IBEROGRAFIAS
Coordenação de
Rui Jacinto
36
IBEROGRAFIAS
Autores: Alvaro Ferreira; Ana Júlia França Monteiro; Antonio Nivaldo Hespanhol; Arlete Moysés Rodrigues; César
Andrés Alzate Hoyos; Cristiane Marques de Oliveira; Daniela Machado Millan; Ellen Tamires Pedriali
Colnago; Fernando Manuel Videira dos Santos; Franci Gomes Cardoso; Francisco José Araújo;Igor Breno
Barbosa de Sousa; Joana Capela de Campos; José Borzacchiello da Silva; José Sampaio de Mattos Junnior;
Lúcio Cunha; Maria Amélia de Souza Reis; Maria do Rosário Pinheiro; Maria Madalena Ferreira; Marta
de Alexandria Pereira; Ronaldo Barros Sodré; Rosangela Aparecida de Medeiros Hespanhol; Silvilene de
Barros Ribeiro Morais; Thaís de Oliveira Queiroz; Vítor Murtinho.
Âncora Editora
Avenida Infante Santo, 52 – 3.º Esq.
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O Centro de Estudos Ibéricos respeita os originais dos textos, não se responsabilizando pelos conteúdos, forma e
opiniões neles expressas.
A opção ou não pelas regras do novo acordo ortográfico é da responsabilidade dos autores.
Apoios:
DESENVOLVIMENTO RURAL
Rui Jacinto
Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT)
A XVIIIª edição do Curso de Verão, promovida pelo Centro de Estudos Ibéricos (CEI),
entre 9 e 13 de julho de 2018, sob o lema “Novas fronteiras, outros diálogos: património
cultural, cooperação e desenvolvimento territorial”, ao honrar os compromissos do CEI
com os espaços fronteiriços, (re)afirmou o Centro como uma plataforma com especial
vocação para o diálogo com instituições e investigadores dos Países de Língua Portuguesa.
No ano em que atingiu a maioridade, o Curso de Verão granjeou um reconhecimento que
é atestado pelo número crescente de participantes e pela adesão expressiva de investigado-
res brasileiros participantes na edição deste ano
Introdução
Este trabalho tem como foco a gestão dos recursos nos municípios brasileiros que
foram submetidos às fiscalizações a partir de sorteios públicos, promovidos pela CGU
(Controladoria Geral da União). Optou-se por fazer uma amostra dos municípios envol-
vidos e, com base nesses dados, fazer uma regressão múltipla visando verificar o grau
de determinação da qualidade da gestão dos recursos públicos e a eficiência do sistema
de controle sobre o índice de desenvolvimento humano, sobre a qualidade de vida dos
Amostra
Quadro 01
IFGF
Receita Própria Gastos com Pessoal Investimentos Liquidez Custo da Dívida
Tabela 01
IDHM IFGF
Conceito Valor Conceito Original Equiparado Valor
Muito Alto 0,800 – 1,000 Excelência Muito Alto 0,8 – 1,0
Alto 0,700 – 0,799 Boa Alto >0,6 – 0,8
14 //Novas Fronteiras, Outros Diálogos: Cooperação e Desenvolvimento Territorial
Tabela 03
Correspondência de Pontuação e Conceitual5
IFGF
RNT
IDHM
Em termos de resultados, no período entre 2003 a 2010, foram expulsos 2,5 mil fun-
cionários públicos por corrupção. Assim discriminados: a) uso indevido do cargo = 1.471;
b) improbidade administrativa = 817; c) recebimento de propina = 257. Sendo que 2,4
mil sofreram demissão (funcionário efetivo de carreira), 117 sofreram cassação (funcioná-
rio aposentado), 223 receberam destituição (funcionário não de carreira ocupando cargo
em comissão ou função comissionada).
Os Ministérios que registraram maior número de casos de servidores punidos foram o
Ministério da Previdência Social, com 720 servidores; o Ministério da Educação, com 456;
o Ministério da Justiça, com 370 servidores e o Ministério da Fazenda, com 340 servidores6.
5
Elaboração própria
6
Disponível em: http://www.portaldatransparencia.gov.br/expulsoes/entrada
Os trezentos municípios que compõem amostra assim como todos os municípios que
foram fiscalizados pela CGU do 1º ao 36º sorteio (1.965) apresentaram irregularidades.
Segundo a CGU, em correspondência oficial: “Em atendimento a sua solicitação, infor-
mamos que, da 1ª até a 36ª etapa do então chamado ‘Programa de Fiscalização a Partir de
Sorteios Públicos’, todos os municípios fiscalizados tiveram irregularidades apontadas nos
seus respectivos relatórios”7.
Todos municípios fiscalizados pela CGU expressaram irregularidades que abrange
diversas formas e modalidades de atos ilícitos. Mesmo que em graus diferentes de gravida-
de, como sinaliza a CGU, todas as irregularidades concorrem para prejudicar de alguma
maneira o funcionamento e a qualidade dos serviços públicos atentando contra a coisa
pública, particularmente o erário e, consequentemente, os cidadãos.
Fez-se uma comparação do comportamento dos índices IFGF e RNT com o grau de
incidência de irregularidades (usando o conceito de sem Irregularidade relacionado aos
valores Muito Baixo e Baixo) para verificar a existência ou não de correspondência entre o
montante dos valores Muito Baixo e Baixo do IFGF e do RNT.
Tabela 04
Classificação dos municípios por conceito
IFGF
Conceito MA A M Bx MBx
Quantidade de Municípios 1 30 - 118 151 300
RNT
Conceito MA A M Bx MBx
16 //Novas Fronteiras, Outros Diálogos: Cooperação e Desenvolvimento Territorial
Gráfico 1 – Cruzamento dos Conceitos Baixo e Muito Baixo dos Índices IFGF e RNT
com irregularidades registradas nos municícios
Tabela 05
Classificação por conceito
IFGF
Conceito MA A M Bx MBx
Quantidade de Municípios 1 30 - 118 151 300
RNT
Conceito MA A M Bx MBx
Quantidade de Municípios 53 30 39 40 138 300
IDHM
Conceito MA A M Bx MBx
Quantidade de Municípios 1 86 123 85 5 300
Da regressão múltipla
8
Levou-se em consideração todos os tipos de irregularidades independente da gravidade.
9
Com apoio estatístico de Alexandra Margarida de Albuquerque Bernard e consultoria de Edson Diniz
Ferreira Filho, fez-se uso do SPSS para os testes.
(i) Mantendo-se o IFGF constante: estima-se que, para cada acréscimo na uni-
dade de RNT, haverá um acréscimo médio aproximado de 0,008 por unidade em
termos de IDHM. Tal aumento revela-se significativo, pois p-0,000 é menor que os
níveis de significância usuais.
(ii) Mantendo-se o RNT constante: estima-se que, para acréscimo na unidade
de IFGF, haja um aumento médio aproximado de 0,182 na unidade de IDHM.
Revela-se, assim, bastante significativo porque p-0,000 é menor que os níveis de
significância usuais.
Ainda sobre a Tabela 08, constatou-se através do teste t (Student), a alta significância
dos coeficientes relativos ao IFGF e ao RNT (P_valor = 0,000) . Cabe ressaltar que o IFGF
exerce maior influência do que o RNT (0,341>0,307).
Tabela 07
Coeficientesa
18 //Novas Fronteiras, Outros Diálogos: Cooperação e Desenvolvimento Territorial
Coeficientes
Modelo Coeficientes não padronizados padronizados
B
Erro Padrão Beta T Sig.
1 (Constante) ,528 ,014 37,064 ,000
RNT ,008 ,002 ,307 5,399 ,000
IFGF ,182 ,030 ,341 5,983 ,000
a. Variável Dependente: IDHM
A equação da reta de regressão destes dados é: IDHM = 0,528+0.008 RNT+ 0,182 IFGF.
Isso implica dizer que, através dessa relação, é possível predizer o valor o IDHM
conhecidos os valores do IFGF e RNT.
No entanto, observando-se a Tabela 09, verifica-se que o coeficiente de determinação
ou explicação R² é de 0,261, significando que o IDHM é explicado em 26,1% pelos
índices IFGF e RNT. Ficam 73,9% dependentes de outras variáveis.
Diagnóstico do Modelo:
Tabela 09
Diagnóstico de Colinearidadea
Proporções de variância
Índice de
Modelo Dimensão Autovalor condição (Constante) RNT IFGF
1 1 2,812 1,000 ,01 ,02 ,01
2 ,140 4,488 ,08 ,97 ,13
3 ,049 7,582 ,91 ,01 ,86
a. Variável Dependente: IDHM
O gráfico acima ilustra a dispersão dos resíduos em função dos valores preditos padro-
nizados aparecem acentuadamente aleatórios.
Através do teste Kolmogorov-Smirnov, constatou-se que p=0,200, portanto maior que
os níveis de significância normalmente utilizados. O que significar dizer que a distribuição
dos resíduos se mantém normais.
20 //Novas Fronteiras, Outros Diálogos: Cooperação e Desenvolvimento Territorial
Tabela 11
Testes de Normalidade
Kolmogorov-Smirnova Shapiro-Wilk
Estatística Gl Sig. Estatística gl Sig.
Unstandardized Residual ,052 245 ,200 *
,988 245 ,045
por exemplo, estimaram que 56, 93% do total de municípios possuem tendência alta à
corrupção.10 Isto corrobora a necessidade de mudanças no sistema de transferências inter-
governamental, no sistema de controle e no modelo de gestão municipal.
Discussão
Os recursos fiscalizados pelos sorteios da CGU estão inseridos em uma lógica de des-
centralização e as transferências visam garantir o atendimento de demandas sociais através
do poder local.
10
O Maranhão, a Bahia e Alagoas foram os Estados que mais registraram municípios com essa tendência.
turas era difícil e crítica, sendo que 1/3 em situação crítica e somente 12,1% em condições
boas e somente 0,5% em condições excelentes.
Essa questão tem importância porque as transferências orçamentárias foram estabele-
cidas sem nenhum condicionante, sem exigir ou estabelecer metas e cláusulas de desempe-
nho no tocante ao desenvolvimento humano, nem incentivo à sustentabilidade e melhoria
fiscal dos municípios.
Além disso, no que se refere ao controle e particularmente à ação fiscalizadora, pre-
ventiva, investigativa e de julgamento e punção, inexiste um órgão exclusivamente voltado
para o combate à corrupção.
Essa diferença não é estranha tendo em vista que o percentual de conceitos simi-
lares, isto é, que coincidiram entre os três índices foi de 76,6%, sendo o percentual de
11
Disponível em: http://dapp.fgv.br/estudo-da-fgvdapp-analisa-estrutura-funcionalismo-publico-brasileiro/
12
Disponível em: http://mongagua.sp.gov.br/wp-content/uploads/2017/08/Firjan.pdf
se fosse possível ser outra cousa se não isso mesmo, dada a antinomia aludida. Como se pudes-
sem existir fenômenos políticos sem causas ethhnicas [sic.], históricas e sociaes [sic.]!” (p.05)
A virtude (cívica), segundo Cícero (2008) “firma-se por completo na prática, e seu
melhor uso consiste em governar a República e converter em obras as palavras que se
ouvem nas escolas”.
Considerações finais
Referências
Araujo, Cícero Romão Resende de. A forma da república: da constituição mista ao Estado. São
Paulo. Editora: WMF Martins Fontes, 2013.
Bignotto, Newton (org.). Pensar a República. Belo Horizonte (Brasil): Editora UFMG, 2002.
Campos, Francisco de Assis Oliveira e castelar, Luiz Ivan de Melo. Avaliação da corrupção municipal
a partir de microdados. In: Anais do XLI Encontro Nacional de Economia [Proceedings of the
41th Brazilian Economics Meeting]. ANPEC-Associação Nacional dos Centros de Pósgraduação
em Economia [Brazilian Association of Graduate Programs in Economics], 2014.
Cícero, Marcus Tullius. Tratado da República (Da República). Coleção clássicos da política.
28 //Novas Fronteiras, Outros Diálogos: Cooperação e Desenvolvimento Territorial
Lisboa (Portugal): Editora Círculo de Leitores/ Temas e Debates, tradução, introdução e notas
Francisco de São José de Oliveira, 2008.
Ferrão, João. Poder central, poder regional, poder local: uma perspectiva histórica. Lisboa: Cosmos, 1997.
Kronbauer, Clóvis Antônio et al. Análise de inconsistências apresentadas pelo TCE/RS em audi-
tórias municipais: estudo do controle externo na gestão pública. Revista de Contabilidade e
Organizações, vol. 5, n 12, 2011, p. 48-71.
Motta, Ronaldo Seroa da. e Moreira, Ajax. Eficiência na Gestão Municipal no Brasil. In.: Texto
para Discussão nº 1301. Rio de Janeiro: Ipea, 2007.
Romero, Sílvio. A bancarrota do Regime Federativo no Brasil. Porto (Portugal): Yyp. À vapor de
Arthur José de Souza & Irmãos, succ., 1912.
Viroli, Maurizio. “Machiavelli and the republican idea of politics”, in.: Q. Skinner, Maurizio Viroli
e Gisela Bock. Machiavelli and republicanism. Cambridge: CUP, 1990.
___, Maurizio e Bobbio, Norberto. Diálogo em torno da república. Os grandes temas da política e
da cidadania. Rio de Janeiro: Campus, 2002.
Introdução
O presente artigo tem como objetivo analisar as trajetórias democráticas dos Países
Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP)14 no pós-Guerra Fria, visando a com-
preender o sucesso da democracia nos PALOP insulares (Cabo Verde e São Tomé e
Príncipe) e o seu relativo insucesso nos PALOP continentais (Moçambique, Guiné-Bissau
e Angola). Desse modo, este trabalho almeja contribuir para a literatura sobre as ex-co-
lônias portuguesas na África ao realizar um estudo descritivo e explicativo sobre as suas
O que faz com que uma democracia seja um sucesso (ou insucesso)? Qual é o papel
que as variáveis internas (tais como questões sociais, políticas e econômicas) e externas
(como intervenções militares e soft power) exercem nos processos de transição democrática
em diversos países ao redor do mundo? O arranjo global que se estabeleceu após a vitória
norte-americana na Guerra Fria resultou na concepção da democracia como o regime polí-
tico desejável para os todos os países do mundo (visto que democracias não entrariam em
conflito entre si15), em um cenário no qual a concomitante implementação do liberalismo
econômico também serviria como uma ferramenta para impulsionar o comércio interna-
cional, intensificando a globalização. Estados que até 1990 se encontravam sob a influên-
cia soviética, encontraram nessa “Nova Ordem Mundial” problemas estruturais novos e
15
Este é o preceito basilar da Teoria da Paz Democrática, conforme exposto por Doyle (1995). Para o autor,
a democracia é essencial para o estabelecimento da harmonia e estabilidade do meio internacional. Essa
premissa também é abordada por autores como Fukuyama (1995) quando aborda temas como o “fim da
história” e a relação entre democracia e capitalismo.
testação, é possível analisar variados sistemas políticos que exprimem, em graus distintos,
as condições mencionadas para a democratização. Estes sistemas podem ser exemplifi-
cados pelas hegemonias fechadas, oligarquias competitivas, hegemonias inclusivas e pela
poliarquia. Neste ínterim, quanto maiores forem as contestações e as liberalizações, mais
democrático será o sistema.
Os PALOP insulares, ao longo desse estudo, apresentaram uma série de vantagens que
propiciaram a melhor implantação da sua democracia quando comparados aos PALOP
continentais. Essas vantagens foram verificadas desde a questão geográfica e de tamanho
da sua população (microestados insulares), até aspectos relacionados à ausência de recursos
naturais, à presença de elites políticas mais flexíveis e à ausência de conflitos armados.
Dessa forma, o sucesso da democracia nesses arquipélagos lusófonos é explicado pela com-
binação de diversas variáveis que fomentaram um cenário de estabilidade social, política
e econômica no momento da liberalização e transição democrática. Conforme citado
anteriormente, este trabalho dividiu-se em três estudos de caso pautados em momentos
históricos distintos: a) período colonial (1950-1975); b) período unipartidário (1975-
1990) e c) período após o fim da Guerra Fria (após 1990).
Durante o período colonial, nenhum dos PALOP possuía direitos políticos ou liberdades
civis significativas. Além disso, os seus cenários domésticos apresentavam muitas outras simi-
laridades, a saber: os Estados insulares refletiam um desenvolvimento social um pouco melhor
do que o observado nos seus pares continentais, mas todos eles demonstraram um baixo valor
para essa variável de 1950 a 197516. Da mesma forma, todos eles detinham um reduzido cres-
cimento econômico, que se explicava tanto pelas limitações por serem microestados insulares
nos casos de Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, quanto pela destruição causada pelas guerras
de independência nos cenários de Moçambique, Guiné-Bissau e Angola17. Destaca-se, tam-
18
Em 1990, O PIB per capita de Cabo Verde era de US$1.233,45, o de São Tomé e Príncipe era de US$
1.390,74, o de Moçambique era de US$1.113,65, o de Guiné-Bissau era de US$797,20 e, finalmente, o de
Angola era de US$868,07. Verifica-se que, entre 1975 a 1990, os dados referentes ao desenvolvimento econô-
mico nos PALOP insulares eram superiores aos apresentados pelos seus pares continentais (V-DEM, 2018).
19
Em 1990, a expectativa de vida era de 66,08 anos em Cabo Verde, 61,81 em São Tomé e Príncipe, 43,64 em
Moçambique, 49,09 na Guiné-Bissau e 41,15 em Angola. Para fins de comparação, a expectativa de vida em
1975 era de 60,84 anos no Brasil, 68,93 em Portugal, 72,68 nos EUA, 74,41 no Japão, 64,2 na Coreia do
Sul e 54,54 na África do Sul. Já em 1990, os valores era de 66,47 para o Brasil, 74,25 para Portugal, 75,40
para os EUA, 79,04 para o Japão, 71,72 para a Coreia do Sul e 62,10 para a África do Sul (V-DEM, 2018).
No que tange à mortalidade infantil, em 1990 esse valor era de 47,30 em Cabo Verde, 66,60 em São Tomé
e Príncipe, 155,10 em Moçambique, 122,40 na Guiné-Bissau e 126,10 em Angola (V-DEM, 2018). Em
1990, a quantidade de anos de escolaridade dos cidadãos com mais de 15 anos de idade era de 3,85 anos em
Cabo Verde, 4,75 em São Tomé e Príncipe, 1,95 para Moçambique, 1,53 para a Guiné-Bissau e 1,84 para
Angola. Para fins de comparação, em 1990 esses valores eram 6,35 para o Brasil, 5,51 para Portugal, 11,35
para o Japão, 10,28 para a Coreia do Sul, 11,35 para os EUA e 5,68 para a África do Sul (V-DEM, 2018).
Além de todos esses fatores, que de maneira longitudinal explicam o sucesso da demo-
cracia nos PALOP insulares, destaca-se o desejo da população desses Estados em realizar
a alternância de poder partidário já nas primeiras eleições de 1991. Esse fenômeno foi
observado nos resultados das primeiras eleições legislativas e presidenciais de ambos os
países, nos quais a mudança política foi realizada com a vitória dos partidos de oposição,
representados pelo Movimento para a Democracia (MpD) em Cabo Verde e pela Ação
Democrática Independente (ADI) em São Tomé e Príncipe (destacando-se que a ADI
obteve maior votação no Parlamento, sendo eleito no âmbito presidencial um candidato
independente, mas de oposição ao MLSTP).
Por outro lado, a alternância efetiva de poder partidário não ocorreu tanto em Angola
quanto em Moçambique, que permanecem até a atualidade governados pelo mesmo partido
político. Além disso, houve apenas um momento na Guiné-Bissau no qual o país não foi lide-
rado pelo PAIGC, que ocorreu durante as eleições de 1999/2000. Contudo, a transição não foi
efetiva porque o presidente eleito não foi capaz de terminar o seu mandato, sofrendo um golpe
Por meio da abordagem comparada utilizada neste estudo, foi possível identificar
alguns dos principais fatores domésticos e externos que ajudam explicam o êxito da
democracia liberal em Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, o seu relativo insucesso em
Moçambique, Guiné-Bissau e Angola.
Analisando-se somente a VIP (variável independente principal), que neste estudo é
expressa pela estabilidade social, política e econômica dos PALOP no momento da demo-
cratização, a VEXT (variável externa), denotada pelas pressões internacionais direcionadas
aos PALOP para a democratização no pós-Guerra Fria e a VD (variável dependente),
expressa pelo sucesso da transição democrática, é possível construir a seguinte tabela:
Tabela 1
Análise comparada dos PALOP considerando a variável externa,
a variável independente principal e a variável dependente
Países/ Variáveis VEXT VIP VD
PALOP insulares S S S
Moçambique S N N*
PALOP continentais (Guiné-Bissau e Angola) S N N
Valores: S= presença; N= ausência; N*= ausência relativa
Fonte: Queiroz, 2017, p. 226.
Referências
African Elections. African Elections Database – A database of election results in Sub-saharan Africa,
2016. Disponível em http://africanelections.tripod.com/ Acesso em 5 de dezembro de 2018.
Banco Mundial. World Data Bank, 2015. Disponível em http://databank.worldbank.org/data/
reports.aspx?Code=SP.POP.TOTL&id=af3ce82b&r eport_name=Popular_indicators&popu-
lartype=series&ispopular=y Acesso em 05 de dezembro de 2018.
Dahl, Robert. Polyarchy: Participation and Opposition. New Haven: Yale University Press, 1972.
22
O termo “otimismo cauteloso” foi utilizado por Saraiva (2008) no artigo “África na Ordem Internacional do
Século XXI: mudanças epidérmicas ou ensaios de autonomia decisória”.
Introdução
O presente artigo tem por objetivo analisar o panorama da questão racial no Brasil
entre janeiro de 1946 e junho de 2013. A partir das lentes teóricas da Acomodação,
Assimilação e Integração foi feita a análise e interpretação dos resumos dos projetos de lei
apresentados por parlamentares da Câmara dos Deputados entre janeiro de 1946 e junho
de 2013 que apresentavam temática racial. A intuito principal deste estudo foi verificar
como os parlamentares abordaram raça na esfera política, a partir do legislativo, bem como
na sociedade, pois esses problemas já vinham sendo ignorados pelo Estado por décadas. É
importante ressaltar que o movimento negro não encontrou apoio direto para suas deman-
das em partidos de direita ou de esquerda e que, na época, a única conquista política em
termos legislativos foi a criação da primeira lei anti-discriminação para espaços públicos,
a Lei Afonso Arinos, de 1951. Ainda assim, essa lei foi consequência de um escândalo
internacional envolvendo uma bailarina americana negra que teve sua estada proibida em
um hotel de São Paulo, ou seja, não foi consequência das pressões sociais sobre a questão
racial (Domingues, 2007).
O processo político e social que deu origem à emergência de uma identidade brasileira
não foi espontâneo, mas sim fruto de duas ditaduras, o Estado Novo, entre 1930 e 1945
e, mais tarde, a Ditadura Militar, nos anos 1960 e 1970. No entanto, uma sociedade
democrática e plural de fato somente seria possível caso as desigualdades fossem superadas
(Reis, 2000). Havia, ainda, uma falta generalizada de políticas específicas para integração
Legislativo e análise
Processo legislativo brasileiro
O processo legislativo brasileiro segue as regras internas da Câmara dos Deputados e
do Senado Federal, além da Constituição Brasileira de 1988. O Congresso Nacional é uma
instituição bicameral composta pela câmara baixa, a Câmara dos Deputados e pela câmara
alta, o Senado. Ambos trabalham de forma autônoma e, quando uma proposição nova é
apresentada, esta é analisada por uma e revisada pela outra (Pacheco, 2013). O poder de
definição da agenda política pode ser favorecido em certos cargos. Nesse sentido, os presi-
50 //Novas Fronteiras, Outros Diálogos: Cooperação e Desenvolvimento Territorial
Base de dados
O principal questão era explicar como o Brasil lidou com a questão racial em uma
sociedade historicamente segregada tendo por base as teorias de Assimilação, Acomodação
Após a análise pode-se dizer que, embora a grande maioria das proposições tenha sido
classificada como Acomodacionista, não se pode afirmar que a abordagem geral dos gover-
nos seguiu integralmente a teoria. Os projetos se demonstraram muito híbridos tendo,
por vezes, a Acomodação muito associada à Integração. Não houve, no entanto, projetos
classificados simultaneamente como Acomodacionistas e Assimilacionistas, o que pode
mostrar indícios de que ambas as teorias estariam em lados opostos, quando comparadas.
Dentre os projetos apresentados durante quase sete décadas em relação aos que de fato
foram aprovados, há uma grande diferença. Apenas 10% dos projetos de temática racial
foram aprovados, dentre os 183.
Outro fato importante é observar que o aumento de propostas Acomodacionistas
tanto nos anos 60 e, depois, nos anos 90, pode estar associado às pressões apresentadas
pelas articulações do(s) movimento(s) negro(s) desse período.
Finalmente, as teorias de Acomodação, Assimilação e Integração servem, no presente
estudo, como instrumento para compreender melhor a realidade do legislativo brasileiro
através dos anos no que tange o debate sobre a questão racial nessa esfera. Apesar de ideo-
logias fortemente Integracionistas e, por períodos, Assimilacionistas, a classificação dos
projetos demonstra que as abordagens Acomodacionistas predominaram mesmo quando
associadas à Integração. Portanto, a abordagem do Estado, do ponto de vista legislativo,
neste período, esteve fortemente associada à Integração e à Acomodação.
Referências
Introdução
segmentos da sociedade capitalista que não possuem os meios de produção e estão, portan-
to, sob o domínio econômico, político e ideológico das classes que representam o capital
no conjunto das relações de produção e das relações de poder: assalariados dos setores
caracterizados como primário, secundário e terciário (elementos dos setores produtivo e
improdutivo); os que exercem atividade manual e os que exercem atividade não manual
e intelectual. Incluem-se, ainda, os segmentos não incorporados ao mercado de trabalho,
que são os trabalhadores em potencial, inclusive o exército industrial de reserva, que é um
segmento extremamente funcional para o capitalismo.
No pensamento gramsciano, a dinâmica da relação entre classes dominantes, clas-
ses dirigentes e classes subalternas só se explicita quando se tomam, dialeticamente, as
categorias sociedade política ou Estado e sociedade civil. Gramsci estabelece duas gran-
des esferas na superestrutura: a esfera da sociedade civil e outra da sociedade política ou
Estado. Ambas as esferas superestruturais formam, em conjunto, o que Gramsci define
Quando uma classe controla o Estado e impõe-se às demais classes através do apa-
rato jurídico-político, ela se torna dominante. Mas pode, também, ser dirigente quando
estabelece relações orgânicas com a sociedade civil. É a capacidade que tem uma classe de
ser, ao mesmo temo tempo dominante e dirigente, hegemônica, que consolida a unidade
histórica de determinada(s) classe(s).
As classes subalternas necessitam, de modo geral, dessa unidade histórica porque não
dispõem do controle sobre o Estado nem exercem a hegemonia sobre as demais classes.
Entretanto, essa unidade é construída e a sua consolidação supõe, inclusive, que as classes
se tornem dirigentes, antes mesmo de serem dominantes.
Para Gramsci, entre os grupos subalternos um tenderá a exercer a hegemonia sobre os
demais através do partido, concebido como intelectual coletivo. O grupo a que Gramsci se
refere é o proletariado industrial, à medida que consegue criar um sistema de aliança com
os demais grupos e frações de classes afins e mobilizar o conjunto dessas classes contra o
Esse crescimento do precariado global tem sido acompanhado por uma violência,
também crescente, com o objetivo de assegurar a reprodução ampliada da exploração e da
espoliação social.
Na análise da inquietação social do precariado pós-crise da globalização no Sul global,
segundo a análise de Braga (2017), é de que a característica mais marcante da acumulação
capitalista é a permanente transição da centralidade de acumulação por exploração eco-
nômica para a centralidade da mercantilização do trabalho, da renda e do dinheiro e vice-
-versa. Com essa concepção, busca apoio em Harvey (2004; 2016) que, em seu projeto
de reconstrução da teoria de Marx à luz das contradições do capitalismo contemporâneo,
defende a tese de que “no centro daquilo que define fundamentalmente o capitalismo,
existe uma economia baseada na espoliação”. (Harvey, apud Braga, 2017, p. 246).
Para Harvey (2016), a acumulação capitalista apoia-se em dois processos mutuamen-
te dependente: a exploração econômica do trabalho assalariado nos locais de produção
de mais valor (o salário representa cada vez uma fração menor do valor produzido) e a
espoliação violenta dos setores não totalmente mercantilizados da economia (o desapa-
recimento progressivo dos antigos direitos trabalhistas, os ataques ao sistema público de
entretanto argumenta não existir uma contradição de fundo que oponha os interesses
dos trabalhadores precários aos trabalhadores organizados. Em sua análise, aponta que do
mesmo modo que ocorreu em Portugal, quando a mobilização de jovens precários desa-
fiou o sindicalismo tradicional, o exemplo sul-africano revelou que, mesmo em condições
de fusão do aparelho sindical ao Estado, uma ação sindical renovada pela mobilização
das bases é capaz de alcançar vitórias em questões de interesses dos trabalhadores. Se em
Portugal o precariado deparou com um sindicalismo permeável aos movimentos sociais,
na África do Sul os trabalhadores terceirizados enfrentaram um poder refratário à partici-
pação democrática, além de centralizado pelo Estado. Mesmo assim, em ambos os casos
é possível identificar que será por meio da pressão dos jovens trabalhadores precários que
o sindicalismo encontrará recursos para superar sua crise. “A reinvenção democrática do
movimento sindical fortalecerá a mobilização do precariado, elevando-o a um patamar
superior em termos de organização política”. (Braga, 2017, p. 222).
Sobre processos revolucionários importantes nas lutas sociais por projetos alternativos
de mudança social, em Portugal, Braga (2017) destaca um vigoroso ciclo de mobilização
Conclusão
A apreensão feita das questões aqui expostas, me permitem concluir pensando a atua-
lidade da sociedade brasileira que vivencia, neste momento histórico, uma profunda crise
estrutural e, fundamentalmente política, onde a luta das classes se tornou mais explicita
com o excessivo avanço do pensamento conservador das elites reacionárias do país.
Essas elites reacionárias têm o Estado sob controle e impõe-se às demais classes, em
particular às classes subalternas, através do aparato jurídico-político e coercitivo, man-
tendo-se dominante pela força e atos golpistas, destruindo processos democráticos com
argumentos farsantes de combate à corrupção, da qual são os principais protagonistas.
Estendendo tal reflexão aos países do “Sul global”, mas resguardando as suas particu-
laridades, concluo que o efeito dos movimentos protagonizados pelo precariado urbano é
desigual, mas, de modo geral tem pressionado as formas tradicionais de organização dos
trabalhadores, sobretudo os sindicatos e os partidos políticos, na direção de lutas sociais
mais amplas. Trata-se de uma transformação em termos de protagonismo político que,
embora perdendo o foco na produção, alcançou certa relevância, conectando-se à esfera da
vida cotidiana das classes subalternas em diferentes contextos nacionais.
Trata-se da atualização do conhecido argumento, segundo o qual em países semiperifé-
Referências
Braga, Ruy. Rebeldia do Precariado – trabalho e neoliberalismo no Sul global. São Paulo: Boitempo,
2017.
___A política do precariado: do populismo à hegemonia lulista. São Paulo: Boitempo, 2012.
Introdução
Este artigo tem como objetivo apresentar o monumento histórico Forte Real Forte
Príncipe da Beira, também conhecido como Fortaleza do Príncipe da Beira, localizado
à margem direita do rio Guaporé, atual município de Costa Marques, no Estado de
Rondônia, fronteira do Brasil com a República da Bolívia, como um testemunho do
período colonial na Amazônia Ocidental construído de forma estratégica durante o Brasil
Colônia, resultante da política pombalina de demarcações de fronteira no Brasil pela
25
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística é um instituto público da administração federal brasileira
criada em 1934 e instalada em 1936 com o nome de Instituto Nacional de Estatística (Portal do IBGE).
Figura 1- Localização do Município de Costa Marques no Estado de Rondônia – Brasil – América do Sul
Elaboração: Marta Pereira Alexandria, 2018
26
IPEF - Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais e Embrapa Agrossilvipastoril.
Breve histórico
Figura 02. Vista Parcial do Forte Príncipe da Beira, as margens do Rio Guaporé.
Fonte: Governo do Estado de Rondônia- Brasil
que se vive. Em 2011 o Ministério do Turismo concebeu novas políticas que propõem a
atividade turística como um “setor estratégico com capacidade para criar postos de traba-
lho; contribuir para a valorização e a proteção do nosso patrimônio; dinamizando outros
setores econômicos; melhorando a qualidade de vida das cidades, populações e comunida-
des visitadas; além da geração de divisas e rendas”30. Ficando da seguinte forma a contex-
tualização para a caracterização da coleta de dados para o Inventário da Oferta Turística:
Inventariar significa registrar, relacionar, contar e conhecer aquilo de que se
dispõe e gerar informação, para pensar de que maneira se pode atingir determinada
meta. No caso do turismo, o inventário consiste em levantar, identificar, registrar e
29
O Ministério do Turismo é uma organização governamental criada para desenvolver e estimular o turismo. Cabe
também ao Ministério Público fiscalizar e fazer com que a cidade e os cidadãos se sintam beneficiados com o turismo.
30
BRASIL, Ministério do Esporte e Turismo/EMBRATUR. Inventário da Oferta Turística – metodologia.
Brasília: Embratur, 2001. p. 26
Esta área de fronteira é uma região inexplorada para vários segmentos do turismo de
observação ou do ecoturismo. Os estudos que estão sendo realizados contribuirão para
identificar outros seguimentos do turismo, por exemplo o comunitário, para as diver-
sas comunidades tradicionais existentes neste trecho de fronteira, beneficiada pelo clima
quente e úmido e que apresentam belas paisagens compostas pelos rios, lagos, grutas,
floresta de grande porte e campos dentre outros elementos da flora e fauna riquíssima,
proporcionando ao visitante um turismo de contemplação ou de intervenção, visto que o
extrativismo ainda predomina nas comunidades, com a caça e pesca, não predatórias e que
poderão ser experiências: turismo de vivencia.
Devido as praias fluviais que se formam entre abril e setembro de cada ano, o governo
local desenvolve eventos nas praias ao longo do Rio Guaporé. Este ano 2018 acontecerá
o xviii festival31 de praias, evento este que é tradicional na Cidade de Costa Marques,
contudo, o monumento histórico Forte Príncipe estar candidato como patrimônio da
humanidade, este espaço tende a receber um contingente bem maior de pessoas para
32
A EMBRATUR criada em 18 de novembro de 1966 como Empresa Brasileira de Turismo, tinha o objetivo
de fomentar a atividade turística ao viabilizar condições para a geração de emprego, renda e desenvolvimento
em todo o país.
Referências
Borzacov, Yêdda Maria Pinheiro. Forte Príncipe da Beira. apud: Governo de Rondônia/Secretaria
de Educação e Cultura. Calendário Cultural 1981/85. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado,
1981.
Brasil. Ministério do Turismo. Ecoturismo: orientações básicas. Ministério do Turismo, Secretaria Nacional
de Políticas de Turismo, Departamento de Estruturação, Articulação e Ordenamento Turístico,
Coordenação Geral de Segmentação. 2. ed. – Brasília: Ministério do Turismo, 2010. 90p.; 24 cm.
___, Ministério do Turismo. Segmentação do turismo e o mercado. Ministério do Turismo,
Secretaria Nacional de Políticas de Turismo, Departamento de Estruturação, Articulação e
33
Os destinos indutores do desenvolvimento turístico regional são aqueles que possuem infraestrutura básica e
turística além de atrativos qualificados e são capazes de atrair e/ou distribuir significativo número de turistas
para seu entorno e dinamizar a economia do território em que está inserido. (Site do Ministério do Turismo).
Introdução
34
www.g1.globo.com/ro/rondonia/rondonia-tv/videos/v/porto-velho-nao-tem-prazo-para-construir-aterro-
sanitario/6272349/
35
www.newsrondonia.com.br/noticias/vila+princesa+a+favela+onde+400+familias+vivem+do+lixo/107973
36
Cooperativa de Reciclagem de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis e Reutilizáveis da Rede
de Economia Solidaria-CNPJ- 12.543.027/0001-00- Natureza jurídica, 207-0 - Sociedade Empresária em
Nome Coletivo- Endereço- R Estrada da REMA, S/N, KM 11 da BR 364, Bairro VILA PRINCESA-
Cidade Porto Velho- CEP 76.808-695
37
Associacao Comunitaria das Mulheres da Vila Princesa
socorro para emergencias de acidentes com algum catador ou morador, provocados pelo
não uso de EPIs42 por desconhecimento da obrigatoriedade de uso para sua segurança;
o Pronto Socorro oficial da cidade está localizado à 15 Km de distancia e o transporte
costuma ser feito com os veiculos da cooperativa ou de qualquer morador (quando em
condiçoes de trafegar); em sua maioria são veículos sucateados, adquiridos para transporte
dos materiais coletados no lixao ou nas ruas da cidade improprios para esta funçao.
Esta população é conhecida pela comunidade academica da Universidade Federal de
Rondônia (UNIR) desde 1988, e ao longo do tempo, tem desenvolvido atividades de
38
Escola Municipal, de Ensino Fundamental João Afro Vieira, localizada na Vila Princesa em Porto Velho/RO
39
Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente de Porto Velho/RO (DEPCA) (2009)
40
Decreto nº 5.948/2006, Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, Ministério da Justiça/Brasil
41
Tráfico de Pessoas na Fronteira, ENAFRON (2012)
42
Equipamentos de Proteção Individual
Referências
DRZ Geotecnologia e Consultoria Ltda, Panorama dos Resíduos Sólidos de Rondônia, Porto
Velho, 2014
EIA/RIMA, Aterro Sanitario – Municipio de Porto Velho, Rondônia, 2013
Freire, P, A Importância do Ato de Ler, em três artigos que se completam, Coleção Polemica dos
Nossos Tempos-4- 23a edição, Cortez Editora/Autores Associados, São Paulo, 1989;
___, Pedagogia do Oprimido, Editora: Paz e Terra, 2011
Governo Brasileiro, Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e SENAES/PNAES, 2013 e 2015
Máximo, Maria Auxiliadora, Violência Infantil: Um Olhar Foucaultiano na Comunidade Vila
Princesa em Porto Velho/RO, Campo Grande-MT, 2009
Sites visitados
www.portalresiduossolidos.com
www.planodiretor.portovelho.ro.gov.br
www.portovelho.ro.gov.br
82 //Novas Fronteiras, Outros Diálogos: Cooperação e Desenvolvimento Territorial
www.trabalho.gov.br/trabalhador-economia-solidaria
www.capacidades.gov.br
Introdução
Este estudo foi realizado nos anos 90 do século XX. Por conseguinte, são passados 22
anos. Se 22 anos parecem pouco tempo, o certo é que num tempo em que é o tempo do
digital, da fibra óptica, do acontecimento em direto visível de forma global, num tempo
de uma sociedade que evolui de forma alucinante, então, poderemos dizer que 22 anos, é
de facto muito tempo. No entanto, será oportuno lembrar, que o tempo é uma grandeza
relativa, como o demonstrou Albert Einstein.
Será pois essencial aqui e agora referir e fazer o enquadramento, ainda que de forma
breve, dos anos 90 do século XX.
Assim, lembramos que os anos 90 foram marcados por factos muito marcantes para
todos nós e que nos ajudaram a progredir na história humana cheia de vicissitudes e de
descobertas que ainda hoje estão presentes no nosso dia-a-dia. Será lícito referir que mais
precisamente no ano de 1990 a África do Sul, um Estado importante em que vigorava um
84 //Novas Fronteiras, Outros Diálogos: Cooperação e Desenvolvimento Territorial
regime marcado pela segregação racial, uma sociedade anacrónica em que havia uma injus-
ta e injustificada descriminação de brancos e negros devido a um conjunto de factores que
passavam por questões históricas e privilégios completamente injustificados da raça branca
– uma minoria no país – sobre a raça negra, acaba oficialmente com o regime de apartheid
já então condenado pela Comunidade Internacional. Ainda ligado a este tema poderemos
dizer que em 1994 o Mundo assiste a um facto muito importante e que marcará de forma
indelével a história humana pois é nessa data que se concretiza a eleição democrática de
um negro como Presidente da República da África do Sul. Foi ele, Nelson Mandela que
havia sido condenado a prisão perpétua. Este esteve encarcerado durante 28 anos e só foi
libertado devido às circunstâncias já atrás referidas – o fim do apartheid.
Sobre os anos 90, poderemos ainda dizer que ficam marcados pelo desenvolvimento
científico e tecnológico. Assim, é de salientar o enorme crescimento da utilização da inter-
net. Esta tornou-se mais acessível aos cidadãos e daí, encurtou distâncias e democratizou
Enquadramento metodológico
Falar do perfil dos professores que lecionavam no Distrito da Guarda nos anos 90 é o
nosso propósito. Esta é uma questão que foi então tratada por nós e para isso recorremos
a um conjunto de indicadores que ao tempo nos pareceram adequados. Num texto com
estas características e estas limitações espaciais e temporais, tivemos que fazer opções relati-
vamente ao que destacar, pois esta questão foi analisada na altura num trabalho mais vasto
com muitos e variados indicadores que foi necessário seriar. É pois neste contexto que aqui
86 //Novas Fronteiras, Outros Diálogos: Cooperação e Desenvolvimento Territorial
O DISTRITO DA GUARDA
Distrito da Guarda,
Região das duas Primaveras:
A da Neve e a das Flores.
Barroco, M. (1978, p. 14)
Esta é a realidade deste Distrito e por isso vale a pena partir dela, pois, é bom ter em
conta que para promover uma política estruturada do desenvolvimento sustentado de uma
qualquer região tem que se partir do domínio e conhecimento estruturado da realidade
objectiva dessa mesma região.
Assim sendo, as questões da cultura e do ensino tornaram-se fundamentais para a
promoção desse desejado desenvolvimento, e assim, inverter este caminho que nos levará,
por certo, a mais despovoamento e abandono deste vasto território.
O Distrito em termos de estruturas de ensino detém um moderno e bem apetrechado
Instituto Politécnico na Cidade da Guarda, com um Pólo em Seia. Tinha, ao tempo, o
Instituto Superior de Administração e Comunicação (ISAC) – entretanto extinto por falta
de alunos.
Escolas
Como poderemos constatar, quer as escolas quer a sua localização geográfica são bem
representativas do contexto escolar do Distrito da Guarda.
Quadro 2
Escolas onde passámos os questionários agrupadas em função do número de Alunos
ESCOLAS FREQUÊNCIAS %
Escolas com frequência até 250 Alunos
Preparatória de Pinhel 27 10,55%
C+S de Vila Franca Naves 28 10,94%
Preparatória de Fig. Castelo Rodrigo 17 6,64%
Sub -Total 72 28,13%
Escolas com frequência de 251 a 500 Alunos
EB 2 3 de Almeida 14 5,47%
EB 2 3 de Trancoso 29 11,33%
EB 2 3 de Vilar Formoso 36 14,06%
EB 2 3 de Aguiar da Beira 27 10,55%
Sub-Total 106 41,41%
Escolas com frequência superior a 501 Alunos
Secundária de Trancoso 16 6,25%
EB 2 3 de Celorico da Beira 29 11,33%
Secundária de Pinhel 27 10,55%
C+S de S. Miguel 1 0,39%
Afonso de Albuquerque Guarda 4 1,56%
EB 2 3 Santa Clara 1 0,39%
Sub -Total 78 30,46%
Totais 256 100,00%
três grupos tendo em conta o número de alunos por cada escolas. Assim, temos um grupo de
escolas que têm um número de alunos a frequentá-la que é mais reduzido, até 250 alunos,
que corresponde, na nossa amostra a um total de 72 docentes e um valor percentual de
28,13%. Temos depois um grupo de docentes 106, a que corresponde um valor percentual
de 41,41% que leciona num grupo de escolas designadas por nós de escolas médias – tendo
em consideração o seu número de alunos – entre 251 e 500 alunos – seguindo-se um grupo
de escolas maiores cuja frequência de alunos é superior a 501 a que corresponde na nossa
amostra a 78 docentes e a um valor percentual que se cifra em 30,46%.
Em seguida vamos analisar o que corresponde à distribuição geográfica dos nossos
respondentes por localidades.
Quadro 3
Localidades onde passámos os questionários
Localidades FREQUÊNCIAS %
Pinhel 54 21,09%
Vila Franca das Naves 28 10,94%
Trancoso 45 17,58%
Aguiar da Beira 27 10,55%
Almeida 14 5,47%
Figueira Castelo Rodrigo 17 6,64%
Vilar Formoso 36 14,06%
Guarda 6 2,34%
Celorico da Beira 29 11,33%
Totais 256 100,00%
Quadro 4
Localidades onde passámos os questionários agrupadas
LOCALIDADE FREQUÊNCIAS %
Assim, este estudo incidiu sobre 67 sujeitos que exerciam a profissão de professores
em estabelecimentos da raia espanhola o que corresponde a uma percentagem de 26,17%
e a 189 sujeitos que exerciam a sua profissão de professor fora dessa zona da raia a que
corresponde a um valor percentual de 73,83%.
Quadro 5
Escolas por sector de ensino
SECTOR DE ENSINO FREQUÊNCIAS %
2º Ciclo 119 46,48%
3º Ciclo 46 17,97%
Secundário 91 35,55%
Totais 256 100,00%
Quadro 6
Grupos disciplinares a que pertencem os sujeitos
GRUPO DISCIPLINAR FREQUÊNCIAS %
1º Preparatório 21 8,20%
2º Preparatório 16 6,25%
3º Preparatório 11 4,30%
4º Preparatório 26 10,16%
5º Preparatório 16 6,25%
E. Musical 9 3,52%
T.T.M. 5 1,95%
T.M.F 7 2,73%
Educação Física 15 5,86%
46
A especificação dos Grupos Disciplinares estão de acordo com o mapa III (Ensino Preparatório) e mapa IV (Ensino
Secundário) publicados no Diário da República – II Série, N.º 40, p. 2044-(42) de 17-02-1997. Aviso de abertura dos
concursos de Professores dos Ensinos Básico (2º e 3º Ciclos) e Secundário.
Quadro 7
Como poderemos verificar, a maior parte dos respondentes pertencem ao grupo que
designámos como pertencentes às Humanidades. São no total deste grupo 104 docentes,
a que corresponde um valor em percentagem de 40,62%. Segue-se o grupo de docentes
que agrupámos e designámos de Ciências, com um total de 92 sujeitos a que corresponde
um valor em percentagem de 35,94%, e o grupo mais pequeno pertence ao grupo que
designámos, de Artes e Desporto com um total se 60 docentes a que corresponde um valor
94 //Novas Fronteiras, Outros Diálogos: Cooperação e Desenvolvimento Territorial
em percentagem de 23,44%.
Fizemos este tipo de agrupamentos porque temos a convicção de que agrupámos
grupos com algumas características que considerámos comuns nas suas especificidades
científica.
Em seguida vamos analisar as idades dos docentes.
Quadro 8
Idades dos sujeitos
IDADES FREQUÊNCIAS %
23 6 2,34%
24 11 4,30%
25 9 3,52%
26 15 5,86%
27 12 4,69%
28 15 5,86%
29 11 4,30%
30 9 3,52%
31 14 5,47%
32 12 4,69%
33 12 4,69%
34 5 1,95%
35 17 6,64%
36 14 5,47%
37 5 1,95%
38 7 2,73%
39 5 1,95%
40 5 1,95%
41 7 2,73%
42 6 2,34%
43 4 1,56%
Por género
A nossa amostra é constituída por 152 mulheres e 104 homens. Assim, podemos
verificar que foram as mulheres que responderam maioritariamente ao nosso questionário,
o que é coerente com a distribuição do universo estudado uma vez que há mais mulheres
como docentes do que homens.
Assim a Moda é mulheres.
Situação profissional
Como se pode verificar no quadro 9, a maior parte dos nossos respondentes são do
96 //Novas Fronteiras, Outros Diálogos: Cooperação e Desenvolvimento Territorial
quadro de nomeação definitiva, são 149 sujeitos, que representam 58,20% dos nossos
respondentes. Docentes contratados responderam 92 sujeitos a que corresponde um valor
em percentagem de 35,94%, seguem-se os sujeitos pertencentes ao quadro de zona peda-
gógica, foram os que responderam em menor número, 15 no total, a que corresponde um
valor percentual de 5,86%.
Esta realidade observada pode ser constatada no quadro 9 que se segue:
Quadro 9
Situação profissional dos sujeitos
SITUAÇÃO PROFISSIONAL FREQUÊNCIAS %
Quadro de Nomeação Definitiva 149 58,20%
Quadro de Zona Pedagógica 15 5,86%
Contratado 92 35,94%
Totais 256 100,00%
Quadro 10
Anos de serviço docente dos sujeitos
ANOS DE SERVIÇO FREQUÊNCIAS %
0 8 3,13%
1 17 6,64%
2 21 8,20%
3 22 8,59%
4 12 4,69%
5 12 4,69%
6 16 6,25%
7 10 3,91%
8 8 3,13%
9 7 2,73%
10 19 7,42%
11 6 2,34%
Quadro 11
Anos de serviço docente dos sujeitos – agrupadas
ANOS DE SERVIÇO FREQUÊNCIAS %
Até 10 anos de serviço docente 153 59,76%
Mais de 10 anos de serviço 103 40,24%
Totais 256 100,00%
a Moda é de 3 anos de serviço docente, a Média dos anos de serviço dos respondentes é de
10,113 anos e a Mediana é de 9 anos.
Estes dados confirmam o que havíamos referido anteriormente quando abordámos a
idade dos docentes que lecionavam no Distrito da Guarda no ano letivo de 1996/1997.
Realização profissional
A realização Profissional dos sujeitos é, como é bem sabido, uma questão muito importante
quer para os sujeitos, quer para as organizações em que os mesmos exercem as suas atividades.
Por isso, quisemos saber se os nossos respondentes se sentiam realizados profissionalmente ou
não. Os resultados brutos que obtivemos são os que se descrevem no quadro 12 que se segue:
Quadro 13
Realização profissional apresentada de modo agrupado
REALIZAÇÃO PROFISSIONAL FREQUÊNCIAS %
Nada realizado; Pouco realizado e Assim/Assim 95 37,11%
Realizado; Totalmente realizado 161 62,89%
Totais 256 100,00%
Quadro 14
Conhecimento do regulamento interno das escolas pelos Docentes
CONHECIMENTO DO REGULAMENTO INTERNO FREQUÊNCIAS %
Não responderam 2 0,78%
Não conheço 6 2,34%
Conheço mal 29 11,33%
Conheço bem 157 61,33%
Conheço muito bem 62 24,22%
Totais 256 100,00%
O quadro anterior retrata as respostas dadas pelos docentes em estado puro o que
nos permite fazer uma leitura da realidade objetiva. No entanto, para posterior tratamento
estatístico agrupámos as respostas – como se revela no quadro que a seguir apresentamos
– uma vez que agrupados desta forma poderá tornar os mesmos mais esclarecedores:
Quadro 15
Conhecimento do regulamento Interno com os sujeitos agrupados
CONHECIMENTO DO REGULAMENTO INTERNO FREQUÊNCIAS %
Não conheço / Conheço mal 34 13,39%
Conheço bem / Conheço muito bem 220 86,61%
Totais 254 100,00%
100 //Novas Fronteiras, Outros Diálogos: Cooperação e Desenvolvimento Territorial
Como poderemos verificar, os nossos respondentes na sua grande maioria, isto é, 220
sujeitos a que corresponde um valor percentual de 86,61% referiu que conhece bem/conhece
muito bem, o regulamento interno da escola onde trabalha. Uma minoria, que se cifra em 34
sujeitos a que corresponde um valor percentual de 13,39% refere que não conhece/conhece
mal o regulamento interno da escola onde desenvolve a sua atividade docente.
Ora, com estes números tão elucidativos poderemos dizer que os docentes conhecem
bem o regulamento interno das escolas a que estão vinculados o que é um bom presságio
para que os mesmos o possam divulgar junto dos seus alunos e todos em conjunto possam
assim contribuir para que a escola possa desenvolver bem o seu papel como organização
edificadora do futuro. Isto é, contribuir para o desenvolvimento de uma sociedade mais
instruída e cada vez mais responsável.
Como poderemos constatar, quer as escolas quer a sua localização geográfica são bem
representativas do contexto escolar do Distrito da Guarda.
Por conseguinte, para organizar o nosso trabalho e podermos retirar algumas conclusões
importantes para concretizar o nosso projeto de investigação, subdividimos as escolas em
três grupos, tendo como baliza a sua dimensão considerando o número de alunos que as
frequentam. Assim, temos um grupo de escolas que têm um número de alunos mais reduzi-
do, isto é, escolas que têm até 250 alunos. Os professores da nossa amostra que aí lecionam
correspondem, a um total de 72 docentes, cujo valor percentual é de 28,13%. Temos depois
um grupo de docentes cujo número é de 106 docentes, a que corresponde um valor per-
centual de 41,41% que leciona num grupo de escolas designadas por nós de escolas médias
tendo em consideração o seu número de alunos – entre 251 e 500 alunos – seguindo-se um
grupo de escolas maiores, cuja frequência de alunos é superior a 501 a que corresponde na
nossa amostra a 78 sujeitos que aí lecionam e a um valor percentual que se cifra em 30,46%.
Quisemos saber ainda como se distribuíam os docentes considerando a localização
geográfica das escolas, docentes que lecionam na zona da raia espanhola e fora dessa zona.
Assim, pelos dados recolhidos foi-nos dado constatar que 67 sujeitos exerciam a pro-
fissão de professores em estabelecimentos da raia espanhola o que corresponde a uma
percentagem de 26,17%, e constatou-se que 187 sujeitos exerciam a sua profissão fora
dessa zona da raia a que corresponde a um valor percentual de 73,83%.
No que respeita à distribuição dos docente por setor de ensino, foi possível constatar
que a maior parte dos respondentes pertencem ao 2º ciclo, 119 sujeitos a que corresponde
um valor percentual de 46,48%. Seguem-se os do setor do Ensino Secundário cujo valor
letivo até 10 anos e 103 a que corresponde 40,24% têm mais de 10 anos de serviço
docente. Numa análise mais fina do histograma poderemos dizer que a Moda é de 3 anos
de serviço docente, a Média de anos de serviço dos respondentes é de 10,113 anos e a
Mediana é de 9 anos.
Estes dados confirmam o que havíamos referido anteriormente quando abordámos a
idade dos docentes que lecionavam no Distrito da Guarda no ano letivo de l996/1997, isto
é, os docentes são relativamente jovens.
É sabido e são vários os estudos que têm vindo a demostrar a importância que a
realização profissional desempenha na motivação e desempenho dos profissionais seja
qual for a área de actividade. Nestes termos, tentámos saber como se sentiam os docentes
relativamente a este indicador. Assim, analisando os resultados obtidos, é possível apurar
que a maioria dos docentes, 161 a que corresponde um valor percentual de 62,89% refere
que se sente realizado/totalmente realizado no exercício da sua função, e 95 sujeitos a que
Referências
___, (1993). Introdução à Teoria Geral da Administração, São Paulo: Makrou Books.
Costa, J., (1992), Gestão Escolar – Participação, Autonomia, Projecto Educativo da Escola, Lisboa,
Texto Editora.
Huberman, M., (1992) “Tendências gerais do ciclo de vida dos professores” in, António Nóvoa,
Colecção Ciências de Educação, Porto, Porto Editora, pp. 31-62.
Melo, L, G. S., (1991), A comunicação nas Organizações: Contributo para uma abordagem sisté-
mica. Guarda, Polic..
Quivy, Raymond & Campenhoudt, (1992), Manual de Investigação em Ciências Sociais. Lisboa:
Gradiva.
Sampaio, J., (1988), Aspectos do sistema escolar da Beira Interior, in, Jornadas da Beira Interior, III
Volume, Fundão, Jornal do Fundão.
Silva, M., (1993), Educação e Sociedade de Risco, Lisboa: Gradiva.
Introdução
Quadro 1
Requisitos para o enquadramento e para o acesso aos recursos do PDRS pelos agricultores
Categorias de agricultores Requisitos para o enquadramento Acesso aos benefícios do PDRS
Explorar áreas inferiores a 4 módulos fiscais;
Ter renda familiar proveniente predomi- Integralmente habitados ao acesso aos be-
nantemente das atividades agropecuárias e nefícios individuais e coletivos do projeto
Agricultores familiares
não agropecuárias da área explorada; desde que devidamente justificado no Plano
Utilizar predominantemente trabalho da de Negócio aprovado.
própria família.
Possuir e/ou explorar área entre 4 e menos
de 15 módulos fiscais;
Ter renda familiar proveniente predominante-
mente das atividades agropecuárias e não agro- Não podem ser beneficiários dos incentivos
Médios agricultores
pecuárias da área explorada ou que possua e/ individuais do projeto, mas podem partici-
ou explore área total até 4 módulos fiscais, mas par dos empreendimentos coletivos (Plano
que não atendam os demais requisitos para o de Negócio).
enquadramento como agricultor familiar.
114 //Novas Fronteiras, Outros Diálogos: Cooperação e Desenvolvimento Territorial
Para o apoio às iniciativas de negócios dos agricultores familiares foi prevista a alocação de
US$ 58,8 milhões, o equivalente a 45,2% do valor global do PDRS, sendo US$ 45 milhões dis-
ponibilizados para os investimentos nas iniciativas de negócios e US$ 13,8 milhões para apoiara
as associações e cooperativas. A maior parte dos recursos do PDRS se destinaria ao fortalecimen-
to das instituições e das infraestruturas. A previsão era alocar US$ 61,6 milhões nessa que foi
a segunda componente do PDRS, a qual se subdividiu em três subcomponentes vinculadas às
atividades de monitoramento do mercado, fortalecimento da infraestrutura municipal e a sus-
tentabilidade ambiental. A terceira componente do PDRS foi a gestão ambiental, sendo prevista
a alocação de apenas US$ 9,6 milhões, o que representaria 7,4% do valor global do projeto.
Para o apoio às iniciativas de negócios dos agricultores familiares foi prevista a alocação
de US$ 58,8 milhões, o equivalente a 45,2% do valor global do PDRS, sendo US$ 45
milhões disponibilizados para os investimentos nas iniciativas de negócios e US$ 13,8
milhões para apoiara as associações e cooperativas. A maior parte dos recursos do PDRS
se destinaria ao fortalecimento das instituições e das infraestruturas. A previsão era alocar
US$ 61,6 milhões nessa que foi a segunda componente do PDRS, a qual se subdividiu em
três subcomponentes vinculadas às atividades de monitoramento do mercado, fortaleci-
mento da infraestrutura municipal e a sustentabilidade ambiental. A terceira componente
Quadro 3
Beneficiários e valores máximos de apoio dos planos de negócios no PDRS
Associações ou Cooperativas
de Comunidades Tradicio- Projetos comunitários de comunidades
200.000,00 99%
nais (Indígenas e Quilombo- tradicionais (Indígenas e Quilombolas)
las)
Neves Neto (2013, p. 201) ressalta que o PDRS, a exemplo de outras políticas públicas foi:
[...] altamente seletivo e excludente, por priorizar um grupo pequeno de pro-
dutores (inseridos num plano de negócio) e por focar as organizações rurais mais
capitalizadas e que não dependem da ajuda do estado.
A definição, elaboração e avaliação criteriosa dos planos de negócios pela CATI e a exi-
gência de contrapartida financeira dos beneficiários requereram elevados níveis de organiza-
ção coletiva, capacidade empreendedora e propensão ao risco, o que dificultou a participação
dos agricultores familiares menos capitalizados e não vinculados à organizações coletivas
consolidadas e bem estruturadas. Apesar das suas limitações, o PDRS tem apoiado planos
de negócios importantes em todas as regiões do Estado de São Paulo, inclusive na área de
atuação do Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR) de Presidente Prudente.
Quadro 4
Dimensão do efetivo populacional dos municípios que integram o Escritório de
Desenvolvimento Rural de Presidente Prudente – SP
Estratos populacionais
Número Municípios
(em mil habitantes)
Mais de 200 1 Presidente Prudente
Entre 20 e 30 4 Rancharia, Pirapozinho, Martinópolis e Álvares Machado
Entre 10 e 20 2 Regente Feijó e Presidente Bernardes
Entre 5 e 10 3 Iepê, Tarabai e Taciba
118 //Novas Fronteiras, Outros Diálogos: Cooperação e Desenvolvimento Territorial
Quadro 5
Planos de negócios apoiados pelo PDRS no EDR de Presidente Prudente
Cadeias
Nome da organização Município Empreendimento
produtivas apoiadas
Associação dos Produtores Rurais Estrela do Aquisição de uma mini usina de
Leite
do Bairro Rebojo Norte pasteurização de leite
Associação dos Produtores Rurais
Indiana Leite Implantação de agroindústria
do Bairro 7 Copas e Indiana
Associação dos Produtores Rurais João Instalação de silo metálico para
Grãos
do Município de João Ramalho Ramalho armazenamento de grãos
Fruticultores Associados do Oeste
Narandiba Fruticultura Estruturação de packing house
Paulista – FAOP
Cooperativa da Agricultura Fami-
Presidente Olericultura e
liar de Presidente Prudente – Estruturação de packing house
Prudente fruticultura
COAF
foram de apenas 3% ao ano e nos casos das parcelas pagas em dia é concedido rebatimento
de 0,75 ponto percentual na taxa de juros, reduzindo-a para 2,25% ao ano.
A demora em analisar e aprovar os projetos pelos órgãos ambientais persistiu, mas
não ocorreu apenas com os empreendimentos apoiados pelo PDRS e sim com qualquer
empreendimento que necessitou da aprovação pela Companhia Ambiental do Estado de
São Paulo (CETESB). A desconfiança dos agricultores em relação às políticas públicas e
aos órgãos oficiais diminuiu a partir do momento em que os prefeitos passaram a estimular
a participação das associações e cooperativas instaladas nos seus municípios a submeterem
planos de negócio, concedendo-lhes o apoio técnico necessário e algumas facilidades, a
exemplo da doação de áreas para a instalação dos empreendimentos comunitários.
Uma vez implantados os empreendimentos, o grande desafio que se coloca é o de
geri-los, tendo em vista tanto as vicissitudes do mercado, quanto às próprias dificuldades
e limitações dos agricultores que participam dos empreendimentos em termos de disponi-
bilidade de tempo e de experiência de gestão de negócios.
Referências
Brasil. Banco Central do Brasil (BACEN). Anuário Estatístico do Crédito Rural. Brasília: BACEN.
Disponível em: https://www.bcb.gov.br/?RELRURAL Acesso em 15 set. 2018.
___, Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Lei nº 11.326, de
24 de julho de 2006. Disponível em: https://www.plana11326.htm.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-
2006/2006/Lei/L11326.htm Acesso em 3 jun. 2017.
Introdução
47
Localizado na Mesorregião Norte do Maranhão, conforme uma área de 8.932,20 Km², composta por
dez municípios: Anajatuba, Cantanhede, Itapecuru Mirim, Matões do Norte, Miranda do Norte, Nina
Rodrigues, Pirapemas, Presidente Vargas, Santa Rita e Vargem Grande.
Gráfico 01: Área dedicada a agricultura no Brasil de 1961 a 2016 (Fonte: FAO, 2018.)
A observação para esta dedicação de terras para a agricultura poderia ser explicada a par-
tir dos vários contextos políticos configurados no Brasil, principalmente quando se parte das
relações técnicas da agricultura com a indústria aprofundadas no período do regime militar,
ou seja, fortemente aplicada à modernização conservadora (Delgado, 2005).
Ainda assim:
Este processo de modernização técnica da agricultura e de integração com a
indústria é caracterizado “por um lado pela mudança na base técnica de meios de
produção utilizados pela agricultura, materializada na presença crescente de insu-
mos industriais (fertilizantes, defensivos, corretivos do solo, sementes melhoradas e
combustíveis líquidos etc.), e de máquinas industriais (tratores, colhedeiras, imple-
mentos, equipamentos de irrigação etc.). De outro lado, ocorre uma integração de
grau variável entre a produção primária de alimentos e matérias-primas e vários
Gráfico 02. Recursos do Plano Safra em Bilhões (R$) (2001 – 2019) (Fonte: Mapa, 2018.)
Ainda de acordo com as informações do Gráfico 02, desde 2016 há uma estagnação
dos recursos destinados a agricultura familiar por meio do plano safra. Enquanto isso a
de toda a trama da espoliação, ou seja, apenas sustenta a apropriação e a acumulação de grande parcela da riqueza
comum seja de “pessoas” privadas (Entidades legais) e/ou o Estado. Assim, refletir a partir desta configuração
capitalista nos faz reiterar que este modo de espoliação é originário do sistema capitalista diante de sua acumulação
primitiva, ou seja, são os trabalhadores de aluguel e os seus meios de trabalho em capital (Marx, 1984).
Como mencionado anteriormente, a partir das décadas de 1980 e 1990 e mais preci-
samente em 1996, o PRONAF, foi a principal fonte de crédito de acesso aos recursos por
parte dos pequenos agricultores se tornando em um dos instrumentos para institucionali-
zações das políticas públicas voltadas para o campo.
No caso da pesquisa realizada, verificou-se que vários fatores contribuíram para desen-
contros na política social voltada para o campo e descontinuidades de programas. Nesse
sentido, estudar e analisar qual seria o papel da Política de Desenvolvimento Territorial no
processo de articulação de programas e de ações que tivessem como objetivo principal a
reversão do quadro da pobreza rural, passou a ser o nosso principal objetivo. E o território
escolhido para a pesquisa foi o Vale do Itapecuru constituído por um mosaico formado por
dez municípios que historicamente pertencem à divisão geográfica do Estado, localizada
na Mesorregião Norte, possuindo 54 assentamentos rurais, 5557 famílias assentadas em
uma área de 135.273 hectares aproximadamente, com oito projetos produtivos construí-
dos entre os anos de 2007 e 2010 como Abatedouro de caprinos, casa do Mel, fábrica de
sabonetes, fábrica de gelo, centro de referência da agricultura familiar, centro de comer-
cialização, centro de inclusão digital e outros que foram implantados. E com a escolha
128 //Novas Fronteiras, Outros Diálogos: Cooperação e Desenvolvimento Territorial
Referências
Delgado, Guilherme Costa. A Questão Agrária no Brasil, 1950-2003. In: Jaccoud, L. (Org.).Questão
social e políticas sociais no Brasil contemporâneo. Brasília: Ipea, 2005. p. 51-90.
Favareto, Arilson. Tendências contemporâneas dos estudos e políticas sobre o desenvolvimento
territorial. In: Arilson Favareto (Brasília). Políticas de desenvolvimento territorial rural no Brasil:
avanços e desafios. Brasília: Iica, 2010. Cap. 1. p. 15-41. (Desenvolvimento Rural Sustentável).
Marx, Karl. A assim Chamada Acumulação Primitiva. In: Marx Karl. O Capital: crítica da economia
política. São Paulo: Abril Cultural, 1984. Cap. 24. p. 263-294.
Introdução
Mapa 1: Localização dos municípios de Dracena e Regente Feijó no Estado de São Paulo, Brasil.
vamente pelo governo federal, e passou a ter a gestão municipal dos recursos enviados para
a alimentação escolar. Tornou-se necessária a fiscalização da execução do programa e, desse
modo, neste período, também se consolidou a criação do CAE (Conselho de Alimentação
Escolar), de forma a acompanhar a aplicação dos recursos financeiros (Turpin, 2008).
Os cardápios também deveriam ser elaborados pela nutricionista, incluindo na ali-
mentação escolar produtos in natura como frutas, legumes, tubérculos, comprados de
estabelecimentos comerciais “secos e molhados” presentes no município (Turpin, 2008).
Tais iniciativas demonstram a presença de atores sociais como os membros do CAE e
a nutricionista que até hoje são importantes para o desenvolvimento do PNAE. Contudo,
somente nos anos 2000, com a inserção da agricultura familiar como um dos públicos do
49
Entendemos por atores sociais, aqueles que expressam uma ação capaz de transformar os espaços onde
agem, no caso especifico deste trabalho, no plano municipal, buscando implementar as políticas públicas,
como o PNAE (Wautier, 2001; Di Méo e Buléon, 2007).
Podemos afirmar que, tanto em Dracena como em Regente Feijó, temos a constituição
de arranjos institucionais que compreendem um conjunto de atores sociais que são res-
ponsáveis pela execução e pelo desenvolvimento do PNAE nestas localidades.
50
Em Regente Feijó, além da presença da nutricionista, existe a Chefe da Alimentação Escolar e da sua
secretária, como membros da Cozinha Piloto, que juntas trabalham para o fornecimento de alimentos às
escolas do município.
51
As Casas da Agricultura são estabelecimentos pertencentes ao governo do Estado de São Paulo, que se
localizam nos municípios, afim de oferecer assistência técnica e extensão rural aos produtores rurais.
52
Para participarem do programa, independente se é por meio de uma organização coletiva ou grupo infor-
mal, os agricultores familiares devem elaborar um projeto de venda, que formaliza a compra deste segmento
social e no qual devem conter os nomes dos produtores, os tipos de produtos, a quantidade e o preço a ser
pago pelo que vai ser comercializado no PNAE.
53
Nutricionista, Chefe da Alimentação Escolar e secretária da Chefe da Alimentação Escolar.
56
O Microbacias II é um programa criado pelo governo do Estado de São Paulo, com execução desde 2011.
O objetivo principal desse programa é proporcionar aos agricultores familiares, o acesso ao mercado, através
do melhoramento da competividade daqueles organizados em associações ou cooperativas, segundo recursos
provenientes do governo do estado, e de acordos firmados com o Banco Mundial, as prefeituras e as orga-
nizações formais dos produtores rurais (SÃO PAULO, 2017). Para mais informações acessar: http://www.
cati.sp.gov.br/microbacias2/
57
Programa Paulista de Agricultura de Interesse Social. Para mais informações acessar: http://www.itesp.
sp.gov.br/br/parceria.aspx
Arretche, M.T.S. Democracia, Federalismo e Centralização no Brasil. Rio de Janeiro. Editora FGV;
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Ed. Alínea, p.39-61, 2007.
BRASIL. Lei no 8.913, de 12 de julho de 1994. Dispõe sobre a municipalização da merenda escolar.
Brasília, DF, 1994. Publicado no DOU de 13 de jul 1994 e republicado no DOU de 7 de set 1994.
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8913.htm> Acesso em: 12. Set. 2018.
__, Lei nº 11.947, de 16 de junho de 2009. Dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar
e do Programa Dinheiro Direto na Escola aos alunos da educação básica; altera as Leis nos
10.880, de 9 de junho de 2004, 11.273, de 6 de fevereiro de 2006, 11.507 de 20 de julho
de 2007; revoga dispositivos da Medida Provisória nº 2.178-36, de 24 de agosto de 2001, e a
Lei nº 8.913, de 12 de julho de 1994; e dá outras providências. Brasília, DF, 2009. Publicado
no DOU de 17 jun. 2009. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
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Di Méo, G; Buléon, P. L’espace social: lecture géographique des sociétés. Paris: Armand Colin, 2007.
Farah, M.F.S. Parcerias, novos arranjos institucionais e políticas públicas no nível local de governo.
Revista de Administração Pública, Rio de Janeiro, p.119-144, 2001.
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Paz, L. O Desenvolvimento do Programa Nacional de Alimentação Escolar no município de Francisco
Beltrão-PR. 2016. 168f. Dissertação (Mestrado em Geografia) -Universidade Estadual do
Oeste do Paraná-UNIOESTE, Francisco Beltrão.
Pires, R. R. C; Gomide, A. A. Burocracia, Democracia e Políticas Públicas: arranjos institucionais
de Políticas de Desenvolvimento. IPEA: Texto para discussão, 1940. Rio de Janeiro, 2014.
144 //Novas Fronteiras, Outros Diálogos: Cooperação e Desenvolvimento Territorial
Sites consultados:
http://www.cati.sp.gov.br/microbacias2/
http://www.itesp.sp.gov.br/br/parceria.aspx
(Paula, 2017; Friedmann, 2005; McMichael, 2016; Holt-Giménez; Shattuck, 2011). Con
este primer régimen, aparece una conexión secuencial “[...] centrada en el intercambio de la
guarda Imperial de Gran Bretaña por el más poderoso Estado colonial, los Estados Unidos”,
desplazando una economía capitalista en declive – el imperio británico –, para la economía
norte-americana que se consolidaba con la “domesticación” del continente (McMichael,
2016, p. 16, traducción del autor). Este segundo régimen, desplaza el centro de poder para
los Estados Unidos entre 1950-1970, lo cual sería decisivo para el panorama geopolítico del
siglo XX, principalmente en la posguerra, un una nueva reestructuración y reordenamiento
económico que redefiniría las nuevas potencias hegemónicas y su papel en la división terri-
torial del trabajo.
El segundo régimen alimentario tiene un modelo agroindustrial claramente definido,
en que la supremacía en el mercado por parte de los Estados Unidos dentro del proyecto
neoliberal, existe dentro de su propia contradicción, marcando siempre su papel y posición
viendo de manera privilegiada a los intereses del Norte Global, lo cual permite de manera
desigual, la aplicación de subsidios – lo cual permite la sofisticación del dumping, empleado
a través de diferentes categorías –, así como la realización de acuerdos comerciales bilaterales
Norte-Sur, que tienden a pronunciar el desequilibrio en la balanza comercial de los países
menos desarrollados económicamente. De igual manera, dichos acuerdos existen precisa-
mente para superar algunos obstáculos propios de las operaciones del multilateralismo.
Cuando hablamos de subordinación del Estado a las reglas del mercado, sería adecua-
do partir de los Programas de Ajuste Estructural (PAE) instaurados en la década de los
80, estas políticas adoptadas por el FMI y el Banco Mundial y aplicadas en países en vía
de desarrollo, las cuales dentro de un contexto conmocionado por la crisis del petróleo a
finales de los 70 y la recesión económica del Norte Global, obligaron a los países deudores
a pagar tasas de impuestos más altas precisamente cuando los precios habían perdido valor
en el mercado. Dentro de este contexto, y aprovechando la crisis económica, el Banco
Polanyi (2013 [1994]) habría una tensión entre autorregulación del mercado y oposición
social que el autor llama de “doble movimiento” (derivada de la crítica respecto a el ascenso
del modelo de liberalismo económico en Gran Bretaña del siglo XIX, y la justificación de
la propia existencia del Estado liberal y el grado de intervencionismo que este ha tenido
dentro de los ciclos del capitalismo).
“[...] bajo presión social, inclusive los regímenes alimentarios fuertemente
liberales pueden pasar por un cambio político sustantivo y regulatorio” (Holt-
Giménez; Shattuck, 2011, p. 113, traducción del autor), la Sociedad Civil y su
naturaleza política de oposición social, ejerce una fuerte contestación, tanto a las
clases dominantes, como al propio Estado en su ejercicio de instrumento ideológico.
Este doble movimiento va a depender no solo del régimen alimentario y sus conse-
cuencias sociales, económicas y ambientales, como también de la naturaleza política
de los movimientos sociales y, sobre todo, el “[...] equilibrio de fuerzas dentro de
tales, económicas y de justicia social, siempre con una visión alternativa a la globalización
dominante (Fornazier; Belik, 2013). Las RAA, retomando las ideas de Cunha (2003, p. 9,
traducción del autor), serian de tipo descentralizadas, ya que los “[...] patrones de compa-
tibilidad son determinados conjuntamente por los productores, proveedores y usuarios”
y no “[...] exclusivamente por el control de un único agente”. Estas redes que entran en
debate a partir de la década los 90, se caracterizan por asumir posturas antagónicas y de
contestación al modelo convencional de producción, distribución y consumo (Perinazzo,
2013).
Figura 1. Medellín, Colombia. Mercado Campesino en el parque La Presidenta. (Fuente: Fotos del autor, 2018)
Figura 2. Mapa de los Mercados Campesinos y algunos puntos de comercialización de alimentos orgánicos en
Medellín-Colombia.
Conclusiones
no solo han sido estrategias para mejorar los indicadores de inseguridad alimentaria, han
sido respuestas con protagonismo y presión ejercida desde la sociedad civil organizada
y han crecido junto con un marco normativo-institucional mucho más robusto con
evidentes mejoras en las condiciones del campo brasilero. Por el contrario los Mercados
Campesinos de Medellín, ha sido un proyecto institucional muy interesante, pero al igual
que las tiendas especializadas de productos orgánicos, quienes consumen en estos espacios
son sobre todo familias de clase media alta con algún grado de educación superior y moti-
vadas en su mayoría, por temas de salud.
58
Estas experiencias se han venido dando en diferentes partes del mundo: Association pour le Maintien de
l’Agriculture Paysanne (AMAP) en Francia; Agriculture Soutenue par la Communauté en Quebec –Canadá;
Reciproco en Portugal; Gruppi di Acquisto Solidale (GAS) en Italia; Agricultura de Responsabilidad
Compartida (ARCO) en España; Associação para o Desenvolvimento da Agropecuária Orgânica (ADAO)
de Fortaleza – CE; Associação de Consumidores de Produtos Orgânicos do Paraná (ACOPA).
Referencias
Introdução
O cultivo de vegetais e a criação de animais nas cidades são atividades que vêm sendo
realizadas desde o surgimento das primeiras aglomerações urbanas (Mougeot, 2000;
Madaleno, 2001). Entretanto, no final do século XX e início do XXI, essas atividades,
genericamente denominadas de agricultura urbana, ganharam maior relevância em virtude
das suas potencialidades para se constituir como alternativa para amenizar diversos proble-
mas (desemprego, crises econômicas e alimentícias, resíduos sólidos etc.) que estão cada
trabalho urbano fizeram com que a agricultura realizada nas cidades ganhasse importância,
pois parte expressiva dessa nova população urbana possuía forte vinculação com o meio
rural e com as atividades agropecuárias.
Entretanto, como destacam Mattos et al. (2015, p. 8):
É ainda importante considerar que, a cada dia, moradores urbanos de diferentes
classes sociais que não tiveram vivência anterior no campo, se interessam e passam a
se dedicar às práticas agrícolas como busca por um modo de vida mais saudável, evi-
denciando uma memória rural presente nas pessoas da cidade e nos seus antepassados.
A implantação dos projetos, de acordo com o site do MDS, ocorreram no sistema de co-fi-
nanciamento, sendo que todos os proponentes deveriam dar uma contrapartida financeira.
Apesar das iniciativas do governo federal vinculadas ao Programa Fome Zero, o
apoio institucional à agricultura urbana e periurbana foi bastante pontual e limitada.
Dessa forma, o desenvolvimento da agricultura urbana, na maior parte do país, está
estruturado em iniciativas locais, as quais, na maioria dos casos, não recebem qualquer
apoio oficial.
Fonte: Censos Demográficos do IBGE – 1991, 2000 e 2010. Perfil Municipal do SEADE (2018).
Como foi verificado por esse pesquisador em levantamento realizado no ano de 1999,
eram os aposentados e os desempregados, especialmente os homens, que cultivavam e pro-
duziam nesses terrenos, de modo extensivo. Dentre os produtos cultivados destacavam-se
a batata-doce, a mandioca e uma grande variedade de hortaliças folhosas, sendo utilizados
apenas fertilizantes orgânicos. A prefeitura municipal, por sua vez, fornecia gratuitamente
arados, água para irrigação, bombas d’água e sementes para a primeira semeadura, sendo
proibida a criação de gado bovino nos lotes públicos. Além da produção para o autocon-
sumo e da comercialização dos excedentes, cada família participante do programa deveria
doar parte dos produtos cultivados para escolas e creches dos bairros vizinhos.
Os objetivos iniciais do programa foram apoiar a horticultura organizada de forma
comunitária, melhorar o acesso das famílias a alimentos com maior valor nutricional,
propiciar às pessoas mais idosas uma ocupação com efeitos terapêuticos e criar postos
de trabalho para os excluídos, combatendo a fome e o desemprego ao mesmo tempo
(Madaleno, 2001).
Dois anos após o início do programa, segundo o autor, havia 50 famílias oficialmente
ligadas a ele, porém, como se soube depois, muitos outros beneficiários, que iniciaram
seus plantios apoiados pelo programa (no acesso a terreno para plantar e com incentivos
técnicos e instrumentais iniciais), continuavam plantando, mas desvinculados do progra-
ma e realizando seus cultivos de forma individual (ou familiar) em cada lote e não mais de
forma coletiva (Madaleno, 2001).
Os horticultores da cidade que ocupavam lotes privados, somente solicitavam ajuda
168 //Novas Fronteiras, Outros Diálogos: Cooperação e Desenvolvimento Territorial
à municipalidade quando queriam aumentar a área de seus cultivos – que variava de 500
a 2000 m². A Secretaria Municipal de Agricultura fornecia a assessoria legal gratuita na
elaboração dos contratos entre os horticultores e os proprietários dos terrenos privados
(Madaleno, 2001).
Uma alteração que ocorreu no programa em relação aos objetivos iniciais foi a desis-
tência do trabalho hortícola em bases comunitárias, já que as pessoas preferiram traba-
lhar individualmente ou então apenas com membros de suas famílias nos lotes cedidos
(Madaleno, 2001).
O programa previa inicialmente a utilização de 40.000 m² de terras públicas, distribuí-
das em cultivos de mandioca, feijão e milho (10.000 m² cada), e de batata-doce e abóbora
(5.000 m² cada). No final de 1999, se verificou que 42 áreas produtivas apoiadas oficial-
mente pelo programa estavam sendo utilizadas para o cultivo diversificado, sendo que
oito terrenos eram utilizados exclusivamente para produção de hortaliças. Os resultados
Considerações finais
Referências
Alvaro Ferreira
Departamento de Geografia e Meio Ambiente da Pontifícia Universidade
Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e Departamento de Geografia da FEBF-UERJ.
Pesquisador 1D do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico
e Tecnológico (CNPq).
Introdução
A reflexão realizada neste breve texto será construída a partir de uma base metodológi-
ca que apresentamos pela primeira vez em 2017 e está baseada na tríade dos processos de
materialização, substrução e projeção.
178 //Novas Fronteiras, Outros Diálogos: Cooperação e Desenvolvimento Territorial
64
Para encontrar uma discussão mais aprofundada acerca desse tema ver Ferreira, 2013b.
integrado cada vez mais a esse processo especulativo. Para falar desse espraiamento exacerba-
do da malha urbana, inúmeros autores passaram a referir-se à cidade difusa, cidade dispersa,
cidade-região, cidade ilimitada, megacidade, hipercidade, etc.
As áreas de expansão e de investimentos nas cidades acabam sendo definidas pelos
proprietários fundiários, pelas construtoras e pelos promotores imobiliários. O processo de
metropolização tem, simultaneamente, levado ao adensamento de determinadas áreas, ao
espraiamento da metrópole e às operações urbanas de renovação ou de revitalizações (como
preferem alguns), que acabam por gerar forte gentrificação. Vivenciamos uma transformação
que incorpora as dimensões econômica e social, em que grandes investimentos da esfera
pública viabilizam a criação e/ou expansão das áreas centrais, articuladas à reprodução do
capital financeiro, que produz segregação e apropriação desigual do espaço urbano.
No início do século XXI, percebemos que, cada vez mais, os governantes procuram
construir uma marca para suas cidades; contudo, o “sucesso” de uma determinada cidade
área com custo de vida mais baixo. Se, inicialmente, a gentrificação ligava-se ao mercado
residencial, o enobrecimento dos lugares acabou incorporando áreas de lazer com comple-
xos culturais voltados também para o turismo. O geógrafo belga Mathieu Van Criekingen
(2007) define dois tipos de gentrificação – residencial e de consumo – que levam à produ-
ção glamourizada do espaço através da maior sofisticação dos ambientes. A mídia exerce
importante papel ao promover esses locais, ajudando a criar um discurso hegemônico
acerca do lugar, que contribui cada vez mais para a atração de consumidores65.
65
A geógrafa Vanessa Jorge de Araújo (2009) traz importante contribuição a esse debate em sua dissertação
de mestrado intitulada “Lapa carioca: uma (re)apropriação do lugar”. Essa autora apresenta três exemplos
de cidades em que o processo de gentrificação se dá de formas distintas: Bruxelas, Nápoles e Barcelona. Na
primeira, ter-se-ia dado pela valorização de áreas centrais com a construção de residências para consumidores
de renda média, tratando-se “portanto de uma gentrificação residencial”; em Nápoles, o processo se deu pela
valorização de sua imagem para os seus habitantes e para os turistas divulgando-a como “o maior museu aberto
do mundo”, nesse sentido tratando-se de uma gentrificação de consumo; finalmente, em Barcelona houve um
“modelo misto de renovação, com uma dupla gentrificação, tanto residencial como de consumo turístico”.
Figura 1: O mesmo texto foi pichado em maio de Figura 2: Luta pela desalienação I
1968 em Paris (Fonte: http://lemad.fflch.usp.br/node/8111)
(Fonte: http://zanzaerobert.blogspot.com.br/2013/09/viver-ou-exis-
tir.html)
188 //Novas Fronteiras, Outros Diálogos: Cooperação e Desenvolvimento Territorial
Figura 9: Manifestação na cidade do Porto contra a Figura 10: Manifestação em Barcelona contra a merca-
gentrificação dificação da cidade
(Fonte: https://www.publico.pt/2017/09/21/p3/noticia/o-porto-e- (Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2017/08/02/internacio-
-de-todos-nao-vamos-desistir-1828613#gs.l5YFmLHH) nal/1501697974_820761.html)
corporações, no ciclo neoliberal (Figuras 13 e 14). Talvez por isso estejamos levantando
a ideia da importância do espaço comum. Não à toa, Maria Eduarda da Mota Rocha,
em artigo publicado na edição de 30 de novembro de 2015 do El País, aponta o grave
problema de que sofre a política tradicional, que “não está de fato aberta à verdadeira
participação, mas apenas à sua simulação”. Nesse sentido, o poder coletivo dos corpos na
rua, mostrando que o espaço público pode e deve ser usado como espaço de participação
política pressionou os governantes e o judiciário, e denunciou que “a captura do Estado
pelos interesses privados pavimenta o caminho para a destinação privatista de espaços
vocacionados a usos públicos como o Cais” (Rocha, 2015). A lógica privatista está for-
temente presente na produção do espaço, e como no exemplo do Cais José Estelita, a
associação Capital-Estado se dá de maneira cada vez mais naturalizada. Acrescenta a
colunista que o Movimento Ocupe Estelita a fez entender que a “vivência coletiva dos
espaços públicos pode ser uma forma de educação para a vida cívica e de civilização
urgente das nossas elites”. Fato é que em junho de 2016, o juizado federal reafirmou a
sentença de anulação do leilão.
De forma geral, em todos se observou um mesmo padrão de ação, que se caracterizava
pelo uso das redes sociais (em uma espécie de disseminação viral), pela ocupação de praças
e por articulações que abdicavam do espaço e das instituições políticas tradicionais. Ou
seja, tais mobilizações questionavam inclusive as estruturas político-partidárias e as orga-
nizações sindicais. Embora a organização inicial das mobilizações tenha ocorrido através
do ciberespaço, a concretização se deu através da ocupação, da corporeidade, da união dos
corpos no espaço público.
Mas isso não significa que a denominada “voz da rua” é uníssona. Era possível perce-
ber elementos progressistas e de liberdade; mas, simultaneamente, de conservadorismo,
brutalidade e de perfil extremamente reacionário. Aliás, a eleição de Jair Bolsonaro, em
2018, como presidente do Brasil mostrou como esse perfil reacionário estava presente em
Referências
Alves, Rafael de Oliveira. O direito e a propriedade: o privado, o público, o comum. In Costa, Geraldo
Magela, Costa, , Heloísa Soares de Moura, Monte-Mór, Roberto Luís de Melo (Orgs.) Teorias e
práticas urbanas: condições para a sociedade urbana. Belo Horizonte: C/Arte, 2015. p. 259-282.
Araújo, Vanessa Jorge. Lapa carioca: uma (re)apropriação do lugar. 2009. 170 f. Dissertação
(Mestrado) – Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR), Universidade
Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: 2009.
Criekingen, Mathieu Van. A cidade renasce! Formas, políticas e impactos da revitalização residencial
em Bruxelas. In Bidu-Zachariasen, Catherine. De volta à cidade: dos processos de gentrificação
às políticas de “revitalização” dos centros urbanos. São Paulo: Annablume, 2007.
Ferreira, Alvaro. Produção alienadora das cidades e indícios de insurgência: materialização, substru-
ção e projeção. In Ferreira, Alvaro, Rua, João, Mattos, Regina Célia de. O espaço e a metropoli-
zação: cotidiano e ação. Rio de Janeiro: Consequência, 2017, p. 91-120.
Introdução
Este é classista, uma arena de conflitos, onde se expressam, dependendo das forças políti-
cas, as contradições de classes67.
Apresentamos, no texto, ponderações sobre o processo de instituição da função social
da propriedade e da cidade. O direito a esta função social e à moradia levou décadas para
ser obtido, e está desaparecendo das normas jurídicas. Decorrente de lutas sociais, durante
o período que se estende do final da década de 80 até meados da década de 2016, houve
avanços legislativos em relação à função social da propriedade e do direito à moradia. No
entanto, desde 2016, ou seja, nos últimos dois anos, vivenciamos, no Brasil, um retorno
a, pelo menos, 20 anos, expresso no aumento da desigualdade, da pobreza e de retrocessos
em questões sociais. Destacamos, aqui, a propriedade da terra com o predomínio do valor
66
Ver entre outros. Martins, José de Souza (1979)
67
Ver entre outros: Mascaro (2013); Gramsci (1988); Poulantzas (1974): Hirsch (2010).
Para entender a essência, expressa nas leis, utilizamos autores que se dedicam a esta
análise, tendo como parâmetros as conquistas de décadas e as transformações profundas e
rápidas que ocorreram no Brasil desde o golpe do Estado de 2016.
Os grandes proprietários consideram que são seus inimigos aqueles que lutam pelo
direito a ter um pedaço de terra para plantar e/ou morar. Na realidade, os supostos ini-
migos não colocam em risco a propriedade e o poder, apenas procuram obter direitos ou
o direito a ter direitos. Entretanto, observamos é que o atendimento de reivindicações,
por menores que elas sejam, é prejudicado porque são tidas como ações que devem ser
exterminadas.
A guerra semiótica pode nos fazer entender a criminalização que se faz dos trabalha-
68
Medida Provisória-MP- corresponde à forma do Executivo legislar, sem participação dos deputados e sena-
dores. Uma MP, para ser efetiva, precisa ser aprovada pelos deputados e senadores num prazo de até seis
meses. A MP 759 teve seu prazo estendido em função dos embates que estavam se processando,
70
Grupo de pesquisa que coordeno tem como objetivo analisar em profundidade as transformações urbanas
e a renda fundiária urbana para entender a produção e a reprodução do espaço urbano.
Na década que antecede a Constituição Brasileira de 1988, muitas lutas foram empreen-
didas. Destacamos a dos movimentos populares que procuravam:
– o reconhecimento da ocupação como necessidade e a permanência nas terras ocupadas;
– urbanização de favelas para garantir melhores condições de vida e de acesso;
– reconhecimento do não cumprimento da função social de terras e imóveis vazios, na
medida em que representam retenção de terras para especulação. A premissa era de
que a função social da propriedade e da cidade deveria ser aquela que atende à neces-
sidade social. Não cumpre a função social as áreas, terrenos, edifícios desocupados
ou parcialmente ocupados. A intenção era minimizar a especulação imobiliária. Os
pressupostos deveriam ser autoaplicáveis.
demarcadas como aquelas que não cumpriam sua função social, seriam notificados e após
cinco anos, os imóveis que não fossem efetivamente utilizados, poderiam ser desapropria-
dos com títulos de dívida pública71. As ocupações para moradia em terras privadas seriam
passíveis de receber o título por usucapião individual ou coletivo e as em terras públicas
poderiam receber o título individual ou coletivo de direito real de uso. (Rodrigues, 2016).
Em seu artigo 5º. a Constituição Federal Brasileira de 1988 dispõe sobre os direitos
e deveres individuais e coletivos. Considera que todos são iguais perante a lei. O artigo
6º. dispõe sobre os direitos individuais e, em 1976, após a Habitat II, insere-se o direito
à moradia como um direito humano. Apesar destes dispositivos a regularização fundiária de
interesse social, que tem como premissa o valor de uso em detrimento do valor de troca,
estava sendo pouco efetivado.
71
Ressalte-se que poucos proprietários foram citados. E, em nenhum caso, houve desapropriação com títulos
de dívida pública.
72
As emendas são propostas por deputados e/ou senadores que implicam alterar ou aprofundar os itens
propostos. Durante a tramitação da MP 759, os deputados e senadores alinhados com a reforma agrária e
urbana apresentaram propostas, porém, elas não foram consideradas pelo relator
73
Utilizaremos Lei de 2017 para evitar muitas repetições.
no âmbito da Amazônia Legal; institui mecanismos para aprimorar a eficiência dos proce-
dimentos de alienação de imóveis da União; altera as Leis nos 8.629, de 25 de fevereiro de
1993, 13.001, de 20 de junho de 2014, 11.952, de 25 de junho de 2009, 13.340, de 28
de setembro de 2016, 8.666, de 21 de junho de 1993, 6.015, de 31 de dezembro de 1973,
12.512, de 14 de outubro de 2011,10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil),
13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil), 11.977, de 7 de julho de
2009, 9.514, de 20 de novembro de 1997, 11.124, de 16 de junho de 2005, 6.766, de 19
de dezembro de 1979, 10.257, de 10 de julho de 2001, 12.651, de 25 de maio de 2012,
13.240, de 30 de dezembro de 2015, 9.636, de 15 de maio de 1998, 8.036, de 11 de maio
de 1990, 13.139, de 26 de junho de 2015, 11.483, de 31 de maio de 2007, e a 12.712,
de 30 de agosto de 2012, a Medida Provisória no 2.220, de 4 de setembro de 2001, e os
Decretos-Leis nos 2.398, de 21 de dezembro de 1987, 1.876, de 15 de julho de 1981,
9.760, de 5 de setembro de 1946, e 3.365, de 21 de junho de 1941; revoga dispositivos da
Analisar as transformações advindas de Lei 13. 465/2017 não é uma tarefa simples, na
medida em que altera leis, códigos, medidas provisórias. A regularização fundiária urbana
de interesse social é significativamente alterada, passando a chamar-se REUB-S. Exclui
elementos que procuravam garantir o valor de uso, enquanto que há a inclusão, de forma
explícita e contrastante, com a regularização fundiária de Interesse específico, denominada
de REURB-E. A REURB-E incorpora elementos de um projeto de Lei de 2000 que pre-
tendia regularizar os loteamentos murados, ou seja, os que incluíam como sua propriedade
terras públicas, tais como ruas, praças e áreas de uso comum (Rodrigues, 2013). Os seus
pressupostos foram incorporados na Lei de 2017, garantindo a ampliação da escala da pro-
priedade, com apropriação privada de áreas públicas. Interfere, de forma crucial, na função
social da cidade e da propriedade, deixando mais distante a utopia da cidade como direito.
Esvazia-se, com esta reforma fundiária, a função social da propriedade. Relembramos
que a função social da propriedade está nos limites da propriedade capitalista, mas permi-
te, ainda que de forma não substancial, o acesso a moradia.
Considerações Finais
De 1988 até 2016, houve pouca efetividade em se fazer cumprir a função social da
propriedade rural e urbana. Mesmo não sendo eficaz, porém, as alterações constantes da
PEC 759, de dezembro de 2016, aprovada como Lei 13.465 de 2017, colocam em risco
as noções de interesse coletivo. Ou seja, mesmo o direito sendo parte de uma concepção
formal de democracia, busca-se, por todas as formas, impedi-lo de se concretizar.
Enquanto para se obterem direitos, ainda que formais, levem-se décadas, basta um
“passe de mágica”, para fazer desaparecer a conquista, o que evidencia que a propriedade da
terra urbana é um dos elementos da desigualdade socioespacial. Daí decorre a importância
75
Ver https://www.youtube.com/watch?v=ILiiLWiqbBE em 27 de abril de 2018. http://www.secretariade-
governo.gov.br/noticias/2011/10/05-10-2011-palestra-de-marilena-chaui-proferida-no-forum-direitos-e-
-cidadania-15-setembro/#acontent
76
-Os promotores, juízes e procurados do Judiciário brasileiro recebem o valor de R4. 4.300,00 por mês
como auxílio moradia, mesmo sendo proprietários de imóveis onde residem, enquanto mandam retirar
os ocupantes de áreas privadas. Talvez isto explique porque foram poucos os que incorporaram em suas
sentenças a função social da propriedade.
77
Fonte http://geosampa.prefeitura.sp.gov.br .
Referências
www.transparency.org/whatwedo/publication/sao_paulo_a_corrupcao_mora_ao_lado.
www.geosampa.prefeitura.sp.gov.br
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www.estadao.com.br/noticias/geral,top-5-do-patrimonio-imobiliario-tem-espolios-e-empre-
sarios,10000069289.
www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/nota_tecnica/151230_nota_tecnica_pnad2014.
www.ipea.gov.br/agencia/images/stories/PDFs/comunicado/120925_comunicadodoipea155_v5
www.unicamp.br/unicamp/noticias/2017/04/24/
unicamp-reune-especialistas-e-sociedade-para-debater-propriedade-e-uso-de
206 //Novas Fronteiras, Outros Diálogos: Cooperação e Desenvolvimento Territorial
Introdução
78
Cf. (Cameron, 2008; Capela de Campos & Murtinho, 2018b; Sonkoly, 2011; Veldpaus, 2015; Veldpaus
& Roders, 2013).
79
Durante a 27ª sessão do Comité do PM, realizada em Paris, em 2003, o Comité determinava um debate inter-
nacional para discutir metodologias e instrumentos próprios capazes de enquadrar a proteção do património
urbano com as necessidades contemporâneas de modernização dos espaços urbanos utilizados pela população
na sua vida diária. Esse debate seria realizado em Viena de Áustria, de 12 a 14 de maio de 2005, numa
conferência internacional intitulada “World Heritage and Contemporary Architecture: Managing the Historic
Urban Landscape”, do qual resultaria o Memorando de Viena (World Heritage Committee, 2005).
80
Cf. (Bandarin & Oers, 2012, 2015; Capela de Campos & Murtinho, 2018b; UNESCO, 2011).
da cota do terreiro do Paço Real e que poderia incorporar, na propriedade do colégio, parte
de rua e de travessa inútil que existiria no seguimento da Rua de S. Pedro e que dividia
o terreno em duas partes, ficando obrigada, como compensação, a construir a poente do
polígono do terreno “uma calçada de 20 palmos de largo” (Vasconcelos, 1937, p. 241).
A delimitação do Colégio da Santíssima Trindade foi o resultado da aquisição dos terre-
nos e propriedades para a sua construção87. O lote da propriedade trinitária incorporou parte
da rua que ligava a Porta Férrea à Couraça de Lisboa – uma cedência que terá sido concreti-
zada pelo Senado da Universidade88, para um maior conforto da vida colegial que se iniciava.
Definindo um quarteirão localizado a sul do terreiro do Paço Real e da Rua da Trindade e
210 //Novas Fronteiras, Outros Diálogos: Cooperação e Desenvolvimento Territorial
no topo norte da Couraça de Lisboa, entre a Rua de S. Pedro a nascente e a Travessa da Rua
da Trindade a poente, o complexo arquitetónico trinitário desenvolvia-se por três espaços
fundamentais para a vida da comunidade: a igreja, as áreas de ensino e os dormitórios.
A igreja ficara localizada no quadrante sudoeste do complexo, ladeada a sul pela Couraça
de Lisboa, a poente pela travessa da Rua da Trindade e a norte pelo claustro. Como ressalvara
Rui Lobo, dado às condicionantes do declive do terreno e da orientação da igreja a nascen-
te por imposição canónica, a localização da igreja resolvia a questão problemática (Lobo,
1999) – tanto do ponto de vista da organização do espaço colegial como da sua função,
uso e acesso. Para além da vertente tratadística vigente na proporção e na composição do
87
Cf. (Capelo, 2012).
88
“Antes que se fundasse este Colegio, não tinha o sitio a capacidade que hoje tem, porque o repartia huma rua
que o atravessava desde a porta da Universidade até à Couraça; mas o Senado, para melhor accomodação dos
Padres, teve a bondade de lhe dar esta rua, comprando elles todas as casas que ficavão fronteiras, vindo a ficar com
bastante grandeza, e rodeado de ruas” (S. José, 1789, pp. 367-368).
89
Cf. (Vasconcelos, 1937, p. 242).
90
Cf. (Capelo, 2012; A. Correia, 1952, pp. 60–63; V. Correia & Gonçalves, 1947, p. 144; Vasconcelos, 1937).
91
A primitiva sede da AAC localizava-se, em 1887, no Colégio de São Paulo; este colégio seria demolido para
se construir a Faculdade de Letras (no lugar da atual Biblioteca Geral).
92
Em 1901, a AAC voltava às instalações do Colégio da Trindade
93
Cf. (Capelo, 2012).
94
Cf. (Vasconcelos, 1937, p. 243).
95
No Fundo da CAPOCUC, no Arquivo da Universidade de Coimbra, existem desenhos relativos ao projeto
de adaptação do Colégio da Trindade a residência masculina, a partir de 1942, aquando o início dos traba-
lhos desenvolvidos pela CAPOCUC. O arquiteto Álvaro da Fonseca realizou um estudo de beneficiação/
regeneração do conjunto de edifícios a sul do Pátio da Universidade, fazendo desenhos e levantamentos
do existente, em 1952. Cf. (Rosmaninho, 2006, pp. 153–154); PT/AUC/ACD/CAPOCUC: Fundo
CAPOCUC: Pasta 109, Pasta CUC 2008-31 e Pasta CUC 2008-124; PT/FCG/AASBA/LCS: LCS 76.
96
Antes deste episódio, durante o 1º Encontro sobre a Alta de Coimbra, realizado entre 23 e 28 de outubro de
1987, o testemunho de Carlos Luís Valente e de Carlos Manuel Madeira não deixava dúvidas quanto ao “ar
de ruína, (…) no Colégio da Trindade que do pátio da Universidade se pode ver com um imponente edifício atrás
(parece uma fábrica de bolacha americana), também vimos uns restos de claustro que não têm sequer a dignidade
da ruína” (Valente & Madeira, 1988, p. 124).
97
Cf. (Lobo, 1999).
98
O estudo de evolução e reconstituição do edifício foi realizado por uma equipa liderada pelo arquiteto
Rui Pedro Lobo, com os arquitetos estagiários Alexandre Dias, Bruno Silvestre e Luís Carvalho, ficando o
levantamento topográfico a cargo de Victor Faneca, resultando, em junho de 1999, num estudo/relatório
intitulado “O colégio da trindade: estudo do edifício e levantamento da situação actual” (Lobo, 1999).
99
Cf. (Murtinho, 2018, p. 47).
100
Cf. (Murtinho & Capela de Campos, 2018).
101
Sobre este tópico ver (Capela de Campos, 2018).
102
Cf. (Murtinho, 2018).
105
A propósito desta noção do ‘contágio positivo’, conferir “A recuperação dos valores: a Praça 8 de Maio em
Coimbra” (Capela de Campos, 2018), a propósito da intervenção do arquiteto Fernando Távora na Praça 8
de Maio, em Coimbra. Sobre a perspetiva da requalificação do espaço público, o entendimento sobre a deci-
são municipal entende-se como uma determinação política de atuação sobre uma determinada área urbana,
assumindo a possibilidade de contágio positivo sobre o espaço adjacente, designadamente, para promover
uma reabilitação urbana e sociocultural (Capela de Campos, 2018; Capela de Campos & Murtinho, 2016).
Um passeio pedonal pela Calçada de Lisboa (Fig. 4) confirma a nova realidade reabili-
tada da rua, com uma clara aposta na residência para a comunidade universitária e para dar
resposta a uma nova comunidade, a turística, que se apresenta em crescimento na fruição
do espaço universitário.
caso permite realçar a dinâmica do tempo sobre o edificado – uma vertente que deve estar
sempre presente em qualquer arquitetura, uma vez que cada intervenção deve ser um
testemunho do seu próprio tempo.
Sob a perspetiva da segunda leitura, a abordagem ao caso da requalificação do Colégio
da Santíssima Trindade permite pressupor a estratégia de pensar a requalificação do patrimó-
nio arquitetónico, dentro de um contexto urbano, como motivo de ‘contágio positivo’ para
o espaço da sua influência, numa lógica de requalificação e reabilitação urbana de modo
integrada – ou seja, o património como operador da qualidade urbana. Esta consideração,
pela sua pertinência, permite enquadrar uma candidatura patrimonial como eixo estratégico
de intervenção urbana, uma vez que a área de influência do bem classificado é um territó-
rio atrativo para a implementação de dinâmicas socioculturais e de usos contemporâneos,
potenciando ações de desenvolvimento – designadamente, direcionadas ao setor do turismo.
Referências
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defining and protecting “important views? In C. Cameron & C. Boucher (Eds.), Le Patrimoine
Mondial: Définir et protéger les «perspectives visuelles importantes»/ World Heritage: Defining and
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Capela de Campos, J. (2018). Candidatura a Património Mundial como operador de desenvolvimento
urbano: o caso da Universidade de Coimbra – Alta e Sofia. (Doutoramento em Arquitetura).
Departamento de Arquitetura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de
Coimbra, Coimbra. No prelo.
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Meneses, J. D. Rodrigues, & D. Costa (Eds.), Livro de Resumos «Património, suas matérias e
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responsabilidade e compromisso de futuro em dois contextos ibéricos. In R. Jacinto (Ed.),
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Fontes documentais
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PT/CMC/GCH/PPM 2014/CH.chDCH/3 – GCH1088: Processo Património Mundial:
Pasta 2/8: Candidatura UNESCO UC+CMC (2000-2014 – Área Crítica de Recuperação e
Reconversão Urbanística – Divisão de Recuperação do Centro Histórico).
Portugal. Coimbra. Universidade de Coimbra, Arquivo da Universidade de Coimbra, Cód. Ref.:
PT/AUC/ACD/CAPOCUC: Fundo CAPOCUC:
– Pasta 109: Convento da Trindade 1944-1951;
– Pasta CUC 2008-31 (57A): Adaptação a residência masculina – Colégio da Trindade (1942);
– Pasta CUC 2008-124: Estudo de beneficiação/regeneração do conjunto de edifícios a sul do Pátio da
Universidade (1952).
Portugal. Coimbra. Universidade de Coimbra, Gabinete para as Novas Instalações – Reitoria, Arquivo
documental do Gabinete de Candidatura à UNESCO, Cód. Ref.: PT/UC/GNI/AGCU/
UC-ASPM: [digital] Universidade de Coimbra – Alta e Sofia, Candidatura a Património Mundial.
Portugal. Lisboa. Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo de Arte do Serviço de Belas Artes, Cód.
Ref.: PT/FCG/AASBA/LCS: Espólio Luís Cristino da Silva 1921-1976: [online] Cota LCS 76:
Projecto da Cidade Universitária de Coimbra [projectos de arquitectura] / Luís Cristino da Silva.
Introdução
110
Este artigo é parte integrante do Relatório de Estágio intitulado “Educação Intercultural em Museus:
Contribuições na área da investigação e da intervenção socioeducativa” (Millan, 2018), cujo Programa
foi desenvolvido no âmbito do estágio curricular do Mestrado em Ciências da Educação da Faculdade de
Psicologia e Ciências da Educação, da Universidade de Coimbra. O referido estágio curricular foi realizado
no Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio (PPG-PMUS) da Universidade Federal do
Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).
Origem do programa
Objetivos
Calendarização
Metodologia
A ação formativa ocorreu na UNIRIO, em dois dias (10 e 11 de maio de 2018), com
duração de quatro horas por dia, totalizando uma carga horária de oito horas de curso. Seu
conteúdo programático encontra-se no quadro a seguir.
Participantes
O PEMIM contou 23 formandos que frequentaram os dois dias do curso e estes rece-
beram o devido certificado de participação, atestado tanto pelo PPG-PMUS (UNIRIO)
quanto pela FPCEUC. No total de 25 participantes, 5 (20%) eram do sexo masculino
e 21 (80%) do sexo feminino, com idades entre 18 e 54 anos (M=29.68 e DP=9.822).
Houve um número expressivo de alunos ou ex-alunos da UNIRIO (48%), 12% da UFRJ,
12% da UERJ e os demais, com 4% cada, estudam ou estudaram na(o) UFF, INES,
FEUDUC, UFJF, Faculdade CCAA, USS e UCAM.
111
Me. Silvilene de Barros Ribeiro Morais. Tese de doutorado em desenvolvimento: “Inclusão em Museus:
Conceitos, Trajetórias e Práticas”. Programa de Pós-graduação em Museologia e Patrimônio (PPG-PMUS/
UNIRIO/MAST). Orientação: Maria Amélia de Souza Reis.
Ao final de cada encontro da ação formativa, foi entregue uma ficha de avaliação
de satisfação e conhecimentos referente às atividades do dia. Verificou-se, nesse primeiro
dia da ação formativa, que as questões Importância da temática (M=4.72; DP=0.458),
Interação entre formadoras e formandos, Empenho dos formandos e Atividades realizadas obti-
veram respostas com variação entre o “Satisfeito” e o “Muito Satisfeito”. As questões Tempo
de duração e Minha participação nas atividades apresentaram respostas entre o “Insatisfeito”
ao “Muito Satisfeito”, claramente traduzindo opiniões favoráveis à que deveria ter uma
duração maior e de que as pessoas gostariam de ter participado mais ativamente. No
segundo dia, notou-se um aumento da média em todos os itens, sendo a questão Tempo
Pela observação na participação das dinâmicas, podemos afirmar que o grupo de dis-
centes se mostrou bastante participativo, atuante nas dinâmicas e eloquente nos debates.
Na proposta de uma das dinâmicas que solicitava exporem-se possíveis resoluções das
problemáticas apresentadas utilizando a medição intercultural, apenas alguns grupos con-
seguiram atingir o objetivo propondo mudanças de atitude dos protagonistas da ação.
itens. Tal questionário foi aplicado em dois momentos: como pré-teste, no início da ação
formativa, e novamente, como pós-teste, dez dias após o curso.
O IPI é um inventário de auto-relato, fundamentado na perspectiva intercultural de
Perotti (1997, citado por Pinheiro, 2017, p. 7446), e foi construído com o propósito de
avaliar as preocupações interculturais nas práticas discursivas, educativas e de interação com
o Outro e o Diferente. Os cinco primeiros vetores (Diversidade Cultural, Coesão Social,
Participação crítica na vida democrática, Preservação da vida no Planeta e a Igualdade e
equidade nas oportunidades) são fundamentados nas preocupações interculturais de Ouellet
(2005, citado por Pinheiro, 2017, p. 7446), e os três últimos (Diálogo intercultural,
Hospitalidade e Educação intercultural) fundamentam-se nos princípios-chave da convivên-
cia intercultural de Abdallah-Pretceille (1999, citado por Pinheiro, 2017, p. 7446).
O IPI foi avaliado nos dois momentos, pré e pós-formação, em relação aos partici-
pantes que tiveram 100% de presença no curso (N=23). Foi feito um ranking das oito
Aliando-se ao IPI, foi utilizado outro questionário, o Intercultural Sensitivity Scale – ISS
(Chen & Starosta, 2000), ou Escala de Sensibilidade Intercultural, tendo sido extraída sua
versão traduzida para o português da dissertação de mestrado em Ciências da Educação da
Universidade de Lisboa, Formação Cívica e Interculturalidade: Um estudo de Investigação/
Acção (Sousa, 2015). O ISS é composto de 24 questões, com escala likert, e é dividido em
cinco categorias: “o envolvimento na interação”, “o respeito pelas diferenças culturais”, “a
confiança perante a interação”, “o gosto pela interação” e “a atenção prestada à interação”.
Nos resultados dos testes pré-formação e pós-formação e o ranking das cinco catego-
rias das sensibilidades interculturais medidas pelo ISS nos dois momentos da avaliação,
verificou-se que a categoria Respeito pelas diferenças culturais ficou na primeira posição
no teste pré-formação (M=4.536; DP=0.401) e assim permaneceu no teste pós-formação
(M=4.478; DP=0.468). A Atenção prestada à interação também permaneceu na mesma
posição, ocupando o 3º lugar em ambos os momentos (teste pré-formação com M=4.159;
DP=0.601 e teste pós-formação com M=3.909; DP=0.771).
Em relação às outras três categorias de sensibilidade intercultural, ocorreram alterações
no ranking. O Gosto pela interação apresentou uma queda brusca de colocação, indo do
2º lugar (M=4.478; DP=0.480) para o 5º e último lugar (M=1.492; DP=0.160). Já o
Envolvimento na interação subiu da 4ª (M=3.979; DP=0.543) para 2ª posição (M=4.000;
DP=0.396) e a Confiança perante a interação apresentou uma pequena elevação, passando
do último lugar, 5ª posição (M=3.099; DP=0.813), para a 4ª (M=3.245; DP=0.457).
Os resultados entre a avaliação pré-formação e pós-formação mostraram-se muito seme-
lhantes. Só houve aumento nas médias em duas das cinco categorias do ISS. Mesmo nas
232 //Novas Fronteiras, Outros Diálogos: Cooperação e Desenvolvimento Territorial
A fim de obter uma análise mais completa da avaliação, realizou-se a correlação das
duas escalas (IPI e ISS), tanto com o teste pré-formação quanto com o pós-formação.
Desta forma, pode-se averiguar o quanto a atenção às preocupações e atitudes intercultu-
rais, por parte dos participantes do curso, estava associada às suas sensações em relação à
diversidade cultural e à interação com o Outro.
Ao fazer-se uma correlação geral entre os 40 itens do IPI e os 24 itens do ISS, no teste
pré-formação, verificou-se que, com o coeficiente de correlação obtido (r=.445), o grau
de associação entre as preocupações interculturais e a sensibilidade cultural era moderado.
Apresentou-se um resultado significativo com nível de significância p=.033, comprovan-
do, desta forma, a associação.
A mesma correlação foi feita no teste pós-formação, na qual também foi observada
uma correlação moderada, porém mais forte (r=.557). Seu nível de significância (p=.007)
novamente comprova a associação, apresentando um resultado ainda mais significativo.
A fim de analisar mais pormenorizadamente as preocupações interculturais e suas
relações com a sensibilidade intercultural, foram executados testes de correlações entre as
dimensões de cada uma das escalas, com as 8 preocupações no IPI e 5 categorias de sensi-
bilidade no ISS. Tanto no teste pré-formação quanto no pós, houve correlação significativa
em 12 das 40 possibilidades (30%). Porém, em alguns casos, essas correlações ocorram em
itens distintos.
Foi possível depreender, com as análises, que a sensibilidade intercultural em relação ao
Envolvimento na interação, ao Respeito pelas diferenças culturais e à Atenção prestada à interação
foram as categorias do ISS que, após a ação formativa, concentraram as correlações com as
Esta avaliação foi elaborada a partir do conteúdo programático do curso e aplicada três
meses após a intervenção. O objetivo foi que os participantes respondessem sobre onze
temas abordados. As opções de respostas pretendiam avaliar como foram utilizados os
conteúdos após a formação, no ambiente pessoal ou profissional. Os participantes pude-
ram responder entre: “Não lembro mais”, “Refleti sobre isso”, “Procurei mais informações
resultados efetivos nas ações dos seus participantes em seus ambientes de trabalho, bem
como em suas posturas perante a sociedade que os cerca.
Considerações finais
Referências
Introdução
112
Trabalho desenvolvido no âmbito do Seminário Redes Sociais e Ação Local, do Doutoramento em
Sociologia da FEUC, sob orientação de Sílvia Portugal.
113
Capacidades.
tituições, entre outros (Becker, 1982). Na esfera das relações culturais internacionais
compreende:
Within nations, the actors in international cultural relations are very diverse;
they include governments and their agencies (including those operating at the
municipal or regional level), organisations in the arts and culture sector (institu-
tions, associations, centres, foundations, venues and networks), academic institu-
tions, individual artists and cultural actors, as well as private businesses operating in
the marketplace for cultural goods and services (EU, 2014: 85).
Por outro lado, a Diplomacia Cultural trata da “utilização específica da relação cultural
para consecução de objetivos nacionais não somente cultural, mas, político, econômico e
comercial” (British Council, apud Ribeiro, 2011: 33). Essa definição denota a instrumen-
talização da Cultura a partir de critérios pragmáticos a serviço dos interesses do Estado,
caracterizando-a como recurso de soft power.
Na obra “O Futuro do Poder” Joseph Nye coloca as seguintes questões: “o que signifi-
ca exercer poder na era da informação global no século XXI? (...) quais recursos produzirão
poder?” (NYE, 2012: 13). A partir desse questionamento, articula um discurso sobre as
114
O país que lidera esse ranking é a Alemanha que fica atrás apenas da China, Estados Unidos e Hong Kong
(UNCTAD, 2015).
115
“Hábitos de cooperação seriam instituídos a partir de áreas técnicas, nas esferas econômicas e sociais, nas
quais os interesses comuns podem surgir mais facilmente, e a consequente interação transbordaria para a
arena política” (Bergmann; Gutenberg, 2013: 5, tradução livre).
Nye destaca que para funcionar o soft power “pode exigir a criação de uma entidade
específica” (BBC Brasil, 2012, website), o que no âmbito da Diplomacia Cultural se con-
cretiza nas agências de difusão artístico-culturais internacionais.
240 //Novas Fronteiras, Outros Diálogos: Cooperação e Desenvolvimento Territorial
117
Nota: neste estudo não se adentra o mérito de eficiência e eficácia de atuação das agências citadas.
118
Considera-se para a métrica os 193 países reconhecidos pela ONU.
119
Exclui-se a Síria cuja unidade encontra-se fechada momentaneamente (IC, 2018, website).
A presença das três agências em Israel e na Itália, pode ser vista em razão do posicio-
namento estratégico que esses países ocupam na região mediterrânea. A presença da RBC
na Itália também pode ser motivada pelos laços culturais existentes entre os dois países, de
acordo com a intensa imigração italiana ao Brasil ocorrida no início do século XX.
A forte presença das agências Ibéricas na Europa pode ser vista como resultante da
120
África do Sul, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.
121
Europa Criativa; European Cultural Foundation; Council for Europe; Education, Audiovisual and Culture
Executive Agency (EACEA).
O gráfico 2 demonstra que as agências estão presentes em 43% dos países que apresen-
tam IDH muito alto; 24,71% alto; 22,35% médio; e 9,41% baixo122. Dos países europeus
244 //Novas Fronteiras, Outros Diálogos: Cooperação e Desenvolvimento Territorial
com IDH muito alto, elas estão ausentes na Islândia, Noruega e Dinamarca123, os quais
apresentam PIBs inferiores à média mundial que em 2017, foi de U$ 409,75 bilhões124.
A média do PIB nos países onde as agências estão presentes, nesse mesmo ano, foi de
U$801,85 bilhões, ou seja, quase o dobro da média mundial. Por sua vez a média do PIB
nos países onde as agências estão ausentes foi de U$53,29 bilhões, bem abaixo da média
mundial. O país com o menor PIB onde ao menos uma das agências (ICa) está presente
122
Gráfico elaborado a partir da lista dos países no site da United Nations Development Programme
(UNDP), dados de 2015.
123
Dados de 2017: Islândia U$ 22,97 bilhões; Noruega U$391,96 bilhões; e Dinamarca U$304,22 bilhões
(FUNAG/FMI, 2018).
124
Cálculo elaborado a partir das informações publicadas pela Fundação Alexandre de Gusmão, com base
no World Economic Outlook Databases, do Fundo Monetário Internacional. Nota: Não foram informados
valores dos PIBs de Andorra, Cuba, Egito, Paquistão e Síria. Estão ausentes da lista: Mônaco, Coreia do
Norte, Ilhas Caimã, Lichenstein, Somália e Anguila.
Conclusão
Referências
Amorim, Celso. Cultura e Soft Power. São Paulo: Centro de Pesquisa e Formação do SESC São
Paulo, 2015. Palestra.
BBC Brasil. Interesse por cultura brasileira cria chance de fortalecer economia via soft power.
126
“recursos embutidos em uma estrutura social os quais podem ser acessados e/ou mobilizados para ações
propositais” (LIN, 2001: 12).
default.htm>.
Institut Français. Faites Notre Connaissance. Acedido em: 20 de janeiro de 2016. Disponível em:
<http://www.institutfrancais.com/fr/faites-notre-connaissance-0>.
Nan Lin, Cook, Karen and Burt, Ronald S. Social Capital: Theory and Research. Ed. Aldine de
Gruyter. New York, 2001.
Nye, Jr. Joseph S. O futuro do poder. Tradução Magda Lopes. Ed. Benvirá. São Paulo, 2012.
Organização das Nações Unidas para a Cultura e Educação (UNESCO). Declaração Universal sobre
a Diversidade Cultural. 2002. Acedido em 20 de janeiro de 2018. Disponível em: <http://
unesdoc.unesco.org/images/0012/001271/127160por.pdf>.
Organização das Nações Unidas. ONU ressalta que a cultura é vital na agenda global de des envolvimento
pós-2015. Publicado em 14/10/2014. Acedido em: 05 de maio de 2018. Disponível em: <https://nacoe-
sunidas.org/onu-ressalta-que-a-cultura-e-vital- na-agenda-global-de-desenvolvimento-pos-2015/>.
Pro Helvetia. Apresentação. Acedido em: 20 de abril de 2018. Disponível em: <https://prohelvetia.
ch/en/timeline/#heading-33>.
127
Contando com 19 municípios, A Região Metropolitana de Fortaleza (RMF)está incluída entre as maiores regiões
metropolitanas do País, instituídas por Lei Federal nos anos de 1973 e 1974. É também é a que apresentou a
maior taxa de crescimento entre os anos 2000 e 2010, passando de 3.056.769 para 3.610.379 habitantes, o que
representa uma variação de 1,68%, ou seja, maior que São Paulo (0,96%), Rio de Janeiro (0,67%) e Salvador
(1,37%). Considerando apenas a cidade, Fortaleza é a segunda maior em crescimento demográfico, vindo
atrás somente de Salvador. A capital cearense conta atualmente com 2.643.247 milhões de habitantes. Quando
da institucionalização da região metropolitana de Fortaleza apenas cinco municípios foram selecionados,
considerados aptos à inclusão: Fortaleza, Caucaia, Maranguape, Pacatuba e Aquiraz, e naquela ocasião a massa
populacional era de aproximadamente 1 milhão de habitantes. Dos cinco municípios da fase de criação do
espaço metropolitano, Fortaleza forma atualmente uma um conjunto de 19 municípios. O de Maracanaú foi
desmembrado do município de Maranguape passou a integrar a RMF a partir de 1983. Em 1987 foi adicionado
mais um município, o de Eusébio. Em 1992 é o ano de integração de Itaitinga e Guaiúba e a partir de 1999,
quatro municípios de agregam à condição metropolitana e são eles: Chorozinho, Pacajus, Horizonte e São
Gonçalo do Amarante. Em 2009 a RMF recebe mais dois municípios. Pindoretama e Cascavel. O quadro se
completa com a inclusão de de Paracuru, Paraipaba, Trairi e São Luís do Curú, em 2014.
da outras, que buscam oportunidades e vantagens capazes de lhes garantir a condição metro-
politana. Várias podem alcançar tamanho demográfico expressivo e atuarem entre elas através
de relações de complementaridade. A proximidade gera uma competição e, na maioria das
vezes, apenas uma inicia o processo de metropolização na função de comando e de controle.
A pesquisa que fundamenta o texto deu especial atenção aos museus considerando o
significado e abrangência desses equipamentos. Os museus emergem na composição da
paisagem, seja ela rural ou urbana, da necessidade das sociedades rememorarem suas tem-
poralidades nas mudanças dos objetos constituintes da materialidade do espaço, incluindo
as diferentes formas de produzir territórios no contexto das relações com os utensílios,
128
Portal “Museusbr você encontrará Museus de Arte, de História, de Ciências, de Antropologia, Museus
Comunitários, Museus das mais variadas temáticas e outros que você sequer imagina.” In: http://museus.
cultura.gov.br/, visita em 12.12,2018
129
http://www.museus.gov.br/os-museus/o-que-e-museu/ visita em 12.12,2018
Isso não confirma que toda produção pautada noutros valores não seja portadora de
qualidade. Um dos maiores entraves para um forte contraponto emerge no tocante à loca-
lização de infraestrutura e de equipamentos tidos como suportes das políticas culturais
no contexto das cidades especialmente aquelas metropolizadas. Além dos museus as salas
especializadas com espaço para acomodar peças teatrais, orquestras, bandas, feiras, exposi-
ções, congressos, conferências, palestras, grupos de discussão, dentre outras.
A cidade contemporânea guarda vestígios de tempos pretéritos e seu centro histórico
ou de negócios é a expressão maior de um período em que todas as atividades de porte se
localizavam nas áreas centrais. De um modo geral ocorre também uma concentração desses
equipamentos nas áreas centrais das cidades e nos bairros mais equipados com infraestru-
tura urbana, ocupados, em sua maioria, por segmentos sociais com maiores rendimentos e
razoável padrão de moradia, onde os elementos paisagem como vista, sossego, tranquilida-
de se destacam. Nem todos podem desfrutar desses privilégios. São os que vivem na cidade
possível, onde satisfazem, mesmo que de forma incompleta, as necessidades materiais, sem
a preços altíssimos. A cidade vivida, no plano cultural, tem sido aquela em que os lares
estão conectados por meio eletrônico ou digital. O acesso à cidade sob essas condições é
reduzido à sua condição mercadoria. O medo, o pânico, o ruído aguçam a competição e
esvaziam os espaços públicos da cidade. A maioria dos equipamentos culturais, especial-
mente os museus localizados nas áreas centrais das cidades poderiam ser mais frequentados
nos finais de semana. As cidades se modificam e conforme (Moura, 2009, p. 38, 39):
No âmbito das transformações recentes das aglomerações urbanas, constata-se
que estão sofrendo alterações em sua natureza e tendo ampliada a complexidade de
suas dinâmicas. De modo geral, o desenho de expansão centro-periferia cede lugar
a processos mais complexos e a formas mais diversificadas, sempre associados ao
131
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou nessa quarta-feira, dia 25, às 10h, o
Comunicado do Ipea nº 94. A mobilidade urbana no Brasil. In: http://www.ipea.gov.br/portal/index.
php?option=com_content&view=article&id=8588, visita em 15.12.2-18.
Os dinâmicos centros das cidades brasileiras mostram-se esvaziados nos finais de sema-
na ao contrário do que acontece nos dias úteis. São poucos os residentes que permanecem
com suas moradias nas áreas centrais e garantem fluxo constante de pessoas e mercadorias
e a animação do comércio. Em decorrência da forte concentração comercial e de serviços
e a acentuada redução do número de residentes, a funcionalidade dos centros da cidade
se altera substancialmente. Os finais de semana adquirem sentido temporal significativo
devido ao aumento pela procura dos equipamentos e serviços culturais. Entretanto, esse
mesmo esvaziamento dá lugar ao terror e ao medo, o que afasta o público interessado em
visitar centros culturais, museus, assistir peças teatrais ou participar de outras atividades.
Poucos locais no centro de Fortaleza mantêm-se animados nos finais de semana. Findo um
espetáculo num teatro ou a saída de museus as ruas esvaziadas geram um sentimento de
insegurança. Reforça essa situação os bares, restaurantes e lanchonetes que permanecem
fechados em sua maioria, particularmente aos domingos.
São poucas as atividades culturais voltadas aos bairros mais afastados e menos equi-
pados. Fortaleza conta com três Centros Urbanos de Cultura, Arte, Ciência e Esporte
– CUCAS,132que atendem parcialmente demandas juvenis.
Os grandes museus por sua vez, possuem metodologia de trabalho para atrair esses
moradores apartados de uma vida urbana mais completa. Essa população segregada da
cidade ocupa áreas antes restritas a setores da elite. O aviltamento do preço da terra urbana
permite que amplos setores urbanizados se submetam a novos tipos de uso. A cidade vai,
mesmo que às avessas, cumprindo sua função social. A espera de ações de reordenamento
Um dos ícones do novo museu é a fotografia “Menina afegã” registrada por McCurry.
Sharbart foi capa da revista National Geographic em 1985, com apenas 25 originais espa-
lhados pelo mundo.
258 //Novas Fronteiras, Outros Diálogos: Cooperação e Desenvolvimento Territorial
138
Museu do Ipiranga In: http://www.mp.usp.br/museu-do-ipiranga
Referências