CONTRIBUIÇÃO PARA O ESTUDO DA ORIGEM E EVOLUÇÃO DOS PRINCÍPIOS CONTÁBEIS GERALMENTE ACEITOS NO BRASIL

Autores José Aparecido Moura Aranha – Professor da Faculdade Estácio de Sá de Campo Grande e do Centro Universitário de Campo Grande – UNAES, Mestre em Ciências Contábeis e Atuária pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP. Edynéia Yule Costa – Bacharel em Ciências Contábeis pela Faculdade Estácio de Sá de Campo Grande.

Resumo: O objetivo do presente estudo foi demonstrar a evolução dos princípios contábeis
geralmente aceitos no Brasil. Para tanto, abordou-se o entrelaçamento da Contabilidade com os dispositivos legais no Brasil, e procurou-se identificar os pontos que demonstram a influência destes na instituição dos padrões e normas contábeis existentes, bem como os importantes trabalhos publicados por renomados pesquisadores que também contribuíram para os atuais Princípios de Contabilidade. Apresentou-se os atuais documentos conceituais de Contabilidade no Brasil, sem, entretanto, entrar no mérito de cada um.

Palavras-Chaves: Contabilidade, Princípios Contábeis, legislação. Introdução
O presente artigo tem por objetivo evidenciar como se deu a origem e evolução dos Princípios Contábeis Geralmente Aceitos no Brasil. Buscamos através de Revisão de Literatura descrever como se deu essa evolução até os atuais documentos conceituais de contabilidade, onde estão descritos os Princípios Contábeis vigentes no Brasil. O trabalho se justifica pela importância do estudo dos conceitos sobre Princípios Contábeis, por sua aplicação prática na contabilidade. Além disso, os princípios não são estáticos, nem verdades absolutas e extremamente teóricas; são premissas instituídas de acordo com a realidade, portanto, passíveis de mudanças e desenvolvimento de acordo com as alterações sofridas pela economia, pela legislação e pelos estudos desenvolvidos pelas entidades ligadas à contabilidade, sejam elas profissionais ou acadêmicas. A contabilidade é uma Ciência Social, cujo objetivo principal é o de municiar seus usuários com informações fidedignas, confiáveis e aplicáveis. Neste contexto, colocamos a fixação de Princípios como imprescindível para a geração de informações com qualidade, e portanto, para o atendimento desse objetivo. Além disso, nosso interesse em pesquisar a

mas os denunciam. fica claro que os princípios são a base para o desenvolvimento de uma ciência e para determinar os caminhos que ela percorrerá no seu aprimoramento. Primeiramente. às quais todo o desenvolvimento posterior dessa ciência deve estar subordinado. Nesse sentido. Proposições diretoras de uma ciência. buscou-se embasamento em bibliografias sobre Teoria da Contabilidade e Princípios Contábeis nas suas diversas abordagens. temos a definição da palavra princípios “1. ao procurarmos um conceito contábil de princípios. p. que nos remete a “início. temos um sentido próprio. e a qualidade das informações geradas. Rudimentos. para a fundamentação teórica. Porém. para fins de uso em Contabilidade. p. são seus reflexos e se modificam visando sempre atender necessidades de informações sobre o Patrimônio. 1139). mas a importância de continuar os estudos e o aperfeiçoamento. de onde foram extraídos os conceitos e definições necessárias à estruturação do desenvolvimento dos princípios e das circunstâncias que levaram aos acontecimentos. nos casos particulares. Teoria Base De acordo com Aurélio (1993. os princípios contábeis não ditam os procedimentos geralmente aceitos. pesquisa bibliográfica no campo de legislação. Logo.evolução dos princípios no Brasil e demonstrar não só como aconteceu até agora. nas tecnologias. hoje existentes. começo”. o conceito “Princípios”. onde encontramos referências sobre normas aplicadas à contabilidade e daí concluímos que tais regulamentos já buscavam uniformizar procedimentos contábeis e assim contribuíram para o surgimento dos Princípios Contábeis. realizou-se também. Em seguida. nas ciências.” Lopes de Sá (11995. inequívoco. 13) sobre o conceito contábil de princípios: As palavras têm sentido comuns (de utilização empírica. e. Diferentemente do conceito comum de princípios. tem sentido próprio. usual) e têm os que lhes são atribuídos especialmente. procurando a forma mais correta para a Contabilidade atingir seus objetivos e gerar informes confiáveis e completos para os usuários na tomada de decisões sobre o patrimônio das empresas. .

São conclusões aceitas pela classe contábil de forma consensual. Em Iudícibus (1999. que reflitam a realidade patrimonial da entidade e possibilite a tomada de decisão dos gestores com maior segurança. se for o caso. social e acadêmica. através de princípios. Entendemos que os Princípios de Contabilidade são adaptados de acordo com o progresso do conhecimento em geral.. e até regras utilizadas na execução dos procedimentos contábeis. Essa idéia também foi colocada por Franco (1988. Nesse sentido. 74). não das peculiaridades de cada empresa. os princípios contábeis servem para nortear a execução da contabilidade. Dessa forma. os princípios mudam porque o mundo evolui e a Contabilidade como Ciência Social acompanha essa evolução. p. um conceito de princípios muito amplo. investidores e profissionais da Contabilidade daquela época. entendemos que a busca que temos hoje em dar à Contabilidade fidelidade e transparência. Percebemos que a instituição desses princípios nasce da análise e observação da realidade econômica. normas convencionais. p. visando o atingir seu objetivo maior que é a apresentação de demonstrativos confiáveis. 13) que afirma: A finalidade prática da fixação dos chamados princípios contábeis é a de servir de guias ou parâmetros para o registro de fatos e a elaboração de demonstrações dentro de regras uniformes que facilitem a função informativa da Contabilidade. ou seja. que vão incorporar esses conceitos à doutrina e prática contábil e mais tarde. atualizado.Temos então em Contabilidade. na sua aplicabilidade. que envolve preceitos básicos e indiscutíveis. e. já era uma preocupação de executivos.] esperança de que se poderia chegar a um acordo quanto a uma base de considerações fundamentais que tenderiam a eliminar as variações aleatórias de procedimentos resultantes. mas das diferentes idéias de financistas e executivos a respeito do que seria adequado. datada de 1936 onde temos a seguinte colocação: [.. há citação sobre uma monografia sobre princípios contábeis. . plausível ou convincente para os investidores num determinado momento. deve ser revisto. que levam a estudos organizados pelas instituições representativas (profissionais e acadêmicas).

sob pena de negarmos os fundamentos doutrinários da contabilidade. através da Resolução CFC 750 – Dispõe sobre os Princípios Fundamentais de Contabilidade e instituindo os sete princípios que são de observação obrigatória no exercício da profissão contábil. para promover um minucioso estudo sobre a Teoria da Contabilidade. Evolução Histórica A Legislação e os Princípios Contábeis Em Schmidt (2000. os quais foram atualizados em 29 de Dezembro de 1993. • Convenções: restrições aos princípios. 205-222) temos uma rica pesquisa sobre o desenvolvimento da Contabilidade no Brasil. Outra corrente é a formada por estudiosos acadêmicos que foram contratados pela CVM. onde sua principal conclusão é o entrelaçamento da evolução da Contabilidade com os dispositivos legais. levou à definição de duas grandes correntes sobre princípios contábeis. após a reformulação da Lei das Sociedades Anônimas. Essa nomenclatura foi durante muito tempo utilizada para definir as grandes regras que serviriam para embasar a teoria e a prática contábil. Com estudos mais sistemáticos do assunto desencadeados no Brasil nos últimos 50 anos. já atuam na esfera mais prática da contabilidade. . Na primeira encontramos o Conselho Federal de Contabilidade que publicou em 23 de Outubro de 1981 a Resolução CFC 530 .Aprova os Princípios Fundamentais de Contabilidade. Hoje ela não é mais aceita. que resultou na publicação da Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade que institui a seguinte hierarquia: • Postulados: o que é inquestionável e impossível de ser desrespeitado.Princípios Contábeis Geralmente Aceitos. p. • Princípios: regras que decorrem dos postulados e atuam de forma ordenadora à contabilidade. encontramos essa expressão na legislação societária.

. . busca refúgio no Brasil. Código Comercial Brasileiro Foi instituído no Império de D. datado de 28 de Junho de 1808. padrões que deveriam ser seguidos na escrituração. temos: PARTE PRIMEIRA . 10 .DO COMÉRCIO EM GERAL Capítulo II ..Vários dispositivos legais determinaram alguma influência sobre os princípios contábeis e a forma como a contabilidade deveria ser executada. Assim. A Família Real Portuguesa. onde se esconde a malícia e a fraude dos prevaricadores.] 3 – [. (SILVA. mercadorias.Todos os comerciantes são obrigados: 1 .a formar anualmente um balanço geral do seu ativo e passivo. que sou servido criar para reforço do Erário: . necessários.Das Obrigações Comuns a Todos os Comerciantes Art. selecionamos exemplos que julgamos que contribuíram direta ou indiretamente para instituição do que seriam embriões dos Princípios Contábeis no Brasil. condição essa que favorece o desenvolvimento econômico. por partidas dobradas.] 4 . e será datado e assinado pelo comerciante a quem pertencer. para se abrigar da invasão dos exércitos de Napoleão. transferindo a sede do Reino Português. 2 – [. Para que o método de escrituração e fórmulas de contabilidade de minha Real Fazenda não fique arbitrário à maneira de pensar de cada um dos contadores gerais. e outra qualquer espécie de valores. Alvará de Dom João VI. o qual deverá compreender todos os bens de raiz móveis e semoventes. O progresso gerava preocupação com uma contabilidade que espelhasse a realidade patrimonial. encontramos alguns aspectos importantes sobre normatização contábil: Capítulo II – Das Obrigações Comuns a Todos os Comerciantes. de 25 de Junho de 1850.. por isso é que foram adotados na época. 1980). e a ter os livros para esse fim. que por ser a única seguida pelas nações mais civilizadas. papéis de crédito. O Brasil deixa de ser Colônia e passa à condição de Reino Unido de Portugal. e bem assim todas as dívidas e obrigações passivas. em cuja redação. assim pela sua brevidade para o manejo de grandes somas. dinheiro. como por ser mais clara e a que menos lugar dá a erros e subterfúgios.ordeno que a escrituração seja mercantil. Pedro II..a seguir uma ordem uniforme de contabilidade e escrituração. através da Lei 556.

que permita comparações e consultas quando necessário.. para a verificação dos lucros ou prejuízos. nem entrelinhas.] Art. 13 – [.. 12 . proceder-se-á a balanço geral.. e em geral tudo quanto receber e despender de sua ou alheia conta. prevista na Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade. 129. aceitar. a obrigatoriedade do levantamento de balanço no fim de cada exercício social: Art. assim como o Princípio da Competência. 14 . foi publicado o Decreto-Lei nº 2.. afiançar ou endossar. Ao determinar o levantamento de um balanço geral. a soma total das vendas fiadas no mesmo dia.A escrituração dos mesmos livros será feita em forma mercantil..] Verificamos a preocupação com uma Contabilidade uniforme. sendo suficiente que as parcelas de despesas domésticas se lancem englobadas na data em que forem extraídas da caixa. sem intervalo em branco. nº 4. Os comerciantes de retalho deverão lançar diariamente no Diário a soma total das suas vendas a dinheiro. Primeira Lei das Sociedades por Ações Em 26 de Setembro de 1940. onde deverão ser confrontadas todas as receitas e despesas do período. letras e outros quaisquer papéis de crédito que passar. No mesmo Diário se lançará também em resumo o balanço geral (artigo nº 10. Art. em assento separado. mês e ano.No Diário é o comerciante obrigado a lançar com individuação e clareza toda as suas operações de comércio.627 que regulamentava as sociedades anônimas.] Art. quando entrou em vigor o Novo Código Civil Brasileiro. e seguida pela ordem cronológica de dia. [. raspaduras ou emendas. apresentando cada uma verba a soma total das respectivas parcelas. Cabe lembrar que o referido dispositivo legal teve sua vigência até janeiro de 2002. No artigo 12. temos uma observação sobre os lançamentos que nos remete ao Princípio da Oportunidade (os lançamentos devem ser feitos mesmo que não haja pagamento ou recebimento) e também ao Princípio da Realização da Receita e do Confronto das Despesas com as Receitas. . 11 . e será assinado na mesma data do balanço geral.Os livros que os comerciantes são obrigados a ter indispensavelmente. bordaduras. na conformidade do artigo antecedente. [. o que nos remete à Convenção Contábil da Consistência. No fim de cada ano ou exercício social. e. trazendo uma série de exigências. entre elas temos no Artigo 129.Art. seja por que título for. são o Diário e o Copiador de cartas.. devendo aquele conter todas as verbas deste.

atender-se-á à desvalorização respectiva. No item “a” deste artigo temos a estimação do ativo com base no custo de aquisição com suas respectivas depreciações o que nos remete aos Princípio do Custo Original Como Base de Valor. destinados à exploração do objeto social. Quando o preço corrente ou venal estiver acima do valor do custo de aquisição ou fabricação. No item “b”. bens destinados à alienação. são citados os créditos de liquidação duvidosa e o seu tratamento adequado. o Banco Central editou. sempre que este for inferior ao preço do custo. ou pelo preço corrente no mercado ou Bolsa. a Resolução n. nem para as percentagens referentes aos fundos de reserva. Os estatutos fixarão a taxa de juro. reserva equivalente. b) os valores mobiliários. ou que constituem produtos ou artigos da indústria ou comércio da sociedade. c) não se computarão no ativo os créditos prescritos ou de difícil liquidação. a diferença entre este e o preço do custo não será levada em conta para a distribuição de dividendos. Prevalecerá o critério da estimação pelo preço corrente. em 10 de Maio de 1972. há uma preocupação com os valores em estoques. que julgamos ser indicativos do Princípio da Prudência. limitando-os em relação ao preço de mercado. salvo se houver. quanto aos últimos. Feito o inventário do ativo e passivo. e no item “c”. avaliar-se-ão pelo custo de aquisição. . a estimação do ativo obedecerá às seguintes regras: a) os bens. e o prazo para a amortização. desde que não excedam de 10 % (dez por cento) do capital social e sejam amortizadas anualmente. que não poderá exceder de 6 % (seis por cento) ao ano. podem ser estimados pelo custo de aquisição ou de fabricação.º 220. com base no trabalho elaborado pelo IBRACON sob o título de “Normas Contábeis e de Elaboração de Balanços”. devendo ser criados fundos de amortização para assegurar-lhes a substituição ou a conservação do valor. Na avaliação dos que se desgastam ou depreciam com o uso ou pela ação ao tempo ou de outros fatores.Parágrafo único. se avaliados os bens pelo preço corrente. Resolução 220/72 do Banco Central Com a necessidade de uniformização das demonstrações contábeis das empresas que estariam operando em bolsa. d) entre os valores do ativo poderão figurar as despesas de instalação da sociedade. e) nas despesas de instalação deverão ser incluídos os juros pagos aos acionistas durante o período que anteceder o início das operações sociais. matéria prima.

e Critérios Gerais para Apresentação Gráfica do Balanço Patrimonial e Demonstração de Resultados.A partir deste documento. em que este aborda a necessidade de modernização das empresas no Brasil. . O art. principalmente se levarmos em conta que foi editado com inspiração em um trabalho realizado pelo IBRACON. a circular 179/BACEN de 11 de Maio de 1972. normas relativas a auditoria e ao profissional auditor no exercício de sua profissão. subdividida em cinco grupos: Normas de Escrituração. essencial para que as demonstrações dos diversos exercícios sejam comparáveis e a apuração de resultados não seja falseada cria o dever de revelar os efeitos da modificação desses métodos ou critérios (§ 1º). Lei 6.404/76 a apreciação do Presidente da República. profissionais estudiosos com grande conhecimento da técnica contábil. e não necessariamente interessados em arrecadação de impostos. submete a Lei 6. Critérios Gerais para Classificação do Balanço Patrimonial. ou seja. e prescreve o regime de competência no registro das mutações patrimoniais. anexou-se à resolução 220. com grave preocupação na confiabilidade dos documentos emitidos pela contabilidade. Critérios Gerais para Formação de Reservas e Provisões. A grande contribuição desta circular seria a oficialização da expressão “Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos”. A circular trazia ainda. Amortização e Depreciação dos Elementos Patrimoniais para efeito de Balanço. que estabeleceu as Normas e Princípios de Contabilidade. 178 enfatiza o requisito da uniformidade de métodos ou critérios contábeis. Critérios de Avaliação. No documento destacamos o seguinte texto: A escrituração da companhia está sujeita ao regime geral de escrituração comercial e deve ser mantida de acordo com a técnica contábil. encontramos a contextualização do momento político-econômico.404/76 Na Exposição de Motivos em que o Ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen. Foi um importante marco no estabelecimento de regras e normas para a Contabilidade. e a adequação das correspondentes Demonstrações Financeiras.

obrigatória a todos os profissionais. sem contudo definir o que é relevante. por analogia à Convenção da Materialidade . o conhecimento de hábitos e práticas que a lei pretendia corrigir ou coibir. este deve considerar o custo benefício da informação gerada para o usuário. Vemos nesta preocupação uma busca por padronização. sem modificação da escrituração mercantil e das demonstrações reguladas nesta lei.Podemos destacar que o projeto da lei procurou reunir regras gerais e essenciais de orientação básica. configura-se em um dos grandes objetivos da Contabilidade. as disposições da lei tributária. tornando-se um referencial de normas contábeis. ou de legislação especial sobre a atividade que constitui seu objeto. a nova lei aumentou consideravelmente as exigências para a escrituração contábil e elaboração de balanços. § 1o As demonstrações financeiras do exercício em que houver modificação de métodos ou critérios contábeis. que são os Princípios do Confronto da Despesa com a Receita e o da Realização da Receita. a fim de que as demonstrações financeiras informassem a verdadeira situação do patrimônio da companhia e seus resultados. Outro ponto que o § 1. ou seja. previstos no documento denominado Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade. 177. o que. A observação da consistência ou uniformidade é essencial para que as demonstrações contábeis dos diversos exercícios sejam comparáveis. Neste caso. § 2o A companhia observará em registros auxiliares. Além disso. após os vetos do Chefe do Executivo. resultou no atual artigo 177 da Lei 6.º do referido artigo aponta é para a relevância dos fatos. evidentemente. evitando pormenores dispensáveis e que na escolha destas regras. e a Convenção Contábil da Consistência. deverão indicá-la em nota e ressaltar esses efeitos. aliás. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes. devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência.404/76. a seguir: Escrituração Art. que deve merecer destaque em Notas Explicativas. evitando assim que as informações que chegam aos usuários não sejam enganosas. influiu. por regras. Observamos claramente o regime de competência. O artigo referido. a relevância deve ficar ao arbítrio do contador. que prescrevam métodos ou critérios contábeis diferentes ou determinem a elaboração de outras demonstrações financeiras. de efeitos relevantes. com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos.

são de importância relevante para a evolução dos princípios e para a profissão contábil. Estrutura Princípios Contábeis Proposta Pelo Prof. A nosso ver. constante também do referido documento. Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade. e mais 14 regras convencionais tidas como complementares. e seus parágrafos. e que descrevemos abaixo: Princípios de Contabilidade – Preceitos Básicos da Entidade Identificada da Universalidade dos Fenômenos Patrimoniais da Unidade dos Registros e das Demonstrações da Uniformidade na Moeda de Registro da Exatidão Matemática da Equação nos Registros e Demonstrações contábeis da Periodicidade das Demonstrações Contábeis da Continuidade da entidade da Realização dos Valores Patrimoniais da Avaliação Prudente e Adequada da Competência dos Exercícios da Total Revelação dos Fenômenos Patrimoniais da Ética e da Legalidade da Legitimidade dos Registros Regras Convencionais – Preceitos Complementares da Uniformidade de Critérios em Relação a Exercícios Anteriores (Consistência) da Relevância dos Fenômenos (Materialidade) da Correção Monetária em Face da Instabilidade da Moeda da Depreciação ou amortização dos Bens de Uso da Objetividade em contraposição à Subjetividade nas Avaliações dos Balanços Consolidados da Avaliação pelo Custo Médio . Hilário Franco O Célebre Prof. o conteúdo do artigo 177. Hilário Franco durante a “X Conferência Interamericana de Contabilidade”.(Relevância). que ocorreu em 1972. apresentou uma proposta de Princípios de Contabilidade onde descreve 14 princípios – considerados preceitos básicos.

Martins e Gelbcke (1980. foi uma conquista. posteriormente.598/77. detalhada no manual. o que me levou. Portanto. seria de fácil compreensão e prática para os profissionais. pois o autor procura justificar e comentar cada um dos princípios propostos. a reformulá-lo. Martins e Gelbcke (1980) citam que o processo de evolução de qualidades das normas contábeis no Brasil. esta seria uma das primeiras tentativas de um posicionamento desta natureza e extensão feita no Brasil. Não obstante. emanava de estudos científicos e embasados. Trata das complexidades contábeis introduzidas com as publicações da Lei 6. a publicação destes princípios em lei. estaria se aproximando de um ponto ótimo e que. no Brasil.das Notas Explicativas às Demonstrações contábeis do Balanço Técnico como Base para o Balanço Fiscal das Provisões para Perdas Iminentes ou Contingentes da Provisão como Parcela do Custo da Reserva como Parcela do Lucro o Controle Interno como Suporte dos Registros e Demonstrações Contábeis da Revelação de Eventos Subseqüentes (FRANCO. dos quais cinco já tinham sido por mim identificados em 1972. significando uma nova realidade contábil para o Brasil. p. 195). Iudícibus. como também para as demais entidades. consagrou seis Princípios Fundamentais de Contabilidade.404 e do Decreto Lei 1. seria natural que o trabalho contivesse imperfeições. Ainda em Franco (1997. a nova lei das sociedades por ações. encontramos prefácio de Iudícibus ilustrando o cenário da época. do CFC. 33). embora não fosse consenso profissional. na maior parte realizados pela Universidade de São Paulo – Departamento de Contabilidade e Atuaria e que já estavam sendo repassados aos acadêmicos. A Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade Na primeira edição do “Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações” – Iudícius. 1988) Segundo encontramos em Franco (1988). sobre o assunto temos: Em se tratando de tentativa pioneira. não somente para as sociedades por ações. p. foi para mim grande satisfação constatar que a Resolução nº 750/93. pois tornaria obrigatória sua . Fora isso. de arrolar tais princípios e normas.

dentro das quais a contabilidade atua. enunciam condições sociais. • Princípios – são o núcleo central da estrutura contábil. Representam.Instituto Brasileiro de Contadores em solicitar à FIPECAFI trabalho que definisse o que seria os princípios de contabilidade. princípios e convenções: Postulados Ambientais da Contabilidade: • • Postulado da Entidade Contábil Postulado da Continuidade das Entidades. delimitam como a profissão irá posicionar-se diante da realidade social. daí resultou o documento denominado “Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade”.observação. ao determinar que a escrituração devesse observar os princípios de contabilidade geralmente aceitos.Comissão de Valores Mobiliários que o referendou por meio da Deliberação CVM n. sem contudo defini-los em seu texto. dentro do direcionamento geral dos Princípios. econômicas e institucionais. econômica e institucional admitida pelos Postulados. e que contratou a FIPECAFI para elaborar o “Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações”. O documento denominado Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade apresenta os seguintes postulados. que também contribuiu para que os novos padrões contábeis decorrentes da Lei 6. foi criada a Comissão de Valores Mobiliários – CVM. certos condicionamentos de aplicação. Este trabalho foi submetido pelo IBRACON à apreciação da CVM . Os Princípios Propriamente Ditos: • O Princípio do Custo como Base de Valor. os princípios seriam a estrada a seguir e as convenções a sinalização que indica mais especificamente como chegar. . os Princípios Fundamentais de Contabilidade são divididos em: • Postulados – são inquestionáveis. Em 1976.404 e do Decreto Lei 1. A contribuição da Lei 6. No documento. e • Convenções – restrições aos princípios. Numa ou noutra situação prática.º 29/86. e assim as demonstrações contábeis no Brasil ganharam em qualidade e padronização.404/76. fossem observados por todas as empresas.598. resultou na iniciativa do IBRACON .

Da Qualificação E Quantificação Dos Bens Patrimoniais Da Expressão Monetária Da Competência Da Oportunidade Da Formalização Dos Registros Contábeis Da Terminologia Contábil Da Eqüidade Da Continuidade Da Periodicidade . somente em 23 de Outubro de 1981. houve uma necessidade de padronização e uniformização de procedimentos para a geração de documentos confiáveis e comparáveis. Porém. apesar de tantos esforços e estudos dedicados à área. a busca por princípios na contabilidade no Brasil iniciou-se deste o início do século XX.º 530 que descrevia os Princípios Fundamentais de Contabilidade. e os informes contábeis passaram a ter maior utilização em âmbito social. o Conselho Federal de Contabilidade publicou a Resolução n. abaixo relacionados: • • • • • • • • • • Da Entidade. quando o progresso industrial e econômico se acentuou. Assim.• • • O Princípio do Denominador Comum Monetário O Princípio da Realização da Receita O Princípio do Confronto das Despesas com as Receitas e com os Períodos Contábeis As Convenções (Restrições aos Princípios): • • • • Convenção da Objetividade Convenção da Materialidade Convenção do Conservadorismo Convenção da Consistência O CFC e os Princípios Fundamentais de Contabilidade Segundo Lopes de Sá (1995).

• • • • • • Da Prudência Da Uniformidade Da Informação Dos Atos E Fatos Aleatórios Da Correção Monetária Da Integração Neste documento. possibilitando entendimento a todos os profissionais. faltou quando da publicação da Resolução 530/81. passíveis de mudanças e evolução. o CFC publicou a Resolução CFC nº 774.12. Apesar de ser constituída de um número menor de princípios. Como os princípios contábeis são a evidenciação da prática contábil. o próprio Conselho designou um grupo de trabalho formado por consultores para descrevê-los. o CFC reformulou os Princípios Fundamentais de Contabilidade com a publicação da Resolução CFC nº 750. até aquela data. E Prudência. Competência. Continuidade Oportunidade. já que não existia. . Em 16.199. Dessa forma. esta resolução traz cada um explicado de maneira mais clara. portanto. Assim. apresentando neste documento uma explicação completa sobre o entendimento dos Princípios Fundamentais de Contabilidade. sem dúvida. em 29 de Dezembro de 1993. concomitantemente ao desenvolvimento e progresso do homem. que estabeleceu os seguintes princípios: • • • • • • • Entidade. Registro Pelo Valor Original. CFC descreve que os princípios advêm da necessidade de fixar os princípios de contabilidade vigentes no Brasil. um consenso sobre os mesmos. Esta complementação foi essencial e. Atualização Monetária.

404/76 um marco da nova fase da contabilidade no Brasil. William. p. . assinalando o caminho percorrido até hoje pela contabilidade. as divergências nos documentos conceituais da Contabilidade. ed. e que num futuro próximo. de 29 de dezembro de 1993. confiáveis. influenciaram de forma muita concreta a evolução da contabilidade até os atuais princípios contábeis no Brasil.850. segundo Iudícibus. sendo em grande parte complementares. ______. que são a Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade e a Resolução CFC Nº 750. Resolução 220.977. mais adequadas à necessidades de informação. Lei no 556 de 25 de Junho de 1. 1998.972. Concluímos que os dispositivos legais e regulamentadores. Considerações Finais Encontramos nas bibliografias sobre o assunto e também na Legislação Brasileira. Código Comercial Brasileiro. traduzem um amadurecimento da profissão no Brasil. BANCO CENTRAL DO BRASIL. de 26 de Dezembro de 1. Os documentos conceituais divergem muito pouco em termos de conteúdo. Decreto lei nO 1.Como podemos observar os Princípios Contábeis atuais no Brasil.598. quanto maior for a compreensão sobre os princípios entre os profissionais de contabilidade. com uma estrutura única de Princípios Contábeis. São Paulo: Atlas. BRASIL. constam de dois documentos conceituais em vigor. sendo a diferença entre eles muito mais de natureza formal. possamos contar com um único documento. de 10 de Maio de 1. REFERÊNCIAS ATTIE. Expressamos também. Auditoria: Conceitos e Aplicações. teremos demonstrações mais profissionais. 48). pois o tema não se esgota e quanto mais refletimos sobre sua aplicabilidade. nossa opinião de que o estudo da contabilidade não pára e portanto. rompendo de vez com a Escola Italiana. a Publicação da Lei 6. 3. sendo neste caso. Martins e Gelbcke (2003. com inspiração na a Escola Norte-americana.

Teoria da Contabilidade. São Paulo: ATLAS.994. São Paulo:Atlas. de 23 de Outubro de 1.986. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Contabilidade Geral.976. Resolução CFC NO 530. ed. MARION. ______. ______. 9. MARTINS. ______. ______. et alli. 2. Decreto lei nO 2. de 15 de Dezembro de 1.940. Sérgio de. de 05 de Fevereiro de 1. VAN BREDA. Princípios Fundamentais de Contabilidade. 2000. José Carlos. Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações. HENDRIKSEN. 1993. Teoria da Contabilidade. FRANCO. 2000. Antonio. Eliseu. A Evolução dos Princípios Contábeis no Brasil. São Paulo: ATLAS. ed. Deliberação n. ______. 1980.. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. 1999. São Paulo: Nova Fronteira. Resolução CFC NO 774. 1999.______. de 16 de Dezembro de 1. Contabilidade Introdutória. de 29 de Dezembro de 1. Resolução CFC NO 720.993. São Paulo: Atlas. 23. Hilário. ______. COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS. Michael F. 1988. Aurélio Buarque de Holanda. 1997. LOPES DE SÁ. IUDÍCIBUS. FERREIRA. 6. ______. ed. São Paulo: Atlas. Lei nO 6.404. 1998. Introdução à Teoria da Contabilidade. São Paulo: Atlas. São Paulo: Atlas. de 26 de Setembro de 1. ed. São Paulo: Atlas.981. . Eldon S.º 29.627.

História do Pensamento Contábil. 1997. . 2000. SOUSA. Porto Alegre: BOOKMAN.SCHMIDT. Marcos F. Paulo. São Paulo: PUC – Pontifícia Universidade Católica. Rodrigues. Dissertação de Mestrado: Uma Contribuição ao Estudo da Harmonização dos Princípios Fundamentais de Contabilidade no Brasil.