ISLA-LISBOA DIREITO COMUNITÁRIO LICENCIATURA EM GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS E ORGANIZAÇÃO ESTRATÉGICA

Preencha os espaços em branco nas frases, de forma a obter afirmações correctas. No final da Segunda Guerra Mundial intensificaram-se os esforços de unificação europeia. Estes desenvolveram-se em duas frentes: a da cooperação e a da integração, as quais se confrontaram no congresso de Haia. A cooperação realizou-se em três áreas distintas: militar, política e económica. Foram várias as organizações que se encarregaram da cooperação nestes três domínios: União da Europa Ocidental (UEO), Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), Conselho da Europa, Organização Europeia de Cooperação Económica (OECE). A integração económica iniciou-se com a Declaração Schuman. Existem diversos estádios de integração económica: zona de comércio livre, união aduaneira, mercado comum e união económica e monetária. O primeiro estádio caracteriza-se pela liberdade de circulação de mercadorias e os países mantêm a sua autonomia pautal. O segundo estádio acrescenta às características do primeiro a existência de uma tarifa aduaneira comum (TAC). No terceiro estádio passam a combinar-se aspectos de integração negativa e aspectos de integração positiva. Falase, então, da existência de 4 liberdades: liberdade de circulação de mercadorias, liberdade de circulação de pessoas, liberdade de circulação de capitais e liberdade de prestação de serviços. O último estádio comporta duas visões: a minimalista e a maximalista. A primeira das visões, menos ambiciosa, implica, necessariamente, quatro requisitos: livre circulação de capitais, taxas de câmbio fixas, convertibilidade obrigatória e ilimitada entre as moedas e uma autoridade monetária central. As três Comunidades Europeias foram criadas em duas datas distintas: 1951 e 1957. A primeira das Comunidades a ser criada foi a CECA. Aquando da criação das duas outras Comunidades, duas instituições foram logo fundidas: o Tribunal de Justiça e o Parlamento Europeu, tendo as restantes sido fundidas em 1965 (Bruxelas), com o Tratado de Fusão. A Cimeira de Haia, em 1969, procurou relançar o projecto europeu, tendo sido aprovado o tríptico comunitário: acabamento, alargamento e

aprofundamento. O Acto Único Europeu constituiu a primeira grande revisão dos Tratados originários. Ele fixou um novo objectivo para as Comunidades: o mercado interno/único, o qual deveria ser alcançado até 31 de Dezembro de 1992. Com o Acto Único Europeu vieram suprimir-se três tipos de obstáculos: físicos, técnicos e fiscais. Para além disso, o Acto Único o Europeu introduz dos outras alterações do importantes nos Tratados e a originários, podendo referir-se: a política de coesão económica e social, reforço poderes Parlamento Europeu institucionalização do SME. O Tratado da União Europeia é assinado em 7 de Fevereiro de 1992, na cidade de Maastricht, entrando em vigor em 1 de Novembro de 1993. Ele consagra a estrutura dos pilares: Pilar Comunitário (CECA, CE e EURATOM), Política Externa e de Segurança Comum (PESC) e Cooperação no domínio da Justiça e dos Assuntos Internos (CJAI). As instituições comunitárias passam a ser 5, com a promoção do Tribunal de Contas. É criada a cidadania europeia, a qual se concretiza em quatro aspectos nucleares: Direito de circulação e permanência, Direito de eleger e ser eleito nas eleições municipais e para o Parlamento Europeu no Estado de residência, Direito à protecção diplomática em Estados terceiros em que o país da nacionalidade não esteja representado e Direito de petição ao Parlamento Europeu. O Parlamento Europeu que com o Acto Único Europeu tinha passado a poder intervir no processo de tomada de decisão através do procedimento de cooperação, ganha como o Tratado da União Europeia o procedimento de co-decisão. O Tratado da União Europeia é revisto em 1997 pelo Tratado de Amesterdão. Este não apresenta grandes novidades. No entanto, merecem destaque a redenominação do 3.º Pilar, que passa a designar-se Cooperação Policial e Judiciária em Matéria Penal (CPJMP), a criação de uma política de emprego, a renumeração do Tratado, o que o torna mais legível, e a instituição das chamadas cooperações reforçadas. O Tratado de Nice foi, até à data, a última revisão dos Tratados comunitários. Ele entrou em vigor em Fevereiro de 2003, preparando as Comunidades para o alargamento. Esta revisão ficou suspensa, em virtude de um referendo negativo realizado na Irlanda, pelo que só depois de um segundo referendo neste país foi fazer entrar em vigor o Tratado de Nice. De acordo com este Tratado, o número máximo de eurodeputados passará a ser de 732, aplicando-se pela primeira vez em

2004/2009. Também o número de membros do Comité das Regiões e do Comité Económico e Social será alterado, passando a ser no máximo de 350. O Conselho de Ministros passará a ter uma ponderação de votos diferente em 2005, dispondo Portugal de 12 votos, contra os actuais 5 votos. No caso de se exigir maioria qualificada as deliberações passam a ser tomadas se obtiverem, no mínimo, 169 votos e exprimirem a votação favorável da maioria dos Estados-membros. Para além disso, passa a levar-se em consideração o critério populacional, sendo necessário que os Estados-membros representem, pelo menos, 62% da população da UE. Quando a Comunidade contar com 27 Estados-membros, o número de membros da Comissão passará a ser inferior ao número de Estados. A partir de 2002, o Conselho Europeu passará a reunir-se em Bruxelas uma vez por presidência. Quando a União for constituída por 18 Estados-membros todas as reuniões do Conselho Europeu serão realizadas nessa cidade. Encontra-se, neste momento, a ser decidida a aprovação de uma Constituição Europeia. Esta foi elaborada pela Convenção Europeia, presidida pelo francês Giscard d’Estaing. As discussões sobre este texto decorrem no seio de uma Conferência Intergovernamental (CIG), não tendo, até ao momento, sido possível obter consenso sobre o mesmo. Actualmente encontra-se na presidência da União a Itália, sendo esta substituída pela Irlanda em Janeiro de 2004. Na actualidade, a Comissão é composta por 20 membros, que têm um mandato de 5 anos, podendo ser reeleitos. Enquanto exercem o seu mandato, os comissários não podem exercer outras actividades profissionais, remuneradas ou não, sendo absolutamente independentes. Os comissários só podem cessar as suas funções em caso de demissão voluntária, demissão compulsiva, morte ou substituição normal. A Comissão dispõe dos seguintes poderes: guardiã dos Tratados, iniciativa legislativa, executivo, gestão dos fundos comunitários, negociação dos acordos internacionais. O Conselho Europeu tem duas missões principais: dar à UE os impulsos necessários ao seu desenvolvimento e definir as orientações políticas gerais da UE, sendo a sua presidência rotativa de 6 em 6 meses. Fazem parte do Conselho Europeu os Chefes de Estado ou de Governo e o Presidente da Comissão, sendo os mesmos apoiados pelos Ministros dos Negócios Estrangeiros e por um outro membro da Comissão. No Conselho da União Europeia os Estados são representados

pelos ministros. Os actos comunitários podem ser adoptados pelo Conselho de Ministros através de quatro processos distintos: maioria simples, maioria O qualificada, Parlamento dupla maioria qualificada com e 626 unanimidade. Europeu conta actualmente

eurodeputados, os quais são eleitos por sufrágio universal directo, organizando-se por grupos políticos. O Parlamento Europeu dispõe de vários poderes: controlo político da Comissão, aprovar o orçamento comunitário, participar no processo de adopção dos actos comunitários, constituir comissões de inquérito, receber petições e nomear o provedor de justiça. A participação do Parlamento Europeu no processo de tomada de decisões é feita de quatro formas: parecer consultivo, parecer favorável, procedimento de cooperação e procedimento de co-decisão. O Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias é o principal órgão jurisdicional da Comunidade. Ele tem a mais ampla jurisdição, não tem relações hierárquicas com os tribunais dos Estados-membros, é auxiliado desde 1988 pelo Tribunal de 1ª Instância e é composto por 15 juízes e 8 advogados-gerais. O Sistema Europeu de Bancos Centrais é composto pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelos Bancos Centrais Nacionais (BCN). O primeiro é que verdadeiramente dirige a política monetária na Europa, tendo a sua sede em Frankfurt. Os seus órgãos de decisão são o Conselho do BCE e a Comissão Executiva. O actual Presidente do BCE é Jean Claude Trichet. O Comité Económico e Financeiro veio substituir o Comité Monetário. O Provedor de Justiça é nomeado pelo Parlamento Europeu, tendo um mandato de 5 anos, cabendo-lhe receber as queixas dos cidadãos europeus. De acordo com o procedimento de consulta, a proposta parte da Comissão, sendo obrigatório consultar o Parlamento Europeu e cabendo a decisão final ao Conselho. No procedimento de cooperação, o Conselho deve adoptar uma posição comum, por maioria qualificada. Em caso de haver rejeição por parte do Parlamento Europeu, o Conselho pode ultrapassar esta situação por unanimidade. O procedimento de co-decisão é a forma mais profunda do Parlamento Europeu intervir no processo de tomada de decisão. O Parlamento, em primeira leitura, pode adoptar duas posições: propor emendas e não propor emendas. O Conselho pode adoptar logo o acto caso aprove todas as emendas constantes do parecer do Parlamento Europeu ou caso o Parlamento Europeu não tenha

proposto emendas. Se o Conselho adoptar uma posição comum, o Parlamento pode optar por uma de três atitudes: aprovar a posição comum, rejeitar a posição comum, propor emendas à posição comum. Caso não haja acordo entre o Parlamento Europeu e o Conselho da União Europeia é convocado o Comité de Conciliação, que prevê uma composição paritária das duas instituições. O que se pretende é a aprovação de um projecto comum. O procedimento orçamental inicia-se com a apresentação da previsão das despesas por parte de cada uma das instituições da Comunidade. Com base nestas, a Comissão elabora um anteprojecto de orçamento, que submete ao Conselho da União Europeia. Este deverá elaborar um projecto de orçamento, que submeterá à apreciação do Parlamento Europeu, até 5 de Outubro do ano que antecede o da execução do orçamento. No âmbito do orçamento, devem distinguir-se dois tipos de despesas: as despesas obrigatórias (DO) e as despesas não obrigatórias (DNO). Cabe ao Presidente do Parlamento Europeu declarar que o orçamento está definitivamente aprovado. Se no início de um ano financeiro, o orçamento ainda não tiver sido votado, a Comunidade passa a viver no regime dos duodécimos. O Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias é competente para conhecer os recursos com fundamento em incompetência, violação de formalidades essenciais, violação do Tratado da CE ou de qualquer norma jurídica relativa à sua aplicação e desvio de poder. Se uma instituição não tiver agido quando o devesse ter feito, pode haver lugar a um recurso por omissão. Existem dois tipos de fontes de direito comunitário: direito originário e direito derivado. Os regulamentos são gerais e abstractos, obrigatórios em todos os seus elementos e directamente aplicáveis, têm de ser publicados no Jornal Oficial da União Europeia e entram em vigor na data por eles fixada ou na sua falta no vigésimo dia seguinte ao da publicação. As directivas são actos que têm como destinatários directos apenas os Estados-membros, não são obrigatórias em todos os seus elementos e não são directamente aplicáveis. Podem, no entanto, ter efeito directo, se forem claras, precisas e incondicionais. Os seus destinatários podem ser um Estado-membro, vários Estadosmembros ou todos os Estados-membros. As decisões são actos concretos, obrigatórias em todos os seus elementos e não têm

aplicabilidade directa. Podem ter como destinatários um Estado ou um particular. O princípio da subsidiariedade aplica-se apenas às questões de competência concorrente, não se aplicando às matérias que são da competência exclusiva dos Estados-membros e da competência exclusiva das Comunidades. A superioridade do Direito Comunitário face ao direito nacional traduz-se no primado do Direito Comunitário. A Europa começou a preocupar-se com as questões monetárias na Cimeira de Haia, onde foi aprovado o tríptico comunitário. O aprofundamento consistia na instituição de uma união económica e monetária na Europa. Para tal foi designada uma Comissão que ficou encarregada de elaborar um relatório, o qual viria a ser entregue em 1970: o relatório Werner. No entanto, a crise monetária americana afastaria a possibilidade de avançar decididamente neste domínio. Optou-se, então, pela cooperação monetária europeia, a qual se iniciou em 1972 com a criação da serpente monetária europeia, esquema de estabilidade cambial em que as moedas europeias mantinham um duplo compromisso: face ao dólar e entre si. Em relação ao dólar elas não podiam oscilar mais de 2,25% para cima e para baixo, entre si a oscilação máxima era de 2,25%. Durante um ano manteve-se este duplo compromisso. Falava-se, então, da fase da serpente dentro do túnel. Posteriormente, em 1973, rompeu-se o compromisso para com o dólar, ficando as moedas europeias apenas obrigadas a manter uma estabilidade cambial entre si. Falava-se, então, da fase da serpente fora do túnel. Em 1979, foi instituída uma nova forma de cooperação monetária na Europa: o SME. Este sistema assentava em 3 elementos nucleares: mecanismo cambial e de intervenção, ECU e mecanismos de crédito. O SME previa a existência de duas margens de oscilação entre as moedas, a chamada banda estreita, em que a oscilação permitida era de 2,25% e a chamada banda larga, em que a oscilação permitida era de 6%. O SME conheceu uma grave crise em 1992/93, tendo-se ampliado as margens de oscilação entre as moedas para 15%. O Tratado de Maastricht consagrou a visão maximalista da União Económica e Monetária, a qual implica a adopção pelos Estados-membros de uma moeda única e a abolição das moedas nacionais. A União Económica e Monetária prevista no Tratado de Maastricht é assimétrica, uma vez que se concedeu predomínio aos aspectos monetários em detrimento dos aspectos económicos. Para chegar à moeda única os Estados-membros tiveram que passar por três

fases. A primeira teve início em 07/90 e terminou em 12/93. A segunda iniciou-se em 01/94 e ficou concluída em 12/98. A terceira e última fase iniciou-se em 01/99. Inicialmente foram 11 os países apurados para a União Económica e Monetária, tendo ficado de fora a Grécia, a Dinamarca, o Reino Unido e a Suécia. Para poderem aceder à zona euro, os Estadosmembros tiveram de que cumprir taxa cinco de critérios a de convergência: prazo, défice estabilidade preços, juro longo

orçamental, dívida pública e estabilidade cambial. Todos os Estadosmembros à excepção do Reino Unido e da Dinamarca tinham o direito e simultaneamente o dever de aderir à União Económica e Monetária em caso de cumprimento dos critérios de convergência. Estes dois Estados com uma situação excepcional dispunham das chamadas cláusulas de opting-out. Mais tarde, em reunião realizada em Santa Maria da Feira, a Grécia foi admitida na zona euro, tendo iniciado a sua participação em 01/01. O nome da moeda único (euro) foi decidido no Conselho Europeu de Madrid, onde foi também aprovado o cenário de transição para a moeda única. O início da circulação física do euro deu-se em 01/02, tendo as moedas nacionais sido retiradas de circulação em 03/02. Os Estados-membros que integram a zona euro têm de cumprir determinadas exigências orçamentais, as quais constam de um conjunto de documentos a que se dá o nome de Pacto de Estabilidade e Crescimento. Este é composto por uma resolução do Conselho Europeu e por dois Regulamentos. Em termos orçamentais, os Estados-membros da zona euro não podem ter um défice superior a 3% do PIB. Caso excedam este limite, poderão vir a ser sancionados. As multas a aplicar comportam uma parte fixa 0,2% do PIB e uma parte variável 0,1% por cada ponto percentual acima dos 3% do PIB, sendo no máximo de 0,5% do PIB. O produto das multas reverte para os Estados-membros cumpridores. Os países que integram a zona euro, também designados países in, devem apresentar um programa de estabilidade e os países que estão fora da zona, também designados países out (ou pré-in), devem apresentar um programa de convergência.