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UNIVIRSIDADI ISTADUAL IAULISTA ´Campus Rio CIaro¨

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA
Disciplina: A utilização da Informática na Educação Matemática
Ministrada pela professora Dra. Rosana Giaretta Sguerra Miskulin
Aluno: Roger Huanca Curso: Doutorado

Atividade: Texto sintetizado as idéias do mapa conceitual a partir da leitura da Introdução e
da parte de Significado do livro: WENGER, E. ( 2001) Comunidades de Prática – Adizaje,
Significado e Identidad – Cognición e Desarrollo Humano – Paidós: Barcelona - Espanha.



De acordo com a leitura da Introdução e da parte de Significado do livro, a ideia
principal do Wenger ( 2001) é discutir sobre a importância de uma comunidade de prática. O
autor ao longo do texto vai explicando, por exemplo, sobre a comunidade de prática social, a
negociação de significado, A participação e reificação (cosificação) e a dualidade do
significado num contexto social:






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Comunidade de prática
Wenger (2001), apud Miskulin e outros (2006), dizem que as comunidades de prática
são formadas por pessoas engajadas em um processo de aprendizagem grupal, ou seja, em um
domínio compartilhado, tais como: um grupo de engenheiros trabalhando em problemas
similares, um grupo de professores/alunos definindo suas identidades na escola, uma rede de
cirurgiões explorando novas técnicas. Assim, comunidades de prática são grupos de pessoas
que compartilham uma preocupação, um objetivo ou uma paixão por alguma ação que fazem
e aprendem, através de uma interação constante com os membros dessa comunidade.
Para Wenger, três características são cruciais para uma comunidade ser uma
comunidade de prática: o domínio, a comunidade e a prática. Essas características são
apresentadas pelo Wenger (2001), apud Miskulin e outros (2006) de três formas: (1) O
domínio, onde a comunidade de prática possui um domínio compartilhado de interesses,
assuntos ou conhecimentos. Os membros de uma comunidade de prática valorizam suas
competências coletivas e aprendem uns com os outros, mesmo que poucas pessoas fora do
grupo valorizem ou mesmo reconheçam essa especialidade; (2) A comunidade, onde os
membros da comunidade se envolvem em atividades conjuntas e discussões, procurando
interesses comuns em seus domínios, ajudam uns aos outros, compartilham informações e
constroem relacionamentos que propiciam uma aprendizagem compartilhada e (3) A prática,
onde os membros de uma comunidade de prática são praticantes, isto é, desenvolvem um
repertório de ações compartilhadas, tais como: experiências, histórias, ferramentas, formas de
lidar com problemas recorrentes, entre outros. Esse processo leva tempo e sustenta e mantém
a interação do grupo.
Nesse sentido, o texto nos coloca que a interação se dá de um indivíduo para com os
demais indivíduos, assim a aprendizagem coletiva gera práticas e conhecimento coletivo.
Também a prática é sempre uma prática social, relacionado com o dia-a-dia, o mundo, uma
reflexão, algo que deve nos tocar. Lembrando que mediante este compromisso recíproco, o
caráter social das comunidades de prática é negociado do explícito e do tácito que tem em
nosso cotidiano. O autor diz que todos têm sua própria teoria e maneiras de compreender o
mundo e nossas comunidades de prática, mas produz um contexto de práticas concretas.
Relação ente teoria e prática sempre se completa. Lembrando que, a comunidade de prática
percorre um objetivo comum, utilizando-se de um repertório de trabalho colaborativo.
Wenger (2001) observa que as experiências adquiridas continuamente estão
intimamente ligadas às práticas. Nesse sentido, a aprendizagem não se processa em um
contexto no qual simplesmente as pessoas devem aprender alguma coisa, mas sim estarem
engajadas na prática. Assim, faz parte da aprendizagem este processo de engajamento,
empenho, participação e desenvolvimento da prática.
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A negociação de significado
Segundo Wenger (2001), apud Miskulin e outros (2006), a negociação de
significados é um processo complexo que leva tempo, pois o que define a comunidade de
prática em uma dimensão temporal é a questão do compromisso e engajamento mútuo, a fim
de que todos os membros compartilharem uma aprendizagem compartilhada e significativa.


O conceito de negociação com freqüência denota alcançar um acordo entre duas ou
mais pessoas, como na frase “negociar um acordo” porem não se limita a este significado, em
inglês a mesma palavra também se dá para indicar uma realização que requer uma atenção e
um reajuste constante. O autor diz que para dar a entender que viver de uma maneira
significativa supõe: (1) Um processo ativo de produção de significado que é ao mesmo tempo
dinâmico e histórico; (2) Um mundo de resistência e maleabilidade; (3) A capacidade mutua
de influir e ser influenciado; (4) A intervenção de uma multiplicidade de fatores e
perspectivas; (5) A produção de uma nova resolução na convergência de estes fatores e
perspectivas e (6) O incompleto desta resolução que pode ser parcial, provisional, efêmera e
específica de uma situação.
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A negociação de significado é um processo constante de negociação numa
comunidade de prática, independentemente do que falamos, atuamos, pensamos, resolvemos
problemas ou sonhamos acordados, ou seja, sempre nos ocupamos de significados que nós
levam a uma dinâmica de negociação. A dinâmica de negociação inclui nossas relações
sociais como fatores na negociação, porem não supõe necessariamente uma conversação num
determinado grupo ou comunidade.

A participação e reificação (cosificação)

Para o autor, nossa experiência, nossa prática, está em constante movimento, sempre
interagindo com outras práticas e experiências, sem se fundir a elas. Então o significado
sempre é produto de uma negociação, ou seja, o significado está na relação dinâmica de
participar e reificar.
A participação é tanto pessoal quanto social e é concebida como um processo
completo que combina as ações de fazer, falar, pensar, sentir e pertencer. Nela a pessoa é
revelada como um todo, o corpo, a mente, as emoções e as relações sociais. Também a
participação representa a ação de tomar parte em alguma coisa, assim é na relação com outras
pessoas, nas comunidades de prática, que esse processo se torna presente.
Segundo Wenger (2001), apud Miskulin e outros (2006), A reificação, por sua vez, é
entendida como “a conversão de algo em coisa”, esse algo pode ser compreendido como
idéia, faculdade, pensamento, etc., ou seja, é uma maneira geral para se referir ao processo de
dar forma à experiência, produzindo objetos que moldam essa experiência em uma coisa
concreta. Assim, esse termo abraça e amplia uma gama de processos que incluem fazer,
desenhar, representar, nomear, codificar, descrever, perceber, interpretar, utilizar, reutilizar,
decifrar e reestruturar. Logo, em todos esses casos, esses processos se solidificam em formas
concretas de aspectos da experiência e da prática humana e, é isso que lhes dá a condição de
objeto.
Wenger diz que quando ocorre a participação e a reificação, ocorrem comunidades
de prática. Uma vez que a prática é um processo pela qual podemos experimentar o mundo e
nosso compromisso com ele como algo significativo e prático.

Dualidade do significado num contexto social
A dualidade entre participação e cosificação é fundamental na constituição de uma
comunidade de prática, isto é, nessas comunidades são atualizadas continuamente conceitos,
argumentos e conhecimentos por meio dos processos de participação e reificação. Não podem
ser separadamente. Eles trabalham mutuamente, porém não se pode substituir entre si.
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Mediante suas diversas combinações, dão lugar a uma variedade de experiências de
significado e re-significando na negociação.

Figura: A dualidade da participação e reificação (cosificação)
Essas comunidades de prática podem ser formadas, por exemplo, entre professores e
estudantes, constituindo-se em um grupo no qual é possível o compartilhamento de ideias,
informações, materiais, conceitos, conhecimentos e outros. Assim, cada membro do grupo
passa aprender em um trabalho colaborativo com outros membros da comunidade,
atualizando continuamente seus saberes de participação e cosificação, desenvolvendo e
transformando suas experiências e mundo (práticas) num significado e negociação.

Referência Bibliográfica

MISKULIN, R. G. S. Concepções Teórico-Metodológicas Sobre a Introdução e a
Utilização de Computadores no Processo Ensino/Aprendizagem da Geometria.
Faculdade de Educação/UNICAMP - Tese de Doutorado em Educação na Área de Educação
Matemática, 1999.

WENGER, E. Comunidades de Prática – Aprendizaje, Significado e Identidad –
Cognición e Desarrollo Humano. Paidós: Barcelona, Espanha, 2001.

WENGER, E. et al. Technology for Communities.
http://www.ewenger.com/theory/communities_of_practice_intro.htm. Consultado em
14/11/2005.