You are on page 1of 4

Unidade 1

Os pré-socráticos – heráclito

Ao final dessa unidade, o discente deverá ser capaz de:

Compreender as questões básicas do pensamento Pré-socrático, tais como ser,


não ser, devir e aparência;
Compreender a noção de physis – natureza – compreendido como o princípio
dirigente do real.

CONTEÚDOS DE ENSINO

Trata-se de estudar as relações entre ser e não ser, devir e


aparência. A questão da tensão de contrários. O logos e a tensão de contrários; a
discussão sobre os modos os quais é dado ao homem se comportar em relação ao logos.
Para tal, iremos nos deter no exame de alguns dos fragmentos de Heráclito.

Esta unidade objetiva introduzir os discentes de graduação na discussão sobre o


princípio dirigente da realidade (arché) que os pensadores originais ou pré-socráticos
nomearam de physis (natureza). Os chamados filósofos pré-socráticos constituem o
grupo de pensadores que, no Ocidente, tematizaram a questão do princípio constitutivo
e dirigente do real. São mais propriamente pensadores do que filósofos porque,
primeiramente, eles próprios não se reconheciam por esse nome – somente no período
clássico é que o nome filósofo passa a ser aplicado àquele que se dedica à busca dos
primeiros princípios e causas do real. Notadamente, debruçar-nos-emos sobre o
pensamento de Heráclito.

Essa denominação de pré-socráticos indica que esse grupo de pensadores encontra-se


antes do pensamento socrático. Contudo, não se trata apenas de uma indicação do que
veio antes ou depois, mas quer assinalar a diferença radical que existe entre esse grupo
de pensadores e aqueles que irão vir após o pensamento de Sócrates.

As diferenças que podemos de imediato assinalar são:

1 - Os pré-socráticos possuem uma linguagem poética – ou seja, uma linguagem que


deixa e faz ver aquilo que eles (pensadores) apreendem do real. Isso porque poesia aqui
está sendo compreendida ainda como o grego arcaico compreendia, isto é, como uma
produção (= a ação de trazer a presença algo que se encontra oculto na nossa realidade
cotidiana). Para o grego, toda ação poética necessita de algo ou alguém através do que
ou de quem, aquilo que se mantém oculto venha à presença. Ora, para o grego arcaico,
esse era o aedo (poeta-cantor). Para o grego do período pré-socrático, esse será o sábio.

2- Ora, o pensamento inaugurado por Sócrates (o Sócrates de Platão) será aquele que
irá se caracterizar por uma concepção de linguagem que deverá dar conta de dizer o que
é (o que são as coisas enquanto elas são o que são). Pois bem, a pergunta pelo que é, é
a pergunta pela essência das coisas. A essência das coisas é aquilo que é absolutamente
necessário para que as coisas sejam o que elas são. Por exemplo: na definição de
Aristóteles, o homem é um animal racional (=que possui logos). Ora, a racionalidade é
aquilo que não pode faltar ao homem, se lhe faltar, ele deixará de ser isso que ele é. A
essência é aquilo que deverá ser o ponto capital de uma definição.

A linguagem que se pauta por esse tipo de compreensão da natureza essencial das coisas
que são (isto é, dos entes) é a chamada linguagem categorial ou proposicional. A
linguagem que se traduz na forma Sujeito + verbo + predicado. Ou melhor: uma
linguagem na qual se diz algo (predicamento) de algo (sujeito). E aquilo que se diz, para
ser verdadeiro, deverá se unir de forma necessária ao sujeito. Assim, quando se diz: o
homem (sujeito) é (verbo) um animal (gênero próximo) racional (diferença específica);
o predicado (animal racional) deverá dizer algo que pertença essencialmente ao sujeito
(homem) para que a frase seja verdadeira.

Esse tipo de compreensão acerca da linguagem, que irá marcar o pensamento ocidental
depois de Sócrates/ Platão e Aristóteles, já, por si mesma, indica a preocupação que irá
nortear o pensamento chamado metafísico. Ou melhor, diríamos: o pensamento
metafísico, muito embora busque os primeiros princípios (arché) e causas (aitia) da
realidade, também irá se preocupar em pensar a linguagem como um instrumento capaz
de dar a conhecer esses princípios e causas. Contudo, essa linguagem só será capaz de
dar conta da essência das coisas e não será capaz de demonstrar o próprio princípio do
qual essas essências derivam.

Por seu lado, os pensadores pré-socráticos ou pré-platônicos não tematizam a questão


da essência (e tampouco da linguagem como instrumento). Para eles, o que está em
pauta é a questão do princípio que, diferentemente, do pensamento que o antecede
não identifica esse princípio com a divindade (no caso, Zeus), mas, sim, como sendo uma
potência natural. O princípio é a physis (a natureza). Ou seja, para esse grupo de
pensadores, o princípio deverá identificar a própria physis. Assim, para alguns, esse
princípio será a água, para outros, o fogo etc. Contudo, é preciso compreender que, por
natureza, esses pensadores não estão compreendendo apenas a árvore, o pássaro, os
rios etc., mas também aquilo que nos torna capaz de compreender porque a árvore é
árvore, porque o pássaro é pássaro, porque o rio é rio etc.

A principal dificuldade de estudar os pensadores pré-socráticos encontra-se no fato de


que quase nada restou dos escritos desses pensadores. Apenas temos acesso a
fragmentos, frases soltas e palavras isoladas. E para dificultar ainda mais, uma grande
parte desse material foi recolhida de obras de outros autores que nos dão testemunhos
sobre o pensamento pré-socrático; ou, ainda, algumas notícias sobre a vida e a obra dos
pré-socráticos nos são relatadas através da chamada doxografia.
Em nossa disciplina, iremos nos deter no estudo do pensamento de Heráclito, buscando
compreender a noção de logos, que representaria para esse pensador o princípio
constituinte e dirigente de toda a realidade.

Esse é o momento de realizar a primeira tarefa. Clique no link abaixo e bom trabalho!

Tarefa 1