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CENTRO INTERNACIONAL UNINTER

PRÁTICAS PEDAGÓGICAS E METODOLOGIAS PARA O ENSINO DA


ARTE NO ENSINO FUNDAMENTAL

Santa Cruz do Sul


2018
CARLA TAIANI KONZEN DE AZEREDO

PRÁTICAS PEDAGÓGICAS E METODOLOGIAS DO ENSINO DA ARTE NO


ENSINO FUNDAMENTAL

Monografia apresentada ao Curso de Graduação


em Artes Visuais do Centro Internacional Uninter
como requisito parcial para a obtenção do título
de Licenciada em Artes Visuais.

Orientadora: Ivani Ana Friedrich

Santa Cruz do Sul


2018
Dedico esse trabalho as minhas avós Everilda Lopes Fagundes e Ezebina
Cândida de Azeredo, que foram grandes exemplos de amor e humildade em
minha vida. A minha filha Júlia Azeredo de Araújo e aos meus pais pelo
incentivo e amor incondicional.
AGRADECIMENTOS

A Deus por ter me dado saúde e força para vencer as dificuldades, que esteve
comigo em todos os momentos, permitindo concluir a minha formação acadêmica.
As minhas colegas por compartilharem ideias e as ajudas nos portfólios, a
minha tutoria Ivani Ana Friedrich por ser mais que uma tutora.
Agradeço também a minha família que é a base de tudo em nossas vidas.
RESUMO

O ensino de arte nas escolas públicas vem ocasionando muitas inquietações e


preocupações entre os professores, que apontam dificuldades no desenvolvimento
do trabalho pedagógico. Os problemas são diversos e incluem desde falta de
recursos materiais até poucas horas no currículo, inviabilizando o ensino significativo
e criativo dos alunos de escolas públicas. Desta maneira, enumerar, compreender e
caracterizar as dificuldades descritas por esses profissionais que atuam em escolas
públicas, especificamente nos anos finais do Ensino Fundamental, na efetivação do
processo de ensino/aprendizagem, bem como apontar sugestões e metodologias de
criar e inventar, métodos e estratégias para a que se efetive a formação de
experiências observadoras e críticas é o objetivo que desencadeou essa pesquisa .
O trabalho também busca viabilizar o trabalho do professor de arte, tendo em vista
que, alguns problemas caracterizados neste trabalho mostra a realidade das escolas
brasileiras e da falta de investimentos na área da educação.

Palavras-chave: Arte; Ensino de arte; Dificuldades de ensino; Professores de arte.


ABSTRACT

The teaching of art in public schools has caused many concerns and concerns
among teachers, which point out difficulties in the development of pedagogical work.
The problems are diverse and include from lack of material resources to a few hours
in the curriculum, making possible the significant and creative teaching of public
school students. In this way, to enumerate, understand and characterize the
difficulties described by these professionals who work in public schools, specifically
in the final years of Elementary School, in the effectiveness of the teaching / learning
process, as well as to point out suggestions and methodologies to create and invent,
strategies for which the formation of observational and critical experiences is
effective is the objective that triggered this research. The work also seeks to make
feasible the work of art teacher, considering that some problems characterized in this
work shows the reality of Brazilian schools and the lack of investments in education.

Keywords: Art; Teaching art; Teaching difficulties; Art teachers.


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 7
2 BREVE HISTÓRICO DO ENSINO DE ARTE NO BRASIL .................................. 8
3 CARACTERIZAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DOS PROBLEMAS
ENCONTRADOS NO DESENVOLVER DAS AULAS DE ARTES NO
AMBIENTE ESCOLAR ....................................................................................... 12
3.1 Escassez de recursos materiais e tecnológicos nas escolas ...................... 12
3.2 Resistência do uso da tecnologia na sala de aula ......................................... 12
3.3 Falta de espaço adequado para aula de artes ................................................ 13
3.4 Poucas horas no currículo ............................................................................... 14
3.5 Falta de formação de professores em Artes Visuais ..................................... 14
3.6 Deficiência na alfabetização estética dos alunos .......................................... 15
3.7 Indisciplina em sala de aula ............................................................................. 15
4 SUGESTÕES, ESTRATÉGIAS, PRÁTICAS PEDAGÓGICAS E
METODOLOGIAS PARA O MELHOR ANDAMENTO DA AULA DE ARTES ... 17
4.1 Projetos Multiculturais ..................................................................................... 18
4.2 Inserção do teatro ............................................................................................. 19
4.3 Visitação a espaços culturais .......................................................................... 21
4.4 Uso das tecnologias nas aulas ........................................................................ 21
4.5 A valorização da experiência estética cotidiana do aluno ............................ 22
4.6 Formação continuada para professores de arte ............................................ 23
4.7 Interdisciplinaridade nas aulas de artes ......................................................... 24
CONSIDERACOES FINAIS ................................................................................ 25
REFERÊNCIAS .................................................................................................. 26
7

1 INTRODUÇÃO

A arte está presente na história da humanidade desde os tempos mais remotos


e vem se desenvolvendo de acordo com as transformações sociais,
independentemente da época ou da forma de expressão, a arte evidencia e traduz
as particularidades de um tempo e características de uma coletividade.
Aprender sobre as mais variadas formas de expressão artística é uma das
oportunidades que são oferecidas no intuito de promover a apropriação dessa
evolução cultural e o descobrimento da realidade e também do contexto social. À
escola não vem conseguindo propiciar a cada aluno o contato com essas múltiplas
formas de manifestação artística, de forma que todos pudessem se apropriarem de
bens culturais, para que possam desenvolver uma percepção mais clara e ampliada
da realidade.
Apesar do papel importante que a disciplina de arte exerce, o processo de
ensino, ainda não acontece de maneira a trazer benefícios a aprendizagem. Os
professores têm se defrontado com numerosos obstáculos: estrutura escolar
inapropriada, insuficiência de recursos didáticos, indisciplina e desinteresses por
parte dos estudantes, incompatibilidade das estratégias de ensino, fazendo triunfar a
perspectiva reprodutivista de conhecimento raso.
O primeiro capítulo apresenta um breve histórico da trajetória do ensino da arte
no Brasil, mostrando os marcos mais importantes conquistados pela arte, mostrando
a evolução do seu papel na história.
O segundo capitulo foi desenvolvido sobre os principais problemas e
dificuldades no ensino aprendizagem da disciplina atualmente em nosso país.
Seguido do terceiro e último capítulo que aponta algumas medidas que podem
ser adotadas pelos professores de arte para conduzir seu trabalho pedagógico frente
as complexidades e sucateamentos encontrados nas escolas públicas.
Por fim encontra-se as considerações finais do trabalho e as referências
utilizadas para embasar a monografia.
8

2 BREVE HISTÓRICO DO ENSINO DE ARTE NO BRASIL

Este capitulo abordará de forma resumida a trajetória do ensino da disciplina de


arte no Brasil.
Conhecer a história do ensino de Arte é relevante para que se possa ampliar o
conhecimento sobre a Arte no contexto de educação e a compreender a prática
pedagógica deste ensino.
As primeiras manifestações do ensino de Arte no Brasil, surgiu com a chegada
dos Jesuítas, que tinham como principal objetivo ensinar aos indígenas sobre a
religião católica e educá-los.
No sec. XIX, o ensino da Arte tornou-se oficial no país, com o surgimento da
Academia Imperial de Belas Artes, que vinha da França no intuito de preparar as
pessoas para o trabalho.
Com o decorrer dos anos, as propostas para o ensino de Arte foram tornando-
se mais significativas e intensas, trazendo reflexões sobre o seu valor para a
educação, até que o ensino de Arte passou a ser obrigatório.
Observam-se diversas mudanças neste caminho até o início do sec. XX. Nesta
época a maior preocupação com o ensino de Arte se concentrava no ensino de
desenho, onde somente se reproduziam cópias. Dessa forma é correto afirmar que:

O ensino e a aprendizagem de arte concentram-se apenas na 'transmissão'


de conteúdos reprodutivistas, desvinculando-se da realidade social e das
diferenças individuais. O conhecimento continua centrado no professor, que
procura desenvolver em seus alunos também habilidades manuais e hábitos
de precisão, organização e limpeza. (FERRAZ E FUSARI, 1993, p.31.)

Nesse mesmo momento a educação tinha uma concepção de ensino autoritário


e tradicional, o professor era apenas um transmissor de conhecimento. A principal
proposta do ensino de Arte se resumia em cópia fiel de desenhos, ensinando o
mesmo para todos os alunos.
O ensino de Arte começou a ganhar mais espaço no Brasil no ano de 1930,
com o surgimento de escolas para crianças e adolescentes, porém com o efeito da
ditadura do presidente da época Getúlio Vargas, o ensino de Arte sofreu uma grande
desvalorização e ficou à mercê das outras disciplinas.
9

Na década de 40, tiveram início escolinhas de arte, projeto educacional criado


pelo artista plástico pernambucano Augusto Rodrigues, pela escultora norte
americana Margarete Spence e pela professora Lúcia Valentim.
O principal objetivo desse projeto educacional baseava-se na livre expressão,
usando recursos materiais como: lápis de cor, argila, tinta, pincel entre outros, todos
tinham liberdade para expressar a sua arte como queria.
A partir da criação da lei nº4024/1961- LDB que os estudos e discussões sobre
currículo começaram a evoluir e progredir com eficiência. Já na década de 70, foi
criada a lei 5692/71, enfim o ensino de Arte foi incluído no currículo do Ensino
Fundamental, com a nomenclatura de “Educação Artística”. O ensino da arte neste
período ainda era encarado como apenas uma “atividade educativa” pelos
professores e não como uma disciplina.
Evidencia-se ainda que neste período, mesmo o ensino da arte sendo
obrigatório, os poucos professores que ministravam as aulas, não tinham formação
para tal, os cursos de especialização também eram restritos.
O sistema educacional desta época começou a enfrentar grandes dificuldades
no que dizia respeito a compreensão e o emprego de metodologias que abordassem
a teoria e prática no ensino e aprendizagem de arte.
Perante esses problemas, os professores utilizavam-se dos guias curriculares,
material que buscava orientar o trabalho do professor em sala de aula, porém não
possuíam uma abordagem organizada e sistematizada para melhor auxiliar os
professores de Arte.
Em dezembro de 1996, foi implantada a lei de Diretrizes e bases da Educação
Nacional (LDBN), lei nº 9394.Com esta lei, surgiu uma nova visão sobre a educação,
incluindo o ensino de arte no contexto escolar, a partir desse momento, a educação
artística passou a ter mais legitimidade e também obrigatoriedade. Passando a ser
considerada disciplina, a arte começou a ser ofertada em todos os níveis da
Educação Básica, objetivando promover e desenvolver a cultura no ambiente
escolar.
Esse novo pensamento sobre o processo educacional foi solidificado na LDB:

A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida


familiar, na conivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e
pesquisa, nos Movimentos Sociais e organizações da Sociedade civil e nas
10

manifestações culturais. (Artigo 1º da Lei de Diretrizes e Bases Nacional de


1996/Lei nº 9394/96).

Dessa maneira, a partir desse momento, o ensino da arte finalmente se torna


uma disciplina em igualdade com as demais que compõe o currículo escolar,
também passou a ser reconhecida como área de conhecimento.
Frente a essas grandes mudanças e transformações na trajetória do ensino da
arte, foi criada no fim dos anos 80, uma proposta chamada “Abordagem Triangular”
concebida por Ana Mae Barbosa.
Essa abordagem triangular da Ana Mae Barbosa, consiste em três pilares para
o ensino e conhecimento de arte: contextualização, apreciação e produção artística.
Essa proposta ainda se mantém na atualidade, servindo como uma grande
ferramenta para atuação dos professores de arte.
Com a abordagem triangular, efetivada pela Ana Mae Barbosa, o ensino das
artes começar a ganhar novos sentidos e passou a ser consolidado melhor dentro
do ambiente escolar.
A proposta triangular busca o desenvolvimento da formação artística do aluno,
sem cópias, e sim livre expressão, despertando o imaginário e a criatividade do
discente.
No ano de 1998, a disciplina de arte da mais um passo à frente, devido a
formação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), reconhecendo a relevância
do ensino das artes para a formação de crianças e adolescentes.

São características desse novo marco curricular as reivindicações de


identificar a área por arte (e não mais por educação artística) e de incluí-la
na estrutura curricular como área, com conteúdos próprios ligados à cultura
artística e não apenas como atividade. (PARÂMETROS CURRICULARES
NACIONAIS, 1997)

Se nota que ao longo da trajetória do ensino da arte apresentaram-se várias


dificuldades e complexidades, até serem efetivadas como disciplina obrigatória do
currículo escolar. Na atualidade o ensino de arte ofertado, nas escolas nos níveis de
educação básica se norteiam nos referenciais nacionais, tais como PCNs, que tem o
foco principal voltado a uma orientação universal para escolas brasileiras.
Esse referencial visa orientar os professores de uma forma mais sistematizada,
contribuindo para uma melhor efetivação do ensino da arte.
11

Nos PCNs a arte é apresentada como uma disciplina relevante para o


desenvolvimento do aluno e traz consigo saberes específicos. Como um documento
que rege a educação, os PCNs podem ser reorganizados a qualquer tempo se isso
se fizer necessário, levando-se em conta que o fato de estar aberto a novas
concepções e experiências são fatores cruciais na aprendizagem.

[...] O objetivo do ensino de Arte na escola é possibilitar que o aluno


desenvolva os sentidos de modo a integrar a dimensão do concreto e do
virtual, do sonho e da realidade, para a formação da identidade e da
consciência do jovem, de forma a inseri-lo na sociedade como cidadão
participativo. (BRASIL, 1998, p. 20).

Atualmente o ensino da arte é estabelecido como Arte/educação e apesar de


ser uma área de conhecimento obrigatório, é imprescindível que transmitir a sua
importância para a sociedade contemporânea.
12

3 CARACTERIZAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DOS PROBLEMAS ENCONTRADOS


NO DESENVOLVER DAS AULAS DE ARTES NO AMBIENTE ESCOLAR

3.1 Escassez de recursos materiais e tecnológicos nas escolas

A prática pedagógica da disciplina de artes exige a utilização constante de


materiais específicos como: Lápis, tinta, pincel, canetinha, giz de cera entre outros.
Nem sempre a escola ou os próprios alunos dispõe desse material, restringindo a
prática do professor à teoria, prejudicando o processo prático do discente. Dessa
forma:

Os materiais didáticos, em geral, cumprem a função básica e essencial de


mediação no processo de ensino e aprendizagem, constituem-se em meio e
instrumento através do qual o conhecimento é organizado, estruturado e
apresentado pelo professor ao aluno. Esta função geral [...] se desmembra
em diversas funções específicas: inovadora, motivadora, estruturadora da
realidade que é apresentada, configuradora da relação do aluno com o
conteúdo, controladora dos conteúdos a ensinar, solicitadora de ação,
comunicativa, formativa ou estritamente didática [...]. (PARCERISA ARAN,
1999, p.31- 32)

Desta maneira devemos compreender que o material didático faz alusão à sua
atribuição de mediar e de organizar conhecimentos.
Os recursos tecnológicos também são dificilmente encontrados ou a disposição
dos professores de arte, sendo mais utilizado nas outras disciplinas.

3.2 Resistência do uso da tecnologia na sala de aula

Existem escolas que dispõe de equipamentos tecnológicos, porém, ou por


oposição a novas abordagens pedagógicas ou relutância do professor de artes que
não sabe lidar com as tecnologias, acabam por não serem utilizadas no cotidiano
das aulas. Sendo assim para Moraes:

Necessitamos repensar a escola, melhorar a formação docente,


disponibilizar o acesso às informações e melhorar a fluência tecnológica de
professores e alunos, capacitá-los para que possam desfrutar dos avanços
científicos e tecnológicos e aprendam a construir conhecimento a partir do
uso dessas tecnologias (MORAES, 2004, p. 279)

O uso das novas tecnologias é essencial na disciplina das artes, pois a arte
acompanha a evolução do conhecimento humano e se apropria do mesmo para se
13

expressar. O uso da tecnologia em sala de aula pode se tornar muito benéfico, uma
vez que o professor pode proporcionar ao aluno tem a comodidade de ter o contato
com várias obras de artes disponíveis na internet e perceber aspectos mais
complexos que em outra época não era possível.
O exercício e a prática de leitura de imagens é uma abordagem significativa no
sentido de incentivar a capacidade de interpretação do aluno:

Numa sociedade predominantemente imagética, a importância do


desenvolvimento de diferentes estratégias para a aquisição de códigos que
possibilitem leituras visuais de maneira aprofundada é vital. A prática de
uma disciplina de arte que trabalhe não somente exercícios de leitura visual,
mas que gradativamente insira leituras e escritas de textos como forma de
aprofundamento, colabora para a formação do estudante em um contexto
mais amplo de aprendizagem (AROUCA, 2012, p. 16).

A aprendizagem se torna interessante quando tem significado para quem está


aprendendo. Esse é um fator que deve ser considerado pelo docente, criando
associações da prática pedagógica com experiências do cotidiano do discente. O
uso da tecnologia possibilita um bom resultado nesse sentido.

3.3 Falta de espaço adequado para aula de artes

Algumas vezes por receio dos professores, os alunos não podem explorar
certos materiais ou não tem acesso a alguma inspiração para desenvolver as
atividades práticas de artes.
A instalação de uma sala própria ou um laboratório de arte possibilita que os
alunos sejam estimulados a criarem e não reproduzirem. Espaços que sejam
dinâmicos e versáteis podem ser um ambiente potencialmente criativo para os
alunos.
Um espaço onde o professor possa armazenar os recursos materiais e
didáticos, e também possa expor trabalhos anteriormente realizados para buscar
estimular a produção de seus alunos.
14

3.4 Poucas horas no currículo

Além de ter poucas horas no currículo, os professores de artes precisam ir


de uma sala para outra, recolhendo os materiais de uma turma para reutilizar em
outra. O que acaba fazendo com o que o professor perca mais tempo ainda.
Para Bittar (2007), a carga horária é indicada como uma das condições que
mais causam a desvalorização dos professores de arte, especialmente quando se
fala o tempo de duração de cada aula. A disciplina tem no máximo duas horas por
semana, normalmente em dias diferentes, o que traz prejuízo a continuidade do
trabalho e ainda acaba por sobrecarregar o professor.

3.5 Falta de formação de professores em Artes Visuais

Entender que a disciplina de Arte é uma área de conhecimento igual as outras


disciplinas, e que ela é responsável por fomentar o desenvolvimento e ampliação de
conhecimento e potencialidades dos alunos é um dos fatores mais importante para
que possamos incluir práticas transformadoras que instiguem a curiosidade do aluno
dentro da sala de aula. Ainda que a arte se tornou uma disciplina obrigatória, ela não
é encarada como tal, e acaba não sendo explorada e aproveitada da maneira
benéfica pelos profissionais sem formação. Para Porcher:

A educação artística divide com a educação física o privilégio de serem


ambas rejeitadas, explicitamente ou não, ao se ingressar no território da
escola. Na hierarquia das disciplinas a serem ensinadas, as nossas situam-
se nos degraus mais baixos da escada. O aluno pode dedicar-se às
atividades artísticas, dentro da escola, se tiver tempo, ou seja, se tiver
terminado todas as outras tarefas – ‘as tarefas importantes. (PORCHER,
1982, p.13)

Para Hernandez (1999), os métodos de trabalho executado no ensino de arte,


ainda foca em abordagens arcaicas, que se manifestaram em outra época, mas que
tem o principal objetivo de fortalecer as atividades manuais. Dessa forma:

Arte tem uma função tão importante quanto a dos outros conhecimentos no
processo de ensino e aprendizagem […] a educação em arte propicia o
desenvolvimento do pensamento artístico e da percepção estética […] o
aluno desenvolve sua sensibilidade, percepção e imaginação, tanto ao
realizar formas artísticas quanto na ação de apreciar e conhecer as formas
produzidas por ele e pelos colegas, pela natureza nas diferentes culturas
(BRASIL, 1997, p. 19).
15

A arte fornece um leque de opções e possibilidades de ensinar, mas para que


todo esse ensino seja significativo é necessário que o profissional tenha formação
condizente com o trabalho que é realizado. Uma formação em outra área de
conhecimento se torna limitada, trazendo prejuízos a aprendizagem de seus alunos,
cabe a esse profissional buscar por uma formação adequada. Dessa forma:

Ensinar […] somente os cursos que basearam-se no fortalecimento dos


bacharelados, aprofundando as linhas de pesquisa e propondo um
deslocamento das disciplinas de licenciatura para os centros de educação,
apresentam uma reforma da educação coerente. Entretanto, essa
separação pode acentuar o distanciamento entre quem faz Arte e quem
ensina Arte, devido a maioria dos cursos de Pedagogia não estarem
preparados na formação atualizada de seus próprios educadores […] O
professor de Arte precisa interagir com os espaços culturais e se conectar
às redes de informação, buscando o conhecimento onde ele se encontra
(COUTINHO, 2010, p. 7)

Esse pensamento de que arte é meramente uma ferramenta para aperfeiçoar


as habilidades manuais deve ser superado e amadurecido para as novas tendências
de ensino da arte.

3.6 Deficiência na alfabetização estética dos alunos

O ensino da arte na Educação infantil se encontra defasado, uma vez que, é


praticado para desenvolver a coordenação motora e fina, ou como forma de diversão
e lazer dos alunos.
Atividades de cortar, colar, pintar, modelar com massinhas são aplicadas
diariamente, com conotação decorativa, ilustrando datas comemorativas sobre arte.
Isso acarreta em um déficit na alfabetização estética, que chega ao 6º ano sem
nenhum conhecimento prévio sobre arte.

3.7 Indisciplina em sala de aula

Um dos fatores que mais prejudicam o andamento da disciplina de artes é a


indisciplina dos alunos. Como o professor de arte tem poucas horas no currículo, o
tempo acaba sendo escasso para explicar e aplicar a sua proposta, com alunos
indisciplinados fica difícil para o professor pausar a aula para chamar a atenção dos
alunos.
16

A indisciplina dos alunos faz com que o professor alterando o currículo que o
professor havia preparado, dessa forma:

[...] as representações dos professores sobre a indisciplina escolar


transformam suas visões em relação a diversos aspectos das suas práticas
pedagógicas, refletindo posições e influenciando a natureza das suas
intervenções. Além disso, tais representações transformam suas relações
com o conhecimento, influem em suas decisões sobre o currículo, e
informam suas visões sobre o que é ser professor. (GARCIA, 2009, p. 322)

O professor acaba por excluir atividades que exigem mais do aluno por não
conseguir conter a turma durante a aula.
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4 SUGESTÕES, ESTRATÉGIAS, PRÁTICAS PEDAGÓGICAS E METODOLOGIAS


PARA O MELHOR ANDAMENTO DA AULA DE ARTES

A produção artística está intimamente ligada ao processo que produz o


conhecimento do homem.
A arte é tem o dom de transmitir sensações estéticas repletas de sentimentos
que expressem a realidade ou a vivências e emoções pessoais.
Isso se torna possível através da interpretação e representação por meio de
movimentos, imagens visuais, sons e dramatização, nomeado como objeto artístico.
A arte espelha o seu tempo.
Neste prisma, aprender arte é desenvolver aos poucos um caminho de criação
pessoal, sustentado pelas interações significativas que o aluno tem com todos
aqueles que levam informações relevantes para o processo de aprendizagem
(colegas, professores, artistas, especialistas), com fontes de informação (trabalhos
de colegas, mostras, reproduções, obras).
Ao pensar como educar, devemos ter em mente que o conhecimento e a
prática pedagógica devem ter como consequência um ensino coerente. Vivenciando
experiências artísticas, os alunos aguçam o seu olhar e o senso estético para então
compreender melhor o mundo, construindo um diálogo positivo com a realidade.
Para que o aluno aprenda os conceitos significativos irá depender da relação
que eles estabeleceram e as experiências e emoções vividas de fato, aperfeiçoando
a sensibilidade que já existe neles. É uma condição para que eles possam se
comunicarem e interagirem com outros e o mundo, compreendendo o papel deles na
sociedade e sabendo que eles podem transformá-la.
É essencial que o professor reflita e elabore uma prática pedagógica que sirva
para estimular o potencial dos seus alunos, incentivando-os para elaboração e
reelaboração das próprias ideias criativas, criando um ambiente fértil de criações e
expressões de várias linguagens.
O professor deve utilizar-se de uma metodologia apropriada para definir o
percurso que serão percorridos pelos seus alunos no processo de criação, para tal
ele pode usar métodos de investigação como: visitas a museus, ateliês, artistas,
exposições, mostras, apresentação de danças ou de teatro, essas atividades
18

juntamente com outros recursos, podem viabilizar na concretização dos objetivos


almejados.
Este capítulo abordará algumas metodologias e práticas pedagógicas que
primam pela melhoria do ensino da arte nas escolas, especificamente no ensino
fundamental.

4.1 Projetos Multiculturais

O ensino da arte sempre foi um ambiente propenso e fértil para discussões


multiculturais, sendo que o termo cultura aparece com uma certa regularidade em
todos os documentos que regem essa disciplina.
Neste cenário trabalhar com arte popular se torna extremamente vantajoso, a
grande variedade de estilos, técnicas e gêneros, que representa uma cultura distinta
em cada lugar, fazem com que o aluno possa compreender a multiculturalidade que
existe em nosso país.
Essa maneira é indicada para o ensino da disciplina da arte, pois ela enfatiza
as manifestações culturais de diversas culturas, levando em consideração suas
interpretações e visões de mundo e sobre seus próprios conceitos de arte.
Os professores podem criar ambientes de aprendizado capazes de promover a
alfabetização cultura de seus alunos em diversos códigos culturas, bem como,
identificação do contexto cultural da escola e da comunidade escolar. Ainda sobre
multiculturalismo, são objetivos do PCN para o ensino fundamental:

• conhecer características fundamentais do Brasil nas dimensões sociais,


materiais e culturais como meio para construir progressivamente a noção de
identidade nacional e pessoal e o sentimento de pertinência ao País;
• conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro,
bem como aspectos socioculturais de outros povos e nações, posicionando-
se contra qualquer discriminação baseada em diferenças culturais, de
classe social, de crenças, de sexo, de etnia ou outras características
individuais e sociais (BRASIL, 1997, p. 5)

Mas qual o objetivo, para que ensinar Multiculturalismo nas aulas de artes?
O motivo é simples, trabalhar o multiculturalismo descontrói a visão
estereotipada que muito tem das artes, que ela é feita para ricos, brancos, europeus
ou para elite, ao mesmo tempo, ela dá a oportunidade de apreciar várias
manifestações artísticas que não combinam com esse padrão.
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Produzindo trabalhos artísticos e conhecendo essa produção nas outras


culturas, o aluno poderá compreender a diversidade de valores que
orientam tanto seus modos de pensar e agir como os da sociedade. Trata-
se de criar um campo de sentido para a valorização do que lhe é próprio e
favorecer o entendimento da riqueza e diversidade da imaginação humana.
(...) A dimensão social das manifestações artísticas revela modos de
perceber, sentir e articular significados e valores que orientam os diferentes
tipos de relações entre os indivíduos na sociedade. A arte estimula o aluno
a perceber, compreender e relacionar tais significados sociais. Essa forma
de compreensão da arte inclui modos de interação como a empatia e se
concretiza em múltiplas sínteses. (BRASIL, 1997, p. 19-20)

Ao falarmos de projetos multiculturais também não podemos esquecer dos


projetos que incentivem o resgate da cultura regional da cidade, até mesmo da
própria escola. O professor pode sugerir uma mostra cultural ou até mesmo uma
exposição com fotos ou objetos antigos trazidos pelos alunos para sala de aula.
Há também muito patrimônio imaterial como as lendas, os mitos e várias
estórias que podem ser trazidas as aulas valorizando e fortalecendo ainda mais as
raízes da cultura local. Além do mais esse tipo de trabalho promove muitas trocas de
saberes, pontos de vista, experiências de vida o que acaba aproximando as
pessoas, sejam professores, colegas de equipe, comunidade escolar entre outros.
Quando se fala em cultura local, o professor deve atentar-se para o lúdico, a
sensibilidade e a memória, isso irá desenvolver no aluno um olhar mais atencioso ao
seu cotidiano, ressignificando sua própria existência e a do próximo. Resgatando a
identidade, os modos de pensar, agir e relacionar no passado daquela comunidade.

4.2 Inserção do teatro

No cenário atual, o teatro vem sendo utilizando de forma eficiente na aplicação


de conteúdos educativos para crianças e adolescentes. Os temas mais utilizados
são a respeito de: Advertências ao uso das drogas e bebidas alcoólicas, higiene,
meio ambiente entre outros temas educativos.
Inserir o teatro em sala de aula, pode transformar-se em uma vivência
enriquecedora e significativa para todos que participarem. Mas para que isso se
efetive o professor deve compreender que ele precisará vivenciar a prática de
criação teatral, atuando como arte-educadores, como orientadores artísticos.
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O orientador precisar se disponibilizar a analisar, rotineiramente, as condições


que ele próprio como orientador está criando ou não, para que seus alunos tenham
liberdade de criação, agindo como um condutor/cúmplice e não um professor.
Uma maneira flexível de incluir o teatro na sala de aula é sugerir jogos de
expressão, como mímicas, imitação de um som de algum movimento ou animal,
improvisar uma cena dando continuidade à ideia de um colega, representar
sentimentos como: felicidade, tristeza, medo, raiva.
Qualquer jogo que trabalhe com a criatividade e a imaginação da criança tem
um papel fundamental nas suas descobertas.
Dentro do teatro o aluno terá a oportunidade de usar o movimento, o corpo e a
alma como expressão de sua arte, podendo escrever o texto, o roteiro das falas e
utilizar-se de figurinos, acessórios e cenários para dar asas a sua imaginação. Com
o teatro o aluno irá conseguir interagir mais facilidade:

[...]” exercícios que vão desde os jogos simples de uma criança imitando um
personagem, uma profissão, um animal ou um objeto, até o jogo coletivo,
composto de ideias e sugestões de cada um. Os alunos, atuando,
encontram-se frente a problemas que necessitam de soluções e que
envolvem observação, imaginação, percepção, relacionamento,
espontaneidade, equilíbrio, ritmo, entre outros. O modo como cada um
aborda e resolve estas dificuldades revela ao educador as tendências e a
personalidade do aluno. No decorrer das atividades, o professor poderá
distinguir, com facilidade, os superficiais, os espontâneos, os contraídos, os
desorganizados, os criativos, os oprimidos, os opressores, enfim, uma gama
de tipos humanos característicos. ” (REVERBEL, 1993, p.24)

A utilização de atividades criativas gera uma compreensão e aceitação maior


dos padrões de comportamento pessoal e social, ajudando a criança a ter autonomia
nas resoluções de diferentes situações, podendo auto reavaliar-se como um
indivíduo que está inserido em um grupo.
Uma atividade criativa só se dá dentro de ambiente livre, sem restrições,
podendo se manifestarem e expressarem de forma autêntica. Para isso o professor
deve usar os jogos teatrais e também aplicar atividades de expressão.
Através desse processo, o professor conseguirá adaptar o ensino a cada
criança, a cada determinado momento.
O teatro não deve ser visto como um resultado final, mas como um caminho
que devemos buscar estratégias e aprimorar para que todos alunos participem de
forma atrativa e criativa.
21

4.3 Visitação a espaços culturais

O professor deve proporcionar ao seu aluno que ele tenha acesso a arte além
dos muros da escola, como museus, ateliês, e instituições culturais e de arte.
Muitas instituições já possuem uma equipe pedagógica responsável pela ação
educativa da instituição, possuindo agenda e material pedagógico sobre as suas
exposições. Explorar o que há de cultural na cidade como: prédios históricos, casas
de artesanato, igrejas e construções arquitetônicas podem trazer fôlego as aulas de
artes.
Levar os alunos para assistir uma peça teatral não necessariamente didática,
que não tenha intenção de transmitir conteúdos escolares ou comportamentais. Mais
peças teatrais artísticas que incentivem a inteligência, a percepção e a emoção do
público.
A disciplina de artes não deve ser limitada ao espaço formal de educação, mas
também aos espaços não formais, dessa maneira as saídas pedagógicas podem
enriquecer e ampliar o conhecimento cultural do aluno tornando a aprendizagem
mais estimulante.

4.4 Uso das tecnologias nas aulas

O século XXI trouxe uma grande transformação na área da tecnologia, que


cada dia cresce mais e ganha espaço em toda sociedade. As novas tecnologias
entraram também no contexto escolar. O que torna a aula mais monótona aos
alunos que fazem uso dessas novas tecnologias.
O professor de artes deve promover a inclusão das tecnologias para criar e
dinamizar as suas propostas pedagógicas. Tanto no celular, quanto no computador
existem vários softwares que fazem edição de fotos, montagens, animações,
autorretratos entre outros. Neste repertório também entram a fotografia, performance
e produções audiovisuais. Dessa forma o aluno irá ampliar seu repertório de opções
no quesito digital. As novas tecnologias devem ser um caminho alternativo, uma
ferramenta para se criar aulas mais instigantes, mais ousadas que atraiam o
interesse do aluno contemporâneo.
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Segundo Domingues (1997), através da tecnologia os artistas criam uma maior


sensibilidade, pois eles entendem que a relação entre universo e homem já não são
as mesmas por conta do crescimento das tecnologias de comunicação e informação
Percebendo que a tecnologia se tornou algo indissociável da vida das pessoas,
em um todo, o professor tem que atentar-se para o uso com o objetivo de
proporcionar inclusão digital, familiarizando com as infinitas possibilidades que essa
ferramenta pode trazer.
Sempre buscando a reflexão de como a arte era antigamente e como o uso das
novas tecnologias revolucionaram essa área.

4.5 A valorização da experiência estética cotidiana do aluno

Uma abordagem baseada na experiência cotidiana do aluno, trata-se daquilo


que as crianças e os adolescentes fazem diariamente. Nessa realidade cotidiana é
que encontramos a chance para realizarmos um trabalho pedagógico, com
atividades que não visam só transmitir conhecimentos que são desvinculados da
prática. Isso dá a oportunidade do professor saber mais sobre a experiência estética
que o aluno tem de fato e como ele se posiciona perante a ela.
Essa investigação pode ser feita, partindo de experiências projetadas em
objetos, situações, pessoas entre outras coisas.
Focar as aulas nas experiências vividas pelos alunos fora da escola, pode
libertar o professor de aulas padronizadas e pré- programadas onde o aluno se
sente desmotivado e sem interesse de aprender. São objetivos gerais de Arte para o
ensino fundamental:

Edificar uma relação de autoconfiança com a produção artística pessoal e


conhecimento estético, respeitando a própria produção e a dos colegas, no
percurso de criação que abriga uma multiplicidade de procedimentos e
soluções.
Compreender e saber identificar a arte como fato histórico contextualizado
nas diversas culturas, conhecendo respeitando e podendo observar as
produções presentes no entorno, assim como as demais do patrimônio
cultural e do universo natural, identificando a existência de diferenças nos
padrões artísticos e estéticos. (BRASIL, 1997, p. 53-4).
23

Essa abordagem proporciona a auto escolha, onde o professor pode trabalhar


com projetos temáticos que estão ligados a experiência estética dos alunos da sua
escola.
Nesse sentido, a educação estética não é considerada apenas como uma
percepção de mundo, mas como um processo de autoconstrução dos conteúdos.
O professor que estiver disposto a considerar as experiências e as linguagens
das crianças, que acredita ser relevante o que as crianças trazem para sala de aula,
trará uma significação muito maior as suas aulas.

4.6 Formação continuada para professores de arte

Sabe-se que a formação inicial dos professores por si só não retém todo o
conhecimento necessário para atender a todas as necessidades que uma sala de
aula exige, considerando também que a sala de aula muda conforme a realidade em
que ela está inserida. Se torna imprescindível que o professor continue estudando,
fazendo uma formação continuada com a finalidade de aprender novamente e
ressignificando seu aprendizado, buscando sempre se manter atualizado sobre sua
prática e seus métodos.
Para Delors:

A qualidade de ensino é determinada tanto ou mais pela formação contínua


dos professores, do que pela sua formação inicial… A formação contínua
não deve desenrolar-se, necessariamente, apenas no quadro do sistema
educativo: um período de trabalho ou de estudo no setor econômico pode
também ser proveitoso para aproximação do saber e do saber-fazer
(DELORS, 2003, p. 160)

Melhorar também a motivação do professor e incentivá-lo deve ser uma


prioridade em todos os lugares. Refletir criticamente a prática dos dias de hoje ou as
de ontem também é uma forma de buscar melhor a qualidade do ensino que o
professor está transmitindo. Renovando sua prática e saindo do marasmo e do
comodismo. Impulsionando seu trabalho a buscar resultados eficazes no trabalho
pedagógico.
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4.7 Interdisciplinaridade nas aulas de artes

A interdisciplinaridade é um novo método que vem apresentando um grande


resultado nos espaços escolares. Uma metodologia de trabalho que visa dar
sentindo a aquilo que o aluno está aprendendo. Nesse tipo de metodologia o
professor poderá traçar os objetivos que ele almeja alcançar. O professor e o aluno
se tornam aliados no ensinar e aprender. No ensino interdisciplinar o individualismo
e o isolamento não têm vez, pois é um espaço onde todos tem importância e
somando os saberes que cada um detém, juntos constroem o processo de
aprendizagem. Uma das características do ensino interdisciplinar é o diálogo, o ato
de se relacionar e interagir com o outro buscando refletir sobre a resolução dos
problemas e o conhecimento, sempre buscando respeitar a opinião do colega e a
sua visão de mundo, estando abertos a novas concepções.
Para Fazenda (apud JAPIASSU, 2006, p.136)

[...] É preciso que todos estejam abertos ao diálogo, que sejam capazes de
reconhecer aquilo que lhes falta e que podem ou devem receber dos outros.
Só se adquire essa atitude de abertura para o diálogo no decorrer do
trabalho em equipe interdisciplinar. Para que todos estejam abertos ao
diálogo é necessário haver uma tomada de consciência, primeiramente
individual. Não existe cumplicidade no ato de educar se não houver um
encaminhamento consistente e democrático do processo de ensinar e
aprender.

O diálogo tem quer se dar de forma efetiva na sala de aula, proporcionando ao


aluno a oportunidade de opinar, saber esperar a sua vez de falar, saber ouvir o seu
próximo e através disso construir o seu aprendizado e também saber que a sua
opinião tem relevância e que pode mudar e se transformar ao longo desse processo.
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CONSIDERACOES FINAIS

Na transição do aluno do ensino fundamental anos iniciais para as séries finais


o aluno enfrenta várias barreiras.
São várias preocupações, desejos e anseios que as crianças têm ao entrarem
na fase final da modalidade. É um período onde as mudanças não são somente de
ensino, mas biológicas também. O momento de mudanças no corpo, na voz, no
comportamento em si. O aluno do ensino fundamental é o típico adolescente que
não quer ser tratado como uma criança, mas que não se comporta conforme a sua
idade.
É a fase da teimosia, da indisciplina, do embate direto com o professor, o que
reflete é claro no andamento das aulas. O aluno que sai dos anos iniciais ainda não
teve um contato com arte, a não ser fazer cartazes decorativos, cartões de datas
comemorativas, recortes e outras muitas manualidades.
Ao se confrontar com a diversas possibilidades que a disciplina de arte tem, é
relativamente normal que o aluno questione, e não sinta interesse nas aulas.
Nessa perspectiva, é necessário que o professor reflita sobre como atender
esses alunos, repense suas práticas pedagógicas para despertar o interesse da
criança,adotando um perfil que consiga atender as demandas da turma.
Porém, isso não depende só do professor, existe grandes dificuldades que ele
encontra ao entrar numa sala de aula. A grande crise que o país enfrenta também
afeta a educação. São cortes de orçamento nos materiais, nos investimentos em
educação, em infraestrutura causando o sucateamento dos espaços escolares.
Todos os professores sofrem com as consequências, mas o foco do trabalho é
o professor de artes, que além de trabalhar com poucas horas no currículo, não
possui materiais didáticos e nem espaço para realizar suas atividades.
Em meio a tantas dificuldades, existem alguns meios que podem driblar esses
problemas. Trazendo um fôlego a mais para o professor de arte, são meios
alternativos onde se pode criar aulas criativas, que podem enriquecer o trabalho e
gerar grandes resultados.
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REFERÊNCIAS

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nos alunos dos anos finais do ensino fundamental. São Paulo: Anzol, 2012.

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Universidade Federal de Juiz de Fora, 2007. 145 f.

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1997.

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da educação nacional. Brasília: Ministério da Educação e Cultura, 1996.

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Nacionais: Arte. Brasília: MEC/SEF. v. 6, 1998.

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MEC: UNESCO, 2003.

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