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V ENECULT - Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura

27 a 29 de maio de 2009
Faculdade de Comunicação/UFBa, Salvador-Bahia-Brasil.

OS INTELECTUAIS NO IPHAN E NO IBGE NA ERA VARGAS

Nadya Maria Deps Miguel1
Maria Rosa dos Santos Correia2

Este trabalho pretende, partindo do final da República Velha e da Revolução de 1930,
refazer o percurso das idéias nacionalistas como projeto de reestruturação do país e
analisar como esse ideário foi reforçado com a criação de instituições como IPHAN e
IBGE. Os intelectuais tiveram papel fundamental na criação e consolidação desses
órgãos. É nesse período que o pensamento intelectual revela-se mais engajado no
projeto de construção da ordem pública. O objetivo central deste trabalho é de
identificar as características discursivas que se destacam em diversos textos produzidos
tanto pela imprensa quanto pelas próprias instituições tendo por base os conceitos
teórico-metodológicos da Análise do Discurso francesa, com o intuito de compreender o
embate ideológico travado entre as diversas correntes da intelectualidade.

Palavras-chave: Instituição. Discurso. Nacionalismo.

Findada a República Velha, no momento em que as oligarquias rurais perderam
seu lugar como força política, e a burguesia se instala no poder com a revolução de 30 –
República Nova –, inaugura-se no Brasil um tempo em que emergem e se espraiam as
relações capitalistas de produção, rompendo com a antiga ordem econômica e social. A
partir de então, os acontecimentos que se sucedem sinalizam mudanças que, certamente,
mostram-se como marco divisor entre um tempo e outro e abrem espaço para o novo
processo de urbanização e industrialização. A sociedade brasileira transita, nesse tempo,
de uma estrutura predominantemente rural para uma estrutura urbana, de uma economia
agrária para uma industrializada e de uma sociedade semicolonial para uma sociedade
modernizadora.
O capitalismo industrial, emergente no país, determina novas exigências
educacionais que, entre outras reivindicações, ambiciona a extinção do analfabetismo e
requisita melhor formação para uma sociedade em processo de transformação. A escola

1
Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Memória Social - UNIRIO. Bibliotecária do
IBGE/UE/SP. nadya.miguel@ibge.gov.br e nadyadeps@terra.com.br.
2
Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Memória Social - UNIRIO. Técnica da Superintendência
do IPHAN no Estado do Rio de Janeiro. mariarosa.6sr@iphan.gov.br e mrscgod@hotmail.com.

Deste modo. posteriormente. Intentona Comunista (1935). na sociedade brasileira. será o desenvolvimento das relações capitalistas que irá forçar a expansão do ensino. mediante a proposta varguista de criar e proteger as esferas sociais da saúde. nesse período. a par de sua longa permanência no controle do Estado.busca ampliar as oportunidades educacionais para as massas populares. as pressões de tendências dialéticas oriundas do radicalismo dos movimentos nacionalistas e de inspiração internacional. em sua responsabilidade. solicitado. Enfim. favoreceu as relações de dominância marcadas pela crescente intervenção na vida nacional e assegurou condição para amplas reformas políticas e administrativas que marcam a nova fase de revitalização da estrutura governamental durante o Estado Novo (1937-1945). que se definiu a tendência centralizadora mantida. Desenvolver habilidades faz parte da dinâmica das relações capitalistas para a sustentação do sistema. Com o começo da política getulista no Estado Novo. ideologizações das quais se valeu a política de Vargas para fortalecer sua posição e delas se beneficiar para a definição do poder. O Estado. pelo governo. Após breve hiato do exercício político liberal. educação. em sua maioria. adequando-o às necessidades do momento. Além disso. administração e trabalho. são criados institutos. voltada para um novo modelo institucional que permitiu não só a criação de uma unidade nacional. que promove o crescimento político e econômico será. um grupo da burguesia visto como classe dominante e parte de uma ideologia social e política. também foi no jogo de forças que se estabeleceu com o objetivo de inviabilizar uma política aberta. 3 Revolução Constitucionalista (1932). especificamente. Assim. mas também da nova sociedade brasileira. Integralismo (1937). não como conquista das classes populares. . mas para atender à expansão do processo de industrialização e urbanização em curso. a adotar uma política nacional que organize o ensino. e passaram a integrar. o que não passa despercebido para as elites pensantes do país. por isso mesmo. artes. A consolidação de Vargas no poder. também emerge um tempo em que a sociedade assiste ao retrocesso dos avanços democráticos que haviam sido incorporados pela Constituição de 1934. recrudescem. proporcionado pela elaboração do texto constitucional. uma vez que era chegado o momento de dar um mínimo de instrução a um máximo de pessoas como condição para a qualificação do trabalho. os intelectuais viram no Estado a possibilidade de aumentar sua atuação. isolando as forças oposicionistas que estiveram ativas3 durante o Governo Provisório Constitucionalista.

de 30 de novembro de 1937. de onde surge em 1937 o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional . para a sua própria sustentação. Essa atitude serviu para que muitas das diferenças sociais brasileiras fossem abrandadas. fundações. publicado no D. construiu uma identidade nacional baseada não nas necessidades dos grupos que a compunham. Vinculado ao Museu Histórico Nacional. fazendo com que não apenas grupos étnicos (negros. em que a sociedade oscila entre a dinâmica conservadora e a tendência progressista. 6 Decreto n° 24. alguns deles. referentes à história nacional fossem retirados do país em virtude do comércio 4 Decreto n° 19. bem como de mudanças sociais. 7 Decreto n° 218. o pensamento intelectual.735 de 14 de julho de 1934. sob a direção de Gustavo Barroso. pertencentes às classes mais altas da sociedade da época. instalado por Francisco Campos. de 06 de julho de 1934.609. o Ministério da Educação e Saúde Pública (1930)4. ditadas. Assim.1934. foi instituído pelo Decreto nº 24.O. mas numa projeção do que se qualificaria como “brasileiro”. e o Instituto Nacional de Estatística (1934)6. célula inicial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (1938)7. . Tinha como principais finalidades impedir que objetos antigos. É nesse contexto. de 14.402.companhias. indígenas) como também classes sociais diferentes tivessem suas atuações homogeneizadas. e em que se oferecem as condições de adoção de uma política de integração nacional e de provimento da infra-estrutura administrativa. no sentido em que as diretivas tanto para a construção de uma noção de identidade nacional quanto para a maneira de unificar e expandir essa identidade são dadas. IPHAN: TRAJETÓRIA E INTELECTUAIS O primeiro órgão voltado para a preservação do patrimônio brasileiro foi criado em 1933 e chamou-se Inspetoria de Monumentos Nacionais (IPM).07. a participação desses reforça uma posição “paternalista” do Estado. brancos. que possibilitam o aprofundamento das idéias nacionalistas e da difusão da cultura brasileira. de 26 de janeiro de 1938. Dessa forma. por um grupo “detentor” do conhecimento. Caberia dizer também que muitos dos intelectuais que passaram a atuar de maneira positiva no projeto nacionalista de Vargas faziam parte do meio acadêmico e eram. auxiliado pelo governo ditatorial de Vargas. de 14 de setembro de 1930.SPHAN5. que o governo autoritário de Getúlio Vargas cria. 5 Decreto-Lei nº 25. e privilegiando idéias em que se fundamentaria posteriormente.

e sua relevância para a sociedade brasileira. é criada a 8 ANDRADE. mas é desde logo a opinião do mundo civilizado que condenará nossa desídia criminosa. Rodrigo Melo Franco de. acaso.1936)8 Mário de Andrade empreendeu um ambicioso projeto. em 1970 passa a ser Instituto (IPHAN). Com a criação do SPHAN. na medida em que pela primeira vez na história do Brasil. a pretexto de modernização das cidades.) O que o projeto governamental tem em vista é poupar à Nação o prejuízo irreparável do perecimento e da evasão do que há de mais precioso no seu patrimônio. hoje elevada à condição de patrimônio mundial da Unesco. Em 1946 torna-se Diretoria (DPHAN). da negligência e da cobiça dos particulares. a instituição passou por muitas mudanças.. que esteve à frente da instituição durante 30 anos até se aposentar. Subordinado ao Ministério da Educação e Saúde Pública. a Inspetoria de Monumentos Nacionais é extinta. Rio de Janeiro: Ministério da Cultura. 1987. abrangendo uma série de pesquisas que causaram impactos nos meios político e intelectual. então Diretor do Departamento de Cultura e Recreação da Prefeitura de São Paulo. Rodrigo e o SPHAN. Mário de Andrade. e que as edificações monumentais fossem destruídas por conta das reformas urbanas.) E. contou com o apoio de vários artistas e intelectuais. de que a coletividade brasileira era depositária. É este projeto que vai nortear a criação de um órgão de proteção ao patrimônio brasileiro.10. Nasce. RJ. por solicitação do ministro Gustavo Capanema. é criado em 13 de janeiro de 1937 e regulamentado pelo Decreto-Lei nº 25 de 30 de novembro do mesmo ano.. (matéria publicada em O Jornal. o decreto de tombamento da cidade de Ouro Preto. elabora em 1936. então.de antigüidades. p. a diversidade cultural da nação era mostrada a todo o país. em conseqüência da inércia dos poderes públicos e da ignorância. ainda em 1934. em 1979. Grande parte das obras de arte mais valiosas e dos bens de maior interesse histórico. o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – SPHAN.. Desde então. não serão apenas as gerações futuras de brasileiros que nos chamarão contas pelo dano que lhes teremos causado. Paralelo a isso. foi escrita a seguinte matéria: Não se trata de empreendimento inspirado em motivos sentimentais ou românticos (. 48 . as medidas enérgicas requeridas para a preservação desses valores. (. Sobre este anteprojeto. de 30. Presidido por Rodrigo Melo Franco de Andrade. A primeira iniciativa da Inspetoria foi. além de tornar-se Secretaria (SPHAN). por mais tempo. tem desaparecido ou se arruinado irremediavelmente. principalmente em suas denominações e estrutura.. um anteprojeto para criação de um serviço federal de defesa do patrimônio artístico nacional. Fundação Nacional Pró-Memória. principal cidade do Ciclo do Ouro nas Minas Gerais. assim. se faltarem. como o poeta Mario de Andrade e o arquiteto Lucio Costa.

11 BOMENY.9 Neste contexto. 10 GIOVANAZ. o Sphan funcionou efetivamente como um espaço privilegiado. Mário de Andrade e Rodrigo Melo Franco de Andrade. Helena Bomeny. 98. 2001. p. e seus formuladores.Fundação Nacional Pró-Memória (FNpM). Maria Cecília Londres. determinou o fechamento do Congresso Nacional e a extinção dos partidos políticos e outorgou uma nova constituição. n. . em 1990. Além do próprio Ministro da Educação e Saúde à época. para a concretização de um projeto modernista”. em 1981. 31. Fundação Getúlio Vargas. In: Revista Ciências e Letras. que. Além disso. p. Rio de Janeiro: Editora UFRJ/Minc-IPHAN. o IPHAN representava bem a idéia de nacionalismo do Estado Novo e talvez tenha sido este um dos motivos pelos quais seus colaboradores conseguiram levar em frente o projeto de proteção do patrimônio brasileiro. Trajetória da política federal de preservação no Brasil. incumbida de executar a política do SPHAN. denomina muito bem estes intelectuais quando diz que eles “compuseram a assim chamada constelação Capanema”. restabelece-se a Secretaria (SPHAN). o IBPC volta a se chamar IPHAN. Gustavo Capanema. Ciências e Letras.10 Em seu texto Infidelidades Eletivas: Intelectuais e Política. p. portanto. Rio de Janeiro: Ed. com a extinção da SPHAN e da FNpM. que lhe conferia o controle total do poder executivo. 2005. segundo Mário de Andrade. O intelectual representa. Mário de Andrade: ativista da preservação do Patrimônio Cultural no Brasil. passa a ser Sub- secretaria. Marlise. 215. a atuação e o prestígio de Mario de Andrade e dos inúmeros intelectuais envolvidos neste projeto tiveram papel fundamental na construção do IPHAN e nos seus primeiros anos de atuação. dentro do Estado. O Patrimônio em Processo. O IPHAN foi criado em pleno início do Estado Novo. cívicas e nacionalistas. entre outras coisas. Paralelo a isso promovia grandes manifestações patrióticas. Universidade de São Francisco. cabe a eles as instâncias de atribuição de valor histórico ou artístico a esses bens. em 1985.11 E foram muitas as estrelas que compuseram este céu. Quanto ao papel dos intelectuais na instituição de preservação do patrimônio. o elo de ligação entre um estado centralizador e a população interessada em preservar seus bens e paisagens. Helena. Bragança Paulista (SP): Ed. Segundo Maria Cecília Londres Fonseca: “Durante o Estado Novo. regime político ditatorial de Getúlio Vargas. o IPHAN contou 9 FONSECA.15. cria-se o Instituto Brasileiro do Patrimônio Cultural (IBPC) e finalmente em 1994. Porto Alegre: Faculdade Porto-Alegrense de Educação. denominação que permanece até os dias atuais. 1979. Infidelidades Eletivas: Intelectuais e Política. após a criação da Secretaria da Cultura do MEC. In: Constelação Capanema: intelectuais e políticas.

alcançou grande prestígio no exterior. de outro. Alceu Amoroso Lima. Manuel Bandeira – colaborador em várias publicações. Havia um jogo de interesses por trás da permanência e atuação de um órgão como o IPHAN dentro de um Estado centralizador e autoritário. sendo. Gilberto Freire e Sérgio Buarque de Holanda. 2005. o Ministério da Agricultura publicou um estudo que mostrava a necessidade de centralizar as estatísticas existentes e os levantamentos populacionais. intelectuais conhecidos. geralmente incompletos e não confiáveis devido à inexistência de metodologia definida para tal finalidade. Lucio Costa – chefe da divisão de estudos e Tombamentos. rapidamente. abria-se um espaço no governo que possibilitava a intelectuais acesso a funções remuneradas e ao abrigo de imposições ideológicas.12 IBGE: CRIAÇÃO E INTELECTUAIS No Brasil. a criação de um serviço como o Sphan. a consagração de bens de arte erudita como patrimônio nacional contrabalançava a imagem de um governo que recorria a conteúdos culturais para a persuasão ideológica. Noronha Santos e Gilberto Freire – Colaboradores nos trabalhos de investigação social e artística do Brasil e intelectuais como Anísio Teixeira. no entanto. até 1862. inseria o Brasil no conjunto das nações civilizadas. Cândido Portinari. instituição pioneira na América Latina e que. diferentes tipos de levantamentos estatísticos eram realizados. O Estado via na instituição do Patrimônio a possibilidade de vender a imagem de um governo que se preocupava com o povo e sua cultura e que tinha um claro projeto político cultural para a nação brasileira. p. . que dariam visibilidade à instituição e ao seu projeto. Fazia parte do projeto ideológico do Estado Novo à afirmação de uma cultura nacional e o IPHAN encaixava-se perfeitamente neste projeto. Afonso Arinos de Melo Fraco e Prudente de Morais Neto – consultores jurídicos. Podemos concluir.. que os intelectuais do patrimônio e o Estado tiveram uma bem-sucedida relação. como bem ressalta Cecília Londres: Como se pode deduzir do discurso de Getúlio. em dois sentidos: de um lado. Oscar Niemeyer. Para isto convocou para estar à frente de sua gestão nomes de prestígio.com nomes como Carlos Drummond de Andrade – organizador do arquivo e chefe da seção de história. portanto. Fernando de Azevedo. O IPHAN gozou de uma autonomia durante o período getulista. Lourenço Filho. Em 1871 a centralização 12 Ibid. Além disso. 123. o grande interesse do Sphan para o governo consistia no reforço ao processo de cooptação das elites. Afonso Arinos de Melo Franco. E foi o que aconteceu. Ainda em 1862.

Marcado por um momento político de inversão administrativa do país . intercedeu a favor do projeto. em que pela primeira vez foram utilizados equipamentos mecânicos na apuração. acarretando o poder absoluto da União. já em pleno período do Estado Novo. Ainda assim. também. subsidiado pelo governo provisório. desta feita os serviços estatísticos seriam integrados facultativamente através de uma Convenção Nacional de Estatística entre a União e os órgãos interessados. enviando um parecer ao Chefe do Governo Provisório. uma vez que. no Rio de Janeiro. continuaria a ser o único país que não publicava o seu anuário estatístico e.concretizou-se através da Diretoria Geral de Estatística (DGE). lamentando que o Brasil continuasse a ser desorganizado. que se instala em 1938. ao qual se agrega o recém-criado Conselho Nacional de Geografia (1937). Mário Augusto Teixeira de Freitas. constituindo- se. então subordinada àquele Ministério e à Secretaria dos Negócios do Império. que não foi aceito porque centralizaria os serviços estatísticos e cartográficos. Tal medida. finalmente. por isso.de sistema liberalista para o poder autoritário da Era Vargas (1930-1945) – surge o Conselho Nacional de Geografia (1931). torna-se indispensável delinear a trajetória do IBGE. criado em decorrência das políticas de planejamento do governo para atender às demandas de uma sociedade que se transformava rapidamente: no início como Instituto Nacional de Estatística (1934). pelo censo de 1920. que argumentou ser juridicamente ilegal a criação de um fundo especial para os recursos financeiros previstos. todavia. motivado pelo desalinho dos documentos oficiais de cartografia. o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). em . Juarez Távora. objetivando prover o melhor conhecimento da terra brasileira. não era de interesse dos órgãos regionais. mais adiante. Apresentado um substitutivo ao projeto inicial que propunha a reforma da organização da estatística nacional com a criação do Instituto Nacional de Estatística (INE). Essa diretoria seria a responsável pela publicação do primeiro Anuário Estatístico do Brasil relativo ao qüinqüênio 1908/1912 e. Três anos mais tarde. denominado Conselho Nacional de Estatística (1936). apresenta um projeto com medidas que aproximavam os serviços estatísticos e cartográficos em um único sistema: o Instituto Nacional de Estatística e Cartografia. Teixeira de Freitas vê seu projeto criticado por alguns dirigentes dos órgãos da administração federal. com o impedimento da criação do INE. O Ministro da Agricultura. destacando-se o Ministro da Fazenda. Neste ponto.

O Presidente Getúlio Vargas.] de notícias históricas. assinou o decreto nº 24.. mesmo. o preparo e a divulgação [. dando existência ao INE. sob a mística do modernismo e do nacionalismo. percebe-se a predominância deste ideário para divulgar e dar a conhecer a cultura brasileira. concedia às estatísticas e geografias a atenção e priorização de que precisavam para ter em mãos as informações que serviriam de base estratégica para o poder autoritário estabelecido na ocasião. então.527. visando simultaneamente. e denominados como Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. em 1º de julho de 1937 no salão de conferência do Palácio do Itamaraty.] edifícios das Câmaras Municipais.. incorporação que daria projeção mundial ao país e ao órgão recém-criado. caracterizando-o como o idealizador e precursor das idéias culturais e sociais no órgão: Criação de pequenas bibliotecas municipais populares. Constava dentre os motivos do referido decreto a necessidade da adesão do Brasil à União Geográfica Internacional (UGI).] a instituição de modestos [. a que se poderia juntar também uma seção de mapas e fotografias. Somavam-se a isso. da flora e da fauna locais. de 24 de março de 1937. A fim de se estabelecer harmonia ao conjunto dos órgãos técnicos CBG e CNE. objetivando preferentemente a difusão de conhecimentos úteis ao meneio das profissões agrícolas e industriais. que divulguem a . viajantes. que foi aceita através do decreto nº 1. Teses Estatísticas. com um mostruário de produtos municipais. de embelezamento e saneamento urbanos. Em Teixeira de Freitas. dessa forma. que foi a célula inicial do IBGE. bem assim franquear ao público uma coleção de curiosidades extraídas da riqueza mineral. surge oficialmente o IBGE. Surgiu. a fito de recolher e conservar relíquias históricas que se encontram em mãos de particulares.609. em 26 de janeiro de 1938.. Assim sendo. objetivando sugestões para a constituição de um organismo nacional de geografia que promovesse a coordenação das atividades geográficas brasileiras. vantagens de caráter nacional de um Conselho Brasileiro de Geografia unido à administração federal. com a aprovação do Presidente Vargas. memórias e dicionários corográficos. de 06 de julho de 1934. de 21 de janeiro de 1938. Assim.. e passou a existir como parte estrutural do INE. e.situação inferior aos demais países da América. ficando assim constituído um interessante ponto de visita para classes escolares. à centralização do governo Vargas que. atendendo. esses são agrupados pelo decreto nº 218. a criação de parques ou hortos municipais. formalmente. álbuns ilustrados e publicações outras desse gênero. fins de cooperação com os serviços florestais do Estado e da União. [. Em 1936. de exploração industrial (fornecimento de mudas e produção de boas madeiras). a proposta de criação do Conselho Brasileiro de Geografia (CBG). o Conselho Brasileiro de Geografia instalou-se.. foi criada uma comissão de geógrafos renomados no Palácio do Itamaraty. etc. após receber a réplica de Juarez Távora..

120 e 124. os característicos do seu território. etc. necessitava de apoio para tomada de decisões políticas no que se refere aos serviços estatísticos. 1999. p. 57. ficam por assim dizer. graças a essa larga compreensão das órbitas de autoridade e de todos os objetivos particulares. as nossas iniciativas e publicações de finalidade cultural têm nítidos objetivos de renovação e unidade nacional (grifo do autor). e notadamente em uma de suas figuras mais importantes. no uso de suas autonomias... concedeu entrevista sobre a organização e evolução do Sistema Estatístico Nacional. [. p. Florianópolis: Dep. e na forma de um mandato político solenemente convencionado. 14 Id. A partir de alguns conceitos como formação discursiva e de discurso como espaço de articulação entre saber e poder. Teixeira de Freitas. formação da entidade municipal. Esse apoio deveria fundamentar-se. recursos. Teixeira de Freitas. prerrogativas e competências.14 Como vimos.] Os serviços executados continuam a ser – mas a um só tempo e em todos os sentidos (quanto a objetivos. como se deu a criação de uma identidade ibegeana e como. destacando os fins de um plano de cooperação interadministrativa de âmbito nacional: Seguem-se as ratificações por parte dos governos de todas as Unidades da Federação.13 Para o jornal Amanhã. verificaremos.. Teixeira de. IBGE. [. e utilizando todos os seus recursos e tôda a autoridade. filiadas ao Instituto. Teses estatísticas. dentre as quais se destacavam a criação dos departamentos regionais de estatística e a celebração dos convênios entre cada um dos Estados e seus municípios. a fim de serem criadas as Agências Municipais de Estatística. Por isso mesmo. chefiado por Getúlio Vargas. iremos nos deter em observar algumas peculiaridades do discurso ibegeano. pois que exercidos para os fins todos da Nação. daí decorrendo imediatamente o cumprimento das obrigações assumidas.. .] Demais disso. na edição comemorativa de seu segundo aniversário em 9 de agosto de 1943. que completara sete anos de atividade em 29 de maio. coordenador das atividades estatísticas que possibilitaria conhecer.. sobretudo. a partir da trajetória de Teixeira de Freitas à frente do IBGE. origem de autoridade) – federais. de Estatística e Publicidade. o Governo Provisório. em números exatos que retratassem a realidade do país. as suas belezas naturais. em matéria de geografia e estatística. a idéia da criação de um órgão nacional.. estaduais e municipais. as condições de vida local. a partir das idéias 13 FREITAS. o Secretário-Geral do IBGE. instaurado pela Revolução de 30. 1999. a cargo de uma entidade para cuja instituição concorrem. avaliar e sentir o Brasil em sua verdadeira imensidão. que lhes dá sentido nacional. Assim. mas carecia de um organismo capaz de lhe fornecer esses elementos essenciais para a implementação de políticas públicas governamentais. todos os governos co- interessados. Embasando nossas discussões sobre Análise de Discurso em Foucault. nacionalizados.

há uma estreita relação entre a instituição e o poder estatal. bem como a seu destino: produzir um novo tempo. sociais e econômicos de nossa sociedade.1972). 3. 16 Ibid. na bonita imagem construída para dar conta da delicadeza e precisão necessárias a seu funcionamento. p. p. 1936- C. .”16 Ele almejava olhar na escuridão para visualizar os problemas. pela divulgação dos dados geográficos. 2008. Rio de Janeiro: IBGE. (LYSIAS. 19. também se criou a noção de se ter a serviço do governo brasileiro as pesquisas estatísticas divulgadas pela instituição. 1990. em todos os campos da atividade social. que os assistiria em todas as suas necessidades para aproveitamento integral de todas as suas riquezas seria o melhor caminho para transformar o espaço físico em espaço econômico. Dividindo os vários espaços incultos e ermos em territórios federais. 78. pode ser avaliada a partir do discurso de Teixeira de Freitas.. p. Por ter servido. o IBGE foi primeiramente uma forma encontrada pelo governo de enfrentar o federalismo e centralizar os estudos estatísticos no Brasil. durante o governo de Getúlio Vargas. o IBGE “foi uma autêntica obra de relojoaria”15. identificá-los e elaborar idéias com clareza e nitidez. o governo poderia ter o auxílio da instituição para planejar suas estratégias. tirando-o do atraso e projetando-o para a modernidade sustentada em bases científicas (mensuráveis quantitativamente). A 15 SENRA. Vol. mas pouco perceptíveis para aqueles que pretendem observar e estudar o Brasil sob a luz ofuscante dos focos da exótica e superficial civilização das nossas capitais. Nelson de Castro. A partir da criação de um órgão responsável. 1947. Nesse quadro. Teixeira de Freitas teve uma atuação essencial também na construção da imagem da instituição e da veiculação dessa ao discurso de modernidade e anti-regionalismo do governo de Getúlio Vargas. em nível nacional. já preconizava “quadros dantescos. desde seu princípio. o que faz com que as esferas administrativas do IBGE tenham um papel muito importante em nossa análise. Como grande idealizador e articulador da criação de um órgão brasileiro de estatísticas. sem habituar primeiro os olhos à escuridão.preconizadas por esse. sob a ação direta do governo federal. 59-60) A importância da criação de uma instituição como o IBGE para o seu idealizador e criador. a interesses do governo. Criado após a Revolução de 30. que acelerasse o ritmo do Brasil. História das Estatísticas Brasileiras: estatísticas organizadas (C. Ao debruçar-se sobre o desafio que o contexto nacional impunha à época.

o que pode ser definida com agência capilarizada do poder central. o governo e os intelectuais passam a trabalhar em conjunto para construir uma unidade nacional. ao mesmo tempo. expresso na forma de interesses dos diferentes grupos participantes de um cenário organizacional. pode interferir no processo de institucionalização de uma organização e gerar mudanças que. que caracterizava-se por sua estrutura de representações que contemplava todas as instâncias de governo. IDEOLOGIA E DISCURSO: IPHAN E IBGE Tendo criado o IPHAN e o IBGE. Porém. regional e nacional). econômico. de sua cultura. Vemos então.produção e a divulgação desse saber eram consideradas tão importantes quanto os problemas educacionais e culturais. o de buscar modernizar as antigas estruturas sociais e ideológicas. De um lado. de outro. na direção da realidade física e social brasileira. então. oferecia subsídios à elaboração das políticas públicas. Getúlio não apenas tem à mão órgãos que poderiam orientar o governo no planejamento de suas estratégias. Juntos. por sua vez. o poder. a imparcialidade e a verdade dos dados estatísticos. Observa-se aí um dos principais fatores de coesão do primeiro período da Era Vargas (1930-1945). Nesse sentido. o discurso da Ciência. o de Teixeira. cada um seguindo a seus interesses. para o desenvolvimento de seus planos de governo. bem como da científica. passar a pôr em prática seus projetos de governo. em prol da educação e do desenvolvimento do país. conferindo monopólio da informação e. como Teixeira de Freitas. E a montagem do IBGE e do sistema estatístico. constroem um discurso único. portanto. o governo e os pesquisadores. mas também receber o apoio da comunidade em geral. objetivamente. o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. o de Getúlio. Temos. que os planos de governo passam a ter um apoio . não se faz sem essa criativa articulação de idéias e valores políticos. pois era sobre esses conhecimentos que assentavam todos os seus pensamentos e ações atuantes. levam a uma alteração no grau de institucionalização da organização nos diferentes âmbitos de seu campo de referência (local. sob a perspectiva ideológica. geográfico e educacional brasileiro. o quadro em que se entrecruzam os discursos político e acadêmico: a centralização do poder para que se possa governar. assim. de acabar com as diferenças regionais para poder centralizar o poder e. A partir disso. as práticas discursivas do Estado. renovando os quadros político. de buscar um novo conhecimento do país. sua geografia e seus habitantes.

ou antes (pois essa imagem da oferta supõe que os objetos sejam formados de um lado e o discurso do outro). temos uma definição de discurso como “constituído de um número limitado de enunciados para os quais podemos definir um conjunto de condições de existência”17. em sua obra A Arqueologia do saber. a enunciar certas coisas. explicá-los. que o limitariam ou lhe imporiam certas formas.. 1995. ele é considerado como prática. ou o forçariam. Algumas das publicações do IBGE que repercutiram não apenas como meio de divulgação dos estudos geográficos sobre o país. Forense Universitária. classificá-los.material. começam a ser apontadas como referências essenciais para a adoção de políticas públicas e valorização dos ideários nacionalistas. Nos estudos de Foucault. Rio de Janeiro. nomeá-los. A arqueologia do saber. . o artigo utilizará algumas propostas de análise. 17 FOUCAULT. para poder abordá-los. Michel. pois. que se chamou A cultura brasileira.) Mas não são. as relações discursivas. analisá-los. obra antológica de Fernando de Azevedo e único publicado dentre os estudos introdutórios sobre aspectos fundamentais da vida nacional e regional. determinam o feixe de relações que o discurso pode efetuar para poder falar de tais ou quais objetos. encontradas em Foucault. o volume I da série de resultados do Recenseamento. a criação dessas Instituições não oferece apenas as condições de existência para a ideologia do governo. em certas circunstâncias. como se vê. relações exteriores ao discurso. Revista Brasileira de Estatística. Assim. mas também que ajudaram a construir uma idéia. supostamente neutros. Para a presente pesquisa. Segundo o autor. 135. e um discurso do que seria a “realidade” brasileira. não são internas ao discurso: não ligam entre si os conceitos ou as palavras. Discurso que também consideraremos como prática. tornam material a ideologia que está por trás do discurso moderno e instaurador do governo. No entanto. previstos na legislação censitária. de que esse mesmo governo também se apóia em velhas ideologias sobre prática de poder. para descrever as relações que se estabelecem no momento em que o IPHAN e o IBGE. embasaram as estratégias a serem adotadas.. no limite do discurso: oferecem-lhe objetos de que ele pode falar. de alguma maneira. em sua concepção. (. p. as práticas discursivas que consideramos relevantes são aquelas provenientes da formação de saberes e as da produção científica. entretanto. bem como esconde o outro lado da moeda. O IPHAN e o IBGE. dessa forma. Ainda trabalhando com o conceito de formação discursiva. no sentido de que estes órgãos. foram a Revista Brasileira de Geografia. o discurso passa a ter uma existência material. Elas estão. instituições do Estado. ela também auxilia a fundar um discurso para esse.

para.. dinamicamente. que poderemos relacionar e analisar discurso e ideologia. É pela busca das várias instâncias. Para podermos transitar entre a ideologia e o discurso do governo de Getúlio. “a história das idéias não deixa de determinar relações”19 e é baseado nesse conceito que temos de seguir o percurso. escritores e geógrafos da época. ora nos guiam a entender o discurso como materialização de um projeto de país. apontar projeções e conceitos sobre determinada realidade. que é o de pôr em prática uma estratégia de governo. é importante verificarmos que não há uma homogeneidade na constituição nem de um nem de outro. os intelectuais. como o do universo das pesquisas do IBGE. ou projetado para se tornar urbano. apesar de divergirem em seu sentido. como o universo da cultura. apoiado na produção acadêmica e científica. passa a ser moldada. na análise de uma formação discursiva. mantendo no poder o grupo que está alinhado com ele. buscando na seleção do que constitui determinado discurso. a partir dos mesmos. O caminho que optamos será o de relacionar essas contradições em um mesmo campo de formação. Há duas questões a considerar nesse sentido: se seguirmos a história do governo de Vargas. que os intelectuais estabelecem para atuar no território de determinada ideologia. entre eles. vemos as relações que as pesquisas científicas têm com aquele discurso.18 Logo. . p. p. ou melhor. e o do IPHAN. pelos historiadores. o momento em que esse deixa transparecer a ideologia à qual está ligado. no qual as idéias. Segundo Foucault. iremos nos deparar com posições contraditórias que ora nos guiam a interpretar o discurso como prática política. matemático. e quais os papéis que o IPHAN e o IBGE têm na materialidade desses. bem como as estratégias. Assim. 19 Id. concorrem para um determinado fim comum. 1995. ao estudar sobre a apropriação de um discurso que se postula como imparcial. 52. etc. é através também das relações interdiscursivas que uma concepção de país urbano. desde os fatos políticos até as condições da sociedade brasileira naquele período. pelos intelectuais. 18 Ibid. não as circunstâncias em que ele se desenvolve.. artistas. na escolha da abordagem dos dados e informações. Essas relações caracterizam não a língua que o discurso utiliza. 162. mas o próprio discurso enquanto prática. no alinhamento ideológico que havia no Brasil desse período com os estados nacionalistas europeus.

Esta abertura não ocorreu por acaso. na materialidade lingüística. A eles caberia ser o representante da consciência nacional.). na ideologia que ela produz ou impõe. O Estado se apropria dos intelectuais. os dados estatísticos apontavam para o governo onde ele poderia atuar e no caso do IPHAN resgatava e promovia uma cultura brasileira. em Os intelectuais e o Poder (1979). as elites intelectuais marcaram presença no cenário político. buscar a relação que há entre os discursos do governo.”20 Mas foi no Estado Novo que o poder abriu um espaço privilegiado para a atuação dos intelectuais. No Brasil. O Brasil Republicano. representando assim a consciência e a eloqüência. Entretanto. A própria idéia de relações interdiscursivas aponta para uma heterogeneidade de linguagens e de contradições ideológicas. as contradições ideológicas. Jorge. Revolução de 30 e Estado Novo –. É através da criação de instituições como o IPHAN e o IBGE que ele busca 20 VELLOSO. Nesse sentido. Outra importante contribuição que as pesquisas do IBGE e a atuação do IPHAN trouxe foi a de legitimar as ações que se tomaram em vários setores da sociedade na época. dialogam sobre o papel do intelectual tradicional que era o de dizer a verdade àqueles que ainda não a viam e em nome daqueles que não podiam dizê-la. Os intelectuais e a política cultural no Estado Novo. no sistema de produção capitalista. O elo entre o povo e o Estado. não podemos afirmar que estas práticas possam ter se dado de forma homogênea. através da Análise do Discurso. oriundos do movimento modernista. ou junto ao. p. segundo Monica Pimenta Velloso “nos momentos de crise e mudanças históricas profundas – instauração do Império. In: Ferreira. (Org. defendendo o direito de interferirem no processo de organização nacional. Lucília de Almeida. M. 147 . Foucault e Deleuze. isto contrastava com sua posição de intelectual na sociedade burguesa. O papel dos intelectuais na relação com o poder foi. então. o discurso dos intelectuais. que são os textos científicos. o papel do discurso dos intelectuais foi muito importante. para legitimar e ser identificado como defensor da Nação e da cultura brasileira. 2003. porque deu o suporte aos interesses daqueles que estavam interessados em se manter no. 1 ed. que utilizaram os dados e as fontes oferecidas por aquele governo e as condições históricas em que estes foram produzidos. A legitimação de um regime autoritário. Neves. pois. Cabe. verificando. ambíguo. Proclamação da República. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. No entanto. no qual está inserido o IPHAN e o IBGE. v. no caso do IBGE. 2. P. poder. desde muito. pertinentes ao mesmo discurso.

GIOVANAZ. Teixeira de. 1947. 2005. 2001. Porto Alegre: Faculdade Porto- Alegrense de Educação. Eles serão incumbidos de ouvir a voz do povo e seus anseios. Os intelectuais e o Poder. 31. O Patrimônio em Processo. 1979. In: Constelação Capanema: intelectuais e políticas. reforçar o projeto de unidade nacional do governo. 1995. A eles seria dado o papel de “salvadores” da verdadeira identidade de nosso povo. 1987. 1979. ________. M. M. Universidade de São Francisco. In: Revista Ciências e Letras. Rio de Janeiro: Ed. de Estatística e Publicidade. Fundação Nacional Pró-Memória. 1999. Estatística e educação. Fundação Getúlio Vargas. Rio de Janeiro: Ed. Rio de Janeiro: Graal. A arqueologia do saber. Teixeira de Freitas: pensamento e ação. Marlise. nossas “raízes”. In: Constelação Capanema: intelectuais e políticas. Gilles. ________. Rio de Janeiro: Ministério da Cultura. 2001. que privilegiaria a cultura popular. A geopolítica do Brasil. LYSIAS. Rio de Janeiro: Editora UFRJ/Minc-IPHAN. em detrimento de toda uma cultura vinda de “fora” que orientava até então a cultura brasileira. Maria Cecília Londres. Mário de Andrade: ativista da preservação do Patrimônio Cultural no Brasil. In: Microfísica do poder.resgatar a identidade nacional do povo brasileiro. IBGE. Helena. Revista Nacional de Educação. Trajetória da política federal de preservação no Brasil. ________. Teses estatísticas. A atuação e os discursos destes intelectuais iriam. Rio de Janeiro: IBGE.1. Florianópolis: Dep. LONDRES. E é através dos intelectuais que esse processo vai se concretizar. 1990. Rodrigues A. . Ciências e Letras. e DELEUZE. n. A Invenção do Patrimônio e a Memória Nacional. pois. Bragança Paulista (SP): Ed. FREITAS. n. e de por em prática a idéia de uma nação unida pela diversidade. Rodrigo Melo Franco de. Cecilia. Rio de Janeiro: BIBLIEX. BOMENY. 1932. Referências ANDRADE. Infidelidades Eletivas: Intelectuais e Política. Forense Universitária. T. FOUCAULT. Fundação Getúlio Vargas. FONSECA. Rio de Janeiro. Bragança Paulista (SP): Ed. Universidade de São Francisco. Rodrigo e o SPHAN. Michel.

A criação do IBGE no contexto da centralização política do Estado Novo. In: Ferreira. ed. . 2. Papel da memória. et al. História das Estatísticas Brasileiras: estatísticas organizadas (C. PÊCHEUX. E vão surgindo os sentidos. 1999.ORLANDI. 1 ed. 2008. Rio de Janeiro: IBGE. M. 2001. In: _____(Org. v. Neves. In: ACHARD. Rio de Janeiro: IBGE. Campinas.1972). Campinas: Pontes. P. (memória Institucional. 2003. VELLOSO. 72-73.). 1993. 2. 1936-C. O Brasil Republicano. Eli Alves. Papel da memória. Lucília de Almeida. PENHA. Eni P. Jorge. (Org. P. 3.) Discurso fundador: a formação do país e a construção da identidade nacional. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. v. SENRA. SP: Pontes. Os intelectuais e a política cultural no Estado Novo. Nelson de Castro. p. Michel. 4).