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ANARQUISTAS, COM O AVAL DO IMPÉRIO

A romântica utopia da Colônia Cecília, uma experiência anarquista no sul do Brasil


que, não fosse a República, teria terras doadas por D. Pedro II

POR RAFAEL A. SÊGA

“Nem pátria, nem Deus, nem patrão! Enforquemos o último rei com as tripas do
último padre!” Com palavras de ordem como essas, o anarquismo — do grego
ánarkhos, “ausente de governo” — se consolidou na Europa com a Primeira
Internacional (1864-1876) e tornou-se uma das principais forças do movimento
operário mundial até a primeira metade do século XX. Seu âmago é a supressão de
tudo que cerceie a liberdade humana. Nesse contexto, ele se organiza como um
movimento político contra o Estado e seus principais artefatos ideológicos, tais como a
religião, o voto, o direito e a propriedade privada, entendidos como obstáculos para
que o homem alcance a felicidade e a liberdade, por meio de uma vida comunitária
livre, mas com direitos e deveres comuns.

Não podemos confundir, entretanto, o anarquismo libertário com o anarco-


sindicalismo. Se o anarquismo libertário está mais para uma reflexão filosófica, o
anarco-sindicalismo foi influenciado pelo sindicalismo francês e enfatiza a importância
dos sindicatos para a construção de uma nova sociedade. Essa corrente ideológica
acreditava que os sindicatos serviam como entidades fundamentais na luta pela
melhoria de vida do proletariado e pela sua emancipação social. Ela considerava os
sindicatos as bases da nova sociedade após a vitória da revolução, na qual a greve
geral desempenharia papel fundamental. O anarquismo moderno trilhou, em sua
gênese, as mesmas veredas históricas do socialismo e até se confundiu com ele, em
alguns momentos. Por exemplo: a “Conspiração dos Iguais”, liderada por François-
Noël (Graco) Babeuf (1760-1797), ocorreu no bojo da Revolução Francesa e foi uma
das primeiras tentativas de implantação de uma igualdade social dos cidadãos,
superando a mera igualdade política, um dos lemas da revolução. O primeiro escritor a
teorizar sobre essa igualdade efetiva entre os homens talvez tenha sido o inglês
William Godwin (1756-1836), que, em seu tratado de 1793 Enquiry concerning political
justice (Indagação sobre a justiça política), assinalou pontos que tomariam corpo no
século seguinte.

Todavia, o século XIX foi marcado pela separação nítida do anarquismo e do


socialismo utópico e científico com as obras teóricas anarquistas de Pierre-Joseph
Proudhon (1809-1861), Enrico Malatesta (1853-1932), Piotr Kropotkin (1842-1921),
Max Stirner (1806-1856) e, principalmente, Mikhail Bakunin (1814-1876), antagonista
de Karl Marx (1818-1883) e um dos fundadores da Associação Internacional de
Trabalhadores. Essa era a denominação da Primeira Internacional Operária, que, a
partir de 1872, passou a dirigir as organizações operárias de vários países,
especialmente da Itália e da Espanha, desarticuladas mais tarde pelo franquismo e
pelo fascismo.

A atuação nacional mais marcante dos anarquistas possivelmente deu-se na


Espanha, onde eles tiveram papel de destaque na Catalunha e na Andaluzia. O
regime autoritário e intransigente de Miguel Primo de Rivera (1923-30) colocou na
ilegalidade a Confederação Nacional do Trabalho (CNT). Essa organização sindical
anarquista reapareceu renovada durante as eleições de 1936, indo contra a crença
anarquista no abstencionismo. Foi, aliás, decisiva para o êxito eleitoral da Frente
Popular. Durante a Guerra Civil Espanhola (1936-39), a CNT integrou o governo
republicano, mas o antagonismo com os comunistas e a derrota militar da República
para os falangistas acarretaram o desbaratamento quase integral do movimento
anarquista espanhol. Na verdade, o anarquismo como movimento de massa
praticamente desapareceu no período entre as duas guerras mundiais e não
conseguiu sobreviver à posterior polarização ideológica da Guerra Fria.

No Brasil, as relações de trabalho se preservaram. O imigrante se reinseria como


proletário em potencial, fadado a viver na pobreza

No continente americano, o anarquismo chegou em fins do século XIX, junto


com os imigrantes europeus, particularmente espanhóis e italianos. Não por acaso,
houve a fundação da Federação Operária Regional Argentina (FORA), em 1901. Mais
adiante, em 1910, começou a ser publicado o jornal Regeneración, pelos irmãos
mexicanos Ricardo, Enrique e Jesús Flores Magón. Em Cuba, os anarquistas se
fizeram presentes até 1925 por meio da Federação Cubana do Trabalho. Nos Estados
Unidos, contudo, a atuação dos anarquistas foi maculada com a execução criminosa
dos militantes Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti, em 1927.

No final do século XIX, o Brasil recebeu uma grande quantidade de imigrantes,


principalmente italianos, saídos de um meio rural para outro. Se na Itália os
fundamentos da emigração foram as dificuldades das condições de vida no campo,
aqui, tanto nas fazendas de café como nos núcleos coloniais, as relações de trabalho,
em linhas gerais, se preservaram, não dando ao processo um caráter inovador. O
imigrante se reinseria no Brasil como proletário em potencial, fadado a viver na
pobreza.

Atraídos pela possibilidade de adquirir suas próprias terras, os imigrantes


encontraram uma realidade diferente daquela sonhada. Os fazendeiros, acostumados
a lidar com escravos, não dispensaram, na maioria das vezes, tratamento diferenciado
para os colonos. Os lavradores, cansados de maus-tratos, tinham duas opções: voltar
para seus países de origem ou rumar para as cidades. Nesse período, a população
ligada à indústria era pequena. Ainda que existisse uma boa quantidade de fábricas, a
verdade é que empregavam pouca mão-de-obra, porque a maioria tinha o caráter de
unidade de produção doméstica. Foi nesse meio social que o anarquismo se propagou
no Brasil.

Filósofos ácratas

A primeira tentativa efetiva de implantação do ideário anarquista em terras


brasileiras se deu em 1889 com a fundação da Colônia Cecília, na localidade de
Palmeira, no Paraná, como iniciativa do jornalista e agrônomo italiano Giovanni Rossi
(1856-1943). Ele era um ideólogo e escritor anarquista que havia pedido ao imperador
D. Pedro II a instauração de uma comunidade capaz de servir como centro propulsor
de um “novo tempo”. Rossi e seus correligionários intitulavam-se “filósofos ácratas”, ou
seja, adeptos da “acracia”. Esta palavra deriva do grego akratía e, de acordo com o
Dicionário Houaiss, significa “falta de força, impotência para governar, fraqueza” ou
“sistema político que nega obediência a qualquer autoridade; anarquia”.

Giovanni Rossi nasceu em Pisa, na Itália, em 1856. 14, foi editor do jornal
anarquista II Sperimentale (O Experimental). Conheceu, em Milão, em 1888, o músico
brasileiro Carlos Gomes, que o instigou a procurar D. Pedro II para levar a cabo suas
idéias, com o intuito de instaurar uma utopia baseada no trabalho, na vida e no amor
libertários. O imperador atendeu o pedido de Rossi. Escreveu-lhe, oferecendo 300
alqueires a serem ocupados por 250 italianos na região meridional brasileira, na
província do Paraná. Na verdade, por trás da aparente “bondade” do imperador estava
o interesse pela colonização. E, de qualquer forma, a doação não aconteceu, porque
em seguida à oferta foi instaurada a República brasileira, que nasceu sob a égide
militar e não reconheceu concessões de terras outorgadas pelo imperador deposto a
estrangeiros. Nem assim Rossi desistiu. Comprou, ele mesmo, a área por meio da
Inspetoria de Terras e Colonização.

A UTOPIA, NO FALANSTÉRIO DO SAÍ

François-Marie Charles Fourier talvez tenha sido, dentre os autores do


chamado “socialismo utópico”, o mais audacioso. Nasceu na França, em Besançon.
Filho de um comerciante de tecidos, abandonou os confortos pequeno-burgueses para
lutar ao lado dos revolucionários em 1789. Dedicou a vida (morreu em Paris, em 1837)
à luta pelos avanços sociais, na prática e na teoria. Em 1808 escreveu seu primeiro
trabalho de peso, Teoria dos quatro movimentos e dos destinos gerais, no qual
defendia a ideia de uma ordem social natural, paralela à ordem física do Universo, cuja
evolução máxima seria uma sociedade perfeita.

Na primeira década do século XIX, Fourier pôde se dedicar mais à literatura,


após receber uma herança. Logo em seguida publicou Tratado da associação agrícola
doméstica (1822), em que expôs a noção de “falanstérios”, comunidades claramente
inspiradas nas abadias medievais e que deveriam ser constituídas por
aproximadamente oito centenas de pessoas de cada sexo, nas quais as formas de
amor seriam exercidas sem repressão, as crianças educadas de acordo com suas
aptidões e a contraposição entre trabalho e satisfação desapareceria.

Apesar das críticas de Marx a Fourier, sua doutrina política antecipou muitos
ideais libertários do século XIX, inspirando algumas cooperativas que foram
estabelecidas nos continentes europeu e americano, inclusive uma no Brasil. Em
1842, um grupo de franceses se fixou na região do Saí, hoje município de São
Francisco do Sul, Santa Catarina, com a finalidade de fundar um falanstério. A
experiência foi organizada por Benoît Jules Mure, um dos precursores da homeopatia
no Brasil. Os colonos foram recrutados em Paris, com a finalidade de montar a Colônia
Industrial Francesa, banhada pelos rios Saí-Guaçu e Saí-Mirim. Ela, de acordo com os
planos, deveria se transformar numa “metrópole da renovação social”, longe dos
problemas que a Europa atravessava na época. O objetivo era provar que o ser
humano poderia construir uma sociedade mais justa, desde que fosse mais bem
orientado. A iniciativa fracassou, mas a maioria das famílias francesas atraídas pelo
sonho inicial, como os Ladoux, Rainert e Devoisin, permaneceu no distrito,
contribuindo para o desenvolvimento político-social da região. Na parte continental do
município de São Francisco do Sul, encontra-se até hoje o distrito do Saí, composto
pelas localidades de Torno dos Pintos, Estaleiro e Vila da Glória.

Estrutura precária

Os colonos começaram a chegar em 1891, vindos, na maioria, do norte da


Itália, atraídos pela possibilidade de acesso à terra. Ao final daquele ano, a Colônia
Cecilia já comportava quase três centenas de pessoas, inclusive o próprio Rossi.
Sobre isso, Maurício Monteiro Filho esclarece: “Essa explosão populacional superava
em muito a estrutura disponível, que se resumia a cerca de 20 casas de madeira e um
barracão comunitário. Nessa época, a lavoura e a pecuária ainda não produziam o
suficiente para a subsistência de tal contingente. Além disso, grande parte dos recém-
chegados era de origem operária e não tinha conhecimentos agrícolas para
implementar uma produção em maior escala”. O resultado foi o primeiro revés da
colônia, com a partida de sete famílias.
A primeira desagregação levou à necessidade de reestruturar a Colônia, que
ficou reduzida, em fins de 1891, a apenas 20 pessoas, quando veio outra leva de
colonos para lhe dar novo alento. O ano seguinte pode ser considerado o apogeu da
breve história da Colônia Cecilia, que terminou 1892 com 64 pessoas, dois poços e
uma estrada de acesso. Nessa época, os colonos começaram a vitivinicultura e a
fabricação de sapatos e barricas. Os sapateiros oriundos da Colônia Cecília
exerceram, posteriormente, papel de liderança no movimento operário paranaense.

As desilusões da Colônia Cecília foram inevitáveis e, a partir de 1891, começou


a migração dos primeiros desencantados para Curitiba. Eram intelectuais, professores,
médicos, engenheiros e operários de Milão, além de camponeses da região lombarda
italiana. Eles fundaram a Sociedade Giuseppe Garibaldi, que acolheu todas as
iniciativas de mobilização trabalhista, naquela cidade, a capital do estado, onde havia
corporações de sapateiros. Cada corporação reunia mais de 80 profissionais, sob a
liderança de Diego Muggiati, Biezo Fabiani e Severo Arturi. Esses italianos atraíram
um integrante da Colônia Cecília, Carlos Torti, por meio de Ferdinando Patitucci e
Domingos Fráximo. Torti passou a morar em Curitiba, onde se integrou ao grupo e
atuou na arregimentação de companheiros para a causa das necessidades operárias.
Na liderança sindical representou a Liga dos Sapateiros, com sede no Alto do São
Francisco (região no centro de Curitiba, onde as organizações operárias se
estabeleceram), nos idos de 1906, no primeiro grito de protesto da categoria
profissional contra o estado de carestia em que viviam. Participou e liderou a greve pró
aumento de 25%. Esse ano foi decisivo na elaboração de uma frente de aglutinação
dos trabalhadores paranaenses, graças à fundação da Federação Operária
Paranaense (FOP), com sede na Sociedade Garibaldi. A Liga dos Sapateiros
participou da iniciativa.

LEMBRANÇAS DE QUEM VIVEU A HISTÓRIA

“Os Gattai foram alojados provisoriamente no barracão coletivo construído pela


primeira leva. Nos dias que se seguiram, cada família tratou de construir sua própria
morada. Papai nos contara que a tentativa de Giovanni Rossi durou quatro anos (1890
a 1894). A família Gattai permaneceu lá [na Colônia Cecília] apenas dois anos, não se
adaptou e, em 1892, pais e filhos partiram para São Paulo.” (Zélia Gattai, em
Anarquistas, graças a Deus)

“Acredito que Giovanni Rossi legou um grande exemplo ao homem do futuro:


sua obra, teorias e a própria vida em busca da verdade e de um ideal. Para Rossi, o
anarquismo não era uma essência, ou ideologia a ser aplicada de forma imediata, mas
a busca incessante do bom, do belo e do perfeito, apesar de saber que estas virtudes
no homem e em sua sociedade não seriam facilmente alcançadas.” (Cândido de Mello
Neto, médico, descendente direto dos imigrantes da Colônia Cecília)

Sonho desfeito

Bem antes, porém, a Colônia Cecília deu sinais de esgotamento. Na verdade,


esses indícios estavam claros em 1893. As razões são alinhadas por Maurício
Monteiro Filho: “A grande demanda por mão-de-obra e a expectativa de melhores
condições de vida nas cidades vizinhas fizeram com que muitos abandonassem o
local e partissem para Palmeira, Porto Amazonas, Ponta Grossa e Curitiba. Mesmo
após sua saída, algumas famílias continuaram chegando à Colônia, em razão da forte
propaganda difundida pelos veículos da imprensa socialista européia. Esse
movimento, no entanto, não foi suficiente para sua manutenção, e ela se extinguiu por
volta de abril de 1894”.
Para Miguel Sanches Neto, um dos tradutores de alguns escritos de Giovanni
Rossi, a principal razão da desagregação da Colônia Cecilia foi o fato de que os
colonos encontravam facilidade de acesso à terra. “Como era composta por poucos
anarquistas convictos e por colonos recém-convertidos, de olho na melhoria
econômica da própria família, estes logo deixavam a Colônia e se estabeleciam na
região.” Já Helena Isabel Mueller, que tem uma tese de mestrado na Universidade de
São Paulo a respeito, acredita que a carestia e a falta de consistência ideológica de
alguns colonos contribuíram para o fracasso da experiência. “Não era possível
sobreviver em meio à miséria, mesmo em nome de um ideal. Até porque esse ideal
pressupunha uma vida prazerosa e, na miséria, não há prazer que sobreviva.”

Para Giovanni Rossi o problema era outro: a permanência da estrutura familiar.


“No seio do parentesco, ordinariamente, os defeitos são tolerados, os quais, ao
contrário, se condenam acerbamente nos outros. Estamos convencidos de que só
quando a molécula doméstica — a família — estiver decomposta nos seus átomos
constituintes a propriedade dos meios de produção voltará ao clã, mas o clã será o
gênero humano. Sem oposições à completa autonomia individual, só então
corresponderá necessariamente à solidariedade econômica e à liberdade política, o
que para nós é como dizer: comunismo e anarquia.”

Após três anos na Colônia Cecília, ele mesmo acabou desistindo e, em 1893,
abandonou o Paraná e foi lecionar agronomia em Taquari, no Rio Grande do Sul. Mais
tarde se transferiu para Santa Catarina, onde dirigiu a estação agronômica estadual.
Retornou à Itália em 1907, para retomar a atividade profissional como vitivinicultor, até
sua morte, em 1943.

Apesar do aparente fracasso do projeto anarquista mais amplo de que se tem


notícia, no Brasil, a atuação política de alguns de seus líderes foi fundamental para
conquistas da classe trabalhadora. A ideologia que defendiam predominou como base
de organização do proletariado urbano brasileiro durante a Primeira República, como
instrumento de intensificação da luta política e de incremento das reivindicações por
melhores condições de vida. Multiplicaram-se pelo país ligas e uniões, sociedades de
resistência, socorros mútuos, caixas, clubes, associações, corporações, federações e
confederações, como formas de organização dos operários. De caráter beneficente,
recreativo ou de luta por direitos, todas serviram como veículos de propagação de
idéias e de afirmação de classe. Além disso, os imigrantes e seus descendentes ainda
contribuíram de maneira decisiva com a implantação de uma imprensa voltada aos
interesses do proletariado, lançando títulos como L'Avvenire (São Paulo, 1894), II
Risveglio (São Paulo, 1898), II Diritto (Curitiba, 1899), L' Asino Umano (São Paulo,
1893), L'Operario (São Paulo, 1896), La Battaglia (São Paulo, 1904). A circulação da
doutrina, em sua corrente anarco-sindicalista, foi o mais importante fator na
organização do operariado brasileiro até a década de 20, com o surgimento do Partido
Comunista do Brasil.

RAFAEL SÊGA é historiador

GLOSSÁRIO

Primeira Internacional: nome pelo qual ficou conhecida a Associação Internacional


dos Trabalhadores, criada em 1864 em Londres. Reuniu entre seus fundadores os
principais líderes sindicais franceses e ingleses.Com estatutos redigidos por Karl Marx,
marcou a separação entre marxistas e anarquistas. Foi extinta em 1876.
François-Noël Babeuf, (1760-1797): revolucionário francês, também chamado
Gracchus,ou Graco. Fundador de uma variante do comunismo conhecida como
babovismo.

Miguel Primo de Rivera y Orbaneja (1870-1930): militar e político espanhol. Seu


governo intransigente e autoritário,de 1923 a 1930,antecedeu a Guerra Civil
Espanhola. Alçado ao poder pelo golpe de Estado de setembro de 1923, Miguel Primo
de Rivera dissolveu o Parlamento e suspendeu as garantias constitucionais. Apesar de
a monarquia ter sido mantida,o rei Alfonso XIII tornou-se apenas um títere.Tomou para
si o comando militar no protetorado do Marrocos e obteve alguma popularidade
quando conseguiu pôr fim à guerra em 1927, com a vitória da Espanha.Também
obteve sucesso na solução de questões trabalhistas e na realização de obras públicas
Na tentativa de criar um partido forte, de apoio a seu regime e fiel às tradições
espanholas, fundou a União Patriótica, mas não atingiu seu objetivo. Mesmo tendo
promovido algumas melhorias importantes, Miguel Primo de Rivera provocou
descontentamento geral e revolta com sua atitude autoritária. Seu regime, no entanto,
conseguiu resistir a três tentativas de golpe em 1926 e tomou-se cada vez mais
intolerante com a oposição. Quando o Exército, sua principal fonte de poder, recusou-
se a apoiá-lo, em 1930, Miguel Primo de Rivera foi forçado a renunciar e exilou-se em
Paris, onde morreu em 16 de março do mesmo ano.

PARA SABER MAIS

Hasui, Marta & Sêga, Rafael A. O papel político dos sapateiros, Curitiba 1890-1907.
Curitiba: Monografia para conclusão da graduação em História, UFPR, 1992.

Mello Neto, Cândido. O Anarquismo Experimental de Govanni Rossi; de Poggio al


Mare à Colônia Cecília. Ponta Grossa: Editora da UEPG, 1997.

Monteiro Filho, Maurício. Memória anarquista. (Disponível em forma de mídia


eletrônica: http://www.reporterbrasil.com.br/reportagens/cecilia/iframe.php).

Rossi, Giovanni. Colônia Cecília e outras utopias. Curitiba: Imprensa Oficial, 2000.