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O ator considera que o pontificado do Papa Francisco tem sido uma flor de primavera
inesperada, ou seja, após um período de inverno, surge como alento a pessoa do Papa Francisco.
O destaque especial vai na direção de sua eclesiologia. Enquanto muito se ouviu a respeito de
um novo concílio, chega o Papa Francisco, primeiro Papa Latino-americano e Jesuíta, trazendo
de volta para a igreja, o frescor do Vaticano II, reacendendo a chama de uma igreja sempre
reformanda. Não obstante a isso, é impossível abordar pontos no pontificado de Francisco sem
primeiro considerar a decisão de seu predecessor, que em vinte e duas linhas escritas em latim,
silenciou o mundo no dia 11 de fevereiro de 2013 e que, segundo o autor, estavam destinadas
a mudar a história da igreja. Bento VI, naquele momento deveria apresentar alguns nomes de
beatos a serem canonizados, no entanto, chacoalhou algumas estruturas Eclesiásticas ao
renunciar seu pontificado, não olhando para a sua pessoa, em tempos de sedentos pelo poder,
disposição em nome do serviço que se deve prestar a Igreja.

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O autor assevera que o pontificado de Bento VI foi marcado por Momentos Muito Tensos e
difíceis, segundo o próprio Papa ao dizer “momentos em que ás águas estavam agitadas e o
vento era contrário, como em toda a história da Igreja, e o Senhor parecia Dormir” numa clara
referência a passagem de Jesus dormindo durante a tempestade, só que alguns consideraram
não foram estas as motivações para a sua renúncia.
Fazendo uma interpretação da atitude de Bento VI, Bergoglio diz que seu ato tornou o
pontificado petrino mais humano, apesar de o Cardeal George Pell considerar o fato
Desestabilizador, a Tradição.
Porém, o autor continua, nada foi feito de forma impensada, no calor da erupção, mas refletido
e rezado e na fala de Bento VI “Amar a Igreja significa também ter a coragem de fazer escolhas
difíceis, dolorosas, tendo sempre diante dos olhos o bem da igreja e não a nós mesmos”.
O autor continua afirmando, que a decisão de Bento VI não foi fácil, mas o mesmo alegou que
não estava abandonando o barco, apenas o timão.
Esta breve introdução não é afirmar que o pontificado de Francisco seja sombra do de Bento VI,
mas que o último abriu portas para um fecundo pontificado de Francisco.

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É um desafio buscar entender o contexto eclesial e social do Papa Francisco, pois muito se
conhece, e ao mesmo tempo, pouco se conhece da pessoa dele.
Porém, o próprio Francisco concede uma luz sobre sua identidade quando diz: “Não sei qual
pode ser a definição mais justa... Eu sou um pecador.”
Numa pequena biografia, Bergoglio é apresentado como nascido em Buenos Aires, aos 17 de
dezembro de 1936, sendo o primeiro de cinco filhos, foram fortemente influenciados pela
cultura italiana, pois seus pais Mario Bergoglio e a mãe Regina Sivori eram imigrantes
piemonteses, saíram da Itália motivados elo advento do fascismo em 1929.
Sofreu com a guerra mundial e a turbulência econômica do País, a família encontra na Igreja um
importante suporte, na fé, na sobrevivência e no desenvolvimento financeiro. Sendo a fé um
dos maiores ensinamento da família, tendo sua história, marcada pela fé católica.

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Todos os dias após o trabalho o pai recitava o terço e iam a missa aos domingos, fez sua primeira
comunhão aos oito anos de idade.
Aos treze anos trabalhava em uma fábrica de meias, e aos 16 anos, no dia 21 de setembro de
1953, saiu para se encontrar com uns amigos quando resolveu entrar na basílica de são José de
Flores, no confessionário sentiu chamado, formando seu caráter espiritual de misericórdia
classificando-o como o local de seu primeiro amor.
Aos 21 anos adoeceu gravemente por uma infecção pulmonar, que colocava sua vida em risco,
viveu dias de dores em silêncio e tal experiência de enfermidade foi transformada em profundo
encontro com Deus.
Em 11 de março de 1958 ingressa na Companhia de Jesus no seminário de Villa Devoto.
Em 1963: formação no Chile em humanísticas e em Filosofia na Faculdade Máximo de São José
(Bueno Aires)
1964 e 1965 – Professor de Psicologia e Literatura (Colégio Imaculada de Santa Fé) e um ano
depois (1966) do Salvador em Buenos Aires.
13 de dezembro de 1969: foi sua ordenação sacerdotal ainda em estudos teológicos terminando
um ano depois.

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1970 a 1980 – tem uma vida dinâmica com atividades acadêmicas e pastorais como também
diretor espiritual.
22 de abril de 1973: Processa os votos perpétuos na Espanha, Alcalá de Henares e Regressa a
Bueno Aires como Mestre de Noviços em San Miguel, consultor provincial da Companhia de
Jesus da Argentina, professor na Faculdade de Teologia e reitor do colégio.
Além de nesse ano, eleito provincial mais jovem da região com apenas 4 anos de sacerdócio e
36 anos de idade.

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Anos difíceis se seguiram na vida de Bergoglio, marcados pelas violências de guerras, e na
argentina é instaurada a ditadura de Jorge Rafael Videla Redondo que durou de 1976 a 1981,
marcado pela violação dos direitos humanos.
A igreja buscará nesse período, motivada pelo documento de Medelín, uma evangelização mais
próxima dos pobres, por esse motivo, os Jesuítas estavam envolvidos na implementação da
Teologia da Libertação.
A Companhia se deixava levar pelo presente calor tão presente do concílio vaticano II, trazendo
novas perspectivas através do encontro com o outro que sofria e gritava. A Companhia fazia
revisão do próprio estilo de vida.
Com todas as transformações, a Companhia viveu forte crise no pós concílio, contava com 36
mil membros e ainda morreram 10 mil a nível mundial, eram anos turbulentos para todos, na
companhia, os que eram a favor da teologia da libertação e os que queriam preservar a missão
educadora e apostólica da política vigente, na Argentina, os padres estavam divididos em
Bergoglianos e antibergoglianos.

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Neste período da ditadura, Bergoglio não estava indiferente aos acontecimentos, não medindo
esforços para dar proteção às pessoas, alojando-as no colégio Máximo de San Miguel, pessoas
e padres que sofriam com sequestros e torturas e assassinatos.
Nesse período, apareceram acusações contra a pessoa de Bergoglio que gerou um dossiê em
2005, que foi veiculado em 2013 logo após sua nomeação como Papa.
Nesse dossiê, dois padres o acusam de tê-los deixados à mercê da repressão, só que em
contrapartida, havia os que defendiam a pessoa de Bergoglio, e entre eles o Prêmio Nobel da
Paz Adolfo Pérez Esquivel, o bispo defensor dos direitos humanos durante a ditadura Dom
Miguel Hesayne; Alicia Oliveira Ex advogada do centro de estudos legais e sociais (CELS),
Graciela Fernández Meijide membro da assembleia permanente pelos direitos humanos
(APDH), e da comissão nacional sobre o desaparecimento de pessoas (CONADEP), e por fim,
nestes últimos tempos, pelo Padre Francisco Jalics, que colocou um ponto final na questão
dizendo que Bergoglio teria pedido sua libertação.
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De 1980 a 1986 será reitor do Colégio São José, além de pároco de São Miguel. Neste ano, 1986,
vai à Alemanha com desejos de concluir sua tese de doutorado sobre Romano Guardini, mas
não a leva a fim. Retornando a Buenos Aires ajudará no Colégio do Salvador, e em seguida à
Igreja da Companhia em Córdova, sendo confessor e diretor espiritual. Em 1992 é nomeado
bispo auxiliar para Buenos Aires, sendo ordenado no 27 de junho, na catedral de Buenos Aires,
pelas mãos dos bispos Ubaldo Calabresi, do cardeal Antônio Quarracino e de Emilio Ogñénovich,
portando o lema Miserando atque elegendo.
Em 3 de junho de 1997 foi eleito Arcebispo Coadjutor de Buenos Aires, no ano seguinte, a 28
de fevereiro, assume como Arcebispo Prisma de Buenos Aires, em substituição do Bispo que
resgatara do exílio.
Eleito pelo Papa João Paulo II como Cardeal no Consistório em 21 de fevereiro de 2001.
No mesmo ano foi nomeado relator-geral adjunto da décima assembleia geral ordinária do
sínodo dos Bispos, em abril de 2005 participou do seu primeiro conclave, e nesse mesmo ano
foi eleito presidente da conferência episcopal Argentina.
Em 2007 exerceu papel notável na V Conferência de Aparecida
A sua pastoral episcopal foi aplicada como: um pastor com cheiro das ovelhas. Sua ação pastoral
tinha um olhar especial aos pobres, se esforçando para que a Igreja fosse um sinal vivo das
comunidades mais sofridas e consideradas descartadas. Por isso, enviou seus padres para
estarem próximos das misérias. Como arcebispo eram apenas seis e ao sair, já tinha enviado 24
padres no Villeros.

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Curas Villeras, são sacerdotes que rezam, trabalham na catequese, nas obras sociais. Padres que
devolvem esperança aos desesperados, estão além das fronteiras e são amados pelo seu bispo
e pelo povo.
Sua luta contra a injustiça social e a pobreza era mal interpretada, suas fortes homilias
apontavam uma Buenos Aires das contradições, onde havia a presença da escravidão, como
proferiu em 25 de maio de 2004 “a cegueira da alma, impede de sermos livres”.
A crise implantada na Argentina tinha por base a ordem moral.
Com discurso alinhado às orientações do Magistério, em particular a Encíclica do Papa João
Paulo II, denunciou profeticamente uma economia especulativa capaz de empobrecer
rapidamente milhões de famílias, mas Bergoglio sempre tinha uma palavra de esperança e
aberto a fazer pontes.
No campo da ação pastoral, pensa um projeto missionário com foco na comunhão e na
evangelização, com quatro objetivos claros: Comunidades abertas e fraternas; Protagonismo
de um laicado consciente; Evangelização destinada a cada habitante da cidade; Assistência aos
pobres e doentes.

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Como Arcebispo foi um homem simples e muito vizinho às pessoas, e por isso, muito popular.
Ia ao encontro do seu povo, fazia missas em bairros populares. Dando a entender que Deus
acolhe a todos e como ele a Igreja não podia mandar ninguém embora. Pois era um lugar para
todos.
Uma igreja do povo de deus, que facilita os caminhos sem empobrecer suas verdades.
Uma igreja que reconhece o Sensus fidei, considera o leigo como sujeito, um protagonista.
Por fim, como padre, bispo ou cardeal, Jorge em nada mudará o seu ritmo e suas atitudes, ele
sempre fugiu das ocasiões mundanas. Se como Mestre de Noviço, cozinhava para estes aos
domingos, agora como bispo estará sempre disponível ao seu clero. Um homem com muitos
amigos, e ao mesmo tempo com alguns inimigos. Humano consigo mesmo. Por fim, pode-se
dizer que o Padre Jorge, como preferia ser chamado, era um padre com o cheiro das ovelhas,
homem de oração e de escuta de Deus.
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Com a renúncia de Bento VI, foi necessário uma rápida reunião do conclave para a eleição do
novo Papa, a praça de São Pedro estava completamente tomada, o mundo estava de olho na
chaminé da Capela Sistina na esperança de que os 115 cardeais reunidos escolhessem o próximo
Papa, o que acontece com a grande quantidade de fumaça branca que saia dela.
Pela primeira vez na história moderna os cardeais tinham a missão de eleger um Papa para a
Sé vacante. As pessoas crentes e não crentes, ainda buscavam entender o ato de Bento VI, o
certo é que todas estas situações, deixava este conclave com um sabor diferente.

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Jorge Mario Bergoglio era para a maioria um desconhecido, quando o cardeal Louis anunciou
seu nome, no tão esperado habemus Papam, era: quem é o cardeal Bergoglio?
Havia um misto de alegria, pela eleição do novo Papa e de perguntas, sobre a identidade do
Papa eleito.
Mas na villas miséria em Buenos Aires, tais perguntas não existiam, pois conheciam o cardeal
eleito e diziam: “agora os humildes têm um amigo em Roma”

Mesmo sendo acusado, dois dias depois de sua posse, de ser peronista, seus defensores
mostraram ao mundo que o novo Papa como um confessor e orientador, era alguém de
confiança do grupo.

Identificado com a imagem de um pastor com cheiro das ovelhas: Argentino; Cardeal de Buenos
Aires; 76 anos; Jesuíta; presente entre os mais pobres; de gestos simples; amante de estar com
as pessoas; andava de ônibus; morava em um apartamento simples e não tinham cozinheira;
polêmico com suas homilias de cunho profético, entre outros.

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Nome conhecido entre os cardeais, sobretudo na reunião sobre o que os mesmos pensavam
sobre a Igreja, o mundo e nesse sentido como pensavam a figura do sucessor de Pedro que
acontecera um pouco antes do conclave, Mario Jorge fizera uma exposição real e esperançosa
da Igreja. Um discurso que tocou profundamente o coração dos mesmos.
Dentro da intervenção de Bergoglio, se destacam 4 pontos que vão dar a tônica do seu
pontificado:
1. Evangelizar supõe zelo apostólico. Evangelizar supõe na Igreja a parresía de sair de si mesma.
(...) ir para as periferias, não apenas geográficas, mas também as periferias existenciais.
2. Quando a Igreja não sai de si mesma para evangelizar torna-se auto referencial e então
adoece.
3. A Igreja, quando é auto referencial, sem se dar conta, acredita que tem luz própria; deixa de
ser o mysterium lunae e dá lugar a esse mal tão grave que é a mundanidade espiritual.
4. Pensando no próximo Papa: um homem que, a partir da contemplação de Jesus Cristo e da
adoração de Jesus Cristo ajude a Igreja a sair de si para as periferias existenciais, que a ajude a
ser a mãe fecunda que vive da doce e confortadora alegria de evangelizar.

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O texto expressa a visão de Jorge Bergoglio de Igreja no Novo Mundo, uma igreja que encarnou
as verdades conciliares.
Bem como a imagem de um Papa pastor, que não perde a centralidade de cristo, antes, é dele
que busca características e força para sair de si rumando as diferentes periferias.
E sua eleição é resultado de um consenso e não de um acordo. Expressa o desejo da igreja
universal que tem sede de continuar mais profundamente nos trilhos da renovação conciliar.
A palavra certa é continuação, pois a igreja nos últimos pontificados viveu a riqueza de uma
sucessão apostólica das diferenças nacionalidades.
João XXIII, Paulo VI, João Paulo I eram italianos. João Paulo II polaco, Bento XVI alemão que
portaram adiante a missão da igreja, mas uma sucessão marcada sempre por uma mentalidade
europeia.

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Francisco, o papa vindo «quase do fim do mundo», entra para a riqueza da diversidade cultural
apostólica, mas, mais do que isto, ele entra como o primeiro Papa da América Latina, trazendo
em sua «bagagem existencial e eclesial» o DNA da Igreja da América Latina, uma igreja com
suas riquezas e complexidades onde o concílio Vaticano conseguiu chegar e parece ter
fecundado sua dinâmica pastoral.
O papa Francisco é o papa trazido do Novo Mundo para o Mundo Velho, encantou e conquistou
logo em sua primeira aparição. Jeito simples, humilde, conseguiu penetrar no coração de todos
através de palavras doces, simplicidade em manter o seu anel e cruz peitoral de prata,
renunciando a de ouro papal e ao não adoçar a esclavina roxa. Assim ele entra para a história.

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Para os que puderam acompanhar este momento, o testemunharam com muita alegria e
esperança.
Com palavras simples, um gesto que com certeza ficou e ficará marcado para sempre. O papa
pede ao povo que reze por ele e em seguida se inclina para receber a oração.
Francisco, em linha de continuidade com o Vaticano II, reconhece o sacerdócio universal da
Igreja.
Para o novo papa, aquela multidão que se aglomera na Praça São Pedro é o povo eleito e não
massa. E o reconhece como sujeito coletivo em acordo com o sensus fidei.
O novo papa centraliza o que é essencial para a igreja: a evangelização.
Alguém que veio do confim do mundo e deixa uma mensagem clara que ele a sua preocupação
não é a sua autoridade ou imagem pública, nem a doutrina da igreja ou discursos arquitetados,
mas o sofrimento e a causa dos pobres no mundo, que são a causa de Deus.
D. Cleonice

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Desde a sua primeira aparição, Francisco tem estado no centro de muitas discussões e
comentários. Seu jeito simples de ser e de agir de olhar e de falar com as pessoas; algumas
atitudes como parar o papamóvel para abraçar um idoso, um enfermo, ou ainda, ir
pessoalmente comprar seus óculos; de morar na casa santa Marta e fazer as refeições com
todos; de rezar todas as manhãs ao vivo na capela; a forma como aborda as crises eclesiais,
tornando as públicas e tratando-as com clareza; ou ainda, a sua comunicação simples e direta,
tem chamado a atenção. Se de um lado ele, para alguns, trouxe para «dentro da Igreja um vento
fresco, o vento da confiança, da alegria e da liberdade», para outros, o Papa Francisco tem tirado
a áurea do primado petrino.
Com o modelo de uma Igreja constitutivamente sinodal, sempre reformanda, Francisco deixou
claro que também este exercício deve entrar na dinâmica de uma conversão pastoral –
conversão papal, afim de que este se «torne mais fiel ao significado que Jesus Cristo pretendeu
dar-lhe e às necessidades atuais da evangelização»

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Contudo, esta discussão se torna mais clara quando se considera a importância da reforma na
Igreja. E neste sentido, muito ajudam o pensamento de alguns teólogos que fazem emergir
aspectos interessantíssimos que vão além de uma simples atitude de reformar.
Uma reforma não na essência do cristianismo, mas em alguns traços da sua vida que este foi
adquirindo e que não respondem mais.
O próprio Concílio Vaticano II assinalou a necessidade de permanente reforma, não porque lhe
faltasse algo constitucional, mas para saber qual a maneira mais adequada para exprimir suas
verdades (GS 44), isto é, a reforma como condição para manter-se fiel «à própria vocação»
Isto para dizer que na dinâmica divina tudo se inicia como semente, que depois cresce, se
desenvolve rumando para o seu fim, ou seja, «é uma história em desenvolvimento»328.
Embora a Igreja não pertença a este mundo, enquanto aguarda a realização final da promessa,
ela está sujeita a dinamicidade de cada tempo, a qual requer uma postura nova para cada
tempo.

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Já no que diz respeito ao pensamento de Francisco, é preciso destacar que este não é apensas
um desejo que brota da sua simples vontade pessoal, mas como urgência e necessidade para o
futuro da Igreja. Na ótica do papa, a Igreja precisa reformar-se para ficar mais saudável, para
poder permanecer fiel a Jesus (EG 26).
E quando o Pontífice abre a discussão para a reforma do exercício Petrino – caminho também
feito por João Paulo II ajudado por teólogos – ele não está pensando em mudanças na sua
essência, tão pouco adaptá-lo à sociedade, o que seria para ele «mundanismo espiritual», mas
questionado sua forma de viver, de revelar-se, de mostrar o seu rosto.
Como se vê, o repensar do exercício petrino deve ser entendido a partir do registro eclesial da
sinodalidade, pois para ele a Igreja não e só instituição orgânica e hierárquica, mas o «sujeito da
evangelização é, antes de tudo, um povo que peregrina para Deus. Que sempre transcende
toda a necessária expressão institucional.

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Na verdade, o seu jeito de ser já está falando da sua consciência de um novo exercício: «um
Bispo com o seu povo», um homem não só no comando, mas que está a serviço da Igreja, e
não de alguns, e que não permite tornar-se uma figura decorativa.
Francisco não quer imprimir uma «maior uniformidade pastoral», pensado e pautado por
estratégias comandadas por Roma. Ele defende a unidade da Igreja, mas em um âmbito de
diversidade gestada pelo Espírito, que cria e harmoniza tudo.
Francisco traz a capacidade de não encarar o mundo como um inimigo a ser evitado, mas na
necessidade hoje de uma ação eclesial «em colaboração com outros organismos e
instituições»
A partir desta reflexão aberta, o Pontífice assinala a necessidade em dar um maior valor e
autonomia às Conferências e às Igrejas particulares. A Igreja sinodal, em um dinamismo de
comunhão, «inspira todas as decisões eclesiais», o que não significa um desprezo ao Colégio,
mas a busca em fazer de fato que a Igreja toda seja sinodal, o que exige «um sistema de relações
que funcionem realmente não só entre Colégio e a sua cabeça, no plano da colegialidade, mas
também entre o povo de Deus e os seus pastores, no plano da sinodalidade».

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Segundo Francisco, não convém que os episcopados locais sejam substituídos pelo Papa «no
discernimento de todas as problemáticas que sobressaem nos seus territórios»
Um estilo de reforma que tome como «alvo a missão», e por isto mais espiritual-evangélico e
não moral, particularmente de uma eclesiologia inacabada na sua totalidade, com necessidade
de corrigir alguns serviços, como a Cúria, que tem o defeito da «Vaticano-cêntrica», centrada
exageradamente nos interesses temporais do Vaticano.
E por fim, um último aspecto que surgem com esta reforma diz respeito à dimensão ecumênica.
Segundo Francisco, a sinodalidade pode contribuir no progresso das relações entre as igrejas.
Embora se mantenha convicta de suas verdades, a Igreja precisa estar sempre em estado de
escuta, de discernimento do Espírito (Jo 16,12-13).

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Porém embora Francisco goze de tamanho carisma entre uma grande maioria, o que é
importante pois o «carisma cristão em seu status nascendi será sempre a fonte de divergência,
de ruptura e de renovação de instituição, fonte de onde os seguidores testam sua fidelidade ao
mestre e de onde retiram, ao mesmo tempo, a seiva de sua vitalidade na rotina da história, que
tende a tragar toda vontade de mudança», nem todos estão ao seu lado, pois nem todos,
conservadores e progressistas, estão dispostos a este empenho.
Uma das resistências em aceitar a reforma é o medo da perda do caminho feito, pois a reforma
já em si traz na mente uma autêntica revolução
Por fim, com o papa Francisco o mundo está conhecendo um papa normal, mas, humano e mais
real. Seus dias têm apontados para grandes esforços e a certeza de que a Igreja caminha na
direção certa. Entretanto, ainda é preciso alargar ainda mais a consciência de que toda a Igreja,
povo santo fiel de Deus, deve abraçar este desafio. Que esta luta não pode ser apenas do Papa
vindo dos confins.
Por fim, pode-se dizer: após o gesto extremo e decisivo de Bento XVI e a coragem e vitalidade
de Francisco, o papado não será mais o mesmo, pois foi inaugurada uma nova fase na Igreja
que passa pelas estratégias colegiadas.