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UNIVERSIDADE FEDERAL DO OESTE DO PARÁ

CURSO DE SAÚDE COLETIVA

DANIELA AMARAL
EDENIRA NUNES
ELIZÂNGELA MELO

REDE CEGONHA – VISITA AO CENTRO

Trabalho apresentado como exigência para


obtenção de nota, da disciplina Redes de Atenção
À Saúde e Regionalização, ministrada pelo curso
de Saúde Coletiva da Universidade Federal do
Oeste do Pará – UFOPA, sob orientação da
professora Juliana Gagno.

SANTARÉM/PA
2018
INTRODUÇÃO

Lançada em 2011 pelo Ministério da Saúde através da Portaria 1.459, a Rede Cegonha
aparece como uma estratégia de ação para organizar todos os serviços de saúde desde a atenção
primária, secundária e terciária especializada no sentido de garantir que a mulher tenha um
atendimento em rede. Essa estratégia encontra-se dentro de uma perspectiva da Rede de Atenção a
Saúde (RAS). O objetivo da RAS é promover a integração das ações e serviços de saúde
possibilitando uma atenção eficiente e de qualidade em todos os pontos de atenção, com foco na
satisfação dos usuários, e a melhoria dos indicadores de morbimortalidade materno infantil
(BRASIL, 2011a).
De modo geral, a Rede Cegonha é um conjunto de ações que visa garantir o atendimento de
qualidade, seguro e humanizado para todas as mulheres, buscando oferecer assistência desde o
planejamento familiar, passando pelos momentos da confirmação da gravidez, pré-natal,
nascimento e puerpério, até os dois primeiros anos de vida do bebê. E, todos esses processos dentro
do Sistema Único de Saúde – SUS (BRASIL, 2013). Os princípios da Rede Cegonha são: a) O
respeito, a proteção e a realização dos direitos humanos; b) O respeito à diversidade cultural, étnica
e racial; c) A promoção da equidade; d) O enfoque de gênero; e) A garantia dos direitos sexuais e
dos direitos reprodutivos de mulheres, homens, jovens e adolescentes; f) A participação e a
mobilização social; e g) A compatibilização com as atividades das redes de atenção à saúde materna
e infantil em desenvolvimento nos Estados (BRASIL, 2011b).
De acordo com o artigo 4° da Portaria 1.459 de 24 de Junho de 2011 que institui a Rede
Cegonha, essa rede deve ser organizada de maneira a possibilitar o provimento contínuo de ações de
atenção à saúde materna e infantil para a população de determinado território, mediante a
articulação dos distintos pontos de atenção à saúde, do sistema de apoio, do sistema logístico e da
governança da rede de atenção à saúde em consonância com a Portaria nº 4.279/GM/MS, de 2010, a
partir das seguintes diretrizes: o acolhimento com avaliação e classificação de risco e
vulnerabilidade, ampliação do acesso e melhoria da qualidade do pré-natal; a vinculação da gestante
à unidade de referência para o parto, e ao transporte seguro; as boas práticas e segurança na atenção
ao parto e nascimento; a atenção à saúde das crianças de 0 a 24 meses com qualidade
resolutividade; e ao acesso às ações de planejamento reprodutivo.
A Rede Cegonha é estruturada a partir de quatro componentes, sendo que cada um
compreende uma série de ações de atenção à saúde:
I. Componente PRÉ-NATAL: período em que deve ser realizado o pré-natal na
Unidade Básica de Saúde (UBS), com captação precoce da gestante e qualificação
da atenção. Acolhimento às intercorrências na gestação com avaliação e
classificação de risco e vulnerabilidade, dentre outros.

II. Componente PARTO E NASCIMENTO: os hospitais devem ter suficiência de


leitos obstétricos e neonatais (UTI, UCI e Canguru) de acordo com as necessidades
regionais. Práticas de atenção à saúde de acordo com o documento da Organização
Mundial de Saúde de 1996: "Boas práticas de atenção ao parto e ao nascimento".
Neste momento é direito da gestante ter acompanhante durante o acolhimento, o
trabalho de parto, parto e pós-parto imediato.

III. Componente PUERPÉRIO E ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DA


CRIANÇA: dever ser realizada a promoção do aleitamento materno e da
alimentação complementar saudável e acompanhamento da puérpera e da criança na
atenção básica com visita domiciliar na primeira semana após a realização do parto e
nascimento. Busca ativa de crianças vulneráveis, além de orientação e oferta de
métodos contraceptivos, etc.

IV. Componente SISTEMA LOGÍSTICO: TRANSPORTE SANITÁRIO E


REGULAÇÃO: condiz com a promoção, nas situações de urgência, do acesso ao
transporte seguro para as gestantes, as puérperas e os recém-nascidos de alto risco,
por meio do Sistema de Atendimento Móvel de Urgência - SAMU Cegonha, cujas
ambulâncias de suporte avançado devem estar devidamente equipadas com
incubadoras e ventiladores neonatais. A implantação do modelo "Vaga Sempre",
com a elaboração e a implementação do plano de vinculação da gestante ao local de
ocorrência do parto; e a implantação e/ou implementação da regulação de leitos
obstétricos e neonatais, assim como a regulação de urgências e a regulação
ambulatorial (consultas e exames).

A partir do estudo da Portaria 1.459/2011, o objetivo desse trabalho foi analisar de perto o
funcionamento da Rede Cegonha em um equipamento no município de Santarém, visando
identificar e discutir os pontos positivos e/ou a problemática encontrados dentro dessa Rede.
DESENVOLVIMENTO
Realizamos um estudo em sala nos sistemas utilizados pelo Ministério da Saúde (TABNET,
SAGE, ATLAS BRASIL, CNES, RIPSA) a fim de encontrar dados relacionados à Rede Cegonha
que pudessem de alguma forma contribuir para o nosso trabalho.
O sistema que utilizamos para a busca foi a SALA DE APOIO À GESTÃO
ESTRATÉGICA (SAGE), onde analisamos alguns gráficos sobre as taxas de mortalidade infantil,
as proporções de consultas por gestantes e, a proporção de partos normais.
O gráfico 1mostra a proporção de gestantes com sete ou mais consultas de pré-natal no
município de Santarém, nele podemos analisar que entre os anos 2000 a 2010 teve um pequeno
aumento no número de mulheres que fazem sete ou mais consultas, no entanto houve oscilações
nesse período. A partir de 2011, ano que foi implantada a Rede Cegonha, o gráfico apresenta um
aumento considerável até o ano 2014.

1. Proporção de gestantes com sete ou mais consultas de pré-natal/ano 2000 a 2014 do município de Santarém/PA

O gráfico 2 apresenta a proporção de partos normais entre os anos de 2000 a 2013 no


município de Santarém. Observa-se uma queda, mesmo que pequena, na realização dos partos
normais a partir de 2005 até 2013. Vários são os pontos de vista diante desse resultado, dentre eles,
a falta de humanização pelos hospitais públicos, levando a gestante procurar um atendimento
privado haja vista que se espera desse setor um atendimento melhor e na maioria das vezes são
“induzidas” de certa forma à cesariana. Ou por opção própria da gestante em realizar o parto
cesáreo por medo do parto normal, considerando-se os relatos relacionados a suposta dor “infinita”
por outras mães.
2. Proporção de partos normais no período de 2000 a 2013 do município de Santarém/PA

Já o gráfico 3 mostra a mortalidade infantil no período do ano 2000 a 2015 no estado do


Pará, onde podemos visualizar uma queda na taxa de mortalidade infantil que no ano 2000 essa
taxa estava acima de 30% e no ano 2015 a taxa caiu para 18%. Essa taxa é obtida por meio do
número de crianças de um determinado local (cidade, região, país, continente) que morrem antes de
completar 1 ano, a cada mil nascidas vivas. Sendo um dado de fundamental importância para
avaliar a qualidade de vida, pois, por meio dele, é possível obter informações sobre a eficácia dos
serviços públicos, tais como: saneamento básico, sistema de saúde, disponibilidade de remédios e
vacinas, acompanhamento médico, educação, maternidade, alimentação adequada, entre outros.

3. Mortalidade Infantil - Taxa por 1000 nascidos vivos no período de 2000 a 2013 no estado do Pará..
VISITA AO EQUIPAMENTO DE SAÚDE – CASA DE REFERÊNCIA À SAÚDE DA
MULHER.

Visita ao centro de referencia de saúde da mulher, de gestão municipal estabelecimento


cadastrado como clinica/ centro de especialidade segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos
de Saúde CNES, com atendimento nos turnos manha e tarde, formado por uma equipe de 22
profissionais composta por mastologista, medico ginecologista obstetra, medico em radiologia e
diagnostico por imagem, técnico de radiologia e imaginelogia, enfermeira, técnico em enfermagem,
fisioterapeuta geral, gerente de serviço de saúde, assistente administrativo e auxiliar de serviços
gerais. A qual possui os seguintes serviços: Serviço de Atenção ao Pre natal, Parto e Nascimento
(acompanhamento de pre natal de alto risco); Serviço de Atenção a Saúde Reprodutiva (atenção à
infertilidade); Serviço de Diagnostico por Imagem (mamografia e ultrassonografia0; Serviço de
Fisioterapia (Assistência fisioterapêutica em alterações obstétricas neon)). Sua atividade é
ambulatorial com media complexidade na Atenção Básica, seu fluxo de atendimento a clientela é de
demanda espontânea e referenciada.

Durante a visita foi observado certa quantidade de gravidas aguardando atendimento naquele
local, aproveitamos para buscar informações com algumas delas de conhecimento sobre a rede
cegonha. Em resposta percebemos que algumas não são sabedoras do que e a rede, já outras
observaram o carimbo da rede cegonha em sua carteira de pré-natal e em solicitações de exames,
porém ainda sim não tem informação sobre a rede. Conversamos com a enfermeira que também é a
gerente responsável pela casa de referencia de saúde da mulher que relatou que as gravidas vêm
referenciadas de outras unidades básicas de saúde com algum grau de alto risco em sua gravidez
como diabete, por exemplo, já em seu segundo trimestre, são acompanhadas pelo profissional fazem
uma ou mais ultrassonografia dependo do seu estado gestacional e orientada ao parto no hospital
municipal de saúde com retorno de consulta puerpério nesta casa de referência, ainda orientada ao
acompanhamento as vacinas, crescimento e desenvolvimento, consultas e outros programas
voltados para a criança de seu recém nascido na unidade de saúde próxima a sua residência.
Percebemos que a uma falta de entendimento tanto dos profissionais quanto do usuário sobre a
importância da rede cegonha para a sua saúde e de seu bebe durante e depois do pré-natal, a falta de
informação sobre e o funcionamento e principal objetivo da rede no despertar pra uma perguntar, a
ausência de conhecimento sobre a rede cegonha pelos usuários é um problemática pela falta de
informação que o profissional não repassa as gestantes, acompanhantes das gestantes muitas das
vezes por não ter conhecimento da Rede ou por falta de interesse das gravidas não perguntarem
mais sobre o pre natal por confiarem nos profissionais que estão lhe assistindo?
DISCUSSÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS:

A Rede Cegonha é uma estratégia implantada pelo governo federal através de uma rede de
cuidados que visa articular os serviços e organizar as ações assistenciais prestadas à mulher e a
criança assegurando o direito ao planejamento reprodutivo e à atenção humanizada à gravidez, ao
parto, ao puerpério, bem como à criança o direito ao nascimento seguro, ao crescimento e ao
desenvolvimento saudáveis na sua primeira infância.

No entanto a rede cegonha exige do sistema de saúde que a articulação entre os serviços e os
equipamentos de saúde seja eficaz em suas ações, uma vez que estes fazem parte de algo maior que
é o Sistema Único de Saúde, como é possível observar em relação aos equipamentos sociais que
compõe essa rede cegonha. No município de Santarém, podemos colocar como equipamentos
individuais da rede a Casa de Referência à Saúde da Mulher e a Casa de Referência à Saúde da
Criança, já os equipamentos que são complementares, que estão conectados com a rede cegonha,
Centro de Testagem Anônimo; Serviço de Atendimento Móvel de Urgência; Pronto Socorro
Municipal, Hospital de Alta Complexidade; Ambulatório de especialidades media complexidade.
Conforme a complexidade pelo grau de demanda atendida pela rede cegonha existe uma
interligação desta rede com a Rede Urgência e Emergência (SAMU); Rede de pessoa com
deficiência; Rede de pessoas com doenças crônicas (diabetes, cardio, hipertensas dente outras) e
Rede de Saúde mental.

Com a implantação da rede cegonha podemos observar uma melhor atenção à saúde da
mulher durante a gravidez e maior segurança nos partos realizados, o é mostrado nos índices em
relação ao número de gestantes que realizam sete ou mais consultas de pré-natal e na diminuição da
mortalidade infantil, no entanto a rede ainda apresenta fragilidades tantos na implantação das ações
e serviços quanto na prática realizada pelos profissionais que fazem parte da rede.

REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Manual prático para implementação
da Rede Cegonha. Brasília, 2011a.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações
Programáticas Estratégicas. Portaria nº 1.459, 24 de junho de 2011. Institui, no âmbito do Sistema
Único de Saúde, a Rede Cegonha. Diário Oficial da União, Brasília, 2011b. Seção 1.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Conheça a Rede Cegonha. Brasília,
2013.