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PROCESSO DE CONHECIMENTO

O Direito Processual preocupa-se com formas aptas a propiciar real e efetiva


solução dos conflitos, os quais são absolutamente inerentes à vida em sociedade.

Considerado o Direito Romano, sabe-se que a denominada “justiça pública”


consolidou-se no período denominado de cognitio extra orndinem. Foi nessa fase que o Estado,
por ter poder suficiente, passou a ditar a solução para os conflitos de interesses, não importando a
vontade dos particulares.

Impondo-se a proibição da autotutela, ou da realização das pretensões segundo o


próprio poder do particular interessado, surge o poder de o Estado dizer aquele que tem razão em
face de um conflito concreto, ou o poder de dizer o direito, conhecido como iuris dictio (obrigar,
fixar, impor o direito).

O Estado, ao proibir a autotutela, assume o monopólio da jurisdição, ou seja,


ofertou para os cidadãos o direito de ação que se entende como uma resposta jurisdicional
tempestiva e efetiva.

O direito de acesso à justiça decorre do fato de que a ausência de tutela


jurisdicional efetiva implica a transformação dos direitos garantidos constitucionalmente em
meras declarações políticas, de conteúdo e função mistificadores.

O direito de acesso á justiça, portanto, garante a tutela jurisdicional capaz de fazer


valer de modo integral o direito material.

Contudo, o Estado tem encontrado dificuldades em solucionar, de forma rápida e


efetiva, os conflitos a ele trazidos.
Com isso, o Estado tem procurado vias alternativas para a solução rápida efetiva
dos conflitos, são elas:

- A conciliação, realizadas fora do processo do Estado, objetiva solucionar os


conflitos de interesse sem dizer que “A” ou “B” tem razão, mas buscando conferir às partes
condições favoráveis para a eliminação do conflito através de atos de sua própria vontade ou
buscando induzir as próprias partes a resolver seu caso.

- A arbitragem, constitui objeto da Lei 9.307/96 a qual pretende que a atividade de


julgar um conflito, em alguns casos, seja substituída pela atividade de um árbitro privado. Pode
ser árbitro qualquer pessoa capaz e que tenha confiança das partes (art. 13, caput). As pessoas
capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos
patrimoniais disponíveis (art. 1º), e que as partes interessadas podem submeter à solução de
seus litígios ao juízo arbitral mediante convenção de arbitragem, assim entendida a cláusula
compromissória e o compromisso arbitral (art. 3º).

O conteúdo submetido ao árbitro não pode ser colocado em discussão novamente


no judiciário, a menos que haja algum vício de formalidade, como vício de vontade ou que o
objeto seja bens indisponíveis. Ainda, a decisão arbitral não necessita de homologação do juiz,
diferenciando-se na mesma medida da conciliação.

Entretanto, a atividade arbitral não é jurisdicional. Dentro de um Estado de


Direito, o poder jurisdicional é absolutamente fundamental e este apenas pode ser exercido pelos
juízes. Esse poder tem relação com o conceito de Estado, ao passo que a arbitragem se relaciona
com o princípio da autonomia da vontade.

JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA

Se a jurisdição é manifestação do poder do Estado, é evidente que ele terá


diferentes objetivos, conforme seja o tipo de Estado e sua finalidade essencial. Em nosso caso, o
fim da jurisdição deve ser o mesmo daquele consolidado na Constituição Federal no seu art. 3º.
O Estado, para exercer o “poder jurisdicional”, precisa de vários juizes, juízos e
tribunais, é necessário que os vários casos conflitivos e concretos sejam classificados e
agrupados de acordo com os pontos que tem em comum, que os processos que a eles servem de
instrumento têm em comum, ou que as pessoas que neles estão envolvidas possuem em comum,
distribuindo-se o poder jurisdicional na medida dos casos forem agrupados.

Como o poder jurisdicional deve ser distribuído, dá-se o nome de competência à


jurisdição que pode e deve ser exercida por um órgão, ou por vários órgãos, em face de um
determinado grupo de casos. A competência, portanto, nada mais é do que uma parcela da
jurisdição que deve ser efetivamente exercida por um órgão ou por um grupo de órgãos do Poder
Judiciário.

A Constituição Federal define as “justiças” e atribui competência. Fala-se, assim,


na justiça trabalhista, eleitoral, militar e nas justiças federal e estadual. O que não é competência
da justiça trabalhista, eleitoral e militar, por exclusão, é da competência da justiça comum.
Dentro da justiça comum, também por exclusão, o que não for da competência da justiça federal
é da justiça estadual.

A Constituição Federal também define o Supremo Tribunal Federal (STF) e o


Superior Tribunal de Justiça (STJ). A CF ao atribuir-lhes competência originária, subtrai certas
causas de todas as justiças; é por isso que esses dois tribunais superiores são considerados
“órgãos de superposição”, uma vez que não pertencem a nenhuma das justiças.

É de competência do STF:

- Em recurso ordinário: habeas corpus, hábeas data, o mandado de segurança o


mandado de injunção decididos em única instância pelos Tribunais Superiores, se denegatório a
decisão e; crimes políticos.

- Em recurso extraordinário as causas decididas em última e única instância,


quando a decisão recorrida: contrariar dispositivo da CF; declarar inconstitucional tratado ou lei
federal; julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face de Constituição; julgar
válida lei local contestada em face de lei federal.
Competência do STJ:

- Em recurso ordinário: habeas corpus, decidido em única e última instância pelos


Tribunais Regionais Federais ou pelos Tribunais de Justiças Estaduais, quando a decisão for
denegatória; os mandados de segurança decididos em única e última instância pelos TRF’s ou
TJ’s, quando denegatória a decisão; as causas em que forem partes Estados estrangeiros ou
organismo internacional versus Município ou pessoa residente ou domiciliada no País.

- Em recurso especial causas decididas, em única ou última instância, pelo TRF ou


TJ, quando a decisão recorrida: contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhe vigência; julgar
válido ato de governo local contestado em face de lei federal; der a lei federal interpretação
divergente da que lhe haja atribuído outro Tribunal.

Competência Internacional

Competência internacional exclusiva são casos em que a soberania brasileira só


admite a decisão tomada pela jurisdição nacional descritas no art. 89 do CPC: conhecer de ação
relativas a imóveis situados no Brasil; proceder a inventário e partilha de bens, situados no
Brasil, ainda que o autor da herança seja estrangeiro e tenha residido fora do território nacional.

Competência internacional concorrente – casos em que a jurisdição nacional


concorre com outros tratados pelo art. 88 do CPC – ocorre nas seguintes situações: o réu,
qualquer que seja sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil; no Brasil tiver de ser
cumprida a obrigação; a ação se originar de fato ocorrido ou de ato praticado no Brasil.

No caso deste a decisão proferida em outro país pode ser validado no território
nacional, desde que seja devidamente homologada pelo STJ.
Obs.: A mera propositura de demanda perante tribunal estrangeiro, a respeito de
causas de competência concorrente, não induz litispendência, nem impede que a autoridade
brasileira conheça da mesma causa que lhe forem conexas (art. 90).

Determinação de competência

Uma vez determinada a competência nacional, cabe verificar qual é o órgão


originariamente competente para julgar a causa, bem como qual o órgão competente para julgar
eventual recurso.

A fixação de competência pauta-se por critério abstratos capazes de identifica


elementos da ação proposta, atribuindo-a ao órgão jurisdicional específico. O CPC adota a
corrente tripartite para disciplinar a competência, portanto, a legislação brasileira adota três
critérios para a fixação do órgão jurisdicional competente para cada causa: objetivo, territorial e
funcional.

O critério objetivo analisa as características da causa a ser examinada. Logo,


abrange o estudo do valor da causa ou ainda a natureza da demanda. Quanto ao valor da causa a
competência é determinada segundo a importância econômica da causa; aos Juizados Especiais
fica a competência para julgar causas de até quarenta salários mínimos. Agora, relativo à
natureza da ação leva-se em conta a relação jurídica da demanda, como por exemplo a relação de
família, comercial, criminal, trabalhista, eleitoral etc.

O critério funcional interessa-se pelas funções desempenhadas pelo órgão


jurisdicional. Cogita-se da função desempenhada pelo magistrado, repartindo-se,
exemplificativamente, em 1º grau, recursal, execução. É também modalidade de competência
funcional aquela examinada em razão das funções exercidas pelo magistrado em outro território -
cumprimento de carta precatória, carta rogatória, para citação e intimação de partes, para colheita
de provas ou para efetivação de provimentos judiciais – no mesmo processo.

Critério territorial (ou competência de foro) toma em consideração a dimensão


territorial atribuída à atividade de cada um dos órgãos jurisdicionais. As causas são distribuídas
segundo a comodidade das partes ou facilidade do processo. No juízo de 1º grau da justiça
comum separa-se o território em comarcas (na esfera da Justiça Estadual) ou em circunscrições
(na Justiça Federal), atribuindo cada qual a um juiz ou a um grupo de juízes. A legislação
processual considera normalmente a natureza da matéria litigiosa e dos litigantes, o domicílio das
partes ou o lugar do cumprimento de certa prestação, determina-se o local em que certo grupo de
causas deve ser processado e julgado.

Competência absoluta e competência relativa

O CPC contempla dois regimes jurídicos diferentes para tais modalidades de


competência: a competência absoluta que são normas cogentes de interesse público e a relativa
que se sobrepujadas no interesse das partes.

A competência é absoluta quando o critério é material ou funcional.

A competência é relativa quando o critério for territorial ou segundo o valor da


causa. Todavia, quanto ao critério territorial pode haver exceções: ação fundada em direito real
sobre imóveis é competente o foro da situação da coisa, ratione loci, não havendo a possibilidade
de prorrogação de foro, neste caso fala-se em competência territorial funcional (Liebman).
Todavia o autor pode escolher o foro em razão do domicilio ou de eleição em casos de locação,
arrendamento, comodato, ainda que seja de bens imóveis. Não sendo possível nos casos do art.
95 do CPC.

Quanto à competência fixada pelo valor da causa são sempre absoluto para o mais
e relativo para o menos. Para as causa de competência dos juizados especiais a justiça comum
também é competente, agora o inverso não é recíproco, sendo competência absoluta.

As ações de competência absoluta as partes não podem transigir sobre a escolha


do foro; já as de competência relativa pode haver escolha do foro, de acordo com o interesse das
partes.
A competência relativa admite modificação, o que não é possível em face da
absoluta. Essa modificação é viável não apenas diante da manifestação de vontade das partes,
mas também em razão da conexão ou continência.

A incompetência absoluta pode ser argüida a qualquer momento, justamente por


se pautar no interesse público, a requerimento da parte – em preliminar na contestação, ou na
primeira oportunidade em se manifestar nos autos - ou mesmo de ofício pelo juiz. Trata-se,
portanto, de defeito insanável e incorrigível, não sujeito à preclusão.

Já a incompetência relativa não pode ser reconhecida de ofício, dependendo de


alegação das partes, por meio de exceção de incompetência relativa (art. 304 a 311), sob pena de
preclusão. As partes têm 15 dias para oferecer a exceção de incompetência, o prazo é
peremptório, sob silêncio das partes o foro é prorrogado, logo, o vício é sanado.

O defeito resultante de prolação de sentença absolutamente incapaz sujeita a coisa


julgada à ação rescisória (art. 485, II). Já os atos de juiz relativamente incapaz são anuláveis, não
argüindo as partes no momento oportuno o vício considera-se sanado pela prorrogação de
competência, tornando os atos do juiz perfeitos.

Princípios sobre a competência no direito brasileiro

São três princípios fundamentais:

Princípio do juiz natural: entende-se que apenas a lei - geral e anterior - pode
definir a competência dos órgãos jurisdicionais, portanto, é a garantia que a determinação desse
órgão competente se dê por critérios abstratos e previamente estabelecidos, repugnando ao
direito nacional instituição de juízo de exceção.

Principio da perpetuação da competência (art. 87): a competência para exame de


determinada causa se dá no início do processo, com a propositura da ação, estabelecido o órgão
jurisdicional competente, ele o será até o final. Sendo totalmente irrelevantes quaisquer
alterações de fato, de direito ou legais quanto às regras abstratas de competência.
Exceções a este princípio: em situação de competência absoluta em que há
modificação do critério importa a alteração do interesse público, que justifica que a nova regra
prevaleça sobre o princípio basilar, e/ ou, se o órgão competente deixar de existir.

Princípio da competência sobre a competência: todo juiz tem competência para


examinar a sua competência para determinada causa. Trata-se de análise de pressuposto
processual. Em regra, essa decisão não vincula outro órgão à decisão.

Contudo há exceções, decisão de juízo federal que exclui da relação processual


ente federal não pode ser reexaminado no juízo estadual (súmulas: 150, 224, 254).

Prorrogação de competência

As regras que fixam determinadas modalidades de competência relativa não têm


caráter cogente e impositivo, de forma que podem ser desatendidas, diante da manifestação
expressa ou tácita das partes, ou ainda em razão de outros preceitos, que interferem em sua
aplicação. Fazendo prorrogar a competência de certo órgão jurisdicional. Fala-se, então, em
prorrogação de competência para designar o fenômeno pelo qual o juiz tem a sua competência
ampliada, deixando de ser incompetente para transforma-se em competente para certa causa.

O direito brasileiro permite duas maneiras de prorrogação de competência: a


voluntária e a legal. A prorrogação voluntária ocorrerá quando haver manifestação ao menos de
uma das partes. Essa modalidade de prorrogação poderá ser expressa, quando ocorrer cláusula
de eleição de foro, inserida em certo contrato. Nesse caso as partes convencionam de comum
acordo um foro em que tramitará eventual ação resultante do negócio jurídico.

A prorrogação voluntária tácita que decorre da manifestação de uma das partes e


omissão de outra. Isso ocorre com o não oferecimento de exceção de competência, no prazo e na
forma prevista pela legislação processual.

A prorrogação legal decorre da vontade da lei, como no caso de ação acessória em


que deve ser proposta no mesmo juízo da ação principal, e, que o juiz da causa também é
competente para a reconvenção, a ação declaratória incidente, as ações de garantia e outras que
respeitem ao terceiro interveniente.

Ainda, exista a hipótese da visattractiva, inerente aos juízos universais, como o


falimentar ou de execução concursal, nessas hipóteses a propositura da ação atrai todas as outras
a respeito do sujeito (falido ou insolvente), tornando-se o juízo da falência ou da insolvência
competente para qualquer ação relativa à massa de bens produzida.

Dentre as possibilidades de prorrogação de competência legal destacam-se a


conexão e a continência. Dá-se conexão quando duas ou mais causas tiverem objeto (pedido) ou
causa de pedir comuns. Existirá continência entre duas ou mais ações, desde que haja identidade
de partes e de causa de pedir, sendo, ademais, o objeto de uma ou mais amplo do que as outras,
abrangendo-os. A finalidade é a não coexistência de decisões contraditórias e a economia
processual, já que os atos de uma serão aproveitados para a outra, em muitas vezes.

Havendo conexão ou continência o juiz poderá ordenar a reunião dos processos,


de ofício ou a requerimento das partes, afim de que sejam julgados simultaneamente. Há
possibilidade e não obrigatoriedade, ao juiz caberá verificar a conveniência, se haverá a
satisfação dos objetivos de reuniões dos processos ou se causará efeito contrário.

Nos casos de competência absoluta a reunião de ações só será possível se o juiz


que pretende a reunião das ações tiver competência para julgar todas as causas.

O critério para determinar o juízo competente para o julgamento das ações


conexas ou que haja continência é um só: prevenção.

A prevenção ocorre de duas maneiras: se tiverem a mesma competência


territorial, considera-se prevento aquele que despachou em primeiro, por outro lado o art. 219
estabelece que a primeira citação válida torna provento o juízo.

Portanto, há prevenção em casos de mesma competência territorial o primeiro


despacho, agora, se há competência territorial distintas a primeira citação válida.
Entretanto, mesmo havendo conexão ou continência as ações não perdem sua
identidade própria, portanto, são independentes, havendo a extinção de uma não haverá da outra.

Conflito de competência

O conflito de competência é a divergência entre mais de um órgão jurisdicional.


Existem três tipos de conflito de competência:

- Conflito de competência positiva: quando há mais de um juiz que se consideram


competentes para determinada causa;

- conflito negativo de competência: quando existem mais de um juiz que se


reputam incompetentes;

- quando surgir controvérsia a respeito de reunião ou separação de processos,


entre dois ou mais juízes.

O conflito de competência pode ser instaurado por iniciativa de qualquer das


partes, pelo MP ou ainda de ofício, por qualquer das autoridades jurisdicionais envolvidas.
Quando oferecida exceção não pode a parte que ofereceu a exceção suscitar conflito de
competência. Agora, se suscitado conflito de competência a parte que o suscitou não fica
impedido de oferecer exceção.

O exame do conflito sempre caberá a tribunal superior àquele que foi instaurado,
se dá por meio de petição – quando oferecido pelas partes ou MP – ou por oficio – quando
suscitado diretamente por um dos juizes envolvidos -, ambos instruídos com os documentos
necessários à demonstração dos fatos envolvidos no incidente. Encaminhado o conflito ao
tribunal e distribuído, o relator determinará a oitiva dos juízes envolvidos, em prazo designado
para manifesta-se em cinco dias. O relator apresentará o feito em sessão para julgamento. Ao
julgar o conflito, o tribunal determinará o órgão competente como decidirá sobre a validade dos
atos praticados pelo juiz incompetente.
Enquanto o incidente estiver sub judice o processo ficará suspenso, nos casos de
conflito de competência positivo, com isso, será necessário instituir um órgão jurisdicional
provisório para julgamento de questões urgentes.

Procedimentos

O processo de conhecimento serve-se do procedimento comum e de


procedimentos especiais. O procedimento comum, por sua vez, pode ser ordinário ou sumário
(art. 272, caput, do CPC).

Entretanto, o procedimento sumário, salvo alguns casos previstos em leis


especiais, somente deve ser observado nas hipóteses do art. 275 do CPC. Os procedimentos
especiais, do mesmo modo que o procedimento sumário, somente devem incidir em situações
excepcionais.

O art. 272, § único, do CPC esclarece, porém, que as disposições gerais do


procedimento ordinário aplicam-se subsidiariamente ao procedimento sumário e aos
procedimentos especiais.

Procedimento sumário

O procedimento sumário caracteriza-se pelos princípios da oralidade e da


economia processual, nele tem lugar a aplicação da imediatidade e da concentração de atos em
audiência. Imediatidade se traduz no contato direto entre o juiz, as partes, procuradores e
testemunhas, contato este que pode ocorrer em duas oportunidades, na audiência de conciliação e
na audiência de instrução e julgamento. Quanto à economia processual, verifica-se com a
possibilidade de solução rápida do litígio com menor dispêndio e energia das partes e do juiz.

Deve ser observado o procedimento sumário nas causas cujo valor não ultrapasse
a 60 salários mínimos; independentemente de qualquer valor nas causa de arrendamento rural e
de parceria agrícola; de cobrança ao condômino de valor devido a condomínio; de ressarcimento
por danos em prédios urbano ou rústico; ressarcimento de danos causados por acidente de
veículos de vias terrestres, assim como cobrança de seguro relativo á esses tipos de acidentes,
ressalvados os casos de execução; de cobrança de honorários de profissionais liberais,
ressalvados casos de lei especial; nos demais casos previstos em lei.

O procedimento sumário não será observado, independentemente do valor, em


causas relativas ao estado e à capacidade de pessoa.

Obs.: quanto ao critério ratione valoris, no caso de cumulação de pedido, leva-se


em consideração o valor do total dos pedidos.

Obs.: em vista aos pedidos, se haver divergência de procedimentos entre eles,


deverá ser adotado o procedimento ordinário.

O erro de forma do processo acarreta unicamente a anulação dos atos que não
possam ser aproveitados, art. 250 do CPC. Se o sumário é inadequado e o vício foi conhecido no
início, converter-se-á de sumário para o ordinário abrindo prazo para contestação; a escolha foi
do ordinário, devendo ser sumário, converter-se-á para o sumário mediante aditamento da inicial.
Agora, se percebida durante o processo que o rito sumário é inadequado, deve-se anular os atos
praticados que prejudicam a defesa e aproveitar os outros na conversão para o ordinário; se o
ordinário é inadequado deverá converter para o sumário, se já oferecido defesa não deverá anulá-
la porque não há prejuízo ao réu.

No procedimento sumário a petição inicial deverá apresentar o rol de testemunhas


– caso haja interesse na produção de prova testemunhal -, se requerer prova pericial, deverá ser
feito já com a apresentação dos quesitos, podendo indicar assistente técnico.

Recebendo o juiz a P.I., deve designar audiência no prazo de 30 dias, ocasião que
será tentada a conciliação, não havendo conciliação, o réu deverá apresentar resposta com
documentos, a resposta pode ser escrita ou oral. Nesse procedimento, o réu deve ser citado pelo
menos 10 dia antes da audiência para apresentar a resposta em audiência. Se a citação ocorrer
durante os 10 dias e o réu aparecer para aguir o vício, entende-se que houve renuncia tácita à
diferença de prazo para a preparação da defesa.

Em sua resposta, o réu, desejando produzir prova testemunhal, deverá apresentar


o rol de testemunhas, já na resposta, e, se pretender apresentar prova pericial, deverá já pedir na
resposta e apresentar os quesitos, momento oportuno para indicar assistente técnico.

Obs.: existindo a necessidade de prova pericial de alta complexidade o


procedimento converter-se-á em ordinário.

É lógico que os requisitos da petição inicial, da ação e do processo devem ser


observados como no procedimento ordinário.

No procedimento sumário, não são admitidas ação declaratória incidental e a


intervenção de terceiros, salvo a assistência, o recurso de terceiro prejudicado e a intervenção
fundada em contrato de seguro.

Obs.: o procedimento sumário não permite a prolação de sentença com base no


fomus boni iuris. Isso significa que o procedimento sumário não é um procedimento de cognição
sumária, mas apenas um procedimento formalmente sumário.

Procedimento especial

Os procedimentos especiais podem ser de jurisdição contenciosa e de jurisdição


voluntária.

Os procedimentos especiais de jurisdição contenciosa podem ter peculiaridades


iniciais e recaírem no procedimento ordinário, como nas ações possessórias, ou mesmo recaírem
no procedimento cautelar, como nos embargos de terceiros. Entretanto, existem procedimentos
especiais que nada tem em comum não podem ser agrupados, como nos caso de inventário e
partilha.
Considerada a técnica da cognição, o procedimento especial é de cognição
limitada, ou seja, as partes são limitadas nas suas alegações, o juiz fica restrito a certas matérias
em sua análise, como ocorre nas ações possessórias, o juiz fica adstrito verificação da posse, não
pode analisar domínio.

Quando a cognição é sumária o pedido é de tutela de urgência ou antecipatória,


nesses pedidos há possibilidade de o juiz fundamentar a sua decisão na verossimilhança.

Procedimento ordinário

Existem dois tipos de procedimento comum e o especial, aquele se divide em


dois: ordinário e sumário. Quando não de observa-se o procedimento especial, deve-se observar
o comum; do comum se não for sumário, por exclusão será ordinário.

Distribuição da petição inicial e a instauração do processo

Distribuindo-se a petição inicial, nas comarcas que existem distribuidor,


considera-se proposta a ação.

Nas comarcas em que não há distribuidor, considera-se proposta a ação quando a


petição inicial é despachada.

Um dos efeitos da instauração do processo é a interrupção da prescrição, desde


que a citação se faça nos termos do §2º do art. 219, o qual incube a parte fazer a citação do réu
em 10 dias, após o despacho que a ordenar.

Requisitos da petição inicial

São requisitos da petição inicial são: o juiz e o tribunal a que é dirigida; o nomes,
prenomes, estado civil, profissão, domicílio e residência das partes (qualificação das partes); o
fato e os fundamentos jurídicos do pedido (causa de pedir); o pedido com as suas especificações;
o valor da causa; as provas com que o autor pretende demonstrar os fatos alegados; e o
requerimentos de citação do réu (art. 282).

A qualificação das partes, a causa de pedir e o pedido são elementos


identificadores da ação, indicam a litispendência e a coisa julgada.

Causa de pedir

A causa de pedir é as razões fáticas e jurídicas que justificam o pedido. O autor


deve afirmar um fato e apresentar o seu nexo com um efeito jurídico.

O código de processo civil fala em fatos constitutivos e em fatos impeditivos,


modificativos e extintivos do direito. O autor tem o dever, o ônus de provar os fatos constitutivos
e o réu o interesse de provar os outros.

Chiovenda afirma que os “fatos constitutivos são aqueles que dão vida a uma
vontade concreta da lei e à expectativa de um bem por parte de alguém”.

Aqueles que fazem cessar uma vontade concreta da lei são fatos extintivos.

Os fatos constitutivos são constituídos de circunstancia que dão escopo à vontade


da lei e que normalmente produzem esse efeito. Quando faltam essas circunstancia que
concorrem com o fato constitutivos são chamados de fatos impeditivos.

Já os fatos modificativos são aqueles que pressupõem valida a constituição do


direito, mas tendem alterá-los.

Por exemplo: se o autor pede o pagamento de uma divida, e o réu alega que ela foi
parcelada, somente podendo ser exigida em parte, o fato é modificativo; se o réu alega
pagamento, o fato é extintivo; se o réu alega exceção de contrato não cumprido, o fato é
impeditivo.
Há possibilidade de invocação de mais de uma causa de pedir, quando ocorrer
fatos de:

- igual estrutura que repercutem na esfera jurídica de uma pessoa: pede-se


anulação de contrato alegando-se que o réu por diversas vezes violou
determinada clausula de contrato.

- igual estrutura que conduzem a efeitos jurídicos que repercutem em


diferentes esferas jurídicas: dois autores proprietários de casas vizinhas
afirmam que o réu por culpa causou dano aos seus imóveis.

- estruturas diversas: pede-se o despejo do réu com base no não pagamento do


aluguel e no uso indevido do imóvel.

Do pedido

O pedido consiste naquilo, que em virtude da causa de pedir, postula-se ao órgão


jurisdicional.

Pelo princípio da congruência, o juiz deve limitar-se ao pedido ao proferir


sentença, salvo em casos excepcionais previstos em lei.

Não precisam estar mencionados expressamente os honorários advocatícios, as


custas processuais, os juros legais e as prestações periódicas vencidas após a propositura da ação.

Com efeito, o pedido pode ser considerado em dois aspectos: mediato e imediato.

Este se refere à espécie de tutela que é requerida ao órgão jurisdicional. Neste


sentido fala-se em pedido declaratório (quer que o juiz declare certo direito), pedido constitutivo
(pretende formar uma nova relação jurídica), pedido condenatório (pretende pagamento em
dinheiro), pedido executivo (pretende impor sanção ao não pagamento ou entrega de algum bem,
coerção direta) e pedido mandamental (coerção indireta, pretende impor obrigação - de fazer,
não fazer, dar ou entregar) a alguém sob pena, caso não haja o cumprimento ou mora.
Agora, aquele é o bem da vida pretendido pelo o autor. O dinheiro de
ressarcimento de algum dano, a anulação de um contrato, a remoção de um ilícito. Portanto o
pedido imediato é o meio pelo qual se pretende tutelar o bem da vida que é o pedido mediato.
Assim, por exemplo, a comunidade entra com uma ação contra uma empresa que está lançando
poluentes no rio, pede ao juiz para que ordene a empresa a cessar o lançamento de poluentes sob
pena de multa para o mora no cumprimento da sentença. O pedido imediato é a multa, ou seja, a
sentença mandamental, o pedido mediato é o bem da vida, o rio limpo.

Os art. 461 do CPC e o art. 84 do CDC são exceções ao principio da congruência.


O juiz, com base nesses dispositivos, pode conceder tutela especifica ou o chamado “resultado
prático equivalente ao do adimplemento”. A legislação deu poder ao juiz, em casos especiais,
para determinar medidas necessárias para que se alcance o resultado prático equivalente ao do
adimplemento, mesmo que o autor não o peça.

Prestações periódicas vincendas e pedido condenatório para o futuro

O art. 290 do CPC afirma que o pedido condenatório abrange prestações futuras,
que ainda não venceram, ou não foram inadimplidas, mas que provavelmente não o serão. É por
isso que se pode falar em pedido condenatório futuro, para o caso de inadimplência da prestação.

Obs.: não confundir o pedido de condenação futura com pedido de tutela


inibitória. Aquele objetiva o pagamento de parcela futura que provavelmente não será paga, ao
passo que este visa impedir a violação, também provável de um direito. Aquele aceita a violação,
este quer inibi-la.

Pedido mediato indeterminado

O pedido mediato e imediato tem que ser certo e determinado (art. 286). Admite-
se, contudo, que o pedido mediato, ou seja, o bem da vida, seja indeterminado ou genérico, nas
seguintes hipóteses:
- nas ações universais, se não puder o autor individuar na petição os bens
demandados;

- quando não for possível determinar de modo definitivo a extensão das


conseqüências do ato ou fato ilícito;

- quando a determinação da condenação depender de ato que deva ser praticado


pelo réu (art. 286, I, II e III).

Nesses três casos o juiz poderá proferir sentença ilíquida, e que portanto, deve ser
liquidada antes do cumprimento da sentença (art. 475ª e 475 J)

Obrigação alternativa e pedido alternativo (art. 288 caput)

O pedido será alternativo quando pela natureza da obrigação poderá ser cumprida
de mais de um modo. Ex.: Pagamento para a reconstrução de um muro ou a construção.

Cumulação objetiva de pedidos (art. 292)

É possível a cumulação de pedidos ainda que não haja conexão entre eles. Para
isso, devem preencher os seguintes requisitos:

- os pedidos precisam ser compatíveis;

- juízo competente para conhecer deles;

- que seja adequado o procedimento para todos os pedidos;

Obs.: é possível a cumulação de pedido quando o procedimento para cada um


deles for diferente se o autor adotar o ordinário.
Cumulação simples

A cumulação é simples quando os pedidos tiverem somente em comum as partes.


Os pedidos são independentes, podem ser julgados improcedentes ou procedentes, apenas um
procedente e os outros improcedentes.

Cumulação sucessiva de pedidos

Ocorre quando o segundo pedido somente pode ser julgado se o primeiro for
procedente; o primeiro pedido é prejudicial ao segundo, este depende daquele. Ex.: pede-se a
decretação de nulidade do contrato em primeiro e a devolução das contraprestações pagas; só
será admitido o segundo pedido se o primeiro for procedente.

Cumulação alternativa de pedidos

Cumulação alternativa não se confunde com a hipótese de obrigação que pode ser
cumprido de dois modos distintos.

Naquela hipótese são mais de um pedido em ordem sucessiva, a fim de que o juiz
conheça do posterior em não podendo acolher o anterior.

Aí um dos pedidos é realizado como principal, e o outro para eventualidade de


não ser possível acolhimento do primeiro. É o inverso daquilo que acontece na acumulação
sucessiva em que acontece a apreciação do segundo somente se procedente o primeiro; na
acumulação alternativa o segundo pedido só será apreciado se o primeiro foi negado.

Modificação de causa de pedir e do pedido

O autor da demanda pode modificar a causa de pedir e o pedido até a citação do


réu, até a citação. Depois da citação, essas modificações dependem de seu consentimento. Isso,
porque a causa de pedir e o pedido são elementos identificadores da ação.
Entende o legislador que, ainda, que as partes estejam de acordo não é possível
modificar a causa de pedir nem o pedido após o saneamento do processo, senão tornará todas as
diligencias inútil.

O pedido pode ser ampliado antes da citação. Depois da citação, e antes do


saneamento do processo, sua ampliação depende do consentimento do réu

O pedido por ser reduzido nas seguintes hipóteses:

- desistência da ação no tocante a uma parte do pedido ou a um dos pedidos


(quando houver cumulação de pedidos);

- renúncia a uma parte do direito postulado;

- transação parcial na pendência do processo;

- convenção de arbitragem em relação a parte do litígio, na pendência do


processo;

- recurso em relação a uma parte da sentença.

Nesses casos fica claro que a redução do pedido não fica subordinada ao limites
temporais, definidos pela citação e pelo saneamento do processo.

Partes

Apenas os sujeitos que disputam o litígio, e nesse sentido dele fazem parte, devem
ser designados como partes do processo.

Aquele que toma parte ou dele faz parte deve ser considerado parte; aquele que é
estranho ao litígio ou dele não faz parte, embora a sentença produza efeitos contra ele, deve ser
considerado terceiro.

As partes, portanto, são delimitadas pela petição inicial.


Valor da causa

Ao litígio posto em juízo deve ser dado um valor. Ainda que o litígio não tenha
um valor econômico imediato, ou não configure propriamente um litígio – pó não haver conflito
de partes -, toda causa que deva ser objeto de prestação jurisdicional deve ser valorada.

O valor da causa pode ser legal ou estimado. A primeira ocorre quando a lei
apresenta critérios (259 e 260) para que o valor da causa seja fixado, sendo que, na outra
hipótese, diante da ausência de critérios, somente resta ao autor estimá-la.

O valor da causa sempre deve retratar o estado de fato e de direito que existe no
momento da apresentação da petição inicial. Isto significa que qualquer alteração posterior à
propositura da ação, que possa repercutir no valor atribuído à causa, não deve ser tomada em
conta.

Afirma o art. 260 que o valor das prestações vincendas será igual a uma prestação
anual, se a obrigação for por tempo indeterminado ou por tempo superior a um ano. Se por
tempo inferior, será igual à soma das prestações.

Não estando o réu de acordo, poderá impugnar no prazo da contestação, não


necessariamente juntos, mas no prazo da contestação.

Emenda à petição inicial

Chama-se emenda a petição inicial a possibilidade que o juiz confere à parte


autora de sanar eventual correção ou até mesmo omissão nela contida.

Afirma, assim, o art. 284 que verificando juiz que a petição inicial não preenche
os requisitos do 282 e 283, ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o
julgamento de mérito, determinará que o autor a emende, ou complete, no prazo de 10 dias.
O juiz tem o dever de conferir ao autor possibilidade de emendar a petição inicial,
caso haja algum vício. Havendo essa oportunidade e o autor manter-se inerte, deverá, aí, o juiz
indeferir a peça.

Indeferimento da petição inicial

De acordo com o art. 295, a petição inicial será indeferida quando for:

- inepta (295);

- manifestamente ilegítima;

- o autor carecer de interesse processual;

- o juiz verificar, desde logo, a decadência ou a prescrição (219, §5º);

- o tipo de procedimento não corresponder à natureza da demanda ou o valor da


causa, caso que não será indeferida se somente puder adaptá-la ao tipo de procedimento legal;

- não atender as prescrições do art 39, § único, e 284.

Comunicação dos atos processuais

É inerente a idéia de processo a noção de contraditório, que se dá pelo binômio


conhecimento e reação. As partes do processo devem sempre ter condições de saber o que nele
se passa, podendo reagir de alguma forma aos atos neles praticados.

Na legislação atual existem dois modos de comunicação dos atos processuais:


citação e intimação.
Citação

O CPC define a citação como sendo o ato pelo qual se chama a juízo o réu ou
interessado a fim de se defender. Efetivamente, a citação é o ato de convocação inicial do
processo, capaz de angularizar a relação processual, em face de quem se pede a atuação do
direito.

A citação do réu é essencial para a validade do processo (art. 214). A doutrina a


considera como requisito de existência da relação processual. Com exceção do julgamento de
ações repetidas, art. 285-A do CPC.

A citação se faz pela comunicação pessoal ao réu – ou, eventualmente, a seu


representante legal, ou ainda a seu procurador legalmente autorizado (art. 215) – da existência da
ação proposta em detrimento de sua esfera jurídica, convocando-o a participar da relação
processual, na qual poderá exercer os poderes processuais inerentes ao pólo passivo da demanda.
Essa comunicação pode ocorrer em qualquer local onde se encontre o réu (art. 216), desde que
obedecidas as garantias constitucionais e legais para tanto.

A lei processual veda a citação em certas situações especiais (art. 217), que são
elas:

- as de culto religioso;

- as de luto, ao cônjuge sobrevivente ou a qualquer parente de linha reta ou


colateral até o segundo grau, consangüíneo ou afim, no dia do falecimento e nos sete dias
seguintes;

- as de bodas, nos três primeiros dias;

- as de doença, enquanto grave o estado.

A essas pessoas, os militares e dementes a citação realizada fora dos parâmetros


fixados em lei é nula, invalidando o processo como um todo.
Nos casos de ausência de citação ou invalidade pode-se sanar o vício através da
aplicação do principio da instrumentalidade (art. 249, §2º), pelo qual se considera que, a
finalidade da citação é a de trazer o réu ao processo, e se este comparece, mesmo viciado o ato,
não há razão para se invalidar o feito. Pode, todavia, o réu aparecer, apenas, para argüir a
nulidade ou a falta da citação, reconhecendo o juiz, que a citação era invalida, considerar-se-á o
feito a partir da intimação da decisão sobre a irregularidade do ato da citação (art. 214, §2º). Será
devolvido, então, ao réu o prazo para prática dos atos processuais. Se, contudo, entender o
magistrado por rejeitar a argüição do vício, o comparecimento do extemporâneo poderá
acontecer, entretanto este será tido como revel ao menos em princípio, aplicando-lhe o disposto
do art. 322.

Espécies de citação

O CPC concebe duas formas de citação: a real e a ficta. Na primeira é certa a


ciência do réu, já a segunda incide a mera presunção legal. Aquela se faz diretamente à parte ou
ao seu representante legal com poderes para tanto. Já este é por meio de edital e a citação com
hora certa, em que prevalece a presunção da ciência do feito.

A citação ficta cabe apenas em situações excepcionais, em que não há


possibilidade de citar o réu de maneira direta e inequívoca, seja porque ele se esconde ou por
estar em local incerto, ou desconhecido, ou inacessível.

Quando a citação for ficta e não havendo comparecimento do réu, a fim de evitar
prejuízo á defesa, prevê o CPC a nomeação de curador especial, que será responsável pela defesa
do revel (art. 302).

A citação quanto à forma pode ser:

a) Pelo correio (221, I), esse é o meio padrão, admitido em qualquer feito, exceto:
nas ações de estado, pessoa incapaz, quando a ré é de direito público, nos processo de execução,
quando o réu não residir em local atendido pelo serviço de correio, e quando o autor requerer a
citação por outra forma.
Conterá cópia da petição inicial e do despacho de sua admissibilidade, advertindo-
o do prazo que tem para a resposta e da sanção prevista para a sua inação (presunção da
veracidade dos fatos alegados pelo autor).

Esta correspondência será encaminhada ao réu por carta registrada, devendo ser
recebida pelo citando que assinará o recibo de entrega. Com a juntada do recibo aos autos
considerar-se-á perfeita e acabada a citação.

b) por oficial de justiça (art. 221, II), deve ser utilizada quando frustrada a citação
pelo correio, ou nos casos de requerimento do autor, ou nos casos de exceção da modalidade a
cima.

Promoverá a citação com a leitura do mandado e entrega da contrafé, certificando


no mandado a entrega ou a sua recusa, bem como a ciência do réu sobre a citação (art. 226).

Caso por três vezes o oficial tenha tentado a citação, não conseguido, e
suspeitando que o réu tenha se ocultado para evitar o feito, o oficial deve intimar qualquer
parente, na falta vizinho, de que voltará àquele local no dia seguinte em hora determinada para
citar o réu. Encontrando o réu realizará a citação real, não o encontrando considerará o agente
público citado o réu, certificando o fato no mandado e deixando a contrafé com alguém da
família ou algum vizinho, cujo nome também constará na certidão.

Após esta citação, determina a lei que o escrivão envie a este carta, telegrama ou
radiograma, dando-lhe ciência do procedimento adotado e de suas conseqüências. De toda a
sorte, mesmo assim não comparecer o réu citado sob essa forma para o processo, ser-lhe-á dado
curador especial.

c) Por edital (221, III). Essa é a forma típica de citação ficta. Tem cabimento
quando desconhecido ou incerto o réu, quando for desconhecido, incerto ou inacessível o
paradeiro, ou ainda nos demais casos contemplados pela lei (art. 231), como é o caso de
usucapião (art. 942), ou no não cumprimento de carta rogatória ou sua impossibilidade.

O edital deverá ser publicado no prazo máximo de 15 dias, uma vez no órgão
oficial pelo menos duas vezes em jornal local (art. 232, III), sendo a publicação neste dispensável
quando o autor for beneficiário de justiça gratuita. (art. 232, §2º). Alei impõe prazo para a
fixação no edital de 20 a 60 dias, a contar da primeira publicação. Somente escoado esses prazos
que começará a contar o prazo para a defesa (art. 241, V).

O não comparecimento importará em revelia e na nomeação de curador especial


para a garantia da defesa do réu.

Se o autor requerer a citação pelo edital dolosamente ser-lhe-á imposta multa no


valor de cinco salários mínimos, que reverterá em benefício do citando (art. 223e 347).

d) por meio eletrônico (221, IV) é admissível diante de qualquer espécie de


processo civil, inclusive envolvendo a fazendo pública.

Efeitos da citação (219 e 263)

A realização da citação produz efeitos no plano processual e ordem das relações


materiais. Alguns dizendo a respeito exclusivamente às partes envolvidas no processo, e outras a
quaisquer pessoas.

Efeitos processuais:

- tornar prevento o juízo, a chamada prevenção de foro, ressalva as hipóteses de


mesma competência territorial;

- induzir a litispendência, quando há repetição de ações em andamento, assim,


ação que deve ser extinta é a que se procedeu a citação por ultima;

- não é mais lícito o autor modificar a causa de pedir nem o pedido após a citação
do réu, a chamada estabilidade da demanda.

Efeitos materiais:

- Tornar litigiosa a coisa, a partir da citação tem-se a conseqüência de que a


relação jurídica material deduzida fez-se litigiosa, incidindo discussão sobre sua existência,
validade ou eficácia. Assim não pode demandar por evicção aquele que sabia que a coisa
adquirida era litigiosa (art. 457).

- Constituir em mora o devedor. Uma vez feita a citação, o réu está formalmente
constituído em mora, sofrendo com isso os efeitos materiais dessa situação.

- Interromper a prescrição, efetiva a citação interrompe-se a prescrição, ficando,


então, resguardada a ação de direito material.

Repetição e renovação da citação

Sempre que tiver por nula a citação, sem que tenha sido convalidada, será
necessário repetir-se o ato citatório.

Uma vez considerada nula a citação inicialmente efetivada, impõe-se a repetição.

Havendo mudança consubstancial o conteúdo da ação, ou nova ação (art. 321)


deverá ser feita nova citação, ou seja, renovação.
AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO

Objeto da audiência e sua necessidade

A “audiência de instrução e julgamento” é realizada, dentro do atual sistema do


Código Processo Civil – que já considera a “audiência preliminar” – para que sejam ouvidos o
perito e os assistentes técnicos sobre pedidos de esclarecimentos (art. 452,I, do CPC), para que
sejam prestados os depoimentos pessoais e inquiridas as testemunhas (art. 452, II e II do CPC), e,
enfim, para que seja julgado, se possível o mérito (art. 456 do CPC).

Se a prova pericial tiver sido realizada e, não forem necessários o depoimento


pessoal nem a inquirição das testemunhas, a audiência de instrução e julgamento somente se
realizará se tiver sido requerido, pelo interessado ou pelo juiz, esclarecimento do perito e do
assistente técnico.

É evidente, por outro lado, que, realizando-se a audiência de instrução e


julgamento, a conciliação deve ser tentada no seu início, e, se for caso, ao seu final, quando
encerrada a instrução probatória, estiver o juiz em condições de proferir a sentença.

Designada audiência e finda a instrução, o juiz Dara a palavra ao advogado do


autor e do réu, bem como ao órgão do Ministério Público, sucessivamente, pelo prazo de vinte
minutos para cada um, prorrogável por dez (a critério do juiz), para as chamadas “alegações
finais” (art. 454 do CPC). Quando a causa apresentar questões complexas de fato ou de direito,
referido debate oral poderá ser substituído por uma petição denominada memorial, caso em que o
juiz designará dia e hora para seu oferecimento (art. 454, §3º), sempre zelando pela efetividade
do contraditório. Nessa petição de memorial, a parte fará um sumário daquilo que aconteceu no
processo, procurando convencer o juiz de que tem razão.

O código de processo civil afirma, ainda, que, encerrado o debate ou oferecidos os


memoriais, o juiz proferirá sentença desde logo ou no prazo de 10 dias (art. 456). Isso não
significa que a sentença não possa ser proferida em audiência. Quando possível, a sentença deve
ser proferida imediatamente em audiência, evitando-se o retardamento na prestação jurisdicional.
A unidade da audiência de instrução e julgamento e a possibilidade de seu desdobramento

A audiência de instrução e julgamento é una e contínua. Apenas quando não é


possível concluir - num só dia - a instrução, o debate e o julgamento, é que o juiz marcará seu
prosseguimento para dia próximo (art. 455).

Observa-se que a continuação de uma audiência não é uma segunda audiência.


Logo, se o interessado não apresentou as provas e nem arrolou testemunhas, oportunamente, não
mais poderá fazê-lo, já que está coberto pelo manto da preclusão.

Entretanto, quando a audiência tem sua data remarcada, sem sequer ser iniciada,
surge nova oportunidade para apresentação de rol de testemunhas, o que não acontece no decurso
da audiência.

Embora a audiência de instrução e julgamento seja una e indivisível, nada impede


que as partes, mediante convenção, resolvam interromper audiência que já teve inicio (453,I), ou
que a audiência seja interrompida para continuar em nova data quando não puderem comparecer,
por motivo justificado as partes, as testemunhas, o perito ou o assistente técnico (art. 453, II).
Quando o adiantado da hora assim o recomendar. Além disso, a denominada testemunha referida
(art. 453, I), a conversão do julgamento em diligência (art. 130) e a real possibilidade de
conciliação (art. 125, IV), também são situações que abrem ensejo ao desdobramento da
audiência.

SENTENÇA

Conceito

De acordo com o art. 162 do CPC, os atos do juiz podem consistir em sentenças,
decisões interlocutórias e despachos. Decisão interlocutória, segunda o §2º, do art. 162, continua
sendo o ato pelo qual o juiz, no curso do processo, resolve questão incidente. E despachos, de
acordo com o §3º do art. 162 – que também não sofreu qualquer alteração -, são todos os demais
atos do juiz praticados no processo, de ofício ou a requerimento da parte, a cujo respeito a lei não
estabelece outra forma; o §4º diz, ainda, que os atos meramente ordinatórios, como a juntada e a
vista obrigatória, independem de despacho, devendo ser praticados de oficio pelo servidor e
revisto pelo juiz, quando necessário.

Diante das alterações provocadas pela Lei 11.232/2005, sentença passou a ser “o
ato do juiz que implica alguma das situações previstas nos art. 267 e 269 (...)” (art. 162, §1º).
Aquele se refere à extinção do processo sem resolução de mérito, ao passo que este leva a
resolução de mérito, embora possa não conduzir à extinção do processo.

A mudança surgiu em razão de inclusão da execução de sentença no processo de


conhecimento, denominado “cumprimento de sentença”, evitando com isso a propositura de uma
ação de execução a titulo judicial resultante de sentença condenatória a pagamento líquido e
certo. Trata-se de uma sentença que acolhe o pedido – enquadrando-se na moldura do inciso I do
art. 269 -, mas não extingue o processo.

Entretanto, o ato judicial que trata do mérito no curso da fase de conhecimento do


processo não pode ser admitido como sentença. O ato judicial que implica alguma das situações
do art. 269 somente pode ser definido como sentença quando extingue o processo ou quando
encerra a fase de conhecimento. O ato judicial que concede tutela antecipatória, por exemplo,
julga o mérito, sem deixar de ser uma decisão interlocutória. O ato judicial que pronuncia a
decadência ou a prescrição de um dos pedidos cumulados, embora também trate do mérito,
igualmente sempre foi compreendido como decisão interlocutória. Quer dizer que o conceito de
“questão incidente” jamais excluiu o conceito de mérito.

A sentença pode não encerrar o processo, porém coloca fim apenas à fase de
conhecimento, mas nenhum ato que trate do mérito no interior da fase conhecimento pode ser
admitido como sentença.

Requisitos da sentença

Afirma o art. 458 do CPC que “são requisitos essenciais da sentença: I – o


relatório, que conterá os nomes das partes, a suma do pedido e da resposta do réu, bem como o
registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II – os fundamentos, em
que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III – o dispositivo, em que o juiz resolverá as
questões, que as partes lhe submeterem”.

O relatório tem como objeto a demonstração do conhecimento do processo pelo


juiz, para que se possa controlar a atividade do magistrado. A fundamentação, o juiz demonstra a
razão de sua decisão, permite o controle da atividade do juiz, como aos jurisdicionado e ao órgão
de segunda instância, este no caso de recurso, compreenderem o motivo da decisão, e a partir
dela decidirem se a sentença foi perfeita ou não. Por fim, o dispositivo permite isolar o que foi
realmente decidido, o qual se torna imutável e coberto pela chamada coisa julgada material.

Relatório

No relatório, o juiz faz o sumário do processo, apontando o que neles se verificou


de mais importante. Alegações do autor e da defesa, lembrando que o réu pode apresentar defesa
de mérito indireta, articulando fato impeditivo, extintivo ou modificativo do direito do autor,
caso em que terá o prazo de 10 dias para se manifestar (art. 326). Isso para não se falar também
em eventuais reconvenção, ação declaratória incidental, exceção de impedimento, exceção de
suspeição e exceção de incompetência.

Além disso, devem ser relatados os requerimentos de produção de prova, o


eventual indeferimento de alguma prova e o resultado de sua produção. Enfim, o art. 458, I, do
CPC diz que o relatório deve registrar as principais ocorrências havidas no andamento do
processo.

Fundamentação

A fundamentação deve demonstrar as razões da decisão.


Na fundamentação o que deve ser apontado é a valoração das provas. Não são
admitidas sentenças que não façam menção aos motivos pelo qual o juiz não admitiu uma prova.
Além disso, o juiz deve explicar as razões pelas quais a prova demonstra, ou não, uma afirmação
de fato.

Da mesma forma, é inadmissível que o juiz julgue baseado em fatos que conhece,
mas não está demonstrado nos autos. Estaria ferindo principio do devido processo legal e do
amplo contraditório.

A sentença deve ser o resultado de raciocínio lógico que assenta no relatório, na


fundamentação e no dispositivo. Ou seja, a sentença não passa de um silogismo, em que a
premissa maior é o relatório, a premissa menor a fundamentação e o dispositivo a conclusão.

Parte dispositiva

A parte dispositiva é o local em que o juiz afirma se acolhe ou não o pedido do


autor e, em caso de procedência, o que deve ser feito para que o direito material seja
efetivamente realizado.

Como a parte de dispositiva é aquela que dá resposta ao pedido do autor, ela


também é chamada de conclusão da sentença.

A parte dispositiva é aquela que fica revestida pela autoridade da coisa julgada
material. O art. 469 do CPC não considera para revestimento da coisa julgada a fundamentação,
embora importante, podendo ser revista em face de outra ação.

Vícios da sentença:

Falta de requisitos
Com fulcro no art. 93, IX, da CF, considera-se nula a sentença que faltar um dos requisitos
essenciais da sentença.

Alias, não apenas a sentença como qualquer decisão deve ser fundamentada, sob
pena de nulidade.

É nulo o acórdão que mantém a sentença pelos seus próprios fundamentos, por
falta de motivação, tendo o apelante o direito de ver solucionadas as teses postas na apelação
(STJ Resp 149.771/RJ, Resp 450.123/PR, Resp 10.046/RS). O art. 165 afirma que as decisões
que não sejam sentença devem ser fundamentadas ainda que de modo conciso.

Sentença ilíquida em pedido certo

A sentença é líquida quando estabelece o valor do objeto do pedido. Sentença


ilíquida certamente retardaria a concessão da efetiva tutela jurisdicional.

Se o juiz contrariar o pedido, proferindo sentença ilíquida, ele julga fora do


pedido.

Entretanto, quando o autor requerer sentença líquida, mas for impossível a sua
concessão, pode o juiz proferir sentença ilíquida, obviamente explicando essa razão, segundo
entendimento do STJ (Resp 2.230/PR).

Julgamento fora do pedido, aquém ou além do pedido.

O art. 460 afirma que é defeso o juiz proferir sentença de natureza diversa ou em
quantia ou objeto diverso que lhe foi demandado.

Esse dispositivo respalda-se no princípio da congruência, em que a sentença deve


refletir a petição inicial, deve ater-se ao pedido mediato e imediato.
A sentença que julga fora do pedido é nula, outra devendo ser proferida pelo juiz
de primeiro grau de jurisdição. Já a sentença que julga além do pedido, pode ser recorrigida para
menos, para os limites do pedido, podendo ser alterado pelo tribunal, esse é o entendimento do
STJ (Resp 29.425-7/SP).

Exceção ao princípio da congruência entre a sentença e o pedido

Art. 461 do CPC e 84 do CDC, o juiz pode conceder a tutela específica, ou


chamado “resultado prático equivalente ao adimplemento”.

Mesmo quando é requerida uma ordem sob pena de multa, o juiz, em vista da
situação de urgência que envolve o bem a ser protegido, pode proferir outra modalidade de
sentença e até mesmo conceder algo diverso daquilo que foi pedido, para que se alcance a
efetividade da tutela jurisdicional nas hipóteses do art. 461 do CPC e 84 do CDC.

A sentença deve ser certa

Não é possível que a sentença condicione sua eficácia a evento futuro e incerto
por ela mesma criado. É nula a sentença que condiciona a eficácia da condenação ao
preenchimento de certos requisitos.

É nesse sentido que o art 460, § único, afirma que sentença deve ser certa, ainda
quando decida relação jurídica de direito material que contemple condição, ela deve ser certa.

Classificação de sentença

À época da formação do processo civil, as sentenças eram apenas 3 –


declaratórias, constitutivas e condenatórias – porque assim bastava ao Estado liberal. Com o
passar do tempo, e o surgimento de novos direitos, passaram a ser necessárias novas técnicas
para a tutela dos direitos, quando apareceram as sentenças mandamental e executiva, delineando
com base nas expressões normativas constantes do art. 84 do CDC e 461 do CPC.

Uma sentença que ordena, sob pena de multa, atua sobre a vontade do
demandado, dá maior poder juiz e coloca de lado a idéia de que essa forma de atuação
representaria uma agressão á liberdade, como acreditava o Estado Liberal – que inadimitia
intervenção do Estado na vida do particular.

As mesmas normas deram ao juiz e ao autor o poder de escolher a modalidade


executiva capaz de permitir a realização do direito segundo as peculiaridades do caso concreto,
independentemente da vontade do demandado. Trata-se do que passou a ser denominado, a partir
da dicção do §5º do art. 461, de poder utilizar as “medidas necessárias”.

Portanto, as sentenças ligadas as multas denomina-se de mandamental, e a


sentença que pode se valer de meios de execução direta – que independem da vontade do réu –
de executiva.