PROPRIEDADE INTELECTUAL

PROFESSOR: RONALDO LEMOS

2ª EDIÇÃO

ROTEIRO DE CURSO 2010.1

Sumário

Propriedade Intelectual
DIREITOS AUTORAIS – PRInCíPIOS GERAIS .......................................................................................................................................3 DIREITOS AUTORAIS – CIRCUlAçãO DA ObRA, lImITAçõES E ExCEçõES ............................................................................................19 lICEnçAS PúblICAS GERAIS (CREATIvE COmmOnS E OUTRAS) .........................................................................................................33 mODElOS DE nEGóCIO DA WEb ......................................................................................................................................................46 SOCIOlOGIA DA PROPRIEDADE InTElECTUAl..................................................................................................................................69 SOfTWARE E SOfTWARE lIvRE ......................................................................................................................................................70 PATEnTES .....................................................................................................................................................................................80 mARCAS ..................................................................................................................................................................................... 105 COnCORRÊnCIA DESlEAl............................................................................................................................................................. 130 nOmES DE DOmínIO ................................................................................................................................................................... 145 TRATADO DE RADIODIfUSãO, bROADCAST flAG, DRm E Tv DIGITAl ............................................................................................... 156 SISTEmA InTERnACIOnAl DE PROPRIEDADE InTElECTUAl............................................................................................................ 164 InDICAçãO GEOGRÁfICA E COnHECImEnTOS TRADICIOnAIS: PROTEçãO AO COnHECImEnTO TRADICIOnAl ASSOCIADO .................... 186 InDICAçãO GEOGRÁfICA E COnHECImEnTOS TRADICIOnAIS – PARTE II .......................................................................................... 199

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direitos autorais – princípios Gerais
Prof. Sérgio Vieira Branco Júnior EmEntário dE tEmaS

Princípios da proteção; obras protegidas e não protegidas; autoria; direitos morais e patrimoniais.

LEitura oBrigatória

LESSIG, Lawrence. “Cultura livre”, ed. Trama universitário. p. 29-52.

LEituraS comPLEmEntarES

ABRÃO, Eliane Y. Direitos de autor e direitos conexos. São Paulo: Ed. do Brasil, 2002. P. 27-38 e 69-126. NETTO, José Carlos Costa. Direito Autoral no Brasil. São Paulo: FTD, 1998. p. 30-78.

1. rotEiro dE auLa 1.1. introdução ao assunto

A complexidade da vida contemporânea tornou a análise e a defesa dos direitos autorais muito mais difícil. Até meados do século XX, a cópia não autorizada de obras de terceiros, por exemplo, era sempre feita com qualidade inferior ao original e por mecanismos que nem sempre estavam acessíveis a todos. Com o avançar do século passado, entretanto, e especialmente com o surgimento da cultura digital – cujo melhor exemplo é a internet, tornou-se possível a qualquer um que tenha acesso à rede mundial de computadores acessar, copiar e modificar obras de terceiros, sem que nem mesmo seus autores possam ter o controle disso. Na prática, a conduta da sociedade contemporânea vem desafiando os preceitos estruturais dos direitos autorais. Conforme veremos adiante, nos itens que tratam das limitações a tais direitos, a cultura digital permite que diariamente sejam feitas cópias de músicas, filmes, fotos e livros a partir do download das obras da internet, contrariamente à literalidade da lei. A fim de supostamente proteger os direitos autorais, são criados mecanismos de gerenciamento de direitos e de controle de acesso às obras, mas tais mecanismos são freqüentemente contornados e a obra mais uma vez se torna acessível. Cada vez mais constantemente, temos assistido à contestação judicial do uso de obra de terceiros. Recentemente, a IFPI (sigla em Inglês para designar Federação Internacional da
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Indústria Fonográfica) e a ABPD (Associação Brasileira de Produtores de Discos) anunciaram a intenção de processar judicialmente usuários da internet que disponibilizam grande número de músicas na rede. Vê-se, nesse passo, que a grande questão a ser analisada quanto ao estudo dos direitos autorais é a busca pelo equilíbrio entre a defesa dos titulares dos direitos e o acesso ao conhecimento por parte da sociedade.
1.2. abrangência da lei: obras protegidas

O art. 7º da Lei 9.610/98 (Lei de Direitos Autorais, ou LDA) indica quais obras são protegidas pelos direitos autorais. Seus termos são os seguintes:
Art. 7º São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como: I – os textos de obras literárias, artísticas ou científicas; II – as conferências, alocuções, sermões e outras obras da mesma natureza; III – as obras dramáticas e dramático-musicais; IV – as obras coreográficas e pantomímicas, cuja execução cênica se fixe por escrito ou por outra qualquer forma; V – as composições musicais, tenham ou não letra; VI – as obras audiovisuais, sonorizadas ou não, inclusive as cinematográficas; VII – as obras fotográficas e as produzidas por qualquer processo análogo ao da fotografia; VIII – as obras de desenho, pintura, gravura, escultura, litografia e arte cinética; IX – as ilustrações, cartas geográficas e outras obras da mesma natureza; X – os projetos, esboços e obras plásticas concernentes à geografia, engenharia, topografia, arquitetura, paisagismo, cenografia e ciência; XI – as adaptações, traduções e outras transformações de obras originais, apresentadas como criação intelectual nova; XII – os programas de computador; XIII – as coletâneas ou compilações, antologias, enciclopédias, dicionários, bases de dados e outras obras, que, por sua seleção, organização ou disposição de seu conteúdo, constituam uma criação intelectual.

Da simples leitura do caput do artigo acima transcrito, percebe-se que o legislador teve duas grandes preocupações: (i) enfatizar a necessidade de a obra, criação do espírito, ter sido exteriorizada e (ii) minimizar a importância do meio em que a obra foi expressa. De fato, é relevante mencionar que serão protegidas apenas as obras que tenham sido exteriorizadas. As idéias não são protegíveis por direitos autorais. No entanto, o meio em que a obra é expressa tem pouca ou nenhuma importância, exceto para se produzir prova de sua criação ou de sua anterioridade, já que não se exige a exteriorização da obra em determinado meio específico para que a partir daí nasça o direito
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conforme prescreve o inciso I do art. a vida do autor mais setenta anos contados da sua morte. mas sim como elemento capaz de diferençar a obra daquele autor das demais. que é. III – concessão de registro de marca. da LDA. A doutrina indica os requisitos para que uma obra seja protegida no âmbito da LDA. caput. a obra gozará de proteção autoral. São eles: a) Pertencer ao domínio das letras. b) Originalidade: este requisito não deve ser entendido como “novidade” absoluta. Não se exige que a obra que se pretende proteger seja necessariamente classificada entre os treze incisos do artigo 7º. IV – repressão às falsas indicações geográficas. serem obras intelectuais protegidas os textos de obras literárias. por parte dos leigos. obedecendo-se. Aqui.279. II – concessão de registro de desenho industrial. 7º. De acordo com seu artigo 2º: Art. É muito comum haver confusão. 7º. artísticas e científicas. d) Achar-se no período de proteção fixado pela lei. das artes ou das ciências. que determina. c) Exteriorização. que indica o que a lei considera como não sendo objeto de proteção por direitos autorais. efetua-se mediante: I – concessão de patentes de invenção e de modelo de utilidade. Por outro lado.3. por qualquer meio.pROpRIEDaDE InTElEcTual autoral. 1. conforme visto anteriormente. com relação ao objeto de estudo dos direitos autorais e os demais objetos de estudo de matérias afins. aloca-se dentro do Direito Civil. assim. exemplificativamente. e FGV DIREITO RIO 5 . há que se ressaltar que não se leva em consideração o respectivo valor ou mérito da obra. considerado seu interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País. O outro ramo é chamado de propriedade industrial e tem seu estudo sistematizado principalmente no âmbito do direito comercial A propriedade industrial é disciplinada no Brasil pela lei 9. obras não protegidas a) O que NÃO é direitO autOral: prOpriedade iNdustrial. já que a doutrina é unânime em dizer que o caput deste artigo enumera as espécies de obra exemplificativamente. Um se dedica ao estudo dos direitos autorais. Uma vez atendidos estes requisitos. atualmente. e dentro das disciplinas jurídicas. A propriedade intelectual é classicamente dividida em dois grandes ramos. de 14 de maio de 1996. 2º: A proteção dos direitos relativos à propriedade industrial. Este existe uma vez que a obra tenha sido exteriorizada. é necessário que a obra não se encontre entre as hipóteses previstas no artigo 8º da LDA. independentemente do meio. ao mandamento legal previsto no art.

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V – repressão à concorrência desleal.

A propriedade industrial – que é vulgarmente chamada de “marcas e patentes”, o que é denominação restritiva e insuficiente para delimitar-lhe a abrangência – tem um caráter visivelmente mais utilitário do que o direito autoral. As invenções e os modelos de utilidade, por exemplo, que podem ser objeto de concessão de patente, têm por finalidade, em regra, solucionar um problema técnico1. Assim, quando o telefone foi inventado, resolvia-se com ele o problema de ser necessário deslocar-se de um lugar a outro caso se quisesse falar com pessoa ausente. Por outro lado, a composição de uma determinada música ou a confecção de uma escultura ou de uma pintura não põe fim a qualquer problema técnico. O que se pretende com essas obras é tão somente estimular o deleite humano, o encantamento; o que se quer é causar emoção.
b)

O que O direitO autOral NÃO prOtege. que fazer cOm as idéias? Já vimos que o art. 7º da LDA estabelece quais as obras intelectuais protegidas pela lei. No artigo subseqüente, a LDA indica o que NÃO é protegido por direito autoral, nos seguintes termos:
Art. 8º Não são objeto de proteção como direitos autorais de que trata esta Lei: I – as idéias, procedimentos normativos, sistemas, métodos, projetos ou conceitos matemáticos como tais; II – os esquemas, planos ou regras para realizar atos mentais, jogos ou negócios; III – os formulários em branco para serem preenchidos por qualquer tipo de informação, científica ou não, e suas instruções; IV – os textos de tratados ou convenções, leis, decretos, regulamentos, decisões judiciais e demais atos oficiais; V – as informações de uso comum tais como calendários, agendas, cadastros ou legendas; VI – os nomes e títulos isolados; VII – o aproveitamento industrial ou comercial das idéias contidas nas obras.

As idéias são de uso comum e por isso não podem ser aprisionadas pelo titular dos direitos autorais. Se assim fosse, não seria possível haver filmes com temas semelhantes realizados próximos um dos outros, como aliás é comum acontecer. “Armageddon” (“Armageddon”, dirigido por Michael Bay em 1998) tratava da possibilidade de a Terra ser destruída por um meteoro, mesmo tema de seu contemporâneo “Impacto Profundo” (“Deep Impact”, de Mimi Leder, dirigido no mesmo ano). No mesmo sentido, “O Inferno de Dante” (“Dante’s Peak”, de Roger Donaldson, 1997) trata de uma cidade à beira da destruição por causa de um vulcão que volta à atividade, tema semelhante ao de “Volcano – A Fúria” (“Volcano”, de Mick Jackson, 1997). Exemplos mais eruditos podem ser considerados. Ao mesmo tempo em que Charles Darwin escreveu seu famoso “A Origem das Espécies”, Alfred Russel

Ver BaRBOSa, Denis Borges. Uma Introdução à Propriedade Intelectual. Rio de Janeiro: ed. lúmen Júris, 2003. p. 337 e ss.
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Wallace encaminhou ao cientista um tratado com teoria semelhante, o que acabou tendo como conseqüência a publicação conjunta das obras. Ambos tiveram a mesma idéia: escrever tratados científicos a partir de pontos de vistas semelhantes, já que era impossível, a qualquer um dos dois, apropriar-se da idéia ou invocar sua exclusividade por ter-lhe ocorrido a idéia primeiro. Diferentemente ocorre com os bens protegidos por propriedade industrial. Quanto a estes, o que se protege, inicialmente, é a idéia, consubstanciada em um pedido de registro (de marca) ou de patente (de invenção ou de modelo de utilidade). A LDA, inclusive, faz referência ao fato, ao informar, no último inciso do artigo 8º, que não é protegível como direito autoral o aproveitamento industrial ou comercial das idéias contidas nas obras. Ou seja: a obra descrevendo uma invenção será protegida por direito autoral. Mas a invenção, em si, só será protegida pela propriedade industrial, de acordo com o disposto na lei 9.279/96, se atendidos os requisitos legais de proteção.
c)

é plágiO (i)? um meNiNO eNtre feliNOs. Em 1981, o médico e escritor Moacyr Scliar – eleito em 2003 para a Academia Brasileira de Letras – escreveu um breve romance chamado “Max e os Felinos”. Nele, um menino alemão chamado Max se via, após um naufrágio transatlântico (vindo da Europa para o Brasil), dividindo um bote salva-vidas com um jaguar. Cerca de 20 anos depois, o escritor inglês Yann Martel venceu a mais elevada distinção literária de seu país com um livro chamado “Life of Pi” (publicado no Brasil pela editora Rocco sob o título de “A Vida de Pi”), no qual um menino indiano chamado Pi se via, após um naufrágio transatlântico (indo da Índia para o Canadá), dividindo um bote salva-vidas com um tigre de bengala. Diante da sinopse das histórias, qual a sua opinião? Yann Martel se apropriou apenas da idéia de Moacir Scliar ou houve plágio? Moacir Scliar deveria processar o escritor inglês? Para se ter acesso a entrevistas concedidas por ambos os autores, basta acessar o endereço abaixo: http://www.citador.pt/forum/viewtopic.php?t=2299&start=30&sid=2742b34a 9786d7414c7e19047dbeaa86 é plágiO (ii)? uma bicicleta azul. Outro caso interessante envolveu o conceito de originalidade e de paródia, tendo sido apreciado pelos tribunais franceses. Imagine-se esta história: jovem e corajosa mulher de temperamento forte vê sua juventude interrompida pela guerra que explode e divide seu país. Apaixona-se por um homem que não pode ter e enfrenta os dissabores da guerra tendo que cuidar de uma jovem frágil que engravida do homem por quem a jovem heroína se apaixonara. Entre invasões de inimigos, explosões e bombardeios, a jovem acaba por se envolver intensamente nos conflitos. Se o leitor acha esta sinopse parecida demais com a de “... E O Vento Levou”, não está sozinho. Os tribunais franceses também acharam.
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d)

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Régine Déforges publicou a trilogia “A Bicicleta Azul” tendo como pano de fundo a II Guerra Mundial e o romance foi grande sucesso de venda tanto na França quanto em outros países, inclusive no Brasil. Ocorre que as semelhanças entre “A Bicicleta Azul” e o famoso e colossal relato de um drama familiar durante a Guerra Civil dos Estados Unidos, publicado pela primeira vez em 1936 por Margareth Mitchell, foram tantas que Régine Déforges acabou sendo condenada por plágio pelos detentores dos direitos autorais de “... E O Vento Levou”. Assim se pronunciou o tribunal que decidiu2:
Baseado no estudo comparativo entre os 2 (dois) trabalhos, é claro que o que Régine Déforges pegou emprestado do trabalho de Margareth Mitchell e incorporou em “A Bicicleta Azul” é perfeitamente identificável e relaciona-se com os elementos mais importantes do romance da Sra. Mitchell.

Em adição, o tribunal entendeu que Déforges copiara “o argumento, o desenvolvimento da idéia e a progressão da narrativa, características físicas e psicológicas da maioria dos personagens, a relação entre eles, vários personagens secundários, um grande número de situações características, a composição e a expressão de numerosas cenas e momentos dramáticos chave de ‘...E O Vento Levou’” 3. Dessa forma, e mesmo tendo alegado que fizera uma paródia das idéias contidas no livro clássico sobre a Guerra da Secessão americana, Déforges foi obrigada a pagar a quantia de US$ 333,000.00 (trezentos e trinta e três mil dólares norte-americanos) aos titulares dos direitos autorais da obra considerada plagiada. O artigo extraído da internet é esclarecedor e encerra com algumas considerações interessantes: “O caso foi longo e complicado porque há poucos precedentes. A Lei Francesa proíbe o plágio, mas autoriza a paródia, forma literária secular definida como imitação humorística de um texto reconhecível. Os herdeiros de Mitchell não viram nada de engraçado a respeito de ‘A Bicicleta Azul’, a despeito das constantes afirmativas de Déforges no sentindo de que seu romance era uma paródia. ‘Eu sei o que é plágio e é algo ruim’, disse Déforges quando o caso foi parar na justiça. ‘Desde o início, ‘A Bicicleta Azul’ era para ser uma paródia. Nunca disse que era para ser algo diferente’. A corte rejeitou seu argumento, dizendo que as diferenças entre os dois trabalhos eram ‘inegavelmente secundárias e irrelevantes, dada a extensão de suas semelhanças’”. Como se vê, o uso que Régine Déforges fez de “... E O Vento Levou” em sua trilogia foi muito diferente daquele que Yann Martel fez da obra de Moacyr Scliar. Dessa forma, o plágio não pode ser inferido apenas porque uma idéia que se assemelha a outra. É preciso que sejam considerados diversos elementos – características dos personagens, eventos importantes da história – para que o plágio se configure, em análise inevitavelmente casuística.

Disponível em http://faculty. uccb.ns.ca/philosophy/115/ originality%20page2.htm. acesso em 18 de julho de 2004.
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Disponível em http://faculty. uccb.ns.ca/philosophy/115/ originality%20page2.htm. acesso em 18 de julho de 2004.
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1.4. Quem é o autor? – uma Pergunta difícil De início, é muito importante fazermos uma distinção entre autor e titular dos direi
a)

autorais. Pela lei – atendendo-se, pessOa física e pessOa jurídica: quem é dONO da Obra? inclusive, a princípio lógico – autor só pode ser A LDA é categórica pessoa física. Afinal, apenas que “autor é a pessoa criar. Pessoa jurídica não pode cr ao afirmar, em seu artigo 11, o ser humano pode física criadora da obra literária, artística ou científica”. exceto por meio das pessoas físicas que a compõem, caso em que os autores ser No entanto, o parágrafo único do mesmo artigo excepciona o princípio ao afirentão, as pessoas físicas. mar que a proteção concedida ao autor poderá aplicar-se às pessoas jurídicas nos casos previstos na LDA.Muito diferente, entretanto, é a questão da titularidade. Ainda que apenas uma pess física possa ser autora, distinção entre autor a titularidade De início, é muito importante fazermos uma ela poderá transferir e titular dos de seus direitos para qualqu direitos autorais. Pela lei – atendendo-se,física ou jurídica. Nesse caso, ainda que a pessoa física seja pa terceiro, pessoa inclusive, a princípio lógico – autor só pode ser a pessoa física. sempreapenas o ser humano pode criar. Pessoa jurídica não direitos sobre esta poderá Afinal, a autora da obra, o titular legitimado a exercer os pode criar, exceto por meio das pessoas físicas que a compõem, caso em que os aupessoa jurídica ou pessoa física distinta do autor. tores serão, então, as pessoas físicas. Um exemplo pode da muito esclarecedor. O apenas Paulo Muito diferente, entretanto, é a questão ser titularidade. Ainda que escritoruma Coelho poderá transferir se pessoa física possa ser autora, ela poderá transferir a titularidade de seus direitospara a editora responsável por s direitos econômicos sobre a obra que escreveu para qualquer terceiro, pessoa física ou jurídica. Nesse caso,Paulo que a pessoa física seja publicação. Nesse caso, o ainda Coelho será para sempre autor da obra, mas n para sempre a autora da obra, o titular legitimado a exercer os direitos sobre esta exercerá pessoalmente o direito sobre sua obra, já que, com a transferência, quem te poderá ser pessoa jurídica ou pessoa física distinta do autor. legitimidade para exercer os direitos Coelho poderá Um exemplo pode ser muito esclarecedor. O escritor Paulo será a editora. transferir seus direitos econômicos sobre a obra que poderá transferir os direitos para um amigo ou uma pessoa de s Por outro lado, o autor escreveu para a editora responsável por sua publicação. Nesse caso,Da Paulo Coelho será para sempre autor da obra, mas o exercício de seus direi família. o mesma forma, continuará a ser autor da obra, mas não exercerá pessoalmente o direito sobre sua obra, já que, com a transferência, econômicos competirá a quem recebeu os direitos por meio de contrato – uma pess quem terá legitimidade para exercer os direitos será a editora. física, neste segundo direitos para um amigo ou uma pesPor outro lado, o autor poderá transferir os exemplo. Essa forma, continuará a relevante obra, mas o exercício soa de sua família. Da mesma distinção é bastanteser autor dapara refletirmos sobre os propósitos da lei. Embora de seus direitos econômicos competirá adireitosrecebeu os direitos por meio de conchame “lei de quem autorais”, na verdade a LDA protege principalmente o titular d trato – uma pessoa física, neste segundo exemplo. é o autor. direitos, que nem sempre Essa distinção é bastante relevante para refletirmos sobre os propósitos da lei. O Embora se chame “lei de autor não precisa na verdade a LDA seu nome verdadeiro. De fato, a LDA, em seu a direitos autorais”, se identificar com protege principal12, que nem sempre se identificar como autor, poderá o criador da obra usar seu nom mente o titular dos direitos, dispõe que para é o autor. O autor não precisa civil, completocom abreviado até por suas iniciais, ade pseudônimo ou qualquer outro si se identificar ou seu nome verdadeiro. De fato, LDA, em seu art. 12, dispõe que para se identificar como autor, poderá o criador da obra convencional. usar seu nome civil, completo ou abreviado até por suas iniciais, de pseudônimo ou Assim como é comum que atores e atrizes usem nomes artísticos, também auto qualquer outro sinal convencional. podem se e atrizes usem nomes artísticos, O famoso Assim como é comum que atores apresentar com pseudônimos.também auto- escritor Marcos Rey, autor res podem se apresentar“Malditos Paulistas”, O famoso escritor Marcos Rey, autor livros infanto-juvenis tinha p com pseudônimos. “Memórias de um Gigolô” e diversos de “Malditos Paulistas”,nome verdadeiro Edmundo diversos livrossua vez, o internacionalmente conhecido M “Memórias de um Gigolô” e Donato. Por infanto-juvenis tinha por nome verdadeiro Edmundo Donato. Por sua vez, o internacionalmente Twain se chamava Samuel Longhorne Clemens. O poeta Edward Estlin Cummings conhecido Mark Twain se chamava Samuel Longhorne Clemens. O poeta Edward identificava apenas como Cummings, e o músico Prince Estlin Cummings se identificava apenas como E. E. E. E. Cummings, e o músico Prince Rogers Nelson decid Rogers Nelson decidiu, durante algum tempo, ser identificado por durante algum tempo, ser identificado por (ou, infor(ou, informalmente, o Artista Anteriorme malmente, o Artista Anteriormente Conhecido como Prince). Conhecido como Prince). Para ser identificado como autor de determinada obra, basta que o artista assim se apresente. De acordo com o artigo 13 da LDA, considera-se autor da obra, não
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sob pena de responder por perdas e danos. mesmo sem o consentimento dos demais. Nem tanto quando for o caso de co-autoria. Nos tempos contemporâneos. não podendo opor-se à outra adaptação. entende-se. à sua parte no lucro e (ii) o de vedar que se inscreva seu nome na obra. Diz a LDA que são co-autores das obras audiovisuais o autor do assunto ou FGV DIREITO RIO 10 . A LDA trata ainda dos casos em que não se configura co-autoria. publicá-la ou autorizar-lhe a publicação. salvo se for cópia da sua. Ao co-autor dissidente. exemplificativamente. mas sim quando se tratar de obra construída colaborativamente. Por obra divisível. Também será titular dos direitos autorais quem adapta. sem consentimento dos demais. Determina a LDA que não se considera co-autor quem simplesmente auxiliou o autor na produção da obra revendo-a. As obras audiovisuais gozam de disciplina legal específica quanto à indicação dos autores. registrar a obra e defender os próprios direitos contra terceiros. Trata-se de um romance escrito em cadeia. Jorge Amado. atualizando-a. Existe co-autoria quando duas ou mais pessoas são autoras de uma mesma obra. entretanto. A situação é extremamente comum quando se trata de música. nem sempre é fácil identificar-se o autor da obra. escrito por Rachel de Queiroz. individualmente. entre outros. crônicas ou poemas. como veremos nos tópicos a seguir. uma coletânea de contos. tentando resolver elementos de mistério propostos pelo autor do capítulo anterior. os autores decidirão por maioria no caso de haver divergência. Guimarães Rosa e Antonio Callado. no entanto. em que cada autor escreveu um capítulo. salvo na coleção de suas obras completas. quando o conceito de autor se torna fluido e diluído. em conformidade com o uso.pROpRIEDaDE InTElEcTual havendo prova em contrário (e aí o registro aparece como sendo um fato relevante). indicada ou anunciada essa qualidade na sua utilização. A LDA determina que quando uma obra for feita em regime de co-autoria não divisível. Cada co-autor poderá. nenhum dos co-autores. sendo trivial a existência de um letrista que trabalha em conjunto com o autor da melodia. No Brasil. renunciando. Um bom exemplo de obra coletiva indivisível é o livro “A Morte do Almirante”. o mesmo princípio foi usado para a elaboração de “O Mistério dos MMM”. escrito por Agatha Christie e outros autores do chamado Detection Club. b) cO-autOria e Obras cOletivas A questão da autoria das obras fica consideravelmente mais complicada quando se trata da existência de mais de um autor. tiver. a LDA assegura os seguintes direitos: (i) o de não contribuir para as despesas de publicação da obra. traduz. Nos casos das obras indivisíveis. arranjo. por uma das modalidades de identificação referidas anteriormente. a partir da reunião de textos de diversos autores. Quando se trata de obra realizada por mais de uma pessoa. a questão pode ficar bem complicada. bem como fiscalizando ou dirigindo sua edição ou apresentação. poderá. aquele que. arranja ou orquestra obra caída em domínio público. orquestração ou tradução.

independentemente de quem exerça os direitos patrimoniais.000 dólares. musical ou lítero-musical. o roteirista e o diretor. conforme seu artigo 17. é preciso fazer uma breve nota sobre a distinção entre direitos morais e patrimoniais. nem sempre o verdadeiro autor da obra tem total ingerência sobre seu destino. ou seja. Em 1998.4. O excesso de proteção – sobretudo nos Estados Unidos – acaba por exceder os limites do razoável. d) c) Obras cOlabOrativas e O desaparecimeNtO dO autOr O mundo vem vivendo recentemente uma guinada conceitual quanto à idéia de autor. § 2º. Tais eventos ensinaram os advogados que eles precisam controlar os cineastas. que o organizador da obra coletiva – quer seja pessoa física ou jurídica – exercerá a titularidade dos direitos patrimoniais sobre o conjunto. new York: Random House. um juiz suspendeu o lançamento de “O Advogado do Diabo” por dois dias porque um escultor alegava que um trabalho seu aparecia no fundo de determinada cena.000 dólares de liberação de direitos sobre músicas. O filme “Batman Forever” foi ameaçado judicialmente porque o batmóvel era visto em um pátio alegadamente protegido por direitos autorais e o arquiteto titular dos direitos exigia ser remunerado antes do lançamento do filme. Aqueles são os que se referem aos direitos de personalidade de autor e garantem que. filmes e programas de televisão que apareciam incidentalmente no filme. mas teve um custo de cerca de 230. É cada vez mais comum a necessidade de realização do clearing de direitos de obras alheias relacionadas na obra principal. 2001. Exemplo clássico é do filme Tarnation (“Tormenta”. simpático homem de negócios que oferecia em seu catálogo va- lESSIG. isto é.pROpRIEDaDE InTElEcTual argumento literário. 4 FGV DIREITO RIO 11 . em última instância. Ainda que o tema venha a ser tratado com maior profundidade nas páginas a seguir. A LDA determina. The Future of Ideas. que custou menos de 1. Se a obra se tratar de desenho animado. escritor italiano. Entende-se por clearing o pagamento pelo uso de obras de terceiros usadas em determinada obra. serão co-autores também aqueles que criam os desenhos utilizados na obra audiovisual. em protuguês. serão co-autores de um filme o roteirista e o diretor. Eles convenceram os estúdios que o controle criativo é. matéria legal. Estes são os chamados direitos econômicos da obra. criou certa vez um personagem chamado senhor Simpson. autOria além dO autOr? cOmO impedir a exibiçÃO de “Os dOze macacOs” Muitas histórias curiosas podem ser invocadas para se ilustrar como a indústria do entretenimento vem transformando a propriedade intelectual em um fator de limitação à criatividade. dirigido por Jonathan Caouette em 2003). p . Como se vê. Dessa forma. os que autorizam seu titular a explorar a obra economicamente. lawrence. Lawrence Lessig cita pelo menos três casos interessantes4: o filme “Os Doze Macacos” teve sua exibição interrompida por decisão judicial vinte e oito dias depois de seu lançamento porque um artista alegava que uma cadeira que aparecia no filme lembrava um esboço de mobília que ele havia desenhado. Primo Levi. o autor será sempre referido como o criador da obra.

. Já se entende que o autor não trabalha mais exclusivamente sozinho. Ronaldo. de edição e até mesmo de obra.pROpRIEDaDE InTElEcTual riado de produtos. mas sim atuam de maneira relevante na disseminação das idéias. É claro que há defeitos. mas sim uma obra colaborativa. por amostragem. Diante dessas possibilidades revolucionárias. há que se destacar. senão a humanidade como um todo”5. do tempo gasto para revisão e atualização. de titularidade. os computadores já são capazes da produção independentemente da mão humana.com) em que é possível a qualquer usuário da internet fazer qualquer alteração em qualquer verbete. Em comunhão com essas considerações. por exemplo. outros o fazem porque acreditam estar retribuindo conhecimento à sociedade. dentre outros. Direito. universal e popular. É preciso compreender quem é o autor na sociedade da informação. diariamente. Entre as 42 revisões que foram devolvidas à revista. o resultado foi 5 lEMOS. p . máquinas capazes de produzir. Vários são os exemplos que podem ser invocados: há autores que escrevem livros online contando com a contribuição dos leitores. versos das formas desejadas. A revista Nature inglesa submeteu à análise de especialistas 50 artigos científicos da wikipedia e da Britannica. o custo de tradução. que pode beneficiar diretamente centenas de milhares de pessoas. A wikipedia é um grande projeto de criação intelectual que desafia os paradigmas dos direitos autorais. ainda. Sabe-se que hoje a tecnologia já se encontra bem próxima disso – se é que não queremos admitir que essa realidade já existe. 40. Dessa maneira. de 23 de janeiro de 2006. acerca dos temas escolhidos. manifestações artísticas e criativas. a wikipedia pode ser considerada não mais uma obra coletiva. ao mesmo tempo. de modo a torná-lo mais preciso ou mais completo. tais como o tamanho físico que ocupa. evidentemente. Sem contar com os problemas engessadores da Enciclopédia Britannica. dispensando o engenho do “autor”. No entanto. usuários da internet que. Pondo em xeque os conceitos de autor. O conceito não é novo. Tecnologia e Cultura.wikipedia. automaticamente. cit. n. Pelo menos. criou-se a wikipedia. e outros ainda porque passam a se sentir parte de uma iniciativa global. em janeiro de 20016. há que se repensar os conceitos de autor e de usuário da obra intelectual. conforme a revista Época. Trata-se de uma enciclopédia online (www. na reinvenção do mundo e na integração das diversas culturas. estão a criar obras derivadas de obras alheias num trabalho infinito e não sem valor artístico e cultural – muito pelo contrário. programas de televisão que têm seu curso determinado pelos espectadores. a wikipedia pode ser. de acordo com seu julgamento. É a partir da idéia de atuação conjunta que surge a idéia das obras colaborativas. 401. 6 FGV DIREITO RIO 12 .81-82. quase igual. impressão e distribuição – além. mas especialistas afirmam que a própria Enciclopédia Britannica os contêm em número. diante das artes gráficas. p. conta com verbetes em 205 línguas e dialetos e com atualidade impressionante. que os consumidores da arte há muito não exercem mais papel exclusivamente passivo. o princípio agora é sobretudo uma emanação do avesso do conceito de autor: o direito do autor fica em segundo plano e muitos participam de obras colaborativas “porque consideram esta atividade divertida. Com base nesses preceitos.

opondo-se a quaisquer modificações ou à prática de atos que. como autor. no Rio de Janeiro. cit. quando se encontre legitimamente em poder de outrem.5. Ronaldo. 7 8 lEMOS. Dividem-se em três grandes direitos: conforme a revista Época.kuro5hin. direitos morais Os autores que se dedicaram ao estudo dos direitos autorais indicam que estes são dotados de uma natureza híbrida.pROpRIEDaDE InTElEcTual que os especialistas apontaram uma média de 4 inconsistências por verbete da wikipedia contra 3 de sua concorrente7. O sistema baseado no conceito de wikis – segundo o qual os usuários podem não apenas acrescentar informações. n. O outro se refere aos direitos patrimoniais. Diz a lei que são os seguintes: a) b) c) d) reivindicar a autoria da obra. Como exemplo. divulgação e titulação de sua própria obra. o que os direitos morais visivelmente procuram defender é a relação do autor com sua própria obra. p. Tecnologia e Cultura. Direito.nasa. como nos blogs. p. FGV DIREITO RIO 13 . Outro projeto é o Kuro5hin. pode-se citar um projeto mantido pela NASA de catalogação das crateras do planeta Marte. 401. diversos outros projetos colaborativos encontram-se em curso. que seriam uma emanação da personalidade do autor e que estão intimamente ligados à relação do autor com a elaboração. antes ou depois de utilizada. de qualquer forma. O projeto já catalogou. mais de um milhão de crateras e continua aberto para quem quiser analisar as fotografias do planeta. Um deles diz respeito aos direitos morais. Os direitos morais do autor são aqueles que a LDA indica no seu artigo 24. 1. revista de tecnologia e cultura cuja íntegra da produção editorial é realizada através de sofisticado trabalho colaborativo8. em sua reputação ou honra. gov/top e www. até o momento. 82.arc. dúplice ou sui generis. que consistem basicamente na exploração econômica das obras protegidas. possam prejudicá-la ou atingi-lo. Vejam-se os websites http://clickworkers.. conservar a obra inédita. assegurar a integridade da obra. de 23 de janeiro de 2006. tem projeto de adotar o sistema para uso dos alunos na elaboração do próprio material didático conforme as aulas apresentadas em sala. ter seu nome ou pseudônimo indicado como sendo o autor da obra. e) modificar a obra. quando a circulação ou utilização implicarem afronta à sua reputação ou imagem. e publicá-las – pode servir a diversos fins de criação. na verdade. f ) retirar a obra de circulação ou suspender qualquer forma de utilização já autorizada. g) ter acesso a exemplar único ou raro da obra. A faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas. Além da wikipedia. Ao contrário dos direitos patrimoniais. de dois feixes de direitos.org. mas também editá-las. que regulam o exercício do poder econômico do autor sobre a utilização de sua obra por parte de terceiros. O autor é titular. 43.

diz a LDA que. por parte da máfia chinesa. dignidade. que se fazer uma distinção dos direitos autorais quanto aos demais direitos da personalidade.988/73. em todo caso. no caso do Brasil. talvez por ser de todo desnecessário – imprescritíveis e impenhoráveis. Portanto. A propósito. a lei 5. Todas estas hipóteses já constavam. Assim considerados. qualquer remontagem de peça de Shakespeare terá que fazer referência ao fato de a obra ter sido elaborada pelo escritor inglês. da lei anterior de direitos autorais. Recentemente.pROpRIEDaDE InTElEcTual – – – indicação da autoria (itens ‘a’ e ‘b’): o autor sempre terá o direito de ter seu nome vinculado à obra. FGV DIREITO RIO 14 . imagem. circulação da obra (itens ‘c’ e ‘f ’): o autor tanto pode manter a obra inédita como pode retirar a obra de circulação. mas permanecem em condição suspensiva. desfrutam das características dos direitos da personalidade em geral. Solicitou-se a modificação do filme para que essa parte da história fosse alterada. No entanto. honra etc) nascem com o indivíduo e são desde logo exercíveis. alteração da obra (itens ‘d’ e ‘e’): compete ao autor modificar sua obra na medida em que lhe seja desejável ou vetar qualquer modificação à obra.globo. a LDA acrescentou mais uma possibilidade. cabe exclusivamente ao diretor o exercício dos direitos morais sobre a obra audiovisual. será indenizado de qualquer dano ou prejuízo que lhe seja causado. de modo mais ou menos idêntico. Há. além disso – e embora a lei não o diga. Também em dois outros casos – por motivos evidentes – a LDA prevê a possibilidade de haver prévia e expressa indenização a terceiros: as hipóteses indicadas nos itens ‘e’ e ‘f ’ acima. os direitos da personalidade (nome. do diretor americano Martin Scorsese fosse exibido nos cinemas chineses porque havia no filme referência à aquisição. ou audiovisual. o governo chinês informou que não permitiria que o filme “Os Infiltrados”. sendo inalienáveis e irrenunciáveis. nascem latentemente nos indivíduos. afirma que o critério é de exemplar único e raro). apesar de toda a sua obra já ter caído em domínio público. como indica a LDA em seu artigo 27. Por isso. de equipamentos militares. De modo geral. por meio de processo fotográfico ou assemelhado. Veja em http://oglobo. São. os direitos de personalidade relacionados aos direitos autorais só são exercíveis caso o indivíduo crie. entretanto.asp. mas o pedido foi recusado. que é a do autor ter direito de acessar exemplar único ou raro (a lei. de forma que cause o menor inconveniente possível a seu detentor. Uma questão muito discutível é a de autores que deixam expressamente indicada sua vontade de não ter determinado livro publicado após sua morte e ainda assim seus herdeiros publicamno. preservar sua memória. quando se encontre legitimamente em poder de outrem. sem qualquer precisão. que. para o fim de. A doutrina costuma classificar os direitos morais de autor como direitos de personalidade. com/cultura/mat/2007/01/17/287443438. Por outro lado.

precisa estar dentro do prazo de proteção. serem insuscetíveis de avaliação pecuniária. em nossos momentos de lazer. a propriedade intelectual responderia por cerca de 20 % (vinte por cento) do comércio mundial. se preferirmos. p. vemos filmes. O artigo 29 da LDA traz BORGES. Diversos são os princípios que podem ser invocados para explicarmos o sistema de direitos autorais. lesley Ellen. Mas é inevitável: não existe mais possibilidade de existirmos sem os bens criados intelectualmente.6. advogada atuante no Canadá. 10. caderno Eu & Fim de Semana. não podemos estar nos referindo a outros direitos senão àqueles de caráter patrimonial. Segundo o jornal Valor Econômico. Dessa forma. lemos livros. Rio de Janeiro. os direitos da personalidade têm por característica. tratamos necessariamente de direito autoral. utilizamos produtos tecnológicos muitas vezes protegidos por patentes. Assim sendo. b) prévia autorização: enquanto a obra não cair em domínio público. p. E não custa lembrar: na cultura do século XXI. intrinsecamente conectadas. McGraw Hill. “com o PIB mundial de mais de US$ 380 bilhões. que é o da vida do autor mais setenta anos contados de primeiro de janeiro do ano subseqüente ao da sua morte (art. ouvimos música. a obra cai em domínio público e então qualquer pessoa poderá dela valer-se patrimonialmente sem precisar de autorização do titular dos direitos autorais. o direito autoral apresenta duas manifestações distintas. 17. só será possível a terceiros se valerem dela no caso de terem prévia e expressa autorização por parte do titular dos direitos sobre a obra. que é um ramo da chamada propriedade intelectual. Diariamente. 41). quando nos referimos aos aspectos do direito autoral relacionados à sua avaliação econômica. pecuniário ou.pROpRIEDaDE InTElEcTual 1. entre outras. o comércio de bens culturais foi multiplicado por quatro num período de duas décadas – em 1980. a utilização dos bens de propriedade intelectual vem representando cada vez números mais significativos dentro da economia globalizada. Princípios de proteção e direitos patrimoniais A propriedade intelectual encontra-se tão indissoluvelmente ligada a nossas vidas que mal paramos para refletir sobre seus efeitos em nosso cotidiano. econômico. E como se sabe. Digital Property – The Currency of the 21st. 9 10 HaRRIS. o que significa aproximadamente US$ 740 bilhões (a autora provavelmente se refere a quantias anuais) 10. para que a obra seja protegida por direitos autorais. conforme vimos. Vejamos alguns deles: a) temporariedade: de acordo com a LDA. finalmente. Century. Os exemplos são fartos. jornais. De acordo com a autora Lesley Ellen Harris. 16 de julho de 2004. Depois desse prazo. deparamo-nos com as mais diversas marcas nos produtos que consumimos e usamos. Quando falamos de bens culturais. a doutrina afirma que se trata de direito da personalidade. assistimos novelas. nas lojas a que vamos e mesmo em nossos lugares de trabalho. Robinson. 1998. quase tudo tem um dono. Quanto à parcela do direito moral. usamos softwares ininterruptamente em nossas tarefas laborais e. valor Econômico. sendo uma de aspecto moral e outra de aspecto patrimonial. FGV DIREITO RIO 15 . Conforme visto nos itens anteriores. totalizava US$ 95 bilhões”9.

artística ou científica. quando não intrínseca ao contrato firmado pelo autor com terceiros para uso ou exploração da obra. VI – a distribuição. mediante: a) representação. c) emprego de alto-falante ou de sistemas análogos. Cabe mencionar que a lista é exemplificativa e. a proteção aos direitos autorais independe de registro. III – a adaptação. o nome do FGV DIREITO RIO 16 . f ) sonorização ambiental. II – a edição. i) emprego de sistemas óticos. VIII – a utilização. Como a autoria é uma emanação da personalidade. b) execução musical. a transformação de “Olga” em filme e a tradução de “Dona Flor e Seus Dois Maridos” para o italiano só puderam ser realizadas mediante autorização dos titulares dos direitos. a microfilmagem e as demais formas de arquivamento do gênero. da obra literária. j) exposição de obras de artes plásticas e figurativas. e) captação de transmissão de radiodifusão em locais de freqüência coletiva. IV – a tradução para qualquer idioma. cabos de qualquer tipo e meios de comunicação similares que venham a ser adotados. direta ou indireta. ondas ou qualquer outro sistema que permita ao usuário realizar a seleção da obra ou produção para percebê-la em um tempo e lugar previamente determinados por quem formula a demanda. X – quaisquer outras modalidades de utilização existentes ou que venham a ser inventadas. g) a exibição audiovisual. d) Perpetuidade do vínculo autor-obra: esta é uma decorrência do direito moral de autor. por isso. Dessa forma.pROpRIEDaDE InTElEcTual extensa lista de atos cuja execução depende de autorização: são os chamados direitos patrimoniais. fios telefônicos ou não. e nos casos em que o acesso às obras ou produções se faça por qualquer sistema que importe em pagamento pelo usuário. tais como: I – a reprodução parcial ou integral. a adaptação de “A Casa das Sete Mulheres” em mini-série. VII – a distribuição para oferta de obras ou produções mediante cabo. por quaisquer modalidades. o armazenamento em computador. V – a inclusão em fonograma ou produção audiovisual. Determina a lei que depende de autorização prévia e expressa do autor a utilização da obra. recitação ou declamação. h) emprego de satélites artificiais. cinematográfica ou por processo assemelhado. c) Ausência de formalidade ou proteção automática: de acordo com o artigo 18 da LDA. é possível considerar-se a existência de outras hipóteses não constantes da LDA. IX – a inclusão em base de dados. satélite. d) radiodifusão sonora ou televisiva. o arranjo musical e quaisquer outras transformações. fibra ótica.

depois. Por isso. No entanto. incidindo sobre ambas. temos propriedade sobre o bem CD. Já o filme “O Código DaVinci”. cientista amador. inclusive. Depois de pesquisar durante muitos anos.pROpRIEDaDE InTElEcTual autor estará perenemente conectado à obra que criou. que foi editado no fundo de sua própria casa. FGV DIREITO RIO 17 . sobre o CD podemos exercer plenamente nosso direito de proprietário: podemos guardá-lo. escrito por Dan Brown. foi um fracasso retumbante. Cervantes será para sempre o autor de “Dom Quixote”. chegou a transportar uma maçã de uma sala a outra. é obra independente e como tal goza também de proteção. g) direito de propriedade sobre o bem: quando adquirimos um bem protegido por propriedade intelectual. esta não vale para adaptação para programa de televisão. artísticas ou científicas ou de fonogramas são independentes entre si. seria necessário termos autorização do titular dos direitos. em uma mistura de auto-ajuda e memórias. a menos que essas autorizações também estejam expressamente indicadas. e essa referência deverá ser feita em qualquer adaptação que se faça da obra para teatro. não se estende a quaisquer das demais. até mesmo para fazer uma cópia integral de qualquer uma das músicas. não autoriza implicitamente nenhum outro uso possível da obra. Arnaldo escreveu um livro contando detalhadamente como se produz o artefato. Assim. f ) Independência das utilizações: Diz o artigo 31 da LDA que as diversas modalidades de utilização de obras literárias. caSo gErador Em 1999. conseguiu uma forma de fazer um teletransportador. abandoná-lo e até mesmo destruí-lo. O livro. nem peça de teatro. Animado com sua descoberta.000 exemplares. Por isso. goza de proteção específica na qualidade de obra intelectual que é. nem tradução para outro idioma. Foram vendidos apenas 5 exemplares. doá-lo. ou pelo produtor. conseguiu transmitir pequenas partículas de um lado a outro da sala e. em edição independente de 1. cinema. mas não sobre as obras que dele constam. Assim. e a autorização concedida pelo autor. respectivamente. Arnaldo Gibeirão trabalhava como relojoeiro e era. televisão ou qualquer outra utilização que dela se faça. prazos diferentes. na verdade adquirimos o bem material em que a obra está fixada. quando estudarmos as limitações legais. Primeiro. Por isso. 2. se ganhamos um CD de presente. Se a autorização é para adaptação cinematográfica. não temos nenhum direito sobre as músicas que constam do CD. dirigido por Ron Howard. e) Individualidade da proteção: cada obra deverá ser protegida independentemente. Trataremos do tema mais adiante. quando o titular dos direitos sobre os livros de “Harry Potter” autoriza sua adaptação para o cinema. O livro “O Código DaVinci”. dois por engano. intitulado “Como Fazer um Teletransportador em 10 Lições e as Lições que a Vida me Deu”. nas horas vagas.

cansada e pensando em faturar mais alguns trocados. a resposta seria diferente? d) Caso Ivete se recuse definitivamente a publicar o livro de novo. No entanto. Finalmente. Ivete. O livro de Arnaldo. O documentário foi exibido em rede local e depois em rede nacional. Maurizete viu que seu documentário fez muito sucesso e decidiu adaptar seu próprio documentário para transformá-lo em uma mini-série de televisão. e pensavam em pedir. Ivete ficou sabendo que vários alunos de uma universidade de outro estado estavam fazendo cópia na íntegra do livro de seu pai. Esta. nem aceitou discutir o assunto. disse apenas que não fez nada senão adaptar seu próprio documentário. diante da fúria incontrolável de Ivete. em sua opinião. usando algumas passagens extras do livro. em nome deles. em 31 de dezembro de 2000. A mini-série foi exibida em cadeia nacional. o que deixou Ivete enfurecida. tornou-se um sucesso. Ivete se indaga: a) Maurizete tinha direito em fazer a mini-série a partir de seu documentário? b) O uso por Maurizete de algumas partes do livro são admitidas diante de nossa lei? c) Se a mini-série não contasse com nenhuma outra parte do livro. configura uso legítimo. a patente pelo teletransportador.pROpRIEDaDE InTElEcTual Muito chateado. fez um grande estardalhaço na imprensa. fazendo inclusões de passagens do livro que não constavam do documentário original. e por isso a edição nova não saiu. Passou a mão no telefone e ligou para Maurizete. o que acabou por despertar o interesse de uma produtora local nordestina. antes esquecido. a gananciosa filha de Arnaldo. a Editora poderia fazê-lo? e) Uma vez que o livro não se encontra mais em circulação comercial. onde. Ivete entrou em contato com diversas editoras. Ivete vendeu todos os exemplares. o que. não aceitou os 10% do preço de capa como remuneração (queria pelo menos 70%). com o que Ivete concordou totalmente. Maurizete ficou intrigada com os eventos de vida e morte de Arnaldo e decidiu fazer um documentário sobre a vida do cientista. Desorientada. porque de nada sabia e não recebeu nada pela nova versão do documentário. os alunos da universidade poderiam fazer cópia do texto na íntegra? f ) O fato de o pai de Ivete ter escrito o livro dá a Maurizete o direito de exigir a patente sobre o invento? FGV DIREITO RIO 18 . chamada Maurizete. sendo Ivete péssima negociadora. foi tragicamente devorado por um tubarão. Arnaldo colocou a mochila nas costas e foi viver no litoral de Pernambuco. Querendo fazer nova edição do livro. querendo se aproveitar da morte do pai.

]. no art. dentre os quais se destaca a função social da propriedade (grifamos).pROpRIEDaDE InTElEcTual direitos autorais – circulação da obra. Ora. a Carta Magna estabelece que a ordem econômica. incisos XXII e XXIII. Afinal.. 173-191. ASCENSÃO. Sérgio Vieira. contados de 1º de janeiro do ano subseqüente ao seu falecimento. o direito autoral é ramo específico da propriedade intelectual. Direitos Autorais na Internet e o Uso de Obras Alheias. Como se sabe. 1.170. se de acordo com a doutrina dominante. observados determinados princípios. Direito da Internet e da Sociedade da Informação. Ed. Rio de Janeiro: Ed. sendo que esta atenderá a sua função social (grifamos). exceto no que diz respeito à perpetuidade. José de Oliveira. 5º. Lúmen Júris. 41 da lDa. Sérgio Vieira Branco Júnior EmEntário dE tEmaS Função social. um direito social A Constituição Federal prevê. LEitura oBrigatória LESSIG. Lawrence. 2007. em seu art. fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa. limitações e exceções Prof. os direitos patrimoniais de autor perduram por 70 anos. “Cultura livre”. o titular do direito autoral tem sua propriedade limitada no tempo nos termos da LDA. P. ed. Forense.1. há que se averiguar em que medida sobre o direito autoral incide a funcionalização social de sua propriedade. 29-52. Breves Observações ao Projeto de Substitutivo da Lei de Direitos Autorais. [. direitos conexos. contrato de edição. diante das características dos direitos da propriedade. FGV DIREITO RIO 19 . que inaugura o capítulo a respeito dos princípios gerais da atividade econômica. rotEiro dE auLa 1. Adiante.. obedecida a ordem sucessória da lei civil11. p. conforme os ditames da justiça social. que é garantido o direito de propriedade. observase que é possível atribuir-se ao direito autoral as peculiaridades atinentes à propriedade. tem por fim assegurar a todos existência digna. LEituraS comPLEmEntarES BRANCO JR.. 2002. 11 art. Trama universitário. Preliminarmente. limitações e exceções. p.

mas em quê. a alienação do bem material não confere a seu adquirente direitos sobre a obra em si. Quando da aquisição de um bem móvel qualquer. artística e científica. alugálo ou vendê-lo. a diferença entre o direito autoral e os demais direitos de propriedade material revela-se pelo modo de aquisição originário (já que o direito autoral só surge para o autor por meio de criação da obra) bem como pelos modos de aquisição derivados. em seu artigo 37. destruíla. abandoná-lo. 1. p. nesse caso não se trata de uso do bem material “livro”. Mesmo que se trate de um quadro. fruir e dispor da obra literária. Por isso. antônio. Esse princípio está na LDA. emprestá-lo. uma vez que a obra intelectual não sai completamente da esfera de influência da personalidade de quem a criou. não confere ao adquirente qualquer dos direitos patrimoniais do autor. quanto a estes. Contemporaneamente. atribui explicitamente ao autor o direito exclusivo de utilizar. o texto que o livro contém. gozar. de modo que ao proprietário do quadro não será facultado. reproduzir a obra em outros exemplares. tal como um relógio ou um carro. abandoná-la. embora numa primeira análise ao leigo possa parecer razoável. ainda. No entanto. 12 13 a lDa. Mas não só aqui o direito autoral deve ser considerado distinto destes. nem é esta sua distinção mais relevante. FGV DIREITO RIO 20 . usar a coisa. o uso da obra em si. ou de exemplar. Dessa forma. como se o livro fosse um outro bem qualquer.. aliená-la. o proprietário poderá. seu titular exercerá sobre o referido bem as faculdades de usar. limitar seu uso por meio da constituição de direitos em nome de terceiros. que não é o livro mas. mas sim uso do bem intelectual (texto) que o livro contém. o proprietário poderá exercer todas as faculdades inerentes à propriedade. não é facultado ao proprietário do livro copiar seu conteúdo na íntegra para revenda. 28. Segundo Antônio Chaves12. bem físico. cit. faz-se necessário apontar uma peculiaridade que constitui diferença básica entre a titularidade de um bem de direito autoral e a titularidade dos demais bens: a incidência da propriedade sobre o objeto. se assim pudermos nos expressar. em seu art. então. Afinal. ou. Dessa forma. consiste a função social? cHaVES. Afinal. que dispõe que a aquisição do original de uma obra. se assim o quiser. em decorrência da manutenção dos direitos morais. exemplificativamente. quando se trata de direito autoral13.pROpRIEDaDE InTElEcTual Na limitação temporal do direito autoral reside a primeira distinção entre os direitos autorais e os demais direitos de propriedade.2. no direito autoral não existe perfeita transferência entre cedente e cessionário. a menos que a lei ou o contrato com o autor da obra assim preveja. sobre o livro. só poderá ser efetivado dentro das premissas expressas da lei. A concepção clássica do direito de propriedade previa que o proprietário poderia exercer seu domínio sobre a coisa como melhor lhe aprouvesse. A aquisição de um livro cuja obra se encontra protegida pelo direito autoral não transfere ao adquirente qualquer direito sobre a obra. dispor e reivindicar. 16. Poderá destruí-lo. Direito de Autor – Princípios fundamentais. No entanto. em que a obra estará indissociavelmente ligada a seu suporte físico. salvo convenção em contrário entre as partes e os casos previstos nesta Lei. do texto do livro.

Na busca para se atingir o equilíbrio entre o direito detido pelo autor e o direito de acesso ao conhecimento de que goza a sociedade. 23. Do contrário. se assinados. diante dos princípios constitucionais do direito à educação (art. Podemos citar. do direito de acesso à cultura. ou seja. Diz a lei que: Art. de notícia ou de artigo informativo. entre outros: a) a cópia para preservação da obra. e da publicação de onde foram transcritos. de tradição romano-germânica. uma inversão da lógica jurídica. haveria um contra-senso. 6 º. inclusive por meio de sua digitalização. ainda que protegido. publicado em diários ou periódicos. Não constitui ofensa aos direitos autorais: I – a reprodução: a) na imprensa diária ou periódica. que pauta-se pela análise do caso concreto e valoriza mais acentuadamente as decisões judiciais. é necessário que se admita cópia do livro. uma função a cumprir. com a menção do nome do autor. E uma vez que a regra é impedir a livre utilização das obras sem consentimento do autor. tenta prever todas as hipóteses legais em que determinada situação possa vir a se enquadrar. as exceções previstas pela LDA em seu artigo 46 são interpretadas como constituindo rol taxativo.pROpRIEDaDE InTElEcTual no entanto. já que princípios constitucionais teriam que se curvar ao disposto em uma lei ordinária (a LDA). Vários são os exemplos de atos que. quando na verdade o contrário é que deve se verificar. 46. FGV DIREITO RIO 21 . Limites Legais Pode-se dizer que as limitações aos direitos autorais são autorizações legais para o uso de obras de terceiros. nossa lei. não se pode fazer cópia de livro que. independentemente de autorização dos detentores de tais direitos. a concepção é bem diversa. art. Por exemplo: pela LDA. ainda que aparentemente contrários à lei. b) representação e execução de toda obra autoral em instituições de ensino públicas ou gratuitas. a função social exerce papel relevantíssimo.3. protegidas por direitos autorais. A propriedade tem. à educação e à ciência (art. caput. 1. são efetivação do princípio da função social dos direitos autorais. No entanto. por determinação constitucional. mais importante. a leitura literal da lei brasileira desautoriza uma série de condutas que estão em conformidade com a funcionalização do instituto da propriedade. ainda que não tenha sido publicado nos últimos 5 ou 10 anos. d) permissão de representação e execução de obras em âmbito privado. No entanto. c) autorização de cópia privada de obra legitimamente adquirida. 205). ainda esteja no prazo de proteção de direitos autorais. pela determinação de que a propriedade atenderá sua função social. Ao contrário do sistema anglo-americano (de copyright). não se admite qualquer exceção se ela não estiver explicitamente indicada no artigo 46. V) e.

seja feita mediante o sistema Braille ou outro procedimento em qualquer suporte para esses destinatários. comentá-la ou melhorá-la. educacional e social. em um só exemplar de pequenos trechos. nesses casos. crítica ou polêmica (inciso III) é fundamental para o debate cultural e científico de qualquer sociedade.pROpRIEDaDE InTElEcTual b) em diários ou periódicos. sem fins comerciais. V – a utilização de obras literárias. 46 (I. sempre que a reprodução em si não seja o objetivo principal da obra nova e que não prejudique a exploração normal da obra reproduzida nem cause um prejuízo injustificado aos legítimos interesses dos autores. “a”. para uso exclusivo de deficientes visuais. c) de retratos. sempre que a reprodução. III – a citação em livros. ou de outra forma de representação da imagem. revistas ou qualquer outro meio de comunicação. artísticas ou científicas. III e VI). ou de obra integral. que venha a ser usado com propósitos didáticos. de pequenos trechos de obras preexistentes. observe-se que o art. quando realizadas no recesso familiar ou. feitos sob encomenda. jornais. de passagens de qualquer obra. crítica ou polêmica. desde que feita por este. Além disso. não havendo em qualquer caso intuito de lucro. o direito de citação para fins de estudo. artísticas ou científicas. para fins de discussão ou ainda. podendo-se. entretanto. Concomitantemente a esse requisito. no caso específico de obra teatral. d) de obras literárias. Assim é que vamos encontrar. VIII – a reprodução. FGV DIREITO RIO 22 . VI – a representação teatral e a execução musical. artísticas ou científicas para produzir prova judiciária ou administrativa. de qualquer natureza. “a”) não é protegida por direitos autorais e que a comunidade tem direito à livre circulação de notícias. 46 da LDA é evidentemente o uso não comercial da obra. desde que esses estabelecimentos comercializem os suportes ou equipamentos que permitam a sua utilização. integral ou parcial. para fins exclusivamente didáticos. fonogramas e transmissão de rádio e televisão em estabelecimentos comerciais. a lei valoriza o uso com caráter informativo. sem autorização prévia e expressa de quem as ministrou. IV – o apanhado de lições em estabelecimentos de ensino por aqueles a quem elas se dirigem. VII – a utilização de obras literárias. em pelo menos três incisos do art. Sobre esse aspecto. quando de artes plásticas. vedada sua publicação. na medida justificada para o fim a atingir. II – a reprodução. exclusivamente para demonstração à clientela. a pretexto de anotá-la. 33 da LDA proíbe que se reproduza na íntegra obra que não pertença ao domínio público. não havendo a oposição da pessoa neles representada ou de seus herdeiros. nos estabelecimentos de ensino. indicando-se o nome do autor e a origem da obra. quando realizada pelo proprietário do objeto encomendado. publicar os comentários em separado. para uso privado do copista. para fins de estudo. O denominador comum das limitações indicadas no art. em quaisquer obras. a autorização de uso da obra com finalidade informativa. Entende-se. de discursos pronunciados em reuniões públicas de qualquer natureza. que a informação em si (inciso I. sem intuito de lucro.

será o uso de obras literárias. de obras literárias. em seu artigo 666. Embora seja verdade que o uso parcial da obra seja requisito indispensável em outros casos (incisos II. expressamente. Da mesma forma. sem intuito de lucro.pROpRIEDaDE InTElEcTual A autorização decorrente do uso não comercial da obra em si. mais uma vez. A condição imposta pela lei. é possível um estabelecimento comercial que venda eletrodomésticos valer-se de obra protegida por direito autoral. sem que esta constitua ofensa aos direitos autorais. mas respaldado por forte interesse público. observa-se que o legislador inovou significativamente o ordenamento jurídico anterior. Da mesma forma. permitia uma cópia manuscrita desde que não se destinasse a venda. a lei não exige que a obra seja utilizada parcialmente. do art. desde que não houvesse finalidade de se obter lucro com a cópia. ainda que possa haver finalidade comercial transversa. De fato. de modo que não podemos considerar que o uso integral da obra por parte de terceiros. determina que não constitui ofensa aos direitos autorais a reprodução. de pequenos trechos. letras “a” e “b”. que a nova obra seja comercializada. respalda o uso da obra de acordo com os incisos V e VIII do multicitado art. autorizando-se sua exibição integral (incisos I. VI. III e VIII). quando a reprodução poderá ser integral) desde que a reprodução em si não seja o objetivo principal da obra nova e que não prejudique o uso comercial da obra reproduzida. em um só exemplar. O que não pode é a obra citada ter sua exploração comercial prejudicada. Posteriormente. 46. V e VI). para uso privado do copista. que a reprodução seja feita sem finalidade comercial.4. Observe-se que em alguns casos. é. artísticas e científicas para produzir prova em juízo. Há que se mencionar o caráter altruísta do inciso I. da LDA. Outro parâmetro utilizado pela LDA para limitar os direitos autorais de seus titulares é o autor valer-se de sua obra publicamente ou que haja. vendando-se neste caso. “b”) e o apanhado de aulas ministradas em estabelecimento de ensino. 46 (inciso VIII) permite o uso de obra protegida desde que esse uso se restrinja a pequenos trechos (exceto quanto a obras de artes plásticas. sua publicação total ou parcial sem autorização prévia e expressa de quem as ministrou. no caso. Dessa forma. desde que feita por este.988/73 passou a prever a possibilidade de reprodução da obra na íntegra. televisores ou aparelhos de vídeo cassete ou DVD. por exemplo. sem autorização do autor. Não se veda aqui. a Lei 5. 46. “d”. II. FGV DIREITO RIO 23 . o Código Civil de 1916. o problema do pequeno trecho: um dispositivo insuficiente O art. Assim é que não constitui ofensa aos direitos autorais a reprodução de discursos pronunciados em reuniões públicas de qualquer natureza (inciso I. interesse público. 46. independentemente de autorização dos seus titulares. Nos termos precisos da lei. autorizado nos termos do inciso VII do art. entretanto. seja sempre vetado por nosso ordenamento. que prevê a possibilidade de reprodução. sem finalidade comercial. portanto. para promover a venda de aparelhos de som. artísticas e científicas para uso exclusivo de deficientes visuais. 1. 46. o art.

como meio de expressão. mas sim entre o direito de propriedade e o direito de expressão. Percebe-se que o confronto existente não é entre o direito de propriedade e direito à informação. por não permitir a difusão do conhecimento por meio de cópia integral de obras raras cuja reprodução não acarretasse qualquer prejuízo econômico a seu autor. e não mais da íntegra da obra. gravar um CD – legitimamente adquirido – na íntegra para ouvir em ipod ou no carro ou. pelo que determina a LDA. in caso. Tais condutas só serão admitidas se abrangidas pelo conceito da função social da propriedade e do direito autoral. 100-101. A começar por um evidente problema prático apontado pela própria autora: o cumprimento do disposto na lei é de quase impossível fiscalização. com o advento da LDA. Afinal. Em primeiro lugar. ou seja. Nos termos de nossa lei. p. A decisão do legislador causa problemas ostensivamente incontornáveis. Bem se vê a gama de dificuldades que o texto da LDA é capaz de acarretar. portanto. em razão do disposto neste inciso. Uma Introdução à Propriedade Intelectual. do uso em uma obra de trechos de outra obra. entretanto. que seria o máximo considerado por “pequeno trecho” e que poderia ser copiado por alunos sem que houvesse violação de direitos autorais. de titularidades diversas. torna-se a lei extremamente injusta. BaRBOSa. a caracterização dos “pequenos trechos”. cit. reproduzir o conteúdo integral de um livro com edição esgotada há anos. ainda.pROpRIEDaDE InTElEcTual Com o advento da Lei 9. Nesse caso. deixou de ser possível copiar um filme em vídeo para uso particular. não obstante a extensão dessas. conclui que “há um interesse constitucionalmente protegido no direito de citação.. de obra de Henrich Müller em que o autor usava. nova e autônoma” (grifamos)14. Ocorre que não há qualquer dispositivo legal que limite a autorização de cópias a 10% (dez por cento) da obra e fazer tal exigência é incorrer em ilegalidade. Não é a extensão da cópia que deve constituir o critério mais relevante para autorizar-se sua reprodução.610/98. Denis Borges Barbosa. a rigor. extensos trechos de Bertold Brecht. em interpretação aparentemente contrária à LDA mas definitivamente em conformidade com a nossa Constituição Federal. A seguir. e diante de seus termos estritos. Tratava-se. sobreveio a mudança. e talvez o mais grave. nem mesmo lucro cessante. a lei não distingue obras recém publicadas de obras científicas que só existem em bibliotecas e que ainda estão no prazo de proteção autoral. milhares de pessoas descumprem o mandamento legal diariamente. diante da interpretação literal da lei. desde que as citações se integrem numa expressão artística. é possível a reprodução apenas de pequenos trechos. citando Markus Schneider. Denis Borges. Pergunta-se: que são “pequenos trechos”? Criou-se nas universidades. Interessante jurisprudência do Tribunal Constitucional alemão apreciou a questão relativa aos limites constitucionais do direito de citação. mas certamente o uso que se fará da parte copiada da obra. Muito em razão disso. a mítica dos 10% ou dos 20%. simplesmente ilegais. 14 FGV DIREITO RIO 24 . Dessa forma. muitas condutas praticadas diariamente são.

Normalmente. tentam derrotar a bruxa branca de Gnárnia. William M. 15 16 http://oglobo. envolvendo ainda aspectos da vida da própria Margareth Mitchell. “idos com o Vento” e “the Wind done gone” Além dos casos especificados no art. por que ela produzia literatura. cujo dono tem uma personalidade muito estranha. ela completou: “Quando se fica grávida.com/cultura/ mat/2007/01/29/287597408. foi realizado em 1983 o curta “Idos com o Vento”.. Diante da negativa da entrevistadora.E o Vento Levou”. de modo a atingir o maior número possível de pessoas para que nelas cause a impressão desejada. Posner e Landes dão notícia de uma autêntica paródia de “. Bons exemplos cinematográficos são filmes como “Todo Mundo em Pânico” e o recente “Epic Movie”. E O Vento Levou” desperta a tentação da paródia. E O Vento Levou”... Richard a. asp. como os quadros de humor do extinto TV Pirata e do programa Casseta e Planeta Urgente. Uma vez criada a obra. The Economic Structure of Intellectual Property Law. o artista cria por demanda de sua criatividade. Paródias e seus limites: “. conhecem o pirata exibicionista Jack Swallows e estudantes de bruxaria. Não se trata exatamente de uma adaptação de “. então. um filme como “. a licença e a cessão: autorizações necessárias Normalmente. descobrem um guarda-roupa mágico que os transporta para a terra de Gnárnia..5... é imperativo parir”. p. cômica (característica padrão em se tratando de paródias). Tornou-se famosa uma entrevista dada pela escritora Rachel de Queirós em que ela foi indagada por uma jornalista se era verdade que preferia o jornalismo à literatura. Na viagem muito louca. 1. ainda. Lá. E o Vento Levou” que não é.pROpRIEDaDE InTElEcTual 1. Juntos. Pelo menos. não os tribunais franceses. acesso em 29 de janeiro de 2007. ao que a escritora teria respondido com a seguinte pergunta: “Você já pariu?”. mas sim da orelha do livro. Ao dizer que sim. 46. Na televisão... seus argumentos não convenceram.. com o ator Patrício Bisso no elenco. No entanto. autora da obra. Wolverine e até Paris Hilton e Mel Gibson”16. Por isso. globo. em que o autor da paródia aponta os aspectos racistas da obra original. cuja sinopse segue: “Quatro órfãos de diferentes cantos do mundo são escolhidos para visitarem uma fábrica de chocolate. no entanto. são inúmeros os exemplos de sátiras e paródias. 147.6. dirigido pela dupla Isay Weinfeld e Márcio Kogan. e pOSnER. a liberdade de paráfrases e paródias15 que não forem verdadeiras reproduções da obra originária nem lhe implicarem descrédito. não basta parir. É claro que a paródia será tanto mais bem sucedida quanto melhor identifique o objeto parodiado. FGV DIREITO RIO 25 . o artista geralmente gosta de vê-la circular. Foi este o argumento usado por Régine Déforges quando processada sob acusação de plágio do romance em sua trilogia “A Bicicleta Azul”. a LDA prevê. cit. entretanto. chamada “The Wind Done Gone”. a jornalista lhe perguntou. com a ajuda de Superman. Como em regra apenas o autor pode dar lanDES. No Brasil. Naturalmente. Como vimos. a referência evidente são os grandes sucessos da cultura popular. incluindo um CDF chamado Harry e sua amiga Hermoine.

a título universal ou singular. em maior ou menor grau. por ele ou por seus sucessores. Ou seja. aquele que tem um roteiro para obra audiovisual precisará de uma produtora e assim por diante. o período de cinco anos. FGV DIREITO RIO 26 . Caracteriza-se a cessão pela transferência de titularidade da obra intelectual. A matéria relativa à circulação de direitos autorais está prevista a partir do artigo 49 da LDA. pessoalmente ou por meio de representantes com poderes especiais. terá como conseqüência que não havendo especificação quanto à modalidade de utilização. nos termos da autorização concedida. vários serem os artistas que produzem e distribuem suas próprias obras. o escritor precisará de uma editora. d) a cessão se restringirá ao País em que se firmou o contrato. com exclusividade para o(s) cessionário(s).pROpRIEDaDE InTElEcTual origem à circulação da obra. celebrar contratos relacionados aos direitos autorais das suas obras. Mas mesmo esses dificilmente escaparão da necessidade de. h) a cessão dos direitos de autor sobre obras futuras abrangerá. Diz o artigo 49 que os direitos de autor poderão ser total ou parcialmente transferidos a terceiros. com exclusividade ou não. Com o avanço da tecnologia. c) caso não haja contrato escrito. As principais são as seguintes: a) a transmissão total deve compreender todos os direitos de autor. f ) a interpretação do contrato. a necessidade dos intermediários vem diminuindo consideravelmente a ponto de. O que se verifica na prática é que um músico precisará de alguém que fixe o fonograma e faça cópias de seus CDs. concessão. hoje em dia. g) a cessão total ou parcial dos direitos de autor presume-se onerosa. A própria LDA prevê algumas limitações concernentes à possibilidade de transmissão total (cessão total) dos direitos autorais. a LDA prevê os mecanismos de autorizações para que a obra atinja o público. por meio de licenciamento. no máximo. o prazo máximo de cessão dos direitos será de cinco anos. e) a cessão somente poderá se operar para modalidades de utilização já existentes quando da celebração do contrato. a uma locação (se onerosa) ou a um comodato (se gratuita). endender-se-á como limitada apenas a uma que seja aquela indispensável ao cumprimento da finalidade do contrato. a cessão se assemelha a uma compra e venda (se onerosa) ou a uma doação (se gratuita) e a licença. b) a cessão total e definitiva dependerá de celebração de contrato por escrito. sendo restritiva. Já a licença representa uma autorização por parte do autor para que terceiro se valha da obra. exceto naturalmente os direitos morais (que são intransmissíveis) e aqueles que a lei exclui. cessão ou por outros meios admitidos em Direito.

em musical. pessoalmente ou por meio de representantes com poderes especiais. os direitos de autor podem ser transferidos. interessado em transformar “O Alquimista” em peça teatral. Ainda assim. Paulo Coelho se celebrizou a partir de sua obra “O Alquimista”. por ele ou por seus sucessores. A transferência pode se dar a título universal ou singular (ou seja. portanto. o licenciado (o diretor de teatro) teria poderes amplíssimos. o que significa que podem se referir à integralidade do uso econômico da obra ou apenas a alguma(s) das faculdades de seu aproveitamento econômico. demandaria uma cessão parcial da obra. Vejamos na prática essas possibilidades: a) Paulo Coelho é consultado por diretor de teatro de Fortaleza. Tanto a cessão como a licença podem ser total ou parcial. Um exemplo pode ser esclarecedor. Ou seja. ou apenas uma obra específica) e será efetivada sobretudo por meio de licença ou cessão. b) Paulo Coelho é procurado pelo mesmo diretor de teatro. Conforme se depreende da leitura do caput do art. No entanto. Neste caso. O diretor cearense não pode fazer nada com a obra exceto realizar sua montagem. de licença parcial. com exclusividade para o(s) cessionário(s). em sua integralidade ou apenas parcialmente. Para isso. em espetáculo de circo. Como todos sabemos. Paulo Coelho continuaria titular dos direitos patrimoniais. nos termos da autorização concedida. em história em quadrinhos etc. transmissão de direitos Diz a LDA que os direitos de autor poderão ser total ou parcialmente transferidos a terceiros. abrangendo toda uma gama de obras.7.pROpRIEDaDE InTElEcTual 1. por exemplo. Paulo Coelho continua titular de todos os direitos. em peça de teatro. no caso de ele não ter transferido seus direitos a ninguém). cessão ou por outros meios admitidos em Direito (art. Paulo Coelho autoriza. 49 da LDA. ainda. por se tratar de licença (mesmo que total). que tem. se Paulo Coelho fizesse uma cessão de seus direitos patrimoniais referentes à possibilidade de transformar o livro em FGV DIREITO RIO 27 . 49). Já a licença representa uma autorização por parte do autor para que terceiro se valha da obra. Caracteriza-se a cessão pela transferência de titularidade da obra intelectual. c) Seria possível. Considerando-se a hipótese de ser o autor o único titular dos direitos patrimoniais sobre sua obra (ou seja. com exclusividade ou não. Neste caso. entretanto. para que no prazo de dois anos. em novela. não poderia exercê-lo sem consultar previamente o licenciado. poderá autorizar o uso da obra “O Alquimista” por terceiro ou ceder seus direitos. por meio de licenciamento. possa explorar a obra em toda a sua amplitude. por meio de licença. que o diretor de Fortaleza quisesse ter para sempre o direito de transformar o livro em espetáculo teatral. poderia transformar o livro em filme. por quem de direito. diversas idéias para uso do livro. Trata-se. a título universal ou singular. Pede que lhe seja concedida uma licença total. sem que cada uma das obras seja identificada. a terceiros. durante dois anos. a adaptação da obra para o palco. Se quisesse. concessão.

A bem da verdade. Convém observar que. a exclusividade será concedida ao editor – independentemente de se tratar de cessão ou de licença – por força do disposto no art. exclusividade é condição prevista em lei somente para o contrato de edição. vê-se que as licenças constituem uma das modalidades previstas em lei para se efetivar a transferência de direitos autorais a terceiros e que por meio delas não há transferência de direitos. Convém anotar. se com ele o contrato fosse celebrado. que manteria a integralidade dos direitos autorais com o titular destes. Na cessão de direitos. estaríamos diante de uma hipótese muito semelhante à compra e venda. porque há licenças exclusivas. 53. deverá se fazer sempre por escrito e presume-se onerosa. pode o autor consentir que diversos licenciados explorem pelo tempo convencionado diversos aspectos da mesma obra. é possível difini-la como autorização de uso. finalmente. Se assim fosse.. parcial ou total. Nesse caso. podem ser definidas como autorização de uso por parte do titular dos direitos autorais.. serão instrumentalizados por meio da celebração de instrumentos contratuais que preverão.pROpRIEDaDE InTElEcTual peça. Na licença exclusiva também. embora autor. Abrão17 diz que (. FGV DIREITO RIO 28 .. d) Por fim. a cessão ou a licença de uso de direitos autorais alheios. Podem ser conferidas com ou sem cláusula de exclusividade. a exclusividade outorgada ao cessionário encontra-se subjacente à exploração de uma determinada obra. Direitos de Autor e Direitos Conexos. teria se desprovido dos direitos patrimoniais relacionados à obra na medida em que realizasse a cessão total. caso no futuro alguém desejasse transformar o livro “O Alquimista” em filme. e não abdicando de seus direitos em favor do licenciado. 137. Já a licença poderá ser convencionada oralmente 17 aBRÃO. em sua essência. no caso de contrato de edição. que a cessão. porque o exercício da cessão implica o da tutela da obra e o da sua oponibilidade erga omnes. Eliane Y. uma vez que a cessão tenha sido realizada. de gravação. Muito embora a lei não defina licença. parcial ou integral. de adaptação etc. é possível se realizar uma cessão total.) não é na exclusividade que reside o diferencial entre cessão e licença. cit. caput. mas tão-somente uma autorização de uso. a título gratuito ou oneroso. Dessa forma. Eliane Y. Nas licenças comuns. De fato. simultaneamente ou não. já que ambas têm eficácia menor se comparadas à cessão total. um autor que queira publicar seu livro celebrará contrato de edição pelo qual cederá ou licenciará – a depender dos termos da negociação – seus direitos autorais sobre a obra criada. o próprio Paulo Coelho restaria desprovido desse direito no futuro. das licenças não exclusivas é a oponibilidade erga omnes das primeiras. precisaria negociar com o diretor de teatro. Dessa forma. qualquer que seja o seu alcance. No Brasil. ao contrário. e licenças exclusivas. e não com Paulo Coelho que. O que distingue a cessão de direitos. sem que acarrete uma transferência de direitos. sendo que quanto ao contrato de edição a lei obriga a exclusividade. todos os direitos patrimoniais pertenceriam ao diretor de teatro. tais como os contratos de edição. de tradução. Assim. total ou parcial. p. da LDA. é comum haver confusão entre cessão parcial e licença. Assim é que os diversos contratos tipicamente relacionados aos direitos autorais. de exploração..

mas sim de sua interpretação. a celebração de contrato é sempre altamente recomendada. No âmbito internacional. de um direito referente à difusão de obra previamente criada. de 1961. ou droits voisins. a bem da verdade.pROpRIEDaDE InTElEcTual e sobre ela não recai presunção legal de onerosidade. Na verdade. embora não sejam eles próprios direitos autorais. por serem direitos próximos. ou marca que o identifique. artística e científica. os direitos conexos são regulados pela Convenção de Roma. assemelhados aos direitos autorais. FGV DIREITO RIO 29 . podendo também versar sobre obras musicais. deverá o editor mencionar: – – – – o título da obra e seu autor. fica autorizado. afinal? O contrato de edição é previsto na LDA entre os artigos 53 e 67. Pelo contrato de edição. direitos conexos: Quem são os titulares? Os direitos conexos também são chamados de direitos vizinhos. O esforço criativo aqui evidente não é o de criação da obra. dos produtores fonográficos e das empresas de radiodifusão.9. se entenderá que esse número é 3.000 (três mil). Ainda assim. 1. a LDA estipula que as normas relativas aos direitos de autor aplicam-se. aos direitos dos artistas intérpretes ou executantes. em cada exemplar da obra. a publicá-la e explorá-la pelo prazo e nas condições pactuadas com o autor. o título original e o nome do tradutor. trata-se do único contrato expressamente previsto na LDA. contrato de edição: um contrato típico. E se eventualmente não houver referência ao número de exemplares. entende-se que não se aplica apenas a elas. Trata-se. execução ou difusão. 1. Embora o contrato de edição seja tipicamente o contrato utilizado para obras literárias. Diante dessa aproximação conceitual. sobretudo porque como determina a própria LDA. o ano da publicação e seu nome (do editor). determina a LDA que o editor. e por isso é considerado o contrato paradigmático da lei. Caso não haja previsão expressa no contrato. obrigando-se a reproduzir e a divulgar a obra literária. os negócios jurídicos envolvendo direitos autorais são interpretados restritivamente e a questão de prova em contratos feitos oralmente sempre causa grande dificuldade às partes envolvidas. no que couber. por exemplo. em caráter de exclusividade. De acordo com a LDA.8. entende-se que o contrato de edição versa apenas sobre uma edição. no caso de tradução.

a execução pública e a locação das suas interpretações ou execuções fixadas. FGV DIREITO RIO 30 . tem o artista intérprete ou executante o direito exclusivo de. de maneira que qualquer pessoa a elas possa ter acesso. pode-se dizer que os produtores fonográficos são. no tempo e no lugar que individualmente escolherem. autorizar ou proibir: a) a fixação de suas interpretações ou execuções. Distinguem-se os primeiros dos últimos por sua atuação diante da obra. d) a colocação à disposição do público de suas interpretações ou execuções. 1. o direito dos produtores fonográficos Os produtores fonográficos são aqueles que investem dinheiro na produção do fonograma.pROpRIEDaDE InTElEcTual 1. as produtoras de CD. a título oneroso ou gratuito. Quanto aos intérpretes e executantes.10. O cantor de uma banda ou um ator é intérprete. Conforme determina o art.11. e) qualquer outra modalidade de utilização de suas interpretações ou execuções. b) a distribuição por meio da venda ou locação de exemplares da reprodução. garantiu-se aos produtores de fonogramas que tivessem o direito exclusivo de. c) a radiodifusão das suas interpretações ou execuções. é possível vislumbrar atuação intelectual diante da obra. Da mesma forma – porém com menos razão – a LDA confere aos produtores fonográficos direitos conexos que acabam consistindo verdadeiros entraves à circulação das obras intelectuais. ao menos. fixadas ou não. a título oneroso ou gratuito. b) a reprodução. intérpretes que podem demais A primeira classe dos titulares de direitos conexos abrange os artistas intérpretes ou executantes. Os músicos da banda são executantes. total ou parcial. autorizar-lhes ou proibir-lhes: a) a reprodução direta ou indireta. Diz-se que com menos razão porque não há qualquer justificativa artística para se conferir aos produtores fonográficos um direito dito intelectual. De modo leigo. nem isso. a orquestração dos direitos conexos pode significar grande dificuldade para o titular dos direitos autorais sobre a obra. Ocorre que a LDA atribui aos intérpretes e executantes um feixe tão vasto de direitos que acaba por representar um entrave a mais na circulação das obras. hoje em dia. 90 da LDA. Basta ver o quanto os atores de um filme serão capazes de impedir na utilização do filme diante dos poderes a eles conferidos pela LDA. Quanto aos produtores fonográficos. Diante do enorme número de intérpretes e/ou executantes que podem participar da concepção de determinada obra. Ainda assim.

de reputado diretor brasileiro.org. que contabilizam todas as versões registradas de cada música. Determina a LDA que cabe às empresas de radiodifusão o direito exclusivo de autorizar ou proibir a retransmissão. inclusive pela radiodifusão. em locais de freqüência coletiva. em comum. fixação e reprodução de suas emissões. Valderez foi convidada a posar nua para diversas revistas especializadas e até mesmo sondada para participar da primeira versão da Casa dos Artistas. e da exibição de obras audiovisuais. De acordo com o website da instituição (www. No filme. 1. Os números envolvidos fazem com que 40 a 50 mil boletos bancários sejam enviados por mês. existentes ou que venham a ser inventadas. que determina que as associações manterão um único escritório central para a arrecadação e distribuição. pela televisão. 99 da LDA.12.988/73 e mantido pela atual LDA. FGV DIREITO RIO 31 . bem como a comunicação ao público. cobrando os direitos autorais daqueles que utilizam as obras musicais publicamente. O ECAD é uma sociedade civil. ou seja. inclusive com um jovem (supostamente) menor de idade. 2. de maneira genérica.br). Valderez atuava em tórridas cenas de sexo (não explícito). 1. Foi insituído pela Lei 5. chamado “Quero Mais”. sem prejuízo dos direitos dos titulares de bens intelectuais incluídos na programação. inclusive por meio da radiodifusão e transmissão por qualquer modalidade. Estão catalogadas 795 mil obras. atraindo multidões às salas de cinema. o órgão possui cadastrados em seu sistema mais de 214 mil titulares diferentes. caSo gErador Em julho de 1998.pROpRIEDaDE InTElEcTual c) a comunicação ao público por meio da execução pública. às rádios e aos canais de televisão. os chamados “usuários de música”. o direito das empresas de radiodifusão Além dos direitos conferidos aos intérpretes e executantes e às produtoras de fonogramas. a LDA confere direitos às empresas de radiodifusão. que somam mais de 225 mil no cadastro do ECAD.13. dos direitos relativos à execução pública das obras musicais e lítero-musicais e de fonogramas. a então modelo iniciante Vanice Valderez protagonizou um filme para cinema. de natureza privada e sem fins lucrativos. além de 412 mil fonogramas. O filme fez muito sucesso. o que é o Ecad? O ECAD – Escritório Central de Arrecadação e Distribuição tem sua existência prevista no art. d) quaisquer outras modalidades de utilização. Por conta da repercussão do filme.ecad.

O CD se tornou enorme sucesso (Valderez tem também muita sorte). como seria possível responder às seguintes questões: a) Valderez é titular de direitos autorais em alguma medida sobre o filme “Quero Mais”? De que direitos ela é titular? b) Valderez pode impedir a distribuição de filmes em DVD e sua exibição na tv à cabo? Por qual argumento? c) E a comercialização do filme em vídeo? d) O fato de ela ter se tornado ídolo das crianças e seguidora religiosa deve em alguma medida afetar a decisão do juiz sobre o caso? e) Se ela continuasse a ser atriz de cinema. Todas as crianças amavam Valderez. poderá Valderez tomar alguma medida judicial para remover os vídeos do site? FGV DIREITO RIO 32 .pROpRIEDaDE InTElEcTual Em maio de 2005. o falecimento de seu querido tio-avô paraguaio fez a famosa jovem se converter a uma facção mais rigorosa de uma igreja evangélica. A partir daí. como a emissora a havia contratado pelo prazo de 5 anos. sem qualquer incursão no universo dos programas infantis ou na igreja. que acabou gravando um CD com músicas infantis. Valderez procurou você para saber o que poderia fazer para evitar maior exposição de sua imagem. A atenção das crianças foi atraída para a modelo. Ao analisar o contrato para Valderez fazer o filme. Valderez se tornou ídolo internacional das crianças. Em outra reviravolta. passou a fazer shows. você verifica que a autorização seria apenas para veicular o filme nos cinemas e em vídeo. a existência do filme “Quero Mais” passou a assombrá-la. embora seja possível encontrar o filme também em DVD e na televisão a cabo. Valderez acabou protagonizando a novela das seis da tarde de uma das emissoras. Valderez desejou jamais tê-lo feito. mas seu desempenho foi massacrado pela crítica. Depois de muita negociação. era imitada. Com a disseminação da cultura digital. Ao contrário. decidiu lhe agraciar com um programa infantil na desprestigiada e combalida parte da manhã. aceitou ser garota propaganda de uma famosa marca de brinquedos. entretanto. a decisão do juiz deveria ser diferente? f ) O que Valderez pode fazer para impedir que o filme se torne disponível na internet? g) Caso trechos do filme sejam tornados disponíveis no YouTube!. o programa foi mais um sucesso. servia de exemplo. Ao término da novela. gravou novo CD com o respectivo DVD. o filme passou a ser encontrado até mesmo em sites de compartilhamento de arquivos. sendo que sua escalada ao sucesso passou a incluir o título de Pastora Honorária da igreja. Valderez decidiu mudar seu estilo de vida. Diante dos fatos. e duas emissoras de televisão disputaram o privilégio de contratá-la. Surpreendentemente. Desesperada. mas mesmo suas mais fervorosas clamações não fizeram o filme desaparecer do imaginário coletivo.

Especialmente sites que lidam com conteúdo gerado pelos próprios usuários enfrentam permanentemente a tensão entre conteúdo legal e conteúdo ilegal. Estratégia do YoYoW O termo YOYOW vem do inglês e quer dizer “You Own Your Own Words”. É importante mencionar que é praticamente impossível distinguir as estratégias para se lidar com os direitos autorais na web colaborativa da questão da redação dos termos de uso dos sites de web. para entender qual é a política de um determinado site com relação ao conteúdo nele postado. Para lidar com a questão dos direitos autorais e permitir que a web colaborativa seja viável.pROpRIEDaDE InTElEcTual licenças públicas Gerais (creative commons e outras) Prof. alteração. sem a necessidade de registro. Para utilizar criações de terceiro é. para funcionar. o direito de modificar e editar qualquer conteúdo. Essa utilização inclui. Sites de fotos como o Flickr também sofrem do mesmo dilema. A primeira é de que todo o conteúdo postado no site permanecem com seus direitos autorais sobre aquele conteúdo totalmente inalterados. A Wikipedia jamais poderia ter sido criada. edição e mesmo de reprodução. se as regras gerais do direito autoral que se aplicam à internet como um todo fossem aplicadas sem qualquer modificação na Wikipedia. Muitos blogs e comunidades virtuais online adotam expressamente a política de que todos os visitantes que postam conteúdo através do site permanecem tanto donos quanto únicos responsáveis por aquele conteúdo. E se o site não disser nada a esse respeito? Este e outros casos são analisados nas três estratégias a seguir. O caso envolvendo a personalidade televisiva Daniela Cicarelli é um exemplo que se tornou notório. A repercussão disso é que qualquer FGV DIREITO RIO 33 . assim. Sites que permitem a disponibilização de conteúdos musicais como o MySpace também. A Wikipedia. todas as “criações do espírito”. Em outras palavras. depende do direito de livre modificação. o direito autoral protege. o caminho natural é verificar nos “Termos de Uso” daquele site como o mesmo trata o conteúdo postado através dele. se houvesse a necessidade de pedir autorização para os respectivos titulares de direito autoral todas as vezes que alguém fosse editar ou modificar um artigo da enciclopédia. por exemplo. estudaremos ao longo desta aula três estratégias diferentes. que a todo momento recebe notificações de violação de direito autoral nos Estados Unidos e fora dele. Nesse sentido. Não é nem preciso mencionar o caso do YouTube. Considere o caso da Wikipedia. ela seria praticamente inviável. Isso significa: “Você é o Dono das Suas Próprias Palavras”. necessário pedir autorização. Perceba que a política do YOYOW possui uma dupla característica. Esse dilema da Wikipedia surge na maioria dos sites colaborativos da Internet. ronaldo Lemos EStratégiaS Para SE Lidar com dirEitoS autoraiS na WEB Como visto nas aulas anteriores.

Este componente diz respeito com relação à responsabilidade pelo conteúdo postado no site. o site tenta. A razão para isso é que os EUA possuem uma legislação muito específica de direito autorais e uma legislação que regula a questão da calúnia. com relação à questão dos direitos autorais a situação é diferente. como a lei não diz o que fazer. Perceba-se que esta é uma forma de tentar regular “contratualmente” a responsabilidade do site e dos usuários com relação ao conteúdo disponibilizado. é importante notar que. a resposta seria simplesmente não. difamação e injúria. que decidem cada caso de acordo com cada situação concreta analisada individualmente. Ao final do módulo. afastar sua responsabilidade por qualquer violação de direitos proveniente dos conteúdos postados pelos usuários no site. Nos Estados Unidos. E no Brasil? Nossa legislação. Mas esta política de regular a responsabilidade do site contratualmente.com (www. mesmo que tanto usuários como o site em si estejam de acordo com elas. através dos termos de uso. Um exemplo de site que utiliza essa política é a comunidade virtual chamada Well. diferente da legislação norte-americana. Com isso. Pode-se afirmar que essa é uma “lacuna” na nossa lei. É necessário procurar cada autor individual para tanto. Isso gera uma situação de “insegurança jurídica”. não regula especificamente a responsabilidade dos sites com relação ao conteúdo nele postado. não podem ser afastadas contratualmente pelo próprio site. em que não é possível saber com clareza quais são os limites da responsabilidade do website e quais são os limites da responsabilidade dos usuários que nele postaram conteúdos. alegando que o conteúdo é de propriedade do usuário não elimina a responsabilidade do próprio site. tentando afastar a responsabilidade do site através de “Termos de Uso” que adotem o YOYOW funciona juridicamente? A resposta varia de país para país. Essa legislação estabelece suas próprias regras de balanceamento entre a responsabilidade do site e a responsabilidade dos usuários pelo conteúdo. são apresentadas algumas decisões judiciais nesse sentido.well. Por fim. Mas que o conteúdo em si é de responsabilidade exclusiva de seus autores. Pela política do YOYOW. A política do YOYOW funciona perfeitamente bem ao regular a questão da FGV DIREITO RIO 34 . a decisão acaba ficando a cargo dos juízes. Caso alguém se interesse por reproduzir um texto ou outro conteúdo publicado no site.pROpRIEDaDE InTElEcTual pessoa interessada em reproduzir um conteúdo individual constante do site. os “Termos de Uso” do site em questão dizem que o usuário assume a total responsabilidade por qualquer conteúdo por ele postado através do site. E essas regras. definidas em lei. Trata-se de um elemento contratual. que ilustram como os tribunais brasileiros têm lidado com o problema. Nesse caso. com). não adianta pedir autorização para o próprio site. deve procurar seu legítimo autor e titular de direitos autorais para isso. se por um lado a política do YOYOW possui resultados incertos com relação ao seu aspecto de funcionar como um mecanismo para afastar a responsabilidade de um website quanto a um conteúdo violador de direitos nele postado. É como se o site estivesse contratualmente estabelecendo que ele funciona apenas como um mero “canal” de divulgação do conteúdo. Essa tentativa de afastar a responsabilidade do site. O segundo componente da política do YOYOW não tem a ver com direitos autorais.

fica fácil resolver a questão levantada acima a respeito dos sites que não determinam nenhuma política para os conteúdos neles postados. Se um site não diz absolutamente nada sobre o regime de direitos autorais dos conteúdos disponibilizados através dele. a outra estratégia possível consiste exatamente o oposto desta: exigir que todo o conteúdo disponibilizado pelos usuários através do site implique a transferência ou licenciamento (que pode ser total ou parcial) dos direitos autorais sobre aquele conteúdo para o próprio site em que ele está sendo disponibilizado. o usuário concorda em transferir ou licenciar seus direitos de propriedade intelectual para o próprio site. Isto em geral é feito através dos “termos de uso” do site. perpetual and fully sublicensable and transferable right to use. Estratégia de transferência de direitos autorais Se a conseqüência da estratégia do YOYOW é de que os autores permanecem com todos os direitos sobre o conteúdo postado através do site. Se o próprio site quiser se utilizar daquele conteúdo. you hereby (a) grant Newsvine a non-exclusive. Por isso. Please note that Newsvine. adapt. irrevocable. a política do YOYOW. reproduce. é nada mais nada menos do que a extensão da regra geral do direito autoral. dispõem da seguinte forma sobre os direitos autorais: You retain all copyright to all original User Content you submit to the Site. translate.newsvine. ao utilizar os serviços do site. por exemplo. identifier. distribute. FGV DIREITO RIO 35 . A integralidade dos direitos autorais dos conteúdos disponibilizados através dele pertencem de forma exclusiva aos próprios autores. and (b) grant Newsvine. Um dos exemplos de sua utilização é o site de jornalismo cidadão chamado Newsvine (www. Perceba que a regra do YOYOW é nada mais nada menos que a aplicação da regra geral do direito autoral. para pedir autorização para isso. Essa estratégia de transferência total ou parcial dos direitos autorais através dos termos é relativamente comum em modelos da “web 2.com). now known or hereafter devised. as a policy. para republicação em um outro site que não o originário. does not actively edit User Content. que por sua vez são editados pelo site e transformados em um todo coeso e organizado. or any portion thereof. é preciso entrar em contato com o autor ou o legítimo titular daquele conteúdo. Assim. royalty-free. Um site que adota o modelo YOYOW está determinando que o site em si não possui qualquer direito sobre o conteúdo nele postado. if they so choose. que regulam o conteúdo fornecido pelo usuário. qual seja.pROpRIEDaDE InTElEcTual “propriedade” sobre o conteúdo. modify. “jornalistas” descentralizados podem enviar artigos e outros conteúdos. Através dele. publish. create derivative works from and publicly display and perform such User Content in any media. By transmitting or submitting User Content to the Site. Os termos de uso do site. de que ao autor cabe direitos exclusivos sobre a própria criação intelectual. Neles. é possível encontrar uma cláusula que determina que. submitted in connection with such User Content. its affiliates and sublicensees the right to use the name. com relação aos direitos autorais. aplica-se a regra geral: todo o conteúdo pertence exclusivamente aos autores.0”.

sublicenseable and transferable license to use. simultaneamente. você retém todos seus direitos de propriedade sobre o conteúdo enviado ao site. não exclusiva. reproduce. The foregoing license granted by you terminates once you remove or delete a User Submission from the YouTube Website. royalty-free. Você também concede a cada usuário do YouTube uma licença não-exclusiva para acessar seu conteúdo enviado através do site. e você também concede ao Newsvine e seus afiliados e sublicenciados o direito de utilizar o nome. reproduce. você através dessa licença concede ao YouTube uma licença mundial. you retain all of your ownership rights in your User Submissions. mas de forma ainda mais detalhada e regulando direitos mais amplos. Dessa forma. distribuir e FGV DIREITO RIO 36 . incluindo sem qualquer limitação. para promoção e redistribuição de parte ou de todo o conteúdo do site YouTube (e obras dele derivadas) em quaisquer formatos de mídia e através de quaisquer canais de mídia. executar o conteúdo submetido no site YouTube ou qualquer negócio do YouTube (e seus sucessores). adaptar. traduzir. by submitting the User Submissions to YouTube. ao submeter conteúdo para o YouTube. Ao transmitir ou submeter conteúdo do usuário para o site. e para utilizar. os “Termos de Uso” do site concedem ao próprio Newsvine direitos suficientes para que ele exerça todas as prerrogativas do direito do autor. distribuir e realizar obras derivadas. você através dessa licença concede ao Newsvine direitos não-exclusivos. irrevogáveis. sub-licenciável e transferível para utilizar. gratuitos.pROpRIEDaDE InTElEcTual Você retém todo o direito autoral sobre todo conteúdo original enviado pelo usuário. reproduzir. including without limitation for promoting and redistributing part or all of the YouTube Website (and derivative works thereof ) in any media formats and through any media channels. gratuita. o Newsvine não exige a “cessão” total dos direitos autorais por parte dos usuários para o site. perpétuos e totalmente sub-licenciáveis e transferíveis de reproduzir. ele pode reutilizá-lo como quiser em outras publicações). Como esclarecimento. prepare derivative works of. No entanto. e criar obras derivadas. display and perform such User Submissions as permitted through the functionality of the Website and under these Terms of Service. you hereby grant YouTube a worldwide. prepare derivative works of. Isso faz com que o usuário permaneça sendo titular do direito autoral sobre o conteúdo (ou seja. identificador ou qualquer outro título enviado em relação ao conteúdo do usuário. distribute. publicar. non-exclusive. distribute. se ele assim o quiser. conhecidas no momento ou inventadas no futuro. reproduzir. modificar. distribuir. and perform the User Submissions in connection with the YouTube Website and YouTube’s (and its successor’s) business. No entanto. podendo livremente republicar e mesmo re-licenciar os conteúdos. ele exige a transferência integral de direitos para si. Nos “Termos de Uso” do site é possível verificar as seguintes disposições: For clarity. O conhecido site de vídeos YouTube também adota um modelo semelhante ao do Newsvine. You also hereby grant each user of the YouTube Website a non-exclusive license to access your User Submissions through the Website. bem como de exibir publicamente e executar o conteúdo do usuário em quaisquer mídias. However. and to use. No entanto. display. publicar.

desde que inalterado o conteúdo principal. o que ocorre é que o usuário deixa de ser o titular e legítimo detentor de direito autoral sobre a obra. através do serviço Globo Online. os direitos sobre as obras artísticas. reedição. inclusão em base de dados. realização de versões e derivações. atualização. – Cessão de Direitos – Pelo presente termo. exibição audiovisual e por processo análogo. divulgação (inclusive em seus produtos e campanhas de propaganda e de publicidade).1. satélite. inclusão em produção audiovisual. os sites em questão passam a se tornar titulares e legítimos detentores dos direitos autorais patrimoniais sobre a obra. exemplificativamente. irretratável e sem qualquer ônus. No Brasil.br transfere à INFOGLOBO. concordando com que a obra cuja titularidade declara deter seja utilizada em associação com outros textos. a título gratuito e por prazo indeterminado.com. comercialização. retransmissão. restauração. microfilmagem e demais formas de armazenamento do gênero. O sistema do Eu-Repórter permite que qualquer usuário envie contribuições ao Globo Online. cabo. adaptação. Por sua vez. circulação. irrevogável. Leia abaixo os “Termos de Uso” do Globo Online com relação com relação a contribuições recebidas dos usuários através do Eu-Repórter. armazenamento em computador. Essa contribuições podem então ser editadas e publicadas através do site (www. o colaborador devidamente identificado e cadastrado no endereço eletrônico www. comunicação. fotográficas. as seguintes atividades: publicação. em conformidade com as funcionalidades do site e de acordo com os termos de serviço. radiodifusão sonora e visual. fibra ótica. em qualquer mídia ou meio físico. inclusive eletrônico. em caráter exclusivo. exibir e executar o conteúdo submetido. ambos os sites não exigem a “cessão” dos direitos para si. No entanto. emissão. 3. reprodução. tradução para qualquer idioma (com ou sem legendas). audiovisuais e literárias que tenha encaminhado para o Projeto “Eu-Repórter”. e compreendendo.com. que tornam ambos os sites praticamente “titulares” de todas as prerrogativas que o dono da obra teria. O colaborador cede e transfere à INFOGLOBO. não exigem que o usuário transfira a totalidade dos direitos para os sites. sendo possível a alteração do formato de textos. Tanto o YouTube quanto o Newvine adotam um sistema de gerenciamento de direitos autorais através do qual ocorre o “licenciamento” de direitos.br). oferta a terceiros (inclusive pela internet). transmissão. para utilização em território nacional e no exterior. visual ou sonoro. ondas e quaisquer outros existentes ou que venham a existir. todo e qualquer direito patrimonial de autor relativo ao material encaminhado ao Projeto “Eu-Repórter”. títulos. edição.oglobo. tais como em vigor em março de 2007: 3.pROpRIEDaDE InTElEcTual preparar obras derivadas do conteúdo. por exemplo. exposição.oglobo. Nos casos de cessão. definitivo. autorizando a sua utilização e reprodução. revisão. distribuição. gráficos e demais materiais de propriedade da INFOGLOBO. FGV DIREITO RIO 37 . total ou parcial. um exemplo de site que adota a estratégia da transferência integral dos direitos (“cessão”) para o site é o sistema Eu-Repórter do jornal O Globo. ou seja. A presente licença concedida por você termina no momento em que você remover ou apagar um conteúdo enviado do site YouTube. documentos.

que se fará sempre por escrito. 3.pROpRIEDaDE InTElEcTual 3. que permanecem inalterados com seu autor. este estaria violando a licença concedida á empresa.4. Em todo caso. presume-se onerosa. Note que de acordo com as disposições acima. direitos de reprodução. fornecê-las e comercializá-las a terceiros.3. a INFOGLOBO transmita a terceiros. de acordo com os termos de uso. que não consistem na cessão (total ou parcial) de direitos autorais. Com seria interpretada a disposição “por escrito” exigida pela lei para efetuar a cessão? Seriam termos de uso de um website considerados como instrumentos de realização da cessão “por escrito”? Note que o problema não se aplica aos casos de licenciamento. que não poderá reproduzir a obra cedida ao Projeto “Eu-Repórter” por qualquer forma ou a qualquer título. como requisito para utilização do serviço Eu-Repórter. total ou parcialmente. a não ser para fins particulares e de caráter não econômico. Já a cessão. o desafio jurídico permanece. mas não de execução pública e assim por diante). do seu grupo econômico ou não. que regula os direitos do auto: Art.0 diz respeito ao artigo 50 da Lei 9. Caberá eventualmente aos juízes decidir qual a interpretação do dispositivo legal que exige que a cessão seja feita por “escrito”. implica a efetiva transferência: o autor deixa de ter aqueles direitos enquanto o “cessionário” passa a ser o titular dos mesmos. mas sempre para as finalidades constantes da cláusula 3 supra. O colaborador concorda e aceita que. os direitos ora cedidos. em decorrência da cessão de direitos patrimoniais em questão. o usuário que publicar um texto ou outros conteúdos no Globo Online não poderia. Note-se que o item 3. Dessa forma. A exclusividade de que se investe a INFOGLOBO será oponível mesmo contra o próprio colaborador. O licenciamento não implica a “transferência” dos direitos. por cessão ou concessão. a exclusivo critério da INFOGLOBO e sem limitação de prazo. Essa disposição cria um desafio jurídico importante para o direito brasileiro. O material encaminhado ao Projeto “Eu-Repórter” poderá ou não ser publicado. Além disso. Pelos termos de uso. FGV DIREITO RIO 38 . A cessão será total quando a totalidade dos direitos é transferida. o usuário transfira a totalidade dos seus direitos para a empresa. notadamente publicá-las. republicar ou reutilizar esse mesmo texto em outros sites ou projetos. 50. diferente dos termos de uso do Newsvine ou do YouTube.3 dos termos de uso deixam claro que “A exclusividade de que se investe a INFOGLOBO será oponível mesmo contra o próprio colaborador”. 3. E será parcial quando apenas alguns direitos forem transferidos (por exemplo. o Globo Online adota a estratégia de que.2. Uma questão relevante derivada da lei brasileira de direitos autorais com relação à estratégia de “cessão” integral dos direitos autorais em sites da web 2. Explicando uma vez mais. adota também a estratégia de que esses direitos sejam transferidos com exclusividade. A cessão total ou parcial dos direitos de autor. de forma gratuita ou onerosa. em caso de republicação por parte do próprio usuário.610. o licenciamento consiste em mera “autorização” para o uso (ou para certos usos).

que a licençasentre duas partes (geralmente autor-licenciante e o usuário-licenciado).wikipedia. licenças públicas gerais estabelece operacional o autor-licenciante – que a coletividade.org/wiki/WikipeColetividade Dois exemplos de licenças públicas gerais utilizadas em sites de web 2. que podem autor e do outro está toda a de web 2. as licença públicas gerais.0 são a Licença de Documentação Livre do GNU FGV DIREITO RIO 39 (http://pt.org/wiki/Wikipedia:GNU_Free_Documentation_License) e as licenças . AutorUsuárioLicenciante Licenciado modelo de licenciamento de direitos das licenças tradicionais: AutorLicenciante Modelo de licenciamento de UsuárioLicenciado direitos das licenças públicas gerais: modelo de licenciamento de direitos das licenças públicas gerais: Modelo de Coletividade licenciamento de direitos das licenças públicas gerais: Coletividade Coletividade AutorLicenciante AutorLicenciante Coletividade Coletividade Coletividade Coletividade Dois exemplos de licenças públicas gerais utilizadas em sites de web 2. As licenças gerais públicas consistem em modelos de licenciamento padronizados que podem ser utilizadas para a gestão de direitos de propriedade intelectual. Diferente de uma licença tradicional que e Veja nos e do outro está o modelo de transferência de direitos nas licenças tradicionaisse dá “software livres”.wikipedia.pROpRIEDaDE InTElEcTual Estratégia de utilização de uma licença livre Uma terceira estratégia para a gestão dos direitos autorais sobre os conteúdos dos sites da web 2. Diferente de uma licença tradicional que se dá apenas entre duas partes (geralmente o autor-licenciante e o Modelo de licenciamento de direitos das licenças tradicionais: usuário-licenciado). é de que. de um lado está o padronização: elas criam termos jurídicos determinados e é de que. de um lado está o autor e do outro está toda a coletividade. deveabaixo o modeloGNU/Linux). o Um exemplo clássico de licença pública geral é a licença que regula os chamados autor gráficos abaixo toda a coletividade. serviu de base para a criação do sistemadireitos entrelivre chamado Linux e todaaliás. as licenças públicas gerais estabelece direitos entre o autor-licenciante e toda a coletividade.0 é a utilização de uma licença livre. é de toda a um lado está públicas gerais. por essa razão.0 que estejam de acordo com eles. licenças públicas gerais estabelece direitos entre o autor-licenciante e que. que podem ser apenas entre licençaspartes (geralmente o autor-licenciante e o usuário-licenciado). presente por exemplo na licença GNU-GPL.0 são a Licença de Documentação Livre do GNU (http://pt. a gestão por exemplo propriedade intelectual. as duas públicas gerais criam “regras do jogo” específicas. nas licenças públicas gerais. decoletividade. Sua vantagem é justamente sua públicas gerais. Outra característicalicenças tradicionais e Veja nos gráficos ser chamado de de transferência de direitos nas importante Modelo de licenciamento de direitos das licenças tradicionais: das licenças públicas gerais. Em outras se dá uma licença tradicional que ser adotados por modelos coletividade. as incorporadas parapresente de direitos da na licença GNU-GPL. as chamadas “Licenças Gerais Públicas” (ou General Public Licenses no original). Veja nos gráficos abaixo o modelo de transferência de direitos nas licenças tradicionais e nas licenças públicas gerais. ele precisa adotar nasapenas chamada “GNU-GPL” (GNU é oonome do primeiro software livre. presente por exemplo na licença GNU-GPL. Diferente palavras. Para que um software seja considerado “livre”.universais.

a partir do moFGV DIREITO RIO 40 . música. A razão para o surgimento do Creative Commons é o fato de que o direito autoral possui uma estrutura que protege qualquer obra indistintamente. presente em mais de 40 países. Assim. Através da Licença de Documentação Livre do GNU fica permitida a cópia livre da obra (seguidos alguns requisitos. pela Wikipedia. fotógrafos. cineastas. em qualquer país. e desejo que a minha obra seja livremente circulada pela Internet. decorrente da aplicação automática da lei de direitos autorais sobre todas as “criações do espírito”. ele é coordenado pela Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas no Rio de Janeiro. como músicos. websites. Abaixo segue texto com informações práticas sobre a estrutura de licenciamento do projeto: O que é o Creative Commons? O Creative Commons é um projeto global. dentre outros). Assim. A Licença de Documentação Livre do GNU era uma das principais licenças disponíveis em 2001. um modelo de licenciamento livre voltado especificamente para o licenciamento de conteúdos culturais. Através dela. O projeto foi criado por Lawrence Lessig. todo o conteúdo postado na Wikipedia é licenciado através de uma relação entre seus próprios usuários e a comunidade como um todo. vai saber claramente que possui o direito de utilizar a obra. em quaisquer modalidades (filmes. fotos. ano em que a Wikipedia foi criada.br). No Brasil.org. se eu sou um criador intelectual. Ele permite que autores e criadores de conteúdo. possam permitir alguns usos dos seus trabalhos por parte da sociedade. Com isso. creativecommons. Em dezembro de 2006 foram criadas as licenças “Creative Commons”. posso optar por licenciar o meu trabalho escolhendo alguma das licenças do Creative Commons.creativecommons. dentre outros). projetos arquitetônicos. em contraste com o “Todos os Direitos Reservados”. Note que a Licença de Documentação Livre do GNU foi criada tendo em mente o licenciamento da documentação que acompanhava softwares livres como o “GNU”. o Creative Commos cria um sistema pelo qual as obras passam a ter “Alguns Direitos Reservados”. todo e qualquer usuário adicionando conteúdo no site da enciclopédia estabelece uma relação de licenciamento de direitos diretamente para toda a comunidade (que inclui a própria Wikipedia). qualquer pessoa. que cria um novo modelo de gestão dos direitos autorais. textos. assista agora à animação em Flash disponível no seguinte link: http://mirrors. Por isso.pROpRIEDaDE InTElEcTual dia:GNU_Free_Documentation_License) e as licenças Creative Commons (www. de acordo com a licença escolhida (veja abaixo uma explicação dos vários tipos de licença). como por exemplo. Para entender como funciona o Creative Commons. por exemplo. escritores. jornalistas e outros. A Licença de Documentação Livre do GNU é adotada. como uma iniciativa para facilitar que autores e criadores intelectuais pudessem de maneira fácil e padronizada autorizar toda a coletividade a exercer alguns usos sobre a obra.org/getcreative/br/. o fato de que as cópias devem trazer um “aviso” de que a cópia subseqüente dos materiais é permitida. desde seu lançamento. blogueiros.

org/ license/) e responder a duas questões sobre os usos que você deseja autorizar sobre a sua obra. indicando qual a licença aplicável ao trabalho. Modo de Licenciamento Licenciar sua obra pelo Creative Commons é muito fácil. basta inserir na própria obra (capa. saberão os termos da licença que você escolheu. um CD. Uma vez que você coloque o código no seu site. um DVD ou outra obra “física”. A partir daí.pROpRIEDaDE InTElEcTual mento em que a obra é criada. no próprio CD ou na caixinha) o símbolo FGV DIREITO RIO 41 . as bandas Mombojó. mas possibilitam a outros copiar e distribuir o trabalho. Isso significa que qualquer utilização depende da autorização do autor. Para isso. o site irá mostrar a licença adequada às suas necessidades. há instruções detalhadas sobre como aplicar a licença às suas obras. Em outras palavras. Há autores e criadores intelectuais que não só desejam permitir a livre distribuição da sua obra na Internet. Todas as pessoas que acessarem o seu conteúdo. de artistas como o Ministro Gilberto. Gerador Zero e outras. basta acessar a página onde estão disponíveis as licenças do projeto (http://creativecommons. O processo é extremamente simples: em síntese. O site também traz instruções detalhadas sobre como marcar um arquivo em MP3. basta colocar o símbolo do Creative Commons da respectiva licença no site. basta clicar no botão ao final da página (“Escolha uma Licença”) que você será redirecionado à outra página que trará o resultado das suas escolhas. Basta seguir as instruções. contanto que outros compartilhem pela mesma licença ( ) Não Todas as licenças mantêm os seus direitos autorais sobre a obra. tudo o que você precisa fazer é aplicar o símbolo “CC – Alguns Direitos Reservados” à sua obra. que disponibilizaram canções para distribuição. Esse é o caso. o próprio site disponibiliza um trecho de código em HTML para ser copiado e colado no site em que está a obra. através do Creative Commons. Assim que você terminar sua escolha. Caso sua obra seja um livro. ao mesmo tempo em que impede a realização de todo o potencial da Internet. contracapa. um vídeo e outros arquivos. por exemplo. Muitas vezes isso dificulta uma distribuição mais eficiente das criações intelectuais. De acordo com suas resposta às perguntas acima. o licenciamento já está valendo. mas podem também querer autorizar que sua obra seja remixada ou sampleada. Se o trabalho estiver na Internet. remix e sampling. Essas questões consistem em responder ser você deseja: a) Permitir uso comercial de sua obra? ( ) Sim ( ) Não b) Permitir modificações em sua obra? ( ) Sim ( ) Sim ( ) Sim. Para isso. qualquer conteúdo encontrado na Internet ou em qualquer outro lugar é protegido pelo direito autoral. desde que obrigatoriamente atribuam crédito ao autor e respeitem as demais condições que você escolheu.

vendê-la ou utilizá-la com a finalidade direta de obtenção de lucro. qualquer autor ou criador pode optar por licenciar seu trabalho sob uma licença específica. em todos os meios de divulgação. por exemplo. especificando o nome da licença que aparece no site. o autor autoriza a livre cópia. COMPARTILHAMENTO PELA MESMA LICENÇA Pelos termos desta licença. distribuição e utilização da obra. distribuição e utilização da obra. a obra deverá sempre dar o devido crédito. cópia. O objetivo geral do projeto é de apresentar uma alternativa ao modelo de “Todos os Direitos Reservados”. Assim. se a obra for utilizada para a criação de obras derivadas. o autor não permite que a obra seja modificada. a licença “Nações em Desenvolvimento” e a licença especificamente para software livre. a obra do autor não poderá ser remixada. o autor veda qualquer distribuição. Entretanto. devendo permanecer sempre igual ao modo original em que foi distribuída. um livro sendo traduzido para outro idioma ou uma foto sendo incluída em um livro. São elas as licenças de “Recombinação” ou “Sampling”. USO NÃO COMERCIAL Pelos termos desta licença. sendo vedada sua utilização para a criação de obras derivadas. o autor autoriza a livre cópia. utilização e distribuição que tenha fins comerciais. que é substituído por um modelo de “Alguns Direitos Reservados”. Todas essas licenças e também as licenças originais resultantes do questionário acima são compostas pelos elementos explicados abaixo. Assim. ou mesmo em casos FGV DIREITO RIO 42 . ou reeditada sem a permissão expressa do autor ou criador.pROpRIEDaDE InTElEcTual do Creative Commons de “Alguns Direitos Reservados”. inclusive para fins comerciais. o autor impõe a condição de que. à disposição para serem escolhidos por autores e criadores. Entretanto. Entretanto. por exemplo. chamada “CC-GNU-GPL”. Pela licença chamada “Atribuição”. distribuição e utilização da obra. são: ATRIBUIÇÃO Todas as licenças do Creative Commons exigem que seja dado crédito (atribuição) ao autor/criador da obra. distribuição e utilização da obra. Entretanto. que atenda melhor a seus interesses. Essas modalidades devem ser selecionadas especificamente no website http://creativecommons. o autor autoriza a livre cópia. como. devendo ser sempre mantida intacta. Os principais componentes das licenças. um determinado criador intelectual pode se interessar por utilizar também outras modalidades de licença. podendo escolher entre as diversas opções existentes.org/license/. como. o autor autoriza a livre cópia. Isto significa que qualquer pessoa que tenha obtido acesso à obra não pode utilizá-la para fins comerciais. alterada. Modalidades de licenças Além das licenças que podem ser obtidas pelas respostas às perguntas acima. NÃO A OBRAS DERIVATIVAS Pelos termos desta opção.

um dos pioneiros no Brasil no licenciamento de obras para recombinação e modificação. distribuição e utilização da obra. com o apoio do Ministro Gilberto Gil. estas duas licenças tiveram origem no Brasil. Pelos termos desta licença. a General Public License e a Lesser General Public License .pROpRIEDaDE InTElEcTual de incorporação da obra original como parte de outras obras. a liberdade de estudar o programa. internacionalmente adotadas para o licenciamento de software livre. Estas licenças garantem todos os quatro direitos básicos do software livre. Ou pode optar apenas por “Atribuição”. Quanto à LGPL. CC-GPL E CC-LGPL Assim como a licença de Recombinação (sampling). Entretanto. em algumas circunstâncias. levando à criação de uma nova obra. as licenças do Creative Commons podem ser combinadas e recombinadas. este deve continuar sendo distribuído livremente sob os mesmos termos da GPL. A autorização é válida desde que haja transformações significativas do original. O termo Recombinação homenageia o coletivo pernambucano chamado Re:Combo. Essas licenças consistem nas tradicionais GPL e LGPL do GNU. o resultado deve ser necessariamente compartilhado pela mesma licença. a liberdade de modificá-lo e aperfeiçoá-lo. Assim. o emprego de técnicas como “sampleamento”. COMBINAÇÕES Obviamente. tendo acesso ao seu código fonte. pela modalidade “Atribuição-Vedados Usos Comerciais-Compartilhamento pela mesma licença”. por exemplo. o autor pode ou não autorizar a livre cópia. “mesclagem”. ele autoriza sempre a utilização parcial ou recombinação de boa-fé da obra. Isso permite. bem como a liberdade de distribuí-lo livremente. ela permite que. RECOMBINAÇÃO (SAMPLING) A licença de Recombinação (também chamada licença de sampling) foi desenvolvida conjuntamente pelo Creative Commons e pela Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro. em contrapartida. Não vale fazer apenas uma modificação irrelevante na obra. quais sejam. Um determinado autor pode escolher licenciar sua obra. “colagem” ou qualquer outra técnica artística. FGV DIREITO RIO 43 . mas com a diferença das mesmas serem embaladas de acordo com os preceitos do Creative Commons. uma obra licenciada pela modalidade “compartilhamento pela mesma licença” só pode ser utilizada em outras obras se essas outras obras também forem licenciadas sob a mesma licença Creative Commons. As duas licenças são destinadas ao licenciamento de software. mesmo que tenham ocorrido alterações no programa. A distribuição das obras derivadas fica automaticamente autorizada para o autor que recriou a obra do autor original. Note-se que na GPL. isto é. As licenças foram desenvolvidas para atender necessidades específicas do governo brasileiro no que tange ao incentivo à adoção do software livre no país. por exemplo. a liberdade de executar o programa para qualquer finalidade. o programa seja distribuído sob termos de outras licenças.

Isso será feito no programa a ser criado e exibido diariamente entre 18h e 20h. A empresa é contratada pelo Grupo Editorial Lava para desenvolver um site colaborativo de vídeos. Questão 1 – Qual das três estratégias de gestão de direitos autorais você julga mais apropriada para o empreendimento do Grupo Lava e por que. tente pensar se há alguma conexão entre o regime de direitos autorais adotado pelo site e o incentivo para se contribuir ou não para ele. o Grupo Lava entende que a implementação de uma idéia de internet participativa pode contribuir para rejuvenescer a imagem da TVL. A aposta é que. batizado provisoriamente de “A Hora da Lava”. Outro fato importante é que o Grupo Lava possui uma rede de televisão.pROpRIEDaDE InTElEcTual Como o modelo é matricial. tornandoa cada vez mais participativa. o grupo Lava está planejando promoção de vários concursos. Sua idéia é disponibilizar todo o conteúdo obtido através do site através de telefones celulares. Questão 2 – O que leva usuários a contribuírem com seus conteúdos para sites colaborativos? No caso do grupo Lava. Na reunião com o escritório. originalmente destinada ao público infanto-juvenil. O objetivo do grupo é começar a selecionar e exibir diariamente os vídeos produzidos através do site LavaVídeo. Como a TVL. Dessa forma. cada autor pode escolher a licença mais adequada aos seus interesses e a suas necessidades. O principal temor do grupo é com a questão dos direitos autorais. FGV DIREITO RIO 44 . Alvanito é encarregado de apresentar suas opinião sobre como a estratégia do Grupo Lava deve ser implementada. aponte qual a solução que você recomenda para o caso. o grupo Lava explica em detalhes os seus planos comerciais. importante empresa de design de São Paulo. combinando-a com outras licenças. caSo Prático Alvanito trabalha no escritório Totz & Tuts. não tem alcançado bons índices de audiência. O site LavaVideo seria apenas o começo da estratégia. chamada TVL (TV Lava). A idéia do grupo Lava é que os usuários possam colocar seus próprios vídeos no site. com premiação para os seis melhores vídeos escolhidos a cada ano por um grupo de jurados. Ao responder. que recentemente abriu uma área de internet e web colaborativa. gerando maior audiência e por conseguinte mais receitas publicitárias para a TVL. isso permitirá uma reestruturação geral da TVL. o mesmo pretende incentivar os usuários a enviar vídeos com a realização de concursos. Discuta no fórum quais as principais motivações que levam usuários a contribuir com conteúdo para um determinado site. cobrando por cada exibição. se o programa “A Hora da Lava” for bem sucedido. que a empresa deseja que “seja maior do que o YouTube”. Ajude Alvanito a discutir as possíveis estratégias para atender os anseios do Grupo Lava. Discuta quais as vantagens e desvantagens de se adotar cada estratégia e por fim. Para incentivar os usuários.

o seguinte pequeno artigo: http://tek. ligado ao portal UOL (www.videolog. por exemplo. Leia e pesquise sobre o projeto “Current TV” realizado pelo ex-vice-presidente dos EUA Al Gore.pROpRIEDaDE InTElEcTual tExtoS auxiLiarES: Visite o site brasileiro de vídeos Videolog.pt/4M0/694028.html FGV DIREITO RIO 45 . que consiste em uma rede de televisão que funciona com conteúdo produzido descentralizadamente. Veja.sapo. tv) e verifique a estratégia adotada pelo mesmo.

Chris Anderson começou então a investigar os FGV DIREITO RIO 46 .com). que combinam receitas diretas e indiretas. Ao mesmo tempo. criado por Chris Anderson.com/wired/archive/12. A maioria dos sites bem-sucedidos da web colaborativa gera recursos através de fórmulas mistas. De acordo com o texto de Shirky. que modificam conceitos previamente existentes. Chris Anderson.10/tail. O termo “A Cauda Longa” foi criado por Chris Anderson no artigo de mesmo nome escrito por ele na revista Wired em 2004 (clique aqui para ler o artigo em inglês: http://www. como ganhar dinheiro com conteúdo colaborativo? Desde já. ronaldo Lemos modELoS dE nEgócio PErtinEntES à WEB Uma das grandes questões envolvendo a web é a pergunta: afinal. A parte em amarelo corresponde a ela: A cauda longa corresponde à parte em amarelo. sem no entanto se preocupar em encontrar uma resposta definitiva à questão (que aliás. Weblogs and Inequality”. uma infinidade de blogs. Esses milhões de blogs consistiriam a chamada “cauda longa” dos blogs com pouca visibilidade. Trata-se de modelos de negócio em que o conteúdo é livre (ou livremente compartilhável) e esse acesso “aberto” é um fator relevante na geração de receitas. possuem apenas alguns poucos links apontando para eles. ou Open Business Models.pROpRIEDaDE InTElEcTual modelos de neGócio da Web Prof.html). que organiza de forma sintética a definição de cauda longa.netflix.wired. O segundo enfoque será com relação aos chamados Modelos Abertos de Negócio.0 (colaborativa). o presente capítulo procura investigar os principais conceitos gerais para o desenvolvimento de negócios na web colaborativa. produzindo resultados econômicos relevantes. na verdade alguns milhões deles. Dessa forma. dificilmente encontrará uma resposta definitiva). a cauda Longa O texto abaixo é adaptado do verbete em inglês da Wikipedia referente ao item “The Long Tail”. conceito desenvolvido pelo editor da revista Wired. O artigo descreve certos modelos econômicos e modelos de negócio colocados em prática por empresas como a livraria virtual Amazon e o site de aluguel de vídeos norte-americano Netflix (www. Um exemplo de gráfico onde é possível visualizar a chamada cauda longa segue abaixo. O primeiro é o enfoque da chamada “Cauda Longa”. O conceito de cauda longa. Dessa forma. inspira-se em grande parte no texto escrito por Clay Shirky chamado “Power Laws. é importante dizer que essa pergunta não tem ainda uma resposta definitiva. o presente capítulo apresentará dois focos de negócios possíveis relativos à web 2. apenas alguns poucos blogs conseguem obter muitos links de sites apontando para eles. Os modelos de open business enfocam novas estratégias de organização empresarial.

como a Enciclopédia Britânica. no agregado. do que vendemos hoje os livros que vendemos ontem”. O eixo horizontal representa o número total de artigos de uma enciclopédia como a Wikipedia. representar uma quantidade de vendas que chega a competir ou mesmo ultrapassar o volume de vendas representado pelos poucos artigos que alcançam muitas vendas. Por exemplo. que abre o site. O eixo vertical representa o número de acessos diários gerados relativamente a cada um desses artigos. Yu Hu e Michael D. que raramente são acessados (que aliás. a chamada “cauda longa” representa um enorme mercado potencial. Parece complicado. mas o que a frase ilustra é o fato de que o grande universo de livros desconhecidos e que praticamente vendem apenas esporadicamente. Para visualizar o fenômeno graficamente. geram receitas mais significativas do que o universo de livros cuja expectativa de vendas é alta. representam a grande maioria dos artigos no site). Chris Anderson argumenta que produtos que possuem uma baixa demanda ou vendem apenas algumas poucas unidades podem. No entanto. O livro encontra-se disponível no Brasil. Ao mesmo tempo. centenas de milhares de outras páginas estariam FGV DIREITO RIO 47 . O conceito de cauda é perfeito para descrever também a popularidade e funcionalidade de vários sites da web 2. esses artigos pouco acessados geram uma quantidade de tráfego para a Wikipedia muitas vezes maior do que todos os artigos de grande sucesso somados. é uma das que mais recebe visitas no site. coletivamente. os milhares de artigos de pouca popularidade agregados pela Wikipedia geram mais visitas do que uma coletânea de artigos altamente relevantes como aqueles concentrados por uma enciclopédia tradicional. que pela primeira vez desenharam uma curva em formato de cauda longa para descrever as vendas do site Amazon. quando considerados juntos. basta verificar uma vez mais o diagrama listado acima em verde e amarelo. Essa investigação culminou na publicação do livro The Long Tail: Why the Future of Business is Selling Less of More (2006). a enciclopédia Wikipedia possui uma infinidade de artigos mais obscuros. Desse modo. A segunda condição é de que os custos para oferecer essa infinidade de produtos não sejam elevados ao ponto de ultrapassar as receitas obtidas.0. com pouco mercado e que em geral dificilmente são encontrados nas livrarias tradicionais. Assim. Smith. cujo desenvolvimento da internet e das tecnologias digitais cria possibilidades de exploração. De acordo com os dados encontrados por eles. Chris Anderson menciona como exemplo as pesquisas realizadas por Erik Brynjolfsson. a página inicial estaria possivelmente o mais à esquerda possível. oferecendo grande diversidade de produtos. A condição para isso é que a loja ou o canal de distribuição seja grande o suficiente. tendo sido publicado pela editora Campos (chamado aqui de A Cauda Longa Do Mercado de Massa para o Mercado de Nicho). Dessa forma. uma parte importante das vendas do site é proveniente de livros obscuros. Em outras palavras. na área verde do gráfico. a página inicial da Wikipedia.pROpRIEDaDE InTElEcTual efeitos desta “cauda longa” nos modelos de negócio existentes até então. Um empregado do site Amazon descreveu a “cauda longa” da seguinte maneira: “Nós vendemos mais livros hoje que não venderam absolutamente nada ontem.

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à direita no gráfico, recebendo algumas poucas visitas, o que é representado pela parte amarela do gráfico. No entanto, a somatória da área da parte amarela, quando considerada a extensão da “cauda longa”, acaba tornando-se significativa e muitas vezes competindo em relevância com a área da parte verde do gráfico. O mesmo raciocínio pode ser feito com relação aos livros vendidos pelo site Amazon. O volume total de vendas dos artigos de baixa popularidade pode muitas vezes competir ou exceder o volume das vendas dos itens de alta popularidade. Outro dado importante relativo à idéia de cauda longa é obtido pela análise do conceito à luz dos benefícios que o mesmo traz para o consumidor. Para isso basta constatar que uma livraria tradicional, situada fisicamente em uma cidade, pode armazenar apenas um volume limitado de livros. Dessa forma, a “cauda longa” representa um valor adicional para o consumidor, que pode encontrar praticamente qualquer livro em uma loja que segue o modelo de “long tail”. Dessa forma, um ponto importante da idéia de “cauda longa” é que, tradicionalmente, o principal benefício que poderia ser concedido ao consumidor seria essencialmente o oferecimento de preços baixos. No entanto, a “cauda longa” demonstra que o oferecimento de opções de compra anteriormente indisponíveis gera um benefício para o consumidor muito maior do que preços baixos. O estudo feito por Brynjolfsson, Yu Hu e Michael Smith (citado por Anderson em seu trabalho) quantifica que esse benefício seja até dez vezes maior do que o benefício obtido meramente com a oferta de preços mais baixos. Em síntese, a origem do valor gerado pela “cauda longa” provém do seu potencial de oferecer aos consumidores novos benefícios, relativos ao acesso a produtos que anteriormente não estavam facilmente disponíveis. Em um artigo de 2006, esses mesmos pesquisadores afirmam que através da redução dos custos relacionados à busca pela informação, as empresas de tecnologia da informação e os mercados relativos à internet de modo geral poderiam revolucionar o modo como são ofertados produtos de nicho, criando assim uma cauda cada vez mais longa no que tange às receitas obtidas com a venda de produtos. Dessa forma, a “cauda longa” poria por terra o modelo em geral praticado na economia “física” do século 20, pelo qual 20% dos produtos (representando os produtos mais populares) representaria mais de 80% das receitas obtidas. Enquanto isso, os demais 80% de produtos ofertados por uma loja tradicional, gerariam apenas os 20% restantes das receitas. Com o efeito da cauda longa, esses percentuais seriam substancialmente alterados, de modo que os itens menos populares acabariam representando uma participação em uma quantidade muito mais significativa das receitas geradas. No modelo desenvolvido por Chris Anderson de análise das receitas da cauda longa, 2% dos produtos, justamente aqueles extremamente populares, respondem por cerca de 50% das receitas provenientes do negócio e por 33% dos lucros. Outros 8% de produtos não tão populares, mas ainda de grande popularidade, respondem por 25% das receitas do negócio e 33% dos lucros. O remanescente dos produtos, justamente aqueles presentes na cauda longa (produtos de pouca popularidade), representando 90% dos produtos, respondem por 25% das receitas geradas e 33% dos lucros.

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Quais os fatores para o surgimento da cauda longa?

Do ponto de vista da oferta, o fato mais importante que condiciona a existência da cauda longa é o custo de armazenamento e distribuição dos produtos. Em empresas nas quais os custos de armazenamento e distribuição são insignificantes, torna-se economicamente viável a venda de uma catálogo muito maior de produtos, incluindo itens pouco populares. No entanto, quando os custos de armazenagem e distribuição são altos, do ponto de vista econômico, faz sentido concentrar as vendas sobretudo com relação a itens populares. O exemplo das locadoras de vídeo ilustra bem essa situação. Uma locadora de vídeo tradicional possui espaço limitado nas suas prateleiras. Muitas vezes, esse espaço é inclusive “alugado” para o distribuidor do vídeo, para maximizar as receitas do negócio. Dessa forma, para gerar receitas e fazer do negócio viável, a locadora precisa concentrar seus estoques principalmente de filmes mais populares, evitando que seu espaço físico acabe mal-utilizado. Um site de locação de vídeos como o Netflix parte de um outro princípio. Os filmes ficam em armazéns centralizados, fazendo com que os custos sejam drasticamente reduzidos. Dessa forma, os custos acabam igualmente reduzidos tanto para filmes populares como não-populares. Com isso, o site pode oferecer uma quantidade muito maior de filmes do que uma locadora tradicional. Com isso, as receitas obtidos pelo aluguel de filmes não-populares acabam competindo com as receitas do aluguel dos filmes mais famosos. Outro elemento importante, que faz da idéia de “cauda longa” um elemento importante de qualquer pensamento sobre a web 2.0, é o fato de que muitos sites se utilizam da chamada “inteligência coletiva” (vide o módulo 1) para recomendar compras para os consumidores. Um exemplo disso é o site Amazon.
impactos da cauda Longa

A cauda longa possui também implicações culturais e políticas. Com a disponibilidade de itens mais difíceis de encontrar, é possível atender a gostos compartilhados apenas por minorias e nichos. Com isso, muitos teóricos acreditam que o modelo da cauda longa pode contribuir para o aumento geral do acesso à cultura. Um exemplo é a comparação com o modelo tradicional da televisão. A programação de uma estação de TV possui um tempo limitado sobre o que pode ou não ir ao ar. Dessa forma, empresas de TV acabam escolhendo os programas que alcançarão maior popularidade em cada horário específico. Dessa forma, é de se supor que um aumento do número de canais de televisão disponíveis, bem como o surgimento de canais digitais e pela internet, pode levar a um aumento da diversidade de conteúdos. Vários sites bem sucedidos na internet, incluindo sites da web 2.0, tornaram-se viáveis justamente porque souberam aproveitar o potencial trazido pelo modelo. Exemplos de sites que utilizaram de forma bem-sucedida o modelo incluem o site de leilões eBay, o Yahoo!, o Google, a Amazon, a loja de música da Apple (iTunes), bem como a Netflix e outras. Vários dos sites estudados ao longo do presente curso
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também acabam se valendo do modelo da Cauda Longa (Last.fm, Wikipedia, Flickr, YouTube e outros). Outro impacto apontado da cauda longa é que o modelo influencia também a produção de conteúdo. Modalidades de conteúdo que anteriormente teriam praticamente pouca ou nenhuma chance de distribuição acabam tornando-se viáveis através do modelo. Na prática, estamos apenas começando a experimentar os efeitos sociais e culturais do fenômeno da cauda longa. Naturalmente, o fenômeno da cauda longa representa uma ameaça para diversos modelos de negócio estabelecidos durante o século XX. Um dos impactos apontados é que quando o custo de armazenagem e de distribuição cai, uma quantidade maior de produtos torna-se disponível. Com isso, deve ser considerada a possibilidade de que a procura pelos produtos anteriormente considerados “mais populares” pode cair significativamente. Da mesma forma, o surgimento de lojas de música virtuais pode acarretar o fechamento de cadeias de lojas de música tradicionais, como aconteceu recentemente com o fechamento da conhecida cadeia de lojas Tower Records nos Estados Unidos. Por fim, com a adoção do modelo da cauda longa, sites de notícia pequenos, baseados na inteligência coletiva (como por exemplo o Digg – www. digg.com) podem acabar competindo com sites estabelecidos, contribuindo para a rápida mudança no mercado da informação a que se assiste hoje.
modelos de negócio importantes para a Web 2.0

sellabaNd (www.sellabaNd.cOm) Um dos termos mais usados com relação à web 2.0 é a expressão “crowdsourcing”. O termo é uma corruptela da expressão “outsourcing”. Enquanto o “outsourcing” representa a prática de uma empresa de transferir para outras empresas ou indivíduos tarefas que eram usualmente desempenhadas pela própria empresa, o termo “crowdsourcing” representa a transferência de uma tarefa anteriormente desempenhada pela empresa para um grupo indeterminado de indivíduos. Em outras palavras, é uma forma de utilizar a “inteligência coletiva” para resolver problemas que fazem parte do ciclo produtivo da própria empresa e com isso de reduzir custos. O que o site Sellaband faz é uma espécie de “crowdsourcing” da produção musical. O site foi criado por uma empresa alemã, utilizando a inteligência coletiva não só para selecionar as melhores bandas que teriam maior potencial de sucesso, como também de usar a força das “multidões” para levantar recursos para financiar a produção dessas bandas. Trata-se de um modelo de negócios inédito e que só se torna possível graças às ferramentas da internet e da própria web 2.0. Através do Sellaband, bandas disponibilizam uma amostra de sua música através do site. Através de uma página pessoal (que funciona em modelo de “rede social”, tal como MySpace e outras), promovem a divulgação da sua música e pedem aos seus fãs que realizem doações no valor de 10 dólares (o que dá direito a uma “participação” nos lucros da obra). O objetivo das bandas é chegar a 50 mil dólares. Os fãs podem sacar seu dinheiro de volta a qualquer momento até o momento em que os 50 mil dólares são obtidos. Uma vez que os 50 mil dólares são alcançados, o próprio site
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se encarrega de produzir o disco da banda e de divulgá-lo. Cada “investidor” recebe uma cópia do disco e as receitas publicitárias obtidas através do site são divididas entre a banda (60%), o site (30%) e o produtor musical e o empresário da banda. As bandas podem ainda oferecer outros benefícios aos seus investidores (como ingressos para shows etc.). Até abril de 2007, quatro bandas haviam conseguido obter a quantia de 50 mil dólares através do site. O site em si não se remunera com o dinheiro levantado através dos fãs, mas apenas com sua parte de 30% nas receitas publicitárias do site. Como o site foi criado por antigos executivos da indústria musical, uma das vantagens de participar do mesmo é que o site participa ativamente na produção dos artistas, garantindo um certo nível de qualidade musical do produto final. A principal característica do Sellaband que nos interessa para fins do presente curso é sua capacidade de conjugar modelos de web 2.0 (redes sociais, por exemplo) com a possibilidade de financiamento descentralizado feito por usuários do site que acreditam no sucesso das bandas participantes do mesmo. Essa conjugação entre web 2.0 e modelos de microfinanciamento é uma das tendências mais importantes da web colaborativa e suas possibilidades são promissoras. Por exemplo, a utilização das redes de telefonia celular como forma de realização de micropagamentos pode contribuir para revolucionar a forma como a produção cultural é feita, especialmente quando o recurso é conjugado com modelos de web 2.0. Outro exemplo que utiliza o modelo de financiamento descentralizado do Sellaband é o site “A Swarm of Angels” (algo como “Um Enxame de Anjos”) que tem por objetivo obter financiamento de modo descentralizado para a produção de um filme. Visite o site para verificar as semelhanças e diferenças com relação ao modelo do Sellaband (http://www.aswarmofangels.com/). plOs PloS é o termo que abrevia a iniciativa chamada Public Library of Sciences, que publica artigos acadêmicos em formato aberto, ou seja, qualquer pessoa pode livremente ter acesso a todas as publicações livremente através do site, sem a necessidade de qualquer pagamento prévio ou assinatura. Apesar da iniciativa ter começado em 2001, a partir de 2003 o PloS foi reformulada de modo adotar o modelo de publicações atualmente oferecido pelo site. Em pouquíssimo tempo, o PloS tornou-se um dos jornais acadêmicos de maior prestígio no mundo, atraindo os pesquisadores mais importantes nas suas áreas de atuação (que compreendem: biologia, medicina, computação biológica, genética e outras). Além disso, dado o caráter aberto da publicação e a facilidade de acessar os artigos publicados através do site, o PloS tornou-se de acordo com a revista Wired o jornal acadêmico mais citado do mundo nas suas áreas de atuação. O que importa para fins de modelos de negócio que envolva a web 2.0 é a forma como o PloS reestruturou suas fontes de receitas. Para financiar a publicação, o PloS abandonou completamente o modelo de assinaturas, que predominava anteriormente na grande maioria dos jornais acadêmicos. Em outra palavras, o modelo tradicional preconizava que os jornais acadêmicos fossem vendidos de forma exclusiva,
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Para acessar o texto no site original (com fotos). através do regime de assinaturas.com). Vale assim ressaltar que o estudo dos modelos de “open publishing” é importante para os modelos de negócio da web 2. visite o link: http://www. Por fim.com. publicado no Overmundo.0 é que a tendência de “open publishing” é uma das mais importantes para a publicação de materiais acadêmicos e científicos. é importante mencionar que o modelo de publicação em formato aberto vem se consolidando como uma alternativa de modelo de negócios viável economicamente. na Índia.hindawi. dentre várias outras. Como a pesquisa acadêmica. É importante notar que nestas iniciativas. em que as publicações acadêmicas encontram-se na sua íntegra disponíveis online sem a necessidade de pagamento prévio. feita através do sistema de peer review. principalmente nas áreas de biologia. Juntamos uns R$ 15 mil assim. aliás. que defendem que o acesso ao conhecimento científico deve ser aberto. camiseteria Camiseteria é uma iniciativa comercial criada pelo paulista Fábio Seixas. com a editora Medknow Publications (www. Temos mais R$ 6 mil pra dar do nosso bolso. com). que conclama pesquisadores do mundo todo a adotarem um regime de publicações aberto para seus trabalhos. ou seja.0 porque conjuga conteúdos abertos. o PloS passou a cobrar uma taxa dos autores e sobretudo das instituições de pesquisa para as quais os autores trabalhavam.medknow.pROpRIEDaDE InTElEcTual apenas para assinantes e muitas vezes por valores altos. a decisão por se adotar um modelo de publicação aberto foi puramente comercial. Leia abaixo o texto de Thiago Camelo. com a possibilidade de geração de receitas. desenvolvem um modelo que guarda similaridades com o PloS. ciências médicas e afins é em geral financiada institucionalmente. A Camiseteria consiste em um dos mais bem-sucedidos e interessantes modelos comerciais da web 2. Vendemos um produto que ainda não existe com 50% de desconto. FGV DIREITO RIO 52 . sobre o site. Umas 350 pessoas compram. uma das fontes do prestígio rapidamente obtido pelo site). scielo. O modelo tem influenciado também inúmeras iniciativas internacionais e mobilizado cientistas em todo mundo.org – Scientific Electronic Library Online). com a Hindawi Publishing (www. Em vez de adotar este modelo. Um exemplo disso é a Budapest Open Access Initiative. com R$ 21 mil já dá pra começarmos o negócio”. foi uma opção pelo melhor modelo de publicação do ponto de vista econômico. Portais como o brasileiro Scielo (www. ou revisão por pares – esse rigoroso critério é.0 no Brasil. É possível encontrar bem-sucedidas editoras que adotam o modelo “open publishing” em países como o Egito. Ótimo. um elemento presente em inúmeros sites. a Última mOda (pOr thiagO camelO) “Então está combinado. O que é importante mencionar para fins dos modelos de negócio da web 2. a idéia do PloS foi cobrar uma pequena taxa dos autores que desejassem ter sua obra considerada para publicação através do PloS (é importante enfatizar que o PloS possui um rigoroso critério de seleção de artigos.overmundo.br/overblog/a-ultima-moda.

Aceitação. já o do cinco é “Uau! Faz meu estilo! EU COMPRARIA!”. – Na verdade. já produziu 70 estampas diferentes e vendeu cerca de 5 mil camisetas. como se desenham as camisetas. não produzimos uma estampa que a gente acha bacana. Periodicamente. por meio de uma votação também gerida pelo público. quando tudo inevitavelmente é mais incerto. por exemplo. Quem tiver sua criação escolhida para ser reproduzida ganha R$ 350 em dinheiro e R$ 350 em compra de produtos no próprio site. é dado o aval (ou não) para se produzirem camisetas com aqueles traços. Fábio e os sócios e designers Rodrigo David e Tiago Teixeira arriscaram: eles apostaram tudo no sucesso instantâneo da iniciativa. já parece possível entender o baque que se tem quando se descobre que um negócio. Os desenhos são enviados para o site e. No Camiseteria. no mínimo promissor. há um concurso permanente. Talvez seja essa palavra o grande segredo para que o Camiseteria nunca tenha ficado no vermelho. As notas. vOltaNdO aO cOmeçO dO textO Serão muitos números até o fim destas linhas. começar de algum lugar: sim. um dos idealizadores do Camiseteria. desde o seu começo. carregam sempre subtextos. o que não se pode comprar no mundo virtual?). começou praticamente com um rateio entre amigos. Eles precisaram. uma ou duas vezes por mês. tudo conforme a lógica de mais de uma década – nada de novo no fato de se venderem produtos pela web (afinal. Mas. Para entender a dimensão do espanto. que. mas é de assustar que a verba inicial para um projeto tão ambicioso quanto o site Camiseteria tenha sido captada por meio da venda de um produto que ainda pairava no mundo das idéias. é o “como?”. é “Detestei”. tendo a possibilidade de entrar no ranking das dez melhores estampas. realizar um investimento pessoal de R$ 6 mil. Confiança de que o modelo de negócio que vislumbraram daria certo nunca faltou: – A gente entende que esse modelo colaborativo de criação de estampas é perfeito para realizar um produto ao gosto do cliente. escolhemos de cinco a dez desenhos novos desse ranking para começar o processo de produção – explica o analista de sistemas Fábio Seixas. Até aqui. Fazemos um produto que o público acha bacana. A estampa fica por dez dias na votação. 32. que variam de zero a cinco. Arrecadaram R$ 15 mil nas pré-vendas para 350 pessoas. é o usuário quem faz as estampas. venderam pacotes de seis a dez camisetas pela metade do preço. O que melhora muito a qualidade e a aceitação das camisetas – diz Fábio. E para entender a iniciativa é importante. mesmo nos primeiros dias de funcionamento. Com a crença de que com aquele capital inicial poderiam criar uma estrutura interessante o suficiente para atrair usuários. O que subverte o mercado neste caso certamente não é o “o quê?” – não é o produto – . já por agora. ainda. com os dados mencionados até aqui. é necessário compreender – antes – do que se trata a iniciativa. Então. O do zero. Praticamente a totalidade daquilo que é FGV DIREITO RIO 53 . No final desse período.pROpRIEDaDE InTElEcTual É claro que o diálogo e as contas foram mais elaborados que esses daí de cima. o Camiseteria é uma loja virtual de camisetas. ela vai receber uma nota-média. o que fez com que os R$ 21 mil necessários para começar o projeto finalmente estivessem em mãos. em agosto de 2005.

Mas uma coisa acaba sendo inevitável: a maioria dos desenhos. não coincidentemente. ‘na coragem de pequenos empresários’”. propõe que o próprio usuário crie o produto tende a possuir um público-alvo muito específico. uma das coisas que levamos em conta na hora de produzir a estampa é o percentual de nota cinco. ‘que moda é para o povo e não para o mercado’. e. se consegue saber quase com absoluta certeza o que o mercado quer comprar. se “70% da população mundial usam camiseta”. Isso é uma mudança de paradigma muito grande. mais produtos. mais qualidade. com o nosso sistema de votação. necessariamente. A gente passa a considerar única e exclusivamente o gosto e a criação do usuário. Mais satisfação sua. o Camiseteria realmente não teria propósito de focar em um grupo reduzido de pessoas. Eu comento”. “Eu voto”. O Camiseteria mostra suas intenções por meio de frases como “nós acreditamos: ‘em preço justo’. principalmente no mercado da moda. maNifestO de NegóciO: tOdO pOder aO usuáriO A voz ativa da frase “eu compraria” tem significado importante – falar na ordem direta possivelmente é a principal crença do Camiseteria: “Eu faço”. A vontade de ter o usuário no processo de criação acabou gerando um manifesto dentro do próprio site. O alvO A pensar: um site que se presta a vender camisetas e. Por isso. Seguindo o raciocínio de Fábio. É um modo praticamente perfeito de produção. sobretudo os vencedores. certo? Nem tanto. votar ou comprar. ‘que o povo tem o poder’. E realmente não foca. Teremos a coragem de sempre almejar mais. ou de uma linha ou de uma tendência do mercado. e a margem de erro nesse caso tende a zero. Queremos ser competentes. independente das adversidades econômicas e burocráticas brasileiras. ter a opção da escolha é a justificativa de Fábio para considerar o seu projeto um modelo de negócio alternativo à maioria vigente: – O Camiseteria é um modelo de negócio em que você dá o poder na mão do seu usuário. Queremos que essa competência tenha impacto direto no nosso serviço. porque. ao menos. além. ‘que moda é reflexo da sua personalidade’. Por quê? Fábio tem a explicação: – A gente vende 98% de tudo que fabrica. gente que tem experiência com a prática de criar estampas. é feito por designers. Esta última vem acompanhada de dizeres que sugerem uma idéia: nem toda iniciativa de cunho idealista (e o manifesto já joga luz sobre um certo idealismo) precisa. FGV DIREITO RIO 54 . É uma mudança de poder muito grande no sentido de quem define o que vai ser produzido. Queremos ser os melhores no que fazemos. que é o grau máximo e é quando o usuário diz.pROpRIEDaDE InTElEcTual produzido é vendido. “eu compraria”. O Camiseteria subverte a moda nesse sentido. no que diz respeito a quem utiliza o site apenas para comentar. Esse mercado é formado basicamente por uma marca que tem um ou dois estilistas por trás criando toda uma identidade. porque a gente passa a não depender de um designer. É uma taxa de saída enorme. Teremos sempre a coragem de fazer o melhor para o Camiseteria. abdicar de ambição financeira: Somos uma empresa jovem e nem por isso pensamos pequeno.

FGV DIREITO RIO 55 . a soma do valor do prêmio dado a cada vencedor chegue a R$ 1 mil.pROpRIEDaDE InTElEcTual – A gente atende a dois públicos. incluindo-a em parte dos lucros. com 10 mil acessos diários. E tem o outro público que é o que consome os produtos. vão lá e compram e também participam da comunidade. quando é uma estampa que não produzimos mas ainda é bem vista no site. Mais: até hoje. Servimos como filtro para mostrar o que está na Cauda Longa e é bom. que é um público mais interessante. Mas é importante lembrar: somente os desenhos que viram camisetas são do site. 2. A parte negociada é – apenas – o direito sobre a comercialização e a reprodução do desenho em peça de roupa ou vestuário. Para angariar ainda mais público e na carona de um conceito criado em 2004 pelo editor-chefe da Wired (revista famosa por estar sempre apontando aquilo que vai dar certo no novo mundo de negócios e tecnologia) Chris Anderson. Se o criador da estampa vencedora me pedisse para comercializá-la por conta própria. o site também abre portas para a comunidade. pra conhecer design. um grupo que se interessa por camisetas como as que a gente produz – aponta Fábio. A idéia é que. São pessoas que gostam de camiseta. a possibilidade de negociar e vender as camisetas fica com o Camiseteria. cabe ao autor decidir se deixa ou não que produzam a camiseta – completa. que curtem os produtos. em média. na verdade. não só o desenho. com a segurança de quem possui em mãos alguns números animadores: o Camiseteria já tem cerca de 33 mil usuários cadastrados e conta. É claro que a gente foca em gente entre 20 e 30 anos. A gente faz questão da cessão de direito mais para proteger. em função dessa cessão. em muito pouco tempo.900 designers diferentes mandaram suas estampas e. Fábio explica o raciocínio de Cauda Longa (ou “Long Tail”) que acredita se aplicar ao Camiseteria. A cessão comercial continua sendo dele. O público que vai ao Camiseteria para criar. não temos o que fazer. No Camiseteria acontece justamente isso. também. 41 já foram premiados e tiveram os traços impressos em camisetas. como o Camiseteria lida com a questão autoral? A resposta parece bastante clara: o designer. Sim. teria prazer em autorizar. acaba tendo como proteger o próprio trabalho do designer – diz Fábio. para debater design. As outras tantas estampas que não ganharam contornos em camisetas pertencem exclusivamente ao autor: – Mas a gente tem uma política bem aberta sobre isso. que não necessariamente é formado por designers. Nós somos uma Cauda Longa de centenas de designers competentes que não têm como divulgar o trabalho. Ou seja. explicando que já houve mais de um caso de usuários solicitando a produção de camisetas com estampas de designers que não tiveram seus traços premiados – Quando isso acontece. mas também o próprio autor. mantém os direitos sobre o trabalho. entre esses. que está começando a fazer design e já tem alguma experiência e é. além de um negócio próspero para quem participa da equipe interna. A gente vê que existem terceiros que tentam tirar proveito disso e o Camiseteria. em princípio. – A Cauda Longa sugere que os consumidores estão comprando menos produtos de hit e mais de nicho. cOm a liceNça É questão de tempo até que a pergunta se faça inevitável: mas e os direitos.

depois. no caso do Camiseteria. aumentar a premiação. Fábio e Rodrigo ainda não guardam no bolso o dinheiro que a loja virtual ganha. Um exemplo. ao menos. e foi exatamente assim. A nova lição: marketing viral. que coordena uma equipe de desenvolvimento de sistema na Telelistas durante o dia e. Ela possibilita atingir uma grande gama de usuários e. que o Camiseteria começou a se fazer conhecer: – Até investimos em assessoria de imprensa. que conta com equipe tão reduzida que definitivamente não teria material humano para se dedicar com toda ênfase à questão publicitária: além dos sócios Fábio e Rodrigo David (Tiago Teixeira saiu há pouco do projeto). fazer a máquina rodar: aumentar a produção. são usuários que fazem o produto – afirma Fábio. mas que também pensasse internamente suas potencialidades. temos que aproveitar essa quebra de paradigma para alavancar o desenvolvimento da própria Internet. já se pode imaginar esse professor arrependendo-se e remodelando o tema da sua aula. naquele relacionamento “um-pra-um-pra-milhões” que costuma acontecer quando surgem as correntes de e-mails e mensagens na internet referindo-se à mais nova descoberta do momento. votação. E. o Camiseteria possui apenas mais dois colaboradores. É barbada descobrir que a ferramenta escolhida pelo Camiseteria foi a Internet: – É essa rede que viabiliza o nosso modelo de negócio. As oportunidades estão aí. basta a gente aproveitar. ação de promoção online. Eles preferem reinvestir tudo no próprio site e. FGV DIREITO RIO 56 . É questão de poucos meses para que nos dediquemos apenas a isso – revela Fábio. essas duas pessoas são contratadas e remuneradas. são milhões de pessoas assistindo à sua marca”. Aliás. essas coisas. que bandas. à noite. no Centro do Rio. De volta para o futuro. Não é à toa que um comercial no horário nobre é tão caro. melhorar. vídeos e artistas vêm sendo descobertos dentro da rede – numa espécie de boca-a-boca virtual. Ficam na sede do Camiseteria. melhorar. A gente não precisa nem incentivar. faturar: – Isso vai mudar bem em breve. os empreendedores. as próprias pessoas chamam os amigos para votar em suas estampas e isso já gera uma propagação viral absolutamente natural. já que uma das principais características do site é a de sempre estar se aperfeiçoando. cuida do seu “xodó”. ela já é auto-incentivável – explica Fábio. Seria necessária uma tecnologia que não só se caracterizasse por ser ágil nas relações. aprofundando – A Internet está há mais de 12 anos quebrando paradigma atrás de paradigma e nós. apostando desde o início no mínimo de publicidade formal. assim. melhorar.pROpRIEDaDE InTElEcTual bOca-a-bOca virtual e remuNeraçÃO Para quem já fez alguma faculdade de Comunicação – entre numa máquina do tempo e volte àquelas longas aulas de História da Publicidade. filmes. pessoas que estão participando dessa revolução. conseqüentemente. o Camiseteria. É assim. sem a Internet ele não seria viável. É. Mas a questão viral é a base da nossa divulgação. aprovação e produção é essencial para o Camiseteria. quando o professor dizia: “O melhor modo de fazer conhecer o seu produto é promovendo-o em veículos de massa. onde reside o estoque e – também – são feitas as reuniões do projeto. sObre a iNterNet e cOm alguNs plaNOs A relação dinâmica que há entre tempo de envio de estampa.

ainda não há). por que determinada estampa não foi produzida. por um lado. é bastante prático FGV DIREITO RIO 57 . É uma dificuldade. Esse comportamento participativo acaba refletindo. já pensou no lançamento. em breve. em alguns momentos.. também existe um plano de se produzir um livro com as melhores ilustrações do site. Para aproveitar sugestão dada em conversas entre os próprios usuários (todo mundo que se cadastra ganha automaticamente um blog por lá). Por exemplo. E se até aqui a Internet e o modelo de negócio colaborativo apareceram como a última maravilha do mundo. ainda. para que não só os designers mais experientes possam atuar criativamente – qualquer pessoa com um bom trocadilho vai poder enviar sua idéia. por se tratar de um produto de assimilação estritamente visual. por exemplo. Fábio parece entender que o seu projeto se estruturou tão bem que. inclusive. de um concurso de frases. Aprenderam tanto que. então a gente tem essa política muito aberta. ele acredita que a disputa seria bem-vinda. respeitamos a comunidade. O bom gosto e a boa navegabilidade do site vieram do aprendizado e da experiência de mais de uma década trabalhando com a rede. Os três trabalhavam com Internet há anos. Enquanto a cavalaria não chega. versão em inglês para abarcar a demanda de visitantes estrangeiros. Montaram toda a estrutura sozinhos. mas certamente é muito mais vantajoso do que não ser transparente.. Fábio sentese compelido a relativizar um pouco.. pois ajudaria a melhorar a marca e fortaleceria ainda mais o mercado. da tecnologia ao design: – Eu diria. você não veste o produto. Ranking da comunidade. que é venda. ao menos de venda de camisetas.pROpRIEDaDE InTElEcTual E foi essencial para o site que os fundadores entendessem a tecnologia com a qual pretendiam lidar. que o layout do Camiseteria foi um dos principais fatores para termos um site de sucesso. decidiram não contratar equipe alguma de desenvolvimento. mas acaba trazendo dificuldades. Sobre novos produtos. Segundo Fábio. quando se fala de concorrência. a pessoa não compra de quem não tem credibilidade. a gente tem uma política que é trocar sem reclamar. pra NÃO dizer que só falei das flOres Em todo jardim tem sempre uma abelha. o que complementaria as vendas e. numa certa agressividade da comunidade nos comentários das estampas. No nosso negócio. mesmo que surgisse uma outra iniciativa parecida na rede (e. para o Camiseteria. Fábio continua tendo idéias para ampliar ainda mais o produto e – a reboque – os usuários do Camiseteria. Uma das principais é a parceria com uma loja física. todos os planos parecem caminhar para um afluente comum: a tentativa de cuidar e de também fazer um agrado a quem visita com freqüência a página da loja virtual: – Porque é assim que se cria credibilidade. Ele aponta a necessidade de ser absolutamente transparente – tendendo ao exagero – como a maior e principal dificuldade em viver desse sistema: – Isso. Cuidando do seu cliente. ajudaria na divulgação do site. Perguntam bastante. A gente sabe que é complicado comprar camiseta na Internet. Por isso. é até bom. o que possibilitou aprender com erros de projetos passados. Quando você está falando com dezenas de milhares de pessoas. como administrar essa transparência fora do normal. acaba sendo questionado o tempo inteiro por uma série de coisas.

Todo mundo falando. tem que fazer!” – conta. homens poderiam simplesmente descartá-las quando ficassem “cegas”.00 é o Futuro dos negócios Aos 40. No seu primeiro ano. tem que fazer uma camiseta desse desenho do guardanapo. parece mais o reflexo de um comportamento esperado quando se oferecem ferramentas para pessoas se relacionarem e falarem o que bem entenderem. energia e pais abastados. Alguns anos de experimentação metalúrgica depois e a lâmina descartável foi criada. Os brindes ajudaram na venda dos produtos. Rixas? Não. ela não fez sucesso logo de início. A Deriva Humana (The Human Drift). o tornando tanto uma figura lendária. O inverso aparenta ser verdadeiro e também suscita um raciocínio: nada deve ser mais natural que. Ele culpava os males de um Mercado competitivo. desde chiclete a café. Gillete vendeu um total de 51 barbeadores e 168 lâminas. De fato. Era 1895. um amargo anticapitalista e um vendedor de rolhas. Nas duas décadas seguintes ele tentou toda estratégia de publicidade que conseguia imaginar. Ele vendeu milhões de barbeadores para o exército com um grande desconto.pROpRIEDaDE InTElEcTual julgar em poucos segundos um desenho. ficcional. alguns desse grupo de milhares queiram se encontrar pessoalmente: – E se encontram. O chefe de King na empresa de rolhas. Um dia. 1903. temperos e marshmallows. ele tinha pouco a mostrar em nome do seu trabalho. que discutia que toda a indústria deveria ser controlada por uma única corporação gerenciada pelo público e que milhões de americanos deveriam morar em uma gigantesca cidade chamada Metrópolis sustentada pelas Niágara Falls. ele criava FGV DIREITO RIO 58 . Ao dar os barbeadores junto com outros produtos. Ele vendeu barbeadores em grande quantidade para bancos que dariam os barbeadores pela abertura de novas contas. Já combinaram. mas a tática auxiliou Gillete ainda mais. dizendo – sem muito cuidado – a primeira coisa que vem à mente: – Já estudamos formas de como melhorar o sistema de comentários. quando se barbeando com uma lâmina tão gasta que não mais poderia ser afiada. “pô. Os barbeadores acompanhavam a embalagem de praticamente qualquer coisa. Aconteceu uma coisa muito legal. no ano anterior ele havia publicado um livro. Fábio. tinha apenas um conselho a dar: invista em algo que as pessoas usem e depois joguem fora. E deu certo! Apareceram umas 15 pessoas num bar. de se ver. empolgado. Economia do “grátiS” grátis! Por que r$0. e apesar de suas idéias. “E se a lamina pudesse ser feita de uma fina tira de metal? Em vez de perder tempo afiando e cuidando da manutenção das lâminas. torcendo para que os hábitos dos soldados criados em tempos de guerra influenciassem pessoas nos tempos de paz. King Gillete era um inventor frustrado. todo mundo ficou desenhando umas coisas em vários guardanapos de papel. com tanta intimidade adquirida entre afagos e pontapés. no entanto. visivelmente feliz com a turma que conseguiu juntar. dentro do site. chá. como para alguns. No entanto. a idéia foi concebida. Colocou seu próprio rosto na embalagem.

Em 2007 o New York Times tornou-se de graça. Isso leva ao aforismo original de Stewart Brand de 1984: “A informação quer ser de graça. Assim como a lei de Moore dota que uma unidade de processamento tem seu preço dividido a cada 18 meses. se você olhar pelo outro lado. A rede FGV DIREITO RIO 59 . praticamente tudo “de graça” era na realidade o resultado de o que os economistas chamavam de subsídio cruzado: Você ganharia um produto de graça se comprasse outro ou ganharia algo de graça se pagasse pelo serviço. “grátis” hoje em dia já emergiu como um modelo econômico. Cinemas vão lucrar com concessões e ao venderem a experiência “de ir ao cinema” por um alto preço. Os setores que mais crescem na indústria dos games são os jogos causais on-line repletos de propaganda e os jogos massivos multiplayer on-line que permitem um período de teste de graça.”) Situação 1: Distribuição digital de baixo-custo fará o lançamento desse verão de graça. Graças a Gillete. Virtualmente tudo que Google faz é de graça para os consumidores. Ainda assim. esse modelo de negócio constitui atualmente a fundação de indústrias: Dê o celular. Oferecer músicas de graça provou ser um sucesso para Radiohead. Contudo. instale luxuosas máquinas de café em escritórios sem custo para que você possa vender os custosos pacotes de café. (“O restante das seções pagas serão realmente especiais e provavelmente mais caras ainda” informa o novo dono Rupert Murdoch. até recentemente. A tecnologia certamente não parece ser de graça quando você está comprando em valor bruto. O novo modelo não é baseado em subsídios cruzados – a transferência do custo de um produto para outro –. no entanto. Isso significa que a tendência que determina o custo de fazer negócios on-line aponta em uma direção: a do zero. O surgimento da “economia grátis” está sendo direcionado pelas tecnologias que constituem a rede. Durante a década passada. Aquele conjunto caro de discos rígidos (custos fixos) pode servir dezenas de milhões de usuários (custos marginais). pois um não era funcional sem o outro. torne o preço do aparelho de videogame barato e venda jogos caros. Algumas milhões de laminas depois. mas o fato de que o custo dos produtos. Como se o preço do aço despencasse para algo próximo de zero e assim King Gillete pudesse dar tanto o barbeador como a lâmina e lucrar com algo totalmente diferente. A informação também quer ser cara… e essa tensão não desaparecerá. venda o plano mensal. a idéia de que é possível lucrar dando algo de graça não mais é absurda. Ainda assim. um modelo diferente de “grátis” tem surgido. esse ano o mesmo acontecerá com boa parte do The Wall Street Journal. No início apenas uma estratégia de marketing. tente dizer isso ao chefe de TI que acabou de desembolsar seis algarismos para poder comprar outra leva de servidores. Uma década e meia adentro da experiência on-line. os debates acerca de uma relação on-line paga ou de graça chegam a um fim. (Talvez creme de barbear?) Você conhece essa terra estranha “de graça” que é a internet. propriamente ditos. o preço da banda larga e do armazenamento está caindo cada vez mais rápido.pROpRIEDaDE InTElEcTual uma demanda pelas lâminas descartáveis. as economias mudam. está caindo. Trent Reznor do Nine Inch Nails e várias outras bandas espalhadas pelo Myspace. desde Gmail até Picasa e GOOG-411.

todos os três elementos ainda são novos e nós temos muito que aprender sobre eles. a tecnologia faz mais por menos e menos tempo. muitos já presumiam que o armazenamento era sem custo. em unidades que nós indivíduos consumimos. como se fosse algum tipo de mágica. graças à China e a distribuição global. A rede se tornou a terra do “grátis”. O impressionante é que ninguém foi surpreendido. Quarenta anos atrás. O resultado é que agora temos duas tendências liderando a disseminação desses modelos de negócio na economia. Estamos apenas algumas décadas adentro da descoberta de um novo mundo. ao menos para os consumidores. O segundo. no entanto.pROpRIEDaDE InTElEcTual se resume a uma questão de escala. combinações de “ferromagnético” (armazenamento) e fibras óticas (banda larga). pela qual devemos agradecer à Revolução Verde. Uma das piadas da bolha especulativa do final dos anos 90 era que somente havia dois números na Internet: infinidade e zero. hoje em dia é a obesidade. é tudo a respeito do que o equipamento pode efetivamente fazer. Nunca houve um mercado tão competitivo como o da Internet e todo dia o custo marginal da informação digital se aproxima do zero. providenciaria espaço ilimitado para armazenamento. Ainda estamos começando a explorar efeitos de escala atômica em novos materiais revolucionários – semicondutores (processamento de energia). em relação ao e-mail. A tecnologia digital se beneficia através dessas dinâmicas e de outra coisa ainda mais poderosa: a alteração do século XX newtoniano para máquinas quânticas. Por mais que reclamemos sobre como as coisas estão ficando caras. Em boa medida: está claro que praticamente tudo que a tecnologia de Internet toca acaba seguindo a trilha para se tornar “de graça”. Atualmente você pode comprar uma camiseta por um preço mais barato que um café. Diante de uma análise histórica. O que isso significa para a noção de “grátis”? Veja um exemplo. Armazenamento agora se une à banda larga (Youtube: de graça) e poder de processamento (Google: de graça) na corrida. Todo ano. foi reduzido à zero (veja “A Queda do Webmail”). trazendo os custos marginais da mesma. ano passado o Yahoo anunciou que o Yahoo Mail. estamos rodeados por forces que tornam tudo mais barato. O mesmo se aplica a brinquedos. pelo menos quando aplicado às avaliações do Mercado de ações. seu serviço de e-mail de graça. a caridade era dominada por campanhas em favor de distribuir roupas aos pobres. provou estar errado. Dessa forma o preço de mercado para o armazenamento on-line foi reduzido. a definição de ilimitado é a mesma de infinito. Quarenta anos atrás. está vivo e muito bem. Não é tudo a respeito do custo do equipamento nas estantes do centro de dados. O básico da economia diz que em um mercado competitivo o preço cai até o custo marginal. aparatos e bens de todos os tipos. Até mesmo a cocaína nunca foi tão barata (globalização funciona de maneira misteriosa). disseminar esses custos parar públicos cada vez maiores conforme a tecnologia for suportando. O primeiro. Caso não tenha ficado claro. o principal problema de natureza nutricional nos Estados Unidos era a fome. achar métodos de atrair o máximo de usuários a recursos centralizados. próximos do zero. O primeiro é a extensão da estratégia de King FGV DIREITO RIO 60 .

Situação 2: Anúncios no metro? Isso tão século XX. Assim aconteceu. mas um destino inevitável. Não há nada de novo nessa força deflacionária da tecnologia. Como resultado. “de graça” se torna não uma opção. o primeiro computador pessoal do mundo. Mead percebeu que isso significava que deveríamos começar a gastar transistores. a associação dos mercadores locais trouxe consumidores gratos às lojas do bairro.pROpRIEDaDE InTElEcTual Gillete para subsidiar mais e mais indústrias. Inclusive. desde os serviços bancários até jogos de azar. A partir do momento em que as despesas principais de uma empresa se tornam em coisas baseadas no silício. Quando Google transformou a publicidade em um aplicativo de software. FGV DIREITO RIO 61 . assim não somente decidiam o que era válido como encorajavam programadores a fazer o melhor proveito econômico daquele tempo usado nos computadores.000001 centavo por cada transistor presente no “quade-core” da Intel. portanto hábeis a explorar essa economia. assim gerando maior liberdade para dar produtos ou serviços a uma leva de consumidores enquanto vende para a outra. Ryanair. Uma geração inteira de profissionais da computação aprendeu que o trabalho deles era para usar comedidamente os caros recursos do mundo da informática. esses operadores do sistema exercitavam poder ao escolher quais programas poderiam rodar nas máquinas tão caras. Tudo seguiu esse rumo. A cada 18 meses. os desenvolvedores pioneiros dedicaram o máximo de código possível para rodar os algoritmos de maneira eficiente e deram pouca importância à interface. Ao patrocinar a linha de metrô e proporcionar viagens de graça. e isso era especialmente verdade no mundo da TI de 1970. O papel deles era conservar os transistores. Mead observou que o preço de um transistor era dividido pela metade. o professor Carver Mead de Caltech identificou o corolário para a lei de Moore do poder crescente da computação. criou uma divergência na sua indústria ao se definir como uma agência de viagem de serviço completo em vez de uma vendedora de passagens áreas (veja “Como que viagens áreas podem ser de graça?”). veio integrado com espaço para balcão. por exemplo. descendo desde a casa das dezenas de dólares na década de 60 até aproximadamente 0. A era da linha de comando e a única razão concebível para alguém usar um computador em casa seria para organizar arquivos de receita. Nos estabelecimentos da era do mainframe. A segunda tendência é que simplesmente qualquer coisa que faz contato com redes digitais rapidamente percebe o efeito de preços decrescentes. um negócio de serviços clássicos baseados na economia humana (na qual os produtos tendem a ficar mais caros a cada ano) alternou para a economia do software (na qual as coisas tendem a ficar mais baratas). mas o que é novo é a velocidade na qual as indústrias de todos os tipos estão se tornando em negócios digitais e. A tecnologia permite maior flexibilidade às companhias na maneira ampla em que pode definir seus mercados. desperdiçar e desperdiçar novamente Quarenta anos atrás. um eletrodoméstico estiloso oferecido pela Honeywell em 1969. Desperdício é uma palavra feia.

dizendo a programadores para abraçar o “desperdício”. ponteiros. Apesar de poderem nunca se tornar inteiramente de graça. (Nós. que por sua vez acharam ainda mais usos para um computador. contudo. inclusive colocando a organização de receitas como um elemento nada prioritário. O que Mead entendeu foi que deve haver uma mudança psicológica conforme as coisas caminharem em direção ao zero. no entanto. O filósofo grego Zeno lutou contra esse conceito em um contexto ligeiramente diferente. O interessante é que os transistores (ou armazenamento. Foi gerado assim um software de maior apelo popular. Na perspectiva do consumidor. focando assim em uma função de ordem maior como interfaces e novos mercados como o entretenimento. há uma grande diferença entre o “de graça” e o barato. que mudou o mundo ao abrir o mundo da computação para todos nós. um de incômodo para FGV DIREITO RIO 62 . Quando que ele fica próximo o suficiente de zero para que seja possível arredondar esse valor a nada? A resposta: quase sempre mais rápido do que você pode imaginar. o paralelo é o seguinte: Se o custo unitário da tecnologia (por “megabyte” ou “megabit por segundo” ou por “mil operações por segundo”) está sendo dividido a cada 18 meses. achamos nenhuma limitação no uso de um computador. as forças de repulsão atômica ficam fortes depois para você se aproximar. Cobre um centavo se quer e a questão se torna em um negócio totalmente diferente. A história da inovação tecnológica foi marcada por pessoas descobrindo tais tendências de preço e performance e se adiantando em relação às mesmas. se você subdividir o espaço eternamente.pROpRIEDaDE InTElEcTual E cá estava Mead. você divide essa distância entre você e a parede. Isso significa que criadores de software. No entanto. você corre contra a parede. janelas. O propósito disso? Facilitar o uso da tecnologia para leigos. O trabalho de Kay na interface gráfica par ao usuário se tornou a inspiração para Xérox Alto e depois Apple Macintosh. Em vez de conservar transistores para funções processamento. Distribua um produto e ele pode se tornar viral. Em certo ponto. eles estariam baratos e próximos o suficiente para serem de graça. o que trouxe mais usuários.) Na economia. Conforme você concorre. Uma vez que você está alguns nanômetros de distância. eles são baratos o suficiente para serem dispensados.) Naturalmente. inclusive crianças. quando o preço cai há uma grande vantagem em tratá-las como se fossem. libertos da preocupação quanto a recursos computacionais como memória e CPU. e até mesmo animações na tela. o mundo mudou. como que você de fato vai chegar até a parede? (A resposta é que não é possível. foi quem mostrou a resposta. Na dicotomia paradoxal de Zeno. computadores não eram de graça naquela época e não são hoje em dia. engenheiro da Xerox no Centro de Pesquisa de Palo Alto. ou banda larga) não precisam ser completamente de graça para invocar esse efeito. Graças ao desperdício de transistores. puderam se tornar mais e mais ambiciosos. O que Mead e Kay entenderam. ele desenvolveu um conceito de computador – o Dynabook – que iria colocar o silício para fazer coisas bobas: desenhar ícones. foi que os transistores dentro dos computadores – unidades atômicas de computação – se tornariam tão numerosos que em uma base individual. Eles coçavam suas cabeças – como se desperdiça o poder de um computador? Alan Kay. depois divide novamente e assim em diante.

A economia mais comum é construída ao redor do sistema de três partes. A rádio está “livre para divulgar”. Existem várias maneiras de empresas de mídia fazerem dinheiro relativo ao conteúdo “grátis”. o site arrecadou aproximadamente US$ 40 milhões com os poucos serviços cobrados. Essa diferença entre barato e de graça é o que John Kopelman chama de “vão do centavo”. Eles não estão vendendo papéis e revistas para leitores. Os benefícios monetários de craigslist também são enormes. mas a verdade é que zero é um mercado e qualquer outro preço é outro mercado. É porque o Google não aparece no seu cartão de crédito. A psicologia do “grátis” is poderosa e qualquer marqueteiro poderá confirmar isso. No entanto. A questão de armazenamento infinito não era relativa ao se. Parece complicado? Você provavelmente está vivendo isso agora. Isso representa cerca de 12 por cento de US$ 326 milhões pelos quais os classificados deixaram de ganhar no ano. Pessoas pensam que a demanda é elástica e que volume cai em uma linha reta enquanto o preço aumenta. assim como a televisão. Aqui um terceiro paga para participar em um mercado criado uma permuta livre entre os dois primeiros. O sucesso das listas sem custo do craigslist causou dano à seção de classificados dos jornais. um ecossistema inteiro de companhias de rede está crescendo ao redor da mesma leva de modelos. Google é o melhor exemplo. Para seguir o dinheiro. Da mesma forma. Em muitos casos. uma distribuidora proporciona um produto de graça (ou quase) para os consumidores. Agora. Os vencedores fizeram com que seus produtos se tornassem “de graça” antes. É um mercado de três vias. desde a venda de informação sobre consumidores para a criação de marcas. assinaturas especiais e ecommerce direito (veja How-To Wiki para uma lista completa). Isso não se resume simplesmente à noção de que a publicidade irá pagar por tudo. na qual apenas alguns trocam dinheiro. Também porque a Yahoo permite armazenamento de graça. o que a rede representa é a extensão do modelo de negócio da mídia para indústrias de todos os tipos.pROpRIEDaDE InTElEcTual qualquer consumidor. Tradicionalistas comentam sobre a “vaporização do valor” e “demonetização” de indústrias. essa perda monetária não está indo para nos cofres do craigslist em forma de lucro. FGV DIREITO RIO 63 . é necessário alternar entre uma visão básica do mercado como o acordo entre duas partes – compradores e vendedores – para um sentido mais amplo em um ecossistema com muitas partes. Somente porque produtos são oferecidos sem custo não significa que alguém em algum lugar está deixando de faturar milhões. Mas “de graça” não é tão simples – ou estúpido – como parece. essa é a diferença entre um grande mercado e nenhum. mas são distribuídos entre as dezenas de milhares de usuários em vez de direcionados diretamente para Craig Newmark Inc. mas sim vendendo leitores para a publicidade. Em um sentido. mas quando. impressão e distribuição dos seus produtos. No modelo tradicional da mídia. Em 2006. periódicos e revistas não cobram do consumidor um valor próximo do necessário para criação. É porque companhias modernas de rede não cobram nada dos seus usuários. É a base de virtualmente toda mídia. e publicitários pagam para acompanhar. O grande vão psicológico entre “quase zero” e “zero” é porque os micro pagamentos falharam.

Isso soa familiar. essa proporção entre o pago e o “de graça” é revertida. algum conteúdo. No modelo freemium. De graça para quem: Usuários da versão básica. ou uma versão “premium” ou “pro” de um site ou software que tenha mais funções que a versão de graça (pense no Flickr e a versão US$ 25-por-ano Flickr Pro). O termo “freemium”. Como enviar algumas fraldas para uma nova mãe. Veio então a próxima leva: pagamento em resultados de busca. subsídiOs cruzadOs O que é de graça: qualquer produto que te leve a pagar por outra coisa. é a base do modelo de assinatura da mídia e um dos mais comumente usados. outros 99 usam a versão básica. isso significa que para cada usuário que paga a versão premium do site. de uma forma ou da outra. De graça para quem: todos. pagamentos para serviços de listagem de informações e geração de ponta. Provavelmente centenas. para interessar o consumidor e fazer com que ele busque muito mais do mesmo. No entanto. FGV DIREITO RIO 64 . já que possui um certo custo. De graça para quem: qualquer pessoa disposta a pagar. A razão pela qual isso publicidade O que é de graça: conteúdo. serviços. para produtos digitais. usado pela primeira vez por Fred Wilson. mas a economia “sem preço” pode ser quebrada em seis amplas categorias: “freemium” (grátis/premium) O que é de graça: Softwares de rede e serviços. as oportunidades para adotar um modelo de negócio livre nunca tem sido tão mais atrativa. Pode assumir uma variedade de formas: desde conteúdo oferecido de graça ou por alto preço. software e mais. mas com um detalhe.pROpRIEDaDE InTElEcTual a taxonomia do “grátis” Entre os novos métodos encontrados por empresas para subsidiar produtos e custos em declínio do ato de negociar em uma era digital. os anúncios parceiros “pague-por-transação” da Amazon e patrocínios de websites foram apenas o começo. desde colocação de produtos (“Pague-por-Post”) até “pague-porconexão” em redes sociais como o Facebook. os anúncios “pague-por-clique” da Google. na qual um terceiro paga pelos nomes de pessoas interessadas em certo assunto. Um site on-line segue a regra típica do 1 por cento – 1 por cento dos usuários suportam todo o resto. Agora as companhias estão tentando de tudo. Todas essas iniciativas são baseadas no princípio de que oferecimentos de graça geram públicos com interesses distintos e expressam desejos de consumo que publicitários sempre irão pagar para obter. O modelo “livre” tradicional se baseia no fato de enviar apenas uma pequena quantidade como amostra grátis. Comerciais por transmissão e propagandas por impressão tem dado margem para um novo formato de publicidade na rede: os anúncios “pague-por-visualização de página” da Yahoo. Não é o mesmo modelo “livre” adotado desde perfumarias até vendedores de rua? Sim.

vendedores de rua anunciam os mais recentes CDs do “tecnobrega”. não custo. vendê-los e ficar com todo o dinheiro arrecadado. Alguns artistas dão suas músicas de graça on-line como uma forma de divulgar performances. Esse é o caso em que o produto já se tornou de graça por causa da gravidade econômica. é claro. Brasil. Essa força é tão poderosa que leis. fazer “merchandise”. Calypso distribui seus CDs para a rede de vendedores de ruas das cidades nas quais pretende fazer uma turnê. Isso descreve perfeitamente a música on-line. A sua empresa de telefonia celular não faz dinheiro com base nos seus minutos mensais – ela mantém esse preço baixo porque sabe que é a primeira coisa que o consumidor procura – mas a sua taxa mensal da sua caixa de mensagem de voz é puro lucro. Música de graça é uma forma de publicidade muito mais lucrativa para um modelo de turnê. É algo simplesmente feito por outras razões. De graça para quem: todos. A companhia está te oferecendo um DVD por um preço mais baixo para te atrair para dentro da loja e faturar com a venda de uma máquina de lavar. incluindo um da banda Calypso. nem por isso são ilícitos. No entanto. Ninguém vê isso como pirataria. o preço de cada componente individual é geralmente determinado por psicologia. eles não vieram de uma gravadora. é o líder do prejuízo. Em uma esquina movimentada de São Paulo. Viajando de cidade para cidade. precedido sempre por uma leva de CDs extremamente baratos. é que Calypso conseguiu lotar os seus shows e pagar por um jato particular. Um vinho caro subsidia a comida em um restaurante e “almoço de graça” era de fato de graça somente para aqueles que comprassem ao menos uma cerveja nos salões de São Francisco ao final de 1800. Os vendedores realmente promovem a banda em cada cidade visitada e a onipresença criada nos espaços urbanos é o que permite que multidões freqüentem os eventos da mesma. a música não é um negócio lucrativo. custO margiNal zerO (100% grátis) O que é de graça: coisas que podem ser distribuídas sem um custo relevante para qualquer pessoa. dessa forma. como ou sem um modelo de negócio. desde serviços bancários a planos de telefone celular. A banda tira proveito das suas performances e apresentações – e que proveito. Quando o Wal-Mart cobra US$ 15 por um DVD de lançamento.pROpRIEDaDE InTElEcTual Situação 3: É um Wii de segunda geração de graça! Mas somente se você comprar a versão de luxo do Rock Band. outros tem simplesmente aceitado que. DRM e todo tipo de barreira à pirataria que as gravadoras conseguem imaginar já falhou. com anuência total de que os vendedores irão fazer cópias dos CD. licenciamento e outros serviços que custam. Isso não é problema para a banda Calypso porque a sua principal fonte de renda não vem doa venda dos CDs. sempre tem sido verdade para a maioria dos músicos. desde a própria diversão até expressão criativa. O que. Em qualquer embalagem de produtos e serviços. Os CDs vieram diretamente da banda. para eles. Entre a reprodução digital e a distribuição “peer-to-peer” (usuário-para-usuário). No entanto. o verdadeiro custo de distribuir música já caiu vertiginosamente. Assim como a maioria dos CDs vendidos na rua. FGV DIREITO RIO 65 .

Na economia monetária tudo parece ser de graça – de fato. Altruísmo sempre existiu. De graça para quem: todos os usuários. o ato de usar o serviço cria algo de valor. Milton Friedman nos lembra regularmente que “não há nada como um almoço de graça” (ou “tudo tem um preço”). a economia da abundância Somente possível por causa do milagre da abundância. O seu tempo e respeito são outros desses FGV DIREITO RIO 66 . porque um almoço de graça não precisa se referir à comida que está sendo dada ou que será paga por mais tarde – pode simplesmente significa que outra pessoa está pagando a conta. já que o próprio ato de usar esses sites e serviços é o que gera algo de valor. distribuição a custo zero tornou o ato de compartilhar em uma indústria. Segundo. um conceito que define que dinheiro não é a única coisa escassa no mundo. Em cada caso. É como se o restaurante de repente não precisasse mais pagar pela comida ou os custos laborais daquele almoço. nós estamos descobrindo que o dinheiro não é a única motivação. poder de processamento e banda larga – estão ficando cada vez mais baratos. seja ao melhorar o próprio serviço ou ao criar informação que pode ser útil em algum outro lugar. a economia digital fez com que a economia tradicional virasse de cabeça para baixo. na dimensão digital. para a economia monetária soa como concorrência desleal – mas isso diz mais a respeito dos nossos métodos superficiais de avaliar valor que nos diz a respeito do valor do que é criado. Duas das principais funções de escassez da economia tradicional – os custos marginais de manufatura e distribuição – estão caminhando em direção ao zero. A palavra é externalidade. Você pode ter acesso à pornografia se você solucionar aquelas caixas de letras embaralhadas (captcha) usadas para impedir a entrada de bots. A área inteira é criada com base no estudo de escolhas custobenefício e como elas são feitas. Do Freecycle (bens de segunda mão dados para qualquer pessoa que os levar) a Wikipédia. seja software aberto ou conteúdo gerado pelos usuários.pROpRIEDaDE InTElEcTual grátis x trabalhO O que é de graça: Sites e serviços. os principais recursos da economia da informação – armazenamento. mas a rede torna disponível uma plataforma na qual as ações dos indivíduos podem ter um impacto global. Da mesma forma funciona o esquema de ranking para histórias no Digg. Mas Friedman estava errado em dois sentidos. Leia seus textos de faculdade e confira que a definição de economia consta como “a ciência social da escolha sob escassez”. Certamente a economia tem algo a dizer sobre isso? E tem. ecONOmia da dádiva O que é de graça: tudo. O que você na realidade está fazendo é dando respostas a um bot usado por spammers para ganhar acesso a outros sites – o que é mais vale mais a pena que a banda larga consumida por você para ver imagens. De uma forma. Primeiro. De graça para quem: todos. as votações no Respostas Yahoo ou o serviço Google 411 (veja “Como que assistência de diretório pode ser de graça?”).

Em vez de balancear a eletricidade com outros recursos energéticos. Graças a Google. “de graça” muda tudo Entre a economia digital e a estratégia de King Gillete da alteração de preços. Contudo. principalmente por causa dos riscos da energia nuclear que aumentaram os custos. Há. no início do poder nuclear. Dirigiríamos carros elétricos (eletricidade grátis incentivaria o desenvolvimento de uma tecnologia de bateria eficiente para armazenamento). Lewis Strauss. presumidamente. mas somente recentemente pudermos avaliar adequadamente. não a eletricidade.pROpRIEDaDE InTElEcTual elementos. um estoque limitado de reputação e atenção no mundo a qualquer momento. O quão grande é esse negócio? Considere essa analogia: Em 1954. assim as emissões de carbono iriam despencar. Hoje as tecnologias digitais. estamos entrando em uma era em que “de graça” será visto como algo normal. combustíveis fósseis seriam visto como um método caro e sujo. e se ele estivesse certo? E se a energia elétrica tivesse se tornado virtualmente “de graça”? A resposta é que tudo que a eletricidade tocou – o que se resume a praticamente tudo – seria transformado. agora temos uma forma prática de converter reputação (PageRank) em atenção (tráfego) e depois em dinheiro (propagandas). uma geração criada nos moldes da “rede grátis” está sendo formada e ela encontrará novas FGV DIREITO RIO 67 . prometeu que estaríamos entrando em uma era em que a eletricidade seria barata demais para avaliar. Qualquer coisa que você consiga consistentemente converter em dinheiro é uma moeda por si só e a Google desempenha esse papel do banqueiro central para essas novas economias. Todos os prédios seriam aquecidos eletricamente. Entretanto. assim irrigando terras áridas e tornando desertos em áreas férteis. muitas tornando o biocombustível em uma forma de armazenamento mais barata que baterias. Relativo aos elétrons livres. A expressão “aquecimento global” nunca teria existido. mas há são reais. independentes da proporção de conversão termal. A dessalinização aconteceria continuamente a fim de tornar toda a água salgada em água potável. Esses são os novos elementos escassos – e o mundo “de graça” existe principalmente para adquirir esses valiosos recursos pelo bem de um modelo de negócios a ser posteriormente definido. que sempre soubemos da existência. Demorou algumas décadas para se assimilar que a computação não deveria ser apenas para poucos e somente agora estamos começando a liberar banda larga e armazenamento dessa mesma miséria da imaginação. Não é necessário dizer que isso não aconteceu. é que se tornaram baratas demais para avaliar. A “economia da atenção” e a “economia da reputação” são imprecisas demais para terem um departamento acadêmico. não como anomalia. líder Comissão de Energia Atômica. “Grátis” alterna o foco da economia de algo que só pode ser quantificado em dólares e centavos para algo mais realista referente a todas as coisas para quais damos valor hoje em dia. usaríamos a eletricidade para o máximo de atividades possíveis – gastaríamos inclusive porque seria barato demais para nos preocupar.

transformando o mundo no processo. quanto com relação ao mercado de distribuição de filmes)? j) Você acha viável modelos de investimentos distribuídos como o Sellaband ou Swarm of Angels? Quais os maiores desafios para sua implementação? i) Uma das maiores dificuldades dos modelos de “micropagamentos” é a dificuldade de se fazer transferências de pequenos valores com facilidade (geralmente as taxas cobradas pelos cartões de crédito dificultam transferências de pequenos valores). Que solução e alternativas você apontaria para esse problema? FGV DIREITO RIO 68 .pROpRIEDaDE InTElEcTual formas de abarcar o desperdício. Chris Anderson é o editor chefe da Wired e autor de The Long Tail. FREE.0? c) Você acredita que o site Camiseteria segue os preceitos da Cauda Longa? Por quê? d) Quais outros sites brasileiros você acredita que seguem ou poderiam seguir os preceitos da Cauda Longa? e) Você acha que a Cauda Longa tem a possibilidade de influenciar o modo de fazer negócios na internet no Brasil? Por que? f ) Você acha que o modelo de “open publishing” representa um modelo de negócios que pode ser aperfeiçoado com a utilização das ferramentas da web 2. tarEFaS E PErguntaS 1) Leia os vários casos de “modelos abertos” de negócio no Overmundo (http:// www. como a cauda longa pode modificar o mercado de cinema (tanto na questão das salas de cinema. Porque “de graça” é o que você quer – e “de graça”.overmundo. como a cauda longa pode modificar o mercado da música? i) Na sua opinião. será publicado em 2009 por Hyperion.com. no Brasil.br/tag/open-business) e responda: a) O que você vê de comum nesses casos? b) Quais os casos você acha que podem trazer melhores idéias que podem ser aplicadas no âmbito da web 2. de se implementar um negócio baseado no modelo de cauda longa? h) Na sua opinião. Seu próximo livro. é o que você cada vez mais vai receber.0? g) Quais as maiores dificuldades.

icommons. ronaldo Lemos Leia o paper “From Legal Commons to Social Commons” no seguinte link: http://www.org/culture_database/from-legal-commons-to-socialcommons-brazil-and-the-cultural-industry-1 FGV DIREITO RIO 69 .pROpRIEDaDE InTElEcTual socioloGia da propriedade intelectual Prof.

Marcos da. viabilizado através do licenciamento do programa em uma licença pública. antônio cabral EmEntário dE tEmaS Software: Definição – Software: Os programas de computador: Um instituto híbrido – Software igual a livro? – Patente de Software – Lei de Software – Copyleft e Software livre: o avesso do conceito.org/wiki/Free_software . as conseqüências dessa forma de licenciamento e como esse modelo de licenciamento pode beneficiar o desenvolvimento do país.com.pROpRIEDaDE InTElEcTual softWare e softWare livre Prof. p. onde devem ser observadas as quatro liberdades criadas por Richard Stallman. Ed. Tecnologia e Cultura.gov. Inclusão Digital. a GPL 2. Acessado em 09/04/2007. http://www.softwarelivre. Analise a principal licença de software livre. Ronaldo. Websites http://www. FGV DIREITO RIO 70 . Sérgio. Ed. http://www. BiBLiograFia oBrigatória LEMOS. Vídeo YouTube. Art. Primeiras Linhas sobre o Software Livre). FALCÃO.internetlegal.: Acessado em 09/04/2007.br/artigos/ (COSTA.wikipedia. Tércio coord. 2007.br/softwarelivre/artigos/artigo_02 http://youtube.youtube. Lúmen Júris. LEMOS. Rio de Janeiro. FGV. Acessado em 09/04/2007 caSo gErador O software livre é antes de mais nada uma criação jurídica. FERRAZ JUNIOR. Direito.com/watch?v=IJrfcQq_eIw (Vídeo institucional do Instituto de Tecnologia da Informação sobre Software Livre: Apresentação. 1ª Ed.67 – 92.com/watch?v=UvWRhnc_77Y Wikipedia: http://en. Software Livre e Globalização Contra-hegemônica. 2005.0 (a terceira versão ainda encontra-se em fase de discussão). Ed. e identifique os pontos que a caracterizam como uma licença de software livre. Joaquim. Direito do Software Livre e a Administração Pública. BiBLiograFia comPLEmEntar AMADEU. Ronaldo.

” Segundo a enciclopédia colaborativa Wikipedia. como a JVM (Máquina Virtual Java). aos fonogramas e às emissões de radiodifusão. para em seguida analisarmos qual forma de proteção jurídica aplica-se a ele. O dispositivo mais conhecido que dispõe de um processador é o computador. A própria Lei de Software (Lei 9609/98). segundo definição concebida pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI). que simulam um computador inteiro. baseados em técnica digital ou análoga. à proteção contra a concorrência desleal e todos os outros direitos inerentes à atividade intelectual nos domínios industrial. máquinas de automação industrial. em seu o artigo 1° define o que é Programa de Computador: “Programa de computador é a expressão de um conjunto organizado de instruções em linguagem natural ou codificada. Fonte: http://pt. Primeiramente faz-se necessário definirmos o conceito de software. 1. “a soma dos direitos relativos às obras literárias. que é interpretada e executada por um processador ou por uma máquina virtual. com o barateamento dos microprocessadores. de emprego necessário em máquinas automáticas de tratamento da informação. existem outras máquinas programáveis. às invenções em todos os domínios da atividade humana. Atualmente. real ou imaginado.pROpRIEDaDE InTElEcTual rotEiro da auLa 1. FGV DIREITO RIO 71 . “Um programa de computador é composto por uma seqüência de instruções.2.wikipedia. calculadora. Software: definição. essa seqüência segue padrões específicos que resultam em um comportamento desejado. para fazê-los funcionar de modo e para fins determinados. Uma categoria especial e notável de interpretadores são as máquinas virtuais.org/wiki/Software em 26/06/2007. Em um programa correto e funcional. como telefone celular. Quando um software está representado como instruções que podem ser executadas diretamente por um processador dizemos que está escrito em linguagem de máquina. às interpretações dos artistas executantes. Software: os programas de computador A Propriedade Intelectual é. contida em suporte físico de qualquer natureza. às descobertas científicas. etc. órgão autônomo dentro do sistema das Nações Unidas. aos desenhos e modelos industriais. dispositivos. instrumentos ou equipamentos periféricos. literário e artístico”. responsável por interpretar e executar cada uma de suas instruções. comerciais e de serviço. científico. bem como às firmas comerciais e denominações comerciais.1. às marcas industriais. A execução de um software também pode ser intermediada por um programa interpretador. Um programa pode ser executado por qualquer dispositivo capaz de interpretar e executar as instruções de que é formado. artísticas e científicas.

contrariamente ao que acontece às demais obras protegidas no âmbito da propriedade industrial – marcas. artística ou científica.” Ou seja. no que esta não for conflitante com aquela. intuitivamente. como as demais obras protegidas por direitos autorais – previsto pelo decreto 2. invenções e modelos de utilidade –. o registro do programa de computador não é constitutivo. de caráter literário.609 de 19 de fevereiro de 1998) determina em seu artigo 2º que “O regime de proteção à propriedade intelectual de programa de computador é o conferido às obras literárias pela legislação de direitos autorais e conexos vigentes no País. nos termos da lei 9. aplica-se a lei especial (Lei de Software) e a LDA.gov. Seria o Direito Autoral? A Propriedade Industrial? Patente? Nem Direito Autoral nem Propriedade Industrial. o registro. que invoca emoções distintas. ou seja. e sim no INPI.609/98 e da LDA. ao contrário do que poderia se esperar. parece-nos que a segunda resposta é mais realista. http://www5. que mesmo sem despertar comoção pode resolver um problema técnico? Bem. 1. Software é igual a livro? A lei prevê que os programas de computador receberão o mesmo tratamento dado às demais obras literárias. tem seu registro – opcional. No entanto. br/conteudo/produtos/programa Ainda assim. a FGV DIREITO RIO 72 . Partindo dessas duas categorias muito foi debatido até a definição de como seria o regime de proteção do software. Ou seja. não é necessário que haja registro para que os direitos sejam conferidos ao seu titular. a Propriedade Intelectual é subdividida em Propriedade Industrial e Direitos Autorais. artísticas e científicas.pROpRIEDaDE InTElEcTual Dentro dessa definição mais ampla. Mas as obras protegidas por direitos autorais não são aquelas que têm valor estético e não meramente utilitário? A que. observado o disposto nesta Lei. observadas as disposições da própria LDA que lhes sejam aplicáveis” (art. Além disso. Mesmo havendo diferenças evidentes. basta estar-se diante de um código-fonte para se observar o quão diferente pode ser de um texto literário. § 1º). mas sim um instituto híbrido? O legislador pátrio veio e definiu o regime de proteção. um programa de computador mais se assemelha: a uma música. o programa de computador. artísticas e científicas. não é feito na Biblioteca Nacional. A proteção por direito autoral decorre da criação da obra. a proteção conferida aos programas de computador os equiparam aos livros. artístico e científico. Nesse aspecto. como ocorre com as demais obras.556 de 1998 no INPI – Instituto Nacional da Propriedade Industrial. ainda que seja tratado pela legislação como obra literária.3. De acordo com a Lei de Direito Autoral (Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 “LDA”). Em conformidade com o disposto na LDA – e em seu complemento – a lei que trata especificamente de programas de computador. mesmo sendo conferido aos programas de computador o tratamento dado às obras literárias.inpi. 7º. “Os programas de computador são objeto de legislação específica. a “Lei de Software” (Lei 9. por exemplo. ou a uma invenção.

Lei de Software Conforme vimos.pROpRIEDaDE InTElEcTual decisão legislativa foi de conferir aos programas de computador a proteção das obras protegidas por direitos autorais e assim é que a lei dispõe. como exceção à LDA.609/98 em seu art. na verdade. seus dispositivos servem. Como se sabe.gov. Isso significa que a LDA se aplica em sua totalidade aos programas de computador. Ao longo de 16 artigos.inpi. § 2º “Fica assegurada a tutela dos direitos relativos a programa de computador pelo prazo de cinqüenta anos. na ausência desta. aquele que não apresenta um efeito técnico.609/98. 2º. § 1º da Lei 9.br/ acessado em 03/04/2007. como passamos a ver exemplificativamente: Em relação ao prazo de proteção das obras. Isto porque não pode uma invenção ser excluída de proteção legal pelo fato de que. pode configurar uma invenção patenteável. através de concessão de patente. o programa de computador em si. tendo o próprio Instituto Nacional da Propriedade Intelectual – INPI concedido patentes relacionadas ao uso de computadores em métodos e aparatos. e o funcionamento desse hardware depender do programa. a LDA prevê que os programas de computador são objeto de proteção por legislação específica.5. a proteção prevista na LDA é de 70 anos após a morte do Autor. isto é. da sua criação. Comparada à LDA. A lei específica é a 9.609/98 dispuser de modo diferente. com a exceção prevista no art. para sua implementação sejam usados como meios técnicos programas de computador. a lei 9. 1. exceto se a lei 9. “a questão recai então sobre a possibilidade da proteção patentária do software quando este estiver instalado em um hardware. E alguns de seus dispositivos são realmente distintos. contados a partir de 1º de janeiro do ano subseqüente ao da sua publicação ou.609/98 é extremamente sucinta. que foi aprovada pelo Congresso Nacional no mesmo dia da aprovação da LDA e por isso as duas têm números seqüenciais. nesse caso. desde que atendidos os requisitos de novidade. o conjunto hardware + software poderá ser considerado invenção. coloca-o no rol dos bens protegidos pelo direito de autor. 2º. atividade inventiva e aplicação industrial. 1.609/98 “exceto (i) o direito do autor de reivindicar a paternidade do programa de computador e (ii) o direito de o autor opor-se a alterações não autorizadas.” (grifo nosso). é excluído de proteção patentária. no caso do software a lei traz um prazo menor que o previsto na LDA. e assim como já foi dito. Conforme informação do próprio INPI. ao passo que se tal programa altera tecnicamente o funcionamento da máquina em que é executado. Assim. Outro ponto de diferenciação em relação à Lei de software e a LDA é que na primeira não há direitos morais. este processo de controle ou a máquina resultante.4. quando FGV DIREITO RIO 73 . Patente de Software No sistema legal brasileiro é expressamente vedada a proteção de software (em si).” http://www. como bem especifica a Lei 9.

a LDA é extremamente restritiva no que concerne à possibilidade de cópia de obras alheias. pertencerão exclusivamente ao empregador. cit. desenvolvido e elaborado durante a vigência de contrato ou de vínculo estatutário. já a lei 9. http://www. o termo surgiu como uma brincadeira para com o termo copyright. 6º. surgiu a idéia do copyleft. eventualmente. ou ainda que decorra da própria natureza dos encargos concernentes a esses vínculos (art. I. reprodução. com o surgimento do software livre. a lei 9. p.br/softwarelivre/artigos/artigo_02. FGV DIREITO RIO 74 . em que a liberdade de cópia é garantida por princípio. os direitos relativos ao programa de computador. pedro de paranaguá e cERDEIRa. Segundo Sérgio Amadeu. “o movimento de software livre é a maior expressão da imaginação dissidente de uma sociedade que busca mais do que a sua mercantilização. ou em que a atividade do empregado. MOnIZ. 18 19 Disponível em http://www. e parágrafos). acesso em 19 de fevereiro de 2006.”. ao afirmar que não constitui ofensa aos direitos do titular do programa de computador a reprodução em um só exemplar de cópia legitimamente adquirida. contratado de serviço ou servidor seja prevista. softwarelivre. O copyleft. contratante de serviços ou órgão público. desde o licenciamento primeiro. os direitos de uso. trazendo apenas a possibilidade de se copiar “pequenos trechos”. O copyleft teve sua origem ainda em meados da década de 80 do século passado. Diferentemente da LDA. expressamente destinado à pesquisa e desenvolvimento. fazendo alusão à sua inversão. independentemente de autorização. copyleft e Software livre: o avesso do conceito O termo copyleft surgiu como um trocadilho que só a Língua Inglesa permite. em que se protege o direito de se autorizar ou não a cópia de determinada obra. 4º. ex-diretor presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação – ITI. Trata-se de um movimento baseado no princípio do compartilhamento do conhecimento e na solidariedade praticada pela inteligência coletiva conectada na rede mundial de computadores”19. de alteração de sua obra a qualquer interessado18. surgido nos EUA.pROpRIEDaDE InTElEcTual estas impliquem deformação. mutilação ou outra modificação do programa de computador..609/98 estabelece que salvo estipulação em contrário. 68. Econômica e Social – I.gov. Conforme já visto. De fato. desde que se destine à cópia de salvaguarda ou armazenamento eletrônico (back up). que prejudiquem a sua honra ou reputação. nada mais é do que o próprio instituto do copyright em que o autor libera.609/98 em seu art. mas tem tomado sério corpo jurídico nos dias atuais.linuxjournal. Copyleft e Software livre: Uma Opção pela Razão – Eficiências Tecnológica. A partir do sistema anglo-americano de copyright.com/article/9447 (GPL 2 X 3) Questões 1) Qual o regime de proteção do software? Qual o critério adotado? Você concorda com esse critério? 2) Quais as conseqüências da adoção pelo Brasil do atual regime? 2. autoriza uma única cópia do programa de computador. distribuição e. que não disciplina os direitos derivados das relações contratuais (prestação de serviços e relação de emprego). pablo de camargo.

Direito do Software livre e a administração pública. Ronaldo. Ronaldo e ManZuETO. através de uma licença jurídica”22. e adaptá-lo para as suas necessidades. o software livre tornou-se o primeiro grande projeto desenvolvido de maneira colaborativa. Foi a partir desse conceito que surgiram os demais projetos colaborativos. e liberar os seus aperfeiçoamentos. O software livre. FERRaZ JunIOR. O computador opera. não há diferença entre a licença GNU-GPL do Creative Commons (CC-GNU-GPL) http://creativecom- FalcÃO. manter o código-fonte do software aberto. o principal instrumento é um contrato jurídico chamado de GNU GPL (GNU General Public License ou Licença Pública Geral GNU). 2007. Hoje. O uso da GNU GPL enseja a formação de redes de contratos. Há que ficar claro que um software livre não se distingue dos demais em virtude de mecanismos técnicos. na verdade. Rio de Janeiro: FGV. traduzidas da linguagem intermediária do código fonte para a linguagem de máquina. (iii) a liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo. Para garantir a manutenção do software exatamente como “livre”. 2005. Observe-se que. Dessa forma. Ed. lEMOS. impondo o dever de respeitar as quatro liberdades fundamentais acima descritas. através de uma licença. Na verdade. conta com a adesão de milhares de voluntários que aperfeiçoam seus sistemas e aplicativos. cristiane. mas sim peculiaridades jurídicas. 20 lEMOS. 2007. leiam o texto de Sérgio Amadeu. Direito do Software livre e a administração pública. São as chamadas quatro liberdades fundamentais do software livre: (i) a liberdade de executar o programa.softwarelivre. Código-fonte é a linguagem que permite a um determinado programador desenhar instruções lógicas para um computador sobre aquilo que ele deverá executar.pROpRIEDaDE InTElEcTual Para bem entendermos a questão do surgimento do software livre e do conceito de copyleft. conjunto de 0 (zeros) e 1 (uns) na maioria das vezes impenetrável para o entendimento humano ordinariamente. dos quais o Creative Commons é um dos exemplos mais relevantes. 22 FGV DIREITO RIO 75 . é fácil perceber que as questões envolvendo software livre não se centram em peculiaridades técnicas relacionadas ao software. Joaquim. Ed. Dessa maneira. é produto direto do direito de propriedade do autor sobre o software e consiste em uma modalidade de exercício desse direito. para todos os fins. Joaquim. Nem tampouco há que se confundir software livre com software gratuito. (ii) a liberdade de estudar como o programa funciona. p. o titular está se valendo “dos seus direitos de autor para. lEMOS. entretanto. composta de 0 (zeros) e 1 (uns). qualquer pessoa poderá ter acesso ao código-fonte para estudá-lo e modificá-lo. FERRaZ JunIOR. Aquele que se vale da licença precisa necessariamente permitir o uso de seus eventuais aperfeiçoamentos e modificações. adaptando-o a suas necessidades.br/softwarelivre/artigos/artigo_02 A partir da leitura do texto indicado.20. lúmen Júris. Observe-se que o autor do software não está abrindo mão de seus direitos autorais. lúmen Júris. Tércio coord. O grande passo dado pelo desenvolvimento do software livre foi. Tércio coord. 21 FalcÃO.gov. as instruções dadas pelo programador através do “código fonte” são posteriormente “compiladas” pelo computador. disponível em: http://www. e (iv) a liberdade de aperfeiçoar o programa. de modo que toda a comunidade se beneficie21. Software livre e Creative Commons. Ronaldo. ou de contratos de licenciamento em rede. isto é. Escola de Direito. 6. com o que se chama “código objeto”. Dessa forma. portanto. condicionar a fruição desses direitos por parte de terceiros. para qualquer propósito.

.org/license/cc-gpl e a GNU-GPL http://www.. certamente desenvolvido a partir do conhecimento acumulado de tantos outros programadores. já presente no ordenamento jurídico brasileiro como direito cogente. a partir da explicação acima. 70.I. (. aos licenciados seria garantido. 69. de maneira leiga. Aparentemente.. 26.gnu. Direito do Software livre e a administração pública. Copyleft e Software livre: uma Opção pela Razão – Eficiências Tecnológica. lê-se que “Whereas copyright law is seen by the original proponents of copyleft as a way to restrict the right to make and redistribute copies of a particular work. com o uso e a prática. FERRaZ JunIOR. na área de biotecnologia. contra a proibição de se acessar o código fonte de um software. significado intercambiável23. Ao tratar do tema. FalcÃO. modificar e também distribuir tanto a obra quanto suas versões derivadas. and derived versions of the work. entre outros detalhes. o sítio da Gravadora Trama. uma vez que as liberdades e restrições se dão apenas no plano dos direitos patrimoniais. no original. Enquanto o copyright é visto pelos mentores originais do copyleft como uma maneira de restringir o direito de fazer e distribuir cópias de determinado trabalho.) É como qualquer licenciamento clássico em que o autor permite apenas o uso de sua obra. Viral Contracts or Unenforceable Documents? Contractual Validity of Copyleft Licences. 334. os contratos copyleft visam. mas no copyleft há o licenciamento de outros direitos de forma não-onerosa. lEMOS. Tércio coord. pedro de paranaguá e cERDEIRa. como factoring ou o franchising. modify. as licenças copyleft licenciam os direitos do copyright. É Sérgio Amadeu quem comenta as razões que levaram ao surgimento do software livre28: Foi a partir da indignação ativa de um então integrante do MIT. E. MOnIZ. que o copyleft é um mecanismo jurídico para se garantir que detentores de direitos de propriedade intelectual possam licenciar o uso de suas obras além dos limites da lei. uma licença de copyleft usa a lei do copyright de forma a garantir que todos que recebam uma versão da obra possam usar. Richard Stallman.p. lúmen Júris.R. and also redistribute both the work. Ou seja. Por meio das licenças inspiradas no copyleft. lê-se que “A more ambitious project is the Creative Commons.org/copyleft/gpl. n. Assim. although the idea has never been implemented”. que em 1985 foi criada a Free Software Foundation. os termos GNU-GPL e CC-GNU-GPL possuem. ser admitido pela doutrina e pelos tribunais pátrios sem maiores problemas. Assim como outros contratos atípicos de origem estrangeira. Por isso.wikipedia. vol. O movimento de software livre FGV DIREITO RIO 76 .pROpRIEDaDE InTElEcTual mons. something that has been suggested by a leading member of the Human Genome Consortium.) Em breve resumo. pablo de camargo. Ronaldo. e não no dos morais. org). there have been some suggestions that the copyleft model could be used to protect the public results of the human genome race that are being placed in the public domain by researchers. Ed.html . pode-se dizer que copyleft é o oposto de copyright24. criar justamente o conceito de direito moral de paternidade dentro do instituto copyright. Joaquim. Sweet & Maxwell. valer-se das obras de terceiros nos termos da licença pública outorgada. o contrato copyleft deverá.. andrés Guadamuz González informa que “um projeto mais ambicioso é o Creative Commons. Aliás. de maneira genérica. copyleft is the opposite of copyright” 24 25 Exemplos práticos do funcionamento do modelo copyleft no Brasil: projeto Recombo. 23 De acordo com definição da Wikipedia (www. p. Revista da AbPI. ainda que amparados por esta. que oferece uma variedade de licenças aplicáveis e todo tipo de material criativo. Entende-se. chamado Trama Virtual e o Creative Commons. há sugestões de que o modelo de copyleft seja usado para proteger resultados públicos do genoma humano que estejam sendo colocados em domínio público por pesquisadores. Pedro de Paranaguá Moniz e Pablo de Camargo Cerdeira esclarecem a respeito do sistema de copyleft25surgido nos Estados Unidos (e em que se inserem os Creative Commons)26: (. Thus. no original. algo que já foi sugerido por um membro do Human Genome consortium. não há qualquer impedimento a esse tipo de licenciamento no Brasil. andrés Guadamuz. which offers a wide range of licences applicable to all sorts of creative material. no Brasil há até mesmo previsão legal mais favorável a um dos alicerces dos contratos copyleft. GOnZÁlEZ. 2004. 2007. de cópias ou de versões derivadas27. In the area of biotechnology. p. Econômica e Social – I. in a non-legal sense. ao tratar do copyleft.. a copyleft license uses copyright law in order to ensure that every person who receives a copy or derived version of a work can use. embora a idéia nunca tenha sido implementada”. assim. mas obrigam todos os licenciados a fazer referência ao autor da obra e a utilizarem o mesmo modelo de licenciamento nas redistribuições do mesmo original.

diletantes. Para evitar que os esforços do movimento fossem apropriados indevidamente e patenteados por algum empreendedor oportunista. completo e multifuncional. softwarelivre. que o copyleft em muito se assemelha ao domínio público. o movimento de software livre ganhou o mundo e logrou produzir um sistema operacional livre. pertencia a uma empresa. A Microsoft. profissionais de altíssimo nível. cit. Dificilmente uma empresa privada terá condições de acompanhar o ritmo de inovações incrementais de uma rede tão variada e tão inteligente. GPL em inglês. o GNU/ LINUX. já que permite qualquer uso. São estudantes. o desenvolvimento e a melhoria anual do GNU/Linux contará com 1 milhão de programadores. novamente bloqueando o desenvolvimento compartilhado. o finlandês Linus Torvald conseguiu compilar todos os programas e ferramentas do movimento GNU em um kernel. O grande passo dado por Richard Stallman foi. ou seja. os vários esforços de programação eram reunidos em torno do nome GNU (Gnu Is Not Unix). MOnIZ. gente à procura de fama. p. Por isso. que já a forneceu a todos os interessados por meio de uma licença. São as chamadas quatro liberdades fundamentais do software livre: (i) a liberdade de executar o programa.. portanto. O Gnu/Linux está baseado nos esforços de mais de 400 mil desenvolvedores espalhados pelos 5 continentes e por mais de 90 países. Em 1992. todas as pessoas poderiam ter acesso não só aos programas mais também aos códigos em que foram escritos. conhecida como copyleft em contraposição ao copyright. Entretanto. Ela é a garantia que os esforços coletivos não serão indevidamente considerados propriedade de alguém. para qualquer propósito. é extremamente difícil encontrar desenvolvimentos de engenharia comparáveis em extensão. Em breve. empresas em busca de lucro. ou seja. acesso em 19 de fevereiro de 2006. pedro de paranaguá e cERDEIRa. Econômica e Social – II. A idéia era produzir um sistema operacional livre que tivesse a lógica do sistema Unix que era proprietário. MOnIZ. 21. EUA. na verdade. Econômica e Social – I. 29 É clássica a assertiva de Richard Stallman a respeito de o conceito de liberdade em software deve ser entendido como em “free speech” e não como em “free beer”. amantes da computação. FGV DIREITO RIO 77 . Nem tampouco há que se confundir software livre com software gratuito29. Copyleft e Software livre: uma Opção pela Razão – Eficiências Tecnológica. é fácil perceber que as questões envolvendo software livre não se centram em peculiaridades técnicas relacionadas ao software. manter o códigofonte do software aberto. pablo de camargo. o que viabilizou o sistema operacional. Reunia e distribuía programas e ferramentas livres. mas sim em peculiaridades jurídicas. envolvimento de pessoas e alcance geográfico como o empreendido pelo projeto do Gnu/Linux. Há que ficar claro que um software livre não se distingue dos demais em virtude de mecanismos técnicos. pablo de camargo. 72. 26 A partir do texto acima. com o código-fonte aberto. especialistas. alteração. n. 68. O GPL é aplicável em todas as frentes em que os direitos autorais são utilizados: livros. (iii) a liberdade de redistribuir cópias “pode-se dizer. 27 28 Disponível em http://www. Torvald denominou este seu esforço de Linux. maior empresa de software do planeta. Assim. a Free Software Foundation inventou a Licença Pública Geral. produz o sistema operacional windows e conta em seu quadro funcional com aproximadamente 30 mil funcionários concentrados em sua sede em Seattle. cópia e distribuição da obra sem a necessidade de autorização específica do autor.gov. Dessa maneira. Como bem apontou Moon e Sproull (1999). imagens. p. um núcleo central. adaptando-o a suas necessidades. Copyleft e Software livre: uma Opção pela Razão – Eficiências Tecnológica.br/softwarelivre/artigos/artigo_02. músicas e softwares. entre tantos outros. distingue-se do domínio público por não permitir que as obras derivadas sejam licenciadas de outra forma que não segundo o copyleft”. Revista da AbPI. (ii) a liberdade de estudar como o programa funciona. e adaptá-lo para as suas necessidades. pedro de paranaguá e cERDEIRa. Com a difusão da Internet. “Linus for Unix”. qualquer pessoa poderá ter acesso a ele para estudá-lo e modificá-lo.pROpRIEDaDE InTElEcTual começou pequeno.

Observe-se que. Ronaldo e ManZuETO. adaptar. O resultado desta autolimitação é que. portanto. 2003. lEMOS. Dessa forma. Hoje. Para garantir a manutenção do software exatamente como “livre”. é produto direto do direito de propriedade do autor sobre o software e consiste em uma modalidade de exercício desse direito. para a Free Software Foundation. 2007. Observe-se que o autor do software não está abrindo mão de seus direitos autorais. impondo o dever de respeitar as quatro liberdades fundamentais acima descritas. Aquele que se vale da licença precisa necessariamente permitir o uso de seus eventuais aperfeiçoamentos e modificações33: O exercício das quatro liberdades que constituem o contrato de licenciamento em rede – usar. ou de contratos de licenciamento em rede. Dessa forma. cristiane. Para o autor. Nesse sentido. O software livre. fazendo-os partícipes de uma mesma situação”34. para os futuros indeterminados usuários. uma obrigação que ele mesmo estabelece para seu direito de autor. Rio de Janeiro: FGV. Ed. Joaquim (et al). 6. conta com a adesão de milhares de voluntários que aperfeiçoam seus sistemas e aplicativos. Estudo sobre o Software livre comissionado pelo Instituto nacional de Tecnologia da Informação (ITI). FalcÃO. de modo que toda a comunidade se beneficie 30. p. p. Software livre e Creative Commons. 35 FGV DIREITO RIO 78 . Ed. lúmen Júris. FERRaZ JunIOR. como também a permissão de uso. Tércio coord. 34 BARBOSA. condicionar a fruição desses direitos por parte de terceiros. Joaquim. Joaquim. o software será considerado livre se seu licenciamento abarcar as quatro liberdades de que tratamos acima. 33 BiBLiograFia FalcÃO. alega-se o efeito viral a esse tipo de contrato. lEMOS. Direito do Software livre e a administração pública. e (iv) a liberdade de aperfeiçoar o programa. Direito do Software livre e a administração pública. diz tratar-se de um contrato em rede. estas liberdades convertem-se em direitos. 30 FalcÃO. a cláusula de compartilhamento obrigatório é um voluntário limite que se impõe. o titular está se valendo “dos seus direitos de autor para. lúmen Júris. o licenciante. 2º Edição Revista e Atualizada. 2005. Ronaldo. para efeitos deste trabalho. a contraprestação pela aquisição destes direitos é a obrigação de repassar a futuros usuários indeterminados não só os aperfeiçoamentos e modificações que porventura o próprio usuário venha a fazer no software original. Lúmen Júris. distribuir e aperfeiçoar – tem duplo significado. Por isso. 31 32 É fundamental mencionar que não há apenas esta licença para a qualificação de software livre. FERRaZ JunIOR. Na verdade. cit. Uma Introdução à Propriedade Intelectual.pROpRIEDaDE InTElEcTual de modo que você possa ajudar ao seu próximo. dos quais o Creative Commons é um dos exemplos mais relevantes. para todos os fins. não há diferença entre a licença GNU-GPL do Creative Commons (CC-GNU-GPL) e a GNU-GPL tradicional. já que o licenciado de hoje poderá ser o licenciante de amanhã. lúmen Júris. Escola de Direito. Direito do Software livre e a administração pública. Foi a partir desse conceito que surgiram os demais projetos colaborativos. através de uma licença. Ed. os licenciados. Tércio coord. 1 – 14. lEMOS. Joaquim. 2007. 2007. lEMOS. FERRaZ JunIOR. e liberar os seus aperfeiçoamentos. através de uma licença jurídica”31. o instrumento é um contrato jurídico chamado de GNU GPL32 (GNU General Public License ou Licença Pública Geral GNU). Tércio coord. usamos uma designação genérica apenas para indicar os mecanismos de licença em que o licenciado fica obrigado a licenciar a obra original ou derivada nas condições determinadas pelo licenciante – que é o que nos interessa. Ronaldo. Ronaldo. “na medida em que a cláusula do compartilhamento obrigatório inocula-se em todos os contratos. Denis Borges.Rio de Janeiro: Ed. O uso da GNU GPL enseja a formação de redes de contratos. Por sua vez. exerce a autonomia da vontade da teoria contratual liberal clássica. FalcÃO. o software livre tornou-se o primeiro grande projeto desenvolvido de maneira colaborativa.

FERRAZ JUNIOR. LEMOS. Joaquim. p. Cristiane. 2004. 68. LEMOS. 72. Pedro de Paranaguá e CERDEIRA. p. Pablo de Camargo. FGV DIREITO RIO 79 . Econômica e Social – II. Ed. Copyleft e Software Livre: Uma Opção pela Razão – Eficiências Tecnológica.P. Tércio coord.I.pROpRIEDaDE InTElEcTual FALCÃO. 1ª EDIÇÃO. Copyleft e Software Livre: Uma Opção pela Razão – Eficiências Tecnológica. Ronaldo. Pablo de Camargo. Ronaldo e MANZUETO. Pablo de Camargo. Direito. 70. MONIZ. 67 – 92. Cit. 6. Viral Contracts or Unenforceable Documents? Contractual Validity of Copyleft Licences. LEMOS. Rio de Janeiro.R. 69. p. Econômica e Social – I. p. n. Lúmen Júris. Pedro de Paranaguá e CERDEIRA. MONIZ. E. Revista da ABPI.. GONZÁLEZ.. Ed. 26. MONIZ. Sweet & Maxwell. 334. Pedro de Paranaguá e CERDEIRA. 2007. 2005. 21. Andrés Guadamuz. Software Livre e Creative Commons. n. 2005. Tecnologia e Cultura. p. Copyleft e Software Livre: Uma Opção pela Razão – Eficiências Tecnológica. FGV. Econômica e Social – I. vol. p. Escola de Direito. Revista da ABPI. Ronaldo. Direito do Software Livre e a Administração Pública. Rio de Janeiro: FGV.

devemos primeiramente estabelecer uma distinção entre criação (gênero). 335-42. FGV DIREITO RIO 80 . criação e invenção Antes de definirmos o que é patente. 482-90. criação e invenção – definição de patente de invenção (PI) e de patente de modelo de utilidade (MU) – tipos de patente de invenção – natureza jurídica da patente de invenção – surgimento das leis de patentes – surgimento da legislação nacional de patentes – normas de patentes em vigor no Brasil – requisitos de patenteabilidade: novidade (e estado da técnica). 2003. 417-19. pp. 440-2. patente de invenção. invenção (espécie). 561-5. 1. Pedro Paranaguá EmEntário dE tEmaS Distinção entre descoberta. 343-54. vol. 420-22. exame. mas apenas a título de curiosidade e como comparação com a lei atual. “Tratado da Propriedade Industrial”. 2ª ed. rotEiro dE auLa distinção entre descoberta.pROpRIEDaDE InTElEcTual patentes Prof. 411-17. 376-84. 472-4. 462-9. e demais capítulos tratados nesta apostila. 456-7. 433-7. processo administrativo de nulidade (PAN) – procedimentos judiciais LEitura oBrigatória BARBOSA. 457-8. 1952. 362-74. Revista Forense: Rio de Janeiro. 399. publicação. 67-75. concessão. “Uma introdução à propriedade intelectual”. (nesta ordem) LEitura comPLEmEntar CERQUEIRA. 387-89. II. 399-402.. Lumen Juris: Rio de Janeiro. 479. João da Gama. Denis Borges. depósito. atividade inventiva e aplicação industrial – certificado de adição – exclusões do conceito legal de invenção e de modelo de utilidade – vedações ao patenteamento – quem pode requerer patente – invenção e modelo de utilidade realizados por empregado ou prestador de serviço – concessão e prazo de validade – prioridade – direitos do titular de uma patente – limitações aos direitos do titular de uma patente – usuário anterior de boa fé – perda dos direitos – procedimentos administrativos no INPI: busca prévia. e descoberta. 245-6. 551-2. 626-37. Desse modo. ou melhor. vamos abordar o que é invenção. pp. parte II.

Dr. como dissemos. “perfil do Segredo de Indústria e comércio no Direito Brasileiro: Identificação e análise crítica”. e. o inventor. 2000. ao passo que através da invenção surge algo antes inexistente.. 1999. definição de patente de invenção (Pi) cf.. vide laBRunIE. Desta forma. apresenta-se como a solução de um problema técnico. Elizabeth. 222. 85 a 105. p. 1982. São paulo. in “Direito Empresarial contemporâneo”. 37 38 39 40 Op. portanto. perante a pontifícia universidade católica de São paulo – puc/Sp. há uma invenção stricto sensu. Com a obtenção da patente de invenção. tornando-a ‘diferente do produto originalmente encontrado na natureza’”. A invenção. e. consiste na criação de uma coisa até então inexistente. I. 2ª edição. newton de lucca (coord. p. Ed. importante se faz diferenciar invenção de mera descoberta. adalberto SIMÃO FIlHO. uma exclusividade fática de exploração da invenção. que. desconhecido. cit. no sentido mais amplo39. enquanto mantiver o segredo. vol. caracteriza-se como uma criação intelectual. Ademais. p. Para que uma criação seja considerada invenção.” GaMa cERQuEIRa. não visa a fins práticos preestabelecidos e apenas aumenta a soma dos conhecimentos do homem sobre o mundo físico. pelos seus fins. 221. cit. I. como o resultado da atividade inventiva do espírito humano. “na invenção haverá obrigatoriamente uma manipulação humana da eventual descoberta. a distinção entre descoberta e invenção torna-se evidente quando se tem em mente que aquela é mera revelação de algo já encontrado na natureza. 36 Concluímos.). apesar de. detendo. no sentido técnico-jurídico da palavra. 22. vol. ao contrário. sob orientação do prof. pela sua origem. faz-se necessária a existência de uma criação intelectual. tese de doutorado. pelo modo de sua realização. “a proteção ao Segredo do negócio”. buscando sua própria definição de invenção.. Já a invenção mantida em segredo não recebe proteção como um ‘direito’. classifica-se como uma criação de ordem técnica. sob a orientação do prof. Nas palavras de Gama Cerqueira41: Sobre uma análise mais profunda da proteção aos segredos. Na citação de Jacques Labrunie. veja FEKETE. Jacques. mediante propriedade.). “nulidades das patentes de Invenção”. Waldirio BulGaREllI. de modo geral.pROpRIEDaDE InTElEcTual Considera-se invenção a criação intelectual de efeito técnico ou industrial. 25. ademais. laBRunIE. São paulo. a descoberta é a revelação de uma coisa existente na Natureza (. Gama Cerqueira36 ensina que: “As duas noções não se confundem. apresentada em 1997. constitui um meio de satisfazer às exigências e necessidades práticas do homem. para que haja uma invenção. necessário se faz que haja uma solução nova para um problema técnico existente. ensina o seguinte: “A invenção. o titular da mesma passa a deter um direito de exploração exclusiva da invenção. 202. op. que visa à satisfação de fins determinados.. A invenção. Juarez de Oliveira. pp. João da. a simples criação do intelecto não é considerada invenção stricto sensu. tese de doutorado. São paulo. a descoberta. agora abordamos o conceito de patente de invenção. “Tratado da propriedade Industrial”.” Assim. Após ter sido abordado o conceito de invenção. Dentre as duas formas possíveis de proteção às invenções há o segredo40 e a patente de invenção. p. Fábio ulhoa cOElHO. RT. vol. I. p. até então. mas como um ‘fato’.37 (destaque no original) Gama Cerqueira38. de necessidades de ordem prática. Faculdade de Direito. exeqüível e útil. universidade de São paulo. FGV DIREITO RIO 81 . 41 Op. cit. cf..

29. também utilizado na lei anterior (lei nº. 47 FGV DIREITO RIO 82 .br/appi/newsletter/prote%E7%E3o%20por%2 0modelo%20de%20utilidade. tese de doutorado. o efeito atributivo de direitos.279/96.tecpar. o título jurídico denominado patente42. o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) – que outorga ao seu titular a propriedade e exclusividade de exploração da invenção. Disponível em http:// www. proteção por Modelo de utilidade. 46 SOuZa. vol. perante a puc/Sp.45 A invenção. cf. a contar da data de concessão.279/96.” Assim. “nulidades das patentes de Invenção”. onde. ou parte deste. 30. do registro. 9. A patente de invenção43. na constituição Federal/88 consta o termo privilégio de invenção. art. contado da data de depósito no Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI. através do órgão competente para tanto – no Brasil. somente será reconhecida como tal e assim protegida por nosso ordenamento legal se patenteada. mediante o cumprimento das formalidades legais e sob certas condições. 2003. é o ato pelo qual o Estado reconhece o direito do inventor. p. que resulte em melhoria funcional no seu uso ou em sua fabricação. 40 e parágrafo único da lei nº. envolvendo ato inventivo. de 10 (dez) anos. dividido em duas partes: a primeira. Jacques labrunie entende que o sistema é “misto”: vide op. Jacques. contados da data do depósito. pdf.” (grifamos) Esta modalidade de patente está associada a uma melhoria funcional no uso ou fabricação de “objetos conhecidos”. laBRunIE. Orlando de. por pendência judicial comprovada ou por motivo de força maior. denominada reivindicações.pROpRIEDaDE InTElEcTual “A patente de invenção.279/96: “Art. p. o direito de propriedade e de exploração exclusiva inexiste. é um título expedido pelo Estado. é o instituto pelo qual se protege uma invenção. além de proteger a invenção. I. as quais caracterizam a invenção propriamente dita.772/71). a prova do direito e o título legal para o seu exercício. ou 7 (sete) anos contados da concessão. forçoso reconhecer que o sistema patentário nacional tem efeitos constitutivos ou atributivos de direitos. cit. ou seja. foram criadas dobras em forma de sanfona. protetores para não machucar que o utiliza. 45 art. no qual se descreve a invenção e a técnica pertinente. ressalvada a hipótese de o InpI estar impedido de proceder ao exame de mérito do pedido. que apresente nova forma ou disposição. Dr. que permitem uma curvatura em vários ângulos. ou. Em sentido figurado significa o próprio privilégio. Presente. 40 e parágrafo único da lei 9. no sistema jurídico brasileiro. então. sob orientação do prof. cit. p. ao seu titular. chamada relatório descritivo. Diante disso. cf. e o canudo. e a segunda. em sua parte média superior. definição de patente de modelo de utilidade (mu) 42 Formalmente. Fábio ulhoa cOElHO.. Instituto de Tecnologia do paraná. a patente constitui basicamente um documento. conforme o caso. apresentada em 1997. por período limitado44. 5. o qual assegura. delimitando os direitos do inventor. Constitui.46 No intuito de facilitar a compreensão apontamos exemplos práticos e conhecidos de modelos de utilidade:47 – – o grampo para cabelos. assegurando-lhe a propriedade e o uso exclusivo da invenção pelo prazo da lei. 43 44 O período de exploração exclusiva é de 20 (vinte) anos. uma relação de domínio ou propriedade. também podem constar da patente os desenhos que esclareçam a invenção. no mínimo. onde foram colocados. possui um menor grau de inventividade e por isso goza de um período de proteção menor que as patentes de invenção: 15 (quinze) anos contados do depósito. Caso o titular não requeira a patente. expedida pela administração pública. Conforme a Lei 9. É o título do direito de propriedade do inventor. agência paranaense de propriedade Industrial – appI. Gama cerqueira entende que o sistema é “declarativo”: op.. 203. propiciando ao usuário uma maior comodidade na ingestão de líquidos. consultado em 11/03/07. suscetível de aplicação industrial. 9º – É patenteável como modelo de utilidade o objeto de uso prático. por outro lado. ao mesmo tempo. em suas extremidades.

279/96. D. Rubens REQuIÃO. Assim. 49 50 José Roberto GuSMÃO propõe a denominação dos direitos das criações do intelecto como direito de propriedade sui generis. obrigacionais e reais. n. Teixeira de FREITaS. nelson HunGRIa. p. a criação do intelecto não se enquadra no direito pessoal. Tendo em vista a proteção erga omnes das criações intelectuais e por sua origem não ser um crédito. É importante ressaltar que o legislador52 nacional acolheu a tese de os direitos às criações intelectuais estarem inseridos no direito de propriedade. da universidade RobertSchuman de Strasbourg. por fim. que são patentes de produto cuja inclusão numa reivindicação não ofenderia o requisito da unidade da patente.º 35. Jacques. ainda. cit./Fev. Fran MaRTInS. E. por serem “suscetíveis de gozo simultâneo por um sem número de sujeitos” e por não serem “mensuráveis nem exauríveis num único consumo”: vide “propriedade Industrial e Defesa da concorrência”. seria possível reivindicar simultaneamente um produto. Alguns autores discorrem também sobre “patentes de aparelho”. addr. 2002. também não se encaixa no direito obrigacional. “a propriedade Industrial e sua Tutela Jurídica”. pontes de MIRanDa. que é jus ad rem.doc 48 De significativa importância é o correto delineamento da natureza jurídica da invenção patenteada e. dentre outros motivos. tendo em vista a especificidade do direito em questão: vide “L’Aquisition du Droit sur la Marque au Brésil”. Waldemar FERREIRa. ainda mais por não ter sido objeto de estudo. não se adeqüam integralmente à divisão clássica do direito privado: direitos pessoais. para uma correta compreensão de seus efeitos e importância dentro do direito contemporâneo.pROpRIEDaDE InTElEcTual tipos de patente de invenção As patentes podem ser classificadas quanto ao seu objeto em patentes “de processo” e “de produto”. Por possuir também um caráter patrimonial. art. e o aparelho para fabricá-lo48. Exemplo: dispositivo de preparo de mistura industrial. SaBOIa. 38. 14. As criações do intelecto não encontram guarida.com/131. a proteção jurídica às criações intelectuais. 1995. 9. mecânicas ou químicas que ao fim levarão a um resultado. São paulo. DORIa. 1993. dentre outros. b) Patente de produto – A tecnologia patenteada pode ser ainda um objeto físico determinado: é a chamada patente de produto. 6º. do mesmo entendimento são: ESpÍnOla.. ou melhor. também direito real (jus in re) não é. 10-12. in Revista da aBpI nº. FGV DIREITO RIO 83 . 52 lei nº. op.” (grifamos) assim entendem TaVaRES paES. Tipos de patente. Posição dominante na doutrina brasileira49 50 é no sentido de que os direitos de Propriedade Industrial estão inseridos no Direito de Propriedade51 sobre bem incorpóreo e móvel. Denis Borges. Jan.. 8. Exemplo: antena bidirecional. que visa à obtenção da coisa. no direito romano. caRValHO DE MEnDOnÇa. Cabe ressaltar que as patentes de modelo de utilidade jamais serão de processo. GaMa cERQuEIRa. Pode-se dizer que os processos dignos de patentes de invenção constituem uma série de ações humanas. ao classificar os direitos intelectuais. 51 Tercio Sampaio Ferraz Jr. nas condições estabelecidas nesta lei. natureza jurídica da patente de invenção BaRBOSa. Disponível em http://denisbarbosa. pp. prefácio de Jean-Jacques BuRST. Exemplo: processo específico para fabricação do polímero X ou de fabricação do filme fino Y. in verbis: “Ao autor de invenção ou modelo de utilidade será assegurado o direito de obter patente que lhe garanta a propriedade. Ambos os modos devem constituir em mecanismos para se obter soluções para um determinado problema técnico: a) Patente de processo – Quando o objeto da patente refere-se a formas de obter determinado resultado de ordem técnica. insere-os num “regime jurídico especial de propriedade”. cf. bateria para celular etc. devido à imaterialidade do bem tutelado. luiz lEOnaRDOS. das criações intelectuais. in Revista da aBpI nº. de modo geral. coleção do centro de Estudos Internacionais da propriedade Industrial – cEIpI. 09. p. apud laBRunIE.

enquanto que a propriedade intelectual confere uma valorização econômica da criação. em 1793. seguindo a unanimidade dos autores. laBRunIE. 55 Segundo Miguel Reale. Jacques laBRunIE. a partir de então. o Patent Act e. por meio da Carta Régia.. No plano internacional. 43. inciso XXIX. cf.1809. “a definição do uso e da proteção dos privilégios e dos sinais distintivos só surge na Idade Média”. ibidem. burgos e corporações de ofício. regulamentando a matéria. op. 57 58 Em 1623. na Inglaterra. Jacques. sempre subalternos ao senhoril. cit. 53 54 O privilégio mais antigo de que se tem notícia teria sido concedido em 1236. 9. Em primeiro plano figura o quanto disposto no artigo 5º. aos servos.. cópia e plágio.. no Brasil (1809). privilégio temporário para sua utilização. quais sejam: a Convenção da União de Paris para a Proteção da Propriedade as leis de patentes ganharam extensão e foram adotadas na Holanda (1809). bem como uma proteção contra usurpação. cabendo. promulgou a sua.” Logo abaixo na hierarquia há a Lei ordinária64 nº. culminando na Revolução Francesa. a certo cidadão que tecia e tingia tecidos de lã para ternos à moda flamenga. cit. porto alegre: livraria do advogado.. que eram escravizados. 55. BaSSO. com o surgimento das feiras. de que a propriedade ordinária resguarda o direito de apropriação. e. cf. No mesmo ano – 1808 – da vinda da família real à Colônia. Apenas no fim da Baixa Idade Média54 55. em matéria de patentes (. seguida do Renascimento56 57 58 e. 60 61 62 Datado de 28. 56 Renascimento é a denominação referente ao plano cultural. decretou-se. não tendo sido matéria de tutela nos direitos romano e medieval. p. p. à propriedade das marcas. o Brasil é signatário de três convenções referentes a patentes. apresentando as principais características das leis contemporâneas. laBRunIE. inclusive a do Império. Surgimento da legislação nacional de patentes cf. mais tarde. todavia. na argentina (1864) e no canadá (1869).53 Surgimento das leis de patentes Recente é a proteção aos direitos dos inventores industriais. denomina-se capitalismo comercial.04. apud BaSSO. Já em 1809. do ideal Iluminista59. berço da Revolução. hansas. a França. no plano econômico. de 14 de maio de 1996. normas de patentes em vigor no Brasil alguns consideram que a lei da República de Veneza. op. op.)”. na Suécia (1819). FGV DIREITO RIO 84 .279. Maristela. bem como proteção às criações industriais. desde aquela época. através do Alvará Real61. BaSSO. o Rei Jacques I promulgou o Statute of Monopolies. p. de 1474.62 Desde então. op. aos nomes de empresa e a outros signos distintivos. iniciou-se um período de maior liberdade comercial do Brasil Colônia em relação à Metrópole. seguida da Revolução Industrial do século XIX60 – e o crescente capitalismo – é que se começa a dar importância ao trabalho e às invenções. em Roma. Maristela. na Itália (1859).. 45. na Áustria (1810). francesa e inglesa. p. 67. todas as Constituições.. por uma autoridade municipal de Bordeaux. Jacques. “O Direito Internacional da propriedade Intelectual”. na era medieval. cf. na Espanha (1826). 59 Em 1790 foi promulgada a primeira lei sobre patentes nos Estado unidos da américa. Tanto na Roma antiga. previram a proteção a invenções63. como na Idade Média. cf. da Carta Magna: “a lei assegurará aos autores de inventos industriais. Maristela. passou a vigorar no Brasil Colônia a primeira norma que tratava da proteção à invenção. o trabalho era menosprezado e aviltado. a abertura dos portos e. ibidem. foi “(. cit. vigente desde 15 de maio de 1997. tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico do País. p. o princípio de proteção ao inventor e o interesse da coletividade já eram apontados no texto legal. na Rússia (1812). cit. ibidem.pROpRIEDaDE InTElEcTual É preciso atentarmos para o fato.) a primeira a conferir aos inventores uma exclusividade. e com o gradual crescimento da comercialização. aos vencidos. Notável perceber que. 2000. 66.

11 da LPI que: “Art. três requisitos69 de fundo da invenção. Parágrafo 2º – Para fins de aferição da novidade. que regulou a concessão de privilégios. o conteúdo completo do pedido depositado no Brasil. Este tratado está em vigor por força do Dec. 8º – É patenteável a invenção que atenda os requisitos de novidade. a novidade não será afetada”74. 66 Assim. que criou a autarquia federal responsável pelo processamento e concessão das patentes. de 1923. a promulgação do primeiro código da propriedade Industrial – cpI – ocorreu através do Dec. diversos Atos Normativos do INPI. caso contrário a invenção não será considerada nova73. É importante ressaltar a existência da lei nº. cit. pelo Dec. Ademais. Parágrafo 1º – O estado da técnica é constituído por tudo aquilo tornado acessível ao público antes da data de depósito do pedido de patente. em vigor até 1967. será considerado estado da técnica a partir da data de depósito72. nº. 81. não fere a novidade. substituído. 8º da Lei 9.903. como é mais comumente conhecido. vigente no Brasil por força do Dec. laBRunIE. o legislador pátrio enumerou. e não no de patentes. 5. tudo o que for tornado acessível ao público. o Instituto nacional da propriedade Industrial – InpI. Deste modo. que trata da integração dos procedimentos de depósito de patentes em vários países. 24. ao dispor no art.. como se observa pelo disposto no art. 11 – A invenção e o modelo de utilidade são considerados novos quando não compreendidos no estado da técnica. o oposto não é verdade.648/70. e é parte integrante (anexo 1c) do acordo constitutivo da Organização Mundial do comércio – OMc. por descrição escrita ou oral. por uso ou qualquer outro meio.005/69 e. cf. Desta forma. vigorando. stricto sensu. não podendo haver divulgação. estão no âmbito do direito autoral. que regulam a matéria.335/94. mesmo que subseqüentemente. hoje vinculada ao MDIc – Ministério do Desenvolvimento. em vigor até 1997.” (grifamos) novidade Toda invenção – no aspecto técnico-jurídico – é criação intelectual. O legislador nacional indica o que é novidade. 1. há criações intelectuais que. 16. embora público. ressalvado o disposto nos artigos 1271. porém. Há. até o surgimento da Diretoria Geral da propriedade Industrial. 67 a sigla TRIps vem do inglês. por não serem técnicas ou por não envolverem tecnologia. criada com a aprovação do Decreto nº.-lei nº.264. constitui o estado da técnica. 68 FGV DIREITO RIO 85 . vem do inglês. devendo estar presentes de forma independente e cumulativa. op. em 1945. expressamente. é considerada como nova – mesmo que para seu mentor o seja – por já poder estar acessível ao público. “se o uso.. todavia. 16 e 17. Patent Cooperation Treaty.742/78. no Brasil ou no exterior70. lei 5. por qualquer meio. o Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes67 (PCT) e o Acordo TRIPs – Acordo Sobre os Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio68. pelo cpI de 1971.pROpRIEDaDE InTElEcTual Industrial65 66 (CUP). desde que venha a ser publicado. a simples divulgação75 teórica. substituído pelo Dec. 1. 65 Está em vigor a revisão de Estocolmo (1967) da cup. 254. ou da prioridade reivindicada. quando promulgado o Dec.-lei nº. Notemos. Agreement on Trade-Related Aspects of Intellectual Property Rights. Indústria e comércio Exterior. há de ser absoluta a novidade. 64 O Brasil é signatário da cup desde 1883. requisitos de patenteabilidade: novidade (e estado da técnica). nem toda invenção. Ou seja.507/34. que fixa regras de proteção às patentes de invenção. 7. após. com a entrada em vigor da lei 9..)” (destaques e anotações não se encontram no original) 63 as invenções foram protegidas pela lei de 1830. que. (. 46-47. atividade inventiva e aplicação industrial Para que uma patente seja concedida. ainda. É preciso a sigla pcT. atual lpI.279/96. esta. pp.279/96: “Art. data do surgimento da mesma. nº. e ainda não publicado. atividade inventiva e aplicação industrial. sem que se permita a exploração76 do invento. Mais tarde surgiu a lei de 1882.772/71. não for de molde a revelar a invenção.

a saber.. desde que mantenham o segredo. caso o uso na indústria ou a fabricação da invenção seja possível. cit. será patenteável. para um técnico no assunto. o termo “industrial” é utilizado para distinguir a invenção das criações intelectuais protegidas pelo direito autoral que não satisfazem necessidades práticas ou técnicas. 71 Por fim. (grifamos) Ressaltamos. portanto. 70 nas exceções do art. segundo o próprio acordo TRIps. op. disposta no artigo 15 da Lei 9. na matéria patenteável. 15 – A invenção e o modelo de utilidade são considerados suscetíveis de aplicação industrial quando possam ser utilizados ou produzidos em qualquer tipo de indústria. 12.279/96: “Art. que criam um período de graça de 12 meses para proteger o inventor. op. GaMa cERQuEIRa.79 O professor argentino Salvador D. não faz diferença em que parte ou país do mundo haja sido feita a divulgação. aplicação industrial pelo princípio da novidade absoluta. somente as informações divulgadas até a data do depósito do pedido de patente é que devem ser consideradas. se realizada dentro do período de 12 meses antecedentes ao depósito do pedido de patente: período de graça. I. Assim sendo. não decorra de maneira evidente ou óbvia do estado da técnica.. todavia. a invenção não se adequará aos requisitos da atividade inventiva – e. pode ser entendido como apenas “útil”.. 72 Salvo as exceções do art. forçoso que se busque o estado da técnica para se saber se a invenção reivindicada advém daquele. para um técnico no assunto. Entretanto. porque tal fato já implica no estado da técnica. cit. a condição de patenteabilidade referente à atividade inventiva deve ser analisada a partir dos conhecimentos de um técnico no assunto e não de uma pessoa qualquer.1: “(. conforme seu art.. entendida esta como a atividade que persegue por meio de uma atuação consciente dos homens. citando Bercovitz80. 27. mesmo nova. “(.” (grifamos) para a apreciação do estado da técnica. a presença de um efetivo avanço tecnológico. Bergel. tendo surgido. 184-185. ensina: “A Invenção – para ser considerada invenção industrial – deve pertencer ao campo da indústria. in verbis: “Art. o terceiro requisito de fundo de patenteabilidade de uma invenção é a aplicação industrial. p. em todos os setores tecnológicos. de produto ou processo. cf. Como Gama Cerqueira78 ensina. de forma evidente ou lógica. segundo Jacques laBRunIE. 175.” Op. 12 da lpI. que a divulgação capaz de elidir a novidade é apenas aquela feita para a pessoa capacitada para entender a invenção revelada. laBRunIE. 13 – A invenção é dotada de atividade inventiva77 sempre que. atividade inventiva O segundo requisito de patenteabilidade é o previsto no artigo 13 da LPI. vol. 314. 74 Portanto. os requisitos previstos no acordo TRIps. 77 FGV DIREITO RIO 86 . não será patenteável – caso seja evidente ou óbvia..). Jacques. tendo em vista a completa falta de critérios para uma suficiente apreciação. p. envolva um passo inventivo e seja passível de aplicação industrial”. estará preenchido o requisito da aplicação industrial. cit. também. a divulgação efetuada pelo próprio inventor ou o tendo como fonte direta ou indireta das informações. como consequência. que o termo “aplicação industrial”.. não é considerada estado da técnica. e a feita a colaboradores do inventor. desde que seja nova. 69 Desta forma. Ademais. ainda.pROpRIEDaDE InTElEcTual ressaltar. João da. em vista da necessidade de algo mais que a simples novidade. qualquer invenção. fazer útil as forças naturais para a satisfação das necessidades humanas” (nossa tradução livre) Tampouco se considera divulgação a comunicação feita a pessoas adstritas à obrigação de confidencialidade. 73 cf. 75 76 De modo a divulgar os meios que constituem a invenção ou como esta se realiza.) a partir das interpretações dos escritórios de patentes e dos tribunais competentes. O requisito da atividade inventiva não era previsto nas leis nacionais anteriores.. a maior dificuldade que se encontra é a própria definição da utilidade ou caráter industrial da invenção.” (destaques e anotações não se encontram no original) São esses. contratual ou profissional. pp. o que causa uma mudança vital no requisito de patenteabilidade e.

V – programas de computador em si84. BERcOVITZ. 10 – Não se considera invenção nem modelo de utilidade: I – descobertas. ou seja. art. “Los requisitos positivos de patenteabilidad en el derecho alemán”. ressalta que “. 52 da Epc (European Patent Convention). bem como métodos terapêuticos ou de diagnóstico. 80 cf. aqueles que podem ser obtidos por meio de intervenção humana direta na sua composição genética e que apresentam diferenças em relação aos da mesma espécie existentes na natureza. in Denis Borges Barbosa (org. vide paRanaGuÁ MOnIZ. 1996. p. elementos intrínsecos da invenção. in Revista da aBpI nº 06. IV – as obras literárias. princípios ou métodos comerciais83.. 446. É importante mencionar que as criações excluídas do conceito legal de invenção dão causa à nulidade das patentes de invenção – por decorrência do objeto da patente. VII – regras de jogo. que visa a proteger um aperfeiçoamento elaborado em matéria para a qual já se tem um pedido ou mesmo a patente concedida. Observemos que há margem para interpretações diversas quanto a esse requisito. 1969. in “Derecho de Patentes. certificado de adição (art. artísticas e científicas ou qualquer criação estética. planos. coord. financeiros. podem eles “servir de instrumentos para a solução de determinados problemas técnicos mas não chegam a constituir um procedimento porém. vol. 82 para uma análise profunda sobre patente de métodos de fazer negócio. a. ou ainda que dela isolados. p. 81 cf. Exclusões do conceito legal de invenção e de modelo de utilidade 78 79 Op. são passíveis de obtenção de patente os microorganismos transgênicos. KORS. GEnOVESI.279/96 dispõe o seguinte: “Art. inclusive o genoma ou germoplasma de qualquer ser vivo natural e os processos biológicos naturais. via de regra. VOn HaSE. 83 84 Os programas de computador recebem proteção própria.. VIII – técnicas e métodos operatórios ou cirúrgicos. 340. através da lei 9. 1ª ed. Salvador D. educativos. Seguindo a tendência de leis de outros países da América e da Convenção Européia de Patentes81. O artigo 10 da Lei 9. Ediciones ciudad argentina. O certificado de adição é acessório à patente e seu prazo finda quando findar o prazo da patente principal. detalhamentos de uma patente ou depósito e não constituem inovação suficiente que mereça novo depósito ou nova patente. carlos M. No caso dos métodos matemáticos. ao analisar a indefinibilidade de critérios referentes ao caráter industrial da invenção. mediante pagamento de retribuição específica. p. Não é necessário que o objeto do certificado de adição tenha atividade inventiva.609/98 (lei do Software) e da lei 9.. o legislador nacional estabeleceu o que os argentinos chamam de delimitación negativa. pedro de: “patenteabilidade de Métodos de Fazer negócio Implementados por Software”. arquitetônicas. II – concepções puramente abstratas82. 85 FGV DIREITO RIO 87 . 1993. ed. o que não se configura como invenção patenteável e modelo de utilidade protegível.. de sorteio e de fiscalização. VI – apresentação de informações.610/98 (lei de Direitos autorais). 76 LPI). Rio de Janeiro: lumen Juris. ou seja. correa e co-autoria com Jorge a. e IX – o todo ou parte de seres vivos naturais e materiais biológicos encontrados na natureza. apud BERGEl. cit. luis M. el nuevo regimen legal de las invenciones y los modelos de utilidad”. publicitários. o quantum desse benefício não necessita tampouco deve ser definido”. Buenos aires. “aspectos polêmicos da propriedade Intelectual”. Rodolfo pEll JR.). I. “O Caráter Industrial como Requisito de Privilegiabilidade da Invenção”. essa definição foi deixada a critério da legislação de cada país. desde que a matéria se inclua no mesmo conceito inventivo. São paulo. III – esquemas. para aplicação no corpo humano ou animal.85” (destaques e notas não se encontram no original) nas concepções puramente abstratas faltam a utilidade e a executoriedade. Madri.. andrés M. 2004. 23.. As modificações que se transformam em certificados de adição são. contábeis. como há dificuldade de se estabelecer critérios uniformes quanto à definição do caráter industrial da invenção. teorias científicas e métodos matemáticos. e alicia alVaREZ.pROpRIEDaDE InTElEcTual certificado de adição O depositante do pedido ou titular da patente de invenção pode requerer.

tais criações são definidas como não invenção89. p. n. microorganismos transgênicos são organismos. atividade inventiva e aplicação industrial – previstos no art. op cit.. cf. Bigler & Ipanema Moreira. “comentários à lei da propriedade Industrial e correlatos”. à ordem e à saúde públicas. II – as substâncias. dispositivos ou produtos com finalidade comercial. do Código Civil. 10) e o que não pode ser patenteado por expressa proibição legal (art. 44. 27. uma vez que “os respectivos aparelhos. Insistimos.. op. bem como a modificação de suas propriedades físico-químicas e os respectivos processos de obtenção ou modificação. uma característica normalmente não alcançável pela espécie em condições naturais. ed. matérias. todavia. op.279/96. que expressem. estabelece o quanto segue: “Art.. indiretamente. II e IV. exceto o todo ou parte de plantas ou de animais. 18. misturas. que para estes casos previstos no artigo 10 da LPI. mas. cit.87 No tocante a métodos comerciais. aos bons costumes e à segurança. Renovar. p.) de modo restritivo”. a LPI faz distinção entre matérias que não podem ser consideradas invenções e modelos de utilidade (art. 87 cf. finalidade técnica. cit. 18): “Art. § 1º Salvo prova em contrário. Todavia. mediante intervenção humana direta em sua composição genética. por razões de política legislativa. 9. nas condições estabelecidas nesta Lei. no mesmo sentido é a opinião de laBRunIE. et loc. Vedações ao patenteamento Como visto.pROpRIEDaDE InTElEcTual sucetível de execução e repetição” (tradução livre do autor)86. quando resultantes de transformação do núcleo atômico. Rio de Janeiro. DannEMann. e III – o todo ou parte dos seres vivos. Salvador D. pode ser objeto de patente um produto ou processo industrial executado segundo uma fórmula matemática. 89 FGV DIREITO RIO 88 . Bigler & Ipanema Moreira. 86 A Lei de Propriedade Industrial (LPI). 88 cf.. financeira e outras podem constituir matéria privilegiável”. op. muito se tem discutido e as opiniões não são uníssonas. BERGEl.. loc. por ter objeto ilícito e por infração expressa à Lei. pode até haver. Dannemann.. cERQuEIRa. elementos ou produtos de qualquer espécie. presume-se o requerente legitimado a obter a patente. cit.. 8º e que não sejam mera descoberta. contábeis e financeiros. Siemsem. Siemsem. Há entendimentos88 no sentido de que “a exclusão deve ser interpretada (. existindo criação intelectual. p. Não são patenteáveis: I – o que for contrário à moral. 2001. 339.” Quem pode requerer patente cf.. exceto os microorganismos transgênicos que atendam aos três requisitos de patenteabilidade – novidade. Para os fins desta Lei. Parágrafo único. cit. 6º Ao autor de invenção ou modelo de utilidade será assegurado o direito de obter a patente que lhe garanta a propriedade. Por infração dos artigos 46 e 10 da LPI e do artigo 166. qualquer patente eventualmente expedida e que tenha por objeto alguma criação do artigo 10 supra será considerada nula.

no que couber.pROpRIEDaDE InTElEcTual § 2º A patente poderá ser requerida em nome próprio. no que couber. 90 FGV DIREITO RIO 89 . presume-se que o requerente do pedido de patente esteja legitimado a obter a patente. além disso. A seguir apresentamos o disposto na Lei conforme as variações de relações e propriedades: a) prOpriedade exclusiva dO empregadOr Ocorre quando a invenção ou modelo de utilidade resulta da própria atividade contratada. 7º Se dois ou mais autores tiverem realizado a mesma invenção ou modelo de utilidade. § 3º Quando se tratar de invenção ou de modelo de utilidade realizado conjuntamente por duas ou mais pessoas. Parágrafo único.” Portanto. direta. a Lei também estende seus dispositivos. podendo requerer a não divulgação de sua nomeação. invenção e modelo de utilidade realizados por empregado ou prestador de serviço Essas são as chamadas90 “patentes de serviço”. independentemente das datas de invenção ou criação. mas sim quem foi o primeiro a depositar o pedido da patente. às relações entre o trabalhador autônomo ou o estagiário e a empresa contratante e entre empresas contratantes e contratadas. Rio de Janeiro: Renovar. Em outras palavras. “salvo expressa disposição contratual em contrário. a patente poderá ser requerida por todas ou qualquer delas. Art. de forma independente. não importa quem tenha sido o primeiro a inventar algo novo. A retirada de depósito anterior sem produção de qualquer efeito dará prioridade ao depósito imediatamente posterior. mediante nomeação e qualificação das demais. § 4º O inventor será nomeado e qualificado. estadual ou municipal. Além disso. p. A LPI estende tais disposições. E. do Direito norte-americano. A LPI em seus artigos 88 a 93 trata dos principais aspectos decorrentes de invenções e modelos de utilidade decorrentes de contrato de trabalho ou de prestação de serviços. 2005. Nesse caso está implícito que a invenção ou modelo de utilidade foi gestada com a utilização de meios e equipamentos do empregador. “comentários à lei de propriedade Industrial”. federal. 88) IDS – Instituto Dannemann Siemsen de Estudos de propriedade Intelectual. o direito de obter patente será assegurado àquele que provar o depósito mais antigo. ou seja. E também de acordo com nossa LPI. como se depreende da leitura do artigo 7º. às entidades da administração pública. a atividade inventiva ou de pesquisa é prevista ou decorrente da própria natureza dos serviços para os quais foi o empregado contratado (art. pelos herdeiros ou sucessores do autor. para ressalva dos respectivos direitos. (parágrafo 1º do art. pelo cessionário ou por aquele a quem a lei ou o contrato de trabalho ou de prestação de serviços determinar que pertença a titularidade. a não ser que se prove o contrário. 165. o Brasil adotou o princípio do “first fo file” (ou primeiro a depositar) em contrapartida ao “first to invent”. indireta e fundacional. 88). a retribuição pelo trabalho a que se refere este artigo limita-se ao salário ajustado”.

No entanto. dados.pROpRIEDaDE InTElEcTual Há ainda outra garantia. prOpriedade cOmum Há propriedade comum quando as invenções ou modelos de utilidade decorrem da contribuição pessoal do empregado e de recursos. dados. Em se tratando de entidades da Administração Pública. todos e cada um têm direitos qualitativamente iguais sobre a invenção e as mesmas limitações de direito. FGV DIREITO RIO 90 . São as denominadas “invenções livres”. 91). possibilitam ao inventor a participação nos ganhos resultantes da exploração da patente. conforme estipulado pela Lei. Para os demais casos é 91 “uma introdução à propriedade intelectual”. No caso dos alunos de instituição de pesquisa e congêneres. b) prOpriedade exclusiva dO empregadO Neste caso a invenção ou modelo de utilidade obrigatoriamente deve ser realizado desvinculado do contrato de trabalho ou prestação de serviços e. 88 da LPI). da LPI. Não há regulação expressa na LPI sobre a situação dos inventos produzidos na prática acadêmica das universidades e escolas técnicas. para o empregador: “salvo prova em contrário. instalações ou equipamentos do empregador (art. Em outras palavras. lumen Juris: Rio de Janeiro. portanto. sem utilização de recursos. consideram-se desenvolvidos na vigência do contrato a invenção ou o modelo de utilidade. As normas constantes da LPI não se aplicam. prevista na Lei. 2ª edição. o aluno adquire a propriedade de seus inventos. 416-7. Assim. meios. no contrato de ensino. meios. Esta modalidade é muito comum em universidades e centros de pesquisa. mesmo sem haver tutela específica do aluno inventor. Neste caso. federal. nas formas e condições previstas no estatuto ou regimento interno da entidade a que se refere. e seus parágrafos únicos. materiais. p. uma margem de segurança. e particularmente relevante é a subordinação hierárquica que existe sobre o aluno. pode a escola alterar o contrato de ensino dentro das regras gerais de Direito. 2003. direta. d) c) remuNeraçÃO dO empregadO que é cONtratadO para iNveNtar As disposições dos arts. nesse caso há um condomínio sobre uma invenção. portanto. salvo expressa disposição contratual em contrário (art. Um tema complexo nesta seara é a propriedade de patentes desenvolvidas por alunos bolsistas em geral. numa escola de nível médio. Para Denis Barbosa91.” (parágrafo 2º do art. há que se proteger sua atividade dentro dos princípios gerais do Direito. não parece caber indenização. São as chamadas “invenções de estabelecimento” ou “invenções mistas”. com corpo discente em sua maioria menor de idade. a premiação é assegurada. ainda. é a escola que presta serviços e o aluno quem os toma. os recursos utilizados pelos alunos são postos à disposição como parte do contrato de ensino e. não há por parte de cada co-proprietário o direito a uma “fatia” da patente. materiais. certas características aproximam o contrato de ensino e o de trabalho. instalações ou equipamentos do empregador. Ressaltamos que a invenção é indivisível e. cuja patente seja requerida pelo empregado até 1 (um) ano após a extinção do vínculo empregatício. uma vez que. para fazer com que lhe caiba a meação dos inventos. indireta e funcional. 90). 89 e 93. estadual ou municipal.

40. acessado em 08.inpi. assegure direito de prioridade nos prazos estabelecidos pelo acordo. 4º). da cup. 93 94 art. br/legislacao/outros/convencao_paris. 229-C da LPI. concessão e prazo de validade O art. O depositante ou titular de uma patente de invenção pode. nos termos do art. 40.04. a invenção cai em domínio público. sendo que o dia da apresentação não é contado. Seu parágrafo terceiro dirime eventuais dúvidas sobre o momento da concessão ao estabelecer que seu nascimento é marcado pela data de publicação do respectivo ato de concessão. 4º. Prioridade A Convenção da União de Paris para a Proteção da Propriedade Industrial (CUP)92. A Lei brasileira estabelece também que o prazo de vigência não será inferior a 10 (dez) anos para a patente de invenção e a 7 (sete) anos para modelo de utilidade. não 92 Veja <http://www. A LPI94 implementou o constante da CUP e permite que o pedido de patente depositado em país que mantenha acordo com o Brasil ou em organização internacional que produza depósito nacional. 16 da lei 9. no período de 12 (doze) meses93 contados da data do primeiro depósito.2007. Esse dispositivo se destina a impedir que atrasos advindos do próprio processo de análise do INPI prejudiquem os interesses dos titulares. da LPI). c. requerer certificado de adição para proteger aperfeiçoamento ou desenvolvimento introduzido no objeto da invenção. caput. ou seja. as patentes de invenção têm vigência de 20 (vinte) anos e as patentes de modelo de utilidade.pROpRIEDaDE InTElEcTual faculdade do empregador conceder participação nos ganhos econômicos resultantes da exploração da patente. Terminado o prazo de validade. impedindo invalidação ou qualquer outro prejuízo dentro deste período estabelecido. A concessão de patentes para produtos e processos químico-farmacêuticos depende da anuência de mais um órgão publico além do INPI: a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). não havendo possibilidade de renovação.htm?tr6>. ainda. como visto anteriormente. trouxe o que chamamos de prioridade unionista (art. por pendência judicial comprovada ou por motivo de força maior (parágrafo único do art. 38 da LPI estabelece que a patente será concedida depois de deferido o pedido. Quanto ao prazo de validade. datada de 1883. expedindo-se a respectiva carta-patente. FGV DIREITO RIO 91 . A prioridade unionista permite que a divulgação do invento. o nacional de uma nação membro que legalmente depositar um pedido de patente ou de modelo de utilidade no seu país terá o direito de prioridade de depositar o pedido de concessão dessa mesma patente ou modelo de utilidade em todas as demais nações participantes da CUP. a contar da data de concessão. ambos contados da data de depósito (art. ressalvada a hipótese do INPI estar impedido de proceder ao exame de mérito do pedido. de 15 (quinze) anos. (1). art. e comprovado o pagamento da retribuição correspondente. da LPI). já realizada em outro país em virtude de depósito anterior (ou mesmo patente já concedida).279/96.gov.

Por exemplo. um brasileiro que depositar uma patente ou modelo de utilidade no Brasil. 30 e ss. há um longo processo administrativo a ser percorrido (art. O pedido posterior deve se referir estritamente à mesma matéria depositada em outro país. Antes da efetiva concessão não há propriedade. o titular daquele pedido de patente possui 12 (doze) meses. contar-se-á o período de exploração indevida para efeito da indenização a partir da data de início da exploração. em 23 de dezembro de 2007. durante o prazo de 12 (doze) meses. contados 12 (doze) meses do depósito originário lá na Alemanha. anteriormente à publicação. que faz parte da CUP. como o Brasil. por exemplo. um indeferimento ou mesmo abandono do pedido.). mas apenas uma expectativa do direito. que pode lograr êxito ou não. Se em 1º de janeiro de 2007 uma patente hipotética para a invenção de uma “máquina do tempo”. busca assegurar direitos aos depositantes por exploração indevida do objeto. e seus §§1º e 3º. deposite a patente no Brasil dentro de 12 (doze) meses contados do depósito originário. O art. ou seja. sem que o requisito da novidade seja descumprido. se uma patente ou modelo de utilidade for depositado na Alemanha. o titular alemão do depósito originário terá direito de prioridade perante o depósito feito pela terceira pessoa aqui no Brasil. 44. Pode ocorrer. depositar uma patente para a mesma invenção de uma “máquina do tempo” aqui no Brasil. FGV DIREITO RIO 92 . caso o titular exerça seu direito de prioridade até o dia 31 de dezembro de 2007. Entre o depósito e a concessão da carta-patente. conhecimento do conteúdo do pedido depositado. foi depositada na Alemanha. se uma terceira pessoa. O início da produção da invenção nesse período é prática comum já que o procedimento administrativo no INPI tem durado. por qualquer meio. §1º Se o infrator obteve. em média. o depositante daquela patente ou modelo de utilidade terá direito de prioridade no depósito da mesma patente ou modelo de utilidade aqui no Brasil.pROpRIEDaDE InTElEcTual prejudique a novidade em pedido posterior. terá prioridade no depósito do pedido de concessão de tal patente ou modelo de utilidade nos demais países membros da CUP. como vemos a seguir: “Art. que é capaz de transportar seres vivos e objetos para o futuro e para o passado. o que significa dizer que o depositante espera ver seu direito assegurado mediante a concessão da carta-patente. para depositar a mesma patente em qualquer outro país que faça parte da CUP. 7 (sete) anos. Ou. por exemplo. inclusive em relação à exploração ocorrida entre a data da publicação do pedido e da concessão da patente. da LPI. mesmo antes da concessão da patente. Assim. a contar da data do depósito originário na Alemanha. Ao titular da patente é assegurado o direito de obter indenização pela exploração indevida de seu objeto. 44. ao contrário. que é a afirmação do Estado de que o pedido cumpriu todas as exigências e requisitos legais. direitos do titular de uma patente O depósito de pedido de patente constitui mera “expectativa de direito”. por exemplo.

43. que deve ocorrer no prazo de 18 (dezoito) meses contados do depósito. já é lícito ao titular do pedido licenciá-lo voluntariamente ou produzir a invenção. as reivindicações definem a abrangência dos direitos conferidos ao titular: o alcance da patente. 42 da LPI). mesmo antes da publicação do pedido da patente. no caso de patentes relacionadas com matéria viva. A proteção conferida pela patente será determinada pelo teor das reivindicações. de produzir. executada por profissional habilitado. Após concedida a patente. com possibilidade de obter indenização pela exploração indevida – caso haja concessão da patente ao fim do procedimento administrativo – retroativa à data da publicação do pedido da patente ou. 42. seu titular possui os seguintes direitos: impedir terceiros. II – aos atos praticados por terceiros não autorizados. desde que não acarretem prejuízo ao interesse econômico do titular da patente. relacionados a estudos ou pesquisas científicas ou tecnológicas. com finalidade experimental. nesta última situação caso tenha havido conhecimento do conteúdo depositado antes da publicação do pedido. inclusive com relação ao período anterior à concessão da patente. utilizem. utilizem. em caráter privado e sem finalidade comercial. V – a terceiros que.” Desse modo. Limitações aos direitos do titular de uma patente O art. sem o seu consentimento. 41. 43 da LPI traz algumas limitações ao direito exclusivo (e de exclusão) do art. conforme observamos a seguir: “Art. Em outras palavras. bem como ao medicamento assim preparado. III – à preparação de medicamento de acordo com prescrição médica para casos individuais. interpretado com base no relatório descritivo e nos desenhos (art. no caso de patentes relacionadas com matéria viva. está limitado ao conteúdo do seu objeto. o produto patenteado como fonte inicial de variação ou propagação para obter outros produtos. na forma do art. vender ou importar com estes propósitos: I – produto objeto de patente.pROpRIEDaDE InTElEcTual §3º O direito de obter indenização por exploração indevida. antes mesmo da publicação do pedido de patente. IV – a produto fabricado de acordo com patente de processo ou de produto que tiver sido colocado no mercado interno diretamente pelo titular da patente ou com seu consentimento. usar. 41 da LPI). sem finalidade econômica. ponham em circulação ou comercializem um produto patenteado que haja sido introduzido licitamente no comércio pelo detentor da patente ou por detentor FGV DIREITO RIO 93 . O disposto no artigo anterior não se aplica: I – aos atos praticados por terceiros não autorizados. II – processo ou produto obtido diretamente por processo patenteado (art. colocar à venda. e VI – a terceiros que. do início da exploração indevida.

É uma forma de exaustão de direitos. depois de o representante da Sony no Brasil ter revendido 6. o inciso VII nos trás a chamada “exceção bolar”. por hobby. tenha sido importado e colocado no mercado brasileiro por um representante oficial da Sony no Brasil.000 unidades dos vídeo games para a rede de hipermercados Baratão. dados e resultados de testes. a partir do momento em que um produto feito de acordo com patente de processo ou de produto é colocado no mercado interno. no fundo da garagem. o mencionado titular não tem direito de impedir a livre circulação do produto em questão. Ademais. É o caso de pessoas que. montam algo já patenteado.000 vídeo games legítimos Playstation. FGV DIREITO RIO 94 . Digamos que um lote de 10. para estudos e pesquisa.º 10. como por exemplo a reprodução em laboratório de um processo químico patenteado. o inciso VI. (Incluído pela Lei nº 10. puser em circulação ou comercializar produto patenteado introduzido licitamente no mercado pelo detentor da patente ou da licença. ou por terceiro com consentimento do titular. destinados exclusivamente à produção de informações. desde que o produto patenteado não seja utilizado para multiplicação ou propagação comercial da matéria viva em questão. como gênese para variação ou propagação para obter outros produtos. traz a questão da utilização de produto patenteado. que poderia eventualmente ficar com receio de ser réu em ação judicial referente à infração de patente. desde que feitos por profissional habilitado e para casos individuais. visando à obtenção do registro de comercialização.196/2001. conforme previsto no inciso IV acima. 95 Em virtude dessa lógica a doutrina de exaustão de direitos é também chamada de doutrina da primeira venda (first sale doctrine).196. desde que o produto patenteado não seja utilizado para multiplicação ou propagação comercial da matéria viva em causa. diretamente pelo titular da patente. após a expiração dos prazos estipulados no art. O inciso V. e desde que obedecidas as práticas leais de concorrência. para a exploração e comercialização do produto objeto da patente. contudo. Tanto a preparação como o medicamento. O inciso III elucida os casos de farmácias de manipulação. de acordo com o contrato assinado entre a matriz (Sony japonesa) e o representante no Brasil.95 Ou seja. com patentes de titularidade da Sony. introduzida pela Lei n. O inciso II traz a questão dos usos experimentais. O inciso IV acima refere-se ao que chamamos de “exaustão de direitos”. que trata de patentes relacionadas a matérias vivas. de 2001)” (grifos adicionados) O inciso I trata dos usos privados sem intuito de lucro. causar insegurança jurídica para quem pesquisa. que também trata de patentes relacionadas a matérias vivas. Mais tarde. relacionados à invenção protegida por patente. Por fim. sem fins econômicos. VII – aos atos praticados por terceiros não autorizados. exime de responsabilidade por infração a pessoa que utilizar. 40. não infringem patente preexistente. a titular das patentes do Playstation não poderá impedir essa revenda feita para a rede Baratão ou a posterior livre circulação dos vídeo games.pROpRIEDaDE InTElEcTual de licença. no Brasil ou em outro país. Esta exceção existe nitidamente para incentivar o avanço nas pesquisas sem. São lícitos os atos relacionados à invenção protegida por patente.

por exemplo. obrando como obraria uma pessoa honesta. antes da data de depósito ou de prioridade de pedido de patente. mas sim in concreto. 2005. apontar três deles: a) Os direitos do usuário anterior de boa-fé baseiam-se no mesmo princípio territorial das patentes.htm 96 IDS – Instituto Dannemann Siemsen de Estudos de propriedade Intelectual. com fulcro na literatura e na legislação.96 Os direitos dos usuários anteriores encontram também fatores limitantes. logo após a patente ter caído em domínio público. a boa-fé objetiva apresenta-se como uma exigência de lealdade. ou a parte dele que estiver relacionada com o invento. e REalE. 45.º. feitas por terceiros. segundo a boa-fé objetiva. podem ser feitos durante o prazo de validade da patente. Portanto. arquétipo social pelo qual impõe o poder-dever que cada pessoa ajuste a própria conduta a esse arquétipo. Rio de Janeiro: Renovar. um modelo objetivo de conduta. 111 97 FGV DIREITO RIO 95 . http:// www. para a exploração e comercialização do produto patenteado. o usuário deveria ter explorado o invento no Brasil.97 b) O usuário anterior poderá apenas vender ou arrendar seus direitos juntamente com seu negócio. O jurista Miguel Reale nos ajuda a compreender a previsão da LPI. Essa limitação significa que ele não poderá licenciar seus direitos para terceiros que desejem explorar o objeto da patente (art. Para REALE (2003). após a expiração dos respectivos prazos. em função de sua função social. Isto é.com.miguelreale. Assim. com fins à obtenção do registro de comercialização. Podese. usuário anterior de boa-fé O art. quer fora dele – seja examinada no conjunto concreto das circunstâncias de cada caso. no Brasil ou no exterior. explorava seu objeto no País.pROpRIEDaDE InTElEcTual destinados exclusivamente à produção de informações. não havendo possibilidade de extensão de direitos para o mesmo ato realizado no exterior e também reconhecido como de boa-fé. testes sobre toxidade. Esses apontamentos trazem a necessidade de compreender o usuário anterior de boa-fé como uma exceção justa à regra do direito negativo concedido pelas patentes. não só deixando de incidir sobre ele o direito à indenização do titular como também a manutenção do direito à exploração do invento. será assegurado o direito de continuar a exploração.. a boa-fé exige que a conduta individual ou coletiva – quer em Juízo. proba e leal. sem ônus. ou qualquer outro teste necessário para se obter registro perante o órgão sanitário. mesmo que a exploração e comercialização. p. § 1. A conduta. Isso agiliza a entrada de genéricos no mercado. da LPI). Comentários à Lei de Propriedade Industrial. Concebida desse modo. na forma e condição anteriores”. é assim entendida como noção sinônima de “honestidade pública”.br/artigos/boafe. REALE (2003) defende ainda que a boa-fé deve ser avaliada caso-a-caso. somente possam ocorrer após a patente ter caído em domínio público. Miguel. exigindo que o cumprimento da norma nas leis e nos contratos não seja feita in abstrato. Os terceiros que de boa-fé exploravam o objeto da patente antes mesmo do depósito foram amparados pela lei. 45 da LPI estabelece que “à pessoa de boa fé que. 2003. dados e resultados de testes. “a Boa-Fé no código civil”.

279/96. da lei 9. esse prazo não tiver sido suficiente para prevenir ou sanar o abuso ou desuso. contados do término do prazo acima mencionado. exame. com poderes para representá-la administrativa e judicialmente. A patente caduca quando. ainda traz outro motivo que dá ensejo a caducidade: “caducará a patente. (ii) pelo Instituto. parágrafo primeiro). a invenção pode ser livremente utilizada. da lei 9. pela falta de pagamento da retribuição anual. bem como em bancos de dados internacionais – uma vez que a novidade. não apenas no Brasil. salvo motivos justificáveis.279/96. de ofício ou a requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse. se. 100 101 FGV DIREITO RIO 96 . 81. Além disso. ressalvado o direito de terceiros. o titular será intimado por publicação para se manifestar no prazo de 60 (sessenta) dias.pROpRIEDaDE InTElEcTual c) Os direitos dos usuários anteriores de boa-fé não beneficiam aqueles que tenham tido conhecimento do objeto da patente através de sua divulgação no período de graça. processo administrativo de nulidade (Pan) Antes do depósito da patente é prudente realizar uma busca prévia no banco de dados do INPI. um dos requisitos de patenteabilidade. mas sim em qualquer parte do mundo – a fim de se constatar a existência ou não de pedido de patente idêntica ou substancialmente semelhante à pretendida para depósito.98 Caso seja requerida a caducidade de uma patente. publicação. Esse princípio estabelece que em caso de eventual O art. portanto. concessão. Segundo o parágrafo único do mesmo art. cabendo-lhe o ônus de provar a exploração da patente.99 A decisão é proferida em 60 (sessenta) dias. art. seu objeto cai em domínio público e. não pode haver nenhuma informação pública sobre o objeto do pedido. na data do requerimento da caducidade ou da instauração de ofício do respectivo processo. através de requisição por meio de formulário específico. decorridos 2 (dois) anos da concessão da primeira licença compulsória. 83.279/96. e caso a pessoa domiciliada no exterior não constitua e mantenha procurador devidamente qualificado e domiciliado no Brasil. 80. 78. ou seja.279/96. art. Perda dos direitos Segundo o art. 78 da LPI. fabricada e comercializada. pela caducidade. a patente extingue-se nas seguintes condições: i) ii) iii) iv) v) pela expiração do prazo de vigência. extinta a patente. não tiver sido iniciada a exploração do produto ou processo patenteado (art. pela renúncia. a busca prévia é importante porque o Brasil adota o princípio do first-to-file (primeiro a depositar). através de pesquisa no website do INPI. inclusive para receber citações.101 Procedimentos administrativos no inPi: busca prévia. ou (iii) pelo procurador do interessado no registro da marca. 82. depósito. A busca prévia pode ser efetuada (i) pelo próprio usuário ou interessado no registro. 80. da lei 9.” 98 99 art.100 sendo que os efeitos da caducidade são produzidos a partir da data do requerimento ou da publicação da instauração de ofício do processo. da lei 9. deve ser absoluta. oposição.

433).html Os bancos de patentes não são bases simples de consulta. Outro ponto é o elevado custo do acesso aos bancos de patentes e. A busca também pode ser feita através da Internet.ic. por fim. fornecido pelo INPI (modelos específicos para pedido de patente ou de certificado de adição). um olhar treinado facilita a obtenção de resultados satisfatórios.. entretanto recomenda-se que se realize primeiro uma busca de anterioridade que pode ser uma Busca Individual (realizada pelo interessado no Banco de Patentes do INPI) ou uma Busca Isolada (solicitada pelo interessado e realizada pelo corpo técnico do CEDIN – Centro de Documentação e Informação do INPI). 2001. Isso se dá porque os títulos das invenções podem não exprimir exatamente o objeto da invenção.derwent. e.com/ Derwent: http://www. a natureza do invento” (BARBOSA. p.gov. O INPI publica semanalmente a Revista da Propriedade Industrial (RPI). FGV DIREITO RIO 97 .uspto. patentes dependentes etc. são 3 (três) vias do formulário Pedido de Privilégio.ca/intro-e. Nela.com/ http://www.gov/ EUROPA: http://ep. brevissimamente. Apesar da existência de sistemas classificatórios de patentes. A partir da publicação dos despachos na RPI se inicia a contagem dos prazos para atuação da parte interessada. Dentre os diversos bancos existentes podemos citar: i) ii) iii) iv) v) vi) INPI: http://www. O título da patente deve ser uma breve ementa que tem “por propósito facilitar o conhecimento da área técnica em que o pedido se situa.br/pesq_patentes/patentes. em bancos de dados de patentes nacionais e internacionais. que é o meio de comunicação oficial entre o Instituto e as partes interessadas.inpi. Exemplo: composição farmacêutica sólida compreendendo nanopartículas aglomeradas e processo de produção da mesma (título do depósito).delphion.htm EUA: http://www. A busca prévia não é obrigatória.com/ Canadian Intelectual Property Office: http://patents1. 19 da LPI. a expertise necessária para utilizar o banco. cada um com seu significado específico. Patentes por vezes possuem famílias.espacenet. podendo ser um nome generalista acerca de sua utilização. prevalecerá o primeiro depósito e não a comprovação de quem inventou primeiro.pROpRIEDaDE InTElEcTual conflito entre inventores diversos. os pedidos de patente devem conter: i – requerimeNtO Em regra. mas que dificulta sua individualização.gc. sobre o mesmo objeto de pedido. Conforme o art. Os despachos do INPI são identificados através de códigos numéricos. compostas de patentes de divisão. são publicados todos os atos e decisões do INPI no que tange aos processos de patentes.

tais como: documento de cessão. definir o escopo da proteção. a chamada insuficiência descritiva pode ensejar nulidade da patente.3). 103 Outros documentos podem vir a ser necessários. todos os documentos arrolados no depósito passam por um exame preliminar em que se verifica a forma. São eles: a) b) c) d) Pessoas físicas. além dos números indicativos de todos os seus elementos.2). Ao serem apresentados ao INPI. Alguns pagamentos podem ser reduzidos (descontados) conforme a natureza do serviço prestado pelo INPI a alguns atores específicos.102 Juntamente com as reivindicações e. 29 do Acordo TRIPs.1. Instituições de ensino e pesquisa..2 e Biotecnologia: item 16.2.103 Com base na descrição anterior.1. iii – reiviNdicações É parte fundamental do pedido de patente pois define a matéria para a qual a proteção é solicitada. 127/97 (patente de invenção: item 15. constitui a “essência” do pedido de patente.3). Ver ato normativo InpI n0. O relatório deve permitir que um técnico no assunto seja capaz de replicar a invenção e indicar a melhor forma de executar o invento. Não podem conter textos descritivos. Sociedades ou Associações com intuito não econômico. o examinador de patentes fará a interpretação das reivindicações. 105 FGV DIREITO RIO 98 .5). no caso de modelo de utilidade. estabelecendo os direitos do inventor/criador. procuração e documento hábil do país de origem etc. 102 Ver ato normativo InpI n0. São elas que delimitarão a extensão da proteção futuramente concedida pela carta patente. 127/97 (patente de invenção: item 15.1.1. 127/97 (patente de invenção: item 15. Apesar de não ser considerado um quarto requisito de patenteabilidade. iv – deseNhOs (se NecessáriOs) Os desenhos não são obrigatórios para as invenções.105 Indica ainda o campo técnico ao qual pertence a invenção e deve possibilitar a visibilidade do avanço técnico proposto pela invenção.4. é o chamado “exame Ver ato normativo InpI n0.2.pROpRIEDaDE InTElEcTual ii – relatóriO descritivO Consiste em descrição detalhada da matéria para a qual se requer a proteção.1.104 V – Resumo O Resumo é um sumário da descrição técnica e das reivindicações que permite uma breve avaliação da matéria coberta pelo mesmo. destinam-se a facilitar ou permitir a melhor compreensão do objeto do pedido exposto no relatório descritivo. Modelo de utilidade: item 15. Quando constantes dos documentos. 104 Ver ato normativo InpI n0. e Órgãos públicos. podendo. 127/97 (patente de invenção: item 15. se houver desenhos (como veremos a seguir).1. Os valores correspondentes podem ser visualizados no site do próprio INPI.5. Vale ressaltar que essa regra está em consonância com o art. VI – Comprovante do pagamento da retribuição relativa ao depósito A guia de recolhimento é fornecida pelo INPI. Modelo de utilidade: item 15.

4. já que anteriormente o prazo para requerimento do exame começava a contar a partir da publicação do pedido. Atualmente as informações também estão disponíveis no site do INPI na Internet. poderá ser entregue. ocorre a publicação do pedido da patente. 109 http://www. sob pena de devolução e arquivamento da documentação. pois o depositante pode optar por antecipar a publicação de seu pedido (art. Nesse caso. o INPI emitiu uma resolução em 17. será publicado. exceto no caso de patente de interesse da defesa nacional108.4 dessa unidade. Ver defesa nacional art. mas contiver “dados referentes ao objeto”. após o que. o chamado requerimento de exame técnico. Se os documentos estiverem de acordo com o estabelecido pelo INPI. o procedimento será definitivamente arquivado sem possibilidade de recurso. 75. A partir da publicação tem início o prazo para requerimento do exame técnico do pedido. lpI e item 2. ou seja. Se o pedido não atender formalmente as exigências. Em seguida ao exame formal.2. Os dezoito meses começam a ser contados a partir da data do depósito ou da prioridade mais antiga. o mesmo deve ser examinado tecnicamente. Vale lembrar que a partir da publicação dos pedidos. há uma exceção facultada ao depositante: é o chamado “período de sigilo”. br/faq/patentes/patentes.109 Após publicado o pedido da patente. ou seja. No tocante à publicação. que é um direito do requerente da patente.06 (Resolução 132/06) para disciplinar o exame prioritário de pedidos de patente. Para que o pedido de patente seja examinado. o conteúdo integral dos mesmos fica à disposição do público interessado. O período de sigilo permite que o depositante processe outros pedidos em países que não prevêem prazo de prioridade. § 1º). quando houver. possibilitando sua ampla exploração por quaisquer interessados. uma faculdade. que pode manter em sigilo seu depósito por 18 (dezoito) meses.106 Tem início também a fase onde terceiros interessados107 podem participar do procedimento administrativo no INPI. o objeto do pedido cai em domínio público. o pedido receberá um recibo datado e poderá ser complementado no prazo de até 30 (trinta) dias. pois o depositante poderá solicitar seu desarquivamento dentro de 60 (sessenta) dias contados do arquivamento. avaliado por um examinador de patentes quanto ao cumprimento dos requisitos de patenteabilidade. O prazo para este requerimento tem início no depósito110 e segue por até 36 (trinta e seis) meses e poderá ser proposto pelo depositante ou ainda por qualquer interessado.gov. Estipula esta resolução: I – Quem pode requerer exame prioritário de pedidos de patente: 106 107 108 Ver item 3. considerada a data de apresentação e a data do depósito. Ainda quanto ao exame técnico. uma vez que os valores de indenizações são calculados a partir da data de publicação do pedido.11. ao depositante e ao inventor. o próprio INPI afirma que esse expediente mostra-se válido para o depositante que esteja sofrendo contrafação. por isso sua importância. O não requerimento enseja o arquivamento simples do depósito do pedido. o pedido é protocolizado. mediante pagamento de uma retribuição específica. Ver item 3. é necessário apresentar uma solicitação. Em relação à utilidade da publicação antecipada. Esse instituto constitui um direito.pROpRIEDaDE InTElEcTual formal” – não técnico. 110 FGV DIREITO RIO 99 . O arquivamento é considerado simples. 30. Após tal prazo. A publicação se dá na Revista de Propriedade Industrial (RPI) do INPI. htm?tr2#m25 Essa é uma importante alteração em relação ao código de propriedade Industrial de 1971.inpi.

º 3. pelos interessados. liberados sob a forma de subvenção econômica. estabelece que.201. da Constituição Federal de 1988. O instituto do subsídio ao exame não era formatado dessa forma na legislação de propriedade industrial anterior. será facultada a apresentação. 111 É o caso das licenças compulsórias e suas causas. o final do exame só ocorre na data da publicação do mesmo em órgão oficial (site ou Revista do INPI) e não na data do parecer conclusivo ou no trigésimo dia anterior à publicação. apresentassem uma oposição. a seguir. o procedimento de exame de patentes está vinculado às regras do devido processo legal. a possibilidade de interessados apresentarem informações para subsidiar o exame de pedido de patentes. em seu artigo 226. deve-se considerar como final de exame a data do parecer conclusivo técnico quanto à patenteabilidade. 2º do Decreto n. ou quando a concessão da patente seja condição para a obtenção de recursos financeiros de agências de fomento ou instituições de crédito oficiais nacionais. comprovadamente. Este é um tema polêmico. Como qualquer processo administrativo. por sua vez. correrá prazo de 90 (noventa) dias para apresentação de eventuais oposições. indeferimento ou arquivo definitivo. previsto no artigo 5º. LIV.” O Ato Normativo n. dando-se publicidade da decisão. em seu artigo 31. a LPI prevê. para efeitos do artigo 31 da LPI. Sendo assim. financiamento ou participação societária. quando o objeto do pedido de patente esteja sendo reproduzido por terceiros sem a sua autorização. no caso dos pedidos de patente cujo objeto esteja abrangido pelo ato do Poder Executivo Federal que declarar emergência nacional ou interesse público. comprovadamente: tiver idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos. 19 – publicado o pedido de exame.pROpRIEDaDE InTElEcTual a) o próprio depositante quando. ou originários de fundos mútuos de investimento.111 O requerimento de exame prioritário de pedido de patente deverá ser formulado por meio de petição. estabelece que os atos do INPI nos processos administrativos referentes à propriedade industrial só produzem efeitos a partir de sua publicação. art. Publicado o pedido de patente e até o final do exame. O Código de 1971 previa a possibilidade de interferência de terceiros através de uma etapa formal chamada oposição. dando-se ciência ao depositante. 112 FGV DIREITO RIO 100 . que impõe pleno direito de defesa. Os requerimentos serão analisados por uma comissão de servidores do INPI e decididos pelo Diretor de Patentes. dentro dos 90 (noventa) dias a contar da publicação do exame.112 Por ela era possível que terceiros. Há previsão ainda de exames priorizados de ofício. Essa ocorrência era publicada para ciência do depositante e. 31. tendo em vista que a mesma Lei. estejam sendo acusados pelo depositante de reproduzir o objeto do pedido de patente sem a sua autorização. ou o trigésimo dia que antecede a publicação de deferimento. b) terceiros que. nos seguintes termos: “Art. para a exploração do respectivo produto ou processo. de 6 de outubro de 1999. em tese. conforme modelo do INPI e não há cobrança de retribuição. Ainda no tocante ao exame técnico do pedido de patente. nas hipóteses descritas nos §§ 1º e 2º do art. o INPI aguardava um prazo não inferior a 90 (noventa) dias para manifestação do depositante.º 127/97 do INPI. de documentos e informações para subsidiarem o exame.

pROpRIEDaDE InTElEcTual

Pelas regras atuais, o depositante não será notificado na RPI a respeito da apresentação de subsídios por terceiros e, apenas através de parecer emitido pelo examinador, tomará conhecimento sobre as informações apresentadas, sendo que o parecer já conterá a opinião do examinador sobre a pertinência dos documentos e argumentos ou não. Outra questão relevante a se levantar sobre a atual formatação da manifestação de terceiros é a liberdade que os examinadores agora possuem de não considerar os subsídios apresentados, caso esses lhe cheguem após a conclusão do seu parecer final. Pode ocorrer que a petição de subsídios seja apresentada, porém não gerará os efeitos desejados pelo requerente se o examinador já tiver concluído o exame. Com a inexistência de um prazo específico para a oposição, especialistas113 no tema recomendam que, mesmo de forma incerta, os interessados em apresentar subsídios ao exame o façam no período de 60 (sessenta) dias a contar da publicação do pedido, uma vez que o exame, se requerido, não ocorrerá antes desse prazo.114 Após o exame técnico, ou o pedido é deferido, ou é indeferido, ou é arquivado, neste último caso se tiver exigência técnica não cumprida. Conforme mencionado anteriormente, o art. 38 da LPI estabelece que a patente será concedida depois de deferido o pedido, e comprovado o pagamento da retribuição correspondente, expedindo-se a respectiva carta-patente. A concessão é marcada pela data de publicação do respectivo ato. Supondo-se que o pedido seja deferido e a invenção patenteada, terceiros interessados têm a faculdade de ingressar com processo administrativo de nulidade (PAN), requerendo que seja declarada nula a patente recém concedida. O PAN, que tem fundamento no artigo 50 e seguintes da LPI, pode ser instaurado por qualquer pessoa com legítimo interesse, inclusive ex officio pelo INPI, ou seja, por iniciativa própria do INPI, sem haver necessidade que alguém o provoque, a fim de rever seu ato concessório. O prazo para interposição do PAN é de 6 (seis) meses a contar da concessão da patente, sendo certo que o titular da patente objeto do PAN pode apresentar contestação em até 60 dias a contar da publicação do PAN na RPI. Havendo ou não manifestação, decorrido o prazo mencionado acima, o INPI deve emitir parecer, intimando o titular e o requerente para se manifestarem no prazo comum de 60 (sessenta) dias (art. 53 da LPI). Superada esta fase, o PAN é examinado e decidido pelo Presidente do INPI, encerrando-se a instância administrativa. A decisão final pode determinar a manutenção da patente ou declarar sua nulidade. Dessa forma, a instauração do PAN é o último remédio na esfera administrativa antes de se acionar o Poder Judiciário. A decisão do PAN tem efeitos retroativos, alcançando todos os atos que desencadearam a concessão do título, inclusive quanto ao dever de indenizar terceiros prejudicados pelo exercício de um direito considerado ilegítimo.

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IDS – Instituto Dannemann Siemsen de Estudos de propriedade Intelectual. comentários à lei de propriedade Industrial. Rio de Janeiro: Renovar, 2005 p. 65. art. 31 – parágrafo único – O exame não será iniciado antes de decorridos 60 (sessenta) dias da publicação do pedido.
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Procedimentos judiciais

Encerrada a via administrativa, pode-se recorrer ao Poder Judiciário para se obter a nulidade de uma patente. De acordo com o art. 56 da LPI, a ação para declarar a nulidade de patente não prescreve. Pode ser requerida a qualquer tempo durante a vigência da patente. Ademais, a ação de nulidade de patente pode ser argüida, a qualquer tempo, como matéria de defesa. Ou seja, caso uma pessoa esteja sendo notificada extrajudicialmente ou processada judicialmente por infração à determinada patente, essa mesma pessoa pode entrar com ação judicial ou recorrer – caso já esteja sendo processada – alegando que a patente supostamente infringida é nula. O prazo para defesa do titular da patente é de 60 (sessenta) dias. Ademais, a ação de nulidade, segundo o art. 57 da LPI, deve ser obrigatoriamente ajuizada no foro da Justiça Federal e o INPI, quando não for autor da ação, deve necessariamente intervir no feito, além de, após transitada em julgado a decisão da ação de nulidade, o INPI ficar obrigado a publicar uma anotação no processo da patente em questão, para ciência de terceiros.115 Tal ação de nulidade pode ser proposta pelo INPI ou por qualquer pessoa com legítimo interesse, sendo certo que o juiz pode, nos autos da ação de nulidade, determinar preventiva ou incidentalmente, a suspensão dos efeitos da patente, atendidos os requisitos processuais próprios.116 Quanto a crimes contra patentes, os mesmos estão dispostos na LPI dos arts. 183 a 186. A Lei traz previsão exaustiva de atos considerados infrações criminais (tipos) e civis. Há variação entre previsão de penas para atos de exploração direta da patente e cominações mais brandas para explorações indiretas do objeto patenteado. O sujeito ativo, ou seja, aquele que comete o crime, pode ser qualquer pessoa física ou jurídica, além de serem admitidas co-autorias e a participação. O inventor, ou depositante ou titular cedentes, que cederam integralmente a invenção, cometem crime em detrimento do novo titular, se realizarem um dos tipos penais. O sujeito passivo sempre é o titular da patente. Para os crimes contra patentes de invenção e modelos de utilidade temos, via de regra, ações penais de iniciativa privada117, ou seja, são ações onde o Estado legitima o ofendido a agir em seu nome, ingressando com ação penal e pleiteando a condenação do sujeito ativo. Essas são hipóteses excepcionais nas quais se verifica nítido predomínio do interesse particular sobre o coletivo, como é o caso da proteção ao privilégio concedido por uma carta-patente. A exceção a essa regra ocorre quando as infrações são praticadas em prejuízo de entidade de direito público.118 De acordo com o art. 183 da LPI, comete crime contra patente de invenção ou de modelo de utilidade quem: a) fabrica produto que seja objeto de patente de invenção ou de modelo de utilidade, sem autorização do titular; ou b) usa meio ou processo que seja objeto de patente de invenção, sem autorização do titular. Essas são modalidades diretas de exploração de patentes. Para esses atos as penas estipuladas são de detenção de três meses a um ano ou multa.

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parágrafo segundo do art. 57, da lei 9.279/96. parágrafo segundo do art. 56, da lei 9.279/96.
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117 Segundo Mirabete (2005, p. 129), embora o jus puniendi pertença exclusivamente ao Estado, este transfere ao particular o direito de acusar (jus accusationis) em algumas hipóteses. O direito de punir continua sendo do Estado, mas ao particular cabe o direito de agir. MIRaBETE, Júlio Fabbrini. processo penal – 17. São paulo: Ed. atlas, 2005.

aRRuDa, Viviane. propriedade industrial – contagem do prazo para a interposição da queixa-crime http://conjur.estadao.com.br/static/ text/52512,1
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Ademais, também comete crime contra patente de invenção ou de modelo de utilidade quem: a) exporta, vende, expõe ou oferece para venda, tem em estoque, oculta ou recebe, para utilização com fins econômicos, produto fabricado com violação de patente de invenção ou de modelo de utilidade, ou obtido por meio ou processo patenteado; ou b) importa produto que seja objeto de patente de invenção ou de modelo de utilidade ou obtido por meio ou processo patenteado no país, para os fins previstos no inciso anterior e que não tenha sido colocado no mercado externo diretamente pelo titular da patente ou com seu consentimento. Para essas modalidades indiretas as penas são de detenção de um a três meses ou multa (art. 184, da LPI). Outro crime previsto na LPI consiste em fornecer componente de um produto patenteado ou material ou equipamento para realizar um processo patenteado, desde que a aplicação final do componente, material ou equipamento induza, necessariamente, à exploração do objeto da patente. A pena prevista é detenção de um a três meses ou multa (art. 185). Este artigo confere ao titular o direito de reprimir atos de terceiros em relação a componentes ou partes cuja aplicação final resulte no uso da patente. Exemplo: a empresa Atlântida Lifts Ltda. possui uma patente de um “elevador e método de travar o carro do elevador”. Esse elevador é dotado de uma roldana de tração que movimenta o carro por meio dos cabos de içamento e de um aparelho de segurança montado em conjunto com o carro de elevador e encaixado em um trilho-guia. Esse aparelho de segurança foi projetado exclusivamente para o elevador e compõe a patente da Atlântida Lifts, porém não é o seu objeto reivindicado exclusivamente. A empresa Ascensores Romão Ltda. fabrica e vende o aparelho de segurança sem a permissão da Atlântida Lifts. Quanto a danos causados a patentes, independentemente da ação criminal, o prejudicado poderá intentar as ações cíveis que considerar cabíveis na forma do Código de Processo Civil.119 Conforme redação do art. 208 da LPI, a “indenização será determinada pelos benefícios que o prejudicado teria auferido se a violação não tivesse ocorrido.” E “fica ressalvado ao prejudicado o direito de haver perdas e danos em ressarcimento de prejuízos causados por atos de violação de direitos de propriedade industrial e atos de concorrência desleal não previstos ...” na LPI “... tendentes a prejudicar a reputação ou os negócios alheios, a criar confusão entre estabelecimentos comerciais, industriais ou prestadores de serviço, ou entre os produtos e serviços postos no comércio.”120 Ainda, no tocante a lucros cessantes, nossa LPI cria critérios121 para cálculo referente à violação de patente. Dentre os três critérios a seguir, o mais favorável ao prejudicado é o que deve prevalecer:
“I – os benefícios que o prejudicado teria auferido se a violação não tivesse ocorrido; ou II – os benefícios que foram auferidos pelo autor da violação do direito; ou III – a remuneração que o autor da violação teria pago ao titular do direito violado pela concessão de uma licença que lhe permitisse legalmente explorar o bem.”

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art. 207, da lei 9.279/96. art. 209, da lei 9.279/96. art. 210, da lei 9.279/96.

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Por último, o Código Civil estabeleceu em seu art. 205 que a prescrição para a ação de reparação de danos ocorre em 10 (dez) anos, quando a lei não lhe haja fixado prazo menor. E é justamente o que a LPI fez: conforme seu art. 225, a ação para reparação de dano causado a patente prescreve em 05 (cinco) anos.

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processo administrativo de nulidade (PAN) – procedimentos judiciais LEitura oBrigatória MORO. 2003. 340-53.Comitê Gestor da Internet Brasil http://www.br . Pedro Paranaguá EmEntário dE tEmaS Breve histórico do surgimento das marcas – função das marcas – tipos e formas de marcas – requisitos – quem pode requerer registro – aquisição dos direitos e prazo de validade – prioridade – vedações ao registro – princípios da especialidade e da territorialidade – exceções aos princípios da especialidade e da territorialidade: marcas de alto renome e marcas notoriamente conhecidas – diluição e perda do valor distintivo – direitos do titular de uma marca – limitações aos direitos do titular de uma marca – perda dos direitos – procedimentos administrativos no INPI: busca prévia.harvard.edu – Universidade de Harvard FGV DIREITO RIO 105 . depósito.pROpRIEDaDE InTElEcTual marcas Prof.Site da UNESCO – Internet Rights Fórum http://cyber. CERQUEIRA.foruminternet.br/cts/index.html http://www. Lumen Juris: Rio de Janeiro.Free Software Foundation http://www.RITS (Rede de Informações do Terceiro Setor) http://www. 364-74. Revista Forense: Rio de Janeiro.Site oficial da Cúpula da Sociedade da Informação http://www.org .797-912 e 926-48. LEituraS comPLEmEntarES BARBOSA. exame.gov. Tratado da Propriedade Industrial. 376-89 e 403-22. WEBSitES http://www.I.br . registro. Uma introdução à propriedade intelectual. parte I.org http://www.cg.fsf.org .br/softwarelivre/artigos/artigo_02 http://www.gov. vol.softwarelivre. Maitê Cecília Fabri. 2003. Direito de Marcas. 1946.wsis..fgv.rits.org. pp.org. oposição. Denis Borges.Ministério da Ciência e Tecnologia http://www.wikipedia.org . 2ª ed.direitorio.mct. pp.br .law. João da Gama. Revista dos Tribunais: São Paulo.

04. assim. bastando confrontar o produto elevada no contexto empresarial. Correntemente. origem de um produto ou qualidades como as qualidades adquiridas durante sua existência. e.shell. bemadquiridas durante sua existência. permitindo que qualquer possuidor de um proCom o passar do tempo.e. uma marca representa o núcleo de um negócio. semelhantes ou idênticos. Enquanto os primeiros empregavam suas identidades e sinais nas partes internas dos sinos. com o intuito de identificar uma determinada dinastia ou império. de e distinguir. de forma única. Com o passar do tempo. de oriserviços de outros afins. de origem diversa. acessado em 03. cia. romanas e chinesas demonstram que sinais específicos eram apostos em uma diversidade de produtos.identificassegalgaram posições e adquiriram importância com a luz. evitando. as marcas galgaram posições e adquiriram importância elevada tipo de propriedade industrial. rotEiro dE auLa Breve histórico do surgimento das marcas As heranças gregas. html>. ao avaliarmos as antigas corporações de ofício (i. simbolizando a origem de Correntemente. <http://www. Entender o processo de formação. agregando valor e distinção em relação a outros produtos e serviços semelhantes. se valoriza o conhecimento aplicado. proteção e utilização de uma marca é conscientizar-se do Entender o processo de formação. modelos primitivos dos nossos atuais sindicatos de classe). identificar forma única. semelhantes ou idênticos. 1 FGV DIREITO RIO 106 Função das marcas . simbolizando a um produto ou serviço. porcelanas típicas da chinesa dinastia Ming. atualmente.com/ home/Framework?siteId=a boutshell-en&Fc2=&Fc3=/ aboutshell-en/html/iwgen/ who_we_are/our_history/ history_of_pecten/history_ of_the_pecten_23112006. gem diversa. nota-se que os produtos e serviços fornecidos por associados de tais grupos eram identificados. o que os garantiriam exclusividade. bem como asserviço. atualmente. os segundos criaram as marcas d’água. proteção e utilização de uma marca é conscontexto negocial contemporâneo no qual reina a ampla concorrência. duto de papel as marcas o fabricante. Na Idade Média. da fusão entre Royal Dutch Petroleum Company e “Shell” Transport and Trading. que a ação do tempo os apagassem.pROpRIEDaDE InTElEcTual 1. Exemplo da evolução da marca Shell cem anos:1 Exemplo da evolução da marca Shell nos últimos nos últimos cem anos:1 a empresa Shell surgiu em 1907. uma marca representa o núcleo de um negócio. determinados usados para assinalar. identificar e distinguir. produtos edeterminados produtos e serviços de outros afins. Os fabricantes de sinos pontífices e os industriais do papel geraram bons exemplos de como a identidade de um produto é importante para o sucesso de um empreendimento. inexiste fronteiras cientizar-se do contexto negocial contemporâneo no qual reina a ampla concorrêncorporativas einexiste fronteiras corporativas e se valoriza o conhecimento aplicado.. as marcas constidistintivostuem sinais distintivos usados para assinalar.2007. porém. cf. as marcas constituem sinais Constituindo um no contexto empresarial. de origem diversa.g.. Constituindo um tipo de propriedade industrial.

2 3 cf.4. o que a tendência indica é que as marcas.estado. a lealdade dos colaboradores e o interesse dos investidores. a Pepsi. Ou seja.279/96.14 bilhões. 123.com. ainda que distintivo. mas também e especialmente pelo valor dos seus bens imateriais. distinguindo-os de outros semelhantes ou idênticos. demonstrando que num mercado altamente competitivo como o atual. capital). imóveis. necessariamente. No Brasil. mas de origem diversa.04.xml>. tipos e formas de marcas Conforme disposição do art. O valor é praticamente o dobro de sua maior concorrente. inicialmente desenvolvidas com a função de dar uma identidade a produtos e serviços. as marcas são a essência dos negócios. identificar e distinguir. sons e cores não são registráveis como marcas em nosso país – ao contrário do que tem ocorrido em outros países. Lei da Propriedade Industrial – LPI há três tipos de marcas: art. Em síntese.. a Microsoft. mais do que apenas sinais distintivos.2007. como os europeus. II e III. olfatos.93. as marcas são “sinais distintivos visualmente perceptíveis”2. <http://txt. Estudo3 conduzido pela britânica Brand Finances e divulgado no início de 2007 revelou que a marca Coca-Cola foi avaliada em US$ 43. incisos I.pROpRIEDaDE InTElEcTual Função das marcas Conforme mencionado. avaliada em US$ 23. maquinário. 122. enquanto sua marca completaria os impressionantes 85% faltantes. por exemplo. Portanto. determinados produtos e serviços de outros afins. de forma única. Hoje em dia. da lei 9. estoques. se não for perceptível aos olhos humanos. FGV DIREITO RIO 107 . da Lei 9. cada vez mais têm o poder de influenciar a demanda do consumidor. ficando US$ 6 bilhões à frente da segunda colocada.34.g. no sucesso de uma empresa.279/96 (lei da propriedade Industrial – lpI). A pesquisa revelou que 15% do valor da Nike é constituído por seus bens tangíveis (e. o estudo confirmou a tendência mercadológica de avaliar a empresa não só pelos seus elementos materiais. qualquer outro sinal. apresentar bons produtos e prestar bons serviços não implica. notadamente suas marcas. br/editorias/2007/02/03/eco1. não é passível de proteção marcária no Brasil. as marcas constituem sinais distintivos usados para assinalar. de origem diversa. acessado em 03. semelhantes ou idênticos.20070203.1. Mais do que dados interessantes.9 bilhões. os canais de vendas e distribuição.

organização e apresentação de seminários.141 III. educação e cultura. de treinamento prático) simpósios. atestar a conformidade de um produto ou II. revistas (cursos. 823. livretos.649. trabalho (cursos de formação. cursos de treinamento prático) om determinadas normas ou especificações técnicas. organização de (livros. Exemplo de marca de certificação: pedido de registro n.053produto registro n. publicações de livros. 826. workshops). creme chantilly. material utilizado e metodologia empregada. Marca de certificação: Exemplo de marca de certificação: com determinadas normas ou especificações técnicas. conferências. organização e publicações impressas) exibições para fins culturais e educativos. revistas (cursos.483. de origem diversa.088 de serviço Exemplo de marca de produto e marca NCL(7): 41 de serviço: NCL(7): 16 (livros. creme batido. de uma ABIC NCL(8) 42: serviços de controle de qualidade do café Titular: Associação Brasileira da Indústria de Café –produtos ou serviços provenientes de III. registro n.483. workshops). iogurte. margarina.141 Titular: Associação Brasileira da Indústria de Café –determinada entidade. Marca coletiva: usada para identificar ABIC membros de uma determinada entidade. organização e apresentação de oficinas de organização e apresentação de oficinas de trabalho (cursos de formação. atureza. creme chantilly. de treinamento prático) marca de produto marca de serviço organização e apresentação de seminários.xemplo de marca de produto e marca de serviço: marca de produto Exemplo de marca de produto e marca de serviço: marca de serviço pROpRIEDaDE InTElEcTual I.141 NCL(8) 42: serviços de controle de qualidade do café Titular: Associação Brasileira da Indústria de Café – ABIC 5 pedido de registro n. Marca de certificação: usada para serviço com determinadas normas ou especificações técnicas. workshops). organização de exibições para fins culturais e educativos.444.890 NCL(8) 29: coalho. congressos. iogurte.890 derivados. queijos e soro de leite FGV DIREITO RIO 108 Titular: Cooperativa Agropecuária de Boa Esperança Ltda. conferências. creme batido. notadamente quanto à qualidade. Marca NCL(8) 42: serviços de controle de qualidade do café coletiva: usada para identificar produtos ou serviços prov pedido de registro n.483. material utilizado e metodologia empregada. 823. 823. revistas e publicações impressas) registro n. queijos e soro de leite pedido de registro n.483.649. xemplo de marca de certificação: usada para atestar a conformidade de um produto ou serviço II. 827. congressos. notadamente quanto à qualidade. Marca de certificação: usada para atestar a conformidade de um produto ou serviço publicações de livros. 826.053 (cursos.444. laticínios. natureza.088 simpósios. 823. manteiga. cursos e educativos. . de (livros. registro n. semelhante ou afim. congressos. trabalho (cursos de formação.444. livretos.483. livretos. cursos .053 NCL(7): 41 organização e apresentação de oficinas de NCL(7): 16 NCL(7): 41 educação e cultura. 827. manteiga. 823. Marca de produto ou serviço: usada para distinguir e identificar um produto ou um serviço de outro idêntico. registro n.483. e publicações impressas) exibições para fins culturais organização e apresentação de seminários. simpósios. leite e seus 5 derivados. notadamente quanto à qualidade. Exemplo de marca coletiva: Exemplo de registro coletiva: pedido de marca n. conferências.088 NCL(7): 16 823. educação e cultura. publicações de livros. material utilizado e metodologia empregada. NCL(8) 29: coalho. margarina. natureza. marca de marca registro n. Titular: Cooperativa Agropecuária de Boa Esperança Ltda. 827.

sendo certosão considerados como formadores de estilizada. desde que conjunto será público consumidor. e de caráter (i.10/70 (serviços de ensino e educação. bem como dos ideograproteção legal recai de letra e desde que compreensível por a palavra ou termo que do mas de línguas.958. então. Classe: ---Classe: ---* Caso a FGV tivesse depositado uma marca exclusivamente com o caractere figurativo * Caso a FGV tivesse depositado uma marca exclusivamente com o caractere da coluna do prédio. contudo. são considerados como formadores de uma marca mista. a Classe: 41. japonês. figura ou qualquer como árabe. ii) marca figurativa. a proteção reconsiderado como marca mista (ver a conjunto cairá sobre o termo. japonês.10/70 (serviços de ensino e educação.211 e de caráter filantrópico) registro n. tais marca: FGV registro n. como fontes iii) marca mista é composta por uma combinação de elementos nominativos e de letras em figurativos. iii) marca mista é composta por uma combinação de elementos nominativos e figurativos. 006. isoladamente. Caso. o conjunto será que representa.representa. e não sobre a palavra ou termo que ele forma estilizadarecai sobre o ideograma em si. entende-se por forma plástica a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem. sendo ausente qualquer figura.é composta por uma combinação de elementos nominativos e figurativos. etc. é constituída etc. por letras ou números (ou uma combinação desses elementos). figurativo da coluna do prédio. iii) marca estilos. diferentes estilos. russo. contudo. 811. isoladamente.e. constituída por desenho. então. cuja forma iv) marca tridimensional é constituída pela forma plástica (i. e não sobre uma parcela significativa ele que forma estilizada sobre o número. tes de letras em diferentes estilos. uma marca pode ter quatro formas: i) marca nominativa é constituída. ii) marca figurativa. 811. iv) marca tridimensional conformação pela de produto ou (i. contudo.e. por sua requerente indique pedido de que figura ou ii) marca figurativa.10 (serviços de ensino e educação) qualquer o ideograma representa.10/70 (serviços de ensino e educação. a proteção recairá sobre o termo. russo. o requerente recai sobre o ideograma em si. chinês. como fondiferentes mista que elementos nominativos na forma uma marca mista.a epalavra ou o termo nesta última hipótese. Neste caso.. chinês. seria considerada uma marca figurativa.575japonês. ----registro n. símbolo ou estilização dos elementos gráficos.478.nesta última ou o termo marca: marca: Classe: ---- * Caso a FGV tivesse depositado uma marca exclusivamente com o caractere figurativo registro n. ideograma em si. que nesta última hipótese.478. o seguir). a proteção legal não considerado comorepresenta. imagem. Caso. como fontes de letras em mista.pROpRIEDaDE InTElEcTual Com relação à sua apresentação. então. e de caráter filantrópico) Classe: 41. são considerados como formadores de uma marca sendo certo que elementos nominativos na forma estilizada. etc. sendo certo imagem. é constituída por desenho..desenho. hebraico. russo. entende-se por iv) marca tridimensional é constituída pela forma plásticafilantrópico) forma plástica a configuração ou a é constituída física) forma plásticade embalagem. incluindo letras. sobre a palavra ou termo que que o ideograma no pedido de registro a palavra ou o termo que o ideograma representa.478. vez. pornosendo certoregistro a palavra hipótese. registro n. isoladamente. o compreensível por uma parcela significativa do público consumidor.211 Classe: 41. imagem. por sua vez. tais como árabe. Classe: marca: 41. 811. marca: registro n. hebraico. a como árabe. ----- proteção legal de letra e número. cuja forma 7 FGV DIREITO RIO 109 . ----da coluna do prédio. será considerado como marca marca: mista (ver a seguir).éhebraico. logotipo.. sendo certo público consumidor. figura ou qualquer forma estilizada de letra e número.e. por sua vez. seria considerada uma marca figurativa.. entende-se por forma plástica a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem. Neste caso. bem como dos ideogramas de línguas.. Neste caso..ochinês. tais representa.Caso. opor uma parcela significativa do marca ele desde aque compreensível requerente indique mista (ver seguir). a proteção recairá indique no pedido de registro sobre o termo. bem como dos ideogramas de línguas. exclusivamente.211 marca: registro n. seria considerada uma marca figurativa. sendo certo que elementos nominativos na forma estilizada.

Em pROpRIEDaDE InTElEcTual cujasíntese.10/70 (serviços de ensino e educação. e licitude.. distintividade.Classe: 41. o sinal deve despertar o sentido da visão. sorvetes. entende-se por forma plástica a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem. 7 A percepção visual é auto-explicativa.. Portanto. e b) ser lícito. pós para preparação de doces incluídos requisitos Dispõe o artigo 122 da LPI que “são suscetíveis de registro como marca os sinais distintivos visualmente perceptíveis.963. 820. Titular: Kraft Foods confeitos.712 sorvetes. e de caráter filantrópico) iv) marca tridimensional é constituída pela forma plástica (i. Em síntese.aaembalagem de vidro daquele refrigerante à base deum e o formato marca tridimensional é aquela que permite que cola identificado. etc. chocolates e doces de chocolate. sonoros. ou seja. xarope de melaço. os requisitos para que um ele seja registrável como marca são: i) ii) iii) iv) percepção visual.e. registro n. A leitura superficial do artigo indicado nos permite concluir que pode ser registrado como marca qualquer sinal visual. disponibilidade. xarope de melaço. gustativos. conforme se observa a seguir: marca: marca: registro n. além de o sinal não poder estar no rol de exemplos explicitamente excluídos por nossa legislação. 124 da LPI. não são registráveis como marca no Brasil.tenha capacidade distintiva em si mesma permite dissociadaproduto seja prontamente forma a marca tridimensional é aquela que e esteja que um de qualquer efeito técnico. chocolates e doces de chocolate. Adicionalmente. Portanto. confeitos. mel. que pertençam a outros sentidos. Requisitos conforme o rol do art. pós para preparação de doces incluídos nesta classe) nesta classe) Titular: Kraft Foods NCL(8): 30 (doces incluídos nesta classe. tal como a embalagem de vidro daquele redaquele famoso chocolate. O sinal deve: a) estar disponível.712 NCL(8): 30 (doces incluídos nesta classe. cuja formatação é triangular. mel. distintivo e que não seja proibido por lei. não compreendidos nas proibições legais”. tal como produto seja prontamente identificado. que enumera sinais considerados como não registráveis como marca.963. cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja dissociada de qualquer efeito técnico. FGV DIREITO RIO 110 . sinais olfativos. cuja formatação é triangular. conforme se observa a seguir: frigerante à base de cola e o formato daquele famoso chocolate. 820. há pelo menos mais dois requisitos para que uma marca seja considerada registrável.

de origem diversa.143.40 (computadores e software de computadores) Titular: Apple Computer. O termo APPLE COMPUTER foi registrado como marca para identificar computadores. o sinal não deve guardar relação direta ou indireta com o produto ou serviço que busca distinguir. foi concedido com uma ressalva. Vejamos: marca: APPLE apresentação: nominativa registro n. para doces. O nome e/ou figura não guardam relação com os serviços e produtos. ainda que um registro concedido. Inc. ou seja.337 Classe: 9. e que busque identificar produtos ou serviços que não guardem relação com maçã ou com produtos alimentícios.pROpRIEDaDE InTElEcTual Dizer que um sinal deve possuir distintividade significa que sua expressão ou exteriorização deve ser suficiente para identificar um serviço ou produto.262 (sem direito de uso exclusivo da palavra COMPUTER) Classe: 9. não é meramente descritiva. o que significa que qualquer outro titular que tenha uma marca. Por exemplo. poderá utilizar este termo. mas sim distintivos. exatamente porque os termos guardam direta relação com o produto que a marca pretendia distinguir. 816. equipamentos periféricos de computador e partes.888. distinguindo-o dos demais. 810. não deve ser meramente descritivo. ou apple. marca: APPLE COMPUTER apresentação: nominativa registro n. E mais do que isso. Já a marca APPLE CHIPS. porém possui caráter distintivo para tais produtos.060. 800. A fruta maçã não tem relação alguma com produtos de informática e música. que não é de exclusividade de ninguém para tais produtos ou serviços. O segundo exemplo. foi indeferida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). ou seja. É o caso da famosa maçã mordida da empresa de Steve Jobs.088 Classe: 33. unidades de exibição visual de computador. marca: APPLE CHIPS apresentação: nominativa pedido n.10 (doces e pós para fabricação de doces em geral) Titular: Gourmand Alimentos Ltda. acessórios e equipamentos de tais artigos) Titular: Apple Computer. que hoje vende os conhecidos iPods. o que se costuma chamar de “apostila”. no direito marcário. mas a proteção não é exclusiva para o termo COMPUTER. não são descritivos dos produtos e serviços. Inc. ou seja. FGV DIREITO RIO 111 .55/80 (computadores. poderá ser registrado. sistemas de computador. um sinal que tenha como figura e/ou como palavra escrita uma maçã. no termo em inglês. para descrever computadores.

produção. revogada pela atual lei 9. 65. comum ou vulgar. excluindo todo o restante da população de livremente utilizar um termo ou palavra para identificar o produto ou serviço ao qual aquele termo ou palavra se refere. esta condição. para serviços médicos. sinal. Quanto ao requisito da disponibilidade. É o caso do cupuaçu e do açaí: empresas japonesas e européias tentaram se apropriar dos nomes das frutas através de registro de marcas. Portanto. § 1º As pessoas de direito privado só podem requerer registro de marca relativo à atividade que exerçam efetiva e licitamente. 129 da LPI. por exemplo. quando tiver relação com o produto. a mesma tem de comprovar que exerce efetiva e licitamente a atividade relacionada ao pedido de registro. este também é auto-explicativo: uma marca somente pode ser registrada se o termo ou figura estivem disponíveis. de. Não se pode apropriar de um termo que guarde direta ou indireta relação com um produto ou serviço. no próprio requerimento. a pessoa deve estar inscrita na OAB6. aquisição dos direitos e prazo de validade antiga lei de propriedade industrial. denominação. por exemplo. Seria o mesmo que impedir que todos chamassem a fruta maçã de maçã. o requisito da licitude diz respeito à descrição dos produtos ou serviços a serem identificados por uma marca. somente uma pessoa inscrita no CRM5 é que pode fazer um pedido de registro. a pessoa física deve provar de alguma forma que exerce de fato as atividades reivindicadas: uma estilista de moda pode juntar páginas de uma revista com seus vestidos. pelo simples fato de a mesma ser considerada ilegal no Brasil. por exemplo. salvo quando se revestirem de suficiente forma distintiva. estamos conselho Regional de Engenharia. figura. declarando. Não se pode pedir registro de marca para comercialização. estar-se-ia apropriando do alfabeto ou das línguas e. no CREA7. etc. de modo direto ou através de empresas que controlem direta ou indiretamente. os direitos relativos a uma marca somente são adquiridos com a concessão do registro validamente expedido. para serviços de engenharia. 7 FGV DIREITO RIO 112 . ou seja.279/96. do art. Caso a profissão não seja regulada por uma entidade. se já não estiver registrada em nome de outro titular. arquitetura e agronomia. Por fim. mercadoria ou serviço a distinguir. sob as penas da lei. sorvetes feitos com a semente da planta cannabis ativa. descrevendo produtos ou serviços idênticos. por conseqüência. Quem pode requerer registro Segundo o art. sigla ou símbolo de uso necessário. Ordem dos advogados do Brasil.” Há de se ressaltar que quando uma pessoa física requerer um pedido de registro perante o INPI. e assim por diante.772/714: não é registrável como marca: nome. 6 Conforme disposto no art. Para serviços advocatícios. “Podem requerer registro de marca as pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou de direito privado. 4 5 conselho Regional de Medicina. ou seja. semelhantes ou afins. 128 da LPI.. da lei 5.pROpRIEDaDE InTElEcTual Indeferido de acordo com o item 20. caso contrário.

se a pessoa utiliza uma marca. usava no País. § 3º a prorrogação não será concedida se não atendido o disposto no art. 128. mediante o pagamento de retribuição adicional. contudo. além de impedir o registro e uso de terceiros. terá direito de precedência ao registro. 129 da LPI prevê a possibilidade de se declarar um direito já existente: “Art. de boa fé. obrigatoriamente. terá direito de precedência ao registro. ter feito seu pedido de registro perante o INPI. indefinidamente: “Art. o titular poderá fazê-lo nos 6 (seis) meses subseqüentes. prorrogável por períodos iguais e sucessivos. por pelo menos seis meses antes do pedido de registro de terceiros. o usuário de boa fé que invocar o parágrafo primeiro do art. De acordo com o disposto no art.”8 Prioridade A Convenção da União de Paris para a Proteção da Propriedade Industrial (CUP)9.04. Quando uma pessoa física ou jurídica utiliza de boa fé uma marca no Brasil sem. 129 da LPI deve.htm?tr6>. prorrogável por períodos iguais e sucessivos. ou seja. temos apenas uma expectativa de direito e não há que se falar em propriedade de marca antes da concessão do registro. semelhantes ou afins. acessado em 08. o parágrafo primeiro do art. 133 da LPI. 129 traz uma exceção ao sistema atributivo e. § 2º Se o pedido de prorrogação não tiver sido efetuado até o termo final da vigência do registro. marca idêntica ou semelhante. contudo.2007. O registro da marca vigorará pelo prazo de 10 (dez) anos. datada de 1883. esta terá direito de precedência e poderá. contados da data da concessão do registro. ou seja. e uma terceira pessoa passa a utilizar tal marca ou outra semelhante para distinguir produtos ou serviços idênticos. terá direito de registrar tal marca. o nacional de uma nação membro que legalmente depositar um pedido de registro de uma marca no seu país terá o direito de prioridade de depositar o pedido de registro Os parágrafos do art.inpi. 129 da LPI. de acordo com o entendimento do INPI. não fará jus à exceção prevista em lei. Há. mesmo que não tenha feito pedido de registro anterior e que a terceira pessoa já tenha feito um pedido de registro. 129 – § 1º Toda pessoa que.pROpRIEDaDE InTElEcTual diante de um sistema atributivo de direitos. este passa a ser declarativo de direitos. portanto. Ademais. que prevê a declaração de um direito. na data da prioridade ou depósito. com a exceção do parágrafo primeiro do art. o prazo de vigência de um registro de marca é de dez anos. pois. Antes disso. semelhante ou afim.gov. para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico. O parágrafo primeiro do art. trouxe o que chamamos de prioridade unionista. há pelo menos 6 (seis) meses. de boa fé. instruído com o comprovante do pagamento da respectiva retribuição. Em outras palavras. br/legislacao/outros/convencao_paris. caso contrário. registrar sua marca no Brasil. no caso específico de que trata. protocolar no prazo de 60 dias pedido de registro da marca defendida com base no parágrafo mencionado.” Como se vê. FGV DIREITO RIO 113 . uma exceção ao sistema atributivo. A propriedade da marca somente é adquirida após a concessão de um registro válido. 133. O sistema marcário brasileiro é. atributivo de direitos. cumpre ressaltar que. 133 são: “§ 1º O pedido de prorrogação deverá ser formulado durante o último ano de vigência do registro.” 8 9 Veja <http://www. mesmo que não se tenha depositado um pedido de registro. por pelo menos seis meses contados da data do depósito de terceiros ou da data da prioridade.

isoladamente. crença. c. públicos. quando não requerido o registro pela própria entidade ou órgão público. 124 da LPI enumera um rol taxativo de sinais que não são registráveis como marca: “Art. culto religioso ou idéia e sentimento dignos de respeito e veneração. no período de 06 (seis) meses10. não sendo o depósito invalidado nem prejudicado por fatos ocorridos nesses prazos. nacionais. depositar a marca HOLZ aqui no Brasil. em 23 de junho de 2007.279/96. vide a lei 9. medalha.”11 Vedações ao registro O art. como o Brasil. um brasileiro que depositar uma marca no Brasil. FGV DIREITO RIO 114 . bem como a respectiva designação. desenho ou qualquer outro sinal contrário à moral e aos bons costumes ou que ofenda a honra ou imagem de pessoas ou atente contra liberdade de consciência. ou seja. V . durante o prazo de 06 (seis) meses.letra. que faz parte da CUP. Ou. se uma marca for depositada na Alemanha. o titular daquela marca possui 06 (seis) meses. será assegurado direito de prioridade.brasão. para a redação dos parágrafos 1º a 4º. 127. contados 06 (seis) meses do depósito originário lá na Alemanha. III . por exemplo. distintivo e monumento oficiais. figura ou imitação. o titular alemão do depósito originário terá direito de prioridade perante o depósito feito pela terceira pessoa aqui no Brasil. que produza efeito de depósito nacional.pROpRIEDaDE InTElEcTual dessa mesma marca em todas as demais nações participantes da CUP. Ao pedido de registro de marca depositado em país que mantenha acordo com o Brasil ou em organização internacional. salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva. seu depositante terá direito de prioridade no depósito da mesma marca aqui no Brasil. caso o titular exerça seu direito de prioridade até o dia 30 de junho de 2007. suscetível de causar confusão ou associação com estes sinais distintivos. contados da data do primeiro depósito. 4º. IV . Não são registráveis como marca: I . 124. emblema. bandeira. Assim.designação ou sigla de entidade ou órgão público.expressão. nos prazos estabelecidos no acordo. II . do art. terá prioridade no depósito do pedido de registro de tal marca nos demais países membros da CUP. se uma terceira pessoa. (1). 127. deposite a marca no Brasil dentro de 06 (seis) meses contados do depósito originário. Se em 1º de janeiro de 2007 a marca hipotética HOLZ foi depositada na Alemanha. por exemplo.reprodução ou imitação de elemento característico ou diferenciador de título de estabelecimento ou nome de empresa de terceiros. Nossa LPI implementou a prioridade unionista da seguinte forma: “Art. para depositar a mesma marca em qualquer outro país que faça parte da CUP. da cup. ao contrário. estrangeiros ou internacionais. 10 11 art. algarismo e data. figura. a contar da data do depósito originário na Alemanha. Por exemplo. armas.

a forma necessária. salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva. semelhante ou afim. XXI . se revestirem de suficiente forma distintiva. apólice. aquela que não possa ser dissociada de efeito técnico. se a marca se destinar FGV DIREITO RIO 115 .reprodução ou imitação de cunho oficial. valor. político. econômico ou técnico.termo técnico usado na indústria.pROpRIEDaDE InTElEcTual VI . 154. prêmio ou símbolo de evento esportivo. salvo se dispostas ou combinadas de modo peculiar e distintivo. assim como os títulos que estejam protegidos pelo direito autoral e sejam suscetíveis de causar confusão ou associação. salvo quando autorizados pela autoridade competente ou entidade promotora do evento.objeto que estiver protegido por registro de desenho industrial de terceiro. ainda que com acréscimo. suscetível de causar confusão ou associação com marca alheia.obra literária. ou. no caso de marcas de mesma natureza. comum. bem como a imitação suscetível de criar confusão. salvo com consentimento do titular. XIV . nome artístico singular ou coletivo. artística ou científica. XX . comum ou vulgar do produto ou de acondicionamento.nome. quanto à natureza. XIII . que tenha relação com o produto ou serviço a distinguir.nome civil ou sua assinatura. dos Estados. necessário.sinal que imite ou reproduza. e XXIII .pseudônimo ou apelido notoriamente conhecidos. IX . nome de família ou patronímico e imagem de terceiros. XIX . marca que o requerente evidentemente não poderia desconhecer em razão de sua atividade. X .dualidade de marcas de um só titular para o mesmo produto ou serviço. dos Municípios. qualidade e época de produção ou de prestação do serviço. peso. oficial ou oficialmente reconhecido. XVII . nacionalidade.reprodução ou imitação de título.sinal ou expressão empregada apenas como meio de propaganda. sua imitação suscetível de causar confusão ou sinal que possa falsamente induzir indicação geográfica.sinal que induza a falsa indicação quanto à origem. XI . observado o disposto no art. no todo ou em parte. cujo titular seja sediado ou domiciliado em território nacional ou em país com o qual o Brasil mantenha acordo ou que assegure reciprocidade de tratamento. XVI . social.reprodução ou imitação de sinal que tenha sido registrado como marca coletiva ou de certificação por terceiro. moeda e cédula da União. ainda. quando tiver relação com o produto ou serviço a distinguir. salvo com consentimento do autor ou titular. XII .sinal de caráter genérico. salvo quando. XVIII . XXII . vulgar ou simplesmente descritivo. cultural. XV . ou aquele empregado comumente para designar uma característica do produto ou serviço.cores e suas denominações. natureza. na ciência e na arte. salvo com consentimento do titular.indicação geográfica. dos Territórios. herdeiros ou sucessores. procedência. VII . de marca alheia registrada.reprodução ou imitação. qualidade ou utilidade do produto ou serviço a que a marca se destina. herdeiros ou sucessores. regularmente adotada para garantia de padrão de qualquer gênero ou natureza. VIII . artístico. no todo ou em parte. ou de país. para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico. do Distrito Federal.

exemplO 1: marca veja marca: VEJA apresentação: nominativa registro n.pROpRIEDaDE InTElEcTual a distinguir produto ou serviço idêntico. 006. Princípios da especialidade e da territorialidade Os dois princípios norteadores do direito marcário são os princípios da especialidade e o da territorialidade. Pelo princípio da especialidade. que trata de sinal genérico. vulgar ou simplesmente descritivo. trataremos dos principais incisos acima em sala de aula. comum. 006.A. necessário. referente à reprodução e imitação de marca alheia. marca: VEJA apresentação: nominativa registro n. entende-se que uma marca é protegida estritamente no âmbito dos produtos ou serviços que descreve. Como a intenção desta apostila não é esgotar os temas. 811. revistas e publicações periódicas em geral) Titular: Editora Abril S.051. Qualquer outra pessoa pode ter marca semelhante ou até mesmo idêntica.527.530 Classe: 11.156.018. desde que a mesma identifique produtos ou serviços distintos da marca do outro titular.A. FGV DIREITO RIO 116 .339 Classe: 25.842 NCL(7): 36 (serviços de cartão de crédito) Titular: Cartão Unibanco Ltda.10 (preparados para lavanderia. bem como o inciso XIX. mas apenas introduzi-los. semelhante ou afim. são os dois incisos mais utilizados na defesa dos direitos marcários.417 Classe: 03. produtos e instrumentos de limpeza. suscetível de causar confusão ou associação com aquela marca alheia. exceto os de uso pessoal e industrial) Titular: Reckitt Benckiser Ltda. 822. sem capacidade distintiva.10 (roupas e acessórios do vestuário de uso comum) Titular: Guararapes Confecções S.” Cumpre ressaltar que o inciso VI. marca: VEJA apresentação: nominativa registro n. marca: VEJA apresentação: nominativa registro n.10 (jornais.

O princípio da territorialidade. registrada na classe NCL(8) 04. Ou seja.830 Classe: 13. O que importa são os produtos ou serviços.380. Porém.602 Classe: 38. FGV DIREITO RIO 117 . mas se os produtos ou serviços são distintos. e não a classe na qual a marca foi depositada. 811..pROpRIEDaDE InTElEcTual exemplO 2: marca glObO marca: TV GLOBO apresentação: nominativa registro n. em nome de titulares distintos.A. 811. Exceções aos princípios da especialidade e da territorialidade: marcas de alto renome e marcas notoriamente conhecidas Como ocorre com praticamente todos os princípios e regras. convivendo pacificamente. estabelece que uma marca somente terá validade no território ou país em que foi registrada. marca: GLOBO apresentação: nominativa registro n. com apenas um único registro. publicidade e propaganda) Titular: TV Globo Ltda. perante o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). desde que os produtos que cada uma distingue sejam suficientemente diferentes. assim como marcas registradas fora do Brasil não têm validade em aqui. Podemos ter marcas idênticas. como regra geral. como o próprio nome sugere. tem validade no território nacional inteiro. e não a classe de produto ou serviço na qual o pedido de registro foi feito. em nome do titular Carros de Corrida Interlagos Ltda. Portanto.808 Classe: 3. Cabe ressaltar que o princípio da especialidade segue a descrição dos produtos e serviços. Por exemplo.012. uma marca registrada no Brasil.10 (serviços de comunicação. ervas para infusão) Titular: Café Solúvel Brasília S. em nome do titular Velas Ornamentais Bombaim Ltda. na mesma classe de produtos. não terá validade fora do país.40 (fogos de artifício) Titular: Fotos Globo Ltda. os princípios da especialidade e da territorialidade do direito marcário possuem suas exceções. 816. em todos os Estados. já que algumas são tão amplas que podem ter produtos consideravelmente diferentes. o que importa não é se a classe de produtos ou serviços é a mesma ou não.895. identificando graxa para uso automotivo. marca: GLOBO apresentação: nominativa registro n. podemos ter uma marca hipotética ASUS. identificando velas ornamentais para iluminação. e outra registrada na mesma classe NCL(8) 04.10/20 (café.

projetando-se para extraordinária força atrativa sobre o público em geral. ao passo que marca de alto renome (antiga marca notória) é exceção ao princípio da especialidade.pROpRIEDaDE InTElEcTual A exceção ao princípio da especialidade é a chamada marca de alto renome. da lei 12 Titular: The Coca-Cola situação: notória (ou de alto renome) Company 5. uma expectativa de a marca de é suficiente para que se goze dos estar previamente registrada em território nacional. 003. indistintamente. vinculada. já que a marca recebe a mais ampla proteção.10 (bebidas. da lei 9.469. por exemplo. marca 12 Exemplo de marca indeferida devido à existência de marca registrada de alto renome: marca: COCA apresentação: mista pedido n. 67. em todos os ramos de atividade. a marca notória da lei anterior não se confunde Classe: 35. mesmo que para produtos ou serviços distintos de “verduras e legumes”. 003. elevando-se sobre os diferentes atrativa confiança que inspira. projetando-se de marca de alto renome: simples existência. 125. À marca registrada no Brasil considerada de alto renome será assegurada proteção especial. indistintamente. essencialmente. à boa imagem dos produtos e/ou A marca de alto renome é aquela que goza de uma autoridade incontestável. ademais.” Como podemos aferir pela leitura do mencionado artigo. não éda sua tradiçãoque se goze dos no mercado.1977) marca: COCA-COLA a marca de alto renome (art. Um simples pedido de registro. elevando-se atrair clientela mercados e transcendendo sobre os diferentes por sua simples existência. marca idêntica ou semelhante.279/96) prevista apresentação: mista em nossa lei atual recebia o Classe: 35. situação: notória (ou de alto renome)12 125. de um de registro. nome de “marca notória” na registro n.05. obrigatoriamente. conTitular: The Coca-Cola Company forme nossa Exemplo de marca indeferida devido à existência de marca registrada de alto renome: lei vigente. da confiança que inspira. a função a que se prestava primitivamente.10 (bebidas. que não esteja registrada no Brasil. FGV DIREITO RIO 118 Classe: 03. o titular do não esteja registrada no Brasil. xaropes e sucos concentrados) com a marca “notoriamente conhecida” da lei atual. o titular ou pretenso titular não terá direito de gozar dos registro da marca de alto renome terá direito de impedir que a outra pessoa registre benefícios conferidos ou utilize a mesma marca.05. da sobre o público em geral. vinculada. as marcas de alto renome recebem proteção especial. o titular ou pretenso titular não terá direito de A marca de alto renome é aquela que de alto renome. não alto renome deve. mas marca de alto renome. essencialmente. diferidos. Um simples pedido gozar dos benefícios conferidos por uma marca goza de uma autoridade incontestável.971 situação: extinto notoriamente conhecida é exceção ao princípio da territorialidade. a marca passa a receber proteção total. resultantes suficiente para e qualificação benefícios de uma marca de alto renome. uma extraordinária força conhecimento prestígio exercendo um acentuado tradição e qualificação no mercado. mas que previamente registrada em território nacional. 811. Exemplo clássico para atrair clientela por sua Exemplo clássico de marca de alto renome: marca: COCA-COLA apresentação: mista registro n.263 (20. exercendo um acentuado magnetismo. independentemente do rol de produtos e/ ou serviços para os quais foi registrada.benefícios de uma seja. à boa imagem dos produtos e/ou serviços a que se aplica.263 (20. uma mercados e transcendendo a função a que se prestava primitivamente. em todos os ramos de atividade. caso alguém faça pedido de registro ou use Caso seja extremamente famosa. em todos os ramos de atividade. ou Vale ressaltar. quedireito.1977)xaropes e sucos concentrados) lei anterior (art. Mesmo que tenha sido registrada para identificar “verduras e legumes”.469. Ou seja. conforme disposição contida no artigo 125 da nossa LPI: “Art.021. ou seja. Portanto. Caso seja extremamente famosa.772/71). de umserviços a que ese aplica. temos aqui uma exceção ao princípio da especialidade. uma expectativa de direito. resultantes da suamagnetismo. por uma marca de alto renome.20 (produtos de perfumaria e de higiene. e artigos de toucador em geral) . conhecimento e prestígio diferidos.

como matéria de defesa. da Convenção da União de Paris para Proteção da Propriedade Industrial (CUP)14. nos termos e prazos previstos na LPI.pROpRIEDaDE InTElEcTual marca: COCA apresentação: mista pedido n. conforme os termos do art. 125.971 situação: extinto Classe: 03. também trata da marca de alto renome. O mesmo sucederá quando a parte essencial da marca notoriamente conhecida ou imitação suscetível de estabelecer confusão com esta. § 2º O INPI poderá indeferir de ofício pedido de registro de marca que reproduza ou imite. a marca notoriamente conhecida. suscetíveis de estabelecer confusão. o INPI poderá indeferir ex oficio o pedido de registro que imite ou reproduza. goza de proteção especial. 125 da LPI.021. quando do exame da oposição ou do processo administrativo de nulidade. quando da oposição a pedido de registro de marca de terceiro ou do processo administrativo de nulidade de registro de marca de terceiro apresente conflito com a marca invocada de alto renome. hoje conhecida na nossa lei atual como “marca de alto renome” (art. ou seja.20 (produtos de perfumaria e de higiene. nem sequer de pedido de registro. de uma marca que a autoridade competente do país do registro ou do uso considere que nele é notoriamente conhecida como sendo já marca de uma pessoa amparada pela presente convenção. “art. da The Coca-Cola Company contra do deferimento do pedido de registro. ao passo que marca de alto renome (antiga marca notória) é exceção ao princípio da especialidade. quando uma terceira pessoa solicitar o registro da marca em questão. o titular que considere sua marca de alto renome não poderá meramente depositar perante o INPI um pedido de reconhecimento do alto renome. a marca notória da lei anterior não se confunde com a marca “notoriamente conhecida” da lei atual. no todo ou em parte. 13 Para se beneficiar das vantagens da marca de alto renome. 126. 811. marca notoriamente conhecida é exceção ao princípio da territorialidade. se a lei do país o permitir.279/96). apreciará e decidirá quanto à condição de alto renome da marca. A proteção especial conferida pelo art.º 121. como matéria de defesa. A marca notoriamente conhecida em seu ramo de atividade nos termos do art. no todo ou em parte. então qualquer outra pessoa que tentar registrar ou utilizar tal marca estará infringindo a Lei e. imitação ou tradução. com base no art.772/71. 6º bis (I). conhecido e provido. não há necessidade de registro prévio no Brasil. quer administrativamente. de 06 de setembro de 2005. Em síntese.” Este art. é necessário que haja registro prévio no Brasil. 67 da lei antiga (código da propriedade Industrial – cpI) era o que tratava da “marca notória”. e utilizada para produtos idênticos ou similares. O INPI. independentemente de estar previamente depositada ou registrada no Brasil. § 1º A proteção de que trata este artigo aplica-se também às marcas de serviço. Já a exceção ao princípio da territorialidade é a chamada marca notoriamente conhecida. pela via incidental. da Convenção da União de Paris para Proteção da Propriedade Industrial. mesmo que a marca não esteja registrada ou sequer depositada no Brasil. marca notoriamente conhecida. da Lei 5. 67. e artigos de toucador em geral) Titular: Compagnie Francaise de Commerce International – COFCI Recurso. se ela for notoriamente conhecida no seu ramo de atividade.” 14 FGV DIREITO RIO 119 . portanto. 6º bis (I). Justamente por ser uma exceção ao princípio da territorialidade. no caso da marca notoriamente conhecida. quer a pedido do interessado e a proibir o uso de marca de fábrica ou de comércio que constitua reprodução. 125 da LPI deverá ser requerida ao INPI. 126 de nossa LPI. Caso a marca seja notoriamente conhecida no seu ramo de atividade. mas poderá fazê-lo incidentalmente.13 Além do disposto no art. a mesma passa a gozar dos benefícios conferidos pelo art. conforme disposição contida no artigo 126 da nossa LPI: “Art. conforme nossa lei vigente. a Resolução INPI n. 6o bis (1): Os países da união comprometem-se a recusar ou invalidar o registro. da lei 9.

379 considere que nele é notoriamente situação: arquivado (indeferido com base no art. ferroviários. pedido n. a empresa requer que o usuário não diga “vou tirar Xerox destas anotações”. Comércio e Exportação Ltda.45 marca notoriamente conhecida ou (meios de transporte de propulsão muscular) CUP) Titular: Ferrari Bicicletas Indústria. 811.765.25/30/35 (veículos e implementos rodoviários. Esse é o fenômeno da diluição. Com efeito. os casos envolvendo a diluição de marcas nacionais. veículos hidroviários. uma vez identificado seu mero valor descritivo e caráter evocativo. outras embarcações e seus implementos) oriamente conhecida: Titular: Ferrari Societá per Azioni Esercizio Fabbriche Automobili e Corse Exemplo de marca indeferida devido à existência de marca notoriamente conhecida: marca: FERRARI usar ou invalidar o registro. são raros. Isso é o que chamamos de diluição ou degeneração de uma marca ou perda do valor distintivo de uma marca. A empresa titular da marca Xerox envida todos seus esforços para que os usuários das máquinas por ela produzidas não a utilizem como substituta para a palavra “cópia”. não passíveis de registro também no Brasil. a marca Exemplo de marca notoriamente conhecida: s rodoviários. 6º bis (I). cações e seus marca: FERRARI apresentação: mista he Automobili e Corse registro n.994 (24. ou seja.1985) Classe: 07. o INPI poderá indeferir ex pROpRIEDaDE InTElEcTual odo ou em parte. a marca passa a não mais preencher o requisito da distintividade. e utilizada para produtos Classe: 07. quando não inexistentes. Dessa forma. integrar o rol de ativos de uma empresa. no Brasil.lquer outra pessoa que tentar to. Afinal. É o que ocorre com a Xerox. diluição e perda do valor distintivo 22 Como regra. da onvenção. quer sado e a proibir o uso apresentação: mista de marca de uscetíveis de estabelecer confusão. com exceção daquelas que têm sido consideradas diluídas no exterior e. mas “vou tirar cópias destas anotações através de uma fotocopiadora Xerox”.12. Em que pese o fato de que a diluição de marcas surtir efeitos mais devastadores em outros países. por conseguinte.323. grandes FGV DIREITO RIO 120 . a aplicação dessa tese ainda está se consolidando e. não podendo ser protegida e utilizada como marca e. 817. a substituição da marca de um produto ou serviço pelo próprio produto ou serviço faz com que ela se torne sinônimo do produto ou serviço que anteriormente assinalava. neste sentido. é compreensível a preocupação dos titulares de marcas que sofrem as conseqüências de uma eminente diluição dos seus ativos marcários.

tendo em vista sua diluição ou generalização.04. a mesma Lei estabelece que é direito do titular da marca ou do depositante ceder seu registro ou pedido de registro. us. disponível em <http://www2.br/ busca. divulgação e proteção de uma marca podem ser simplesmente perdidos a partir do momento em que esta passa a ser considerada como não mais protegível. É possível que o próprio depositante seja alvo de uma ação desleal por parte de um terceiro. não dispondo de nenhuma medida. a propriedade propriamente dita somente é adquirida com o registro validamente expedido. 130. da lei 9. ainda que limitada. em tese.04. promoção.uol. Vaselina17.com/zipper>. e Dicionário Houaiss da língua portuguesa.uol. com aspecto de cera.04. Em acréscimo. passou a ser sinônimo do próprio produto.2007: substantivo masculino. nesse sentido. quais direitos são assegurados ao depositante de um pedido de registro. acessado em 06. sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional. I. Vide <http://en.20 Portanto. também pode ser entendida a diluição como um direito da população de livremente utilizar aquele sinal que. carece o depositante de tutela legal.com. Combater a diluição de uma marca pode ser entendido como um direito do titular da mesma. anteriormente ao deferimento do registro.wikipedia. org/wiki/Vaseline> e Michaelis. o que pode gerar diversas conseqüências. e Durex19.br/busca. II e III. jhtm?verbete=band-aid>. não nos é conhecido qualquer caso nacional que tenha discutido. a diluição efetiva ou preparatória de uma marca.2007: substantivo masculino. 19 art.2007.2007. em sendo titular de um pedido de registro. F. Em que pese o exposto. considerando que inexiste um título de propriedade em questão.04. De fato. ocorre a utilização da marca.21 Afinal. se a propriedade da marca só se adquire com a expedição de certificado validamente expedido. disponível em <http:// houaiss. há uma constituição. e aplicada nas indústrias e em farmácias. 129. conforme as disposições da lei. acessado em 06. Alguns casos internacionais famosos sobre diluição de marcas são o Zíper (zipper). que assegura ao titular de uma marca zelar por sua integridade e reputação.2007. que pode. não mais passíveis de proteção como marca. como matéria principal.com. acessada em 06. se tomarmos como base o direito previsto na LPI. br/michaelis/>. licenciar seu uso. Etimologia: marca registrada (Durex) cuja denominação passou a designar o seu gênero.2007: “Substância graxa. disponível em <http://houaiss. org/wiki/Kleenex>. fita adesiva. visitado em 06. agora. muitas vezes fazendo parte até dos mais renomados dicionários. adotá-la? Absolutamente. Nessa situação. org/wiki/Band-aid>.279/96. 21 FGV DIREITO RIO 121 . e zelar por sua integridade material ou reputação. utilizar marca idêntica ou semelhante à anteriormente depositada para assinalar seus próprios produtos e serviços. não consiga buscar auxílio no Poder Judiciário Veja <http://en. pelo próprio depositante do pedido de registro. Goodrich Company. 16 A LPI estabelece que a propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido.pROpRIEDaDE InTElEcTual investimentos na construção. extraída dos resíduos da destilação. Como tal.jhtm?verbete=durex>. direitos do titular de uma marca 15 Veja <http://www. o depositante possui alguns direitos. para cobrir ferimentos leves.thefreedictionary. acessada em 06. Moderno Dicionário da língua portuguesa.” 17 Veja <http://en. Band-Aid18. que acabaram tornando-se sinônimos dos produtos que originalmente assinalavam e. uso: caso de marca registrada (Band-Aid) que passou a designar o seu gênero.wikipedia. Com um simples pedido de registro. pequeno curativo adesivo com uma almofada de gaze no centro. A pergunta que surge é: neste caso. o pedido de registro depositado confere apenas expectativa de direito ao depositante. ainda que o mesmo. 18 Vide Dicionário Houaiss da língua portuguesa.04.15 os lenços Kleenex16.wikipedia. não se tem a propriedade de uma marca. de projeções de negócios e atividades futuras. que impediriam o seu registro ou mesmo a sua prorrogação.com. Por outro lado. 20 art. caput. acessada em 06. da lei 9.04. além daqueles relacionados acima? Na esmagadora maioria dos casos. pela empresa B.279/96.uol. originalmente registrado como marca em 1925.

O ato de uma terceira pessoa se apropriar de sinal objeto de pedido de registro. com o objetivo claro de aliciar ilicitamente clientela alheia. o artigo 884 do Código Civil dispõe que “aquele que. que assim estabelece: “constitui ato de concorrência desleal qualquer ato de concorrência contrário aos usos honestos em matéria industrial e comercial”. em que pese a impossibilidade de uma ação ser baseada. um apropriado conceito para concorrência desleal pode ser encontrado no art. No entanto.. se enriquecer às custas de outrem. 390.. Nesse tipo de utilização. destacando seus logotipos? Será que o empresário é contrafator ou violador de marcas? Com efeito. o titular da marca não poderá: 22 “Obrigações”. autorizar. as marcas estão sendo empregadas de forma a apenas informar o público que tais bebidas são vendidas no estabelecimento. 1996. neste caso citado. obtém vantagem patrimonial sem causa. comentários à lei da propriedade Industrial”. sendo ambos os atos repudiados por nossas doutrina e jurisprudência. às expensas de outrem. 250. p. poderá ser interpretado como prática de concorrência desleal ou mesmo como aproveitamento parasitário. no caso indicado. será obrigado a restituir o indevidamente auferido. os aspectos de concorrência desleal podem ser uma boa alternativa. Renovar: 2005. tem-se que o depositante. de registro. licenciar ou ceder o seu uso e zelar por sua integridade e reputação. ele possui apenas um pedido de registro. 6ª ed. ainda que não possa ser considerado proprietário da marca objeto do pedido de registro. 2) da Convenção da União de Paris. uma expectativa de direito. exclusivamente. a marca exerce seu papel social de informar o consumidor. do direito de propriedade de um potencial registro de marca. A terminologia “concorrência desleal”. que em última instância não outorga exclusividade de uso. sem justa causa. não oferece maiores problemas de entendimento: “.23 Dessa forma. Muitas vezes. p. 132 da LPI. Nesse sentido. Limitações aos direitos do titular de uma marca Já vimos quais são os principais direitos do titular de uma marca registrada: utilizá-la em todo território nacional e com exclusividade. Isto porque. “IDS – Instituto Dannemann Siemsen de Estudos de propriedade Intelectual. uma vez que. será que esse direito é absoluto? Será que toda e qualquer forma de utilização de marca dependerá de prévia e expressa autorização de seu titular? Por exemplo. “há enriquecimento ilícito quando alguém.pROpRIEDaDE InTElEcTual alegando violação do seu direito de propriedade sobre uma marca. a concorrência desleal não é praticada exclusivamente. possui alternativas com base na própria LPI para defender seus interesses e a expectativa de direito. apesar de conter relativa subjetividade. as marcas poderão ser empregadas sem autorização prévia. em violação de direito marcário. No entendimento de Orlando Gomes22. Rio de Janeiro: Forense.. isto é. sendo acompanhada de dois ou mais atos concomitantes. um dono de pizzaria pode indicar no seu cardápio que vende refrigerantes da marca Kuat ou Antarctica. sem que tal vantagem se funde em dispositivo de lei ou em negócio jurídico anterior”. Segundo o art. ou seja. 23 FGV DIREITO RIO 122 . feita a atualização dos valores monetários”. 10 bis. Neste sentido. porém com o mesmo objetivo: deslealdade comercial e enriquecimento ilícito às custas de terceiros. na realidade.

68. Ou seja. e desde que obedecidas as práticas leais de concorrência.impedir a livre circulação de produto colocado no mercado interno. ressalvado o disposto nos §§ 3º e 4º do art. da mesma remessa chegada em Santos. tudo de acordo com o contrato assinado entre as partes. por si ou por outrem com seu consentimento. na sua loja. terra dos modelos abertos de negócio e do tecno-brega. o registro de marca extingue-se nas seguintes condições: i) pela expiração do prazo de vigência. 142 da LPI. tampouco incorrerá em qualquer violação do direito de marcas por conta da inexistência de autorização. é possível controlar a primeira venda. obra científica ou literária ou qualquer outra publicação. juntamente com a marca do produto. Caso um comerciante da cidade de Belém do Pará. desde que sem conotação comercial e sem prejuízo para seu caráter distintivo. Perda dos direitos Segundo o art. este não poderá controlar as demais vendas. Em síntese. podendo esta ser total ou parcial em relação aos produtos ou serviços. por um representante oficial do titular da marca Nike no Brasil. com poderes para representá-la administrativa e judicialmente. a partir do momento em que um produto é colocado no mercado nacional diretamente pelo titular da marca que identifica tal produto ou por terceiro com consentimento do titular.impedir que fabricantes de acessórios utilizem a marca para indicar a destinação do produto. ou iv) caso a pessoa domiciliada no exterior não constitua e mantenha procurador devidamente qualificado e domiciliado no Brasil. ii) pela renúncia. na sua promoção e comercialização. o mencionado titular não tem direito de impedir a livre circulação do produto em questão. FGV DIREITO RIO 123 . mas uma vez que o produto é colocado no mercado pelo titular ou com seu consentimento. o exercício do direito de propriedade sobre uma marca fica limitado.impedir que comerciantes ou distribuidores utilizem sinais distintivos que lhes são próprios. e IV . Digamos que um tênis legítimo da marca Nike tenha sido importado e colocado no mercado brasileiro. nos dois exemplos aqui mencionados.impedir a citação da marca em discurso.” O inciso III acima se refere ao que chamamos de “exaustão de direitos”. iii) pela caducidade. na região amazônica. exatamente o mesmo tênis legítimo da marca Nike. o titular da marca Nike no Brasil não terá como impedir essa livre circulação dos tênis. revenda lá em Belém. Ou seja. II . desde que obedecidas as práticas leais de concorrência. sendo certo que a pessoa que utilizar uma marca de terceiro através de uma das modalidades acima descritas não precisará obter prévia e expressa autorização do titular da marca. inclusive para receber citações. III .pROpRIEDaDE InTElEcTual “I . mais precisamente na cidade de Santos. desde que não se extrapolem as práticas leais de concorrência.

279/96. da lei 9.26 Procedimentos administrativos no inPi: busca prévia. conforme mencionado acima. (ii) pelo Instituto. o INPI. inicia-se a contagem dos prazos para atuação da parte interessada. através de pesquisa no website do INPI. Nela. da lei 9. parágrafo 2º. depósito. Em alguns casos. o INPI. parágrafo 1º. da lei 9. Ou seja. cada um com seu significado específico. o titular será intimado para se manifestar no prazo de 60 (sessenta) dias. um sistema eletrônico para demandar serviços ou praticar atos processuais relativos a registros ou pedidos de registro de marcas por meio dos formulários eletrônicos disponíveis no site do INPI. contado da concessão do registro. exame. são publicados todos os atos e decisões do INPI no que tange aos processos marcários. ou (iii) pelo procurador do interessado no registro da marca. não será declarado caduco o registro da marca se o titular justificar o desuso da mesma por razões legítimas. Os despachos do INPI são identificados através de códigos numéricos. oposição. São as chamadas “apostilas” que consistem em limitações ao direito de proteção concedido ao titular do registro da marca. 143. no mesmo prazo. 25 art. ou ii) o uso da mesma tiver sido interrompido por mais de 05 (cinco) anos consecutivos. processo administrativo de nulidade (Pan) Desde 1º de setembro de 2006. se:25 i) o uso da mesma não tiver sido iniciado no Brasil. a marca tiver sido usada com modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original. art. instituiu o módulo eletrônico e-MARCAS. cabendo-lhe o ônus de provar o uso da marca ou justificar seu desuso por razões legítimas. ele encontra-se garantido e não precisa comprovar o uso da marca. Caso seja requerida a caducidade de uma marca. 24 art. 143. I e II. na data do requerimento da caducidade.279/96. o titular do registro da marca possui 05 (cinco) anos para começar a utilizá-la no Brasil. Nesse prazo. tal como constante do certificado de registro. A busca prévia pode ser efetuada: (i) pelo próprio usuário ou interessado no registro. através de requisição por meio de formulário específico. ou se. que é o meio de comunicação oficial entre o Instituto e as partes interessadas. O INPI publica semanalmente a Revista da Propriedade Industrial (RPI).pROpRIEDaDE InTElEcTual A caducidade pode ser requerida por qualquer pessoa com legítimo interesse após 05 (cinco) anos da concessão do registro da marca. registro. e se os serviços ou produtos também são semelhantes ou afins. 143. Antes do depósito do pedido de registro de marca. é prudente realizar uma busca prévia no banco de dados do INPI a fim de se constatar a existência ou não de pedido de registro ou de marca registrada idêntica ou substancialmente semelhante à pretendida para depósito.279/96. A partir da publicação dos despachos na RPI. 26 FGV DIREITO RIO 124 . por meio da Resolução nº127/06. estabelece ressalvas quanto ao uso da referida marca. ao conceder registros de marcas.24 O registro de uma marca caduca quando. Contudo.

(iii) Contrato Social do titular. dentre outros. assinatura do procurador. nominativa. O pedido27 deve se referir a um único sinal distintivo e a uma única classe. figurativa ou tridimensional). é feito um exame formal a fim de verificar: (i) o correto preenchimento do requerimento. Passado o exame preliminar formal. e comprovante de recolhimento de retribuição correspondente ao depósito. Uma vez protocolado o pedido de registro no INPI. em caso de marca de natureza mista. logotipo. aí sim a terceira pessoa pode ser impedida de fazê-lo. Deve conter. se aplicável. O procedimento se baseia na Lei de Propriedade Industrial (LPI) e no Manual do Usuário editado pelo INPI. para fins de comprovação de compatibilidade entre o objeto social e os produtos ou serviços indicados no requerimento.. Tal data é fundamental para fins de prioridade de depósito. (ii) a apresentação de todos documentos necessários à instrução do pedido. dentre outras. quando se tratar de marca mista. (iv) Documentação específica para cada tipo de marca (i. figurativa ou tridimensional.pROpRIEDaDE InTElEcTual Quando a marca concedida não possui alta distintividade ou é composta por expressão comum para os produtos ou serviços em que foi registrada. (ii) Procuração. o qual pode ser obtido no website do INPI. e (v) Comprovante de pagamento da retribuição relativa ao depósito do pedido de registro. no caso de o titular não requerer pessoalmente. já que.. etiqueta com o logotipo. dados da guia de recolhimento de taxa aplicável. o INPI usualmente estabelece que determinada expressão não goza de direito de uso exclusivo. Mas caso essa terceira pessoa use ou tente registrar marca não apenas com uma das palavras que compõem a marca anterior. aquele que depositou primeiro o pedido de registro terá direito ao seu registro. 27 FGV DIREITO RIO 125 . nome da marca. etiquetas. Ver artigos 155 a 157 da lei 9. ainda: (i) Requerimento devidamente preenchido pelo usuário contendo informações. e sim com a combinação das palavras registradas pelo titular anterior. figurativa. mista ou tridimensional). como procuração.e. qualquer outra pessoa que queira usar ou até mesmo registrar uma das palavras reivindicadas no registro anterior está livre para tanto e o titular do registro não pode impedi-la de fazê-lo. Como ensinado anteriormente. o próximo passo é o depósito do pedido de registro. tais como dados do titular.279/96. o pedido de registro recebe um número de identificação do seu processo e a data de apresentação do pedido é considerada sua data de depósito oficial. se considerada separadamente.e. e (iii) a apresentação dos documentos complementares. quais sejam. e indicar a especificação dos produtos ou serviços conforme classificação estabelecida pela Classificação Internacional de Produtos e Serviços. Ou seja. A expressão é protegida somente se utilizada em conjunto com as demais que compõem a marca. contrato social. em regra. apresentação (i. as palavras isoladas não são protegidas. uma vez realizada a busca prévia e não encontrados pedidos de registro ou registros de marcas impeditivos ao registro da marca em questão.

há prosseguimento ao exame. que consiste na verificação da existência ou não de pedido de registro ou de registro idêntico ou semelhante. depositado ou registrado anteriormente. da lei 9. (ii) marca de alto renome. muito menos significa que as alegações feitas pela opoente são verdadeiras.279/96. (iii) marca notoriamente conhecida. o pedido será definitivamente arquivado. Da decisão que indefere o pedido de registro cabe recurso no prazo de 60 dias a contar da publicação da decisão. contudo. tenha havido oposição por parte de terceiro interessado. e (iv) primeiro uso de boa fé. caput. O exame de mérito do pedido de registro ocorre após o transcorrer do prazo para apresentação de oposição por terceiros – 60 dias a contar da publicação do pedido de registro na RPI –. No entanto. serão formuladas exigências a serem cumpridas pelo requerente em até cinco dias a contar do recebimento da documentação protocolada anteriormente. o qual é recebido nos efeitos suspensivo e devolutivo. ou contestada a sua formulação.30 O examinador analisa o pedido de registro levando em consideração a existência ou não de oposição.279/96. da LPI. o INPI publica ou: (i) o sobrestamento do exame do pedido de registro mais recente até publicação da decisão final do pedido de registro anterior. parágrafos primeiro e segundo. da lei 9. 30 FGV DIREITO RIO 126 . não cabendo recurso contra essa decisão. como se não houvesse existido. 158. art. 159. 28 29 art. o depositante do pedido de registro tem a faculdade de se manifestar no prazo de 60 dias. Durante o exame. da lei 9. 126 e 129. 125. o pedido é preliminarmente aceito e publicado na RPI para conhecimento de terceiros e. Os interessados na decisão do pedido de registro são intimados a. Terminada a análise. o pedido é desconsiderado. Não cumpridas as exigências.279/96. em querendo. ainda que não cumprida. ou (iii) o indeferimento do pedido de registro. cabendo discussão da questão apenas no Poder Judiciário. art. pode ser formulada exigência que deve ser cumprida pelo requerente no prazo de 60 dias. apontada como impeditiva na busca de anterioridade. a contar de sua publicação na RPI. tema este que será tratado adiante. Do contrário. Uma vez publicada a decisão do recurso. apresentação de manifestações contrárias ao registro da marca. momento em que o requerente deve efetuar o pagamento das taxas finais para expedição do certificado de registro da marca e proteção ao primeiro decênio.28 Preliminarmente. Caso. encerra-se a esfera administrativa. análise dos documentos apresentados junto ao pedido de registro e eventuais oposições de terceiros. caso exista marca depositada anteriormente.29 Não respondida a exigência. quais sejam: (i) sinais não registráveis. querendo.pROpRIEDaDE InTElEcTual Caso no exame preliminar formal se verifique o não-cumprimento dos requisitos acima. se ao menos respondida. ainda que sua apresentação não deva obrigatoriamente vincular a decisão no processo. Vale destacar que a não-apresentação de manifestação sobre oposição não configura revelia. parágrafo primeiro. (ii) o deferimento do pedido de registro. 159. apontando o dispositivo legal que fundamentou sua decisão. Outro ponto considerado pelo examinador é a incidência ou não das hipóteses previstas nos artigos 124. mantendo o indeferimento ou reformando a decisão de forma a deferir o pedido de registro. os examinadores do INPI procedem à busca de anterioridade. oferecer contra-razões ao recurso. tendo ou não havido apresentação de oposição.

portanto. 31 art. por iniciativa própria do INPI. o PAN é examinado e decidido pelo Presidente do INPI. 174 da LPI. o titular desta última tem a faculdade de ingressar com um processo administrativo de nulidade (PAN). 175. 207. sem haver necessidade que alguém o provoque. a fim de rever seu ato concessório de registro. O prazo para interposição do PAN é de 180 (cento e oitenta) dias a contar da concessão do registro. De acordo com o art. atendidos os requisitos processuais próprios. inclusive pelo INPI ex officio. nos autos da ação de nulidade. deve necessariamente intervir no feito. após transitada em julgado a decisão da ação de nulidade. a instância administrativa. FGV DIREITO RIO 127 . segundo o art. deve ser obrigatoriamente ajuizada no foro da Justiça Federal e o INPI. a parágrafo segundo do art. Superada esta fase. a ação para declarar a nulidade do registro prescreve em 5 (cinco) anos contados da data da concessão do registro da marca. 173 e seu parágrafo único. que pode ser parcial ou total. determinar liminarmente a suspensão dos efeitos do registro e do uso da marca. ou seja. encerrando-se.279/96. Dessa forma. da lei 9. 32 33 art. sendo certo que seu titular da marca objeto do PAN pode apresentar contestação em até 60 dias a contar da publicação do PAN na RPI.279/96.31 Tal ação de nulidade pode ser proposta pelo INPI ou por qualquer pessoa com legítimo interesse. o INPI ficar obrigado a publicar uma anotação no processo da marca em questão. sendo certo que o juiz pode. o técnico do INPI examina o pedido de registro. Procedimentos judiciais Encerrada a via administrativa. 208 da LPI. Supondo-se que o pedido de registro seja deferido e a marca registrada eventualmente gere possibilidade de confusão com outra já registrada. A decisão do PAN tem efeitos retroativos. independentemente da ação criminal. instauração do PAN é o último remédio na esfera administrativa antes de se acionar o Poder Judiciário. requerendo ser declarado nulo o registro da marca recém concedida. da LPI. que tem fundamento no artigo 168 da LPI. o qual tem a prerrogativa de formular exigências durante o exame. alcançando todos os atos que desencadearam a concessão do título. as quais deverão ser cumpridas em 60 dias a contar da publicação. além de. da lei 9. pode-se recorrer ao Poder Judiciário para se obter a nulidade de um registro de marca. da lei 9. O PAN. pode ser instaurado por qualquer pessoa física ou jurídica com legítimo interesse. Importante ressaltar que não é cabível qualquer recurso contra a decisão proferida no PAN.pROpRIEDaDE InTElEcTual Decorrido o prazo para manifestação do oposto. A ação de nulidade.32 Quanto a danos causados a marcas registradas. 175.279/96. caput. A decisão final pode determinar a manutenção do registro ou declarar sua nulidade. o prejudicado poderá intentar as ações cíveis que considerar cabíveis na forma do Código de Processo Civil. quando não for autor da ação. inclusive quanto ao dever de indenizar terceiros prejudicados pelo exercício de um direito considerado ilegítimo. para ciência de terceiros.33 Conforme redação do art.

etiquetas. parágrafo 2º. feito com a fruta da palmácea do Pará. a criar confusão entre estabelecimentos comerciais. exportando seus produtos para vários países da União Européia.os benefícios que foram auferidos pelo autor da violação do direito.pROpRIEDaDE InTElEcTual “indenização será determinada pelos benefícios que o prejudicado teria auferido se a violação não tivesse ocorrido. art. equinácea.. ou III .279/96. a Energetik consultou seus advogados na Alemanha e solicitou um plano para proteção de seus produtos. FGV DIREITO RIO 128 . que é um tipo de bebida que contém cafeína advinda do guaraná. favos de mel. que contenham a marca falsificada ou imitada.a remuneração que o autor da violação teria pago ao titular do direito violado pela concessão de uma licença que lhe permitisse legalmente explorar o bem. a ação para reparação de dano causado à marca registrada prescreve em 05 (cinco) anos. da lei 9. alimentos naturais. este último pronunciado pelos alemães da seguinte forma: ‘izmufi akái’. ou II . “shake taperebá” e “smoothie açaí”.]” na LPI “[. Dentre os três critérios a seguir.. as marcas “energetik guaraná”. “smoothie açai”. Sabendo da forte concorrência nesse segmento. o juiz da causa pode determinar a apreensão de todas as mercadorias. adubos artificiais etc. caSo gErador Na Europa está na moda ter uma alimentação equilibrada.279/96. conforme redação do art. etc. da lei 9. 210.] tendentes a prejudicar a reputação ou os negócios alheios. sem modificações genéticas e sem agrotóxicos.. ou entre os produtos e serviços postos no comércio. que é um batido com leite de soja orgânico. na Espanha. embalagens. fabrica e comercializa bebidas energéticas. orgânicos e sem modificação genética.” Por último. verduras e legumes orgânicos. o mais favorável ao prejudicado é o que deve prevalecer: “I . nossa LPI cria critérios36 para cálculo referente à violação de marca registrada. 225 da LPI. Como a Energetik é muito famosa não só na Alemanha. da lei 9. objetos.. banana e xarope de guaraná.35 Ainda no tocante a lucros cessantes.os benefícios que o prejudicado teria auferido se a violação não tivesse ocorrido. 2. mas também na Europa inteira..” E ainda “fica ressalvado ao prejudicado o direito de haver perdas e danos em ressarcimento de prejuízos causados por atos de violação de direitos de propriedade industrial e atos de concorrência desleal não previstos [. 209. 36 art. Vende granola com mel. A empresa alemã. açúcar mascavo orgânico. em Alicante. localizada na cidade de Munique. 34 35 art. os advogados sugeriram que a empresa depositasse. que é um batido gelado que contém açaí.279/96. perante o Escritório Europeu de Marcas. nos casos de reprodução ou de imitação flagrante de marca registrada. chamada taperebá.. produtos.”34 Ademais. Energetik Gmba. industriais ou prestadores de serviço. 209. “shake taperebá”. além da mais recente novidade: frutas da Amazônia! Alguns dos produtos que eles comercializam são: “energetik guaraná”.

Décio vem a você e. A única e remota possibilidade de existência de direito da empresa alemã seria uma marca mista. taperebá e guaraná. por isso. ele também colocava o sinal “taperebá”. indignado. ou “guaraná”. portanto. Com base no exposto. Só que em cada um dos isopores. ou “açaí”.br/noticia/908/>.brasiloeste.com. b) A empresa alemã não tem direito de impedir a venda dos produtos de Décio. visitado em 24. uma vez que os nomes nos isopores tão-somente identificam os produtos ali presentes. por meio do direito marcário.06. o consulta. além da marca “Contente Frutas”. original de Belém do Pará. responda: a) Décio está infringindo algum direito da empresa “Energetik GmbH. “shake taperebá” e “smoothie açaí”. dependendo do produto que estivesse dentro da embalagem. Vide <http://www. é produtor de açaí. suponha que a lei alemã é exatamente igual à lei brasileira. que quando da chegada dos produtos de Décio Contente na Alemanha. e não propriedade. acionou seus advogados que. há apenas expectativa de direito. Justifique suas respostas e. c) Caso “cupuaçu” no Japão.e. em isopores e com a marca aposta: “Contente Frutas”. i. que atualmente já possui registrada no Escritório de Marcas Alemão duas das três marcas acima mencionadas. a empresa Energetik. por sua vez. Linha geral de resposta a) A marca “energetik guaraná” não foi registrada. a empresa alemã não teria direito algum.”? b) A empresa alemã tem direito de impedir a venda dos produtos de Décio para a Alemanha? c) Você já ouviu falar de algum caso semelhante na vida real? Qual? Pesquise e apresente maiores informações sobre esse caso real. As outras duas marcas são registradas. já que são de uso comum e meramente descritivos. as três marcas são compostas por termos de uso comum e meramente descritivos. Haveria a possibilidade de arguição de concorrência desleal. o que não dá direito de uso exclusivo. enviaram notificação extrajudicial à “Contente Frutas”. Contudo. e nos últimos anos passou a exportar a matéria prima para a europa. empresa de Décio. FGV DIREITO RIO 129 . sem direito de uso exclusivo.pROpRIEDaDE InTElEcTual Décio Contente. todavia. a princípio Décio estaria infringindo direito da empresa alemã. São nomes dos produtos e. para tanto. com figura ou estilizada.2007. Ocorre. Portanto. mas mesmo assim. não são registráveis como marca. da empresa Asahi Foods.

Fontes da repressão à concorrência desleal . 1. mais especificamente no seu art. e cuja prática é decisiva nos eventuais litígios envolvendo propriedade intelectual. Trata-se de um instituto cuja construção teórica atravessa os mais diversos campos do Direito – estando presente tanto no Direito Civil como no Direito Penal –.pROpRIEDaDE InTElEcTual concorrÊncia desleal Prof. A localização no final do principal texto legislativo que regula as relações jurídicas atinentes à propriedade industrial poderia dar a entender que a alegação com base na prática de concorrência desleal seria uma medida de menor FGV DIREITO RIO 130 . 271-334 LEituraS comPLEmEntarES PEREIRA. A concorrência desleal está inserida na Lei nº9. Lumen Juris: Rio de Janeiro.Concorrência Parasitária e Aproveitamento Parasitário – Publicidade . Marco Antônio Marcondes. patentes. Concorrência Desleal por meio da Publicidade. 2003.Crime de Concorrência Desleal . Denis Borges. Gert Egon.org. Rio de Janeiro: Juarez de Oliveira..279/96. DANNEMANN. pp.Publicidade e Concorrência Desleal . “A Concorrência Desleal: Uma pesquisa sobre as decisões judiciais dos tribunais brasileiros”. 2ª ed.ids.Concorrência Desleal e Responsabilidade Civil .1&lng=pt. Carlos affonso Pereira de souza EmEntário dE tEmaS A relevância prática do tema .br/site. é necessário agora voltar o foco da atenção para a concorrência desleal. tutelados esses pela propriedade industrial. modelos de utilidade e desenho industrial. in Revista da ABPI nº 61 (nov-dez/2002) e disponível no website http://www. 195.cfm?app=show&dsp=ged_ abpi61&pos=3.Publicidade Comparativa LEitura oBrigatória BARBOSA. 2001.Expressões e sinais de propaganda . rotEiro dE auLa a relevância prática do tema Depois de estudar o regime de proteção conferido pelo ordenamento jurídico às obras autorais e de aprofundar o conhecimento sobre marcas. Uma introdução à propriedade intelectual.

encontrando positivação no art. Hermano. utiliza meio fraudulento para desviar a clientela de outrem para si. o tema da concorrência desleal. O seu mais famoso tratadista no direito brasileiro. Trata-se de mais uma derivação da regra latina neminem laedere. Existem diversas motivações de ordem pública na repressão à concorrência desleal. envolvendo propriedade intelectual. lembra que a tutela da concorrência originou-se no século XVIII. através da concessão de writs of injunction à vítima de atos atentatórios à devida concorrência. Esse desvio de clientela não prejudica apenas a empresa que sofre com a redução de seu faturamento. comprovam a sua atualidade e relevância. com visto nas aulas de Direito Constitucional. da Constituição Federal. FGV DIREITO RIO 131 . não deve ser tomado apenas pelo enfoque do interesse privado. Uma das principais fontes da repressão à concorrência desleal na legislação é o artigo 10 bis da Convenção de Paris.385. Fontes da repressão à concorrência desleal A repressão à concorrência desleal não é um instrumento necessariamente novo na compreensão da propriedade intelectual. 6. do qual o Brasil é signatário. observados os seguintes princípios: IV – livre concorrência. conforme os ditames da justiça social. avançando para uma defesa estritamente processual no século XIX. embora apresente uma série de questionamentos práticos aplicáveis aos casos particulares. 1976. São paulo: Saraiva. tem por fim assegurar a todos existência digna. 170. O dispositivo legal está assim redigido: 37 DuVal.pROpRIEDaDE InTElEcTual potencial quando comparada aos mecanismos de defesa da patente concedida e da marca registrada. O referido raciocínio não poderia ser mais equivocado. Sendo assim. 170 – A ordem econômica. a repressão à concorrência desleal sempre esteve ligada à figura do ato ilícito.Concorrência desleal. A livre concorrência. podendo-se destacar a garantia de lisura na prática das atividades empresariais e a construção de um ambiente que estimule o profissional a ser criativo no manejo dos mais diversos elementos atinentes à propriedade intelectual. Embora a prática de concorrência desleal não disponha de um número de decisões judiciais tão vasto. sendo o seu combate realizado através do Direito Civil na seara da responsabilidade civil. a sua utilização nas peças processuais produzidas em litígios. da seguinte forma: Art. de 1914. por exemplo. p. é um dos fundamentos da ordem econômica. no qual a sua alegação se faz necessária. IV. determinando-se que aquele que causou dano a outrem é obrigado a repará-lo. fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa. e a sua presença constante como razão de decidir em recentes sentenças e acórdãos. na Inglaterra. Hermano Duval. A repressão à concorrência desleal parte do pressuposto de que existe um bem jurídico a ser protegido quando uma empresa. como ocorre com a infração ao direito de marca. promulgada pelo Decreto nº11.37 No campo do direito material. uma vez que condutas como essa ultrapassam os limites da livre e devida concorrência.

de acordo com o parágrafo 3 abaixo. o qual assim dispõe: FGV DIREITO RIO 132 . os produtos ou a atividade industrial ou comercial de um concorrente. nas circunstâncias. 2º. sem seu consentimento. exceto quando necessário para proteger o público. modo de fabrico. Ademais. os Membros adotarão providências para impedir que esses dados sejam divulgados. possibilidades de utilização ou quantidade das mercadorias. 3º As indicações ou afirmações cuja utilização no exercício do comércio seja susceptível de induzir o público em erro sobre a natureza.º bis 1) Os países da União obrigam-se a assegurar aos nacionais dos países da União proteção efetiva contra a concorrência desleal. características.pROpRIEDaDE InTElEcTual Artigo 10. protegerão esses dados contra seu uso comercial desleal. para mantê-la secreta. Pessoas físicas e jurídicas terão a possibilidade de evitar que informação legalmente sob seu controle seja divulgada. e informação submetida a Governos ou a Agências Governamentais. Os Membros que exijam a apresentação de resultados de testes ou outros dados não divulgados. estabelecer confusão com o estabelecimento. no sentido de que não seja conhecida em geral nem facilmente acessível a pessoas de círculos que normalmente lidam com o tipo de informação em questão. 3) Deverão proibir-se especialmente: 1º Todos os atos susceptíveis de. 2º As falsas afirmações no exercício do comércio. adquirida ou usada por terceiros. 3. Ao assegurar proteção efetiva contra competição desleal. 2) Constitui ato de concorrência desleal qualquer acto de concorrência contrário aos usos honestos em matéria industrial ou comercial. por qualquer meio. que assim dispõe: 1. cuja elaboração envolva esforço considerável. seja como um todo. ou quando tenham sido adotadas medidas para assegurar que os dados sejam protegidos contra o uso comercial desleal. os produtos ou a atividade industrial ou comercial de um concorrente. como disposto no ARTIGO 10bis da Convenção de Paris (1967). o combate à concorrência desleal em matéria de propriedade intelectual decorre do art. susceptíveis de desacreditar o estabelecimento. No direito interno. 39 do TRIPS. 2. os Membros protegerão informação confidencial de acordo com o parágrafo 2 abaixo. de maneira contrária a práticas comerciais honestas. seja na configuração e montagem específicas de seus componentes. da Lei nº9279/96. V. e c) tenha sido objeto de precauções razoáveis. Outra relevante fonte do combate à concorrência desleal é a disposição sobre o tema. como condição para aprovar a comercialização de produtos farmacêuticos ou de produtos agrícolas químicos que utilizem novas entidades químicas. desde que tal informação: a) seja secreta. b) tenha valor comercial por ser secreta. inserida no art. pela pessoa legalmente em controle da informação.

uma forte repressão por parte do ordenamento jurídico. 195 elenca as condutas que constituem crimes de concorrência desleal. VII – atribui-se. embora não adulterado ou falsificado. pelo seu próprio nome ou razão social. ou dele se utiliza para negociar com produto da mesma espécie. com o fim de obter vantagem. O artigo encontra-se redigido da seguinte forma: Art. O já citado art. III – emprega meio fraudulento. 195 – Comete crime de concorrência desleal quem: I – publica. acerca de concorrente. p. em produto de outrem. efetua-se mediante: V – repressão à concorrência desleal. em proveito próprio ou alheio. para desviar. realizadas através do “uso de meios ou métodos incorretos para modificar a normal relação de competição”38. O detalhamento do referido artigo é efetuado pelo art. 2º A proteção dos direitos relativos à propriedade industrial. A prática da concorrência desleal burla os princípios da livre concorrência. falsa afirmação. recompensa ou distinção que não obteve. em recipiente ou invólucro de outrem. Crimes de Concorrência Desleal. por isso. se o fato não constitui crime mais grave. IV – usa expressão ou sinal de propaganda alheios. IX – dá ou promete dinheiro ou outra utilidade a empregado de concorrente. trazem inegáveis prejuízos às suas vítimas e interferem no desenvolvimento das atividades de criação e utilização de obras intelectuais. para que o empregado. São paulo: José Bushatsky-EDuSp. em detrimento de concorrente. como meio de propaganda. por qualquer meio. podendo-se. com o fim de obter vantagem. ou os imita. acionar o agente do dano através da competente ação indenizatória. clientela de outrem. II – presta ou divulga. desestimula a atividade criativa por parte de seus autores e motiva. crime de concorrência desleal A caracterização da concorrência desleal como prática criminosa decorre da percepção de que tais condutas. 195 da mesma lei. 38 DElManTO. FGV DIREITO RIO 133 . faltando ao dever do emprego. nome comercial. 1975. 12. o qual tipifica as condutas consideradas como crimes de concorrência desleal. VIII – vende ou expõe ou oferece à venda.pROpRIEDaDE InTElEcTual Art. considerado o seu interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País. V – usa. título de estabelecimento ou insígnia alheios ou vende. falsa informação. celso. lhe proporcione vantagem. sem o seu consentimento. indevidamente. expõe ou oferece à venda ou tem em estoque produto com essas referências. VI – substitui. de modo a criar confusão entre os produtos ou estabelecimentos. além dos tipos penais. o nome ou razão social deste. produto adulterado ou falsificado.

todas as condutas estão unidas pela presença do dolo como elemento subjetivo comum. XI – divulga. A caracterização do dolo específico do agente. que não o seja. Inicialmente. excluídos aqueles que sejam de conhecimento público ou que sejam evidentes para um técnico no assunto. a que teve acesso mediante relação contratual ou empregatícia. que incorrer nas tipificações estabelecidas nos mencionados dispositivos. em anúncio ou papel comercial. dada a reserva legal estrita aplicável ao regime da interpretação das normas penais. como depositado ou patenteado. XII – divulga. Parágrafo 1º. concorrência desleal e responsabilidade civil O mesmo raciocínio. proporcionar vantagem a concorrente do empregador. declarando ser objeto de patente depositada. faltando ao dever de empregado. retira de sua regulamentação a modalidade culposa. XIV – divulga. informações ou dados confidenciais. não haveria que se falar em ampliação das condutas criminosas do art. 195 através do recurso à analogia ou figuras afins. de 3 (três) meses a 1 (um) ano. 195 seria. ou registrado. de resultados de testes ou outros dados não divulgados. podendo o mesmo ser praticado de forma instantânea ou continuada. expõe ou oferece à venda produto. podendo a vítima do dano pleitear a devida reparação através de mecanismos interpretativos mais abrangentes do que aqueles postos à disposição FGV DIREITO RIO 134 . explora ou utiliza-se.Inclui-se nas hipóteses a que se referem os incisos XI e XII o empregador. comissivo. sem autorização. sem autorização. quando necessário para proteger o público. mesmo após o término do contrato. sócio ou administrador da empresa. ou XIII – vende. inversamente ao que ocorre na esfera penal. ou concedida. explora ou utiliza-se. explora ou utiliza-se. Pena – detenção. cuja elaboração envolva esforço considerável e que tenham sido apresentados a entidades governamentais como condição para aprovar a comercialização de produtos. de conhecimentos ou informações a que se refere o inciso anterior. não prospera na esfera civil. Parágrafo 2º. de conhecimentos. ou de desenho industrial registrado. ou aceita promessa de paga ou recompensa. ou multa. 195. sem o ser. para. comércio ou prestação de serviços. taxativo. obtidos por meios ilícitos ou a que teve acesso mediante fraude. sem autorização. que atua com o desejo de prejudicar o concorrente ou obter vantagem indevida. utilizáveis na indústria. portanto. Da leitura das condutas previstas no art. O rol de condutas previsto no art. ou menciona-o. A doutrina afirma que.pROpRIEDaDE InTElEcTual X – recebe dinheiro ou outra utilidade.O disposto no inciso XIV não se aplica quanto à divulgação por órgão governamental competente para autorizar a comercialização de produto. podem-se ressaltar algumas considerações de relevo para a compreensão do crime de concorrência desleal. Trata-se ainda de crime comum.

caução em dinheiro ou garantia fidejussória. Os lucros cessantes serão determinados pelo critério mais favorável ao prejudicado.os benefícios que o prejudicado teria auferido se a violação não tivesse ocorrido.pROpRIEDaDE InTElEcTual do intérprete penal. 195 poderão ser consideradas como prática de concorrência desleal. A indenização será determinada pelos benefícios que o prejudicado teria auferido se a violação não tivesse ocorrido. caso julgue necessário. ou entre os produtos e serviços postos no comércio. 209. mas apenas para os fins de responsabilidade civil. etiquetas e outros que contenham a marca falsificada ou imitada. o juiz poderá determinar a apreensão de todas as mercadorias. Art. 208. embalagens. ou II . 210 determina que. outras condutas que não as previstas no art. Art. O art. o uso de propriedade intelectual alheia. a criar confusão entre estabelecimentos comerciais. ou III . deverá o juiz decidir pela aplicação daquele que for mais favorável à vítima do dano. determinar liminarmente a sustação da violação ou de ato que a enseje. objetos. de forma pouco usual no ordenamento jurídico nacional.a remuneração que o autor da violação teria pago ao titular do direito violado pela concessão de uma licença que lhe permitisse legalmente explorar o bem. Sendo assim. 210.os benefícios que foram auferidos pelo autor da violação do direito. em alguma medida. pois o agente e a vítima não competem no mesmo mercado. § 2º Nos casos de reprodução ou de imitação flagrante de marca registrada.279/96. concorrência Parasitária e aproveitamento Parasitário O aspecto de “parasitismo” é uma característica recorrente nas condutas de concorrência desleal. Fica ressalvado ao prejudicado o direito de haver perdas e danos em ressarcimento de prejuízos causados por atos de violação de direitos de propriedade industrial e atos de concorrência desleal não previstos nesta Lei. para evitar dano irreparável ou de difícil reparação. produtos. dentre os seguintes: I . § 1º Poderá o juiz. tendentes a prejudicar a reputação ou os negócios alheios. antes da citação do réu. nos autos da própria ação. conforme a redação dos artigos 207 a 210 da Lei nº9. é importante diferenciar as práticas nas quais o parasitismo constitui um verdadeiro fator nocivo à concorrência e quando o mesmo é utilizado de forma mais branda. industriais ou prestadores de serviço. dentre todos os critérios elencados. mediante.” É relevante destacar que a legislação. FGV DIREITO RIO 135 . estipula quais os parâmetros que deverão ser levados em consideração pelo julgador em eventual ação de indenização sobre concorrência desleal para a concessão dos lucros cessantes. mas existe. O regime da responsabilidade civil nascida da prática de concorrência desleal na seara da propriedade intelectual está assim disciplinada na referida Lei: “Art. Todavia.

ou seja. tira ou procura tirar proveito da criação de obra artística. os atos do agente não constituiriam atos ilícitos. costuma-se conceituar publicidade como “uma técnica de comunicação de massa. armando.39 É importante frisar que os termos propaganda e publicidade não são sinônimos. Em outras palavras. evidenciam uma situação de concorrência parasitária. O referido Código estabelece. sem que haja identidade ou afinidade entre os produtos e os serviços das empresas. bem como promover instituições. Técnica e Prática. por sua vez. Diz-se que na concorrência parasitária não se agride de modo ostensivo. 201. “enterrar o rebento no solo”. Na primeira hipótese o agente se vale das criações utilizadas por um concorrente ou tira proveito do seu fundo de comércio. bem como promover instituições. pressupondo uma relação de não-concorrência. p. A publicidade em face do código de defesa do consumidor. conceitos ou idéias. O que a caracteriza é o fato de tais atos não se enquadrarem na noção clássica e convencional de concorrência desleal. isto é. paga com a finalidade precípua de fornecer informações. caracteriza-se pela conduta de um comerciante ou industrial que. o parasita se aproveita de um elemento atrativo de clientela de terceiro (que não é seu concorrente). desenvolver atitudes e provocar ações benéficas para os anunciantes. propagare quer dizer enterrar. teorias ou doutrinas. entre outras. sem necessariamente prejudicar e desviar consumidores deste. como de bens e serviços. Segundo Valéria Falcão40. onde a finalidade precípua é o desvio de clientela. que significa “reproduzir por meio de mergulhia”. 3ª ed. Já o termo publicidade tem SanT’anna. conceitos ou idéias”. literária ou intelectual de terceiro. mas sua constância. por serem ambas distintas tanto da publicidade quanto da propaganda. Nessa modalidade.pROpRIEDaDE InTElEcTual As duas situações referidas podem ser denominadas “concorrência parasitária” e “aproveitamento parasitário”. cívicas. O aproveitamento parasitário. mergulhar. 10. religiosas. geralmente para vender produtos ou serviços”. mas de forma indireta. Propaganda tem caráter mais ideológico. que não são objeto de regulação: (i) as atividades de relações públicas e publicity. direto ou frontal. a propaganda deriva do latim propagare. Isoladamente considerados. mas um se utiliza em alguma medida de ativos do outro. São paulo: Saraiva. e não o aproveitamento do trabalho e do investimento alheio. Existe claramente uma distinção sobre a existência de dois agentes distintos no mercado. sutil e sofisticada. Publicidade O Código Brasileiro de Auto-Regulamentação Publicitária. e (ii) as propagandas política e político-partidária. plantar. em seu art. São paulo: pioneira.76. No meio publicitário. mesmo sem intenção de causar dano. Propaganda: Teoria. 8°. ou seja. Valéria. mas sem buscar sobrepor-se ou fazer-se passar pelo concorrente. repetição e a nítida intenção de copiar a linha de produção e criação alheia. sejam tais idéias políticas. a propagação de princípios. 39 40 FalcÃO. ou do renome alheio adquirido legitimamente. p. apresenta a publicidade como “toda atividade destinada a estimular o consumo de bens e serviços. ainda. que tem como principal objetivo a regulamentação das normas éticas aplicáveis à publicidade. a própria direção tomada pelo pioneiro. FGV DIREITO RIO 136 .

Pena – detenção. quando se analisa a propaganda como um todo. Denis Borges. o que se faz abundantemente. in verbis: Art. Isso não significa que os sinais de propaganda sejam relegados ao desamparo.pROpRIEDaDE InTElEcTual um caráter comercial. com isso. originais e característicos que se destinem a emprego como meio de recomendar quaisquer atividades lícitas. gravuras. institucional quando se anuncia a própria empresa. De acordo com o artigo 124. até porque as próprias disposições penais da lei vedam o emprego de sinal de propaganda alheio. As marcas geralmente são usadas também nas expressões de propaganda para fins de fixar a imagem do produto. título de estabelecimento. não são registráveis como marca os sinais ou expressões empregadas como meio de propaganda. 900. VII. p. 73: Entende-se por expressão ou sinal de propaganda toda legenda. anúncio. a marca. p. no contexto da concorrência desleal. eis que. percebe-se que a marca pode estar inserida dentro deste processo. apenas. verificar o tratamento que a Lei de Propriedade Industrial estabeleceu para as expressões e sinais de propaganda. insígnia. Denis Borges. mercadorias ou serviços. que passa de exclusivo. Uma Introdução à Propriedade Industrial. com remissões no artigo 124. a sua tutela. o título de proteção. conforme artigo 194 a seguir discriminado: Art. ainda. 2003. IV e VI. No entanto. no artigo 131 e nos artigos 193.42 41 BaRBOSa. expressão ou sinal de propaganda ou qualquer outra forma que indique procedência que não a verdadeira. a função dos sinais e expressões de propaganda continua intacto: alerta-se. através do registro. sendo apenas um elemento deste conjunto. Sobre o tratamento concedido aos sinais e expressões de propaganda pela Lei de Propriedade Industrial. palavra. Uma Introdução à Propriedade Industrial. ou igualmente exclusivo no contexto do Direito Autoral. 194 e 195. eliminando. combinação de palavras. A publicidade pode ser dividida em institucional ou promocional. ao eliminar a proteção exclusiva das expressões e sinais de propaganda existentes nas leis anteriores. ou vender ou expor à venda produto com esses sinais. 42 BaRBOSa. no entanto. Rio de Janeiro: Editora lúmen Júris. ou a atrair a atenção dos consumidores ou usuários. Segundo Denis Borges Barbosa41. Denis Borges Barbosa afirma que a Lei. nome comercial. na atual legislação a definição continua aplicável. 899. Expressões e sinais de propaganda O conceito de sinal e expressão de propaganda encontrava-se disposto no artigo 73 da Lei nº5. ou seja. Usar marca. de 1 (um) a 3 (três) meses. É importante. ou multa. desenhos. inciso VII. serviço junto ao público. acima mencionado. 2003. FGV DIREITO RIO 137 . Rio de Janeiro: Editora lúmen Júris. realçar qualidades de produtos. negocial e se apresenta com intuito de vender produtos ou serviços junto ao público consumidor.772/71. não extinguiu. da referida Lei. sendo certo que a publicidade promocional busca vender produtos e anunciar serviços. a possibilidade de registro dos mesmos. reclame. 194. a não exclusivo – mas tutelado no contexto da concorrência.

visto que busca alcançar vantagem em prejuízo concorrente43. FGV DIREITO RIO 138 . A publicidade em face do Código de Defesa do Consumidor. para fins de realização de propaganda de seus produtos ou serviços. Uma vez formulada uma denúncia. bens ou serviços oferecidos por um concorrente. 15 e 16 44 FERnanDES. Segundo Fábio Fernandes. o CONAR recomenda aos veículos de comunicação a suspensão da exibição da peça ou sugere correções à propaganda.610/98. verifica-se que a publicidade deve observar os princípios que regem a concorrência leal. identifica um concorrente. por sua vez. desde que estejam em conformidade com os termos e condições impostos pela Lei 9. a publicidade que tem como objetivo denegrir a imagem de terceiros é vedada. de forma explícita ou implícita. Fábio. Trata-se de uma organização encarregada da aplicação do Código Brasileiro de AutoRegulamentação Publicitária. Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária. Propaganda comparativa. sujeitando-se às penas previstas na Lei de Propriedade Industrial no caso de utilização ou imitação de sinal. está sujeito às penas ali previstas. Diante disso. publicidade comparativa é qualquer forma de publicidade que. julgamento e deliberação no que se relaciona à obediência e cumprimento do disposto no Código – se reúne e a julga. em seu artigo 38. Se a denúncia tiver procedência. Já o artigo 41 do referido Código. autoridades. No entanto. aquele que realizar concorrência desleal através das ações previstas nos incisos IV e VII do artigo 195. pp. dos seus associados ou ainda formuladas pela própria diretoria. além do caso de atribuição de uso. Podem ainda ser advertidos o anunciante e a agência. Publicidade e concorrência desleal O artigo 4º do Código Brasileiro de Auto-Regulamentação Publicitária estabelece que todo anúncio deve respeitar os princípios de leal concorrência geralmente aceitos no mundo dos negócios. se propaganda de terceiro que cause confusão de estabelecimentos (inciso IV). Diversos casos envolvendo a veiculação de publicidade e concorrência desleal são apreciados pelo CONAR. ressalvados os casos em que a imitação é comprovadamente um deliberado e evidente artifício criativo”. em sua propaganda de recompensa ou prêmio que não obteve (inciso VII).pROpRIEDaDE InTElEcTual É importante mencionar que as expressões e sinais de propaganda também podem ser protegidos via concorrência desleal ou pelo direito autoral. Em atendimento a esse dispositivo. garantido direito de defesa ao acusado. inclusive os dos intérpretes e os de reprodução”. dispõe que este “Código protege a criatividade e a originalidade e condena o anúncio que tenha por base o plágio ou imitação. Publicidade comparativa A publicidade comparativa pode ser conceituada como aquela que o anunciante compara seu produto ou serviço com o(s) dos(s) concorrente(s). Valéria Falcão. o Conselho de Ética do CONAR – o órgão soberano na fiscalização.44 43 cHaISE. 1999. anais do XIX Seminário nacional da propriedade Intelectual. que “em toda a atividade publicitária serão respeitados os direitos autorais nela envolvidos. Cumpre destacar que o Código Brasileiro de Auto-Regulamentação Publicitária estabelece. atendendo a denúncias de consumidores.

In Revista da ABPI nº 45. A caMElIER. f. Lei de patentes. sendo condenável o confronto entre produtos de épocas diferentes. denegrimento à imagem do produto ou à marca de outra empresa. quando se fizer uma comparação entre produtos cujo preço não é de igual nível. deveria ser utilizada primordialmente em papéis. visto que a sua redação daria a entender que a marca. posto que dados subjetivos.pROpRIEDaDE InTElEcTual A publicidade comparativa é permitida quando não é enganosa. marcas e direitos conexos. tendo em vista o artigo 131 da referida Lei. a comparação alegada ou realizada seja passível de comprovação. g. a simples menção ou citação da marca do concorrente na propaganda seria capitulada como uso indevido ou desautorizado de marca alheia. com ao advento da Lei de Propriedade Industrial (Lei 9. a publicidade comparativa é aceita desde que observados alguns requisitos: Artigo 32 – Tendo em vista as modernas tendências mundiais – e atendidas as normas pertinentes do Código da Propriedade Industrial. propaganda e documentos relativos à atividade do titular. FGV DIREITO RIO 139 . o artigo 131 pecaria pela total falta de clareza. e. nesse caso. Além disso. em se tratando de bens de consumo a comparação seja feita com modelos fabricados no mesmo ano. especialmente o antigo Código de Propriedade Industrial de 1971 e as práticas de concorrência utilizadas até então. No entanto. impressos. No entanto. b. não se estabeleça confusão entre produtos e marcas concorrentes. tenha por princípio básico a objetividade na comparação. o que. contanto que respeite os seguintes princípios e limites: a. 216. respeitados estudiosos da matéria têm entendido que. p. o regramento do artigo 32 não concorreu ou não se incompatibilizou com as demais leis. c. seu objetivo maior seja o esclarecimento. h.279/96). de fundo psicológico ou emocional. a publicidade comparativa será aceita. impressos.276/96”. não constituem uma base válida de comparação perante o Consumidor. Segundo o artigo 32 do Código Brasileiro de Auto-Regulamentação Publicitária. se não mesmo a defesa do consumidor. devendo comparar produtos ou serviços do mesmo universo. José Tinoco. a menos que se trate de referência para demonstrar evolução. para José Carlos Tinoco Soares46. tal circunstância deve ser claramente indicada pelo anúncio. que permite comparar características relevantes que possam ser comprovadas. 45 46 SOaRES. não importando se para assinalar produtos ou serviços. sob pena de acarretar a concorrência desleal. A proteção de que trata esta Lei abrange o uso da marca em papéis. “propaganda comparativa e a lei de propriedade Industrial 9. o qual dispõe o que se segue: Art. não se caracterize concorrência desleal. propaganda e documentos relativos à atividade do titular. a publicidade comparativa não deve pode provocar confusão no mercado entre os concorrentes ou entre seus signos distintivos. alberto. Ed: RT. Para Alberto Camelier45. não se utilize injustificadamente a imagem corporativa ou o prestígio de terceiros. a partir de sua plena vigência. deve ser caracterizado. d. 131.

Os alunos poderão citar o art. usuários do website “Academia dos Livros” começaram a perceber que. a prática narrada é ilícita. encontravam como resposta para a pesquisa não apenas o website procurado. o website da concorrente aparecia até mesmo antes do website “Academia dos Livros” nos resultados da pesquisa. III. ao pesquisar pela marca “Academia dos Livros”. caSoS gEradorES caso 1 – concorrência desleal na internet Os websites “Império dos Livros” e “Academia dos Livros” são dois concorrentes no ramo de vendas de livros didáticos online. a Império dos Livros Comércio e Indústria Ltda. Os alunos deverão abordar na questão as conseqüências do uso de meta-tags na proteção marcária. O desvio de clientela caracteriza-se pela utilização de meio fraudulento para induzir clientes de terceiros a adquirir um produto ou contratar um serviço do seu estabelecimento. o qual determina que comete crime de concorrência FGV DIREITO RIO 140 . A outra apenas se vale do nome da concorrente para eventualmente desviar a clientela alheia. a marca de uma concorrente foi utilizada no meta-tag do website de forma a produzir um verdadeiro desvio de clientela. responda se o uso desse recurso é lícito ou ilícito no caso apresentado. da Lei nº9.279/96. teria sempre à disposição. 2. chegando. Com base na narração acima. 195. na redação do artigo 131 acima citado não poderia ter o alcance que se pretende dar. É importante ressaltar que a pesquisa foi feita pelo nome de uma livraria específica. Logo.. evitando-se qualquer possibilidade de propaganda comparativa. a oportunidade de pesquisar no website concorrente. Justifique. No presente caso. suspeitam os diretores da “Academia dos Livros” que o website concorrente está se valendo de algum artifício para gerar esse resultado nos sites de pesquisa. quando inseriam em um site de busca (como o Google e o Yahoo) a palavrachave “Academia dos Livros”. e a Academia dos Livros Comércio de Livros e Periódicos Ltda. O meio fraudulento no caso concreto é a utilização da marca da concorrente sem a respectiva autorização e de forma sub-reptícia para gerar um resultado não desejado inicialmente pelo consumidor. registraram também as suas respectivas marcas no INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial. Adicionalmente. em alguns casos. sob pena de deturpar a mens legislatoris. o “Império dos Livros”. além dos nomes de domínio referidos.pROpRIEDaDE InTElEcTual simples inclusão da palavra “propaganda”. Preocupados com a vinculação de sua marca pela livraria concorrente. a aparecer antes do website originalmente procurado pelo consumidor na Internet. O usuário de um site de busca. Ambas as empresas que exploram os websites. identifique o recurso que estaria o website “Império dos Livros” utilizando para gerar esse estranho resultado. na mesma página de resultados. Em algumas tentativas. Curiosamente. mas também o website “Império dos Livros”. além do site procurado.

caso 2 – imagens abaixo. no todo ou em parte. publicação Editora caras. Publicidade para a Hortifruti. estrangeiros ou internacionais. Pena . nome comercial. mesma Lei comercial.detenção. da al. MP Seguem abaixo duas decisões selecionadas do CONAR sobre propaganda comparativa: PROPAGANDA COMPARATIVA IRREGULAR “Brasileira arrasa com havaiana” 55 FGV DIREITO RIO 141 .pROpRIEDaDE InTElEcTual desleal quem “III ou imitar. criação de Mp publicidade para a Hortifruti. ou usar essas reproduções ou nome nº 9. através da repressão à concorrência desleal? Observe as imagens abaixo. matEriaL dE LEitura Extra: Cascas. insígnia ou sinal de propaganda. em marca.279/96. de 1 (um) a 3 (três) meses. armas. que assim sinal de imitações com fins econômicos. 3. Publicação Editora Caras. no todo ou em parte. ou multa. alheio. em marca. parainduzir em proveito próprio ou armas. clientela de outrem. estrangeiros ou internacionais. em erro ou confusão. sem a Alguns alunos poderão ainda utilizar não o dispositivo sobre concorrência deslenecessária ao crime contra o direito de marca. Caras econômicos. título de estabelecimento. Existiria nesse caso alguma conduta passível de sancionamento Observe ascaras e cascas Reproduzir ou imitar.detenção. ou usar essas reproduções ou imitações Caso 2 –com fins e Cascas Pena . sem a necesbrasões sária autorização. ou multa. 191. Reproduzir . título de estabelecimento. Campanha Revista Caras. insígnia ou dispõe: propaganda.” brasões ou distintivos oficiais nacionais. Existiria nesse caso alguma conduta passível de sancionamento através da repressão à concorrência desleal? Revista Caras. Trata-se do artigo art. Criação de Campanha Cascas. de modo que possa induzir em erro ou confusão. meio fraudulento. mas o relativoautorização. ou distintivos oficiais nacionais. de 1 (um) a 3 (três) meses.emprega de modo que possa desviar.

Denunciado: anúncio “A primeira coisa que você precisa saber na hora de comprar um carro é quanto ele vale e quanto ele custa” (mídia impressa). revelados em seu texto. propôs a manutenção da sustação. O relator considerou frágeis as razões da defesa e.000 km (cr$/km)”.pROpRIEDaDE InTElEcTual Representação nº 258/99 Autores: Almap/BBDO e São Paulo Alpargatas Anunciante: Bison Relator: José Francisco Queiroz Decisão: Sustação Outdoors e busdoors reproduzem foto de sandália Glitter. “Consumo à velocidade de 80 km (km/litro)”. que podem entender que um produto “arrasou” com o outro. as sandálias destinam-se a consumidores de perfil semelhante. enquanto o produto da Bison sequer é mencionado na pesquisa. não foram técnicos ou científicos e nem obtidos através de testes com a supervisão ou o acompanhamento dos fabricantes concorrentes ou organismos oficiais.A. Por isso. que não seriam. Brasília e Volkswagen 1.300. que não corresponde à verdade. inclusive. equivalentes. onde diz que não teve a intenção de tecer comparação entre o seu produto e Havaianas. Preliminarmente. Relator: Consº Luís Marcelo Dias Sales O anúncio estabeleceu comparações entre os produtos automóveis Fiat. Informou também que não pretende mais se utilizar dos anúncios. Foi concedida liminar sustando a exibição da peça. solicitou do Anunciante o seguinte: “Há dois pontos que precisam ser enfocados no presente processo: a chamada propaganda “comparativa” e as “infrações” à lei 4680/65 e Decreto 57690/66. “Capacidade do porta-malas (litro)” e “Distância de frenagem a 80 km/h (metro)”. agravado pelo teor da frase. A denunciante entendeu que tal publicidade era prejudicial à imagem de seus produtos e que os dados de pesquisa. Fabricante das tradicionais sandálias Havaianas. a São Paulo Alpargatas e sua agência escreveram ao Conar protestando contra o uso da sua marca em anúncio de concorrência. PROPAGANDA COMPARATIVA Representação nº013/79 Denunciante: Volkswagen do Brasil S.A. inclusive o código de ética e as normas padrão. O relator do processo manifestou-se em três oportunidades. tornando-se líder de mercado. Anunciante: FIAT AUTOMÓVEIS S. uma vez que Havaianas detém share de mercado próximo de 90%. com vantagem para o primeiro nos itens “Custo de manutenção em 30. com o título “Brasileira arrasa com havaiana”. ainda que concordasse que são fabricadas a partir de diferentes matérias-primas. FGV DIREITO RIO 142 . fabricada pela Bison. voto acolhido pela maioria dos conselheiros. Chevette. A Bison enviou defesa.

como também não houve a apresentação. pois através dela ele terá opções de decisão.pROpRIEDaDE InTElEcTual A propaganda comparativa é uma técnica moderna e avançada. desde que respeitadas as normas éticas do negócio da propaganda. Em razão disto. sem a menção da fonte de origem. de maneira capciosa. na realidade. setembro/78. data de edição e página).” Pela seriedade do assunto. deverão ser citados nominalmente o veículo e a edição respectiva. Ela apresenta os dados sobre os veículos comparados em igualdade de exposição e no mesmo padrão. agosto/78. Não vamos aqui tecer nenhuma tese sobre propaganda comparativa. um instrumento do consumidor. “Por outro lado. de diferentes revistas especializadas. Quanto à infração à legislação da propaganda propriamente dita. pois não foi feita uma pesquisa em todas as revistas especializadas. maio/78. infringindo-se o Código de Ética em seu item 11-16. hoje utilizada em larga escala nos Estados Unidos e outros países. É necessário. Na realidade. letras d e e do Decreto 57690/66) nem depreciação do concorrente. Embora não possa afirmar categoricamente. procurou demonstrar a maneira como obteve os dados apresentados na propaganda comparativa. os dados de desempenho variam muito em razão do próprio carro. outubro/78. Daí o perigo da informação como foi feita. edições de abril/78. Sabemos todos que. nos chamados testes de veículos. A propaganda comparativa é uma técnica válida e atual. na qual foram colhidos os dados. não houve difamação (artigo 17. em especial. Aí sim. entretanto. etc. A propaganda da Fiat cita como fonte “as revistas especializadas”. mas apenas destacar alguns conceitos universalmente aceitos e consagrados. poderá ter razão a Volkswagen em sua preocupação e em sua posição. em próximos anúncios deste tipo. e. que os produtos comparados devem ser expostos de igual maneira. A propaganda comparativa é. de elementos de pesquisa ou estatística. não me parece cristalina a afirmação feita pela Volkswagen. sugiro que seja oficializado à Fiat. em seu esclarecimento. FGV DIREITO RIO 143 . fiz uma pesquisa nas Revistas Quatro Rodas. das condições. poderá a Fiat ter colhido apenas os números que lhe dão melhor posição em diferentes edições. novembro/78. A indicação como fonte “revistas especializadas” poderá gerar dúvidas. julho/78. e ainda engatinhando no Brasil. sem prejudicar o concorrente. prosseguiu o relator: “A Fiat.” Obtidos tais informes. para que informe à Conar a fonte exata (revista. aos artigos especificamente citados. que se ressalve ou se analise a veracidade ou a autenticidade dos números. Os textos devem ser informativos e exatos. Estes números poderão ter sido colhidos de várias revistas em várias edições diferentes. evitando-se sofismas ou dúbia interpretação. Entende-se aí.

janeiro/79. Esta evidência nos deixa realmente preocupados quanto à veracidade de todas as informações. não constam os testes de 3. março/79.2047/km.000 km de cada veículo. e conseqüentemente prejudicando os de datas mais recentes. melhores benefícios para o anunciante. quanto ao item “custo de manutenção”.” E. entretanto. advertindo-a do perigo e dos danos que isto pode causar. Face ao exposto.)” Acontece. no sentido da paralisação desta propaganda. que no período de abril de 78 até maio de 79. em voto acolhido por unanimidade pela Câmara. parece-me que a informação prestada pela Fiat não está clara ou exata. proponho que a ela seja oficiado. foram consultados os dados do último teste de 3. colocando desta forma os valores em igualdade de condições (. finalmente. cujas cópias do índice de matérias incorporo ao presente processo. beneficiando os produtos em datas mais antigas. recomendou a Advertência do Anunciante. FGV DIREITO RIO 144 . Entretanto. a não ser que a Fiat apresente provas em contrário. Os dados básicos comparados foram tirados de várias edições trazendo... Ela diz textualmente no processo que “Com relação ao comparativo do custo de manutenção.000 km aludidos. à exceção do teste do Chevette (edição junho/78) com o custo não inflacionado de Cr$ 1. Considerando que estes testes foram publicados em períodos diferentes e que teríamos uma distorção provocada pelo efeito da inflação. fevereiro/79. abril/79 e maio/79. foram usados os índices oficiais da Fundação Getúlio Vargas para inflacionar todos os dados até dezembro de 1978.pROpRIEDaDE InTElEcTual dezembro/78. inegavelmente.

). Ivo. pp. Carlos Affonso. Para que a comunicação entre cada um dos inúmeros computadores ligados na rede aconteça. 1. Desde o final da década de 60. um grupo denominado “Força Tarefa de Engenharia da Internet” (Internet Engineering Task Force) foi criado para propor soluções sobre como resolver esse obstáculo. 102/123. Ronaldo. Direito. 2003. 2003. pp. São Paulo: RT. Carlos affonso Pereira de souza Prof. Arbitragem Interna e Internacional. rotEiro dE auLa Surgimento e função dos nomes de domínio A Internet é uma rede de computadores interligados entre si. 142/164. LEituraS comPLEmEntarES PEREIRA DE SOUZA. em última análise.A resolução dos conflitos entre marca e nome de domínio na OMPI . é preciso que um computador seja capaz de encontrar o outro. pp. um padrão que permitisse a todos os computadores conectados falarem a mesma língua e encontrarem uns aos outros no ambiente da rede. Tecnologia e Cultura. in Ricardo Ramalho Almeida. que. __. Rio de Janeiro: Editora FGV.Conflitos envolvendo nomes de domínio e marcas . in LEMOS. Rio de Janeiro: Renovar. Esse standard levou à estruturação do sistema de nomes de domínios e de números IP – de Internet Protocol –. (Org. “A Resolução de Conflitos entre Marca e Nome de Domínio na Organização Mundial de Propriedade Intelectual”.pROpRIEDaDE InTElEcTual nomes de domínio Prof. Conflitos sobre Nomes de Domínio e outras questões polêmicas. Bruno Magrani EmEntário dE tEmaS Surgimento e função dos nomes de domínio . isto é. ______________ .Questões práticas sobre as decisões da OMPI LEitura oBrigatória LEMOS. Ronaldo e WAISBERG. A solução proposta por esse grupo deu-se por meio da criação de um standard. foi o elemento fundamental FGV DIREITO RIO 145 . 2005.

Esses números têm uma forma parecida com 200. sem que o usuário sequer perceba a operação.68. Por meio deles. qual seja. Eles desempenham a mesma função que os nomes de domínio.107. Para encontrar uma determinada página na Internet. alguém que queira registrar o nome de domínio idiota. outros nomes de domínio registrados na mesma entidade e marcas nominativas e mistas de industria e comércio depositadas no INPI .48 conflitos envolvendo nomes de domínio e marcas O registro de nomes de domínio que refletem. Propriedade industrial.162.68. é preciso digitar um endereço eletrônico no programa de navegação. Conseqüentemente. first served”. Internet. titular de diversas marcas registradas que possuem como sinal característico a expressão “IG”: “Concorrência desleal. 47 por exemplo.com. os nomes de domínio surgiram como um mecanismo para facilitar a memorização e a utilização dos endereços na Internet. Confronto entre nome de domínio registrado na FAPESP . Diversas decisões foram proferidas sobre o assunto. salvo algumas exceções.19.msn. isso nem sempre foi assim. muitas vezes já registrada no INPI.Instituto pode-se perceber. que registrou esse domínio no dia 17 de setembro de 2002. No caso abaixo.250. Ação ordinária objetivando a cessação do uso de nome de domínio na Internet. um computador encontrava outro na rede. Essa situação foi proporcionada pelo sistema adotado para o registro de nomes de domínio concernente na política do “first come. de outro lado.com. a página da Microsoft Network. Porém. duas pessoas interessadas em registrar o mesmo nome para permitir que usuários da Internet possam visitar as páginas na rede poderão entrar em uma potencial disputa – ou o nome levará à página de uma pessoa ou levará à página da outra.br para referir-se ao endereço de sua página na Internet terá de negociar com o usuário Daniel Carvalho Campielo.br –.br” por conta de ação movida pela Internet Group do Brasil Ltda. Por motivos óbvios. de forma direita ou indireta.pROpRIEDaDE InTElEcTual para o surgimento da Internet. permitir que um computador encontre outro na rede. 48 FGV DIREITO RIO 146 .180. Esse procedimento acontece de modo automático. Antes do uso dos nomes de domínio – tais como www. já que é muito mais fácil lembrar e utilizar um endereço como www. qual seja.com do que digitar um número como 207. A digitação desse endereço permite ao programa de navegação encontrar o número no qual a página procurada está armazenada.msn.176. seu navegador vai chegar ao mesmo lugar. O cenário de conflito se tornou realidade com uma série de registros realizados por pessoas que nenhuma relação possuíam com determinada marca. que. marcas detidas por terceiros tornou-se conduta reiterada na Internet. quem primeiro apresentar o requerimento para registro do nome de domínio será.250. Ou seja.117. por exemplo. uma empresa foi impedida de utilizar o nome de domínio “ignoticias. o seu titular.Fundação de Amparo `a Pesquisa do Estado de São Paulo e.fgv. contudo.176. se você digitar tanto o endereço www. ou ainda 68.com quanto o número 207. angariando as atenções dos especialistas em propriedade industrial.47 Os conflitos sobre nomes de domínio começaram a surgir a partir do fato de que só pode existir um único nome para cada endereço numérico – ou grupo de endereços numéricos – que se pretende acessar. apenas números eram utilizados.8.

etc). 49 50 andré lucas e outros.001. Interposição de apelo pela agravada. p. Pedido de liminar especifica prevista na Lei n. (ii) terminados com os novos domínios de primeiro nível. Droit de l´Informatique et de Internet.20279. etc. Direito do titular da marca ou seu depositante de zelar pela respectiva integridade material ou reputação. a colisão entre marcas é de certa forma reduzida pela existência de diversas classes. “. Visando ao deslinde do referido impasse. é mais reduzido. 2001.biz”.br” não podem se valer desse método alternativo de resolução de conflitos. A referida Política aplica-se aos nomes de domínio: (i) terminados com os domínios de primeiro nível como “.BR”. Aprovada pela ICANN em 24. “.10.50 No campo do direito de marca.net”. Caráter meramente declaratório e sem efeito vinculativo para terceiros do registro na FAPESP.org”. julgada em 19/08/2003.1999. O Brasil ainda não adotou a política. uma vez incorporada voluntariamente por um país. “. paris. “. o número de domínios de primeiro nível (“. entidade responsável pelo desenvolvimento de uma gestão internacional para os nomes de domínio. puF.”49 Acrescente-se a esse panorama a restrita aplicação do princípio da especialidade no que se refere aos nomes de domínio. a resolução dos conflitos entre marca e nome de domínio na omPi Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro – apelação cível nº 2002.com”. a Política Uniforme de Solução de Controvérsias em matéria de Nomes de Domínio (Uniform Domain Name Dispute Resolution Policy . passa a constar do contrato celebrado entre a entidade responsável pelo registro de nome de domínio e o requerente do registro.52 Na mesma data foi aprovado o Regulamento da Política Uniforme de Solução de Controvérsias em matéria de Nomes de Domínio (Rules for Uniform Domain Name FGV DIREITO RIO 147 . Improvimento do apelo.pROpRIEDaDE InTElEcTual Nacional da Propriedade Industrial. 407. “.info”.com”. objetivando a abstenção de uso do nome de domínio “IGNOTICIAS” pela ré até o julgamento da apelação. Limites ao exercício da livre concorrência.com”.org”. razão pela qual os nomes de domínio terminados com o ccTlD “. tem-se buscado ampliar a quantidade de domínios de primeiro nível para registro a nível internacional como forma de apaziguar essa difícil coexistência. parágrafo 1.edu”.UDRP) disponibiliza aos legítimos titulares do direito de marca um procedimento administrativo para a resolução de conflitos derivados do registro e uso indevido de nome de domínio que corresponda à sua marca.COM. prevendo uma forma alternativa de resolução de conflitos emergentes desse registro. 51 Basta verificar o número de atividades que poderiam ser incluídas sob a rubrica “. No caso dos nomes de domínio. pelo estabelecimento de confusão entre produtos e serviços. Caracterização de concorrência desleal passível de prejudicar a reputação ou os negócios da autora. expedição de oficio `a FAPESP para cancelamento do registro do nome de domínio “IGNOTICIAS. para as quais se solicita o registro. a ICANN – Internet Corporation for Assigned Names and Numbers. todos possuindo como sinal distintivo e característico a expressão “IG”. desenvolveu uma Política Uniforme a ser aplicada pelas entidades encarregadas de registrar nomes de domínio. 52 a política. e (iii) terminados com os country codes top level domains (ccTLDs) dos países que tenham voluntariamente adotado a Política. 9. com o auxílio da OMPI. artigo 209. determinando.279/96. após o trânsito em julgado. deferido no julgamento do Agravo de Instrumento. “.name”. (Lei da Propriedade Industrial).51 Sendo assim. tais como “. que especializam a atividade a ser desenvolvida no endereço eletrônico. Sentença de procedência do pedido. recebido no duplo efeito.

Inicialmente. (ii) o Demandado não possui qualquer direito ou interesse legítimo sobre o nome de domínio. o Requerimento (Complaint) da parte lesada em seu direito de marca deve ser submetido ao Centro de Arbitragem e Mediação da OMPI. ao ponto de causar confusão com relação a terceiros. sem intenção de lucrar às custas de clientela alheia. será enviada notificação ao Demandado solicitando que o mesmo apresente a sua Resposta (Response) em 20 (vinte) dias. o nome de domínio para realizar a oferta de bens ou a prestação de serviços em boa-fé. O envio do instrumento poderá ser realizado através de correio eletrônico.2000. dentre as quais se destaca a OMPI. não sendo o Demandado da mesma área de atuação do Demandante. (iii) o intuito de obstar os negócios de um competidor. (ii) o Demandado é usualmente conhecido pelo nome de domínio. estabeleceu-se como a principal entidade a disponibilizar um procedimento administrativo para a resolução de conflitos entre marcas e nomes de domínio. através do seu Centro de Arbitragem e Mediação. O acolhimento é de inteira discricionariedade por parte do Centro. Em seguida. apresentando razões para esse pedido. Na elaboração da Resposta. decidido em 29. de acordo com a regulamentação vigente. atestando a conformidade do Requerimento às normas pertinentes. de acordo com o item 4 (a) da Política. pode o Demandado solicitar dilação de prazo. de acordo com o item 5 (a) do Regulamento. tais como: (i) o intuito de aluguel ou revenda para o titular da marca refletida pelo nome de domínio. através de semelhança/confusão com marca de terceiro. a OMPI. – Embratel vs.A. valendo-se da clientela alheia. ou se preparava para utilizar.pROpRIEDaDE InTElEcTual Dispute Resolution Policy). ao contrário do que ocorreu no caso Unibanco – União de 53 caso nº D2000-0155. deverá demonstrar que: (i) o nome de domínio é idêntico ou semelhante à marca sobre a qual o Demandante possui direitos. estabelecendo as regras procedimentais a serem adotadas para a resolução dos conflitos. (ii) o intuito de impedir que o legítimo titular da marca possa explorá-la plenamente na Internet. O Requerimento. o item 4 (c) da Política estabelece as seguintes situações que poderão ser provadas pelo Demandado como forma de elidir a alegação de má-fé no registro e utilização do nome de domínio: (i) antes de qualquer notificação relativa ao procedimento administrativo o Demandado já utilizava.net”.05. mesmo na ausência de direito de marca. o Centro negou a prorrogação de prazo53. De acordo com o item 4 (b) da Política. Tendo colaborado na redação da Política e do Regulamento. FGV DIREITO RIO 148 . devendo ser igualmente encaminhada uma via original e quatro cópias por meio não eletrônico. e (iv) o intuito de obter lucro. No caso Empresa Brasileira de Telecomunicações S. O procedimento administrativo para a resolução de conflitos entre marca e nome de domínio na OMPI possui cinco etapas a serem cumpridas. determinadas circunstâncias poderão ser apontadas pelo Demandante no sentido de se comprovar a má-fé existente no registro e utilização do nome de domínio. e (iii) o Demandado registrou e utiliza o nome de domínio com má-fé. Convencionou-se que o procedimento administrativo seria gerido por entidades credenciadas pela ICANN. Gustavo Teles. e (iii) o Demandado explora o nome de domínio de forma não comercial. O nome de domínio em questão era “embratel. Caso não seja possível submeter a Resposta no prazo assinalado pelo Centro.

Vendo Domain Sale. imparcialidade e experiência no campo da propriedade intelectual internacional e comércio eletrônico. A maior parte das decisões proferidas pelo Centro costuma ser nesse sentido. 178. poderá determinar a transferência do nome de domínio em disputa para o mesmo. disponível na página www. Lili (caso nº D2001-0724). constituindo em seguida o Painel. O Painel Administrativo é composto por um ou três membros independentes e imparciais apontados pelo Centro.wipo.55 Recebendo ou não a Resposta. Segundo aponta José Carlos Erdozain. envolvendo de 6 (seis) até 10 (dez) nomes de domínio. p.08.com”.500 (mil e quinhentos dólares) para a resolução de conflito envolvendo de 1 (um) até 5 (cinco) nomes de domínio. A opção entre um ou três membros cabe às partes. Tecnos. a possibilidade de se recorrer ao Poder Judiciário visando rever a decisão proferida pelo Painel Administrativo impede a perfeita caracterização de um procedimento arbitral. caso o Demandado não ingresse em Juízo nos 10 (dez) dias posteriores ao recebimento da notificação. 54 caso nº D2000-0671. Madrid.000 (quatro mil dólares) para a resolução de conflito. vs. deverá a entidade responsável pelo registro implementar a decisão do Painel. sendo pessoas selecionadas com base em sua notória reputação ilibada.56 O conteúdo das decisões do Painel. 57 José carlos Erdozain. o Centro declarará a sua revelia. cumpre destacar que. pronunciar-se pela impossibilidade de se chegar a uma conclusão nos estreitos limites do procedimento administrativo. sendo que o Painel decidirá o caso composto por apenas 1 (um) membro até US 4. vide. apesar de grande parte da doutrina nacional e estrangeira denominar o procedimento administrativo na OMPI aqui enfocado de “arbitragem”. o Centro notificará as partes envolvidas do seu conteúdo.org. decidido em 31. 2002.com”. 55 56 cf. apresentando como prova uma passagem aérea.. caso a disputa transcenda o escopo da Política. dentre outros.pROpRIEDaDE InTElEcTual Bancos Brasileiros S.A. Domain Name Dispute Resolution Service 2001. Derechos de Autor y Propiedad Intelectual en Internet. poderá ordenar o seu cancelamento ou. transferindo ou cancelando o nome de domínio. A decisão do Painel Administrativo. que poderá realizar as inferências que julgar pertinentes relativamente à revelia do Demandado. Uma vez tendo sido proferida a decisão.57 O procedimento dura entre 45 (quarenta e cinco) e 60 (sessenta) dias. no qual o Demandado alegou estar em viagem quando do envio das notificações. nesse sentido. a referida denominação merece reparos. o caso Lancôme Parfums et Beauté & Cie vs. o Centro formará o Painel Administrativo que proferirá a decisão sobre a controvérsia.54 Caso o Demandado não apresente qualquer Resposta. contados da data de recebimento do Requerimento do Demandante e os custos variam de US 1. sendo o Painel composto por três membros. Sendo a decisão favorável ao Demandante. FGV DIREITO RIO 149 . envolvendo o nome de domínio “lancomeparis. Nesse ponto. consoante a prescrição do item 14(b) do Regulamento. O nome de domínio em questão era “unibanco. além de determinar a transferência do nome de domínio. caso favorável ao Demandante. Os membros do Painel Administrativo são escolhidos dentre os nomes constantes de uma lista do Centro. Constam da lista mais de 250 nomes provenientes de mais de 42 países.2000.

decidido em 27.04.A. FGV DIREITO RIO 150 . sendo hoje. enquanto a marca possuía apenas quatro. propiciando o desenvolvimento de uma jurisprudência ativa e em constante revisão. Nesse sentido já se decidiu que o acréscimo de termos genéricos ao nome que consubstancia a marca em nada afasta a possibilidade de caracterização da identidade ou semelhança. O nome de domínio em questão era “eurotrash.com” deveriam ser transferidos para a empresa multinacional de materiais esportivos. conforme asseverou o Painel Administrativo no caso Rapido TV Limited vs Jan Duffy-King. (ii) que o Demandado não possui qualquer direito ou interesse legítimo relativamente ao nome de domínio. indiscutivelmente. a entidade credenciada pela ICANN que mais recebe Requerimentos para análise de tais litígios. deve o Demandante provar três situações: (i) que o nome de domínio é idêntico ou semelhante à marca sobre a qual o Demandante possui direitos. o simples acréscimo de informações geográficas à marca não descaracteriza a identidade ou semelhança.59 Da mesma forma. Para lograr a transferência do nome de domínio para si. e Diabetes Education Long Life. cumpre ao mesmo comprovar em primeiro lugar que possui direitos legítimos sobre a marca que reputa lesionada pelo nome de domínio. cumprirá ao Demandante demonstrar que a marca e o nome de domínio são idênticos ou semelhantes. diversos pontos polêmicos relativamente à interpretação da Política e seus Regulamentos foram enfrentados pelos árbitros em diversas decisões.2000.08. Inc vs. como visto. O assunto foi largamente debatido no caso Dell Computer Corporation vs. Cumpre observar que o Demandante deverá provar todas as três situações. “delljapan”. No caso Nike. Farrukh Zia. com base na jurisprudência do Centro. (a) ideNtidade Ou semelhaNça Para se provar a identidade ou a semelhança do nome de domínio registrado relativamente à marca detida pelo Demandante. somente afastando o princípio qui prior est tempore. Rebateu ainda o árbitro o singelo argumento do Demandado que alegava não serem os domínios idênticos ou semelhantes à marca “Nike”. MTO C. dado que o acréscimo da letra “e” apenas caracteriza a versão eletrônica ou veiculada através da Internet de algum produto. por possuírem cinco ou seis caracteres.2000. passa-se a explorar algumas particularidades de cada situação a ser provada pelo Demandante. sendo possível causar confusão a terceiros. envolvendo o registro de diversos nomes de domínio como “dellbrasil”.pROpRIEDaDE InTElEcTual Questões práticas sobre as decisões da omPi A OMPI já proferiu um número considerável de decisões sobre conflitos envolvendo nomes de domínio. decidiu o árbitro Thomas Halket que os nomes de domínio “enike.58 Em seguida. decidido em 17. Sendo assim. (iii) que o registro e a utilização do nome de domínio pelo Demandado estão eivados de má-fé.com” e “e-nike. potior est jure quando exista uma clara e incontestável violação do direito de marca de terceiro. a Política visa coibir o registro indevido de nomes de domínio. 58 caso nº D2000-0449. Superada essa primeira avaliação. dado que.com” 59 caso nº D2000-0167. ao ponto de causar confusão com relação a terceiros.

transferindo o último para o Demandante após analisar os outros dois requisitos do item 4(a) da Política.com”. decidido em 05. cuja abreviação corresponde à marca da Demandante.2002. além de promover internacionalmente a marca “mtv”.04. Inc. 60 61 caso nº D2000-0069. a adição do termo “magazine” apenas enfatiza a semelhança entre a marca e o nome de domínio. Inc. o árbitro Pierre Kobel.09.04. Tome-se o exemplo do caso Société du Figaro vs. a redução de caracteres também não afasta a possibilidade de enquadramento no requisito relativo à identidade ou semelhança entre a marca e o nome de domínio.2000. com”) uma seção denominada “MTV charts”. já se decidiu no caso Barney´s. Registrar Administrator Lew Blanck.2002. um outro argumento que foi debatido no caso refere-se ao fato de possuir o Demandado uma fundação denominada Diabetes Education Long Life. Sendo assim. É imperioso. vs.com”.A. o simples acréscimo da letra “s” também não obsta a prova da identidade ou semelhança. decidido em 04. cumpre ao Demandante provar que o Demandado não possui qualquer direito ou interesse legítimo sobre a expressão refletida no nome de domínio.62 Em situação semelhante. denotando má-fé.2000. sob o fundamento de que a constituição da empresa Mega Top Vídeo Albums se deu logo após o recebimento de uma notificação extra-judicial endereçada pelo Demandante ao Demandado. que o Demandante faça em primeiro lugar prova de sua titularidade sobre a marca lesionada. vs BNY Bulletin Board que o simples registro do nome de domínio não confere por si só o direito ou legítimo interesse sobre o mesmo. valendo-se da adição de uma letra “s” ao final da marca.pROpRIEDaDE InTElEcTual “dellkuwait” e outros oitenta nomes de domínio. FGV DIREITO RIO 151 . assim como no da empresa Dell acima referido.66 É importante demonstrar que o Demandado não possui qualquer relação com o Demandante. apontou que no registro por parte do Demandado do domínio “marieclairemagazine. Inc vs.64 O Painel decidiu pela semelhança entre a marca e o nome de domínio65.com. apresentando variações geográficas sobre a marca do Demandante. 63 caso nº D2002-0677. 64 Baseou-se o painel no fato de que a Demandante. produz obras musicais (albums) com a marca e possui em seu site (“mtv. Buy This Domain. o Demandado alegou ao Painel Administrativo que o nome de domínio refletia a denominação de uma pessoa jurídica de sua propriedade (Mega Top Video Albums).61 Na mesma direção. (b) direitO Ou legítimO iNteresse Além da identidade ou semelhança entre marca e nome de domínio. onde a Demandada registrou o nome de domínio “figaromagazine. legítimo proprietário da marca refletida no nome de domínio.12. Conforme relatado no caso InfoSpace.com” e “mtvcharts. que caracteriza a publicação francesa “Le Figaro Magazine”. vs. decidido em 22. Harper. ao decidir o caso Marie Claire Album S. como já ressaltado. Caso caso nº D2002-0363. Nessa direção. Nesse caso. pois retrata justamente o gênero do produto desenvolvido pelo Demandante.com”. decidido em 16. com o qual identificava o seu website. Viacom International. apenas retirando a expressão “le”. O nome de domínio em questão era “infospaces. decidido em 03. MTVALBUMS – Mega Top Vídeo Albums e Peter Mladshi. caso nº D2002-0196.2000. Tropic Telecom. 65 66 caso nº D2000-0059. 62 caso nº D2000-1389.com”. incrementando a possibilidade de confusão. Matthew C.63 Em outro caso no qual a questão da identidade ou semelhança entre marca e nome de domínio obteve destaque foi o relacionado com os nomes de domínio “mtvalbums.04.com”.60 Muito comum nos casos decididos pelo Centro é a utilização indevida por parte de terceiros da marca em seu plural.07. O nome de domínio em questão era “barneysnewyork.2002. o Painel decidiu pela improcedência do Requerimento apresentado no caso Multi Thématiques vs. sob o fundamento de que o Demandante não possuía ainda o registro do nome “Luxury Channel”. decidido em 02.

entendendo o painel que o nome comercial também deveria ser protegido pelas regras do procedimento administrativo para a Resolução de conflitos relativos à nomes de Domínio. alvos de intenso trabalho interpretativo por parte dos árbitros. tendo o Demandado registrado o nome de domínio para desenvolver um fã-clube relativo aos produtos do Demandante.com” e “metrobarcelona”.pROpRIEDaDE InTElEcTual as partes tenham celebrado qualquer espécie de contrato no passado.com”. Consoante a decisão do caso acima indicado. o Demandado não transferiu o nome para o Demandante. Ignácio Allende Fernández. dando ensejo ao Requerimento apresentado ao Centro. vs. o qual reflete diretamente o nome de um dos jogos para videogame mais famosos da Demandante.11. mas sobre pressupostos fáticos diametralmente opostos.2000. em 03. decidido em 02. também não se tem presente qualquer direito ou interesse legítimo do Demandado sobre o domínio. Vale ressaltar ainda que o mesmo Demandado também registrou os nomes de domínio “metrobilbao. não se estaria negando o seu direito constitucional à liberdade de expressão. muito embora tenha o Demandado todo o direito de incentivar a divulgação dos produtos do Demandante. registrado a marca refletida no nome de domínio. por fim. tendo sido os dispositivos do item 4 (b) e (c) da Política.67 Um aspecto bastante debatido em relação à existência de direito ou interesse legítimo do Demandado sobre o nome de domínio é a possibilidade de registro e exploração do domínio que reflete determinada marca com o intuito de se criticar os produtos ou serviços que a identificam. Inc. já decidiu o Painel Administrativo no caso Nintendo of America.10. mas no fato de que o registro do nome de domínio que reflete a marca de terceiro impede que o mesmo determine como a sua marca e produtos relacionados serão utilizados na Internet. O caso narrado apresenta algumas particularidades. vs. ao se afirmar que o Demandado não possuía quaisquer direitos ou interesses legítimos sobre o nome de domínio.11. No caso CLT-UFA societe anonyme vs This Domain is for Sale / Sean Gajadhar. esse simples fato não gera qualquer direito ou interesse legítimo sobre o nome de domínio que reflita diretamente marca registrada e explorada pelo Demandante. faz-se necessário elucidar a relação atual entre as partes. o qual envolvia o nome de domínio “niketown. Inc vs Granger and Associates.2001.2000. decidido em 02. conseguiu-se provar que o registro do nome de domínio “rtlgroup.A.com”. seja na elaboração de website para criticar ou elogiar. No caso Metro de Madrid. S. ter o domínio transferido pois não demonstrou má-fé do Demandado no registro e utilização do nome de domínio. observa-se que a decisão proferida no caso Nike. (c) registrO e usO de má-fé A prova do registro e uso de má-fé do nome de domínio é o requisito que mais provoca discussões nas decisões proferidas pelos Painéis. bem como os nomes próprios.2000. Assim. tendo em vista que não havia motivo para que as críticas fossem realizadas justamente através de nome de domínio que reflete diretamente o nome empresarial do Demandante. alegou o Demandante ter registrado o nome de domínio “metromadrid. FGV DIREITO RIO 152 .68 Enfocando-se a mesma questão jurídica. de forma a evidenciar o término da relação contratual. Entendeu o painel que.com” para veicular críticas ao serviço prestado pela Demandante. empresa concessionária que opera o metrô da cidade de Madrid.com” foi realizado dois dias depois do 67 caso nº D2000-0108. primeiramente o Demandante não havia. tendo sido ordenada a transferência dos nomes de domínio para os legítimos proprietários das marcas em ambos os painéis instaurados para a resolução dos casos na OMpI (casos nºD2000-0467 e D2000-0873). não está no conteúdo da página eletrônica a ser desenvolvida. com o Segundo processo de nomes de Domínio da OMpI. registrado pelo Demandado quando prestava serviços de consultoria de marketing para o Demandante. à época. 68 69 caso nºD2000-0998. caso nºD2000-0768. posteriormente.69 O cerne da questão. O Demandante não logrou. Tendo o contrato sido rescindido. Uma forma bastante usual de se demonstrar a má-fé no registro do nome de domínio é procurar localizar a data em que este foi registrado. decidido em 17. também ingressaram formalmente na proteção conferida pelo procedimento aqui comentado. O nome de domínio em questão era “legendofzelda. os nomes comerciais. Alex Jones que.05.

vs Henri Koliver75 e TV Globo Ltda. Assim sendo.2000.pROpRIEDaDE InTElEcTual anúncio da fusão de duas grandes empresas de telecomunicações européias. decidido em 14. decidido em 11. dependendo das circunstâncias do caso. FGV DIREITO RIO 153 .77 Vale esclarecer. justamente o ramo de atividades do Demandante.07. uma vez que o Demandado não desenvolveu um website sobre o domínio.com”. nem desenvolva website.com”. as seguintes circunstâncias concorreram para essa conclusão: (i) a marca do Demandante é bastante conhecida na Austrália e em outros Países.09. e (iv) o Demandado informou à entidade responsável pelo registro de nomes de domínio detalhes para contato que se provaram falsos.2000. O nome de domínio em questão era “redeglobo. 76 caso nº D2000-0353.70 No primeiro caso a ser decidido através do procedimento administrativo da OMPI. envolvendo o nome de domínio “holidayinns. decidiu o Painel. O nome de domínio em questão era “telstra. decidido em 01.73 Cumpre ressaltar que. (ii) o Demandado não comprovou qualquer oferta de bens ou prestação de serviços de boa-fé. Esse procedimento foi de extrema importância para compreender os efeitos da revelia no caso Banco do Brasil vs Sync Technology. nesse caso a Demandante não conseguiu que o domínio lhe fosse transferido pois não demonstrou. O nome de domínio em questão era “bancodobrasil. uso de má-fé do mesmo.com”. conforme se alegou no caso Nike.74 sendo o mesmo expediente utilizado nos casos TV Globo Ltda.02.09.2002. A controvérsia sobre a caracterização da má-fé na utilização do nome de domínio surgiu no caso em tela.01.org”. que o nome de domínio foi registrado com má-fé.com” 71 72 caso nº D2000-0003.com”.72 No caso mencionado.10.71 Em outro caso sempre referido pelas decisões do Centro (Telstra Corporation Limited vs Nuclear Marshmallows). caso o Demandado não apresente Resposta. decidido em 02. por si só. em flagrante ato de concorrência desleal. por fim. atuando sob nome empresarial inválido. no caso World Wrestling Federation Entertainment vs Michael Bosman que.2001. O nome de domínio em questão era “globofilmes.10.com”.76 Outra circunstância que denota o intuito de má-fé na utilização do nome de domínio consiste na efetuação do registro de forma a trazer para si clientela alheia. Inc. em valor muito acima daquele despendido com o registro. O Demandado explorava no referido domínio uma página sobre hotéis. sendo uma delas proprietária da marca RTL. Para a constituição de uso de má-fé o simples direcionamento dos usuários que acessam o nome de domínio em discussão para outro site pode ser considerado como evidência das intenções do Demandado.2002. 77 caso nº D2002-0674. mas se entendeu que o contato realizado para a venda do domínio. (iii) o Demandado não tomou qualquer medida para revelar a sua identidade. ainda assim poder-se-á caracterizar o uso de má-fé do nome de domínio. caso nº D2002-0544. o que enfatizou o intuito inescrupuloso do registro. envolvendo o nome de domínio “justdoit. não se comunique com o Demandante para venda do domínio. com o intuito de vender o nome de domínio constitui. de acordo com o disposto no item 10(a) do Regulamento. decidido em 10.2000. vs. o contato por parte do Demandado ao Demandante. decidido em 10. Inc vs Circle Group Internet. Essa foi a hipótese do caso Six Continents Hotels vs Damir Kruzicevic. O nome de domínio em questão era “worldwrestlingfederation. o Painel pode utilizar a Internet para acessar os nomes de domínio envolvidos na disputa e verificar se um website foi desenvolvido ou se o domínio está ativo. que não poderá o Demandado alegar que somente conseguiu obter o registro de nome de domínio que reflete a marca do Demandante 70 caso nº D2000-0801.06. decidiu-se que o Demandante deve provar tanto o registro como a utilização de má-fé do nome de domínio.2000. caso nº D99-0001. Burak Akgul. decidido em 18.2000. 75 caso nº D2001-0460. decidido em 26. já é o bastante para caracterizar a utilização de má-fé requerida pela Política. cuja marca Holiday Inn é conhecida internacionalmente. 73 74 caso nº D2000-0727. segundo a maioria dos árbitros.

com. reagindo a posteriori contra o registro indevido de nomes de domínio que reflitam a sua marca. o jogador de futebol Obina79 foi a grande revelação do time do Flamengo.com. detida pela empresa de telecomunicações. solicitando que o mesmo desista de utilizar esse nome de domínio e transfira o mesmo imediatamente para ela. são duas empresas multinacionais especializadas na construção de ferrovias e materiais relacionados a estradas-de-ferro.A. No caso em tela. A empresa não apenas registrou no INPI a marca nominativa que diretamente reproduz o signo em questão. – Embratel vs.com. 79 FGV DIREITO RIO 154 . após uma consulta aos sites www. O objetivo da empresa com o nome de domínio é desenvolver um website que esclareça as principais características do sistema e ofereça dicas sobre segurança na utilização de telefones.obina. sendo razoável que o Demandante tenha concentrado seus esforços na exploração do nome de domínio “embratel. Para celebrar as suas conquistas. A empresa ingressa entrou com uma ação judicial contra o jogador. o jogador registrou o nome de domínio www. o Demandante não deve ser obrigado a registrar o nome de domínio que reflita a sua marca em todos os gTLDs e ccTLDs disponíveis para evitar o registro indevido por parte de terceiros.br”.br).br e www. A habilidade do centro-avante foi decisiva quando o clube mais precisou de seus talentos.obina.br e www.netsol. Se você fosse o juiz do caso. A empresa. como decidiria? Justifique.nic. entendeu o Painel Administrativo que essa medida jamais poderia encorajar o correto desenvolvimento da Internet. caSoS gEradorES caso 1 – nomes e nomes de domínio No biênio 2006/2007. decidido em 15. já que a expressão OBina é uma marca registrada no INPI – Instituto Nacional de Propriedade Intelectual – há mais de três anos. O fundamento para tal ação proposta pela empresa é a violação do direito de marca.2000.78 2. descobre que o jogador Obina já havia registrado essa página há dois anos. Kevin McCarthy. como também pretendia registrar o nome de domínio que identifica a sua marca (obina. Em a doutrina diverge.pROpRIEDaDE InTElEcTual porque esse último foi negligente e não efetuou o registro a tempo. ao decidir o caso Empresa Brasileira de Telecomunicações S. Conforme os termos bem postos pelo panelista argentino Antonio Millé.com. e que utilizava a mesma para narrar a sua trajetória futebolística. Suponha agora que uma empresa de telecomunicações resolva lançar no mercado um sistema de travamento e identificação de chamadas telefônicas chamado OBina. Nabucco Enterprises e Murakami Corp.com/cgi-bin/ whois/whois. mas a maior parte dos autores entende que Obina é melhor do que Eto´o.05. caso 2 – murakami x nabucco 78 caso nº D2000-0164.

empresa de origem francesa. Todavia. Afirmam os mesmos que essa conduta da Nabucco Enterprises tem causado grandes prejuízos para a sua empresa.murakamicorp. Todavia. o qual determina que comete crime de concorrência desleal quem “III . Alguns alunos poderão entender que a conduta da Nabucco Enterprises é lícita. ele é automaticamente encaminhado ao website da Nabucco Enterprises.. FGV DIREITO RIO 155 . a resposta baseada na proteção marcária. a resposta para a consulta formulada pelo cliente no caso acima reside em um conceito proveniente essencialmente do conceito de concorrência desleal. uma vez que o sancionamento da concorrência desleal encontra-se tipificado em Lei federal. Curiosamente. Alguns alunos poderão até mesmo trazer o assunto da proteção internacional das marcas por meio de tratados. uma vez que potenciais usuários do seu website no Brasil têm sido desviados para o website da rival.nabuccoenterprises. a questão parece estar toda montada em conceitos aprendidos sobre o sistema de nomes de domínio no Brasil. os executivos japoneses da Murakami Cop. Entusiasmados com a possibilidade de iniciar as suas atividades no Brasil. Adicionalmente. os executivos da Murakami logo descobriram que o nome de domínio www. mas não a pontuação integral da questão. hierarquicamente superior à simples Resolução. para registro de nomes de domínio no Brasil. Aqui. Qual seria a sua resposta aos executivos da empresa japonesa? Essa questão estimula o aluno a aplicar conceitos provenientes de aulas diferentes desse curso. sem qualquer ligação com a empresa. lembram os mesmos que a Murakami Corp. Na correção da prova. o aluno deverá centrar a sua resposta na figura da concorrência desleal. na medida em que ela atende aos requisitos da Resolução n° 01/1998. decidiu instalar uma fábrica de materiais relacionados à ferrovia no Brasil. em que a defesa baseada no direito à marca se torna mais difícil.br não estava disponível para registro. conforme o art. Mas isso não significa que a prática da Nabucco Enterprises seja lícita perante a legislação nacional. em regra. solicitam o seu parecer sobre como enquadrar legalmente a conduta de sua concorrente. a Nabucco Enterprises.murakamicorp. com.pROpRIEDaDE InTElEcTual 2004. sua principal concorrente. A resposta esperada do aluno é aquela que faz menção ao conceito de concorrência desleal na categoria de desvio de clientela. Em 2005. motivo pelo qual registrou o nome de domínio www. ainda não possui qualquer pedido de registro de marca no Brasil.com.com. clientela de outrem. III.br. iniciou a sua operação no Brasil. deve o professor buscar conceder alguma pontuação para o aluno. sempre se pode recorrer ao raciocínio centrado na figura da concorrência desleal. não possui marca registrada no Brasil.emprega meio fraudulento. quando o internauta digita o nome de domínio www. empresa de origem japonesa. para desviar.279/96. Isso ocorre porque a empresa Murakami Corp. Em primeiro lugar. do CGI. o referido nome de domínio não apenas havia sido registrado por terceiro. Em regime de urgência. o que impossibilita. Para casos como esse. a Murakami Corp. em proveito próprio ou alheio. 195.br para o seu website. como esse terceiro era justamente a Nabucco Enterprises. da Lei nº 9.

houve também um maior envolvimento por parte de grupos de interesse público nos últimos anos. h u f f i n g t o n p o s t . c o m / j a m e s . aos Produtores de Fonogramas e às empresas de Radiodifusão – a Convenção de Roma. e o Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados com o Comércio – conhecido como TRIPS).o n broadcas_b_38946. Os Estados membros da União Européia e as empresas de radiodifusão queriam proteção para sinais que contivessem programas.br/index. broadcast flaG. tratado de radiodifusão leituras Obrigatórias: h t t p : / / w w w. rotEiro da auLa 1. Além disso.pROpRIEDaDE InTElEcTual tratado de radiodifusão. Bruno Magrani EmEntário dE tEmaS: Parte 1) Tratado de Radiodifusão: conceito – direitos concedidos – principais críticas Parte 2) Broadcast Flag: conceito – o caso americano Parte 3) Digital Rights Management: conceito – a tecnologia como elemento regulador – ineficácia do DRM LEituraS oBrigatóriaS As leituras obrigatórias estão indicadas após cada uma das três partes da aula 1.1. como uma tentativa de abordar a questão da proteção ao furto de sinal. A Convenção Internacional para a Proteção aos Artistas Intérpretes ou Executantes.l ov e / w i p o .s t u m b l e s .e.org. bem como por parte de empresas de tecnologia munidas de profundas análises das normas da minuta do tratado que até agora inexistiam. uma vez que um grande número de propostas foi submetido por membros da WIPO neste período.html http://www.php?option=com_content&task=view&id =87&Itemid=58 As discussões sobre o tratado tiveram início em 1998.culturalivre. drm e tv diGital Prof. O que alguns esperavam ser uma simples negociação se tornou uma complexa batalha. sob o argumento de que estes poderiam ser furtados e retransmitidos sem permissão através de novos meios de difusão não protegidos pelos instrumentos internacionais existentes (i. FGV DIREITO RIO 156 .

(b) os direitos de proteção. em parte. Uma série de outros estudos destacando as preocupações no que diz respeito à minuta de proposta básica sobre o tratado também foram apresentadas na sessão por representantes da sociedade civil. está um breve sumário das questões e das discussões relevantes. e que a única diferença entre elas estaria no meio de transmissão. (c) exceções e limitações aos direitos e (d) medidas de proteção tecnológicas (MTPs ou DRMs). O argumento utilizado foi o de que as operações das organizações de webcasting. englobando o conteúdo transmitido pelo sinal. objetivo e escopo do tratado. (b) Os direitOs a serem cONcedidOs às empresas de radiOdifusÃO A minuta do Tratado de Radiodifusão estabelece direitos exclusivos que conferem aos radiodifusores e aos difusores via cabo o direito de controlar o sinal. em um estudo em vias de publicação distribuído pelo South Centre no início da sessão. uma vez que radiodifusão representa o produto de uma empresa de radiodifusão. mas fará parte de discussão separada da SCCR – Standing Committee for Copyright Rights da OMPI. África do Sul e o Grupo Africano. Contudo. Um dos problemas identificados pelas delegações é o fato de não haver definição sobre o termo “radiodifusão” no texto da minuta do tratado.org/publications/ researchpapers/Researchpapers9. a proteção às empresas de webcasting foi deixada de fora da minuta. Brasil. O estudo está disponível no website do South Centre97. incluindo empresas de transmissão via cabo. ObjetivO e escOpO As delegações da Índia. (a) preâmbulO. bem como esta não especificar se somente os sinais são objeto de proteção. southcentre. A proteção seria limitada ao sinal e não se estenderia ao conteúdo transmitido através do sinal. Em particular. e o das empresas tradicionais de radiodifusão são similares. e como observado por vários analistas e delegações. de organizações não governamentais e da indústria. Abaixo. envolvem diversas questões controversas.pdf 97 FGV DIREITO RIO 157 . a não referência explícita a tal termo nos objetivos do tratado podem levar a interpretação que estenda a proteção para além do sinal em si. é importante deixar claro que a finalidade do tratado é proteger radiodifusores e difusores via cabo contra o furto de sinal. Apesar dos Estados Unidos terem tentado pressionar pela proteção das empresas de webcasting. entre outros. Direitos O estudo pode ser encontrado no endereço http://www. no texto da minuta sua proposta não foi bem sucedida. breve aNálise das priNcipais questões discutidas NO tratadO de radiOdifusÃO Algumas das principais questões discutidas nas negociações do Tratado de Radiodifusão foram as seguintes: (a) preâmbulo. Apesar do objetivo do tratado ser óbvio para vários membros. como a da proteção ou não ao webcasting (transmissões feitas através de redes de computadores).pROpRIEDaDE InTElEcTual As discussões sobre a minuta do Tratado de Radiodifusão. ainda há receio de que a atual redação da minuta dê margem a abranger alguma forma de webcasting. o conteúdo transmitido pelo sinal. A análise é baseada. tem defendido que antes do início da discussão das questões substantivas – que vão tratar sobre quais direitos devem ser protegidos – deve ser claramente definido o objetivo e o escopo do Tratado de Radiodifusão. Como resultado.

nem o Acordo TRIPS prevêem tais normas. algumas delegações. como Canadá. Limitações são extremamente importantes para proporcionar um equilíbrio entre os direitos das empresas radiodifusoras e o interesse público. alguns países desenvolvidos. por exemplo. O estabelecimento de limitações e exceções pode permitir aos governos que assegurem o uso público da informação e o acesso ao conhecimento para sua população. expressaram sua preferência por manter o texto sobre limitações e exceções similar aquele contido no Tratado sobre Interpretações e Fonogramas da WIPO (WPPT). alegaram que as MTPs não são eficazes para proteção dos sinais – que é o objetivo do tratado – e só contribuiriam para proteção do conteúdo. o qual não lista limitações e exceções específicas. em geral. a radiodifusão tradicional via TV e rádio são os mais importantes meios de fornecer acesso à informação. Alguns países em desenvolvimento manifestaram apoio a alternativas que estabeleçam uma lista não exaustiva de limitações e exceções e que permitam flexibilidade suficiente para governos determinarem as políticas necessárias à proteção do interesse público. 98 99 Este tema será visto em maior detalhe na parte 3 da aula. (d) medidas tecNOlógicas de prOteçÃO (mtps Ou drms)98 MTPs são mecanismos tecnológicas que podem ser usadas pelo proprietário do direito autoral. para aqueles que não tem recursos econômicos para pagar pelo acesso a tal conteúdo. que por sua vez vão além das regras contidas na Convenção de Roma. na Convenção dos Satélites e no Acordo TRIPS. de organizações não governamentais e até mesmo de empresas utilizar-se-á indistintamente as siglas MTps e DRMs para designar mecanismos tecnológicos que restrinjam ou impeçam o acesso do usuário a determinada obra em formato digital ou analógico. se as MTPs fossem estendidas às empresas de radiodifusão e de difusão via cabo. Estas normas podem trazer sérios riscos para países em desenvolvimento e países menos desenvolvidos onde. especialmente.pROpRIEDaDE InTElEcTual exclusivos criariam uma perigosa camada adicional de direitos para radiodifusores e difusores via cabo que se sobreporia a aqueles já garantidos pelos direitos autorais e outros direitos. FGV DIREITO RIO 158 . de usos legítimos do conteúdo quando este entrar em domínio público. Diversas preocupações têm sido levantadas com a implementação de MTPs. incluindo o Brasil. Além disso. por parte dos consumidores. De acordo com algumas delegações. isso significaria novas obrigações para os membros da OMPI. críticas aO tratadO de radiOdifusÃO O Broadcast Treaty foi objeto de muita controvérsia e despertou críticas de diversos países membros. Isto também foi apoiado por países desenvolvidos. (c) limitações e exceções As limitações e exceções aos direitos exclusivos que podem ser concedido aos radiodifusores e aos difusores via cabo são uma questão crucial para os países em desenvolvimento. pois elas poderiam bloquear o acesso. Por outro lado. como proposto nas duas alternativas da minuta do tratado. uma vez que nem a Convenção de Roma. como os Estados Unidos e Suíça. intérprete ou produtor fonográfico para prevenir ou restringir usos não autorizados e/ou acesso às obras no ambiente digital99. Os artigos 9 a 16 da minuta contêm as normas relacionadas aos direitos a serem protegidos.

2. mesmo sobre radiodifusões de conteúdos em domínio público ou a conteúdos em que o autor autorizou a livre reprodução. Dessa forma. Na reunião de junho de 2007 do SCCR foi decidido que o tratado não seria levado à conferência diplomática por falta de consenso entre os países. não havendo necessidade de se criar uma nova camada de proteção sobre tal conteúdo. contudo. No Brasil.wikipedia. As principais críticas podem ser condensadas em dois principais argumentos: 1) O conteúdo audiovisual transmitido pelas empresas de radiodifusão já é passível de proteção por leis e tratados internacionais que versam sobre direito do autor e conexos (dentre outros). A implantação de travas tecnológicas na TV Digital brasileira foi objeto de estudo elaborado pelo Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito.org). FGV DIREITO RIO 159 . o Judiciário americano considerou que a norma extrapolava as atribuições daquele órgão. 1. que encontra-se na bibliografia recomendada. que determinariam a liberdade do expectador para realizar ou não cópias dos programas. O Broadcast Flag foi criado inicialmente por uma norma do Federal Comunication Commission (FCC). isto. Esta proteção consiste em que toda transmissão televisiva deve conter um “flag”. uma indicação dos usos que podem ser feitos com a referida transmissão. Derrotados na justiça os lobistas a favor do broadcast flag levaram a discussão para o Congresso Americano que deverá decidir sobre a transformação ou não da medida em lei. os aparelhos de TV deveriam conter mecanismos para identificação deste flag (ou ter acoplados em si equipamentos similares).pROpRIEDaDE InTElEcTual detentoras de conteúdo. como ocorre com as obras licenciadas em Creative Commons. e graças a uma ação judicial proposta pela Eletronic Frontier Foundation (ww.org/IP/broadcastflag/ O Broadcast Flag é um tipo de proteção à transmissão televisiva que está em processo de discussão no Congresso dos EUA. não impossibilita que o tratado venha a ser proposto novamente em um futuro próximo. Broadcast Flag leituras Obrigatórias: http://en. Enquanto tal decisão pode ser considerada uma vitória parcial para países em desenvolvimento e para o interesse público. está em discussão a adoção de sistema anticópia para a TV Digital semelhante ao proposto nos Estados Unidos.org/wiki/Broadcast_flag http://www. ou seja. 2) Esta proteção aplicar-se-ia indiscriminadamente.eff. sendo contrários aos interesses da sociedade e dos legítimos detentores dos direitos sobre os programas.eff. e que será discutido no caso desta aula.

O iPhone – telefone que congrega as funcionalidades do iPod com as de um telefone celular – foi “hackeado” em menos de três semanas103. O ponto importante a destacar aqui está que o condicionante tecnológico materializado através do DRM e que pode ser entendido através do conceito de arquitetura proposto por Lessig. leis e outros códigos legais. Os dispositivos compatíveis são programados para permitir somente usos predeterminados pelo detentor do direito sobre o conteúdo.3. Estudo Técnico-Jurídico: Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD) e Implementação de Tecnologia Anticópia. a qual remetemos o leitor para maior aprofundamento. destaca Lessig: No mundo real. Tal explicação foi tratada em maior detalhe na aula 1. 100 lESSIG. Disponível em www. Pedro Paranaguá. é o embaralhamento de informação (conteúdo) para que a mesma não seja reconhecida sem autorização prévia.wikipedia. code version 2.culturalivre. 2006. Bruno. cONceitO Podemos compreender as medidas tecnológicas de proteção (MTP ou DRM) como ferramentas ou mecanismos tecnológicos que têm por objetivo restringir ou controlar o acesso a determinado conteúdo digital. LEMOS. Como William Mitchel coloca.pROpRIEDaDE InTElEcTual 1. 101 102 http://en.3. O códigO é O direitO Por que interessa ao direito a discussão sobre medidas tecnológicas de proteção? Lawrence Lessig aponta em sua obra “Code version 2.co. as normas sociais e a arquitetura.br 1. exerce papel central na regulação da conduta social. que faz do ciberespaço o que ele é também regula o ciberespaço como ele é. “Lex Informatica” como Joel Reidenberg primeiro designou.e. o código do ciberespaço). que por conta de tal façanha ficou conhecido como DVD John102. Em outras palavras. MAGRANI. O DRM consiste comumente na criptografia100 do conteúdo digital impossibilitando que outros dispositivos técnicos diferentes daqueles compatíveis com a tecnologia possam executar ou ler o conteúdo. nós reconhecemos como as normas regulam – através de constituições.uk/tol/news/tech_ and_web/personal_tech/article2125085. No ciberespaço nós devemos compreender como um diferente “código” regula – como o software e o hardware (i.. também conhecida pelo termo técnico CSS foi quebrada por um garoto de 16 anos de idade. o mercado. Diversos são os exemplos noticiados pela mídia sobre a quebra de DRM poucos dias após a disponibilização da tecnologia ao público. Ronaldo. Sergio.1.timesonline. MONIZ.0” quatro condicionantes que atuam na regulação da vida social: o direito. ou melhor. “o código é o direito”.org. Dessa forma.ece FGV DIREITO RIO 160 .0. O console de vídeo game Play Station 2. new York: Basic Books. que possui medida de proteção implementada através criptografia é uma técnica através da qual a informação é protegida pela combinação de algoritmos-chave implementados em conteúdos e/ou equipamentos tecnológicos.org/ wiki/Jon_Johansen 103 http://technology. A criptografia do DVD. este código é a “lei” do ciberespaço.101 iNeficácia dO drm Um dos principais argumentos contrários à utilização de DRM diz respeito a sua ineficácia. Estas “travas” podem ser implementadas tanto através de hardware como de software. digital rights management (medidas tecnológicas de Proteção) leitura Obrigatória: BRANCO. lawrence.

Somente alguns poucos afortunados tinham condições financeiras para comprar tal tecnologia. a tecnologia do televisor em muito avançou. que pagou pelo produto/conteúdo. 2. em que ambas as partes interagem uma com a outra. Ao invés de um conjunto estanque de canais e programações. É comum. o site tem tantas ou mais programações e canais quantos usuários. Desde então. continuam realizando cópias ilegais. que na época consistia em uma pequena tela preta e branca de resolução extremamente baixa e som ruidoso. Diferentemente do que ocorre em uma conversa. Talvez não uma interatividade tão grande quanto a http://www. na década de 30. Valor este que se explica em função dos custos envolvidos no desenvolvimento das tecnologias de proteção. Qualquer um pode criar seu próprio canal e iniciar sua transmissão em poucos minutos. Sony attacks playStation “Mod chips”. A política de adoção das medidas de proteção tecnológica pelas empresas é extremamente paradoxal por vários motivos. Apesar de todo este avanço. Uma rápida visita ao site www. em feiras de tecnologia empresas exporem televisores com grandes telas em uma competição pela maior tela e pela maior resolução. estes copistas. somente um dos dois lados da transmissão emite e todos os outros apenas recebem. teve várias versões de mod chips – como o matrix e o infinity – desenvolvidos pelos usuários especificamente para “desbloquear” o aparelho permitindo que o mesmo executasse jogos distribuídos em outras regiões ou mesmo cópias não autorizadas104. Seu objetivo principal é coibir que copistas profissionais de conteúdo façam cópias e as vendam por preços menores. O modelo de transmissão televisiva adota um sistema conhecido como: um-para-muitos (one-to-many). Os avanços tecnológicos obtidos com a TV Digital trouxeram não só um grande aumento na qualidade da imagem e som das transmissões. que em geral detém amplo conhecimento tecnológico para quebrar a proteção. arca com todas as restrições e ônus do DRM. o aparelho tornou-se disponível no mercado ao preço de 7000 dólares (convertidos para valores atuais).org/Ip/ DMca/unintended_consequences. estar-se-ia na verdade adquirindo um produto de menor qualidade (em função das restrições) por um preço maior (se comparado à cópia ilegal).se ao sistema da Internet. Não fosse este argumento suficiente. bem como no tamanho das telas. a implementação das restrições tecnológicas ainda importa em um aumento do valor final do produto. enquanto o consumidor de boa-fé.com exemplifica tal modelo. 104 FGV DIREITO RIO 161 .php. apresentando ganhos substanciais em termos de qualidade de imagem e som. como também a promessa da interatividade.eff. ao comprar o produto original com DRM ao invés de comprar outro sem DRM. Tal sistema opõe.pROpRIEDaDE InTElEcTual de hardware. Pela ótica do mercado. Em função da ineficácia do DRM descrita acima. por muito tempo a TV sofreu pouquíssima modificação em um quesito central: interatividade. em que muitos “falam” e muitos “ouvem”.youtube. caSo: a adoção dE mEdidaS anticóPia no SiStEma BraSiLEiro dE tELEViSão digitaL O primeiro aparelho televisor surgiu em 1924 e foi apresentado em Londres para uma audiência tão espantada quanto curiosa. Alguns anos mais tarde. hoje em dia.

mas com base de abrangência consideravelmente maior105. a transmissão digital é feita com qualidade e formato que facilitariam. Dentre as atribuições de tal Comitê estão: Art.controlar e acompanhar as ações e o desenvolvimento das pesquisas e dos projetos em tecnologias aplicáveis à televisão digital. isso pode significar a transmissão de arquivos em formato MPEG-2 ou mesmo AVI (os mesmo utilizados respectivamente nos DVDs e nos arquivos de vídeo mais trocados na Internet). por exemplo.pROpRIEDaDE InTElEcTual da Internet.820/06.° 4. por outro levantou preocupações por parte das emissoras de TV. neste sistema o conteúdo é transmitido em formato digital. de forma livre e gratuita. 3º Ao Comitê de Desenvolvimento do SBTVD compete: I . ao público em geral. III . o Poder Executivo editou o Decreto n° 5. Como o próprio nome diz. Se por um lado. e VIII .apresentar relatório contendo propostas referentes: a) à definição do modelo de referência do sistema brasileiro de televisão digital. o Presidente da República editou dois decretos. Dito de outro modo.fixar as diretrizes básicas para o adequado estabelecimento de modelos de negócios de televisão digital. FGV DIREITO RIO 162 . IV . b) ao padrão de televisão digital a ser adotado no País.fixar critérios e condições para a escolha das pesquisas e dos projetos a serem realizados para o desenvolvimento do SBTVD. II .estabelecer as diretrizes e estratégias para a implementação da tecnologia digital no serviço de radiodifusão de sons e imagens. V . 163 milhões de brasileiros tem acesso a aparelhos de TV. também conhecido como padrão japonês – estabeleceu outras normas para a implementação da TV digital.901/03 criou o Comitê de Desenvolvimento do Sistema Brasileiro de Televisão Digital. que o conteúdo transmitido fosse facilmente colocado na Internet. VI . c) à forma de exploração do serviço de televisão digital. VII .supervisionar os trabalhos do Grupo Gestor. enquanto somente 32 milhões possui acesso à Internet.decidir sobre as propostas de desenvolvimento do SBTVD. O Decreto n. planejar as ações necessárias e aprovar planos de aplicação para a condução da pesquisa e o desenvolvimento do SBTVD. 3o As concessionárias e autorizadas do serviço de radiodifusão de sons e imagens e as autorizadas e permissionárias do serviço de retransmissão de televisão adotarão o SBTVD-T. Em seguida.definir estratégias. Com a finalidade de estabelecer as diretrizes gerais para implementação da TV Digital no Brasil. in verbis: Art. 4o O acesso ao SBTVD-T será assegurado. Art. 105 Segundo dados do IBGE de 2005. e d) ao período e modelo de transição do sistema analógico para o digital. a fim de garantir o adequado cumprimento das condições de exploração objeto das outorgas. nos termos deste Decreto. que além de normatizar a escolha pelo padrão de TV digital ISDB-T – Integrated Services Digital Broadcasting Terrestrial. este avanço trouxe vantagens potenciais. bem como de seus participantes. Dependendo do padrão tecnológico de TV adotado.

o presidente do Comitê formulou as seguintes perguntas: 1) Quais são os interesses e direitos em jogo neste caso? 2) As emissoras têm direito a impedir a gravação de seus programas? 3) Os telespectadores podem invocar algum direito para proteger a liberdade de gravação de programas? 4) O Comitê é competente para implementar tal medida? 5) Do seu ponto de vista. canal de radiofreqüência com largura de banda de seis megahertz. às concessionárias e autorizadas de serviço de radiodifusão de sons e imagens. 7º Será consignado.transmissão digital simultânea para recepção fixa.pROpRIEDaDE InTElEcTual Art. Uma vez instalado.901. você foi procurado para opinar sobre a legalidade e/ou constitucionalidade da adoção de proposta do Ministério das Comunicações para adoção do referido sistema anticópia. como base. 6º O SBTVD-T possibilitará: I . Na qualidade de consultor jurídico do Comitê de Desenvolvimento do Sistema Brasileiro de TV Digital no Brasil. tal medida será eficaz? Dê exemplos que sustentem sua posição. Art. as emissoras de TV no Brasil iniciaram lobby junto ao governo para implementar sistemas tecnológicos anticópia na TV digital. podendo impedir. Preocupadas com a possibilidade de suas programações serem copiadas livremente e disponibilizadas na Internet ou comercializadas ilegalmente. entre outros. Art. do setor industrial e da comunidade científica e tecnológica. de 26 de novembro de 2003. móvel e portátil. Para tal. Através deste dispositivo. inclusive para reconhecimento dos organismos internacionais competentes. FGV DIREITO RIO 163 . § 1º O Comitê de Desenvolvimento fixará as diretrizes para elaboração das especificações técnicas a serem adotadas no SBTVD-T. por exemplo. o padrão de sinais do ISDB-T. 5o O SBTVD-T adotará. incorporando as inovações tecnológicas aprovadas pelo Comitê de Desenvolvimento de que trata o Decreto no 4. que o telespectador grave um programa para assistir em outro horário. § 2º O Comitê de Desenvolvimento promoverá a criação de um Fórum do SBTVD-T para assessorá-lo acerca de políticas e assuntos técnicos referentes à aprovação de inovações tecnológicas. denominado set-top-box. desenvolvimento e implantação do SBTVD-T. e III .interatividade. a fim de permitir a transição para a tecnologia digital sem interrupção da transmissão de sinais analógicos. cada emissora poderia decidir os usos que cada usuário poderia fazer da programação. especificações. tal sistema possibilitaria às emissoras codificar o sinal da TV aberta. § 3º O Fórum do SBTVD-T deverá ser composto. II . que só seria decodificado por dispositivo constante dos aparelhos de TV ou dos conversores para aparelhos analógicos.transmissão digital em alta definição (HDTV) e em definição padrão (SDTV). por representantes do setor de radiodifusão. para cada canal outorgado.

1. “Information Feudalism”. 2005. 1º a 4º bis. Cambridge University Press.pROpRIEDaDE InTElEcTual sistema internacional de propriedade intelectual autor: Pedro Paranaguá EmEntário dE tEmaS Revolução Francesa: primeiro uso da palavra “propriedade” para designar bens intelectuais – a Era Abolicionista: 1850 a 1910 – nascimento das ONGs de interesse privado – custos negligenciados do regime de PI e limitações ao acesso a conhecimento – a Resolução Brasileira de 1961: uma natimorta – a criação da OMPI em 1967: “interceptar qualquer iniciativa de estranhos” – primeiros momentos da OMPI: a forte influência das ONGs de interesse privado – 1974: a OMPI se torna uma agência especializada da ONU (?) – mudança rumo à salvaguarda do interesse público: iniciativa frustrada de revisão (1980-84) – o Acordo TRIPs (1986-94): inserindo bens do conhecimento na agenda do comércio internacional . 1. FGV DIREITO RIO 164 . e 40. principles and objectives”).355/94. e Decreto n. A.iprsonline. 44-52. 55-64. 104-19.org/unctadictsd/ResourceBookIndex. itens 1 e 2 (TRIPs – Acordo sobre os Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio). preâmbulo e arts. 30-8. e 19 (que ratifica a Convenção da União de Paris – CUP. e UNCTAD-ICTSD. 10 bis.htm>. 86-94.263/94. LEituraS comPLEmEntarES Peter Drahos. 130-33 (que corresponde a trechos de “part 1: nature of obligations. 5º. 10-8. “Resource Book on TRIPs and Development”. revisão de Estocolmo). pp. disponível para download em <http://www. 125-8. 1 a 4. 73-82.e exigibilidade (“enforcement”)) – “os escritórios diplomáticos da OMPI” e sua permissividade – a OMPI pós-TRIPs – o cenário pós-TRIPs – a Convenção da União de Paris (CUP) de 1883 – princípios basilares da CUP – Acordo TRIPs ou ADPIC – tabela-sumário: compreendendo a política global de restrições ao acesso a bens do conhecimento LEitura oBrigatória Decreto n. 6º bis. 1-2. 23-7. 1º a 8º. arts.

por uma palavra com uma respeitável conotação. 11. Também nard & Morriss 2004. “com deliberada falta de sinceridade” os relatores da lei “construíram uma teoria artificial de direitos de propriedade do inventor como parte dos direitos do homem”. Veja Vishwas.106 Perguntamos. caso a lei a proclame como tal. líderes das duas Casas do Parlamento propuseram a completa abolição da proteção patentária”. economistas e do governo. Ver Machlup & penrose 1950. p..pROpRIEDaDE InTElEcTual 1. ao ser apresentada à Assembléia Constituinte. 16-17. não haveria por consequência a necessidade de criarmos leis para as proteger.109 Na Alemanha. Era uma estratégia para convencer as pessoas a respeitar a declaração de propriedade sobre o conhecimento humano. (. pp.”. E Hulme 1897. ‘privilégio’. Além disso. Nesse sentido. então: se as invenções são propriedades tão primárias assim. pp.”108 Estratégias similares de retórica como a citada acima foram e ainda são utilizadas para influenciar e convencer o público em geral a respeitar declarações de propriedade sobre o conhecimento humano. introduziram autoritarismo através de seus princípios aparentemente democráticos. inadvertidamente. ii) exame mais rígido.. a “invenção (. pois palavras podem ter grande influência sobre as mentes. Em outras palavras: era o início da apropriação do conhecimento humano. 106 Machlup & penrose 1950. por que devemos convencionar e aprovar leis para as proteger? Se o pensamento humano ou as invenções fossem realmente primárias ou naturais. paradoxalmente foi argüido que o ‘pensamento’ é uma ‘propriedade genuína’ do homem e. pp. de 1791. 30-47. e iv) licenciamento compulsório. 108 109 a câmara dos lordes outorgou então uma lei de reforma determinando i) a redução do prazo de proteção a patentes para 7 anos.”107 Queremos crer que os revolucionários franceses. “. a Era abolicionista: 1850 a 1910 Machlup & penrose 1950.. Comitês do Parlamento inglês e Comissões Reais estudaram o impacto do sistema de patentes e. 3-6. “economistas eram Machlup & penrose 1950. 107 Durante o século XIX ocorreu talvez a primeira grande batalha ou reação às amplas restrições impostas pelas leis de patentes. E a mesma economista diz que “aqueles que começaram a usar a palavra ‘propriedade’ relacionada a invenções tiveram um objetivo bem definido em suas mentes: eles queriam substituir uma palavra que tinha um ar desagradável.. iii) cancelamento de patentes não fabricadas após 2 anos. FGV DIREITO RIO 165 . tendo sito tecidas críticas públicas globais vindas principalmente de pensadores sociais. após terem recebido testemunhos de tamanho peso denegritório ao sistema de patentes. é válido mencionar a estratégia utilizada em 1843 quando as Câmaras Francesas consideraram a adoção de uma nova lei de patentes: “inserir a palavra propriedade não é uma questão de indiferença. assim.. 16-17..) é uma propriedade primária. ‘propriedade’. Como uma renomada economista comentou. pp..) a pessoa comum respeitará a invenção de seu vizinho se ela estiver convencida de que a mesma é propriedade. enquanto que todas as outras propriedades são meramente estabelecidas por leis. O termo ‘privilégio’ era utilizado para indicar privilégios arbitrários e monopólios concedidos a inventores pela Monarquia. Um ano antes da lei de patentes da França.. rotEiro dE auLa: revolução Francesa: primeiro uso da palavra “propriedade” para designar bens intelectuais A primeira vez em que a palavra ‘propriedade’ foi utilizada para identificar o chamado sistema de ‘propriedade intelectual’ foi ao meio da Revolução Francesa de 1789.

.org/index-a.). Deve-se mencionar a criação. são chamados de ONGs. na sigla em inglês). Ver também aIppI 1997.2005). que influenciavam diretamente e até mesmo redigiam.. FGV DIREITO RIO 166 . impulsionadas principalmente pelas então recém-fundadas “organizações não governamentais” (ONGs) de interesse privado: a Associação Literária e Artística Internacional (ALAI. 72 e 93. o BIRpI (Escritório Internacional Reunido para a proteção da propriedade Intelectual).. neste sentido. encaminharam petições a governos e legislaturas. rejeitaram a adoção de leis de patentes. Green Peace etc. e Musungu & Dutfield 2003.. chegou a revogar inteiramente sua lei patentária.pROpRIEDaDE InTElEcTual quase unânimes na condenação do sistema [de patentes] (. e ainda são.alai. na sigla em francês)115. tais como a Organização das Nações Unidas (ONU). Através do uso de técnicas de propaganda notáveis para a época – último quarto do século XIX – advogados do sistema de patentes organizaram novas sociedades para a proteção de patentes.04.. e ONGs que cuidam de interesses privados. a Associação Internacional para a Proteção da Propriedade Intelectual (AIPPI. que congrega as a Holanda a aboliu de 1869 a 1912.iccwbo. ao passo que o sistema de patentes é apresentado como um exemplo da construção e modelagem de políticas dos bens de conhecimento (propriedade intelectual). clark 1997. sendo que a Holanda. org/> e <http://www. ipsis literis. e em determinados pontos a Conferência chegou a adotar literalmente a redação sugerida pela Associação . <http://www.. ou a Motion Picture Association of America (MPAA). 41-2.2005). É importante mencionar que ONG nada mais é do que uma instituição que não faz parte do governo. pp.” atualmente. trechos dos tratados internacionais sobre patentes e direitos autorais. enviaram porta-vozes a reuniões de associações profissionais e de comércio. 114 Desde sua concepção. mesmo sem previsão de mecanismos de sanções. e <http:// www. Machlup & penrose 1950. contudo sem direito de voto. nos Eua. e a Câmara Internacional de Comércio (ICC. como por exemplo WWF. era criado para administrar ambas as convenções. além disso. na sigla em inglês) também representam uma considerável influência. na sigla em francês). pp.04. ao passo que a Prússia e a Suíça. Todavia.118 Em outras palavras. na sigla em inglês) e a comissão de propriedade Intelectual (Ipc. p. Não há diferenciação entre o objetivo ou os interesses dessas ONGs. na sigla em inglês).php> (acessado em 01. 51. os demais participantes. o termo ONG designa uma instituição que não é um Estado-Membro. na sigla em francês). pp. O termo ONG é utilizado no âmbito de Organizações Internacionais.. que possui os mesmos objetivos.116 Suas influências foram e prosseguem tão notórias que “foi a AIPPI que preparou as sugestões de reforma”117 até a Convenção da União de Paris. como a Business Software Alliance (BSA). Ver Siemsen 1997.. que representa os interesses das empresas a ela associadas: Microsoft. em 1958 (inclusive).111 nascimento das ongs de interesse privado 110 a lei alemã de 1877 determinava exceções à patenteabilidade: alimentos e medicamentos não eram patenteáveis (evitando que estrangeiros tomassem o mercado alemão). ver análise sobre o TRIps. org/> (ambos acessados em 02. em 1869.04. esta reação não duraria por muito tempo.ficpi.. pp. “. Como essas Organizações Internacionais são formadas por Estados-Membros. 5-6. Adobe etc. 115 Bogsch 1992. das três supramencionadas. Portanto. eram as mãos e mentes de advogados membros dessas ONGs de interesse privado. normalmente com credenciamento para as discussões. 89-90 e 515-18.aipla.114 Tais decisivas intervenções foram. o principal objetivo da alaI foi “a criação de um acordo internacional com vistas à proteção do direito autoral literário e artístico. esta última por diversas vezes. em 1897. tendo recomendado reforma ou abolição . Apple. 1 e 3-6. 111 Machlup & penrose 1950. pp. Hoje a aliança Internacional da propriedade Intelectual (IIpa. tendo sido os mais significativos resultados dessas estratégias as Convenções das Uniões de Paris e de Berna113. naquela época já existiam cláusulas sobre ordem pública e moralidade. elaboraram resoluções e as distribuíram à imprensa. o primeiro passo rumo à harmonização dos sistemas de patentes e de direitos autorais. que são os únicos com direito de voto ou decisão perante tais Organizações. p. e a Organização Mundial do Comércio (OMC). Machlup & penrose 1950. Gaultier 1997.. com interesses de seus clientes envolvidos no assunto. e até mesmo promoveram competições públicas com prêmios para os melhores artigos em defesa do sistema de patentes112. 494 e 496. 1 e 3-6. um comitê internacional. da associação norte-americana de legislação da propriedade Intelectual (aIpla. 517. pp. 4816.”. pp.org/> (acessado em 02.”110. medidas similares eram tomadas por defensores dos direitos autorais. Ver Bogsch 1992. a Federação Internacional dos Consultores em Propriedade Intelectual (FICPI. 116 117 clark 1997.2005). a alaI possui “fortes laços com a OMpI” e “relações privilegiadas com autoridades internacionais”. 481. Ver <http:// www. Assim. 14. 112 113 poucos anos após. podemos ter ONGs que tratam de questões de interesse público.

120. foram deveras similares. Onu 1961a e 1961b.119 e. diferentes comissões foram formadas nos Estados Unidos e no Brasil com o objetivo de estudar o caso específico do abuso de monopólio legal no campo farmacêutico.123 e. Em resumo. inclusive os desenvolvidos. p..124 Referência à conferência da Revisão de Bruxelas da convenção da união de paris.120 É curioso notar o uso do termo “acesso a conhecimento” já em 1961..122 No Brasil.. 122 123 124 Dutfield 2003. ONG não é sinônimo de interesse público. demonstrando não se tratar somente de um problema entre os hemisférios Norte e Sul – ou entre países desenvolvidos e em desenvolvimento – mas sim um problema que afligia. formada em 1961 para analisar especificamente os abusos de monopólios de patentes de titularidade de corporações multinacionais farmacêuticas no país. através de análises independentes. Ver <http://www. de fato. além das conclusões gerais dos documentos mencionados no que tange aos custos do sistema de PI. conseqüentemente restringindo o acesso (Machlup 1958. e 93. pp. gov. e os consumidores ou usuários do sistema de PI. em 1963. Universal Pictues etc. em âmbito nacional. Nos Estados Unidos. no entanto. e ainda aflige. p. também conhecido como A2K (access to knowledge). no Segundo Comitê da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). conseqüentemente restringindo o espaço disponível para a indústria e a iniciativa locais. 72. A mencionada Resolução expressou sérias resguardas acerca das freqüentes limitações ao “acesso a conhecimento” causadas pelo sistema de patentes e por acordos relacionados. de forma a eliminar as distorções que podem se originar do sistema de PI. em 1961. todos os países. FGV DIREITO RIO 167 . trouxeram algumas conclusões idênticas121. foram apontados pela “Resolução Brasileira” vários abusos e o mau emprego do sistema de PI.” (Onu 1961a). os autores de obras ou criadores de invenções. no âmbito internacional. 118 119 120 121 Machlup 1958. (. Enquanto no Senado norteamericano era declarado que as patentes eram freqüentemente requeridas “não para produzir a invenção patenteada. pp. 11-12)..) as tentativas de aplicar a legislação aos drasticamente enfraquecidos direitos de patente fracassaram .. como a Disney. é interessante observar que ambos os documentos acima mencionados – o norte-americano de 1958 e brasileiro o de 1961 – surgiram de formas independentes e.. no relatório final de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) especial. 51. a despeito de o Comitê Kefauver ter concluído que a indústria farmacêutica estaria lucrando excessivamente através do abuso de suas patentes e direitos de marca às custas dos consumidores.. 35. em 1969 entrou em vigor no Brasil uma lei excluindo produtos e processos farmacêuticos do escopo de patenteamento. Ademais. 41-2. em certos casos patentes [foram] requeridas por estrangeiros sem qualquer intenção de manufaturar localmente o produto patenteado ou de aplicar novas técnicas. o Senado Norte-Americano comissionou estudos que identificaram uma série de custos negligenciados do dito regime de PI. Ver Gaultier 1997. acrescido ao fato de que “. De fato. Hoje em dia esse termo.2005). Menescal 2004.pROpRIEDaDE InTElEcTual maiores empresas cinematográficas do mundo. E novamente as conclusões surgidas em diferentes países.”.06. reivindicando uma conciliação entre os interesses dos detentores de patentes e as necessidades e requisitos do desenvolvimento econômico.br/> (acessado em 28. custos negligenciados do regime de Pi e limitações ao acesso a conhecimento Em 1958. se tornou praticamente uma ‘marca registrada’ mundialmente para identificar a necessidade de se buscar um equilíbrio entre pelo menos três agentes do sistema de PI: os detentores de direitos de propriedade intelectual. mas para evitar que outros o fizessem”.inpi. estas companhias estavam investindo mais recursos em promoção de vendas do que em pesquisa.. de 1897-1900. a Resolução Brasileira argumentava que “. foi apresentada até mesmo a proposta de retirada do Brasil da Convenção da União de Paris.

. 171218. a proteção da propriedade industrial. p. pode-se dizer que de alguma forma a origem da OMpI data de 1883 e 1886. como pode ser constatado. p. logo se seguiu outra batalha no encadeamento de ações e reações: advogados de PI125 de interesse privado iniciaram suas atividades pela extinção da Resolução Brasileira e quaisquer outras “revoluções pacíficas”. e Onu 1964. os custos do regime de PI não poderiam ser simplesmente ignorados a partir do momento em que estudos independentes realizados por países dos hemisférios Sul e Norte demonstravam tais abusos. produzido pelo Secretário-Geral sob substancial influência de ONGs de interesse privado.. pp. p. in aIppI 1964. 482. contudo. em 1967. Víamos a morte prematura da Resolução Brasileira. a resolução Brasileira de 1961: uma natimorta Não obstante as preocupações e evidências claras da disfunção do sistema de PI. de interesse privado. na sigla em francês). Menescal 2004. 126 ladas.129 Era a forma encontrada por pessoas que atuavam na proteção da propriedade intelectual. Ver Menescal 2004. estarem sujeitos às normas da ONU. p. ‘Summary of and Commentary on the Report of the Secretary-General of the UN on the Role of Patents in the Transfer of Technology to under-developed Countries’. Em 1893 as duas convenções se fundiram no Escritório Internacional Reunido para a proteção da propriedade Intelectual (BIRpI. p. na sigla em francês). como a ICC e a AIPPI. de um “. 4. 17. para a proteção da propriedade industrial. Musungu & Dutfield 2003.”. 38. 131 Musungu & Dutfield 2003. Antes que uma iniciativa surgisse por parte de países em desenvolvimento. respectivamente. em vez de legitimar mudanças postas à mesa pelos países em desenvolvimento. advogados de patentes.. 132 clark 1997. Nesse sentido. apud Menescal 2004. como por exemplo de agências da ONU. a criação da omPi em 1967: “interceptar qualquer iniciativa de estranhos” 125 prioritariamente acadêmicos. e a proteção de obras literárias e artísticas. o Relatório127 de 1964 preparado segundo a Resolução Brasileira. quando as convenções das uniões de paris e de Berna foram criadas para. as discussões na ONU se tornaram perigosas demais para alguns países desenvolvidos com interesses privados específicos em relação à expansão da proteção da PI por todo o mundo. esse grupo que estava por trás da criação das Convenções das Uniões de Paris (1883) e de Berna (1886). clube dos países desenvolvidos. Stephen 1964. E o que poderia ter sido um passo crucial em direção a um equilíbrio no sistema de propriedade intelectual foi praticamente aniquilado logo após sua primeira respiração.131 Era uma tentativa de atrair os países em desenvolvimento e fazer com que os mesmos passassem a adotar os padrões de proteção a direitos de propriedade intelectual nos moldes propostos pelos países desenvolvidos. resolveu transformar o predecessor da OMPI. resultou em um tributo ao sistema de patentes128 – eram os advogados de PI. aperfeiçoando suas habilidades de influenciar a política pública de propriedade intelectual. Com a criação da OMPI. sem. 4. anderfelt 1971. 16. 209. 129 130 Musungu & Dutfield 2003. estas mantiveram uma “cooperação próxima”132 com a OMPI.. em uma organização de caráter multilateral que pudesse atrair países em desenvolvimento . Onu 1964. o Escritório Internacional Reunido para Proteção da Propriedade Intelectual (BIRPI. FGV DIREITO RIO 168 .126 Uma vez que a maioria dos países do hemisfério Sul na ONU viram a Resolução Brasileira como uma centelha que poderia provocar uma reação em cadeia. 4. ou mesmo que houvesse uma movimentação vinda de dentro da ONU para flexibilizar os direitos de propriedade intelectual.pROpRIEDaDE InTElEcTual Assim. criado em 1893. Ver also OMpI 1967. p. de manter o controle e “interceptar qualquer iniciativa de estranhos”130. p. e para a proteção das obras literárias e artísticas. 127 128 Em 1967 foi criada a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI). respectivamente. diretores de patentes de corporações multinacionais. embora o papel das ONGs de interesse privado tenha mudado. p. que posteriormente originou a OMpI.

posteriormente. 28-9. 515-18. em 1974 a ONU e a OMPI assinaram um Acordo segundo o qual aquela reconhece esta como sua agência especializada “para promover a atividade intelectual criativa e para facilitar a transferência de tecnologia relacionada à propriedade intelectual aos países em desenvolvimento de forma a acelerar o desenvolvimento econômico. nos leva às seguintes conclusões: a OMPI foi criada e utilizada para (i) promover e fortalecer a proteção da PI. destaque adicionado. mas tal preço pareceu justo – mesmo que do ângulo dos interesses de alguns dos países industrializados não fosse o ideal – se um razoável sistema internacional de proteção à propriedade intelectual fosse o resultado.. submetida à competência e responsabilidades da Organização das Nações Unidas e seus órgãos”. podemos concluir que a governança da OMPI está enraizada nos setores de interesse privado. em vez de fortalecer. 89-90. 1974: a omPi se torna uma agência especializada da onu (?) As conclusões acima são corroboradas pela Convenção da OMPI de 1967 (vigente desde 1970).. seu então Diretor-Geral134. pp. Além disso. Desta maneira.. pp. 481-6. 133 O Diretor-Geral da OMpI àquela época era Georges Bodenhausen.. (. Diretor-Geral da recém-criada OMPI .) [a proteção da PI]. destaque adicionado..e.). 1.”135 Assim. 134 135 136 Bogsch 1992. a OMPI “concorda em cooperar (.) [de forma a] expandir mundialmente (... art. mas eram da opinião que (. OMpI 1967. 3. observamos que também pode haver – mesmo não se tratando diretamente do assunto – algumas preocupações do hemisfério Norte sobre a resistência do hemisfério Sul nas negociações finais do TRIPs. tornouse Diretor do BIRPI em 1963 e. feita por um Diretor-Geral da OMPI. a declaração acima. de acordo com o mesmo Acordo.) particularmente a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Bogsch 1992. membro de honra da OnG de interesse privado aIppI: ver clark 1997. OMpI 1974.) com as Nações Unidas e seus órgãos..pROpRIEDaDE InTElEcTual Uma das muitas evidências disso é que um membro de honra da AIPPI “. o principal objetivo da OMPI era “promover a proteção da propriedade intelectual no mundo inteiro”.. declarou: “. e clark 1997.. art. comentando sobre a criação da Organização em 1967.. a proteção internacional à propriedade intelectual (. Sem dúvida..”. 1992. pp.137 Além disso. contextualizando a situação na qual tal declaração foi feita... 137 FGV DIREITO RIO 169 . e (iii) criar patamares mínimos de direitos de PI..133 Era a iniciativa privada na direção geral do órgão internacional responsável pelo gerenciamento da propriedade intelectual no mundo. (ii) expandi-la ao mundo todo.136 Entretanto. i.. alguns dos países industrializados temiam que os países em desenvolvimento poderiam vir a se tornar a grande maioria dos membros e tentar enfraquecer. Primeiros momentos da omPi: a forte influência das ongs de interesse privado Em 1992.. social e cultural. no livro comemorativo dos primeiros vinte e nove anos da OMPI. 481.) o passo deveria ser dado (. quatro anos depois de a Convenção da OMPI entrar em vigor.. De acordo com a Convenção. Outros países industrializados e o Diretor-Geral [da OMPI] reconheceram que tal possibilidade existia. p. tal fato não permitiria aos países industrializados a estipulação de normas como se eles estivessem apenas entre si. que fundou a Organização..

terminaram em absoluta neutralização por parte dos países desenvolvidos. Nesse sentido. [e] o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas [PNUD]. 141 142 143 Em conseqüência à tentativa frustrada dos países em desenvolvimento de revisar o sistema de PI. ao fim das Conferências aquele país “desejou revisões voltadas para o aumento da proteção de patentes”. falhou mais uma vez. na promoção e facilitação da transferência de tecnologia para os países em desenvolvimento de forma a assistir tais países a atingir seus objetivos nos campos da ciência e tecnologia e comércio e desenvolvimento. ao invés de ser pautada por interesses puramente privados. de forma a trazer o desenvolvimento econômico e social à cena – alguns efeitos do natimorto ainda se faziam sentir. 55. entretanto. pp. art. mas que conseguiam entrar no mercado. A retaliação se iniciava. de forma a incorporar algumas flexibilidades. em 1974. conforme prévio requerimento por parte da Resolução Brasileira de 1961.”138 Conseqüentemente. 79-106. pp.143 Internamente. 139-140. 10.06. 389.org/resources/technologytransfer.pROpRIEDaDE InTElEcTual Desenvolvimento [UNCTAD]. propondo ainda uma revisão das leis e práticas de patente. Os “rápido segundo colocados” eram os países que não estavam dentre os pioneiros em tecnologia e inovação. No cenário global os Estados Unidos estavam sendo pressionados pela concorrência de países que utilizavam a estratégia de “rápido segundo colocado”: Japão. Roffe 1978. ao passo que o posicionamento norte-americano era anti-revisão. a UNCTAD finalmente publicou Relatório conjunto mostrando uma mudança da preocupação inicial em relação à proteção de interesses privados dos detentores de patentes rumo à salvaguarda do interesse público. o acordo triPs (1986-94): inserindo bens do conhecimento na agenda do comércio internacional – e exigibilidade (“enforcement”) 138 OMpI 1974. A proposta de revisão culminou nas Conferências de Revisão de Nairobi e de Genebra (1980-84) da Convenção da União de Paris. Em outras palavras. o Acordo entre a ONU e a OMPI representa uma mudança significativa nos objetivos da OMPI.2005). comércio em tecnologia.140 mas as discussões iniciadas em 1970 nunca tomaram a forma de um tratado – e se extinguiram em 1993. 111. como pode ser constatado. a indústria influenciava o governo norte-americano para que este adotasse medidas para aIppI 1997. mudança rumo à salvaguarda do interesse público: iniciativa frustrada de revisão (198084) Desta vez a reação dos países em desenvolvimento – não hostilizada por uns poucos países desenvolvidos – foi feita com uma proposta por um Código Internacional de Conduta sobre a Transferência de Tecnologia para liberalizar “. nos aproximadamente dez anos seguintes os países em desenvolvimento se dedicaram a rever o sistema de propriedade intelectual. Coréia do Sul e Taiwan. de flexibilizar os direitos de propriedade intelectual. Sell 1998.. imediatamente após os países pioneiros em inovação. e considerado por advogados de PI de interesse privado como um “ataque ainda mais perigoso”142 ao sistema de patentes. ver <http://www. que desde 1974 deve levar em conta e adotar o papel mais amplo da ONU139. Roffe. 139 140 Onu 1945. de forma altamente competitiva. destaque adicionado. para uma série de discussões sobre transferência de tecnologia. iprsonline. patel & Yusuf 2001. p. 39-40. que.htm> (acessado em 06. FGV DIREITO RIO 170 . com conseqüente aumento no fluxo de transações”. e Menescal 2004. p. art. pp.141 Além disso. a tentativa dos países em desenvolvimento.. Sell 1998.

Assim. foi também imposta como condicional sob a proteção de direitos de propriedade intelectual. de acordo com a indústria as ‘ações 301’ não foram suficientes. sobretudo dos EUA. de software e de entretenimento. Os EUA decidem como e quando irão tomar medidas que afetam o comércio de outros países. para assegurar que seus pontos de vista seriam considerados”. em 1984 os Estados Unidos alteraram a ‘seção 301’ de sua Lei de Comércio e Tarifas. a outorga do Sistema Geral de Preferências (SGP) dos EUA. países interessados em participar da OMc devem obrigatoriamente adotar todos os seus acordos.. devido a falsificações. assinar o acordo sobre agricultura. na agenda de comércio internacional. Desta maneira. era uma das maiores vontades da indústria. começaram a ser realizadas as negociações de 1986-94 da Rodada do Uruguai. 146 De acordo com o conceito de “compromisso único” (“single undertaking”). Tendo em mente que não somente o USTR (Escritório Norte-Americano de Comércio) como também qualquer “pessoa interessada” pode dar entrada com uma petição e dar início a uma ‘ação 301’. que isenta ou reduz tarifas de forma voluntária e não-recíproca para importações de países em desenvolvimento. Nesse cenário de crescente aumento da proteção de bens do conhecimento. sem. de 1974 – alterada novamente em 1988 e conhecida como ‘especial 301’ – para incluir a remoção de preferências tarifárias ou a imposição de sanções a países que não ofereçam “proteção adequada e efetiva” aos direitos de propriedade intelectual de titularidade de empresas norte-americanas em países estrangeiros. deixando de lado o TRIps. sendo o Acordo sobre Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (TRIPs)146 somente um dos Acordos dentre muitos outros. p. sob profunda influência dos países desenvolvidos. 17. em resposta à pressão. da ordem de aproximadamente US$ 43-61 bilhões. e ainda divulgou que de 1980 até 1987 o superávit da balança comercial despencou de US$ 27 bilhões para um déficit de US$ 138 bilhões. da Comunidade Européia e do Japão. predecessor da Organização Mundial do comércio – OMc. na sigla em inglês) estrategicamente divulgou a existência de perdas na balança comercial daquele país. nos casos acima – tanto das ‘ações 301’ bem como do SGP – essas medidas eram. como os Acordos sobre produtos têxteis e sobre agricultura. tais como a IIPA e a IPC. foram criadas ONGs de interesse privado representantes da indústria. conforme mencionado por Drahos com Braithwaite 2002. “. contudo. da mesma forma que. Era o momento de introduzir de alguma forma as restrições ao acesso aos bens de conhecimento. referente ao Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT)145. o Centro de Comércio Internacional dos Estados Unidos (ITC. 11. Nesse sentido. A introdução de um acordo com patamares mínimos para a proteção dos direitos de PI. todos com indústria mundial dominante nas áreas farmacêutica.pROpRIEDaDE InTElEcTual forçar outros países a respeitar sua alegada propriedade de bens de conhecimento. como vemos. química. é comum a argumentação147 de que a justificativa para a aceitação dos 144 145 Watal 2003. que também temia a força em maior número dos países em desenvolvimento na OMPI e suas iniciativas de revisão do sistema de PI.. ao longo da primeira metade dos anos 1980.144 Mesmo assim. Portanto. comumente referidos como DPIs (direitos de propriedade intelectual). p. por exemplo. não sendo oferecida a opção de. 147 FGV DIREITO RIO 171 . as negociações do GATT/Organização Mundial de Comércio (OMC) envolveram todo um pacote de temas. observar regras multilaterais de comércio internacional. era o início do vínculo dos bens do conhecimento com o comércio internacional. colocando os bens do conhecimento na agenda de comércio. E é importante notar que. e continuam sendo. Para tanto. tomadas de forma unilateral.

p. como contra-partida. passa a ser uma clara vitória para a indústria. agora. Pode-se dizer que um número considerável desses países.pROpRIEDaDE InTElEcTual termos do Acordo TRIPs por parte dos países em desenvolvimento residiria exatamente no fato de que estes tiveram.. mas para eles decisivos. como a indústria prefere chamá-los – foram introduzidos na agenda de comércio global. De fato. imensa distância em que se encontram em relação aos países desenvolvidos.149 148 149 Watal 2003. Porém. 19-47 Bogsch 1992. pp. os contatos entre a OMPI e o setor privado (. o cenário parecia idêntico..148 além das consideráveis ameaças da ‘ especial 301’. talvez a mais significativa modificação trazida pelo Acordo TRIPs: suas cláusulas sobre exigibilidade (“enforcement”). existe uma diferença entre alguns desses países que não deve ser ignorada. já que para fazer parte da OMC. tempo e coordenação”... representa uma dependência do países do hemisfério Sul em relação à tecnologia usualmente detida por países do hemisfério Norte. bens não-manufaturados. Dessa forma.. parece não possuir perspectiva real de serem desenvolvidos a curto nem a médio prazo. esta justificativa simplista para a aceitação dos termos do Acordo TRIPs pelos países em desenvolvimento como uma barganha relacionada ao Acordo sobre Agricultura não deve ser aceita. e mesmo após se tornar uma agência especializada da ONU. e com os países em desenvolvimento carecendo de “maior conhecimento técnico. o Acordo TRIPs também deve ser aceito. restandolhes nenhuma outra opção que não seja a aceitação do Acordo TRIPs. Parece-nos que a proteção dos direitos de PI vem sendo ironicamente expandida de maneira cada vez maior à agricultura e a bens a esta relacionados. com a necessidade de participar das transações internacionais e exportar seus poucos. A inserção dos bens do conhecimento na agenda de comércio e a inclusão de cláusulas de exigibilidade no Acordo TRIPs chegaram para transformar para sempre o cenário global. plantas e produtos agroquímicos. conforme podemos observar nas palavras do então Diretor-Geral da Organização: “. em última instância. Importante mencionar. tais como sementes. fertilizantes etc. todo país mais cedo ou mais tarde demanda participação no comércio internacional – países em desenvolvimento inclusive.) são bastante próximos.”. que serviria como incentivo para suas exportações. Neste contexto. 90. O setor privado possui influência real e direta sobre a política da OMPI . em 1994-95 o Acordo TRIPs foi adotado junto com todo o pacote da OMC: bens do conhecimento – ou DPIs (direitos de PI).. como adubos. o que.. ademais. com o TRIPs. FGV DIREITO RIO 172 . tendo em vista os comentários mencionados anteriormente. “os escritórios diplomáticos da omPi” e sua permissividade Em 1992. vinte e cinco anos após sua criação. em um mundo cada vez mais globalizado. que podem abrir caminho para sanções comerciais. os “vantajosos” termos do Acordo sobre Agricultura. majoritariamente localizada no hemisfério Norte. apesar de não serem desenvolvidos tecnologicamente. Contudo. entre outras razões. esses países estão de alguma forma se tornando cada vez mais dependentes no mercado internacional. devido à. A falta da cláusula sobre exigibilidade é uma omissão das Convenções das Uniões de Paris e de Berna e.

o Acordo “TRIPS foi o primeiro estágio do reconhecimento global de uma ética do para análise adicional. sobre a atual influência de normas de instrumentos semilegais (soft law) sobre a OMpI. inter alia. ver Musungu & Dutfield 2003... 3-4.) reduzida . por ocasião da reunião inaugural do Comitê de Consultoria Industrial (IAC..”154. sobre planos estratégicos de propaganda do Iac.. E.base que lida com os direitos de propriedade intelectual (DPIs) – era chegado o momento de compartilhar funções. do outro –”. 157 FGV DIREITO RIO 173 . 88% do financiamento total da OMpI se originou de taxas pagas por usuários do setor privado dos sistemas de proteção global da OMpI.157 o cenário pós-triPs OMpI 1995. pp.152 a omPi pós-triPs 150 151 clark 1997. ainda. e. 10-17. esses Tratados contêm cláusulas que estão acima – algumas vezes bem acima – dos patamares mínimos previstos pelo Acordo TRIPs.) para realizar um relatório de uma ampla gama de recursos humanos e financeiros (. ver OMpI 2000. Curiosamente. conforme atesta o pertinente acordo OMpI/upOV. convidou a assembléia Geral “.. além disso.” Ver OMpI 2005a. pp. ver Musungu & Dutfield 2003. e da Policy Advisory Comission (pac).. Este relatório gerou escândalo. incluindo seus “Tratados da Internet” de 1996 e sua agenda de patentes. Conforme ensinamentos dos professores Peter Drahos e John Braithwaite. de 1995 em diante. Durante discussões sobre a agenda do Desenvolvimento. enfatizando. p. a OMPI teve de “demonstrar aos Estados Unidos e à indústria daquele país que [tinha como] implementar novos modelos de proteção de forma mais rápida e eficiente”156.. é curioso e significante observar como a ONG de interesse privado AIPPI se referiu à OMPI: “conquanto parece não existir acesso formal direto para que a AIPPI transmita suas opiniões à OMC. que aliás. de um lado. “. a institucionalizar a decisão do atual Diretor-Geral de não aceitar remuneração extra por suas funções relacionadas à upOV. Veja OMpI 2005i. a OMPI vem trabalhando para desenvolver e ‘harmonizar’ os diferentes sistemas de direitos de PI. embora a OMPI deva respeitar e seguir o mais amplo papel da ONU. sugerindo que a OMpI deveria basicamente continuar a promover a proteção dos direitos de pI. a OMPI logo arquitetou um acordo com a OMC para “configurar uma relação de suporte mútuo entre elas” e fornecer assistência técnica aos países em desenvolvimento membros da OMPI e da OMC no que tange a temas relacionados ao TRIPs. impelindo a OMpI a selecionar “especialistas independentes externos (. 11.. p. Ver OMpI 2003. ademais. p. a importância que ele confere à existência da ação direta da indústria no processo de construção política da OMPI. 26. na sigla em inglês).. o futuro papel da AIPPI em relação àquele Órgão incluirá a expressão de suas opiniões através dos escritórios diplomáticos da OMPI”. a Joint Inspection Unit da Onu preparou em fevereiro de 2005 um relatório sobre a “crítica à Gestão e administração da OMpI”. e new 2005b. admitindo que “os escritórios diplomáticos da OMPI” têm apenas dois eleitorados – os Estados-Membros e a indústria –. devemos destacar. 152 153 154 É curioso notar que. não deixando espaço significativo para a sociedade civil e para o público como um todo. OMpI 1999.) [a] ser completado o mais breve possível”. 11. 485. a Organização aparenta claramente estar jogando de acordo com as regras do setor privado.. quando o mesmo mencionou que a OMPI possui apenas dois eleitorados “-.153 A união de forças e a cooperação foram vistas como uma solução estratégica.. p. Mas talvez com o temor de ter sua “. Em 2003. pp. 155 156 Musungu & Dutfield 2003. vem primordialmente dos países desenvolvidos e do setor privado155. o que de alguma forma explica sua chamada agenda ‘TRIPs-plus’. os Eua declararam que “não tinham por objetivo mudar a OMpI em uma direção que reduzisse esse apoio [vindo prioritariamente dos países desenvolvidos e da indústria]”. Portanto.. após o Acordo TRIPs da OMC.”151 Conforme pode ser observado. e o mercado. a OMPI deixou de ser a Organização. Seus ‘novos modelos mais eficientes’ vêm sendo chamados TRIPs-plus por um motivo simples: geralmente. grande parcela de apoio (.pROpRIEDaDE InTElEcTual Ademais.150 Tal influência direta do setor privado se torna ainda mais evidente quando da declaração do atual Diretor-Geral da Organização.os Estados-Membros. 6-8...

Bruxelas. l. R. Boyle (Duke).fsf. 161 Revisões da convenção da união de paris: 14.11. E. na maioria das vezes às custas do interesse público. Washington. upD <http://www. M. S. alguns defendendo o acesso a conhecimento e tecnologia. Washington (1911). Estocolmo. TWn <www. org/>. p. J. modelos de utilidade.org..g.. Haia (1925). representa largamente a falha do processo democrático. desenhos ou modelos industriais. marcas de fábrica ou de comércio e de serviço. 160 A necessidade de proteção das novas tecnologias desenvolvidas para e pela nova produção em escala industrial culminou com a realização da histórica Convenção da União de Paris162. org/>. Exemplos de OnGs originadas no hemisfério norte: KEI <http://www. uma vez que.cpsr-peru. pp. org/>. todos almejando o mesmo objetivo: proporcionar maior equilíbrio no cenário atual. Drahos (australian national university). que agora nos encontramos. estabelece o que é objeto de proteção por meio dos direitos de propriedade industrial. Dutfield (leeds). Ademais.org/>. a convenção da união de Paris (cuP) de 1883 158 159 2002. Geist (Ottawa).eff. e de organizações de interesse público e do consumidor. 02. assim como de acadêmicos renomados159.”158 Dessa maneira. org/>. Y. o que vem chamando a atenção da opinião pública para os custos do dito sistema de PI. lemley e J. londres. Os trabalhos preparatórios dessa Convenção Internacional se iniciaram em Viena. G. Barton (Stanford).edri.1925. como conseqüência. governos. ictsd. parece haver pouco escrutínio público no que tange ao desenvolvimento de um plano de ação relacionado aos bens baseados no conhecimento.sg/>.1900. 02. que enxerga o conhecimento como um bem privado.br/>.07. Benkler (Yale). lemos (FGVRio).idec.wipo.civilsocietycoalition. centro de Tecnologia e Sociedade da FGV DIREITO RIO <http://www. entendemos ser esta afirmação uma abordagem consciente do atual cenário.pROpRIEDaDE InTElEcTual investimento. A Convenção da União de Paris passou por algumas revisões. Haia. Londres (1934). observamos a crescente participação da sociedade civil. resultando num cenário no qual o setor privado praticamente dita as regras e escolhe o que melhor se encaixa a seus próprios interesses. altlawforum.org/>. cSc <http://www.ciel. cpSR-perú <http://w w w. até agosto de 2007. 31.br>. o que criou as bases para o atual Sistema Internacional da Propriedade Intelectual.1934. Rezende (unB). p. p. 10-12 e 189-219. além da crescente participação dos grupos mencionados. A convenção contava. br/cts/>.fgv.public-domain. assistimos o Acordo TRIPs determinar patamares mínimos para a proteção dos DPIs em níveis muito mais altos do que os níveis que os países do hemisfério Sul tinham internamente em suas legislações(se é que tinham alguma proteção) antes da criação da OMC.org/>. MSF <http://www. não somente do hemisfério Sul160 mas também do Norte161. e grupos de interesse privado seguem representando papel decisivo na elaboração de políticas públicas relativas a bens baseados no conhecimento (“knowledge-based goods”). Reichman e J. org/>. Sell (George Washington). org. tanto nacional quando internacionalmente. organizações internacionais. 2007.10.1967. quais sejam: patentes de invenção. Merges (Berkeley). em seu artigo 1º.org/>. no ano de 1873. abiaids. lessig. FSF <http://www.06. jsp?lang=en&treaty_id=2 FGV DIREITO RIO 174 . org/>. Lisboa (1958) e Estocolmo (1967). dentre muitos outros. M. Como resultado. bem como a repressão à concorrência desleal.06. lisboa e 14. W. Fisher III (Harvard).1911.keionline.g.direitorio. conforme evidenciado. IDEc <www. Okediji (Minnesota). 162 163 Fonte: OMpI. alF <http://www. reunida pela primeira vez em 1883 e que tinha como objetivo a criação de um patamar mínimo para a proteção internacional do sistema de propriedade industrial. e outros tentando controlá-lo.2005). 06.twnside. Cabe lembrar que o Brasil foi um dos 14 (quatorze) países signatários originais. Conseqüentemente. E. R.12. em vez de público”. Samuelson e R. IcTSD <http://www. a saber: Bruxelas (1900). A CUP.org/> (todos acessados em 07. advogados de PI. e EDRI <http:// www. organizações inter-governamentais.msf. cIEl <http://www. E é sob esse grande guarda-chuva de origens e interesses diversos. com 171 países signatários163. “.org.06. int/treaties/en/ShowResults.1958. e que. aBIa <http://www. nome empresarial e as indicações de proveniência ou denominações de origem. EFF <http://www. Disponível em http://www.

Princípios basilares da cuP a) tratameNtO NaciONal Este princípio está previsto no art. uma vez que. vantagens e direitos concedidos (presentes e futuros) pela legislação do país a seus nacionais. b) priOridade uNiONista Este princípio tem seu fulcro no art. a CUP é administrada pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI). da mesma proteção. e se esse depositante for domiciliado ou possuir estabelecimento industrial ou comercial efetivo no território de um dos países-membros da CUP. exigiu paridade no tratamento dispensado aos inventores. Ressalva expressamente a Convenção as disposições das legislações nacionais. Os prazos para exercer tal direito são: 12 (doze) meses para invenção e modelo de utilidade e 6 (seis) meses para marcas. o que homogeneizou os direitos e as obrigações de residentes e não residentes no país de depósito. caso o país de origem do depositante de uma patente não seja membro da CUP. (art. à escolha de domicílio ou de estabelecimento no país ou à designação de mandatário. 2º da CUP e estabelece que os nacionais de cada um dos países-membros devem gozar.br/patentes/instituicoes/convencao. não é necessário que o depositante de um pedido de patente tenha domicílio ou mesmo um estabelecimento comercial no país onde ele requer o pedido. apesar de prever liberdade para os países signatários estabelecerem suas leis nacionais.htm FGV DIREITO RIO 175 . através do princípio da “não-discriminação”. vantagens e direitos que normalmente são concedidos às empresas norte-americanas. assim como o país onde se requer a patente. http://www. Tal princípio é de observância obrigatória pelos países signatários. Quanto à questão de domicílio. onde se aplicam os princípios gerais de proteção aos Direitos de Propriedade Industrial. Hoje em dia. 3º) Por exemplo: se uma empresa do Kuwait (que não é um país-membro da CUP) tiver um estabelecimento comercial na Alemanha (que é membro da CUP). 4º que dispõe que o primeiro pedido de patente ou de marca depositado em qualquer um dos países-membros servirá de base para depósitos subseqüentes relacionados à mesma matéria. Criou-se um “território da União”164. constituído pelos países contratantes. 164 Fonte: InpI. no que tange aos processos judiciais e administrativos. por conseguinte esse nacional de um país que não é membro da CUP será equiparado aos nacionais dos países da CUP. efetuados pelo mesmo depositante ou por seus sucessores legais. sem que nenhuma condição de domicílio ou de estabelecimento seja exigida. em todos os outros países-membros da União. Ademais. em outras palavras. inpi. os EUA terão de conceder a mesma proteção. basta que seu país de origem seja membro da CUP. É tratar o estrangeiro como se nacional o fosse. a empresa do Kuwait irá gozar dos mesmos benefícios que os nacionais da Alemanha. Por exemplo: se uma empresa Brasileira (o Brasil é membro da CUP) fizer um pedido de patente nos EUA (que também é membro da CUP).pROpRIEDaDE InTElEcTual A CUP marcou o início da internacionalização da matéria.gov. relativas à competência.

F). 4º. e complementa o princípio da territorialidade. d) iNdepeNdêNcia dOs direitOs Este princípio está disposto no art.pROpRIEDaDE InTElEcTual O direito de prioridade unionista é regulado por parâmetros que devem ser observados pelos países da União. H). tendo em vista que tais patentes resultam de certos acordos regionais através dos quais os países-membros acordam o reconhecimento de patente concedida pela instituição regional como se tivesse sido outorgada pelo próprio Estado nacional. Por ele se define que as patentes concedidas (ou pedidos depositados). contanto que a matéria esteja totalmente descrita no primeiro pedido (art. 4º. 4º. A independência está relacionada às causas de nulidade e de caducidade. – – – – c) territOrialidade Este princípio consagrado estabelece que a proteção conferida pelos Estados através da patente. Deve entender-se por pedido nacional regular qualquer pedido efetuado em condições de estabelecer a data em que o mesmo foi apresentado no país em causa. em virtude da legislação nacional de cada país da União ou de tratados bilaterais ou multilaterais celebrados entre países da União. A possibilidade de que um único pedido ulterior seja depositado com base em diversos pedidos anteriores (prioridades múltiplas). em qualquer outro País signatário ou não da Convenção. Não é obrigatória a identidade entre as reivindicações do pedido que deu origem ao direito de prioridade e o pedido ulterior. E). independentemente do resultado ulterior do pedido. FGV DIREITO RIO 176 . não se constitui uma exceção a tal princípio. em quaisquer dos países pertencentes à União. 4º. Tal dispositivo tem caráter absoluto. são independentes das patentes concedidas (ou dos pedidos depositados) correspondentes. A possibilidade de o direito de prioridade estar fundamentado em pedidos de patente de naturezas diversas. bis da CUP. (art. o direito de prioridade cobrirá somente a matéria contida no pedido anterior. A). 4º. F). como por exemplo a patente européia. Nota-se que a existência de patentes regionais. do registro de desenho industrial ou de marca tem validade somente nos limites territoriais do país que a concede.4º. sendo que o pedido ulterior dará lugar a um direito de prioridade em relação aos elementos novos apresentados (art. bem como em relação à vigência. Neste caso. entre os quais destacamos: – Reconhece-se como dando origem ao direito de prioridade qualquer pedido com valor de pedido nacional regular. um pedido de invenção poderá servir de base para um pedido de modelo de utilidade e vice-versa (art. mesmo que provenientes de diferentes países (art. assim. A impossibilidade de recusar o direito de prioridade de um pedido ulterior com o fundamento de que o mesmo contém elementos não compreendidos no pedido anterior que deu origem à prioridade.

O Acordo TRIPs165 (Trade Related Intellectual Property Rights Agreement) surge no cenário internacional como um veículo de enrijecimento normativo e padronização sobre limites considerados amplos de proteção. assim como não devem ser minimizados seus aspectos problemáticos em contextos contemporâneos. por onde circula a maioria das riquezas comercializadas no mundo. vinculando a forma de os Estados administrarem a questão internamente. 167 FGV DIREITO RIO 177 . 181. derrubada de monopólios e eliminação de sistema de subsídios. Enquanto todos os demais se apresentam no sentido da liberação de barreiras. com a criação da OMC. não por coincidência. No final do século XX. sobretudo no campo da pesquisa. bem na linha liberalizante do comércio advogada pelos países industrializados.” Em português: acordo aDpIc (acordo sobre Direitos de propriedade Intelectual Relacionados ao comércio). ao declarar que todos os campos tecnológicos são passíveis de patenteamento (art. cícero. 1995.. por outro lado. mas./mar. Senado Federal. encontram-se ao final desta obra. após a bibliografia. O Acordo firmado no âmbito da OMC possui atualmente 148 países.. O acordo TRIPs mudou o cenário internacional de forma indelével: definiu as regras-padrão mínimas tocantes à propriedade intelectual. nos países que exigem maior proteção para os titulares da propriedade intelectual”. consolida-se e fortalece-se o sistema existente de produção de novas tecnologias.pROpRIEDaDE InTElEcTual acordo triPs ou adPic A CUP não possuía nenhum instrumento de solução de controvérsias sobre temas que a União regulava.1). heranças do passado não devem ser ignoradas. In Revista de Informação legislativa. p. 166 as notas de rodapés desta tabela. O novo acordo trouxe ainda a exigência de inclusão de suas normas nas legislações nacionais dos países-membros. pois. em números romanos. justamente incidente sobre o mais valioso dos agentes econômicos desse fim de milênio: o conhecimento humano. Nas palavras de GONTIJO (1995)166: “É forçoso lembrar que o acordo Trips surge em total contradição com os demais acordos firmados no âmbito do GATT. o acordo Trips aparece como esforço de enrijecimento de normas. Nessa ocasião. o discurso que introduzia as novas regras ligadas aos direitos de propriedade intelectual era quase sempre pautado no aumento substancial de transferência de tecnologia e desenvolvimento local. jan. alguns teóricos vislumbraram o TRIPs como uma espécie de contra-senso em relação à crescente liberalização comercial e diminuição gradual de barreiras de circulação de serviços e produtos entre os países do globo. consagração de monopólio. novas regras passaram a dominar o intercâmbio comercial entre as nações. Não havia. Abrem-se os mercados. concentrado. Tabela-Sumário: Compreendendo a Política Global de Restrições ao Acesso a Bens do Conhecimento167 “. 165 GOnTIJO. 27. instrumentos de sanção em caso de infração das normas. criou um sistema internacional de solução de controvérsias e ampliou a gama de produtos e processos objeto de proteção (na área de patentes). imposição de padronização. Como apontado acima. em 1995. “O acordo sobre propriedade intelectual contido no GaTT e suas implicações para o Brasil”.

”g além disso. absurdas e frívolas’. seguiu o Estatuto de ana ao conceder 14 anos de proteção. apesar disso. respectivamente. a lei previa perdas e danos. Essa legislação. caducidade de patentes não produzidas depois de 2 anos.j no mesmo período. introduzissem novas máquinas e invenções.n FGV DIREITO RIO 178 .d Estatuto de ana Como resultado similar aos abusos que levaram ao Estatuto dos monopólios. havia limitações claras: a concessão não poderia ser “contrária à lei tampouco prejudicial ao Estado ao elevar preços dos commodities no país. o termo termo “propriedade” – “propriedade” em conexão a invenções foi utilizado pela primeira vez em uma lei: a Revolução Francesa lei francesa de patentes de 1791. l Comitês do Parlamento O testemunho perante as Comissões foi tão prejudicial para o sistema de patentes inglês e Comissões que os membros das duas Casas do Parlamento propuseram a completa abolição da Reais proteção patentária.. de qualquer forma. contados da primeira publicação “e não mais que isso”.b Estatuto dos aprovada na inglaterra. o Congresso deve “promover o americana / leis de progresso das ciências e das artes funcionais ao assegurar por tempo limitado a Patente e de direitos autores e inventores o direito exclusivo a suas escritas e descobertas. o mesmo tinha a liberdade de tomar para si e usar quaisquer dispositivos e instrumentos objeto de patente (licença compulsória).”f autorais de 1790 além disso. numa clara proteção ao mercado nacional e à indústria. para evitar atos discricionários.”. a lei rejeitou patentes (importadas) estrangeiras. Tais invenções seriam depois publicadas João Vi para que o país inteiro pudesse. a lei de Patentes de 1790 exigia que houvesse procedimentos para exame do pedido e especificação da invenção.c Tinha como objetivo atrair know-how (inventores).k novamente. haveria cancelamento da concessão (era a exigência de fabricação local). devido ao poder e à discricionariedade do Governo. e licenças compulsórias. no entanto. depois que o prazo de proteção se expirasse.. no entanto. lei norte-americana Expressamente refere-se à concessão como “propriedade”. usufruir dos frutos da invenção. as mesmas editoras fizeram lobby para a aprovação de uma legislação que pudesse assegurar seus copyrights. O Estatuto tinha um foco econômico bastante claro. Brasil – lei de Patentes determinava um privilégio exclusivo de 14 anos para inventores e para aqueles que do príncipe regente d.i Primeiro uso do através da teoria artificial do direito de propriedade natural dos inventores. Veneza Previa alternativa contra violações. garantiu sua “liberdade de imprimir e reimprimir” livros por 14 anos. caso não fosse criada a nova indústria. não era permitido a estrangeiros pedir patentes. com o objetivo de abolir privilégios discricionários e monopólios monopólios abusivamente concedidos pela Coroa. ao invés de um foco pessoal ou moral. cujo principal objetivo era “a criação de uma acordo internacional visando a proteger direitos autorais artísticos e literários. com o objetivo de a revelar para que um técnico no assunto a pudesse “fazer. o que levou a “… abusos oriundos de ‘patentes injustas. Era uma oposição à palavra “privilégio (real)”. não havia direito de propriedade. Troca do sistema de exame de Patentes de 1793 para o de registro sem análise prévia. mas teve um aspecto que não havia na lei inglesa: na tentativa de proteger o mercado norte-americano.” a alai tem “fortes ligações com a OmPi” e “privilegia relações com autoridades internacionais”. alguns dizem que de acordo com decisões dos tribunais. a Casa dos lordes então aprovou a reforma da lei fornecendo uma redução da proteção patentária para 7 anos. leis de direitos autorais também foram adotadas na França. mas permitia a proteção a novas produções por um limite máximo de 14 anos. o Estatuto de ana. Foi uma política estratégica para fazer as pessoas aceitarem e respeitarem as patentes. o Parlamento inglês em 1694 aboliu o direito perpétuo e exclusivo concedido pela Coroa às editoras para imprimir livros. prejudicar o comércio ou ser inconveniente em geral”.e Constituição norte. tecnologia e renda. m alai Criação da associação literária e artística internacional (alai – acrônimo francês). apesar de não declarado explícita e claramente no Estatuto. exame mais rígido. em 1791 e 1793. a proteção era especificamente limitada aos cidadãos e residentes dos EUa. de certa maneira. construir ou usar.pROpRIEDaDE InTElEcTual ano 1474 1623 1710 1787/ 1790 1791 1793 1809 1851-72 1878 evento sumário lei de patentes de novos e engenhosos dispositivos reduzidos à perfeição foram protegidos por 10 anos. literalmente seus “direitos de cópia”.h a lei de direitos autorais. como aqueles que levaram ao Estatuto dos monopólios.de acordo com a Constituição norte-americana.

“o esforço persistente em enfraquecer as cláusulas de licenciamento compulsório indica que o BiRPi [estava] ainda primordialmente preocupado com a proteção de titulares de patentes. do Comitê do Judiciário.u É importante salientar que. FiCPi.x OmPi Código internacional Um dos objetivos e princípios do Código era manter e ampliar o fluxo internacional de de Conduta sobre tecnologia e facilitar e ampliar o acesso a tecnologia. ao ser apresentada em seu formato original. ele nunca foi adotado. os interesses industriais”. a idéia de em uma organização “interceptar qualquer tentativa de terceiros” de lidar com o assunto da Pi e. fizeram surgir conversas oficiais sobre a criação de uma União internacional para “proteger. em 1893. em 1962 e 1966. três OnGs de interesse privado foram criadas: a associação privado – aiPPi.”s Estudo do Senado Foi feito um Estudo do Senado norte-americano do Subcomitê sobre marcas. incluindo o termo “acesso a conhecimento”. em 1967. Patentes e direitos autorais. criando dois pilares: a Convenção da União de Berna (CUP e Berna) Paris de 1883 para a proteção da propriedade industrial. desde 1878 a Resolução do Congresso de Paris genericamente estabelecia direitos de propriedade. além disso. literária e artística”. a internacional de Pi: Convenção para a criação da OmPi foi aprovada. a resolução também solicitou que um relatório deveria ser preparado para analisar. incluindo os de economistas.pROpRIEDaDE InTElEcTual ano 1880 1883/ 1886 1893 1897/ 1906/ 1919 sumário Para refutar argumentos como “patente é um inaceitável impedimento à liberdade”o as Feiras Universais de 1873.y Tecnologia evento Congressos internacionais de Propriedade industrial 1948 1958 1961 1965 1967/ 1970 1970-93 FGV DIREITO RIO 179 . e exaustão internacional de direitos. em Paris.”w Transformação do BiRPi as Comissões Permanentes da CUP e de Berna discutiram. alimentícios e farmacêuticos. caducidade por interesse público. tornou-se um tributo ao sistema de Pi ao invés de algo capaz de apoiar e legitimar mudanças nas leis nacionais de países em desenvolvimento visando a lutar contra abusos dos titulares de Pi. e de 1878. norte-americano levantaram uma série de custos negligenciados do sistema de Pi. mais adiante. q Convenções das Como resultado. alguns estudos. elaborado pelo Secretário-Geral.” Todavia. em Viena. antes que suas palavras fossem alteradas quando adotadas pela assembléia Geral. em termos gerais. com uma certa uniformidade. todos com o mesmo propósito. internacional para a Proteção da Propriedade intelectual (aiPPi – acrônimo francês). um outro relatório. sob forte influência da iCC e da aiPPi. apesar disso. e a Convenção da União de Berna para a proteção de obras literárias e artísticas. independência de tratados sobre comércio.t Resolução Brasileira na abusos e maus usos do sistema de Pi foram levantados em uma minuta da Resolução OnU que. os efeitos do sistema de patentes em países em desenvolvimento. OnGs de interesse Em 1897. usufruir das artes e compartilhar os avanços científicos e seus benefícios. apesar de a Resolução permitir a patenteabilidade de produtos químicos. a mesma já mencionava ordem pública.p Curiosamente. as Convenções de Paris e de Berna consolidaram-se no BiRPi (acrônimo francês para Escritório internacional Reunido para a Proteção da Propriedade CUP + Berna = BiRPi intelectual) visando a tratar ambos os assuntos juntos. a e iCC Federação internacional de advogados de Propriedade intelectual (FiCPi – acrônimo francês). o relatório da assembléia Geral. Passadas décadas de discussões. e intervenção diplomática para que todos os países tivessem proteção à propriedade industrial. teve vários aspectos similares à presente agenda de desenvolvimento. protegendo a Pi e influenciando a forma das políticas públicas em Pi direcionando-se aos interesses de grupos privados. particularmente para os países em Transferência de desenvolvimento.v “legislação modelo Embora o BiRPi sustentasse que “as patentes incentivam a inventividade e promovem sobre invenções a industrialização (…) o órgão reconheceu que não pode ignorar a vulnerabilidade para Países em dos países menos desenvolvidos à exploração por titulares de patentes do mundo desenvolvimento” do industrializado e a possibilidade de as patentes serem utilizadas para prejudicar a indústria BiRPi local. e a Câmara internacional de Comércio (iCC). tendo entrado em vigor em 1970. respectivamente. 1906 e 1919. alguns princípios gerais que poderiam ser adotados pelas partesUniões de Paris e de membro para as “Uniões” foram fixados. quando declara que “todos têm o direito de participar livremente na vida cultural da comunidade.r declaração dos direitos Traz claramente um equilíbrio ao “direito à proteção de (…) interesses resultantes de Humanos da OnU qualquer produção científica.

. apoiando um tratado multilateral de comércio com a inclusão de Pi. além de querer a mudança das leis da Coréia contra a Coréia com um tratado bilateral. o que indicou que “a consideração dos interesses de avanço econômico e social dos países em desenvolvimento [deveria ser] determinante para a eficiência do sistema de patentes”. que concede ou reduz tarifas de forma voluntária e não-recíproca para importações dos países em desenvolvimento foi condicionado à proteção da Pi.ag USTR: ‘seção 301’ ao agir contra a Coréia alguns dizem que.. não houve GaTT sucesso na tentativa de se criar um Código sobre Bens Falsificados para interceptar e destruir bens falsificados. como têxteis e agricultura.af aliança internacional Criada para representar a indústria norte-americana baseada no copyright (incluindo de Pi (iiPa) software).aa Relatório conjunto da O relatório sugerido em 1961 pela Resolução Brasileira é finalmente publicado. incluindo algumas muito detalhadas da Comunidade Européia... e trabalha de forma bem próxima com o USTR. da OmPi (OnU) para o GaTT (então OmC).ac Comitê internacional a projeção de perdas na balança de comércio norte-americana em função das de Comércio dos EUa falsificações foi estimada em US$ 43-61 bilhões.aj Rodada Uruguai do mudança de fórum.ae alteração da lei de Os EUa incluíram uma alteração na seção 301 de sua lei de Comércio de 1974 incluindo Comércio norte. que é praticamente a mesma versão do texto final.. na sigla em inglês) para auxiliar o enrijecimento da Pi. a aliança desempenhou importante papel sobre questões de Pi dentro do GaTT/OmC. O relatório concluiu que “uma futura revisão do sistema de patentes deverá ser considerada (. num processo informal for a do GaTT. e intervém em pontos críticos de forma Pfizer a assegurar seus interesses”. ao longo de 1989-90. visando a acelerar o desenvolvimento econômico. diminuir os nairóbi e de Genebra parâmetros internacionais de proteção à Pi. atuando decisivamente na elaboração de relatórios e encaminhamento de petições como “interessada” no processo ‘301’.ak FGV DIREITO RIO 180 . uma mudança da preocupação inicial em relação à proteção de interesses privados do detentor de patente (. sujeito à competência e responsabilidades das nações Unidas e seus órgãos”. e também uma “excessivamente genérica” de 14 países em desenvolvimento.a remoção de preferências tarifárias ou a imposição de sanções a países que não americana para mantivessem “proteção adequada e efetiva” dos direitos de Pi norte-americanos em inclusão de Pi: ‘seção países estrangeiros.) rumo à salvaguarda do interesse público geral.”ab Conferências de Embora os países em desenvolvimento tenham tentado. no final de 1991 o Presidente e o Secretariado do GaTT prepararam um texto ‘sem opções’.z OmPi: uma agência através de um acordo entre a OnU e a OmPi.. fundada por iBm e assim como ao GaTT e a Secretariados da OmPi. O Sistema Geral de Preferências (SGP) dos EUa. EUa.. Comunidade Européia of iP”) e Japão) minutou. notando-se que uma ação poderia ser iniciada pelo USTR ou por 301’ e SGP qualquer “interessado”.ai Comissão de Pi (iPC) “desde sua criação a iPC trabalha próxima a negociadores dos países em desenvolvimento. Suíça e Japão. social e cultural. desde 1974. os EUa queriam evitar que o país se unisse à oposição dos países em desenvolvimento à iniciativa do GaTT sobre dPis. a balança comercial da (iTC) indústria norte-americana despencou de um lucro de US$ 27 bilhões para um déficit de US$ 138 bilhões. assim como dos EUa e da UE.pROpRIEDaDE InTElEcTual ano 1973-79 1974 1974-5 1980-84 1979-87 1982 1984 1984 1985 1986 1986-88 1986-94 evento sumário Rodada de Tóquio do a despeito do apoio de companhias privadas.. onde vários outros temas GaTT não-relacionados.ad CaFC dos EUa É criado o Tribunal de Recursos da Circunscrição Federal dos Estados Unidos (CaFC. conhecido como a minuta de dunkel.) [de forma a tornar] leis e práticas de patentes capazes de efetivamente complementar outros instrumentos de políticas para o desenvolvimento nacional. 49 propostas sobre direitos de Pi foram apresentadas por 105 países.”.ah “amigos da Pi” (“Friends Um grupo de países desenvolvidos (em consulta com os EUa. a tentativa não foi bem-sucedida e terminou para Revisão da CUP abrindo caminho a retaliações por parte de países desenvolvidos e detentores de Pi. de 1980 a 1987. conhecidas como “texto de Talloires’. um texto que preparou a base para a declaração ministerial de Punta del Este no Uruguai. foram dispostos de forma a fazer parte da barganha comercial. aquela reconhece esta como sua agência especializada da OnU especializada “para promoção de atividade intelectual criativa e para o facilitamento da transferência de tecnologia relacionada à propriedade industrial aos países em desenvolvimento. Ele UnCTad mostrou “.

sujeito a limitações no interesse público”. a OmPi deixa de ser a única organização responsável WPPT.aq OmPi mais ativa (WCT. China. alternativamente. o USTR elabora um índice de países. Coréia.”at Comitê das OnU pelos a “proteção dos interesses morais e materiais resultantes de qualquer produção direitos Humanos científica. Com o advento do acordo TRiPs. do sistema existente de Pi.. (e OmPi + OmC) tempo e coordenação”. além disso. além de determinar um padrão internacional mínimo de proteção de Pi (em consonância com a legislação da maioria dos países desenvolvidos). o TRiPs também traz cláusulas sobre exigibilidade (engrenada). que temiam que um país em desenvolvimento como o Brasil se contra o Brasil unisse com a Índia e liderasse um bloco contra esta pressão e as negociações do TRiPs no GaTT. arábia Saudita. e c) o impacto dos direitos de propriedade intelectual “diferirá entre países dependendo. e restringir a capacidade de difusão através de imitação ou cópia de produtos”.as Relatório da PnUd “direitos de propriedade intelectual mais restritivos aumentam o custo da transferência (UndP) de tecnologia. PlT) por Pi e começa a ‘propor’ tratados TRiPs-plus.) é um direito humano. o acordo TRiPs foi finalmente adotado junto ao integral pacote da OmC. conforme alterada em 1988.pROpRIEDaDE InTElEcTual ano 1988 1988 1988 1989 1995 1996 1997 1999 2000 evento sumário Seção 337 da lei de Esta seção deu ao iTC o poder de penalizar e confiscar bens infratores ou. o UnCTad se torna a “mais marginalizada’ organização internacional. o que pode abrir caminhos a sanções comerciais. e “dado o relativamente unido ataque do norte contra o largamente fraco e dividido SUl”. e “as necessidades de concorrentes e consumidores”.”ao acordo TRiPs da OmC inter alia. este relatório do UnCTad estudou “as implicações financeiras e as demais do acordo TRiPs para os países em desenvolvimento”.) e na legislação internacional de direitos humanos”. é prova de que como alvo admitiu publicamente seu fracasso.. literária ou artística (.an USTR recebe relatório além do Brasil. “o Relatório do Júri do GaTT de 1988 considerou a seção 337 como violadora das obrigações norte-americanas por não ter cumprido o princípio do tratamento nacional. além das consideráveis ameaças da ‘especial 301’. isso poderia. o USTR é demandado a identificar os países que neguam “proteção adequada e efetiva aos direitos de propriedade intelectual” ou “neguem justo e equitativo acesso de mercado a norte-americanos que contam com a proteção da propriedade intelectual”. o Comitê deveria implementar cláusulas que “protejam a função social da” Pi. Todavia. Japão e Canadá também apareceram na ‘especial 301’ tem Brasil “listagem de acompanhamento”‘especial 301’ de 1989. “listagem prioritária de acompanhamento”. ainda. Se através de negociações bilaterais tais práticas não são eliminadas. com mais elevados patamares de proteção. e “listagem de acompanhamento”. Três pontos-chave foram levantados: a) apesar de o enrijecimento do regime de Pi ser visto como “gerador de impactos positivos nos países em desenvolvimento”.. “gerar certos impactos negativos. existem “conflitos entre o regime [de Pi] corporificado no TRiPs (. i. inter alia. inclusive preços mais altos para tecnologias e produtos protegidos. e expõem países em desenvolvimento ao risco de ficarem à margem do dinâmico setor de conhecimento em áreas como software de computadores e medicamentos genéricos. entretanto.. segundo alguns.au FGV DIREITO RIO 181 . do nível de desenvolvimento econômico e tecnológico.. ademais. e do modo de implementação”. b) “os países em desenvolvimento devem buscar e sustentar o equilíbrio entre as necessidades das empresas de inovação e os seus licenciados”.ap Com a transferência da Pi para a OmC. com a carência dos países em desenvolvimento de “maior expertise técnica. ademais. as cláusulas ‘especial 301’ vêm sendo usadas principalmente para ameaçar e coagir outros países a adotar leis desejadas pelos EUa: como geralmente se sabe. “uma vez que um país recorre à coerção de forma a atingir um objetivo comercial.”al USTR: ‘especial 301’ de acordo com as “altamente controversas” cláusulas ‘especial 301’ da lei de Comércio de 1974.ar Relatório da UnCTad Comissionado pela OmPi.e. ordenando os mais sérios “ofensores” como “países estrangeiros prioritários”. a Índia. Taiwan e Tailândia de mPaa e iiPa: também foram alvos naquele ano. Egito.am EUa tomam medidas a imposição de US$ 39 milhões em multas tarifárias sobre produtos brasileiros sob a ‘especial 301’ importados pelos EUa. o Presidente dos EUa pode retaliar através de sanções e outras medidas. Tarifas dos EUa proibir sua entrada nos EUa. além de lembrar aos Governos da existência de uma “primazia das obrigações de direitos humanos sobre políticas econômicas e acordos”. méxico.

” Entretanto. “existem sinais de que os fatos foram manipulados contra a justa implementação do TRiPs. ou um aumento substancial dos custos da inovação e aumento do “patenteamento defensivo”. o Relatório apresentou uma lista de dez recomendações para aprimorar a qualidade das patentes e minimizar custos anti-concorrenciais do sistema de patentes. e que há a necessidade de reconciliar o interesse público em acessar o conhecimento com o interesse em estimular a invenção e a criação.”ax Relatório Britânico Encomendado pelo Governo Britânico.” ademais. provavelmente. conforme os participantes das audiências relataram. as múltiplas condições impostas à importação e exportação de medicamentos genéricos restringiram tremendamente o acesso à saúde para todos. além de complicações de licenciamento. sendo conseqüentemente complementares a ela. assim sendo. particularmente. continue pouco compreendida.” ademais. no mesmo sentido. mas também às nações ricas.az Cancun (OmC) Foi “muito similar ao profundamente erodido processo de doha. a longo prazo. ademais. a Pi não deveria ser vista como “um fim em si mesmo”. a despeito de seu compromisso com o acordo TRiPs.bb Relatório da FTC além de serem criadas “para beneficiar o público”. as cláusulas do TRiPs sobre o interesse dos usuários são “tão vagas que se tornam difíceis de serem aplicadas”. O Relatório também chamou a atenção para os custos de exigibilidade (enforcement) da Pi. “estratégias de bastidores foram incorporadas ao jogo”av e países desenvolvidos liderados pelos EUa prosseguiram de forma agressiva em uma campanha pela limitação de sua abrangência.bc FGV DIREITO RIO 182 . os direitos de Pi poderiam estimular a aquisição e mundial disseminação de novas informações.ay Relatório do Banco Se satisfatoriamente constituídos.” “Compromissos sob este e outros acordos multilaterais para promover transferência de tecnologia devem ser trazidos à tona. por mais que “a relação entre dPis e crescimento econômico. promover acesso a medicamentos para todos. a concorrência e as políticas de (Federal trade patentes podem estimular a inovação. não deram reais (UndP) passos no sentido de compartilharem sua tecnologia para reduzir a pobreza. permanecendo. este Relatório concluiu que as questões sobre CiPR o sistema de Pi dizem respeito não somente aos países em desenvolvimento.pROpRIEDaDE InTElEcTual ano 2001 2001 2002 2002 2003 2003 2003 evento sumário doha e Saúde Pública Foi reafirmado que os membros da OmC detêm o direito “de utilizar em sua integridade” (OmC) as flexibilidades previstas pelo TRiPs e que “o acordo [TRiPs] pode e deve ser interpretado e implementado de forma a apoiar os direitos dos membros da OmC para a proteção da saúde pública e. exceto pela emergência de uma nova coalizão de países em desenvolvimento – o G20 (.) e a re-emergência do G90”.ba Relatório do PnUd “Os países ricos. alguns dos efeitos encontrados na falta de equilíbrio são: impedimento da entrada no mercado e da inovação sequencial. controversa”...aw Relatório do PnUd Os direitos de Pi “podem ir longe demais. commission) dos EUa Porém. de acordo com a declaração de doha. se não forem adeqüadamente equilibradas. em um claro “novo modelo para endosso explícito do protecionismo”. mas sim como meio de “contribuir para um maior bem público” e para o “cumprimento dos direitos humanos econômicos e sociais”. de forma a mais impedir do que encorajar a (UndP) inovação e redistribuir injustamente a propriedade do conhecimento. podem ser prejudiciais à inovação. O Relatório levantou questões de custos do sistema e recordou a preocupação de que o sistema vem sendo utilizado mais para proteger o investimento do que para estimular a invenção e a criatividade.

dentre outros. modelos abertos não-exclusivos. pp. representando diversas áreas de interesse. e o custo dos regimes de Pi devem sempre ser pesados em relação ao benefício público. O prazo de 14 anos não foi fixado de forma arbitrária.”bg Tem início uma série de reuniões (que perduram até hoje) entre acadêmicos especialistas em Pi. entre outros. acolhida para discussão pela assembléia Geral da OmPi de 2004. Participação. apresentaram esta carta aberta. inter alia: a proteção dos direitos de propriedade intelectual (dPis) não são um fim em si mesmos. Participação. que “a Comissão não hesitará em utilizar todos os mecanismos de sanção bilaterais e multilaterais contra qualquer país envolvido em violações sistemáticas”. irã. conceituadas universidades. Brasil. a OmPi deve agir de acordo com e ser guiada pelas amplas metas de desenvolvimento das nações Unidas. com mais de 1. pp. a pesquisa de 2003 serviria como uma “base para ação posterior nos países apontados”. Cuba. exigindo Transparência. liberdades mínimas e flexibilidades. empresas privadas.bf mencionando acordos bilaterais TRiPs-plus.be Em vista de uma evidente desequilíbrio entre representantes dos detentores de direitos. uma agenda do desenvolvimento para a OmPi foi proposta em sua assembléia Geral. vésperas da assembléia Geral de 2007. OnGs de interesse público. tendo em mente que as “soluções unilaterais” não seriam impostas. Estatuto de Ana. E Nard & Morriss 2004. Equilíbrio e acesso sumário Em 2003 a Comissão Européia encomendou uma pesquisa para identificar os países “mais problemáticos” fora dos EUa que violavam direitos de Pi europeus. Quênia. e deve ser criado um Tratado sobre acesso a Conhecimento (a2K) e Tecnologia. e o interesse público e da sociedade civil. organizações voltadas para interesses da sociedade civil. Bolívia. Equador. O Plano Estratégico de 2004 propõe a identificação de “países prioritários”. entregue ao diretor-Geral da OmPi. a agenda para o desenvolvimento atraiu manifestações de apoio bastante difundidas de órgãos de defesa do consumidor.pROpRIEDaDE InTElEcTual ano 2003/ 2004/ 2005 evento ‘Estratégia pela Exigibilidade [enforcement] dos direitos de Pi em outros países’ da diretoria Geral da Comissão Européia (2004) Set. o relatório conclui que “evitar a erosão de retornos monopolísticos aos detentores de tecnologia através de dPis elevados é de duvidoso benefício desenvolvimentista para países em desenvolvimento. mesmo cientes de que “a informação apresentada não havia sido verificada pela Comissão ou submetida para comentários às autoridades dos países relacionados”.200 assinaturas de pessoas de 63 países. República dominicana. Egito. critérios mais altos de proteção à Pi fracassaram na promoção da transferência de tecnologia através de investimento e licenciamento estrangeiros diretos. Veja também Cornish & Llewelyn 2003. Veja Vishwas. como membro da OnU. 30-47. que “as entidades participantes da pesquisa não são identificadas no texto”. Peru. 345-7. a proteção dos dPis não deve nunca se sobrepor aos interesses legítimos do público. mas sim instrumentos táticos utilizados para aproximar a lacuna de conhecimento e a carência digital.bd Ganhadores do Prêmio nobel.Out. órgãos governamentais. e que os resultados “não necessariamente [representam] a realidade estrita”. tampouco seria tomada uma abordagem padronizada. onde ações de exigibilidade deveriam ser concentradas e. 51-4. incluindo.bh dois acadêmicos brasileiros e um representante de uma OnG internacional. as principais observações e temáticas da agenda incluem. Equilíbrio e acesso nas atividades da OmPi. a agenda para o desenvolvimento. Serra leoa. p. de interesse público. África do Sul. tecnologia e cultura” e o papel que a OmPi deveria desempenhar no processo de construção. Tanzânia e Venezuela) – hoje são 15 países. e David 1993. então o prazo concedido deveria durar por duas gerações de aprendizes. para discussão de propostas para um Tratado de acesso a Conhecimento (a2K). assim como de vários outros Estados-membros. nem o plano iria “copiar outros modelos de exigibilidade de direitos de propriedade intelectual”. em conjunto com a pesquisa de 2005. por um grupo de 14 Estados-membros (argentina. assinaram esta declaração chamando a atenção para uma “crise global na governança do conhecimento. inter alia: educação a distância. o documento salienta. Bem como Hulme 1897. todavia. 44 Veja Vishwas. entre outros. 2004 2005 Relatório mundial do Banco 2005 Reuniões a2K 2005 manifesto para a OmPi pela Transparência. 2004 declaração de Genebra sobre o Futuro da OmPi agenda do desenvolvimento para a OmPi Set. Para um resumo sobre a evolução da extensão da proteção para outras áreas além de livros.bi a b c d e David 1993. OnGs de interesse público. vem sendo discutida em intensos debates até hoje. pp. representantes de OnGs. Sete anos era o tempo de serviço de um aprendiz. acadêmicos de prestígio. bem como da FGV DIREITO RIO 183 .

12 e 24-6. 79-106. Art. conhecidos hoje em dia. 494 and 496.org/> and <http://www.org/> (both accessed 02 Apr. 15. Alemanha. 38. See <http://www. 18.iccwbo. Veja também Watal 2003. 86-8. 41-2. A questão da ausência de exame. p. Gaultier 1997. veja <http://www. seção 2. of the three above-mentioned.2005).org/resources/technologytransfer. p. e a Federação Japonesa de Organizações Econômicas também participaram no processo. e Gervais 2003. esta última foi adotada sem modificações substanciais. Evans 1994. Watal 2003. pp. in 1897. See also AIPPI 1997. em 1836. e Musungu & Dutfield 2003. pp. Veja Evans 1994. Somente 101 anos mais tarde. 17. 160-2. através da emissão de um relatório sobre PI. Inlow. Veja também Drahos with Braithwaite 2003. pp.ficpi. Watal 2003. Sell 1998. of the American Intellectual Property Law Association (AIPLA). p. uma pela Argentina e outra pelo grupo de quarenta. tais como França. Watal 2003. in the US. p. Gaultier 1997. apud Nard & Morriss 2004. e Menescal 2004. p. 17. ao passo que a Holanda o sistema foi abolido de 1869 a 1912. 160. Machlup 1958.org/index-a. devido à sua controvérsia. See Siemsen 1997. 7. uma pelo Brasil em nome do Grupo dos Dez países em desenvolvimento. Lei de Patentes de 1790. 39-40. Veja também Evans 1994. pp. p. após a expiração do prazo da patente. It is worth mentioning the creation. Relatório Villeneuve do Brasil. medicamentos (de forma a impedir que estrangeiros tomassem o mercado alemão). 144. 14. pp. pp. 169-75. 18. e UN 1964. A Lei Alemã de 1877 previa exceções ao patenteamento: alimentos. E. 102-4. Veja Evans 1994. Veja também OMPI 1967. UNCTAD 1975a. <http://www. que é uma coalisão das maiores empresas norte-americanas.htm> (acessado em 06. Roffe 1978. esteve perante o Comitê do Judiciário e. 67. veja Cornish & Llewelyn 2003. p. Watal 2003. pp. 72 and 93. Evans 1994. cap. Watal 2003. art. 89-90 and 515-18. pp. 107-40. Machlup & Penrose 1950. FGV DIREITO RIO 184 . pp. 64. Clark 1997. cláusula 8. 85. Bogsch 1992. 11 e 16-17. pp. pp. which has the same objectives. pp. a União das Confederações Industriais e de Empregadores da Europa (UNICE). Opposing the British practice at that time. 149-51. p. Penrose 1973. entre 1849 e 1877. p. Evans 1994. pp. pp. como de fato ocorreu na Holanda: o sistema de patentes foi completamente abolido. 481-6. Para várias discussões sobre transferência de tecnologia. 1 e 3-6.pROpRIEDaDE InTElEcTual f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z aa ab ac ad ae af ag ah ai aj ak al am extensão do prazo de proteção na Inglaterra. “The Patent Grant” 21. pp. 58-65. com a adoção da Lei de 1891. Holanda e Suíça. pp. p. 517. p. Anderfelt 1971. 171-218. and Musungu & Dutfield 2003. 2005). Drahos with Braithwaite 2003. Bogsch 1992. 19-47. 347-51.04. Foi esta mesma Lei que trouxe também os requisitos de “novidade” e “utilidade”. é que os EUA permitiram que obras estrangeiras fossem protegidas de forma recíproca. Burke. Musungu & Dutfield 2003. p. Veja também Drahos with Braithwaite 2003. p. p. Prússia. Veja também UNCTAD 1975b. 12 e 24-6.alai.2005). 18. Sell 1998. pp.iprsonline. 11-12. pp. 1950. xii. Brasil 1809. 2005). p. ordem pública e moralidade. Em outros países. Apesar de três minutas terem sido submetidas a Punta del Este.06. OMPI 1974. UN 1961a e 1961b. o sistema de patentes não foi adotado ou houve recomendações para que fosse reformado ou abolido. 51. pp. p. 91-102. pp. estrangeiros passaram a poder pedir patentes. p. 24-5. p. 151-8. 4ª Lei de Patentes do mundo moderno. Veja <http://www. seção 8.php> (acessado em 01. Para que o público possa ter o completo benefício advindo da patente. Além do IPC. p. de acordo com a mesma Lei de Patentes de 1836. Watal 2003. 4. 779-83. Veja também Drahos with Braithwaite 2003. Ademais. de 1880.org/> (accessed 02 Apr. Relatório Villeneuve do Brasil. pp. 16. Nard & Morriss 2004. pp. 27. Machlup & Penrose 1950. Menescal 2004. as taxas eram substancialmente mais elevadas para os estrangeiros. Drahos with Braithwaite 2003. e pp. 1. de 1880. 165. Sterling 2003. o Congresso trouxe novamente os procedimentos de exame de modo a prevenir a concessão de patentes demasiadamente amplas. Contudo. 4. pp. UN 1948. p.aipla.

que tinha começado a ser redigida em 1990. 30.cptech. Veja <http://www. Musungu & Dutfield 2003. 2003a. e Correa 2000.. Correa & Yusuf 1998.org/a2k/> (acessado em 25. UNDP 2003. xxxii-xxxiv e 246-57.04. em 1996. terem concluído de forma semelhante.2005). O Brasil então implementou. o Brasil iniciou uma ação contra os EUA alegando que o uso da ‘especial 301’ era ilegal no âmbito do GATT. Musungu & Dutfield 2003.04. World Bank 2004. 104-5. 113. 2003b.br/docentes/pedro/trabs/OMPI-stats. 02. p. p. Nelson Ndirangu. o Brasil “enfrentou uma longa e árdua batalha na tentativa de obter justiça num sistema de comércio que joga mais pelo poder do que por regras”. UN 2000. Veja também Love 2003. UNDP 1999. pp.cptech. especialistas em comércio. Mais informações sobre TRIPs e saúde pública em <http://www.int/meetings/en/details. 19-47.jsp?meeting_id=7523> (ambos acessados em 25.int/treaties/en/> (acessado em 27. e 2005c. Jawara & Kwa 2004. Veja Musungu & Dutfield 2003. tendo em mente alguns norte-americanos. FTC 2003. UN. p. p. 158-9. Cory Doctorow & Pedro Rezende 2005. xxxiv. sua nova lei de propriedade industrial.04. Veja também Evans 1994. <http://www. pp. veja: ICTSD-UNCTAD 2005. 103-5.2005). 2005. Dutfield & SutherDutfield h Dutfield hersanen 2004. Drahos with Braithwaite 2003. pp. e Watal 2003. p.iprsonline. Watal 2003. Também veja o item 2001 Doha e Saúde Pública. e Roffe 2005. UNCTAD 1997. xv-lxxxv. pp. pp. pp.OMPI.htm> (ambos acessados em 25. <http://www. xiv. e WTO 2001. para proteger produtos farmacêuticos. 2005b.2005). pp. 68. pp. 90 e 99.2005). Pedro de Paranaguá Moniz. 153-7.org/PI/OMPI/futureofwipo. Gervais 2003. pp. Todavia. e Drahos 2003. Em 1995 a OMPI e a OMC assinaram um acordo curioso para “criar uma relação mútua de apoio” e para “cooperação”: veja OMPI 1995. World Bank 2001.cptech. FGV DIREITO RIO 185 . 19.2003. Para uma análise jurídica e detalhada das negociações e minutas do TRIPs.pROpRIEDaDE InTElEcTual an ao ap aq ar as at au av aw ax ay az ba bb bc bd be bf bg bh bi Ademais. apud Jawara & Kwa 2004. 3. CPTech 2004b. Drahos with Braithwaite 2003. html>.org/resources/health.04. Veja OMPI 2004a. CIPR 2002. e South Centre 2004. Isso os fez retirar a medida em julho de 1990.OMPI.unb. e <http://www. Jawara & Kwa 2004.cic. 10-16.html> EC 2003. uma vez que eles tinham certeza de terem perdido a disputa. Geneva. o que colocou os EUA numa posição difícil. Watal 2003.org/PI/health/> e <http:// www. acima. <http://www. negociador do Quênia na OMC: press conference de lançamento do livro ‘Behind the Scenes at the WTO’. 2005a. CPTech 2004a.09. UNDP 2001. Veja Drahos with Braithwaite 2003. p.

2 Medida Provisória nº. Revista da ABPI. Direito Ambiental. p 48-65. de 23. Protecting Traditional Knowledge: Pathways to the Future. Legislação no Âmbito Nacional. 448-481) LEituraS comPLEmEntarES: ADIERS.4 LPI. Caso Gerador: Caso Natura versus Ervateiras do Mercado Ver-o-Peso. 56. Conhecimento Tradicional versus Propriedade Intelectual.3 Usufruto Indígena (Lei no.186-16.1 Constituição Federal. 4.2001. CARNEIRO.08. jan.4 Contratos de Repartição de Benefícios. Medidas de Proteção do Conhecimento Tradicional. de 23.5 Tratado FAO sobre Recursos Fitogenéticos (plantas) para a Alimentação e Agricultura 8.pROpRIEDaDE InTElEcTual indicação GeoGrÁfica e conHecimentos tradicionais: proteção ao conHecimento tradicional associado Professor: MauriCio BauerMann guaragna EmEntário dE tEmaS 1. 7. Revista da ABPI. Obrigações Internacionais.3 Acesso a Recursos Genéticos e Conhecimentos Tradicionais Associados e Repartição de Benefícios. 2. Acesso a recursos genéticos.8. Ana Claudia Mamede. n. ISSN: 1681-8954 [1] LEiS: Constituição Federal Medida Provisória nº. 88. LEitura oBrigatória ANTUNES. 2./ fev. 9. Relevância Prática do Tema. 8.186-16. 9. 6. 5. Introdução. Rio de Janeiro: Lumen Júris.001/73). 7.08. 7. 8. 2002. 7. Capitulo XX (p. mai/ jun. Características do Conhecimento Tradicional. 3.279/97 (LPI) FGV DIREITO RIO 186 . 52. 7. Claudia Marins. Paulo Bessa. p 3-16. Definição de Conhecimento Tradicional e Populações Tradicionais. 7. 6. 2. conhecimentos tradicionais associados e repartição de benefícios. 2006.1 TRIPS. 8.2001[2] Lei de Propriedade Industrial no. 2002. 2007. n. São Paulo. Geneva: International Centre for Trade and Sustainable Development. São Paulo. 8. A propriedade intelectual e a proteção da biodiversidade e dos conhecimentos tradicionais.2 CBD.5 Proposta de Banco de Dados Nacional.

br/ www.com.br www. de forma inquestionável.br www.bdt. podemos dizer que o atual sistema de propriedade intelectual.br www. contribui para o uso sustentável e conservação da biodiversidade e é fundamental para o desenvolvimento sustentável do planeta.gov. é uma anomalia na historia das ciências e gera incompatibilidades com os princípios fundamentais dos povos tradicionais.gov.abpi.int/tk/en/tk/ www.amazonlink. desenho industrial.conservation.br www.pROpRIEDaDE InTElEcTual SitES www.org. relevância prática do tema Estudos demonstram que a diversidade biológica do mundo está distribuída de forma inversamente proporcional ao acúmulo de capital financeiro e tecnológico e não existem dúvidas sobre a importância econômica. Recursos Genéticos.pdf rotEiro 1. que tem sua regulamentação discutida dentro da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) e incide como inovação o papel do “Comitê Intergovernamental sobre Propriedade Intelectual. introdução A propriedade intelectual (PI) constitui-se num ramo do direito amplamente diferenciado por seus próprios aspectos. marcas. Nos últimos anos.consciencia.br www.abepro. tecnológica e social da biodiversidade e dos Conhecimentos Tradicionais associados.org. a matéria se divide em duas grandes áreas: propriedade industrial (patentes. indicações geográficas e proteção de cultivares) e direito autoral (obras literárias e artísticas. 2. Muitas vezes esses Conhecimentos Tradicionais são usados por empresas.com.br/arquivos/websites/4/Natura.cdb. domínios na Internet e cultura imaterial).inpi. programas de computador. No entanto.ambientebrasil.br www. o debate sobre o Conhecimento Tradicional e sua relação com o sistema internacional de propriedade intelectual emergiu como assunto em FGV DIREITO RIO 187 . Também encontramos o conteúdo vinculado ao conhecimento tradicional.gov.br www. O Conhecimento Tradicional.org.br www. Conceitualmente. e até apropriados indevidamente.mma.org. com sua ênfase em direitos maximalistas.com.wipo. Conhecimento Tradicional e Folclore”.

associa-se a conhecimentos sobre o meio ambiente mais do que conhecimentos relacionados a expressões culturais.80 Esses conhecimentos englobam todos os tipos de informação (exemplo: científicas. Conhecimentos Tradicionais são em uma noção multifacetada. símbolos.” alguns exemplos de folclore são: Boitatá.pROpRIEDaDE InTElEcTual negociações internacionais sobre a conservação da diversidade biológica. constituído pelos costumes. “conhecimento de medicina tradicional”. é um tema a parte..org/culture/copyright/folklore/html_ eng/pretoria. provérbios e canções. Mãe-de-ouro. O termo Conhecimento Tradicional não significa fora de uso. curupira. definição de conhecimento tradicional e Populações tradicionais De acordo com a definição da OMPI. para maiores explicações e discussões sobre a proteção do folclore e direito autoral. o que importa sobre a tradição é o processo social de aprendizado e compartilhamento do conhecimento. etc. se protegido. entre outros. O Conhecimento Tradicional. arte. enquanto que o conhecimento Tradicional abrange o direito de patente e o direito ambiental (biodiversidade). negrinho do pastoreio. formas arquiteturais e contos. O problema que surge é exatamente o de que o direito autoral foi concebido sob uma noção individualista. lendas. que se transmitem através de lendas. herbais. embora abarque formas de expressões culturais. Boto. deveria ser sob a égide da legislação do direito autoral. O secretariado da Convenção da Diversidade Biológica (CBD) classificou os Conhecimentos Tradicionais em: – – – Conhecimentos Indígenas Conhecimento de Comunidades Locais Folclore81 80 81 WIpO/RT/lDc/1/4. vide a seguinte página eletrônica: http://www. que é único em cada cultura. Desse modo. Saci-pererê. logo não protege o folclore. Mulasem-cabeça. Todos os povos possuem suas tradições. tradições e festas populares transmitidos por imitação e via oral de geração em geração. farmacêutico. medicinais e ecológicas) e são usados como ponto de partida para o desenvolvimento de novos produtos em muitos setores industriais como alimentício. crendices e superstições. O que é ‘tradicional’ sobre o Conhecimento Tradicional não é a antiguidade. cosmético.. agrícolas. ou expressões de folclore. Em outras palavras. lobisomem.shtml FGV DIREITO RIO 188 . Essa relação entre natureza e cultura varia de acordo com diferentes grupos étnicos e a aquisição do Conhecimento Tradicional é geral- O Folclore. arquiteturais. bastante discutido. “folclore”. etc. 3. Discussões vêem ocorrendo na OMC. O Folclore é uma forma de expressão cultural como música. podemos concluir que o folclore. A maioria dos governos dos países em desenvolvimento adotou a visão de que o Conhecimento Tradicional deve ser protegido legalmente e criticam a atual conjuntura do sistema de PI que legitima a apropriação indevida do Conhecimento Tradicional. referidos por termos como “conhecimento indígena”. por ser parte dos conhecimentos tradicionais. mas sim a forma como tal conhecimento é obtido e utilizado.unesco. aqueles que envolvem alguns componentes. comércio internacional e direito de propriedade intelectual (incluindo-se o acordo TRIPS). Exemplos de Conhecimento Tradicional Associado são: • • • • O uso do “plao-noi” na Tailândia para o tratamento de ulceras O use de “hoodia cactus” na África pelos “Kung Bushmen” como supressor de apetite O uso de “tumeric” na Índia para a cicatrização O uso de “ayahuasca” na bacia Amazônica para fins religiosos e de cicatrização O uso do “j’oublie” na Republica dos Camarões como adoçante. contos. que são consideradas como elementos do folclore. na Conferência das Partes (COP 8) e na Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI). a Wikipedia define o Folclore como: “Folclore é um gênero de cultura de origem popular.

at 3-4.c. & arruda. não vê a vida humana como superior a de outros elementos tanto animados como inanimados (todas as formas vivas são interdependentes). campeiros. pescadores artesanais. R.S. é intuitivo no modo de pensar (enquanto que a ciência e analítica). babaçueiros. é qualitativo (enquanto que a ciência ocidental e na maior parte quantitativa). caipiras e ribeirinhos não amazônicos. Ele inclui um sistema da classificação. é baseado e dados diacrônicos (enquanto que a ciência ocidental e largamente baseada em dados sincrônicos). tem raízes derivadas de um contexto social que enxerga o mundo em termos de relações espirituais e sociais entre todas as formas de vidas (enquanto que a ciências ocidental e organizada de forma hierárquica). é baseado em dados gerados pelos usuários dos recursos.). A seguir. Ottawa: IDRc. cumulativa e em resposta a diferentes situações e motivos. (1992). “Research on traditional environmental knowledge: its development and its role”. amazônicos. que é coletada por grupos de pesquisadores especialistas.pROpRIEDaDE InTElEcTual mente determinada pelas características antropológicas e sociais de um determinado povo ou comunidade. FGV DIREITO RIO 189 . Ministério do Meio ambiente. um conjunto de observações empíricas e um sistema de gerenciamento para os recursos naturais. Saberes Tradicionais e Biodiversidade no Brasil.S. Conhecimento Tradicional pode ser definido como83: “Um corpo de conhecimento construído por um grupo de pessoas através de sua vivência em contato próximo com a natureza por várias gerações. Brasília. a incluindo-se: caboclos ou ribeirinhos. Johnson (ed. Antônio Carlos Diegues e Rinaldo Arruda definem como populações tradicionais. Lore: Capturing Traditional Environmental Knowledge. uSp. caiçaras. sertanejos ou vaqueiros. é baseado no entendimento que os elementos da natureza têm uma força viva e todas as partículas do mundo natural estão incutidas de espírito.82 4. M. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o meio Ambiente. praieiros. o aprendizado é feito através de observações e experiência prática. quilombolas e pantaneiros.” As principais características do Conhecimento Tradicional associado é a produção de forma coletiva. é holístico (enquanto que a ciência ocidental e reducionista). jangadeiros. um conjunto de observações empíricas sobre o ambiente local e um sistema de auto-manejo que governa o uso dos recursos. 82 83 84 pnuMa 2001 Johnson. São paulo. in M. características do conhecimento tradicional associado à Biodiversidade O corpo de informações do Conhecimento Tradicional é construído através de gerações por um grupo de indivíduos que vivem em contato direto com a natureza. algumas características do Conhecimento Tradicional84: • • • • • • • • • • é gravado e transmitido de formar oral (tradição oral). (2001). as populações indígenas e não indígenas. açorianos. assim sendo mais inclusivo que a ciência ocidental. O Conhecimento Tradicional inclui um sistema de classificação. Diegues a.

direitos conexos. coletivas e geralmente espirituais sobre fenômenos ambientais. validadas e revisadas diariamente e sazonalmente através dos ciclos anuais de atividades. indigenous peoples and biodiversity. Desde 1992. E todos sabem que. O exemplo de marcas coletivas e indicações geográficas é uma exceção onde certos casos direitos de propriedade intelectual são conferidos para um grupo ou comunidade.85 Pela sua natureza. assistem. Assim. incluindo-se direitos de propriedade intelectual. patentes. para um povo indígena. Tais discussões envolvem conceitos e paradigmas mentais que não fazem parte do universo epistemológico dos nossos povos. tais explicações são checadas. bioprospecção. às vezes não. os direitos de PI são individual-privados. em regra. a discussão que não lhes entra na cabeça por mais preparados que sejam. De fato. conosco mesmos e com a natureza. 2 A proteção de Expressões de Folclore e Conhecimentos Tradicionais vai contra o principio que a propriedade intelectual é concedida por um determinado período e depois é colocada em domínio público para o uso livre. Daniel Munduruku. No Brasil. enquanto que os direitos tradicionais são coletivos ou comunitários. a principal diferença entre os direitos de propriedade intelectual e os direitos dos povos tradicionais são que. Temas como propriedade. 85 86 www. O autor do Conhecimento Tradicional geralmente não é identificável por ser um grande grupo de pessoas que vêem modificando o conhecimento através dos tempos. diretor-presidente do Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual (Inbrapi). coisas que estão fora das relações. No entanto. representantes de povos tradicionais dizem que o sistema de PI existente é inadequado para proteger o Conhecimento Tradicional. estão fora de nossa mente. contribution of the Four Directions council to the Secretariat of the convention on Biological Diversity”. lethbridge: FDc. afirma que86: “As ONGs indígenas e os próprios indígenas detentores desse saber. um número de encontros de povos tradicionais ocorreu e sempre foi reiterado que o regime de propriedade intelectual não vai de encontro com os interesses dos povos tradicionais. populações tradicionais possuem seus próprios sistemas locais de jurisprudência sobre a classificação de diferentes tipos de conhecimentos.pROpRIEDaDE InTElEcTual • suas explicações derivam de experiências cumulativas. são conceitos estranhos em sociedades indígenas e tradicionais. 5.socioambiental: visitado em 27/07/2007. conhecimento tradicional versus Propriedade intelectual Pensamos que propriedade e direitos de propriedade. veja-se Four Directions council (1996) “Forests. estão fora das muitas relações que temos desenvolvido ao longo dos séculos.” Sobre o tema. FGV DIREITO RIO 190 . às vezes de forma pacifica. marcas. onde existem procedimentos próprios para a aquisição e compartilhamento dos conhecimentos e direitos e responsabilidades. encontramos dois problemas: 1.

Os defensores do presente sistema convencional de PI argumentam que esse modelo cria incentivos para usos inovadores de diversidade biológica.. 88 FGV DIREITO RIO 191 .. O argumento principal dos povos tradicionais e que a propriedade intelectual não se preocupa com a tradição... folclore. (... Cada direito de propriedade intelectual na verdade bloqueia alguma porção do domínio público. o que é intelectual e culturalmente comum a todos e de onde trabalhos futuros podem ser criados. pois a construção do sistema de propriedade intelectual não leva em conta os domínios estabelecidos por leis costumarias dos povos tradicionais.net/pblog/bellagio.) Cada vez mais.htm Saami council. biodiversidade.” “(. facilita a apropriação indevida de conhecimentos tradicionais sem beneficio para os que contribuíram para tal para o desenvolvimento de produtos..). Populações tradicionais continuam a inovar e criar 87 a integra do texto em português da Declaração de Bellagio encontra-se no site http://ecologiadigital. coletivos praticantes de formas artísticas e musicais tradicionais.87 “(.. e ao contrario. solitário e original. material genético e conhecimento médico nativo escorrem para fora de seus países de origem desprotegidos em relação à propriedade intelectual. e as proteções a ele são reservadas. ou pessoas do campo que cultivam variedades de sementes. que em contrapartida gera lucros com quais os inovadores podem compartilhar através de acordos de repartição de benefícios com os detentores do Conhecimento Tradicional associado.) A lei de propriedade intelectual contemporânea está construída a partir da noção de um autor como sendo um criador único. Até a presente data. bem protegidos pelos acordos internacionais de propriedade intelectual e apoiados pelas ameaças de sanções comerciais. São negados a proteção da propriedade intelectual àqueles que não se encaixam neste modelo – os herdeiros da cultura ou conhecimento médico tribal.. Os povos tradicionais argumentam que raramente colocaram algo no chamado “domínio público”. enquanto produtos dos países desenvolvidos inundam seus países. deixando-o inalcançável para inventores futuros. e culturas de povos tribais e indígenas (.) leis de propriedade intelectual têm efeitos profundos em assuntos tão díspares quanto progresso científico e artístico. um termo que para muitos povos tradicionais não tem significado algum.) sistemas construídos sobre o paradigma do autor tendem a obscurecer e minimizar a importância do “domínio público”.88 O conceito de “commons” provavelmente é o conceito que mais se assemelha aos sistemas tradicionais e que vai de encontro com as necessidades das populações tradicionais. o saber tradicional.. Problemas existem por haver uma extrema simplificação da relação entre direitos de propriedade e Conhecimento Tradicional. (. um foco exclusivo em direitos de propriedade intelectual baseados em mercado e uma linguagem moralista e absolutista para e contra direitos de propriedade intelectual. ocorreram inúmeras discussões sobre as controvérsias dos impactos dos direito de propriedade intelectual sobre o conhecimento tradicional. acesso à informação. por exemplo. WIpO/GRTKF/ Ic/5/3.pROpRIEDaDE InTElEcTual A Declaração da Conferência de Bellagio (1993) aponta algumas disparidades entre o sistema de PI e o conhecimento tradicional.

Exemplos de Proteção defensiva são: Prevenção de Apropriação Indevida (prevention of misappropriation) através de Certificado de Divulgação da Origem (Disclosure of origin). Elas buscam o reconhecimento dos seus conhecimentos e contribuição continua para o patrimônio cultural e intelectual da humanidade e respeito a apropriado as suas leis costumeiras e valores. obrigações internacionais No contexto internacional existem discussões sobre a necessidade de se emendar convenções e acordos de propriedade intelectual para permitir reservas para a proteção do patrimônio cultural. protecting Traditional Knowledge: pathways to the Future. Incluem-se salvaguardas contras propostas que são culturalmente ofensivas as populações tradicionais e indígenas. as principais legislações ligadas ao acesso a recursos genéticos. ISSn: 1681-8954. No entanto. 7. a distinção entre as duas muitas vezes se confunde. mas necessariamente não vêem inovação em termos isolados e individuais. Assim. 2006. Geneva: International centre for Trade and Sustainable Development. 6. é considerado deficiente e de certa maneira permite a exploração do Conhecimento Tradicional por empresas. Para muitos países. a proteção defensiva é necessária porque o sistema de propriedade intelectual. o progresso é vagaroso. Sobre o tema de soluções e formas de medidas de proteção. Internacionalmente. os sistemas jurídicos das comunidades indígenas estão ganhando uma relevância e existem tendências à construção de um quadro legislativo apropriado para contemplar a proteção dos conhecimentos tradicionais associados (sistema sui generis). 52. É importante mencionar que medidas de proteções positivas podem servir para prover proteção defensiva e vice-versa. organizações não governamentais e outras instituições.89 Proteção positiva refere-se aquisição de um direito de propriedade intelectual (ex. e em especial o sistema de patentes.UPOV). Exemplos de Proteção Positiva são: Direitos de Propriedade e Regras de Responsabilidade Civil (property rights and liability rules) e Regime baseado em leis costumeiras (a customary law based regime). expressões culturais ou produtos.pROpRIEDaDE InTElEcTual suas próprias tradições. Possíveis soluções para a proteção do Conhecimento Tradicional têm sido buscadas sob forma de medidas de “proteção positiva” e “proteção defensiva”. Essa proteção também pode se dar de forma contratual (acordos de repartição de benefícios).: indicação geográfica ou patente) pelos próprios detentores do Conhecimento Tradicional ou por um direito alternativo previsto em um sistema sui generis (proteção de cultivares -. 89 FGV DIREITO RIO 192 . conhecimentos tradicionais associados são: A Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB) e o Acordo para os Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual relacionados ao Comércio (Acordo TRIPS). veja-se o artigo de Graham Dutfield. Proteção defensiva refere-se às provisões previstas em lei para prevenir pedidos de direitos de propriedade intelectual sobre o conhecimento. Nos últimos anos. medidas de Proteção do conhecimento tradicional associado Para prevenir-se a apropriação indevida do Conhecimento Tradicional Associado existem muitas propostas.

promovendo conflitos com a CBD. trips TRIPS estabelece em seu artigo 27. pois defende o acesso livre e não menciona nada sobre consulta e consentimento. 7. o Brasil e outros países em desenvolvimento solicitaram ao Conselho do TRIPS que modificasse o acordo visando outras condições para o patenteamento. 3 (b). ressaltando a necessidade da repartição justa e eqüitativa dos benefícios derivados dos usos diversos dos recursos genéticos (artigo 1). acessO a recursOs geNéticOs e cONhecimeNtOs tradiciONais assOciadOs e repartiçÃO de beNefíciOs A CBD tem como um dos seus principais objetivos a repartição dos benefícios resultantes do uso de recursos genéticos. No entanto muitos entendem que TRIPS apresenta alguns problemas. O artigo 8 “j” afirma que os detentores do Conhecimento Tradicional têm direitos sobre os mesmos. b) prova da obtenção do consentimento prévio e fundamentado da repartição justa e eqüitativa de benefícios.pROpRIEDaDE InTElEcTual 7. seja por uma combinação de ambos. de 1994. que o fez pelo Decreto Legislativo nº. os membros concederão proteção a variedades vegetais. Se tais conhecimentos não podem ser protegidos pelo atual sistema de propriedade intelectual. exceto microorganismos e processos essencialmente biológicos para a produção de plantas ou animais. A CBD prevê nos seus objetivos a necessidade de se reconhecer a importância de se garantir a proteção do Conhecimento Tradicional através de propriedade intelectual ou outros meios. cbd A CBD tem entre os seus objetivos a busca da conservação da biodiversidade e o uso sustentável de seus componentes. seja por meio de patentes. visando o uso ambientalmente saudável.1.3. 2.2. Discussões em torno dessa questão têm gerado conflitos entre países em desenvolvimento e desenvolvidos (disputa conhecida como Norte versus Sul).3 (b) que os estados podem considerar como não patenteáveis plantas e animais. entre elas. excetuando-se os processos não-biológicos e microbiológicos. para a preservação da biodiversidade em todo o planeta. dos nossos conhecimentos. dentre eles o Brasil. FGV DIREITO RIO 193 . seja por meio de um sistema sui generis eficaz. O artigo 15 da CBD estabelece algumas diretrizes a serem seguidas pelos países signatários. No contexto da decisão do artigo 27. a de que países soberanos de seu patrimônio genético devem criar condições para facilitar o acesso a seus recursos por outros países. práticas e inovações. Ela está ratificada por 190 países. 7. como: a) identificação da fonte do material genético e do Conhecimento Tradicional utilizado. Ela destaca no artigo 8º “j” a importância dos Povos Indígenas. Não obstante. existe uma obrigação dos governos para resguardar essa proteção através de outros meios legais.

a CBD determina que países signatários devam tomar medidas internas visando repartir de forma justa e eqüitativa com os países provedores dos recursos os resultados de suas pesquisas e os benefícios advindos do uso comercial de recursos genéticos. O artigo 9. médio e logo prazos. deverá ser estabelecido através de termos mutuamente acordados.e de Transferência de Matérias (MTA´s) são as formas mais comuns de transações sobre recursos genéticos e são previstos em algumas legislações.asp] Sobre esse acordo aBS. incluindo: a) a proteção dos conhecimentos tradicionais de interesse para os recursos fitogenéticos para a alimentação e a agricultura. vejase o site http://www.91 Podemos concluir que na atualidade existe uma grande necessidade de oferecer assistência a grupos de populações tradicionais como índios. e que quando autorizado.cbd.5 tratadO faO sObre recursOs geNéticOs para a alimeNtaçÃO e agricultura92 Assinado e ratificado pelo Brasil. ac.html 91 Sobre o acordo FaO. estabelecidos em contratos. int/programmes/socio-eco/ benefit/bonn. para que firmem contratos justos na divisão dos benefícios advindos da aplicação de seu Conhecimento Tradicional à criação de remédios.fao.org/aG/ cgrfa/itpgr. 90 Veja-se o Guia de Boas condutas de Bonn (Bonn Guidelines) para acesso a recursos genéticos [http://www. Os benefícios podem ser monetários e não monetários.inbio. pagos a curto. caiçaras e quilombolas. b) o direito de participar equitativamente na partilha dos benefícios resultantes da utilização dos recursos fitogenéticos para a alimentação e a agricultura. Ele prevê que cada parte contratante deve tomar medidas para proteger e promover os direitos dos agricultores. seringueiros. Além disso. representado pela autoridade nacional competente e o requerente. A repartição dos benefícios deve obedecer dois aspectos: estar respaldada pelo consentimento prévio do provedor do material genético e estar registrado em termos contratuais estabelecidos entre as partes (provedor e usuário).90 Por exemplo. o sistema do Mercado Comum Andino requer procedimentos de acesso que incluem um contrato assinado. a nível nacional. reconhece a contribuição passada e futura das comunidades locais. As partes do contrato de acesso devem ser o estado. c) o direito de participar na tomada de decisões. que estabelece direitos para agricultores. alimentos ou outros produtos industrializados. 7. O acordo FAO estabelece um sistema multilateral que objetiva facilitar acesso e repartição de benefícios (ABS). Existem alguns acordos bilaterais de repartição de benefícios como o firmado entre o Instituto Nacional de Biodiversidad (INBio) da Costa Rica e a empresa farmacêutica Merck. cONtratOs de repartiçÃO de beNefíciOs Contratos de Repartição de Benefícios -. 7.pROpRIEDaDE InTElEcTual No artigo 15 também encontramos um provisão que diz que o acesso está sujeito ao consentimento prévio e informado do país detentor do recurso genético.4.htm 92 FGV DIREITO RIO 194 . esse tratado objetiva facilitar o acesso e repartição dos benefícios derivados do uso de recursos fitogenéticos (plantas).cr/es/default.ABS (Access and Benefit Sharing) -. sobre questões relativas à conservação e utilização sustentável dos recursos fitogenéticos para a alimentação e a agricultura. veja-se o site http://www.

08. o novo Estatuto das Sociedades Indígenas (PROJETO DE LEI Nº.pROpRIEDaDE InTElEcTual Esse tratado também parece ser um importante fórum de discussões para a proteção do Conhecimento Tradicional associado. cONstituiçÃO federal No Brasil. e de outros grupos. Legislação no Âmbito nacional No Brasil ainda não existe uma legislação específica no que se refere à proteção dos conhecimentos tradicionais. Também existe um documento chamado CARTA DE SÃO LUIS DO MARANHÃO. o texto da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB). de 23. O governo argumenta que o caminho mais interessante seria a inclusão de uma cláusula no TRIPS contendo quatro pontos fundamentais: a) b) c) d) identificação da origem do material genético.186-16. Além disso. O artigo 231 da Constituição federal dispõe: São reconhecidos aos índios sua organização social. 2057 DE 1991) que tem entre seus objetivos proteger os costumes. O Brasil é parte de um número de tratados e convenções que impõe direitos de propriedade intelectual. 2. crenças e tradições. de forma ampla. costumes. competindo à União demarcá-las. a proteção do Conhecimento Tradicional associado encontra amparo constitucional. prova de ter havido repartição de benefícios. a CF protege as manifestações das culturas populares. assinado no Rio de Janeiro após a ECO-92. e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam. as principais legislações que prevêem a proteção do Conhecimento Tradicional são a Constituição Federal e a Medida Provisória nº. FGV DIREITO RIO 195 . demonstração de ter havido consentimento prévio. onde líderes indígenas questionam frontalmente toda forma de patenteamento que derive de acessos a conhecimentos tradicionais. Alguns argumentam que se deve adotar. exigindo do governo a aprovação do Estatuto das Sociedades Indígenas e o direito de participação nas decisões nacionais e internacionais sobre biodiversidade e conhecimentos tradicionais associados.1. 8. No âmbito nacional. identificação do Conhecimento Tradicional associado à biodiversidade. vem tentando uma harmonização entre a CDB e o acordo sobre direitos de Propriedade (TRIPS). indígenas e afro-brasileiras. línguas. O governo brasileiro. 8. idiomas e os conhecimentos tradicionais associados.2001. proteger e fazer respeitar todos os seus bens. entretanto. Encontra-se em tramitação no Congresso Nacional.

225 da Constituição. Para efeito desta Medida Provisória. 8º. 2. O artigo 30 considera infração administrativa contra o patrimônio genético ou ao Conhecimento Tradicional associado toda ação ou omissão que viole as normas da medida provisória e demais disposições legais pertinentes.08. a repartição de benefícios e o acesso à tecnologia e a transferência de tecnologia para sua conservação e utilização. O referido artigo prevê punições para as sanções administrativas com as seguintes: FGV DIREITO RIO 196 . 8º Fica protegido por esta Medida Provisória o Conhecimento Tradicional das comunidades indígenas e das comunidades locais. transmitir ou retransmitir dados ou informações que integram ou constituem Conhecimento Tradicional associado. utilizações. 1º. 10.pROpRIEDaDE InTElEcTual Art.186-16.perceber benefícios pela exploração econômica por terceiros.impedir terceiros não autorizados de: a) utilizar. 2. detenha esse conhecimento. o direito de: I . direta ou indiretamente.ter indicada a origem do acesso ao Conhecimento Tradicional em todas as publicações. alínea “c”. ou por instituição credenciada. realizar testes. membro dessa comunidade. § 1º . qualquer Conhecimento Tradicional associado ao patrimônio genético poderá ser de titularidade da comunidade.186-16. e das de outros grupos participantes do processo civiliza tório nacional. cujos direitos são de sua titularidade. Essa MP dispõe sobre o acesso ao patrimônio genético. 10. pesquisas ou exploração.2001 A Medida Provisória nº.2001 regulamenta o inciso II do §1º e o § 4º do art. desenvolvem. e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais. contra a utilização e exploração ilícita e outras ações lesivas ou não autorizadas pelo Conselho de Gestão de que trata o art. nos termos desta Medida Provisória.O Estado protegerá as manifestações das culturas populares. à proteção e o acesso ao Conhecimento Tradicional associado. 15 e 16. medida prOvisória Nº. indígenas e afrobrasileiras. alíneas 3 e 4 da Convenção sobre Diversidade Biológica. ainda que apenas um indivíduo. II . 8. associado ao patrimônio genético. b) divulgar.08. de Conhecimento Tradicional associado. Parágrafo único. os artigos. de 23. explorações e divulgações. Art. relacionados ao Conhecimento Tradicional associado. alínea “j”. detêm ou conservam Conhecimento Tradicional associado ao patrimônio genético. III . O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional.2. O artigo 9 dessa MP determina que seja garantido à comunidade indígena e à comunidade local que criam. de 23. 215. O capitulo II dessa Medida estabelece a PROTEÇÃO AO Conhecimento Tradicional ASSOCIADO.

entende-se que uma planta não é patenteável nem o extrato dela isolado. exceto os microorganismos geneticamente modificados que atendam os requisitos da patenteabilidade previstos no artigo 18.001/73 regula a situação jurídica dos índios ou silvícolas e das comunidades indígenas. Paulo Bessa Antunes afirma que o patrimônio genético integra o conjunto de bens submetidos ao usufruto indígena. uso e percepção das riquezas naturais e de todas as utilidades existentes nas terras ocupadas. sendo assim devida remuneração aos indígenas pela sua utilização. da FUNAI e do próprio INPI no procedimento de registro. Direito ambiental. A Lei no. O artigo 10 desconsidera invenção todo ou parte de seres vivos naturais e matérias biológicas encontrados na natureza ou ainda que isolados. licença ou autorização e. O usufruto assegurado aos índios ou silvícolas compreende o direito à posse. 6. 24. atividade inventiva e aplicação industrial. lpi O artigo 8º da Lei de Propriedade Industrial no.4. bem assim ao produto da exploração econômica de tais riquezas naturais e utilidades. não obstante o seu caráter imaterial. prOpOsta de baNcO de dadOs NaciONal No Brasil alguns estudiosos sugerem um sistema de registro sui generis através da criação de um banco de dados. 9. Ela utiliza diversos conhecimentos tradicionais para a produção de seus produtos. 448-481). patente. 9. O artigo 24 dessa lei estipula: [A]rt. 448-481) 93 Natura é uma empresa Brasileira que produz e comercializa produtos cosméticos.93 8. Direito ambiental. de acordo com a LPI. 8. Assim. licença ou autorização. capitulo XX (p.5. sobre processo ou produto obtido a partir de amostra de componente do patrimônio genético. patente.279/97 (LPI) estabelece que para que uma invenção seja patenteável ela precisa atender aos requisitos de novidade. 6. (ii) cancelamento de registro. p 481.001/73). 2002. anTunES. usufrutO iNdígeNa (lei NO.pROpRIEDaDE InTElEcTual (i) suspensão de registro. 2002. 8. O artigo 31 dessa MP tem levantado discussões porque prevê que a concessão do direito de propriedade intelectual pelos órgãos competentes. O artigo 18 diz que não é considerado objeto de patente o todo ou parte dos seres vivos. paulo Bessa. paulo Bessa. capitulo XX (p. 94 FGV DIREITO RIO 197 .3. devendo o requerente informar a origem do material genético e do Conhecimento Tradicional associado. fica condicionada à observância da Medida Provisória. Paulo de Bessa Antunes94 defende a criação de tal banco e aponta que os dados não deveriam ficar vinculados ao INPI e sugere a criação de um livro especifico para conhecimentos tradicionais associados à diversidade biológica e a participação do Ministério do Meio Ambiente. Rio de Janeiro: lumen Júris. caso gerador: caso natura versus Ervateiras do mercado Ver-o-Peso anTunES. Rio de Janeiro: lumen Juris.

por meio de um contrato aprovado pelo conselho? Aqui. 3. de agosto de 2001) não se aplica ao caso. bioprospecção ou desenvolvimento tecnológico (Medida Provisória 2. mas não pela cessão dos saberes. afirmam que a natura entrevistou seis ervateiras há dois anos sobre seus conhecimentos na manipulação de ervas que contém três essências aromáticas . e assim não é regulado por lei no Brasil. isto é.186-16. no Pará. pode trazer riscos ou inviabilizar iniciativas que busquem a promoção de negócios sustentáveis. econômicos e não-econômicos. as questões estimulam o aluno a aplicar conceitos provenientes de aulas diferentes desse curso. sem fonte determinada. As vendedoras afirmam que foram pagas na ocasião pelo “uso da imagem”. de agosto de 2001). Estaria ou não a atividade da natura enquadrada sob o escopo da MP? 2. FGV DIREITO RIO 198 . A empresa Natura estaria obrigada. da forma como o assunto é abordado pela legislação existente. assim. 2. Esse material foi gravado em vídeo e utilizado pela empresa para promoção de seus produtos. O uso de conhecimento é difuso. O Ministério Público Federal e Estadual do Pará iniciou um procedimento administrativo aberto para apurar se a legislação foi cumprida ou não. A remuneração ao conhecimento tradicional. o breu branco e o cumaru. 4. de Belém. a obter autorização de acesso do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (Cgen) e estabelecer uma negociação de repartição de benefícios com as vendedoras de ervas. derivados do uso do conhecimento ou do recurso genético para fins de pesquisa científica.pROpRIEDaDE InTElEcTual Ervateiras do mercado Ver-o-peso.186-16. Perguntas: 1. A legislação sobre acesso a conhecimentos tradicionais associados à biodiversidade (Medida Provisória 2. As filmagens serviram para vídeos institucionais e não para ajudar a desenvolver a tecnologia de extração e formulação das fragrâncias. A questão parece estar toda montada em conceitos de exigência de repartição dos benefícios.a priprioca. Alguns alunos poderão até mesmo trazer o assunto da proteção internacional do Conhecimento Tradicional associado por meio de tratados e sugestões de novas formas de proteção para o Conhecimento Tradicional associado. A Natura argumenta que: 1.

Uma introdução à Propriedade Intelectual. Bruno Magrani EmEntário dE tEmaS: Indicação Geográfica: denominação de origem – indicação de procedência – diferenças e semelhanças entre indicação geográfica e marcas – registro das indicações geográficas LEitura oBrigatória: BARBOSA. 913-925.html 1. No direito brasileiro. 2ª ed.wipo. tal proteção tem por objetivo criar uma escassez virtual gerando um mercado exclusivo para o produto ou serviço de determinada área geográfica.br http://www. indicação geográfica Indicação geográfica é a proteção sobre o nome utilizado para identificar produtos que provêm de uma determinada região e/ou que possuem qualidades ou reputação associadas à referida área geográfica. a matéria está prevista pelo acordo TRIPS FGV DIREITO RIO 199 . Rio de Janeiro: Editora Lúmen Júris. a indicação geográfica é protegida através de dois tipos específicos de proteção: (a) a indicação de procedência.pROpRIEDaDE InTElEcTual indicação GeoGrÁfica e conHecimentos tradicionais – parte ii Prof.int/about-ip/en/geographical_ind.addr. pgs.inpi. A proteção às indicações geográficas está prevista em diversos tratados e convenções internacionais como a Convenção de Paris para a Proteção da Propriedade Industrial de 1883 e o Acordo de Lisboa para Proteção de Apelações de Origem e seu Registro Internacional. Disponível em http:// denisbarbosa. Em termos econômicos.gov.doc WEBSitES: http://www. e (b) a denominação de origem. O objetivo da proteção está em criar uma identidade para determinado conjunto de produtos e serviços estabelecendo uma ligação entre suas características e sua origem. rotEiro dE auLa 1. 2003. Além disso. Denis Borges.com/98.

Apesar do atendimento destes requisitos o artigo 180 do CPI estabelece que quando o nome geográfico tiver se tornado de uso comum designando produto ou serviço. que se tenha tornado conhecido como centro de extração. A denominação de origem. sendo este o fator diferencial. produção ou fabricação de determinado produto ou de prestação de determinado serviço”.pROpRIEDaDE InTElEcTual em seus artigos 22. Os fundamentos da corte foi que por um lado a denominação de origem não havia FGV DIREITO RIO 200 . 23 e 24 e foi recepcionada pela legislação brasileira no Código de Propriedade Industrial (Lei 9. fator relevante para sua configuração reside em que a qualidade ou as características específicas do produto ou serviço se devam exclusiva ou essencialmente ao meio geográfico incluídos fatores naturais (como p. através do método champenoise. o requisito principal é que o local tenha se tornado conhecido como centro de extração. resta atendido tanto o requisito da referência ao local de origem como a qualidade ou características do meio geográfico gerados por fatores naturais e humanos. 1. (c) Vale dos Vinhedos. que designe produto ou serviço cujas qualidades ou características se devam exclusiva ou essencialmente ao meio geográfico. “considera-se indicação de procedência o nome geográfico de país. indicação de procedência e denominação de origem Segundo a definição legal do artigo 177 do CPI.1. Neste sentido o STF já decidiu a favor do uso do nome “champanhe” para designar vinhos espumantes. cidade.279/96) em seus artigos 176 a 182. incluídos fatores naturais e humanos”. a quantidade de sol a que as uvas são expostas ao longo do ano) ou fatores humanos (como p. não prescinde do requisito da fama do local. mas adiciona outro que o distingue da indicação de procedência. Dessa forma. A denominação de origem e a indicação de procedência não se confundem. ainda que estes não tivessem sido produzidos na região francesa de nome semelhante. Por sua vez. produção ou fabricação de produto ou serviço. região ou localidade de seu território. Protege-se o nome geográfico que conquistou fama e que ganhou certa reputação. ex. disciplinada no artigo 178 do CPI é “o nome geográfico de país. e (b) cachaça. região ou localidade de seu território. pelo emprego de determinada técnica na fabricação do produto ou na prestação do serviço). Na indicação de procedência.ex. analisaremos alguns exemplos que ajudarão na compreensão do tema: (a) champanhe. a denominação de origem. Saindo da abstração legal para a realidade. champaNhe O nome “champanhe” é um famoso exemplo de appellation d’origine contrôlée – o nome que é dado à denominação de origem no direito francês – concedida ao vinho espumante produzido na região de Champagne localizada no norte da França. A doutrina tem interpretado a última parte do artigo sobre denominações de origem de maneira a entender que os fatores sejam humanos “ou” naturais e não humanos “e” naturais. Analisando o caso à luz do artigo 177 do CPI. não poderá ser considerado indicação geográfica. cidade.

O seu enquadramento como tal justifica-se. Diferentemente do exemplo anterior. no prelo.pROpRIEDaDE InTElEcTual sido recepcionada pelo ordenamento jurídico brasileiro (naquela época somente a indicação de procedência existia no Brasil) e por outro que o nome Champanhe não poderia ser considera como indicação de procedência. por exemplo. Nas palavras de Denis Borges Barbosa. Dessa forma. se os requisitos legais forem atendidos. O Vale dos Vinhedos foi a primeira indicação de procedência reconhecida pelo INPI no Brasil. não há uma “exclusividade subjetiva no tocante às indicações geográficas: a propriedade personalizada de tais signos distintivos é impossível por sua própria natureza. a outra não poderia se utilizar desta marca. Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Direito de lisboa. Indicações Geográficas: a proteção dos nomes geográficos na propriedade intelectual. embora não sendo nome geográfico. cachaça O caso da cachaça é peculiar. Enquanto um fabricante pode se opor à utilização de sua marca por qualquer pessoa. Diferentemente de outras indicações geográficas brasileiras.062 de 2001. Apesar de ser indicação geográfica por força do decreto. 1. o mesmo não ocorre entre fabricantes de uma mesma área em relação à sua indicação geográfica. o TRIPS permite a proteção de um produto que tenha adquirido conotação geográfica. indicação geográfica e marca Não se deve confundir indicação geográfica com marca. Marcos Fabrício Welge. mas o fato daquela área específica ser reconhecida como fabricante deste tipo de produto. seria possível que duas empresas de queijo do Estado de Rondônia utilizassem a mesma indicação geográfica “queijo de Rondônia”. desde que esta região tivesse se tornado conhecida pela fabricação de queijos. independentemente de ser um nome geográfico: “O termo cachaça. ela foi reconhecida como tal pelo decreto 4. o nome cachaça não é um nome geográfico. Fato semelhante aconteceu com a tequila no México. pois o nome já caíra em uso comum. Bento Gonçalvez e Monte Belo do Sul. a indicação geográfica indica que determinados produtos ou serviços são procedentes de determinada região e/ou atendem a determinados padrões de qualidade. Para Marcos Gonçalves95. vale dOs viNhedOs O Vale dos Vinhedos é uma conhecida área de produção de vinhos localizada na Serra Gaúcha entre os municípios de Garibaldi.2. 95 FGV DIREITO RIO 201 . o TRIPS em seu artigo 22 permite que o país membro proteja determinada indicação de produto como originário de seu território. 2002-2003. de origem diversa. Enquanto esta é um signo distintivo que distingue um produto ou serviço de outro idêntico ou afim. nesta modalidade de indicação geográfica (indicação de procedência) o requisito principal não é a qualidade ou o método de produção do vinho. obteve conotação geográfica passando a ser vinculado à área do território brasileiro”.” Gonçalves. mas nada a obstaria a continuar a utilizar a indicação geográfica referida acima. pois. Se uma delas registrasse a marca “Queijos Porto Velho”. sem individualizá-los subjetivamente.

institutos ou qualquer outra pessoa jurídica de representatividade coletiva.pROpRIEDaDE InTElEcTual Existem hipóteses em que nomes geográficos podem ser utilizados como marca. Região do Cerrado Mineiro (para Café) e Pampa Gaúcho da Campanha Meridional (para carne Bovinas e derivados). tal nome geográfico pode ser usado como marca. desde que determinada área geográfica não tenha ganhado notoriedade pelos produtos ou serviços oriundos desta área. Esta resolução estabelece no parágrafo único de seu artigo 1° que “o registro referido no ‘caput’ é de natureza declaratória e implica no reconhecimento das indicações geográficas”.gov. FGV DIREITO RIO 202 . com legítimo interesse e estabelecida no respectivo território. associações. O reconhecimento de um nome geográfico como indicação geográfica deve ser requerido por “sindicatos. três indicações geográficas brasileiras tiveram o deferimento concedido pelo INPI: Vale dos Vinhedos (para vinhos). uma vez que o registro é constitutivo para estas. Os pedidos destacados foram deferidos.inpi. Isso significa que o registro nada mais faz do que reconhecer uma situação de fato previamente existente. requerente país indic.br) e tem suas regras disciplinadas pela resolução do INPI n° 75/00. 181 do CPI. Exemplos disso são as marcas “Macarrão Tocantins”.”96 Até junho de 2007.inpi. Geográfica Parma Região dos Vinhos Verdes Cognac Cerrado San daniele Região do Cerrado mineiro Padana (dO Grana Padano) produto ou serviço Presunto Vinhos destilado vínico ou aguardente de vinho Café Coxas de suínos frescas. das ass.3.gov. Nesse caso. “o nome geográfico que não constitua indicação de procedência ou denominação de origem poderá servir de elemento característico de marca para produto ou serviço. 1. A lista abaixo mostra os pedidos de indicação geográfica realizados junto ao INPI. desde que não induza a falsa procedência”. Em outras palavras. Segundo o art. O registro tem caráter declaratório e não constitutivo. dos Cafeicultores do Cerado – CaCCER Consorzio Per la Tutela del Formaggio Grana Pagano iT BR iT www. Neste aspecto as indicações geográficas também se diferem das marcas. registro O registro das indicações geográficas no Brasil é feito pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (www. essa pessoa jurídica age como substituto processual da coletividade que tiver direito ao uso de tal nome geográfico.br acesso em 30 de julho de 2007. enquanto os demais estão em fase de análise ou foram indeferidos. presunto defumado cru Café Queijo situação 375 395 395 325 335 395 335 96 Consorzio del Prosciutto di Parma iT Comissão de Viticultura da PT Região dos Vinhos Verdes Bureau national interprofessionel FR du Cognac Conselho das associações dos BR Cafeicultores do Cerrado Consorzio del Prosciutto di San daniele Cons. todas registradas no INPI. “Araguari Biscoitos Maria” e “Água Mineral Natural Lindóia”.

tesouras. turismo Pampa Gaúcho da Carne Bovina e seus 395 Campanha meridional derivados Chianti Classico Paraty Vinhos aguardentes dos tipos. vinhos espumantes e bebidas alcoólicas Queijos Facas. P. pinças. de São Sebastião do Paraíso ltda Águas Cristalinas ind.. 305 373 FGV DIREITO RIO 203 . do Vale da Eletrônica Prefeitura municipal da Estância Hidromineral Serra negra ass. de Prod. dos Cafeicult..pROpRIEDaDE InTElEcTual a. alimentícios ltda Águas Cristalinas ind. em aço não ligado Vinhos Café Café Serviços auxiliares de águas minerais e gasosas Águas minerais e gasosas. Reg. lait de Brebis FR et des ind. e amigos da Cachaça artesanal de Paraty BR BR BR iT BR Santa Rita do Sapucaí . dos Prod. Gen.-Und Handeiskamm er Wuppertal-Solingen-Remscheid Consorzio Per la Tutela dell’asti Coop.aPROValE Consorzio Per la Tutela del Franciacorta BR iT Vale dos Vinhedos Franciacorta Roquefort Solingen asti Terras altas alto Paraíso Água mineral natural Terra alta Água mineral natural Terra alta Região do Seridó do Estado da Paraíba Conf. Consorzio Vino Chiant Classico ass. cachaça e aguardente comp. de Prod. alimentícios ltda dE iT BR BR BR BR Vinho tinto. de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos .de artesanato. Prod. Eletr/eletrôn. e Com.des Prod.O Vale da Eletrônica Equipamentos eletrônicos e de 325 telecomunicão Água mineral. de ap. Carne do Pampa Gaúcho da Campanha meridion. Região do munic. de São Sebastião do Paraíso ltda Coop. malhas. BR da Paraíba Sin. e S. engarrafamento algodão colorido 395 395 335 305 335 375 375 325 325 325 Companhia de desenvolvimento. 325 Serra negra do Est. S. branco e espumantes Vinhos. e Com.de Roquefort ind. dos Cafeicult. das ind. azul. Reg. hoteis.P.

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Fundador do projeto www.pROpRIEDaDE InTElEcTual ronaldo lemos coordenador do centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito Rio e do projeto creative commons no Brasil.com. FGV DIREITO RIO 212 .br. professor visitante na universidade de Oxford (Michaelmans Term. Membro da comissão de comércio Eletrônico apontada pelo Ministério da Justiça. 2005). do livro Direito. Mestre em Direito pela universidade de Harvard. professor dos cursos de graduação e pós-graduação da FGV Direito Rio.overmundo. Tecnologia e cultura e de diversos outros artigos em publicações nacionais e internacionais. autor. Doutor em Direito pela uSp. dentre outros. Eua.

PROPRIEDADE INTELECTUAL FICHA TÉCNICA Fundação Getulio Vargas Carlos Ivan Simonsen Leal PRESIDENTE FGV DIREITO RIO Joaquim Falcão DIRETOR Fernando Penteado VICE-DIRETOR DA GRADUAÇÃO Luís Fernando Schuartz VICE-DIRETOR ACADÊMICO Sérgio Guerra VICE-DIRETOR DE PÓS-GRADUAÇÃO Luiz Roberto Ayoub Ronaldo Lemos PROFESSOR COORDENADOR DO PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO EM PODER JUDICIÁRIO COORDENADOR CENTRO DE TECNOLOGIA E SOCIEDADE Evandro Menezes De Carvalho COORDENADOR DA GRADUAÇÃO Rogério Barcelos Alves Paula Spieler COORDENADOR DE METODOLOGIA MATERIAL DIDÁTICO COORDENADORA DE ATIVIDADES COMPLEMENTARES Daniela Silva Fontoura de Barcellos COORDENADORA DE TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO Lígia Fabris e Thiago Bottino do Amaral Wania Torres COORDENADORES DO NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA COORDENADORA DE SECRETARIA DE GRADUAÇÃO Diogo Pinheiro Milena Brant COORDENADOR DE FINANÇAS COORDENADORA DE MARKETING ESTRATÉGICO E PLANEJAMENTO FGV DIREITO RIO 213 .