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Fátima Nilza Cassimo

Estratégias de Gestão de Numerosas no Ensino Primário

Licenciatura em Psicologia Educacional

Universidade Pedagógica

Massinga

2019
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Fátima Nilza Cassimo

Estratégias de Gestão de Numerosas no Ensino Primário

Trabalho de Conclusão do
Curso a ser apresentado ao
Departamento de Ciências da
Educação e Psicologia para a
obtenção do Grau de
Licenciatura em Psicologia
Educacional

Universidade Pedagógica

Massinga

Índice 2019
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Índice

Conteúdo

Páá giná
1.Introdução.....................................................................................................................................3

1.1.Objectivos..................................................................................................................................3

1.2.Metodologia...............................................................................................................................3

2.0.Conceitos...................................................................................................................................4

2.1.Estratégia de ensino...................................................................................................................4

2.2.Tamanho da turma.....................................................................................................................4

2.3.Turmas numerosas.....................................................................................................................4

2.3.Efeitos do tamanho de turma nos processos da sala de aula......................................................5

2.4.Factores que condicionam o surgimento de turmas numerosas.................................................5

2.5.Estratégias de gestão de turmas numerosas...............................................................................6

3.Conclusão.....................................................................................................................................7

4.Bibliografia...................................................................................................................................8
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1.Introdução
O sector de educação em Moçambique tem vindo a conhecer o aparecimento de turmas com
elevado número de alunos, tanto nas zonas urbanas como nas rurais, de referir que em
Moçambique, o fenómeno das turmas numerosas constitui preocupação não só para os
profissionais dos sistemas educativos nos vários níveis de funcionamento destes, como,
também, para a sociedade em geral.

As turmas numerosas são percebidas como um importante obstáculo para o asseguramento da


qualidade da educação em qualquer nível de ensino onde esse fenómeno se faz sentir. Estes
aspectos são apoiados por vários estudos que, por um lado apontam as desvantagens de
turmas com maior número de alunos, por outro consideram as turmas pequenas um dos
factores que garante a qualidade do processo de ensino e aprendizagem. É neste contexto que
surge o presente trabalho com tema: Estratégias de gestão de turmas numerosas no ensino
primário, inserindo-se como trabalho que visa a obtenção do grau académico de Licenciatura
em Psicologia Educacional. O trabalho encontra-se estruturado da seguinte forma: introdução,
objectivos, metodologia, desenvolvimento, conclusão e bibliografia.

1.1.Objectivos
Geral

 Compreender as estratégias de gestão de turmas numerosas no ensino primário

Específicos

 Apresentar conceitos de tamanho de turma, turma numerosa e estratégia de ensino


 Identificar factores que condicionam o surgimento de turmas numerosas;
 Descrever estratégias de gestão de turmas numerosas

1.2.Metodologia
O trabalho foi elaborado com base em pesquisas bibliográficas devidamente indicadas na
última página do trabalho, seguido da análise para indicação do meu ponto de vista que
culminou com a compilação e produção do trabalho final.
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2.0.Conceitos

2.1.Estratégia de ensino
AFRIMAP (2012), refere-se aos meios utilizados pelos docentes na articulação do processo
de ensino, de acordo com cada actividade e os resultados esperados.
Para LOPES (2010), usa o termo estratégia, em sentido lato, como sendo sequências
integradas de procedimentos, acções, actividades ou passos escolhidos com um claro
determinado propósito.
Na minha óptica organização ou arranjo sequencial de acções ou actividades de ensino que
são utilizadas durante um intervalo de tempo e com a finalidade de levar os alunos a
realizarem determinadas aprendizagens.

2.2.Tamanho da turma
A partir deste entendimento, o tamanho da turma é definido como o número de alunos que um
professor ensina numa sala de aula, num determinado tempo (FORTES, 2009).

BOLZAN (2012), o tamanho da turma é o número de alunos que se encontram regularmente


numa determinada sala com um professor (ou vários) que é responsável por esses alunos.

No meu entender tamanho de turma é a medida administrativa correspondente ao número de


alunos sob a responsabilidade de um professor durante o ano lectivo.

2.3.Turmas numerosas
O Ministério de Educação (2003), estabelece que uma turma deste nível deve ser composta
por um número de alunos igual ou inferior a 45. Nesse contexto no âmbito deste trabalho as
turmas que apresentam um número de alunos superior a 45 são consideradas turmas
numerosas.

A existência de turmas numerosas é característica principal das escolas moçambicanas, com


rácio professor-aluno acima de 50. Este problema faz com que a qualidade do ensino em
Moçambique não seja desejável porque o professor não consegue gerir a turma com maior
precisão.
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2.3.Efeitos do tamanho de turma nos processos da sala de aula


Alguns estudos do campo do tamanho da turma preocupam-se com os processos da sala de
aula, entendidos como as acções levadas a cabo pelo professor e pelo aluno em torno das
actividades de ensino e aprendizagem. Por exemplo BORUCHOVITCH (2001), no seu estudo
sobre os efeitos de tamanho da turma e as competências docentes nos processos da sala de
aula e nos resultados de aprendizagem, classificam os processos da sala de aula em duas
componentes distintas a saber:

a)Os processos ligados às acções do professor, que envolvem a qualidade da instrução, da


relação professor-aluno e a quantidade das oportunidades de aprendizagem que ele
providencia.

Em análise esta componente diz respeito a atenção do aluno durante a aula, redução de
comportamentos problemáticos, mais tempo para a realização de actividades, maior
aproximação entre professor e aluno e maior número de interacções entre os protagonistas da
aula focadas na aprendizagem. Porém não é possível verificar estas acções nas turmas
numerosas se o professor não usar estratégias específicas para trabalhar com os alunos.

b)Os processos ligados às acções do aluno, as quais contemplam as suas actividades de


aprendizagem, a utilização do material de aprendizagem, a sua atenção e esforço.

Tendo em conta a prevalência das turmas numerosas no ensino primário a intercalo aluno-
professor não é notável pois isto cria um trabalho excessivo para o professor o que acaba por
fortalecer a insatisfação do professor perante o seu trabalho docente. 0

2.4.Factores que condicionam o surgimento de turmas numerosas


No que respeita aos factores que estão a condicionar esta situação, GÓMES (2015) destaca:

 A insuficiência financeira, que se afigura como um dos maiores obstáculos à


realização de uma educação para todos e de qualidade;
 A redução na ajuda à educação básica na África Subsaariana;
 A falta de professores e de salas de aulas.

Um dos factores que acredito que pode ter maior potencial no surgimento de turmas
numerosas é a politica de exclusão de horas extras para os professores, o que obriga os
gestores escolares a aglutinarem muitos alunos nas turmas na tentativa de reduzir as horas
extras.
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2.5.Estratégias de gestão de turmas numerosas


De acordo com GÓMES (2015), há varias estratégias que podem ser desenvolvidas para gerir
turmas numerosas no ensino primário como:

a)Estabelecer regras: deve-se ser firme no estabelecimento de regras, desde o primeiro dia, e
ser coerente aplicando-as. Os alunos esperam que os professores mantenham a disciplina e
que definam claramente o que consideram aceitável e inaceitável.

Esta capacidade de o professor gerir o ambiente de sala de aula pode fazer a diferença numa
turma numerosa.

b)Devem ser criadas rotinas que envolvam os alunos, desenvolvam o seu sentido de
responsabilidade e evitem a perda de tempo: aqui por exemplo o professor pode permitir
que um aluno escreva o sumário, outro confirma as faltas, um outro distribui as fichas, entre
outras. Para rentabilizar o tempo, será conveniente fazer uma distribuição mensal de tarefas
por aluno (solicitar a um aluno a elaboração de uma tabela com essa distribuição).

Olhando para a realidade do ensino primário, esta estratégia pode ser frutífera no 3º ciclo (6ª e
7ª classes) como estes pelo menos já estão em condições de cumprirem as orientações do
professor com eficácia e já podem estudar com autonomia com recurso as fichas distribuídas
pelo professor.

c)O professor deve utilizar estratégias de aprendizagem activas, envolvendo todos os


alunos. Por exemplo no 3º ciclo do ensino primário nas nossas escolas o professor pode
atempadamente fornecer a lição seguinte aos alunos e orientar para estudo individualizado em
casa e por conseguinte debate comum dentro da turma na aula.
No meu ponto de vista uma estratégia eficaz para a gestão de turmas numerosas é a formação
de grupos de estudos na sala de aulas onde os alunos podem fazer actividades em conjunto
para posterior debate e correcção por toda turma, porem olhando para o ensino primário a
estratégia pode ser frutífera no 3º ciclo.
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3.0.Conclusão
Com turmas numerosas é menos provável o professor conhecer ou identificar as necessidades
singulares dos alunos no processo de ensino e aprendizagem e ser mais prestativo. Os alunos
em turmas numerosas denunciam como mais problemática a falta de tempo e de
disponibilidade dos professores para acompanharem a produção do conhecimento.

Quando a turma é numerosa há grande desinteresse por parte dos alunos, porque enquanto o
professor atende um aluno para descobrir a causa da dificuldade dele que não é tão geral, mas
individual, os outros ficam sem atendimento.

Contudo concluo que embora muitos profissionais da área da educação apontem a realidade
pedagógica aqui apresentada como extremamente indesejável e considerem praticamente
impossível é importante desenvolver estratégias que permitam melhor gestão de turmas
numerosas e assim propiciar melhor aprendizagem de crianças inseridas nessas turmas.
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4.Bibliografia
AFRIMAP. L: Prestação de serviços públicos no sector da educação. Open Society
Foundations, 2012.

BOLZAN, D. Formação de professores: compartilhando e reconstruindo conhecimentos.


Porto Alegre: Mediação, 2012.

BORUCHOVITCH, E. & Bzuneck, J. motivação do aluno: contribuições da psicologia


contemporânea. 3ª Edição. Petrópolis: vozes, 2001.

FORTES, N. Salas numerosas: espaço de conhecimento ou informação? Campinas, 2009.

GÓMES, P. Compreender e transformar o ensino. 4ª Edição. Porto Alegre: Artmed, 2015.

LOPES, J & Silva, H. O professor faz a diferença. Edições técnicas. Lisboa: lide, 2010.