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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO DISTRITO FEDERAL


JUÍZO DA 11ª ZONA ELEITORAL

IPL 0343/2019-4 SR/DF - DELINST

DECISÃO
Em exame o presente Inquérito Policial, instaurado por
requisição do eminente Procurador Regional Eleitoral, com o propósito de
apurar a possível prática de delito previsto no artigo 350 do Código Eleitoral
(Lei 4.735/65), ante a notícia de irregularidades verificadas nas prestações de
contas apresentadas, junto à Justiça Eleitoral, pelas candidatas KADIJA DE
ALMEIDA GUIMARÃES e DOLORES MOREIRA DA COSTA FERREIRA.
Pontuou-se, para fundamentar a necessidade do apuratório,
que a detida análise das contas prestadas pelas referidas candidatas estaria a
revelar o recebimento de significativos aportes financeiros, oriundos do diretório
do MDB/DF, com pequena aquisição de material de campanha, mas com
vultosa destinação declarada para o pagamento de militância de rua, tendo as
candidatas, ao final do pleito, obtido inexpressiva quantidade de votos.
Instaurado o procedimento pré-processual, foi o apuratório
instruído com mídia, contendo os processos de prestações de contas das
campanhas eleitorais das candidatas do MDB/DF, sendo ouvidas testemunhas
pela autoridade policial responsável.
Realizadas as citadas diligências, os autos do Inquérito, com
REPRESENTAÇÃO pela autorização de BUSCA E APREENSÃO, foram então
remetidos à douta Presidência do TRE-DF, que, por sua vez, os encaminhou à
Ilustrada Corregedoria Regional Eleitoral, sendo então determinada a sua
distribuição a esta 11ª Zona Eleitoral.
Recebidos os autos, determinei fosse colhida a manifestação
do Ilustre Promotor de Justiça Eleitoral com ofício perante este Juízo, que
apresentou parecer pelo deferimento da representação, na forma em que
formulada.
Feita a breve suma do processado, passo ao exame da
medida interventiva, de natureza cautelar, que foi objeto de
REPRESENTAÇÃO aviada pela Ilustre Autoridade Policial que preside o
inquérito.
Trata-se de apuratório policial, ainda em sede embrionária,
voltado a apurar a prática, em tese, do crime de falsidade ideológica
eleitoral, levado a efeito por ocasião da apresentação das contas relativas ao
pleito distrital de 2018.

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Consta que as candidatas KADIJA DE ALMEIDA GUIMARÃES


e DOLORES MOREIRA DA COSTA FERREIRA, a despeito da inexpressiva
quantidade de votos recebidos, teriam declarado o recebimento de vultosos
repasses do Diretório do MDB no DF, sendo que os recursos, em sua quase
totalidade, teriam sido destinados ao pagamento de militância de rua.
Após o exame da documentação enviada pelo Tribunal
Regional Eleitoral, por meio do Ofício 569/2019-TRE/DF, e da oitiva de três
testemunhas, representou-se pela expedição de mandados de busca e
apreensão, a serem cumpridos na residência da Coordenadora da campanha
majoritária e na sede do Diretório Regional do Partido (MDB/DF).
A busca e apreensão é medida revestida de cunho cautelar e
instrumental, sendo admitida nas hipóteses em que se demonstra a sua
imprescindibilidade para o bom andamento das investigações, ou seja, para
assegurar a imediata coleta de elementos indiciários e probatórios que possam
vir a elucidar a materialidade e a autoria de ilícito penal em apuração.
Trata-se de providência prevista nos artigos 240 e seguintes do
Código de Processo Penal, destinada ao acautelamento de material probatório,
revestida de inequívoca excepcionalidade, na medida em que representa
evidente sacrifício - ainda que episódico - à inviolabilidade assegurada por
força de ditame constitucional.
No caso em exame, tenho que se mostra suficientemente
demonstrada a existência de fundadas razões que justificam, no momento em
que se acha a investigação, o pontual sacrifício dos direitos individuais
eventualmente tangenciados, ante a atestada necessidade da obtenção de
subsídios documentais indispensáveis à apuração da materialidade e da
autoria de crime eleitoral.
Com efeito, segundo a representação formulada, colhe-se do
depoimento da testemunha ILKA QUINHÕES DE AZEVEDO (fls. 16/18),
prestado à autoridade policial, que SILVIA HELENA, então coordenadora da
campanha dos candidatos a governador e a deputado distrital, IBANEIS
ROCHA e CRISTIANO ARAÚJO, teria, em tese, ajustado com colaboradores
formalmente contratados a devolução de parte dos valores por eles recebidos,
como estratégia para viabilizar o pagamento de outros colaboradores informais,
cuja remuneração, realizada com as diferenças devolvidas, teria sido omitida
da prestação de contas.
Referida testemunha teria aclarado que sequer conheceria as
candidatas KADIJA e DOLORES, tendo trabalhado, durante a campanha,
exclusivamente para os candidatos IBANEIS e CRISTIANO ARAÚJO, sendo
que, mesmo tendo assinado um contrato de prestação de serviços no valor de
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R$2.000,00 (dois mil reais), tal valor, pago em três cheques, seria dividido com
mais dois colaboradores, tendo a referida testemunha devolvido duas cártulas
à Coordenadora SILVIA HELENA.
Assim, mostra-se útil e necessária a realização do cotejo entre
a lista de colaboradores efetivamente apresentada, pelas candidatas, ao
Tribunal Regional Eleitoral, e aquela provavelmente mantida pela Coordenação
da campanha, a fim de apurar possível omissão do registro devido de
colaboradores, conduta que se mostraria, em tese, penalmente relevante.
Já tendo sido fornecidas, à autoridade policial, as contas e
informações oficialmente prestadas à Justiça Eleitoral, mostra-se a providência
cautelar vindicada (busca e apreensão) medida pertinente e necessária para
permitir a colheita de elementos de convicção, e, em especial, para viabilizar o
mencionado cotejo probatório, na forma do permissivo elencado no artigo 240,
§ 1º, alíneas “e” e “h”, do CPP.
Para além da demonstrada necessidade, apoiada nas
fundadas razões apontadas, ressai igualmente evidenciada a cautelaridade da
medida, a justificar a urgência na adoção da providência instrumental, ante
o risco natural de dissipação de elementos documentais, cuja obtenção, com o
passar do tempo, tende a se mostrar dificultada.
Posto isso, com fincas no artigo 240, § 1º, alíneas “e” e “h”, do
Código de Processo Penal, e, atendendo à REPRESENTAÇÃO da autoridade
policial, DEFIRO A EXPEDIÇÃO DE MANDADOS DE BUSCA E
APREENSÃO DOMICILIAR, PARA CUMPRIMENTO NOS ENDEREÇOS A
SEGUIR INDICADOS, COM A FINALIDADE DE ARRECADAR POSSÍVEL
LISTA DE COLABORADORES QUE TRABALHARAM, SEM O DEVIDO
REGISTRO NA PRESTAÇÃO DE CONTAS ELEITORAIS, NA CAMPANHA
ELEITORAL DOS CANDIDATOS IBANEIS ROCHA E CRISTIANO ARAÚJO,
FIXADO O PRAZO MÁXIMO DE 15 (QUINZE) DIAS PARA CUMPRIMENTO:
1 – XXXXXXXXXXXXX ● XXXXXXXXXXX, Distrito Federal.

2- XXXXXXXXXXXXX ● XXXXXXXXXXX, Distrito Federal.

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Expeçam-se os mandados, na forma do artigo 243 do CPP,


observadas, no momento do cumprimento, as cautelas indispensáveis (artigos
245 e 248 do CPP).
Finda a diligência, os executores LAVRARÃO AUTO
CIRCUNSTANCIADO, assinando-o com duas testemunhas estranhas ao
quadro policial (art. 245, § 7º, do CPP).
A fim de resguardar o sigilo indispensável à efetividade da
medida, somente após o cumprimento das diligências, distribua-se o presente
inquérito, em cumprimento à determinação da Ilustrada Corregedoria Regional
Eleitoral.
Recebido o relatório das diligências, dê-se vista ao Ministério
Público e volvam conclusos.
Cumpra-se, cientificada a ilustre autoridade policial que
formulou a representação.
Brasília, 17 de maio de 2019 (15:15).

LUIS MARTIUS HOLANDA BEZERRA JUNIOR


Juiz Titular da 11ª Zona Eleitoral/DF