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Mestrado em Energia e Bio-Energia

Balanço dos Materiais e Energéticos da


Produção da Biomassa

Energia Eólica

Manuel Mira nº 29209


Índice

Introdução_________________________________________________ 3
A energia eólica____________________________________________ 4
Características do vento_____________________________________ 4
Turbulência do vento________________________________________ 4
Turbinas eólicas____________________________________________ 6
Componentes do rotor_______________________________________ 7
Pás do rotor_______________________________________________ 7
Controle de potência________________________________________ 8
Controle de Pitch___________________________________________ 9
Controle de Stall___________________________________________ 9
Mecanismo direccional______________________________________ 9
Gerador___________________________________________________ 9
Gerador sincrónico_________________________________________ 9
Gerador assíncrono________________________________________ 10
Caixa de velocidades_______________________________________ 10
Produção de energia_______________________________________ 10
Energia do vento__________________________________________ 11
Rendimentos da turbina eólica_______________________________ 12
Coeficiente de potência_____________________________________ 12
Instalação de centrais eólicas e os seus impactos_______________ 13
Instalação_________________________________________________ 13
Desenvolvimento do projecto_________________________________ 13
Impactos sobre a paisagem__________________________________ 14
Design____________________________________________________ 15
Impactos visuais____________________________________________ 15
Bibliografia_________________________________________________ 17

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Introdução

Ao longo dos tempos o homem utilizou o vento como principal fonte de


energia para a realização de trabalho como o bombeamento de água ou na
moagem de cereal. Com a introdução dos motores de combustão interna e
electricidade, o uso da energia do vento deixou de ter sentido devido ao seu
investimento inicial na construção de moinhos e sua manutenção, mas também
pelo padrão irregular que o vento apresenta no fornecimento de energia para
os moinhos.
Em 1888 foi construído por Charles F. Brush o primeiro aerogerador de energia
eléctrica, e gerava 12 kW. Mas no entanto o só a partir dos meados do século
XX é que se começou a desenvolver projectos na construção de aerogeradores
mais eficientes na produção de energia eléctrica.
O aumento dos preços do petróleo em 1973 estimulou a investigação e
projecção de aerogeradores de maior potência e mais eficientes na geração de
energia eléctrica de fonte renovável, minimizando a dependência dos
combustíveis fósseis não renováveis.
Actualmente a preocupação é gerar electricidade com baixos níveis de emissão
de gases de estufa (CO2, CH4, N2O), que têm grande parte origem na queima
de combustíveis fósseis. A energia gerada por aerogeradores é totalmente
limpa e renovável, sendo o seu impacto de emissões de gases de estufa
resumido à construção, instalação e manutenção durante o seu ciclo de vida.
Na última década tem se vindo a registar em todo o planeta um aumento
exponencial da potência instalada de energia eólica, de forma a minimizar a
dependência e os impactos criados pela geração de energia eléctrica por
combustíveis fósseis. Pelo que é necessário aproveitar os recursos endógenos,
e principalmente aqueles que se renovam como é o caso da energia eólica,
reduzindo as despesas com outros combustíveis que porventura temos de
importar, e dinamizando assim uma indústria que no futuro poderá empregar
milhares de funcionários, garantindo um crescimento da economia nacional.

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1 - A Energia Eólica
1.1 - Características do vento

A energia eólica é o processo em que o vento é utilizado para a


produção de energia eléctrica, através da conversão da energia cinética do
vento em energia mecânica, pela turbina eólica que transfere a força motriz
para o gerador que a transforma em electricidade.
A energia do vento resulta do aquecimento diferencial da atmosfera pelo
sol, que é originado pelas diferenças entre os vários tipos de superfícies ao
longo do globo e à força de Coriolis, originada pelo movimento de rotação da
Terra.
Uma das características mais importantes do vento é a sua variabilidade
temporal e geográfica, o que significa que diferentes zonas do planeta registam
uma maior ou menor frequência e intensidade do vento. Este tipo de variação é
causado pela diferente distribuição da radiação solar, criando zonas climáticas
com características bem distintas umas das outras.
A uma escala mais pequena as variações climáticas são determinadas por
exemplo, pelos acidentes da superfície, pela interface terra mar, pelo tamanho
das massas continentais e pelo o tipo de vegetação.
Em relação à escala temporal o vento tem maior ou menor variabilidade
consoante maior ou menor período de tempo analisado.
Numa escala temporal longa há uma maior dificuldade na previsão de
ocorrência de ventos, enquanto que numa escala temporal curta há uma maior
probabilidade de prever a ocorrência de ventos.

1.2 - Turbulência do vento

A turbulência é gerada pela fricção do fluxo de ar pelas irregularidades


da superfície da Terra, e pelo efeito térmico que causa o movimento vertical
das massas de ar (Burton, et al., 2001).
Para que seja quantificado o nível de turbulência do vento, é utilizada a
equação da intensidade da turbulência, que é definida por:

I = ð/û

em que o ð é o desvio padrão da variação da velocidade do vento sobre a


media da velocidade do vento û (Burton, et al., 2001).
A intensidade da turbulência (figura 1) depende das irregularidades do
terreno, pelo o que acidentes topográficos, vegetação e edifícios podem causar
um aumento da intensidade da turbulência. Mas o efeito térmico também tem o
seu papel no aumento intensidade da turbulência, ou seja o aquecimento do ar
pela superfície terrestre originará a convecção de células de elevada
turbulência.

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Acima de certa altitude o fluxo de ar deixa de ter influencia da superfície, e
entra na circulação geral da atmosfera que é conduzido pelas grandes
diferenças sinópticas e pelo movimento de rotação da terra.
No entanto para que se compreenda a influencia que a turbulência tem sobre
os aerogeradores, é preciso estudar a camada limite, que é a parte da
atmosfera que interage com a superfície.

Figura 1: Rugosidade da superfície (Burton, et. al., 2001)

A camada limite da atmosfera resulta da força do vento e do atrito da superfície


e do aquecimento da superfície.
A sua espessura não é constante no espaço e no tempo e desenvolve-se até
onde se faça sentir a influência da superfície sobre a qual se forma. Por isso,
depende da velocidade do vento, características da superfície tamanho,
rugosidade e do alcance da convecção.
É normalmente constituída por duas sub-camadas (Figura 2), a laminar que é o
fluxo de ar constante sobre a superfície, enquanto que a camada turbulenta é o
fluxo de ar que é perturbado pela rugosidade da superfície e pela diferença
térmica da camada de ar em contacto com a superfície.

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Figura 2: Camada limite da atmosfera Fonte - (NASA)

2 - Turbinas eólicas
2.1 - Introdução

A turbina eólica é um mecanismo que utiliza a energia cinética do vento, para a


produção de energia mecânica que põem em funcionamento o gerador
produzindo assim energia eléctrica. Este tipo de processo é assegurado por
dois tipos de turbinas o de eixo vertical e o de eixo horizontal, pelo que este
último é o mais utilizado em todo o mundo.

(1) (2)

Figura 3 - (1) Turbina eólica de eixo horizontal, (2) Turbina eólica de eixo vertical

A turbina eólica de eixo horizontal funciona segundo o princípio dos


antigos moinhos de vento, pelo que utiliza um rotor com pás que capta parte da
energia cinética do vento que o atravessa, fazendo-o girar. Ao girar o rotor, este
vai transmitir a potência pelo o eixo para a caixa de velocidades, que vai
multiplicar a rotação de forma a garantir uma rotação elevada para o gerador,
mantendo um fluxo constante de electricidade.

Figura 4 - Extracção de energia de uma turbina de eixo horizontal Fonte - (Burton, et.al.,
2001)

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2.2 - Componentes da turbina

As turbinas de eixo horizontal possuem três componentes básicos, o


rotor com pás, a gôndola e a torre. Na gôndola (figura 5) ficam os principais
componentes tais como o gerador eléctrico, caixa de velocidades, eixos,
travão, controlador eléctrico e mecanismo direccional (yaw).

Figura 5 – Esquema de uma turbina de eixo horizontal Fonte - (adaptado


www.windpower.org )

2.2.1 - Pás do rotor

As pás do rotor operam segundo os princípios básicos da aerodinâmica,


em que o vento faz girar o rotor por diferencial de pressão, que é gerado na
superfície superior e inferior das pás. O vento passa mais depressa pela parte
superior da pá criando uma área de baixa pressão, enquanto que na parte
inferior o vento circula a uma menor velocidade originando uma área de alta
pressão. Este diferencial de pressão entre a parte superior e inferior da pá
resulta numa força de sustentação, que neste caso em concreto pelo o facto
das pás estarem fixas a um eixo central e movimentarem-se num plano, faz
com que a força de sustentação origine um movimento circular continuo.

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Na figura 6 são descritos os princípios da aerodinâmica que actuam na pá do
rotor (www.windpower.org ).

Figura 6 - Forças aerodinâmicas actuando sobre perfil da pá

Perpendicularmente à força de sustentação surge a força de arrasto que se


opõem ao movimento das pás da turbina. O objectivo principal no design das
pás é o de maximizar o ratio entre a sustentação e o arrasto, para que se
optimize o output de energia a qualquer velocidade do vento.
A figura 7 reproduz o esquema de uma turbina eólica de eixo horizontal em que
se pode observar o diferencial de pressão nas pás da turbina.

Figura 7 - Modelo de uma turbina eólica em que é representado o diferencial de pressão em


Pascal por isolinhas Fonte - (www.veta.com.au)

2.2.2 - Controlo da potência

O output de energia eléctrica da turbina é variável consoante a


velocidade e quantidade de vento que varre a área do rotor, pelo qual é
necessário um mecanismo de controlo de potência, para que maximize a
relação entre a energia do vento e a energia eléctrica produzida
(www.windpower.org).
No caso de ventos muito fortes é necessário que se desperdice grande parte
do excesso de energia para evitar estragos na turbina.

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Os sistemas Pitch e Stall controlam as turbinas eólicas de forma a melhorar o
desempenho e produção energética, e como protecção de todo o mecanismo.

2.2.3 - Controle de Pitch

O controle Pitch controla o output da turbina varias vezes por segundo,


de forma a manter um constante fluxo de energia. Quando o output se torna
muito elevado, é enviado um sinal para o mecanismo de pitch que actua
imediatamente sobre as pás do rotor rodando-as de forma a perder o excesso
de energia do vento. As pás voltarão ao seu estado quando o vento reduzir a
sua velocidade.
Este processo é regulado por computadores que rodam as pás em fracções de
graus cada vez que o vento muda, mantendo assim uma velocidade constante
do rotor (www.windpower.org).

2.2.4 - Controle de Stall

O controle de Stall é activado quando a velocidade do vento excede o


limite de segurança, pelo que o ângulo de ataque aumenta para que o fluxo
laminar pare e passe para fluxo turbulento na parte superior da pá do rotor.
(www.windpower.org).

2.2.5 - Mecanismo direccional (yaw)

O mecanismo direccional é utilizado de maneira a orientar o rotor para


que fique perpendicular à direcção do vento. Para esse efeito são utilizados
motores eléctricos com o recurso a carretos que desmultiplicam a força de
modo a garantir que a turbina se mantenham na perpendicular em relação ao
vento.

2.2.6 - Gerador

Os geradores das turbinas eólicas convertem a energia mecânica do


rotor em energia eléctrica. A energia mecânica do rotor é transferida por meio
de eixos e caixa de velocidades para o gerador que produz electricidade para a
rede de distribuição. Mas há modelos que a ligação é feita de modo indirecto à
rede, pelo que o gerador produz uma corrente alternada variável (AC) que não
pode ser utilizada pela rede pública, sendo assim necessário converter em
corrente directa (DC), que depois é convertida em corrente alternada (AC) de
frequência fixa, correspondente à frequência utilizada na rede pública.
Com este tipo de ligação é possível que a turbina possa ter uma velocidade
variável, sem que haja quebras na produção de energia.
Em relação aos geradores estes apresentam dois modelos distintos de
produção de energia eléctrica, o (sincrónico e o assíncrono)

2.2.7 - Gerador sincrónico

O sincrónico funciona segundo o princípios do electromagnetismo, em


que um magneto é forçado a girar no centro de três electromagnetes que estão
dispostos em circunferência, produzindo corrente alternada. Quanto maior for a

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força aplicada maior será a quantidade de electricidade gerada, mas o gerador
terá que continuar a girar à mesma velocidade para que mantenha a frequência
de 50Hz, ou seja 50 revoluções por segundo =3000 rpm (rotações por minuto),
ou seja da rede eléctrica.
Em prática o gerador sincrónico não é muito utilizado, pelo que o
magneto central tem tendência em desmagnetizar porque trabalham num forte
campo magnético. A outra razão é que estes magnetos são feitos de um metal
raro (Neodynium) (www.windpower.org ).

2.2.8 - Gerador assíncrono

O gerador assíncrono ou de indução é utilizado pela maioria das turbinas


eólicas, gerando corrente alternada.
É interessante dizer que este modelo foi inicialmente desenhado como motor
eléctrico, e que maior parte das aplicações do dia a dia utilizam este tipo de
motor de indução (www.windpower.org).
O gerador para produzir energia eléctrica necessita que o rotor gire a uma
velocidade acima da que o campo magnético. O campo magnético gira
precisamente à velocidade sincrónica de 1500 rpm, pelo que é necessário
aumentar a velocidade do rotor para que seja produzida corrente alternada.
Ao contrário do sincrónico este tipo de gerador necessita de estar ligado à rede
eléctrica, porque é necessário que o campo magnético esteja magnetizado,
pelo que de qualquer outra forma não produziria electricidade.

2.2.9 - Caixa de Velocidades

A caixa de velocidades é utilizada para transformar uma rotação baixa


vinda do rotor, em rotação mais alta para o gerador.
O gerador poderia ser ligado directamente ao eixo do rotor, mas como já foi
referido o gerador necessita de velocidades altas para a produção de energia
eléctrica de boa qualidade.
Por exemplo um rotor com um diâmetro de 43 metros for ligado directamente
ao gerador, a velocidade que seria necessária para a produção de energia era
a do dobro da velocidade do som na ponta das pás do rotor, o que esse torna
fisicamente inadmissível (www.windpower.org).

2.3 - Produção de energia

A produção de energia pela turbina eólica depende da quantidade de


energia cinética retirada pela passagem do vento pelo o rotor.
Segundo a lei de Betz só é possível converter menos de 59% da energia
cinética com uma turbina eólica.
Se tentarmos extrair toda a energia cinética do vento, o ar ficaria a uma
velocidade zero à saída da turbina. O ar ao ficar à saída da turbina não deixaria
entrar mais ar e portanto não se poderia produzir mais energia.
A figura 8 é exemplificativa da lei de Betz em que o vento perde só 2/3 da sua
energia cinética (www.winpower.org).

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Figura 8 - Deflexão do vento pela turbina Fonte - (www.winpower.org, 1999)

2.3.1 - Energia do vento

A quantidade de energia que é extraída do vento pela turbina depende


do input total de energia do vento, da energia utilizada (Lei de Betz) e o output
de energia, como é referido na figura 8.

Figura 9 - Relação entre o input e output de energia Fonte - (www.windpower.org, 1998)

A figura 9 representa um gráfico da variação da quantidade de energia que é


produzida consoante a velocidade do vento que é registada.
A zona cinzenta significa o total da energia cinética do vento, enquanto que a
zona azul representa a parte da energia cinética que é utilizada pela turbina, e
a vermelho o total de energia eléctrica produzida.
Segundo esta relação pode-se dizer que só uma pequena parte da energia
total vento é que é aproveitada para a produção de energia eléctrica.

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2.3.2 - Rendimento das turbinas eólicas

O rendimento das turbinas eólicas é obtido pela medição da velocidade


do vento em relação ao output de energia eléctrica produzida. A medição da
velocidade do vento é dada pelo anemómetro que está situado na parte
traseira da gôndola para que a turbulência criada pelo o rotor não afecte as
medições. Com esta informação é possível elaborar gráficos de potência, em
que no eixo do x são representadas as velocidades do vento em m/s, enquanto
que no eixo do y é representado o output de energia em kW.
Na figura 10 é dado um exemplo de um gráfico de potência de uma turbina de
600 kW.

Figura 10 - Curva de potência de uma turbina eólica de 600 kW


Fonte - (www.windpower.org, 1998)

2.3.3 - Coeficiente de potência

O coeficiente de potência indica a eficiência da turbina em converter a


energia do vento em energia eléctrica.
O coeficiente é dado por a divisão do output de energia pela energia do vento,
medindo assim a eficiência da turbina em produzir energia eléctrica.
Com este coeficiente podemos criar gráficos que explicam em qual a
velocidade óptima para a turbina produzir o máximo de energia eléctrica.
Se uma turbina apresentar uma grande eficiência a velocidades baixas do
vento, significa que vai receber muito pouca energia. Enquanto que uma
turbina que apresenta grande eficiência a velocidades altas do vento, o que
terá que libertar o excesso de energia.
Portanto para que uma turbina se torne o mais eficiente possível é preciso que
apresente um grau de eficiência na zona onde a velocidade do vento transporta
mais energia (www.windpower.org ).

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3 - Instalação de centrais eólicas e os seus impactos
3.1 - Instalação

Para a instalação de aerogeradores, é necessário a existência de um


projecto que equacione as várias variáveis tais como a construção das
fundações, estradas de acesso, infra-estruturas eléctricas, edificação e
manutenção de todo o complexo. Mas a instalação de centrais eólicas
necessitam de grandes quantidades de capital investido, pelo o que só grandes
grupos empresariais ou entidades estatais é que tem o poder económico de o
realizar.
Na Figura 11 observa-se a percentagem que cada processo tem no orçamento
total de uma central eólica de 10 MW. Grande parte da fatia do orçamento
destina-se à compra de aerogeradores e ao trabalho de construção.

Figura 11 - Percentagem dos custos para uma central eólica de 10 MW


Fonte - (Burton,et.al.,2001)

3.2 - Desenvolvimento do projecto

A primeira fase do desenvolvimento do projecto é a escolha de do local


ideal para que seja edificada a central eólica.
A escolha do local deve ter em atenção a velocidade e frequência do vento,
pelo que quanto maior for os valores registados maior será a sua produção de
electricidade. A acessibilidade por meio de vias terrestres, para o transporte
dos componentes que constituem as turbinas eólicas, e a proximidade de da
rede de distribuição de energia eléctrica são factores muito importantes na
escolha do local (Burton, et.al., 2001).
No projecto deve constar as zonas em que as turbinas poderão gerar impactos
negativos para a sociedade, paisagem, natureza, biodiversidade, arqueologia…
É de referir que zona com elevado valor ecológico e paisagístico tais como
Parque Naturais, a introdução de um parque eólico, resultaria na perca de valor
visual e ambiental de uma zona em que esses são os seus recursos principais.
Outros aspectos a ser considerados são os efeitos visuais, sonoros,
sombreamento, intermitência da luz pela rotação do rotor e interferência com
os sistemas de comunicação, causados pelas turbinas.

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3.3 - Impactos sobre a paisagem

As turbinas eólicas de eixo horizontal são estruturas de grandes


dimensões que por vezes atingem os 100 m desde a ponta da pá até às
fundações, e necessitam de estar expostas em locais elevados onde as
velocidades do vento são elevadas. A disposição das turbinas terá de ser feita
com um espaço entre elas de 3 – 5 vezes o diâmetro do rotor, ocupando assim
grandes áreas (Burton, et.al., 2001).
É então necessário que exista uma avaliação dos impactes visuais e
paisagísticos das zonas onde é projectada a instalação de parques eólicos.

Ao ser identificado o local para a futura localização do parque eólico, é


necessário que se faça uma descrição da geomorfologia e do uso da terra
nessa área.
Certos tipos de paisagem são mais apropriados do que outros para a
instalação de parques eólicos. Por exemplo os terrenos agrícolas planos são
bons para colocação de igual espaçamento de todo o tipo de turbina, enquanto
que na costa a disposição das turbinas deve ser feita de modo linear.
Portanto consoante o lugar a paisagem tem diferente capacidade de acomodar
e de as absorver fazendo assim parte integrante da paisagem (Staton, 1994).

3.3.1 - Design

O design da turbina tem vindo a ser aperfeiçoado ao longo dos tempos


para que as suas formas se tornem harmoniosas e visualmente agradáveis.
Na actualidade podemos ver que na generalidade as turbinas de eixo horizontal
apresentam um rotor de três pás, devido a que este formato faz com que a
velocidade do rotor seja mais baixa do que o de duas pás. Estudos foram feitos
que é mais relaxante para a visão uma turbina com baixa velocidade de
rotação do que uma turbina com uma elevada velocidade de rotação (Taylor e
Rand, 1991, Gipe, 1995). O design das torres também varia consoante a área
onde é implantado, pelo o que áreas com uma elevada frequência de vento não
necessitam de torres muito altas, enquanto que áreas em que o vento não seja
tão frequente são necessárias torres muito altas para a maximização da
geração de energia.
A pintura das turbinas também deve ser levada em consideração para que
sejam esquadradas na paisagem sem que originem contrastes muito
acentuados. A cor mais predominante é o branco e deve ser mate para
minimizar a reflexos da luz incidente.

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Figura 12- Parque eólico em terreno plano Figura 13 - Parque eólica ao longo da costa
Fonte - (Cumbria Wind Farm Ltd, Paul Carter) Fonte - (www.windprospect.com )

3.3.2 – Impactos visuais

Para analisar os impactos visuais é necessário recorrer a uma


metodologia que permita projectar zonas de impacto visual. Estas zonas são
normalmente definidas por um raio de 10 a 20 km, de onde a turbina ou parte
da turbina sejam visíveis. A ZIV é gerada por métodos computacionais
baseados no modelo digital de terreno, em que mostra a topologia do terreno
que influenciará a visibilidade do parque eólico.
De seguida são seleccionados vários pontos de vista onde o parque eólico é
visível. Os pontos de vista são seleccionados por entidades do planeamento, e
são avaliados quanto à sensibilidade da paisagem, do ponto de vista e da
magnitude das alterações (Burton, ete.al., 2001).

Figura 14 - Exemplo da visão topológica Fonte - (www.resoft.co.uk )

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Outra abordagem que também é considerada é a fotomontagem, em que é
utilizado um software próprio para inserir as turbinas à escala na paisagem que
se deseja estudar. A fotomontagem utiliza várias fotografias do local em vários
pontos de vista para que se possa visualizar o impacto que as turbinas
poderiam ter. A análise destas fotomontagens é feita por várias pessoas e em
que expressam a sua opinião. Na figura 15 é possível visualizar como é feita a
fotomontagem.

Figura 15 - Exemplo de uma fotomontagem Fonte - (www.resoft.co.uk )

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Bibliografia

Burton, T., Sharpe, D., Jenkins, N., Bossanyi, E., (2001) Wind Energy Handbook, John
Wiley & Sons, Chichester.

Blanco, M., (2008) The wind economics of wind energy, Renewable and Sutainable
Energy Reviews, Elsevier.

Internet

www.awea.org
www.ewea.org
www.dgeg.pt
www.windpower.org

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