Un|vers|dade de Co|mbra

Iacu|dade de D|re|to / Iacu|dade de Lconom|a
CL5 Ŷ Centro de Lstudos 5oc|a|s
Curso de Doutoramento "D|re|toţ Iust|ca e C|dadan|a no 5ócu|o kkI"











A Þraca ó do Þovo?
A L|berdade de keun|ão e o D|re|to de Man|festacão Þopu|ar
em Lspacos Þúb||cos na V|são dos 1r|buna|s





George Marme|ste|n






Iunho Ŵ 2009



2







































ºA praca! A praca e do povo
Como o ceu e do condor
L o anLro onde a llberdade
Crla áaulas em seu calor!"
CasLro Alvesţ no poema ºC Þovo ao Þoder" (1864)






5umár|o

1 lnLroducão ŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦ 4
2 Llberdade de Lxpressão nos 1rlbunals ŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦ 10
2Ŧ1 CorLe Luropela de ulrelLos Pumanos ŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦ 10
2Ŧ1Ŧ1 Caso 8oczkowskl e oottos vsŦ lolôolo (2007) Ŵ Þarada Cav em varsóvla Ŷ
ulrelLo de Mlnorlas ŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦ 10
2Ŧ1Ŧ2 llottfotm ´Atzte fot Jos lebeo´ vŦ Aosttlo (1998) Ŷ ConLraŴManlfesLacão e
uever de ÞroLecão LsLaLal ŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦ 1
2Ŧ2 1rlbunal de !usLlca Luropeu ŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦ 13
2Ŧ2Ŧ1 Caso £ooeo 5cbmlJbetoetţ lotetootlooole 1toospotte ooJ lloozooe vsŦ
kepobllk Ostettelcb (200) Ŷ ÞroLesLoŴ8loquelo na AuLoŴLsLrada de 8renner Ŷ
lnconvenlenLes e uever de 1olerâncla ŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦ 13
2Ŧ 1rlbunal ConsLlLuclonal lederal Alemão ŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦ 18
2ŦŦ1 Caso 8tokJotf (1983) Ŷ ÞroLesLo conLra uslna nuclear Ŷ uever de Avlso
Þrevlo e ManlfesLacões LsponLâneas ŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦ 18
2ŦŦ2 Caso 5ltzblockoJeo ll (1993) Ŷ 8loquelo SenLado conLra Armas nucleares Ŷ
ConcelLo de 8eunlão Þaclflca ŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦ 20
2ŦŦ Caso lovepotoJe (2001) Ŵ lesLa kove na Alemanha Ŷ 8elevâncla Þubllca da
8eunlão ŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦ 22
2Ŧ4 Suprema CorLe dos LsLados unldos ŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦ 23
2Ŧ4Ŧ1 Caso cox vŦ loolslooo (1963) Ŷ ÞroLesLo conLra Seareaacão Ŷ ConfronLo com
a Þollcla ŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦ 23
2Ŧ4Ŧ2 Caso Notloool 5oclollst lottv of Ametlco vŦ vlllooe of 5kokle (1977) Ŷ
ÞroLesLo nazlsLa em 8alrro !udeu Ŷ uever de ÞroLecão e ldelas lmpopulares ŦŦŦŦŦŦŦ 26
2Ŧ3 8rasll ŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦ 0
2Ŧ3Ŧ1 Caso da ltoco Jos 1tês loJetes (1999ţ Supremo 1rlbunal lederal) Ŷ ÞroLesLo
no CenLro ÞollLlco do Þals Ŷ 8esLrlcão lnconsLlLuclonal ŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦ 0
2Ŧ3Ŧ2 Caso da Motcbo Jo Mocoobo (8rasllţ 2008) Ŷ ueclsões da !usLlca LsLadual de
Þrlmelra lnsLâncla Ŷ ÞroLesLo pela Leaallzacão do Consumo (Apoloala ao Crlme ou
Llberdade de ManlfesLacão?) ŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦ 1
Conclusões ŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦ 3
8eferônclas 8lblloaráflcas ŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦŦ 40

4


1 IN1kCDUÇÂC

A essôncla da democracla e a parLlclpacão do povo na Lomada das declsões pollLlcasŦ C
povo somenLe pode parLlclpar eflcazmenLe do processo de Lomada das declsões pollLlcas se
esLlver munlclado de lnformacões suflclenLes e adequadas para reallzar as melhores escolhas
e se puder ele próprlo manlfesLar seu pensamenLo a flm de ver suas ldelas serem levadas em
conslderacão no processo dellberaLlvoŦ Sem um slsLema que aaranLa a llvre clrculacão de
ldelasţ a comunlcacão para a formacão da vonLade pollLlca raclonal flca lnvlablllzada ouţ pelo
menosţ aravemenLe pre[udlcadaţ dlflculLando ou lmposslblllLando o exerclclo auLônLlco da
soberanla popular
1
Ŧ Þara que as ldelas possam clrcular llvremenLeţ e fundamenLal a aaranLla
da llberdade de reunlãoţ onde pessoas com lnLeresses comuns possam debaLer e defender
suas oplnlões aberLamenLe e sem embaracosţ aLraves de passeaLasţ dlscursosţ comlclosţ
desfllesţ corLe[osţ fesLlvldades eLcŦţ reallzados em espacos publlcosŦ Aflnalţ os moolfestocões
coletlvos tepteseotom o moJo cotpotol e coletlvo Je totoot vlslvels os coovlccõesţ Je fotmo
ooe os pottlclpootes vlveoclemţ Je om loJoţ oo comoobõo com os oottosţ omo cettlflcocõo
Jesto coovlccõo
2
Ŧ A manlfesLacão ºLorna audlvel o proLesLo dos desconLenLes e dos
lnsaLlsfelLos e chama a aLencão da oplnlão publlca para vlas descuradas de proaresso soclal"ţ
revelandoŴseţ por lssoţ ºum dos lnsLrumenLos mals poLenLes da aflrmacão do plurallsmo na
socledade democráLlca e do asseauramenLo da llberdade de expressão às mlnorlas"

Ŧ
ÞorLanLoţ lmpedlr a reallzacão de reunlões paclflcas slanlflca prlvar os cldadãos de Lrocarem
ldelas e experlônclas queţ com Loda cerLezaţ poderão enrlquecer o debaLe democráLlco
4
Ŧ

1 Lssa ldela fol defendldaţ enLre ouLrosţ por MlLLţ SLuarLŦ Lnsa|o sobre a L|berdade (Cn L|bertyţ 1869)Ŧ São Þauloť
LdlLora Scalaţ 2006Ŧ Mals conLemporaneamenLeţ podeŴse ver os mesmos araumenLos em PA8L8MASţ !uraenŦ A
Conste|acão ÞósŴNac|ona|ť ensa|os po||t|cosŦ São Þauloť Mundlţ 2001Ŧ nas suas palavrasť ºo nexo lnLerno da
democracla com o LsLado de dlrelLo conslsLe no faLo de queţ por um ladoţ os cldadãos só poderão uLlllzar
condlzenLemenLe a sua auLonomla publlca se forem suflclenLemenLe lndependenLes aracas a uma auLonomla prlvada
asseaurada de modo lauallLárloŦ Þor ouLro ladoţ só poderão usufrulr de modo lauallLárlo da auLonomla prlvada se
elesţ como cldadãosţ flzerem uso adequado de sua auLonomla pollLlca" (pŦ 149)Ŧ
2
SCPWA8ţ !uraenŦ C|nqüenta anos de Iur|sprudônc|a do 1r|buna| Const|tuc|ona| A|emãoŦ Crať Leonardo MarLlns
MonLevldeoť konrad Adenauer SLlfLunaţ 2006ţ pŦ 328Ŧ

CC88LlAţ ServuloŦ C D|re|to de Man|festacãoť âmb|to de protecão e restr|cõesŦ Llsboať Almedlnaţ 2006ţ pŦ 17Ŧ
4
1ambem nesse senLldoţ o ºolJelloess oo lteeJom leoclfol Assemblv"ţ ao esclarecer a lmporLâncla da llberdade de reunlãoţ
publlcado pelo ºO5c£ Offlce fot uemoctotlc lostltotloos ooJ nomoo klobts (Oulnk)"ţ asslnala queť ºleocefol ossemblles coo
setve moov potposesţ locloJloo tbe exptessloo of vlews ooJ tbe Jefeoce of commoo lotetestsŦ 1be fteeJom of peocefol
ossemblv coo be oo lmpottoot sttooJ lo tbe moloteoooce ooJ Jevelopmeot of coltoteţ ooJ lo tbe ptesetvotloo of mlootltv
lJeotltlesŦ lt ls olso tecooolzeJ os ooe of tbe foooJotloos of o fooctlooloo Jemoctocvţ ooJ lts ptotectloo ls ctoclol fot cteotloo o
toletoot socletv lo wblcb otoops wltb Jlff eteot bellefsţ ptoctlcesţ ot pollcles coo exlst peocefollv tooetbet" (CSCL Ŷ Cfflce for
uemocraLlc lnsLlLuLlons and Puman 8lahLs (CulP8)Ŧ Gu|de||nes on Ireedom of Þeacefu| Assemb|yŦ varsóvlať CSCLŴCulP8ţ
2007ţ pŦ 1)Ŧ 1raducão llvreť ºreunlões paclflcas podem servlr a mulLos propóslLosţ lnclulndo a expressão de ponLos de vlsLa e
a defesa de lnLeresses comunsŦ A llberdade de reunlão paclflca pode ser uma verLenLe lmporLanLe na manuLencão e
desenvolvlmenLo da culLura e na preservacão das ldenLldades de mlnorlasŦ L Lambem reconheclda como um dos allcerces de
uma democraclaţ e sua proLecão e essenclal para crlar uma socledade LoleranLe em que os arupos com deferenLes crencasţ
práLlcas ou pollLlcas podem exlsLlr paclflcamenLe [unLos"Ŧ
3

C araumenLo aclma desenvolvldo e lndlscuLlvelmenLe sóllJoţ [á que suas premlssas são
verdadelrasţ e vóllJoţ [á que a conclusão e uma consequôncla lóalca das premlssas que a
apólamŦ
ALualmenLeţ e paclflco o enLendlmenLo de que a democracla e o dlrelLo de
manlfesLacão em espacos publlcos possuem uma forLe conexão
3
Ŧ 1al e a lmporLâncla da
llberdade de reunlão queţ praLlcamenLeţ Lodos os documenLos [urldlcos e pollLlcosţ naclonals
e lnLernaclonalsţ que LraLam de dlrelLos humanos/fundamenLals menclonam expressamenLe a
necessldade de se proLeaer esse dlrelLoŦ
A ueclaracão unlversal dos ulrelLos Pumanos (1948)ţ por exemploţ prevô que ºtoJo o
pessoo tem Jltelto ò llbetJoJe Je teoolõo e Je ossoclocõo poclflcos" (arLŦ 20)Ŧ C ÞacLo
lnLernaclonal de ulrelLos Clvls e ÞollLlcos (1966)ţ de modo mals especlflcoţ esLabelece que ºo
Jltelto Je teoolõo poclflco setó tecoobeclJoŦ O exetclclo Jesse Jltelto estotó sojelto opeoos òs
testtlcões ptevlstos em lel e ooe se focom oecessótlosţ em omo socleJoJe Jemoctótlcoţ oo
lotetesse Jo seootooco ooclooolţ Jo seootooco oo otJem pobllcosţ oo poto ptoteoet o sooJe
oo o motol pobllcos oo os Jlteltos e os llbetJoJes Jos Jemols pessoos" (arLŦ 21)Ŧ Pá normas
semelhanLes na Convencão Luropela de ulrelLos Pumanos
6
ţ na Convencão Amerlcana de
ulrelLos Pumanos
7
ţ na CarLa Afrlcana dos ulrelLos Pumanos e dos Þovos
8
ţ bem como nas
consLlLulcões de praLlcamenLe Lodos os palses democráLlcosŦ
Apesar desse enfáLlco reconheclmenLo normaLlvoţ nem sempre o dlrelLo de reunlão e
respelLado pelas auLorldades publlcas pelo mundo afora
9
Ŧ C proLesLo em espaco publlco
cosLuma lncomodarţ especlalmenLe porque pode chocarŴse com ouLros valores lmporLanLesŦ
Allásţ a próprla llvre clrculacão de ldelas Lem um forLe poLenclal de confllLuosldadeţ [á queţ em

3
no presenLe LexLoţ não será felLa uma dlsLlncão enLre dlrelLo de manlfesLacão e llberdade de reunlãoţ alnda que possam
exlsLlr suLls dlferencas enLre esses dols lnsLlLuLosŦ ue um modo aeralţ conslderaŴse que a llberdade de reunlão enaloba o
dlrelLo de manlfesLacãoţ sendo esLe um corolárlo daqueleŦ A llberdade de reunlão eţ em cerLo senLldoţ a llberdade de
manlfesLar coleLlvamenLe uma oplnlãoţ alnda que não se[a somenLe lssoŦ Lm alauns palsesţ conLudoţ sendo ÞorLuaal um
exemploţ o LexLo consLlLuclonal dlfere os dols lnsLlLuLosţ alnda que a proLecão [urldlca se[a praLlcamenLe ldônLlcaţ [á que
exlsLe uma forLe conexão maLerlal enLre elesŦ Sobre o assunLoţ anallsando a quesLão à luz do ordenamenLo porLuauôsť
CC88LlAţ ServuloŦ C D|re|to de Man|festacãoť âmb|to de protecão e restr|cõesŦ Llsboať Almedlnaţ 2006Ŧ
6
ºArLŦ 11° Ŵ Llberdade de reunlão e de assoclacãoť 1Ŧ Cualquer pessoa Lem dlrelLo à llberdade de reunlão paclflca e à
llberdade de assoclacãoţ lnclulndo o dlrelLo deţ com ouLremţ fundar e flllarŴse em slndlcaLos para a defesa dos seus
lnLeressesŦ 2Ŧ C exerclclo desLe dlrelLo só pode ser ob[eLo de resLrlcões queţ sendo prevlsLas na lelţ consLlLulrem dlsposlcões
necessárlasţ numa socledade democráLlcaţ para a seauranca naclonalţ a seauranca publlcaţ a defesa da ordem e a prevencão
do crlmeţ a proLecão da saude ou da moralţ ou a proLecão dos dlrelLos e das llberdades de LercelrosŦ C presenLe arLlao não
prolbe que se[am lmposLas resLrlcões lealLlmas ao exerclclo desLes dlrelLos aos membros das forcas armadasţ da pollcla ou da
admlnlsLracão do LsLado"Ŧ
7
ºArLŦ 13 Ŵ ulrelLo de reunlão Ŵ L reconhecldo o dlrelLo de reunlão paclflca e sem armasŦ C exerclclo desse dlrelLo só pode
esLar su[elLo às resLrlcões prevlsLas em lel e que se facam necessárlasţ em uma socledade democráLlcaţ ao lnLeresse da
seauranca naclonalţ da seauranca ou ordem publlcasţ ou para proLeaer a saude ou a moral publlcas ou os dlrelLos e as
llberdades das demals pessoas"Ŧ
8
ºArLlao 11 Ŵ 1oda pessoa Lem dlrelLo de se reunlr llvremenLe com ouLras pessoasŦ LsLe dlrelLo exerceŴse sob a unlca reserva
das resLrlcões necessárlas esLabelecldas pelas lels e reaulamenLosţ nomeadamenLe no lnLeresse da seauranca naclonalţ da
seauranca de ouLremţ da saudeţ da moral ou dos dlrelLos e llberdades das pessoas"Ŧ
9
Þara uma compreensão alobal e conLemporânea do problemaţ alnda que mals volLada especlflcamenLe à llberdade de
assoclacãoţ mas Lambem com alauns reflexos na llberdade de reunlãoť ÞuuulnC1Cnţ Arch (edlLor)Ŧ Ireedom of Assoc|at|on
Under 1hreat Ŷ the new author|tar|ans' offens|ve aga|nst c|v|| soc|etyŦ WashlnaLonť lreedom Pouseţ 2008Ŧ
6

socledades complexasţ a pluralldade de concepcões de vlda cosLuma aerar oplnlões
anLaaônlcas eţ mulLas vezesţ radlcalmenLe oposLasŦ L quando a manlfesLacão de ldelas e
velculada por um arupo de pessoas reunldas em Lorno de um ldeal comumţ cerLamenLe
ampllaŴse a posslbllldade de confllLoţ Lal qual uma voz velculada por um meaafone a ser
escuLada por pessoas com ouvldos senslvelsŦ
1ambem não se pode delxar de reconhecer queţ em deLermlnadas slLuacõesţ a
llberdade de reunlão e exerclda de forma abuslva por arupos que se escondem sob o manLo
proLeLor do dlrelLo fundamenLal para dlvulaarem ldelas de ódlo (ºbote speecb")ţ para
lnclLarem a práLlca de lllclLos (apoloala ao crlme) ou mesmo para praLlcarem aLos de vlolôncla
e de aaressãoŦ
ALenLos quanLo ao caráLer poLenclalmenLe confllLuoso desse dlrelLoţ os documenLos
normaLlvos que reconhecem a llberdade de reunlão prevôem cláusulas aerals que auLorlzam a
sua resLrlcão em slLuacões excepclonalsŦ Lm prlmelro luaarţ somenLe as reunlões paclflcas são
proLealdasŦ Lm seaundo luaarţ a lel pode esLabelecer resLrlcões com vlsLas à aaranLla da
ordem democráLlcaţ especlalmenLe a proLecão dos dlrelLos e llberdades de ouLras pessoasŦ
C problema e que essas cláusulas de resLrlcão cosLumam ser redlaldas por melo de
fórmulas semânLlcas demasladamenLe aberLas para [usLlflcar lnLerpreLacões capazes de
esvazlar subsLanclalmenLe o slanlflcado dessa aaranLla quando lnLerpreLadas e apllcadas por
pessoas sem compromlsso com a democraclaŦ nem sempre e fácll deflnlr se uma reunlão e ou
não paclflcaţ asslm como nem sempre e fácll deflnlr quando uma reunlão ameaca a moral ou a
ordem publlcaţ por exemploŦ A vaaueza semânLlca dos Lermos normaLlvos e uma fonLe de
lncerLeza capaz de aerar confllLos [urldlcos de dlflcll solucão práLlcaŦ
lnfellzmenLeţ alaumas auLorldades publlcas se aprovelLam dessa esLruLura LexLual
aberLa para reprlmlr reunlões de forma arblLrárla aeralmenLe quando a manlfesLacão de
ldelas e conLrárla à ldeoloala domlnanLeŦ ÞorLanLoţ asslm como há abuso de dlrelLo por parLe
de deLermlnados arupos que se aprovelLam da aaranLla [urldlca para deLurparem seu
slanlflcado e praLlcarem aLos abomlnávelsţ Lambem há abuso de poder por parLe de alaumas
auLorldades publlcas responsávels pela apllcacão da normaŦ L cerLamenLe o abuso de poder e
mals frequenLe do que o abuso de dlrelLoţ vale dlzerť na balanca lmparclal da hlsLórlaţ o abuso
do poder pesa mals do que o deslelxo da llberdade
10
Ŧ
Lm realmes com pouca maLurldade democráLlcaţ manlfesLacões de oposlcão a um
deLermlnado realme pollLlco ou a uma deLermlnada ldeoloala ma[orlLárla Lendem a ser
Lachadas de suspelLas ou de subverslvasţ vloladoras da moral e dos bons cosLumesŦ Lssas
manlfesLacões podem se Lornar alvos fácels do conLrole esLaLal sllenclador ou lnLlmldador

10
Aqul esLá fazendo alusão a seaulnLe passaaem de 1oblas 8arreLoť ºna balanca da lmparclalldade da hlsLórlaţ não sel o que
pesa malsţ se os abusos do poderţ ou os deslelxos da llberdade" (8A88L1Cţ 1oblasŦ Lstudos de d|re|toŦ Camplnasť 8ooksellerţ
2000ţ pŦ 8)Ŧ
7

quando não há uma lealslacão reaulamenLadora preocupada em esLabelecer rlaldos llmlLes
conLra a repressão abuslva da llberdade de reunlãoţ nem há uma auLônLlca vonLade pollLlca
de fazer valer esse dlrelLo fundamenLalŦ Lm slLuacões mals exLremasţ cheaaŴse a ctlmloollzot o
Jlsseosoţ punlndo Lodos aqueles queţ publlcamenLeţ manlfesLam oplnlões que desaaradam o
estobllsbmeotŦ Alaumas vezesţ aLe mesmo em palses com forLe Lradlcão democráLlcaţ as
auLorldades (admlnlsLraLlvas e/ou pollclals) resLrlnaem excesslvamenLe as manlfesLacões
pollLlcas em espacos publlcos que não são do seu aarado ou crlam ºzonas de llberdade"ţ
especlflcando os luaares em que as manlfesLacões publlcas podem ser exercldasŦ Lsse Llpo de
llmlLacão e uma clara afronLa ao dlrelLo de reunlão eţ para mulLosţ represenLa uma
manlfesLacão paLolóalca da chamada ºslndrome nlM8?"ţ que e cada vez mals comum nesses
Lempos de mulLlculLurallsmo alobal
11
Ŧ
L cerLo que a llberdade de reunlão poJe ser resLrlnalda em slLuacões excepclonalsţ pols
não e um dlrelLo absoluLo e lllmlLadoŦ Þoremţ lsso não slanlflca que a llberdade de reunlão
pode ser abuslvamenLe resLrlnalda ou suprlmldaŦ A reara e o respelLo ao dlrelLo de
manlfesLacão publlca e não a sua llmlLacãoŦ L preclso lembrar qualquer resLrlcão a dlrelLos
fundamenLals deve ser vlsLa com desconflancaţ exlalndoŴse uma forLe caraa araumenLaLlva
para afasLar a aaranLlaŦ AnLes de llmlLar qualquer dlrelLo fundamenLalţ deveŴse exlalr a
comprovacão de um fundado receloţ com base em elemenLos concreLosţ de que esLá havendo
uma vlolacão da ordem democráLlcaŦ 8econhecer que ºnão há dlrelLos absoluLos" e que ºLoda
norma de dlrelLo fundamenLal e relaLlvaţ passlvel de llmlLacão"ţ como se cosLuma bradar sem
qualquer crlLerlo seauroţ e exLremamenLe perlaosoţ [á que pode levar a uma ldela equlvocada
de que as llberdades são fráaels e que podem ceder sempre que asslm dlLar a ºordem
publlca"ţ expressão vaaa queţ no flnal das conLasţ pode [usLlflcar quase LudoŦ
Lm slLuacões em que há abuso por parLe de auLorldades admlnlsLraLlvas na resLrlcão à
llberdade de reunlãoţ o Þoder !udlclárlo lmparclalţ lndependenLe e aaranLe dos dlrelLos
fundamenLals surae como ulLlmo reduLo de proLecão dos cldadãos conLra o arblLrlo esLaLalŦ
Alaumas vezesţ o ulLlmo reduLo são os Lrlbunals lnLernaclonals de dlrelLos humanosţ que vem
conqulsLando cada vez mals lealLlmldade peranLe a comunldade lnLernaclonalţ em arande
parLe aracas à sua aLuacão em favor de dlrelLos báslcos para o saudável funclonamenLo da
democraclaţ como o dlrelLo de llberdade de reunlãoŦ Allásţ aLe mesmo aquelas pessoas que
crlLlcam a [urlsdlcão consLlLuclonalţ por conferlr demaslado poder aos [ulzesţ acelLam a

11
nlM8? e um acrônlmo lnalôs de ºNot lo Mv 8ock )otJ"ţ que pode ser Lraduzldo como ºnão no meu qulnLal"Ŧ Apesar de ser
uLlllzado por urbanlsLas para se referlr àquelas consLrucões que nlnauem quer Ler por perLo de sua casa (como os presldlosţ
fábrlcas poluldorasţ uslnas nuclearesţ aLerros sanlLárlos eLcŦ)ţ Lambem se apllca com perfelcão ao mundo dos dlrelLos
fundamenLalsŦ Pá mulLa aenLe que defende a democraclaţ a llberdade e a laualdadeţ mas ºnão no meu qulnLal"ţ ou se[aţ
defende uma ampla Lolerâncla e aberLura para as suas ldelasţ mas quando se depara com valores preaados por ouLros arupos
slmplesmenLe se neaa a acelLar LôŴlos por perLo ou mesmo ouvlŴlosŦ A slndrome nlM8? e basLanLe vlslvel com relacão à
dlscrlmlnacão por orlenLacão sexualŦ MulLas pessoas defendem um LraLamenLo lauallLárlo para as mlnorlas sexualsţ JesJe ooe
coJo om se mooteobo em seo ptóptlo loootŦ 1ambem e posslvel verlflcar o mesmo fenômeno em assunLos de rellalãoŦ
8

lnLervencão [udlclal para desobsLrulr os canals democráLlcosŦ Lssa eţ por exemploţ a oplnlão
de !ohn Llvţ para quem a funcão especlflca da [urlsdlcão consLlLuclonal serla a de promover o
funclonamenLo adequado da democraclaţ asseaurando a aberLura dos canals de parLlclpacão
e de mudancas pollLlcasţ bem como lmpedlndo a Lomada de declsões conLrárlas a dlrelLos de
mlnorlas que não loarassem parLlclpacão adequada no processo pollLlcoŴdemocráLlcoţ por
sofrerem hosLllldade e preconcelLo por parLe da malorla pollLlca
12
Ŧ
no presenLe LexLoţ serão anallsados alauns casos paradlamáLlcos em maLerla de
llberdade de reunlãoţ resolvldos pela [urlsdlcão naclonal ou lnLernaclonalŦ C ob[eLlvo e LenLar
fornecerţ a parLlr da [urlsprudôncla comparada sobre o assunLoţ alaumas ballzas
lnLerpreLaLlvas capazes de esclarecer e melhor dellmlLar o imblto Je ptotecõo desse dlrelLo
fundamenLalŦ SeleclonaramŴse os casos mulLo mals por sua lmporLâncla dldáLlca e pela forca
de precedenLe que deles emanam do que proprlamenLe pelos araumenLos uLlllzados pelos
[ulzes que os decldlramţ aLe porqueţ em alauns casosţ não se concordará lnLearalmenLe com o
resulLado obLldo ou com a fundamenLacão adoLadaŦ
A flm de dellmlLar bem o ob[eLo de esLudoţ e preclso delxar claro que não há qualquer
preLensão de se anallsar profundamenLe alauns lnsLlLuLos da Leorla dos dlrelLos fundamenLals
que esLão aqul pressuposLosţ como o prlnclplo da proporclonalldadeţ a dlmensão sub[eLlva e
ob[eLlva dos dlrelLos fundamenLalsţ o dever de proLecãoţ a eflcácla horlzonLal ou a ldela de
concordâncla práLlca/ponderacãoŦ Lsses concelLos serão menclonados na medlda em que
forem necessárlos para uma correLa compreensão dos casos a serem anallsadosţ mas de uma
forma aenerlca e proposlLadamenLe superflclalţ Lendo em vlsLa os esLrelLos llmlLes desLe
Lrabalho
1
Ŧ uo mesmo modoţ não se adenLrará em aspecLos lealslaLlvos especlflcos do dlrelLo
de reunlãoţ por exemploţ as manlfesLacões em perlodos elelLoralsţ ou a reaulamenLacão das
manlfesLacões dos Lrabalhadores em areve ouţ alndaţ o dlrelLo de llberdade e de
manlfesLacão dos mlllLares
14
Ŧ Cada pals Lem uma dlsclpllna próprla para o exerclclo do dlrelLo

12
LL?ţ !ohn ParLŦ Democracy and D|strustť a theory of [ud|c|a| rev|ewŦ Cambrldaeť Parvard unlverslLv Þressţ 2002Ŧ
1
Þara um esLudo mals deLalhado desses Lemasţ enLre ouLrosť MA8MLLS1Llnţ CeoraeŦ Curso de D|re|tos Iundamenta|sŦ São
Þauloť ALlasţ 2008Ť ALLx?ţ 8oberLŦ 1eor|a de |os derechos fundamenta|esŦ Madrldť CenLro de LsLudlos ConsLlLuclonalesţ 1997Ť
Anu8AuLţ !ose Carlos vlelra deŦ Cs d|re|tos fundamenta|s na const|tu|cão portuguesa de 1976Ŧ 2Ŧ edŦ Colmbrať Almedlnaţ
2001Ť 8CnAvluLSţ ÞauloŦ Curso de d|re|to const|tuc|ona|Ŧ São Þauloť Malhelrosţ 2006Ť CAnC1lLPCţ !Ŧ !Ŧ ComesŦ D|re|to
Const|tuc|ona| e 1eor|a da Const|tu|cãoŦ Colmbrať Almedlnaţ 2002Ť ulMCuLlSţ ulmlLrl Ǝ MA81lnSţ LeonardoŦ 1eor|a Gera|
dos D|re|tos Iundamenta|sŦ São Þauloť 8evlsLa dos 1rlbunalsţ 2006Ť MLnuLSţ Cllmar lerrelraŤ CCLLPCţ lnocônclo MárLlresŤ
88AnCCţ Þaulo CusLavo ConeLŦ Curso de D|re|to Const|tuc|ona|Ŧ São Þauloť Saralvaţ 2007Ť nCvAlSţ !orae 8elsŦ As kestr|cões
Aos D|re|tos Iundamenta|s não Lxpressamente Autor|zadas pe|a ConsLlLulcãoŦ Colmbrať Colmbra LdlLoraţ 200Ť ÞlL8C1Pţ
8odo Ǝ SCPLlnkţ 8ernardŦ D|re|tos Iundamenta|sť D|re|to do Lstado II (6rundrechteţ 5tootsrecht llţ 1985)Ŧ ÞorLoť
unlversldade do ÞorLoţ 2009Ť CuLl8CZţ CrlsLlna MŦ MŦŦ D|re|tos Iundamenta|s Ŷ teor|a gera|Ŧ Colmbrať Colmbra edlLoraţ
2002Ť SA8LL1ţ lnao WŦ A Lf|các|a dos D|re|tos Iundamenta|sŦ ÞorLo Aleareť Llvrarla do Advoaadoţ 2006Ŧ
14
Lm várlos luaares do mundoţ cosLumaŴse resLrlnalr os dlrelLos fundamenLals dos mlllLares em nome da unldadeţ da
hlerarqulaţ da dlsclpllna e do cumprlmenLo das mlssõesţ que e da essôncla do realme especlflco das forcas armadasŦ Lm
ÞorLuaalţ por exemploţ há uma prolblcão absoluLa em relacão às manlfesLacões de mlllLares de ºnaLureza pollLlcoŴparLldárla
ou slndlcal"Ŧ Þor ouLro ladoţ para as ouLras especles de manlfesLacões publlcasţ e permlLlda a parLlclpacão de mlllLares desde
º(a) as manlfesLacões se[am 'leaalmenLe convocadas'Ť (b) não ponham em rlsco a coesão e a dlsclpllna das lorcas ArmadasŤ
(c) esLe[am desarmadosŤ (d) Lra[em clvllmenLe e não osLenLem qualquer slmbolo naclonal ou das lorcas Armadas" (CC88LlAţ
ServuloŦ C D|re|to de Man|festacãoť âmb|to de protecão e restr|cõesŦ Llsboať Almedlnaţ 2006ţ pŦ 88)Ŧ A Assemblela
9

de reunlão eţ mesmo naqueles palses em que os LexLos normaLlvos são semelhanLesţ há uma
hlsLórla e um conLexLo democráLlco que [usLlflcam uma lnLerpreLacão dlferenclada sobre os
pressuposLos e as resLrlcões a essa llberdadeţ especlalmenLe se conslderadas essas quesLões
especlflcasŦ Þor essa razãoţ embora mlnha preLensão Lenha sldo anallsar o Lema sob uma óLlca
unlversallsLaţ denLro do esplrlLo de uma aloballzacão eLlca e cosmopollLa que venho
defendendo em ouLros LexLosţ há preŴcompreensões lnafasLávels próprlas da hlsLórla
democráLlca do meu pals e conclusões que só fazem senLldo no meu conLexLo de vlda
parLlcularŦ



ÞarlamenLar do Conselho da Luropaţ aLraves da 8ecomendacão 1742 de 11 de abrll de 2006ţ que LraLa dos dlrelLos humanos
aos membros das lorcas Armadasţ embora Lenha reconhecldo a posslbllldade de resLrlcões especlflcas dos dlrelLos
fundamenLals mlllLares em razão da sua pecullar razão de serţ conslderou que os membros das forcas armadas são cldadãos
em unlforme que devem usufrulr das mesmas llberdades fundamenLalsţ razão pela qual devem Ler a mesma proLecão dos
seus dlrelLos e dlanldade que Lôm qualsquer ouLros cldadãosţ denLro dos llmlLes lmposLos pelas exlaônclas especlflcas dos
deveres mlllLaresŦ ue acordo com a referlda 8ecomendacãoţ qualsquer resLrlcões aos dlrelLos fundamenLals dos membros das
forcas armadas devem preencher os seaulnLes crlLerlosť (a) devem Ler uma lnLencão lealLlmaţ serem rlaorosamenLe
[usLlflcados pelas necessldades e especlflcacões da vlda mlllLarţ dlsclpllna e Lrelnoţ e serem proporclonals aos ob[eLlvos
vlsadosŤ (b) devem ser conhecldosţ esLabelecldos de acordo com a lel e rlaorosamenLe deflnldos por esLaţ por forma a
respelLar as rearas esLabelecldas na consLlLulcãoŤ (b) não devemţ ln[usLlflcadamenLeţ ameacar ou pôr em rlsco a saude flslca
ou menLal dos membros das forcas armadasŤ (c) devem respelLar os llmlLes esLabelecldos pela Convencão Luropela dos
ulrelLos PumanosŦ Þara uma vlsão douLrlnárla das resLrlcões aos dlrelLos fundamenLals nas chamadas ºslLuacões especlals de
su[elcão"ţ enLre ouLrosť ÞL8Ll8Aţ !ane 8els ColcavesŦ Interpretacão Const|tuc|ona| e D|re|tos Iundamenta|sŦ 8lo de !anelroť
8enovarţ 2006Ŧ
10

2 LI8LkDADL DL LkÞkL55ÂC NC5 1kI8UNAI5

2Ŧ1 CCk1L LUkCÞLIA DL DIkLI1C5 nUMANC5

2Ŧ1Ŧ1 Caso ctkowski e outros vsŦ Po/ônio (2007) Ŵ Þarada Gay em Varsóv|a Ŷ D|re|to
de M|nor|as


Marcha pela laualdade na varsóvlaţ Þolônla
13


Lm 2 de malo de 2007ţ a CorLe Luropela de ulrelLos Pumanosţ em declsão unânlmeţ
condenou a Þolônla no caso 8aczkowskl e ouLros vsŦ Þolônla por vlolacão à llberdade de
reunlão e ao dlrelLo fundamenLal de nãoŴdlscrlmlnacão
16
Ŧ
no caso especlflcoţ as auLorldades publlcas polonesasţ movldas por razões pollLlcas
preconcelLuosasţ dlflculLaram a reallzacão da chamada ºMarcha pela laualdade"ţ oraanlzada
por um arupo de combaLe à dlscrlmlnacão de mlnorlas sexuals (CL81 Ŷ aavsţ lesblcasţ
blssexuals e Lransexuals)Ŧ A marcha e semelhanLe à ºÞarada do Craulho Cav" (ºov ltlJe")ţ
que se reallza em várlos luaares do mundoŦ
Cs manlfesLanLes preLendlam marchar pelas ruas de varsóvla em 11 de [unho de 2003ţ
com o ob[eLlvo de senslblllzar a oplnlão publlca para a quesLão da dlscrlmlnacão conLra as
mlnorlas Ŵ sexualsţ naclonalsţ eLnlcas e rellalosas Ŵ e Lambem em favor dos dlrelLos das
mulheres e das pessoas com deflclônclaŦ C lLlnerárlo da marcha havla sldo neaoclado desde
malo de 2003 com as auLorldades responsávels pelo LrânslLo e pela seauranca publlcaţ
conforme era a práLlca adoLada em evenLos semelhanLesŦ

13
lonLeť hLLpť//blŦaazeLaŦpl/lm/3/4143/z4143113xŦ[pa
16
Sobre o casoť 8CCAL81ţ Slna van denŦ £cnk koles oo llleool 8oo of wotsow £ooolltv lotoJeť 1be cose of 8oczkowskl ooJ
Otbets vŦ lolooJŦ 8 German Law Iourna| noŦ 9 (1 SepLember 2007)ţ pŦ 889/902Ŧ


11

Lm 20 de malo de 2003ţ anLes mesmo de o pedldo admlnlsLraLlvo para a reallzacão da
Marcha Ler sldo formalmenLe formuladoţ a auLorldade munlclpal de varsóvlaţ responsável
pela apreclacão do pedldoţ aflrmou em enLrevlsLa que lrla prolblr a manlfesLacão de qualquer
[elLoŦ Lm sua oplnlãoţ ºpropaaanda sobre a homossexualldade não e equlvalenLe a um
exerclclo da llberdade de reunlão"Ŧ
L de faLoţ a auLorlzacão para a reallzacão do evenLo não fol concedldaţ mas os moLlvos
reals do lndeferlmenLo foram camufladosţ Lendo sldo apresenLado em seu luaar uma desculpa
meramenLe burocráLlcaŦ As auLorldades locals lnvocaram as lels de LrânslLoţ que exlalam a
elaboracão de um ºplano de oraanlzacão do Lráfeao"ţ com Lrôs meses de anLecedônclaţ para
oraanlzacão de evenLos em vlas publlcasŦ Lssa formalldade nunca havla sldo exlalda anLes e só
fol comunlcada aos oraanlzadores do evenLo a poucos dlas da daLa marcada para a sua
reallzacãoţ a despelLo de o pedldo admlnlsLraLlvo Ler sldo formulado várlos meses anLesŦ L
ouLras oraanlzacões ºmals Lradlclonals" receberam auLorlzacão para reallzacão de
manlfesLacões publlcas sem qualquer exlaôncla semelhanLe naquele mesmo dlaţ numa clara
demonsLracão de que o lndeferlmenLo Lerla sldo movldo por preconcelLo conLra os
homossexualsŦ Lm arau de recursoţ fol reconheclda a lleaalldade do lndeferlmenLoţ polsţ se
houvesse necessldade de apresenLacão de um plano de oraanlzacão do Lráfeaoţ as
auLorldades deverlam Ler lnLlmado os oraanlzadores do evenLo para a apresenLarem denLro
do prazo devldoţ o que não fol felLoŦ 1al declsãoţ conLudoţ só fol proferlda em aaosLo daquele
anoţ não Lendo qualquer eflcáclaţ [á que a marcha havla sldo marcada para [ulhoŦ uo mesmo
modoţ o 1rlbunal ConsLlLuclonal polaco (1tvboool koostvtocvjov) reconheceu a
lnconsLlLuclonalldade da referlda reara burocráLlca que obrlaa os oraanlzadores de evenLos a
elaborem de um ºplano de oraanlzacão do Lráfeao"ţ por dlflculLar excesslvamenLe o exerclclo
da llberdade de reunlãoŦ Como a declsão só fol proferlda em 18 de [anelro de 2006ţ não
a[udou mulLo os reallzadores do evenLo em quesLãoţ a não ser prospecLlvamenLeŦ
naquele mesmo anoţ em novembroţ ouLro arupo CL81 LenLou reallzar uma ºMarcha
pela laualdade" em Þoznanţ mas a prefelLura local lndeferlu o pedldoŦ A marcha fol reallzada
apesar da prolblcãoŦ Pouve confronLo com a pollclaŦ Cerca de 300 manlfesLanLes foram
presosŦ L o curloso e que um arupo chamado º!uvenLude Þolonesa"ţ que e uma llaa do parLldo
de exLremaŴdlrelLa polonôsţ não sofreu qualquer punlcão por [oaar ovos e aaredlr
verbalmenLe os manlfesLanLes com frases do Llpo ºaás neles" ou ºvamos fazer com vocôs o
que PlLler fez aos [udeus" e ouLras alelvoslas semelhanLesŦ
no caso da Marcha de Þoznanţ o próprlo Supremo 1rlbunal AdmlnlsLraLlvo polonôs
reconheceu que os moLlvos apresenLados pela munlclpalldade serlam lnsuflclenLes para
[usLlflcar resLrlcões à llberdade de manlfesLacãoŦ Þor lssoţ os oraanlzadores da Marcha de
Þoznan opLaram por não levar o caso à CorLe Luropela de ulrelLos PumanosŦ
12

Cs oraanlzadores da Þarada Cav de varsóvlaţ por sua vezţ mesmo Lendo reallzado a
marcha apesar da prolblcão (com cerca de 2Ŧ300 parLlclpanLes)ţ resolveram levar o caso à
CorLe Luropela de ulrelLos Pumanosţ pols o evenLo fol basLanLe pre[udlcado com a declsão
admlnlsLraLlvaŦ MulLos manlfesLanLes delxaram de parLlclpar da marcha com medo de
represállas e de repressão pollclalŦ
A CorLe Luropela de ulrelLos Pumanos acolheu o pedldo dos oraanlzadores do evenLo
e reconheceu o desrespelLo à llberdade de reunlão e a vlolacão à prolblcão de dlscrlmlnacão
praLlcados pelo aoverno polonôsţ sendo esLe o prlmelro precedenLe envolvendo
especlflcamenLe o dlrelLo de manlfesLacão publlca de movlmenLos semelhanLesŦ
na parLe em que lnLeressaţ a declsão pode asslm ser slnLeLlzadať
(o) omo Jos ptloclpols cotoctetlstlcos Je omo socleJoJe é o plotollsmoţ o toletiocloţ o
tespelto ò JlvetslJoJe e o obettoto poto lJélos Jlvetoeotes (broadmlndedness)Ŧ ´A
botmooloso lotetocõo Je pessoos e otopos com lJeotlJoJes votloJos é esseoclol poto o coesõo
soclol´Ť
(b) ooooJo omo socleJoJe clvll fooclooo Je om moJo sooJóvelţ o pottlclpocõo Jos
clJoJõos oo ptocesso Jemoctótlco éţ em otooJe meJlJoţ olcoocoJo ottovés Je moolfestocões
pobllcosţ em ooe os clJoJõos poJem se loteotot oos com os oottos oo lotolto Je JefeoJetem
lotetesses coletlvos comoosŤ
(c) emboto os lotetesses loJlvlJools Jevom setţ pot vezesţ sobotJlooJos oos lotetesses
coletlvosţ o Jemoctoclo oõo se llmlto o Jlzet ooe o oplolõo Jo molotlo Jeve ptevolecet sempteť
é pteclso olcoocot om eoolllbtlo ooe ootooto o josto e oJeoooJo ttotomeoto Jos mlootlos o
flm Je evltot ooolooet oboso pot potte Je otopos JomloootesŤ
(J) o estoJo é o melbot ootoote Jo ptloclplo Jo plotollsmoŦ £le Jeve ptoteoet teol e
efetlvomeote o exetclclo Jo llbetJoJe Je teoolõoŦ £sso ptotecõo oõo se Jó opeoos Je fotmo
oeootlvo (ottovés Jo oõo lotetfetêoclo)ţ mos tombém ottovés Je obtloocões posltlvos oo
lotolto Je ootootlt o efetlvo oozo Jessos llbetJoJesţ especlolmeote em se ttotooJo Je pessoos
ooe possoem pootos Je vlsto lmpopolotes oo ooe focom potte Je mlootlosţ potooe elos estõo
mols voloetóvels ò vltlmlzocõoŤ
(e) os llmltocões ò llbetJoJe Je teoolõo Jevem set ptevlstos em lelţ vlsot om oo mols
objetlvos leoltlmos e set oJeoooJos e oecessótlos poto teollzocõo Jesses objetlvosŤ
(f) oo cosoţ o testtlcõo coocteto fol lleool (coofotme tecoobeclJo pelos ptóptlos
oototlJoJes locols em olvel Je tecotso) e vloloo o ptloclplo Jo ptopotclooollJoJeţ
especlolmeote potooe o Jlfeteoco Je ttotomeoto oõo tlobo om objetlvo leoltlmoŤ
(o) o Jeclsõo oJmlolsttotlvo fol estlmoloJoţ em oltlmo ooóllseţ pot ptecoocelto
bomofóblcoţ coofotme Jemoosttoo o eottevlsto jó meocloooJoţ o ooe oõo se coostltol em
lotetesse leoltlmoţ pot oftootot o Jltelto fooJomeotol ooe ptolbe Jlsctlmloocões pot motlvos
Je otleotocõo sexoolŦ
1

A referlda declsão represenLa uma conqulsLa para arupos mlnorlLárlosţ que sãoţ em
arande medldaţ os prlnclpals desLlnaLárlos das proLecões conferldas pelas declaracões de
dlrelLoŦ C mals lmporLanLe do caso fol o reconheclmenLo de que as auLorldades esLaLalsţ em
nome da llberdade de reunlãoţ não podem aalr de forma dlscrlmlnaLórla por moLlvo de
orlenLacão sexualŦ LoalcamenLeţ o mesmo racloclnlo se apllca a ouLras formas de
dlscrlmlnacãoť rellalosaţ racaţ llnauaaemţ pollLlcaţ naclonalldadeţ classe soclalţ ldade ou
qualquer ouLro crlLerloŦ

2Ŧ1Ŧ2 P/ottform "4rtte für dos Leben" vŦ 4ustrio (1998) Ŷ ContraŴMan|festacão e
Dever de Þrotecão Lstata|


ManlfesLacão do Crupo ºMedlcos pela vlda"
17


C arupo Atzte fot Jos lebeo (MéJlcos pelo vlJo) Lem como bandelra de luLa a crlLlca ao
aborLo e LenLa lnfluenclarţ na ÁusLrlaţ a aprovacão de lels sobre o assunLoŦ Lm 1980 e 1982ţ
LenLou reallzar duas manlfesLacões em locals publlcosţ mas fol lmpedldo por parLe de conLraŴ
manlfesLanLes hosLlsţ apesar da presenca de um arande numero de pollclals no localŦ
na manlfesLacão de 1980ţ os conLraŴmanlfesLanLesţ que apolavam a llberdade de
escolha da mulher eţ porLanLoţ eram conLrárlos à prolblcão do aborLoţ praLlcaram várlos aLos
que lnvlablllzaram as manlfesLacões do Atzte fot Jos lebeoť usaram auLoŴfalanLes com arlLos
de hosLllldade e [oaaram ovos nos manlfesLanLes duranLe o evenLoŦ Só não houve vlolôncla
flslca enLre os manlfesLanLes e os conLraŴmanlfesLanLes porque a pollcla fez um cordão de
lsolamenLo enLre os arupos oposLosŦ ue qualquer modoţ a manlfesLacão resLou lnvlablllzada
por conLa dos aLos praLlcados pelos conLraŴmanlfesLanLesŦ
no ano de 1982ţ a mesma slLuacão se repeLlu duranLe uma vlallla rellalosa oraanlzada
pelo Atzte fot Jos lebeo duranLe a madruaadaŦ CrlLos dos conLraŴmanlfesLanLes
lmposslblllLaram que a celebracão rellalosa ocorresse normalmenLe e mals uma vez os
pollclals nada flzeram para conLer os conLraŴmanlfesLanLesŦ
Lm razão desses faLosţ o arupo Atzte fot Jos lebeoţ depols de esaoLar os
procedlmenLos prevlsLosţ lnaressou com pedldo peranLe o 1rlbunal Luropeu de ulrelLos

17
lonLeť hLLpť//wwwŦepldŦora/asseLs/lmaaes/ÞarlsŴuemo_CW_urŦLafŦ__kleln_1Ŵ06Ŧ[pa
14

Pumanosţ aleaando que a ÁusLrlaţ por omlssãoţ esLarla lmpedlndo o exerclclo do dlrelLo de
reunlão do Atzte fot Jos lebeoŦ
C 1rlbunal Luropeu de ulrelLos Pumanos reconheceu a exlsLôncla de um dever esLaLal
de fornecer a proLecão adequada e necessárla para a reallzacão do dlrelLo de llberdadeţ
asslnalando queť
ºA demonsLraLlon mav annov or alve offence Lo persons opposed Lo Lhe ldeas or clalms
LhaL lL ls seeklna Lo promoLeŦ 1he parLlclpanLs musLţ howeverţ be able Lo hold Lhe demonsLraLlon
wlLhouL havlna Lo fear LhaL Lhev wlll be sub[ecLed Lo phvslcal vlolence bv Lhelr opponenLsŤ such a
fear would be llable Lo deLer assoclaLlons or oLher aroups supporLlna common ldeas or lnLeresLs
from openlv expresslna Lhelr oplnlons on hlahlv conLroverslal lssues affecLlna Lhe communlLvŦ ln a
democracv Lhe rlahL Lo counLerŴdemonsLraLe cannoL exLend Lo lnhlblLlna Lhe exerclse of Lhe rlahL
Lo demonsLraLe"
18
Ŧ
Lm seauldaţ o Lrlbunal reconheceu que a efeLlva llberdade de reunlão paclflca não
pode ser reduzlda a uma mera obrlaacão esLaLal neaaLlvaŦ Alem dessa obrlaacão neaaLlva
(dever de respelLo)ţ o LsLado Lambem possul uma obrlaacão poslLlva (dever de proLecão)ţ
alnda queţ para o exerclclo desLa ulLlmaţ as auLorldades esLaLals Lenham uma ampla maraem
de dlscrlclonarledade acerca dos melos adequados e necessárlos à proLecão do dlrelLoŦ Lm
razão dlssoţ o Lrlbunal não lndlcou quals são as medldas efeLlvas que o esLado deve Lomarţ
pols esse papel caberla ao esLadoŤ apenas deLermlnou que fossem adoLadas as medldas
necessárlas para efeLlvamenLe asseaurar o exerclclo do dlrelLoŦ
Lm relacão aos lncldenLes especlflcos que [usLlflcaram o pedldoţ a ÁusLrla não fol
conslderada culpadaţ polsţ à luz das lnformacões dlsponlvelsţ as auLorldades envolvldas não se
absLlveram de adoLar medldas razoávels e aproprladasţ denLro do posslvel dlanLe de uma
slLuacão crlLlca como aquelaŦ
Lsse caso demonsLra uma faceLa lnLeressanLe dos dlrelLos fundamenLalsţ que e a ldela
de dever de proLecãoŦ Þara mulLosţ a obrlaacão do esLado em relacão aos dlrelLos de
llberdade e Lão somenLe uma obrlaacão neaaLlvaţ de respelLoţ ou se[aţ de nãoŴlnLerferônclaŦ
1raLaŴseţ poremţ de uma vlsão parclalmenLe equlvocadaţ [á que não leva em conLa a
mulLlpllcldade de comandos que emanam das normas deflnldoras de dlrelLos fundamenLalsŦ
na verdadeţ não exlsLem dlrelLos excluslvamenLe neaaLlvosţ sendo um erro pensar que os
dlrelLos de llberdade não aeram cusLos ou Larefas para o Þoder ÞubllcoŦ A proLecão de
qualquer dlrelLoţ lncluslve os dlrelLos de llberdadeţ exlae a moblllzacão de recursos
flnancelrosţ admlnlsLraLlvosţ lealslaLlvos e [udlclals
19
Ŧ Þara ser mals claroť Lodo dlrelLo

18
1recho do voLo proferldo no caso ÞlaLLform ºÄrzLe fur das Leben" vŦ AusLrlaŦ 1raducão llvreť ºuma manlfesLacão pode
desaaradar ou ofender às pessoas que se opõem àquelas ldelas ou relvlndlcacõesŦ Cs parLlclpanLes devemţ no enLanLoţ ser
capazes de exercer o dlrelLo sem Ler recelo de que serão submeLldos à vlolôncla flslca pelos seus adversárlosŤ Lal recelo serla
susceLlvel de dlssuadlr os arupos de expressarem aberLamenLe as suas oplnlões em quesLões conLroversas que afeLam a
comunldadeŦ Lm uma democraclaţ o dlrelLo de conLraŴmanlfesLacão não pode lr ao ponLo de lnlblr o exerclclo do dlrelLo de
ouLros manlfesLanLes"Ŧ
19
cfŦ PCLMLSţ SLephen Ǝ SunS1Llnţ Cass 8Ŧ 1he cost of r|ghtsť why ||berty depends on taxesŦ nova lorquesť WŦ WŦ norLon Ǝ
CoŦţ 1999Ŧ Cs referldos [urlsLas norLeŴamerlcanos demonsLraramţ no clLado llvroţ que e um erro pensar que os dlrelLos de
llberdade não aeram cusLos para o Þoder ÞubllcoŦ Lles comprovaram que os ºdlrelLos lndlvlduals e de llberdade dependem
13

fundamenLal aera um dever de respelLoţ proLecão e promocãoţ ou se[aţ o LsLado Lem o dever
de respelLar (não vlolar o dlrelLo)ţ proLeaer (não delxar que o dlrelLo se[a vlolado) e promover
(posslblllLar que Lodos usufruam o dlrelLo)Ŧ vale expllcar melhor essa ldelaŦ
Lm vlrLude do dever de respe|toţ o LsLado Lem a obrlaacão de aalr em conformldade
com o dlrelLo fundamenLalţ não podendo vloláŴloţ nem adoLar medldas que possam ameacar
um bem [urldlco proLealdo pela norma consLlLuclonalŦ Lsse dever aeraţ porLanLoţ um comando
de absLencãoŦ
no enLanLoţ não basLa uma posLura lnerLe para a plena efeLlvacão dos dlrelLos
fundamenLalsţ ou se[aţ o LsLado não apenas deve se absLer de lesar bens [urldlcos
fundamenLalsţ mas Lambem deve aLuar poslLlvamenLeţ proLeaendoŴos de qualsquer ameacasţ
lncluslve de LercelrosŦ Lm ouLras palavrasţ o LsLado muda seu papel de adversárlo dos
dlrelLos fundamenLals para uma funcão de auardlãoŦ Lssa obrlaacão consLlLuclonal que o
LsLado Ŷ em Lodos os seus nlvels de poder Ŷ deve observar e o chamado ºdever de protecão"Ŧ
Lsse dever slanlflcaţ baslcamenLeţ que (a) o lealslador Lem a obrlaacão de edlLar normas que
dlspensem adequada LuLela aos dlrelLos fundamenLalsţ (b) o admlnlsLrador Lem a obrlaacão
de aalr maLerlalmenLe para prevenlr e reparar as lesões perpeLradas conLra Lals dlrelLos e (c) o
!udlclárlo Lem a obrlaacão deţ na presLacão [urlsdlclonalţ manLer sempre a aLencão volLada
para a defesa dos dlrelLos fundamenLals
20
Ŧ lol [usLamenLe lsso que o 1rlbunal Luropeu de
ulrelLos Pumanos aflrmou no caso ÞlaLLform ºÄrzLe fur das Leben" vŦ ÁusLrlaţ alnda que não
Lenha reconhecldoţ no caso concreLoţ qualquer vlolacão desse dever por parLe da ÁusLrlaţ [á
queţ dlanLe das condlcões especlflcas em que os faLos ocorreramţ a acão admlnlsLraLlva Lerla
sldo razoávelŦ

2Ŧ2 1kI8UNAL DL IU51IÇA LUkCÞLU

2Ŧ2Ŧ1 Caso uoen 5chmidberoerţ lnternotiono/e 1ronsporte und P/ontüoe vsŦ kepub/ik
Osterreich (2003) Ŷ ÞrotestoŴ8|oque|o na AutoŴLstrada de 8renner Ŷ Inconven|entes e Dever
de 1o|erânc|a


fundamenLalmenLe de uma lnLensa acão do LsLado"Ŧ Sem que o LsLado aasLe dlnhelroţ nenhum dlrelLo e proLealdoť ºa
penn||ess state cannot protect r|ghts"Ŧ
20
lonLe de consulLať SA8MLn1Cţ uanlelŦ Cs D|re|tos Iundamenta|s e ke|acões Þr|vadasŦ 8lo de !anelroť Lumen !urlsţ 2006ţ
pŦ 10/12Ŧ
16


lmaaem da auLoŴesLrada de 8renner ºlnLerdlLada" pelo proLesLo da 1toosltfotom Aosttlo 1ltol
em [unho de 2000
21


Lm [unho de 200ţ o 1rlbunal de !usLlca Luropeu [ulaou um lnLeressanLe caso
envolvendo o dlrelLo de manlfesLacão em vlas publlcas
22
Ŧ llcou decldldo que o faLo de as
auLorldades ausLrlacas não haverem prolbldo uma manlfesLacão paclflca e Lemporárla que
bloqueava a auLoŴesLrada de 8renner não serla conLrárlo ao dlrelLo comunlLárloŦ
no caso especlflcoţ uma oraanlzacão nãoŴaovernamenLal llaada à proLecão da blosfera
na realão dos Alpes (1toosltfotom Aosttlo 1ltol) oraanlzou uma manlfesLacão nos dlas 12 a 1
de [unho de 1998 na auLoŴesLrada de 8rennerţ que e uma das prlnclpals vlas de comunlcacão
enLre a Luropa seLenLrlonal e o norLe da lLállaŦ C ob[eLlvo do proLesLo era o de senslblllzar o
publlco para os problemas de ameacas ao melo amblenLe e à saude publlca ocaslonadas pelo
aumenLo consLanLe de clrculacão de velculos pesados naquela esLrada e presslonar as
auLorldades compeLenLes para Lomarem as medldas necessárlas para soluclonar o problemaţ
dada a lmporLâncla amblenLal da realão alplnaŦ
A manlfesLacão fol devldamenLe noLlclada para as auLorldades admlnlsLraLlvas
compeLenLes queţ por melo da comunlcacão soclalţ dlvulaaram para os poLenclals usuárlos
daquela auLoŴesLrada que o acesso à vla serla bloqueado por ocaslão do proLesLoŦ
AconselhouŴse alnda queţ se posslvelţ os usuárlos deverlam evlLar Lrafeaar por aquela esLrada
duranLe o perlodo do proLesLoŦ
1al como prevlsLoţ a manlfesLacão fol reallzada normalmenLeţ no local e no momenLo
lndlcadoţ sem malores LransLornos alem dos [á esperados em decorrôncla do bloquelo da
rodovlaţ que durou LrlnLa horasŦ
Após a manlfesLacãoţ a empresa prlvada 5cblmlJbetoetţ que uLlllzava aquela vla
reaularmenLe para LransporLar seus produLos (madelra e aco)ţ lnaressou com acão [udlclal
requerendo uma lndenlzacão pelos pre[ulzos sofrldos duranLe o perlodo em que seus
camlnhões flcaram parados por conLa do bloqueloŦ Aleaou que a ÁusLrla serla responsável por

21
lonLeť hLLpť//newsŦbbcŦcoŦuk/olmedla/800000/lmaaes/_802901_blkes00Ŧ[pa
22
Case CŴ112/00ţ LC8 lŴ3639ţ 200Ŧ
17

vlolar o seu dlrelLo fundamenLal de llvre clrculacão de mercadorlasţ conforme prevlsLo no
dlrelLo comunlLárloŦ A empresa aleaou que seus camlnhões foram lmpedldos de uLlllzar a
auLoŴesLrada de 8renner duranLe quaLro dlas consecuLlvosţ que fol o perlodo em que
camlnhões pesados não puderam Lrafeaar por aquela vlaŦ ulsse alnda que não havla camlnhos
alLernaLlvos para o desLlno dese[adoţ [á que aquela era a unlca roLa dlsponlvel para percorrer
o Lrecho enLre a Alemanha e a lLállaŦ
8espondendo a uma consulLa formulada 1rlbunal 8ealonal Superlor de lnnsbruck
(ObetlooJesoetlcbt loosbtock)ţ que pedla orlenLacões sobre a lnLerpreLacão do dlrelLo
comunlLárlo naquele casoţ o 1rlbunal de !usLlca Luropeu decldlu que as auLorldades ausLrlacas
aalram correLamenLe ao prlvllealar a llberdade de reunlão naquela slLuacãoŦ AraumenLouŴse
que a resLrlcão à llberdade de clrculacão fol lealLlma e [usLlflcada [á que as auLorldades
ausLrlacas foram lnsplradas por conslderacões llaadas ao respelLo dos dlrelLos fundamenLals
dos manlfesLanLes à llberdade de expressão e à llberdade de reunlãoţ alem de Lerem Lomado
Lodas as cauLelas posslvels para que a llvre clrculacão de velculos sofresse a menor resLrlcão
posslvelŦ 1anLo e asslm que dlvulaaram prevlamenLe aos usuárlos da auLoŴesLrada que o
bloquelo se reallzarla naquele perlodoŦ Alem dlssoţ o bloquelo resLrlnaluŴse a um unlco
lLlnerárloţ duranLe um unlco momenLo de duracão llmlLadaŦ Com lssoţ conslderouŴse que
houve um [usLo equlllbrlo enLre a proLecão dos dlrelLos fundamenLals dos manlfesLasLes e as
exlaônclas da llvre clrculacão de mercadorlas
2
Ŧ ConsequenLemenLeţ não poderla ser aLrlbulda
às auLorldades ausLrlacas uma vlolacão do dlrelLo comunlLárlo suscepLlvel de susclLar a
responsabllldade clvll
24
Ŧ
A lmporLâncla malor desse caso fol reconhecer que evenLuals lnconvenlenLes
ocaslonados pelas manlfesLacões publlcasţ como os LransLornos causados ao LrânslLo de
velculos ou à llvre clrculacão de mercadorlasţ por exemploţ não são suflclenLes para lmpedlr a
sua reallzacão
23
Ŧ 1als lnconvenlenLes devem ser suporLados pela comunldade em aeralţ
sobreLudo quando a manlfesLacão e reallzada de forma responsável e razoávelţ como fol o
caso
26
Ŧ

2
C mesmo racloclnlo não se apllca quando os manlfesLanLes aaem LoLalmenLe na lleaalldadeŦ no caso commlssloo vŦ ltooceţ
por exemploţ [ulaado em 1997ţ o mesmo 1rlbunal de !usLlca Luropeu condenou a lranca por Ler permlLldo queţ em 199ţ
aarlculLores revolLados praLlcassem aLos de vandallsmo e de vlolôncla conLra parLlcularesţ lnLercepLando seus velculosţ
desLrulndo suas caraasţ praLlcando vlolôncla conLra os moLorlsLasţ danlflcando bensţ enLre ouLros aLos lllclLosţ duranLe uma
manlfesLacão publlca que fualu do conLrole (Caso CŴ263/93ţ LC8 l 6939ţ 1997)Ŧ
24
A declsão pode ser llda em lnalôsţ na lnLearaţ emť
hLLpť//eurŴlexŦeuropaŦeu/LexurlServ/LexurlServŦdo?urlƹCLLLxť62000!0112ťLnťP1ML
23
Lls um Lrecho do [ulaamenLoť ºWhllsL a demonsLraLlon on a publlc hlahwav usuallv enLalls lnconvenlence for nonŴ
parLlclpanLsţ ln parLlcular as reaards free movemenLţ LhaL lnconvenlence mav ln prlnclple be LoleraLed provlded LhaL Lhe
ob[ecLlve pursued ls Lhe publlc and lawful demonsLraLlon of an oplnlon"Ŧ 1raducão llvreť ºLmbora uma manlfesLacão publlca
normalmenLe provoque lnconvenlenLes para os não parLlclpanLesţ em parLlcular no que dlz respelLo à llvre clrculacãoţ esse
LransLorno podeţ em prlnclploţ ser Loleradoţ desde que o ob[eLlvo vlsado se[a uma lealLlma manlfesLacão de uma oplnlão"Ŧ
26
1ambem a esse respelLoţ a Suprema CorLe de lsraelţ no caso Sa'ar vsŦ MlnlsLer of lnLerlor and Þollceţ de 1979ţ asslm
decldluť ºŧ ln exerclslna Lhe 'Lrafflc' conslderaLlonţ a balance musL alwavs be sLruck beLween Lhe lnLeresLs of clLlzens who
wlsh Lo hold a meeLlna or processlon and Lhe lnLeresLs of clLlzens whose rlahL of passaae ls affecLed bv LhaL meeLlna or
18


2Ŧ3 1kI8UNAL CCN51I1UCICNAL ILDLkAL ALLMÂC

2Ŧ3Ŧ1 Caso rokdorf (1985) Ŷ Þrotesto contra Us|na Nuc|ear Ŷ Dever de Av|so Þróv|o e
Man|festacões Lspontâneas


ÞroLesLo em 8rokdorf
27


um dos casos mals lmporLanLes na [urlsprudôncla mundlal envolvendo a llberdade de
reunlão fol o caso 8rokdorfţ ocorrldo na Alemanhaţ em 1981Ŧ
8rokdorf e um munlclplo locallzado no dlsLrlLo de SLelnburaţ na Alemanhaţ e fol o local
escolhldo pelo aoverno alemão para servlr de base LerrlLorlal para a consLrucão de uma uslna
nuclearŦ várlas oraanlzacões nãoŴaovernamenLals resolveram convocar a populacão para se
reunlr nas ruas e pracas de 8rokdorf e proLesLar conLra a referlda consLrucãoŦ
C óraão admlnlsLraLlvo compeLenLeţ conLudoţ emlLlu uma ordem prolblndo qualquer
manlfesLacão publlca em um ralo de 210 qullômeLros quadrados em Lorno do LerrlLórlo onde
serla consLrulda a uslnaŦ A declsão admlnlsLraLlva fol fundamenLada na lnformacão forneclda
pela pollcla de que alauns dos clnquenLa mll manlfesLanLes esperados esLavam dlsposLos a

processlonŦ !usL as mv rlahL Lo demonsLraLe ln Lhe sLreeL of a clLv ls resLrlcLed bv Lhe rlahL of mv fellow Lo free passaae ln LhaL
same sLreeLţ hls rlahL of passaae ln Lhe sLreeL of a clLv ls resLrlcLed bv mv rlahL Lo hold a meeLlna or processlonŦ 1he hlahwavs
and sLreeLs were meanL for walklna and drlvlnaţ buL Lhls ls noL Lhelr onlv purposeŦ 1hev were also meanL for processlonsţ
paradesţ funerals and such evenLs" (exLraldo de CSCL Ŷ Cfflce for uemocraLlc lnsLlLuLlons and Puman 8lahLs (CulP8)Ŧ
Gu|de||nes on Ireedom of Þeacefu| Assemb|yŦ varsóvlať CSCLŴCulP8ţ 2007ţ pŦ 26)Ŧ 1raducão llvreť ºLevando em
conslderacão as 'quesLões de Lráfeao'ţ a ponderacão deve ser sempre um equlllbrlo enLre os lnLeresses dos cldadãos que
preLendem oraanlzar uma reunlão ou passeaLa e os lnLeresses dos cldadãos cu[o dlrelLo de passaaem e afeLado por essa
reunlão ou passeaLaŦ Asslm como o meu dlrelLo de me manlfesLar na rua de uma cldade e llmlLado pelo dlrelLo de passaaem
do meu coleaa na mesma ruaţ o seu dlrelLo de passaaem e resLrlnaldo pelo meu dlrelLo de reallzar uma reunlão ou passeaLaŦ
As esLradas e as ruas foram felLos para o passelo a pe ou de carroţ mas esse não e seu unlco ob[eLlvoŦ Þodem servlrţ Lambemţ
para a reallzacão de passeaLasţ desfllesţ funerals e evenLos semelhanLes"Ŧ
27
lonLeť hLLpť//wwwŦhlnlfoLoŦde/akw/brokdorf1Ŧ[pa
19

usar a vlolôncla para ocupar o local das obras e danlflcar os equlpamenLos e desLrulr o que
esLlvesse aLe enLão consLruldoŦ
Alauns manlfesLanLes lnaressaram na !usLlca AdmlnlsLraLlva alemã para LenLar anular
[udlclalmenLe o aLo admlnlsLraLlvoŦ nas vlas ordlnárlasţ o pedldo fol lndeferldoţ sob o
fundamenLo de que o avlso prevlo da reunlão Llnha sldo requerldo fora do prazo prevlsLo em
lel
28
ţ alem de ser razoável a suspelLa da práLlca de vlolôncla por parLe dos manlfesLanLesŦ
Lm 1983ţ o casoţ flnalmenLeţ fol [ulaado pela CorLe ConsLlLuclonal alemã queţ em
famosa declsãoţ reconheceu o dlrelLo dos manlfesLanLes de se reunlrem nos espacos publlcosţ
sob o fundamenLo de que o dlrelLo do cldadão de parLlclpar aLlvamenLe do processo de
formacão da oplnlão e da vonLade pollLlca pelo exerclclo da llberdade de reunlão faz parLe dos
elemenLos funclonals lndlspensávels de uma comunldade democráLlca
29
Ŧ
llcou decldldo que o dever de avlso prevlo não deverla ser um empecllho para a
reallzacão de manlfesLacões esponLâneas
0
e que a prolblcão prevla de proLesLos publlcos
somenLe serla posslvel ºseţ seaundo as clrcunsLânclas percepLlvels quando da edlcão da
medlda admlnlsLraLlvaţ a seauranca ou ordem publlca resLarem lmedlaLamenLe ameacadas
pela reallzacão da reunlão ou passeaLa"Ŧ A prolblcão prevla ou a dlssolucão de uma
manlfesLacão somenLe podem ser lealLlmas ºpara a proLecão de bens lmporLanLes da
coleLlvldadeţ sem pre[ulzo do prlnclplo da proporclonalldade e apenas no caso de rlsco
lmedlaLo a esses bens [urldlcosţ o qual pode ser lnferldo de clrcunsLânclas reconheclvels"Ŧ L
malsť
ºA prolblcão e a dlssolucão pressupõemţ de um ladoţ como oltlmo totloţ que o melo mals
ameno do esLabeleclmenLo de obrlaacões oJ boc ża serem cumprldas pelos oraanlzadores ou pelos
próprlos manlfesLanLesŽ esLe[a esaoLadoŦ
lnconvenlenLes que ocorrerem lnevlLavelmenLe a parLlr das mulLldões que o exerclclo
desse dlrelLo fundamenLal lmpllcaţ e que não puderem ser evlLados sem que ha[a pre[ulzo para o
flm da reunlãoţ preclsam serţ em aeralţ Lolerados por LercelrosŦ Lm vlrLude de meros moLlvos de

28
A Lel de 8eunlões e ÞasseaLasţ de 24 de [ulho de 193ţ que [usLlflcou a declsãoţ deLermlnava o seaulnLeť ºƇ 14 (1) Cuem
Llver a lnLencão de oraanlzar uma reunlão publlca ao ar llvre ou uma passeaLaţ deveţ no máxlmo com 48 horas de
anLecedôncla em relacão a sua publlcacãoţ anuncláŴlo à auLorldade compeLenLeţ sob a lndlcacão do ob[eLo da reunlão ou da
passeaLaŦ (2) no anuncloţ deve ser lndlcada que pessoa e responsável pela reunlão ou passeaLaŦ Ƈ 13 (1) A auLorldade
compeLenLe pode prolblr a reunlão ou passeaLa ou fazer com que elas dependam de cerLas condlcõesţ seţ conforme
clrcunsLânclas reconheclvels ao Lempo da edlcão da medlda admlnlsLraLlvaŽţ a seauranca publlca ou a ordem esLlverem
dlreLamenLe ameacadas com a reallzacão da reunlão ou passeaLaŦ (2) Lla pode dlssolver uma reunlão ou passeaLa quando
não Llverem sldo anuncladasţ quando elas se afasLarem das lndlcacões do anunclo ou conLrarlarem as condlcões lmposLasţ ou
quando esLlverem presenLes os pressuposLos de uma prolblcãoţ conforme o paráarafo 1°Ŧ (J) ueveŴse Jlssolvet omo teoolõo
ptolblJo´Ŧ
29
SCPWA8ţ !uraenŦ C|nqüenta anos de Iur|sprudônc|a do 1r|buna| Const|tuc|ona| A|emãoŦ Crať Leonardo MarLlns
MonLevldeoť konrad Adenauer SLlfLunaţ 2006ţ pŦ 324Ŧ
0
ºAs declaracões relaclonadas com o anunclo prevlo devem fornecer as lnformacões necessárlas às reparLlcões publlcasţ a
flm de que elas possam Ler uma ldela do queţ de um ladoţ deve ser felLo para que a reallzacão da reunlão Lranscorra de
manelra a menos perLurbar as rearas de LrânslLoţ e o que e necessárlo fazerţ de ouLro ladoţ no lnLeresse de Lercelrosţ bem
como no lnLeresse da coleLlvldadeţ e como esses lnLeresses podem harmonlzarŴse uns com os ouLros (cfŦ 81 urucksŦ 8/1843ţ
pŦ 10)Ŧ Seaundo uma vlsão basLanLe predomlnanLeţ o dever de anunclar a manlfesLacão denLro do prazo leaal desaparece nas
manlfesLacões esponLâneasţ que se formam lnsLanLaneamenLe a parLlr de ense[o aLual uma lnfracão ao dever de anunclo
prevlo não leva auLomaLlcamenLe à prolblcão ou dlssolucão de um evenLo" (SCPWA8ţ !uraenŦ C|nqüenta anos de
Iur|sprudônc|a do 1r|buna| Const|tuc|ona| A|emãoŦ Crať Leonardo MarLlns MonLevldeoť konrad Adenauer SLlfLunaţ 2006ţ p
32/)Ŧ
20

Lecnlca de Lráfeaoţ LanLo menos se poderá prolblr uma reunlãoţ quanLo mals se se puder aLlnalrţ
por melo do esLabeleclmenLo de obrlaacões oJ bocţ uma [usLaposlcão do uso da vla publlca pelos
parLlclpanLes da reunlão e pelo Lráfeao fluenLe"

Ŧ
CuLro ponLo lmporLanLe do [ulaado fol esLabelecer padrões a serem observados no
decorrer das arandes manlfesLacões popularesŦ loram clLados Lrôs arandes evenLos ocorrldos
em espacos publlcos alemães (otlebeoŴ1tecks de 1979ţ da manlfesLacão pela paz de 8ooo de
1981 e a correnLe humana do sul alemão de 198)ţ para demonsLrar que as reunlões publlcas
de arande porLe podem ser conduzldas a bom Lermoţ sem malores LransLornos para a
coleLlvldade ou para o paLrlmônlo publlcoţ se houver uma relacão de muLua cooperacão e de
conflanca enLre os oraanlzadores do evenLo e as auLorldades envolvldasŦ
C esLado Lem o dever de faclllLar o exerclclo da llberdade de reunlão e moblllzar o seu
aparaLo admlnlsLraLlvo (oraanlzacãoţ recursos humanos e procedlmenLos)ţ a flm de aprender
a lldar com as arandes manlfesLacõesţ aLuando denLro dos padrões da boa aovernancaţ com
esplrlLo apazlauador e aaranLldor do exerclclo do dlrelLo e não como uma ameacaŦ uma
aLlLude não cooperaLlva das auLorldades e um esLlmulo a reacões emoLlvas por parLe dos
manlfesLanLes que podem fualr do conLrole e ocaslonarem danos mulLo maloresŦ Þor lssoţ
ºquanLo mals os oraanlzadoresţ quando do anunclo prevlo de uma arande manlfesLacãoţ
esLlverem predlsposLos à Lomada de medldas de sua parLe que demonsLrem conflancaţ ou
mesmo a uma cooperacão favorável à żo Lranscorrer paclflco daŽ manlfesLacãoţ mals alLo será
o llmlLe para as lnLervencões das auLorldades publlcas em vlrLude de rlsco à seauranca e à
ordem publlcas"
2
Ŧ

2Ŧ3Ŧ2 Caso 5ittb/ockoden ll (1995) Ŷ 8|oque|o 5entado contra Armas Nuc|eares Ŷ
Conce|to de keun|ão Þac|f|ca


loLo do proLesLo em toßeoostlooeo em malo de 198
JJ



1
SCPWA8ţ !uraenŦ C|nqüenta anos de Iur|sprudônc|a do 1r|buna| Const|tuc|ona| A|emãoŦ Crať Leonardo MarLlns
MonLevldeoť konrad Adenauer SLlfLunaţ 2006ţ p 33Ŧ
2
SCPWA8ţ !uraenŦ C|nqüenta anos de Iur|sprudônc|a do 1r|buna| Const|tuc|ona| A|emãoŦ Crať Leonardo MarLlns
MonLevldeoť konrad Adenauer SLlfLunaţ 2006ţ p 38Ŧ

hLLpť//wwwŦeberhardŴflnckhŴkaserneŦde/asseLs/lmaaes/uLMCŴ6Ŧ[pa
21

CuLro processo lmporLanLe [ulaado pela CorLe ConsLlLuclonal alemãţ envolvendo a
llberdade de reunlãoţ fol o caso do bloquelo senLado (Sitzblockaden ÌÌ).
uesLa vezţ o palco da manlfesLacão publlca serla a cldade de toßeoostlooeoţ onde
havla um depóslLo mlllLar conLendo foaueLes de curLo alcance do Llpo looceŦ C ob[eLlvo do
proLesLoţ reallzado em 9 de malo de 198ţ era semelhanLe ao do caso 8rokdorfť alerLar conLra
os perlaos de uma corrlda armamenLlsLa nuclear na 8epubllca lederaLlva da AlemanhaŦ
C arupo de manlfesLanLes era pequenoţ varlando ao lonao do dla enLre 13 a 40
pessoasŦ Lm um dado momenLo da manlfesLacãoţ clnco manlfesLanLes senLaramŴse na rua
para lmpedlr a passaaem de um carro do exerclLoŦ C mlllLar responsável ordenou que os
manlfesLanLes salssem da passaaemţ mas não fol obedecldoŦ Lm razão dlssoţ reLornou com o
seu velculo para o quarLel e reporLou o caso para a pollclaţ que obLeve uma ordem de
dlssolucão daquela manlfesLacãoŦ Ao LenLar passar novamenLe com o velculoţ houve novo
bloquelo por parLe dos manlfesLanLesţ que não obedeceram a ordem pollclal para que
salssem da ruaŦ A pollcla reLlrouŴos à forcaţ carreaandoŴos para a calcadaŦ L lsso se repeLlu
várlas vezes naquele dlaŦ
uepols do proLesLoţ os manlfesLanLes foram punldos pelo crlme de consLranalmenLo
lleaalţ Lendo sldo condenados a paaar uma pena pecunlárlaŦ A declsão fol conflrmada pelas
lnsLânclas recursals ordlnárlasţ o que forcou os manlfesLanLes a lnaressarem com uma
reclamacão consLlLuclonal para a CorLe ConsLlLuclonal alemãŦ
A CorLe ConsLlLuclonal alemã revoaou as condenacões lmposLas aos manlfesLanLesţ
por enLender que o ºbloquelo senLado"ţ Lal como reallzado pelos manlfesLanLesţ não poderla
ser conslderado como uma manlfesLacão nãoŴpaclflcaŦ Loaoţ como não houve um lnLulLo de
vlolônclaţ o aLo não poderla ser punldo
4
Ŧ
ulscorrendo sobre esse Lema especlflcoţ Servulo Correla defendeu queţ nessa
modalldade de proLesLo (bloquelo senLados ou delLados em vlas publlcas)ţ a remocão
coerclLlva dos manlfesLanLes nãoŴaaresslvos somenLe deverla ser auLorlzada após um Lempo
mlnlmoţ salvo razões de perlao lmlnenLe para a lnLearldade flslca
3
Ŧ 1al proposLa parece ser
razoável por uma razão mulLo slmplesť se o proLesLo e lealLlmoţ [á que não vlolenLoţ esLá
devldamenLe proLealdo pelo dlrelLo fundamenLalŦ Þor ouLro ladoţ como se LraLa de um

4
L cerLo que um dos faLores preponderanLes para a reforma das condenacões fol o faLo de que a lealslacão apllcável à
especle não deflnla claramenLe qual era o concelLo de vlolônclaţ ferlndoţ porLanLoţ o prlnclplo da leaalldade penalŦ Cs
Lrlbunals ordlnárlos adoLaram uma lnLerpreLacão ampllaLlva e ºdesmaLerlallzada" de vlolôncla para abranaer aLe mesmo os
comporLamenLos que não lnclulam o empreao lmedlaLo de forcas corporalsţ o que fol re[elLada pela CorLe ConsLlLuclonal
alemã por ferlr a leaalldadeŦ L que o prlnclplo da reserva leaal ºobrlaa o lealslador a formular os requlslLos da punlbllldade
(5ttofbotkelt) Lão concreLamenLe que a área de apllcacão e o alcance do Llpo penal possam ser exLraldos da leLra da lel ou
esclarecldos por lnLerpreLacãoŦ Lssa obrlaacão serve a um duplo flmŦ Lla deveţ de um ladoţ asseaurar que os desLlnaLárlos da
norma possam prever qual comporLamenLo e vedado e esLá su[elLo à sancão penalŦ Lla deveţ de ouLro ladoţ aaranLlr que a
declsão sobre que comporLamenLos devam ser sanclonados crlmlnalmenLe se[a prevlamenLe deLermlnada pelo lealslador e
não posLerlormenLe pelo Þoder LxecuLlvo ou pelo Þoder !udlclárlo" (SCPWA8ţ !uraenŦ C|nqüenta anos de Iur|sprudônc|a do
1r|buna| Const|tuc|ona| A|emãoŦ Crať Leonardo MarLlns MonLevldeoť konrad Adenauer SLlfLunaţ 2006ţ p 346)Ŧ
3
CC88LlAţ ServuloŦ C D|re|to de Man|festacãoť âmb|to de protecão e restr|cõesŦ Llsboať Almedlnaţ 2006ţ pŦ 79/80Ŧ
22

proLesLo queţ por naLurezaţ pre[udlca o lnLeresse de Lercelros ou da próprla admlnlsLracão
publlcaţ e prudenLe que não possa ser exercldo de forma lllmlLadaţ [á que Lal aLlLude
Lransformarla o exerclclo lealLlmo do dlrelLo em um abuso que não pode ser LoleradoŦ Þor
lssoţ um melo Lermoţ denLro da ldela de concordâncla práLlcaţ deve ser buscadoť permlLeŴse o
proLesLo desde que por um prazo razoável Ŷ nem mulLo curLoţ a ponLo de Lornar lnslanlflcanLe
a manlfesLacão da ldelaţ nem mulLo lonaoţ a ponLo de pre[udlcar demasladamenLe o dlrelLo
de LercelrosŦ

2Ŧ3Ŧ3 Caso Loveporode (2001) Ŵ Iesta kove na A|emanha Ŷ ke|evânc|a Þúb||ca da
keun|ão


lmaaem da lovelotoJe em 8erlln
6


C lovepotoJe e um fesLlval de muslca tecoo ao ar llvreŦ lol concebldo orlalnarlamenLe
como manlfesLacão pollLlca pela paz aLraves da muslcaŦ na sua prlmelra edlcãoţ em 1989ţ
Llnha apenas 130 parLlclpanLesŦ uez anos depolsţ passou a ser frequenLado por mals de um
mllhão de pessoasŦ L conslderado como a malor fesLa tove do mundoŦ
C evenLo cosLumava ocorrer numa área publlca no cenLro de 8erllmŦ Lm 2001ţ por
conLa dos LransLornos causados pela mulLldãoţ as auLorldades berllnenses (admlnlsLraLlva e
pollclal) lndeferlram o pedldo de auLorlzacão para reallzacão do evenLo formulado pelos
oraanlzadores do lovepotoJe eţ em consequônclaţ prolblram a sua reallzacão em 8erllmŦ C
araumenLo uLlllzado pelas auLorldades publlcas fol o de que Lal aLo lndeferlLórlo não
consLlLulrla uma vlolacão do dlrelLo consLlLuclonal de llberdade de reunlão porque o
lovepotoJe não se quallflcarla como uma reunlão publlca lnserlda no âmblLo de proLecão da
norma consLlLuclonalŦ Þara as auLorldadesţ não se poderla falar em reunlãoţ [á que o

6
lonLeť hLLpť//neosaplensŦneL/lmaaes/bank/LoveÞarade8erlln1Ŧ[pa
2

lovepotoJe havla se Lransformado em um mero evenLo comerclal sem qualquer ob[eLlvo de
expressar oplnlões ou ldelasŦ
Cs oraanlzadores do lovepotoJe quesLlonaram os aLos admlnlsLraLlvos [udlclalmenLeŦ
não obLlveram sucesso nas lnsLânclas ordlnárlasţ pols a [urlsdlcão admlnlsLraLlva conclulu
praLlcamenLe a mesma colsaţ ou se[aţ que o lovepotoJe não esLarla proLealdo pela llberdade
de reunlãoţ por lhe falLar o elemenLo ldeolóalcoŦ Þara o Obetvetwoltooosoetlcbt (Supremo
1rlbunal AdmlnlsLraLlvo 8ealonal)ţ a proLecão consLlLuclonal deverla esLar relaclonada à
expressão de uma oplnlão e não poderla ser alcancada pela mera danca e muslca e nada malsŦ
Serla necessárlo qualquer ouLro elemenLo adlclonal que levasse à consLrucão de ldelasŦ
lnconformados com a declsão das lnsLânclas ordlnárlasţ os oraanlzadores do
lovepotoJe recorreram ao 1rlbunal ConsLlLuclonal lederal alemão aleaando que o concelLo de
reunlão esLabelecldo pelos Lrlbunals admlnlsLraLlvos era mulLo resLrlLoţ [á que qualquer unlão
de pessoas baseadas em uma vonLade ou crenca parLllhadas merecerla ser conslderada como
reunlão para flns da proLecão consLlLuclonalŦ Lm suas palavrasţ as manlfesLacões pollLlcasţ
com ob[eLlvo de expressar uma oplnlãoţ serlam lmporLanLesţ mas de nenhuma forma
excluslvas para caracLerlzarem a lncldôncla da norma consLlLuclonal que aaranLe llberdade de
reunlãoŦ
C 1rlbunal ConsLlLuclonal alemão manLeve a declsão das lnsLânclas lnferloresţ neaando
auLorlzacão para a reallzacão do lovepotoJeŦ 8aslcamenLeţ flcou decldldo que (a) serla
preclso uma lnvesLlaacão fáLlca mals aprlmorada para conhecer as caracLerlsLlcas e ob[eLlvos
do evenLoţ o que serla lnvlável no âmblLo da reclamacão consLlLuclonalŤ (b) os oraanlzadores
do evenLo não demonsLraram o erro das conclusões fáLlcas e [urldlcas adoLadas pelos
Lrlbunals lnferloresŤ (c) a llberdade de reunlãoţ alnda que se[a um dos dlrelLos fundamenLals
mals lmporLanLes para a democraclaţ [á que exerce uma funcão subsLanclal na formacão da
oplnlão publlcaţ não proLeae uma mera aaluLlnacão de pessoas unldas por ob[eLlvos
parLllhados como a danca e a muslcaţ sendo lndlspensável um propóslLo de manlfesLar uma
oplnlãoţ o que não flcou demonsLrado no caso do lovepotoJeŦ
uepols da resposLa do 1rlbunal ConsLlLuclonal alemãoţ os oraanlzadores do evenLo
Llveram que mudar a daLa e o local prevlamenLe esLabelecldosţ o que aerou lnumeros
pre[ulzos flnancelrosţ pols perderam alauns paLroclnadores e várlos parLlclpanLes deslsLlram
de comparecerŦ LsLlmaŴse que o pre[ulzo fol de mals de 2ţ3 mllhões de marcos alemãesŦ
Cs oraanlzadores da lovepotoJe alnda presslonam as auLorldades para LenLar
caracLerlzar a manlfesLacão como um evenLo pollLlco proLealdo pela llberdade de reunlãoţ [á
que seu propóslLo serlaţ enLre ouLrosţ defender a paz mundlal aLraves da muslcaŦ As
auLorldades localsţ conLudoţ não cosLumam ser mulLo senslvels a esse araumenLoţ
respaldadas pela declsão do 1ClŦ Lm 2004 e 2003ţ por exemploţ o evenLo não pôde ocorrer na
24

Alemanhaţ por falLa de auLorlzacãoŦ C Loveparade 2009ţ que serla reallzado em 8ochumţ
Lambem fol canceladoŦ
L posslvel aponLar alaumas crlLlcas à declsão do 1rlbunal ConsLlLuclonal alemãoŦ Lm
prlmelro luaarţ o lovepotoJeţ aparenLemenLeţ Lem slm um lnLulLo de dlvulaar uma ldela Ŵ se[a
a pazţ se[a o amorţ se[a a muslca tecoo Ŵţ alnda que a forma de expressão não se amolde ao
ºmolostteomºţ ou se[aţ ao aosLo culLural da malorla da populacãoŦ Lm seaundo luaarţ mesmo
que não Llvesse qualquer lnLulLo ldeolóalco por deLrás do lovepotoJeţ penso que a llberdade
de reunlão não proLeae apenas as reunlões ldeolóalcasţ mas qualquer Llpo de reunlãoţ desde
que ha[a lnLeresses comuns comparLllhadosţ como ouvlr e dancar uma muslca em praca
publlca
7
Ŧ ue acordo com o olJelloes oo lteeJom of leocefol Assemblvţ uma reunlão merece
ser proLealda quando dols ou mals lndlvlduos se unem em um local publlcoţ de forma
lnLenclonal e Lemporárlaţ para comparLllharem um ob[eLlvo comumŦ 8eunlão e deflnlda como
sendo ºtbe loteotloool ooJ tempototv pteseoce of o oombet of loJlvlJools lo oo opeoŴolt
pobllc ploce fot o commoo exptesslve potpose"
8
Ŧ Þor lssoţ não há necessldade de que a
llberdade de reunlão esLe[a llaada à manlfesLacão de um pensamenLoŦ Lmbora exlsLa uma
lnLlma llaacão enLre a llberdade de reunlão e a llberdade de expressãoţ cada uma dessas
llberdades pode ser exerclda de forma lndependenLeŦ
1endo em vlsLa essas conslderacãoţ em prlmelra llnhaţ as aLlvldades meramenLe
recreaLlvas Lambem merecem proLecão consLlLuclonalţ JesJe ooe oõo bojo cobtooco Je
lootessos poto petmltlt o ocesso Je pessoos o óteos pobllcosŦ As áreas publlcas perLencem a
Lodos e não podem ser fechadas para flns parLlcularesţ exceLo nos casos prevlsLos em lel
9
Ŧ
C problema e que o lovepotoJe aanhou uma dlmensão Lão desproporclonal que
ouLros valores lmporLanLes Lalvez possam Ler sldo ameacadosŦ uesse modoţ em Leseţ serla
posslvel esLabelecer alauns llmlLes admlnlsLraLlvos para proLeaer o paLrlmônlo hlsLórlcoŴ
culLuralţ ou a Lranqullldade publlcaţ ou lmpor llmlLes conLra a polulcão amblenLal e sonora e
asslm por dlanLeŦ Lnflmţ o exerclclo do dlrelLo de reunlão pode ser llmlLado denLro dos

7
no mesmo senLldoţ Servulo Correla asslnalať ºÞercebeŴse asslm que o objeto da manlfesLacão possa não Ler llaacão dlreLa
com Lemas próprlos do exerclclo da aLlvldade pollLlcaŦ Ao colocar slsLemaLlcamenLe o dlrelLo de manlfesLacão enLre os
dlrelLosţ llberdade e aaranLlas pessoalsţ a ConsLlLulcão não auLorlza uma 'desquallflcacão do prlvado' no LocanLe aos posslvels
Lemas das manlfesLacõesŦ nada lmpede que se[am oraanlzadas para expressar ponLos de vlsLa fllosóflcosţ arLlsLlcosţ rellalosos
e qualsquer ouLros que não se prendam dlreLamenLe com os flnsţ os modos e os proaramas do exerclclo do poder pollLlcoŦ L
não compeLe ao LsLado hlerarqulzar os flns das manlfesLacõesţ deslanadamenLe em funcão da malor ou menor relevâncla
pollLlca dos seus ob[eLosŦ Lssa ldela serla uma lnadmlsslvel lnaerôncla no exerclclo das llberdades lndlvlduals meramenLe
realdo pela consclôncla de cada um" (CC88LlAţ ServuloŦ C D|re|to de Man|festacãoť âmb|to de protecão e restr|cõesŦ Llsboať
Almedlnaţ 2006ţ pŦ 40)Ŧ
8
CSCL Ŷ Cfflce for uemocraLlc lnsLlLuLlons and Puman 8lahLs (CulP8)Ŧ Gu|de||nes on Ireedom of Þeacefu| Assemb|yŦ
varsóvlať CSCLŴCulP8ţ 2007ţ pŦ 1Ŧ
9
Þelas lnformacões obLldas pela lotetoetţ não flcou claro se o lovepotoJe e uma fesLa popular araLulLaŦ Se fosse uma fesLa
popular araLulLaţ cerLamenLe o esLado não poderla lmpedlr a sua reallzacãoţ sob a aleaaLlva de que não possul um conLeudo
ldeolóalcoŦ Se um arupo de amlaos resolve comemorar a vlLórla do seu Llme em praca publlcaţ há proLecão consLlLuclonalţ
alnda que lsso não promova nenhuma dlscussão de ldelasŦ A llberdade de reunlão não pode ser conLrolada ldeoloalcamenLe
(salvo excessosţ obvlamenLe) e o LsLado deve se manLerţ em rearaţ neuLro quanLo ao conLeudoŦ Craţ se o LsLado não pode
conLrolar o conLeudoţ enLão aLe o conLeudo neuLro ou vazlo Lambem merece proLecãoŦ
23

crlLerlos ob[eLlvos da proporclonalldadeţ não podendo ser afeLado pelo faLo de a muslca
Locada e os Lra[es dos parLlclpanLes ser de dlscuLlvel qualldadeŦ

2Ŧ4 5UÞkLMA CCk1L DC5 L51ADC5 UNIDC5

2Ŧ4Ŧ1 Caso ox vŦ Louisiono (1965) Ŷ Þrotesto contra 5egregacão Ŷ Confronto com a
Þo||c|a


ÞroLesLo conLra a seareaacão raclal em 8aLon 8ouae
40


nos anos 1960ţ quando o movlmenLo dos dlrelLos clvls norLeŴamerlcano esLava em seu
auae em razão das luLas pela laualdade raclalţ a cldade de 8aLon 8ouae fol palco de um
lmporLanLe caso envolvendo o dlrelLo de reunlão nos LsLados unldosť o caso cox vsŦ
loolslooo
41
Ŧ
C llder rellaloso LlLon Cox comandou uma manlfesLacão publlca que se reallzarla em
frenLe ao fórum de 8aLon 8ouae para proLesLar conLra a prlsão de alauns esLudanLes nearos
que havlam parLlclpado de um proLesLo conLra a seareaacão em um resLauranLe naquela
cldade
42
Ŧ Cerca de 2000 pessoas se dlrlalram ao fórum onde os esLudanLes presos serlam
[ulaadosţ enLoando cânLlcos Lradlclonals e esLampando falxas conLra a dlscrlmlnacão raclalŦ
A pollcla havla concordado em auLorlzar o proLesLoţ desde que os manlfesLanLes se
manLlvessem do ouLro lado da ruaţ mals lonae do fórumŦ uuranLe o proLesLoţ a pollcla aleaou
que LlLon Cox Lerla suaerldo que os manlfesLanLes fossem almocar nos resLauranLes
excluslvos para brancos que exlsLlam nas proxlmldadesŦ Sob esse preLexLoţ a pollcla resolveu
dlssolver a manlfesLacão e deLermlnou que a mulLldão dlspersasseŦ
A ordem da pollcla de acabar com o proLesLo não fol bem receblda pelos
manlfesLanLesţ o que levou a pollcla a usar aás lacrlmoaôneoţ aerando pânlco enLre os que all

40
lonLeť hLLpť//wwwŦebrŦllbŦlaŦus/1960afambovcoLL/bannerŦ[pa
41
1he Cvez Þro[ecLţ Cox vŦ Loulslana ţ 79 uŦSŦ 36 (1963) avallable aLť (hLLpť//ovezŦora/cases/1960Ŵ1969/1964/1964_24) (lasL
vlslLed Sundavţ Aprll 19ţ 2009)Ŧ
42
vale ressalLar que LlLon Cox [á era bem conhecldo das auLorldades da Loulslana e fol preso em pelo menos dez ocaslões só
em 8aLon 8ouae por llderar proLesLo conLra a seareaacão raclalŦ nesse senLldoť PuuSCn !8Ŧţ uavld LŦ 8eo £ltoo coxť clvll
tlobts leoJet to blob coott lltloootŦ ulsponlvel emť hLLpť//wwwŦflrsLamendmenLcenLerŦora/analvslsŦaspx?ldƹ18004Ŧ
26

esLavam presenLesŦ no dla seaulnLeţ LlLon Coxţ que Leve que ser hosplLallzado por conLa de
ferlmenLos sofrldos duranLe o LumulLoţ fol preso e acusado pelos crlmes de consplracão
crlmlnosaţ perLurbacão da pazţ obsLrucão de passaaens e manlfesLacão publlca dlanLe de um
LrlbunalŦ !ulaado por um Lrlbunal localţ fol lnocenLado do crlme de consplracão crlmlnosaţ mas
fol condenado pelas Lrôs ulLlmas acusacões (perLurbacão da pazţ obsLrucão de passaaens e
manlfesLacão publlca em frenLe a um Lrlbunal)Ŧ A Suprema CorLe de Loulslana conflrmou a
condenacãoţ forcando o llder rellaloso a lnaressar com um pedldo de cettlototl peranLe a
Suprema CorLe dos LsLados unldosţ aleaando vlolacão ao dlrelLo de expressão e de reunlãoŦ
A declsão da Suprema CorLe fol no senLldo de anular Lodas as condenacões lmposLas a
LlLon Cox
4
Ŧ A Suprema CorLe enLendeu queţ aLe a lnLervencão da pollclaţ a manlfesLacão
Lranscorrla paclflcamenLeţ ou se[aţ nenhum aLo especlflco dos manlfesLanLes excedeu às
expecLaLlvas do que se esperava de uma reunlão paclflcaŦ Aplaudlrţ baLer palmas e canLar não
poderlam ser conslderados por sl mesmo formas de vlolacão da pazŦ uesse modoţ os
manlfesLanLes não poderlam ser responsablllzados pela vlolôncla que resulLou de uma reacão
à acão pollclalŦ Com relacão ao faLo de Cox haver suaerldo que os manlfesLanLes almocassem
em resLauranLes seareaadosţ Lambem lsso não serla moLlvo para lnferlr o lnLulLo de vlolôncla
ou de vlolacão da pazŦ
llcou reconhecldo que os dlrelLos consLlLuclonals de llberdade de expressão e de
reunlão não podem ser neaados por causa da hosLllldade de seu conLeudo ldeolóalcoŦ MulLas
vezesţ a aalLacão e a unlca forma de conseaulr chamar a aLencão para um ponLo de vlsLa
lmpopular ou mlnorlLárloŦ Condenar as pessoas nessas slLuacões ºwoolJ ollow petsoos to be
poolsbeJ metelv fot peocefollv exptessloo oopopolot vlews"ţ conforme aponLou o [ulz ArLhur
Coldbera no voLo vencedorŦ

2Ŧ4Ŧ2 Caso -otiono/ 5ocio/ist Porty of 4merico vŦ vi//ooe of 5kokie (1977) Ŷ Þrotesto
Naz|sta em 8a|rro Iudeu Ŷ Dever de Þrotecão e Idó|as Impopu|ares


4
Com relacão ao crlme de perLurbar a pazţ a declsão fol por um placar de 9Ŵ0Ť com relacão ao crlme de obsLrucão de
passaaemţ fol de 7Ŵ2Ť com relacão ao crlme de proLesLo dlanLe de um Lrlbunalţ fol de 3Ŵ4Ŧ As declsões foram redlaldas pelo
!usLlce ArLhur ColdberaŦ
27


ManlfesLacão do ÞarLldo nazlsLa norLeŴAmerlcano em Chlcaaoţ em 1977
44


uuranLe a decada de 1970ţ lrank Collln fol um dos mals proemlnenLes membros do
ÞarLldo nazlsLa Amerlcano (Notloool 5oclollst lottv of Ametlco)ţ que reunla um pequeno
arupo de slmpaLlzanLes de PlLlerţ defendendo a supremacla branca e o ódlo conLra [udeusţ
nearos e homossexualsŦ 1raLavaŴse de um parLldo obscuro e sem qualquer expressão pollLlca
no cenárlo naclonal dos LuAŦ Allásţ alnda ho[e o ÞarLldo nazlsLa Amerlcano não possul arande
relevâncla pollLlcaţ mas Lalvez não se[a mals Lão obscuro asslm aracas a lrank Colllnţ que fol o
proLaaonlsLa prlnclpal desse caso que será anallsado
43
Ŧ
Collln flcou famoso por haver llderado uma das mals polômlcas baLalhas [urldlcas
envolvendo o dlrelLo de reunlão nos LsLados unldosŦ C celebre caso Notloool 5oclollst lottv of
Ametlco vŦ vlllooe of 5kokle
46
fol decldo pela Suprema CorLe em 1977 e pode asslm ser
slnLeLlzadoť
C ÞarLldo nazlsLa Amerlcano oraanlzou uma manlfesLacão publlca a ser reallzada nas
ruas da comunldade de Skokleţ llllnolsţ onde os neonazlsLas marcharlam com unlformes
mlllLaresţ esLampando suásLlcas e com carLazes de eloalos a PlLler e de ódlo aos [udeus e aos
nearosŦ Skokle fol escolhlda pelos neonazlsLas por ser a mals populosa comunldade [udalca
dos LsLados unldos e por lá vlverem várlos sobrevlvenLes do holocausLoŦ
LoalcamenLeţ o anunclo daquela manlfesLacão nazlsLa aerou reacões eneralcas por
parLe dos hablLanLes de SkokleŦ As auLorldades locals não concederam a necessárla
auLorlzacão para que a marcha nazlsLa se reallzasse pelas ruas daquela cldadeţ araumenLando
que a ConsLlLulcão norLeŴamerlcana não proLeala aqueles que preLendem desLrulr a
democraclaŦ

44
hLLpť//[udlclalŴlncŦblz/ffraan6Ŧ[pa
43
C curloso e queţ nos anos 80ţ fol descoberLo que lrank Colllnţ na verdadeţ era [udeu e por lsso fol expulso do parLldo
nazlsLaŦ Loao depolsţ Collln fol preso por praLlcar aLos de pedoflllaţ o que reforca a comprovacão do seu desequlllbrlo menLalŦ
46
1he Cvez Þro[ecLţ naLlonal SoclallsL ÞarLv vŦ Skokle ţ 42 uŦSŦ 4 (1977) avallable aLť (hLLpť//ovezŦora/cases/1970Ŵ
1979/1976/1976_76_1786) (lasL vlslLed Sundavţ Aprll 19ţ 2009)Ŧ
28

C ÞarLldo nazlsLa quesLlonou [udlclalmenLe aquela declsão admlnlsLraLlvaţ mas não
obLeve ôxlLo nas lnsLânclas ordlnárlasŦ A CorLe de llllnolsţ por exemploţ prolblu os neonazlsLas
de marcharemţ camlnharem ou se reunlrem com unlformes do ÞarLldo Soclal naclonallsLa da
AmerlcaŤ de exlblrem suásLlcasŤ de dlsLrlbulrem panfleLos ou qualquer maLerlal que lnclLe ou
promova o ódlo conLra ouLras pessoasŦ
uma das prlnclpals enLldades de defesa dos dlrelLos clvls dos LsLados unldos Ŷ a
ºAmerlcan Clvll LlberLles unlon" (ACLu) Ŷ apolou a causa dos nazlsLasţ por enLender que a
llberdade de reunlão proLeala a Lodosţ lncluslve aqueles que manlfesLavam ldelas que
desaaradavam a populacão
47
Ŧ
Com o apolo da ACLuţ o caso cheaou aLe a Suprema CorLe queţ por 3Ŵ4ţ decldlu em
favor do ÞarLldo nazlsLaţ reverLendo a declsão da CorLe de llllnolsŦ 8aslcamenLeţ enLendeuŴse
que houve vlolacão da llberdade de expressão e de reunlão (prlmelra emenda)Ŧ Þara a
Suprema CorLeţ aLe mesmo dlscursos Lão abomlnávels quanLo a defesa do nazlsmo ou a
defesa da supremacla branca esLarlam abranaldos pela proLecão ampla conferlda pela
prlmelra emenda à ConsLlLulcão norLeŴamerlcanaŦ
uepols da declsão [udlclalţ a comunldade [udalca norLeŴamerlcana se moblllzou para
LenLar lmpedlr a reallzacão da marcha por melo da forcaŦ ulvulaouŴse que mllhares de [udeus
se dlrlalrlam a Skokle para confronLar aberLamenLe os nazlsLasţ usandoţ se necessárloţ
vlolôncla flslca para lmpedlŴlos de se reunlremŦ As auLorldades de Skokle aflrmaram que nada
farlam para proLeaer os nazlsLasŦ
Lm razão da noLórla posslbllldade de confronLo flslcoţ as auLorldades naclonals
conseaulram persuadlr os nazlsLas de deslsLlrem de marchar pelas ruas de Skokle e
ofereceram proLecão para que suas manlfesLacões pudessem ocorrer em ouLros locals aos
arredores de ChlcaaoŦ A marcha em Skokle não se reallzouţ apesar da declsão da Suprema
CorLeŦ
L dlflcll compreender esse caso sem compreender a lmporLâncla que os norLeŴ
amerlcanos dão à llberdade de expressãoŦ A llberdade de expressão e o dlrelLo fundamenLal
por excelôncla da democracla norLeŴamerlcanaŦ C faLo de esLar prevlsLa na Þrlmelra Lmenda
[á slmbollza o caráLer prlorlLárlo com que esse dlrelLo e LraLadoŦ
São poucos os palses do mundo que acelLam que a defesa do nazlsmo esLá proLealda
pela llberdade de expressão
48
Ŧ nesse ponLoţ os LuA são a excecãoŦ L fol lsso que moLlvou a

47
CurlosamenLeţ a ACLu era llderada por uavld Coldeberaerţ que era um advoaado [udeuŦ
48
A llmlLacão da llberdade de expressão nos casos de dlscurso de ódlo e [usLlflcada com base na ldela de que se não for
combaLlda a manlfesLacão do pensamenLo de ódloţ o LsLado esLará conLrlbulndoţ com sua lnerclaţ para a dlssemlnacão do
preconcelLo conLra mlnorlas esLlamaLlzadas eţ com lssoţ esLará crlando um amblenLe de hosLllldade enLre os dlversos arupos
que compõem a socledadeţ o que cerLamenLe não e dese[ávelŦ no caso do 8rasllţ a ConsLlLulcão obrlaa o esLado a combaLer o
preconcelLo e a dlscrlmlnacãoţ lncluslve por melo da crlmlnallzacão do dlscurso de ódloŦ C Supremo 1rlbunal lederalţ ao
[ulaar o Caso Lllwanaerţ [á decldlu que a lnclLacão ao ódlo raclal e lncompaLlvel com o combaLe ao preconcelLo lmposLo pela
ConsLlLulcãoţ de forma que não há proLecão consLlLuclonal para Lal comporLamenLoŦ Lls um Lrecho elucldaLlvo da emenLať ºC
29

declsão da Suprema CorLeŦ Lá vlaora o prlnclplo de que lJélo se combote com lJéloţ conforme
sempre defendla o jostlce Louls 8randelsŦ Loaoţ denLro dessa lóalcaţ se os nazlsLas qulserem
defender suas ldelasţ o esLado não pode lnLervlrŦ Pá nessa concepcão uma forLe lnfluôncla das
ldelas de SLuarL Mlllţ que defendla um ºmercado de ldelas" LoLalmenLe llvre da lnLerferôncla
esLaLalŦ Mlll defendla que lmpedlr a dlvulaacão de deLermlnados ponLos de vlsLa e um arande
erroţ por dols moLlvos báslcosť (a) se o ponLo de vlsLa for verdadelroţ a socledade não Lerla
como sabôŴlo sem Ler a oporLunldade de conhecôŴlo e dlscuLlŴloŤ (b) se for falsoţ as ldelas
verdadelras serão forLalecldas com a sua dlscussãoŦ ÞorLanLoţ o debaLe de ldelas e sempre
beneflco para a socledade
49
Ŧ uenLro desse conLexLoţ a solucão dada pela Suprema CorLe e aLe
compreenslvelŦ
Mas há ouLro componenLe a ser levado em conLa nesse caso
30
Ŧ L que os nazlsLas não
esLavam apenas ºexerclLando" a llberdade de expressãoţ mas Lambem a llberdade de reunlãoŦ
L um dos requlslLos para o exerclclo da llberdade de reunlão e o caráLer paclflcoŦ
ÞodeŴse aleaar que os nazlsLas não querlam aaredlr nlnauem flslcamenLeŦ Mas a
aaressão moral era lneaável naquele caso especlflcoŦ Lscolher um balrro de sobrevlvenLes do
holocausLo para marchar com fardas e suásLlcas nazlsLas e um claro abuso do dlrelLo de se
manlfesLar publlcamenLeŦ CerLamenLeţ essa aaressão moral era um esLlmulo para uma reacão
flslca por parLe dos [udeusţ o que cerLamenLe reLlra ou pelo menos põe em duvlda o caráLer
paclflco da passeaLa nazlsLaŦ uma passeaLa de ódlo nunca pode ser conslderada como paclflca
quando reallzada denLro da comunldade vlLlma do dlscurso de ódloŦ Þor lssoţ podeŴse dlzer
que a declsão da Suprema CorLe não fol acerLada sob esse aspecLoţ embora Lenha sldo
basLanLe coerenLe em relacão aos seus precedenLesţ lncluslve ao caso Cox vsŦ Loulslana (1963)
anLes clLadoŦ
A Suprema CorLe re[elLou o araumenLo da vlolôncla verbal ou pslcolóalca seaulndo
uma Lradlcão de respelLo lncondlclonal à llberdade de expressãoŦ Þara elesţ ºfeot of setloos
lojotv coooot olooe jostlfv sopptessloo of ftee speecb ooJ ossemblvŦ Meo feoteJ wltcbes ooJ
botot womeoŦ lt ls tbe fooctloo of speecb to ftee meo ftom tbe booJooe of lttotloool feots"
31
Ŧ
C prlnclplo que lnsplra essa ldela e que o caráLer paclflco da reunlão deve ser presumldoŦ Þara
afasLar essa presuncãoţ e preclso apresenLar araumenLos convlncenLes que demonsLrem que

precelLo fundamenLal de llberdade de expressão não consaara o 'dlrelLo à lnclLacão ao raclsmo'ţ dado que um dlrelLo
lndlvldual não pode consLlLulrŴse em salvaauarda de conduLas lllclLasţ como sucede com os dellLos conLra a honraŦ Þrevalôncla
dos prlnclplos da dlanldade da pessoa humana e da laualdade [urldlca" (S1lţ PC 82424/8Sţ relŦ MlnŦ Maurlclo Correaţ [Ŧ
17/9/200)Ŧ
49
MlLLţ SLuarLŦ Lnsa|o sobre a L|berdade (Cn L|bertyţ 1869)Ŧ São Þaul oť LdlLora Scalaţ 2006Ŧ
30
Þerceba que as lnsLânclas ordlnárlas e quaLro [ulzes da Suprema CorLe concordam que não havla proLecão consLlLuclonal no
referldo casoŦ
31
voLo vencldo do !usLlce Louls 8randels no caso ƍwbltoev vŦ collfotoloƍţ 274 uŦSŦ 37ţ 73Ŵ78 (1927)Ŧ 1raducão llvreť ºo
mero recelo de lesão arave por sl só não pode [usLlflcar a supressão da llberdade de expressão e de reunlãoŦ C Lemor dos
homens às bruxas levou várlas mulheres à foauelraŦ A funcão da llberdade de expressão e llberLar os homens da escravldão
do medo lrraclonal"Ŧ
0

os oraanlzadores lrão usarţ advoaar ou lnclLar a práLlca de vlolôncla flslca lmlnenLeť a mera
aaressão verbalţ denLro desse conLexLoţ não e moLlvo para lmpedlr a manlfesLacão de um
pensamenLoŦ
lellzmenLeţ no flnal desLe dramáLlco eplsódloţ que folţ lncluslveţ ob[eLo de um fllme
chamado ºSkokle" (1981)ţ prevaleceu o bom senso e os próprlos nazlsLas perceberam que
serla um arande rlsco reallzar aquela marchaŦ uesse modoţ a marcha de Skokle nunca fol
reallzadaţ mas os nazlsLas flzeram passeaLas em ouLras localldades de Chlcaaoţ lncluslve com a
proLecão da pollclaţ [á que o publlco de um modo aeral era basLanLe hosLllţ com mulLa razãoţ
àquele arupo de lndlvlduos que defendla a ldeoloala de PlLlerŦ

2Ŧ5 8kA5IL

2Ŧ5Ŧ1 Caso da Proco dos 1rês Poderes (1999ţ 5upremo 1r|buna| Iedera|) Ŷ Þrotesto no
Centro Þo||t|co do Þa|s Ŷ kestr|cão Inconst|tuc|ona|


ManlfesLacão na Þraca dos 1rôs Þoderesţ em 8rasllla
32


Lm 1999ţ o Coverno do ulsLrlLo lederalţ no 8rasllţ edlLou um decreLo que prolbla a
reallzacão de manlfesLacões publlcas nas Þracas dos 1rôs Þoderesţ na Lsplanada dos
MlnlsLerlos e na Þraca do 8urlLlţ em 8raslllaŦ C ob[eLlvo da norma era lmpedlr a reallzacão de
proLesLos no cenLro pollLlco da caplLal brasllelraŦ Lls o seu Leorť
ºConslderando que o prlnclplo consLlLuclonal que posslblllLa a llvre reunlão não auLorlza a
lnLerferôncla da mesma no bom funclonamenLo dos óraãos publlcosţ advlndo dal a necessldade de
dlsclpllnar o uso e manLer a seauranca em áreas e predlos publlcos no ulsLrlLo lederalŤ
uecreLať

32
lonLeť hLLpť//a1ŦaloboŦcom/noLlclas/8rasll/foLo/0ţţ14488076ţ00Ŧ[pa
1

ArLŦ 1°Ŧ llca vedada a reallzacão de qualquer manlfesLacão publlcaţ exceLo as de caráLer
clvlcoŴmlllLarţ rellaloso e culLuralţ nos locals a seaulr descrlLosť l Ŷ Þraca dos 1rôs ÞoderesŤ ll Ŷ
Lsplanada dos MlnlsLerlosŤ lll Ŷ Þraca do 8urlLl" (uecreLo 20Ŧ007ţ de 14 de [anelro de 1999)
3
Ŧ
Lsse uecreLo se chocava fronLalmenLe com o dlrelLo fundamenLal à llberdade de
reunlão e de manlfesLacão publlcaţ prevlsLo no arLŦ arLŦ 3°ţ lncŦ xvlţ da Cl/88
34
Ŧ
Lm razão dlssoţ o Supremo 1rlbunal lederalţ [ulaando uma Acão ulreLa de
lnconsLlLuclonalldade declarou a lnconsLlLuclonalldade do referldo uecreLoţ auLorlzandoţ
como consequônclaţ a reallzacão de manlfesLacões publlcas nos menclonados localsŦ
vale conferlr a emenLať
ºLMLn1Ať AÇÄC ul8L1A uL lnCCnS1l1uClCnALluAuLŦ uLC8L1C 20Ŧ098/99ţ uC ulS18l1C
lLuL8ALŦ Ll8L8uAuL uL 8LunlÄC L uL MAnllLS1AÇÄC Þú8LlCAŦ LlMl1AÇ0LSŦ ClLnSA AC A81Ŧ
3°ţ xvlţ uA CCnS1l1ulÇÄC lLuL8ALŦ lŦ A llberdade de reunlão e de assoclacão para flns llclLos
consLlLul uma das mals lmporLanLes conqulsLas da clvlllzacãoţ enquanLo fundamenLo das modernas
democraclas pollLlcasŦ llŦ A resLrlcão ao dlrelLo de reunlão esLabeleclda pelo uecreLo dlsLrlLal
20Ŧ098/99ţ a Loda evldônclaţ mosLraŴse lnadequadaţ desnecessárla e desproporclonal quando
confronLada com a vonLade da ConsLlLulcão (Wllle zur verfassuna)Ŧ lllŦ Acão dlreLa [ulaada
procedenLe para declarar a lnconsLlLuclonalldade do uecreLo dlsLrlLal 20Ŧ098/99"
33
Ŧ
A declsão proferlda pelo Supremo 1rlbunal lederal esLá aflnada com o esplrlLo
democráLlcoŦ não se pode Lolerar Lão arave resLrlcão à llberdade de reunlãoţ especlalmenLe
quando o local em que fol prolblda a sua reallzacão e o cenLro pollLlco do palsŦ Þor ouLro ladoţ
o caso Lambem demonsLra como os aovernanLes brasllelros alnda se acham ºdonos" do
espaco publlcoţ como se fosse posslvel lmpedlr manlfesLacões ao aosLo das convenlônclas
admlnlsLraLlvasŦ A declsão represenLaţ Lalvezţ um pequeno passo para a Leorla do dlrelLoţ mas
eţ sem duvldaţ um arande passo para a democracla e para a consolldacão de um verdadelro
LsLado uemocráLlco e ConsLlLuclonal de ulrelLoŦ

2Ŧ5Ŧ2 Caso da ,orcho do ,oconho (8ras||ţ 2008) Ŷ Dec|sões da Iust|ca Lstadua| de
Þr|me|ra Instânc|a Ŷ Þrotesto pe|a Lega||zacão do Consumo (Apo|og|a ao Cr|me ou L|berdade
de Man|festacão?)


3
C referldo decreLo fol modlflcado pelo uecreLo dlsLrlLal 20Ŧ098/99ţ que fez alaumas alLeracões ponLalsţ passando a prolblr
apenas as manlfesLacões publlcas nos locals menclonados com o uso de carros de som ou assemelhadosŦ
34
ºArLŦ 3°Ŧ (ŦŦŦ) kVI Ŵ Lodos podem reunlrŴse paclflcamenLeţ sem armasţ em locals aberLos ao publlcoţ lndependenLemenLe de
auLorlzacãoţ desde que não frusLrem ouLra reunlão anLerlormenLe convocada para o mesmo localţ sendo apenas exlaldo
prevlo avlso à auLorldade compeLenLe"Ŧ
33
S1lţ AulnŴMC 1969Ŵ4ţ relŦ MlnŦ Celso de Melloţ [Ŧ 24//1999Ŧ
2


ManlfesLanLe sendo presoţ no 8lo de !anelroţ duranLe uma das ºmarchas da maconha"
prolbldas
36


Lm 2008ţ o Þoder !udlclárlo brasllelro fol palco de lnumeras conLroverslas envolvendo
o dlrelLo à reunlãoŦ uma oraanlzacão nãoŴaovernamenLal que defende a leaallzacão da
maconha (coooobls sotlvoe) preLendla reallzar uma serle de passeaLas por Lodo o pals no
lnLulLo de defender seu ponLo de vlsLa
37
Ŧ A referlda marcha e reallzadaţ desde 2003ţ em mals
de 200 cldades de 19 palsesţ sendo 1 no 8rasllŦ
Ccorre que alauns [ulzes brasllelros enLenderam que a marcha da maconha deverla ser
prolbldaţ aleaando que esLarla havendoţ por parLe dos oraanlzadoresţ uma apoloala ao uso da
droaaţ o que serla crlme de acordo com as lels brasllelrasŦ A manlfesLacão ocorreu em
alaumas localldadesţ mas fol prolblda em nove cldades
38
ţ com o aval do !udlclárloţ que
concedeu llmlnares pelo 8rasll afora lmpedlndo a reallzacão da marchaţ em processos [udlclals
lnlclados pelo mlnlsLerlo publlcoŦ nas cldades em que não houve prolblcãoţ a marcha
Lranscorreu normalmenLeţ sem qualquer lncldenLe dlano de noLaŦ Þor ouLro ladoţ nas cldades
em que a marcha fol prolbldaţ houve confronLo com a pollcla e alauns manlfesLanLes foram
presos ºpara averlauacão"Ŧ Lm cerLo senLldoţ a prolblcão da marcha Leve um efelLo poslLlvo
para os manlfesLanLesţ pols o faLo fol amplamenLe dlvulaado pela mldlaŦ Com lssoţ os
oraanlzadores do evenLo cerLamenLe aLlnalram seu ob[eLlvo que fol chamar a aLencão da
socledadeŦ
ue qualquer modoţ o evenLo demonsLrou como alaumas lnsLlLulcões brasllelras Ŷ em
parLlcularţ alauns membros do !udlclárloţ do MlnlsLerlo Þubllco e da Þollcla Ŷ não esLão
LoLalmenLe preparadas para compreender o senLldo de uma vlda democráLlca allcercada em
um llvre mercado de ldelasŦ Þelas lnformacões colhldas pela lnLerneLţ em parLlcular pelo
porLal eleLrônlco oflclal do evenLoţ serla mulLo fácll perceber que os oraanlzadores não
esLavam fazendo apoloala ao uso de droaasţ mas defendendo uma ldelaŦ Pavla um avlso em

36
lonLeť hLLpť//lmaaesŦlaŦcomŦbr/publlcador/ulLlmoseaundo/arqulvos/pmaconhaaeŦ[pa
37
C porLal de lnformacões eleLrônlcas da oraanlzacão eť hLLpť//wwwŦmarchadamaconhaŦora/
38
Culabáţ CurlLlbaţ 8raslllaţ 8elo PorlzonLeţ lorLalezaţ !oão Þessoaţ 8lo de !anelroţ Salvador e São ÞauloŦ


desLaque prolblndo o uso de maconha duranLe a marcha e em várlas noLas oflclals o arupo
lnformava que não esLava defendendo o uso da droaaţ mas a sua leaallzacãoţ o que e basLanLe
dlferenLeŦ Mesmo que não se concorde com o merlLo da proposLaţ não se pode lmpedlr que a
ldela se[a debaLlda pela socledadeŦ lsso e democraclaŦ
Alem dlssoţ evenLuals lllclLos praLlcados pelos parLlclpanLes do evenLo (consumo de
droaasţ por exemplo) deverla ser punldo ponLualmenLeţ sem conLamlnar a aloballdade da
fesLaŦ Como defendem dols conhecldos [urlsLas alemãesť ºse os vlolocões jotlJlcos oõo fotem
opoloJos pelo otopo oo soo olobollJoJeţ mos se opeoos pottltem Je porticu/ores oo selo Je
omo teoolõo oetol poclflcoţ o cotótet poclflco Jo teoolõo oõo éţ pot esse fotoţ ptejoJlcoJo oo
seo toJo"
39
Ŧ
A CorLe ConsLlLuclonal alemãţ no [á clLado caso 8rokdorfţ Lambem asslnalouţ naquela
declsãoţ queţ quando o oraanlzador do evenLo e seus seauldores se comporLam
paclflcamenLeţ o comporLamenLo de uns poucos lndlvlduos que perLurbam a ordem não e
moLlvo suflclenLe para acabar com o dlrelLo dos demals parLlclpanLesŦ ºÞara esse casoţ na
llLeraLura [urldlca żdouLrlnaŽ exlaeŴse correLamenLe que as medldas admlnlsLraLlvas devam
dlrlalrŴse prlmelramenLe conLra os perLurbadores e queţ somenLe sob os pressuposLos
especlals do esLado emeraenclal de pollclaţ a reunlão como um Lodo possa sofrer uma
lnLervencão"
60
Ŧ
C mesmo Lrlbunal [usLlflcou essa ldela com o seaulnLe araumenLoť
ºSe o comporLamenLo não paclflco de alauns lndlvlduos Llvesse como consequôncla a
queda da proLecão do dlrelLo fundamenLal de Lodos os manlfesLanLes e não somenLe dos
lnfraLoresţ esLes Lerlam o poder de 'lnverLer o funclonamenLo' de manlfesLacões para LransformáŴ
las em lleaals 'conLra a vonLade dos ouLros manlfesLanLes'Ť enLãoţ praLlcamenLe Loda arande
manlfesLacão poderla ser prolbldaţ pols que quase sempre o 'reconheclmenLo' acerca de lnLencões
nãoŴpaclflcas de parLe dos manlfesLanLes pode ser obLldoŦ L preferlvel pensar em uma dlssolucão o
postetlotlţ que não reLlre ob loltlo dos manlfesLanLes paclflcos a chance do exerclclo do dlrelLo
fundamenLal e que delxe ao oraanlzador a palavra flnal quando ao lsolamenLo de parLlclpanLes
nãoŴpaclflcos"
61
Ŧ
A CorLe Luropela de ulrelLos Pumanos Lambem cheaou à mesma conclusão no caso
£zello vŦ ltooce (1991)ť ºoo loJlvlJool Joes oot ceose to eojov tbe tlobt to peocefol ossemblv
os o tesolt of spotoJlc vloleoce ot otbet poolsboble octs commltteJ bv otbets lo tbe cootse of
tbe Jemoosttotlooţ lf tbe loJlvlJool lo ooestloo temolos peocefol lo bls ot bet owo loteotloos
ot bebovloot"
62
Ŧ

39
ÞlL8C1Pţ 8odo Ǝ SCPLlnkţ 8ernardŦ D|re|tos Iundamenta|sť D|re|to do Lstado II (6rundrechteţ 5tootsrecht llţ 1985)Ŧ
ÞorLoť unlversldade do ÞorLoţ 2009ţ pŦ 229
60
SCPWA8ţ !uraenŦ C|nqüenta anos de Iur|sprudônc|a do 1r|buna| Const|tuc|ona| A|emãoŦ Crať Leonardo MarLlns
MonLevldeoť konrad Adenauer SLlfLunaţ 2006ţ pŦ 341/342Ŧ
61
SCPWA8ţ !uraenŦ C|nqüenta anos de Iur|sprudônc|a do 1r|buna| Const|tuc|ona| A|emãoŦ Crať Leonardo MarLlns
MonLevldeoť konrad Adenauer SLlfLunaţ 2006ţ p 342Ŧ
62
1raducão llvreť ºum lndlvlduo não delxa de aozar do dlrelLo de reunlão paclflca em vlrLude da vlolôncla esporádlca ou de
ouLros dellLos comeLldos por ouLras pessoas no decurso da manlfesLacãoţ se o lndlvlduo em quesLão Lem lnLencões e acões
paclflcas"Ŧ
4

uesse modoţ aLenLo a essas conslderacõesţ parece lnquesLlonável que os
oraanlzadores do evenLo ºMarcha da Maconha" possuem Lodo o dlrelLo de defender a
leaallzacão da coooobls sotlvoe em espacos publlcos ou aberLos ao publlcoţ sendo lealLlma as
passeaLas que oraanlzam em várlas cldades brasllelrasţ não cabendo qualquer lnLervencão
esLaLal para prolblr em absLraLo e o ptlotl essas manlfesLacõesŦ Cualquer excesso ou abuso
que evenLualmenLe possa ocorrer duranLe os evenLos deve ser punldo ponLualmenLeţ caso
efeLlvamenLe flque demonsLrada a práLlca de alauma lllclLude por alaum lndlvlduo especlflcoŦ
Mas a prolblcão aeralţ absLraLa e prevla da manlfesLacão e uma clara afronLa à democracla e
ao dlrelLo de llberdade de reunlãoŦ

3


3 CCNCLU5ÔL5

A Áaora Ŷ slmbolo malor da democracla areaa Ŷ era a praca em que os cldadãos
aLenlenses se reunlam para dellberarem sobre os assunLos da póllsŦ A llberdade dos anLlaosţ
para usar a conheclda expressão de 8en[amln ConsLanLţ era [usLamenLe a llberdade de
ºdellberar em praca publlca" sobre os mals dlversos assunLosť a auerra e a pazţ os LraLados
com os esLranaelrosţ voLar as lelsţ pronunclar as senLencasţ examlnar as conLasţ os aLosţ as
aesLões dos maalsLrados e Ludo o mals que lnLeressava ao povo
6
Ŧ A democracla nasceuţ
porLanLoţ denLro de uma pracaŦ
A praca Lambem pode ser conslderada como um lcone da llberdade dos modernos de
que falava ConsLanLŦ lol na lloce Je lo 8ostllleţ em Þarlsţ que se reallzou pela prlmelra vezţ em
14 de [ulho de 1790ţ a lête Je lo léJétotloo (ºA lesLa da lederacão")ţ para comemorar a
8evolucão lrancesa que Llnha se lnlclado um ano anLes naquele mesmo localţ com a famosa
queda da prlsão da 8asLllhaţ que slmbollza o comeco da modernldadeŦ
no 8rasllţ o MovlmenLo ultetos Ióţ que acelerou o flm da dlLadura mlllLarţ Leve como
palco prlnclpal as pracas das arandes cldades brasllelrasť a Þraca da Se e a Þraca Charles
Mullerţ em São ÞauloŤ Þraca Clnelândla e Þraca da Candelárlaţ no 8lo de !anelroŤ Þraca 8lo
8rancoţ em 8elo PorlzonLeŤ Þraca do 8andelranLeţ em ColânlaŤ Þraca CenLll lerrelraţ em
naLalŤ Þraca xv de novembroţ em llorlanópollsţ enLre várlas ouLrasŦ
MulLas pracas foram LerrlLórlo de baLalhas sanarenLas pela llberdade no mundo LodoŦ
Lm Þequlmţ na Chlnaţ a Þraca da Þaz CelesLlal (1loo´oomeo) presenclou um dos arandes
aLenLados conLra a llberdade da hlsLórla conLemporâneať o Massacre de 4 de !unho de 1989ţ
onde mllhares de esLudanLes chlnesesţ que proLesLavam paclflcamenLe conLra a repressão e a
corrupcão do aoverno comunlsLa chlnôsţ foram morLos pelo exerclLo sem qualquer respelLo
aos mals báslcos dlrelLos humanosŦ
Mas a praca não e somenLe o luaar de dlscussões pollLlcasŦ na pracaţ crlamŴse vlnculos
pessoals das mals varladas especlesť afeLlvosţ econômlcosţ pollLlcosţ culLuralsţ ludlcosŦ A praca
e o luaar onde se seote o pteoolco oo cotpo e se bebe omo óooo Je cocoţ como dlz a cancão
de vlnlclus de Morals
64
Ŧ no melo da praca a menlnada canLa a alearla da vldaţ dlrla Márlo
CulnLana
63
Ŧ A praca e o ponLo de enconLro dos amlaosţ o banco dos namoradosţ a calcada
para se andar de mãos dadasţ as proclssões rellalosasţ o preaador mals exalLadoţ os passelos
de blclcleLaţ a plsLa de corrlda do aLleLaţ o fuLebol de laLas das crlancasţ a plpoca do domlnaoţ

6
CCnS1An1ţ 8en[amlnŦ De| Lsp|r|tu de Conqu|sta (e /´esprit de conouête et de /´usurpotion dons /eurs roppots ovec /o
civi/isotion européeneţ 1814Ť e /o /iberte des onciens comporée ò ce//e des modernesţ 1819)Ŧ Madrldť LdlLoral 1ecnosţ 1988ţ
pŦ 68Ŧ
64
º1arde em lLapoã"Ŧ
63
ºlamllla uesenconLrada"Ŧ
6

a comemoracão da vlLórlaţ o [oao de dama dos ldososţ o baLeŴpapo despreLensloso do
lnLervalo do Lrabalho e o dlscurso mals serlo do operárlo em areveŦ A praca e a memórla do
povoţ a lembranca de momenLos fellzes e a saudade de um luaar qualquerŦ Mas a praca e
Lambem o banhelro dos vlraŴlaLasţ o banqueLe dos pombosţ a malemolôncla do vaaabundoţ a
persplcácla dos Lrombadlnhasţ o LerrlLórlo das aanauesţ a cama aelada dos mendlaosţ o balcão
de neaóclos da prosLlLuLaţ a passarela desequlllbrada do bôbadoţ o aanhaŴpão dos ambulanLes
e dos arLlsLas popularesŦ L a vlLrlne lnvlslvel dos excluldosţ onde aLe os ausenLes esLão
presenLesŦ L aquele slLlo ºlóalco e plebeu" para usar um verso de lernando Þessoa
66
Ŧ Cu
enLãoţ alnda com o mesmo poeLaţ e o luaar em que ºLudo o que passa e nunca passa"Ŧ L o
luaar dos cometclootesţ voJlosţ esctocs exooetoJomeote bemŴvestlJosţ membtos evlJeotes Je
clobes otlstoctótlcosţ esooóllcos flootos Joblosţ cbefes Je fomlllo vooomeote fellzesţ Jos
cocotesţ Jos botooeslobosţ Jos peJetostosť e oflool tem olmo ló Jeotto
67
! Se a praca e Ludo
lssoţ enLão a praca não perLence ao LsLadoŦ A praca! A ptoco é Jo povoţ como bem bradou
CasLro AlvesŦ L quando a voz subllme do povo se eleva nas pracasţ um ralo llumlna a Lreva
68
Ŧ
C ob[eLlvo desLe Lrabalho fol LenLar demonsLrar como e a percepcão dos Lrlbunals pelo
mundo afora acerca da lmporLâncla do espaco publlco como local de manlfesLacão da
cldadanlaŦ Cs exemplos demonsLram que o mero reconheclmenLo normaLlvo da llberdade de
reunlãoţ se[a por LraLados lnLernaclonalsţ se[a pela consLlLulcãoţ se[a pelas lelsţ não e
suflclenLeţ por sl sóţ para aaranLlr que não ha[a empecllhos ao exerclclo dessa llberdadeŦ na
verdadeţ o dlrelLoţ em qualquer quesLão envolvendo a llberdadeţ Lem sempre um caráLer
amblvalenLeť pode emanclpar ou oprlmlrŦ vale lembrar que Lambem fol na Áaoraţ o berco da
democracla areaaţ que os aLenlenses condenaram SócraLes à morLeţ naquele eplsódlo que
Lalvez Lenha sldo o prlmelro precedenLe mundlal em que alauem fol condenadoţ num realme
democráLlcoţ por manlfesLar publlcamenLe o pensamenLo
69
Ŧ
C caráLer amblvalenLe do dlrelLo aera um paradoxoť ao mesmo Lempo em que o
dlrelLo pode crlar as condlcões necessárlas para o exerclclo lealLlmo do dlrelLo em uma
socledade pluralţ Lambem podeţ pelo conLrárloţ reaulamenLar de Lal modo o exerclclo do
dlrelLo que esLe se Lorna lnvlável na práLlca por conLa dos enLraves burocráLlcos ou pela máŴ
vonLade e preconcelLo das auLorldades responsávelsŦ
lnfellzmenLeţ as manlfesLacões publlcas e os proLesLos de um modo aeral nem sempre
são vlsLos como uma parLe essenclal da vlda em uma socledade democráLlcaŦ

66
ºA Þraca da llauelra da Manhã"Ŧ
67
ºCde 1rlunfal"Ŧ
68
ºC Þovo ao Þoder"Ŧ
69
Þara uma anállse basLanLe lnLeressanLe do [ulaamenLo de SócraLesţ defendendo que o arande culpado pela declsão Lomada
pela democracla areaa fol o próprlo SócraLesţ que desdenhou do processo conLra ele lnsLauradoť S1CnLţ lŦ PŦ C [u|gamento
de 5ócrates (1he 1rio/ of 5ocrotes)Ŧ Companhla das LeLrasť São Þauloţ 2003Ŧ L preclso ressalLarţ conLudoţ que a democracla
areaa clásslca esLava lnserlda em um conLexLo compleLamenLe dlferenLe do conLexLo democráLlco aLualţ [á queţ láţ não havla
qualquer ldela daqullo que ConsLanL chamou de ºllberdade dos modernos"ţ ou se[aţ os dlrelLos de llberdade llaados à esfera
prlvadaŦ
7

lrequenLemenLeţ aarupamenLos ldeolóalcos são conslderados suspelLos por quem esLá no
poder e lsso acarreLaţ em mulLos casosţ resLrlcões desproporclonals à llberdade de reunlãoŦ
nesse conLexLoţ os Lrlbunalsţ aqul lncluldos as corLes consLlLuclonals e os Lrlbunals
lnLernaclonalsţ suraem como um lnsLrumenLo essenclal à desobsLrucão dos canals
democráLlcosţ conLrolandoţ de forma lndependenLe e lmparclalţ o excesso de Lodas as parLes
envolvldasţ especlalmenLe das auLorldades publlcasŦ
Asslm como o dlrelLoţ os Lrlbunals Lambem possuem um caráLer amblvalenLeť às vezesţ
aaem bem e cumprem a conLenLo o seu papel de auardlão dos dlrelLos fundamenLalsţ
permlLlndo a emanclpacão dos seres humanosţ a proLecão da llberdadeţ o exerclclo da
cldadanla e o conLrole do poderŤ ouLras vezesţ aaem malţ servlndo como uma mera
maqulaaem de lealLlmacão de aLlLudes opressorasţ dando um manLo de leaalldade a conduLas
esLaLals auLorlLárlasŦ
Lm maLerla de llberdade de reunlãoţ há mulLa maraem para conLroverslaţ [á que os
concelLos adoLados pelas consLlLulcões e pelos LraLados lnLernaclonals não são mulLo
preclsosţ a comecar pelo próprlo concelLo de reunlãoŦ uma deflnlcão ºamlaa da llberdade"
deve ser a mals abranaenLe posslvelŦ L demasladamenLe arrlscado adoLar uma lnLerpreLacão
resLrlLlva como a 1rlbunal ConsLlLuclonal alemão no caso lovelotoJeţ que lnclulu o caráLer
ldeolóalco no concelLo de reunlãoţ exclulndo as reunlões ºnãoŴldeolóalcas" da proLecão
consLlLuclonalŦ não e preclso compllcar mulLo para deflnlr uma reunlãoť e a unlão de duas ou
mals pessoas em espacos publlcos com um propóslLo comum e por Lempo deLermlnadoŦ não
cabe ao esLado [ulaar a relevâncla ou não desse propóslLo comumŦ Lxlalr alaum conLeudo
relevanLe como pressuposLo da conflauracão do âmblLo de proLecão da llberdade de reunlão
e dar um preLexLo basLanLe amplo para os aovernanLes auLorlLárlos lmpedlrem a reallzacão de
manlfesLacões a seu bel prazerţ com a desculpa de que Lal evenLo não serla dlano de proLecão
por lhe falLar uma base ldeolóalcaŦ
C exerclclo da llberdade de reunlão eţ em prlnclploţ llvreŦ não e necessárlo pedlr
auLorlzacão para o poder publlcoŦ 8asLa comunlcarţ prevlamenLeţ à auLorldade compeLenLeţ
caso se LraLe de reunlão reallzada em local aberLo ao publlco e se LraLe de reunlão plane[ada
com anLecedônclaŦ C ob[eLlvo dessa comunlcacão não e o de permlLlr uma censura prevla ou
o paLrulhamenLo ldeolóalco sobre o conLeudo da manlfesLacãoţ mas Lão somenLe para que se
possa lmpedlr que duas reunlões dlferenLes se[am marcadas para o mesmo local na mesma
daLaţ bem como para que o poder publlco possa oraanlzar a seauranca e o Lráflco de velculos
na proxlmldade da manlfesLacãoţ adoLando as medldas de plane[amenLo necessárlas ao
exerclclo do dlrelLoŦ
vale ressalLar que o dever de anunclo à auLorldade compeLenLe e exlaldo Lão somenLe
para as reunlões em ceu aberLo plane[adas com anLecedônclaŦ 1raLandoŴse de reunlões
reallzadas em locals fechados ou enLão que ocorram esponLaneamenLeţ sem plane[amenLo e
8

sem oraanlzacãoţ alnda que em locals aberLos ao publlcoţ e desnecessárla a prevla
auLorlzacãoŦ nessas slLuacõesţ a auLorldade compeLenLe não pode dlssolver
compulsorlamenLe reunlões paclflcasţ alnda que não Lenham sldo prevlamenLe anuncladasţ
salvo se esLlver havendo vlolôncla por parLe dos manlfesLanLesŦ Allásţ nem mesmo as
manlfesLacões prevlamenLe plane[adas podem ser compulsorlamenLe dlssolvldas só pelo faLo
de os promoLores não haverem cumprldo o requlslLo formal de prevlo avlsoŦ Aflnalţ ºLraLandoŴ
se de um mero requlslLo de ordem procedlmenLalţ não exlsLem razões para conclulr que a sua
ausôncla coloque por sl só os cldadãos fora do âmblLo de proLecão da llberdade fundamenLal
de se manlfesLarem"
70
Ŧ
CuLro concelLo lmporLanLe em maLerla de llberdade de reunlão e o concelLo de
ºpaclflca"Ŧ Apenas as reunlões paclflcas e sem armas são proLealdasŦ C caráLer paclflco da
reunlão deve ser presumldoŦ C ônus da prova do caráLer nãoŴpaclflco da reunlão compeLe ao
esLadoŦ C que Llra o caráLer paclflco de uma deLermlnada reunlão não e o seu conLeudoţ mas
a lnLencão dos manlfesLanLesť se os manlfesLanLesţ comprovadamenLeţ preLendem praLlcar
aLos de vlolôncla flslca ou lncenLlvar a aaressão corporal conLra pessoas ou bensţ enLão o
caráLer paclflco pode ser afasLadoŦ Mas a prova dlsso deve ser ob[eLlvamenLe demonsLradaŦ
não basLam meros recelos ou meras especulacõesţ mas dados concreLosŦ
C faLo de um arupo de manlfesLanLes defender ldelas hosLls ou lmpopulares ou de
proLesLo não slanlflca necessarlamenLe que a sua lnLencão e vlolenLaŦ Como se dlsseţ o caráLer
vlolenLo ou não da reunlão não esLá no conLeudo das ldelas defendldasţ mas na lnLencão dos
seus parLlclpanLesŦ
A vlolôncla praLlcada por alauns manlfesLanLes não conLamlna o caráLer paclflco da
reunlão como um LodoŦ Cada aLo de vlolôncla deve ser reprlmldo ponLualmenLe eţ apenas em
ulLlmo casoţ deve ser acelLa a dlssolucão compleLa de uma reunlão que comecou paclflcaţ
devendo a auLorldade pollclal apresenLarţ no momenLo oporLunoţ uma ptoooose Je tlsco e Je
petloo devldamenLe fundamenLada capaz de [usLlflcarţ de forma ob[eLlvaţ a medlda exLrema
adoLadaŦ Caso os fundamenLos apresenLados pela auLorldade pollclal não forem convlncenLesţ
Lal aLlLude poderá ser passlvel de conflauracão da responsabllldade clvllţ admlnlsLraLlva ou
crlmlnalţ conforme o casoŦ
1raLandoŴse de arupos mlnorlLárlosţ cu[as ldelas possam ser alvo de repudlo por ouLros
aruposţ o esLado Lem o dever de proLeaer a reallzacão da reunlãoţ fornecendo o aparaLo
necessárlo para que a manlfesLacão ocorra sem lnLerferôncla neaaLlva de LercelrosŦ L o dever
esLaLal de proLecãoŦ
C exerclclo da llberdade de reunlão pode ser resLrlnaldoţ mas apenas em slLuacões
excepclonals devldamenLe [usLlflcadas com base na lel e no prlnclplo da proporclonalldadeţ

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CC88LlAţ ServuloŦ C D|re|to de Man|festacãoť âmb|to de protecão e restr|cõesŦ Llsboať Almedlnaţ 2006ţ pŦ 70Ŧ
9

que devem ser sempre apllcados e lnLerpreLados de forma o mals favorável posslvel ao
exerclclo da llberdadeŦ Cs aaenLes esLaLalsţ especlalmenLe as auLorldades pollclals e [udlclalsţ
não podem enxeraar as manlfesLacões publlcas de proLesLo como uma ameaca à seauranca e
à ordemŦ As manlfesLacões publlcas de proLesLo fazem parLe da democracla e o dever do
esLado e fazer Ludo o que esLlver ao seu alcance para que essas manlfesLacões publlcas
ocorram da melhor forma posslvelŦ um aoverno democraLlcamenLe maduro e aquele que
sabe que a consLrucão da cldadanla e a Lomada de declsões pollLlcas devem ser reallzadas nas
ruas e nas pracas e não nos aablneLes frlos das auLorldadesŦ


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kLILkLNCIA5 8I8LICGkÁIICA5

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