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INTERPRETAÇÕES DOS MUITOS

MUNDOS
Física Quântica
Entenda as diversas interpretações da física quântica

Por Osvaldo Pessoa Jr.

No texto “O Problema da Medição”(clique aqui), discutimos a
questão, colocada por algumas interpretações realistas
ondulatórias, sobre qual seria a etapa do processo de medição em
que ocorreria o colapso da onda quântica. Seria na interação do
objeto quântico com a placa metálica do detector? Seria no
processo de amplificação, que envolve o fornecimento externo de
energia? Seria quando um registro macroscópico fosse obtido? Ou
seria quando um ser humano consciente observasse o resultado
macroscópico do experimento?

0,

A tese de que é o ser consciente que provoca o colapso é
conhecida como interpretação subjetivista, e foi explorada no texto
“A Consciência Legisladora” - clique aqui. Na figura acima,
representamos um átomo como um pacote de onda vermelho (com
uma flecha), que após passar pelo imã de um aparelho de Stern-
Gerlach entra em uma superposição, indicada por linhas tracejadas
alaranjadas. A interpretação subjetivista supõe que a superposição
dos átomos “contamina” os aparelhos macroscópicos, de tal forma
que estes também entram em uma superposição, de maneira
semelhante ao que foi visto no texto “Onde está o Gato de
Schrödinger?” - clique aqui. Mas quando, finalmente, um ser
humano observa o aparelho, a sua consciência teria o poder de
provocar o colapso, e apenas uma das potencialidades se atualiza
(ver imagem no cérebro do observador da figura).
Essa interpretação subjetivista não é bem vista pela maioria dos
físicos, apesar de ter sido bastante difundida nas últimas décadas
pelo movimento que podemos chamar “misticismo quântico”. Esta
visão não é refutada por nenhum experimento factível, de forma que
ela é uma interpretação tão digna quanto as dezenas de outras.
No entanto, é curioso que muitos físicos ortodoxos passaram a
defender uma visão ainda mais exótica, na qual o próprio
observador humano entra numa superposição quântica! Esta
concepção é conhecida como a interpretação dos muitos mundos.

Esta visão foi apresentada pela primeira vez em 1957, pelo norte-
americano Hugh Everett III, que fazia seu doutorado sob a
orientação de John Wheeler, que mencionamos no texto “A Escolha
Demorada” - clique aqui. Segundo este ponto de vista, nunca
ocorrem colapsos. Um observador humano, ao olhar para o
resultado do experimento, entraria numa superposição quântica, e
haveria então duas versões do observador, dois “ramos”, cada qual
tendo percebido um resultado diferente para o experimento. Cada
ramo corresponderia assim a um resultado da medição quântica, e
a memória do ser humano, em cada ramo, não teria acesso à
memória do outro ramo. Assim, em cada ramo, o ser humano teria a
ilusão de que apenas um resultado de medição se produziu, e diria
que tal resultado surgiu após uma “redução” ou colapso do estado
quântico. Mas, na verdade, ele teria entrado numa superposição
macroscópica, e nenhuma redução de fato teria ocorrido: esta seria
apenas uma aparência.

Na figura, representam-se as duas versões do observador, A e B,
unidos porém como uma superposição quântica. Apesar de eles
estarem unidos, como irmãos siameses, um não percebe a
presença do outro. O observador A registrou um certo resultado em
seu cérebro, e toda vez que ele se lembrar desta observação, ele
só terá acesso à memória em sua cabeça, nunca na cabeça do
outro. Assim, eles não têm como saber que o outro existe!

O interesse de Everett era tratar o Universo todo como um sistema
quântico, e como não haveria um observador externo, achou por
bem supor que colapsos nunca ocorrem (pois eles só poderiam ser
provocados por um observador externo). Notamos, na figura, que
representamos o emaranhamento do sistema quântico com o
ambiente externo. Isso, para as visões subjetivista e dos muitos
mundos, não é suficiente para provocar colapso.

Tanto a interpretação subjetivista quanto a dos muitos mundos são
atraentes para as visões místicas, mas deu para perceber que elas
são interpretações conflitantes, ou seja, não dá para defender
ambas as interpretações ao mesmo tempo. Na visão subjetivista, a
consciência tem um certo poder sobre a realidade, o que não ocorre
na visão dos muitos mundos. Nesta, porém, há uma sugestão de
que podemos ter vidas paralelas, ou que nossas diferentes
potencialidades na vida de fato coexistem, o que também é atraente
para a visão de mundo mística.

Everett chamou sua visão de interpretação dos “estados relativos”,
pois o estado de um observador (por exemplo) é definido em
relação ao estado do sistema que ele observa. Em 1973, uma
versão um pouco diferente, chamada interpretação dos “muitos
mundos”, foi divulgada por Bryce DeWitt, que considerou que os
diferentes ramos (como A e B) seriam na verdade diferentes
mundos, ou Universos paralelos. A diferença entre a visão de
Everett e a de DeWitt é que, para o primeiro, haveria apenas um
único Universo, de comportamento completamente quântico, ao
passo que o segundo imaginava cada ramo como um Universo
clássico diferente.

Dois historiadores brasileiros, Olival Freire Jr. e Fábio Freitas, da
Universidade Federal da Bahia, têm estudado cartas e documentos
relativos a Hugh Everett, mostrando as dificuldades que ele teve
para divulgar suas idéias para a comunidade dos físicos, em
especial para Niels Bohr.

O interesse recente que os físicos têm tido pelas idéias de Everett
pode ser exemplificado pela capa da revista Nature, mostrada
abaixo, que apresenta uma ilustração típica de livros de ficção
científica.

Fonte:
Vya estelar UOL
http://www1.uol.com.br/vyaestelar/fisicaquantica.htm

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Livros recomendados::mg

“O fim da Terra e do Céu”, O apocalipse na Ciência e na
Religião, Marcelo Gleiser, 336 páginas, Editora Companhia
das Letras, Rio de Janeiro, 2002.
www.companhiadasletrinhas.com.br/

“Cartas a um Joven Cientista”, O Universo, a vida e outras
paixões, Marcelo Gleiser, Rio de Janeiro, RJ, Editora
Elsevier, 2007.
“Poeira das Estrelas”, De onde viemos? Para onde vamos?
Estamos sozinhos no Universo?, Marcelo Gleiser (Textos de
apoio: Frederico Neves), São Paulo, SP, Editora Globo, 2006.

“A Harmonia do Mundo”, Aventuras e desventuras de
Johannes Kepler, sua astronomia mística e a solução do
mistério cósmico, conforme reminiscências de seu mestre
Michael Maestlin. Marcelo Gleiser, São Paulo, SP, Editora
Companhia das Letras, 2006.

“Micro Macro”, Marcelo Gleiser, Publifolha.

“Micro Macro 2”, Marcelo Gleiser, "Micro Macro 2" é uma
reunião das colunas de Marcelo Gleiser, publicadas no
caderno "Mais!" da Folha de S.Paulo de 2004 a 2007.
Publifolha.

“O Livro do Cientista”, Col. Profissões. Marcelo Cipis /
Marcelo Gleiser, Companhia das Letrinhas.

“Mundos Invisíveis: da Aquimia à Física de Partículas”.
Marcelo Gleiser, 288 páginas. Editora Globo, 2008.

Depois do sucesso de Poeiras nas Estrelas, o físico Marcelo
Gleiser lança seu novo livro Mundos invisíveis: Da alquimia à
física de partículas, pela Editora Globo. Nesta obra, o autor
analisa os fenômenos físicos do micro para o macro,
partindo das subpartículas do átomo para desvendar o
universo. Para explicar tudo isto, Gleiser parte da simples
pergunta: Do que tudo é feito?. Logo nas primeiras páginas,
o escritor nos apresenta a frase O essencial é invisível aos
olhos, de Antoine de Saint-Exupéry, sugerindo a idéia de que
geralmente não prestamos muita atenção naquilo que está
ao nosso redor.Posteriormente, ele explica ao leitor como a
partir da simples observação de um fenômeno natural, ou de
algo que intrigava as pessoas, foi possível chegar às
principais descobertas do conhecimento.Ao longo de dez
capítulos, Gleiser, autor também de um quadro no programa
Fantástico, da Rede Globo, aborda os principais
questionamentos da ciência na história. A busca do elixir da
vida pelos alquimistas, os estudos sobre o cosmo, a
eletricidade e o magnetismo e a fascinante teoria da
relatividade são alguns dos temas abordados no livro.
Com exemplos e analogias simples, presentes no nosso
cotidiano, Gleiser explica as descobertas e experimentações
de estudiosos como Aristóteles, Isaac Newton e Albert
Einstein, na busca de desvendar um mundo invisível que
determina a composição de tudo o que existe na natureza.
Além de fotos e ilustrações, que enriquecem as teorias
apresentadas, a obra também conta com textos de apoio,
escritos pelo jornalista Frederico Neves.Desde o
pensamento de Nicolau Copérnico, para quem o Sol, e não a
Terra, era o centro do cosmo, até o surgimento da bomba
nuclear, na Segunda Guerra Mundial, o autor propõe uma
espécie de viagem no tempo para contar a história dos mais
antigos mestres da ciência e seus discípulos - pessoas que
foram capazes de trazer grandes descobertas para a
humanidade.O livro é essencial para todos aqueles que
querem conhecer os estudiosos que, movidos pela
curiosidade e pelo seu espírito criativo, foram corajosos o
suficiente para desafiar todos os conceitos de sua época e
quebrar paradigmas.

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