1.

PRINCÍPIOS DA CINEMATOGRAFIA
Bitolas e Formatos Por Filipe Salles BITOLAS O conceito de Bitola surgiu juntamente com o cinema, descendendo diretamente da fotografia. Nos primórdios da arte fotográfica, os filmes eram emulsões aplicadas a grandes superfícies, de metal e posteriormente de vidro, as chamadas chapas fotográficas, implicando assim no conceito de formato. Apenas com a revolução de George Eastman em 1888, a película fotográfica passou a ser comercializada em rolos flexíveis (consultar História da Fotografia). Quando nasceu o cinema, primeiramente através do Kinetoscópio de Edison, foi necessária a confecção de uma tira fotográfica contínua que dispusesse de perfurações adequadas ao mecanismo da câmera e do projetor. Assim Eastman fabricou uma película de 35mm, que era a medida de largura da tira do filme (que diferencia-se das atuais apenas quanto ao número e formato das perfurações, com menos perfurações por fotograma e estas arredondadas, e não retangulares como hoje), e a esta medida de largura da tira da película é que chamamos Bitola.

Figura 1: Quadro comparativo das bitolas mais comuns. Note-se que os formatos 9,5mm e 8mm standard não são mais fabricados.

No início do Kinetoscópio de Edison, o tamanho máximo (em comprimento) da película que a tecnologia de então poderia fabricar era 17mts., razão pela qual os filmes do Kinetoscópio não duravam mais que um minuto. Mas a demanda de produção, depois que Lumière projetou a película para fora do aparelho de Edison (inventando, assim, o que chamamos propriamente de cinema) era grande, e com o advento de novas tecnologias de construção e fabricação das câmaras, as películas consequentemente também tiveram que acompanhar tais tecnologias. A guerra das patentes, concorrência comercial e praticidade de uso foram fatores determinantes para a criação de outras bitolas cinematográficas, num grande e variado número: 3mm, 8mm, 9.5mm, 11mm,

13mm. 18mm.868”x 0. e é calculado levando-se em conta a relação entre altura e comprimento do retângulo onde será impressa a imagem captada pela câmera. todo o cineasta deveria mandar fabricar janelas específicas para a exibição de seus filmes. 17mm. 2:1.523”) Janela 1. com o tamanho de cada fotograma nas bitolas indicadas. 24mm.868”x 0. 22mm.496”) Janela 1. é a polegada (entre parênteses): Formatos para Bitola 35mm Janela Full Screen 1.980”x 0.Formato Acadêmico Janela 1. 63mm. 50mm.469”) . são proporções.85:1. etc. 28mm. o que tornaria a comercialização inviável.5mm.20:1.868”x 0.75:1 (0. Tais valores são relações numéricas independentes da unidade de medida utilizada. que no caso.868”x 0.37:1 (0. Mas não se trata de uma relação aleatória..66:1 (0. dependendo da janela utilizada na câmera ou na projeção. como por exemplo 1. do contrário. Uma mesma bitola pode ter vários formatos. FORMATO O formato é a área útil de impressão num negativo. 35mm e 70mm.631”) . 2. 62mm.33:1.33:1 (0. mas que podem vir acompanhadas de uma unidade métrica para fins práticos.. As bitolas mais conhecidas no Brasil são o Super-8. 65mm e 70mm. 1. e outros ainda que não chegaram nem ao comércio..735”) – Formato Mudo Janela 1. 26mm. 30mm. 16mm.85:1 (0. 17. pois. Figura 2: Quadro comparativo (fora de escala). são valores estabelecidos pelos padrões da indústria cinematográfica.

o mais comum é uma pequena redução para 35mm mesmo.66:1 (0.404”x 0. o Super-35 e o 65mm. só servem para filmagem. Estas são os chamados formatos de captação. 35 e 70. mais comuns). aumentando a razão do formato e assim aproveitando mais a sensibilidade total da película. os dois tipos clássicos de perfuração.295”) – Formato Acadêmico Janela 1.85:1 (0.404”x 0. janela 1:1. . Desta forma. O 65mm já considera este espaço e deve ser copiado em 70mm sonoro.Formatos para Bitola 16mm Janela 1. o Super-16. Os Super-Formatos Deve-se notar que a tecnologia moderna produziu mais outros três formatos. e nas figuras B e C. respectivamente. na captação o fotograma cobre a área destinada à banda sonora. mais rara e utilizada atualmente apenas em câmaras high speed) e a simples (figura C. e não para exibição. a dupla (figura B. seu destino natural é a ampliação para 35mm e assim reduzindo os custos de captação.37. pois levam utilizam-se de uma área maior da largura.37:1 (0.404”x 0. ou seja.243”) Janela 1. mas com janela panorâmica (ver adiante). No caso do Super-16. a partir das bitolas 16. que são. pois a lata de negativo 16mm é muito mais barata que a 35. e no caso do Super-35.218”) Figura 3: 16mm Na ilustração acima. podemos notar a figura A representando o formato 16mm básico. e devem ser reduzidas ou ampliadas para que na cópia final possa haver espaço para a banda sonora.

“El Cid” (Anthony Mann. mesmo com tais recursos.488”x 0. tanto pela comodidade de assistir filmes pelo aparelho de TV quanto pelo custo menor de uma produção eletrônica. este avanço representou para o cinema a inclusão de um concorrente direto e potencialmente promissor. dada a qualidade da imagem e som.66) Formatos Especiais No início da década de 40. Entretanto. obtendo um formato próximo do 70mm.Formato Super-16 Janela 1. Consiste numa lente adicional colocada à objetiva da câmera que tem a propriedade de captar um formato maior que a proporção possível do negativo é capaz de suportar. que nada mais é que o inverso da que captou. na captação. outro. 1956). nos EUA. “Os Dez Mandamentos” (Cecil B. A primeira a mais comum alternativa para essa simulação é a lente anamórfica. Um deles foi a cor.35:1. Num primeiro momento. como por exemplo 2. Na projeção. Como em ambos o interesse comercial era proeminente.20:1 ou 2. também conhecida como Cinemascope. de tal maneira que foi necessária a criação de sistemas alternativos. Tais sistemas simulam diferentes formatos numa mesma bitola. com algumas restrições técnicas.263”) Figura 4: Formato acadêmico do Super-16 (1:1. temos o alongamento das laterais para compensar a distorção vertical. utilizando-se uma lente de projeção anamórfica. e cuja conseqüência mais próxima seria sua extinção. e ainda outro. um formato próximo à proporção do 70mm numa bitola de 35mm. o som estereofônico. 1968). de Mille. 2. Surgiu daí o conceito de grande produção e da bitola de 70mm. a saída que os grandes estúdios arrumaram foi a criação de sistemas impossíveis de serem reproduzidos em toda sua extensão pela TV. os grandes formatos. ao ponto de permitir. mais alongada na vertical (para isso utiliza-se da janela Full Screen). o custo de uma produção desta magnitude era inviável para a maioria dos estúdios. 1959). Exemplos deste tipo de produção são encontrados em filmes épicos como “Ben-Hur” (William Wyler. Para “caber” esta proporção no formato da bitola 35mm. Levando-se em conta que o cinema era uma das maiores fontes de renda americanas (ainda hoje é a segunda maior renda dos EUA).85:1 (0. a lente distorce a imagem tornando-a.295”) Janela 1. a um grau de excelência que possibilitaram a invenção da TV comercial.2:1 . de fato. era realmente impossível reproduzir a experiência proporcionada pela sala escura numa projeção em 70mm e som estéreo. a televisão punha-se como um rígido anteparo ao avanço das produções em película. E. 1961) ou mesmo “2001” (Stanley Kubrick.488”x 0. as pesquisas no campo da tecnologia de transmissão eletrônica de imagens já haviam chegado.66:1 (0. que ainda hoje o vídeo não alcançou.

permitindo assim um melhor aproveitamento da área útil da emulsão. E há ainda o sistema VistaVision.com. e que trabalha com a captação do negativo 35mm na horizontal. Se for usada a janela Full Screen. simulando um formato próximo de 70mm. a 1. Uma outra possibilidade é filmar com uma outra janela.85:1.br .com. há perda de quadro nas laterais. que comprime a imagem no espaço do fotograma 35mm. que possui algumas diferenças na resolução e profundidade de campo (maior que no outro formato). Figura 7: Câmara Panavision.35:1 como resultado final. a projeção em tela panorâmica de um fotograma captado com lente anamórfica. que possibilita o formato 2.br webmaster@mnemocine. onde o filme corre na horizontal.Figura 5: À esquerda.mnemocine. copyright© 2000 by Filipe Salles – Todos os direitos reservados http://www. Outros sistemas de captação com lente anamórfica são o Techniscope e o sistema Panavision. mostrado à direita. Porém. Figura 6: Formato VistaVision. que foi bastante comum na década de 60. é possível fazer uma ampliação para o formato da bitola 70mm sem perda de quadro. na ampliação para 70mm.

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