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1.2.

O tempo da Guerra Fria – A consolidação de um


mundo bipolar
O afrontamento entre as duas superpotências e os seus aliados
prolongou-se até meados dos anos 80, altura em que o bloco soviético
mostrou os primeiros sinais de fraqueza.
Durante este longo período, os EUA e a URSS intimidaram-se
mutuamente, gerando um clima de hostilidade e insegurança que deixou o
mundo num permanente sobressalto. É este clima de tensão
internacional que designamos por Guerra Fria.

Guerra Fria: Expressão criada para designar o estado de tensão entre


os EUA e a URSS a seguir à 2ª guerra mundial, que se caracterizou pelo
facto de as duas potências não registarem qualquer confronto directo, mas
interferirem em conflitos à escala regional em campos opostos.

A guerra fria foi uma autêntica “guerra de nervos” em que cada bloco
se procurou superiorizar ao outro. Uma gigantesca máquina de propaganda
inculcava nas populações a ideia da superioridade do seu sistema e a
rejeição e o temor do lado contrário, ao qual se atribuíam as intenções mais
sinistras e os planos mais diabólicos.
Mais do que ambições hegemónicas das duas superpotências, eram
duas concepções opostas de organização política, via económica e
estruturação social que se confrontavam: de um lado, o liberalismo, assente
sobre o princípio da liberdade individual; do outro, o marxismo, que
subordina o indivíduo ao interesse da colectividade.

1.2.1. O Mundo Capitalista

 A política de alianças dos Estados Unidos


Em termos político-militares, a aliança entre os ocidentais não tardou
também a oficializar-se. A tensão provocada pelo bloqueio de Berlim
acelerou as negociações que conduziram, em 1949, ao Tratado do Atlântico
Norte, firmado entre os Estados Unidos, o Canadá e 10 nações europeias. A
operacionalização deste tratado deu origem à Organização do Tratado
do Atlântico Norte – OTAN (ou NATO, em inglês).
O pacto da OTAN é bem demonstrativo da desconfiança que então
impregnava as relações internacionais. A aliança apresenta-se, assim, como
uma organização puramente defensiva, empenhada em resistir a um
inimigo que está omnipresente: a União Soviética.
Esta sensação de ameaça e a vontade de consolidar a sua área de
influência lançaram os EUA numa autêntica “pactomania” que os levou a
constituir um vasto leque de alianças, um pouco por todo o mundo. Para
além da OTAN, firmaram-se alianças multilaterais na América. Estas
alianças foram complementadas com diversos acordos de carácter político e

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económico, de tal forma que, cerca de 1959, 3 quartas partes do
mundo alinhavam, de uma forma ou de outra, pelo bloco
americano.

 A política económica e social das democracias ocidentais


No fim da 2ª guerra mundial, o conceito de democracia adquiriu, no
ocidente, um novo significado. Para além do respeito pelas liberdades
individuais, do sufrágio universal e do multipartidarismo, considerou-se que
o regime democrático deveria assegurar o bem-estar dos cidadãos.
As duas forças políticas que, nesta época, sobressaíram na Europa – o
socialismo reformista e a democracia cristã – encontravam-se fortemente
imbuídas de preocupações sociais.
Embora de quadrantes muito diferentes, socialistas e
democratas-cristãos saíram da guerra prestigiados.
É assim que, logo em 1945, as eleições inglesas dão a vitória ao Partido
Trabalhista, liderado por Clement Atlee, que substitui Winston Churchill
(Partido Conservador) à frente do governo britânico.
Um pouco por todo o lado, partidos de orientação idêntica viram elevar-
se os seus resultados eleitorais tendo, em alguns casos, tomando também
as rédeas do poder, como aconteceu na Holanda, nos países Escandinavos
(Dinamarca, Noruega, Suécia) e na República Federal Alemã.
Os adeptos da social-democracia conjugam a defesa do pluralismo
democrático e dos princípios da livre concorrência económica com o
intervencionismo do Estado, cujo objectivo é o de regular a economia e
promover o bem-estar dos cidadãos.

Social-Democracia: Corrente ideológica cujas origens remontam ao


pensamento de Eduard Bernstein, nos finais do séc.XIX, que, partindo da
crítica ao sistema capitalista e à necessidade de revisão do marxismo, ao
negar nomeadamente a luta de classes, defendeu a construção do
socialismo através de reformas graduais levadas a cabo por governos
resultantes de processos eleitorais democráticos.

A democracia-cristã tem a sua origem na doutrina social da igreja


que condena os excessos do liberalismo capitalista, atribuindo igualmente
aos estados a missão de zelar pelo bem-comum.
Os democratas-cristãos consideram que o plano temporal e espiritual
embora distintos, não se podem separar. Os princípios do cristianismo
devem enformar todas as acções dos cristãos. Propõem uma orientação
profundamente humanista, alicerçada na liberdade, na justiça e na
solidariedade. Procura-se subverter o espírito essencialmente laico da

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democracia transformando-o num campo de aplicação de valores
intrinsecamente cristãos.

Sociais-Democratas e Democratas-cristãos convergem no mesmo


propósito de promover reformas económicas e sociais profundas. Na
Europa do pós-guerra, os governos lançam-se num vasto programa de
nacionalizações. O Estado torna-se o principal agente económico do país,
o que lhe permite exercer a sua função reguladora da economia.

Paralelamente, revê-se o sistema de impostos, reforçando-se o carácter


progressivo das taxas. Um tal conjunto de medidas modificou, de forma
profunda, a concepção liberal de Estado dando origem ao Estado
Providência.

• A afirmação do Estado-Providência

A superação das dificuldades associadas à crise de 1929 implicou o


aumento da intervenção do Estado nos planos económico e social e o
nascimento do Estado-Providência ou do bem-estar social [onde cada
cidadão tem asseguradas as suas necessidades básicas “do berço ao
túmulo”].
Ainda durante a guerra, o empenhamento do Estado nas questões
sociais foi activamente defendido por Beveridge. Este confiava que um
sistema social alargado teria como efeito a eliminação dos “cinco grandes
males sociais”: carência, doença, miséria, ignorância e ociosidade.
A abrangência das medidas adoptadas em Inglaterra e a ousadia
do estabelecimento de um sistema de saúde assente na gratuidade total
dos serviços médicos e extensivo a todos os cidadãos, serviram de
modelo à maioria dos países europeus.
O sistema de protecção social generaliza-se a toda a população:
passando a acautelar as situações de desemprego, acidente, velhice e
doença; estabelecem-se prestações de ajuda familiar. Ampliam-se as
responsabilidades do Estado no que respeita à habitação, ao ensino e à
assistência médica.

Este conjunto de medidas visa um duplo objectivo:


• Reduz a miséria e o mal-estar social contribuindo para uma repartição
mais equitativa da riqueza;
• Assegura uma certa estabilidade à economia, já que evita descidas
drásticas da procura como a que ocorreu durante a crise dos anos 30.

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• A prosperidade Económica

O crescimento económico do pós-guerra estruturou-se em bases sólidas.


Os governos não só assumiram grandes responsabilidades económicas,
como delinearam planos de desenvolvimento coerentes, que permitiram
estabelecer prioridades, rentabilizar a ajuda Marshall e definir directrizes
futuras. Externamente, os acordos de Bretton Woods e a criação de espaços
económicos alargados (como a CEE) tiveram um papel semelhante,
harmonizando e fomentando as relações económicas internacionais.

O capitalismo emergiu dos escombros da guerra e atingiu o seu


auge. Entre 1945 e 1973, a produção mundial mais do que triplicou. As
economias cresceram de forma contínua, sem períodos de crise. As taxas de
crescimento especialmente altas de certos países, como a RFA, a França, o
Japao, surpreenderam os analistas, que começaram a referir-se-lhes como
“milagre económico”. Estes cerca de 30 anos de uma prosperidade
material sem precedentes ficaram na História como os “Trinta
Gloriosos”.

A expansão económica dos 30 Gloriosos conjuga o desenvolvimento de


processos já iniciados com aspectos completamente novos. Podemos
destacar:

• A aceleração do progresso tecnológico, que atingiu todos os sectores;

• O recurso ao petróleo como matéria energética por excelência, em


detrimento do carvão;

• O aumento da concentração industrial e do número de


multinacionais;

• A modernização da agricultura;

• O aumento significativo da população activa. Para além de mais


numerosa, a mão-de-obra tornou-se também mais qualificada;

• O crescimento do sector terciário.

 A sociedade de consumo
O efeito mais evidente dos Trinta Gloriosos foi a generalização do
conforto material. A sociedade de consumo transformou os lares e o estilo
de vida da maioria da população dos países capitalistas.

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Nesta sociedade de abundância, o cidadão comum é permanentemente
estimulado a despender mais do que o necessário. Multiplicam-se os
grandes espaços comerciais, verdadeiros santuários do consumo, onde os
objectos, estrategicamente dispostos, se encontram ao alcance da mão do
potencial comprador. Uma publicidade bem orquestrada lembra as
pequenas e grandes maravilhas a que todos “têm direito” e que as vendas
a crédito permitem adquirir.
O consumismo instala-se duradouramente e torna-se o emblema das
economias capitalistas da segunda metade do século XX.

1.2.2 O Mundo Comunista

Quando o 2º conflito mundial terminou a URSS foi responsável pela


implantação de regimes comunistas, inspirados no modelo soviético, por
todo o mundo.
Após a 2ª Guerra Mundial, o reforço da posição militar soviética e o
desencadear do processo de descolonização criaram condições favoráveis
quer à extensão do comunismo, quer ao estreitamento dos laços de
amizade e cooperação entre Moscovo e os países recentemente
independentes. A URSS saiu, assim, do isolamento a que estivera votada
desde a Revolução de Outubro, alargando a sua influência nos 4
continentes.

• Europa

A primeira vaga da extensão do comunismo atingiu a Europa Oriental e


fez-se sob a pressão directa da URSS. Entre Julho de 1947 e Julho de 1948,
as coligações governamentais desfizeram-se: o partido comunista tornou-se
partido único.

Os novos países socialistas receberam a designação de democracias


populares.

Democracias Populares: Designação dada ao regime do partido


único instituído nos países do Leste Europeu, construído à semelhança do
modelo soviético, e que, adoptando a ideologia comunista, exerceu o poder
de forma absoluta e controlou toda a sociedade.

Defendem que a gestão do Estado pertence, em exclusivo, às


classes trabalhadoras. Estas, que constituem a esmagadora maioria da
população, “exercem o poder” do Partido Comunista.

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Depois da implantação do comunismo, a URSS exerceu um
apertado controlo sobre os seus novos aliados.
Em 1955, os laços entre as democracias populares foram reforçados
com a constituição do Pacto de Varsóvia, aliança militar que previa a
resposta conjunta a qualquer eventual agressão. O Pacto Varsóvia constituiu
uma organização completamente oposta à OTAN. A união soviética
impôs um modelo único, do qual não admitiu desvios.
Em 1956, na Hungria, e em 1968, em Praga (Checoslováquia), a URSS
reprimiu, com os tanques militares do Pacto de Varsóvia, os levantamentos
sociais que contestavam o poder soviético.
Em 1961, a fim de evitar a passagem de cidadãos de Berlim Leste
para Berlim Oeste, de onde fugiram para a RFA e para outros países
ocidentais, a RDA ordenou a construção do muro de Berlim.

• Ásia

Fora da Europa, o único país em que a implantação do regime comunista


se ficou a dever à intervenção directa da URSS foi a Coreia. Entre 1950
e 1953 desenrolou-se, na Coreia, uma guerra civil entre o norte, a República
Popular da Coreia, comunista, apoiada pela URSS e o sul, a República
Democrática da Coreia, capitalista, sustentada pelos Estados Unidos. O final
da guerra não unificou o país, tornando-se mais uma das questões por
resolver da Guerra Fria.

Nos restantes casos, o triunfo do partido comunista ficou a dever-se a


movimentos revolucionários nacionais que contaram, no entanto, com
o incentivo ou o apoio declarado da URSS.
Tal é o caso da China, onde, em Outubro de 1949, Mao Tsé-Tung
proclamou a instauração de uma República Popular. Apesar de,
posteriormente, se ter afastado da URSS, a China seguiu, nos primeiros
anos do regime comunista, o modelo político e económico do socialismo
russo.

• América Latina
O p0nto fulcral da expansão comunista na América Latina foi
Cuba, onde, um grupo de revolucionários, sob o comando de Fidel Castro e
do Che Guevara.
A influência soviética em Cuba confirma-se quando, em 1962, aviões
americanos obtêm provas fotográficas da instalação, na ilha, de mísseis
russos de médio alcance, capazes de atingir o território americano.
A exigência firme de retirada dos mísseis, feita pelo presidente
Kennedy, coloca o mundo perante a eminência de uma guerra nuclear entre
as duas superpotências.

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Fruto do seu alinhamento com o bloco soviético, Cuba
desempenhará também um papel activo na proliferação do
comunismo.

• África
A adopção de regimes sociais coincidiu com a 2ª vaga de
descolonizações (por ex: nos anos 70 as ex-colónias africanas de Angola e
Moçambique tornaram-se Estados Socialistas).

 Opções e Realizações da economia de direcção central


Após a 2ª Guerra Mundial, a planificação da economia nos regimes
socialistas propiciou uma recuperação rápida dos prejuízos causados
pelo esforço de guerra. Os planos quinquenais apostavam, sobretudo,
na indústria pesada (siderurgia) e nas infra-estruturas. A URSS
e os países de modelo soviético registaram um crescimento industrial
tão significativo que ascenderam à 2ª posição da indústria mundial.

No entanto, a par destas realizações, as economias da direcção


central (dirigidas pelo Estado o qual abolia a iniciativa privada)
evidenciavam fraquezas estruturais que comprometiam a longo prazo
o seu sucesso:

O nível de vida das populações não acompanha esta


evolução económica.

• As jornadas de trabalho matem-se excessivas;

• Os salários sobem a um ritmo muito lento e as carências de


bens de toda a espécie mantêm-se;

• A agricultura, a construção habitacional, as indústrias de


consumo e o sector terciário avançam lentamente.

Nas cidades, que a industrialização fez crescer a um ritmo muito


rápido, a população amontoa-se em bairros periféricos. As longas filas
de espera para adquirir os bens essenciais tornam-se uma rotina
diária.

 Os bloqueios Económicos
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Passando o primeiro impulso industrializador, as economias planificadas
começam a mostrar, de forma mais evidente, as suas debilidades:

• A planificação excessiva entorpece as empresas, que não gozam de


autonomia na selecção das produções, do equipamento e dos
trabalhadores, na fixação de salários e preços, ou na escolha de
fornecedores e clientes;
• Uma gestão burocrática limita-se a procurar cumprir as quantidades
previstas no plano, sem atender à qualidade dos produtos ou ao
potencial de rentabilidade dos equipamentos e da numerosíssima mão-
de-obra;
• Nas unidades agrícolas, a falta de investimento, a má organização e o
desalento dos camponeses reflectem-se de forma severa na
produtividade.

Implementou-se, nos anos 60, um conjunto vasto de reformas


em praticamente todos os países da Europa Socialista. O exemplo é
dado pela União Soviética.
Um novo plano, iniciado em 1959, reforça o investimento nas
indústrias de consumo, na habitação e na agricultura. Ao mesmo tempo, a
duração do trabalho semanal reduz-se (de 48 para 42 horas) bem como a
idade da reforma, que se estende, aos trabalhadores agrícolas.
No entanto, os efeitos destas medidas ficaram muito aquém
das espectativas. Na década de 70, sob a liderança de Leonidas Brejnev, a
corrupção e a burocracia avolumaram-se, o que se traduziu pelo agudizar da
estagnação.

As dificuldades soviéticas reflectiram-se, de forma mais


ou menos grave, em todos os países satélites. A estagnação das
economias de direcção central reflecte, sobretudo, as falhas do sistema, que
se foram agravando ao longo das décadas.

1.2.2 A escala armamentista e o início da era


espacial

 A escala armamentista
Para além dos esforços postos na constituição de alianças internacionais,
os 2 blocos procuravam preparar-se para uma eventual guerra, investindo
grandes somas na concepção e fabrico de armamento cada vez mais
sofisticado.
Nos primeiros anos do pós-guerra, os Estados Unidos tinham o segredo
da bomba atómica, que consideravam a sua melhor defesa.

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Quando, em Setembro de 1949, os Russos fizeram explodir a sua
primeira bomba atómica, a confiança dos Americanos desmoronou-se.
Em 1952 os americanos testavam, no Pacífico, a 1ª bomba de
hidrogénio, com uma potência 1000 vezes superior à bomba de Hiroxima.

A corrida ao armamento tinha começado. No ano seguinte, os Russos


possuíam também a bomba de hidrogénio e o ciclo reiniciou-se, levando as
duas superpotências à produção maciça de armamento nuclear. O
mundo viu também multiplicarem-se as armas ditas convencionais.
No fim de 1950, os americanos consideravam obrigatório aumentar, tão
depressa quanto possível, a força aérea, terrestre e naval em geral e a dos
aliados num ponto em que não estivessem tão fortemente dependentes de
armas nucleares.
O investimento ocidental nas armas convencionais desencadeou,
como era de esperar, uma igual estratégia por parte da URSS [afectou, em
1952, 80% do orçamento de Estado para despesas militares]
Cada um dos blocos procurava persuadir o outro de que usaria, sem
hesitar, o seu potencial atómico em caso de violação das respectivas áreas
de influência. O mundo tinha resvalado, nas palavras de Churchill, para o
equilíbrio instável do terror.

 O início da era espacial


Durante a 2ª Guerra Mundial a Alemanha tinha secretamente
desenvolvido a tecnologia dos foguetes e criado os primeiros mísseis. Em
1945, os cientistas envolvidos neste projecto emigraram para a URSS e para
os Estados Unidos, onde desempenharam um papel relevante nos
respectivos programas espaciais.
A URSS colocou-se à cabeça da conquista do espaço [em Outubro-1957
coloca em órbita o 1º satélite artificial da história].
A desolação dos Americanos, que até aí tinham considerado a URSS
tecnologicamente inferior, foi grande. Na ânsia de igualarem a proeza russa,
anteciparam o lançamento do seu próprio satélite, mas o foguetão que o
impulsionava explodiu e a experiencia foi um fracasso.
Nos anos que se seguiram, a aventura espacial alimentou o orgulho
nacional das duas nações.

1.3. A afirmação de novas potências

1.3.1. O rápido crescimento do Japão

 Os factores de desenvolvimento / O “milagre Japonês”


O “milagre japonês” beneficiou de uma conjuntura favorável. A
ocupação americana modernizou as estruturas políticas e sociais do país. Os
Estados Unidos disponibilizaram importantes ajudas financeiras e

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técnicas que permitiram uma rápida reconstrução económica (através do
Plano Dodge); fizeram aprovar a Constituição de 1945; incentivaram o
controlo da natalidade e o acesso ao ensino. Após a vitória de Mao Tsé-Tung
na China, em 1949, o Japão passou a ser visto como um precioso aliado do
bloco ocidental no Oriente.

Estabilidade política, assegurada pelo Partido Liberal-Democrata no


poder desde 1955.
A mentalidade japonesa foi também um importante factor de
crescimento. Os lucros foram reinvestidos continuamente e os
trabalhadores chegavam a doar à empresa os seus pequenos aumentos de
salário para promover a renovação tecnológica.
Esta ligação afectiva entronca na tradição japonesa do trabalho vitalício
que transforma o patrão no protector dos seus funcionários, os quais, por
sua vez, dedicam uma incondicional lealdade à empresa.
Munido de mão-de-obra abundante e barata e de um sistema de ensino
abrangente mas altamente competitivo, o Japão lançou-se à tarefa de se
transformar na 1ª sociedade de consumo da Ásia.

O primeiro desenvolvimento da economia japonesa decorreu entre


1955 e 1961. Neste curto período, a produção industrial praticamente
triplicou.
Os sectores que, neste período, adquirem maior dinamismo são os da
indústria pesada (construção naval, máquinas-ferramentas, química) e
dos bens de consumo duradouros (tv’s, rádios, frigoríficos, etc.)
O comércio externo acompanha esta expansão: as exportações
duplicam, assim como as importações.
Depois de um período de estagnação, no início dos anos 60, a economia
japonesa conheceu um 2º surto de crescimento tão possante quanto o
anterior.
Entre 1966 e 1971, a produção industrial duplicou e criaram-se 2,3
milhões de novos postos de trabalho. Além do desenvolvimento dos
sectores clássicos (como a siderurgia) este surto de crescimento assenta,
sobretudo, em novos sectores (produção de automóveis, tv’s a cores…)
Este 2º desenvolvimento fez do Japão a 3ª maior potência económica
mundial, atrás dos EUA e da URSS.

1.3.2. O Afastamento da China do bloco soviético


O comunismo chinês foi marcado pela personalidade carismática do seu
líder Mao Tsé-Tung.
Ao contrário do marxismo tradicional, Mao enfatizava o papel dos
camponeses, aos quais atribuía a liderança revolucionária -> maoísmo.

Maoísmo: Regime instalado na China pelo Partido Comunista Chinês,


chefiado por Mao Tsé-Tung, diferenciado do marxismo-leninismo, sua

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principal fonte de inspiração, pela substituição do proletariado pelo
campesinato enquanto classe revolucionária, e pela Revolução Cultural, no
sentido de acelerar a construção do comunismo.

O maoísmo assumiu como objectivo a revolução total protagonizada


pelas masssas e não pelas estruturas de Poder, para isso, recorreu a
grandes campanhas de natureza ideológica.
 Devia-se “agir de acordo com as necessidades e as aspirações das
massas”

Mao lança, em 1957, uma campanha de “rectificação” dos erros


cometidos pelo Partido, cuja actuação parecia afastar-se das massas.

Esta política foi complementada, em 1958, com o “grande salto em


frente”: que tinha por base o fomento da agricultura e a integração dos
camponeses em comunas populares lideradas pelo Partido Comunista
Chinês. A prioridade à indústria pesada foi então posta de lado e a ênfase
passou para os campos, onde se deviam desenvolver tanto as produções
agrícolas como pequenas industrias locais. No entanto, esta reforma
redundou em fracasso (1960), pois os meios técnicos eram reduzidos e os
métodos de trabalho utilizados nas oficinas eram antiquados.

Em vez da subserviência a Moscovo, Mao estabeleceu, ele mesmo, os


fundamentos doutrinários de um socialismo nacionalista. Criticou o
comunismo de Kruchtchev, acusando-o de não “escutar a opinião das
massas”.

Em 1964 o culto a Mao e ao maoísmo foi estimulado através da


chamada Revolução Cultural, movimento que pretendia aniquilar todas as
manifestações culturais – na literatura, na arte, no ensino – que se
afastassem do modelo socialista de Mao. A propaganda ideológica tinha por
base o “livro vermelho” que reunia citações de Mao e que era venerado
como detentor da verdade absoluta. A revolução cultural deu origem a
excessos de agitação social que resultaram na humilhação, perseguição e
assassínio de muitos cidadãos considerados contra-revolucionários.

Os esforços de Mao foram coroados de êxito quando, em 1971, o país


entra para a ONU.

1.3.3. A ascensão da Europa


A Europa reconheceu a sua herança cultural comum e a
necessidade de se unir para reencontrar a prosperidade económica
e, se possível, a sua influência política.

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 Da CECA à CEE
O Primeiro passo consistente para a cooperação europeia resultou da
Declaração Shumam, que pretendia a cooperação entre a França e a
Alemanha no domínio da produção do carvão e do aço. Desta iniciativa
resultou a CECA – Comunidade Europeia do Carvão e do Aço
(Alemanha, França, Itália, Bélgica, Holanda e Luxemburgo). A CECA
estabeleceria uma zona conjunta minero-siderurgica sob a orientação de
uma Alta Autoridade supranacional.
Em 1957, surge, finalmente, a Comunidade Económica Europeia –
CEE, constituída pelos 6 países referidos. A CEE, cujos fundamentos foram
expressos no Tratado de Roma (1957) tinha objectivos predominantemente
económicos:
• Estabelecimento de um mercado comum;

• Aproximação progressiva das políticas económicas;

• Expansão económica contínua e equilibrada;

• Livre prestação de serviços;

• Estabelecimento de uma política comum na área da agricultura,


dos transportes e da produção energética – é criada a EURATOM
[Comissão Europeia de Energia Atómica – com um funcionamento
independente da CEE]

A união aduaneira prevista no Tratado de Roma veio a concretizar-se em


1968, traduzindo-se, desde logo, num forte aumento das trocas
intercomunitárias.

1.3.3. A segunda vaga de descolonizações


A política de Não-Alinhamento

 A descolonização Africana
O processo de descolonização em África seguiu o sentido norte-sul:
primeiramente tornaram-se independentes os países do norte de África e,
progressivamente, os países da África Negra foram reclamando autonomia,
onde se organizam também movimentos nacionalistas que encabeçam a
luta contra o estado colonizador.

Movimentos Nacionalistas: Expressão utilizada para designar a


afirmação de valores, de interesses e de especificidades socioculturais que
diferenciam uma nação de outras e que, no caso das colónias dependentes
de países europeus, se confundiu com os movimentos de libertação
constituídos com o objectivo de conseguir a autodeterminação das colónias.

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Com o fim de criarem um sentimento de identidade nacional e de
fazerem reviver o orgulho perdido, os líderes nacionalistas promovem a
revalorização das raízes ancestrais do seu povo, a sua cultura comum,
difundindo a ideia de que ela é tão válida como a civilização dos europeus
civilizadores.
A luta pela independência assume, assim, a dupla vertente de
uma luta política e de uma luta contra a pobreza e o atraso económico
O processo independentista contou com o apoio da ONU, que,
honrando os ideais de igualdade e justiça, se colocou inequivocamente ao
lado dos povos dominados. Em 1960, a Assembleia Geral aprovou a
Resolução de 1514 que consagra o direito à autodeterminação dos
territórios sob administração estrangeira e condena qualquer acção armada
das metrópoles.
1960 -> “O ano da descolonização”, o mundo viu nascer 18 novos
países.

 Um Terceiro Mundo
Nas 3 décadas que se seguiram ao conflito mundial constituíram-se
cerca de 70 novos países na Ásia e na África -> são estes que constituem o
Terceiro Mundo.

Um “país de Terceiro Mundo” é aquele onde a população, muito


numerosa, é maioritariamente pobre, a tecnologia é atrasada, os
cidadãos têm difícil acesso a bens essenciais, a TMI é elevada e a EMV é
mais baixa do que no mundo desenvolvido.
Nascido da descolonização, o Terceiro Mundo permaneceu sob a
dependência económica dos países ricos.
Estes países continuaram a explorar, através de grandes companhias, as
matérias-primas, minerais e agrícolas do mundo subdesenvolvido,
fornecendo-lhe, como no passado, produtos manufacturados.
Tal situação tem perpetuado o atraso destas regiões: por um lado, os
lucros das companhias não são reinvestidos no local; por outro, enquanto o
preço dos produtos industriais têm vindo a subir, o valor das matérias-
primas, tem decaído
Considerada um verdadeiro neocolonialismo, tal situação foi, desde
logo, denunciada pelas nações do Terceiro Estado, que reivindicaram, sem
sucesso, a criação de uma “nova ordem económica internacional”.

Neocolonialismo: Palavra que designa algumas formas de domínio


financeiro, tecnológico, económico, político ou cultural de um Estado
sobre as suas antigas colónias ou sobre estados recentemente
descolonizados.

 A política de não-alinhamento

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Para além da sua acepção económica, social, a expressão do Terceiro
Mundo reveste também uma conotação política: os novos países
representam a possibilidade de uma terceira via, uma alternativa
relativamente aos blocos capitalista e comunista.
Os países saídos da descolonização cedo se esforçaram por estreitar os
laços que os unem e por marcar posição na política internacional.
Em 1955 convoca-se uma conferência para definir as linhas gerais de
actuação dos países recém-formados. A conferência, em Bandung, na
Indonésia, reuniu 29 delegações afro-asiáticas.
Foi possível adoptar um conjunto de princípios que definem as posições
políticas do Terceiro Mundo: condenação do colonialismo, rejeição da
política dos blocos, apelo à resolução pacífica dos diferendos internacionais.
A conferência da Bandung teve um efeito notável no processo de
descolonização
A mensagem da Bandung foi tomando corpo através de sucessivos
encontros internacionais que desembocaram no Movimento dos Não-
Alinhados, criado oficialmente na conferência de Belgrado,
empenhando-se no estabelecimento de uma via política alternativa à
bipolarização mundial.
O não-alinhamento atraiu um número crescente de países da Ásia, da
África e da América e tornou-se o símbolo do sonho de independência e
de liberdade das nações mais frágeis.
Embora muitas vezes designado por neutralismo, este movimento não
teve por objectivo permanecer neutro face às grandes questões mundiais.

1.4. O termo da prosperidade económica: origens e


efeitos

Os “trinta gloriosos” anos de abundância e crescimento económico do


mundo capitalista cessaram bruscamente, em 1973
A crise afectou essencialmente os sectores siderúrgico, a construção
naval e automóvel bem como o têxtil. Muitas empresas fecharam, outras
reconverteram a sua produção e o desemprego subiu em flecha.
Paralelamente a inflação tornou-se galopante. Este fenómeno inédito
recebeu o nome de estaglaçao, termo que aglutina as palavras estagnação
e inflação.

 Os factores da crise
A interrupção do crescimento económico nos anos 70 deveu-se,
sobretudo, à conjugação de 2 factores: a crise energética e a
instabilidade monetária.
Nos finais da década de 60, o petróleo era a fonte de energia básica de
que dependiam os países industrializados.
Em 1973, os países do Médio Oriente, membros da OPEP
(Organização dos Países Exportadores de Petróleo) decidiram subir o

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preço de venda do petróleo para o quádruplo, numa tentativa de
pressionar o Ocidente a desistir de auxiliar Israel na guerra israelo-
palestiniana.
Em 1979, a situação agravar-se-á com novas subidas de preço devido à
crise política no Irão e à posterior guerra Irão-Iraque.
Estes “choques petrolíferos” que multiplicaram por 12 o preço do
petróleo provocaram um acentuado aumento dos custos de produção dos
artigos industriais e, consequentemente, o encarecimento dos artigos junto
do consumidor, gerando uma escalada da inflação.

Um outro factor determinante desta depressão económica foi a


instabilidade monetária.
A excessiva quantidade de moeda posta em circulação pelos Estados
Unidos levou o presidente Nixon a suspender a convertibilidade do dólar em
ouro, o que desregulou o sistema monetário internacional. Segundo
alguns analistas, foi esta instabilidade monetária, mais do que a
crise energética, a responsável pelo enfraquecimento económico
dos anos 70.

 Uma crise relativa


A crise dos anos 70 introduziu um novo ciclo económico que intercala
períodos de crescimento e estagnação.
Ainda que a um ritmo mais lento, o crescimento económico
manteve-se, alguns sectores industriais reconverteram-se, enquanto
outros, ligados às novas tecnologias conheceram um forte impulso.
Também no aspecto social esta crise não atingiu a dimensão
estratégica da Grande Depressão. As estruturas do Estado Providência,
reforçadas após o 2º conflito mundial, cumpriram cabalmente o seu papel,
amparando o desemprego e evitando situações de miséria extrema e
generalizada.

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