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ÍNDICE

1. Empreendedorismo ............................................................................................................ 3

1.1. Conceito de empreendedorismo............................................................................ 3

1.2. Vantagens de ser empreendedor .......................................................................... 5

1.3. Espírito empreendedor versus espírito empresarial ...................................... 7

2. Autodiagnóstico de competências empreendedoras........................................... 9

2.1. Diagnóstico da experiência de vida ................................................................... 9

2.2. Diagnóstico de conhecimento das “realidades profissionais”.................. 11

2.3. Determinação do “perfil próprio” e autoconhecimento.............................. 11

2.4. Autodiagnóstico das motivações pessoais para se tornar


empreendedor ................................................................................................................... 11

3. Características e competências-chave do perfil empreendedor ..................... 12

3.1. Pessoais ........................................................................................................................ 12

3.1.1. Autoconfiança e automotivação .................................................................. 12

3.1.2. Capacidade de decisão e de assumir riscos............................................. 13

3.1.3. Persistência e resiliência ................................................................................ 15

3.1.4. Persuasão............................................................................................................. 17

3.1.5. Concretização ..................................................................................................... 18

3.2. Técnicas ........................................................................................................................ 20

3.2.1.Área de negócio e de orientação para o cliente..................................... 20

3.2.2. Planeamento, organização e domínio das TIC ....................................... 22

3.2.3. Liderança e trabalho em equipa .................................................................. 23

4. Fatores que inibem o empreendedorismo ............................................................... 26

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5. Diagnóstico de necessidades do empreendedor ................................................... 29

5.1. Necessidades de carácter pessoal ...................................................................... 29

5.2. Necessidades de carácter técnico....................................................................... 31

6. Empreendedor - autoavaliação.................................................................................... 33

6.1. Questionário de autoavaliação e respetiva verificação da sua


adequação ao perfil comportamental do empreendedor................................... 33

Bibliografia.............................................................................................................................. 34

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1.Empreendedorismo

1.1.Conceito de empreendedorismo

A utilização do termo “empreendedorismo” é atribuído a Richard Cantillon (1755) e a


Jean-BaptisteSay (1800). Ambos definiam os empreendedores como pessoas que correm
riscos porque investem o seu próprio dinheiro em empreendimentos.

Mais tarde, em 1978, J. Schumpeter associa o empreendedorismo à inovação ao


afirmar que “a essência do empreendedorismo está na perceção e aproveitamento das
novas oportunidades no âmbito dos negócios; tem sempre que ver com a criação de uma
nova forma de uso dos recursos nacionais, em que eles sejam deslocados do seu
emprego tradicional e sujeitos a novas combinações”.

Schumpeter descreveu ainda o empreendedor como responsável por processos de


“destruição criativa”, que resultavam na criação de novos métodos de produção, novos
produtos e novos mercados.

O conceito de risco foi introduzido por K. Knight (1967) e Peter Drucker (1970). Em
1985 com Pinchot foi introduzido o conceito de Intra-empreendedor, uma pessoa
empreendedora dentro da organização a que pertence.

Parece ser hoje em dia consensual que não se nasce empreendedor. Podemos, sim,
herdar algumas características que certamente nos ajudarão nas nossas incursões pelo
mundo dos negócios.

É também certo que muitos empreendedores se revelam muito precocemente (Durante


a infância e juventude) destacando-se pela sua capacidade de liderança,
competitividade ou “jeito” para os pequenos negócios.

Contudo, está ao alcance de qualquer um tornar-se empreendedor. Exige-se trabalho,


força de vontade e um profundo conhecimento de si próprio.

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Ao observar verdadeiros empreendedores, é possível identificar um conjunto de aspetos
que lhes são muito próprios:
1. Os empreendedores são peritos em identificar, explorar e comercializar
oportunidades.
2. São exímios na arte de criar (novos produtos, serviços ou processos).
3. Conseguem pensar “fora do quadrado”: a maioria das pessoas, por temer o
insucesso e ser avessa ao risco, tem dificuldade em considerar novas formas de
abordar problemas e perspetivar a realidade. Quem o consegue fazer beneficia
de uma enorme vantagem na deteção de novas oportunidades.
4. Pensam de forma diferente: os empreendedores têm uma perspetiva diferente
das coisas; adivinham problemas que os outros não vêm ou que ainda nem
existem; descobrem soluções antes mesmo de outros sentirem as necessidades.
5. Vêm o que outros não vêm: o empreendedor vê oportunidades que escapam
aos outros, ou a que os outros não atribuem relevância.
6. Gostam de assumir riscos: acreditam nos seus palpites e seguem-nos.
7. Os empreendedores competem consigo próprios e acreditam que o sucesso
ou fracasso dependem de si. Na sua maioria não desistem e nunca param de lutar
pelo sucesso.
8. Aceitam o insucesso: embora nenhum empreendedor goste de falhar, sabe que
a possibilidade de fracassar é inerente ao risco que qualquer atividade
empreendedora comporta. O insucesso é encarado como uma possibilidade de
aprender e evoluir e previne futuros fracassos.
9. Observam o que os rodeia: a grande maioria das ideias e inovações bem-
sucedidas foram desenvolvidas a partir de uma realidade próxima ao
empreendedor – no âmbito profissional, familiar, de lazer.
10. Os empreendedores nunca se reformam…

Portanto, por outras palavras, podemos dizer que os empreendedores são pessoas
inconformadas que procuram constantemente novos desafios, tendem a ser
pensadores de longo alcance e concentram os seus esforços mais em visões
prospetivas do que em problemas imediatos.

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Sabem correr riscos, não têm medo de ir em frente, contudo optam por riscos
calculados e por vezes não excessivos. Além disso são líderes inatos e normalmente
são eles que identificam os problemas e as suas possíveis soluções que se tornam em
oportunidades de negócio.

Os empreendedores geralmente gostam de ser reconhecidos socialmente pelas obras


que fazem, e na sua maioria têm muita energia trabalhando por períodos longos e
contínuos. Além disso são indivíduos que acreditam nas suas capacidades e lutam para
controlarem os seus próprios destinos.

Por fim podemos dizer que são motivados por uma necessidade de satisfação pessoal,
o que por vezes dificulta a sua integração em grandes empresas, pois não podem
controlar totalmente os projetos onde estão envolvidos.

1.2.Vantagens de ser empreendedor

O espectro laboral nacional sofreu profundas modificações nos últimos anos e mais ainda
nos últimos meses, o que veio criar a necessidade de apelar ao melhor que a
criatividade tem para oferecer se desejamos vencer os obstáculos e mudar o rumo da
nossa existência profissional.

Uma das rotas é muitas vezes guiada pelo empreendedorismo, valor que caracteriza a
pessoa dinâmica capaz de ver no inesperado o que outros nem reparam. E como seria
de esperar, essa qualidade produz os seus benefícios, entre os quais se destacam a
independência, realização profissional, controlo do próprio destino e gratificação
financeira.

Independência
Para muitos a principal razão de se tornarem empreendedores, a independência é sem
dúvida uma enorme vantagem desta filosofia de vida, no entanto, atingir este estado
implica muito empenho, não acontecendo de um momento para o outro nem tão
pouco conseguido em toda a sua amplitude de uma só vez.
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Contudo, esta recompensa integrará indubitavelmente o topo da lista de palavras que
nos surgem em pensamento quando se fala em empreendedorismo e não é por mero
acaso, já que representa efetivamente uma das mais visíveis e positivas facetas de
uma pessoa empreendedora.

Realização profissional
Em algumas ocasiões, o empreendedorismo assume-se como o único caminho para
seguir a carreira desejada, sobretudo em Portugal, nação bastante limitada em termos
de mercado. Por isso, não é de estranhar que o nosso país se mantenha na linha da
frente europeia no que toca aos números do “cidadão empreendedor”, mesmo em
pleno tempo de recessão. Em outros casos, a razão de se empreender está ligada à
insatisfação com a situação laboral corrente, seja qual for o motivo por detrás de tal
descontentamento.

Porém, uma coisa é certa para ambos os cenários, escolher esta via independente
levará sempre a um nível de realização profissional que dificilmente se alcançaria em
diferente realidade se, obviamente, for usufruído da melhor forma de todas as
potencialidades oferecidas pelo empreendedorismo, a maioria das quais não
encontrará em nenhuma outra qualidade desta natureza.

Controlo do próprio destino


Indissociável dos aspetos supramencionados, ser “dono e senhor” do nosso destino é
uma inegável vantagem de se empreender mas acarreta uma responsabilidade
substancial: o futuro é da total e exclusiva obrigação do empreendedor, algo com que
terá de se aprender a viver e a que estão associados uma série de desafios que terão
de ser ultrapassados ao longo de todo o percurso. Tal como afirma o ditame, “com
grande liberdade vem grande responsabilidade”.

Gratificação financeira
Não acontecerá porventura na mesma proporção nem com a mesma brevidade em todas
as situações, contudo, existe uma elevada probabilidade de que a compensação
económica venha a suceder mais tarde ou mais cedo.

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O grau de prontidão e significância monetária dependerá em boa medida do esforço
realizado, área de atuação e nível de conhecimentos no âmbito laboral. É verdade que
a subida dos rendimentos provenientes do trabalho podem igualmente acontecer à
parte do empreendedorismo, no entanto, a gratificação financeira que deste pode derivar
éhabitualmente superior (e mais satisfatória) à quiçá obtida em moldes alternativos.

1.3.Espírito empreendedor versus espírito empresarial

O termo Empreendedorismo está tradicionalmente associado à criação de empresas e


aos conhecimentos de gestão comercial; no entanto, nos últimos dez anos o seu
âmbito foi alargado, passando-se a encarar as competências de criação de negócios como
sendo úteis também no sector da economia social e dentro das empresas.

O Parlamento Europeu e o Conselho Europeu, através da recomendação de 18 de


Dezembro de 2006 sobre as competências essenciais para a aprendizagem ao longo da
vida, abordam o tema do espírito de iniciativa e espírito empresarial da seguinte
forma:
• «O espírito de iniciativa e o espírito empresarial referem-se à capacidade de os
indivíduos passarem das ideias aos atos (...).
• Compreendem a criatividade, a inovação e a assunção de riscos, bem como a
capacidade de planear e gerir projetos para alcançar objetivos. Estas
competências são úteis aos indivíduos, não só na vida de todos os dias, em
casa e na sociedade, mas também no local de trabalho, porque os torna
conscientes do contexto do seu trabalho e capazes de aproveitar as
oportunidades, e serve de base à aquisição de outras aptidões e conhecimentos
mais específicos de que necessitam os que estabelecem uma atividade social ou
comercial ou para ela contribuem (...).
• Nos conhecimentos necessários incluem-se a capacidade de reconhecer as
oportunidades existentes para o lançamento de atividades pessoais, profissionais
e/ou empresariais, incluindo questões de âmbito mais global que determinam o
contexto em que as pessoas vivem e trabalham, como sejam uma
compreensão alargada do funcionamento da economia e as oportunidades e os
desafios que se deparam a um empregador ou a uma organização. Os indivíduos
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devem também estar conscientes da posição ética das empresas e de como
estas podem constituir uma força positiva, por exemplo através do comércio justo
ou através da gestão social de empresas.»

Nesta ótica, o Empreendedorismo é atualmente uma questão eminentemente cultural,


já que promove valores e práticas.

A questão que se coloca atualmente é utilizar o perfil do empreendedor com êxito no


âmbito empresarial, não só na criação de negócios mas também dentro das organizações
e no projeto de vida das pessoas.

Os perfis mais orientados para a competição empresarial, mais pragmáticos, são da maior
utilidade quer dentro das empresas, quer em projetos de carácter social. Assim, é
importante transferir para outros contextos a experiência dos empreendedores que
criaram empresas e não desejar apenas que todos criem empresas/negócios.

Importa distinguir a formação em saberes de gestão –marketing, finanças, estratégia,


logística, etc. –, muitas vezes identificada com o termo de Empreendedorismo/criação de
empresas, da formação que visa o desenvolvimento do espírito empreendedor (inovação,
risco, etc.), na medida em que um procura estabelecer organização e rentabilizar
atividades e o outro permite inventar e reinventar ações.

Se se encarar o Empreendedorismo fundamentalmente como uma questão cultural (ainda


que com grande impacto na economia), a educação/formação surge como uma das
ferramentas nucleares de transmissão de novos valores, atitudes e práticas. Nesta ótica,
o espírito empreendedor deve ser fomentado de forma transversal, não só ao nível da
formação profissional como da educação.

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2.Autodiagnóstico de competências empreendedoras

2.1.Diagnóstico da experiência de vida

As Competências-chave cruzam os vários domínios da vida das pessoas (pessoal, social


e profissional) reportando-se, por isso, à globalidade das suas vidas.

Uma competência é sempre singular e pertence, exclusivamente, a um indivíduo, ou seja,


está subjacente à sua personalidade e história de vida.

Cada pessoa detém um estilo próprio de aprendizagem definido em função do seu


perfil psicológico, das suas atitudes, objetivos, necessidades, histórias de vida, etc. Assim,
são as necessidades e os objetivos que orientam a forma como o indivíduo aprende.

O modelo de aprendizagem proposto baseia-se num processo de desenvolvimento de


competências pessoais, onde o indivíduo é o ponto de partida e de chegada de todo o
processo de aprendizagem:
1.º Começa-se por aquilo que cada participante já sabe, as suas opiniões e
experiências.
2.º Deste ponto de partida encoraja-se o grupo a procurar e descobrir novas
ideias e novas experiências.
3.º Fomenta-se a sua participação em debates/discussões e incentivam-se os
participantes a aprender o mais possível com as experiências uns dos outros.
4.º Propõe-se a criação de vivências centradas na experiência e na criação de
situações- problema, sobre as quais deverá centrar-se a discussão. Encorajam-
se os participantes a aplicar o que aprenderam em ações simples, mas
efetivas– evidências, que demonstrem e desenvolvam o seu espírito
empreendedor.

Todos estes momentos serão o palco para o desenvolvimento das Competências-


chavepara o empreendedorismo.

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Porque se fala de competências para o empreendedorismo e as competências são sempre
mobilizáveis em ato, é importante utilizar uma metodologia assente na experiência e na
ação.

O Balanço de Competências aqui proposto deverá ser visto como um exercício


dinâmico que possibilita o autoconhecimentoem matérias de capacidades e de
potencialidades, quer pessoais como profissionais, quer individuais como coletivas.

Assenta na autoanálise e autorreflexão e pressupõe, por parte da pessoa, a


identificação de:
• Potencialidades e formas de melhoria;
• Lacunas e formas de superação.

Assim, mais do que teorizar sobre os conceitos ou realidade, interessa:


• Descrever a competência, o que permite à pessoa criar uma imagem (mental)
do conceito em causa e assimilar (mais facilmente) as suas principais
componentes.
• Exemplificar e demonstrar a competência, uma vez que esta precisa de ser vista
e escutada de modo a serem criadas as predisposições pessoais para uma adesão
plena às atitudes e comportamentos que se desejam promover.
• Experimentar, praticar e treinar a competência através de dinâmicas de
grupo, de jogos interativos e do preenchimento de fichas de registo individual
(autorregisto).
• Evidenciar, no quotidiano, através de palavras, gestos, atitudes e
comportamentos as competências apreendidas.
• Projetar para o futuro as medidas a tomar para que a
apropriação/potenciação das competências seja otimizada.

Constitui-se como uma oportunidade de (auto)avaliação e é entendido como um


processo mais do que como um produto uma vez que o aluno/formando terá, sempre,
melhorias a implementar no seuleque de competências.

Neste Balanço de Competências, o participante deverá fazer a sua reflexão/avaliação,


de forma individual e livre, tendo por base os seguintes parâmetros:

1. Competências (mobilizáveis em ato).

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2. Evidências (do quotidiano) da existência da competência.
3. Fatores que favorecem a mobilização da competência, tais como o contexto
externo ou interno.
4. Fatores que constrangem a competência, tais como o contexto externo ou
interno.
5. Estratégias de potenciação ou obtenção da competência.

Os parâmetros propostos neste Processo de Balanço de Competências referem-se a:


1. Competência (mobilizável em ato);
2. Situações onde consigo notar a competência (evidências, do quotidiano, da
existência da competência);
3. O que posso fazer para melhorar ou obter a competência (estratégias de
potenciação ou obtenção da competência).

2.2.Diagnóstico de conhecimento das “realidades profissionais”

Exercício – Proatividade e Iniciativa

2.3. Determinação do “perfil próprio” e autoconhecimento

2.4. Autodiagnóstico das motivações pessoais para se


tornar empreendedor

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3. Características e competências-chave do
perfil empreendedor

3.1. Pessoais

3.1.1. Autoconfiança e automotivação

Em grande medida a performance do empreendedor está associada a características


pessoais.

Daniel Goleman (2000) agrupou as competências emocionais em três grandes grupos


cabendo dentro de cada um dos grupos um conjunto de competências específicas:

1. Autoconsciência
• Autoconsciência emocional – Esta competência permite reconhecer e
compreender os diferentes estados de espírito e a forma como afetam o
desempenho social e profissional bem como as relações com os outros.
• Autoavaliação rigorosa – Trata-se da capacidade de avaliar de forma realista as
suas forças mas também as suas fraquezas.
• Autoconfiança – Competência que permite valorizar devidamente os seus
pontos fortes e capacidades mais distintivas.

2. Autogestão
• Autocontrole – Capacidade para manter as emoções sob controlo.
• Inspirar confiança – A confiança conquista-se através de comportamentos que
revelem integridade, honestidade, fiabilidade e autenticidade.
• Conscienciosidade - Capacidade para se autogerir de modo responsável (e.g.,
ser organizado e cuidadoso no trabalho).

• Adaptabilidade – Competência revelada pela abertura a novas ideias e


abordagens, flexibilidade na resposta à mudança, tolerância à ambiguidade.
• Orientação para o êxito - Otimismo, necessidade de autoaperfeiçoamento e de
alcance de um padrão interno de excelência, persistência.
• Iniciativa - Prontidão para aproveitar as oportunidades, inclinação para exceder
objetivos, proatividade.

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3.Consciênciasocial
• Empatia – Capacidade para perceber os sentimentos e perspetivas dos outros,
interesse ativo pelas suas preocupações, sensibilidade às suas especificidades.
• Consciência organizacional - Capacidade para ler a realidade organizacional,
construir redes de decisão e ter consciência das correntes sociais e políticas da
organização.
• Orientação para o cliente - Capacidade para antecipar, reconhecer e ir ao
encontro das necessidades dos clientes.

Uma das características do empreendedor de sucesso é o conhecimento que tem de si


próprio. Sabe que não é rentável desperdiçar esforços em áreas e/ou atividades nas quais

não tem competências. A sua base de desenvolvimento pessoal e profissional é o


conhecimento dos seus pontos fortes, dos seus valores e objetivos e das formas
concretas de alcançar o que pretende.

3.1.2. Capacidade de decisão e de assumir riscos

O risco, enquanto característica intrínseca da criação de um novo negócio, é inevitável


e inerente a qualquer iniciativa empreendedora. A predisposição para assumir riscos pode
ser definida como a preferência ou propensão a embarcar por situações que podem
resultar em recompensas vantajosas, em caso de êxito, e assumir as consequências, em
caso de fracasso.

O futuro é dinâmico, mas desconhecido; para levar uma empresa ao sucesso há que
nos adaptarmos às mudanças do mercado e da sociedade, e correr riscos tomando
decisões arrojadas ou criativas que permitam contrapartidas positivas.

Normalmente, os/as empreendedores/as enfrentam dois tipos de riscos quando decidem


criar a sua própria empresa:
• «Afundar o navio»: Este risco refere-se ao fracasso do investimento feito e da
iniciativa criada. Este tipo de risco pode dever-se a lacunas ou descuido na
conceção do projeto empresarial, no planeamento, nas políticas de marketing e
distribuição, no estabelecimento de preços inapropriados, na escolha do nicho
de mercado em que se insere, entre outras fraquezas.
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• «Perder o navio»: Este é o risco de perder uma oportunidade ou nicho que teria
sido muito rentável, por não a ter aproveitado na altura certa. Neste caso, o/a
empreendedor/a é demasiado/a cauteloso/a e conservador/a, pelo que realiza
diversas investigações comerciais ou estudos de mercado, que lhe tomam
muito tempo.

Consequentemente, este comportamento conduz à «paralisia pela análise» e à perda


de uma boa ocasião de negócio por não ter arriscado no momento oportuno. Pode
acontecer quando o/a empreendedor/a se atrasa demasiado na criação do negócio e a
concorrência se antecipa ou as condições do mercado se alteram.

Não obstante esta propensão para assumir riscos, assume-se também como
característica de empreendedores/as de êxito calcular cuidadosamente os riscos que
vão assumir, bem como as benesses ou contrapartidas a eles/as inerentes. De facto, a
planificação e preparação da nova empresa implica um árduo trabalho para minimizar
o risco associado à criação de um novo negócio.

Quanto maior é o planeamento, menor é o risco de «afundar o navio», uma vez que
o/a empreendedor/a tem mais tempo para reunir recursos, desenvolver o plano da sua
empresa, identificar os melhores sistemas de produção, marketing ou distribuição. Por
outro lado, o risco de «perder o navio» aumenta à medida que o tempo passa, já que
pode desaparecer a oportunidade de negócio ou outros/as empreendedores/as se podem
antecipar.

Por outro lado, o locus de controlo dos indivíduos impele-os ou inibe-os a assumir um
desses riscos. O locus de controlo refere-se ao grau em que um indivíduo percebe o êxito
e/ou o fracasso da sua conduta enquanto dependente de si mesmo (locus de controlo
interno) ou do contexto que o rodeia (locus de controlo externo).

O locus de controlo interno está relacionado com o estado de alerta, descoberta de


oportunidades e controlo do ambiente que rodeia o/a empreendedor/a. Relaciona-se
igualmente com a disposição para assumir riscos, pois os indivíduos com locus de controlo
interno têm tendência a subestimar a probabilidade de fracasso e decidir a favor de
opções arriscadas.

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Por outro lado, os/as empreendedores/as com um elevado locus de controlo interno
desenvolvem os planos de expansão do seu negócio quando as condições de mercado
não são apropriadas e, por isso, correm um risco considerável.

Um dos fatores associados a este locus de controlo interno e digno de análise é o


autoconceito definido como a perceção que cada indivíduo tem de si mesmo, em
termos do que conhece e pensa sobre si próprio.

Cada pessoa considera o seu desempenho bom ou mau em determinado domínio da


sua vida e é esta avaliação ou juízo que condiciona ou facilita o seu comportamento ou
desempenho social.

Uma pessoa com um autoconceito mais elevado, terá certamente uma reação e
resposta diferente a uma outra com um autoconceito mais desvalorizado, e isto influencia
frequentemente os resultados obtidos.

Realizar um diagnóstico da forma como percecionamos o mundo que nos rodeia e as


relações que estabelecemos com ele será um importante exercício quando
considerarmos a adesão pela via empreendedora. Perceber como funcionamos e quais
são as nossas áreas de melhoria, será a base de um processo pessoal de melhoria
contínua que nos permitirá adquirir uma maior segurança, associada a utilização mais
sistemática do locus de controlo interno e a uma maior eficácia nas tarefas realizadas.

3.1.3.Persistência e resiliência

A perseverança, ou resiliência, é um traço de personalidade que pode ser definido


como a «persistência e tenacidade com que se executam tarefas e atividades e não faltar
ao prometido». De facto, os/as empreendedores/as demonstram uma elevada
autoconfiança, uma energia inesgotável, grande assertividade e uma perseverança a toda
a prova.

Estar continuamente em estado de alerta, buscar continuamente novas direções de


melhoria, novos mercados, antever problemas e intervir no sentido de criar
mecanismos contínuos que os previnam, isto é, cumprir as tarefas necessárias para

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assegurar um desenvolvimento sustentável e de sucesso do nosso negócio, implica
uma grande capacidade de proatividade e iniciativa, que tem implícita uma grande
capacidade de perseverança.

Esta competência, fulcral para desenvolver uma iniciativa empresarial de sucesso, implica
também a capacidades por parte do/a empreendedor/a de enfrentar mudanças
inesperadas.

Neste sentido, tornam-se fulcrais as capacidades de trabalhar com alguma incerteza,


de adaptação às mudanças, de liderar de acordo com as mudanças contínuas inerentes
a um negócio, de tolerância à frustração, de trabalhar sobre pressão, etc.

A perseverança tem servido de explicação para a capacidade dos/as


empreendedores/as suportarem longas jornadas de trabalho (60 horas ou mais por
semana), especialmente no começo da atividade, dormir menos que o normal, raramente
ter férias, fazer mais deslocações, estar mais tempo afastada da família, e todas as
vicissitudes de gerir com sucesso uma iniciativa empreendedora.

Também relacionada com a perseverança, surge o conceito de autoeficácia que se refere


às «crenças nas nossas capacidades para organizar e executar cursos de ação necessários
para gerir situações futuras prováveis». A autoeficácia é consistentemente apontada
como um traço definidor do perfil empreendedor em muitos estudos sobre o tema.

Espera-se que as pessoas com um elevado nível de autoeficácia geral sejam mais
persistentes e trabalhem mais efetivamente, demonstrem mais segurança, se apliquem
mais na execução de tarefas e tenham a certeza de possuir a capacidade necessária para
alcançar estes ganhos.

Esta crença e confiança nas nossas capacidades, que se repercute em maior


perseverança para com o negócio, é reforçada externamente pelo sucesso ou inovação
nos negócios, pelo controlo pessoal percebido dos resultados dos negócios e pela
autoestima percebida nos negócios.

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3.1.4.Persuasão

O empreendedor com a habilidade da persuasão não tem apenas facilidade para


vender o seu produto ou serviço. Ele consegue algo ainda mais valioso: convence as
pessoas de que aquele produto ou serviço são, na verdade, os melhores. Não é apenas
com os clientes que um empresário precisa de exercer a sua habilidade de persuasão.

Quem está no comando de uma pequena ou média empresa em expansão


normalmente passa boa parte de seu tempo tentando persuadir toda a gente - um
sócio para definir uma nova estratégia, um fornecedor para conseguir melhores
condições de pagamento ou um funcionário que precise de se comprometer mais com
a empresa.

Ninguém desperta tanta confiança ao expor as qualidades de uma empresa do que o


seu próprio dono. Se o empreendedor tem dificuldade de convencer os outros sobre
quais são os pontos fortes de seu negócio, há grandes oportunidades de sair prejudicado
em negociações ou simplesmente provocar uma grande desmotivação geral entre os
funcionários.

O empreendedor persuasivo aborda os seus contratantes como parceiros, e não como


rivais numa arena. Ele tem consciência de que não adianta, por exemplo, empurrar
uma venda a qualquer custo se o cliente demonstra todos os sinais de que vai se
arrepender dela depois.

Um requisito básico para ser mais persuasivo em encontros nos quais essa habilidade
será particularmente útil é preparar-se muito bem para essas ocasiões, reunindo o
máximo de informações sobre o cliente, procurando saber quais são as suas principais
necessidades.

O empreendedor nato sabe criar estratégias deliberadas de persuasão; desenvolve e


mantém relações comerciais e utiliza a sua rede de contactos para atingir osseus próprios
objetivos.

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3.1.5.Concretização

A Proatividade significa decidir ou agir, em vez de reagir, antecipando-se a problemas,


necessidades ou mudanças futuras, na medida em que não só traduzem uma boa ideia
num negócio rentável, como agem rapidamente para aproveitar uma oportunidade que
surja no mercado.

Esta característica manifesta-se na conduta do/a empreendedor/a da seguinte forma:


• Busca constante de oportunidades, mesmo que não estejam relacionadas com
o atual negócio;
• Superar barreiras e obstáculos na criação de uma nova empresa;
• Antecipar-se à concorrência na introdução de novos produtos ou serviços;
• Eliminar operações ou procedimentos que possam ser negativos para o
negócio.

Por sua vez, a Iniciativa define-se como uma abordagem ativa para o trabalho e
caracteriza-se pela auto-motivação ou prontidão para agir.

Uma pessoa com sentido de iniciativa caracteriza-se pelos seguintes aspetos:


• É coerente com a missão da organização;
• Tem uma visão a longo prazo;
• É orientada para os objetivos, para a ação e para resultados;
• Combate barreiras e contratempos;
• Age por si mesma, de forma autónoma e proactiva.

Estas competências intervêm diretamente sobre a capacidade de identificar


continuamente novas oportunidades, o que caracteriza a maioria de empreendedores/as
de sucesso.

Podemos caracterizar este aspeto como a capacidade de estar constantemente alerta


face a novas oportunidades de negócio, explorando continuamente o contexto
envolvente. Os/as empreendedores/as encontram-se num estado geral de alerta face
às oportunidades que vão surgindo à sua volta, confiando menos em análises
convencionais e mais nas suas próprias impressões e pensamento intuitivo.

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Esta característica encontra-se amplamente difundida na literatura como “maximizar as
oportunidades”, “estar sintonizado com mudanças no contexto que possam sugerir
uma oportunidade favorável”, “percecionaroportunidades”, “identificar a oportunidade
de um negócio”, “reconhecer as oportunidades como reais e saber julgar as
oportunidades a seguir”.

Esta capacidade de identificar continuamente novas oportunidades de negócio ou


novas potencialidades onde a maioria das pessoas não as vêm deve-se ao facto dos
indivíduos empreendedores apresentarem um estilo cognitivo heurístico.

Este estilo de pensamento holístico e relacional é o que melhor se adapta a uma situação
de cariz empreendedor e caracteriza-se por ser sintético, indutivo, expansivo,
espontâneo, divergente, informal, difuso e criativo.

Esta capacidade parece inata para algumas pessoas que com extrema facilidade
conseguem manifestar uma postura atenta ao meio que as rodeia e identificar práticas
utilizadas noutras áreas específicas que poderiam ser adaptadas e utilizadas com
grande sucesso na prática empreendedora.

Podemos favorecer e desenvolver as nossas capacidades de iniciativa e proatividade


através de uma série de fatores e técnicas, tais como:
1. A perceção de que temos o direito a errar e que é possível aprender e
apreender com os erros, por oposição a uma postura de não termos o direito
de errar;
2. A identificação de objetivos ambiciosos, mas realistas, associados a uma grande
satisfação pessoal;
3. Uma grande abertura a novos conhecimentos e novas áreas do saber,
valorizando uma postura generalista e autodidata;
4. A utilização do ciclo Adaptação, Inovação e Desenvolvimento, em contraposição
com uma postura de Condicionamento e Conformismo.

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3.2.Técnicas

3.2.1.Área de negócio e de orientação para o cliente

Iniciar um negócio inclui não só um conjunto de oportunidades como também alguns


riscos. Neste sentido apresentamos em primeiro lugar alguns motivos que levam as
empresas a fracassar.

Motivos de fracasso de negócios de dimensões reduzidas:


• Muita concorrência no mercado;
• Inexistência de clientes;
• Ausência de conhecimentos específicos para o negócio;
• Falta de capital;
• Flutuações económicas nos mercados, nas taxas de juro, etc…
• Inexistência de um plano de negócios.

Depois de analisar alguns dos motivos que levam as empresas a fracassar, torna-se
necessário identificar as razões principais que fazem com que os negócios progridam e
cresçam.

Lista de fatores de sucesso do negócio:


1. A sua empresa deverá vender o que os clientes gostam e não o que você
gosta;
2. Os preços competitivos podem ser ingredientes-chave para atrair clientes;
3. A alta qualidade é testemunhada de boca em boca pelos clientes;
4. O empresário com características empreendedoras que impulsiona o negócio;
5. Uma equipa motivada e qualificada.

Como desenvolvê-los:

1. Deverá saber o que faz voltar o seu cliente e fortalecer essas situações.
2. Deverá analisar sempre as formas de reduzir os custos.
3. Deverá implementar um programa de desenvolvimento contínuo de qualidade
4. Aperfeiçoar/treinar as suas características de empreendedor VENCEDOR de
acordo com as suas necessidades
20
5. Deverá procurar sempre formas novas de motivar a sua equipa assim como
ministrar os melhores planos de formação.

Depois de estarmos alerta para os motivos que levam as empresas a fracassar e de


sabermos os fatores de sucessos que fazem com que elas progridam, estamos aptos
para encontrar as oportunidades de negócio.

Primeiro, localize a área de mercado que quer servir e analise as necessidades desse
mercado. Prepare uma lista com os produtos e serviços que têm sentido no mercado e
podem ajustar-se às suas capacidades. Identifique problemas ou fatores de sucesso e
não julgue o mérito relativo à alternativa ou problema que possa ter identificado. Pode
ter várias alternativas de problemas que se tornaram oportunidades.

Segundo, crie uma lista com as oportunidades tendo em conta:


• As opções de negócio de acordo com a importância do negócio;
• As vendas e os clientes;
• A viabilidade;
• A rentabilidade.

Terceiro, avalie as opções iniciais, listando as oportunidades viáveis, tendo por base os
seguintes elementos:
• As opções de negócio de acordo com a sua importância;
• As competências básicas para assegurar o sucesso de cada oportunidade;
• O nível de competências básicas que possui para assegurar o sucesso de cada
oportunidade. Deverá comparar com o item anterior;
• Indique o nível de importância de cada competência em relação às opções de
negócio que escolheu.

Por fim, sugerimos a leitura de um livro com histórias reais de homens e mulheres que
reinventaram a sua profissão, quebraram preconceitos económicos considerados
indestrutíveis e demonstraram que as iniciativas de desenvolvimento sustentável não são
fantasias de ecologistas utópicos mas antes empresas que funcionam.

21
3.2.2.Planeamento, organização e domínio das TIC

A fase inicial do processo de criação de empresas - o reconhecimento da oportunidade


- é um dos aspetos da função empresarial mais críticos, sendo talvez um dos processos
mais complexos de estudar, porque só pode ser identificado quando já aconteceu,
sendo por vezes difícil precisar quando.

Após a decisão de avançar, inicia-se o processo de implementação, onde surgem novas


características pessoais necessárias ao indivíduo, e um ambiente favorável à
concretização da empresa. As aptidões de comunicação, são essenciais nesta fase.

Depois de criada a empresa, é fundamental o seu crescimento, sem o qual não estará
terminado o processo. Nesta fase, emerge a importância de uma nova dimensão - a
organizacional - que, em conjunto com a pessoa e a envolvente, será determinante
para a sustentabilidade do negócio.

Podemos resumir as seguintes aptidões do empreendedor:


• As táticas de negociação são muito importantes na estratégia empresarial;
• As aptidões organizacionais do empreendedor, também são muito importantes.
No processo de crescimento há uma altura em que a informação é tanta que o
empreendedor tem de delegar. Muitos empresários necessitam de especialistas,
contudo ele por vezes tem dificuldade em recrutá-los, além disso tem
dificuldade em verificar a qualidade do seu trabalho. Estas situações podem por
vezes levar à falência da empresa. Portanto a uma dada altura o empresário
tem de decidir se deve encorajar a delegação através do seu próprio
julgamento dos recursos ou através de regras. Esta delegação permitirá uma
informação fiável e a motivação dos trabalhadores. Em muitos casos a
eficiência apela à descentralização, mas o empresário tem de estar preparado
para um investimento considerável;
• A inovação nos produtos é uma das formas mais importantes da função
empresarial. Sendo o elemento chave a versatilidade que geralmente é obtida
através de um designmultifacetado. A versatilidade do produto é
essencialmente um conceito do marketing, pois o produto tem muitas funções e
é difícil especificar, e requer consideráveis aptidões para o promover;

22
• Não basta ter boas aptidões para promover os produtos e boa abordagem
comercial, é essencial, controlar as existências e a qualidade.

3.2.3.Liderança e trabalho em equipa

A realidade atual que leva as empresas a mudanças constantes, à necessidade de


motivação dos colaboradores e uma forte orientação para o cliente exige líderes fortes
e criativos. O líder atual tem que inspirar os seus funcionários, criar empatia com clientes
e relações de confiança com parceiros e fornecedores.

Existe a convicção, entre muitos executivos, de que liderar é essencialmente uma questão
de senso comum e que basta possuir esta virtude para assegurar a direção com êxito
de pessoas. É claro que o senso comum é de extrema utilidade, é mesmo vital, para o
desempenho bem-sucedido em qualquer atividade. Contudo não é suficiente. Tal como
não o são, as qualidades naturais do empresário.

A direção é antes de mais uma arte, que deve ser aperfeiçoada e desenvolvida através
das técnicas mais adequadas.

Embora o líder muitas vezes se confunda com o gestor (por ser o empresário a
desempenhar as duas funções) importa distinguir a essência das duas funções aqui em
causa:

Enquanto que ao Gestor cabe tomar as principais decisões operacionais da


organização, o Líder tem como missão criar e consubstanciar a Visão para a empresa.
A comunicação bem-sucedida da Visão é um fator de competitividade importante, que
só é possível se existir partilha do projeto e uma identificação da equipa com o
mesmo.

Cabe ao líder desenvolver a cultura empresarial através da implantação de valores,


avaliação de desempenho dos colaboradores, inovação, mudança e processos de
melhoria e através da comunicação.

A comunicação é fundamental no processo de motivação pois só assim é possível:


1. Saber o que se espera de cada um / qual a sua posição na estrutura

23
2. Ter uma perceção dos objetivos
3. Dar a conhecer as alterações
4. Difundir as políticas, regras e procedimentos.

A comunicação é também imprescindível na implementação das ações planeadas e na


globalização e dinâmicas de mudança, dada a importância da transmissão de
informação e conhecimentos do exterior para o interior.

Quando estamos a dirigir alguém devemos seguir algumas regras que nos garantem
que o estamos a fazer de forma correta:
1. Identificar claramente a tarefa a ser desempenhada
2. Explicar porque é necessário realizar a tarefa – este ponto se, por um lado, é
imprescindível à motivação do colaborador, por outro lado, garante que todo o
enquadramento da tarefa nos objetivos e estratégia da empresa é conhecido do
funcionário
3. Estabelecer metas concretas a ser atingidas e (se for o caso) definir as
recompensas associadas
4. Desenvolver um plano de ação, com identificação de todos os recursos
afetos, para cumprimento dessas metas – na delegação de tarefas é necessário
ter em conta a autoridade que é necessário atribuir de forma a garantir o
desempenho desejado do colaborador
5. Definir um sistema de acompanhamento e controlo do desenrolar da tarefa –
isto pode ser feito através da identificação de indicadores de atividades, guião
de relatório de acompanhamento, etc.
6. Fazer ver ao colaborador que se confia nele para o desempenho satisfatório da
tarefa.

A autoconfiança não pode ser simulada. Emerge de uma convicção profunda em si


próprio e nas suas competências. No meio empresarial, a confiança ajuda a aumentar
o compromisso com a organização, cria laços entre os colaboradores e ajuda à motivação
dos funcionários.

Uma equipa confiante tem iniciativa, toma decisões e corre riscos, o que melhora o
desempenho da organização.

Regras para construir uma equipa confiante:


24
1. Colaboradores terem conhecimentos e aptidões suficientes para um bom
desempenho das suas funções: a confiança dos funcionários vem da consciência
de saber o que fazer, como e quando fazer. Atribuir funções para às quais não
estão preparados provavelmente levantará alguns problemas de confiança. O que
se aconselha é um alargamento progressivo das competências funcionais, que
ajuda a manter os níveis de motivação, ao mesmo tempo que aumenta a
flexibilidade e polivalência dos recursos.
2. Objetivosclaros para cada colaborador e para a equipa: só com objetivos
claramente traçados é possível aos colaboradores monitorizarem o seu próprio
desempenho e manterem-se focalizados nas atividades críticas. Além disso só
assim é possível gozar o sucesso (se não há objetivos, não há sucesso).
3. Autoridade para tomar decisões e quantificação dessas mesmas decisões e
seus resultados: os processos de delegação de tarefas só funcionam se a par
da responsabilidade delegada seja atribuída a correspondente autoridade.
Ninguém pode ser responsabilizado por um fracasso se não tinha os meios para
atingir o sucesso.
4. Reconhecimento pelos sucessos alcançados: a maioria das pessoas necessita
do reconhecimento de terceiros pelos sucessos alcançados para se sentir
confiante. Cabe ao líder (de topo ou intermédio) estar atento às pequenas
conquistas dos seus subordinados e sempre que se justifique reconhecer o
trabalho realizado.
5. Investimento na formação e desenvolvimento dos colaboradores: o apoio ao
crescimento das competências dos colaboradores, deve ser encarado pela
empresa como um investimento e não como um custo. Quanto melhor preparados
estiverem os funcionários mais facilmente a empresa atingirá os seus objetivos.
6. Oportunidade para enfrentar novos desafios: os colaboradores devem ser
incentivados a arriscar, a criar, a mudar. O estímulo da empresa, que passa antes
de mais pela tolerância ao erro, é determinante para a existência deste tipo de
cultura empresarial.
7. Celebração pelo cumprimento de objetivos da empresa: para além das
comemorações do sucesso fazerem parte da nossa cultura, num ambiente
empresarial são importantes para reforçar a importância de cada um dos
elementos da equipa nas vitórias alcançadas.

25
4.Fatores que inibem o empreendedorismo

Erros frequentes do empreendedor:

1.Acreditar que basta uma ideiaedinheiro para ter um negócio


O primeiro grande erro é assumir que uma boa ideia somada a algum capital significa
necessariamente um bom negócio.

Antes de mais porque é necessário perceber que uma ideia não é um projeto: uma
ideia não é mais do que um novo uso para um produto, uma alternativa tecnológica para
um processo, um novo artigo para comercializar.

Já um projeto exige adicionar à ideia inicial uma reflexão apurada sobre a adequação
ao mercado; um trabalho de escuta a potenciais clientes, fornecedores e/ou sócios;
previsões económicas; reflexão sobre as nossas competências e limitações.

Para passar da ideia ao projeto existe um grande esforço de diagnóstico e de desenho


do novo negócio.

Se após este trabalho prévio se concluir que o projeto é coerente, vendável e viável do
ponto de vista económico e financeiro, então, juntamente com o dinheiro necessário,
será possível criar uma empresa com boas possibilidades de vir a ter sucesso.

2.Assumir que o mercado é perfeitamente racional e que pensa e age como nós
O empreendedor não deve assumir que todos os agentes agem racionalmente e que
seguem os seus critérios de racionalidade.

Um erro frequente é partir do princípio que os consumidores estarão dispostos a


mudar mesmo que isso implique uma alteração no seu estilo de vida e hábitos de
consumo.
É preciso estar consciente que as tendências socioculturais não evoluem em função do
nosso projeto. É nossa obrigação antecipar essa evolução e ocupar o nosso espaço no
mercado, mas sempre de forma realista, informada e sem excesso de otimismo.

26
3.Sobrestimar as suas capacidades
Um erro frequente é sobrestimar algumas das suas capacidades ou competências
subestimando as dos concorrentes. Nada melhor do que ser realista nesta avaliação
para enfrentar da melhor forma os desafios que vão surgindo.

4.Ter dificuldade em assumir as próprias limitações


Procurar o êxito competindo com os grandes, ou no terreno dos grandes, quando se é
pequeno, é causa de fracasso de muitas empresas. O segredo está em definir o
negócio com consciência das suas limitações.

5.Indefinição na hierarquiada empresa


É tentador, no arranque de um negócio, criar uma “empresa de amigos”, sem
hierarquia nem chefes.

Contudo, é aconselhável pensar, desde o início, a médio e longo prazo. É vital saber
quem manda, quem assume responsabilidades, quem dá a cara, em resumo, definir
claramente a hierarquia da organização, de forma a que, quando surgirem os primeiros
problemas (que são inevitáveis), estes sejam ultrapassados com maior facilidade sem
criar “traumas organizativos” ou afetar a estrutura acionista da empresa.

6.Ter demasiados tripulantes no barco


Os jovens empreendedores têm uma tendência natural para “engordar” a estrutura da
empresa. “Nesta empresa cabem todos” (o irmão, a namorada, o primo, os amigos...).
Neste momento da empresa o planeamento deve ser o contrário: a estrutura deve ser
a estritamente necessária. De outra forma, desperdiça-se a grande vantagem que é partir
do zero (relativamente a empresas já instaladas que têm, regra geral, estruturas mais
pesadas).

Para ter a certeza que a estrutura é montada atendendo exclusivamente ao negócio,


poderá ser útil responder a algumas questões relativamente a cada um dos
participantes no projeto:
• O que traz ao projeto (a nível de perfil empreendedor, competências técnicas e
de gestão, conhecimento do mercado, experiência profissional, carteira de
clientes, recursos financeiros, rede de contactos, etc.)?
• Sem este elemento o que é que o projeto perdia?
27
• É possível substituir este elemento por outro que já esteja no projeto e que
tenha competências mais abrangentes, ou recorrendo ao outsourcing (fazer
uma análise custo-benefício da “substituição”)?

7.Assumir que inovação é tudo


A inovação só por si é habitualmente encarada como algo positivo na avaliação de uma
empresa.

Normalmente a inovação subentende uma majoração em projetos de apoio a PMEs.


Contudo, a inovação não deve ser um fim em si, mas sim um meio que:
• Origine efetiva criação de valor;
• Permita satisfação de necessidades reais do mercado;
• Contribua efetivamente para o sucesso do projeto.

Há que evitar a “tecnoluxúria”, a incorporação do novo sem uma contextualização


empresarial, sem que haja efetiva satisfação de necessidades. Inovação não é só
tecnologia: é também gestão, marketing, estratégia, serviço, etc. O melhor projeto não
tem de ser o mais “tecnológico” ou o mais “atraente”. O melhor projeto de empresa é
o que funciona e sobrevive.

8.Confundir Negócio com Produto


Um negócio não é um produto, nem um mercado, nem um processo inovador. Um
negócio é tudo isto e muito mais. Um negócio é a conjugação de um “O quê”, um “Onde”,
um “A quem”, um “Como”, que nos permita satisfazer necessidades concretas.

Só com uma resposta integral que considere em simultâneo todos estes aspetos o

empreendedor pode acertar no desenho da nova empresa.

28
5.Diagnóstico de necessidades do empreendedor

5.1.Necessidades de carácter pessoal

O porquê de se tornar empresário


Que razões poderão levar alguém que se encontra numa situação profissional estável e
compensadora a enveredar por uma carreira empresarial?

Algumas das razões possíveis são:


1. Vontade de ser o próprio patrão
2. Querer controlar o seu destino
3. Conseguir que o retorno do seu trabalho reverta para si e não para terceiros
4. Ter consciência que o potencial de ganho e de crescimento são maiores para
o empresário do que para um trabalhador por conta de outrem
5. Vontade de aceitar o desafio que uma nova empresa representa
6. Querer beneficiar da aprendizagem proporcionada pela gestão de um negócio

Habitualmente não é uma razão mas sim a combinação de várias motivações que leva
um empreendedor a optar pela criação do seu próprio negócio.

Contudo, não basta querer. Mesmo que alguém reúna um conjunto de características
que a permita definir como empreendedora tem um longo caminho a percorrer até se
tornar empresário.

Requisitos préviosao arranque do negócio


Antes de iniciar a sua aventura empresarial, o empreendedor deverá refletir sobre um
conjunto de questões relativas às condições de partida para o arranque do negócio:
1. Possui a autoconfiança e autodisciplina suficientes para iniciar um negócio?

2. As suas competências sociais permitir-lhe-ão lidar com variadas


personalidades e feitios (de colaboradores, clientes, fornecedores, etc.)?
3. Como lida com a pressão e com a necessidade de ter que tomar decisões em
pouco tempo e, frequentemente, com escassez de informação?
4. Quais as suas competências a nível de planeamento e organização
(atividades essenciais para o sucesso de um negócio)?
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5. Até que ponto está motivado para iniciar o negócio?
6. Está preparado para o desgaste físico e emocional de uma atividade que o
vai ocupar a tempo inteiro (com consequências diretas sobre o tempo
disponível para a família, amigos e lazer)?
7. A sua família apoia-o neste negócio e está preparada para as consequências
a nível financeiro e de disponibilidade de tempo que ele representa?
8. Possui (ou identificou quem possua) as competências técnicas necessárias à
concretização do seu negócio?
9. Já identificou as fontes de financiamento necessárias ao arranque e
funcionamento do seu negócio?
Se respondeu afirmativamente às questões anteriores está apto a passar à fase
seguinte – iniciar a planificação do seu negócio.

Para determinar o âmbito de atuação da nossa empresa, o negócio deve ser


inicialmente entendido em sentido amplo, como algo que transcende o produto ou
serviço, para posteriormente analisar segmentos mais específicos. Um método de
segmentação passa por analisar e integrar os três grandes eixos do negócio - Produto,
Mercado e Tecnologia:
• Produto (O Quê? Qual a necessidade a satisfazer?) - É necessário avaliar os
distintos “quês” que desenvolvem as empresas que pertencem ao tipo de negócio
que pretendemos instalar. As necessidades a satisfazer refletem-se em produtos
concretos, com exigências e níveis de equipamento muito distintos.
• Mercado (Onde? Qual o mercado, o canal, o cliente-alvo?) - Os critérios de
classificação do “onde” podem também ser múltiplos. Teremos de escolher aquele
que resulte mais enriquecedor para a concretização dos vários âmbitos de
atuação possíveis da nossa empresa. Pode ser o mercado geográfico, o canal
de distribuição ou o cliente-alvo.
• Tecnologia (Como produzir? Quais as alternativas tecnológicas?) - Existem
alternativas tecnológicas que apresentam graus muito diferentes de aceitação e
representam vantagens/inconvenientes muito variados. Há que perceber que
opções existem (uma prospeção da tecnologia utilizada pela concorrência é de
extrema utilidade).

30
2.A escolha do terreno: os âmbitos de atuação onde vamos concorrer
Uma vez estabelecidas as variáveis que nos permitirão escolher um “campo de
batalha”, devemos começar a concretizar as distintas alternativas que cada variável
nos apresenta, e a perceber as suas inter-relações:
• A necessidade a satisfazer, e consequentemente o produto/serviço que a
satisfaz - queremos apontar à necessidade básica, concentrando-nos assim
num segmento de qualidade mais baixa, ou a necessidades mais complexas e
sofisticadas, que exigem produtos/serviços de maior valor acrescentado?
• O Mercado (onde/a quem) – que alternativas existem? Quais as diferenças
entre vender ao público ou a retalhistas? A lojas especializadas ou grandes
superfícies? A segmentos mais altos ou mais baixos?

5.2.Necessidades de carácter técnico

A definição do negócio exige a clarificação de “o que vamos fazer”: as propostas a


apresentar aos clientes, as alternativas tecnológicas a empregar, os nichos de mercado
a abordar. Trata-se, em definitivo, de fazer um plano que nos permita conhecer e fixar
o campo de batalha onde vamos exercer a atividade empresarial.

Assim, a definição do negócio e o seu correto posicionamento são condições básicas para
o sucesso. Como fazê-lo?

1.O ponto de partida: determinar os critérios de análise do negócio.

• A alternativa tecnológica - que diferentes tecnologias podemos empregar?


Quais as vantagens e inconvenientes de cada uma? Que condicionantes nos
são impostos pela concretização do “quê” e do “onde/a quem”?

3.Procurar os motivadores de compra/fatores de êxito


Já escolhemos algumas variáveis que nos permitem segmentar o negócio potencial.

É chegado o momento de estabelecer os requisitos que deve cumprir uma empresa


que queira conquistar cada um dos nichos de mercado identificados. Para tal, é
fundamental colocar-nos no lugar do cliente e do mercado, para identificar os

31
componentes da qualidade percebida em cada segmento. Assim perceberemos quais
os critérios básicos a cumprir para ter êxito nesse terreno em particular.

Escolher o segmento errado e competir num âmbito que não é o nosso é frequentemente
causa de fracasso. Uma pequena empresa artesanal poderá responder às exigências de
volume e preço de uma grande superfície? Ou poderá uma empresa de grandes volumes
comercializar com êxito em pequenas lojas especializadas, que consomem baixas
quantidades e exigem embalagem cuidada e qualidade superior?

Começamos assim a conhecer as exigências e os fatores críticos de êxito em cada


segmento (trinómio produto-mercado-tecnologia). Há agora que perceber como se
posicionam os competidores em cada segmento, e confrontar as exigências
particulares de cada nicho de mercado com as nossas próprias competências e
recursos.

4.Identificar os competidores e localizá-los em cada segmento


Este passo requer um grande esforço de recolha de informação e conhecimentos sobre
os competidores a enfrentar, já instalados no mercado ou que, previsivelmente, se
venham a instalar no curto prazo. Se o fizermos bem, saberemos quem está onde, e
quem vai melhor ou pior no sector.

Conhecendo o seu modo de funcionamento, podemos avaliar as nossas possibilidades


de êxito. Podemos descobrir segmentos “desocupados” onde podemos apresentar uma
mais-valia, ou encontrar segmentos saturados onde a rivalidade é enorme.

Esta investigação permitirá identificar algumas das ameaças e oportunidades do nosso


negócio, ajuda-nos a determinar se a nossa posição competitiva é razoável hoje e tem
possibilidade de melhorar no futuro, e se a conseguimos localizar num segmento que
seja atrativo agora e no futuro.

5. Escolher o âmbito de atuação em função da sua atratividade e das capacidades do


empreendedor
Neste último passo o empreendedor determina o seu negócio. Já avaliou os aspetos mais
gerais e aprofundou os detalhes de cada segmento. É o momento de escolher o campo
de operações, avaliar onde é mais aconselhável desenvolver a sua atividade.

32
Para isso há que ser o mais objetivo possível e, partindo do autoconhecimento,
perceber se é possível responder com eficácia às exigências de cadasegmento.

As nossas próprias capacidades são o ponto de partida para a definição do âmbito ou


âmbitos em que uma nova empresa terá vantagens que lhe permitam sobreviver e
triunfar.

O empreendedor tem de estar consciente de que criar uma empresa requer em


simultâneo analisar metodicamente as características do sector, e ter um conhecimento
profundo de si mesmo. Só assim poderá optar, com bom senso, pelos 100 metros ou
pela maratona.

6.Empreendedor - autoavaliação

6.1.Questionário de autoavaliação e respetiva verificação da sua


adequação ao perfil comportamental do empreendedor

O perfil desejável do/a empreendedor/a é composto por 6 competências-chave:


• Autoconfiança,
• Iniciativa,
• Organização,
• Resiliência,
• Inovação e
• Relacionamento Cooperativo.

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Bibliografia

AA VV., Manual Start: Balanço de Competências-Chave para o empreendedorismo, Ed.


EPALTE, 2009

Coutinho, Ana et al.,Empreendedorismo feminino: Kit Pedagógico, Ed. BeeConsulting/


Programa Rumos, 2010

Oliveira, António, Criação de empresas,Manual Técnico do Formando, Ed. ANJE, 2008

Rodrigues, Sofia, Empreendedorismo,Manual Técnico do Formando, Ed. ANJE, 2008

Tapia, Ana; Ferreira, José Soares; Competências Empreendedoras: Referencial de


Formação, Ed. IEFP/ Centro Nacional de Qualificação de Formadores, 2011

Sites consultados

ANJE
http://www.anje.pt

PORTAL DO EMPREENDEDOR
http://empreendedorismo.pt

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Perfil e potencial do empreendedor – diagnóstico/ desenvolvimento