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SUMÁRIO

Capa: CATALOGADOR DE UNIVERSOS – ORIGENS, Arte: Sullivan


Suád / Cores: Alanzim Emmanuel
Editorial – André Carim / Tira do Coelho Nero, de Omar Viñole
Entrevista com ROM FREIRE
HQ: “CATALOGADOR - ORIGENS” (CRÉDITOS NA HQ)
Artigo: “DESPEDIDA DE UM AMIGO DE TRAÇO”, Gabriel Rocha
HQ: “QUEM MANDA ABRIR A BOCA – AGENTE LARANJA” – Roteiro:
André Carim e Arte e Cores/Manipulação 3D: Célio Cardoso
Divulgação de Heróis – PABEYMA e X-MAN, por Lancelott Martins
HQ: “ASSASSINO NO NOVO OESTE” – Roteiro e Arte: Fábio Amaral
HQ: “PROJETO SECRETO”, Roteiro, Cores e Desenhos: Célio Cardoso
Contracapa: ADRIANA, A AGENTE LARANJA e STEEL FLAG – Arte de
Oscar Suyama com Cores de Ana Carolina Silva

MÚLTIPLO – REVISTA DE HQs


Múltiplo registrado na Biblio-
Editor: André Carim de Oliveira teca Nacional sob o número
Periodicidade: Mensal – Nº 32 – Junho de 2019 83.569, em 19 de julho de
Revista online que pode ser baixada em:
1993 – Autor e criador: André
http://multiplozine.blogspot.com.br/ e
https://www.face- Carim de Oliveira.
book.com/groups/410201319362851/ Adriana, a Agente Laranja re-
Ou solicitado pelo e-mail:andrecarim@outlook.com
gistrada na BN sob número:
800926, em 11/02/2019 – Au-
tor e Criador: André Carim de
Oliveira

MÚLTIPLO E FANZINE ILUSTRADO, QUADRINHOS


NACIONAIS AO SEU ALCANCE TODOS OS MESES
A Vida nos Ensina... e Multiplica Possibilidades
André Carim

Uma edição com uma HQ muito especial... Catalogador


– Origens, onde o roteirista Rodrigo Pie dá uma visão realista
dentro da origem do Catalogador de Universos e nos emociona
com toda a sua competência para levar o leitor às lágrimas, assim
como faz no teatro sublimemente.
Mas o Múltiplo, como sempre, tem aquela HQ nacional
que irá fazer você se divertir ou se comover. Novos artistas sur-
gindo, novas possibilidades e com certeza você faz parte disso
tudo.
Adriana, a Agente Laranja retorna com uma HQ inédita,
em comemoração aos seus 25 Anos. HQ em 3D, na arte do talen-
toso Célio Cardoso, que traz também mais uma HQ de sua per-
sonagem Lily.
Gabriel Rocha compartilha com a gente a saudade de um
amigo de traço, com certeza um artista que fará falta no universo
independente de quadrinhos, que ele esteja num lugar melhor,
nossa solidariedade aos familiares do Johnny Fonseca, criador do
Raio Rubro e Nukantu.
No mais, Fábio Amaral iniciando uma interessante HQ,
vale a pena a leitura... e pode ter certeza, em julho estamos de
volta com muito mais... Boa leitura!
Entrevista com Rom Freire

Qual seu nome com-


pleto, idade, onde
reside hoje e local de
nascimento?
Rômulo Freire Mar-
tins, 45 anos, nasci
em Santa Inês, inte-
rior do Maranhão e
resido na capital, São
Luís, desde 1992.

Como entrou no mundo dos quadrinhos?


Eu leio quadrinhos desde garoto e, influenciado por eles, já fazia
minhas HQs de forma bem amadora. A primeira foi de um perso-
nagem próprio, chamado Exterminador.

Atua em qual gênero? Tem alguma preferência?


Atualmente eu trabalho mais com super-heróis, que gosto muito,
mas como desenhista profissional, não me prendo a um gênero.
Desenho (quase) tudo que me pagarem para desenhar. Mas um
dos meus preferidos é o gênero terror.

Vive de quadrinhos ou tem outra profissão?


Minha primeira fonte de renda foi ainda na infância. Eu dese-
nhava personagens das HQs e animações em formato grande
para que uma senhora, que tinha uma loja de festas, reproduzisse
painéis para locação. Depois entrei como office-boy em um es-
critório de contabilidade. Em seguida, fiz apontamento de jogo
do bicho. Esse último eu gostava muito, porque pegava comissão
todo dia e tinha muito tempo para ler quadrinhos enquanto es-
perava os apostadores. Mas aí surgiu a oportunidade de vir para
São Luís, trabalhar em uma agência de publicidade que estava
começando no mercado. Naquela época ainda se usava bastante
ilustração nas peças publicitárias, diferente de hoje que tudo é
tratamento e montagem
de fotos. Atualmente
vivo apenas das HQs, um
sonho que começou a se
realizar em 2009.

Trabalha sozinho ou em
parceria? Já teve al-
guma parceria impor-
tante?
Faço as páginas sozinho,
lápis e arte final, mas as
cores, quando preciso,
eu terceirizo, já que co-
lorização demanda
tempo e meu foco é
mesmo desenhar as
HQs. Mas geralmente os
trabalhos que pego são
apenas em preto e
branco.
LORDE KRAMUS – O VALE DO ALÉM, de Gil
Mendes
Qual (is) personagem
(ns) criou e qual o mais importante para você?
Guerreiros de Glaatu, Loonar, Krohnos e Grimorium. Esse último
é meu xodó, já que faz parte do meu gênero preferido, o terror,
e é o único que tem revista publicada. Esse ano ele deve prota-
gonizar, junto com os personagens Penitente (criado por Lorde
Lobo), Sete Estrelas (criado por Lancelott Martins) e os Noturnos
(criados por Nel Angeiras) o álbum HERÓIS SOMBRIOS, com lan-
çamento previsto para a CCXP 2019, além de participação em
revistas de outros autores, como a Penitente Encontra, de Lorde
Lobo.
O que o motivou a criar o selo Subverso HQ?
Como não tenho apenas um personagem, queria aglutiná-los em
um selo, a exemplo do que outros autores fazem. Seria minha as-
sinatura. E como meus textos são bem pesados, saindo do lugar
comum e chegando a ser subversivos, foi fácil achar o nome per-
feito para o selo.

Como considera seus quadrinhos? Por quê?


Eu tento retirar os personagens com os quais trabalho da sua
zona de conforto, fazê-los enfrentar algo diferente do que já co-
nhecem. Uma vez fiz um roteiro para uma conhecida persona-
gem nacional, mas o autor achou pesado demais e descartou.
Uma pena, já que achei esse texto muito bom. Então dei uma re-
modelada nele e vou reaproveitar com outra personagem. Acho
que meus quadrinhos refletem bem o nome do meu selo.

OS INVICTOS, de Rafael Tavares


Onde publicou seus primeiros trabalhos?
Em fanzines, mas infelizmente não tenho cópia de nenhum. Já
profissionalmente, meu primeiro trabalho para os EUA foi em se-
tembro de 2009, desenhando para a editora 12 Comics.
Demora muito para produzir?
Depende muito da página. Com mais detalhes e cenários, de-
mora mais. Mas com o tempo desenvolvi um ritmo bom. Consigo
produzir, em média, duas páginas por dia.

Já vi alguma coisa sobre seu trabalho, você optou pelo faça-você-


mesmo?
Não exatamente. Sou um profissional, então eu trabalho mais
para terceiros do que para mim mesmo. Até mesmo porque não
sobra muito tempo para projetos pessoais. Mas mesmo quando
consigo produzir meus projetos, tento agradar mais ao leitor do
que a mim mesmo. Acho que se os autores nacionais tivessem
esse pensamento de editor, o mercado nacional de HQs seria
mais profissional e menos amador.

Como foi sua maior tiragem? Como você se vê no mundo dos


quadrinhos? E como percebe os olhares para seu trabalho?
A única revista que produzi foi a
Grimorium #1 e teve apenas
500 exemplares. Eu me vejo
como um profissional que faz
todo o esforço possível para
agradar meus clientes e leito-
res. Quanto ao que pensam do
meu trabalho, é difícil respon-
der isso. Alguns gostam, outros
não. Faz parte da profissão.

Em quais editoras publicou seus


trabalhos?
Universo Editora de Quadri-
nhos Independentes e Editora
Peirópolis, ambas de SP; Editora
Ideias, de MT; White Tiger, da
LOONAR, ilustração que foi capa do Múltiplo # 23
Inglaterra; 12 Comics, Argo Comics e Urban Style Comics, dos
EUA.

Quais as características do seu trabalho? Para maiores ou tam-


bém para o público infantil?
Já produzi material pornô para sites dos EUA, mas parei com esse
tipo de trabalho porque, apesar de ser relativamente bem remu-
nerado, não dá visibilidade ao artista, deixando a gente preso
numa bolha. Também já fiz ilustrações infanto-juvenil para uma
editora de Mato Grosso. Mas curto mesmo fazer HQs para maio-
res de 18 anos, sem nada que me impeça de pegar pesado.

DREADLOCKS, criado por Andre Batts e publicado nos EUA


pela editora Urban Style Comics
Mudaria alguma coisa na sua trajetória?
Se pudesse, mudaria algumas posturas que tive no passado, o que
me teria aberto mais portas no mercado de quadrinhos. Mas são
águas passadas...
Como vê os crossovers nos quadrinhos?
Se for bem explorado, rende boas histórias. Mas a maioria é caça-
níquel, produto descartável que não vale o papel onde foram im-
pressos.

Vê hoje o quadrinho nacional melhor ou pior? E a qualidade do


material disponível?
Isso é bem relativo. Como em
todas as épocas e países, tem
material ótimo e de péssima
qualidade. Nos anos 70-80 tí-
nhamos autores e artistas in-
críveis, do quilate de Mozart
Couto, Rodolfo Zalla, Watson
Portela e Gian Danton. Atual-
mente temos sangue novo,
como Nando Alves, Tom Go-
mes, Junior Cortizo e Alanzim
Emanuel.

O que precisa ser feito para


que nossos quadrinhos alcan-
cem o grande público?
Termos mais profissiona-
lismo. Muitos autores ainda
tem a mentalidade enges-
sada, não pensam como edi-
BLINDADO E COMETA HUMANO - Rodrigo Pie e tores. Querem agradar ape-
Lancelott Martins nas a si próprios, não ao leitor.
Outro dia recebi uma mensagem in box, onde um conhecido ten-
tava me arregimentar para o que seria a criação de um universo
de super-heróis nacionais. Seria uma atitude louvável, mas já ten-
tei algo semelhante em menor escala, mas não deu certo. Tem
muito desencontro, falta de comunicação, egos quilométricos...
Muitos erram pelo excesso de independência, não permitindo
que se faça nenhuma crítica a seus trabalhos, portanto não evo-
luem, permanecem fazendo a
mesma coisa infinitamente, HQs
sem rumo e sem público, que se-
rão engavetadas posteriormente
e nunca verão as páginas de uma
revista impressa. De que adianta
criar todo um universo de perso-
nagens e não conseguir desenvol-
ver nenhum?

Vê alguma semelhança ou in-


fluência vinda dos EUA ou Eu-
ropa?
Se está se referindo ao meu traba-
lho, sim. Dos EUA posso citar
como exemplo John Buscema e
Jim Starlim. Da Europa, os fran- HERÓIS SOMBRIOS, de Lancelott
ceses Moebius e Martin Veyron. Martins, Lorde Lobo, Nel Angeiras e
Rom Freire
Quais os seus planos para esse ano?
Continuar fazendo muita HQ, aqui e lá fora, e lançar os álbuns
HERÓIS SOMBRIOS e LORDE KRAMUS E OS MERCENÁRIOS DE
SATAI no Artist´s Alley da CCXP 2019.

Seu traço pode ser considerado mais limpo?


Para alguns trabalhos, sim. Na linha de super-heróis eu tento fa-
zer menos hachuras. Já no terror ou espada & magia, eu “sujo” as
páginas um pouco mais e acrescento mais áreas de preto.

Percebi que você caminha pelo lado folclórico nacional. Como é


isso?
Sempre valorizei nosso folclore. Lembro que, ainda garoto, tinha
um livro com as principais lendas do folclore nacional, e perdi as
contas das vezes que o reli. Nesse quesito, não devemos nada ao
folclore de outras nacionalidades e me irrita quando vejo um bra-
sileiro vira-lata desmerecendo isso. Foi assim que surgiu a ideia
para ABAITÉ, um álbum reunindo algumas lendas indígenas em
um único conto de terror. Comecei a desenhá-lo, mas por falta
de tempo, parei. Agora, revendo as páginas, resolvi refazer tudo
de outra forma e reescrever algumas partes do roteiro. Gostaria
que ficasse pronto a tempo para a CCXP, mas acho difícil. Mas no
próximo ano esse álbum sai, com certeza.

Minibiografia.
Rom Freire nasceu em Santa Inês/MA, em 25 de setembro de
1973. Autodidata, desenha desde criança, mas só publicava em
fanzines e revistas amadoras. Foi office boy, apontador de Jogo
do Bicho e ilustrador e diagramador em uma agência de publici-
dade durante 17 anos. Em 2009, já trabalhando como autônomo,
entrou para o mercado profissional de comics, fazendo seu pri-
meiro trabalho para a editora norte americana 12 COMICS. Atu-
almente desenha a revista DREADLOCKS, para a Urban Style Co-
mics, de Detroit, além de um sem número de revistas de autores
independentes brasileiros. Em 2013, quadrinizou a obra
FAUSTO, de Goethe, adaptada por Leonardo Santana e colorida
por Dinei Ribeiro. O álbum, publicado pela Editora Peirópolis em
2017, recebeu no ano seguinte, do Instituto Interdisciplinar de
Leitura da PUC-RIO e da Cátedra UNESCO de Leitura PUC-RIO,
o SELO SELEÇÃO CÁTEDRA 10, pelo seu valor literário, plástico e
editorial, tornando-se um artefato original indispensável para
arte-educação. Rom Freire criou os personagens Guerreiros de
Glaatu, Khronos, Loonar e Grimorium, esse último já lançado em
revista própria, em 2016. Perfil do Facebook: www.face-
book.com/rom.freire

GRIMÓRIUM, personagem criado por Rom Freire,


publicado em revista própria sob o selo Subverso HQ.
O TESOURO DOS TEMPLÁRIOS, de Jamerson Tiossi

GISELLE PARA SEMPRE, de Aldefran Mello

"LORDE KRAMUS E OS MERCENÁRIOS


DE SATAI, de Gil Mendes