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TEXTO 1

RONDON DO PARÁ VIVE EXPECTATIVA PELA SAÍDA DA LISTA DE


MUNICÍPIOS PRIORITÁRIOS DO MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE

Rondon do Pará vive um momento de renascimento ambiental após anos de intensa luta em prol do
desenvolvimento sustentável. Como integrante da região identificada como “Arco do
Desmatamento”, área que concentra 75% do desmatamento bruto de toda a Amazônia brasileira, o
município foi incluído em 2008 na lista de municípios prioritários para ações de prevenção,
monitoramento e controle do desmatamento, elaborada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA).
No entanto, a cidade da mesorregião Sudeste Paraense conseguiu alcançar uma reviravolta histórica
em termos de gestão ambiental através de um movimento integrado que mobiliza e une sociedade
civil e poder público em prol da preservação do meio ambiente.
Esta mobilização pela causa ambiental foi revigorada em 2011, quando Rondon do Pará ingressou
no Programa Municípios Verdes (PMV) e deverá ser coroada com a sua remoção da relação de
Municípios Prioritários do MMA. O anúncio oficial da saída de Rondon do Pará do cadastro deverá
ser feito durante a 27ª reunião do Comitê Gestor (COGES) do PMV, no dia 3 de dezembro, em
Belém e é aguardado em meio a grande expectativa pela população local e pela gestão municipal.
De acordo com a Secretária Municipal de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente de Rondon do Pará,
Márcia Aparecida Miranda Azevedo, a adesão ao PMV foi fundamental para alavancar a política
ambiental do município: “A minha avaliação do Programa Municípios Verdes é a melhor possível.
Eu considero a adesão de Rondon do Pará ao Programa como um divisor de águas. A filiação foi
fundamental devido a tudo o que esse programa tem feito para a administração local. Todo esse
avanço na gestão ambiental de Rondon do Pará, eu atribuo a essa inclusão no PMV”, afirma a
gestora.
A capacitação dos técnicos da Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente
(SECMA) de Rondon do Pará tem sido de alta prioridade no município. Por isso, os servidores têm
participado ao longo dos anos de diversos programas de capacitação na área ambiental, como os
cursos de Licenciamento Ambiental Rural e Urbano, Verificação e Validação de Boletim de
Desmatamento, Fiscalização Ambiental, Educação Ambiental, Ações de prevenção e combate a
Incêndios Florestais na área de Defesa Civil, Licenciamento Simplificado, Cadastro Ambiental
Rural (CAR), Capacitação de Validação do CAR, elaboração do CAR, Programa de Regularização
Ambiental (PRA), operação de GPS, Geoprocessamento avançado com énfase no QGIS (software
de Sistema de Informação Geográfica - SIG), capacitação para Municípios com potencial minerador
além de seminário sobre Áreas Embargadas.
“Com a inclusão de Rondon do Pará no Programa Municípios Verdes, nós fomos contemplados com
diversas capacitações. Rondon esteve presente em todos os cursos oferecidos pela SEMAS
(Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade), pelo Imazon (Instituto do Homem e
Meio Ambiente da Amazônia), pelo PMV. E a partir dessa capacitação nós vamos evoluindo na
gestão. A partir do momento em que você vai sendo treinado, você vai se tornando independente.
Há um tempo atrás, a gente tinha que ligar para o Estado, buscar orientações para tudo o que a gente
ia fazer. Mas hoje, já somos nós é que damos orientação a outros municípios, que estão menos
avançados em relação a isso, o que eu atribuo às capacitações que a gente recebeu”, garante Márcia
Azevedo.
Programa do Governo do Pará desenvolvido em parceria com municípios, sociedade civil, iniciativa
privada, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e
Ministério Público Federal (MPF), o Municípios Verdes atua no combate ao desmatamento no
Estado, visando fortalecer a produção rural sustentável com ações estratégicas de ordenamento
ambiental e fundiário e de gestão ambiental. O Programa tem como foco pactos locais,
monitoramento do desmatamento, implantação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e estruturação
da gestão ambiental dos municípios participantes.
“A adesão ao Programa também nos proporcionou a aquisição de equipamentos, de veículos. Hoje,
a Secretaria é bem estruturada. Houve a aquisição de equipamentos como decibelímetro, GPS,
computadores, drone. Então, para mim, a inclusão no Programa Municípios Verdes tem um efeito
muito positivo no nosso município”, atesta Márcia Azevedo.
Atualmente, a Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente de Rondon do Pará
realiza as seguintes ações técnicas e administrativas: Licenciamento Ambiental Urbano (Licença
Prévia – LP, Licença de Instalação – LI e Licença de Operação – LO, Autorização Ambiental,
Dispensa Ambiental), Licenciamento Ambiental Rural (Licenças para as Atividades rurais, Servidão
de Reserva Legal, Autorização para Limpeza de Área e de Supressão de Vegetação, Regularização
Ambiental, Laudos Técnicos e Geotecnologia Avançada), Análise e Validação do Cadastro
Ambiental Rural (CAR), Certidão de Uso e Ocupação do Solo, Estudo de Viabilidade, Validação de
Boletim de Desmatamento, autorização para realização de eventos com emissões sonoras
(Autorização para Emissão Sonora), Fiscalização Ambiental (monitoramento de condicionantes de
licenciamento, monitoramento e fiscalização de denúncias e combate ao desmatamento ilegal, à
poluição sonora e demais infrações ambientais, com instauração de processos administrativos
punitivos), além de ações na área de Educação Ambiental.
A Secretaria também incentiva a regularização das propriedades rurais através da desburocratização
dos processos de licenciamentos e de uma aproximação com os produtores em ações de
esclarecimento a respeito da importância das regulamentações: “Buscamos uma aproximação
também com os produtores rurais, levando a eles a importância da adesão ao Cadastro Ambiental
Rural (CAR), bem como do Programa de Regularização Ambiental (PRA), do licenciamento de
atividades rurais. A Secretaria vem trabalhando de forma a desburocratizar este licenciamento, para
aproximar estes empreendedores, esses produtores, para que eles possam regularizar
ambientalmente os seus empreendimentos”, afirma Márcia Azevedo.

TEXTO 2
GESTÃO AMBIENTAL EM RONDON DO PARÁ É BASEADA NA
INTEGRAÇÃO ENTRE PODER PÚBLICO E SOCIEDADE CIVIL

A causa ambiental foi abraçada com entusiasmo pela população de Rondon do Pará. A evolução do
município na gestão ambiental só se tornou possível em grande parte com o reforço de uma intensa
participação de sua comunidade. Para Márcia Aparecida Miranda Azevedo, titular da Secretaria
Municipal de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente de Rondon do Pará (SECMA), esta parceria
tem feito a diferença: “Essa gestão compartilhada, essa participação, essa integração com a
comunidade local, têm sido fundamental. Nós entendemos que o poder público tem suas obrigações,
assim como a sociedade tem suas obrigações com o meio ambiente. Então, é com a união dessa
força, de poder público com a sociedade local, é que nós podemos chegar em um desenvolvimento
da gestão ambiental local”, afirma.
A educação ambiental é uma das principais formas da SECMA viabilizar uma atuação de forma
integrada com a sociedade civil. Um dos projetos que a comunidade local abraçou com entusiasmo
é o Torneio Copa Verde de Futebol Society. Em suas duas edições, diversas ações ambientais foram
realizadas em sua programação, como a recuperação das APPDs (Áreas de Preservação Permanente
Degradadas) do Rio Ararandeua, com lançamento por helicóptero de cápsulas orgãnicas (Bombas
de Sementes) contendo aproximadamente 180 mil sementes de várias espécies nativas nas margens
degradas do rio. Outra ação foi a Gincana Ecológica, que efetuou Projeto de Limpeza do rio. Outro
projeto promovido pela SECMA é o Heróis do Planeta, que mobiliza crianças em visitas a órgãos
públicos e participação em diversos eventos para divulgar vídeos e mensagens com temas voltados
para a preservação ambiental, além de contação de histórias, teatro de fantoches e peças de teatro
com temas ambientais em Escolas de Ensino Fundamental, concurso de paródias com temas
ambientais para alunos do Ensino Fundamental, passeios ciclísticos ecológicos, participações em
programas de rádios para prestação de informações ambientais, tombamento histórico ambiental de
árvores da espécie Pau Brasil e de árvore da espécie Sumaúma de importância histórica para o
município, campanhas contra queimadas urbanas e rurais, campanhas de limpeza de terrenos
baldios, plantio de mudas, trilhas ecológicas, parcerias com Escolas Municipais e Universidades,
palestras com produtores rurais sobre Licenciamento Rural e Cadastro Ambiental Rural, Projeto
Cidade Viva Rondon Sustentável, ações de logística reversa com coleta de pilhas, baterias e
lâmpadas fluorescentes, cadastro, acompanhamento e apoio a catadores de resíduos sólidos com
inclusão em eventos e atividades da SECMA e distribuiçåo de Equipamento de Proteção Individual
(EPI).
Segundo a Secretária, o objetivo é integrar a sociedade: “Com o lançamento do projeto Cidade
Viva, que visa o desenvolvimento econômico do município de forma sustentável, assim como
também na promoção de diversas atividades de educação ambiental, buscamos integrar a sociedade.
Vou citar como exemplo o projeto da Copa Verde, um torneio de futebol society entre os servidores
públicos do município, durante o qual são realizadas diversas ações ambientais que envolvem a
participação da comunidade. Em 2019 o torneio recuperou áreas degradadas da margem do rio
Ararandeua, que é o principal rio de nossa cidade, com o lançamento de bombas de sementes.
Foram lançadas aproximadamente 150 mil sementes em cápsulas orgânicas nessas áreas degradadas
para a recuperação da mata ciliar das margens do rio Ararandeua.”
A Secretaria também executa outras ações ao lado da população. “As ações da Secretaria vem
integrando a sociedade de forma participativa, favorecendo uma veia socioambiental para o
desenvolvimento da gestão ambiental local. Estas ações envolvem a participação de estudantes em
palestras, promoção de gincanas e trilhas ecológicas, passeio ciclístico, arborização da cidade.
Também prestamos apoio aos catadores de materiais recicláveis, com fornecimento de EPIs, por
exemplo, por intermédio da inclusão destes catadores em programas sociais da Assistência Social.
Nós também buscamos uma aproximação com os empresários locais, mostrando para eles a
importância do licenciamento ambiental e da implantação da logística reversa”, afirma a gestora.

TEXTO 3 – HISTÓRICO DA GESTÃO AMBIENTAL EM RONDON DO PARÁ

O município de Rondon do Pará percorreu uma longa, mas frutífera trilha para abandonar uma
situação de devastação ambiental para uma posição de destaque na gestão ambiental do Estado.
Apesar de integrar ao lado de outros municípios a área denominada de “Arco do Desmatamento”,
responsável por 75% do desmatamento da Amazônia, o município conseguiu promover um
movimento que integrou governo e sociedade civil e retirou a cidade das piores colocações dos
índices nacionais de desmatamento e degradação do meio ambiente, por intermédio de um
engajamento contínuo de políticas públicas, que sua população adere com entusiasmo há mais de
duas décadas.

A virada de Rondon do Pará na gestão ambiental começou em 2001, com a criação da Secretaria
Municipal de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente (SECMA), por meio da Lei Municipal nº
400/2001, alterada pela Lei Municipal nº 472/2005. Foi o início da gestão ambiental no município
de Rondon do Pará. Os diversos tipos de serviços prestados por este órgão foram consolidados por
legislação própria que disciplinou as seguintes normas e procedimentos: Política Municipal de Meio
Ambiente, Lei Municipal nº 532/2008; Sistema Municipal de saúde (SISUMA), Lei Municipal nº
532/2008; Conselho Municipal de Meio Ambiente (CONSEMA), Lei Municipal nº 412/2002;
Fundo de Defesa do Meio Ambiente (FEDMA), Lei Municipal nº 532/2008; Lei Municipal nº
709/2015, que regulamenta taxas Ambientas; além de diversas resoluções e Instruções Normativas
municipais.

No entanto, antes mesmo da criação da SECMA, a prefeitura já praticava uma política em prol do
desenvolvimento sustentável. No final de 1997, Rondon do Pará foi um dos 30 municípios do
Estado a aderir ao Projeto de Gestão Ambiental Integrada do Estado do Pará (PGAI/PA), iniciativa
do Governo do Estado do Pará promovida a partir da implementação do Programa Piloto para
Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG-7), no âmbito do Subprograma de Política de
Recursos Naturais (SPRN). A partir de sua adesão ao PGAI/PA, Rondon do Pará se integrou ao
modelo de desenvolvimento sustentável, baseado em quatro dimensões: Informação Ambiental,
Participação da População, Descentralização da Gestão Ambiental e Planejamento Ambiental.
O PGAI/PA tinha como objetivo elaborar, testar e implementar a gestão ambiental integrada,
descentralizada e participativa dos ecossistemas e das áreas urbanizadas no Pará, como forma de
garantir a sustentabilidade dos recursos naturais, a conservação da biodiversidade e a recuperação
de áreas degradadas. Este modelo de gestão ambiental visa compatibilizar o desenvolvimento
econômico com a conservação da qualidade do meio ambiente, respeitadas as peculiaridades e
dificuldades locais; além de implementar o princípio da imposição de ônus compensatório ao
degradador do meio ambiente, seja pela via fiscal, seja através da indução de investimentos
privados na produção de tecnologias ambientais ou recuperadoras dos ambientes degradados.

Um dos primeiros grandes marcos de sua recuperação ambiental aconteceu em 2003, quando a
proposta de projeto do governo municipal “Rondon e sua Agenda 21: o futuro é aqui” foi aprovada
pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) no Edital 02/2003, do Fundo Nacional do Meio
Ambiente (FNMA). Desta forma, a prefeitura de Rondon do Pará se tornou uma das instituições
selecionadas ao convênio que disponibilizou recursos para elaboração de Agendas 21 Locais.

Assim, o município passou a integrar a Agenda 21 e lançou as sementes do projeto que o tornou
uma referência para o desenvolvimento sustentável. Ao ser contemplado pelo Edital 002/2003 do
FNMA, Rondon do Pará foi integrado ao Plano de Ação para a Prevenção e Controle do
Desmatamento na Amazônia Legal, desenvolvido pelo Grupo Permanente de Trabalho
Interministerial para a Redução dos Índices de Desmatamento da Amazônia Legal.

O município foi incluso no item 1.1.4 do Plano, que tratou da elaboração e implementação das
Agendas 21 Locais nos municípios com altos índices de desmatamento e/ou baixo Índice de
Desenvolvimento Humano (IDH) e/ou passivo ambiental significativo no Arco do Desmatamento.
Este item se constitui em um Plano de Desenvolvimento Local Sustentável elaborado e
implementado sob a Coordenação de Ministério do Meio Ambiente (MMA) e Fundo Nacional do
Meio Ambiente (FNMA). Com período de execução de março de 2004 a julho de 2005, os órgãos
executores foram Ministério da Integração Nacional/Agência de Desenvolvimento da Amazônia,
Ministério da Fazenda/Caixa Econômica Federal, Ministério do Meio Ambiente, os Órgãos
Estaduais de Meio Ambiente e as prefeituras locais, em parceria com entidades da sociedade civil.

A Agenda 21 Local de Rondon do Pará instituiu um programa de desenvolvimento sustentável na


região, envolvendo a sociedade civil e o poder público local na elaboração do plano de
desenvolvimento. Entre as consequências positivas deste planejamento, estão a implantação do Pólo
Moveleiro Regional Sustentável, o fortalecimento da cadeia produtiva do leite da região, um
Programa de Microcrédito para pequenos empreendedores estabelecido pelo SEBRAE, um
programa local de capacitação e qualificação dos produtores e agentes sociais.

A Agenda deu origem ao Plano Diretor Municipal e ao Conselho Municipal de Desenvolvimento


Sustentável, composto por 21 instituições, que assumiram o desafio de elaborar uma Agenda de
Prioridades que organizou as ações do Plano Diretor em estratégias que a comunidade executa com
seus próprios esforços e recursos (Agenda Local) e outras que precisam de parcerias externas
(Agenda de Negociação). Além de estabelecer um plano estratégico de desenvolvimento
sustentável, a integração dos processos da Agenda 21 com a elaboração do Plano Diretor Municipal
também possibilitou a criação de instrumentos para execução desse plano.

No ano seguinte, Rondon do Pará deu continuidade ao processo de consolidação do seu sistema de
meio ambiente, ao firmar convênio com o Fundo Nacional do Meio Ambiente (Edital FNMA nº
05/03) para a implantação do Projeto de Fortalecimento de Gestão Ambiental Municipal. Com essa
iniciativa, somada à Agenda 21 Local, o município firmou as bases de um modelo de
desenvolvimento sustentável para a região.

Em abril de 2006, a Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia, Meio Ambiente e Turismo foi
instalada em Rondon do Pará e assumiu a coordenação da elaboração do Plano Diretor
Participativo, definido de acordo com as diretrizes da Agenda 21 Local. O órgão também passou a
coordenar atividades de educação ambiental junto à comunidade, qualificar a equipe técnica
responsável pela gestão ambiental municipal e a cadastrar os empreendimentos passíveis de
licenciamento ambiental.

A participação popular na gestão ambiental se fortaleceu por meio do Conselho Municipal do Meio
Ambiente Consema), do Fórum da Agenda 21 Local e do Conselho Gestor do Fundo Municipal de
Defesa do Meio Ambiente, que foram reestruturados e fortalecidos com o envolvimento das
organizações da sociedade civil local.

Lista de Municípios Prioritários - Em janeiro de 2008, Rondon do Pará foi incluído pelo
Ministério de Meio Ambiente na lista de municípios considerados prioritários para a política
ambiental, passando a receber ações de prevenção, monitoramento e controle do desmatamento na
Amazônia. Nesta época, o índice de desmatamento no municipio era de 53,30 km².

A Lista de Municípios Prioritários foi criada pela Portaria nº 28 de 24/01/2008, do Ministério do


Meio Ambiente (publicada no Diário Oficial da União em 25 de janeiro de 2008), como uma das
ações instituídas pelo Governo Federal por meio do Decreto n° 6.321 de 21 de dezembro de 2007,
com o objetivo de prevenir, monitorar e controlar o desmatamento ilegal no bioma Amazônia.

Com a sua inclusão na lista de municípios prioritários, Rondon do Pará passou a receber apoio do
governo federal para implementar ações que visam diminuir as taxas de desmatamento, proteger
áreas ameaçadas de degradação, racionalizar o uso do solo e instituir uma economia de base
sustentável, como ordenamento fundiário e territorial e incentivo a atividades econômicas
ambientalmente sustentáveis.

Em 2008, Rondon do Pará viabilizou a execução dos futuros licenciamentos ambientais, ao


reavaliar os seus instrumentos jurídicos ambientais municipais, com a reelaboração da Lei
Ambiental Municipal e a elaboração da Lei de Taxas Ambientais Municipais, para adequar esta
legislação às dinâmicas e características locais e regionais. Em abril deste mesmo ano, a Secretaria
Municipal de Ciência, Tecnologia, Meio Ambiente e Turismo (SECMA) de Rondon do Pará assinou
um convênio com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) que tornou o município apto a
licenciar e fiscalizar até 44 tipos de empreendimentos com impacto ambiental local. Desta forma, se
tornou o 12º município paraense a definir acordo com o governo do Estado para adotar a
descentralização da gestão ambiental.

O acordo foi firmado durante o seminário Reflorestamento e Alternativas para o Desenvolvimento


Sustentável da Região da BR-222, promovido por Rondon do Pará ao lado de outros municípios
integrantes da rodovia BR-222, como por exemplo Dom Eliseu, Bom Jesus do Tocantins, Abel
Figueiredo e Ulianópolis, que também faziam parte, na época, da lista dos 36 municípios que mais
desmatavam a Amazônia. Acompanhado por técnicos do Ministério do Meio Ambiente, o seminário
conduziu os municípios para a construção de uma Agenda Município Verde, com alternativas
viáveis para o desenvolvimento local que levavam em conta a preservação do meio ambiente. A
partir desta iniciativa, Rondon do Pará elaborou o seu Plano Municipal de Intervenção em Áreas
Alteradas, no âmbito do processo da Agenda 21 Local.
O processo de descentralização da gestão ambiental de Rondon do Pará foi fortalecido em 2011,
quando a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS) conferiu a
Habilitação para Gestão Ambiental Municipal para o município, que foi substituída pela resolução
nº 120/2015 do COEMA (Conselho Estadual de Meio Ambiente). Em 2018, Rondon do Pará
recebeu da SEMAS o Termo de Habilitação à Análise do Cadastro Ambiental Rural, por intermédio
do Módulo Análise do Sistema de Cadastro Ambiental Rural – SICAR-PA.

Em agosto de 2011, a prefeitura de Rondon do Pará tomou mais uma medida para fortalecer o meio
ambiente do município, ao instituir o Grupo de Trabalho Multi-Institucional e Participativo
(GTMP), através do Decreto Nº173/2011. O Grupo surgiu com a missão de realizar monitoramento,
fiscalização e controle do desmatamento. O GTMP foi criado de acordo com as diretrizes do Termo
de Compromisso firmado pelo município com Estado do Pará, Ministério Público Federal,
Federação de Agricultura do Estado do Pará (FAEPA) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Em dezembro de 2014, o Decreto Municipal Nº
0286/2014 regulamentou a 2ª cláusula (item 2.4) do Termo de Compromisso firmado entre o
Ministério Público Federal e a prefeitura. O GTMP foi criado com a missão de atuar na prevenção e
no combate aos processos de desmatamento, com o objetivo de combater as causas e efeitos do
desmatamento, com ações em prol da qualidade socioambiental da atividade produtiva do
município.

Em busca da regularização ambiental e diminuição dos índices de desmatamentos, Rondon do Pará


aderiu em 2011 ao Programa Municípios Verdes (PMV). A adesão estimulou uma união de forças
entre a cidade e sociedade, que mobilizou entidades civis organizadas e entidades governamentais
das esferas municipal, estadual e federal. Foram realizadas Audiências Públicas e Pactos pela
Redução e Combate ao Desmatamento Ilegal foram assinados em 2011, 2015 e em 2019, quando
também foi criado o Grupo de Combate ao Desmatamento Ilegal no Município, pelo Decreto
Municipal nº 199/2019.

O município também aderiu a importantes ações na área ambiental, como Adesão ao Programa
Municípios Sustentáveis, Lançamento do Projeto Cidade Viva Rondon Sustentável, Adesão ao
Simples Ambiental, Habilitação para Análise e Validação do CAR, Aquisição da Implantação do
Aterro Sanitário, Criação do Grupo de Combate ao Desmatamento Ilegal; Verificação e Validação
em Campo dos focos de desmatamento, Adesão à Lista de Desmatamento Ilegal (LDI
Automatizado), Fortalecimento do Sistema Municipal de Meio Ambiente (SISUMA), Aquisição de
equipamentos via doação por meio do Governo do Estado (SEMAS e Núcleo Executor do Programa
Municipio Verdes (NEPMV) e Imazon para fortalecimento da gestão municipal.

A partir da assinatura do primeiro Pacto pela Redução e Combate ao Desmatamento Ilegal, o


município passou a apresentar avanços na área ambiental, cumprindo as metas acordadas nos Pactos
de 2011 e 2015 com resultados e ações significativos. Entre os objetivos alcançados, o município já
apresenta o registro de 83.84% do total cadastrável de sua área no Cadastro Ambiental Rural
(CAR), o que corresponde a 6.898,08 km² de área cadastrada. Com isto, cumpre a meta de 80% de
CAR estipulada pelo PMV. Rondon do Pará também se mantém há mais de cinco anos abaixo do
limite de 40km² de desmatamento ilegal (índice atual de 36%), apresentando em 2019 o índice de
25 km² de desmatamento ilegal. A conquista destes avanços na gestão ambiental deverá ser
fundamental para o Ministério do Meio Ambiente retirar Rondon do Pará da lista de municípios
prioritários da qual faz parte desde 2008.
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