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sumário

1Introdução
2Oabuso
que se configura como
infantil?

3Abuso sexual vs exploração


sexual: qual é a diferença?

4Qual é a realidade brasileira?


5Consequências do abuso infantil
6Como proceder em casos de
abuso infantil?

7Conclusão
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Introdução

Infelizmente, o abuso sexual infantil ainda é uma realidade no nosso país


e acomete crianças de todas as classes sociais, do norte ao sul do Brasil.
Tanto é verdade, que foi instituída uma data oficial para combater o abuso
e a exploração infantil.

O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e


Adolescentes é celebrado todos os anos no dia 18 de maio. A data foi ins-
tituída em 1973, após o caso Araceli - uma menina de apenas 8 anos que
foi raptada, estuprada e brutalmente assassinada por jovens na cidade de
Vitória, no Espírito Santo. O caso chocou o Brasil e virou símbolo da luta.

A intenção do dia 18 de maio é fortalecer ações que expliquem à comu-


nidade o que é o abuso infantil e ofereçam formas de denunciar o pro-
blema. Hoje, a principal via de denúncia é o “Disque 100”, mas além dele,
é importante que a família, a escola e todos que convivem com crianças 
reconheçam os sinais de abuso e intervenham rapidamente quando for o
caso. Neste e-book, você aprenderá:

o que é o abuso infantil;


qual é a diferença entre o abuso sexual e a exploração sexual;
dados sobre a realidade brasileira;
consequências do abuso infantil;
como agir em casos de abuso.

Boa leitura!
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O que se configura como
abuso infantil?

Por lei, é dever dos adultos proteger e defender as crianças e os adoles-


centes. Para isso, quanto mais informações forem disseminadas sobre o
tema, melhor será o combate ao abuso sexual.  

O abuso sexual, portanto, pode ser definido como toda situação em que
as crianças e adolescentes sejam usados para a gratificação sexual de
outras pessoas mais velhas e/ou que estão em um desenvolvimento
psicossexual mais avançado. Assim, são considerados abusos todos os
atos, jogos e explorações que envolvam crianças, adolescentes e adultos.

Em geral, essas pessoas mais velhas usam o poder e a diferença de


idade para intimidar ou coagir a criança, forçando-a a ter determinados
comportamentos que gratifiquem o agressor. Beijos, toques, penetração
com objetos, prática oral, anal ou vaginal são consideradas abuso. Assim
como aqueles realizados sem o contato físico, como cantadas obscenas,
assédio, voyeurismo, exibicionismo, fotos e vídeos pornográficos.

Falta de maturidade biológica e psicológica


O abuso sexual, por fim, pode ser compreendido como toda e qualquer
ação que envolva crianças e adolescentes em práticas sexuais para às
quais elas não possuem maturidade biológica e psicológica. Por isso,
não têm como oferecer consentimento a essas práticas. É importante
destacar que o abuso desperta as crianças para o sexo de uma maneira
precoce e inapropriada, oferecendo às vítimas informações incorretas
sobre esses assuntos e sobre sua própria sexualidade, além de significar
uma violação grave aos seus direitos.

O abuso sexual, como dissemos na introdução, não possui distinção de


cultura, classe social ou religião. Ele pode ocorrer tanto de forma extrafa-
miliar, ou seja, quando a criança é abusada por alguém de fora da família,
quanto de forma intrafamiliar, quando o abusador é alguém do contexto
doméstico da criança, como padrasto, madrasta ou avós.

Sinais do abuso

Quem cuida, convive ou trabalha com crianças e adolescentes precisa


conhecer os principais sinais de que um abuso pode estar ocorrendo para
intervir. Os principais são:

alterações de comportamento, uma criança que era alegre e afetuo-


sa passa a se tornar triste, chorosa, irritada, agressiva ou retraída;
a criança passa a ter sono agitado, pesadelo ou começa a urinar ou
defecar na cama durante o sono (e não tinha esse comportamento
anteriormente);
redução do rendimento escolar;
alterações no apetite;
a criança começa a fazer gestos obscenos, falar palavrões e ter atitu-
des erotizadas e impróprias para a sua idade;
demonstrar medo ou aversão inexplicáveis em relação a algumas
pessoas ou gênero;
recusa em frequentar locais onde antes ela gostava de ir;
sinais físicos, como: machucados, coceiras e vermelhidão nos ór-
gãos genitais e sujeira na roupa íntima da criança.
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Abuso sexual vs exploração
sexual: qual é a diferença?

Apesar de ambos serem considerados uma violência sexual contra o me-


nor, existem diferenças entre os termos. A exploração sexual é o ato de
utilizar sexualmente crianças e adolescentes com fins lucrativos e comer-
ciais. Ou seja, é o comércio do corpo das crianças em troca de dinheiro.
Para isso, existe a presença de um aliciador – aquele que lucra interme-
diando a relação de “compra” entre o cliente e a criança. Além da venda do
corpo do menor, também são consideradas ações de exploração sexual
a produção de materiais pornográficos, como vídeos, fotos e sites da
internet. 

Já o abuso, como dissemos no tópico anterior, pode se configurar em


várias atitudes que visam estimular a criança ou o adolescente sexual-
mente, como:

fazer com que menores assistam a fil-


mes pornográficos ou vejam revistas
pornográficas e adultos se masturbando;
filmar ou fotografar menores nus e em
posturas eróticas;
falar sobre relações sexuais com as
crianças visando se excitar ou deixá-las
excitadas;
observar os genitais dos menores para se
excitar (ainda que de forma escondida);
acariciar ou tocar os órgãos genitais dos
menores;
prática sexual (genital, anal ou oral) com
crianças e adolescentes.
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Qual é a realidade brasileira?

Os dados do Brasil são bastante alarmantes em relação à violência sexual


infantil. De acordo com um boletim divulgado pelo Ministério da Saúde,
entre 2011 e 2017, o nosso país registrou um aumento de 83% das no-
tificações gerais de violências sexuais contra crianças e adolescentes.
No total, o período registrou 184.524 casos, sendo 58.037 (ou seja, 37%)
contra crianças e 83.068 (45%) contra adolescentes.

Outro dado preocupante levantando é que, na maioria dos casos registra-


dos, os agressores eram pessoas de convívio da vítima – e os abusos
aconteciam dentro de casa. Entre as vítimas, 74,2% das crianças e 92,4%
das adolescentes eram meninas. Das crianças abusadas, 45,5% eram
negras e 39% eram brancas. Entre as adolescentes, 55,5% eram negras e
32,5% brancas.

Dados sobre o agressor

O estudo também mostrou algumas características sobre o agressor. En-


tre as crianças, em 81,6% das vezes o agressor era um homem e entre os
adolescentes esse número sobe para 92,4%.

O agressor tinha vínculo familiar com a vítima em 37% dos casos de


crianças abusadas e  em 38,4% dos adolescentes abusados.

Em 33,7% dos casos de crianças abusadas, a agressão era recorrente.


Entre os adolescentes, o número de casos que se repetem era de 39,8%.
Outro dado alarmante mostra que a maioria dos casos de abuso (69,2%
entre as crianças e 58,2% entre os adolescentes) acontecia na residência
da vítima.
Dados sobre o agressor

O estudo também mostrou algumas características sobre o agressor. En-


tre as crianças, em 81,6% das vezes o agressor era um homem e entre os
adolescentes esse número sobe para 92,4%.

O agressor tinha vínculo familiar com a vítima em 37% dos casos de


crianças abusadas e  em 38,4% dos adolescentes abusados.

Em 33,7% dos casos de crianças abusadas, a agressão era recorrente.


Entre os adolescentes, o número de casos que se repetem era de 39,8%.
Outro dado alarmante mostra que a maioria dos casos de abuso (69,2%
entre as crianças e 58,2% entre os adolescentes) acontecia na residência
da vítima.

Classificação internacional

Apesar desses números, o Brasil é considerado um dos países que lidam


melhor com o assunto. Os dados são do estudo “Out of the Shadows
Index”. No ranking, vários países são analisados e pontuados em relação
aos critérios abaixo:

ambiente (segurança e estabili-


dade do país);
aparato legal de proteção às
crianças e adolescentes;
engajamento do setor privado;
mídia e sociedade civil;
capacidade e compromisso go-
vernamental de executar políti-
cas no setor.
O Brasil foi o 11º colocado em uma lista com 40 países, com uma nota de
62,4 pontos (acima da média, que foi de 55,4 pontos). O Reino Unido foi
o melhor colocado, com 82,7 pontos e, em último lugar, está o Paquistão,
com 28,3 pontos.

Mas por que essa nota relativamente alta se o nosso país ainda sofre
com a questão? O principal ponto avaliado pelo estudo diz respeito a nos-
sa legislação. O que foi verificado é que o Brasil possui excelentes leis de
combate ao abuso e a exploração infantil, porém nem sempre essas leis
são cumpridas.

Ou seja, ainda faltam programas que incentivem a denúncia e também


questões relacionadas a burocracia que muitas vezes torna difícil punir o
agressor.

Outro ponto levantado pelo estudo é a falta de programas de prevenção


de abusadores, ou seja, que impeçam que novos casos venham a surgir.
Também é válido destacar que a pesquisa encontrou dificuldades para
coletar dados importantes sobre o tema, o que dificultou o entendimento
mais amplo da realidade brasileira.
Compromisso governamental

De todas as áreas avaliadas, a única que o Brasil teve uma nota abaixo da
média foi em compromisso governamental. O índice geral foi de 50,4 e o
nosso país ficou com 48,1 pontos. Esse dado demonstra que ainda faltam
investimentos em capacitação e equipamentos mobilizados pelo governo
para lidar com o tema, como projetos mais amplos e efetivos de combate
à exploração e ao abuso sexual e também sistemas de denúncias menos
burocráticos.
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Consequências do abuso
infantil

Negligenciar uma criança abusada é um erro muito grande, afinal, o abu-


so sexual é capaz de deixar marcas para toda a vida. Além dos danos
físicos, como as doenças sexualmente transmissíveis, as crianças abu-
sadas passam a apresentar problemas de relacionamento, questões de
baixa autoestima, tendência à depressão, autoflagelação e inúmeras
consequências.

Os resultados do abuso podem ser sentidos tanto em curto quanto em


longo prazo, de maneiras distintas, dependendo da idade da vítima. Al-
guns danos psicológicos que a vítima poderá enfrentar são:

condutas sexuais inadequadas;


agressividade;
dificuldades em se relacionar, se ligar afetivamente aos demais e em de-
monstrar amor;
distúrbios alimentares;
dificuldades na escola e no aprendizado;
problemas de adaptação;
problemas para dormir com pesadelos, gritos e conversas durante o sono;
mudanças no vocabulário e no comportamento;
problemas psicossomáticos;
uso de drogas e de álcool;
envolvimento com prostituição;
distúrbios afetivos, como: depressão, crises de choro, sentimento de cul-
pa, auto-desvalorização, vergonha, desinteresse pelas brincadeiras, ansie-
dade excessiva.
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Como proceder em casos de
abuso infantil?

O primeiro ponto é ficar atento aos sinais que listamos no primeiro tópico.
Vale lembrar que, apesar deles, nem todas as vítimas apresentarão sinto-
mas tão óbvios.

Por isso, é importante acompanhar de perto o desenvolvimento e o com-


portamento das crianças e adolescentes com quem você convive. Lem-
bre-se que é muito difícil que uma criança fantasie ou conte mentiras
sobre estar sendo abusada.

Por isso, se uma criança vier lhe contar sobre algo, acredite nela. É fun-
damental que as vítimas se sintam acolhidas, principalmente nas escolas,
onde muitas se sentem seguras para  abordar o tema.

Medo de denunciar o ocorrido

Outro ponto importante é lembrar que, infelizmente, a maioria dos casos


costuma acontecer dentro de casa. Isso significa que, por haver envolvi-
mento familiar, pode ser mais difícil para a vítima denunciar o que está
acontecendo, seja por motivos afetivos ou por medo.

O que fazer?

Ao perceber que uma criança pode estar sofrendo abuso sexual, é impor-
tante denunciar o caso. Os pais e familiares devem, primeiro, acreditar
na criança e oferecer apoio, em seguida, procurar o Conselho Tutelar
para registrar a denúncia, a Vara da Infância e da Juventude, ou o canal
Disque 100.
No caso de professores, diretores de escola ou outros educadores, ao
identificar uma situação de abuso, também é essencial registrar a denún-
cia junto ao Conselho Tutelar. Evite falar com a família sobre o assunto,
porque se o abusador for do seio familiar, é provável que agirá de forma a
evitar a ação do Conselho.

Para vizinhos, amigos e conhecidos que não queiram se identificar


também é possível fazer uma denúncia anônima pelo Disque 100. O
importante é denunciar essas situações e proteger a vítima. Lembre-se
que saber de um caso de abuso e não denunciá-lo também é considerado
crime pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de acordo com o
art. 245, com pena de multa de 3 a 20 salários mínimos.

A importância da prevenção

A prevenção é uma das melhores formas de combate ao assédio sexual


infantil. Algumas orientações simples e práticas podem ajudar a criança a
se conscientizar e buscar ajuda antes que o pior ocorra, como:

ensinar a criança desde cedo que


nenhuma pessoa poderá tocar ou
machucar suas partes íntimas;
enfatizar que a criança deverá sem-
pre gritar por socorro ou procurar aju-
da se alguém tentar tocar ou ver suas
partes íntimas e que, no caso de algo
assim ocorrer, é preciso contar a uma
pessoa de confiança;
orientar a criança a não aceitar nada
e nem ficar sozinha na companhia de
estranhos.
Os pais e adultos responsáveis também precisam tomar alguns cuidados
para proteger as crianças, como:

não deixar as crianças ou adolescentes sob os cuidados de pesso-


as que costumam ficar alcoolizados;
nunca deixar as crianças ou adolescentes sob os cuidados de pes-
soas estranhas e nem deixá-los sozinhos na presença desses estra-
nhos (mesmo que seja dentro de casa);
não aproveitar as “caronas” para buscar ou levar seu filho à escola
e evitar deixar as crianças menores irem ou voltarem sozinhas da
escola ou de outros locais;
não deixar a criança sozinha em banheiros públicos. Caso não possa
entrar, fique na porta e se comunique com quem estiver lá dentro.
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Conclusão

Como você viu, apesar de o tema ser considerado tabu por algumas pessoas, é
extremamente importante falarmos sobre o abuso e a exploração infantil. Afi-
nal, somente bem informados poderemos proteger nossas crianças e adoles-
centes, identificando precocemente situações que precisam ser denunciadas.

Além disso, a informação é importante para ajudar a prevenir os abusos, princi-


palmente  ao conversar abertamente com nossas crianças e ensinando-as a se
protegerem de situações perigosas. Apesar de esse ser um tema extremamen-
te importante, nem sempre ele é debatido como deveria, o que acaba gerando
um número alto de casos e, claro, muitos problemas às vítimas que carregam
as marcas do abuso por toda a vida.

O Childfund Brasil entende a importância da conscientização sobre o tema.


Por isso, anualmente, promovemos a campanha “Prevenção: Cuidado de quem
ama”. Nele, nós divulgamos à sociedade civil as melhores formas de evitar esse
tipo de violência, ensinando as crianças e os pais a se protegerem.

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