Comunidade da Construção – Campinas Programa de Melhorias : Alvenaria de vedação GT Projetos e GT Interação Alvenaria-Estrutura Manual de Projetos de Alvenaria de Vedação

Este relatório é a conclusão dos trabalhos dos grupos acima , que fazem parte do programa elaborado pela Comunidade da Construção de Campinas, com base nas respostas da pesquisa realizada com 25 construtoras da cidade. Nas respostas, foi detectada uma grande preocupação com as patologias de fissuras na alvenaria e sua interface com a estrutura de concreto. Assim , foram estudadas as melhores práticas construtivas utilizadas atualmente e detalhado como representá-las em um Projeto de Alvenaria de Vedação (PAV).

1. Condições Iniciais Devemos inicialmente reunir todo o material existente, verificando se cada um dos elementos contém todas as informações necessárias para a correta execução do projeto de alvenaria. Em seguida , devemos analisar a compatibilidade entre as informações e provocar, se necessário, uma reunião entre as partes, incluindo a construtora. Devemos incentivar que o projeto de alvenaria seja feito concomitantemente aos demais para chegarmos aos projetos executivos já compatibilizados. Os principais pontos de cada projeto, a serem observados são: a) Projeto Arquitetônico Composto do conjunto dos projetos : pré-executivo, legal, material de vendas. Deve conter todos os elementos já compatibilizados e apresentar os eixos de locação da obra.

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Paredes em planta

Locação das alvenarias brutas (sem revestimento), com suas espessuras e posicionamento em relação aos pilares. Normalmente as alvenarias externas faceiam os pilares (pode ser para dentro ou para fora) e as internas estão nos eixos dos pilares. Se as alvenarias não forem centradas nas vigas, fazer a observação em detalhe.

A tendência é a utilização de blocos de 14 cm com vigas de 14 cm (largura ideal pela nova Norma). As paredes de 9 cm normalmente são empregadas sob lajes e não sob vigas. Quando existirem espessuras diferentes, elas devem ser bem definidas. A locação deve ser feita também em relação aos eixos de locação da obra.

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Aberturas

A localização das aberturas deve ser bem detalhada. A posição deve ser definida em relação às duas extremidades da parede e tendo a sua medida bem determinada. No caso de portas devemos ter a altura total e espessuras de batentes, de preferência com um desenho de detalhe. No caso de janelas, definir as dimensões e material e espessura do parapeito. Não esquecer de detalhar outras aberturas como ar condicionado, exaustor , ventilações fixas, etc.

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Revestimento

O revestimento interno e externo deve ser especificado nos detalhes de acabamento e se necessário em algum detalhe padrão. Nesta etapa é necessário uma grande integração com o construtor, para a definição das espessuras do revestimento de paredes, piso e teto. Detalhes de forros de gesso devem ser bem definidos quanto ao tipo e altura.

com todo detalhamento que se fizer necessário.b) Projeto Estrutural Todo este trabalho partiu da premissa que o projeto estrutural obedeceu às prescrições da NBR 6118:2003 . ! Planta de formas completa A planta de formas deve conter todos os elementos estruturais. Não esquecer de colocar as aberturas de shafts ou outros detalhes de laje. com seus tamanhos e locação também em relação aos eixos de obra. .

as mesmas devem ser indicadas como deformações negativas. precisamos saber em quanto as peças vão deformar. no início da colocação da alvenaria e depois da execução da mesma. .! Deformações previstas para a estrutura Para podermos adotar as folgas necessárias entre a alvenaria e a estrutura. Havendo necessidade de contraflechas . Assim devemos ter no projeto a indicação de dois valores de deformação para os centros de vãos de vigas e lajes. e qual a deformação lateral dos pilares. Normalmente as deformações são indicadas como positivas no sentido da gravidade (para baixo) .

poderemos ter caixinhas dos dois lados da parede) Indicação de caminhamento de eletrodutos Posição de demais elementos como caixas de distribuição Estes elementos deverão sofrer pequenas alterações de posição. telefone.. com a indicação da locação em planta e altura de posicionamento : ! Elétrica.c) Projeto de instalações Precisamos ter informações sobre todos os elementos que existirem nas paredes.. . ! ! ! Posicionamento das caixinhas elétricas com tamanho e altura (verificar que em cada elevação de parede . . interfone. para adequá-los à modulação.

! Hidráulica/sanitária/gás .

. fato este que deverá estar indicado na elevação. Muitas vezes os shafts se encontram entre dois banheiros e algumas tubulações precisarão atravessar a parede . Deverá ser dada especial atenção aos elementos que estão dentro ou fora das paredes.Da mesma maneira que na elétrica. precisamos conhecer todos os elementos em planta e altura.

principalmente das esquadrias nas paredes externas (detalhes para garantir a estanqueidade dos elementos) . Deverá ser dada atenção especial à fixação dos elementos .d) Projeto de caixilhos Este projeto poderá estar integrado com o executivo da arquitetura.

ar condicionado. Os blocos de concreto precisam ter resistência média de 2. Condições Técnicas Tendo em vista que o CDC (Código de Defesa do Consumidor) impede a utilização de produtos e serviços fora das especificações técnicas da ABNT. com dimensões padronizadas e resistência mínima e média definidas. principalmente a deformação lenta. • A mão de obra a ser utilizada deve saber interpretar desenhos do PAV e o corpo técnico de obra (engenheiro. etc) foram compatibilizados. A deformação da parede . • O assentamento das alvenarias deve ocorrer somente em estruturas já desformadas e sem escoramento. instalações. estrutura. de concreto (resistência e módulo) e demais materiais (argamassa . • É fundamental haver um plano de desforma da estrutura. etc). Afeta diretamente as deformações da estrutura . f) Diretrizes para a obra • Antes do início da obra deve ser verificado se todos os projetos (arquitetura. ensaios de aço . A fixação do número de jogos de forma e do esquema de re-escoramento vai ser um dos elementos que definirão o cronograma de execução das alvenarias. • A execução da estrutura deve obedecer a NBR 14931 (Norma para execução de estruturas de concreto). blocos .5 MPa e resistência mínima de 2 MPa . • Deve haver um competente controle tecnológico da obra. cimento . faz-se necessário atentarmos para que os tópicos abaixo sejam atendidos: a) Especificação técnica do Bloco O bloco de concreto é um elemento normalizado (NBR 7173) . 2. aditivos.e) Projeto de formas e escoramento O projeto de formas e escoramento está intimamente ligado à velocidade do cronograma de obras. encarregado) devem efetuar a competente verificação. areia. mestre . que é um dos dados mais importantes para o bom funcionamento da alvenaria e sua interação com a estrutura.

devemos tomar cuidado com algumas juntas obrigatoriamente preenchidas : as da primeira fiada (de marcação). dando um valor final de 7 a 15 mm. A argamassa é o elemento de ligação e acomodação do sistema e portanto não deve ser muito forte. b) Definição de juntas ! Espessura Para obtermos uma alvenaria perfeitamente modulada. podemos variar a junta horizontal menos 3 mm ou mais 5 mm. utilizamos as juntas horizontal e vertical de 1 cm : bloco de 19 cm . o painel de alvenaria fica mais flexível e absorve melhor a movimentação da estrutura. No caso de juntas muito largas devemos estudar o método de preenchimento posterior de maneira a permitir um bom assentamento do revestimento. baixa retração higroscópica e boa condição de aderência. Observe- . Outras características importantes de um bom bloco são a sua uniformidade geométrica. tanto em função das deformações impostas como em decorrência da retração da argamassa de revestimento. Já a junta vertical permite maior flexibilidade . podendo trabalhar desde a junta seca (na verdade com um mínimo teórico de 3 mm em virtude da variabilidade do comprimento do bloco). Para algum ajuste necessário. A linha de blocos deve ter elementos com diferentes comprimentos para poder fazer a amarração. Se estivermos utilizando juntas verticais sem argamassa (junta seca). Com a não utilização de junta vertical. Se tivermos tensões maiores. ! Argamassa A argamassa de assentamento deve ter uma boa trabalhabilidade pois executaremos cordões bem definidos. a última fiada. módulo de 20 cm (ou suas variações fracionadas até 5 cm . ! Juntas argamassadas obrigatórias Existe uma controvérsia bastante grande entre diferentes especialistas a respeito da colocação ou não de cordões de argamassa na junta vertical (encabeçamento do bloco). que elas sejam preenchidas posteriormente (no mínimo 15 dias) com argamassa de cal para dar “apoio” ao revestimento. até aproximadamente 20 mm . Recomenda-se a utilização de juntas secas de no máximo 3 mm ou . Mas a ausência desta junta (junta seca) pode causar um potencial risco de fissura na argamassa de revestimento. mas sempre com número inteiro). necessitamos especificar um bloco estrutural. se utilizado o padrão modular de 10 mm . e as 2 primeiras juntas dos blocos ao lado dos pilares. É necessário termos um baixo módulo de deformação e uma alta resistência de aderência (maior que 0.3 MPa ).depois de encunhada não poderá induzir nos blocos tensão maior que a especificada.

. No caso de portas e janelas de grandes dimensões (acima de 2. c) Vergas e Contravergas Deve-se prever vergas (parte superior) e contravergas (parte inferior) das aberturas na alvenaria .2 m) deve-se utilizar peças únicas para as duas aberturas. Elas devem ser contínuas e passar 40 cm para cada lado da abertura.0 m) as vergas devem ser dimensionadas como vigas. Nestes casos deve-se verificar também a necessidade de reforçar a alvenaria na lateral das aberturas de maneira a absorver o aumento da carga no local. No caso de aberturas próximas (até 1. de maneira a dar maior área de contato.se que os blocos sob as telas de amarração devem ser meio-blocos colocados na horizontal .

65 mm . sem dobra. Estas telas podem ser compradas em caixas . A maioria das publicações técnicas. procurando reduzir as operações no canteiro e racionalizando o serviço. mostra que o tradicional ferro-cabelo . malha de 15x15 mm e em largura compatível com a alvenaria em questão.d) Fixação Lateral A ligação alvenaria-pilar está intimamente ligada à deformabilidade dos elementos de suporte ( viga e pilares ). em conjunto com as cantoneiras e pinos de fixação. é solução ineficiente para evitar trincas na interface parede-pilar. e portanto as deformações máximas destes elementos devem ser respeitadas. . A melhor opção é o uso de tela galvanizada de fios de 1. já nos tamanhos indicados no projeto.

Ele deve ser diferenciado . ficando 10 cm dobrada para cima junto ao pilar e 40 cm colocada na junta entre os blocos. 19 cm ) e) Fixação em vigas e lajes Esta fixação é o tradicional encunhamento . Para este caso . muito raramente se utiliza a alvenaria como contraventamento da estrutura. dependendo da rigidez e do funcionamento da alvenaria. lembrando-se novamente que. pelo que se recomenda a execução da última fiada com uma canaleta virada para baixo ): • Cunhas de concreto pré-fabricadas: permitem maior aperto na alvenaria fazendo com que trabalhe rigidamente ligada à estrutura. cortar telas maiores com tesourão ou guilhotina. se possível . muito raro. Neste e no próximo caso a distância a ser deixada entre a última fiada e a estrutura é de 10 a 15 cm . estimando-se uma largura 20 mm inferior ao da largura do bloco. duas telas de 60 mm de largura.Os tamanhos dependem da largura da parede . observando-se os tamanhos indicados no PAV. que tem comprimento e altura igual . o bloco abaixo da tela deve ser assentado com o furo na horizontal ( utilizar meio-bloco . as telas são colocadas a cada 2 fiadas . Largura do bloco 19 14 9 Dimensão da tela 2 x 60 x 500 120 x 500 75 x 500 Como regra geral. podendo-se utilizar nas paredes com blocos de 19 cm . Hoje. pelo menos como escopo de projeto. são 3 os procedimentos clássicos ( em todos eles precisaremos de uma boa superfície de apoio . O comprimento padrão total é de 50 cm . No caso de se necessitar tamanhos especiais.

mas causam muito problema na execução de um revestimento racionalizado ( 2 materiais diferentes. Este processo pode causar pontos com execuções diferenciadas. possuem resultado similar aos do item anterior . de espessuras diferentes ) • Preenchimento com argamassa expansiva: deixado uma distância entre a última fiada e a estrutura de 2 a 3 cm. preenchido posteriormente com argamassa aditivada com expansor. .• Encunhamento por meio de tijolos maciços inclinados. A quantidade de aditivo deve ser cuidadosamente dosada. trazendo concentração de tensões à alvenaria.

Se a estrutura for pouco deformável. devem ter pilarete intermediário ( um ferro de 10 mm grauteado ) .Para as alvenarias de vedação. a fixação deve-se dar com material de elevada capacidade de absorver deformações. telas . seja com telhado ou com laje impermeabilizada protegida termicamente.5 m devem ter cinta intermediária ( em canaleta ou barras . Comprimentos acima de 7 m . mas com baixo módulo de deformação. é possível utilizar a mesma argamassa do assentamento. Só encunhar após 30 dias do término da elevação e da proteção térmica. treliças planas na fiada ) . painéis com altura superior a 3. pronta para assentamento. Tendo em vista que a maioria das patologias é causada pela temperatura. f) Elementos especiais Os detalhes abaixo devem ser definidos em conjunto com o projetista de estruturas: ! Cintas e pilaretes – devem ser utilizados em painéis muito grandes em altura ou comprimento. Pode ainda ser usada argamassa industrializada . rica em cal e com baixo teor de cimento. Deve ser perene . principalmente as que estão envoltas por uma estrutura deformável. Duas alternativas são recomendadas : aplicar espuma de poliuretano ou argamassa fraca. para não permitir o início das fissurações. recomenda-se o não encunhamento do último pavimento. Por exemplo . comumente aditivada com polímeros. Este isolamento deve ser executado em até 48 horas após a concretagem da laje. até que seja providenciado um isolamento térmico permanente. sem função de contraventamento.

. Este detalhe deve ser definido e detalhado no projeto estrutural.! Balanços – todas as alvenarias apoiadas em balanços ( vigas ou lajes ) devem ser previstas com um pilarete nos cantos ( extremo do balanço ) para uniformizar as deformações e evitar fissurações em 45º.

com telhas de barro Ventilar embaixo do telhado Utilizar telhas claras ou pintar com cor clar Utilizar submantas reflexivas Utilizar proteção térmica da laje ( argila expandida solta ou plaxas de isopor ) Juntas de dilatação o Juntas verticais de dilatação da laje ( diminuir os panos de laje ) o Juntas horizontais entre vigas e laje ( concretagem separada ) o Juntas de controle na alvenaria • Enrijecimento o Aumentar a rigidez da estrutura ( platibandas de concreto armado ) o Utilizar canaletas armadas nas últimas fiadas da alvenaria . comumente chamadas de juntas de controle . Isto se deve a movimentação térmica da laje de cobertura. Para diminuir esta patologias. de preferência . devemos adotar providências em vários sentidos : • Diminuir o calor na laje o o o o o • Utilizar telhado .! Juntas de controle – alvenarias muito longas e expostas a variações térmicas significativas devem prever juntas de dilatação na alvenaria . g) Recomendações para laje da cobertura A incidência de fissuras no último pavimento é muito grande.

h) Recomendações para revestimento O revestimento deve ser o mais flexível possível .

29 e 44 cm ) e a linha não modular com dimensão básica de 20 cm ( peças de 19 . Produção dos desenhos em planta a) Escolha da família de Bloco ! Dimensão básica Temos . basicamente.. duas famílias de comprimentos para os blocos de concreto. . Junta-se a estes tipos de blocos uma pastilha de 4 cm ( bolacha..o Utilizar argamassas e pinturas flexíveis o Utilizar telas metálicas ou plásticas na região das interfaces horizontais e verticais ) 3. . ). 39 e 34 ) . Uma família modular com módulo de 15 cm ( peças de 11.

podendo-se inclusive misturar as famílias.. ) Para complementar o detalhamento precisamos de alguns tipos de blocos especiais . para execução de vergas e contra-vergas de uma maneira econômica. bloco elétrico. bloco 45º. mais fácil é acertar a modulação .! Diversidade de tamanhos Quanto maior a diversidade de peças. mas para a obra. Alguns produtores fabricam outros blocos especiais que apesar de não essenciais ajudam bastante a racionalização da obra .. uma quantidade grande de peças é difícil de administrar ! Diversidade de peças (canaleta. sendo fundamental os blocos canaleta . bloco hidráulico.

c) Definição da amarração entre paredes Além do detalhamento dos encontros da alvenaria com as peças de concreto armado . ! Localização da parede em relação às faces dos pilares e vigas Um elemento que deve ser bem trabalhado é a coordenação das faces da alvenaria com as vigas e os pilares. utilizamos o mesmo detalhe de amarração com telas metálicas que já usamos no encontro com pilares . utilizar uma amarração bloco a bloco. uma outra maneira de ajustar a modulação é trabalhar na estrutura com peças de dimensões não padronizadas. vigas ) para ajuste da modulação Como temos uma quantidade fixa de elementos de alvenaria . deve ser bem estudado e detalhado o encontro entre as paredes. por exemplo um pilar de 18 x 57 ou uma viga com 53 cm de altura. principalmente fazendo-se um bom estudo das espessuras de revestimento. ou seja. sempre que possível. Isto vai levar a um ganho de produtividade na alvenaria . mas perdendo produtividade e modulação na estrutura. intercalando-se os blocos fiada a fiada. Deve-se. Quando não for possível .b) Ajuste em relação à estrutura ! Dimensão ( pilares.

. em seguida. Descontamos o espaço necessário nas laterais . completamos cada uma das paredes . uma pequena mudança de dimensão na arquitetura ou em uma peça estrutural. Às vezes. ) . Na seqüência . . Neste ponto . 34 cm . o ajuste necessário para o espaço de portas ou outra interferência.d) Lançamento da primeira fiada Iniciamos o lançamento analisando o comprimento total entre pilares ou entre paredes. verificamos a necessidade de peças ( pastilha ) ou blocos especiais ( 14 cm . Temos também que verificar a necessidade de detalhar juntas verticais de tamanho diferente do padrão ( 1 cm ). Fazemos. Assim. resulta em um grande aumento na racionalização da modulação. Fazemos a distribuição procurando usar o mínimo possível de tipos de blocos.. compatibilizando a modulação entre elas. necessitamos realizar uma certa compatibilização entre o projeto de arquitetura com o de estrutura. conforme especificação ( ver item 2d ) e comparamos com nosso módulo básico ( por exemplo 20 cm ) ..

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Só depois é que completamos os restantes. Os principais blocos estratégicos são : . evitamos que erros se acumulem durante o assentamento de blocos sucessivos. com esta planta. São os primeiros blocos a serem assentados. Desta maneira. as paredes devem ser numeradas e também deve ser indicado o sentido de vizualização ( com um triangulo ) e) Definição de blocos estratégicos Blocos estratégicos são os blocos que definem totalmente a posição da parede em planta.Na planta de primeira fiada geral ( do pavimento ) . Eles são cotados em relação a estrutura e aos eixos principais.

! ! ! Ao lado dos pilares Cruzamento de paredes Laterais das portas f) Definição dos eixos de locação global Todos os desenhos em planta devem ser produzidos com eixos de locação global que sejam os mesmos em todos os projetos : arquitetura . g) Cotas entre peças e em relação aos eixos globais Todos os elementos que servirem de base para a locação têm de ser cotados também em relação aos eixos globais . . instalações e alvenaria. sendo os mais importantes uma face de cada uma das paredes e os blocos estratégicos. Estes eixos devem passar por pontos que permitam depois a sua livre marcação na obra. estrutura. Deve-se evitar eixos de paredes ( depois de construída a parede. não há mais como marcar o eixo ) e trechos vazios ( poços de elevador ou caixa de escada ).

! Juntas secas e juntas argamassadas Conforme especificação técnica . O valor 15 cm representa o módulo de 20 cm com uma folga de 5 cm . a maneira de colocar os blocos na segunda fiada de maneira que nenhuma junta fique a menos de 15 cm de outra existente na fiada inferior . Produção dos desenhos de elevação a) Localização de blocos e juntas ! Amarração A primeira fase de um projeto de elevação de paredes é definir a amarração. ou seja. Em situações excepcionais. podemos admitir alguns casos com junta defasada de 10 cm . onde não tivermos um fabricante no local com uma variedade significativa de blocos.4. Caso necessitarmos um valor ainda menor será necessário a colocação de telas metálicas nas fiadas ( a cada 2 fiadas ) para evitar o aparecimento de fissuras.

5 cm ) e pode ser utilizada para pequenos ajustes da modulação ! Posicionamento de telas As telas se posicionam nas juntas com um espaçamento e comprimento determinado c) Interface horizontal ! Espaço da ultima fiada É o espaço deixado entre a última fiada e a estrutura de concreto ( viga ou laje ). Ele depende do material e modo de encunhamento que por sua vez depende do modo de interação entre a alvenaria e a estrutura.e . ! Material e modo de encunhamento Ver item 2.b) Interface vertical ! Espaço da primeira junta É a primeira junta .5 a 2. Ela deve ter um valor mínimo ( 1. junto ao pilar .

Toda e qualquer peça pré-moldada ou outro detalhe construtivo deve ser desenhada dentro da modulação. Devemos marcar cuidadosamente o tamanho e o modo de execução das vergas e contravergas.. devemos quantificar todos os materiais. e a posição dos conduites dentro dos blocos. reforços internos Havendo a necessidade de detalhes especiais em função de tensões internas.. São mostradas as caixas de passagem ( em linha cheia se estiverem do lado visualizado e em linha tracejada se estiverem na face oposta ). vamos detalhar as aberturas ( portas . elas devem ser cuidadosamente posicionadas e novamente ajustada a modulação. Se elas forem executadas no local . mas isto não é regra geral e portanto devemos compatibilizar atentamente o projeto hidráulico. peças pré-moldadas) Depois de executadas as elevações cheias ( totalmente preenchidas ) . . Para tanto deixamos um espaço sem bloco como se fosse uma abertura. h) Quantificacao dos materiais Uma vez terminado o projeto de todas as paredes . Se forem utilizadas peças pré-moldadas . devem ser marcados os blocos canaleta . g) Posicionamento das instalações hidráulicas O posicionamento das instalações hidráulicas já é um pouco mais complicado em virtude dos diâmetros das canalizações. mas as maiores devem passar em vazios . As de menor diâmetro podem passar pelo furo dos blocos . janelas .d) Posicionamento e detalhe das aberturas (vergas. ). Os detalhes devem ser fornecidos pelo projetista de estruturas f) Posicionamento das instalações elétricas As instalações elétricas devem ser detalhadas dentro da modulação. fazendo-se os necessários ajustes. e) Posicionamento de juntas de controle. Normalmente o conjunto de prumadas passa por um shaft externo à parte. Retiramos os blocos da região e refazemos a modulação nos espaços laterais às aberturas. . contravergas. eles devem ser posicionados e também detalhada a ferragem . o projeto de alvenaria e as especificações da construtora. com especial atenção para os diferentes tipos de blocos e peças pré-moldadas.

1. umedecer o concreto e aplicar o chapisco. Assentamento das alvenarias É recomendado que a locação da alvenaria deva ser feita com o próprio bloco que será empregado na elevação.2. com características de textura e deformação muito diferentes. Não devem ser utilizados tijolos comuns ( maciços ) para locação de blocos de concreto devido ao fato de seu material e suas dimensões não serem compatíveis entre si . imediatamente após a retirada do escoramento do local Ter sido retirado completamente o escoramento da laje dos 4 pavimentos superiores Realização do chapisco com os prazos de aplicação corretos ( conforme item anterior ) Os prazos mínimos aqui apresentados têm como meta que a estrutura tenha a maior deformação possível antes do assentamento . reduzindo o efeito sobre a alvenaria 5. apicoamento. Esta limpeza visa remover sujeiras e resto de desmoldantes ( remoção por lixamento. Quando for do tipo rolado ( aditivado com resina vinílica ou acrílica ).3. o mesmo deve ser aplicado pelo menos 3 dias antes do início da alvenaria. . escovação. iniciando a elevação das mesmas do pavimento mais alto para o mais baixo A concretagem do pavimento ter sido executada a pelo menos 45 dias A retirada do escoramento ter sido executada a pelo menos 15 dias Carregamento da laje com todos os blocos a serem utilizados. 5. precisando-se de uma acomodação intermediária a qual é assim recomendada: • • • • • • Ter executado a estrutura de pelo menos 4 pavimentos acima do ponto a iniciar a alvenaria. recomenda-se que a aplicação seja feita imediatamente antes da elevação da alvenaria. Limpo o conjunto. o qual pode ser convencional ( de colher ) . Preparação do local As faces de pilares. fundos de vigas e lajes devem ser bem limpas nos pontos de contato com a alvenaria. Especificações para a obra 5. Início do assentamento A situação ideal ( executar as alvenarias de cima para baixo ) é conflitante com a necessidade das obras ( cronograma físico-financeiro ).5. industrializado ( desempenadeira ) ou rolado ( rolo de textura alta ). Quando o chapisco for do tipo convencional ou industrializado ( não usam aditivos com polímeros ) . etc. ).

materiais de revestimento . A posição exata da marcação é fundamental para centralizar a tela na junta horizontal. As alvenarias devem apresentar características de resistência mecânica compatíveis com as solicitações. pode-se adotar o encunhamento em pavimentos alternados ( ou fazendo dois e pulando um ) de maneira a não acumular tensões. Se a alvenaria funcionar como elemento de travamento da estrutura. Recomenda-se que estejam executados pelo menos 3 pavimentos de alvenaria sobre o que se vai encunhar e o pavimento superior tenha sido encunhado a pelo menos 24 horas. Colocação das telas nos pilares Inicialmente verificamos cuidadosamente a posição das telas indicadas no PAV ( normalmente nas fiadas pares ). etc. o que deve ser informado pelo projetista estrutural. ) Transcorrido pelo menos 15 a 20 dias da elevação. podendo a sua espessura variar de 1 a 3 cm para que eventuais irregularidades na concretagem da laje sejam absorvidas.A argamassa de assentamento da primeira fiada deve ser a mesma da elevação da alvenaria . pois isto cria uma ligação fraca e sujeita a fissuração. de modo a ser comprimida fortemente conta o pilar já chapiscado. Os blocos situados junto ao encontro entre pilar e alvenaria deverão ser assentados com a argamassa na junta vertical já colocada neles. tela ou treliça). Para que não ocorra transmissão de carregamento entre sucessivos pavimentos. com a folga necessária para o posterior encunhamento. sempre de cima para baixo. comprimento conforme tabela abaixo: Bloco 19 Tela 2 x 60 Cantoneira 2 x 50 .4. 5. recomenda-se o retardamento do encunhamento com a colocação da maior parte possível das cargas no andar superior ( contrapiso . A execução deve parar na altura prevista em projeto. se necessário e determinado no PAV. é necessário que exista uma ligação efetiva e rígida entre elas. Fixamos a tela já cortada no tamanho correto à estrutura através de cantoneira com dimensões mínimas de: largura 20 mm . marcando sua posição nos pilares através de nível em todos os pontos ou galga de um para outro. ser colocado o reforço previsto (canaleta. Não se deve permitir o preenchimento posterior da junta pilar/alvenaria. espessura 2 mm . A elevação deve ser feita até meia altura e neste ponto . ferro na fiada.

O que tentamos obter é uma ligação que não permita o deslocamento da alvenaria em relação ao pilar. até o momento de sua dobra sobre a argamassa. Cuidados de segurança : • • • Para a cravação dos pinos. encostada no pilar. Deve-se garantir uma força de arrancamento de 300N para um concreto de 20 MPa.14 9 120 75 100 60 A cantoneira de 100 mm deve ser colocada com dois pinos de aço zincado com diâmetro de 6 a 8 mm . . As outras cantoneiras são fixadas com um pino centralizado. Colocação da tela na parede A colocação da tela no interior da junta horizontal deve obedecer cuidados essenciais para obtenção do maior desempenho possível da ligação. portanto a tela tem que ficar perfeitamente dobrada ( sem arredondamentos ) e aderida na argamassa.5. para evitar acidentes com as pontas dos arames . penetração mínima de 20 mm e afastamento entre pinos de 50 mm. Se necessário pendurar pequenas tiras de pano vermelho na ponta da tela 5. usar finca-pinos de baixa velocidade ( a pistão ) acionado com cartucho de pólvora É obrigatório uso de óculos pelo operário . que deve ser bem treinado nesta operação Deixar a tela sem dobrar.

sendo que a argamassa deve ter sido colocado no bloco em toda a sua face e este pressionado fortemente contra o pilar.O posicionamento da tela já deve estar estabelecido quando da colocação das mesmas com as cantoneiras no pilar. conforme indicação no PAV. fazendo um ângulo de 90º penetrando bem nos cordões de argamassa. 5. As juntas verticais entre os primeiros blocos também devem estar preenchidas. . Após a colocação dos cordões de argamassa no bloco inferior. reduzindo as tensões no local. com uma junta de 15 a 25 mm. Primeiramente. A tela deve ficar a 2 cm da face externa da parede contínua e pelo menos 30 cm na parede transversal. A largura final da junta é a estabelecida no PAV. Este detalhe tem importância fundamental para o bom funcionamento da ancoragem.6. abaixamos a tela contra a cantoneira . Colocação de tela de amarração entre duas paredes No caso de amarração entre paredes que não for feita com os próprios blocos ( junta a prumo entre as paredes ). vamos colocar o primeiro ( ou último ) bloco contra o pilar. Se necessário podemos bater com um martelo sobre pedaço de madeira par garantir que não fique uma curvatura no local. com a posição e os tamanhos indicados pelo PAV. Elas vão permitir a transferência dos esforços da região entre mais blocos adjacentes . Devemos agora checar se a posição corresponde ao centro da junta horizontal. Isto é essencial para não permitir que a posterior retificação da tela no local cause a possibilidade de fissura entre a alvenaria e o pilar. necessitamos colocar telas a cada duas fiadas .

procurando adotar soluções racionais que minimizem os riscos de ocorrência de problemas. quase sempre demanda técnicas complexas e onerosas.A argamassa deve ser aplicada sobre os blocos inferiores e a tela colocada da forma mais reta e plana possível. de qualquer modo. Se necessário. desgaste da imagem da empresa . Conclusão As patologias das alvenarias de vedação geram altos custos de recuperação não previstos. comprimindo-a contra a argamassa até a tela ficar bem centralizada na junta. Uma recuperação eficiente. Por outro lado. Para isso . a recomposição do equilíbrio entre deformabilidade da alvenaria e da estrutura. chegaremos a valores que tornarão nossas estruturas economicamente inviáveis. 6. como defende Sabbatini ( 1998 ). Assim. a saída mais racional parece ser. Os limites de flechas de vigas e lajes tradicionalmente estabelecidos pela normalização brasileira ( L / 300 e L / 500 ) não são suficientes para evitar problemas em parte considerável das alvenarias hoje empregadas para a construção das vedações de nossos edifícios. desconforto e insatisfação do usuário. principalmente quando se estabelecem prazos e seqüências inadequadas de execução. . se considerarmos o estabelecimento de critérios para evitar as fissuras dessas alvenarias de baixa capacidade suportante. temos que ter uma boa coordenação entre o projetista da estrutura e o projetista da alvenaria. complementar com mais argamassa e pressionar o bloco superior contra o conjunto.

inclusive com a participação da construtora Minimizar as deformações na estrutura Detalhar. Investir em tecnologia é condição necessária para melhorar a qualidade de nossas construções. . em grupos de pavimentos seguindo esta direção ⇒ Postergar ao máximo o encunhamento das alvenarias Executar um bom controle de qualidade de material e execução ⇒ Controlar a resistência de aderência entre blocos e argamassa ⇒ Controlar o preenchimento pleno das juntas verticais entre parede e pilar e da junta de fixação entre a fiada de respaldo e o fundo da viga ou laje ⇒ Controlar a manutenção da espessura das juntas horizontais • Finalmente. a melhor técnica de ligação da alvenaria com a estrutura Executar a obra de acordo com as premissas aqui colocadas ⇒ Realizar a elevação da alvenaria dos pavimentos superiores para os inferiores.Devemos alertar também que o conjunto dos projetos executivos de obra se complementa com o projeto de revestimento. ou pelo menos. para cada caso . o revestimento deverá resistir a uma parcela de esforços e portanto deve ser planejado para isso. Neste caso . O meio produtivo e as instituições de pesquisa devem unir esforços no sentido de ampliar o conhecimento disponível para melhorar o desempenho das alvenarias e estruturas em serviço. Gostaríamos de destacar os seguintes aspectos entre os mais importantes a serem considerados para minimizar a ocorrência de fissuras nas paredes de vedação: • • • • Realizar e compatibilizar todos os projetos executivos . devemos salientar que a solução definitiva destes problemas exige investimento para desenvolvimento e disseminação de tecnologia construtiva adequada à nossa realidade. principalmente quando não conseguirmos acompanhar todas as orientações dadas pelas melhores práticas construtivas.

1990 Alberto Casado Lordsleem Junior – Execução e Inspeção de Alvenaria Racionalizada. 1999 Pimenta da Cunha. Albino Joaquim – Acidentes Estruturais na Construção Civil .7. Jonas Silvestre / Franco. 1989 Medeiros. 1996 . destinado a engenheiros de obras. Bibliografia • • • • • • • ABCI – Manual técnico da Alvenaria. destinado a arquitetos e engenheiros projetistas Curso : Como ler um Projeto de Alvenaria de Vedação . Luiz Sérgio – Prevenção de trincas em alvenarias através do emprego de telas soldadas como armadura e ancoragem . 2001 Ercio Thomaz/Paulo Helene – Qualidade no projeto e na execução de alvenaria estrutural e de alvenarias de vedação em edifícios Monserrat Dueñas Pena – Dissertação de mestrado – Método para a elaboração de projetos para produção de vedações verticais em alvenaria Thomaz. prevenção e recuperação. Ações Futuras Implementação: Curso : Como fazer um bom Projeto de Alvenaria de Vedação . mestres e encarregados Estudos futuros : Comportamento térmico e higroscópico das paredes de alvenaria Comportamento mecânico das interfaces ao longo do tempo Estudo da adequação da argamassa de assentamento 8.E – Trincas em edifícios – Causas.

br Participantes : João Manuel Verde João Jannini Ana Paula Socca Fabio Muzetti Ivy Smits Rebouças Rita Paschoal Homem de Melo Arnoldo Wendler Rodolfo A.com.com.com.br .9. Grupos de trabalho GT Projetos Coordenador : Afonso Castro – arqafonsocastro@terra. Marquezi Osmar Simionatto Absolon Soares Mário Paradella Denis Perez Edson Somera Fidelis Asta GT Interação Alvenaria – Estrutura Coordenador: Wagner de Carvalho – waeng@waengenharia.br Participantes: Wilson Martins Sergio Lattaro Arnoldo Wendler Gil Chinelatto Relator : Arnoldo Augusto Wendler Filho – franca@wendlerprojetos.