processo e voltava a
penetrar no coração.

Michel Eugene Chevreul (1786-1889) foi um grande químico, que ao estudar


química e biologia, descreveu inúmeros ácidos graxos. Em seus estudos, ele separou o
colesterol de gorduras biliares. Entre suas pesquisas, foi o primeiro a revelar que o
toucinho consiste por duas principais gorduras (uma sólida e outra líquida).

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Giovanni Alfonso Borelli (1608-1679) foi um matemático que utilizou
referências matemáticas para explicar como a musculatura permitia os animais nadar,
caminhar e voar. Ele observou a entrada de ar pelos pulmões, percebeu que os
pulmões ficam cheios com o ar, pois o volume do tórax aumentava quando o diafragma
descia. Diante disto, ele concluiu que o ar percorria pelos alvéolos e aprofundava no
sangue.

Stephen Hales (1677-1761) além de estudar a importância do ar e da água na


vida animal e vegetal. Hales desenvolveu uma ideia, preconizada por Newton em 1713,
que proporcionou a primeira evidência experimental sobre o sistema nervoso
desempenhar um importante papel na contração muscular.

James Lind (1716-1794) foi responsável por realizar uma experiência que
possibilitou avanços na medicina naval, com isso publicou dois livros, facilmente
acessíveis. James Lind possui um grande destaque sobre a importância dos
suplementos dietéticos, nos quais estão presentes nas práticas modernas. Sua
experiência resultou na representação de um tratamento que derrubou o escorbuto,
porém tiveram que passar por vários anos ainda com vidas perdidas antes de órgãos
superiores da marinha passar a exigir em todos os navios frutas cítricas frescas.

Escorbuto: Doença cuja causa principal é a deficiência de vitamina C no


organismo. Ficou conhecida como “a peste do mar”.

Henry Cavendish (1731-1810) realizou grandes trabalhos em química e


juntamente com seus colegas Black e Priestley começaram a identificar os elementos
das proteínas, lipídios e carboidratos. Em uma de suas obras publicadas, descreve
uma substância eminentemente inflamável, identificada como hidrogênio, onde ocorria
a liberação quando os ácidos compatibilizavam com metais.

Joseph Louis Proust (1755-1826) confirmou com seus estudos, que uma
substância isoladamente pura em um laboratório ou até mesmo encontrada no
ambiente natural teria que possuir sempre os mesmos elementos com as mesmas

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dimensões. Nomeada como a “Lei das proporções definidas”, esta ideia possibilitou
uma importante referência para os futuros estudiosos nutricionais, auxiliando-os assim,
a analisar os principais nutrientes e a calcular o metabolismo energético ao medir pelo
consumo de oxigênio.

William Prout (1785-1850) observou que em um exercício moderado, como a


caminhada, causava o aumento da produção de dióxido de carbono no indivíduo.
Diante desta observação, mediu o dióxido emitido por homens nos quais se
exercitavam até causar fadiga. Tal observação resultou no moderno conceito de
cinética voltado a permuta gasosa durante o exercício. Embora não tenha sido possível
definir uma exata quantidade de dióxido de carbono, devido a não existência de
instrumentos capazes de medir a frequência respiratória, Prout pode constatar que a
concentração da substância no ar expirado caia de maneira absurda em um exercício
exaustivo. Foi durante o século XVIII que o conhecimento de Fisiologia começou a se
expandir progressivamente. Neste período então, que ocorreu o desenvolvimento da
Fisiologia Experimental Moderna ou Contemporânea.

Claude Bernard (1813-1878) conhecido como um dos maiores fisiologistas de


todos os tempos, elucidou características fundamentais dentro da fisiologia. Possuía
grande adoração à pesquisa. Contestou a pesquisa dos cientistas nos quais admitiam
que somente as plantas poderiam sintetizar açúcar e que o açúcar de dentro do
organismo dos animais só podia ser obtido através da ingestão de substância vegetal,
ao evidenciar a presença de açúcar na veia hepática de um cão no qual precisava de
carboidratos em sua alimentação. Suas descobertas originaram a química fisiológica e
à bioquímica, que, respectivamente criaram a biologia molecular. Seus estudos dentro
da fisiologia reguladora ajudaram os futuros cientistas a entender como o exercício era
afetado pela nutrição e o metabolismo.

Durante o século XIX, nos Estados Unidos, os padrões do treinamento científico


continuavam crescendo. Especialistas de educação física e higiene estavam envolvidos
especialmente no ensino em níveis colegial e universitário. Com o primeiro laboratório
de fisiologia do exercício na Universidade de Harvard, em 1891, auxiliou na geração de

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conhecimentos na área da fisiologia. Fisiologistas voltados ao treinamento médico
realizaram melhorias científicas significativas em subespecialidades dentro dos cursos
de fisiologia do exercício.

Aspectos Contemporâneos

Ao fim do século XIX, o posicionamento de ciência fundamental dentro do


campo da medicina era sediado pela fisiologia, para um método experimental. A
formação da experiência moderna do século XIX envolvia transformações tecnológicas
e culturais do mundo. As inovações científicas, técnicas e industriais, pesava sobre a
instrumentalização das medidas experimentais, influenciando desenvolvimentos nos
processos quantitativos em várias ciências.

A partir destas inovações, certos fenômenos começam a ser analisados sobre


outros olhares e lentes pelos fisiologistas. Dava-se uma era moderna na fisiologia. A
fisiologia moderna se caracterizou por ser uma ciência que estuda as funções físicas,
bioquímicas e mecânicas dos organismos vivos.

O avanço das tecnologias e instrumentos que auxiliam na mensuração dos


fenômenos fisiológicos se tornou ajustado e mudaram o formato de apresentação das
informações científicas.

Fisiologistas como Karl Ludwig (1816-1895) desenvolvem aparelhos laboratoriais


importantes na realização de registros gráficos de variações durante movimento e
ondulações. Tais aparelhos trouxeram um avanço significativo em mensurações de
dados quantificáveis dentro da fisiologia. Deste modo, a fisiologia abandonava o
formato descritivo e passava a ser quantitativa.

Diante do resgate histórico abordado no decorrer deste capítulo, podemos


constatar a magnitude que esses grandes fisiologistas, químicos, biólogos, médicos
apresentados, contribuíram para consolidação da fisiologia enquanto uma ciência
natural fundamentada sobre a metodologia experimental que a cada dia vem se
avançando.

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BIOENERGÉTICA, JUNÇÃO
NEUROMUSCULAR E O
EXERCÍCIO FÍSICO

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CONHECIMENTOS

Compreender a Bioenergética e sua relação com o exercício físico, assim como


entender a Junção Neuromuscular e sua importância na práxis profissional.

HABILIDADES

Reconhecer qual sistema energético está sendo requisitado em determinada atividade


física, bem como saber solicitá-los.

ATITUDES

Desenvolver uma postura ética, o espírito de equipe, cooperação e solidariedade


em sua prática profissional.

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Compreendendo a Bioenergética

No corpo humano ocorre a cada instante uma infinidade de reações


bioquímicas. Essas reações envolvem as vias bioquímicas que resultam na síntese de
moléculas (reações anabólicas) e na quebra ou hidrólise de moléculas (reações
catabólicas), as quais são coletivamente chamadas de metabolismo (GUYTON; HALL,
2006).

O ser humano para realizar qualquer tipo de exercício ou atividade física,


necessita de energia, a qual precisa ser transformada e utilizada pelo organismo para
que a atividade ocorra. Importante referir, que todas as células são dotadas de
mecanismos biológicos (sistemas energéticos) capazes de transformar a energia
contida nos alimentos (energia química) em uma forma de energia biologicamente útil,
processo metabólico denominado bioenergético.

Portanto, a Bioenergética constitui um dos principais blocos temáticos da


Fisiologia do Exercício, sendo essencialmente direcionada à pesquisa dos diversos
procedimentos químicos que possibilitam a vida celular do ponto de vista energético.
Busca ainda, explicar os principais processos químicos celulares e suas implicações
fisiológicas, principalmente em relação aos processos que se relacionam a
homeostasia. Além disso, trata da compreensão sobre o que significa “energia” e a
maneira como o organismo pode adquirir, converter, armazenar e utilizá-la, constituindo
assim a chave para compreender o funcionamento orgânico tanto nos desportos de
rendimento, quanto das atividades de recreação e lazer.

Dessa forma, o estudo da Bioenergética possibilitará compreendemos como a


capacidade para realizar trabalho (exercício) está dependente da conversão sucessiva,
de um tipo de energia para outra forma biologicamente útil, ou seja, trata basicamente
da transformação de energia química em energia mecânica.

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Conceituando Energia

Compreender o que significa “energia” e a forma como o organismo a pode


adquirir, converter e armazenar são a chave para assimilar e otimizar o funcionamento
orgânico do exercício, tanto nos desportos de rendimento, quanto em qualquer outro
tipo de atividade física.

Em um sentido não formal o termo energia é utilizado como sinônimo de vigor,


firmeza, capacidade de ação. Etimologicamente, a palavra deriva do grego “enérgeia”,
que significa “trabalho”, a qual foi utilizada pela primeira vez em 1807, pelo médico
físico inglês Thomas Young.

Sabe-se que a obtenção de energia dos nutrientes armazenados e sua


transferência para as proteínas contráteis do músculo esquelético influenciam
grandemente o desempenho nos exercícios, porém não é possível definir energia em
termos concretos de tamanho, formato ou massa. Na verdade, o termo energia sugere
um estado dinâmico relacionado a uma mudança. Nesse contexto, energia relaciona-se
ao esforço de um trabalho, quando o trabalho aumenta, o mesmo ocorre com a
transferência de energia, produzindo dessa forma uma mudança.
Dessa forma, o termo está diretamente relacionado com a concepção de que a
energia informa a capacidade de um corpo realizar algum tipo de trabalho mecânico
(WILSON, 1968).

Observe abaixo a lei que descreve um dos princípios mais importantes


relacionados ao trabalho biológico.

1ª Lei da
Termodinâmica

A energia não pode ser criada ou destruída, somente


poderá ser transformada de uma forma para outra.

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Em essência, essa lei descreve o princípio imutável da conservação de energia,
que se aplica aos sistemas tanto vivos quanto inanimados. No corpo, a energia química
armazenada nas ligações dos macronutrientes não se dissipa imediatamente na forma
de calor durante o metabolismo energético; pelo contrário, grande parte permanece
como energia química, que a seguir o sistema musculoesquelético a transformará em
energia mecânica e subsequente, em energia térmica.

Formas de Energia

Pode-se encontrar energia na natureza sob diversas formas. Na maioria das


vezes quando falamos em energia, a forma mais conhecida é a energia elétrica, por
conta da sua grande utilização em nosso cotidiano. Portanto, a energia pode estar sob
a forma: mecânica, térmica, sonora, elétrica, eólica, solar, luminosa, nuclear, química,
mecânica e etc.

Energia Mecânica:

Pode ser compreendida como o somatório da energia cinética e a energia


potencial que um determinado corpo possui. A energia cinética de um corpo
correlaciona-se ao movimento que ele possui; já a energia potencial está associada
à posição de um corpo com relação a um determinado referencial.

Veja abaixo:

Energia Cinética Movimento

Energia Potencial Posição de um corpo

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Energia Química

A energia química é um tipo de energia que está baseada na força de atração e


repulsão nas ligações químicas, presente na matéria que forma tudo que está ao nosso
redor, inclusive o nosso corpo. Assim podemos inferir que a Energia química é
a energia potencial das ligações químicas entre os átomos. Vale destacar que essas
ligações são estáveis em condições adequadas, ou seja, em temperatura ambiente,
pressão normal e outros fatores referentes às condições favoráveis do ambiente onde
vivemos. Portanto, para que ocorra a utilização da energia química, é preciso que haja
uma intervenção externa forte o suficiente para que haja o rompimento dessas
ligações. Quando acontece esse rompimento, a energia liberada pode se manifestar de
várias formas diferentes. Elas podem ser liberadas em forma de calor, luz, etc.

Energia Térmica

Toda matéria é composta por moléculas e essas, por sua vez, são formadas por
átomos. Assim, o nível de agitamento que essas moléculas estão em um determinado
organismo é responsável pela energia térmica.

Quilocaloria

A caloria (cal) é uma unidade de energia, que em joule (J) possui os seguintes
valores: 1cal = 4,184 J; 1Kcal= 1000 cal ou 1kcal= 4,18kj, haja vista que o joule, ou
quilojoule (KJ), reflete a unidade internacional padronizada para expressar a energia do
alimento.

Outro ponto importante para compreendermos é a quantidade de calorias de um


alimento (ou do seu valor energético ou calórico), que se traduz na energia contida nas
ligações químicas dos constituintes desses alimentos - nutrientes. Dessa forma,
podemos mensurar a energia fornecida pelos alimentos e a energia gasta pelo
organismo humano, quantificando-as (medida) em Calorias (cal).

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No que diz respeito ao valor energético total ou bruto de vários macronutrientes
alimentares, estes são determinados em laboratórios com a utilização de um aparelho
denominado calorímetro.

Portanto, de maneira geral, em termos de energia dos alimentos, uma (1) caloria
expressa quantidade de calor necessário para elevar em 1°C (mais especificamente,
de 14,5 para 15,5ºC) a temperatura de 1kg de água (H2O). Portanto, a quilocaloria
(Kcal) define a caloria com maior exatidão. Por exemplo, se um determinado alimento
contém 300 kcal, nesse caso a liberação de energia potencial contida dentro da
estrutura química desse alimento eleva em 1ºC a temperatura de 300 L de água.
Alimentos diferentes contêm quantidades diferentes de energia potencial. Meia xícara
de manteiga de amendoim com um valor calórico de 759 Kcal contém a energia térmica
equivalente capaz de elevar em 1ºC a temperatura de 759 1 de água (KATCH;
MCARDLE, 2006).

Macronutrientes

Para funcionar de maneira adequada, o corpo humano necessita de nutrientes,


os quais são subdivididos em macro e os micronutrientes. Os macronutrientes
constituem grande parte da alimentação e são encarregados de prover a energia
imprescindível para garantir o bom funcionamento do organismo.
Assim, os macronutrientes como os carboidratos, os lipídios e as proteínas
proporcionam a energia necessária para preservar as funções corporais durante o
repouso e a atividade física. Além de seu papel como combustível biológico, esses
nutrientes, denominados macronutrientes, mantêm a integridade funcional e estrutural
do organismo.

Os carboidratos fornecem ao corpo uma fonte de energia rapidamente


disponibilizada chamada glicose, que é armazenada no organismo principalmente nas
células musculares e no fígado em forma de polissacarídeo denominado glicogênio.
Este é sintetizado via ligação de moléculas de glicose, por ação da enzima glicogênio-
sintase (glicogênese).

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Contudo, quando as reservas de glicogênio (fígado e músculos)se encontram
em excesso, a glicose excedente é armazenada como gordura (lipogênese), com o
objetivo de garantir estoques energéticos caso haja alguma necessidade, como por
exemplo, durante uma prova de maratona.

Outra fonte de energia são os ácidos graxos, os quais são recombinados com
o glicerol e armazenados nas células adiposas (adipócitos) em forma de triglicerídeos,
combustível ideal para exercícios prolongados, pois possuem grande quantidade de
energia por unidade de peso (9 kcal/g), que é mais do dobro do conteúdo de energia
por unidade de peso dos carboidratos ou proteínas.

Já as proteínas são clivadas em seus aminoácidos constituintes, e utilizados


principalmente na reparação tecidual. Ademais, em condições extremas seus
aminoácidos podem ser convertidos no fígado em glicose (KRAUSE, 2002).

Enzimas como Catalizadores Biológicos

Durante o exercício físico as reações bioquímicas celulares devem ocorrer de


maneira rápida, a fim de garantir o suprimento energético requerido na contração
muscular. Assim, de acordo com Scoot e Howley (2014) as velocidades destas reações
são de maneira geral, reguladas por moléculas catalisadoras chamada de ENZIMAS.

As enzimas são proteínas catalisadoras que governam apenas as ações que


poderiam ocorrer normalmente, mas que acontecem com um ritmo muito mais lento.
Assim, podemos defini-las como substâncias com a capacidade de acelerar reações
químicas, sem participar delas como reagentes. Ou seja, fazem parte da
reação, aumentam sua velocidade, mas ao final dela permanecem sem alteração.

Vale ressaltar que os limites da intensidade do exercício dependem


essencialmente do ritmo com que as células extraem, conservam e transferem a
energia química existente nos nutrientes alimentares para os filamentos contráteis do
músculo esquelético. O ritmo constante do maratonista próximo de 90% da capacidade
aeróbica máxima, ou a alta velocidade conseguida pelo velocista no exercício

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explosivo, reflete diretamente a capacidade do organismo de transferir (transformar)
energia química em trabalho mecânico. Nesse sentido, as enzimas e as coenzimas
relacionam-se profundamente com o ritmo de liberação de energia durante as reações
químicas.

Contudo, alguns fatores podem alterar a atividade enzimática, principalmente a


temperatura e o pH da solução. Como por exemplo: durante o exercício da alta
intensidade pode ocorrer um grande aumento na quantidade de íons de hidrogênio,
provocando a diminuição do Ph múscular e sanguíneo, tornando a solução ácida,
acontecimento este que favorece a inibição da principal enzima alostérica responsável
no controle da glicólise (fosfofrutoquinase), o que interfere diretamente na contração
muscular (deslocando o Ca2+ da troponina C).

Adenosina Trifosfato – ATP

A energia contida no alimento não é transferida diretamente às células para que


ocorra a realização de um trabalho biológico, pelo contrário, a energia proveniente da
oxidação dos macronutrientes é armazenada e conduzida através de um composto rico
em energia, denominado trifosfato de adenosina (ATP). A energia potencial que está
contida da molécula de ATP aciona todos os processos celulares que necessitam de
energia. De maneira geral, a fase de doação de energia e recepção de energia,
representam as duas principais atividades transformadoras de energia das células:
retirar a energia potencial do alimento e conservá-la dentro das ligações do ATP.
Extrair e transferir a energia química no ATP para acionar o trabalho biológico.

O ATP funciona como uma moeda energética, ou seja, um agente ideal para a
transferência de energia. De certa forma, as ligações contidas no ATP “aprisionam”
uma grande parte da energia potencial da molécula original do alimento, energia esta
que também pode ser transferida à outros compostos para conferir-lhes um nível mais
alto de ativação. No entanto, a célula contém outros compostos ricos em energia,
porém o ATP é incontestavelmente o mais importante.

29
Faz-se importante ainda, que compreendamos a estrutura do ATP, que é
constituído a partir de uma molécula de adenina e de ribose (denominada adenosina)
unida a três fosfatos, cada um deles consistindo em átomos de fósforo e de oxigênio.
As ligações que unem os dois fosfatos mais externos (simbolizadas como ~)
representam a ligações de alta energia, pois liberam uma quantidade considerável de
energia útil durante a hidrólise. Um novo composto, o difosfato de adenosina (ADP), é
formado quando a ATP se combina com água, o que é catalisado pela enzima trifosfato
de adenosina (ATPase).

A reação cliva a ligação fosfato mais externa do ATP para liberar um íon fosfato
(fosfato inorgânico) Pi e libera aproximadamente 7,3 de kcal de energia livre (isto é, a
energia disponível para o trabalho) por mol de ATP hidrolisado para ADP. O valor de
7,3 kcal/mol representa a mudança padronizada na energia livre sob condições
padronizadas. No ambiente intracelular, mais precisamente esse valor pode aproximar-
se de 10 kcal/mol.
ATP + H2O ADP + Pi – ΔG 7,3 kcal / mol

Como essa reação gera uma quantidade considerável de energia livre, muitos
autores consideram o ATP como um composto fosfato de alta energia. Raramente,
uma quantidade adicional de energia é liberada quando outro fosfato é separado do
ADP. Em algumas reações de biossíntese, o ATP doa simultaneamente seus dois
fosfatos terminais para contruir um novo material celular. O monofosfato de adenosina
(AMP) é a nova molécula, com um único grupo fosfato.

Sistemas Energéticos

A grande função dos sistemas energéticos é, precisamente, formar energia útil


para a contração muscular (energia mecânica), uma vez que o músculo esquelético
não possui a capacidade de utilizar diretamente a energia contida nos alimentos.
Assim, a energia advinda da oxidação dos macronutrientes é armazenada e conduzida
através do ATP.

30
A contribuição relativa dos diferentes sistemas de transferência de energia
(sistemas energéticos) difere acentuadamente na dependência da intensidade e da
duração dos exercícios assim como do estado específico de aptidão do participante.
Dessa forma, vejamos quais são as vias metabólicas responsáveis em produzir
energia útil para o exercício.

Sistema ATP- CP

No início de qualquer tipo de treinamento, considerando que todas as atividades


são iniciadas anaerobiamente, (já que leva-se um certo tempo para produzir ATP
aerobicamente), o organismo ao perceber a necessidade de resintetizar ATP, recorre
ao método mais simples e, consequentemente, mais rápido de produzi-lo, que é
através do sistema ATP–CP ou Sistema Fosfogênio Alático.

A fosfocreatina (CP) tem uma cadeia de fosfato de alta energia que na presença
da enzima creatina-quinases se quebra e a energia liberada (Pi) é utilizada para formar
ATP a partir do ADP (adenosina difosfato), reação ligada bioquimicamente que
continuará até que se esgotem os depósitos de fosfocreatina do músculo. A
importância desse sistema é apreciada principalmente nos treinamentos de potência,
cuja atividade se caracteriza pelo esforço de intensidade máxima de força e velocidade
com uma duração inferior a 30s, como uma corrida de 50m, um salto em altura, um
sprints rápido no futebol ou uma cortada no vôlei, um arremesso no basquete, ou seja,
treinamentos ou situações que necessitem de um suprimento rápido de ATP
(WILLMORE E COSTILL, 2010).

Sistema Aeróbio Lático ou Sistema Glicolítico

Já os esforços de intensidade mais elevada (30s-1min) principalmente em


treinamentos com característica de resistência-velocidade, tais como uma corrida de
400m, ou uma prova de nado de 100m livre, ativam uma segunda via metabólica capaz
de produzir ATP rapidamente sem necessariamente ter o envolvimento de O2 (sistema
anaeróbio lático ou sistema glicolítico).

31
Esta via anaeróbia transfere a energia obtida durante a quebra da glicose
(glicólise) através de uma série de reações acopladas e catalisadas por enzimas, que
ocorrem principalmente no sarcoplasma da célula muscular. Considera-se que a
glicólise ocorra em duas fases distintas, uma fase de investimento de energia, tendo
em vista que nas cinco primeiras reações, o principal objetivo do ATP é fosfatar a
molécula de glicose, adicionando um grupo fosfato à glicose-6-fosfato e à frutose-6-
fosfato, onde duas moléculas de ATP são consumidas; e a outra é fase de geração de
energia, onde ocorre formação de 2 moléculas de ATP a partir da glicose ou 3
moléculas a partir do glicogênio e duas moléculas de piruvato. A partir desse
momento, se não houver O2 disponível a molécula de piruvato aceita o hidrogênio
restante formando ácido lático, reação catalisada pela enzima lactato desidrogenase
(LDH). O ácido lático resultante da glicólise rápida é imediatamente tamponado e
convertido em lactato (KATCH; MCARDLE 2006).

O lactato já foi percebido restritamente como um resíduo metabólico, no entanto,


atualmente é considerado um importante substrato utilizado para produção de
combustível, já que o lactato produzido no músculo é posteriormente transportado para
as fibras musculares de contração lenta adjacente, onde ocorre a oxidação de 70 a
80%, e o restante é convertido em glicose no fígado através do ciclo de Cori
(gliconeogênese).

Entretanto, a produção e o acúmulo de lactato são acelerados quando a


intensidade do exercício aumenta, principalmente por conta de um desequilíbrio na
liberação de oxigênio a nível tecidual, fazendo assim com que o piruvato coverta-se a
lactato de forma ampliada. Neste caso, as células não conseguem oxidar o lactato com
o mesmo ritmo de sua formação (limiar lático), promovendo assim um acúmulo deste o
nível muscular e sanguíneo, o que contribuirá de sobremaneira para a fadiga (MC
ARDLE, 2011).

Sistema Aeróbio, Respiração Celular ou Cadeira Respiratória

Já em treinamentos com períodos mais longos como corrida de 5000 m.,


natação (mais que 1500 m.), ciclismo (mais que 10 km.), triathlon, dentre outros,

32
recrutam majoritariamente a produção aeróbia de ATP, denominada Fosforilação
Oxidativa (também conhecida como respiração Celular ou Cadeia Respiratória) que
ocorre dentro da mitocôndria com o envolvimento de duas vias metabólicas
cooperativas: (1) o ciclo de Krebs e (2) a cadeia de transporte de elétrons.

A entrada no ciclo de Krebs requer o preparo da molécula de acetil-CoA, e como


já mencionado, naglicólise 2 moléculas de piruvato são formadas, dessa forma esse
composto que na presença do O2 é descaboxilado gerando o grupo acetil que liga-se a
coenzima A (CoA) formando Acetil-CoA. Assim, para cada molécula de glicose são
formadas 2 moleculas de CoA e realizadas duas rodadas do ciclo de Krebs.

Resumidamente, o ciclo de Krebs pode ser descrito da seguinte forma: para


iniciar uma volta no ciclo, o acetil-CoA transfere o seu grupo acetil para o oxaloacetato
sintetizando o citrato (ácido cítrico), e este por sua vez, é transformado em isocitrato
que é desidrogenado para dar origem ao α-cetoglutarato, este também perde íons de
hidrogênio gerando o succinato, este através de uma reação de três passos é
convertido enzimaticamente em oxaloacetato, com o qual o ciclo foi iniciado. Dessa
maneira o oxaloacetato está pronto para reagir com outra molécula de acetil-CoA e
iniciar uma nova volta no ciclo de Krebs.

Figura 1: Ciclo de Krebs.

Fonte: https://pt.slideshare.net/cientific1/ciclo-de-krebs-8341682

33
Assim, os íons de hidrogênio liberados em cada Ciclo de Krebs reagem com as
moléculas aceptoras de hidrogênio denominadas (NAD) nicotinamida-adenina-
dinucleotídeo e (FAD) flavina-adenina-dinucleotídeo, formadas nessa reação, que os
conduzirão até as cadeias respiratórias localizadas na membrana interna da
mitocôndria (SCOOT; HOWLEY, 2014).

Na cadeia transportadora de elétrons, as moléculas de NAD e FAD doam os


pares de elétrons para serem transferidos ao longo dos citocromos ou unidades
respiratórias, movimento que facilita o bombeamento dos íons de hidrogênios de dentro
da membrana mitocondrial interna (matriz) para o espaço intermembranar, aumentando
assim a concentração de H+ neste espaço. Dessa maneira o gradiente gerado cria um
impulso forte que acarreta na difusão de H+ de volta para a matriz via canais de H+
(unidades respiratórias), gerando assim uma energia potencial, a qual favorece a
ativação da enzima ATP sintase, responsável pela catalização da reação ADP+Pi →
ATP (KRAUSE, 2002)

Vários autores, tais como: Guyton e Hall (2006), Mc Ardle (2011) afirmam que
embora seja comum a expressão exercício aeróbio versus exercícios anaeróbios, a
realidade é que a energia necessária para realização da maioria dos tipos de
treinamento é oriunda de uma combinação dessas vias. Entretanto, quanto menor for a
duração de um exercício físico (alta intensidade), maior será a contribuição da
produção de energia anaeróbia, ao passo que quanto maior a duração (intensidade
leve a moderada), maior será a contribuição da produção de energia aeróbia.

Volume de Oxigênio Máximo - VO2máx

Bem, um dos assuntos que não podem deixar de ser explanados na Fisiologia
do Exercício, diz respeito ao Volume Máximo de Oxigênio (VO2máx). Então, mas o que
é o VO2máx? O VO2máx é o volume máximo de oxigênio que o organismo consegue
“captar” do ar que está localizado no interior dos pulmões (ar inspirado), carregá-lo até
os tecidos através do Sistema Cardiovascular e utilizá-lo na geração de energia, em
uma determinada unidade de tempo.

34
Vale destacar, que o VO2máx pode ser obtido de forma indireta (através de
diferentes testes, cada um seguindo seu protocolo e suas fórmulas) ou ainda
diretamente pelo teste ergoespirométrico (teste popularmente conhecido como da
esteira).

Estudos têm demonstrado que atletas que se sobressaem nos desportos de


endurance, possuem uma grande capacidade para transferência de energia aeróbica.
O consumo máximo de oxigênio registrado para os atletas que competem na corrida,
na natação ou no ciclismo ultrapassa em quase duas vezes aquele de homens e
mulheres sedentários. Embora o VO2máx demonstre informações importantes acerca
da capacidade do sistema de energia aeróbio além de estar relacionado a integração
de altos níveis das funções pulmonar, cardiovascular e neuromuscular, ele não é o
único determinante do desempenho de endurance. Outros fatores, principalmente
aqueles que atuam no nível tecidual local, tais como densidade capilar, enzimas,
tamanho e número de mitocôndrias e tipo de fibras musculares que influenciam
grandemente a capacidade do músculo de realizar um alto nível de exercício aeróbico.
Isso transforma o VO2máx em uma medida fundamental da capacidade funcional
fisiológica para o exercício.

Em relação às diferenças entre os gêneros, as mulheres alcançam tipicamente


escores do VO2máx 15 a 30% abaixo dos valores dos congêneres masculinos. Até
mesmo entre os atletas de endurance treinados, as diferenças sexuais variam entre 15
e 20%.

Essa diferença no VO2máx entre homens e mulheres, de maneira geral, tem


sido atribuída a altercações na composição corporal e na concentração de
hemoglobina (carreadora de oxigênio). As mulheres adultas jovens destreinadas em
geral possuem uma média de, aproximadamente, 25% de gordura corporal, enquanto o
os homens possuem um média de 15%. Dessa maneira, o homem comum gera mais
energia aeróbica total, simplesmente porque possui mais massa corporal e menos
gordura que a mulher comum.

35
Além disso, a idade não poupa o indivíduo de seus efeitos sobre o consumo
máximo de oxigênio. Embora se possa fazer inferências apenas limitadas com base
nos estudos em corte transversal de pessoas com idades diferentes, os dados
disponíveis permitem apontar os possíveis efeitos do envelhecimento sobre a função
fisiológica. Os valores de VO2máx em 1/min para meninos e meninas são iguais até
aproximadamente os 12 anos de idade; aos 14 anos, o VO2máx para meninos é, em
média, 25% mais alto que aquele das meninas e, aos 16 anos, a diferença ultrapassa
ao 50%. Em geral, a diferença se relaciona ao efeito combinado do desenvolvimento de
uma maior massa muscular nos meninos e aos seus maiores níveis diários de atividade
física.

É importante sabermos ainda, que dois fatores importantes ajudam a alcançar


um VO2max alto: Capacidade funcional do sistema cardiovascular para o transporte de
oxigênio e quantidade absoluta de massa muscular ativada no exercício.

Assim, o VO2máx configura-se como uma das principais variáveis que


determinam essencialmente a velocidade máxima que uma pessoa pode adotar no
exercício prolongado, fator importante que influencia o desempenho de endurance
(aeróbico) em uma modalidade específica de exercício.

JUNÇÃO NEUROMUSCULAR

Os movimentos voluntários do ser humano são realizados por contrações dos


músculos estriados esqueléticos, que são inteiramente dependentes de comandos
provenientes dos neurônios. Os neurônios, bem como as fibras musculares, são
células descritas como excitáveis, ou seja, possuem a capacidade de produzir
potenciais elétricos em resposta a estímulos.

Também conceituada como “placa motora”, a junção neuromuscular é o local de


união entre as fibras nervosas e as fibras musculares. Assim como os outros tipos de
sinapse, esta apresenta componentes sinápticos específicos para que ocorra a
transmissão, tais como os elementos pré-sinápticos, a fenda sináptica e elementos
pós-sináptico.

36
A junção neuromuscular (JNM) é uma sinapse química, que transmite os
impulsos elétricos das terminações nervosas para o músculo, utilizando a acetilcolina
como neurotransmissor. Como já destacado a JNM apresenta três regiões distintas: a
região pré-sináptica, localizada da extremidade (botão sináptico) na terminação
nervosa (estrutura em azul na figura), na qual podemos encontrar as vesículas
sinápticas que comportam os neurotransmissores (acetilcolina), além de uma
membrana pré-sináptica. Outra região é a fenda sináptica (espaço entre a região pré-
sináptica e pós-sináptica), local onde são liberados os neurotransmissores; e a região
pós-sináptica (estrutura em lilás na figura) onde podemos observar uma membrana
pós-sináptica, onde estão os receptores específicos (receptores nicotínicos onde se
ligam os neurotransmissores, no caso específico do músculo esquelético, a
acetilcolina).
Figura 2: Junção Neuromuscular

Fonte: http://lab-siviero.icb.usp.br/biocel/modulos/ultraestrutura-das-sinapses/

Quando o impulso nervoso chega às terminações nervosas, ocorre uma


alteração do potencial da membrana pré-sináptica, ativando assim os canais de cálcio
dependentes de voltagem que estão próximos às zonas ativas do botão sináptico, o
que permite a entrada deste íon (Ca) provocando assim uma elevação da concentração
deste na parte interna do botão sináptico. Consequentemente, ocorre a liberação da
acetilcolina (Ac), que fica armazenada nas vesículas sinápticas (por exocitose). A
acetilcolina configura-se como um neurotransmissor se ligando aos receptores
(nicotínicos) da membrana do elemento pós-sináptico (músculo). O potencial de ação

37
alcança a estrutura que contém alta concentração de íons cálcio, também chamada de
Túbulos T, e a partir destes, se propaga por toda a fibra muscular.

O potencial de ação ao alcançar os túbulos T, secreta o cálcio do retículo


sarcoplasmático por todas as miofibrilas circunvizinhas, ocorrendo assim a ligação do
Calcio com a molécula de troponina C. Esta união gera transformações no arranjo da
tropomiosina sobre a actina, descobrindo seus pontos ativos e permitindo assim, sua
ligação com as cabeças das pontes cruzadas dos filamentos de miosina. Portanto, este
processo no qual o íon cálcio une-se à troponina C, alterando a conformação da
tropomiosina, e consequentemente expondo os locais ativos da actina, é fator decisivo
para que ocorra a contração.

Vale ressaltar que, antes que aconteça o processo citado no parágrafo anterior,
as cabeças da ponte cruzada se ligam à moléculas de ATP. Acontecimento este que é
catalizado pelas enzimas ATPases, no qual a molécula de ATP é fragmentada, cujo o
resultado é o ADP + Pi, que ficam presos à cabeça de miosina, “engatilhando-a” para
que assim aconteça a junção com a actina.

Dessa maneira, a partir dessa junção (actina-miosina) ocorrem modificações nas


forças intramoleculares na cabeça e no braço da ponte cruzada, fazendo com que a
cabeça se incline sobre o braço, puxando assim o filamento de actina (força de
deslocamento). Em seguida, a cabeça se solta espontaneamente retornando a sua
posição inicial, ligando-se novamente com um ponto ativo mais abaixo no filamento de
actina, onde se produz novamente um deslocamento. Assim, estes movimentos para
frente e para trás das cabeças de miosina, tracionam pouco a pouco o filamento de
actina para o centro do filamento de miosina (teoria da catraca para a contração).

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Figura 3: Processo de Contração Muscular

Fonte:http://slideplayer.fr/slide/2737625/10/images/34/www.sci.sdsu.edu/movies/+actin_myosin_gi
f.html.jpg

Vale ressaltar, que esse processo ocorre de maneira repetida até que o
filamento de actina puxe a linha Z contra as extremidades do filamento de miosina, ou
até que a carga imposta ao músculo impeça qualquer tracionamento adicional.
Devemos compreender ainda, que cada ponte cruzada de miosina atua de maneira
independente uma da outra, No entanto, quanto maior o número de cabeças em
contato com o filamento de actina, maior será a força da contração. Portanto, o
mecanismo que envolve a contração muscular é demonstrado pelo encurtamento da
distância compreendida entre duas linhas Z, (o sarcômero) por intermédio do
deslizamento dos filamentos de actina sobre os de miosina, considerando a tração
existente sobre os pontos ativos da actina, que é realizada por meio do movimento de
flexão das pontes cruzadas e cabeças das pontes cruzadas.

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Figura 4: Sarcômero

Fonte: https://pt.slideshare.net/ClssiaLima/contraao-muscular

Tipos de Fibras Musculares

No organismo humano podemos destacar três tipos de fibras musculares: tipo I;


tipo IIA; tipo IIB. Todas estas fibras estão presentes no músculo esquelético, porém em
proporções maiores ou menores dependendo do músculo (tamanho, localização,
requisição) e do indivíduo.

As fibras do tipo I (de contração lenta ou oxidativo lento) são de cor escura
devido à grande quantidade de mitocôndrias e mioglobina (hemoglobina muscular que
armazena oxigênio, rica em ferro) presentes em sua estrutura. Estas possuem uma
quantidade expressiva de enzimas oxidativas, associadas ao metabolismo aeróbico –
O2.

As do tipo IIA (de contração rápida ou glicolíticas rápidas), pelo fato de


apresentarem uma quantidade menor de mitocôndrias e mioglobinas em sua estrutura,
40
são mais claras. Estas apresentam ainda uma grande quantidade de enzimas
glicolíticas, associadas ao metabolismo anaeróbico, ou seja, sem a presença de O2.
Além disso, por conta do diâmetro maior, estas desenvolvem maior força de contração,
e realizam uma contração mais rápida (tempo) do que as fibras musculares tipo I.
Entretanto, as fibras do tipo IIa chegam a fadiga mais rapidamente que as fibras tipo I.

Já as fibras do tipo IIb (oxidativas rápido-glicolítico) são intermediárias em


características como cor, quantidade de mitocôndrias, tamanho, velocidade de
contração e velocidade de fadiga.

Como citado anteriormente, os três tipos de fibras estão presentes na grande


maioria dos músculos esqueléticos, contudo, sua quantidade varia de pessoa para
pessoa, e em determinadas regiões do corpo humano. Por exemplo: no músculo sóleo
(um dos músculos da panturrilha) existe uma grande quantidade de fibras tipo I, de
contração lenta, porém, no orbicular do olho (músculo que circunda a órbita ocular) a
quantidade destas é muito baixa, haja vista a necessidade e requisição. Em geral, os
músculos estriados esqueléticos que apresenta como características a contração
intensa e a baixa resistência à fadiga possuem em sua composição uma quantidade
mais expressiva de fibras tipo IIA.

Além disso, devemos compreender os tipos de contração muscular:

Contração isotônica concêntrica – Tipo de contração que tenciona e traciona as


estruturas, causando uma diminuição no ângulo da articulação, ou seja, quando ocorre
a aproximação da origem e inserção do músculo agonista.
Contração isotônica excêntrica – É quando há tensão muscular, mas que gera um
aumento do ângulo da articulação, ou seja, quando ocorre o afastamento entre a
origem e a inserção do músculo agonista.
Contração Isométrica – Resulta em um aumento da tensão muscular sem gerar
movimento.

41
Figura 5: Tipos de Contração Muscular

Fonte: http://stefan.xpg.uol.com.br/topics/281.htm

Fadiga Muscular

Caro aluno, no que diz respeito a fadiga muscular, faz-se imprescindível que
você a compreenda, pois durante a sua vida profissional, algumas situações deverão
ser identificadas para que seu planejamento e sua atuação sejam seguros e eficazes.
Bem, a fadiga muscular, tendo surgimento por meio de uma intensa e extensa
contração muscular, na qual ocorre uma rápida depleção (utilização) de glicogênio e
consequentemente, uma redução da potência contrátil e metabólica do músculo de
produzir o mesmo trabalho. Após uma atividade muscular extensa, a transmissão de
sinal na junção neuromuscular também pode ser reduzida, diminuindo também a
contração muscular.

Além dos fatores já discutidos anteriormente sobre o ácido lático, para um


músculo em contração, a interrupção do fluxo sanguíneo também pode promover a
fadiga muscular, contudo, em pouco tempo devido à falta de abastecimento de
nutrientes e oxigênio.

42
Propriocepção

O corpo humano possui a capacidade de efetuar uma infinidade de movimentos


com extrema definição e coordenação. O músculo estriado esquelético caracteriza-se
como a ferramenta motriz específica para esta função. Contudo, esta só ocorrerá com
perfeição se houver uma ideal interação com o sistema nervoso, tanto no que diz
respeito ao comando da ação muscular, como inclusive para a modulação e
coordenação da intensidade, duração e direção desta ação.

Dessa forma, destacamos a propriocepção, que é um mecanismo de percepção


corporal que age como moderador deste processo em conjunto com a cinestesia, que é
a percepção dos segmentos do corpo durante o movimento, a qual informa os
parâmetros relacionados à percepção de posição, espaço e tempo, de forma
consciente ou não.

Assim, podemos segurar as mãos de um bebê ou tocar as pétalas de uma rosa


sem machucá-la, pois corriqueiramente, obtemos a noção da força a ser empreendida
através de um mecanismo de feedback negativo. Além disso, podemos perceber a
correta localização dos nossos braços e pernas, mesmo com os olhos fechados, pois
sensores em nossos músculos e articulações levam a informações aferentes (em
direção ao encéfalo) através do sistema nervoso periférico.

Portanto, a propriocepção é caracterizada por informações neurais


armazenadas, que são originadas (captadas) nos mecanoreceptores, que estão
localizados nas cápsulas articulares, ligamentos, músculos e tendões, que são
transportadas em direção o sistema nervoso central.

Para que fique mais claro, vamos nos deter um pouco mais sobre os
mecanorreceptores, que são estruturas terminais especializadas, cuja função relaciona-
se em transformar a energia mecânica da alteração física (como por exemplo, o
alongamento, a compressão e a pressão) em potenciais de ação nervosos (impulso
nervoso) que geram as informações proprioceptivas. Esta informação (posição e
movimento articular) é iniciada por meio de um feedback sensorial aferente (informação

43
que vai em direção ao encéfalo) dos receptores que se direcionam para os centros
neurais superiores.

De maneira mais específica, no que diz respeito à neurofisiologia, o estímulo


proprioceptivo percorre um caminho longo até o seu objetivo final, que é a
conscientização articular durante um movimento ou posição estática. Portanto, o
processo começa por meio de estímulos (potenciais de ação) que são produzidos pelos
mecanorreceptores e viajam pelos nervos até chegarem na medula. Ao chegar nessa
região (medula) podemos verificar uma estrutura chamada fascículo grácil (local que
recebe informações originadas nos membros inferiores) além do fascículo cuneiforme
(recebe informações originadas nos membros superiores).

Em seguida ao passar por estas estruturas as informações (estímulos) dirigem-


se ao diencéfalo e ao córtex cerebral, chegando finalmente na área responsável pelo
armazenamento de informações proprioceptivas. Todo esse processo leva em média
de 80 a 100 m/s, sendo mais rápido que os estímulos dolorosos (nocicepção) que
ocorrem em uma velocidade de 1 m/s (MCARDLE; et., al., 2003).

É imprescindível que se saiba que toda ação realizada no corpo humano, como
dançar, caminhar, girar, sorrir, sentar e ficar em pé, só é realizada por meio da
contração e relaxamento dos músculos. Tal evento ocorre, pois, células presentes nos
músculos ajudam a contrair e depois relaxá-los para o tamanho real.

44
NOÇÕES DE ADAPTAÇÃO
FISIOLÓGICA

3
CONHECIMENTOS

Deter conhecimento teórico sobre os aspectos fisiológicos do exercício físico as


interações sistêmicas no corpo.

HABILIDADES

Orientar os estudantes com diferentes condições e características sobre o


funcionamento do corpo durante o exercício.

ATITUDES

Atuar sistematicamente como promotor de saúde dentro do âmbito escolar, por


meio da aplicação dos conhecimentos sobre as Adaptações Fisiológicas ao Exercício.

45
46
O funcionamento do Sistema Cardiovascular gerando Efeitos Agudos ao
Exercício Físico

Conhecer e entender como se dá o funcionamento do organismo humano é


uma provocação diária à nossa inteligência. É um estudo com obstáculos muitas vezes,
inalcançáveis, pois tal conhecimento visa atender aos novos achados que a
investigação científica coloca ao nosso dispor frequentemente.

Assim, podemos dizer que o corpo humano é uma máquina potente, balizada
em uma complexa interação entre sistemas, que lhes permitem manter o equilíbrio
funcional e morfológico. Nesse sentindo, estudar a fisiologia, concomitante anatomia,
são conhecimentos imprescindíveis na base de um professor de Educação Física.

Complementando essa informação, entende-se que o corpo humano tem


capacidade para responder a estímulos, como um fator interno ou externo ao indivíduo,
que favorece uma resposta particular de um aparelho, sistema, tecido excitável ou
órgão. Em resumo, para a manutenção do equilíbrio do meio interno: a homeostasia no
repouso, e quando realizando exercício, o estado estável, que é a estabilização do
meio interno, a partir do esforço, distinguindo do repouso, pois este estágio só ocorre
quando existe uma demanda energética maior do que nas condições normais.
Quando o corpo está praticando algum exercício físico, o repouso desaparece e
também a homeostase, precisando de um período para equilibrar o metabolismo de
energia.

PARA SABER MAIS:


Homeostase ≠ Estado estável.
Homeostase: quando indivíduo está em repouso.
Estado estável: quando o indivíduo realiza Atividade Física ou Exercício Físico.

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Durante uma vivência prática, de forma mais específica, no exercício, o ajuste a
atividade física realizada se configura por intermédio de estímulos externos que,
geralmente modificam o equilíbrio homeostático e culminam na melhora do rendimento
desportivo. O exercício tem como foco o desenvolvimento das adaptações orgânicas,
necessárias à produção de trabalho adequado à especificidade de uma determinada
especialidade desportiva.

Ressalta-se que os efeitos ao esforço do corpo devem ser: Agudos Imediatos,


que são respostas imediatas a um determinado exercício, isto é, acontecem
diretamente com o exercício, e se manifestam de forma não programada. Já as
adaptações Agudas Tardias, ocorrem nas primeiras 24 ou 48 horas, podendo se
estender até 72 horas, após o exercício, sendo apresentadas na leve diminuição da
Pressão Arterial, especificamente em hipertensos, no aumento da disposição ao
hormônio da insulina, em transportar glicose para dentro da célula para que a
contração aconteça quando se realiza uma atividade e ainda crônicas, ocorrendo mais
nos sistemas: cardiovascular, endócrino e respiratório.

Por fim, as Adaptações Crônicas ao Exercício também denominado de efeito,


deriva da exposição regular da prática de exercícios, como por exemplo: a realização
de uma dança três vezes na semana, por 60 minutos, estes, representarão
modificações na estética corporal, tais como: diminuição lipídica, fortificação das
articulações contra impactos, diferenciando jovens fisicamente ativos de outros
sedentários; ainda provoca a melhoria funcional, o crescimento muscular, a ampliação
da disposição do coração em guardar e emitir uma maior quantidade de sangue para o
corpo todo em virtude da resistência cardíaca está maior, consumindo uma quantidade
menor de energia e o VO2 máx, além de várias adaptações no sistema respiratório que
poderão ser vistas adiante.

Devemos entender que durante o exercício, como se precisa de um maior aporte


de energia para seu funcionamento, a necessidade de oxigênio nos músculos aumenta
bastante, pois são utilizados um número maior de elementos nutricionais e, com isso os
procedimentos metabólicos são acelerados, produzindo também uma maior quantidade
de metabólitos, ocorrendo ainda o aumento da temperatura do corpo, principalmente se

48
o esforço estiver sendo realizado por um longo período ou a partir de temperatura mais
altas.

Dessa forma, a seguir, para melhor compreensão como funciona a resposta do


organismo ao exercício, apresentaremos um pouco sobre as adaptações agudas e
crônicas ao exercício físico sobre os sistemas Cardiovascular, Endócrino e
Respiratório, começando com o Sistema Cardiovascular.

O sistema cardiovascular é uma rede de vasos que provoca elevada força dentro
dos mesmos para que ocorram as trocas de nutrientes e ainda, é um sistema de coleta
e retorno que desempenha pouca pressão sobre o corpo. Tal sistema é formado pelo
coração, vasos sanguíneos e o sangue, que são transportados por todo organismo em
um ciclo fechado. Esta circulação sanguínea divide-se em circulação pulmonar e
sistêmica, sendo a última responsável de realizar tal feito, para o corpo humano
(Sugestão: revisite o material de Fundamentos da Biologia).

De acordo com espessura (diâmetro) dos vasos e pressão, classificamos estes,


de forma diferenciada: vasos de alta pressão que levam sangue do coração para todos
os tecidos (são as artérias). Os vasos de pequeno calibre que ganham o sangue cheio
de O2 das artérias (veias), ainda os vasos sanguíneos de menor calibre que têm sua
parede constituída por apenas uma camada de células (os capilares) que são
responsáveis pelas trocas e também, as vênulas, que recebe o sangue dos capilares e
carrega para as veias de maior diâmetro (as vênulas) (MACARDLE, 2011).

Powers e Howley (2000) acreditam que uma das funções mais significativas do
sistema cardiovascular é ofertar quantidades elevadas de oxigênio para todo o
organismo, transportar nutrientes, regular a temperatura corporal e por último, retirar os
metabólitos do organismo por intermédio da hemodinâmica.

É interessante lembrar que, como visto na Fisiologia Humana, quando o


indivíduo se encontra em descanso (no estado de repouso), supõe-se que o coração
bombeia de 4 a 6 litros de sangue por minuto. Nos exercícios mais longos, que exigem
um maior esforço físico, este sangue é bombeado de quatro a sete vezes mais do que

49
no estágio inicial (entorno de 10 a 20 litros). (GUYTON E HALL, 2006). Então, o sangue
que deverá ser bombeado pelo coração, aumentará para que ocorra a contração dos
músculos, por isso, adaptações hormonais agudas e crônicas são necessárias para
suprir a oferta de oxigênio.

Então, devemos compreender que o exercício físico tem como característica


principal retirar o organismo de seu equilíbrio, culminando na elevação imediata da
necessidade energética da musculatura exigida, assim como do organismo com um
todo. Tal efeito se dá para suprir a nova demanda metabólica por isso, diversas
respostas cardiovasculares são necessárias.

Falamos agora sobre o Débito Cardíaco (DC) que é o número de vezes que o
coração bate em um minuto, isto é, quantidade de sangue ejetado pelo ventrículo
durante as batidas do coração. Pessoas de forte constituição física costumam ter um
coração mais volumoso, para isso, a contração do músculo cardíaco será geralmente,
mais eficiente, para expelir o sangue de uma pessoa com menor padrão físico,
diminuindo a FC.

Não devemos esquecer quando se trata de Fisiologia do Exercício que a


estruturação do fluxo sanguíneo se molda de acordo com a situação que o indivíduo
passa, em que ele sai do repouso para uma de exercício, ocorrendo assim, uma
redistribuição do DC, sob ação do sistema nervoso simpático, desviando uma maior
parte do volume sanguíneo para áreas mais exigidas pelo exercício que está sendo
executado, em detrimento de um menor volume para as menos essenciais.

Como estamos falando sobre os componentes do sistema cardiovascular,


devemos lembrar ainda, da Frequência Cardíaca (FC) que é um dos componentes que
sofrem alterações, esta, refletirá na quantidade de trabalho que o coração deve realizar
para atender as demandas aumentadas do organismo quando em atividade física. Por
exemplo, em repouso, a FC varia em média de 60 a 80 bpm, sofrendo influência do
grau de condicionamento físico, idade e/ou das condições ambientais.

50
Para o melhor entendimento desta FC durante o esforço, deve-se entender
como calcular a Frequência Cardíaca Máxima (FCM), este conhecimento é
fundamental para que possamos saber as limitações do nosso corpo, antes de
começar o exercício, assim como durante. Assim, a fórmula se caracteriza como:
subtraia sua idade de 220. Por exemplo: uma pessoa de 30 anos deve fazer o cálculo
220 – 30 = 190 bpm. Assim, a FCMáx de uma pessoa de 30 anos será 190 bpm
(batimentos por minuto).

Outro componente importante no Sistema Cardiovascular é Pressão Arterial


(PA), que será medida a partir da pressão do sangue exercida em todo o sistema
vascular. Assim, se define PA como a força exprimida pelo sangue contra as artérias,
determinada pela quantidade de sangue que sai do coração e pela resistência dos
vasos ao fluxo sanguíneo. Nesse sentido, temos que entender, que PA normal de um
homem adulto afere 120/80 mmHg, já a PA normal de uma mulher adulta afere cerca
de 110/70 mmHg. No entanto, normalmente em crianças, adultos e idosos esses
valores são diferentes (o valor mais alto corresponde a pressão sistólica e o mais baixo
a pressão diastólica).

Vale destacar que esta pressão dependerá de fatores biológicos e fisiológicos


como: estatura, idade, alguns outros. Depois deste entendimento, a seguir,
apresentaremos um resumo sobre as alterações sofridas durante os exercícios:

Quadro 1: resumos das alterações sofridas durante o exercício


F V D P Mecanismo
Exercício
C S C A
↑ ↑ ↑ ↑
PAS Mecanorreceptores
→ musculares e comando
Dinâmico
/↓ central
P ↑ atividade simpática
AD
↑ → ↑ ↑ Ativação dos
Estático /↓ quimiorreceptores
↑atividade simpática
Resistido ↑ ↓ ↓ ↑ ?

51
Entretanto, devemos compreender que a tipologia e a magnitude da resposta
cardiovascular, provavelmente será de acordo com o esforço realizado, ou seja, a
intensidade, o tipo, a duração e o volume do que se está praticando, influenciará as
respostas ao exercício. Por exemplo: Se um adolescente de doze anos praticar um
jogo de Voleibol por uma hora, deverá ter resposta diferente, se realizar ao invés do
voleibol, uma brincadeira de Pique - Bandeira por 30 minutos apenas. Isso acontece,
pois, a intensidade do exercício realizado no segundo exemplo, assim como sua
duração, são geralmente diferentes.

Pensando nesse sentido, devemos entender que abordando sobre o tipo de


exercício, caracterizamos em dois principais: exercícios dinâmicos (isotônicos) quando
existe contração muscular, procedida de movimento articular, não existindo dessa
forma, obstrução mecânica do fluxo de sangue, de modo que, nesse tipo de exercício,
também se observa aumento da atividade nervosa simpática, sendo provocada pela
ativação do comando central, dependendo da intensidade do exercício.

Em retorno do aumento da atividade simpática, observa-se elevação da FC, do


volume sistólico e do DC. Ainda, ocorre a fabricação de metabólitos musculares,
promovendo a vasodilatação na musculatura exigida, culminando na diminuição da
resistência vascular periférica, aumentando a PA sistólica e manutenção ou redução da
diastólica.

Pode-se também caracterizar como estáticos (isométricos), onde a contração


muscular ocorre sem que haja o movimento articular, o aumento da FC, manutenção
ou até redução do volume sistólico e pequeno acréscimo do débito cardíaco, aumento
da resistência vascular periférica, que culmina no aumento da pressão arterial. Tais
efeitos ocorrem, pois a contração muscular mantida durante a contração isométrica
promove obstrução mecânica do fluxo de sangue muscular, fazendo com que os
metabólitos produzidos durante a contração se acumulem, ativando quimiorreceptores
musculares, que promovem aumento expressivo da atividade do sistema nervoso
simpático.

52
Apesar dos feedbacks cardiovasculares aos exercícios estáticos e dinâmicos
sejam peculiares, na prática, durante a realização dos mesmos, apresentam-se
componentes dinâmicos e estáticos, em que a resposta cardiovascular a esses
exercícios dependerão da contribuição de cada um desses componentes.
Nessa perspectiva, o treino de força ou treino contra resistência possui função
de relevância, pois quando executado em altas intensidades, apesar de serem feitas de
forma dinâmica apresentam componente isométrico bastante elevado, fazendo com
que a resposta cardiovascular durante sua execução assemelhe-se àquela observada
com exercícios estáticos, ou seja, aumento da FC e, principalmente, aumento
exacerbado da PA, que se amplia à medida que o exercício vai sendo repetido.

Depois das alterações cardiovasculares identificadas na execução do exercício


físico, algumas mudanças iniciam logo após a finalização do esforço. Estas alterações
têm chamado atenção, e assim, elencamos dentre elas, a Hipotensão, que tem sido
alvo de vários estudos científicos.

A hipotensão após exercício é assinalada pela redução da pressão arterial na


recuperação, tendenciando para que os valores pressóricos apresentados pós-
exercícios mantenham-se inferiores àqueles medidos antes ou mesmo durante um dia
de controle, sem prática de atividade física. Para que a hipotensão pós-exercício tenha
importância clínica é interessante a observação da magnitude por no mínimo um dia
após à finalização do exercício.

Diante do exposto, observa-se que mesmo inicialmente, o exercício físico é um


importante hipotensor em pessoas hipertensas, o que sugere que o exercício deve ser
indicado no tratamento não farmacológico da comumente conhecida depressão alta,
mais cientificamente a hipertensão arterial.

Nesse aspecto, entende-se que o exercício restaura a sensibilidade do reflexo


pressorreceptor e cardiopulmonar, além de aumentar a atividade aferente
pressorreceptora a variações na PA.

53
Pressorreceptor: Receptor ou extremidade de nervo sensível aos estímulos da
atividade vasomotriz e Cardiopulmonar: baixa pressão

Deste modo, a prática contínua de exercício físico é adequada para a prevenção


e o tratamento da hipertensão arterial. Nesse sentido, o treinamento físico pode se
associar ao uso de fármacos, minimizando seus efeitos adversos e reduzindo o custo
do tratamento para o paciente e para as instituições de saúde.

Para finalizar, é preciso deixar claro que durante o exercício, além de participar
por intermédio da permuta de calor, o sistema cardiovascular deve responder
adequadamente à demanda de oxigênio para a musculatura ativa, por isso que se diz
que exista uma competição de fluxo sanguíneo para a pele e para os músculos ativos
durante o exercício físico.

Adaptações Crônicas do exercício físico e a Frequência Cardíaca

Existe uma afinidade entre pessoas com menor FC no descanso ou taquicardia


mínima durante atividade de alta intensidade que apresentam menor predisposição
para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, todavia, os meios
correlacionados com a redução da FC (bradicardia) de repouso depois do esforço,
depende do tipo de exercício físico aplicado.

Dentre as respostas da FC a realização do esforço também está a menor


adaptação taquicárdica por meio da realização do esforço de mesma potência. É
interessante deixar claro que o ajuste efetuado pelo aparelho cardiovascular ao
exercício físico é, a médio e longo prazo, benéfica para que o rendimento do coração e
dos pulmões melhore em prevenir e/ou tratar, alguns problemas graves que possam
surgir afetando os órgãos do sistema cardíaco e ainda provocando a falta de
oxigenação do coração. Os benefícios ao sistema cardiovascular, geralmente, só serão
eficazes quando a prática realizada é de intensidade alta e também efetuada de forma
moderada, ocorrendo uma progressão na sua execução.

54
Quando o coração sofre uma sobrecarga, sendo submetido a uma progressão
dos esforços, sistematicamente e regularmente, ele tem como resposta, o aumento de
sua força, volume, potência, fabricando novas artérias, de forma a elevar o
carregamento de oxigênio transportado e, também o seu rendimento.

Este sistema de adaptação é fundamental para prevenção das doenças


coronarianas, haja vista que um coração propriamente habilitado tem menos
probabilidades de obstrução de suas artérias. Além do que foi abordado sobre o
assunto, a prática de exercício físico é fundamental na correção ou diminuição dos
impactos de outras causas das ameaças das doenças das artérias coronarianas, pois
estes, aumentam a concentração do colesterol High Density Lipoproteins, que
significa lipoproteínas de alta densidade (HDL), isto é, colesterol bom, diminuindo a
viscosidade do sangue, contribuindo bastante para uma redução do peso corporal nas
pessoas que necessitam e também no abandono do tabagismo por meio da liberação
de hormônios que auxiliam essa conduta.

Sistema Endócrino e o Exercício Físico

De acordo com Guyton e Hall (2006) a resposta aos estímulos internos ou


externos é controlada de três modos: através da secreção de hormônios pelas
glândulas endócrinas e exócrinas, no corpo todo e ainda a contração da musculatura
lisa dos órgãos internos e dos músculos esqueléticos.

Diferentemente do sistema muscular, que é o efetor final do ato comandado pelo


SN. Os hormônios atuam como mediadores entre a produção da resposta do sistema
nervoso e a resposta do órgão-alvo.

Efetor: São órgãos que recebem estímulos do Sistema Nervoso Central e atuam
sobre um sistema muscular ou glandular já existente na anatomia humana.

O retorno realizado pela mudança interna ou externa corporal é controlada de


três modos: através da secreção de hormônios, pelas glândulas endócrinas e

55
exócrinas, no corpo todo e ainda abrangendo os órgãos internos e alguns músculos
(por meio da contração involuntária). (GUYTON E HALL, 2006).

Diferentemente do sistema muscular, que é o efetor final de cada ação


determinada pelo SN, os hormônios atuam como mediador entre a elaboração da
resposta pelo SN e a efetuação desta resposta pelo órgão-alvo. Para entender a
funcionalidade do sistema endócrino e a definição de órgão-alvo, é importante a noção
do que é um hormônio, que deve ser entendida como uma substância química
secretada por células particularizadas para o sangue, próprio órgão ou ainda para linfa
em pequenas quantidades, geralmente que tenham culminância no retorno fisiológico
típico em outras células específicas. Os hormônios reduzem ou aumentam a
velocidade de respostas e desempenhos biológicos que acontecem mesmo na
ausência deles, mas de forma compassada.

A atividade física interage como impulso para a eliminação de alguns hormônios


e de fator de bloqueio para outros. Mas, não se sabe ao certo as causas das alterações
nos ritmos de secreção hormonal, em todas as glândulas nem nos seus níveis
plasmáticos. É muito mais acertado supor que existam explicações para essas
modificações, apesar de serem desconhecidas por grande parte das pessoas, do que
analisar que elas ocorrem ao acaso.

Assim temos, de acordo com estudos que, os principais benefícios que os


esforços ocorrem no corpo, estão relacionados ao sistema hormonal ou endócrino que,
juntamente, com o SN atuam regulando e mantendo a homeostase corpórea.

É interessante dizer que esses hormônios do Sistema Endócrino, são


processados em distintas partes do corpo como: pele, fígado e cérebro, sendo suas
funções diretamente ligadas ao funcionamento desse organismo.

Apresentaremos agora os alcances do exercício físico nas mudanças na


eliminação ou impulso hormonal (secreção) de cada uma das glândulas do corpo,
assim como, as vezes, o efeito contrário, ou seja, a influência destas secreções no
esforço.

56
Durante a prática do exercício, a produção ou eliminação de hormônios são
alteradas, trazendo efeitos sob a síndrome metabólica são eles: o hormônio do
crescimento (GH), alguns casos, a leptina, as catecolaminas (adrenalina e
noradrenalina), o glucagon, a insulina, a endorfina.

Nesse ponto de vista, a literatura demonstra que a atividade física consegue


causar o controle na produção de hormônios. Enquanto alguns hormônios: GH,
endorfina, adrenalina aumentam, outros podem diminuir como no caso da insulina.
Dependendo do volume e intensidade do exercício, é possível observar alterações no
sistema endócrino durante a prática, horas e até dias depois (adaptações agudas e/ou
crônicas). No entanto, devemos ter ciência, que os praticantes de atividade física
conseguem adiar a menopausa ou andropausa hormonal com o avanço da idade, por
meio de suas práticas.

Vale ressaltar que o sistema endócrino funciona como uma rede de conexão,
entre as glândulas que produzem hormônios, agindo sobre células-alvo, culminando
em efeitos. Esse sistema é controlado por estruturas que são responsáveis por regular
os hormônios (liberação ou bloqueio) das células-alvo e dos efeitos sobre as glândulas,
para que o nível de hormônio produzido seja apropriado.

Nesse sentido, considera-se que o sistema endócrino integra e regula as


funções corporais, proporcionando estabilidade ao organismo em estados de repouso e
de exercício físico. Os hormônios produzidos pelas glândulas endócrinas acionam os
sistemas enzimáticos, alterando a permeabilidade das membranas celulares, mudando
o transporte por intermédio da membrana citoplasmática e modificando o ritmo da
atividade enzimática, induzindo a atividade secretória, possibilitando a contração e o
relaxamento dos músculos, e estimulando a síntese das proteínas e das gorduras, bem
como a capacidade do organismo de responder aos estresses físicos e fisiológicos que
compõem o treinamento (efeitos agudos e crônicos, respectivamente).

As relações dos sistemas hormonal e nervoso atuam ajudando para que o


comando neural controle os hormônios em respostas aos estímulos internos e

57
externos, fazendo que esses hormônios atuem nos órgãos-alvo e em seus respectivos
receptores, para de forma a garantir a síntese protéica no metabolismo.

A associação desses hormônios aos receptores estar sujeito aos níveis de


agrupamento de hormônios no sangue, da quantidade de receptores e da sensibilidade
dos receptores ao sistema hormonal, que atuam como reguladores fisiológicos
responsáveis pela aceleração ou diminuição da velocidade das reações e das funções
biológicas que acontecem e que são fundamentais para o funcionamento do corpo
durante o esforço físico.

Deste modo, os feedbacks hormonais ao exercício físico funcionam de estímulo


para a excreção de alguns hormônios ou de fatores bloqueadores, culpados pela
secreção, podendo ocorrer em situações de feedback negativo ou positivo.

No metabolismo, um hormônio importante, é o do crescimento humano ou GH,


cuja liberação é controlada por um hormônio hipotalâmico (GHRH). Esse hormônio GH
atua na elevação da captura de aminoácidos, na síntese proteica das células, na
redução da quebra das proteínas, no aumento da utilização de lipídios, na diminuição
da utilização de glicose para obtenção de energia, na estimulação do crescimento
tecidual e na estimulação do crescimento das cartilagens e dos ossos; além disso, ele
estimula o fígado a secretar pequenas proteínas semelhantes à insulina, que atuam em
conjunto e acentuam mutuamente seus efeitos, que, em relação ao exercício, são
aumentados em função da intensidade.

Qualquer aparecimento dos hormônios GH, no decorrer ou logo após o


exercício, sugere que sua liberação é resultado da ruptura de células que já continham
GH. Aparentemente, as concentrações aumentadas do GH durante o exercício auxiliam
na recuperação após o exercício, o que permitiria a economia de glicose, a síntese
aumentada de glicogênio muscular e rápidos aumentos no catabolismo lipídico dos
músculos esqueléticos.

De acordo com Mcardle (2011) durante o repouso, especificamente (durante o


sono), a excreção de GH também é elevada, mas, o estado de treinamento não tem

58
relação com a magnitude desse aumento; em fatores ambientais adversos (mudança
climática), a secreção desse hormônio também poderá sofrer alterações.
A dieta rica em proteína se torna importante quando se quer que o hormônio GH
cumpra sua função. Entretanto, não se sabe o motivo das alterações nos ritmos de
secreção hormonal em todas as glândulas, nem nos seus níveis plasmáticos.

A organização hormonal durante o metabolismo energético dependerá da


intensidade e da duração do exercício. Desse modo, cada excreção de hormônios
responderá de uma forma; mais especificamente, aumenta exponencialmente de
acordo com o aumento da intensidade. Por exemplo, o aumento dos hormônios do tipo
catecolaminas (adrenalina e noradrenalida), que têm influencias positivas, estimulando
a lipólise dentro dos músculos esqueléticos e do tecido adiposo, aumentando assim a
atividade da fosforilase, que catalisa a degradação do glicogênio (glicogenólise),
verificando-se o mesmo efeito de aumento nas concentrações de adrenalina,
noradrenalina, glucagon, cortisol e GH.

Esse aumento exponencial ocorre devido à modificação nas concentrações da


glicose sanguínea e à estimulação do sistema nervoso simpático.

Para que possamos entender, existe um modelo definido para produção de


insulina durante o exercício progressivo, com tendência a ficar inalterado ou reduzido.
Mesmo esforços moderados tendem a causar diminuição nos níveis sanguíneos de
insulina. Essa diminuição parece estar associada à maior liberação do hormônio
adrenalina, o qual diminui a secreção pancreática de insulina. Com a elevação da
frequência ou intensidade do exercício, induz-se ao aumento da intensidade do
percentual do VO2max, em função do aumento do consumo de glicose nos/pelos
músculos, aumentando a sensibilidade à insulina, bem como aumentando as
concentrações de lactato sanguíneo e da acidose, que, por sua vez, bloqueiam a
liberação de insulina.

VO2: É a maior capacidade de oxigênio que uma pessoa consegue utilizar do ar


inspirado enquanto faz um exercício físico aeróbico

59
Em exercícios intensos, como jogos de futebol, a elevação das concentrações
de catecolaminas no sangue é forte, influenciando com isso o metabolismo celular nos
músculos esqueléticos, lisos, cardíaco, no tecido adiposo e no fígado. Esses efeitos
ocorrem em função das concentrações aumentadas de catecolaminas e produzem uma
dependência quase total do catabolismo de carboidratos nos músculos, aumentando
com isso, o consumo de glicose pelo aumento da glicogenólise hepática induzido pela
ação da adrenalina.
O exercício demorado provoca diminuições nos estoques do glicogênio muscular
e hepático. Com os agrupamentos de glicogênio muscular reduzidas, ocorre o aumento
ou aceleração do metabolismo da glicose, provocando reduções do açúcar sanguíneo
e causando hipoglicemia. Essa reação ocorre com o exercício, que estimula a liberação
de glucagon, sendo que esse hormônio atua de forma antagônica à insulina, que tem
sua liberação diminuída quando ocorre trabalho muscular, principalmente como forma
de tornar a glicose mais disponível para essa atividade.

De forma objetiva, tentamos expor, como no âmbito da educação física escolar o


que acontece com os efeitos da atividade física e do esporte sobre o Sistema
Endócrino, e que contribuem com a formação do ser humano, facilitando o
relacionamento destes com o conhecimento adquirido. Para tanto, a seguir, observe o
Quadro resumo (2). Neste, trazemos alguns hormônios, e ainda as glândulas que os
secretam, apresentando como estes atuam no organismo:

60
Glândula Hormônio Efeitos Efeitos do exercício sobre
Hospedeira Hormonais a secreção hormonal
Hipófise Hormônio do Crescimento (GH) Estimula o crescimento ↑ com aumento do
Anterior tecidual, mobiliza os Exercício
ácidos p/obter energia ↑ gliconeogênese
↓consumo de glicose
__________________________ ____________________ _____________________
Tireotropina (TSH) Estimula a liberação de ↑com aumento do
tiroxina pela tireóide exercício
___________________________ ____________________ _____________________
ACTH Estimula a produção e a
liberação de cortisol, ↑ com exercício
aldesterona e de outros prolongado e intenso;
hormônios suprarrenais ↑ gliconeogênese;
↓síntese protéica;
↓captação de glicose
___________________________ ____________________ _____________________
Gonadrotópico Estimula a liberação de Não ocorrem
tiroxina pela tireóide. modificações
___________________________ ___________________ _____________________
Ambos trabalham na
produção de estrogênio ↑com o aumento do
FSH e LH e de progesterona pelos exercício.
ovários, e de
testosterona pelos
testículos.
___________________________ ____________________ _____________________
Inibe a testosterona e ↑com exercício de longa
Prolactica (PRL) mobiliza ácidos graxos. duração
Hipófise Vasopressina (ADH) Controla a excreção de ↑ com o aumento do
Posterior água pelos rins. exercício
___________________________ ____________________ ______________________
Estimula os músculos do
Ocitocina útero e das mamas, Desconhecidos
importantes no trabalho
do parto e da lactação.

61
Córtex Cortisol/ corticosterona Promove catabolismo ↑ apenas no exercício
Suprarrenal dos ácidos graxos e das intenso;
proteínas; conserva o ↓exercício leve.
açúcar no sangue;
antagonista da insulina;
exerce efeitos anti-
inflamatórios com a
adrenalina
____________________________ ____________________ ________________________
Aldosterona Promove a retenção de ↑ com o aumento do
sódio, potássio e água exercício.
pelos rins.
Medula Adrenalina/Noradrenalina Facilita a atividade ↑ com o aumento do
Suprarrenal simpática; eleva o Débito exercício (moderado à
Cardíaco; Regula os intenso);
vasos sanguíneos; ↑ glicogenólise (adrenalina);
aumenta o catabolismo ↑ lipólise
de glicogênio e liberação ↑ frequência cardíaca;
de ácidos graxos. ↑glicogenólise;
↑ volume de ejeção
↑ resistência vascular
(noradrenalina)
Tireóide Tiroxina (T4) Triidotironina Estimula a taxa ↑ com o aumento do
metabólica; regula o exercício
crescimento e a ↑ taxa metabólica
atividade das células. ↑ GH
. ↑ ácidos graxos livres
↑ aminoácidos
Tireóide Calcitonina Reduz a concentração Desconhecidos.
plasmática de cálcio.
Pâncreas Insulina Promove o transporte dos ↑ com o aumento do
carboidratos, aminoácidos exercício;
e ácidos graxos p/ dentro
das células; aumenta o ↑captação de glicose.
catabolismo dos
carboidratos; reduz a

62
glicose sanguínea.

Glucagon Promove a liberação da ↑ com o do exercício;


glicose do fígado p/o
sangue; aumenta o
metabolismo lipídico;
reduz os níveis de
aminoácidos

Paratireóides Paratormônio Eleva o cálcio ↑ com o exercício de longa


sanguíneo; reduz o duração.
fosfato sanguíneo.
Ovários Estrogênio/ Progesterona Controla o ciclo ↑com o exercício, é
mestrual; provoca dependente do ciclo
aumento no depósito de mestrual;
gordura corporal; Variação dos níveis de
acentua as açúcar no sangue (podendo
características sexuais ocorrer aumento ou
femininas. diminuição da glicemia);
↑ depósito de gordura
Testículos Testosterona Controla o aumento do ↑ com o exercício;
volume muscular; ↑ síntese protéica;
provoca aumento do ↑ produção de
número de hemácias; espermatozóides;
reduz a gordura ↑ libido.
corporal; acentua as
características sexuais
masculinas.
Rins Renina Estimula a secreção da ↑ com o aumento do
aldesterona. exercício;

63
Neste quadro, trouxemos um pouco sobre o funcionamento do sistema hormonal
e suas adaptações ao exercício, trazendo a importância que eles têm na área da
Educação Física. Um de seus maiores propósitos será demonstrar como o homem, que
é um ser adaptável as diversas situações, pode enfrentar as circunstâncias
diferenciadas.

Finalmente, não podemos deixar de lembrar que a ciência é dinâmica e suas


afirmações não são princípios inquestionáveis, desde que de maneira criteriosa e
honesta.

O Exercício Físico e o Sistema Respiratório

A respiração é necessária para que haja vida humana, pois é por intermédio
dela, que ocorrem as troca de oxigênio (O2) e dióxido de carbono (CO2) do nosso
corpo, com ambiente externo. Para receber o O2 contido e disponível na atmosfera e
eliminar CO2, os indivíduos necessitam de todas as estruturas que estão no sistema
respiratório para fazer as trocas gasosas. Então, é interessante que conheçamos estes
órgãos responsáveis pelo processo que são assim distribuídos: fossas nasais, alvéolos
pulmonares, faringe, traquéia, laringe e brônquios

A figura, a seguir, apresenta a localização das estruturas do Sistema


Respiratório:

64
Figura 7: Trato respiratório ou vias aéreas.

Fonte: https://pt.slideshare.net/claudiacssmoura/sistema-respiratrio-8014294

O sistema respiratório é subdividido em: Respiração Pulmonar, isto é, quando se


refere à ventilação ou respiração, e existe troca de gases nos pulmões e ainda, de
Respiração Celular, isto é, ouso de O2 e à fabricação de CO2 pelas estruturas.

Assim, a função fundamental do sistema respiratório é proporcionar as


trocas gasosas entre o ambiente e o organismo. Também, o sistema citado tem o
compromisso de manter as condições ácido-básicas equilibradas durante o dispêndio
energético.

Desta forma, existem diferenças essenciais da Mecânica Respiratória durante o


repouso e o esforço. Para melhor visualizar o que estamos falando, a seguir
apresentamos as diferenças da respiração (inspiração e expiração):

65
No repouso a inspiração: envolve os intercostais externos e diafragma. Já a
expiração ocorre por meio de um simples relaxamento do diafragma e intercostais
externos.

Durante o exercício, a Inspiração envolve o escaleno, diafragma, trapézio,


intercostais externos, esternocleidomastoideo e extensores das costas e do pescoço.
Já a expiração envolve os intercostais internos e músculos abdominais.

São as fibras musculares que ofertam O2 que é necessário para a sua atividade,
quarenta segundos após o início do exercício físico, por uma série de alterações
produzidas no funcionamento cardiorrespiratório. Estas alterações são controladas pelo
sistema nervoso autônomo, e mediada por vários hormônios conhecida como
adaptação cardiorrespiratória ao exercício físico.

Pensando nisso, devemos entender sobre a adaptabilidade que é uma


importante característica do sistema respiratório, as alterações na ventilação ocorrem
do repouso, para o exercício. De tal modo, acredita-se que o alcance máximo desse
mecanismo seja impossível de ser alcançada pelo nosso corpo.

O exercício é uma indução que provoca descompensação no sistema


respiratório, levando em conta a duração, potência e volume, resultando
em variações nas características basais do nível de respiração celular e respiração
pulmonar. Vale ressaltar que a elevação da magnitude do esforço deriva na
potencialização dos intercâmbios gasosos de CO2 e O2.

Como retorno a essa incitação, os sistemas de transporte de CO2 e O2 elevam


sua forma de funcionamento, restabelecendo o suprimento de O2 e de CO2 entre as
respirações celulares e pulmonares. Caso esse aumento seja inesperado, ao ponto de
os sistemas não supram o aporte de fabricação instantânea de energia, ocorrendo
então a produção de energia de forma anaeróbica, produzindo acidose lática até o fim
do exercício. Vale lembrar que a ocorrência da atividade física tem correspondência
entre a função circulatória, nervosa e respiratória, e, por intermédio desta integração,
que se determina a aptidão do esforço de um indivíduo.

66
O consumo de O2 como a respiração aumentam diretamente proporcional a
intensidade de exercício físico desempenhado. Este consumo de O2 quando é
máximo, o indivíduo está em condições normais. Já quando a pessoa recebe carga de
treino maior necessitam de uma quantidade bem superior de oxigênio.

É preciso entender que o sistema respiratório suporta um volume total grande,


no entanto, só uma quantidade quase que insignificante é renovada. Esse volume
renovado é o volume corrente. Assim, se caso após a inspiração forçada, realizarmos
uma expiração do mesmo jeito, conseguiremos retirar dos pulmões uma quantidade
bem maior, o que corresponde à capacidade vital que temos, e é dentro de seus limites
que a respiração pode acontecer. O que resta de volume, damos o nome de Volume
Residual.

Nunca se consegue encher os pulmões com ar completamente renovado, já que


mesmo no final de uma expiração forçada o volume residual permanece no sistema
respiratório.

Volume Residual: É o volume de ar que permanece no pulmão ao final de uma


expiração máxima.

Explicando melhor a situação, onde uma pessoa em condições normais,


sedentário, em seu estado de repouso, a respiração será em torno de 7 litros por
minuto. Já se este indivíduo for praticante de atividade física, esta respiração será
multiplicada até dez vezes mais.

É importante que saibamos que a respiração máxima, dependerá da capacidade


vital, do diâmetro das vias respiratórias e ainda da contractilidade dos músculos
respiratórios. Embora saibamos que existam as mudanças com a prática do esforço, ao
realizarmos estes esforços, em nosso dia a dia, o corpo precisa de um período de
tempo para que ocorra a adaptação e as transformações de energia.

Estas transformações decorrem por processos anaeróbicos e


consequentemente, os músculos sofram uma lacuna de O2. Esta lacuna é

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decorrente de alguns ácidos metabólicos, podemos citar assim o ácido láctico. Este
tempo geralmente ocorre na atividade física, mais ou menos 5 minutos para os
esforços de intensidade média e 8 minutos para os de intensidade alta, favorecendo
desse jeito, para que a oxigenação dos músculos torne-se adequada as necessidades
energéticas para estes esforços almejados.

Após o esforço, começa-se a etapa da recuperação, em que a necessidade de


O2 neste momento, deve ser igual a carência de O2 durante a etapa de adaptação.
Assim sendo, quanto mais fisicamente ativo seja o indivíduo, proporcionalmente
ultrapassará a adaptação de forma mais efetiva e como consequencia, mais curta será
a recuperação.

É bom enfatizar que o período de recuperação torna-se um padrão importante


para observação da capacidade funcional do corpo humano. O oxigênio é a substância
que manterá o cérebro e este estimulará o sistema nervoso periférico e central.

Para que possamos entender, por exemplo: uma pessoa saudável, com boa
saúde chega possuir uma boa capacidade respiratória, imagine um maratonista depois
de vários anos de treino, possui uma capacidade vital excelente, chega a ter em média
12 a 20 vezes mais do que o individuo em suas condições normais.

O controle da respiração é regulado por um mecanismo preciso. Desta maneira,


exceto em problemas neurológicos, na respiração não se faz necessários ajustes como
geralmente são incorretamente orientados.

O funcionamento do sistema respiratório durante o esforço objetiva


essencialmente a remoção de gases (principalmente CO2), mas também a oxigenação
do sangue para garantir o funcionamento apropriado a partir das diferentes
demandas. Para tanto, o sistema respiratório movimenta mecanismos em
diversas condições integradas pelo Sistema Nervoso Central. Todavia, antes de
abordar as alterações especialmente durante a prática do exercício, vamos conceituar
as principais variáveis envolvidas. Nesse sentindo, a avaliação da função pulmonar
durante o exercício pode ser medida pela observação do procedimento da

68
ventilação. Temos assim, quantidade de ar movimentada a cada incursão respiratória
pela frequência respiratória, que significará o número de incursões realizadas
por minuto (FR).

Na elevação do Volume Expirado (VE) pode ter a ocorrência do aumento da FR,


assim como o aumento da profundidade da respiração (VC). Esse controle ventilatório
que atende tantos os sistemas neurais, como químicos e humorais.
Assim, o ciclo respiratório normal é resultante da atividade dos neurônios, pois
os fatores químicos atuam sobre o centro respiratório, ou mudam sua atividade por
meio de reflexos (quimiorreceptores) controlando a ventilação alveolar.

Como exemplo, podemos dizer: um adulto em repouso tem respiração de 7,5


l/min, com um volume corrente de 0,5 l e uma frequência respiratória padrão entre 12 a
15 incursões por minuto (ipm).

Analisar os gases expirados durante a execução do exercício físico é um


sensibilização para a produção de energia nos diferentes músculos corporais. No
entanto, os fatores que compõem o processo inspiração e expiração são exprimidos
por intermédio dos volumes e capacidades respiratórias, que variam de acordo com o
sexo, idade, prática esportiva, biótipo corporal, e são rotulados como: estáticos
e/ou dinâmicos.

Um aumento da temperatura corporal exerce um efeito estimulante direto sobre


os neurônios do centro respiratório, exercendo também algum controle sobre a
ventilação durante o exercício (MACARDLE, 2011).

Os quimiorreceptores são células sensíveis à variação da composição química


do sangue ou do líquido em seu redor. Eles monitoram o oxigênio, o dióxido de
carbono e a concentração de íons hidrogênio em vários locais do corpo. De acordo
com a sua localização, podem ser localizados no bulbo (centrais) ou localizados nos
corpos carotídeos e aórticos (periféricos).

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Os ajustes da respiração durante o exercício não são resultados de um único
fator, mas sim da combinação de vários estímulos químicos e neurais que podem agir
até mesmo simultaneamente. O controle da respiração durante o exercício pressupõe a
integração de fatores químicos, neurogênicos e da temperatura corporal.

Ex: bloqueio; neurogênico intestinal; dor; neurogênica).

Durante o exercício intenso, a frequência respiratória e o volume corrente


aumentam significativamente, de forma que a respiração pode alcançar valores altos.
Esses são aspectos tais como a expiração e a inspiração. Ocorre porque, apesar de o
calorímetro fornecer dados precisos sobre o consumo energético total, ele não
consegue as alterações rápidas na liberação de energia. Por essa razão, o
metabolismo energético durante o exercício intenso não pode ser mensurado por meio
desse tipo de equipamento e, por isso, são necessárias investigações alternativas em
relação às trocas gasosas (DIENER, 1997).

No inicio de um exercício submáximo de carga constante, a ventilação aumenta


rapidamente, sendo seguida por um aumento mais lento até atingir um valor estável.
Durante o exercício prolongado num ambiente quente úmido, a respiração se modifica
seu percurso em razão da influência do aumento da temperatura corporal sobre o
centro de controle.

O exercício gradual culmina em um aumento proporcional da frequência


respiratória. Assim, executar exercícios respiratórios deveria ser um objetivo comum de
todos nós, para manutenção da boa capacidade pulmonar, pois se uma respiração
correta pode nos ajudar, tanto nos aspectos físicos, como psicológicos, já uma
respiração incorreta pode criar as fundações para que vários desequilíbrios surjam ou
se agravem no corpo.

A leitura deste material apresentou os benefícios dos exercícios físicos para o


sistema respiratório que são inúmeros e ilimitados, indo deste a reabilitação de alguma
doença respiratória já existente, até profissionais do esporte, e ainda por pessoas
saudáveis em busca de melhor qualidade de vida.

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Nesse sentido, falando agora sobre os tipos de exercícios em relação ao sistema
respiratório, o que se pode dizer é que as células musculares conquistam a energia
que precisam para a sua contração, sob dois tipos de fonte, que expressam dessa
forma dois tipos de exercícios: anaeróbicos e aeróbico. Assim, o mecanismo anaeróbio
ajusta a energia sem o consumo de O2, embora seja o primeiro a ser ativado, é breve,
já que as células musculares esgotam as suas reservas de energia em poucos
minutos.

No entanto, o mecanismo anaeróbio é fundamental quando se realiza um


esforço muscular intenso e breve, como no caso do halterofilismo. Por outro lado, no
mecanismo aeróbio, as células musculares obtêm energia a partir da utilização de
oxigênio que absorvem da circulação sanguínea, originando um resíduo, o CO2, que
passa para o sangue de forma a ser eliminado por meio dos pulmões.

Quando falamos no mecanismo aeróbio, devemos compreender que ele só é


ativado após quarenta segundos do exercício físico, aonde são os esforços mais
distantes (longas) ou atividades que exijam da resistência fisiológica, isso é o contrário
do que ocorre em exercícios anaeróbicos. Exemplos de exercícios aeróbios são as
brincadeiras escolares que perduram por uma manhã inteira sem intervalos (como é o
caso dos interclasses), natações, corridas e o ciclismo.

Durante a atividade física intensa, como forma de compensação, nosso corpo


precisa de uma maior quantidade de oxigênio, assim como carregar nutrientes e
sangue em um número maior até o músculo. Este mecanismo é feito para que não
ocorra o cansaço muscular repentino. Para isso, à medida que se aumenta a
intensidade do esforço físico, a FC e FR também se elevam, gerando progressos para
que o organismo trabalhe com qualidade.

As vias respiratórias são algumas das respostas desse sistema ao esforço


exigido pelo exercício, em que elas, modificam sua forma de funcionamento tentando
suprir a necessidade de O2 para os pulmões e ainda, deixando a expulsão de CO2 na
expiração, com isso, fortalecendo a FR e o intercâmbio de gases nos alvéolos
pulmonares.

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Devemos finalizar pensando no Sistema Respiratório e a relação dele com a
prática de exercícios físicos, se reafirma que estes esforços melhoram a capacidade
pulmonar de forma significativa, contribuindo para a prevenção e reabilitação de
diversas dificuldades ou doenças, principalmente aquelas pessoas que já são
acometidas pela: asma, bronquite crônica e enfisema pulmonar, dentre outras doenças.

A prática regular de exercício físico melhora o rendimento cardiorrespiratório e


contribui para a prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares e pulmonares.

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Explicando melhor com a pesquisa

Sugerimos a leitura do artigo: Conceitos Fundamentais em Fisiologia do


Exercício. O texto aborda a respeito das respostas hormonais que o exercício provoca
no corpo humano, aprofundando o conhecimento já registrado em livros-texto sobre
fisiologia do exercício. A metodologia usada neste material foi de pesquisa
bibliográfica.

Propomos também a leitura do artigo: Adaptações agudas e crônicas do


exercício físico no sistema cardiovascular. O artigo traz uma exposição retrospectiva
dos principais estudos realizados sobre as adaptações agudas e crônicas do exercício
físico sobre o sistema cardiovascular nos últimos 10 anos.

GUIA DE ESTUDO: Após a leitura dos artigos, faça uma síntese e disponibilize no
ambiente virtual.

73
Leitura Obrigatória

Sugerimos leitura do livro A Fisiologia do Exercício é um


maravilhoso estudo que apresenta como se comporta o organismo
no exercício, assim, para tanto, conhecer como se dá este esforço,
por meio do treinamento desportivo é fundamental. Dessa maneira,
o treinamento desportivo apresenta-se como uma atividade física
de longa duração, graduada de forma progressiva, individualizada,
atuando especificamente nas funções humanas, fisiológicas e psicológicas, com
objetivos de superar tarefas mais exigentes que as habituais.

EDWARD, T. HOWBLEY; POWERS, SCOTT K. Fisiologia do exercício: teoria e


aplicação ao condicionamento e ao desempenho. 5. ed. Barueri: Manole, 2005. 576 p.
ISBN 85-204-1673-x

GUIA DE ESTUDO: Após a leitura da obra, faça um paralelo, comparando com o


material estudado, sempre argumentando com sua opinião fundamentada de estudo e
pesquisa. Em seguida disponibilize no ambiente virtual.

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Saiba mais

Sugerimos a leitura da Entrevista: com Wendell Bernardes Fisiologia do Exercício e


Condicionamento Físico aplicados a pacientes neurológicos. Nesta entrevista é
abordado os benefícios terapêuticos que o Condicionamento Físico pode trazer para a
reabilitação de pacientes neurológicos.

Leia também a Entrevista: A importância dos exercícios físicos aos estudos com
Lúcio Manzi Portella. Educador Físico, Especialista em Fisiologia do Exercício pela
Universidade Gama Filho, Personal Trainer, Técnico especializado em corrida e
professor da Clip Academia. Esta entrevista fala como um bom condicionamento físico
auxilia o estudante em sua postura corporal.

GUIA DE ESTUDO: Faça uma análise investigatória sobre o assunto da entrevista e


relacione com o assunto abordado, explane suas ideias através de uma síntese usando
a entrevista como foco e inspiração através da importância do incentivo e criatividade
nas aulas de educação física para o ensino da Fisiologia do Exercício.

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Pesquisando com a Internet

Para ampliar seus conhecimentos pesquise na internet sobre:


Adaptação cardiorrespiratória ao exercício físico buscando relatos de experiências
nessa área para que lhe auxilie em suas reflexões.

GUIA DE ESTUDO: Logo após sua pesquisa faça um comentário sobre suas
descobertas e conclusões. Compartilhe suas reflexões postando no ambiente
virtual.

76
Vendo com os olhos de ver

Propomos a você que assista ao vídeo Prof. Doutor Aylton Figueira Junior, uma
das maiores referências em fisiologia esportiva no país, explica esse mundo científico
por trás de todas as transformações do corpo durante o esforço, por meio do exercício
físico, conceituando e abordando a importância da Fisiologia do Exercício.
Vídeo 1: https://www.youtube.com/watch?v=8NZNsx_3rBQ

Sugerimos a você também que assista ao vídeo: Fisiologia Humana do Exercício


Físico. Neste vídeo o professor EberHart apresenta como funciona o corpo durante o
exercício físico.

Vídeo 2: https://www.youtube.com/watch?v=Q9HU3AJQDAw

GUIA DE ESTUDO: Após você assistir esses vídeos, faça uma correlação entre eles e
produza um texto argumentativo, relatando a função do professor de Educação Física
desde seu surgimento até os dias de hoje e a contribuição destes conteúdos no âmbito
escolar.

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Revisando

Nesta disciplina estudamos ou abordamos sobre a Fisiologia do Exercício nos


diferentes âmbitos para sua compreensão e aplicação na Educação Física, dentro ou
fora da Escola.

Para isso, na 1ª unidade aprendemos as informações básicas necessárias ao


entendimento da FISIOLOGIA DO ESFORÇO, trazendo as atividades ou exercícios
físicos que realizamos em diferentes situações da vida (cotidiana, laboral, recreativa),
apresentando como acontece a liberação energética leve, moderada ou intensa,
dependendo da duração e da intensidade do exercício e da relação carga do exercício-
descanso, frequência da atividade, estado de saúde, idade e condição física atuais do
indivíduo.

Na segunda unidade vimos sobre a bioenergética, junção neuromuscular e o


exercício físico, a bioenergética mostra-se como uma ferramenta de trabalho
fundamental para o entendimento de diversas variáveis do treinamento, em especial o
comportamento do metabolismo energético e a integração deste com outros aspectos
peculiares ao treinamento. Assim, será possível ao portador de tais informações melhor
compreender os resultados de seus atletas, ou mesmo dos praticantes que estão sob
sua supervisão. Os estudantes e profissionais da área de Educação Física devem estar
cada vez mais munidos destes conhecimentos a fim de estarem capacitados para seu
exercício profissional.

Na última unidade vimos ainda as noções de adaptação fisiológica, tais como:


Adaptações Agudas e Crônicas do exercício físico e a Frequência Cardíaca, no
Sistema Endócrino e Respiratório a partir do Exercício Físico realizado. Deste modo,
estas adaptações procuraram explicar o comportamento do organismo ao esforço de
acordo com o volume, o tipo, a frequência, abordando o que acontece nos organismos
nos diferentes sistemas, mostrando a diferença entre adaptação aguda e crônica, as
especificidades de liberação e bloqueio de determinados mecanismo do corpo.

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Autoavaliação

1) Qual a importância do conhecimento de Fisiologia do Exercício para o professor de


Educação Física?

2) Por que é considerado importante compreender e saber como aplicar a Fisiologia do


Exercício dentro da Educação Física na Escola?

3) Como a Fisiologia do Exercício auxilia na formação de professores em Educação


Física?

4) Elenque as alterações sofridas durante o exercício nos diferentes sistemas do corpo


humano.

5) De acordo com o Material Didático estudado, qual a principal função da Fisiologia do


Exercício para o professor de Educação Física?

79
Bibliografia

DIENER, J. R. C. Calorimetria indireta. Revista da Associação Médica do Brasil, v.


43, n. 3, p. 245-253, 1997.

EDWARD, T. HOWBLEY; POWERS, SCOTT K. Fisiologia do exercício: teoria e


aplicação ao condicionamento e ao desempenho. 5. ed. Barueri: Manole, 2005. 576 p.
ISBN 85-204-1673-x.

FORJAZ, C.L.M.; et., al. Exercício resistido para o paciente hipertenso: indicação
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FORJAZ, C.L.M.; PATRICIA, C. B. Adaptações agudas ao exercício físico no


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GUYTON, A.C.; Hall, J. E. Tratado de Fisiologia Médica. Tradutor: Alcides Marinho


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GUYTON, ARTHUR C. Fisiologia humana. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,


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HOWLEY, EDWARD; POWERS, SCOTT K. Fisiologia do exercício: teoria e


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ISBN 978-85-204-2783-5.

KATCH, F. I. ; Mcardle, W. D. Nutrição, exercício e saúde. Rio de Janeiro: Medsi,


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MCARDLE, W. D.; KATCH, F. I.; KATCH, V. L. Fisiologia do Exercício. Energia,


Nutrição e Desempenho Humano. Editora Guanabara Koogan S.A: 5ª ed. Rio de
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MACARDLE, W. D. Fisiologia do Exercício: energia, nutrição e desempenho


humano. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan S.A. 11ª ed. Rio de Janeiro,
Elsevier, 2011.

POWERS, S. K.; HOWLEY, E. T. Fisiologia do exercício: teoria e aplicação ao


condicionamento e ao desenvolvimento. 3. ed. São Paulo: Manole, 2000. p. 248.

SCOOT, K. POWERS E EDWARD T. HOWLEY. Fisiologia do exercício: teoria e


aplicação ao condicionamento físico e ao desempenho, 8° Edição, Manole, 2014.

WILMORE, J.H.; COSTIL, D.L. Fisiologia do esporte e do exercício. São Paulo:


Manole, 2010.

WILSON, M. A energia. Rio de Janeiro: José Olympio, 1968. 200p.

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BERNARDES. Wendell. Fisiologia do Exercício e Condicionamento Físico


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PORTELLA. Lúcio Manzi. A importância dos exercícios físicos aos estudos.


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PROCESSO DE CONTRAÇÃO MUSCULAR. Disponível em


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SISTEMA RESPIRATÓRIO. Disponível em


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TIPOS DE CONTRAÇÃO MUSCULAR. Disponível em
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Vídeos

Fisiologia: entenda a natureza do corpo humano. Disponível em


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Fisiologia Humana do Exercício Físico. Disponível em


https://www.youtube.com/watch?v=Q9HU3AJQDAw

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85
EB

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