UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ SETOR DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS DEPARTAMENTO DE PATOLOGIA BÁSICA CURSO DE MEDICINA

(BP332 – Microbiologia Médica Aplicada)

TEÓRICOMANUAL TEÓRICO-PRÁTICO DE PROCEDIMENTOS BÁSICOS EM MICROBIOLOGIA MÉDICA
2ª EDIÇÃO

REALIZAÇÃO REALIZAÇÃO Professora: Professora: Professora: Professora: Professora: Professora: Acadêmico: Acadêmico: Drª Cristina Leise Bastos Monteiro (Coordenadora) Drª Laura Lúcia Cogo Drª Izabel Galarda Fernando Carlos Bortolozzi Filho

CURITIBA 2009

SUMÁRIO

A SEGURANÇA DOS ALUNOS NAS AULAS PRÁTICAS DE BACTERIOLOGIA E MICOLOGIA............................................................................... 3 INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 5 CAPÍTULO 1: CONTROLE DE MICRORGANISMOS .............................................. 13 CAPÍTULO 2: TIPOS MORFOLÓGICOS DE BACTÉRIAS E GRUPAMENTOS BACTERIANOS............................................................................ 29 CAPÍTULO 3: MORFOLOGIA COLONIAL................................................................ 35 CAPÍTULO 4: VERIFICAÇÃO DA PRESENÇA DE BACTÉRIAS NO AR E SUA CONTAGEM ATRAVÉS DE CULTIVO.............................................. 37 CAPÍTULO 5: PREPARAÇÕES MICROSCÓPICAS ................................................ 39 CAPÍTULO 6: MEIOS DE CULTURA........................................................................ 52 CAPÍTULO 7: ISOLAMENTO DE MICRORGANISMOS ........................................... 55 CAPÍTULO 8: PROVAS BIOQUÍMICAS DIFERENCIAIS ......................................... 58 CAPÍTULO 9: MICROBIOTA NORMAL DO ORGANISMO HUMANO...................... 69 CAPÍTULO 10: DIAGNÓSTICO LABORATORIAL ATRAVÉS DO ISOLAMENTO E CARACTERIZAÇÃO DE AGENTES ETIOLÓGICOS .................... 79 - PORÇÕES SUPERFICIAIS E PROFUNDAS.......................................................... 79 - OROFARINGE ........................................................................................................ 88 - TRATO GÊNITO URINÁRIO ................................................................................. 106 - INTESTINAIS ........................................................................................................ 113 - FEBRE TIFÓIDE E PARATIFÓIDE ....................................................................... 126 - TESTE DE SENSIBILIDADE AOS ANTIBIÓTICOS .............................................. 131 CAPÍTULO 11: DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS........................... 136 CAPÍTULO 12: MICOBACTERIOSES .................................................................... 152 CAPÍTULO 13: LEPTOSPIROSE ........................................................................... 170 CAPÍTULO 14: OS FUNGOS E AS MICOSES ....................................................... 178 CAPÍTULO 15: HERPES-VÍRUS ............................................................................ 199 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................ 204 2

A SEGURANÇA DOS ALUNOS NAS AULAS PRÁTICAS DE BACTERIOLOGIA E MICOLOGIA

“A segurança de todos depende dos cuidados individuais dos alunos e dos professores.” Seguem-se as orientações para os alunos executarem as tarefas dentro dos parâmetros de biosegurança médica: 1. 2. 3. 4. 5. 6. É obrigatório o uso de avental (ou jaleco, guarda-pó, etc.) fechado na frente e de mangas compridas, para proteger a roupa e a pele dos braços. É expressamente proibido comer, beber ou fumar dentro do laboratório. Não usar anéis e pulseiras. Prender o cabelo comprido. Lavar as mãos antes e depois dos procedimentos. Após a lavagem das mãos utilizar álcool 70% para otimizar a desinfecção. Evitar o contato da pele e mucosas com materiais clínicos tais como sangue, pus, escarro, fezes, urina, outras secreções e exsudatos. Tratar sempre todas as amostras como potencialmente infectantes, sendo que os maiores perigos estão relacionados com o vírus da hepatite B, HIV, bacilos da tuberculose e salmonelas. Observação: cada mL de sangue pode conter 100 milhões de vírus de hepatite B e uma só partícula provoca a hepatite. Caso ocorram respingos pelo material contaminado sobre a pele, fazer imediatamente a antissepsia do local. O avental respingado deve ser colocado em cartucho plástico para não contaminar outros objetos. 7. 8. Não trabalhar nas proximidades de cadernos, mochilas e livros. As mochilas devem ser colocadas no fundo dos laboratórios no início das aulas práticas. Só utilizar pipeta quando esta tiver mecha de algodão no bocal. A mecha tem dois objetivos: proteger o operador do risco de contaminação com material patológico ou culturas de microrganismos e preservar o material manipulado da contaminação pela saliva do operador (aerossóis). 9. Jamais colocar o tampão de algodão dos tubos ou frascos sobre a mesa. Durante os procedimentos o tampão deve ser segurado com o dedo mínimo.

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10.

Jamais colocar a pipeta usada sobre a bancada ou mesa de trabalho. Ela deve ser colocada em recipientes que contêm desinfetantes (Lisoform, hipoclorito de sódio a 2%, etc.), bem como algodão para vidro (para não quebrar a ponta da pipeta) disponível em cada mesa.

11.

Evitar a formação de aerossóis, que são micropartículas que contém uma quantidade extremamente pequena de líquido (água, saliva, etc.) e algumas partículas infectantes (vírus, esporos bacterianos, etc.). Estes aerossóis podem cair sobre a mesa contaminando-a, ou ainda ficarem suspensos no ar e serem inalados, promovendo um possível ciclo de infecção. Tais partículas podem se formar em procedimentos como flambagem da alça metálica, flambagem de pinças, abertura brusca de tubos ou frascos com tampa de pressão, agitação de tubos com as mãos, centrifugação de tubos abertos, manipulação incorreta de seringas, homogeneizadores, etc.

12. a) b)

Ao término do trabalho: Desinfetar a bancada com um desinfetante disponível (hipoclorito, álcool 70%, clorexedine, álcool iodado, etc.). Lavar as mãos e antebraços com água e sabonete líquido. Em seguida utilizar, de preferência, solução degermante à base de polivinilpirrolidona-iodo (PVPI) a 10%. Enxugar com toalha descartável. Em seguida aplicar álcool 70% nas mãos para dar continuidade à desinfecção.

Observação: em caso de acidente, como de pipetas contaminadas, placas e frascos com material patológico ou cultura de microrganismos é obrigatório: a) b) c) Derramar sobre o material quebrado um desinfetante (por exemplo álcool 70% ou clorexedine). Cobrir com toalha de papel. Deixar em contato, no mínimo, por uma hora antes de remover o vidro com uma pinça e com a mão enluvada absorver o líquido com papel toalha, acondicionar em sacos apropriados e a seguir autoclavar.

ESTE MANUAL NÃO TEM FINS LUCRATIVOS USO PARA FINS ACADÊMICOS DENTRO DA UNIVERSIDADE
(Concentrado de obras que não estão disponíveis nas bibliotecas da Universidade, por isso esse texto é disponibilizado aos alunos).

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geralmente microscópicos) e suas atividades. Algumas espécies bacterianas produzem cerca de 100 gerações num período de 24 horas. Os microrganismos constituem um grande grupo heterogêneo. tendo. no entanto. Em última análise os fenômenos chamados doenças infecciosas. uma estrutura simples e indiferenciada. Estudam-se também as transformações físicas e químicas exercidas nos seus habitats. ou seja. em comum o fato de conservarem ao longo do curso de evolução biológica. metabolismo e identificação. Foram os microrganismos que serviram. Trata ainda da sua distribuição na natureza e as relações entre si e com os demais seres vivos. o que não acontece com animais e plantas. A cada 15 minutos surge uma nova geração e de cada célula resultam 2 células filhas em uma progressão geométrica sendo que no final de 24 horas teremos milhões de descendentes. algas. possuem estrutura primitiva não apresentando tecidos ou órgãos especializados. de modelos para as ciências modernas como: bioquímica. mas também como instrumento de outras áreas biológicas. Crescem rapidamente e se reproduzem a um ritmo extraordinariamente elevado. são simplesmente interações destrutivas entre vegetais e animais. estruturas. São os protozoários. Microbiologia: é a ciência que estuda os microrganismos (seres pequenos. engenharia genética. Os microrganismos possuem muitas características que os tornam seres ideais para a investigação dos fenômenos biológicos. Para o estudo destas ciências é preciso estar familiarizado com os microrganismos. reprodução. vírus e bactérias. biologia molecular. do ponto de vista biológico.INTRODUÇÃO Micróbio: termo usado em 1878 por Charles Emmanocl Sedillot (cirurgião francês). 5 . O estudo dos microrganismos compreende o conhecimento de suas formas. A microbiologia pode ser estudada como ciência autônoma. Pode-se cultiválos facilmente em tubos (recipientes pequenos) o que requer menor espaço para manutenção do que plantas e animais. e servem cada vez mais. etc. das quais resultam efeitos prejudiciais ou proveitosos para outros seres vivos. genética. fungos. apresentando características variadas.

de uma maneira geral. Felizmente a maioria é inócua e habita a superfície do nosso corpo. A educação de um microbiólogo abrange um conhecimento geral da maioria das subdivisões. etc. ar. Microbiologia médica: os microrganismos muito estudados são os que causam doenças em humanos e são chamados de patogênicos. Dispomos de meios para resistir à invasão daqueles que são potencialmente patogênicos. desde o solo e as massas de água (mares. Estritamente falando. como substâncias nutritivas. Existem numerosas áreas onde a Microbiologia aplicada tem grande significado. virologia estuda os vírus e ficologia estuda as algas. que são favorecidos pelas mesmas condições que a população humana. etc. até as superfícies internas e externas de humanos e outros animais. água. o microbiólogo deve se limitar a um ou poucos ramos selecionados da microbiologia. bacteriologia é o estudo das bactérias (muitas vezes o termo é usado como sinônimo de microbiologia). O microbiólogo também busca estudar os microrganismos em ambientes particulares: solo. Os microrganismos. Este ramo da microbiologia também estuda a prevenção e controle de doenças.Áreas de aplicação da microbiologia O microbiólogo. imunologia e os métodos diagnósticos. Aparecem em maior abundância onde encontram condições favoráveis. 6 . fisiologia dos fungos. micologia estuda os fungos. e outras cavidades naturais. o que os torna patogênicos para o homem. bem como de plantas. trato digestório. podem produzir modificações devido ao seu metabolismo. esgotos. boca. imunização. nariz. rios). ar. pode se especializar no estudo de certos microrganismos. Distribuição na natureza (habitat) Os microrganismos são encontrados praticamente em todos os ambientes. Entretanto devido ao tremendo acúmulo de informações em cada especialização. genética bacteriana. É freqüente a especialização em algum aspecto da microbiologia: citologia bacteriana. umidade e temperatura adequada ao seu desenvolvimento.

aparecendo vários absurdos como por exemplo. . absorção e ingestão. O Reino Protista compreendeu as algas. Protistas (outras algas e protozoários). com exceção das algas azulesverdeadas. quase não apresentando outras propriedades dos mesmos sendo também que nenhum fungo possui clorofila. compatível com os recentes estudos ultraestruturais. genéticos e os principais modos de nutrição: fotossíntese. discípulo de Charles Darwin em 1866. Em 1969 foi proposto por Whittaker um outro sistema classificatório de seres vivos. como os protozoários. Os protistas inferiores são procarióticos: 'bactérias e algas azul-esverdeadas. o cientista alemão Ernest Haeckel. Os superiores possuem célula eucariótica. As outras algas e protozoários deveriam permanecer como pertencentes ao reino Protista. Para evitar a distribuição arbitrária dos grupos intermediários (entre plantas e animais). Os cinco reinos de Whittaker são: Plantae. propôs o estabelecimento de um terceiro reino. Os vírus. Eles propuseram outra designação para outro reino chamado Monera. no entanto. fungos e algas. Protista e Monera. bioquímicos. ainda permaneciam como um enigma. Fungi. os fungos foram classificados como vegetais porque eram imóveis. Os microrganismos são encontrados em três dos reinos: • • • Monera (bactérias e algas azuis esverdeadas). fungos e bactérias. que deveria conter algas azul-esverdeadas e as bactérias. Este terceiro reino foi chamado Protista (da palavra grega que significa primitivo ou primeiro). 7 . Uma abordagem a respeito da classificação microbiana foi oferecida por Stanier e Van Niel em 1941.Algumas vezes os seres classificados em protistas eram denominados Protistas superiores e Protistas inferiores fundamentando-se em sua estrutura celular. ficou claro que eles mostravam todas as combinações possíveis das propriedades dos vegetais e animais. Animmalia. Fungi (fungos: leveduras e bolores). os dois reinos de seres vivos admitidos na época. protozoários. para eliminar a confusão existente em relação à posição dos microrganismos e para lhes proporcionar uma posição no mundo vivente. Desde o conceito original deste terceiro reino de seres vivos têm sido desenvolvidos numerosos critérios para determinar mais adequadamente onde classificar estas microvidas.Posição entre os seres vivos Após a descoberta dos microrganismos.

eles são listados juntos porque apresentam algumas características em comum. facilmente identificáveis. Todavia. principalmente para as bactérias. colocar numa chave um grupo de bactérias formadoras de pigmento vermelho. têm surgido muitas classificações. Infelizmente não existe um sistema classificatório inteiramente aceitável para todos os microrganismos. Na classificação filogenética.Classificação dos microrganismos A classificação dos seres vivos serve a vários propósitos. são observadas várias inconsistências. Protistas: Deve-se utilizar a terminologia moderna e mais amplamente aceita. aqueles que tem um ancestral em comum. Monera: células procarióticas. Os organismos agrupados numa chave não precisam necessariamente apresentar relação filogenética. por exemplo. este agrupamento será de muita utilidade. Classificação atual dos microrganismos Uma classificação proposta atualmente poderia ser a seguinte: 1. Durante os 100 anos da microbiologia como ciência. eliminar confusões. Nas Chaves as características descritivas são organizadas de tal forma que um organismo em estudo será prontamente identificado. 8 . a) Bactérias b) Cianobactérias c) Arqueobactérias 2. A classificação dos microrganismos apresenta problemas peculiares podendo se basear em muitas características. agrupa-se tipos aparentados. De tempos em tempos são propostos novos sistemas não aceitos em sua totalidade internacionalmente. imediatamente terá seu trabalho reduzido a poucos tipos bacterianos. isto é. O termo “protista” atualmente é empregado apenas para microrganismos eucarióticos. entre eles a de estabelecer critérios necessários para a identificação e acima de tudo. Será perfeitamente razoável. Dependendo da autoridade consultada. tais como Serraria marcescens e as Sulfobactérias púrpuras. De uma maneira geral as classificações podem ser: Naturais ou Filogenéticas e Artificiais ou Chaves. pois um pesquisador com a responsabilidade de identificar uma cultura com pigmento vermelho.

NÚCLEO Membrana Nuclear Cromossomos Aparelho mitótico Histonas Genes 2. circular Ausente Ausente Agrupados Eucarióticos Presente Um ou mais.a) Algas b) Protozoários c) Fungos Elementos diferenciais entre as células 1. lineares Presentes Presentes Não agrupados 9 . NATUREZA E ESTRUTURA CITOPLASMÁTICA Correntes citoplasmáticas Pinocitose Mesossomos Ribossomos Mitocôndrias Cloroplastos Complexo de Golgi Vacúolos limitados por membranas Ausentes Ausente Presentes Dispersos no citoplasma Ausentes Ausentes Ausentes Ausentes Presentes Presentes Ausentes Dispostos em membranas. retículos endoplasmáticos e cloroplastos Presentes Podem estar presentes Presentes Presentes Procarióticos Eucarióticos Procarióticos Ausente Um.

Procarióticos Possui parte da maquinaria respiratória e fotossíntese Presente * Fibrilas simples Ausentes Eucarióticos Não desenvolve atividade respiratória ou fotossíntese. um grande esforço foi empregado na taxonomia bacteriana. G. Bactérias são organismos microscópicos. Ausente Multifibrilas com microtúbulos Presente em alguns 4. derivado do grego "gotinhas" foi introduzido em 1828 pelo alemão C.3. Uma das classificações foi proposta pela Sociedade Americana de Microbiologia através de seu 10 . ESTRUTURAS CELULARES EXTERNAS Membrana plasmática Parede celular de Peptídeoglicano Organelas locomotoras Pseudópodos * ausente em Mycoplasma sp. RELAÇÃO GUANINA + CITOSINA Mols de Guanina e Citosina Procarióticos 28 a 73 Eucarióticos Cerca de 40 Bactérias O termo bactéria. Há falta de concordância nas classificações. Ehrenberg como nome genérico de alguns tipos bacterianos característicos. Taxonomia bacteriana geral Desde a primeira tentativa conhecida de classificação das bactérias. unicelulares e procarióticos. mas havendo um interesse em evitar confusão generalizada é preciso aceitar e permitir a evolução de algum plano razoavelmente exeqüível acompanhando naturalmente o progresso dos novos conhecimentos. realizada por Müller. em 1773. mas até agora nenhum dos numerosos esquemas propostos recebeu aprovação universal.

inclusive o acréscimo de novas espécies e excluindo outras. o acréscimo de novas ou quaisquer outras alterações. Bactérias: Uma chave classificatória para bactérias estabelece 4 grupos bacterianos. O manual de Bergey representa mais de 70 anos de evolução. o manual admite que sua principal aplicação é determinativa. permitir aos pesquisadores determinar se ce11o microrganismo corresponde a uma espécie descrita. em função do metabolismo de movimentação e das características da parede celular. sendo mais aceito que qualquer outro sistema. obviamente não são muito relacionados. Desde 1º de janeiro de 1980 apenas a nova lista de nomes é considerada válida. Centenas de espécies têm sido caracterizadas desta maneira modernamente. têm sido feito vários avanços significativos. A composição das bases do DNA é uma característica constante de uma determinada espécie e é expressa em porcentagem de guanina mais citosina sobre o total da mols das bases.Bergey' s Manual of Detenninative Bacteriology ao longo de muitas edições. Novos conhecimentos causarão uma grande diferença nas futuras publicações a respeito da classificação microbiana. Em cada edição subseqüente. A 9. Se dois organismos têm proporções muito diferentes de bases. exigem publicações no International Journal of Systematic Bacteriology.& edição do manual de Bergey tem como título: "Bergey' s Manual of Systematic Bacteriology". de Procaryotae. no entanto. Em 1980 o Comitê Internacional sobre Sistemática Bacteriológica. isto é. 11 . Atualmente um dos esquemas da classificação semi-oficial disponível é o que foi publicado na 9ª edição do Bergey's manual de 1984. substituindo uma lista anterior de 30000. já tendo alcançado a 9ª edição. A 1ª edição data de 1923. É amplamente utilizada como padrão de referência na taxonomia bacteriana. chamando-o. Ele reconhece o reino Monera de Whittaker. publicou uma lista de aproximadamente 2500 espécies. em virtude da natureza procariótica de suas células. A substituição das denominações abandonadas. O parâmetro empregado com mais freqüência é a porcentagem de moléculas de guanina mais citosina no conteúdo total de DNA. Nos últimos anos o sistema genético das bactérias foi estudado ao nível molecular a fim de determinar a homologia entre o DNA das células. Devido às incertas relações filogenéticas das bactérias.

*Os dados citados foram compilados de textos dados em aula.Vírus: Complexo molecular vivo. possuindo DNA ou RNA. 12 .

desinfecção (desinfetantes). meios de cultura estéreis e técnicas de assepsia. mas que são ineficientes contra a maioria dos esporulados. após as aplicações artificiais de condições desfavoráveis à sua multiplicação. executando cirurgias assépticas. inativando ou destruído-os. é conseguida pelo uso de substâncias químicas chamadas desinfetantes. Anti-sepsia: é o conjunto de meios usados para evitar a proliferação de germes. O calor em temperaturas de 60 a 100oC também tem ação desinfetante. na maior parte das vezes. estas sim. anti-sepsia de feridas.. obter dados sobre seus fatores de virulência e outros. Saneamento: mantém a microbiota dentro dos valores populacionais previamente estabelecidos por instituições de saúde. Os microbiologistas conseguiram estudar as espécies bacterianas. fisiológicos. como anti-sepsia da pele. A desinfecção. etc. A medicina progredia à medida que surgiam novos conhecimentos sobre o domínio dos microrganismos. reduzindo infecções e a transmissão de doenças contagiosas. é importante conceituar vários deles. Através dos processos de esterilização dos objetos utilizados. reservando-se o termo desinfecção para objetos inanimados. O uso de materiais esterilizados é condição indispensável para o desempenho dos trabalhos microbiológicos. O termo anti-sepsia é geralmente usado referindo-se aos tecidos vivos. 13 . reduzindo a “bioburden” (carga de organismos viáveis). Desinfecção: é o processo que remove a maioria dos microrganismos viáveis. pois não destrói todos os esporos. etc. estruturais. A anti-sepsia é obtida pela ação de substâncias químicas chamadas anti-sépticos.1: CAPÍTULO 1: CONTROLE DOS MICRORGANISMOS É indispensável o conhecimento do controle das populações microbianas para todos os profissionais da saúde. destinadas a destruir os germes potencialmente patogênicos. Assepsia: conjunto de procedimentos que impede a penetração de microrganismos em local que não os contenha. obtiveram populações bacterianas puras e. assepsia. saneamento e sanitização. Antes de iniciar o estudo dos métodos de controle dos germes. tais como: esterilização. anti-sepsia (anti-sépticos). puderam ser estudadas em todos os detalhes: morfológicos. Esterilização: deve resultar na destruição total de todas as formas de vida presentes no material submetido ao processo em questão.

Para pessoas da área de saúde.Calor Seco • • • Flambagem Forno de Pasteur (estufa) Incineração . ESTERILIZAÇÃO É importante o conhecimento das diferentes técnicas de esterilização. tais como temperaturas elevadas e as radiações. é indispensável também conhecer os efeitos que alguns agentes esterilizantes (agentes químicos. para saber qual delas aplica-se melhor.Sanitização: usada em restaurantes e indústrias de alimentos.Calor Úmido • • • • Pasteurização Tyndallização ou Tindalização Água Fervente Autoclavação 14 . Os meios mais utilizados para esterilização são os meios físicos. é possível eliminar a microbiota presente em um líquido ou gás. A escolha dos agentes e dos diferentes métodos. para casos específicos. como a filtração. por processos mecânicos. Esterilização e Desinfecção por Meios Físicos Calor . Além destes. e que cause dano mínimo ao material envolvido. Como agentes químicos podem ser usados muitos compostos. refere-se à eliminação dos microrganismos em utensílios e equipamentos para impedir a deterioração ou transmissão de infecções pelos produtos alimentares. radiações) exercem sobre o corpo humano. Segue-se o esquema e a descrição de alguns processos. depende do resultado que se deseja e do material ou local em que o processo vai ser aplicado.

Filtração . glutaraldeído. .Discos • • Vidro Amianto – Seitz . .Ultravioleta (UV) – NÃO IONIZANTES . álcalis.Velas • • Chamberland – porcelana porosa Berkefeld – infusórios . 15 .Algodão – para gases (ar) Radiações .Gama (γ) .Líquidos – álcoois.Gasosos – brometo de metila. para reduzir a população bacteriana ao nível desejado. Esterilização e Desinfecção por Meios Físicos A ação letal do calor é uma relação tempo-temperatura afetada por numerosos fatores que devem ser levados em consideração. óxido de etileno. detergentes. na seleção da intensidade térmica e na duração da exposição.Sólidos – pastilhas de formalina.IONIZANTES Esterilização e Desinfecção por Agentes Químicos Agentes Químicos: . formaldeído.Membranas • • Acetato de celulose: Millipore e HEPA Nitrato de celulose .

O papel que protege o material e os tampões de algodão adquire cor parda. Em seu interior existem prateleiras móveis.CALOR SECO a) Flambagem É a exposição do objeto à chama de bico de Bunsen ou lamparina. O incinerador 16 . provetas. A temperatura desejada é regulada e mantida por um termostato. leválas ao rubro. Deixar o forno esfriar espontaneamente. (há os incineradores usados na queima de lixo não hospitalar). óleo mineral. meios de cultura. para a esterilização de materiais secos. parafina. b) Ar Quente – Forno de Pasteur O Forno de Pasteur moderno é uma estufa de forma retangular de paredes duplas. Limitações: não se pode esterilizar a seco a vidraria fina como balões volumétricos e pipetas graduadas de precisão. objetos metálicos. etc. Isto porque os materiais não são destruídos por completo. Os incineradores que possuem uma só câmara de combustão são ineficazes e inadequados. A destruição dos microrganismos ocorre por desidratação e oxidação dos constituintes celulares. as pipetas. consiste em destruir os microrganismos junto com os materiais orgânicos onde eles se localizam. contaminando a atmosfera por microrganismos e substâncias tóxicas. A exposição ao ar quente constitui método usado correntemente em bacteriologia. vaselina sólida.. As pinças. as bocas dos tubos e balões em que se faz a semeadura são aquecidos na chama (chamuscadas) sem. tais como: tubos. São materiais removidos dos curativos. ampolas. animais de experiência infectados e mortos. peças anatômicas. areia. etc. A vidraria seca será esterilizada no forno a 170 – 180oC por uma hora. isolada termicamente e aquecida por eletricidade. líquidos diversos. porém não devem escurecer demais ou tornarem-se quebradiços. Observação: o aparelho e seu funcionamento serão mostrados em aula. talco. no entanto. Na técnica bacteriológica utiliza-se a flambagem para esterilizar a alça de platina pelo aquecimento até o rubro. etc. Na porção superior possui orifícios para ventilação e colocação de termômetro graduado em 200oC. c) Incineração O método de incineração. placa. borracha. do ponto de vista microbiológico.

conseguia esterilizar a solução em estudo. Tyndall.7oC por 15 minutos) e a seguir submetido a resfriamento brusco (em torno de 4oC). principalmente européias. Alguns meios de cultura bacteriológicos. estreptococos. tais como as dioxinas. Processo pelo qual um determinado material (o leite. uma câmara de combustão secundária. ou seja. b) Tyndallização ou Tindalização É uma esterilização fracionada. É um processo de desinfecção. intercalados por períodos de incubação em temperatura ambiente. aquecimento a 100oC. verificou que o aquecimento descontínuo. por exemplo).deve ter. “Incineradores. durante 1 hora. brucelas. obtendo-se assim a morte dos germes patogênicos. A temperatura de tindalização varia de acordo com o material a esterilizar. é aquecido a uma temperatura não elevada (62. na verdade.8oC por 30 minutos ou 71. Ideal é quando a 1a câmara está a 800oC e a segunda aquecida no mínimo a 1000oC. são indústrias de “ultragifte” – ultravenenos – expressão cunhada pela comunidade científica para designar dioxinas e furanos. além da câmara de combustão principal. Os esporos resistentes germinam durante o tempo de incubação e são destruídos nas subseqüentes exposições ao calor. 03). a queima em altas temperaturas de matéria orgânica e plástico. serão aquecidas à temperatura que não altere as suas propriedades. bacilos da tuberculose.” Observação: o criminoso Agente Laranja usado na Guerra do Vietnã era rico em dioxinas (Fonte: Proteção no 11 – vol. 17 . soluções de vitaminas ou enzimas. o idealizador do processo. CALOR ÚMIDO a) Pasteurização Ato de pasteurizar.. Isto porque. no caso do leite: Salmonella. A incineração tem-se tornado um problema social e político em muitas comunidades. etc. gera substâncias altamente tóxicas. em 3 dias consecutivos. soluções de carboidratos. mas não a eliminação total dos germes contaminantes (bactérias esporuladas).

c) Água em Ebulição Os materiais ou objetos contaminados não podem ser esterilizados com segurança pela simples exposição à água em ebulição. do tipo do continente e de seus volumes. É uma câmara de vapor saturado equipada com dispositivos que permitem a manutenção do vapor em determinada temperatura e pressão por quaisquer períodos de tempo. Quando a água começar a ferver. Só deve ser usada em circunstâncias emergenciais. verticais. Por exemplo: tubos de ensaio com meios líquidos podem ser esterilizados em 10 a 15 minutos a 121oC. tampa com borracha apertada por parafusos. Modo de proceder: o material a esterilizar é embrulhado em papel ou sacos plásticos (como os de microondas) formando pacotes. Materiais utilizados em Biologia Molecular necessitam de 40 minutos de autoclavação (para agir no DNA). de tal modo que é o meio mais prático. d) Autoclave (temperatura superior a 100oC) É um método em que se utiliza vapor d’água sob alta pressão. evitando o contato com água do fundo da autoclave. Os pacotes são colocados dentro de uma cesta metálica. oferece o risco de contaminação por esporulados. começa a sair um jato contínuo de vapor. rápido e barato de esterilização. neste momento fecha-se a 18 . Quando todo o ar for expulso. A imersão em água fervente quando usada para esterilização de instrumentos cirúrgicos. ou ainda. alguns esporos resistirão durante muitas horas. etc. Pela fervura do material mergulhado em água ou exposto ao vapor em autoclave com válvula aberta (vapor fluente) só se consegue uma desinfecção e não esterilização. Iniciar o aquecimento com torneira aberta. Orifícios para o manômetro. dependendo da natureza do material a esterilizar. válvula de segurança e torneira. Os mesmos líquidos em balões de 10 litros requerem 1 hora ou mais sob a mesma temperatura e pressão.. há emissão de um jato intermitente de vapor e ar. seringas de injeção. Embora as células vegetativas das bactérias possam ser destruídas em poucos minutos. Há vários modelos: horizontais. O aparelho que utiliza-se nesse procedimento chama-se autoclave. alimentadas por vapor gerado em caldeiras separadas. Autoclave usa vapor d’água sob pressão regulada. aquecidas a gás ou eletricidade. Autoclave de Chamberland: caldeira de paredes resistentes. esta repousa sobre um suporte.

Grau de Umidade (%) 50 25 18 06 00 Temperatura de Coagulação da Ovoalbumina 56 80 90 145 170 19 . como gorduras. Mais econômico. Algumas substâncias são alteradas (metais que oxidam) ou destruídas. causando sua coagulação. 2. Só então se abre a torneira. Não deixa resíduos tóxicos. quebrando ligações químicas envolvidas na manutenção da conformação espacial das proteínas. Vantagens: 1. Grande poder de penetração em material denso. espera-se até que o manômetro abaixe para zero. óleos. Com a continuação do aquecimento. haverá aumento de pressão acusado pelo manômetro. Após esse período desliga-se a corrente elétrica. como a que existe no departamento de Bioquímica da UFPR. 5. Maior condutibilidade. e os microrganismos poderão sobreviver. Há autoclaves mais modernas em que o material já sai seco. acompanhando os processos de preparação de material para a esterilização. O calor úmido desnatura proteínas. O material sai da autoclave impregnado de umidade. vaselina líquida e sólida e parafina. que consequentemente não podem ser autoclavados. Observação: a autoclave e seu funcionamento serão mostrados em seminários. 4. Desvantagens e Limitações: alguns materiais não miscíveis na água. Deve-se colocá-lo na estufa ± 60oC para a secagem.torneira. Termocoagulação das proteínas. Tais materiais não são atingidos pelo vapor. catalisada pela água. 120oC por exemplo. Para abrir a autoclave. Ao ser atingida a temperatura desejada. marca-se o tempo. O talco e a areia umedecidos são difíceis de secar. 6. Aquecimento rápido. 3.

a temperatura atingida no centro sobre apenas a 83oC. portanto. é necessário fazer o controle de esterilidade enquanto a autoclave está em operação. a temperatura central chega a 117oC. esterilizar o equipamento e utensílios a temperaturas mais elevadas e por períodos mais longos.Eficiência Comparativa do Calor Seco e do Calor Úmido como Esterilizantes O calor úmido tem um poder de penetração superior. A penetração do calor seco é menor. em vez de tentar reconhecer falhas. à temperatura de 120oC em autoclave durante 1 hora e meia. sendo necessário. 20 . ao passo que. em um fardo de flanela exposto ao calor seco a 150oC durante 4 horas. Esta diferença de poder de penetração do calor em estado seco ou úmido é exemplificada pela verificação de que. Fardo de Flanela Calor Seco – 150oC – 4 horas Calor Úmido – 120oC – 1 hora e meia Temperatura Central 83oC 117oC Microrganismo Clostridium botulinum Bacillus anthracis Calor Úmido 120oC 20 minutos 15 minutos Calor Seco 120oC 120 minutos 120 minutos (150oC) Calor Úmido (tempo em minutos para várias temperaturas) Microrganismos Bacillus subtilis Clostridium botulinum Bactérias do solo Anaeróbios – putrefação Bactérias termófilas 780 400 100oC 300 530 420 105oC 115oC 40 20 30 06 11 120oC Testes para Controle de Eficiência da Autoclave Em geral. através do isolamento de microrganismos no material processado.

solução de enzimas. No método biológico usam-se esporos bacterianos altamente resistentes como os do Bacillus stearothermophillus.Embora a temperatura e a pressão sejam indicadas pelo termo-manômetro. Os bioindicadores existem no comércio sob o nome de Esporofars®. Geralmente vêm em forma de fitas ou selos que mudam de cor na temperatura estabelecida. observar a substância que deve aparecer fundida. Nos métodos físicos usa-se: 1. colírios. centro e fundo da cesta. FILTRAÇÃO A filtração é o método de escolha para esterilizar soluções contendo substâncias termossensíveis como o soro sanguíneo. Após a autoclavação. etc. Colocar os esporos na autoclave em pontos críticos. Substâncias químicas em pó (acondicionadas em ampolas de vidro) cujo ponto de fusão é conhecido. numa concentração de 106 esporos em ambos os casos. Caso haja turvação. Observação: para cada método de esterilização existem indicadores químicos específicos. transferi-las para um caldo) durante 24 a 48 horas. incubar a 55 a 57oC os esporos em caldo (ou no caso de usar as tiras. 2. Steritest® e outros. 21 . Os esporos do Bacillus stearothermophillus morrem quando submetidos a 121oC por 15 minutos. pontos em que a temperatura desejada é obtida com maior dificuldade. todos os laboratórios microbiológicos fazem testes confirmatórios de esterilidade do material processado. Líquidos injetáveis são primeiramente filtrados e depois autoclavados para evitar pirogênios. Indicadores que têm por base a reação de um composto químico quando expostos a um parâmetro necessário à esterilização. solução de vitaminas. fluidos para inoculação. Para tanto se pode recorrer a métodos físicos e biológicos. Estes são componentes termoestáveis da degradação das bactérias. solução de alguns carboidratos. Após a autoclavação. plasma. Os esporos podem vir acondicionados em frascos com meio de cultura ou impregnados em tiras de papel de filtro seco. indica que o bacilo proliferou e que a autoclavação foi insatisfatória.

A filtração pode ser aplicada na descontaminação de gases como o ar. Exemplo: Millipore. acetileno. Nestes casos. terpeno.. Podem filtrar diversos líquidos: água. a membrana é colocada em meio de cultura adequado. Numerosos são os dispositivos e materiais usados na técnica da filtração. toluol. Tamanho dos poros: 0. parafina. metano. etc.Berkefeld: terra infusórios. Outro exemplo é a filtração do ar nas câmaras assépticas. Acetato de celulose.As técnicas de filtração são também usadas para recuperar pequenas quantidades de bactérias presentes em grandes volumes de líquido. sem sofrer degradação. como. . etc. as bactérias vão proliferar dando colônias que podem ser quantificadas. 22 . com isto o fluxo é em torno de 40 vezes mais rápido que pelos demais filtros. 80% da membrana é espaço aberto e 20% de material sólido. Há as descartáveis. naftalina.Amianto. O exemplo disto é dado pelo uso de tampões de algodão que obturam a boca de tubos. . álcool. éter. água. Cada cm2 contém milhões de poros. estudadas e identificadas.Chamberland: porcelana.000 ηm (para determinar o tamanho do vírus). Ultrafiltração Elford – colódio – membrana Gradocol (de nitrato de celulose). Poros: 10 a 10. também chamados de filtros moleculares. Atualmente são as mais usadas nas técnicas de filtração. etano.Vidro. . balões vazios ou contendo meio de cultura. após a filtração. como por exemplo: a) b) c) VELAS DISCOS MEMBRANAS . por exemplo. O algodão é suficientemente poroso para permitir a entrada de ar e impedir a entrada de germes. Elas apresentam a vantagem de poder ser autoclavadas. xilol. salas de cirurgia.05 a 10 µm (micrômetros).

em medicina. .Filtros HEPA (High Efficiency Particulate Air) de Acetato de Celulose Utilizados para produção de fluxo de ar estéril em câmaras bacteriológicas assépticas. Há produção de fluxo de ar não turbulento ou laminar. .alto custo. equipamentos endovenosos. O processo é 100% eficiente e ininterrupto. seringas. Os raios gama e os raios X criam radicais livres ativos (OH.operadores altamente especializados. comprimento de onda de absorção máxima pelas bases púricas e pirimídicas do DNA. Eficiência = 99. Vantagens Desvantagens . nas câmaras assépticas. cateteres e luvas. O seu poder de penetração é mínimo.e H+) pela hidrólise da água. inibindo a replicação do DNA. pois não é possível ligar ou desligar. . Uma camada fina de vidro ou água pode impedir a ação da luz U. etc.alto poder de penetração. 23 . Não é uma técnica aplicável para uso descontínuo. formando dímeros.V.. Estes radicais altamente reativos quebram as ligações covalentes do DNA.V.V.) As radiações na forma de luz ultravioleta têm sua atividade melhor na faixa de 250260 ηm. O uso de raios U. O material é esterilizado já acondicionado na sua embalagem final.esterilização fria (indústria alimentícia e farmacêutica). alterando as estruturas do DNA e das proteínas. Emprega-se esse tipo de radiação para reduzir a população microbiana da superfície dos equipamentos ou do ar.97% RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES (U. É comum seu emprego para esterilização do ar em hospitais e também em laboratórios de microbiologia. Raios Gama e Raios X Os raios gama são atualmente muito usados para esterilizar grandes quantidades de itens de pequeno porte tais como agulhas. salas de cirurgia. onde as condições de assepsia devem se manter rigorosamente controladas. é limitado por danificar a córnea e a pele.

.Atividade antimicrobiana de largo espectro. 24 . menor custo. A maioria dos agentes químicos age como desinfetante ou anti-séptico. Outros apresentam instabilidade quando em solução. Alguns são rapidamente inativados em contato com matéria orgânica. Assim temos: Produto Químico • Deve ter .Inocuidade para o homem.Corrosivo.. b) lesões de gônadas (alterações cromossômicas). Alguns são muito ativos. Ácido fênico em solução de 0. somente alguns são capazes de esterilizar. . . portanto usados apenas em objetos inanimados.Estabilidade e homogeneidade quando em solução. como a leucemia). mas tóxicos para os tecidos vivos. • Deve . ESTERILIZAÇÃO E DESINFECÇÃO POR AGENTES QUÍMICOS A esterilização por produtos químicos é indicada apenas para os materiais que não podem ser submetidos ao calor. Não existe uma substância ideal capaz de agir em todos os casos. tais como: a) alterações celulares (neoplasias malignas.Boa solubilidade. Alguns produtos químicos são mais utilizados que outros devido a vários fatores: facilidade de obtenção. . A escolha de um agente químico dependerá da finalidade do uso.Não deixar resíduos.acarreta sérios danos à saúde.Irritante. • Deve não ser .2% age como bacteriostático e a 5% é esterilizante. maior estabilidade quando em solução e seu poder germicida. embora se saiba que os produtos químicos podem agir como bacteriostáticos ou esterilizantes dependendo da concentração e do tempo de ação.

tecidos (lã). óxido de etileno. etc. O gás tem elevado poder de penetração em material orgânico. β-propionalactona. AGENTES QUÍMICOS Agentes químicos são comumente empregados para a esterilização ou desinfecção de equipamentos: • Líquidos: ácidos e álcalis fortes. glutaraldeído. c) Temperatura. não se podendo trabalhar em temperaturas elevadas.. b) Tempo. papel. brometo de metila. Na aplicação de qualquer agente químico é necessário observar-se as seguintes variáveis: a) Concentração. edema pulmonar e danos à pele. incluindo plásticos. compostos fenólicos. d) pH. borrachas. madeira. O gás é altamente inflamável e explosivo. e) Limpeza.9oC.Não alterar materiais como borracha. couro. Aplicações industriais são baseadas no uso de misturas contendo 10% de óxido de etileno e 90% de CO2 ou 50% de óxido de etileno e 50% de formato de metila. • Gasosos: ozônio. equipamentos de 25 . causando irritações dos olhos e pulmões. plástico. • Sólidos: pastilhas de formalina. óxido de propileno e formaldeído. Concentrações acima de 100 mg/litro são tóxicas ao ser humano. não corrosivo e que se liquefaz a 10. álcoois e compostos quaternários de amônio. sendo o líquido bastante solúvel em gás e solventes orgânicos. no máximo 60oC. Óxido de Etileno É um gás incolor. produtos desidratados. náuseas.

é obrigatoriamente submetido à aeração. viricida. como em grupos sulfidrila. inativando as enzimas e outras proteínas que têm átomos de H lábeis. O anel da molécula do óxido de etileno se rompe para formar –CH2 –CH2O que se insere entre átomos de enxofre e hidrogênio do grupo sulfidrila: o Desvantagens a) Alto custo. esporicida. vidros e materiais elétricos. b) Temperatura baixa 47-60 C. H2C O H2C + R. O aparelho esterilizador a ETO é formado de um conjunto de três unidades: Uma autoclave (câmara grande) tendo o gás ETO e vapor d’água. Tendo condições adequadas de temperatura. que consiste na circulação de ar filtrado. Óxido de Etileno Vantagens a) Bactericida. O óxido de etileno atua como alquilante. d) Equipamento anestesia. Concentração do gás 450 mg/L. o que recomenda muito o seu emprego. c) Grande variedade de materiais. após a esterilização. seringa. O ar passando pelos materiais faz a remoção dos resíduos de gás retido nos mesmo. Condições: • • • • Temperatura entre 49 e 60oC. Umidade de 20 a 40%.CH2.SH (enzima ativa) R. O uso de óxido de etileno requer equipamentos adequados de alto custo. o ETO é muito eficiente. Uma câmara secadora onde o material.OH (enzima inativa) 26 . b) Tóxico.anestesia e seringas sem danificá-los. c) Inflamável. Um painel de controle onde está conectado o cilindro de mistura de gases. Pode ainda ser utilizado em metais. tempo e concentração do gás. Tempo de exposição de 2 a 12 horas.SCH2. pressão de vapor d’água.

introduzindo um radical (CH2). incolor – paraformaldeído – que libera formaldeído pelo aquecimento. de estrutura simples (HCOH). A sua ação é com os grupos amino. Tem a desvantagem do baixo poder de penetração.Formaldeído O formaldeído. A ação dos álcalis depende do seu grau de 27 . como quartos de doentes contagiosos. mas é menos tóxico e dez vezes mais eficiente. mas é extremamente tóxico. O formaldeído é utilizado na forma gasosa para esterilizar áreas fechadas. Outras substâncias de interesse na prática médica Álcoois: os mais usados são o álcool etílico e o isopropílico. Ácidos e Álcalis: a variação acentuada de pH pode resultar em cessação do metabolismo e morte do microrganismo. carboxila e sulfidrila. hidroxila. Requer presença de água (álcool a 70%) para sua atividade máxima. formando uma substância sólida. forma em que é comercializado. O álcool desestrutura os lipídios da membrana celular e desnatura as proteínas bacterianas. temperatura ideal de 22oC e umidade de 60 a 80%. Usado na desinfecção de endoscópios e equipamentos de terapia respiratória. alterando a estrutura das proteínas e ácidos nucléicos. Em temperatura ambiente o formaldeído polimeriza-se. seus vapores são irritantes às mucosas. Age lenta mas efetivamente. é estável em altas concentrações e temperaturas elevadas. Glutaraldeído Age de modo semelhante ao formaldeído. após a desocupação. Formalina é a solução aquosa de formaldeído (37 a 40%). A umidade e temperatura têm grande influência sobre sua ação antimicrobiana. O álcool etílico é muito usado na degermação da pele e desinfecção de superfícies. A ação dos ácidos depende do seu grau de ionização: da concentração hidrogeniônica no caso dos ácidos minerais ou da natureza de suas moléculas no caso dos ácidos orgânicos. algumas vezes em combinação com iodo.

excretas. Os iodóforos liberam iodo lentamente. Os iodóforos são complexos de iodo com detergentes ou outras moléculas carreadoras. por exemplo: os sabões e produtos sintéticos semelhantes aos sabões. da concentração de íons hidroxila e do íon metálico do álcali. usado em quartos de doentes. Estes compostos têm amplo espectro bactericida e bacteriostático mesmo em altas diluições contra bactérias Gram positivas e Gram negativas. É encontrado em duas formas: Tintura de Iodo e iodóforos. Os detergentes agem sobre os lipídeos da membrana celular alterando sua função ou desintegrando-a. b) Detergentes catiônicos de carga elétrica positiva.dissociação. São: peróxido de hidrogênio. iodo. A prata combinada com proteínas é antisséptico de mucosas do nariz e garganta: Argirol. cloro e compostos que liberam lentamente o cloro (cal clorada). apresenta-se menos tóxico ao organismo humano que o próprio metal. Ambos possuem boa atividade antimicrobiana. Protargol. Detergentes: são agentes surfactantes ativos e podem ser aniônicos ou catiônicos. Os produtos sintéticos são mais solúveis e mais baratos que os sabões convencionais. como o cloreto de benzalcônio. vagões. O iodo é anti-séptico muito utilizado nas práticas médicas. É de efeito imediato. O hidróxido de cálcio é um deles. são pouco tóxicos e não corrosivos. Os mais usados são os detergentes de compostos quaternários de amônio. É de alto poder desinfetante. etc. O iodo reage especificamente com resíduos de tirosina das proteínas e inativa as enzimas que contém pontes de dissulfeto. 28 . Oxidantes: inativam as células oxidando os grupos sulfidrila livres. a) Detergentes aniônicos têm hidrocarboneto de cadeia longa de carga elétrica negativa. Os compostos quaternários de amônio são muito solúveis em água. O mercúrio quando combinado a outras substâncias. não irritam a pele. muito utilizado na anti-sepsia da pele. também desnaturam as proteínas. Por exemplo: mercúrio cromo. não tem odor irritante e não tingem os tecidos. Metais Pesados: os mais usados são mercúrio e prata. Estes metais agem inativando as enzimas bacterianas através do grupo sulfidrila. Mertiolato.

Tipos Morfológicos Embora existam milhares de espécies bacterianas. Coco-oval (alongado) Exemplo: Streptococcus pyogenes. c. Identificar nas preparações microscópicas focalizadas a forma da célula e o grupamento. em chama de vela e riniformes. b.2: CAPÍTULO 2: TIPOS MORFOLÓGICOS DE BACTÉRIAS E GRUPAMENTOS BACTERIANOS Objetivos a. granulações). * VER PRANCHAS DE MORFOLOGIA NAS AULAS PRÁTICAS Esférico: Completamente arredondado. c) Ondulada. b) Alongada. as suas células podem agruparse em três tipos morfológicos fundamentais: a) Arredondada. Observar e comparar a morfologia das diversas bactérias em lâminas focalizadas. Verificar se nos grupamentos há ou não arranjos sempre com o mesmo número de células. Observar estruturas bacterianas no interior das células (esporos. COCOS Forma arredondada (perfeitamente esféricas. d. 29 . elípticas. Exemplo: Staphylococcus aureus.

Obs: Os bacilos eram também denominados bastonetes até alguns anos atrás. BACILOS Forma alongada ou cilíndrica.Pneumococo (em forma de gota. VARIAÇÕES BACILARES: Finos e curtos: têm extremidades arredondadas. Proteus. chama de vela) Exemplo: Streptococcus pneumoniae. Shigella. Parece um fio de cabelo. espessura e forma das extremidades). Exemplo: Leptotrix buccalis. Exemplo: Bacillus. como será visto nas aulas de Patologia Médica Molecular – BP334). Curtos. Pseudomonas. No entanto. espessos e extremidades rombadas. Lactobacillus sp. Mycobacterium. Finos e longos (forma filamentosa). (variações: quanto ao comprimento. Exemplo: Salmonella. Finas longas e extremidades agudas. Fonte: Fernando Bortolozzi Gonococo e Meningococo: Forma riniforme (em forma de feijão ou rim) Exemplos: Neisseria gonorrhoeae (G) Neisseria meningitidis (M). a denominação “bastonete” é de uso mais aconselhável para os neutrófilos imaturos que saem da medula óssea mielóide e vão para a corrente sanguínea suprir necessidades fisiológicas durante uma infecção (desvio à esquerda. 30 . Bastonetes. prefere-se o termo BACILO. Portanto para bactérias alongadas.

* VER PRANCHAS DE MORFOLOGIA NAS AULAS PRÁTICAS Nos bacilos. espiralada ou helicoidal. FORMAS ONDULADAS Forma ondulada. movendo-se à custa de flagelos. ao contrário dos cocos. nos quais essas dimensões permanecem quase iguais. Curta e arredondada (cocobacilo). Exemplo: Spirillum b) Espiroqueta: corpo flexível e móvel com o auxílio de filamentos axiais presentes sob a camada externa. Haemophilus sp. sempre o comprimento predomina sobre a espessura no mínimo uma vez e meia. Exemplo: Treponema pallidum 31 .Exemplo: Fusobacterium nucleatum. Compreende: a) Espirilos b) Espiroquetas c) Vibriões a) Espirilo: possui corpo rígido. Exemplo: Brucella.

c) Vibrião: em forma de vírgula. espessura. Treponema pallidum Leptospira interrogans 32 . regulares e apertadas à semelhança de dentes de serra. apenas um seguimento de espiral. abertas e irregulares. Exemplo: Borrelia. Outras têm espiras numerosas. 2005 Outros: Entre espirilos e espiroquetas aparecem diferenças notáveis de comprimento. Exemplo: Vibrio cholerae Imagens: Tortora. Algumas possuem pequeno número de espiras. número e amplitude de espiras.

Estreptobacilos (em cadeia): (Geralmente esporulam) Imagens: Tortora. Neisseria gonorrhoeae Neisseria meningitis (GONOCOCO e MENINGOCOCO) 2. 2005 33 . Estas multiplicação. Streptococcus pneumoniae (PNEUMOCOCO) Streptococcus pyogenes Estafilococos (irregular ou cacho de uva) Staphylococcus aureus Tétrades (cocos de 4 em 4 elementos.GRUPAMENTOS BACTERIANOS Ao lado da forma da célula. chamadas de grupamentos. os grupamentos não apresentam tanta importância: 1. Diplobacilos (dois a dois): 2. Podem ocorrer os seguintes arranjos: Imagens: Fernando Bortolozzi e Tortora. é importante o conhecimento das diferentes disposições que as bactérias apresentam. simetricamente) Micrococcus Sarcina (8 elementos. 2005 h associações são explicadas por peculiaridades dos processos de NOMENCLATURA DO GRUPAMENTO Diplococos (dois a dois) 1 2 Estreptococos (cadeias) FORMATO EXEMPLOS 1. pelos quais pode-se diferenciar gêneros bacterianos. formando cubos simetricamente) Sarcina (não visível no plano do MO) Quanto às células alongadas.

Globias: bacililos agrupados em formas concêntricas que se assemelham a um globo. Um dia foram cocos. esses microrganismos perdem sua forma original.3. como por exemplo. Observação: em uma preparação microscópica. etc.). espirilos etc. composição do meio. não formando grupamentos. Um outro movimento pós-divisional é em dobra. a Yersinia pestis. Involutivas: Bactérias em degeneração. As células deste tipo mostram aspectos de intumescimento. Quando em meio inadequado (pH. uma vez que nunca tiveram forma definida). aberrantes ou intumescidas. Mycobacterium leprae (GLOBIA) Imagens: Fernando Bortolozzi 5. Independe das condições do meio. O2. bacilos. Alguns bacilos podem agrupar-se em paliçada. Proteus. Formas de Involução e Pleomórficas Pleomórficas: são bactérias sem parede e justamente por isso não têm forma definida ORIGINALMENTE (não se enquadram em cocos. produtos tóxicos vindos do próprio metabolismo bacteriano. onde as células formam ângulo à semelhança de letras e o conjunto lembra letras chinesas: Corynebacterium diphteriae 6. Chlamydia e o bacilo diftérico.. observar a morfologia celular e o grupamento predominante. bacilos. Mycoplasma. toxinas. quando o movimento pósdivisional é de deslizamento: Mycobacterium tuberculosis (PALIÇADA) 4. aberrantes e em degeneração. Exemplos: Haemophilus. As formas onduladas apresentam-se individuais. 34 . etc.

Definição Colônia é o crescimento dos microrganismos em meio sólido. pH.5mm) até alguns centímetros de diâmetro. vermelha. branca. Avaliar a importância destes dados na sistemática bacteriana. atmosfera.3: CAPÍTULO 3: MORFOLOGIA COLONIAL Objetivos 1. brilho. • Forma: Circular Irregular Rizóide ou arborescente • 35 . Identificar as principais características culturais de bactérias. cor. amarela citrina. etc. consistência. cromogênese (pigmento solúvel ou não). temperatura.. elevação. Pode-se considerar as seguintes características coloniais pela variação de: tamanho. as bactérias apresentam uma notável constância de caracteres. etc. Introdução Fornecendo as mesmas condições de cultivo relacionadas à composição do meio de cultura. tipos de bordas. amarela clara. superfície. Características das Colônias Tamanho: puntiformes (menores que 0. • Cor: amarela ouro. transparência. forma. rosada. a colônia representa a descendência de uma única célula. alaranjada. castanha. 2. Em condições ideais. facilitando a caracterização e a identificação das bactérias. com pigmento difusível ou não.

transparente • Brilho: Fosca. translúcida. viscosa. raiada Papiliforme • Com círculos concêntricos • Consistência: Cremosa. rugosa. brilhante 36 . granulosa. pregueada.• Bordas: Lisa Denteadas Lobadas Elevação: Convexa alta Onduladas • Convexa baixa Acuminada Espraiada Centro-saliente Umbilicada Centro-deprimida Superfície: Lisa. seca • Transparência: Opaca.

soros aglutinantes. 4. Fechar e incubar a 36oC durante 48h. para justificar a necessidade de assepsia nos trabalhos bacteriológicos. Contar as colônias desenvolvidas. etc. 2) Prevenção de contaminação em salas de curativos.. cirurgias. Contagem Meio de cultivo: ágar simples (ASI) distribuído em placas de Petri de 10 cm de diâmetro. as placas abertas em diversos locais da sala de aula por 30 minutos (por exemplo). placas. Técnica 1. pipetas.) Objetivos 1) Avaliar o ambiente quanto a presença e número de bactérias viáveis não exigentes. Expor à contaminação. pelo ar. material patológico. 3) Estudar as diferentes características coloniais.4: CAPÍTULO 4: VERIFICAÇÃO DA PRESENÇA DE BACTÉRIAS NO AR E SUA CONTAGEM ATRAVÉS DE CULTIVO Observação A partir deste capítulo as aulas práticas serão participativas ou demonstrativas dependendo da disponibilidade de material para sua execução (meios de cultura. 2. etc. 3. aeróbias e mesófilas. Calcular a quantidade de bactérias por m2 de acordo com os seguintes dados: 37 .

Tempo de exposição: 30 minutos. Exemplo: 10 UFC → 0. Área da placa de 10 cm de diâmetro = 0.5 hora x→ 1 hora x = 2. b.007854 m2 x→ x = 1.a.546 UFC/m2/h UFC = Unidades Formadoras de Colônia 1 m2 38 .273 → 0.007854 m2.273 UFC/m2 em uma hora: 1.

Gota pendente.. 2. iniciar a identificação das bactérias. variando com a necessidade de obter dados como: mobilidade.. .. etc. Vivas: pelos exames a fresco. Introdução Existem muitos tipos de preparações microscópicas. Preparações a Fresco Campo Claro .Entre lâmina e lamínula. propriedades tintoriais.5: CAPÍTULO 5: PREPARAÇÕES MICROSCÓPICAS Objetivos Familiarizar o aluno com as técnicas de preparações microscópicas. 39 . A bacterioscopia pode ser feita com o objetivo de observar bactérias: 1. • Campo Escuro . Coloração Simples – um corante. estruturas celulares. A coloração composta é usada para evidenciar estruturas celulares e as propriedades tintoriais. Coloração Composta ou Diferencial – dois ou mais corantes • • • • A coloração negativa e a coloração simples são usadas para observar a presença de bactérias e sua morfologia. visando a observação dos microrganismos. Servem para observar a mobilidade e/ou presença de bactérias. Pelas características vistas. Mortas: em preparações coradas. Preparações Coradas Coloração Negativa – usando contraste.Entre lâmina e lamínula.

Em seguida passar para 40x aumentando convenientemente a intensidade da luz. Sobre uma lamínula colocar uma pequena quantidade do Técnica de preparação em gota pendente líquido a ser examinado.Preparações a Fresco Nas preparações a fresco os materiais líquidos como urina. 40 . Voltar rapidamente a lâmina à sua posição normal. pode-se cercar as gotas com Vaspar (mistura de vaselina e parafina). deve-se diluí-lo em soro fisiológico estéril. Untar as bordas da concavidade com Vaspar. LCR. 1. Inverter a lâmina escavada sobre a lamínula e pressioná-la levemente para aderir ao Vaspar. em solução aquosa a 1%. podem ser examinados tais como se apresentam ou centrifugados e examinando-se o sedimento. 3. Nesses casos recorre-se aos corantes vitais. algumas vezes torna-se difícil observá-las. Usa-se para esta técnica a lâmina escavada de Koch (lâmina com ± 3 mm de espessura com concavidade central). mas como as suas células têm um índice de refração próximo ao da água. vermelho neutro. Quando se tem material espesso (patológico ou de cultivo). entre outros. Observar ao microscópio com quantidade reduzida de luz e objetiva de pequeno aumento (10x) para uma visão Técnica de preparação entre lâmina e lamínula panorâmica. azul de Nilo. com pouca luminosidade. Observação: para evitar a dessecação do material. Os mais usados são: azul de metileno. exsudatos. meios de cultivo líquidos. A lamínula colocada ficará aderida ao Vaspar. 1) Sobre uma lâmina colocar uma ou duas gotas do líquido a examinar. Pode-se examinar as bactérias ao natural. fechando a preparação. Na falta de Vaspar pode-se utilizar vaselina sólida ou lanolina. 4. 2. atóxicos (para não prejudicar a mobilidade). 2) Cobrir com lamínula.

VISTA DE CIMA Lâmina Vaspar

CORTE TRANSVERSAL (APÓS A MONTAGEM) Lâmina Lamínula Vaspar

escavação (concavidade)

Gota Pendente

Preparação a fresco em campo escuro Serve para a mesma finalidade que as técnicas precedentes, mas especialmente usada para observar bactérias muito delgadas, que são invisíveis em campo claro. Utilizada para observar a presença de espiroquetas em materiais como serosidade de cancro sifilítico (Treponema pallidum) ou urina suspeita de conter Leptospira (urina recém emitida e centrifugada, utilizar o sedimento). O campo escuro ao microscópio é obtido usando-se um condensador especial (como o cardióide) que impede a penetração de raios diretos de luz sobre o material examinado. As bactérias são iluminadas lateralmente, contrastando com o fundo escuro. A técnica de montagem da preparação é a mesma que entre lâmina e lamínula.

Preparações Microscópicas Coradas São as mais usadas em bacteriologia, onde as bactérias estão mortas e artificialmente coradas. Este tipo de preparação, que compreende a coloração de Gram, é muito importante na identificação presuntiva de microrganismos. A morfologia da célula, sua disposição e propriedades tintoriais são freqüentemente suficientes para definir o gênero. Etapas das preparações coradas: 1) Esfregaço 2) Fixação (a quente ou a frio) 3) Coloração

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1. Esfregaço: consiste em depositar o material a examinar no centro de uma lâmina e espalhá-lo numa espessura apropriada. Deixar secar espontaneamente ou numa estufa a 37oC. Se o material a examinar pela bacterioscopia for muito espesso (patológico ou cultivo), deve ser diluído em salina ou água estéril. Se for material líquido e pobre em microrganismos, deve ser centrifugado (urina, por exemplo); derrama-se o sobrenadante e examina-se o sedimento. 2. Fixação: tem por objetivo fixar o material à lâmina para que não se desprenda durante os procedimentos ulteriores. A fixação pode ser feita a quente ou a frio. Em ambos os casos há coagulação de célula bacteriana que a faz aderir à lâmina. A Quente • Pode ser feita “serrando” com a lâmina a chama da lâmpada ou bico de Bunsen, duas a três vezes, com a face que contém o material voltada para cima, para não ter contato direto com a chama. • Derrama-se álcool sobre a preparação e inflama-se. Observação: a exposição excessiva ao calor deforma a morfologia da bactéria e com aquecimento insuficiente haverá desprendimento do material. A Frio • Para não alterar muito a morfologia bacteriana ou quando há interesse de observar o aspecto citológico do material, como exsudatos, sangue, líquor, etc., usa-se fixação a frio, cobrindo o esfregaço com substâncias químicas: - Mistura de álcool e acetona. - Formol. - Solução de cloreto de mercúrio, etc.

3. Coloração propriamente dita: seguir as instruções do método de coloração a ser usado. Nos casos em que se queira observar apenas a presença de bactérias ou conhecer a sua morfologia ou grupamento, recorre-se à COLORAÇÃO SIMPLES, onde se usa um corante qualquer: azul de metileno, fucsina, violeta de genciana, etc.

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Coloração Simples Técnica 1. Cobrir o esfregaço com o corante e deixar agir um minuto; 2. Lavar com água; 3. Secar. Examinar no MO com a objetiva de 100x em imersão.

Coloração Composta ou Diferencial Nestas colorações participam fundamentalmente 4 componentes, cuja natureza química varia com o método escolhido. 1. Corante principal: é o primeiro a ser empregado determinando a característica tintorial (como por exemplo violeta de genciana na coloração Gram). 2. Mordente: é a substância que reforça a ação do corante principal (iodo no Gram). 3. Diferenciador: é o elemento que descora seletivamente as bactérias (álcool no Gram). 4. Corante secundário ou de fundo: é o que cora os elementos descorados pelo diferenciador (fucsina no Gram). O corante de fundo tem que ter cor contrastante com o corante principal. A coloração diferencial universalmente aceita, e usada em todos os laboratórios de bacteriologia, é a coloração de Gram, que separa as bactérias em dois grandes grupos: 1) Gram positivas. 2) Gram negativa.

A propriedade tintorial revelada pelo Gram está relacionada à composição química da parede celular bacteriana.

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COLORAÇÃO DE GRAM
Técnica 1. Cobrir o esfregaço com Violeta de Genciana e deixar agir durante 1 minuto. 2. Derramar o corante e cobrir com lugol, 1 minuto. 3. Lavar com água. 4. Descorar pelo álcool (tempo crítico) aproximadamente 15 segundos. 5. Lavar com água. 6. Cobrir com fucsina de Ziehl diluída 1:10, durante 30 segundos. 7. Lavar com água. 8. Secar. Observação: existem diversas modificações do método de Gram. Alguns laboratórios substituem a Violeta de Genciana (penta e hexametil pararosanilina) por Cristal Violeta (hexametilpararosanilina) que tem poder corante superior. As bactérias submetidas ao método de Gram comportam-se da seguinte maneira:
(Fonte: Tortora, 2005)

Etapa Até a 3a etapa Após a 5a etapa Após a 7a etapa

Gram Violeta Violeta Violeta

Gram Violeta Incolor Vermelha

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Essas bactérias que produzem β- 45 . Esses antibióticos são assim chamados porque em sua composição têm um anel beta-lactâmico. ligados à muranato 15 a 20 camadas de peptideoglicano (90%) (+ ESPESSAS) Tem pouco lipídeo (2%) e poucos aa Tem adjacente à membrana plasmática uma parede celular Formam PROTOPLASTOS: é a membrana de uma bactéria gram +. É um importante local de produção de enzimas. Detalhes serão vistos na disciplina de Patologia Médica Molecular (BP334). 2005 *** LPS: são pirogênios exógenos (geram calor) – No organismo humano. β-lactâmicos são uma classe de antibióticos. ativando proteínas do choque térmico. a elevação da temperatura do corpo está relacionada a melhorar a resposta imune do indivíduo em resposta a bactérias patogênicas. estimulam leucócitos. a Il-1 e o TNF estimulam a produção de PGE-2 (prostaglandina E2) no hipotálamo. sem lipoteicoato ± 1-2 camadas de peptídeoglicano (5-10%) (+ FINAS) Mais lipídeo (20%) e muitos aa Possui uma 2ª membrana ancorada às camadas de peptideoglicano (chamada membrana externa) externa à parede celular Formam ESFEROPLASTOS: quando a bactéria perde a parece celular. Porém sobrevive só com o protoplasto. diga-se de passagem. etc). Uma enzima muito importante. pois ela influencia na terapêutica antibiótica.GRAM – Microscopia: Rosa Possui uma parede celular mais diversificada. que controla a temperatura corporal via AMPc. os antibióticos mais utilizados no tratamento de infecções (leia-se penicilinas. Se perdê-la. podem ser um dos produtores de febre. Além disso. como acontece na gripe por exemplo. Esses mediadores estimulam a ativação das integrinas dos neutrófilos no endotélio para que eles migrem. Ou seja. carbapenêmicos. Esses leucócitos estimulados liberam os pirogênios endógenos Interleucina 1 (IL-1) e fator de necrose tumoral (TNF). Por fim o hipotálamo aumenta a temperatura corporal. * Espaço periplásmico: é o espaço entre as camadas de peptideoglicano. entre elas a β-LACTAMASE. em local e condições adequadas. via rolamento. Tais proteínas proteínas aumentam a atividade os linfocitária. cefalosporinas. Uma vez que o TNF e a IL-1 estão elevados. não consegue refazê-la. para o tecido conjuntivo em combate às bactérias patogênicas. Menos polissacarídeos CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Fonte: Robbins. o sono aumenta e o apetite diminui. Mais polissacarídeos e presença de lipídeo A formando os lipopolissacarídeos (LPS***) GRAM + Microscopia: Roxo Possui filamentos de teicoato. Quando os macrófagos fagocitam os produtos bacterianos. Quando restam partes da PC. essa PC pode ser refazer.

Eles inibem as β-lactamases e deixam o antibiótico agir (penicilina). Haemophilus. Até porque clinicamente não se sabe se trata-se de uma infecção por estafilococos. Por isso. Ex: Clavulanato. deve ser prescrever um antibiótico JUNTO COM UM INIBIDOR DAS BETA LACTAMASES. uma vez que não será destruída pela ação dessas enzimas. esses antibióticos inibem essas enzimas (que geralmente se localizam na superfície externa da MP). 46 . Escherichia coli. muitas vezes. são capazes de destruir esse anel dos antibióticos por hidrólise. ao verificarmos a Gram positividade ou Gram negatividade. etc. por exemplo: esta bactéria não produz β-lactamases. a própria bactéria causadora da infecção pode ser produtora dessas enzimas. Streptococcus. Sulbactam.). esses antimicrobianos fazem a inativação dos inibidores das enzimas autolíticas na PC. O mecanismo é simples. dará cabo das bactérias. Proteus. Prescreve-se um antibiótico β-lactâmico com um inibidor de β-lactamases que faz inibição enzimática e deixa essas penicilinases sem atividade catalítica. Moraxella. Essas enzimas degradam o fármaco que iria matar a bactéria causadora da infecção e o medicamento acaba falhando. teremos informações referentes à natureza química da parede celular e do seu comportamento frente aos agentes antimicrobianos (antibióticos. deixando a parede celular frouxa. etc). O clavulanato inibe as beta-lactamases e a amoxicilina. É UM IMPORTANTE MECANISMO DE RESISTÊNCIA AOS ANTIBIÓTICOS! As principais bactérias que a produzem são os estafilococos (Staphylococcus aureus principalmente). Veillonella Bacillus. Pseudomonas. proteínas fixadoras de penicilina. Medicamentos com inibidores de β-lactamases: Amoxicilina + Clavulanato de Potássio (Clavulin®). corantes. Listeria Enterobacteriaceae (Salmonella. estreptococos. Moraxella e a maioria dos BGNs intestinais como a Escherichia coli. mesmo para infecções estreptocóccicas. Mas. etc. Shigella. além disso. Além disso. De tal modo que. Alcaligenes O comportamento tintorial frente ao Gram está relacionado intimamente a outras propriedades das bactérias. muitas vezes. Ou seja. Clostridium. Existem enzimas responsáveis pela síntese de peptideoglicano. Amoxicilina + Sulbactam (Trifamox IBL®) Mecanismo de ação dos B-lactâmicos: Inibição da síntese de peptideoglicano. Estreptococos geralmente não são capazes de produzir β-lactamases. Corynebacterium. Brucella. mas algumas bactérias da microbiota residente as produzem. No entanto. Moraxella. Exemplos de bactérias Gram positivas e Gram negativas mais comuns: Cocos Gram positivos Staphylococcus. Enterococcus. Bordetella. Micrococcus. Haemophilus influenzae. são transpeptidases e carboxipeptidases.lactamases. deixando o mecanismo de ação antimicrobiano inativo. etc. Há vários esquemas de posologia que serão vistos nas disciplinas clínicas. Lactobacillus. as PBP (Penicillium Binding Protein). Antibiótico de primeira escolha para infecções de vias aéreas superiores. Sarcina Cocos Gram negativos Bacilos Gram positivos Bacilos Gram negativos Neisseria (gonorrhoeae e meningitidis). em uma infecção tipo tonsilite por Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta hemolítico do grupo A de Lancefield produtor de estreptolisina).

O fenômeno de ácido-álcool resistência é atribuído à presença de um alto teor de lipídeos. 99 mL 1 mL • • 47 . dificilmente tomam as cores da anilina.COLORAÇÃO DE ZIEHL-NEELSEN: A Evidenciação de Bacilos Álcool-Ácido Resistentes (BAARs) Certas bactérias. aumenta-se a concentração do ácido fênico (mordente) da solução corante. mas uma vez coradas por técnicas apropriadas fixam fortemente o corante. a ponto de resistir à ação de descorantes como o álcool e ácidos minerais fortes e diluídos. prolonga-se a exposição ao corante (5 a 10 minutos) e aplica-se o calor (aquecimento) durante o tempo de coloração. como o bacilo da tuberculose e da hanseníase. tais como o ácido nítrico. Daí o uso corrente do método de Ziehl-Neelsen ou de suas numerosas modificações para identificação das bactérias. sobretudo na parede celular. que assim se comportam e por isso são chamadas Bacilos Álcool-Ácido Resistentes (BAAR). Composição dos Reativos Usados no Ziehl-Neelsen Fucsina fenicada Fucsina básica Álcool 95 o • 0. sulfúrico ou clorídrico. Para vencer a resistência à coloração. No descoramento são usados o álcool e soluções de ácidos minerais. que se opõe à penetração do corante.3 g 10 mL 5 mL 95 mL Fenol fundido Água destilada Observação: em outras colorações usa-se o fenol aproximadamente em quantidade 5 vezes maior. Diferenciador Álcool etílico 95o Ácido clorídrico Corante de fundo Solução de azul de metileno.

2. Quando cessar a emissão de vapores. e os outros elementos coram-se em azul. 1 minuto. Por estas razões. cor da fucsina. devido à natureza lipídica das estruturas mais superficiais: são microrganismos delicados que perdem a morfologia se forem fixados pelo calor numa preparação microscópica. Fixar o esfregaço pelo calor. leucócitos. Lavar. 6. a partir deste momento. filamentos de muco. Não ferver nem deixar secar. 4. 7. Corar com azul de metileno. 5. as técnicas mais comuns são as seguintes: 1. Métodos de impregnação pela prata: Fontana-Tribondeau. COLORAÇÕES DE ESPIROQUETAS Os espiroquetas são microrganismos muito delgados (a maioria tem cerca de 0. Lavar com água. de corpo flexuoso e deformável durante o movimento. outros bacilos. cor do azul de metileno (no caso do escarro: cocos. contar 5 minutos. até não sair mais o corante. 4. Morosov. etc. aquecer a lâmina novamente. 48 .). etc. Coloração negativa com tinta-da-China (método de Burri). Cobrir com fucsina de Ziehl e aquecer até o desprendimento de vapores. A maior parte cora-se com dificuldade. Descorar com álcool ácido. Lavar com água. Método de Giemsa. Exame a fresco em campo escuro.2 µm de espessura). 3.Técnica 1. Os bacilos álcool-ácido resistentes aparecem em cor vermelha. células epiteliais. helicoidais. 2. para observá-los. secar. 3.

Deixar secar. Uma das maneiras de preparar a lâmina para coloração negativa segue esta técnica: 1. hialinas. Fontana-Tribondeau (Impregnação pela Prata) Método tradicional para a identificação de espiroquetas como o Treponema palidum. 3. etc. Gotejar tinta-da-China. diferenciadores. 2. estender sobre a primeira lâmina. Usando outra lâmina (não esborcinada). que possam desidratá-la ou deformá-la.Coloração Negativa (Método de Burri) São preparações com tinta-da-China (Nanquim) ou Nigrosina. contrastando com o fundo escuro formado pela tinta-da-China. Examinar em imersão. incolores. isto é. bacilo diftérico. uma vez que não usa fixação pelo calor.. associação fuso-espiralar ou cápsulas bacterianas. reunir os dois materiais e inclinando-a num ângulo de ± 40o. Usada para evidenciar: espiroquetas. É um método que deforma em menor grau a célula bacteriana. Composição dos reativos no método de Fontana: Fixador (Líquido de Ruge) Ácido acético – 1 mL Formalina – 2 mL Água destilada – 100 mL Mordente Tanino – 5g Água fenicada a 1% – 100 mL Solução impregnadora Nitrato de prata amoniacal 49 . Os elementos (bactérias) aparecerão como se apresentam em natureza. 4. à maneira de esfregaços de sangue. Colocar o material a examinar sobre a lâmina. corantes.

método de Albert Laybourn. 6. tomam uma cor diferente da do corante. durante 1 minuto. Cobrir com solução de nitrato de prata e aquecer até a emissão de vapores durante ½ minuto. apresentam o fenômeno de metacromasia. Cobrir com líquido de Ruge e deixar agir por 1 minuto. 2. As bactérias aparecem de cor marrom e o fundo da lâmina amarelo. COLORAÇÃO DE GRANULAÇÕES METACROMÁTICAS As granulações metacromáticas são as que tratadas por certos corantes. difteróide e lactobacilo. Método de Albert Laybourn Reativos da Coloração de Laybourn Solução de Laybourn Azul de toluidina Verde malaquita Ácido acético glacial Álcool a 95% Água destilada Mordente Lugol forte 50 . usam-se métodos de coloração especiais. Exemplo: método de Neisser. 7. Lavar com água. aquecendo a lâmina até a emissão de vapores. Cobrir com solução de tanino fenicado. 4. isto é. são encontradas em determinadas bactérias como: Spirillum volutans. 5. São também chamadas de granulações de volutina ou de Babes-Ernst. Para evidenciá-las. 3. Secar o esfregaço ao ar. os quais empregam corantes metacromáticos. bacilo diftérico.Processo 1. Lavar e secar ao ar. Lavar com água.

Secar. é o azul de toluidina. 5. Examinar em imersão.Técnica 1. Derramar o corante e cobrir com lugol por 1 minuto. 2. neste método. Fixar o esfregaço pelo calor. 3. 51 . Corar com solução de Laybourn por 3 a 5 minutos. Observação: o corante metacromático. Lavar com água. As bactérias aparecem coradas de verde-claro e as granulações ficam escuras (quase negras). 4.

pela mistura de diversas substâncias. obtemos a variação da consistência de acordo com a necessidade. Outros consistem em tecidos vivos (cultivo de tecidos) usados para Rickettsia e vírus. como cocção. dependendo das exigências nutritivas da espécie em estudo. Artificiais São preparados no laboratório. Aumentando ou diminuído a porcentagem do ágar. QUANTO À CONSISTÊNCIA Sólidos Semi-sólidos Xaroposos Líquidos A solidificação geralmente é feita acrescentando o ágar aos meios líquidos. Exemplos: caldo simples. A composição varia ao infinito. É um solidificante ideal porque: 52 . batata. Os meios de cultura microbiológicos consistem em uma mistura de substâncias nutrientes mais ou menos complexa.6: CAPÍTULO 6: MEIOS DE CULTURA O conjunto de substâncias nutritivas em que se cultivam os microrganismos em laboratório chama-se meio de cultura. QUANTO À PROCEDÊNCIA Naturais São usadas substâncias assim como elas se apresentam na natureza ou apenas com pequenas modificações. consistência. Os meios de cultura podem ser divididos em diversos grupos de acordo com a procedência. Exemplos: suco de tomate. Alguns meios compõem-se apenas de soluções de sais inorgânicos. composição e finalidade. leite. O ágar é extraído de algas marinhas (gênero Gelidium é uma delas) de natureza química polissacarídica (D-galactose e L-galactose). água peptonada. As exigências são decorrentes do maior ou menor poder de síntese da espécie. outros se preparam com ingredientes complexos como extratos de tecidos ou órgãos de animais.

uma vez liquefeito. 3. só se liquefaz à temperatura de 100oC (próprio até para o cultivo de termófilas = 65oC a 70oC). 53 . como proteínas termocoaguláveis (sangue. aminoácidos. Exemplos: ágar sangue e ágar soro. Também porque à temperatura de 36oC (temperatura própria para o cultivo da maioria das bactérias de interesse médico) ela apresenta-se líquida. 2. plasma sanguíneo. b) A sílica-gel é obtida pela ação de HCl sobre silicato de sódio. água peptonada. não possuir nenhum elemento nutritivo. Outras substâncias usadas para solidificar os meios de cultura são: a) Gelatina. Tem a vantagem de apresentar composição química definida. b) Sílica-gel. Não é metabolizado pelas bactérias de interesse médico (apenas algumas espécies marinhas o digerem). proteína da soja. fato que se aproveita para cultivar bactérias incorporadas ao meio de cultura a esta temperatura. Em seguida deixa-se solidificar (semeadura de Pour-Plate). gelose simples. caldo simples.1. vai solidificar apenas ao redor de 45oC. Enriquecidos São meios adicionados de substâncias altamente nutritivas. Uma vez na consistência de gel. extratos de órgãos de mamíferos. a) A gelatina é obtida a partir de osseína. ideal para solidificar os meios sintéticos. QUANTO À COMPOSIÇÃO Simples São destinados ao cultivo de germes pouco exigentes ou servem de base para outros meios. uma proteína rica em aminoácidos. Apresenta a desvantagem de ser hidrolisada por algumas bactérias. etc. Exemplos: solução aquosa de sais minerais. líquido de ascite). formando ácido silícico. Usados no cultivo de bactérias exigentes. com o que perde sua qualidade de gel.

consultar Diagnóstico Microbiológico (6a edição) 2001. inibe a proliferação de germes Gram positivos. Chapmann e SS. A penicilina e outros antibióticos são usados com a mesma finalidade. De Enriquecimento São os meios líquidos ou xaroposos que favorecem a proliferação dos germes. preparo e ajuste de pH de meios de cultura. Sobre a composição. possibilitando o desenvolvimento de outras. inibe o crescimento de algumas bactérias. Meios Sintéticos São meios de composição química bem definida.000. pela mudança da cor das colônias ou do meio de cultura. Os meios seletivos são sólidos. facilitando o seu posterior isolamento em meio sólido. O cristal violeta na concentração de 1:20. São usados quando as bactérias que se deseja isolar. hidratos de carbono e vitaminas. de Konemann e colaboradores. estejam em quantidade muito pequena ou quando a microbiota de acompanhamento seja muito rica. de modo que na cultura prevalecerá o germe que se deseja isolar. ao meio de cultura. constituídos de solução de sais minerais ou orgânicos. costuma-se adicionar substâncias impedientes ao meio. 54 .QUANTO À FINALIDADE Seletivos A adição de certas substâncias químicas. Seletivos-Diferenciais São os que simultaneamente selecionam e diferenciam as espécies. pela reação com produtos do metabolismo. Diferenciais São aqueles que permitem a diferenciação dos germes que neles crescem. Neste último caso. aminoácidos. sem afetar os Gram negativos. MacConckey. Exemplo: meio de Teague.

O cultivo de bactérias requer técnicas assépticas adequadas. evitar o aquecimento brusco para evitar os aerossóis). frascos. deixar na horizontal. • • Os procedimentos devem ser feitos de preferência por trás da chama. As alças devem ser levadas ao rubro em posição vertical em relação à chama de gás ou lâmpada de álcool. cujas propriedades servirão para caracterização e posterior identificação. Para semeadura em meios líquidos. para evitar contaminações. pipetas. 3. • As bocas de tubos. etc. Objetivos 1. Para isso devem ser observados os seguintes cuidados: • Os tubos e placas estéreis ou com material em estudo somente devem ser abertos próximos a uma chama onde se forma uma área estéril (ou se usar câmara asséptica). • Nunca abrir os tubos ou frascos na posição vertical. Treinar o aluno na manipulação dos meios de cultura. Introdução Em microbiologia nada pode ser feito antes de isolar a bactéria em cultura pura. Só então é que se pode caracterizá-la. 55 . ou seja. As alças ou agulhas devem ser flambadas imediatamente antes e após o uso (após o uso. O tubo com meio sólido. Semear o material em estudo (patológico ou não) para obter o isolamento da bactéria em cultura pura. inclinar o tubo em um ângulo de aproximadamente 40o.7: CAPÍTULO 7: ISOLAMENTO DE MICRORGANISMOS Técnicas assépticas de semeaduras para o isolamento e estudo das bactérias. Executar semeaduras em meios sólidos e líquidos. são flambadas ligeiramente antes e após a transferência de material. a cultura deve ser de uma única espécie. 2.. em condições de assepsia.

3. Não passar 2 vezes no mesmo local (salvo em semeaduras que Cuidados serão explicadas a seguir). Com semeadura por esgotamento (para descarregar a alça).Isolamento em Placas O isolamento em placas é o mais usado para obter cultura pura de amostras que contenham população mista. 2. 1. podese fazer estrias em quadrantes. muito 56 . As estrias não devem ser muito próximas nem muito distantes uma da outra (o objetivo é conseguir colônias isoladas). Esgotamento Ponto de recarregamento Na semeadura por estrias haverá crescimento confluente na área de esgotamento e nas primeiras estrias. Ocupar toda a superfície do meio de cultura. faz-se estrias superficiais de lado a lado da placa. Em seguida aparece um grande número de colônias isoladas. dão crescimento Colônias isoladas confluente Quando se tem material muito rico em bactérias (verificar pela bacterioscopia). flambando a alça na última estria do quadrante anteriormente semeado. Uma das maneiras corretas de semear Crescimento confluente Maneiras incorretas de semear Desperdício de meio de cultura sem conseguir culturas isoladas Estrias muito apertadas.

3. Existem diversas maneiras de fazer estrias. presumindo-se que são formadas por descendentes de uma única célula. etc. portanto constituindo cultura pura. proteínas. (são as provas bioquímicas) e estrutura antigênica (reação antígenoanticorpo). O importante é que no final se consiga colônias isoladas. Só no final haverá espaçamento maior entre as colônias e estas terão o tamanho característico da espécie. entretanto. Esta proximidade cria uma situação que pode ser chamada “aglomeração fisiológica” na qual as células competem entre si pelos nutrientes disponíveis e afetam-se mutuamente pelo acúmulo de produtos residuais. É necessária a análise de todos os aspectos: morfologia celular. 2. Logo após. a ordem de crescimento se torna muito complexa. Executar técnicas e interpretar resultados. Inicialmente o crescimento é exponencial em relação ao tempo. devido à proximidade das células acumuladas. A investigação de somente um tipo dessas características raramente é suficiente para identificar a espécie. dependendo da preferência ou habilidade do laboratorista. Observação: cultura pura é a condição indispensável para caracterização e identificação de bactérias. vai se preferir as colônias bem separadas. O crescimento em colônias é afetado não só pelas interações celulares dentro de cada colônia. 57 .próximas umas das outras e de tamanho pequeno. mas também por interações entre colônias vizinhas. Familiarizar o aluno com a seqüência de etapas para conseguir caracterizar e identificar a bactéria para fins de diagnóstico. A identificação fundamenta-se na observação de um complexo conjunto de caracteres. Para a próxima etapa de identificação. atividades fisiológicas relacionadas com os diversos metabolismos de carboidratos. morfologia colonial. Conhecer os princípios das provas bioquímicas diferenciais utilizadas na caracterização. Identificação de Bactérias Objetivos 1. conforme explicado anteriormente.

Provas de Fermentação Fermentação da Glucose Fermentação da Lactose Fermentação da Sacarose Fermentação do Manitol A aparência dos 4 tubos é igual. S e M.). gás sulfídrico (H2S). de que maneira ou se não o foi. Cada um destes substratos é misturado a meio nutritivo básico. G. levam a identificação das letras. 2) Nitrogenados protéicos (indol). citratase. sacarose e manitol. gelatinase. Voges-Proskauer. prova do indol. de acordo com a seguinte fórmula: 58 . L. Algumas so caracterizadas com menos de 10 provas. A quantidade de provas depende da espécie a caracterizar. acrescido do substrato a ser ensaiado. As provas bioquímicas baseiam-se no metabolismo de: 1) Carboidratos (fermentação de glucose. vermelho de metila. ela crescerá a custa do meio básico. Mesmo que a bactéria não utilize o substrato testado. lactose. Entre outras.8: CAPÍTULO 8: PROVAS BIOQUÍMICAS DIFERENCIAIS Através das provas bioquímicas verificam-se as transformações que ocorrem num substrato conhecido. Para realizar as provas bioquímicas usam-se meios de cultura contendo meio nutritivo básico. Os sistemas de provas bioquímicas tornaram-se cada vez mais sofisticados na atualidade. Cada microrganismo possui um sistema enzimático específico. outras exigem dezenas delas. 3) Nitrogenados não protéicos (urease). nitratase e mobilidade. pela ação das enzimas bacterianas. As provas bioquímicas que vão ser executadas em sala de aula prática são: provas de fermentação da glicose. Com auxílio de indicadores observa-se se o substrato foi degradado. lactose. urease. etc. respectivamente.

TRIPTOFANASE TRIPTOFANO INDOL + NH4+ + 59 . O OH FORMIASE H–C H2 + CO2 Os seguintes casos podem ser observados: 1) Cor vermelha (inicial) = reação negativa. Reação positiva = + ou A (ácido). 3) Cor amarela com gás = reação positiva com gás. Reação positiva com gás = + ou AG (ácido e gás). ácido pirúvico e NH3. 2) Cor amarela = reação positiva. Uma das técnicas de verificar a presença do indol é extraí-lo da fase aquosa por meio de éter e evidenciá-lo por meio do reativo de Ehrlich.Caldo simples 1000 mL Solução de carboidrato a 10% 100 mL Vermelho de fenol (indicador de pH) 2 mg Dentro do tubo com meio de cultura há um tubo pequeno. libera indol livre (benzil pirrol).ou 0 (zero). em casos que a bactéria elaborar a enzima formiase e que vai desdobrar o ácido fórmico (metanóico) em H2 e CO2. de boca para baixo (tubinho de Durham) que vai servir para captar os gases que se formam na decomposição do carboidrato. A notação usada para reações: Reação negativa = . PROVA DO INDOL (Derivados Protéicos) Meio de cultivo: • Água peptonada de fórmula: Peptona (triptofano) 10g Água 1000 mL O triptofano quando metabolizado por desamimação pela enzima triptofanase.

gotejar o reativo de Ehrlich até formar camada visível. 3) Pelas paredes do tubo inclinado. liberando o C. Só vai proliferar a bactéria que produzir a enzima citratase. Resultado Turbidez: prova positiva Limpidez: prova negativa 60 .Técnica 1) Agitar a cultura com éter (na proporção de 3:1). cuja fórmula é: Fosfato de sódio amoniacal Fosfato monopotássico Sulfato de magnésio Citrato de sódio Água Nota-se. pela composição. PROVA DA CITRATASE (Bactérias que usam Citrato como fonte de Carbono) O meio de cultura usado é o de Kirsh-Koser. que degrada o citrato. Os outros componentes são sais inorgânicos. que a única fonte de C é o citrato. 2) Deixar em repouso para estratificar as camadas. Resultado Cor vermelha imediata: prova + Cor amarela: prova POSITIVO NEGATIVO O princípio ativo do reativo de Ehrlich é: paradimetilaminobenzaldeido.

2. Detecção do H2S pelos sais de metais pesados é na forma de sulfeto do metal pesado que é preto. pode demorar de 3 a 4 dias para positivar. 61 . etc. Liberação do S a partir do composto sulfurado. liberando S na forma de H2S. um indicador de pH. azul de bromotimol. resultando a alcalinização do meio observada pelo indicador de pH. O substrato sulfurado vai ser hidrolisado pela enzima dessulfidrilase. O gênero Proteus hidrolisa rapidamente a uréia de 1 a 2h ou até 24h. O gênero Klebsiella é urease tardia. A uréia é uma diamida do ácido carbônico cuja fórmula é: Uréia A urease hidrolisa a uréia de acordo com a reação: A amônia reage em solução para formar carbonato de amônio. A seqüência de etapas que conduzem à produção e detecção do H2S é a seguinte: 1. PROVA DA UREASE O meio de cultura contém. Prova positiva = meio de cultivo enegrecido. metionina ou tiossulfato) e um indicador de reação (sal de metal pesado: ferro.). Acoplamento do S (S-2) com o íon H (H+) para formar H2S. além da uréia. chumbo.PROVA DO GÁS SULFÍDRICO – H2S O meio de cultivo para esta prova contém composto sulfurado (cisteína. 3. A urease é uma enzima que desdobra a uréia com liberação de amônia e dióxido de carbono. Prova positiva = cor azul intensa.

5).5. Interpretação: coloração vermelha = positiva. Por estas provas evidenciamos duas maneiras de decomposição da glicose: 1) A partir do ácido pirúvico há formação de ácidos orgânicos fortes (ácido acético. ácido fórmico) provocando uma queda acentuada do pH do meio (<4. ficando em torno de 6 a 6.4 (6 – amarelo. ácido láctico. A presença de acetil-metil-carbinol é detectada pela prova de VP. Técnica de VM No meio cultivado Clark-Lubs colocar 5 gotas do vermelho de metila. Glucose Succinato Ácido fórmico Acetil-CoA H2 + CO2 PIRUVATO Acetato Lactato acetil-metil-carbinol Muitas bactérias (incluindo todas as enterobactérias) produzem a fermentação ácida mista. 62 .4 – vermelho).PROVA DE VM (VERMELHO DE METILA) E VP (VOGES-PROSKAUER) Ambas são realizadas no meio de Clark-Lubs. A acetoína é neutra e os ácidos formados não baixam muito o pH. 4. Exemplo: Escherichia coli produz grandes quantidades de ácidos. com produção de diferentes quantidades e tipos de ácido de acordo com a composição enzimática da bactéria. Enterobacter produz grande quantidade de acetoína e pequena quantidade de ácidos. cujo substrato a testar é a glicose. coloração amarela = negativa. Observação: o vermelho de metila é um indicador de pH com a zona de viragem entre 6 e 4. 2) Ácido pirúvico é decomposto em acetil-metil-carbinol ou acetoína e pequena quantidade de ácidos orgânicos fortes. A acidez forte do primeiro caso é verificada pela prova de VM.

aparecendo o nitrogênio sob forma menos oxidada. e) Solução aquosa de KOH a 40%. É acelerada pelo catalisador alfa-naftol que se acrescenta à reação. A reação se processa assim: acetoína + O2 + KOH + alfa-naftol diacetila + O2 + KOH complexo colorido vermelho A reação é lenta. PROVA DA NITRATASE OU REDUÇÃO DO NITRATO (NO3-) O termo redução de nitratos inclui todos os processos pelos quais o nitrato desaparece do meio de cultura. Algumas bactérias decompõem a gelatina.Técnica de VP Ao Clark-Lubs juntar o reativo de Barrit: d) Alfa-naftol a 5% em álcool absoluto. dando resultado em 10 minutos. PROVA DA GELATINASE O meio de cultura usado é acrescido de gelatina. de algumas horas. pela ação das enzimas bacterianas. Meio solidificado = prova negativa. ao tirar da estufa a 37oC o meio de cultivo apresenta-se líquido. 63 . que perde a qualidade de gel. Observação: o alfa-naftol é catalisador. Se permanecer líquido é sinal de degradação da gelatina. Colocar 6 gotas de alfa-naftol e 4 gotas de KOH. Resultado: Coloração vermelha = prova positiva. Se o meio solidificou é porque a gelatina está intacta. Após o cultivo. Para saber se a gelatina foi hidrolisada. Agitar para expor o meio de cultura ao contato com o O2 do ar. coloca-se o tubo na geladeira por alguns minutos. Resultado: Meio liquefeito = prova positiva.

O pó de Zn reduz rapidamente o NO3 a NO2. Técnica 1) Colocar no meio cultivado 5 gotas da solução A. Agitar. Observação: não agitar. NO3 ⇒ NO2 ⇒ NO ⇒ NH3 ⇒ N Reativos usados: reativo de Griess-Ilosva A e B. A cor vermelha é produzida pelo diazônio vermelho: p-sulfobenzeno-azo-alfa-naftilamina. Neste caso faz-se a contra prova que consiste em colocar uma pitada de Zn metálico em pó. 2) Colocar 5 gotas da solução B. RESUMO 1a etapa Cor vermelha Incolor Prova positiva Prova positiva ou negativa 64 . no entanto. Resultados 1) Cor vermelha = prova positiva. Os nitratos são aceptores de H. a redução progride até a formação de amônia e nitrogênio molecular. Se após o Zn aparecer coloração vermelha. Observação: o reativo de Griess-Ilosva só produz coloração vermelha em presença de nitritos. g) B – solução de alfa-naftil-amina.+ 2H ⇒ NO2 + H2O Às vezes. a cor é fugaz.Na maioria das espécies essa redução não prossegue além do estágio de nitritos: NO3 + 2e. a prova da nitratase é negativa. f) A – solução de ácido sulfanílico. 2) Cor inalterada = prova positiva ou negativa.

consta uma tabela parcial. Meio de cultura: gelose semi-sólida distribuída em tubo (coluna alta). 65 . com algumas provas bioquímicas e respectivos resultados para bacilos Gram negativos. As imóveis terão crescimento confinado ao ponto de inoculação. Esquema da Prova da Mobilidade (Vista Lateral) Prova positiva Prova negativa Na página 66. além de preparações a fresco. pode ser observada através de cultivo. Semeadura: picada superficial (cerca de 1mm). simplificada.2a etapa (após o Zn) Cor vermelha Incolor Prova negativa Prova positiva PROVA DA MOBILIDADE A mobilidade bacteriana. Resultado: as bactérias móveis dão crescimento difuso para dentro do meio de cultura.

66 .

alguns microbiologistas empregam um número mínimo de provas na identificação de certas bactérias que apresentam aspectos coloniais e bacterioscópicos altamente característicos. Também serão levados em consideração os seus custos e a complexidade dos testes. sacarose. quanto ao tamanho. Precisam de pouco espaço para armazenamento e incubação. Detalhes de composição e interpretação dos resultados do meio Baracchini serão dados no diagnóstico das infecções intestinais. Existem. algumas vezes. glucose. o que não ocorre com os meios convencionais. 4) Rugai modificado (IAL) = indol. motilidade. cor. Com o registro dos resultados e programas de computação. Características de crescimento facilmente observáveis.. Além das provas bioquímicas. Ademais. textura. morfologia da célula bacteriana e grupamento e às reações sorológicas. como por exemplo. fenilalanina. As vantagens destes sistemas são: 1. a identificação tornase fácil e precisa. uma identificação correta não depende. reação hemolítica. Observação: existem disponíveis no comércio os chamados Sistemas Compactos de identificação de bactérias. lisina. sacarose. 2) Ágar – tríplice açúcar (TSI) = glucose. à propriedade tintorial pelo Gram. Longo prazo de validez dos meios de cultura. 67 . Além disso. uréia. 3. para a identificação final confiável. já no isolamento primário. 2. na identificação da Salmonella. lactose. até um ano. meios que são compostos por diversos substratos num único tubo: 1) Ágar – ferro Kligler (KIA) = glicose. 3) Baracchini = glucose. formato. lactose e H2S. 4. Estas devem somar-se às características das colônias. Entre as desvantagens podem-se citar os custos elevados quando forem necessárias dez ou mais provas diferenciais. apenas das provas bioquímicas diferenciais (como nos Sistemas Compactos). no entanto. Por exemplo: alguns bacilos Gram negativos fermentadores de lactose podem ser identificados com poucas provas bioquímicas. como a Escherichia coli. descritas acima. H2S. existem inúmeras outras e a escolha vai depender do microrganismo a identificar e da disponibilidade de meios de cultura no laboratório. etc.Estas são algumas das provas feitas com o substrato colocado separadamente em tubos de cultivo individuais. sacarose. uréia e H2S. H2S. lactose.

Estes podem revelar. fornecidas pelos cálculos eletrônicos e impressos computadorizados. Conhecerão apenas os biotipos das bactérias. em média. Longe de desaprovar os progressos da tecnologia moderna. saindo o resultado no impresso computadorizado. se estivesse usando os métodos sofisticados e apenas apertando os botões de um computador.Aparelhos automatizados. As suas mutações. 68 . ao observar a ação inibidora de um fungo contaminante sobre os estafilococos em isolamento numa singela placa de Petri. as características de seus componentes celulares. são feitos. o biotipo da bactéria isolada e o antibiograma. Não a teria descoberto. que é prática e indispensável atualmente. talvez. Os laboratórios de grande porte onde. 150 culturas de urina por dia. as surpresas com o surgimento de resistência a um antibiótico. precisamos admitir que os futuros bacteriologistas não terão a satisfação de conhecer o âmago da bactéria. descobriu a penicilina que revolucionou a medicina. Fleming. variando com as condições que se lhe oferece. em algumas horas (6 a 12h). têm o seu trabalho facilitado pelos aparelhos automatizados. por exemplo. e não fazendo apologia das técnicas convencionais.

competição por receptores das células do hospedeiro. que pode ser constituída por microrganismos não patogênicos (de baixo potencial patogênico) ou alto potencial patogênico e que habitam a pele e mucosas por horas. Introdução O termo “microbiota normal” refere-se aos microrganismos presentes regularmente em determinados locais do corpo. Quando deslocada do seu ambiente para outros órgãos ou tecidos. em cujo resultado possa constar a presença de microbiota normal. Atentar para os dados do exame laboratorial bacteriológico. Demonstrar a presença de bactérias de diversas espécies. etc. dias ou semanas. são portadoras de Staphylococcus aureus.9: CAPÍTULO 9: MICROBIOTA NORMAL DO ORGANISMO HUMANO Objetivos 1. existentes sobre a pele e na fossa nasal. Os surtos ocasionais devidos ao Staphylococcus aureus. 2. em concentração elevada. Exemplo: Streptococcus do grupo viridans inócuo na orofaringe. prontamente se recompõe. pode alcançar 60 a 90% das pessoas em atividades hospitalares. A microbiota residente é benéfica quando evita a colonização pelas patogênicas. por diversos mecanismos: competição por substâncias nutritivas. Se removidos. De 10 a 20% das pessoas normais da comunidade extra hospitalar. na nasofaringe. para não incorrer em erros de interpretação. principalmente em ambientes hospitalares. Há também a microbiota transitória. É a também chamada microbiota residente. inibição por produtos metabólicos tóxicos. intermitente ou transitório. Provocando enfermidades em pessoas debilitadas ou imunodeprimidas. 2. causa endocardite quando se instala no coração. Alertar para a necessidade dos cuidados higiênicos para evitar a propagação de bactérias. podem ser rastreados e relacionados com a pele e fossas nasais das pessoas que trabalham nestes locais. 3. Esse estado de portador assintomático – que pode ser persistente. 69 . A microbiota normal também pode provocar doenças nos seguintes casos: 1. principalmente em enfermarias re recém natos.

Haemophilus influenzae. garganta e boca. O microrganismo predominante é o Staphylococcus epidermidis. Porém. Streptococcus mutans) e o Streptococcus pyogenes. Mas os brônquios inferiores e os alvéolos contêm poucos ou nenhum microrganismo. Pseudomonas aeruginosa Micrococcus Streptococcus do grupo viridans Enterococcus Staphylococcus aureus Mycobacterium “não patogênico" (em regiões ricas em secreções sebáceas) TRATO RESPIRATÓRIO Grande número de bactérias coloniza as fossas nasais. tem facilidade de apresentar a microbiota transitória. MICROBIOTA NORMAL DA PELE Staphylococcus epidermidis Corynebacterium sp. 70 . outros habitam folículos pilosos e atuam como reservatório para restabelecimento após a lavagem. não patogênica ou patogênica. formas onduladas.A PELE A pele possui uma microbiota residente bem definida. A maioria está localizada no extrato córneo. Streptococcus mitis. Staphylococcus epidermidis. com cerca de 103 a 104/cm2 de pele. fusobactérias. pela sua exposição ao meio ambiente. OROFARINGE Cerca de 50% da microbiota da garganta é constituída por ESTREPTOCOCOS: Streptococcus do grupo viridans (Streptococcus salivarius. Staphylococcus aureus. Neisseria sp. lactobacilos. etc. Streptococcus sanguis.

“A cavidade bucal apresenta uma das mais concentradas e variadas populações microbianas (29 espécies) e cuja localização principal está no dorso da língua, sulco gengival e placa dentária. A contagem bacteriana em material da língua apresenta números que variam de 43 milhões a 5,5 bilhões por ml de saliva. Do sulco gengival e da placa a quantidade é pelo menos 100 vezes maior, aproximadamente 200 bilhões por grama. Os estreptococos constituem o grupo mais numeroso, a metade das viáveis.” (Microbiologia Oral, Burnet, Sherp, Schuster – 4a edição).

MUCOSA NASAL
A mucosa nasal é habitada por estreptococos e estafilococos, destes o mais importante é o Staphylococcus aureus. O Staphylococcus aureus pode ser disseminado causando doenças em hospitais: em enfermarias de recém-nascidos, de queimados, de imunodeprimidos e dos submetidos à cirurgia.

MICROBIOTA NORMAL DA MUCOSA NASAL Staphylococcus epidermidis Staphylococcus aureus Streptococcus pneumoniae Streptococcus do grupo viridans Neisseria sp. Haemophilus sp.

TRATO GASTROINTESTINAL (TGI)
No estômago existem poucos microrganismos devido ao baixo pH. Em situações patogênicas se encontra o Helicobacter pylori. O intestino delgado alberga pequeno número de estreptococos, lactobacilos e Candida albicans. O cólon possui grande quantidade de bactérias, cerca de 1011/g, aproximadamente 20% das fezes é constituído por bactérias, com predominância de anaeróbios. As bactérias mais numerosas são: bacteróides, coliformes, estreptococos, lactobacilos, clostrídeos, Pseudomonas, etc.

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TRATO GÊNITO-URINÁRIO (TGU)

Microbiota

vaginal:

lactobacilos

e

menos

freqüentemente

Escherichia

coli,

Enterobacter, Streptococcus agalactiae. Bexiga: a urina na bexiga é estéril em pessoas sãs, mas ao passar pela porção final da uretra, pode se contaminar com Staphylococcus epidermidis, coliformes, difteróides e estreptococos não hemolíticos. * Staphylococcus saprophyticus faz infecção em TGU inferior em mulheres jovens. A área em torno da uretra masculina e feminina pode apresentar Mycobacterium smegmatis (BAAR). A candidíase torna-se uma das doenças que mais acomente mulheres em idade fértil no mundo atual. A vagina é uma região favorável ao crescimento de microrganismos, como a Candida albicans, o Thichomonas vaginalis e os bacilos de Doderlëin (gram positivos). PRÁTICA Evidenciação da presença de bactérias na pele e mucosa nasal. O meio de cultura, usado para o isolamento primário em nossa aula prática, será o Ágar-sangue em placas de Petri. 1o dia Para coletar o material da pele do queixo, testa, aba do nariz e fossa nasal, usar swab ou zaragatoa, atritando a área em estudo (individualmente em cada área). Em seguida deslizar o swab em estrias na superfície do meio de cultura, ocupando toda a área da placa. Mãos Com um pincel, dividir o fundo da placa em 4 partes. Marcar as partes com letras para identificar a área semeada: S = sujo. L = lavado. E = escovado. D = com degermante.

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1. Com o dedo indicador (sem lavar) fazer estrias diretamente sobre o meio na parte S. 2. Em seguida, lavar as mãos com sabão normalmente. Não enxugar. Com o mesmo dedo fazer estrias na parte L. 3. Ensaboar as mãos e escovar os dedos. Enxaguar. Não enxugar e passar na parte E. 4. A seguir passar um anti-séptico disponível. Enxaguar. Fazer estrias sobre a parte D. Colocar as placas semeadas na estufa a 37oC. Representação esquemática da lavagem das mãos

Lavagem com água e sabão

Escovação Degermante e água

Recolonização

Recolonização (após horas)

2o dia 1. Retirar as placas da estufa e observar o crescimento. Verificar a quantidade de colônias em cada área. Anotar. 2. Estudar as características das colônias. Anotar. 3. Fazer bacterioscopia pelo método de Gram dos diferentes tipos de colônias. Anotar. Na placa semeada com os dedos notar onde houver maior crescimento de bactérias. Justificar. 4. Comparar com o resultado dos colegas e fazer um levantamento da bactéria predominante.

73

5. Se houver crescimento de colônias com características de estafilococos, ou seja: de 1 a 3 mm de diâmetro, brancas ou amarelas, opacas, brilhantes, convexas altas, circulares, bordas lisas e superfície lisa, prosseguir com a caracterização utilizando as provas de Identificação Presuntiva dos estafilococos de interesse clínico.

dia: 3o dia: Identificação Presuntiva de Estafilococos da Pele e Mucosa Nasal
Sabemos que à microscopia simples, não conseguimos na maioria das vezes fazer o diagnóstico da espécie da bactéria. No máximo descobrimos o gênero e muitas vezes só o tipo bacteriano (ex: BGN). No caso dos estafilococos, à microscopia, nós damos o diagnóstico de Staphylococcus sp. Teremos que partir para as provas bioquímicas para diferenciar a espécie. Para ter certeza de que estamos trabalhando com uma colônia de estafilococos da placa de ágar (sem fazer microscopia) faremos a prova da catalase.

1ª PROVA: CATALASE Os estafilococos têm a capacidade de degradar peróxido de hidrogênio, pois eles produzem a enzima catalase. H2O2 H2O + ½ O2 (via catalase – processo enzimático)

A prova é simples: pingamos em uma lâmina em cima da colônia, água oxigenada a 3% (que contém H2O2 e água comum). Se borbulhar (liberar O2) é porque a colônia produz catalase, algo que estreptococo NÃO faz.

Fonte: Google

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Se ocorrer um precipitado "coagulado". Mas por que isso acontece? O Staphylococcus aureus produz uma enzima chamada coagulase. Digamos que seria uma colônia encapsulada. aureus. como os estreptococos. CATALASE + CATALASE ESTAFILO ESTREPTO ou outro tipo de coco. Por isso precisamos saber se nossa colônia em questão produz fibrina. Ela converte o fibrinogênio em fibrina seguindo a cascata da coagulação. São galerias de bactérias e exsudato. quem a produz coagulase é somente o S.Esta prova diferencia os estafilococos de outros cocos Gram positivos. Fonte: Profa Alessandra Daur Dentre o grupo dos estafilococos de interesse médico. geralmente no tecido subcutâneo. mergulharemos as colônias das amostras. para seguirmos na identificação de estafilococos. Em tubo de ensaio com plasma de coelho. Esses são os chamados abscessos. Como no plasma de coelho também há fibrinogênio. 2ª PROVA: PLASMOCOAGULASE Usaremos agora só as colônias CATALASE +. 75 . que estaria mais protegida contra as defesas do nosso corpo e os antibióticos. basta semear a colônia no plasma de coelho e encubar à 37ºC. Depois de 24h veremos se há precipitado ou não. coleções de infecção e inflamação aguda. dizemos que a prova é coagulase positiva. para fazer uma cápsula fibrosa em torno das colônias no nosso organismo (ela usa fibrinogênio do plasma). Portanto. a reação que ocorrerá é a mesma.

Incuba-se. Se não houver formação de coágulo. Ele vai testar a sensibilidade dos ENPC para fazer a diferenciação via halo de inibição.CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Quando se evidencia a presença de um abscesso em um paciente. dizemos que a bactéria é sensível à novobiocina. mas não de interesse médico tão importante. que bactéria sempre devemos incluir no grupo de agentes etiológicos suspeitos? Procedimentos Num tubo estéril colocar: 0. ela é resistente. Resultados RESISTENTE: Staphylococcus saprophyticus SENSÍVEL: Staphylococcus epidermidis 76 . Semeia-se a colônia de ENPC em uma nova placa de ágar sangue e coloca-se um disco de novobiocina no centro. Coletar a colônia em estudo e emulsionar no plasma. Se houver um halo de inibição (> que 14mm). Incubar em estufa a 37oC. Observação: algumas técnicas recomendam usar o plasma sem diluição. Observar a formação de coágulo de ½ em ½ hora durante as primeiras 4 horas. Neste caso o coágulo formado é mais consistente. Se não houver.5 mL de plasma sanguíneo diluído a 1/5. Atualmente são conhecidas outras espécies de ENPC que também são resistentes à novobiocina. Resultados PLASMOCOAGULASE + PLASMOCOAGULASE Staphylococcus aureus (DIAGNÓSTICO DEFINITIVO) ENPC (Estafilococos não produtores de coagulase) 3ª PROVA: NOVOBIOCINA É um antibiótico. deixar na estufa até 24 h para fazer a leitura.

A decomposição do manitol acidifica o meio de cultura. epidermidis S. saprophyticus PROVA DO MANITOL (ALTERNATIVA) Semear o estafilococo em tubo (caldo) ou placa (ágar) com manitol e indicador de pH vermelho de fenol. Após 24h fazer a leitura. • • Cultura amarela = positiva. produzindo a mudança da cor do indicador de vermelho para amarelo. Colocar na estufa a 36oC. 77 . Cultura vermelha = negativa.Fonte: Google RESUMO: Catalase + estafilo Plasmocoagulase + Plasmocoagulase Catalase estrepto ou outro coco Staphylococcus aureus ENPC Novobiocina S R S.

Composição do ASA: gelose simples acrescida de 5 a 10% de sangue desfibrinado de carneiro.025 g 1000 mL É um meio seletivo e diferencial. entre elas o estafilococo (os meios comuns contêm em geral 0. No caso de hemólise total. + Manitol + .5% de NaCl). Seletivo: pela concentração de 7. vai haver destruição dos glóbulos vermelhos aparecendo um halo claro ao redor das colônias. pode se utilizar o seguinte esquema: DIFERENCIAÇÃO DAS TRÊS ESPÉCIES DE Staphylococcus Coagulase Staphylococcus aureus Staphylococcus epidermidis Staphylococcus saprophyticus v = 11 a 89% positivos.5% de NaCl permitindo o crescimento de poucas bactérias.Para diferenciar as três principais espécies. A bactéria que crescer pode apresentar hemólise do sangue ou não. 78 . uma vez que possui proteínas e outros substratos provenientes do sangue).(v) Novobiocina Sensível Sensível Resistente ÁGAR SANGUE Meio diferencial e não selietivo (muito enriquecido. MEIO DE MANITOL-HIPERTÔNICO (CHAPMAN) Extrato de carne Peptona NaCl Manitol Ágar Vermelho de fenol Água 1g 10 g 75 g 10 g 15 g 0.

79 . PORÇÕES SUPERFICIAIS E PROFUNDAS Estafilococos. 3) Acompanhar a seqüência dos exames laboratoriais bacteriológicos necessários na identificação do agente para fins de diagnóstico e tratamento. facilitando o isolamento do agente efetivo da infecção. “O médico deve dominar os conhecimentos que lhe permitam escolher e indicar a realização de exames complementares específicos. de conservá-la e transportá-la ao laboratório de análises. Luis Parellada Ruiz. Estreptococos e Pseudomonas sp. Objetivos 1) Familiarizar o aluno com as técnicas da coleta adequada do material patológico. dividiremos o conteúdo didaticamente de acordo com os locais de acometimento mais comuns no ser humano. a fim de evitar contaminantes.10: CAPÍTULO 10: DIAGNÓSTICO LABORATORIAL ATRAVÉS DO ISOLAMENTO E CARACTERIZAÇÃO DOS AGENTES ETIOLÓGICOS DAS INFECÇÕES Neste capítulo abordaremos os possíveis tipos de microrganismos que podem ser agentes etiológicos das mais diversas infecções.” (Dr. Doenças Transmissíveis. deverá orientar o paciente quanto à maneira correta de coletar a amostra. Paulo Kiyoshi e Dr. 115). clínicos e laboratoriais inespecíficos. capítulo 10 – pág. relativos à hipótese diagnóstica formulada a partir de dados epidemiológicos. Cabe-lhe também orientar a colheita dos materiais adequados para o exame e saber interpretar com rigor e segurança os resultados fornecidos pelo laboratório. Para isto. como clínico solicitante do exame laboratorial. 2) No futuro.

é indispensável quando houver necessidade da avaliação da resistência do estafilococo aos antimicrobianos. existe um número grande de doenças que necessitam exames laboratoriais para confirmar a suspeita clínica. Pseudomonas e Enterobactérias (Escherichia coli. As mais comuns são estafilococos e estreptococos. no entanto. lançando mão de dados epidemiológicos e clínicos (como sinais e sintomas típicos ou patognomônicos) que podem por si só.. Além do Staphylococcus aureus e do Streptococcus pyogenes. 2005 80 . Enterobacter. não necessitam habitualmente de confirmação por exames laboratoriais. No entanto. O exame laboratorial. Como já referido acima. fazer o diagnóstico sem necessitar do exame microbiológico. Exemplos disso são: o tétano. o tipo celular predominante de células é NEUTRÓFILO (devido a liberação de quimiocinas. IL-1 e TNF pelos macrófagos. as outras bactérias mais freqüentemente encontradas nas infecções são: Enterococcus sp. a coqueluche. a amidalite purulenta bacteriana. algumas vezes. como as piodermites causadas por estafilococos. Proteus). a difteria. As infecções são causadas por diversas bactérias. ativando as integrinas dos neutrófilos circulantes.Introdução Algumas doenças bacterianas podem ser diagnosticadas presuntivamente. No processo patológico desenvolvido. bactérias cuja ação promove a formação de exsudato ou derrame inflamatório que contém grandes quantidades de componentes celulares do hospedeiro. escarlatina e furunculose. características da inflamação aguda). identificado como infecção bacteriana piogênica. Esse exsudato é descrito como purulento. Fonte: Robbins. o quadro clínico de determinadas infecções.

Para caracterizar um exsudato tem que haver mais de 3g/dL de proteína. pleural. Eles vêm geralmente devido a uma obstrução no fluxo venoso. uma enzima que converte o lactato em piruvato e vice versa. Os leucócitos presentes estão promovendo uma resposta imunológica imediata frente aos microrganismos.CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Há dois tipos de secreções patológicas: o exsudato e o transudato. b) O isolamento de contaminante pode levar a uma terapia incorreta. e uma das enzimas que participa desse processo é a LDH. Ela é o principal carboidrato utilizado no metabolismo bacteriano. Ocorre em abdome ascítico (hepatopata). pericárdico. muitos leucócitos. prejudicando a identificação. para caracterizar se o líquido é um exsudato ou um transudato o exame que é feito no Brasil é a CULTURA (nos mais diferentes meios sólidos e líquidos). ascítico. vindo de uma cirurgia. Transudato: geralmente são líquidos cavitários (pleural. muitas proteínas. de característica transparente. por exemplo). que pode ser superficial ou profundo. de uma punção pleural. além de ser uma enzima gluconeogênica). ou mesmo prejudicial. Uma característica muito importante é a presença de POUCA GLUCOSE. edema agudo de pulmão e por aí vai. Quando há um líquido suspeito. pouca LDH e TAXAS NORMAIS DE GLUCOSE. Os exames bioquímicos como glucose e LDH são utilizados em secreções mais “nobres”. a glucose estará diminuída. muita desidrogenase lática (LDH. os líquidos de cavidades devem ser encaminhados à Anatomia Patológica para averiguar a presença de células neoplásicas por exame de citologia oncótica (o líquido pode ter se acumulado devido a uma metástase). como será detalhado na disciplina de Patologia Médica Molecular (BP334). Além da microbiologia. Pus é sinônimo de exsudato purulento. 81 . que é a primeira linha de defesa do organismo e vem da fase de rolamento sobre o endotélio capilar. Isso se deve à ausência de bactérias nesse líquido. Ambos são secreções liberadas como resposta pelo nosso organismo. líquor). Exsudato: cor opaca. peritoneal. de cavidades diversas. mais de 200UI de LDH e menos de 45mg/dL de glucose. como o líquor (para caracterizar uma meningite. Coleta do material A coleta correta do material é a etapa mais importante para o estudo do agente etiológico e deve ser precedida dos seguintes cuidados: a) Uma quantidade insuficiente de material dificulta os procedimentos laboratoriais. derrame pericárdico. Uma vez que há presença de bactérias. mais de 103 leucócitos/µL. Nas infecções. poucas células. O principal deles nesse caso é o neutrófilo. para pesquisar se há presença de microrganismos. c) A coleta deve ser feita antes da antibioticoterapia. a coleta varia com a forma clínica e a localização do processo. poucas proteínas. porque ele pode apresentar um padrão diferente de sensibilidade aos antimicrobianos do que o agente efetivo da infecção.

. A parede de fibrina evita a propagação dos estafilococos e não deve ser rompida por manipulação ou trauma. O local da punção deve ser rigorosamente descontaminado com sabão cirúrgico ou outro anti-séptico adequado. No centro da lesão ocorre liquefação do tecido necrótico e o abscesso “aponta” na direção de menor resistência. a furunculose e o impetigo. sob o risco de disseminar a infecção (por analogia. promiosite.) segue-se o seguinte esquema. etc. infecções nas articulações e outras coleções fechadas de pus. Lesões superficiais As infecções de pele geralmente causadas pelos estafilococos são: a foliculite. 2) Secar com gaze estéril. a lesão cicatriza rapidamente. produzindo necrose tecidual com acúmulo de células inflamatórias.Em localização profunda estão a osteomielite. etc. ectima. envolvendo o folículo piloso. Nas endocardites e septicemia coleta-se o sangue para hemocultura. evitar espremer “espinha”). que acomete o folículo piloso. 3) Com um objeto perfurocortante (agulha. estéreis) levantar a afastar a película ou crosta superficial. de característica purulenta. O estafilococo estabelece-se em um folículo piloso. embebida em anti-séptico ou salina estéril. resultando numa parede que delimita o processo. por outro lado dificulta o acesso de antibióticos e elementos sanguíneos de defesa. A bactéria elabora a enzima coagulase que forma coágulo (fibrina) em torno da lesão e dentro dos linfáticos. que muitas vezes adquire a característica nodular com muita hiperemia ativa (pústula interna). A foliculite é uma pústula mais superficial (em “cabeça de prego”). sinusite. Observação: uma vez drenado o pus. Nestes recorre-se à punção aspirativa do exsudato purulento com seringa e agulha estéreis. lanceta. Se por um lado a parede de fibrina evita a disseminação do estafilococo. A furunculose é uma infecção mais profunda na derme. tais como furúnculo (ou outras piodermites: impetigo. Coleta em lesões superficiais Nas formas superficiais. 82 . observando rigorosa assepsia: 1) Descontaminar a superfície do abscesso com o auxílio de uma gaze estéril. meningite.

No Ágar-sangue: Vão crescer estafilococos. estreptococos e bacilos (exigentes e não exigentes). Bacterioscopia Rotineiramente a bacterioscopia é feita pelo método de Gram (triagem). Cultivo Na nossa aula prática o cultivo é feito em dois meios e visando apenas as bactérias aeróbias e anaeróbias facultativas. 2) Teague (EMB) ou MacConkey. remover a secreção superficial com gaze estéril com salina. No Teague/MacConkey: Vão crescer bacilos Gram negativos (BGN) pouco exigentes. se suspeita de microrganismos menos freqüentes. 1) Ágar-sangue. Onde vamos cercar as possibilidades de isolar estafilococo. revelando a presença. para eliminar os contaminantes. 3) Identificação. enterobactérias) ou exigente como o Haemophilus. que exijam técnicas próprias de microscopia e cultivo. estreptococo e qualquer bacilo Gram negativo pouco exigente (Pseudomonas. Exame laboratorial O material enviado ao laboratório será submetido aos seguintes procedimentos: 1) Bacterioscopia. o tipo morfológico e propriedade tintorial da bactéria. Observação: o médico deve comunicar ao laboratório através da requisição dos exames. 83 .4) Coletar o material purulento da profundidade da lesão com swab (ou aspirar com seringa) tendo o cuidado de não tocar as bordas da pele adjacente. 4) Teste de Sensibilidade aos Antibióticos (TSA). Observação: em caso de lesões abertas. 2) Cultivo.

proceder a identificação para estreptococos. Cerca de 70% destas são produzidas por Pseudomonas aeruginosa. do bacilo Gram negativo (BGN). Fazer Gram. 1. (Bacilo Piociânico) É freqüente o encontro de Pseudomonas sp. As espécies (mais de 100) são diferenciadas por provas bioquímicas (pois é um bacilo gram negativo que não se diferencia dos demais BGNs à microscopia simples). Pseudomonas sp. 3o dia Semear em diversos meios para provas bioquímicas. Incubar a 35oC ± 1oC. chamado piocianina. prosseguir a identificação de outras espécies de estafilococos. Repicar para gelose inclinada. deixando os meios de cultura claros e o pus com esta coloração. repicar para tubo contendo plasma de coelho. segundo o tipo de hemólise observada. Fazer catalase. Interpretar as provas bioquímicas e 4o dia consultar tabelas para identificação Interpretar provas adicionais para ENPC. A característica marcante da Pseudomonas aeruginosa (88% delas) é a produção de pigmento azul-esverdeado. em tubos separados as L+ e L3. Em geral. o odor do material infectado é muito fétido e ruim. A cultura geralmente apresenta odor perfumado de essência barata de uva (trimetilamina). Se negativa. 2. Meios de cultivo Ágar-sangue Semear por estrias na superfície do meio. Fazer Gram 2o dia 2. b) Se a catalase for negativa. a) Se a catalase por positiva. 84 . b) Realizar provas de identificação para estreptococos. Incubar a 35oC ± 1oC. em infecções. 1. a) Interpretar a coagulase.Procedimentos Dia Teague ou MacConkey 1o dia Semear por estrias na superfície do meio.

Identificação dos Bacilos Não Fermentadores – BÑF 85 . cirurgias oculares. gentamicina. é um agente que sempre deve ser considerado em infecções intestinais e do trato gênito urinário feminino. Este fármaco é citado muitas vezes como quinolona anti-pseudomonas pelos livros de clínica médica como “Harrison.A Pseudomonas aeruginosa é ubiquitária: cresce em solo. visto que ela apresenta resistência a muitos antibióticos. cloranfenicol e tetraciclinas. em tecidos orgânicos. moxifloxacino e gemifloxacino) são drogas mais apropriadas para infecções pulmonares. Após procedimentos com cateteres urinários. O homem alberga na pele. inclusive. Nas infecções por Pseudomonas. onde a mortalidade pode chegar a 50%. É sensível apenas à polimixina. obviamente. de acordo com os critérios adotados pelas disciplinas clínicas de Pneumologia e Otorrinolaringologia do ciclo profissionalizante do curso de Medicina. além de feridas cirúrgicas. Fluoroquinolonas de 3ª geração em diante (levofloxacino. Faz uma lesão em pele chamada de ectima gangrenosa (de odor muito fétido). Pode causar infecções graves. especialmente e em pessoas hospitalizadas. bem como nas publicações mais atuais. uma vez que é uma droga pouco eficaz contra germes gram positivos como pneumococo (o agente etiológico mais comum das pneumonias bacterianas). A droga de escolha mais adequada é o ciprofloxacino. Imunocomprometidos também são alvos preferenciais. vegetais e. em pneumonias causadas por Pseudomonas aeruginosa (pós confirmação bacterioscópica). Entre os fatores de virulência destaca-se a toxina A. É uma bactéria oportunista. cardíacas. o clínico sempre pede antibiograma. * Ciprofloxacino NUNCA é medicamento de primeira escolha (terapia empírica) para pneumonias. podendo causar várias doenças. água. Com exceção da polimixina. uma fluoroquinolona de 2ª geração. tais como: vários betalactâmicos. punções lombares. etc. São freqüentes as infecções em queimaduras e feridas cirúrgicas. que bloqueia a síntese protéica das células do hospedeiro (à semelhança da exotoxina do bacilo diftérico). garganta (5% de pessoas normais) e fezes. Pode ser utilizado. CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Na clínica médica de rotina. amicacina e algumas penicilinas semisintéticas (carbenicilina). Ela é tão pouco exigente que cresce até em água mineral. Tratado de Medicina Interna 2006”. a bactéria pode adquirir resistência aos antimicrobianos citados por mutação ou aquisição de plasmídios de resistência.

secreções de ferimentos e hemoculturas. A acidez produzida pelas bactérias oxidativas é muito pequena e não deve ser neutralizada pelos produtos de decomposição da peptona. razão da proporção 0. Meios de cultura usados nesta aula prática Ágar sangue: Ver página 78 86 . Os bacilos oxidativos produzem ácido somente no meio exposto ao ar. Os bacilos não sacarolíticos não produzem alteração em nenhum dos tubos. Exemplo: Pseudomonas = metabolismo oxidativo Alcalígenes = não sacarolítico Para maiores detalhes da identificação dos bacilos oxidativos consultar: Diagnóstico Microbiológico.Pacientes imunodeprimidos são muito suscetíveis à infecção por este grupo de bactérias. pode ser apenas contaminante e não o causador da infecção.2% da peptona para 1% do carboidrato. Nos casos de locais não estéreis. Os BÑF podem ser isolados de infecções urinárias. Os bacilos fermentadores produzem ácido em ambos os tubos. Entre as bactérias não fermentadoras mais freqüentemente isoladas das infecções estão: • • • Pseudomonas aeruginosa Acinetobacter baumanii Outras Pseudomonas 70-75% 25% 5% As Pseudomonas utilizam os carboidratos por via oxidativa. de Konemann e colaboradores. A prova é realizada em dois tubos para cada açúcar: um com óleo mineral e outro sem óleo na superfície. como secreção de ferida cirúrgica. O isolamento de bacilo não fermentador de sítios anatômicos originalmente estéreis é forte indicador de ser este o responsável pela infecção. Para verificar este tipo de metabolismo usa-se meios de cultura especiais. Hugh e Leifson foram os primeiros a idealizar um meio de cultivo que chamaram de Oxidação-Fermentação (O-F). O meio de O-F de Hugh e Leifson contém 0. diferente da relação 2:1 dos meios usuais para fermentação.2% de peptona para 1% do carboidrato testado.

LACTOSE NEGATIVA (L-) Os não fermentadores de Lactose. No entanto. 2) Cor vermelha com ponto central preto. LACTOSE POSITIVA (L+) Os fermentadores de Lactose. Colônias: Vermelhas claras transparentes. 87 . Composição: Ágar simples Lactose Solução de eosina 2% Solução de azul de metileno 0.5% 100 mL 10 mL 2 mL 2 mL É um meio seletivo-diferencial para Bacilos Gram negativos (BGN) não exigentes.Teague (EMB / HHT / TEA) Também chamado de Holt-Harris-Teague (HHT) ou ágar eosina-azul de metileno = EMB (“Eosin Methilene Blue”). Diferencial: pela decomposição ou não da lactose evidenciada pela cor das colônias (os corantes funcionam como identificadores de pH). Colônias: 1) Cor vermelha opaca. 3) Secas com brilho metálico. a finalidade desses meios no laboratório é a mesma. Observação: podem crescer colônias intermediárias destes tipos. Alguns autores descrevem pequenas diferenças entre a composição do EMB e do TEA. Seletivo: pelos corantes que inibem o crescimento da maior parte das bactérias Gram positivas.

Observação: embora existam muitos meios de cultura seletivos e diferenciais para enterobactérias e mesmo havendo diferenças quanto à capacidade de inibição de bactérias indesejáveis. além de disseminar-se a outros locais causando sinusite. 88 . Neisseria sp. Moraxella e Corynebacterium A microbiota da orofaringe é constituída principalmente por ESTREPTOCOCOS (50% da população total bacteriana). É uma infecção que requer atenção especial. Herpes vírus tipo 1 e coxsackie A.. Esptain-Barr (EBV). pelo estreptococo e bacilo diftérico. Staphylococcus epidermidis. influenza. Com isto chamando-se a atenção para dificuldade de isolamento do agente real da infecção da orofaringe como.. Streptococcus pneumoniae (PNEUMOCOCO). por exemplo. mastoidite e vias aéreas inferiores provocando broncopneumonias. Por exemplo. coronavírus. Haemophilus. o brilho metálico das colônias no Teague. Streptococcus pyogenes. A dor é devido à infecção demasiada da mucosa ou da própria resposta inflamatória do organismo. ajuda na identificação da Escherichia coli. Os principais vírus que podem causar faringites são os adenovírus (tipos 3. visto que. abordaremos as faringoamigdalites (faringites e tonsilites são os termos mais apropriados pela nômina anatômica atual) bacterianas. Haemophilus sp. os bacteriologistas dão preferência àqueles que lhes oferecem dados mais visíveis. Streptococcus sanguis. As infecções virais serão vistas mais adiante. rinovírus. 4. Faringite Estreptocóccica Quase 70% das dores de garganta agudas são causadas por vírus. otite. Exemplos são os estreptococos do grupo viridante (Streptococcus salivarius. apesar de não lhe ser específico. bacilos pseudodiftéricos (Corynebacterium pseudodiphetheriticum ou Corynebacterium hofmanni) e outros. A infecção mais freqüente do trato respiratório superior manifesta-se sob a forma de faringite e tonsilite (amigdalite) causada por Streptococcus pyogenes (ESTREPTOCOCO BETA HEMOLÍTICO DO GRUPO A DE LANCEFIELD) = angina estreptocócica (90%). 14 e 21). Neste capítulo. OROFARINGE Estreptococos. 7. citomagalovírus (CMV). Streptococcus mitis). parainfluenza.

além da presença de febre na maioria dos casos. acumulase exsudato purulento nessas regiões. ainda pode provocar seqüelas graves pósestreptocócicas como Febre Reumática e Glomerulonefrite Aguda (GNA). que são invaginações da mucosa. Durante uma tonsilite. Nessas criptas não há drenagem de ductos das glândulas salivares menores. promovendo uma maior exposição de epítopos aos nódulos linfáticos confuentes que existem subjacentes à mucosa. aumentando a superfície da tonsila. portanto ali o acúmulo de material é facilitado. dando o aspecto de placas amarelo-esbranquiçadas sobre as tonsilas. Essas placas são facilmente removidas com swab e esse é o material que se utiliza para fazer semeadura em ágar sangue. Nas tonsilas palatinas existem as criptas amigdalianas. As características clínicas são semelhantes ao Haemophilus e à Moraxella. Fonte: Rubin. 2006 89 .pneumonias e empiema (pus no espaço pleural).

o organismo entra em uma operação de auto-ataque. nas válvulas cardíacas. Esse assunto será abordado com detalhes em seminários promovidos pela disciplina de Imunologia Médica Aplicada (BP333). as manifestações pós estreptocóccicas de uma infecção mal tratada fazem parte de uma doença reumática. A esse fenômeno pós-estreptocóccico dá-se o nome de febre reumática (cepas que produzem estreptolisina O). como visto nas aulas teóricas desta disciplina. de difícil controle que muitas vezes levam o paciente inevitavelmente ao óbito. uma vez que a carga bacteriana já está tão elevada que os antibióticos. impedindo um via do sistema complemento.CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Streptococcus pyogenes. Também produz hialuronidase. que degrada o C5a. O sistema imunológico acaba por dar cabo da bactéria produzindo anticorpos contra essa proteína. o Streptococcus pyogenes tem uma enzima chamada peptidade do C5a. degrada o fator C3b e não deixa a cascata do sistema complemento agir). com muitas áreas infectadas. depois de um tempo. que ataca. imunológica. “um mal que deve ser cortado pela raiz” Na parte externa da parede celular de algumas cepas da espécie do estreptococo beta hemolítico. etc. os tecidos necrosados produzem muitas toxinas pelo 90 . necroses extensas. não conseguem eliminar a infecção. Enfim. É conhecida como “doença da bactéria carnívora”. essa proteína é muito parecida com proteínas do organismo humano. uma vez que várias espécies da microbiota normal produzem tais enzimas. causando cardiopatia reumática e glomerulonefrite pósestreptocóccica. quanto mais a cepa (se é resistente ou não). tecidos putrefados e exsudato intenso. E o quadro clínico comprova isso. Além disso. pois o paciente relata muitas vezes que sente que está sendo “comido vivo”. Uma vez desenvolvidos anticorpos pelos linfócitos B contra essas proteínas dos estreptococos. o estreptococo beta hemolítico ainda pode desencadear infecções hospitalares severas. antes do desenvolvimento destes anticorpos. Até porque nunca se sabe ao certo qual a espécie de bactéria envolvida na infecção. Além disso. usam-se os critérios de Jones. o antibiótico de escolha é a amoxicilina. Para diagnóstico de febre reumática. destruindo nossas próprias células e membranas (complexos imunes). mesmo os de maior eficácia. e por conseqüência a quimiotaxia de neutrófilos. Além disso. há uma proteína chamada de proteína M (uma proteína que inclusive. Porém. por exemplo. Um exemplo disso é a Fasciite Necrotizante. tecidos sadios com complexos imunes (reação de hipersensibilidade tipo III). Pode ser administrada sozinha ou associada a um bloqueador de β-lactamases. Por isso é importante sempre tratar as faringoamigdalites com antibióticos mesmo dos casos mais brandos e silenciosos. A taxa de letalidade é relativamente alta. Os aspectos morfológicos destas lesões serão abordados com detalhes na disciplina de Anatomia Patológica (MP313). uma enzima que destrói o hialuronato do tecido conjuntivo e contribui para uma permeabilidade mais fácil nos tecidos sadios. o quadro clínico se assemelha a infecções por Haemophilus influenzae e Moraxella catarrhalis. microrganismos potencialmente produtores dessas pelicilinases. Para a terapia antimicrobiana. que estão principalmente na membrana basal do glomérulo renal. Muitas vezes o paciente necessita de prótese valvar (tamanho é o estrago) nos casos de valvulopatia severa e transplante renal nos casos mais intensos de glomerulonefrite não tratada. Streptococcus pyogenes e as infecções hospitalares Além de ser um potente causador de infecções do trato respiratório. Uma doença maligna que pode ocorrer em feridas cirúrgicas.

CORRELAÇÕES CLÍNICAS: As cepas não encapsuladas do Haemophilus influenzae geralmente fazem parte da microbiota normal da orofaringe. sinusites. pyogenes são o Haemophilus influenzae e a Moraxella catarrhalis. principalmente lactentes e pré-escolares. No entanto. Há um meio com alta especificidade. O meio de cultura mais adequado é o ágar chocolate em microaerofilia (alta sensibilidade). Sempre suspeitar de infecção por H. O Haemophilus influenzae é um coco-bacilo gram negativo. otites. Não se sabe ao certo o porquê. mas epidemiologicamente. distinguíveis sorologicamente pela cápsula polissacarídica. e quando esse material atinge o sangue pode gerar estragos bem maiores. o H. “Haemophilus” significa “Gosta de sangue” e o nome “influenzae” foi dado porque originalmente se pensava que causasse gripe. 91 . aos 2. 15 a 20% das cepas patogênicas do Haemophilus influenzae produzem β-lactamases. São diplococos gram negativos (às vezes chamadas de cocos ovais). ministrada obrigatoriamente pelo calendário de vacianação brasileiro em três doses. Há vacina e é eficaz. Há seis sorotipos (a-f). o meio específico para o hemófilos é o ágar Mueller-Hinton (alta especifidade). O meio de Hitchens-Pike também pode ser utilizado. portanto a terapia sem bloqueador dessas enzimas pode ser ineficaz. O tipo b (encapsulado) é muito menos comum em microbiota normal e é o principal sorogrupo causador de infecções. Acomete muito as crianças. Crianças até 2-3 anos de idade não são capazes de fabricar tais anticorpos. ou por PCR. mas agora se sabe que é um invasor secundário do trato respiratório. Os microrganismos mais comuns além do S. o ágar DNase (azul de toluidina). além de ser o principal agente etiológico da epiglotite. artrite séptica. sobretudo em pacientes com carcinoma de pulmão ou doença pulmonar de base. oxidase positiva e catalase positiva. Além de faringites e tonsilites. A Moraxella catarrhalis (originalmente denominada Branhamella catarrhalis) hoje é considerada uma causa crescente de faringites e pneumonias. Apresentam bom crescimento em ágar sangue e ágar chocolate.metabolismo desorganizado. meningite (em casos mais severos quando há bacteremia). influenzae em crianças com sinais clínicos. 4 e 6 meses de idade. os pacientes mais acometidos por essa espécie são usuários crônicos de álcool. pois essa resposta depende de alguns linfócitos T que o timo ainda não foi capaz de fabricar. bronquites. influenzae é um potente causador de pneumonias (2º agente mais comum).

Pode causar obstrução respiratória fatal (crupe). quando atinge a traquéia (tosse estridante). ouvidos e. o bacilo diftérico pode colonizar a laringe. o trato genital e a pele. diferente das demais bactérias. Esta bactéria produz uma endotoxina (responsável pelos fenômenos locais da doença) e uma exotoxina (extracelular) que se introduzir na corrente circulatória provocando febre (baixa). É uma infecção muito grave. diferente das infecções estreptocóccicas onde há placas purulentas nas criptas. causada por cepas do Corynebacterium diphteriae (também chamado de bacilo diftérico ou bacilo de Klebs-Loeffler). As tonsilas palatinas e os pilares faríngeos adquirem úlceras em forma de verdadeiros “buracos”. O quadro clínico. mais comum entre o primeiro e o sétimo ano de vida. 92 . Além da faringe. ocasionalmente. O diagnóstico é confirmado pelo exame bacterioscópico direto e pela cultura dos exsudatos faríngeos. Essa pseudomembrana não é facilmente removida com swab. É causada pela associação fusoespirilar (Treponema vincentii e Fusobacterium nucleatum). Difteria Faríngea A difteria que se caracteriza por inflamação da garganta (angina diftérica) onde as tonsilas palatinas.Outros tipos de Faringites Angina de Vicent (Angina de Plaut-Vincent) Outra infecção na forma de tonsilite úlcero-membranosa é a chamada Angina de Plaut-Vincent. os pilares anteriores e a úvula se recobrem com exsudato pseudomembranoso. sugere muito a origem etiológica da infecção. A principal diferença para uma faringoamigdalite comum é o aspecto de falsa membrana que recobre as tonsilas. pulso rápido. palidez e adinamia (falta de disposição). com roquidão e voz velada. as fossas nasais. ou até mesmo um fragmento da pseudomembrana.

Ou seja. segundo a hemólise que produzem. onde se diferenciam em quatro tipos. deve-se fazer a prova da catalase (que deve ser negativa) para o início da caracterização do estreptococo. 1) Tipo α (alfa) produz em torno das colônias um halo verde de hemólise parcial (transformação da hemoglobina em substância semelhante à biliverdina). pelo PADRÃO DE HEMÓLISE EM ÁGAR SANGUE. É a classificação de Schottmüller-Brown. 93 . Produzida por estreptococos conhecidos como do grupo viridans. 3) Tipo α1 (alfa-primo) Fonte: Profª Alessandra Daur Ao isolar cocos Gram positivos da lesão.Identificação Presuntiva dos Estreptococos Classificação A classificação para um estudo preliminar dos estreptococos baseia-se no crescimento (comportamento) em placa ágar-sangue. de difícil observação. ou inerte que não altera o sangue (espécies não hemolíticas). intermediário entre os precedentes. 2) Tipo β (beta) 4) Tipo γ (gama) produz um halo de hemólise total.

Se for sensível. Se sensível. indica sensibilidade. o diagnóstico é de Streptococcus pyogenes. o diagnóstico é de Streptococcus pneumoniae (pneumococo). Semear a bactéria em ágar-sangue e colocar um disco de optoquina. Incubar 24h a 35oC.Prova de Optoquina Aplica-se para as colônias alfa hemolíticas. Fonte: Profª Alessandra Daur 94 . Semear a bactéria em ágar-sangue e colocar o disco de bacitracina (0. há necessidade de se fazer a prova de Camp Test. Fonte: Profa Alessandra Daur Prova de Bacitracina Ela diferencia as colônias beta hemolíticas em grupo A e B de Lancefield. Incubar 24h em tensão de CO2. A presença de halo de inibição de qualquer tamanho. Se for resistente. devem-se fazer todos os testes para gama hemólise. (para auxílio no diagnóstico dos estreptococos β-hemolítico pode se utilizar disco de Sulfametoxazol-trimetropim). Se resistente.04 µg). A bactéria é sensível se apresentar um halo de inibição ≥ 14 mm.

diagnostica-se Streptococcus agalactiae.Prova de Camp-Test (C-T) Em linha. formando um precipitado negro em 2/3 ou mais do ágar inoculado. uma amostra semeada de Staphylococcus aureus também beta hemolítico. Semear linhas perpendiculares à linha de S. fazer a prova da Bile-escurina. Microrganismos Besc positivos crescem em presença de 40% de bile e hidrolisam a esculina. 95 . denominado fator Camp. Semear a bactéria em caldo MTS (NaCl 6. A zona de intensificação da lise assume forma semelhante à ponta de flecha. Incubar 24h a 35oC.5%). na intersecção das duas estrias. a turvação do meio e/ou a viragem do indicador de pH para amarelo indica positividade à prova (tolerância do microrganismo à alta concentração de NaCl 6. aureus. Prova de Bile-esculina (Besc) Cultivar a bactéria na superfície do gar e incubar 24h a 35oC. Se negativa. Se positivo Enterococcus sp. porém sem contato físico de uma linha com a outra. Se ocorrer hemólise intensificada em forma de flecha (hemólise intensificada). A atividade hemolítica do estafilococo é intensificada pelo fator extracelular do estreptococo do grupo B.5%). Fonte: Profª Alessandra Daur Prova de tolerância ao sal (MTS) Para Gama hemólise fazer prova de tolerância ao sal.

é indicada a utilização de um meio de cultura de transporte. 96 . foi dada ênfase especial no capítulo que trata da microbiota normal do corpo humano. O Streptococcus pyogenes é do grupo A. 3. como por exemplo. com isto evitando a contaminação pela microbiota normal. 2. Neste sentido. pelos estreptococos enverdescentes e ENPC. Produz β hemólise. o meio de Stuart. Pesquisa do estreptococo Cuidados na Coleta 1.Bile esculina + Bile esculina - Estreptococos do grupo D Estreptococos do grupo Viridans CLASSIFICAÇÃO DE LANCEFIELD (Muito importante) A classificação de Lancefield é baseada nas características antigênicas de um polissacarídeo. Caso haja demora entre a coleta do material e o seu processamento no laboratório. para não haver dificuldade na interpretação do exame bacteriológico enviado pelo laboratório. (A descrição destes dois meios encontra-se no final deste capítulo). Produz β hemólise. o meio de Hitchens-Pike. evitando os resultados falsonegativos. 4. O Streptococcus agalactiae é do grupo B. Em culturas da orofaringe o resultado positivo para estas bactérias não deve ser valorizado. língua e gengivas não sejam tocadas. Por exemplo. Coletar as amostras antes da antibioticoterapia. Para facilitar o isolamento de Streptococcus pyogenes. localizado na parede celular. Cuidar para que as paredes laterais da boca. Nesta classificação os estreptococos são designados pelas letras maiúsculas do alfabeto: de A a V. usar meio de enriquecimento. carboidrato C. como por exemplo.

com o auxílio de alça metálica.Coleta do material da garganta Orientar o paciente a abrir a boca e falar um “aaaa” demorado que abre a garganta e ergue a úvula. 2) Cultivo em meios enriquecidos como ágar-sangue. observar a morfologia celular. Pressionar para imobilizar a língua com um abaixador de língua e com auxílio de um swab (zaragatoa). deslizar em movimentos suaves na faringe posterior. Exames Do material obtido procede-se ao exame: 1) Bacterioscópico (pelo Gram). Em seguida. tocando os pontos de pus ou placas (alguns recomendam removê-las e coletar material que estava por baixo delas). passar o swab nas partes hiperemiadas. Semeadura com swab Stabs 97 . grupamento típico e a Gram positividade. Bacterioscopia Na bacterioscopia pelo Gram. O estreptococo não cresce em meios simples. tocar a área semeada com swab e puxar várias estrias. Na falta destas lesões. Cultivo 1o dia O cultivo é feito em ágar-sangue semeando com o swab numa pequena área da placa (1/5). Desta maneira consegue-se melhor isolamento. tonsilas ou fossa tonsilar.

2o dia No segundo dia. visto que. Portanto. Cerca de 2% do Streptococcus pyogenes produz apenas a estreptolisina O. delimitadas. numa reação Ag-Ac. perdendo-se um diagnóstico importante para Streptococcus pyogenes. 2) Estreptolisina S = oxigênio estável. bordas lisas. a sensibilidade à Bacitracina não é um diagnóstico definitivo do Streptococcus pyogenes. Se o laboratório usar apenas o teste da Bacitracina para identificar o Streptococcus pyogenes. Semear a colônia β hemolítica para o teste da Bacitracina. os “stabs”. puntiformes. Técnica e recomendações: 1. num ângulo aproximado de 40o para introduzir os estreptococos abaixo da superfície do meio de cultura e evidenciar a hemólise pela estreptolisina O que é oxigênio instável. Teste definitivo é a aglutinação com o soro específico anticarboidrato C. Observar a hemólise: • • Fazer Gram das colônias β hemolíticas. isto deve constar no laudo enviado ao médico: “Streptococcus beta-hemolítico do grupo A. pois em aerobiose não produzem hemólise. Nos cortes cria-se atmosfera de relativa anaerobiose. 98 . fazer cortes curtos e profundos. Observações a respeito da hemólise O estreptococo produz duas hemolisinas: 1) Estreptolisina O = oxigênio sensível. 2.Ainda com a alça. alguns estreptococos alfahemolíticos são também sensíveis a 0. observar o crescimento no ágar-sangue. pelo teste da bacitracina”. Para surpreender estas linhagens faz-se os stabs para obter hemólise em anaerobiose. Testar apenas amostras β hemolíticas. O estreptococo cresce dando colônias pequenas.04 µg.

O cultivo. Titular de Microbiologia da Escola Paulista de Medicina – São Paulo. “É de importância fundamental que tanto o bacteriologista como o clínico compreenda o pouco valor da identificação dos estreptococos. não requerendo assim os cuidados terapêuticos exigidos pelas infecções provocadas pelo Streptococcus pyogenes”. 99 . O exame bacterioscópico é feito pelo método de Gram ou Giemsa. refere-se ao fato de que 10 a 20% dos indivíduos normais podem albergar Streptococcus pyogenes na garganta. pela pesquisa de anticorpos séricos 2 a 3 semanas após o início da doença. ambos Gram negativos. Pág. etc. Por esta razão. Microbiologia Trabulsi – 2a edição. Luiz Rachid Trabulsi. com freqüência. A responsabilidade do germe pelo processo infeccioso terá que ser determinada tendo-se em conta as manifestações clínicas do paciente e de maneira mais segura. da garganta. Dr.” Observação: outros patógenos serão pesquisados. B e G. quando requisitado por médico. as infecções por estes estreptococos não são seguidas de febre reumática e glomerulonefrite. 115. por exemplo: Neisseria gonorrhoeae. Está bem demonstrado que os estreptococos beta-hemolíticos (além do Grupo A) podem ser isolados.3o dia Observar a sensibilidade à Bacitracina. é feito em anaerobiose. Treponema: 10 a 20 µm de comprimento. revelando a presença de bacilos fusiformes e espiroquetas (associação fusoespirilar) que são o Fusobacterium nucleatum (fusiformes) e o Treponema vincentii.04 µg de bacitracina. poder ser mera coincidência. somente pela atividade hemolítica. Qualquer halo de inibição dá positividade. Haemophilus influenzae em laringites. “Outro aspecto importante do diagnóstico. Conforme é sabido. o isolamento de uma amostra de Streptococcus pyogenes de um paciente com faringite. Angina de Plaut-Vincent Esta angina pode ser diagnosticada com segurança pelo exame bacterioscópico. Prof. Fusiforme: 4 a 8 µm de comprimento. em faringites em pacientes que praticam sexo oral sem preservativo. particularmente os dos grupos C. se necessário. Cerca de 85% de Streptococcus pyogenes são sensíveis a 0.

Visto que os bacilos pseudodiftéricos (Corynebacterium hofmanii. Os agrupamentos dos bacilos são peculiares.Difteria Coleta do material No caso da difteria da orofaringe. seja formando paliçada ou formando ângulos V. recomenda-se coletar o material com quatro swabs: dois da garganta (G1 e G2) e dois da região nasofaringea (N1 e N2). Dois swabs. Laybourn: revela as granulações metacromáticas (azuis) no interiordo bacilo. fusiforme e em halter. O bacilo diftérico tem as mesmas características que as outras corinebactérias que fazem parte da microbiota normal da garganta. pág. A morfologia típica é observada melhor quando se usa a coloração negativa com tinta-da-china. o médico solicitar uma bacterioscopia de secreção de garganta. Y. 2a edição. Gram: o bacilo diftérico aparece Gram positivo com extremidades dilatadas. Infelizmente este conceito não é suficientemente difundido e por esta razão é freqüente em nosso meio. de acordo com o Manual de Procedimentos Básicos. “No diagnóstico da difteria. são utilizados para exame bacterioscópico e outros dois destinados ao cultivo. Bacterioscopia Os esfregaços são corados pelo Gram e Laybourn (bacilo verde claro). O bacilo diftérico tem tendência ao pleomorfismo apresentando formas em clava. A bacterioscopia tem pequeno valor diagnóstico. piriforme. têm a mesma morfologia e a mesma propriedade tintorial. sendo apenas um teste presuntivo. o exame bacterioscópico de esfregaços corados pelo Gram ou por outros processos como os usados para granulações metacromáticas. 129) 100 . também chamado Corynebacterium pseudodiphtheriticum) que fazem parte da microbiota normal da orofaringe. que em conjunto tem aparência de letras chinesas. N1 e G1. quando suspeita de difteria”. Dr. Luiz Rachid Trabulsi. Provavelmente as manifestações clínicas apresentadas pelo paciente são mais úteis para o diagnóstico etiológico do que um exame bacterioscópico. não têm valor diagnóstico. L. (Microbiologia Trabulsi.

Neste meio o bacilo diftérico apresenta colônias após um período curto de incubação. um teste positivo de probabilidade. neisserias. recomenda-se reisolamento em placas. O Corynebacterium diphtheriae que não é lisogenizado não produz toxina e não é patogênico. O diagnóstico de certeza é dado somente pelas provas da produção de toxina pelo bacilo diftérico. O diagnóstico laboratorial completo terá valor retrospectivo na confirmação do diagnóstico clínico e como ponto de partida às medidas profiláticas. Observação: o bacilo diftérico somente produz toxina quando lisogenizado por bacteriófagos contendo o gene tox. Para as provas seguintes: bioquímicas e de virulência. Do cultivo é feita nova bacterioscopia. não crescem com igual rapidez. O teste de certeza pode ser realizado de duas maneiras: 1) In vitro. In vitro Teste in vitro pode ser feito por imunodifusão radial = IDR (como recomendado pelo prof. Luiz Carlos Duarte Formiga – Divisão Nacional de Laboratórios de Saúde Pública e utilizado no Lacen). tão logo se suspeite de difteria com base nos sintomas apresentados. no máximo produz manifestações clínicas discretas e localizadas. 101 . Outras bactérias como estafilococos. O vírus integra o seu DNA ao cromossomo bacteriano e a toxina é sintetizada. 2) In vivo. a fim de evitar a propagação da difteria aos familiares e à comunidade (escola). Caso sejam encontrados caracteres morfotintoriais do bacilo diftérico será. mesmo assim.O tratamento com antitoxina (soro antidiftérico) deve ser uma decisão clínica. Cultivo O cultivo é feito em meio de Loeffler (soro sanguíneo coagulado). cuja fase-lag é mais demorada. Dr. 8 a 10h. estreptococos.

Incubar. após 48h desenvolve-se uma linha branca de precipitação na bissetriz do ângulo entre a tira e semeadura. que determina a virulência (testes in vivo e in vitro). ela se difundirá no meio e reagirá com o soro antidiftérico. Semear o bacilo suspeito perpendicularmente ao papel. porém o único seguro. semear a bactéria suspeita isolada em forma de “spots” de aproximadamente 4mm de diâmetro.mais demorado.Técnica Em placas contendo meio de cultura acrescido de soro antidiftérico. .cultura em meios adequados. Se houver produção de toxina.pelo exame bacterioscópico. Resumo dos testes Segundo Otto Bier: 1) Diagnóstico de possibilidade 2) Diagnóstico de probabilidade 3) Diagnóstico de certeza . fundamentando-se no mesmo princípio. Técnica Numa placa com meio transparente colocar uma tira de papel de filtro impregnada com soro antidiftérico. 102 . . que se manifesta como precipitação em torno da colônia. Outro método é o teste de Elek. Se o bacilo produzir a toxina. Haverá reação Ag–Ac. Esses testes não são usados por questões bioéticas. Teste de IDR (hemodifusão radial – Ag-Ac) Teste de Elek (tem anti-soro) In vivo O teste de virulência in vivo é feito em cobaia inoculando o bacilo suspeito e observando a ação da toxina.

103 .

extravasamento durante o transporte. NaN (1:1. sem multiplicação significativa dos microrganismos. mantendo as bactérias viáveis por 24h (tempo de segurança) ou 48h.5 mL evitando oxigenação e o 104 . até que sejam semeadas em meios específicos para crescimento. O meio de Stuart pode ser líquido ou semi-sólido. Fórmula • • • • • • Infuso de coração bovino Peptona NaCl Ágar Solução aquosa de azida sódica. O meio apenas preserva a viabilidade das bactérias durante o transporte. O tioglicolato de sódio funciona como agente redutor.000) Solução aquosa de cristal violeta (1:25.15 g 0. para melhorar o isolamento dos anaeróbios e a pequena quantidade de ágar fornece consistência semi-sólida.Meios de Cultura Meio de Stuart É utilizado para transportar amostras para culturas de cocos Gram positivos e bacilos Gram negativos.000) 1L 10 g 5g 1g 40 mL 12. peptonas ou outras substâncias nutritivas de crescimento. não contendo carboidratos.2 g 1. Fórmula do meio de Stuart (semi-sólido) • • • • • • • • • Cloreto de sódio Cloreto de potássio Fosfato dissódico Fosfato monossódico Tioglicolato de sódio Cloreto de cálcio 1% aquoso Cloreto de magnésio 10% aquoso Ágar Água destilada 3g 0. Meio de Hitchens-Pike Meio de enriquecimento para estreptococos – consistência xaroposa.2 g 1g 10 g 10 g 4g 1L É uma solução tampão.

Sinusite. TGI pneumonias Orofaringe Orofaringe Boca. canis Enterococos: E. Gama) Gama (Alfa. Sinusite TGU e TGI Meningite Orofaringe e Abscesso cerebral. infecção puerperal. mutans Outros: S. etc. peritonite. otite média. endocardite. faringe e traquéia Orofaringe. tem semelhança com estalactites. faringites ITU. incluíndo o Peptostreptococo Gama (Beta. equi S. cárie Pneumonia. endocardites. piodermites. mitis S. escarlatina. pneumoniae D F H K Orofaringe. Gama) Beta (Alfa. salivaris Grupo Viridans: S.O cristal violeta impede o crescimento dos outros cocos Gram positivos e a azida sódica inibe a microbiota Gram negativa. Gama) Beta (Alfa. endocardites. formando filamentos que pendem da superfície do meio. tonsilites. abscesso pulmonar e cerebral NÃO GRUPAVEIS ESTREPTOCOCOS ANAERÓBIOS Vários. Gama) Gama (Alfa) Alfa Alfa C G S. pyogenes PADRÃO DE HEMÓLISE Beta HABITAT Orofaringe Pele Nasofaringe TGU Nasofaringe Pele TGU e TGI Nasofaringe Pele TGU e TGI TGU e TGI TGI PRINCIPAIS DOENÇAS Faringites. sanguis S. bovis S. pneumonia. CLASSIFICAÇÃO DAS PRINCIPAIS ESPÉCIES DE ESTREPTOCOCOS PATOGÊNICAS PARA O SER HUMANO GRUPO A PRINCIPAIS ESPÉCIES S. O crescimento de estreptococos no meio Hitchens-Pike. Alfa) 105 . faecalis E. Gama) Beta (Alfa. Infecções de pele. ITU. Gama) Alfa (Beta. endocardite ITU Endocardite B S. TGU e TGI Endocardite Endocartite. Beta) Beta (Alfa. Sepse neonatal. faecium Não enterococos: S. meningites. anginosus S. faringites Infecções de pele. agalactiae Beta (Alfa. sinusite.

Caso não houver micção em uma hora. Após a higienização da região genital. tampa de rosca e boca larga. fornecidos pelo Laboratório de Análises Clínicas. Outras amostras também podem ser obtidas. Amostras de urina são submetidas à cultura. Pode ser adquirido em farmácias. fazendo uma nova assepsia. Em crianças com fraldas ou em pacientes que não têm controle de micção. 4) A seguir observar se há quantidade suficiente de urina para o exame. nádegas e abdômen. coxas. O material para o diagnóstico laboratorial é a urina. 2) Enxugar com gaze estéril. desprezar o 1o jato e coletar o jato médio da urina. 3) Aplicar o coletor autocolante. em frasco estéril. 1) Fazer anti-sepsia rigorosa do períneo. O restante da micção não deve ser utilizado. trocar o coletor por um novo. 106 . quando existe suspeita de infecção do trato urinário. para controle de tratamento ou em pacientes assintomáticos com alto risco de infecção.TRATO GÊNITO URINÁRIO (TGU) Os agentes etiológicos mais freqüentes das infecções do aparelho urinário são: 1) Enterobactérias: Escherichia coli (90% dos casos) Klebsiella Proteus 2) Pseudomonas aeruginosa 3) Enterococcus 4) Staphylococcus aureus 5) Staphylococcus saprophyticus (este é considerado atualmente o principal agente de infecção urinária em mulheres jovens). devemse usar coletores próprios de urina. Coleta de urina De preferência coletar a primeira urina da manhã. desde que o paciente retenha a urina no mínimo por 2 a 3 horas antes da coleta.

caso contrário. Cultivo da urina homogeneizada Mergulhar uma alça de platina na urina e semear por estriais superficiais em placa de Teague e ágar sangue. Para evitar a multiplicação das bactérias na urina coletada. 2) Cultivo da urina. Descrição dos procedimentos 1o dia 1) Centrifugar a urina em um tubo coberto com cápsula de papel alumínio. fazer coloração de Gram para observar a presença ou ausência de leucócitos e bactérias. 4) Antibiograma. pode se manter o material à temperatura de geladeira. 2) Derramar o sobrenadante e do sedimento. Incubar a 37oC. 107 . não mais que cinco horas.UROCULTURA É um exame QUANTITATIVO. Diagnóstico bacteriológico Uma vez no laboratório o exame segue as seguintes etapas: 1) Bacterioscopia (Gram) do sedimento. 3) Contagem de colônias (bactérias ou contagem de UFC = unidades formadoras de colônias). o exame laboratorial deve ser feito o mais rapidamente possível (dentro de uma hora após a coleta).

Se for um bacilo L+. Somente serve para contagem de viáveis. 1. Com alça calibrada.001mL. realizar o teste IMVIC.01 ou 0. Se for um bacilo L-. Contagem com alça (é a mais utilizada) Para a contagem semiquantitativa usa-se alça metálica calibrada de 0. Observar as características coloniais. estria-se perpendicularmente à primeira linha semeada. Estriamento 2o dia Do Teague (EMB). A contagem pode ser feita das seguintes maneiras: 1. fazer a série completa de provas bioquímicas. 1) Imergir a alça. IMVIC é uma série bioquímica simplificada para caracterizar as bactérias do grupo coliforme. em urina homogeneizada e semear uma única estria central em placa de Teague e Ágar-sangue. Esgotamento (Inoculação primária) 2. a fim de espalhar ao máximo o material. de forma vertical. 2) Em seguida. 2. Por diluições. 3. Esquema da Contagem Bacteriana Com Alça 1. Lâmino-cultivo.Contagem bacteriana (contagem de colônias) – UFC A técnica de contagem em placa é baseada no princípio de que cada célula bacteriana quando cultivada em meio sólido ao se multiplicar forma uma massa macroscópica que é a colônia. I = Indol M = Vermelho de Metila V = Voges-Proskauer C = Citratase 2. 108 .

• O número de colônias é multiplicado por 100 se a alça utilizada for de 0.000 = superior a 105 col/mL ou UFC/mL • • O Esquema de Urocultura está apresentado na página 109. Contagem das colônias Contagem de colônias (UFC) por alça calibrada. O resultado é dado pelo laboratório usando potenciação.000 9. 40 x 1. Exemplo: colônias contadas = 40. 1) Alça 0. Leitura das características do estafilococo e estreptococo. se lactose negativa (L-). para evitar os números com Mais de 100. Exemplos: • • • • • • 3o dia Leitura do IMVIC e das provas bioquímicas do BGN.000 = 9x104 col/mL ou UFC/mL = 9x103 col/mL ou UFC/mL = 102 col/mL ou UFC/mL = 4. caracterizá-los como nos capítulos precedentes.000 col/mL urina.000 col/mL urina.001 muitos zeros.000 100 45.5x104 col/mL ou UFC/mL = 105 col/mL ou UFC/mL 40 x 100 = 4.I Escherichia coli Enterobacter Klebsiella Citrobacter + + M + + V + + - C + + + móvel (urease tardia) imóvel Do crescimento em ágar sangue fazer Gram.000 = 40.001. Se houver crescimento de estafilococos ou estreptococos.01 e por 1.000 100.000 se a alça utilizada for de 0. 109 .01 2) Alça 0. 90.

110 .

P < 10 5 A Identificação do MO. Piúria asséptica causada por desidratação / inflamação. Provável contaminação ou colonização.Interpretação dos resultados das análises de urina relacionados com sintomatologia clínica Contagem bacteriana Leucócitos Sintomas Como reportar o resultado A A Não houve crescimento de MO. Tratamento prévio com antibióticos. * Bacteriúria sintomática. * Cistite. pielonefrite. Bacteriúria assintomática. A A Identificação do MO e antibiograma. * 111 . pielonefrite. Bacteriúria assintomática (gravidez ou paciente idoso). Cistite. * P P Identificação do MO e antibiograma. UFC/mL P P Identificação do MO e antibiograma. P P Não houve crescimento de MO. Bacteriúria assintomática (gravidez ou paciente idoso). Contaminação (crescimento de várias espécies de MO). > 105 UFC/mL A P Identificação do MO e antibiograma. Provável uretrite ou paciente sob uso de antibióticos. Comentários Não existe infecção urinária. A A Identificação do MO. P A Identificação do MO e antibiograma. Sem crescimento P A Não houve crescimento de MO. Bacteriúria sem piúria.

112 .Legenda: Sintomatologia Leucócitos MO = microrganismo P = presença de disúria e/ou freqüência urinária A = ausência de disúria e/ou freqüência urinária A = < 10/campo P = ≥ 10/campo * = se houver crescimento de mais de uma espécie de MO. considerar a predominante.

de volume grande e evacuações freqüentes. Estas bactérias aderem à mucosa intestinal sem interferir na integridade das células epiteliais. As fezes ficam liquefeitas. 2) Semear 3 a 4 alçadas das fezes em um caldo de enriquecimento (caldo GN. para a pesquisa do patógeno. Cultura de Fezes 1o dia 1) Semear uma alçada de fezes ou swab anal. Clostridium (Clostridium difficile e Clostridium perfringens) e Staphylococcus aureus são pesquisados somente em situações especiais e quando solicitado pelo médico.INTESTINAIS Diversos são os agentes que podem causar doenças diarréicas e entre eles as bactérias. 2) Diarréia não sanguinolenta. por estrias superficiais. As bactérias enteropatogênicas pesquisadas de rotina em coprocultura são: Salmonella. vibriões (Vibrio cholerae. As diarréias agudas podem ser divididas em dois grupos: 1) Sanguinolenta. em meio de Teague ou SS. sendo respectivamente: 113 . A diarréia sanguinolenta é causada por bactérias invasivas e produtoras de citotoxinas que invadem ou destroem as células epiteliais do intestino. Ao exame microscópico observa-se a presença de muitos leucócitos. sendo que o período de incubação varia de acordo com o caldo utilizado. As evacuações são sanguinolentas e pouco volumosas. Outras bactéria como a Yersinia enterocolitica. As fezes devem ser coletadas no início da diarréia. Vibrio parahemolyticus e Campylobacter jejuni). tetrationato ou selenito) 3) Incubar o Teague e SS (ágar Salmonella-Shigella) a 35oC ± 1oC por 24 horas e caldo de enriquecimento a 35oC ± 1oC. Há ausência de leucócitos no exame microscópico das fezes. Shigella e Escherichia coli invasora e Escherichia coli enteropatogênica clássica. A diarréia não sanguinolenta é causada por bactérias produtoras de enterotoxinas.

pois quando estas bactérias estão presentes em pequena quantidade podem ser prejudicadas pela competição com a microbiota intestinal. A inoculação em EPM é feita com agulha por picada profunda e.GN – 4 a 6 horas Selenito – 8 a 12 horas Tetrationato – 12 a 24 horas O enriquecimento é necessário para recuperação e isolamento da Shigella e Salmonella. O meio de MILI deve ser semeado fazendo-se uma picada central próxima ao fundo do tubo. 4) Repicar do caldo de enriquecimento para uma placa de SS ou XLD (Xilose. Repicar as colônias suspeitas do Teague e SS para os tubos contendo EPM e MILI. conforme esquema abaixo. sem recarregar a agulha. 2o dia 1) Observar o crescimento nas placas de Teague. Desoxicolato). Lisina. fazer estriais superficiais na parte inclinada do meio. Esquema da Inoculação Com Agulha Por Picada Profunda Vista Lateral Vista Anterior EPM EPM 114 .

que veio do enriquecimento.3o dia 1) Realizar a leitura do EPM/MILI. EPM – Cor original: verde Verde acastanhado – LTD positivo Bolhas de ar – gás positivo Amarelo – glicose positivo Azulado – uréia positiva Preto – H2S positivo 6 MILI – Cor original: roxa Formação de anel vermelho ao adicionar o reativo de Kovacs – indol positivo Formação de anel amarelo ao adicionar o reativo de Kovacs – indol negativo Turvação ao redor da linha de inoculação motilidade positiva Amarelo – lisina negativa Qualquer cor diferente do amarelo lisina positiva 115 . 2) Se houver suspeita de algum patógeno significativo. semear as colônias claras no Baracchini. realizar provas bioquímicas complementares (se necessário) e soroaglutinação específica. 3) Do SS.

Os antígenos flagelares podem pertencer a fase 1 ou fase 2 (Salmonelas difásicas). Misturar com alça até ficar com aparência homogênea. No nosso meio. Ambas as aglutinações. antes de utilizar os soros monoespecíficos. misturando 1 gota do anti-soro e 1 gota da suspensão bacteriana a identificar. Técnica 1. a aglutinação O forma grumos miúdos e compactos. Sobre uma lâmina colocar uma gota de soro polivalente O e 1 gota de suspensão bacteriana a identificar. Em seguida repetir a mesma técnica usando o soro polivalente H. fica comprovada a sua identificação. Caso haja especificidade. 116 . 2. Iniciar com soros correspondentes às salmonelas que mais comumente se isolam na região. Caso haja aglutinação com todos os soros que correspondem à fórmula antigênica de Salmonella typhimurium. A Salmonella possui antígenos somáticos O e antígenos flagelares H. têm que dar positivas. 3.Enteropatógenos O fluxograma de triagem para enteropatógenos em Coprocultura após o cultivo em MILI e EPM encontra-se demosntrado na página 123. Uma primeira orientação é obtida com misturas de soros O (polivalentes O) e soros H (polivalentes H). O e H. ocorre reação Ag-Ac que se manifesta pelo fenômeno da aglutinação. a mais freqüente é a Salmonella typhimurium. Em seguida fazer aglutinação com soros monoespecíficos: somáticos e flagelares. A aglutinação H forma flocos grandes e frouxos. promover maior contato entre o soro e as bactérias. Com movimentos basculantes contínuos. Teste de Identificação Sorológica O teste é feito por aglutinação rápida em lâmina.

haardt S. 5 1. 7 6. norvich S. 10 Fase 1 a b d d. 5 1. 12 4. 2 1. Os laboratórios clínicos dispõem apenas dos soros das salmonelas mais freqüentemente isoladas. 7 6. 4. 10 3. h l. h e. 5 e. 12 4. 6 1. 5 1. 6 1. 7 1. 8 6. california S. birkenhead S. 2 1. typhi S. n. panama S. 12 1. 12 1. 5 1. derby S. schwarzerngrund S. 7 (Vi) 6. h i i l. 4. 12 1. m. kaapstad S. tokodari S. bredeney S. 7 6. 8 6. 12 1. w 1. 12 1. 7 d. oranienburg S. 7 6. m. t i i l. 12 1. maleagridis S. butantan S. paratyphi – C S. 14 1. g f. muechen S. 5 1. 12 1. typhimurium S. Grupo A B Sorotipo S. 7 6. e. 4. 8 6. v k l d a d g. z15 1. 5 1. chester S. h f. n. montevideo S. 4. h e. belem S. 4. 5 1. 5 1. 5. 5. 7 6. 8 6. eimsbuettel S. 27 4. sendai S. 5 z6 1. s m. 2. livingstone S. n. paratyphi – B S. 7 6. reading S. 9. cholerae-suis S. w 1. inganda S. 6 1. 12 1. e. 2 1. w 1. 10 3. oslo S. 2 1. 5 1. 2 1. 4. 8 6. 7. 9. x 1. 27 6. 20 6. s g. h g. 2 1. decatur S. g. 12 4. v b e. 12 1. 2 1. w Fase 2 1. agona S. h e. 4. 5. 12 1. newport S. 12 9. nchanga Antígeno O 1. 6 1. 12 3. 5. 10 3. dublin S. 9. 9. 4. kentucky S. 5 1. m g. 12 1. 5 1. 2 C1 C2 C3 C4 D E 117 . salinatis S. anatum S. 7 6. infantis S. 12 (Vi) 1. enteritidis S. 12. 8 8 8. 7 6. p. 12. bonariensis S. t k r z10 z29 c c d e. tennessee S. saint-paul S. 9. lichtfield S. x 1. 7 1. n. 7 6. 4. paratyphi – A S. 5. p l. gallinarum S. 7 e.Observação: a identificação sorológica de todas as salmonelas (mais de 2200 sorotipos) só pode ser feita em Laboratórios de Referência. 7 6. h e. 5 e. agama S. 5. x 1. h e. 12 (Vi) 1. 7 6. thompson S. v a c c c d e.

As espécies: Shigella dysenteriae Shigella flexneri Shigella boydii Shigella sonnei A Shigella é imóvel.Shigella Possui 4 espécies. cada espécie com diversos sorotipos. Escherichia coli A principal bactéria da microbiota intestinal é a Escherichia coli. As não patogênicas podem causar infecção urinária e meningite. uma proteína translocase. Há 167 sorogrupos e desde 60 existem em humanos: 25 microbiota normal. mas destrói microvilosidades (adesão-aplainamento) por fímbrias formadoras de feixes. intimina e seu receptor. Produzem poderosas enterotoxinas codificadas por plasmídeos – LT (termolábil) ou ST (termoestável). 118 . 35 patogênicas. LT atua na adenilato ciclase e a ST na guanilato ciclase (aumenta assim aprodução de fluidos e causa diarréia). É caracterizada somente pelo antígeno O (é desprovida de antígenos H e K). Técnica O teste de aglutinação segue a técnica anterior. ETEC possui fatores de colonização (adesinas fimbriais) – ligam a bactéria a sítios esfecificos na superfície celular dos enterócitos. As Escherichia coli patogênicas são distribuídas em 5 sorogrupos: EPEC – enteropatogênica clássica ETEC – toxigênica EIEC – invasiva EHEC – hemorrágica EAEC – aderente EPEC não produz nenhuma toxina.

provocando destruição tecidual. mas é uma técnica muito cara (diagnóstico molecular). 25. 164. 8. 142. necrose e ulceração. K e H – a partir deles fazemos a diferenciação das cepas de E. EAEC – liga-se às células na cultura de tecido. 124. a bioquímica e a sorologia se fazem necessárias. principalmente em crianças. PCR pode ser utilizada. 125. 152. coli patogênicas Por fazer parte da microbiota normal intestinal. lisam o vacúolo endocítico.Hemorrágica. 158 28. igual à EPEC. 55. 119. * Testes específicos são necessários para identificar cepas de E. Tem muitas fímbrias que foram transcritas a partir de genes plasmidianos. No interior das células. 112. Sorogrupos de Escherichia coli associados a infecções humanas Infecção Sorogrupo O 26. 136. 167 6. 63. 111. 126. coli – para fazer a diferenciação de qualquer cepa de Escherichia coli. Observações EPEC (associados somente com diarréia infantil) EIEC (associados com disenteria bacilar) ETEC Intestinal 143. 115. Ela se fixa na mucosa do intestino grosso pelo processo de adesão aplainamento. Faz que nem tijolo empilhado. 86. multiplicam-se e disseminam-se para as células adjacentes. 144. utilizamos a sorologia por meio desses três antígenos. 20. inflamação. Atuam no intestino delgado e fazem diarréia persistente. Produz uma toxina verotoxina (que é idêntica à toxina Shigalike da Shigella). Duas conseqüências são: a colite hemorrágica e a síndrome hemolítica urêmica. 78. 114. 128. penetram nas células do epitélio intestinal por endocitose. 148 26. * E. Isso faz aparecer sangue e muco nas fezes. 128.EHEC . 157 EHEC (associados com a colite hemorrágica) 119 . coli possui os antígenos O. 15. Produz toxinas termolábeis. 29. EIEC se liga especificamente à mucosa do intestino grosso – utiliza genes associados a plasmídeos. A verotoxina atinge as células epiteliais e causa diarréia.

SS – iniciais de Salmonella e Shigella. 6. Coprocultura positiva para Escherichia coli enteropatogênica clássica. existem 171 antígenos O. 76 A Escherichia coli possui antígenos O. 6. 83 1. 7. Aglutinação: as técnicas de aglutinação são feitas como nas anteriormente citadas. 25. K e H. A identificação só é completa após os testes sorológicos. 7. 2. Coprocultura positiva para Salmonella sp. 3. 120 . 22. 6. 75 Membros da microbiota normal dos intestinos Meningite do recém-nascido Bacteremia 1. 7. 4. Vermelho neutro: indicador de pH. Ou citar o sorotipo quando efetuadas as tipagens sorológicas completas. Hipossulfito de sódio: inibe outros Gram negativos. 9. 18. 62. Coprocultura negativa para bactérias enteropatogênicas (citar as bactérias pesquisadas) Observação final: as provas bioquímicas são insuficientes para a identificação das enterobactérias patogênicas. Após a conclusão dos testes. 8. 22. 8. 9. Exemplos conforme o resultado obtido: 1. Meios de cultura usados nesta prática Meio SS Seletivo diferencial. 11. 4. 18. A fórmula antigênica da Escherichia coli é representada por números arábicos colocados após as letras. Sais biliares: favorecem a Salmonella. Coprocultura positiva para Shigella flexnerii. 2. 2. 100 antígenos K e 57 antígenos H. 11. Exemplo: O26:K60:H11.Urinária 1. inibem coliformes e Gram positivas. 25. Fórmula: Lactose: é diferencial. Verde brilhante: seletivo. o laboratório envia ao médico o resultado. geralmente aglutinando-se com o soro anti-O. 16. inibe a maior parte das bactérias Gram positivas. 4.

e algumas E. Colônias cor de rosa: suspeita de E. Rugai e sorotipagem Fonte: Opustil et al. Shigella spp. a ponto de não ser aconselhado por microbiologistas de renome. Roxo escuro com brilho metálico: suspeita de E. Inibe CGPs. Colônias negras: suspeita de Salmonella spp. coli Transparentes ou roxo claro: suspeita de Salmonella spp. Shigella spp. Ágar simples. Inibe CGPs. inclusive os coliformes. O meio SS é muito seletivo. Pode inibir Shigella spp. pelas altas concentrações de sais biliares (8.Cloreto férrico. (com ou sem centro negro). Crescem BGNs somente Isolamento de entero- ASPECTO DAS COLÔNIAS SUSPEITAS Lactose negativa (transparente ou sem cor): suspeita de Salmonella spp. 2002 121 . Crescem BGNs somente Seletivo para Salmonella e Shigella. Rugai e sorotipagem HE Contém indicador da produção de H2S (ácido sulfídrico) Seletivo para Salmonella spp. Vermelha..5 g/L) e altas concentrações de citrato de sódio. Amarela: suspeita de E. Incolor: suspeita de Shigella spp. PROCEDIMENTO DE IDENTIFICAÇÃO MEIO DE CULTURA FINALIDADE DO MEIO Isolamento de enterobactérias. É formulado para prejudicar a maior parte das Gram negativas. coli Incolor (com ou sem centro negro): suspeita de Salmonella spp. rosa forte ou translúcida circundadas de vermelho: suspeita de Salmonella spp. Amarela: suspeita de Klebsiella spp. coli Azul ou verde azulado: suspeita de Salmonella spp. Lactose positiva (co de rosa): suspeita de E. coli MC Rugai e sorotipagem EBM TEA HHT bactérias. coli invasoras. Rugai e sorotipagem SS Contém indicador da produção de H2S Rugai e sorotipagem Seletivo para VB Salmonella spp.5 g/L – os outros meios têm 1.

5g 5g 122 . Descarboxilação da lisina. Neste tubo pode ser lido: Desaminação do L–triptofano.EPM (Escola Paulista de Medicina) Este meio trata-se de uma modificação do meio de Rugai e Araújo pela retirada da sacarose e da prova do indol. MILI (Motilidade. Fermentação da glucose. Produção de H2S. GN Broth (Bacilo Gram Negativo – Caldo) Triptose Dextrose D-manitol Citrato de sódio Desoxicolato de Na Fosfato de potássio Fosfato monopotássico NaCl P/ 1000mL de H2O. Produção de gás pela fermentação da glucose. Produção de indol a partir de triptofano.5g 4g 1. Hidrólise da uréia pela enzima urease. 20g 1g 2g 5g 0. Indol e Lisina) É um meio semi-sólido onde pode ser lido: Motilidade.

123 .

MEIO BARACCHINI Este meio permite observar a decomposição de três açúcares: glucose. com enegrecimento e com o ápice vermelho. com ou sem enegrecimento e com o ápice violeta. em forma de bisel. Base violeta. Klebsiella sp. sem gás. Base amarela.. além da produção ou não de urease. com ou sem enegrecimento e com o ápice amarelo. Pseudomonas aeruginosa Bactérias Gram Positivas 124 . As bactérias inoculadas no fundo vão ter uma relativa anaerobiose. sem gás. H2S. É um meio que promove sete provas bioquímicas em uma só. Base amarela. com gás. 4. gás e indol. 2. Escherichia sp. ápice amarelo ou amarelo avermelhado. Enterobacter sp. sem gás e ápice vermelho. ASPECTO 1. 7. Shigella sp. com gás. 3. Base amarela. DIAGNÓSTICO Salmonella typhi Salmonella arizona. 1) Extrato de carne 2) Triptose 3) NaCl 4) Tiossulfato de Sódio Composição deste meio de cultura 5) Sulfato Ferroso 6) Glucose. Salmonella sp. lactose e sacarose. O meio sólido é distribuído para apresentar uma base em coluna alta de aproximadamente 3cm de altura e o ápice inclinado do mesmo comprimento que a base. Lactose e Sacarose 7) Uréia 8) Vermelho de Fenol 9) Azul de Timol 10) Ágar É importante estabelecer a proporção de glucose de 1:10 em relação a cada um dos demais carboidratos. Proteus sp. 6. Base e ápice vermelhos. 5. Citrobacter sp. Base amarela. com enegrecimento e com o ápice vermelho. Base amarela..

produz pequenas quantidades de ácidos. ao transformarem aminas a partir da descarboxilação oxidativa do O2 do ar (no fundo do tubo. a lactose ou a sacarose. onde não existe o O2. se fermentadas. e que as aminas formadas não conseguiriam neutralizar. A glucose em pequenas quantidades nesse meio (1:10) em relação aos outros carboidratos. os quais são facilmente neutralizados pelas aminas alcalinas.Resultados Relacionados apenas com a decomposição de açúcares (não considerando a uréase e o H2S).0). CASO 2: Quando a bactéria é fermentadora de glucose e sacarose ou lactose. Há produção de ácidos. Inicial: A base e o ápice aparecem amarelos indicando acidificação (fermentação de glucose). A base e o ápice conservam a cor vermelha inicial (pH alcalino). 125 . a decomposição dos peptídeos é quase nula). A base e ápice apresentam cor amarela (pH abaixo de 6. Posterior: A superfície do bisel gradualmente volve ao pH alcalino (meio vermelho inicial). produziriam pequenas quantidades de ácidos. temos três resultados: CASO 1 Base alcalina Ápice alcalino Não fermentadora CASO 2 Base ácida Ápice ácido Fermentadora de lactose e sacarose Inicial Ápice e base ácidos Não fermenta lactose Fermenta glucose CASO 3 Posterior Base ácida (amarela) Ápice vermelho CASO 1: Quando a bactéria é incapaz de fermentar qualquer açúcar testado. Devido à maior proporção. CASO 3: Ilustra o metabolismo inicial e a transformação posterior definitiva. A bactéria é não fermentadora de lactose e fermentadora de glucose.

“Há quanto tempo o(a) senhor(a) está com essa febre?” NA PRIMEIRA SEMANA: FAZER HEMOCULTURA NA SEGUNDA SEMANA: INDIFERENTE NA TERCEIRA SEMANA: FAZER WIDAL 126 . mialgias. mal-estar e anorexia. com queixas inespecíficas de cefaléia. que aumenta gradualmente. Reação de Widal (diagnóstico indireto). Estes sintomas persistem por uma semana ou mais e são seguidos de sintomas gastro-intestinais. Widal (75%). Segunda semana = hemocultura (75%). No prazo de 10 ou 14 dias após a ingestão dos bacilos aparece febre. quase sempre o exame a ser feito é a hemocultura. No entanto. CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Como quase sempre o paciente chega ao serviço de saúde logo na primeira semana. 2) Reação de soro-aglutinação Períodos da doença e as porcentagens de positividade Primeira semana = hemocultura (80 a 100% de positivo). O diagnóstico laboratorial é feito por duas provas: 1) Hemocultura diagnóstico direto.FEBRE TIFÓIDE E PARATIFÓIDE A febre entérica é adquirida através da ingestão de água ou alimentos contaminados com material fecal. Terceira semana = Reação de Widal (100%). hemocultura (40%). Salmonella schottmuelleri (antiga Febre Paratifóide Salmonella paratyphi B) e Salmonella hirschfeldii. pode haver casos isolados e será a anamnese que nos guiará a qual exame deverá ser feito. Widal (10%). Agente etiológico: Febre Tifóide Salmonella typhi Salmonella paratyphi A.

para obter maior probabilidade diagnóstica. 127 . 2006 Observação: como nem sempre o paciente sabe especificar o início da doença.Incubação Invasão ativa e Bacteremia ACME Fonte: Rubin. alguns clínicos recomendam realizar ambas as provas simultaneamente. independente do período da infecção.

A coprocultura não tem por objetivo o diagnóstico da doença e sim para confirmar o estado de portador. Extraído o sangue. trocar a agulha e inocular no frasco com meio de cultivo. 3) Aplicar álcool iodado a 1%. Puncionar a veia com a agulha do próprio sistema e o sangue é aspirado diretamente para o frasco.Quarta semana (fase de convalescença) = realiza-se a Coprocultura-Teste de libertação. Para comprovar que o paciente não alberga a Salmonella é preciso fazer três coproculturas de três evacuações consecutivas. O portador elimina a Salmonella através das fezes podendo propagar a doença. As três devem ser negativas. O sangue é obtido por punção da veia usando seringa e agulha. porque é o período de maior concentração de bactérias circulantes. como nos frascos de penicilina). Após a anti-sepsia não palpar a veia com os dedos. o local da punção deve ser rigorosamente descontaminado. em virtude da infecção crônica da vesícula biliar em alguns pacientes. perfurando a tampa de borracha (o diafragma de borracha. Muitos livros de microbiologia citam o caso de uma cozinheira americana que trabalhou para oito famílias durante oito anos e foi a fonte de contaminação de sete epidemias de Febre Tifóide com mais de duzentos casos. Mas como o pico febril geralmente 128 . No caso da Salmonella pode se usar o caldo bileado. Foi por isso chamada de Mary Typhoid. Em ambos os casos. Recomenda-se fazer: 1) Lavagem com sabão medicinal. Hemocultura É o cultivo do sangue do paciente em meios adequados. 4) Passar álcool 70% para retirar o iodo. 2) Enxaguar com água estéril. Pode-se usar também um sistema fechado. Período da coleta Recomenda-se a coleta de sangue imediatamente antes do pico febril. que consiste num frasco com meio de cultura e vácuo.

Volume do sangue a cultivar Para hemocultura de adultos. Proporção: semear em meios de cultura guardando a proporção de 1 para 10. Em crianças de até um ano. neutraliza-se a sua ação. retira-se 10 mL de sangue. Normalmente recomenda-se colher 2 amostras em crianças. porque ele inibe o crescimento destes agentes. Alguns meios para hemocultura disponíveis no comércio contêm anticoagulante polianetol-sulfonato de sódio (PSS) que. acrescentando penicilinase ao meio de cultura (50 u%). acrescentase ácido p-amino-benzóico (5 mg%). realizam-se duas coletas. um microrganismo da ação bactericida do sangue.não pode ser previsto. a diluição necessária para preservar. Uso de antibióticos Se o paciente estiver usando antibióticos. na vigência do tratamento com antibióticos. visto que o número de bactérias circulantes é pequeno. uma em cada braço. além de evitar a coagulação do sangue. é aconselhada a coleta de duas amostras com uma hora de diferença. Observação: quando há suspeita de que a septicemia é causada por Neisseria gonorrhoeae. de 10 a 20 bactérias por mL. o fato deve constar na requisição do exame dando o nome do medicamento. Nos casos de estado febril agudo em que haja a necessidade de terapia imediata. até 30 dias). Neisseria meningitidis e Gardnerella vaginalis não se deve usar este anticoagulante. inibe a ação do complemento. Cultivo Os frascos com o sangue devem ser incubados a 37oC e observados durante vários dias (para Listeria. 3 em adultos que não estejam em tratamento e 4 a 6 amostras. in vitro. lisozima. o 129 . Se for penicilina. Devido ao pequeno número de microrganismos. colher de 1 a 5 mL. fagocitose e inativa aminoglicosidios. Se forem sulfamídicos.

Nesta ocasião. Por exemplo: Hemocultura positiva para bacilos Gram negativos após cinco dias de incubação. no sangue do paciente. pág. manda-se o resultado definitivo ao médico. 635 a 642. 130 . edição 1990. visto que eles existem em pequenas quantidades em sangue de pessoas normais. Isolamento em placas para caracterização. Para que a Reação de Widal tenha valor diagnóstico é necessário titular os anticorpos presentes. tirar uma pequena porção da cultura e fazer: • • Bacterioscopia pelo Gram. dirigida contra os antígenos O e antígenos H. O crescimento é percebido pela turvação do meio. consultar Microbiologia e Imunologia de Otto Bier.crescimento é lento. Caracterização bioquímica em andamento. Um vez identificada a bactéria. Para detalhes técnicos e interpretação de resultados da Reação de Widal. O resultado de Gram é enviado ao clínico para orientação preliminar. Reação de Widal A Reação de Widal é uma soro-aglutinação e pesquisa anticorpos anti-salmonela.

1) Por diluição do antibiótico 2) Por difusão do antibiótico Diluição O teste da diluição em caldo é empregado para determinação da Concentração Inibitória Mínima (CIM) que é dada pela quantidade da droga no tubo onde não houver mais crescimento (a quantidade é expressa em mcg/mL). Portanto temos: a) Quantidades variáveis do antimicrobiano.5 mcg/mL 3. Exemplo: 30 mcg/mL 15 mcg/mL 7.94 mcg/mL Nos tubos são colocadas quantidades conhecidas e decrescentes do antimicrobiano e quantidades fixas de bactérias em todos os tubos. O CIM deste antibiótico é = 7. observar os tubos com crescimento revelado pela turbidez.88 mcg/mL 0. Este método.TESTE DE SENSIBILIDADE AOS ANTIBIÓTICOS (TSA) São testes utilizados para observar a resistência ou sensibilidade aos antimicrobianos de bactérias isoladas de amostras clínicas representativas de um processo infeccioso. No exemplo acima houve crescimento nos três tubos da direita.75 mcg/mL 1. Já o tubo com 7. fornecendo dados quantitativos. cuja sensibilidade não é previsível.5 mcg não apresentou turbidez. é sempre usado em situações onde o método de difusão fornece dados inseguros. Também quando os pacientes não respondem 131 .5 mcg/mL. Após incubação. b) Quantidades constantes de bactérias.

Para outros microrganismos ainda são feitas investigações para efeito de padronização. de se difundir no meio de cultura sólido. o que permite correlação com os dados de CIM e os níveis antimicrobianos a nível de sangue e urina. Staphylococcus aureus e Pseudomonas. podendo-se usar: comprimidos. O método de Kirby-Bauer foi padronizado para patógenos de crescimento rápido. A variação da concentração do inóculo pode resultar em erros superiores a 50%. baseia-se na capacidade. seguro. É o método de Kirby-Bauer que é prático. mas a mais usada em Laboratórios de Análises Clínicas é a técnica de difusão do disco (confete) de papel de filtro. como enterobactérias. escavações nas quais se coloca o antibiótico. embebido em antibiótico. barato e de fácil execução. 3) As placas não devem ter umidade excessiva na superfície do meio e na tampa. com a dosagem habitual do antibiótico prescrito.a uma terapêutica aparentemente adequada ou então que apresentam recidivas no curso do tratamento. A padronização requer os seguintes cuidados relacionados aos meios de cultura: 1) pH 7. Difusão O segundo método.5 mL de BaCl 1% + 99. 2) Espessura uniforme de 4 mm com superfície perfeitamente plana. Cuidados com o inóculo A suspensão bacteriana deve ter turvação idêntica ao tubo no 5 do padrão de sulfato de bário (escala de Mac Farland – 0.5 mL de H2SO4 a 1%). o Teste de Sensibilidade aos Antibióticos (TSA) ou antibiograma. intermediário (ou pouco sensível) e resistente. 4) O meio deve ser recente (não ressecado).4. As técnicas variam.3 a 7. 132 . apresentada pelo antibiótico. Há vantagem também na apresentação do resultado em três níveis: sensível.

Os polidiscos são usados em laboratórios de rotina grande.Cuidados com os discos de papel de filtro 1) Devem ser conservados a 4oC (ou menos). 133 . 1o dia Semeadura em placa 1) Mergulhar um swab estéril no inóculo a testar. 2) Antes de usar. em frascos originais. retirar da geladeira ou freezer e usar somente quando os frascos atingiram a temperatura ambiente. Ligações inertes Discos impregnados A placa é de diâmetro grande. de 15 cm aproximadamente. para evitar gotas de condensação. os discos podem ser aplicados manualmente (com auxílio de pinça estéril) ou por dispositivos mecânicos simples ou múltiplos. Aplicação dos discos 1) Com cuidados de assepsia. Os discos podem ser individuais ou polidiscos. 2) Deslizar o swab sobre a superfície em todas as direções (semeadura em massa). Retirar o excesso do líquido pressionando-o contra a parede interna do tubo. observando que não fique nem uma área sem semear.

indicam quantidade insuficiente de bactérias. No centro da placa colocar os antibióticos com menor poder de difusão: polimixina. do halo de inibição em relação ao antimicrobiano e a bactéria testada (as tabelas estão nas páginas seguintes). No caso dos discos individuais deve se respeitar o espaçamento entre eles de 3 cm e 2 cm entre o disco e a borda da placa. muito separadas. São recomendados meios de cultura especiais para antibióticos pouco solúveis em água. bacitracina e vancomicina. fazer uma pressão leve com a pinça para deixá-lo aderido à superfície do meio. Observar a variação. 3) Crescimento de colônias isoladas dentro do halo indica presença de mutantes resistentes ou contaminantes (cultura mista). No exemplo acima o polidisco tem 13 antibióticos. 2o dia 1) Observar o crescimento que deve ser semiconfluente. 2) Após colocar o disco. Usar um antibiótico de cada grupo. Colônias isoladas. 134 . 3) Inverter a placa e incubar a 37oC.Há economia de tempo e trabalho visto que se coloca o polidisco de uma só vez. 2) Medir com régua milimetrada o diâmetro da zona de inibição de crescimento ao redor do disco (inclusive o disco). na “Tabela de Agentes Antimicrobianos Sugeridos para Uso Rotineiro em Antibiograma” e “Tabela de Interpretação de Diâmetro dos Halos de Inibição”.

.....) Gram-negativos entéricos ≤ 17 18 – 22 ≥ 23 Cefotaxima 30 mcg ≤ 14 15 – 22 ≥ 23 Cefoxitina 30 mcg ≤ 14 15 – 17 ≥ 18 Ceftazidima 30 mcg ≤ 14 15 – 17 ≥ 18 Ceftriaxona 30 mcg ≤ 13 ≥ 21 14 – 20 Cefalotina 30 mcg ≤ 14 15 – 17 ≥ 18 Cloranfenicol 30 mcg 13 – 17 ≤ 12 ≥ 18 Clindamicina ou Lincomicina 2 mcg ≤ 14 15 – 20 ≥ 21 Eritromicina 15 mcg ≤ 13 ≥ 23 14 – 22 Fosfomicina 50 mcg ≤ 13 14 – 22 ≥ 17 Gentamicina 10 mcg ≤ 12 ≥ 15 13 – 14 Imipenem 10 mcg ≤ 13 14 – 15 ≥ 16 Metilmicina 30 mcg ≤ 12 13 – 14 ≥ 15 Oxacilina (. faecalis) 10 unidades ≤ 14 ≥ 15 (.25/23..) Listeria monocytogenes 10 mcg ≤ 19 ≥ 20 Carbecilina 100 mcg (. monocytogenes 10 unidades ≤ 19 ≥ 20 (.....) Estafilococos 10 unidades ≤ 28 ≥ 29 (..) Enterococo 10 mcg ≤ 16 ≥ 19 (.) Estafilococos 10 mcg ≤ 28 ≥ 29 (..) L.) Estafilococos 1 mcg 11 – 12 ≤ 10 ≥ 13 (.) Pneumococos quando 1 mcg ≤ 19 ≥ 20 sensíveis à penicilina G Penicilina G (..75 mcg ≤ 10 11 – 15 ≥ 20 Vancomicina 30 mcg ≤ 9 10 – 11 ≥ 28 Antimicrobianos específicos para infecções urinárias Ácido pipemídico 20 mcg ≤ 13 14 – 18 ≥ 19 Ácido nalidixo 30 mcg ≤ 13 14 – 18 ≥ 19 Nitrofurantoína 300 mcg ≤ 14 ≥ 17 15 – 16 Norfloxacina 10 mcg ≤ 12 13 – 16 ≥ 17 Sulmamídicos 250 a 300 mcg ≤ 12 13 – 16 ≥ 17 Drogas para Germes Urinários 135 ..Interpretação do Diâmetro dos Halos de Inibição Antimicrobiano Potência do Diâmetro do halo de inibição (mm) Resistente Intermediário Sensível disco Amicacina 30 mcg ≤ 14 15 – 16 ≥ 17 Ampicilina (.) Enterococos (E.. 10 mcg ≤ 19 ≥ 30 (.) Estreptococo (S.) S. bovis 10 unidades ≤ 19 20 – 27 ≥ 28 Rifampicina 30 mcg ≤ 16 17 – 19 ≥ 20 Tetraciclina 30 mcg 15 – 18 ≤ 14 ≥ 19 Tobramicina 10 mcg ≤ 12 13 – 14 ≥ 15 Trimetoprim / sulfametoxazol 1.. bovis) 10 mcg ≤ 21 22 – 29 ≥ 30 (...) N. gonorrhoae 10 unidades ≤ 19 ≥ 20 (....) Pseudomonas ≤ 13 14 – 16 ≥ 17 (....) Gram-negativos entéricos 10 mcg ≤ 11 12 – 13 ≥ 14 (...) Haemophilus sp.....

Shigella. Campylobacter. Candida albicans. Herpes vírus e o protozoário flagelado Trichomonas vaginalis. Infecções por bactérias: Salmonella. ligado a diversos fatores. Multiplicidade de parceiros. entre os quais: • • • • Maior liberdade sexual. Mycoplasma hominis.11: CAPÍTULO 11: DOENÇAS SEXUALMENTE TRASMISSÍVEIS PRINCIPAIS AGENTES ETIOLÓGICOS: Cancro mole/cancróide Gonorréia Sífilis Outras: Haemophilus ducreyi Clamydia trachomatis Neisseria gonorrhoeae Linfogranuloma venéreo (LGV) Treponema pallidum Gardnerella vaginallis. o qual vocês verão com detalhes na Parasitologia Médica (BP331). Atualmente o número de doenças transmitidas pelo contato sexual aumentou (ver tabela). A Entamoeba histolytica. Giardia e Enterobius são transmitidas após o contato bucolingual-anal. Início precoce da atividade sexual. O aumento das DST foi devido a mudanças do comportamento sexual. Calymmatobacterium granulomatis. Maior expressão social feminina Doenças infecciosas e infestações transmitidas por contato sexual Tipo de Agente Agente Específico Doença ou Síndrome Citomegalovírus Citomegalovirose Vírus da hepatite A Hepatite A Vírus da hepatite B Hepatite B Vírus do herpes simples tipo 2 Herpes simples genital Vírus Vírus da imunodeficiência AIDS humana Vírus do molusco contagioso Molusco contagioso Vírus do papiloma genital Condiloma acuminado 136 . Há as que são causadas por vírus: Herpes. Ureoplasma urealyticum. AIDS. hepatites.

geralmente. peri-hepatite e linfogranuloma venéreo (no sexo feminino) Vaginite Cancro mole ou cancróide Salpingite. acidentes de laboratório ou por via placentária. endometrite. Cervicite. epidimite. Chlamydia trachomatis Granuloma inguinal ou donovanose Enterite e enterocolite Uretrite. Treponema pallidum Ureaplasma urealyticum Fungo Protozoários Helmintos Artrópodes Candida albicans Entamoeba histolytica Giardia lamblia Trichomonas vaginalis Enterobius vermicularis Phthirus pubis Sarcoptes scabiei SÍFILIS Sífilis ou lues é causada por Treponema pallidum. salpingite. Mais raramente pode ser adquirida por transfusão de sangue. síndrome uretral. transmitida sexualmente ou em relações muito íntimas. A sífilis é uma doença de evolução lenta e pode ser dividida em quatro fases: Fase da Doença 1 – Sífilis Primária 2 – Sífilis Secundária 3 – Sífilis Latente 4 – Sífilis Terciária Cancro duro Roséolas Caracterização Sem sintomas ou sinais Sífilis cardiovascular ou neurossífilis (demência) 137 . bartolinite. A umidade favorece a instalação. Shigella sp. proctite. uretroprostatite e corioamnionite Vulvovaginite e balanopostite Amebíase intestinal Giardíase Vulvovaginite e uretrite Enterobíase Ptiríase ou pediculose pubiana Escabiose Bactérias Gardnerella vaginalis Hemophilus ducreyi Mycoplasma hominis Neisseria gonorrhoeae Salmonella sp. O treponema penetra através de mucosas íntegras ou em efrações da pele. proctite e linfogranuloma venéreo (no sexo masculino). febre puerperal e pielonefrite Gonorréia (uretrite e outras síndromes) Salmonelose Shigelose Sífilis Uretrite. febre pós-abortamento.Calymmatobacterium granulomatis Campylobacter sp.

canal endocervical e em menor freqüência no ânus. Cobre-se facilmente com secreção purulenta devido à infecção por contaminantes.1. Sífilis Primária Aparece de 2 a 6 semanas após o contágio e se manifesta com o aparecimento de uma lesão chamada cancro duro ou protosifiloma. prepúcio e reação 138 . O cancro duro cura espontaneamente ao fim de 1 a 3 meses. Fonte: Netter. bordas endurecidas (daí o nome) e elevadas. parede vaginal. Na mucosa bucal a lesão tem semelhança com a afta e é rica em treponemas. Na pele aparecem manchas eritematosas chamadas roséolas sifilíticas (principalmente no tronco). vulva. Sífilis Secundária O Treponema pallidum dissemina-se a partir da lesão inicial e pode acometer vários órgãos e tecidos. É uma lesão de 1 a 2 cm de diâmetro. As localizações mais freqüentes são: pênis. mucosa retal. reto e na cavidade oral (faringe e tonsilas). 2006 Fonte: Rubin. Podem aparecer lesões nas amígdalas. vulva. geralmente circular e única. indolor e de fundo liso com cor avermelhada. 2006 2.

Sífilis Terciária É quando o caráter de infecção já é neurológico e cardiovascular. que é um diagnóstico patognomônico da sífilis congênita. com disseminação nos tecidos fetais. que é um tipo de endarterite obliterante dos vasa vasorum (os microvasos que nutrem os leiomiócitos da túnica média dos grandes vasos. Em pacientes não tratados. Esta fase pode durar de 1 a 30 anos. apenas revelada em provas sorológicas. 139 . hepatite. medula e pares cranianos. da mãe infectada para o feto. Sífilis Latente Segue-se a sífilis latente que é assintomática. como foi visto em Histologia I). e a sífilis terciária benigna (surgimento de uma goma em qualquer órgão). meningite. Fonte: Mims. Além destas lesões. 4. etc. pode ocorrer um aneurisma sifilítico e outras lesões que serão discutidas na disciplina de Anatomia Patológica (MP313).). Além disso. pode ocorrer neurossífilis lesando meninges. Pode ocorrer aortite sifilítica. 2005 3. 5. Pode se apresentar de maneira assintomática. ou sintomas inespecíficos como rinite. as lesões e os sintomas desaparecem após 1 a 3 meses. Em alguns casos dá-se origem à tríade de Hutchinson. havendo proliferação e posterior resposta inflamatória. Sífilis congênita É quando a sífilis é transmitida in utero. pode haver envolvimento de órgãos internos (nefrite. córtex cerebral.ganglionar.

2006 Fonte: Robbins.queratite parenquimatosa com conseqüente cegueira . Observação: em certas ocasiões. 140 . Como também alguns solicitam exame sorológico em sífilis primária. visto que esta fase pode durar até 3 meses e já após a segunda semana começam a surgir anticorpos específicos. os clínicos requisitam bacterioscopia de lesões secundárias de sífilis. Secundária Sífilis Latente Terciária Diagnóstico indireto pela pesquisa de anticorpos no sangue do paciente. principalmente de mucosas e em material ganglionar.hipocusia (surdez) vestibular (labiríntica) . através de provas sorológicas.Tríade de Hutchinson . 2005 Diagnóstico Laboratorial O diagnóstico laboratorial depende da fase da doença: Sífilis Primária Diagnóstico direto – bacterioscopia para revelar a presença do agente causador.dentes ebtalhados semi lunarmente (o destista pode fazer o diagnóstico) Resumo: Fonte: Rubin.

de grande sensibilidade e uma positividade ao redor de 95%.2 µm de espessura. 3. Campo escuro É o método de escolha. Técnica Imediatamente após coletar a serosidade. 2.Coleta do material para bacterioscopia 1. o Treponema refringens. Os treponemas medem de 6 a 10 µm de comprimento e 0. A bacterioscopia pode ser feita por diversos métodos: a. Fazer pressão leve na base endurecida e coletar a serosidade que poreja da lesão. O uso de drogas antitreponêmicas locais ou sistêmicas ou o material coletado em lesões antigas. Em campo escuro aparecem apresentando grande mobilidade. tem espiras mais abertas e menos numerosas. utilizando alça metálica. Limpar a superfície da lesão com gaze embebida em solução salina estéril. tubo capilar ou fazendo um “imprint” com a própria lâmina. as formas espiraladas. d. podem dar resultados falso-negativos. c. Secar com gaze estéril. Coloração negativa. regulares e numerosas (de 10 a 14). de morfologia muito semelhante ao Treponema pallidum pode ocasionar resultados falso-positivos. para remover os contaminantes. cobrir com lamínula e observar. Em lesões bucais. como o Treponema microdentium. Encontrado em lesões sifilíticas secundariamente infectadas e também em lesões genitais não luéticas. Fontana-Tribondeau. b. mais calibroso. apresentam espiras apertadas. Deve-se ter o cuidado de não confundir com outro espiroqueta. Imunofluorescência direta. 141 . Campo escuro (95% de positividade). Com experiência percebem-se logo as diferenças: o Treponema refringens é mais refringente (daí o nome). habitante freqüente da genitália.

por Fixação de Complemento. Cora-se mal pelos corantes de anilina.2 µm. entre elas: TPI: Treponema pallidum Immobilization. 2. devido a composição em lipídios. VDRL e outras. É usado também em reação de Wassermann. 3. Imunofluorescência Direta Na imunofluorescência direta são usados anticorpos específicos conjugados com fluoresceína. 1. Reações com antígenos não-treponêmicos. Ag (bactéria) com anticorpo correspondente e o Treponema aparece fluorescente. deve constar na requisição. não seria observado. são feitos exames sorológicos. pois seu calibre é de 0. O sorodiagnóstico é feito por dois tipos de reação: 1. Mesmo se corasse. limite de visibilidade em MO. Há formação de reação Ag-Ac. 142 . Kline e VDRL. O soro sobrenadante é submetido a diversos exames.Técnica de Fontana-Tribondeau Apesar de menos sensível e mais trabalhoso que a pesquisa direta em campo escuro. Kline. Reações Sorológicas A partir da fase secundária da sífilis. Neste caso o laboratório clínico só fará: Kahn. visando encontrar anticorpos contra o treponema. Observação: os clínicos costumam solicitar a pesquisa de anticorpos sifilíticos através de: Soro Lues. o método de Fontana é usado principalmente em laboratórios clínicos de pequeno porte que não dispõem de microscópios de campo escuro. 2. O antígeno não treponêmico é a cardiolipina extraída de coração bovino. coletar o sangue e deixar coagular. quando observado ao microscópio de luz ultravileta. O antígeno treponêmico é usado em várias reações. É muito frágil e não suportaria a fixação pelo calor usado no Gram. O material é o sangue do paciente. Reações com antígenos treponêmicos. É usado nas reações de floculação: Kahn. Após a assepsia do local. Observação: não se usa o Gram para evidenciar o Treponema pallidum por três motivos: 1. 2. Caso haja interesse em outros métodos.

Mas não é muito utilizado em laboratórios clínicos por ser caro e de difícil execução.FTA: Fluorescent Treponema Antibody. FTA-ABS: Fluorescent Treponema Antibody Absorved Test Fonte: Mims. O FTA-ABS consiste em dois sistemas Ag-Ac. Treponema pallidum x Anticorpo Anticorpo (gamaglobulina) x Soro antiglobulina humana (conjugado com fluoresceína) 143 . Atualmente cada vez mais usado em laboratórios clínicos é o FTA-ABS. O Treponema pallidum e o Treponema reiterii têm antígenos em comum e geram a formação de anticorpos comuns. Absorvidos os anticorpos comuns. que devem ser mantidos no biotério em temperaturas próximas de 18oC. apresentando reação cruzada apenas com o Treponema pertenue (bouba) e Treponema carateum (pinta). Mas cada um deles tem antígenos próprios. ficam somente aqueles do Treponema pallidum. Há necessidade de manter o Treponema pallidum suficientemente patogênico em inoculação em coelhos. 2005 O TPI é muito específico. que é de fácil execução e de grande sensibilidade e especificidade. uma vez que o soro suspeito é absorvido com antígenos de treponemas não patogênicos (Treponema de Reiter).

A gonorréia é normalmente sintomática em homens e geralmente assintomática em mulheres. anal. Fica alojado dentro de neutrófilos em secreção (ela consegue entrar no PMN graças à proteína Rmp). 2.V. e apresentar infecção ocular gonocócica. Caso haja anticorpos anti-sifilíticos. chamada oftalmia do neonato.Técnica 1. a antigamaglobulina reagirá com ele. Colocar o complexo soro antigamaglobulina humana + fluoresceína. A manifestação na orofaringe aparece em indivíduos que praticam sexo oral sem preservativo. As infecções do trato genital. Observação: o treponema pallidum não se cultiva em meios bacteriológicos artificiais e nem em cultura de células. A Neisseria é um diplococo Gram negativo justaposto pela face plana ou côncava em forma de grão de café ou dois rins justapostos. do reto e da faringe atuam como fontes na propagação do gonococo. Soro suspeito com Ac Treponema pallidum Antigamablobulina com fluoresceína GONORRÉIA Gonorréia ou blenorragia é causada pela Neisseria gonorrhoeae. Acontece com maior freqüência nos adolescentes e adultos jovens. 144 . Levada ao microscópio de luz U. aparecerão os treponemas fluorescentes em caso positivo. Os recém nascidos podem ser contaminados durante o parto ao atravessarem o canal vaginal. É de transmissão pela relação sexual. Sobre uma lâmina preparada com Treponema pallidum fixado é colocado o soro suspeito absorvido.

causando peritonite ou proctite Quadro clínico As manifestações ocorrem após 2 a 5 dias do contágio. podendo aparecer vulvovaginite com secreção purulenta e abundante. Nas mulheres somente 10 a 20% apresentam quadro clínico agudo. e a mais freqüente é a prostatite. para glândulas anexas causando epididimite. orquite. Geralmente os casos são de endocervicite. Podem ocorrer manifestações extragenitais como anorretite. artrite. haverá propagação da infecção em 50% dos casos masculinos. Fonte: Netter. Em mulheres a propagação resultará em metrite e salpingite.Transmissão Não-sexual a) Oftalmia neonatal b) Vulvovaginite em crianças a) Cistite b) Pielite Gonococo mucosas Homens (uretrite) c) Proctite d) Orquite e) Epididimite Transmissão Sexual Mulheres (cervicite) a) Salpingite: podendo esterilizar b) Metrite: podendo disseminar. Nos homens aparece fluxo mucoporulento uretral abundante. Se a gonorréia não for tratada nas 2 semanas iniciais. 2006 145 . meningite e endocardite.

Em todos os outros casos é necessário fazer a cultura de bactérias. Fonte: Tortora. esperma e líquido prostático. Bacterioscopia pelo Gram Tem valor diagnóstico somente em uretrites gonocócicas masculinas e nas vulvovaginites agudas. Em mulheres: Dar preferência à secreção do canal endocervical. 2. Retirar o swab com cuidado para não contaminar com bactérias da vagina. 2.Diagnóstico laboratorial: Bacterioscopia e Cultura Coleta do material Em homens: O melhor material é a secreção uretral. 1. Introduzir um swab fino. Observação: pode-se coletar outros materiais como: urina (1o jato miccional). 2 cm no canal uretral após a fossa navicular e absorver a secreção. antes da primeira micção: 1. Limpar a secreção externa com gaze estéril embebida em salina. 3. 2005 146 . A coleta deve ser feita pela manhã. intra e extracelulares. 3. limpar com gaze estéril a secreção da vagina e do colo do útero. Após introduzir o especulo. Na bacterioscopia aparecerão os gonococos na forma de diplococos Gram negativos. Introduzir o swab no canal endocervical e absorver a secreção. Enxugar.

ou de 20 a 25 p/c. Cultura: positiva para Neisseria gonorrhoeae. Fazer bacterioscopia pelo Gram: após a cultura aparecerão as formas de autólise: os gonococos vão aparecer em formas atípicas como cocos intumescidos com fraco contorno e palidamente coradas. deixando uma atmosfera de aproximadamente 5 a 10% de CO2. Incubar com a lata em estufa a 35oC durante 48h. O TMM é específico para cultura de gonococo. Pode ser utilizado o ágar chocolate também. Com alça de platina fazer estrias em sentido transversal ao Z. colocar uma vela e acendê-la. 5. Após a incubação examinar as colônias: gonococo cresce dando colônias brilhantes. 8. ou raros) diplococos Gram negativos intra e/ou extracelulares. A seguir realizar provas bioquímicas. nistatina e trimetoprim. 2. abaixo de 5 p/c. Cultura: não houve crescimento de Neisseria gonorrhoeae em meio de Thayer-Martin após 48h de incubação. No fundo da lata ou sobre a placa. Estriar o meio em forma de Z rolando o swab suavemente sobre a superfície. Positivo: presença de numerosos (ou vários. Colocar uma tampa para baixo em uma lata que possa ser fechada hermeticamente (lata de biscoitos). Liberação de Laudo Negativo: não foram encontrados diplococos Gram negativos no exame bacterioscópico. No fundo da lata colocar uma mexa de algodão embebido em água para preservar a umidade deste ambiente. 6. 4. 7. 147 . que é um ágar chocolate acrescido de antibióticos: vancomicina. colistina. Técnica (recomendada pelo Ministério da Saúde/PN-DST-AIDS) e seguida pelo Lacen: 1. ou alguns. Polimorfonucleares acima de 30 por campo. Fechar a tampa e segurar. 3. própria para a proliferação do gonococo. 5 a 10 p/c.Cultivo O cultivo é feito de preferência no meio de cultura de Thayer-Martin Modificado (TMM). mucóides e acinzentadas de tamanho variável. A vela apaga quando o O2 fica exaurido.

“salpingus” vem de tuba) 15-20% dos pacientes que tem gonorréia. No ser humano a uretrite por Chlamydia é a infecção mais comum. Não confundir com Dovanose (granuloma inguinal) causada pelo Calymmatobacterium granulomatis 148 . Pode fazer hepatite. Primeiro forma-se uma ulceração local formada por uma pápula ulcerada no local da inoculação. não só a secreção. etc. cefaléia e mialgia. temos que coletar a célula. portanto. causando edema. Há material purulento espesso. Pode haver febre.URETRITES NÃO GONOCÓCICAS As uretrites não gonocócicas são causadas por Chlamydia trachomatis. Para cultivá-las precisamos utilizar meios de cultura que tenham células eucarióticas. outras bactérias. Lembrando que clamídias são intracelulares obrigatórias. têm a Clamydia também. salpingite (salpingite de tubas UTERINAS. meningoencafalite. Ureaplasma urealiticum. ela pode se disseminar para outros órgãos. bartolinite (uma inflamação nas glândulas de Barthollini. Tanto que se acreditava que as clamídias eram. Faz adenopatia inguinal unilateral. protozoários e vírus. Infecção sistêmica acometendo tecido linfático. vírus. epididimite. A partir da circulação linfática. Por via inguinal pode causar uretrite. ccervicite (do cérvix na mulher). pneumonite. As lesões iniciais são mais freqüentes em sulco bálano prepucial e face interna dos pequenos lábios. proctite (inflamação no ânus). Gardnerella vaginalis. na verdade. que fazem lubrificação na vagina). É a maior causa de uretrite não gonocóccica. mas forma infecções em linfonodos inguinais. LGV (Linfogranuloma Venéreo) Agente etiológico: Clamydia trachomatis Ocorre mais em homens. A Clamydia se oculta. não tubas auditivas. Abscessos (pontos de flutuação) fistulizam e disseminam para o resto do organismo via linfática.

1986) afirmam que no sexo masculino. Duplicam-se no citoplasma das células do hospedeiro. cultura de tecidos. 2006 Fonte: Mims. sendo parasitas intracelulares obrigatórios. enquanto o do gonococo é de 2 a 7 dias. sendo mais aquosa ou mucóide. não é possível cultivá-la em meios artificiais. A mais importante no homem é quando acomete a próstata e às vezes as vesículas seminais. podendo ser graves. As complicações podem aparecer em tempo variável. Só se cultivam em sistemas vivos: saco vitelino de ovos embrionados. Estas inclusões podem ser observadas ao microscópio. drenagem linfática inapropriada. imóveis. levando à infertilidade. a uretrite por Chlamydia e 2. Alguns pesquisadores (Belle Grayston.5 vezes mais freqüente do que a uretrite gonocócica. Devido o seu parasitismo obrigatório.Fonte: Netter. formando inclusões características. Nos homens a uretrite por clamídia apresenta quadro clínico semelhante à uretrite gonocócica. 149 . embora a secreção uretral seja mais moderada ou escassa e menos purulenta. utilizando coloração de Giemsa ou usando anticorpos específicos conjugados com fluoresceína. trompa e ovários. Outros dados mais recentes apresentam a Chlamydia como responsável por 50% das uretrites. 2005 Há 3 fases: Primária: Pápulas nos órgãos genitais Secundária: Manifestações sistêmicas Terciária: Fibrose. O período de incubação é de duas a três semanas. Nas mulheres pode infectar útero. As clamídias são organismos cocóides. mas as mais usadas são as células Hela e células McCoy.

(o cancro da sífilis NÃO é doloroso) Fonte: Netter. Clue-cells Fonte: Google Imagens 150 . para a cultura é feito o esfregaço das células e/ou aspirado de linfonodos (onde o Haemophilus pode se alojar).5. Manifestam-se como úlceras genitais DOLOROSAS. Uma das características marcantes da secreção de vaginose bacteriana à microscopia óptica é a presença de clue cells (células epiteliais da vagina cobertas de bactérias). Às vezes a paciente pode se queixar de prurido vulvar ou erupção perivulvar. O pH vaginal geralmente é maior que 4. ainda não foi claramente definida. freqüentemente mais notado após a menstruação ou coito. O principal agente etiológico envolvido é a Gardnerella vaginalis. 2006 Fonte: Google Imagens VAGINOSE BACTERIANA Esta doença.CANCRO MOLE (CANCRÓIDE) Agente etiológico: Haemophilus ducreyi Meio de cultura: ágar chocolate em microaerofilia. A sintomatologia típica é queixa de mau odor. muitas vezes associado ao aumento do fluido vaginal. também conhecida como vaginite anaeróbia.

A cultura não é muito utilizada. mostra células-chave (células epiteliais cobertas por um grande número de cocobacilos Gram-variáveis) com pequeno número de leucócitos polimorfonucleares e número diminuído de lactobacilos. Mais detalhes: ver páginas 189 a 192. Exame laboratorial O exame laboratorial é feito pela demonstração do agente causador por microscopia pelo Gram ou Preparação a Fresco. mas é essencial examinar e tratar o parceiro assintomático para reduzir a chance de reinfecção. A candidíase pode ser transmitida ou exacerbada pela relação sexual. mas a maioria das infecções (particularmente em mulheres) resultam de auto-inoculação do reto. Na prática médica a doença pode se manifestar com sintomas em apenas um dos parceiros. com a relação sinérgica entre o número aumentado de Gardnerella e anaeróbios. Patogenicidade A patogenicidade da Gardnerella vaginalis ainda não foi estabelecida. O microrganismo é raramente encontrado em homens. No primeiro caso as manifestações microbiológicas são negativas. CANDIDÍASE A infecção por Candida albicans é a infecção fúngica mais comum na prática genitourinária. A cultura pode ser feita no Meio de Sabouraud. 151 .Exame laboratorial A microscopia do exsudato vaginal pelo Gram. É considerada por alguns pesquisadores como resultado do desequilíbrio entre a microbiota vaginal normal. Os sintomas podem ser causados por hipersensibilidade ou infecção.

Esse ânion é quem dá a esses microrganismos a característica de Bacilos Álcool-Ácido Resistentes (BAAR). uma vez que eles retêm os corantes quando tratados com álcool e ácido. A tuberculose é um grave problema de 152 . Registram-se atualmente cerca de 5 milhões de casos. Ou seja. tornandos-os fracamente positivos neste método.12: CAPÍTULO 12: MICOBACTERIOSES Micobactérias são assim classificadas por terem sua parede celular diferente das demais bactérias. O micolato é o principal componente da parede celular. Sua classificação é de bacilo pela forma e micobactéria pela bioquímica da parede. a qual é denominada de "cerosa" pelo Robbins. São bacilos retos ou um pouco curvados. Principais espécies de interesse médico: Mycobacterium tuberculosis e Mycobacterium leprae Outras espécies: Mycobacterium bovis. não se coram facilmente pelo Gram. TUBERCULOSE (TB) A tuberculose é uma doença extremamente contagiosa. Causa grande mortalidade no mundo inteiro. imóveis e dispostos na forma de paliçada ou de globias. Mycobacterium avium. sendo que este número tem crescido. etc. como três milhões por ano.

saúde pública, visto que cada tuberculoso pode disseminar o bacilo no convívio familiar e social. Apesar de se conhecer o agente causador, a maneira de transmissão e o tratamento adequado, a tuberculose é um problema preocupante. A tuberculose humana é causada também pelo Mycobacterium bovis e outras espécies (ver tabela). Espécies de micobactérias de maior significado clínico Espécie M. ulcerans M. tuberculosis M. bovis M. marinum M. kansasii M. scrofulaceum M. xenopi M. avium M. intracellulare M. fortuitum M. smegmatis Transmissão: doença inflamatória infecciosa, de caráter contagioso, que evolui por surtos, sendo o acometimento pulmonar a maior causa de morbidade e mortalidade . Contágio: aquisição de bacilos através do contato direto com os portadores da doença (perdigotos), através do uso de utensílios contaminados (fômites), também através de permanência contínua e prolongada em meio ambiente contaminado. Aerossóis respiratórios são a principal forma de disseminação, pois ela é uma bactéria aeróbia e tem tropismo por alvéolos. Desta forma, as pessoas cujo escarro possui BAARs visíveis à microscopia são consideradas portadoras da micobactéria. Fatores predisponentes: doenças ou condições debilitantes. Essas pessoas são enquadradas dentro de grupos de risco: marginalizados, tóxico-dependentes, idosos, HIV+, transplantados, portadores de IRC, câncer, etilistas, diabéticos, portadores de neoplasias, grupos socialmente desfavorecidos, desnutridos e emigrantes. Há a TB gastrointestinal (Mycobacterium bovis), a aquisição do bacilo se faz pela ingestão de leite não-pasteurizado. IV (rápidos crescedores) Geralmente não-patogênicas III (não-cromógenas) Geralmente patogênicas II (escotocromógenas) Geralmente patogênicas I (fotocromógenas) Geralmente patogênicas Grupos de Runyon Significado clínico Sempre patogênicas

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Fisiopatologia: Inalação do BAAR via aerossóis ainda não tem resistência). As micobactérias são fagocitadas pelos macrófagos alveolares.
Fonte: Fernando Bortolozzi Fonte: Netter, 2005 (Fisiologia)

alvéolo

Primeiras semanas: a infecção primária ocorre no pulmão (lembre-se de que o hospedeiro

Macrófago alveolar Dentro dos macrófagos, os BAAR têm dois destinos: 1) Serem mortos e eliminados. 2) Continuarem resistentes e fazerem lise dos macrófagos. Os macrófagos liberam quimiocinas e fazem quimiotaxia de neutrófilos e monócitos circulantes (circulo vicioso). O Mycobacterium tuberculosis possui uma cápsula de composição lipoprotéica que interfere na fusão deste microrganismo com os fagolisossomos dos macrófagos alveolares. Isso possibilita a sobrevida dos BAAR no interior destas células, se não houver o correto direcionamento da ação enzimática dos macrófagos pelas linfocinas. As quimiciocinas se ligam na α-hélice dos receptores transmembrânicos dos monócitos e neutrófilos. Isso ativa a cascata das integrinas e provocam alterações no citoesqueleto, promovendo a migração destas células para os tecidos.

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Há Reação de Hipersensibilidade tipo IV (Tardia) formam o ganuloma (um tipo de inflamação crônica).

macrófagos cercam o bacilo e A Imunologia Médica (BP333)

explicará os mecanismos imunológicos da hipersensibilidade e a Patologia Médica Molecular (BP334) mostra os mecanismos deste tipo de inflamação crônica. Tentemos entender: de um lado os macrófagos ativados estão tentando conter a infecção e do outro eles provocam dano tecidual nos órgãos infectados (liberam EROs). EROs é uma sigla que quer dizer espécies reativas de oxigênio. São radicais livres. Geralmente são produzidos dentro de fagócitos como neutrófilos e macrófagos. Essas células os produzem no intuito de dar cabo das bactérias patogênicas. Nos pulmões, esse processo leva a cavitações e a disseminação de bactérias. Posteriormente há fibrose extensa e isso pode ser demonstrado em radiografias do tórax. (Aspecto radiográfico típico da tuberculose, o pulmão "em cavernas" na radiografia que será visto nas aulas de propedêutica). O Mycobacterium tuberculosis promove a formação de um granuloma "imunológico" (o termo imunológico é utilizado pela presença de linfócitos na lesão). Células gigantes e células epitelióides são os tipos celulares mais comuns encontrados nesses granulomas. As mononucleadas, porém aumentadas são as epitelióides. Elas são derivadas de macrófagos ativados pelas citocinas. Estas células secretam continuamente TNF, fazendo com que o processo inflamatório continue. As células polinucleadas são as células gigantes do tipo Langerhans (originadas pela fusão de vários macrófagos). Célula gigante típica de granulomas

Fonte: Junqueira, 2004 (Histologia Básica)

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O Granuloma

Granuloma é um tipo de inflamação crônica, que tenta conter a propagação de algo que o organismo não conseguiu dar cabo. Também é o padrão da resposta de hiperssensibilidade tipo IV. Esse tipo de resposta imune será abordado nas aulas de Imunologia Médica (BP333), bem como haverá um seminário específico para a imunopatogênese desta doença. A Histologia de um Granuloma Tuberculoso Uma área central de necrose caseosa (núcleo semi-sólido macio), circundada por uma outra área cheia de macrófagos, células epitelióides e células gigantes. Adjacente a essa coroa existe uma bainha de linfócitos T e mais externamente uma deposição fibrosa, com fibroblastos e formação de colágeno tipo I (está começando a ser formada a tríplice hélice do pró-colágeno. Uma vez empacotado pelo complexo de Golgi, esse colágeno fica mais denso e delimita os granulomas). Se a pessoa infectada for incapaz de produzir uma resposta imunológica adequada, o granuloma é bem menos organizado e pode consistir apenas em um agregado de macrófagos, sem arquitetura clássica das células gigantes. Ou seja, a anatomia patológica pode sugerir por si só um quadro de imunocomprometimento (suspeitar de HIV e correlacionar sempre com a história clínica do paciente).

Histologia do granuloma

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substratos. Quando uma célula não tem mais suprimento de O2. Granulomas à microscopia óptica (isso será visto com detalhes na Anatomia Patológica) Fonte: Bogliolo. A própria formação do granuloma explica que a imunidade é celular. etc. E isso explica o porquê da imunidade na tuberculose é do tipo celular. alimento. Isquemia é o bloqueio na condução do sangue para uma certa região do corpo. 157 . 2006 Fonte: Rubin. por exemplo. quando a célula atinge o ponto de não-retorno. Como não tem sangue. Necrose é a morte celular forçada.Necrose caseosa: a área central necrosada adquire um aspecto de queijo branco (do latim caseum). também não terá mais oxigênio nem suprimento para as células. 2006 Complexo de Ghon Complexo de Ghon é um nome que damos a um quadro na TB. eletrólitos. Isso ocorre nas isquemias prolongas.

Complexo de Ghon Formas clínicas: Tuberculose Primária: Complexo de Ghon Tuberculose Primária progressiva: Uma pequena porção de microrganismos fica viável por anos. às vezes comprimindo os brônquios a ponto de produzir atelectasias do pulmão distal. mas é comum nas crianças com menos de 5 anos de idade e em pacientes com imunidade suprimida ou prejudicada. uma vez que o organismo não consegue dar conta de matar o BAAR. 158 . Na verdade o próprio granuloma explica isso. A tuberculose pulmonar primária progressiva é uma evolução alternativa menos comum. O foco de Ghon no pulmão aumenta e pode mesmo erodir dentro da árvore brônquica. Resumo: Complexo de Ghon = granulomas no pulmão + linfonodos hilares e mediastínicos comprometidos. Os linfonodos hilares e mediastínicos acometidos também aumentam. A infecção toma esse curso em menos de 10% dos adultos normais.As células T sensibilizadas liberam linfocinas (linfocina é uma citocina que recebe esse nome porque veio do linfócito). o colabamento do lobo médio ("síndrome do lobo médio") é uma conseqüência comum dessa compressão. na qual a resposta imunológica não consegue controlar a multiplicação dos BAAR da tuberculose.

A lesão progressiva pode atingir as meninges e provocar meningite tuberculosa. linfonodos. A parede da cavidade é feita de uma membrana interna delgada. que exibe áreas focais de necrose caseosa.Em alguns casos. O termo miliar é usado porque tem aparência amarela (como milho). os linfonodos infectados erodem em uma via respiratória. A luz é preenchida de material caseoso contendo BAAR. em geral de TB pulmonar secundária. A cavidade tuberculosa em geral comunica-se livremente com um brônquio. baço e medula óssea são locais comuns de lesões miliares. Os segmentos apical e posterior dos lobos superiores são mais comumente acometidos. fígado. rins. Tuberculose Secundária: Esse estágio é quando há reativação da TB pulmonar primária ou uma nova infecção em hospedeiro previamente sensibilizado por TB primária. cinza. uma zona média de tecido de granulação e uma borda colagenosa. Pulmões. Ocorre uma resposta imune celular após um intervalo latente e essa resposta provoca a formação de muitos granulomas e necrose tissular extensa. disseminando microrganismo pelos pulmões (pneumonia tuberculosa). É a reativação da região de granulomas. Resulta da disseminação hematogênica dos BAAR. É a TB cavitária. suprarenais. que compreende núcleos necróticos moles. 159 . Desenvolve-se uma lesão mal definida. fibrótica e difusa. e a liberação do material infeccioso para as vias aéreas serve para disseminar a infecção no pulmão. pequenas e múltiplas em vários órgãos. Disseminação bronquial Tuberculose Miliar: A infecção localiza-se em disseminadas regiões produzindo lesões nodulares amarelas (granulomas tuberculosos). mas muitas vezes de TB pulmonar primária ou de outros locais.

2006 160 .Disseminação hematogênica e TB miliar Fonte: Rubin.

2005 Exame Físico da TB Pulmonar . 161 . Pulmonar: 1 – Escarro. 2 – Conteúdo gástrico.Sibilos e Roncos .Revisando: Fonte: Robbins.Sopro anafórico .Hepatoesplenomegalia Diagnóstico Laboratorial Material: de acordo com a localização.Diminui murmúrio vesicular .Broncofonia (pelo derrame pleural) .

3 – Lavado gástrico. Urina. derrame articular. Óssea / ganglionar: Punção. Bacterioscopia: Ziehl-Neelsen. 2. 4 – Lavado brônquico. Recolher o escarro em frasco limpo. fixação do complemento. 162 . 3. Renal: Meningite: Observação: Descontaminar: escarro. No laboratório o escarro será submetido a uma bacterioscopia pelo método de Ziehl-Neelsen. Coleta do material 1. 2. pus de abscessos fistulizados. Alérgico: intradermorreação com PPD pela técnica de Mantoux ou outras. Levar ao laboratório. podem-se usar outros materiais conforme citado. Líquido cefalorraquiano. Orientar o paciente que recolha material da expectoração e não a saliva. frasco estéril). coelho. Cultura: Löewenstein-Jensen (30 dias). Não precisa descontaminar: líquor. Depositar a parte do escarro de preferência mais purulenta ou sanguinolenta e distribuir uniformemente. líquido pleural (colheita asséptica. derrame peritoneal. Técnica 1. urina. Indireto 1. 2. Sorológico: hemaglutinação. Diagnóstico Laboratorial Direto (bacterioscopia) 1. Quando este resultar negativo. O material a coletar é o escarro. antes e após homogeneização. A localização mais freqüente é a tuberculose pulmonar. Inoculação: cobaia.

BACILOSCOPIA DO ESCARRO A colocaração de rotina é o Zeihl Neelsen. Corar pelo método de Ziehl-Neelsen. devem ser examinadas exaustivamente. À microscopia ópica. referência internacional em tuberculose). apresentam-se como bacilos retos ou ligeiramente curvados.2. isolados ou dispostos em grupos irregulares ou paliçada. Fonte: Robbins. em caso de não aparecer os BAAR. que fazem rotina bacteriológica para diagnóstico e controle de tratamento. 2005 Paliçadas do Mycobacterium tuberculosis observadas ao MO em escarro de paciente. 3. Resultado Quantitativo No escarro é necessário usar a contagem de maneira sistemática anotando-se o número de campos examinados e a quantidade de bactérias. mais de uma. Em caso positivo. Segundo a OMS. temos os resultados da seguinte maneira: 163 . Secar. Fixar na chama. examinar no mínimo 400 campos microscópicos em cada lâmina (segundo a recomendação do Instituto Pasteur. Paliçada é uma disposição como se fosse um muro. As lâminas. aparecerão os BAAR em vermelho em maior ou menor quantidade. Considerado como exame básico obrigatório em todos os laboratórios de análises clínicas. 4.

Cultivo O cultivo é feito em meios especiais como o de Löewenstein-Jensen enriquecido com lipídeos. como: tratar com KOH ou ácidos diluídos ou trifosfato de sódio. em 50 campos examinados. concentra as bactérias antes presas na viscosidade do muco. O bacilo da tuberculose é de crescimento lento. pode se recorrer à chamada homogeneização. em 20 campos examinados. De 1 a 10 BAAR por campo. Meio de cultura: Lowenstein-Jensen Fonte: Profª Alessandra Daur 164 . em caso negativo. em 100 campos examinados. Quando o resultado direto do escarro der negativo. Menos de 1 BAAR por campo. o clínico pode avaliar o resultado do tratamento adequado ou em caso que os bacilos não estejam diminuindo. Com o resultado quantitativo. uns mais agressivos. mudar o esquema da terapêutica.+ ++ +++ Nenhum BAAR em 100 campos examinados. utilizar o restante do sedimento para cultura. Persistindo suspeita clínica. O clínico pode requisitar o antibiograma caso haja resistência do bacilo aos medicamentos prescritos. Estes produtos vão fluidificar o escarro dissolvendo a mucosidade. Centrifugado em seguida. solicitar novas amostras de escarro. Ao mesmo tempo serve para descontaminar o escarro. rico em microbiota contaminante. o tempo de geração é de mais ou menos 20h. Fechar o tubo com parafina para evitar a ressecação do meio que vai ficar incubado a 37oC de 30 a 60 dias. Existem diversos materiais usados para esta finalidade. Do sedimento faz-se nova bacterioscopia pelo Ziehl-Neelsen. Mais de 10 BAAR por campo. outros menos.

reação cutânea em TB Tratamento da Tuberculose: terapia RIP Rifampicina Isoniazida Pirazinamida Fonte: Robbins. tuberculosis quando a bacterioscopia deu negativa. 4) Teste PPD cutâneo Para identificar M. É feito uma inoculação do Mycobacterium bovis atenuado na pele. TA (tuberculina antiga) CORRELAÇÕES CLÍNICAS: DIFERENCIAR HIPERSENSIBILIDADE TUBERCULÍNICA DE HIPERSENSIBILIDADE GRANULOMATOSA (BP333). Isso será discutido na disciplina clínica de Pneumologia.O meio Bactec consegue promover crescimento do bacilo da tuberculose dentro de 15 dias e pode ser uma revolução no cultivo desta espécie para diagnóstico. 2005 165 . Será que o indivíduo já não foi vacinado com a BCG? O PPD mais serve para ver como está a imunidade do paciente frente ao bacilo do que como um método de diagnóstico propriamente dito. e aguarda-se 48-72h para ver se tem endurecimento local e eritema. É bom lembrar que ele só dará positivo num período de 4 (às vezes até 6) semanas semanas após a infecção do bacilo.

Ele é um agente monoxeno. Mycobacterium leprae. Em patogenicidade experimental em homens. Acredita-se que para contrair a doença tenha que se ter uma predisposição genética. há descrições de multiplicação do bacilo de Hansen em camundongos.. Mas há dois tipos de manisfestações clínicas. Transmissão: aglomerações excessivas e falta de higiene. tatus e primatas. Há dois tipos de Hanseníase. Outros mamíferos têm o BAAR. não é cultivável em meios bacteriológicos ou culturas celulares. Espessamento palpável dos nervos periféricos (o BAAR se multiplica nas bainhas dos nervos periféricos) O indivíduo tem resposta alérgica exagerada 166 . os do tecido conjuntivo normal chamam-se histiócitos. Contato direto e inoculação de aerossóis. bem como os macrófagos não ativados da pele chamam-se células de Langerhans. o Mycobacterium leprae. as tentativas resultaram infrutíferas. As características clínicas da hanseníase dependem de resposta celular. ainda assim pouco se sabe sobre o período de incubação e maneira de transmissão. O bacilo causador. Estudada exaustivamente durante muito tempo. e sim. Hanseníase tuberculóide (TT): lesões eritematosas com áreas anestesiadas na face. os do SNC de micróglia. os do fígado de células de Kupffer. A exposição prolongada a uma fonte infectada é necessária para ocorrer transmissão. tronco e extremidades. Em animais de laboratório.HANSENÍASE (Mal de Hansen) É uma doença crônica conhecida desde a mais remota antiguidade. são detectáveis clinicamente. O Mycobacterium leprae cresce dentro de outras células Especialmente histiócitos (histiócitos são aqueles macrófagos não ativados que residem no tecido conjuntivo e ficam esperando algo para algum dia fagocitar. mas não o manifestam. Na verdade o agente etiológico é sempre o mesmo.

pode haver destruição intensa das estruturas faciais. 2005 Hanseníase lepromatosa (LL): Tem envolvimente extenso da pele. orelhas e bochechas. Há intensa resposta da imunidade celular. os BAAR tornam-se extracelulares e agrupam-se em globias. Há destruição do septo nasal e a parede nasal fica rica em bactérias. nervos periféricos. Fonte: Profª Alessandra Daur Fonte: Anatomia Patológica do HC 167 .e tem maior predisposição a outras infecções bacterianas. SECREÇÕES (PRINCIPALMENTE NASAIS) DE PACIECTES COM HANSENÍASE LEPROMATOSA SÃO INFECTANTES (HÁ GLOBIAS). o que. Há formação de granulomas na derme. Com o tempo. No exame. chama-se MADAROSE). tuberculóide. a resposta imune celular é fraca. Nessa fase. pela conseqüente falta de sensibilidade. Fonte: Mims. Há perda parcial das sobrancelhas (um sinal clínico importantíssimo e PATOGNOMÔNICO da hanseníase. espessamento e dilatação das narinas. por isso. com conseqüente infecção bacteriana secundária. leva a traumatismos repetitivos em mãos e pés. resultando na aparência típica leonina.

1. O crescimento é lento. b) 2 cotovelos. 5. Identificar os esfregaços e a lâmina. fazer cortes na pele. Cresce em temperaturas menores do que 37° por isso sua preferência por habitar a C. pele e a linfa (tecidos periféricos que têm temperaturas mais baixas). de aproximadamente de 5 mm de comprimento e 2 mm de profundidade e recolher a serosidade (linfa) sobre uma lâmina nova. por Ziehl-Neelsen em material coletado das lesões ou da serosidade da pele. Corar pelo método de Ziehl-Neelsen. A linfa será coletada dos quatro locais uma ao lado da outra sobre a mesma lâmina. Com o bisturi. Fazer isquemia com auxílio de pinça ou dedos para evitar o fluxo de sangue. eventualmente poderão ser usadas provas sorológicas. isolados e formando grupamentos chamados globias. Fixar na chama. Secar os esfregaços ao ar. 168 . pode levar até anos para que ocorram as manifestações clínicas. 3. Técnica de Wade (para coleta de linfa cutânea) Local da coleta: a) 2 lóbulos da orelha. 2. LD LE CD CE 6. O diagnóstico laboratorial é feito praticamente pela bacterioscopia. que são características do Mycobacterium leprae. Fazer assepsia do local com álcool iodado. 4. Leitura: os bacilos aparecerão em vermelho.Diagnóstico Laboratorial Mycobacterium leprae não cresce em nenhum meio de cultura.

2005 Histologia dos Tipos Clínicos de Hanseníase Fonte: Rubin. 2006 169 .À microscopia são vistos BAAR em forma de globias. Fonte: Profª Alessandra Daur Fernando Bortolozzi Fonte: Tortora.

A Biologia Molecular classifica o gênero Leptospira em 16 a 18 espécies genômicas (não só as duas espécies clássicas da imunologia). Fonte: Google Imagens 170 . Sorologicamente. em meio ao mundo contemporâneo das técnicas de Biologia Molecular. biflexa. Sorogrupos relacionam a relação antigênica entre os sorovares. A espécie patogênica era a Leptospira interrogans e a saprófita. E estas cepas podem ser classificadas por biologia molecular (genótipo) e por sorologia (fenótipo). Destas 18 genomoespécies. As duas espécies juntas apresentam aproximadamente 260 sorovares (cepas – aglutinação com soro anti-sorovares conhecidos). interrogans e a L. distinguidas fenotipicamente. há uma classificação mais detalhada). já foi classificado em 18 genomoespécies (só distinguidas por PCR). Classicamente.CAPÍTULO 13: LEPTOSPIROSE AGENTES ETIOLÓGICOS O gênero Leptospira. a Leptospira biflexa. seis com sorovares saprofitas e duas com sorovares patogênicos e saprófitas. esse gênero possuía apenas duas espécies: a L. estes sorovares se agrupam em aproximadamente 27 sorogrupos (24 sorogrupos patogênicos e 3 sorogrupos saprófitas). dez são constituídas por sorovares patogênicos. No entanto alguns conceitos estão mudando.

os microbiologistas ainda denominam a Leptospira interrogans como agente etiológico da leptospirose. que se originam em cada extremidade da bactéria (isto permite que ela escave tecidos do hospedeito). muito espiraladas. 171 .Classificação Molecular: 18 espécies genômicas 10 com sorovares patogênicos 06 com sorovares saprófitas 02 com patogênicos e saprófitas Classificação Sorológica: 24 sorogrupos patogênicos 03 sorogrupos saprófitas (+ de 260 sorovares) No entanto. São aeróbios obrigatórios e necessitam de ácidos graxos de cadeia longa para sua nutrição. ou impregnação pela prata (Fontana Trebondeau). por isso seu nome. para sua visualização ao MO. de uma maneira geral. As extremidades da Leptospira interrogans curvam-se no formato de um "ponto de interrogação". Os microrganismos do gênero Leptospira são espiroquetas finas e móveis. Apresentam um movimento rotacional ativo e possuem dois flagelos internos (periplasmáticos). Eles não se coram adequadamente pelos corantes de rotina e necessitam de microscopia de campo escuro. com 5-20 µm de comprimento. uma vez que as técnicas de PCR ainda são relativamente novas.

Outros animais silvestres. são os reservatórios naturais mais importantes. pecuários e domésticos também fazem parte dessa lista. estes mamíferos desenvolvem infecção renal crônica assintomática (e não tem grande número de bactérias na urina). em particular os ratos. A notificação ao Ministério da Saúde é compulsória. O microrganismo acomete cerca de 160 espécies de mamíferos. mas permanecem viáveis por várias semanas na água alcalina e no solo úmido. ao calor ou a detergentes e desinfetantes. podendo ser necessárias várias semanas para que a cultura se torne positiva (o período de multiplicação é de aproximadamente 12 horas). No entanto. EPIDEMIOLOGIA A leptospirose é uma (antropo)zoonose importante. Os meios de cultura utilizados são os meios de Fletcher.Estas bactérias necessitam de condições e meios especiais (meio Fletcher) para que haja crescimento. Os roedores. no entanto. A relação é harmônica do tipo mutualismo. ela está entre as doenças comuns e disseminadas mais mal diagnosticadas que existem. a Leptospira sobrevive por anos nos túbulos contorcidos proximais destes animais. As espiroquetas morrem com exposição ao ressecamento. É também uma doença infecciosa emergente que ocorre em surtos. 172 . de distribuição mundial.

trabalha ou brinca em água contaminada. 87% do total de casos). América Central. próximo ao Equador. dos quais 401 foram a óbito (taxa de mortalidade de 0. As bactérias. mas a transmissão interpessoal é rara. trabalhadores com água de esgoto. apresentam risco elevado de contaminação (isso também explica o porquê da maior prevalência do sexo masculino. uma vez que a contaminação está ligada ao trabalho do paciente. Em 2006 no Brasil houve 4308 casos reportados (272 no Paraná). penetram através de abrasões da pele ou mucosas íntegras. inclusive. No entanto. ser considerada uma doença ocupacional. As epidemias de leptospirose podem resultar da exposição prolongada a águas de enchentes contaminadas pela urina de animais. Certos grupos ocupacionais correm risco particularmente elevado. ou seja. canicola de cães. Esses indivíduos podem adquirir leptospirose por exposição direta ou contato com água e solo contaminados. principalmente em grandes centros urbanos onde há esgoto a céu aberto. a região em que mais ocorre leptospirose é entre os trópicos. assim como na Ásia. Os humanos são infectados pela ingestão ou exposição à água ou alimentos contaminados.093). No globo. nesses grupos estão incluídos veterinários. Portanto. O clima e as precárias condições de higiene favorecem a sobrevida do patógeno. ela pode. grande número de bueiros e outros habitats de roedores. a bactéria sobrevive por meses em água doce. fazendeiros. etc.. Ou seja. Exemplos são os sorovares icterohaemorrhagiae/copenhageni de ratos. empregados de abatedouros e trabalhadores da indústria pesqueira. de modo que a infecção pode ser adquirida quando o indivíduo nada. no restante da América do Sul e nos EUA. sendo esta um importante veículo de transmissão. pomona de porcos. grippotyphosa de ratazanas. Em muitos países em desenvolvimento. agricultores. TRANSMISSÃO É importante lembrar que cada sorovar tem ser mamífero hospedeiro próprio. sangue ou tecidos de um animal infectado. a leptospirose ainda representa um problema 173 . ou após a exposição a um ambiente contaminado. auxiliadas por sua motilidade. A contaminação pode suceder o contato direto com urina. A Leptospira é excretada na urina humana. hardjo de bovinos. etc. mineradores. encontrado em todos os estados do Brasil.A Leptospira é um ser euribionte. o homem é um hospedeiro acidental.

A maioria dos casos ocorre durante o verão e outono nos países ocidentais e durante a estação chuvosa nos trópicos. Microgotículas de água que contenham a bactéria podem ser ingeridas ou a bactéria entrar por escoriações da pele. esse microrganismo secreta hialuronidade. a leptospirose é uma patologia intimamente associada a condições sócio-econômicas. etc. destruindo ácidos graxos insaturados da epiderme. pessoas que praticam natação em rios. esqui aquático. Ela então se dissemina através da corrente sangüínea (leptospiremia) e disseminação para todos os órgãos. canoagem. Em resumo. uma vez que essa bactéria possui dois flagelos periplasmáticos em suas extremindades. principalmente quando o destino são os países tropicais. windsurf. que facilitam a sua introdução no hospedeiro (movimento "saca-rolha"). Além disso. 174 . facilitando a introdução do patógeno. de imensa importância em saúde pública. A multiplicação ocorre no sangue e nos tecidos e a bactéria pode ser isolada no sangue e no LCR nos primeiros 4-10 dias da doença. pois está associada com higiene. maus hábitos de vida. A leptospirose também pode ser enquadrada entre as "doenças do viajante". FATORES DE PATOGENICIDADE A Leptospira penetra em pele com abrasões e nas membranas mucosas integras (principalmente conjuntiva e revestimentos da orofaringe e nasofaringe). A leptospirose também foi reconhecida em cidades do interior semi-abandonadas. Enzimas lipolíticas também fazem parte do arsenal de patogenicidade da Leptospira. Além disso. etc. onde a população de ratos está se expandindo. Dados confiáveis da morbidade e da mortalidade da leptospirose começaram gradualmente a aparecer. uma enzima que destrói as moléculas de ácido hialurônico e outras glicosaminoglicanas da matriz intersticial do tecido conjuntivo da derme e de submucosas.subestimado.

A proteína de membrana OmpL1 e a esfingomielinase H são citotóxicas. É importante salientar que quem causa o efeito patológico são os anticorpos e a reação inflamatória. causa hemólise. O sorovar patogênico libera o antígeno de membrana na circulação desencadeando a reação inflamatória. etc. por exemplo. penetração em boca. a proteína LigA (immunoglobulin-like) e as proteínas fibronectiba-ligantes auxiliam a invasão dos tecidos 175 . aumenta a expressão de quimiocinas e do fator NFkB. Isso pode explicar porque algumas cepas não são patogênicas. mucosas. mas principalmente da resposta imune do hospedeiro. A lipoproteína LipL32. como motilidade. faringe e esôfago durante a ingestão de água. As cepas saprófitas permanecem com os antígenos ligados à parede celular bacteriana. e não o microrganismo em si. produzindo poros nas membranas celulares. Glicoproteínas. o que facilita a mobilidade e produz várias enzimas citotóxicas. As lesões causadas pela Leptospira são causadas em virtude de seus efeitos diretos. A bactéria pode penetrar por pele. Cepas virulentas exibem quimiotaxia. quimiotaxia e patogenicidade.FISIOPATOLOGIA O mecanismo ainda não está totalmente elucidado.

A reação imunológica acaba por ocasionar uma reação de hipersensibilidade tipo III. ou dos neutrófilos com o endotélio. Nessa fase. dor torácica e hemoptise.pela bactéria. calafrios. classificamos a leptospirose como uma doença bifásica. e os casos mais leves nem sempre incluem a segunda fase. gerando complexos imunes. coincide com o surgimento dos anticorpos na circulação sangüínea. esta pode se apresentar de maneira leve (mais de 90% dos casos). uma grande vilã nesse quadro patológico. exantema. O período de incubação varia de 2 a 20 dias. cefaléia intensa. Obtêm-se avidências sorológicas de infecção inaparente pregressa em 15-40% dos indivíduos expostos. Os órgãos alvos preferenciais da leptospirose são os rins. A vasculite é responsável pelas manifestações mais importantes da doença. No entanto. Pode ocorrer 176 . A miagia afeta principalmente as panturrilhas. O papel da resposta imune do hospedeiro durante a infecção ainda é obscuro. A maioria dos pacientes se torna assintomática em aproximadamente uma semana. a imune. Além de ser responsável pela imunidade. A distinção entre a primeira e a segunda fase nem sempre é clara. Em alguns casos pode haver irritação da garganta. Na fase anictérica. O início da segunda fase. náuseas. Nos casos de quem apresenta sintomatologia. Por esses achados. Ou seja. as mialgias e a febre têm intensidade menor. O achado clínico mais comum nessa fase é a febre junto à sufusão conjuntival. SINTOMATOLOGIA É importante procurar obter uma história de exposição a materiais contaminados. sendo a mais comum entre o 7º e o 14º dia pós-exposição. por facilitarem sua adesão com a pele e mucosas. sem dúvidas. A sintomatologia não está relacionada ao sorogrupo que o paciente esteja portando. a fase leptospirêmica aguda é seguida de uma fase leptospirúrica imune. a leptospirose pode se apresentar semelhantemente a uma gripe. vômitos e mialgia. A resposta humoral é. às vezes grave e fatal em alguns casos (menos que 1%). são assintomáticos. comprometimento pulmonar com tosse. Esses complexos são responsáveis pela lesão endotelial e consequentemente pela hemorragia. com febre. o fígado e os pulmões. essa resposta está envolvida na formação da uveíte e talvez das lesões pulmonares. Tipicamente. mas que não adoeceram. o dorso e o abdome. grandes bacteremias podem ocorrem mesmo quando haja um grande título de anticorpos circulantes.

pancreatite necrosante e falência de múltiplos órgãos. Em alguns casos. hemólise (pela lipoproteína LipL32). descreveram-se rabdomiólise. pericardite. petéquias. Embora não mais que 15% dos pacientes exibam sinais e sintomas de meningite. Na forma leve a terapêutica ainda é discutida. principalmente em crianças. a icterícia surge junto à vasculite a disfunção renal. A Síndrome de Weil é a forma mais grave da leptospirose. com achados clínicos já relatados anteriormente. Nos casos de leptospirose moderada a grave. inclusive. disfunção renal. A pele fica com uma tonalidade laranja e nesse estágio geralmente ocorre necrose hepática com hepatomegalia perceptível à palpação profunda do hipocôndrio esquerdo. sendo caracterizada por icterícia. podem ser perceptíveis já na terceira semana da doença. Às vezes a diálise se faz necessária. ser iniciado após os primeiros quatro dias da doença. síndrome da agústia respiratória do adulto. a hipovolemia e a diminuição da perfusão renal contribuem para o desenvolvimento de necrose tubular aguda. Com freqüência ocorre comprometimento pulmonar. no entanto. muitos exibem pleocitose no LCR. Não é necessário introduzir antibiótico associado aos bloqueadores de beta lactamases. Observam-se manifestações hemorrágicas na síndrome de Weil: epistaxe. após 4 a 9 dias. 177 . iridociclite e coriorretinite são complicações tardias que podem ocorrer e persistir por vários anos. uma vez que a Leptospira interrogans não tem potencial para produção desta enzima. os antibióticos de escolha são a doxicilina e a ampicilina.meningite asséptica nessa fase. TRATAMENTO A terapia antimicrobiana é indicada para as formas mais graves da doença. púrpuras e equimoses. choque cardiogênico. Ainda há uma boa resposta dos indivíduos tratados com beta lactâmicos. Durante a leptospirose grave. com oligúria ou anúria. Irite. Na forma leve. usa-se amoxicilina via oral ou penicilina G intramuscular. O tratamento pode. No rim. O início da doença é semelhante ao da leptospirose de grau leve. diátese hemorrágica e taxa de letalidade de 5 a 15%. miocardite. insuficiência cardíaca congestiva. o qual desaparece após duas semanas.

Exemplos: Mofos. Parasitas: obtém alimentos de organismos vivos. Ex: Candida albicans. Aspergillus sp. 178 . Vivem sobre a matéria orgânica. bolores. etc. levedos. algodão em inglês). TIPOS BÁSICOS DE FUNGOS 1. leveduras. Predadores: capturam pequenos animais.Macroscopicamente aspecto pulvurulento.14: CAPÍTULO 14: OS FUNGOS E AS MICOSES CARACTERÍSTICAS GERAIS São seres eucariontes. Mutualistas: sem grande importância médica. uni ou pluricelulares (99% são pluri) SEM CLOROFILA e HETERÓTROFOS FUNGOS NÃO FORMAM TECIDOS VERDADEIROS (no máximo formam hifas) Aproximam-se muito mais do Reino Animmalia do que do Reino Plantae: • • Armazenam GLICOGÊNIO Parede celular de QUITINA A digestão pode ser extracorpórea. fermentos. São os liquens (cianobactéria + fungo) e micorrizas (fungo + raiz de fanerógama). cotonoso (de “cotton”. MODOS DE VIDA Sapróbios: obtem seus alimentos decompondo organismos mortos. Seres UBIQUITÁRIOS: vivem em qualquer lugar que tenha matéria orgânica em decomposição (ex: tecidos necrosados).. Trycophyton sp. cogumentos. por meio de enzimas no substrado. BOLORES . plumoso. Podem ser aeróbios e anaeróbios. ASPECTO SECO Exemplos: Penicillium sp.

ASPECTO ÚMIDO Exemplos: Cryptococcus neoformans. temperatura). Ex: Histoplasma capsulatum. Candida albicans. 2001 Fonte: Mims. 2001 2. 2005 3. Fonte: Koneman. Paracocciodioides brasiliensis Histoplasma capsulatum Fonte: Google Imagens 179 . depende da condição do ambiente (umidade. Causam doenças endêmicas e são potentes patógenos em indivíduos imunocomprometidos (principalmente doenças pulmonares). oval. gelatinoso. LEVEDURAS – Formato esférico. DIMÓRFICOS – podem ser bolores e leveduras. pastoso. Aspecto macroscópico cremoso. tem parede dupla ao MO.Fonte: Koneman.

As hifas são pequenos filamentos secos que correspondem ao corpo do fungo.Fonte: Mims. Micélio é o coletivo de hifas. não por tecidos. encontramos um corpo formado por HIFAS (filamentos multinucleados). Fonte: Material didático do Grupo Positivo 180 . denominado MICÉLIO. 2005 HIFAS: Nos bolores.

As estruturas que produzem os esporos são denominadas esporângios. A reprodução sexuada envolve a união de hifas gaméticas com a formação do zigoto.Há dois tipos de micélio: o vegetativo (hifas que adentram nos tecidos ou substrato em busca de alimento) e o reprodutivo. Fonte: Grupo Positivo CONÍDIO = reprodução por brotamento ESPORO = reprodução sexuada 181 . Podem ser móveis (zoósporos) ou imóveis (aplanósporos) que são transportados pelo vento (fungos do ar). O reprodutivo chama-se de corpo de frutificação e geralmente são os que ficam pra fora da pele nas lesões cutâneas. Fonte: Grupo Positivo REPRODUÇÃO DOS FUNGOS A reprodução pode ser assexuada. em que as hifas têm a função de propagação e dão origem aos esporos. como nas formas unicelulares (Candida albicans e Paracocciodioides brasiliensis quando se apresenta como levedura) ou por fragmentação do micélio nas pluricelulares (Aspergillus sp. por brotamento. O principal meio de reprodução é a formação de ESPOROS.).

além de bactérias e outros fungos. Saccaromyces cervisiae (fermento da cerveja.) b) Oomicetos: Engloba fungos unicelulares até micélios filamentosos. de onde vem a ergotamina). Ex: levêdos. a reprodução pode ocorrer por brotamento.. Reproduzem-se por alternância de gerações Geralmente são decompositores. Nos unicelulares. Podem se alimentar de matéria orgânica em decomposição (Saprolegnia sp. no entanto algumas espécies podem parasitar plantas e animais. denominados ascos. Podem ser formar em garrafas plásticas de água mineral quando o recipiente for reutilizado diversas vezes. Não possui parede celular. apenas uma membrana flexível. Seus esporos chamam-se ascósporos e são produzidos por esporângios em forma de um pequeno saco. Os ascomicetos também são os fungos que se cultivam no interior dos 182 . Alguns são parasitas de vegetais (Phytophthora infestans. do vinho e do pão). Penicillium sp. Aspergillus sp.). Claviceps purpurea (Esporão do centeio. Próximo ao gargalo e à tampa podem se formar colônias pretas de oomicetos. Divididos em grupos: a) Zigomicetos ou ficomicetos: Fungos primitivos constituídos por hifas não septadas. Pode ser formado por células uninucleadas ou se assemelhar a um plasmódio (polinucleado). c) Ascomicetos: constituídos por hifas septadas.CLASSIFICAÇÃO DOS FUNGOS 1) Mixomicetos: Fungos gelatinosos que habitam ambiente úmido e sombrio. Em certas fases da vida se assemelham aos protozoários (emitem pseudópodos).. Fonte: Corel Shock Photos 2) Eumicetos: "fungos verdadeiros". Reproduzem-se assexuadamente por zoósporos flagelados e sexuadamente por gametas distintos. que causa ferrugem ou requeima no tubérculo de batata). Deslizam sobre o solo e englobam partículas orgânicas. Ex: bolor preto do pão (Mucor sp.

Fonte: Google Imagens e) Deuteromicetos: os fungos de maior importância MÉDICA. O corpo de frutificação chama-se basidiocarpo (chapéu). 183 . cobrindo uma área de 1. A maioria é patogênica ao ser humano. Alguns são parasitas de vegetais. Fotos na seção de micoses. O maior organismo do planeta é um fungo! Pertence ao gênero Armillariella e é encontrado nos EUA. São pluricelulares e constituídos por hifas septadas. Trycophyton sp. causando o odor forte típico. não apresentam fase sexuada no ciclo reprodutivo. Candida albicans.5 x 105 m2. solos úmidos. Fonte: Fernando Bortolozzi Aspergillus sp. Formam esporos (basidiósporos) que se fixam externamente em estruturas chamadas basídios. Amanita muscarina. d) Basidiomicetos: São os fungos mais conhecidos (cogumelos) e os mais evoluídos. Podem ser encontrados em tronco de árvores.guarda-roupas. principalmente no vestuário de inverno. Agaricus campestris (champignon). plantas e em matéria orgânica. Penicillium sp. Os chamados fungos "imperfeitos". Exemplos: cogumelos e orelhas de pau. Ex: maioria das micoses. que em muitos casos pode desencadear asma alérgica por reação de hiperssensibilidade tipo I (anafilática). Cryptococcus neoformans. (que causa as frieiras).

o fungo não se desenvolve nos tecidos. em outros locais a ergotamina é um antagonista parcial de serotonina – a 5-hidroxitriptamina (5-HT). micotoxicose é ingestão e/ou inalação de fungo que produz produtos tóxicos ao organismo humano (ex: alcalóides). Conocybe sp. As manifestações patológicas ocorrem em virtude da produção de imunoglobulinas pelos linfócitos B sensibilizados. que é utilizada no Parkinson e em distúrbios endócrinos. a metisergida. Alcalóides são uma classe de medicamentos. Neste caso. utilizados nas crises agudas de enxaquecas. Micose é infecção por fungo. que é utilizada para evitar hemorragia pós-parto. No entanto. por inativar os receptores de dopamina. e a bromocriptina. Essas reações alérgicas por esporos fúngicos (os imunógenos em questão) se enquadram nas 184 . Doenças de Hipersensibilidade: Respostas alérgicas que certas pessoas têm quando vestem um casaco que estava há muito tempo guardado no armário (ascomicetos). Micotoxicose: NÃO é sinônimo de micose. A ergotamina é a matéria prima do LSD. que trata a síndrome carcinóide. O Claviceps purpurea infecta plantações de cereais e pode ser responsável por casos ocasionais de envenenamento em seres humanos que consumiram aquele cereal. FUNGOS E MEDICINA Aproximadamente 106 espécies patogênicas. Essa espécie também produz outros alcalóides como a ergometrina.CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Ergotamina é um alcalóide. Os fungos patogênicos podem ser classificados com base nas suas formas de crescimento ou no tipo de infecção que causam. Fungos que produzem drogas alucinógenas (possuem muitos alcalóides): Amanita muscarina (age nos receptores muscarínicos). gerando um quadro de intoxicação por substâncias orgânicas. que fazem vasocontrição. e Psilocybe sp. Podem gerar micotoxicose em humanos. por exemplo. São agonistas α-adrenérgicos nos vasos sangüíneos.

2) CUTÂNEAS: Localizam-se mais profundamente na epiderme (camada granulosa e basal). As lesões são observadas com maior freqüência em palmas das mãos e plantas dos pés. os fungos etiológicos são denominados DERMATÓFITOS (que vivem às custas da queratina da pele e das unhas) e por espécies do gênero Candida. Tipos de Micoses 1) SUPERFICIAIS: Colonizam as camadas mais superficias da pele (córnea e lúcida). que são elevadas acima da superfície. A Piedra Branca é decorrente da infecção por Trichosporon beigelii. Exemplos de anafilaxia por fungos: renite alérgica. c) Piedra: Há dois tipos de Piedra – a Piedra Branca e a Piedra Negra. pescoço e face. incluindo doenças invasivas de pêlos e unhas. É normalmente assintomática. de bordos delimitados. tórax. O tratamento consiste na remoção dos pêlos e aplicação de antifúngicos tópicos. alveolite.reações de hipersensibilidade tipo I (anafilaxia). vistas na disciplina Imunologia Médica (BP333). b) Tinha Nigra: O agente etiológico é a Exophiala werneckii. incluindo os pêlos. púbicos. localizadas no couro cabeludo. a) Ptiríase Versicolor: Seu agente etiológico é a Malassezia furfur. O tratamento pode ser feito com sulfeto de selênio. consistem em lesões maculares bem demarcadas (manchas pigmentadas na pele). manifesta-se na forma de nódulos amarelados. Caracteriza-se por lesões acrômicas ou hiperpigmentadas. conferindo uma coloração marrom à lesão. Provocam alterações de importância estética. maiores e de consistência mais mole nos pêlos (axilares. um fungo dimórfico que produz melanina. barba e cabelos). Muitas vezes estas duas doenças estão associadas à falta de higiene do paciente. e as manifestações clínicas. São as DERMATOMICOSES. asma brônquica. A Piedra Negra é uma infecção nodular dos fios de cabelo causada pela Piedraia hortae. 185 . por isso. abdome. etc. quando existem. principalmente.

b) Dermatomicoses por Candida sp.: Ocorrem principalmente pela contaminação com Candida albicans. O termo tinha (ou “tinea”) origina-se do Latim e significa “verme” ou “traça”. Tinha capitis: Micoses do couro cabeludo (pode causar alopecia). Crescem em baixo das unhas. pé-de-atleta). pêlos. Fonte: Mims.Dermatófitos: Pertencem principalmente a três gêneros. Tinha unguium: Micoses nas unhas (ONICOMICOSE). Tinha pedis: Micoses dos pés (frieiras. A adição do outro termo indica o local anatômico afestado. Tinha corporis: Micoses generalizadas no corpo. uso prolongado de antibióticos ou glicocorticóides e indivíduos que manuseiam muita água. GÊNEROS Trichophyton ESPÉCIES T. diabetes meliltus. Tinha manus: Micoses nas mãos. 2005 Candida em pele 186 . rubrum T. o fluconazol e principalmente o Itraconazol. Podem determinar lesões de pele. gypseum E. mentagrophytes M. unhas e mucosas de indivíduos que apresentam fatores predisponentes como obesidade. O tratamento consiste na utilização de derivaros imidazólicos como o cetoconazol. canis M. o miconazol. floccosum Microsporum Epidermophyton As manifestações clínicas dos dermatófitos são também conhecidas como tinha ou tinea.

É também conhecida como Doença do Jardineiro e do Floricultor (é uma doença ocupacional). Penetram na pele ou tecido subcutâneo por inoculação traumática com material contaminado. A paroníquia é uma tumefação anormal ao redor das unhas que pode ser causada por diversos agentes. Outras formas raras de esporotricose incluem solução saturada de iodeto de potássio. Ex: cortadores de coco. Fonte: Mims. músculos e fáscias. É um fungo saprófito encontrado no solo. Em geral as lesões tornam-se granulomatosas (reação de hipersensibilidade tipo IV) e propagam-se lentamente a partir da área de implantação. Isso será visto na disciplina de Propedêutica Médica II. em cascas de árvore e nas briófitas. a) Esporotricose: É uma infecção crônica caracterizada por lesões nodulares e ulcerativas (local correto para a coleta do material para exame microscópico) que se desenvolve ao longo dos vasos linfáticos. TEM QUE HAVER TRAUMA CUTÂNEO PARA ATINGUIR A DERME (TECIDO CONJUNTIVO). rompem-se e liberam exsudato purulento. O agente etiológico é o fungo Sporothrix schenckii. Os nódulos amolecem. São infecções que afetam a derme. A lesão que se encontra ao redor do leito ungueal (paroniquia) também é comum. A infecção acontece mediante a um traumatismo. o tratamento é intrahospitalar com Anfotericina B. Podem ser doenças ocupacionais por causa do tipo de trauma. nos arbustos. tecidos subcutâneos. itraconazol e os demais derivados imidazólicos. como o Staphylococcus aureus. nas roseiras.As lesões mais freqüentes são em unhas e espaços interdigitais das mãos. Surge como uma pequena pápula ou nódulo subcutâneo que se desenvolve entre 1 semana e 6 meses. Posteriormente atinge as cadeias linfáticas. 2005 187 . 3) SUBCUTÂNEAS: Os fungos que provocam micoses subcutâneas normalmente residem no solo e na vegetação. Quando a infecção assume caráter sistêmico.

4) SISTÊMICAS: Todos os fungos que causam infecções sistêmicas são DIMÓRFICOS.b) Cromoblastomicose (cromomicose): Crescimento de nódulos verrucosos que aparecem nos locais de inoculação. que é a forma parasitária. Mas há outras espécies que podem provocar a cromoblastomicose: Phialophora verrucosa. entre elas a Feo-Hifomicose. Esses microrganismos habitam o solo e coletivamente são denomindos fungos dematiáceos. Existem outras micoses subcutâneas. Fonsecaea compacta e Cladosporidium carrionii. Nos tecidos e nos meios de cultura especiais (entre 35 e 37° C). Com o tempo assume o aspecto de couve flor. É uma doença comum em trabalhadores rurais. Já na doença avançada. É a única micose pulmonar que atinge o imunocompetente Na prática clínica a paracoccidioidomicose é chamada de PCM 188 . Localizam-se principalmente nos órgãos internos e vísceras podendo abranger muitos tecidos diferentes. Os pontos enegrecidos são os locais certos para a coleta do material para exame. com parede celular melaninizada. O tratamento consiste na cauterização e na remoção cirúrgica das lesões inicias. porém de incidência muito baixa. a Lobomicose e a Rinosporidiose. O agente etiológico predominante no Brasil é a Fonsecaea pedrosoi. desenvolvem a forma de leveduras. Há preferência pelos pulmões. a) Paracoccidioidomicose (blastomicose Sul-Americana ou Micose de Lutz-Splendore Almeida): O agente etiológico é o fungo dimórfico Paracoccidioides brasiliensis. Rhinocladiella aquaspersa. torna-se necessário o uso de quimioterápicos. Em meios de cultura simples (entre 24 e 28° e na natureza formam colônias micelianas C) formadas por hifas (bolores). o 2º órgão é a mucosa bucal. Muitas vezes lesões na boca aparecem antes (até dois anos) das manifestações pulmonares. a Zigomicose. Aspectos Clínicos: Aspecto radiográfico do pulmão em asa de borboleta Presença de vesículas no sulco gengival (muitas vezes o diagnóstico é feito pelo cirurgião-dentista e o paciente chega ao médico por encaminhamento) O 1º órgão de acometimento é o pulmão. principalmente nas áreas descobertas do corpo. o Micetoma Eumicótico.

Além do pulmão, pode fazer lesão osteolítica, disseminar-se para o SNC, órgãos genitais, TGI. Às vezes o cirurgião encontra ao fazer uma laparotomia. A infecção pode resultar tanto da inoculação de estruturas do fungo consideradas infectantes, como a reativação de algum foco pré-existente. O número de homens afetados é desproporcional ao número de mulheres (9:1). Esta diferença foi atribuída a fatores de alto risco, doença subjacente, desnutrição e diferenças hormonais. Pneumonia por Paracoccidioides brasiliensis é muito difícil de tratar. O tratamento consiste no uso prolongado de Itraconazol, algumas vezes associado a Sulfametoxazol e Trimetropim (Bactrim®).

5) OPORTUNISTAS: Números fungos foram identificados como agnetes etiológicos de infecções oportunistas. Muitas vezes ocorre em ambientes hospitalares. Pacientes transplantados, usuários crônicos de glicocorticóides e HIV positivos merecem atenção especial nesses casos, uma vez que a cura torna-se muito dificultada. a) Candidíase, candidose e Candida sp. A Candida sp. é o patógeno fúngico mais comum do paciente imunocompetente. É uma levedura oportunista em uma variedade de pacientes e em vários sítios do corpo. No intestino ela atua como agente de microbiota normal. A espécie mais comum, epidemiologicamente, é a Candida albicans. Essa levedura gera diversos tipos de quadros clínicos como “candidíase bucal” e “candidíase vaginal”. Hoje em dia estes termos não são mais utilizados pela nômina anatômica moderna. Usa-se o termo CANDIDOSE para manifestações na cavidade bucal e o termo CANDIDÍASE para as demais infecções por Candida sp. Além disso, pode provocar alterações cutâneas, gastrointestinais e endocardites, particularmente em usuários de drogas ilícitas.

Fonte: Koneman, 2001

Candida sp.

189

A

candidose

pode

ser

encontrada

em

uma

variedade

de

pacientes

imunocomprometidos, pessoas com uso de próteses odontológicas mal adaptadas, portadores de diabetes mellitus, em tratamento com antibióticos de largo espectro, usuários crônicos de glicocorticóides, xerostomia (hipoprodução de saliva) entre outros. A manifestação mais freqüente se dá por meio de placas esbranquiçadas (forma pseudomembranosa) de fácil destaque com o auxílio de um algodão, principalmente em dorso de língua e palato duro. Há também a forma eritematosa, que se manifesta por meio de lesões hiperemiadas. O tratamento pode ser feito com o uso tópico de nistatina, anfotericina e derivados imidazólicos. Se o paciente for imunocomprometido e/ou a infecção já tiver adquirido caráter mais invasivo, deve se apelar para o uso de antifúngicos sistêmicos. * Causas comuns xerostomia: pacientes que fazem quimioterapia (que destrói grândulas salivares colateralmente) e usuários de antidepressivos como inibidores da recaptação de serotonina (5-HT). Esses pacientes são fortes candidatos a possuiem candidose. Aspecto pseudomembranosos em palato duro Pseudohifas e leveduras

Fonte: Rubin, 2006

A candidíase vaginal é uma das doenças que mais comumente acometem mulheres jovens, principalmente em países de clima tropical como o Brasil. Esta patologia pode, inclusive, ser enquadrada dentro do grupo das DSTs, uma vez que o contato sexual é uma das formas mais comuns de contágio. O homem tem a Candida albicans na microbiota normal peniana, portanto uma atividade sexual sem preservativo faria com que a mulher

190

entrasse em contato direto com a levedura. Se ela estiver em uma queda imunológica pode desenvolver a doença, bem como cultivá-la, fazendo sexo repetidamente com o mesmo parceiro (portador). Salienta-se também que as pessoas que fazem sexo oral sem proteção estão sujeitas a contraírem candidose por entrarem em contato com a microbiota normal do pênis. É imprescindível que o tratamento seja feito com o casal, ambos devem prosseguir com a terapia até a erradicação das leveduras. Outra fonte de contágio são os fômites contaminados (toalhas, roupas íntimas, acessórios diversos, etc.). O compartilhamento deste tipo de material pode acarretar um intercâmbio de espécies de Candida sp., ou mesmo de diferentes cepas de Candida albicans, geralndo infecções com mecanismos mais resistentes.

Fonte: Netter, 2006

A candidíase mucocutânea é uma manifestação rara e não invasiva, embora persistente, das membranas mucosas dos cabelos, da pele e das unhas. Em crianças, com defeito específico de células T, podem se tornar alérgicoa à Candida, tendo que fazer uso de antifúngicos intermitentes. A candidíase gastrointestinal é encontrada em pacientes que passaram por cirurgia gástrica ou abdominal (ex: cirurgia de redução de estômago), ou em pacientes que têm neoplasias. O microrganismo pode atravessar a parede intestinal e disseminar-se a partir de um foco gastrointestinal. O diagnóstico in vivo é difícil, e cerca de 25% dos pacientes não apresentam sintomas nos etágios iniciais da doença. Se ocorrer disseminação a partir do intestino, as hemoculturas podem se tornar positivas e antígenos de Candida podem ser detectáveis no soro. A terapia fungicida deve ser iniciada precocemente em pacientes com suspeita de infecção, mas a doença disseminada é frequentemente fatal.

191

A candidíase disseminada é provavelmente adiquirida via TGI, mas também pode se originar de infecções relacionadas a cateteres intravasculares. Pacientes com linfomas e leucemia correm maior risco. A disseminação hematológica alcança quase todos os órgãos. Infecções nos olhos (endoftalmia) e da pele (lesões mucocutâneas nodulares) são importantes porque fornecem evidências para o diagnóstico, sem as quais os sintomas inespecíficos de febre e choque séptico dificultam o diagnóstico precoce. Pacientes imunocomprometidos, por vezes, recebem terapia antifúngica empírica se apresentam febre e falham em responder aos agentes antibacterianos de largo espectro. Hoje em dia há aumento da resistência aos antifúngicos para tratar as espécies de cândidas. A Candida albicans responde bem aos derivados imidazólicos como o cetoconazol e fluconazol. No entanto, está aumentando gradativamente as infecções pelas Candida não-albicans, e estas espécies possuem mecanismos de defesa bem mais resistentes. O fluconazol apresenta atividade muito reduzida contra essas espécies, fazendo com que os pacientes sejam obrigados a usarem o Itraconazol via oral por longos períodos. A anfotericina B também é um antifúngico com boa atividade contra as cândidas, porém ela tem muitos efeitos colaterais e seu uso na prática médica é mais reservado.

CORRELAÇÕES CLÍNICAS: A secreção da candidíase é diferente das demais secreções infecciosas da vagina. O aspecto pseudomembranoso da cândida se manifesta como placas brancas facilmente destacáveis com auxílio de algodão, sem odor fétido. As demais secreções como a do Trichomonas vaginalis, das vaginites e vaginoses bacterianas são verde-amareladas (exsudato purulento), viscosas e geralmente de odor fétido.

Fonte: Netter, 2006

Colo uterino: Candida spp.

Colo uterino: Trichomonas vaginalis, gonococo, Gardnerella vaginalis e Chlamydia trachomatis

192

pois a cápsula de carboidrato não se desenvolve no interior da ave. Nos casos de meningite criptocóccica. Por fim. e o fungo adquire sua verdadeira forma ativa e infectante. portanto é uma importante questão de saúde pública que merece atenção especial. A resposta imunológica do hospedeiro se faz pela ativação dos linfócitos CD4 e produção de IFNγ. usando látex recoberto com anticorpos específicos. Pacientes com leucemia. LES. Curitiba é certamente uma cidade com uma população densa dessas aves. O prognóstico varia muito de acordo com a doença de base do paciente. uma vez que o criptococo é transmitido pelas fezes dos pombos. linfoma de Hodgkin ou sarcoidose merecem atenção especial também. Esse fungo tem tropismo pelo SNC (vem dos pulmões por via hematogênica). É um microrganismo euribionte. linfomas. No entanto alguns pacientes imunocompetentes são acometidos também. Pode fazer meningite criprocóccica quando atinge as meninges. a levedura pode ser demonstrada no líquido cérebro-espinhal.b) Criptococose O agente etiológico é o Cryptococcus neoformans. O tratamento engloba uma combinação entre anfotericina B e flucitosina. No pombo o fungo é inativo. nos pacientes severamente imunocomprometidos. A identificação também pode ser feita pela detecção do antígeno no teste de aglutinação em látex. Quando a levedura chega ao organismo humano. mesmo com a terapia intensiva. a mortalidade gira em torno de 50%. junto a produção de melanina e enzimas). e pode ser monitorado pela queda na concentração de antígenos no LCE. Essa forma de meningite é responsável pela morte de muitos pacientes com AIDS e outros imunocomprometidos na imunidade celular. Um fungo leveduriforme que possui uma cápsula espessa de polissacarídeos complexos ao redor de sua parede celular. porém numa porcentagem bem menor e com sintomas mais brandos. Acredita-se que o criptococo possa atravessar a barreira hematoencefálica via infecção de monócitos e/ou células endoteliais. Nos pacientes com AIDS é praticamente impossível erradicar o microrganismo. A inoculação geralmente é pulmonar e assintomática. a cápsula se desenvolve a partir dos carboidratos do nosso metabolismo (é um fator de patogenicidade. Inalação pulmões meningite via hematogênica SNC 193 . além de terem uma cura mais rápida e eficaz.

2005 Cryptococcus neoformans e a cápsula de carboidratos c) Histoplasmose: Doença das Cavernas. mas a biópsia e o exame histológico da medula. Na maioria dos casos é assintomática. de escarro e de LCR podem conter Histoplasma no paciente suspeito. Trata-se de um fungo altamente infeccioso que causa infecção pulmonar aguda. ocorre infecção natural nos morcegos. Culturas de sangue. necessários para chegar a um diagnóstico definitivo. No imunocomprometido a infecção prossegue. Nos imunocompetentes os macrófagos controlam a infecção eliminando as hifas. Doença dos Espeleólogos O agente etiológico é o fungo dimórfico Histoplasma capsulatum. O fungo pode ser encontrado em porões. seguidos com menor freqüência de doença disseminada progressiva. Nos casos sintomáticos observam-se sintomas clínicos de pneumonia aguda. Este fungo cresce em áreas contaminadas com excretas de morcegos e aves. muitas vezes.Fonte: Mims. fígado e de linfonódos são. Os esporos ou fragmentos de hifas são aspirados nos alvéolos e estes são fagocitadas pelos macrófagos alveolares e em seguida convertidos em leveduras (são capazes de se replicar dentro dos macrófagos). 2005 Histoplasma capsulatum colonizando linfonodo de paciente imunocomprometido 194 . áreas escuras. porém benigna em pessoas saudáveis. etc A doença ocorre no mundo todo. Embora as aves não sejam infectadas. torre de igreja. Fonte: Robbins. Com o tempo ocorre dissiminação linfática. de medula.

é ubiquitário no meio ambiente e faz parte da microbiota normal do organismo humano. O crescimento das hifas é em ângulo de 45º. O mecanismo da asma será abordado em seminários da disciplina de Imunologia Médica (BP333). tais como: . Fonte: Mims.Doença disseminada no paciente imunocomprometido quando o fungo invade a partir dos pulmões. 2005 195 . A aspergilose invasiva geralmente é fatal no imunocomprometido. que pode provocar diversas manifestações patológicas. que.Aspergilose broncopulmonar alérgica. O fungo coloniza a cavidade e cresce para produzir uma massa de hifas em forma esférica. Seus esporos são regularmente inalados sem conseqüências danosas. Aspergillus nos pulmões podem desencadear um processo de hipersensibilidade tipo I e culminar em asma brônquica. . É um gênero que contém várias espécies. porém o tamanho do aspergiloma pode desencadear dificuldade respiratória. a qual é denominada aspergiloma. destroem alvéolos e septos alveolares. As hifas deste fungo. é uma resposta alérgica à presença do antígeno. pois os pacientes são neutropênicos (com poucos neutrófilos circulantes). . o que acaba por destruir a arquitetura pulmonar. como seu nome sugere.Aspergiloma em pacientes com cavidades pulmonares preexistentes (ex: seqüela de TB) ou distúrbios pulmonares crônicos. quais outros agentes etiológicos de infecções também são parasitas intracelulares de macrófagos? c) Aspergilose O Aspergillus sp.CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Além do Histoplasma capsulatum. das quais a que merece maior destaque é o Aspergillus fumigatus. Esses fungos não invadem os tecidos pulmonares. quando crescem.

Candida e Paracococcidioides. a predinisolona. Já foram relatadas infecções em locais diferentes que não o pulmão. O voriconazol e o posoconazol são exemplos delas. a mimetasona. Em especial o Aspergillus fumigatus. Nos casos de pneumonias fúngicas. 4ª e 5a geração (levofloxacino. Antes do advento da terapia antiretroviral altamente ativa. A doença está associada a uma pneumonite instesticial. São muito utilizados no tratamento das doenças auto-imunes. ocorre em uma forma trófica. como foi visto nas aulas de Patologia Médica Molecular (BP334).d) Pneumocistose O Pneumocystis jiroveci (antigamente chamado de Pneumocystis carinii) é um fungo atípico. a terapia HAART (que será discutida nos seminários de Imunologia Médica). Aspergillus. pneumonia fúngica é o pior tipo de pneumonia que existe. uma alta proporção dos pacientes com AIDS desenvolvia pneumonia por pneumocistos. CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Fazem pneumonia: Pneumocystis. No entanto. Paciente portador de pneumonia fúngica deve necessáriamente ser submetido a exames para investigação de imunossupressão. assim interferindo no metabolismo do ácido aracdônico. Apenas causa doença sintomática em pessoas com a imunidade celular deficiente. o tratamento com esses antifúngicos é de custo muito elevado e não pode ser bancado pela grande maioria dos pacientes. As bacterianas são infinitamente mais fáceis de curar com os antimicrobianos. a partir de 2007 surgiram novas drogas triazólicas no mercado farmacêutico que prometem dar uma nova abordagem ao tratamento dessas pneumonias. Antiinflamatórios por fazerem inibição da enzima fosfolipase A2. Os esporos são liberados quando estes reservatórios se rompem. As drogas referidas como glicocorticóides são a dexametasona. este último. com infiltração de plasmócitos. com até 5 µm de diâmetro. Seus efeitos são antiinflamatórios e imunossupressores. A tigeciclina é uma alternativa em teste. incluindo o anti-HIV (ELISAWestern Blot). O Pneumocystis sp. podendo ser fatal. Histoplasma. Para tratar. A infecção é transmitida por meio de gotículas respiratórias (aerossóis). na forma de esporocistos e reservatórios de esporos. comumente encontrado em seres humanos normais e roedores. moxifloxacino e gemifloxacino respectivamente). Essas drogas mimetizam a atividade catalítica dos glicocorticosteróides produzidos pelos espongiócitos da camada fasciculada do córtex da glândula adrenal. A classe de drogas de primeira escolha em pneumonia bacteria são as quinolonas de 3ª. A doença ocorre em indivíduos debilitados e imunodeficientes. a betametasona. Pneumonia em paciente idoso: investigar infecção por fungos. os fármacos de escolha ainda são os derivados imidazólicos tradicionaos de grande abrangência (Itraconazol). Todavia. etc. a prednisona. A anfotericina B pode ser uma arma de retaguarda. também em imunocompetentes. E imunossupressores 196 .

um paciente portador de HBV com um quadro de esteatose avançada. NÃO MATEM SEUS PACIENTES! 2) Nistatina Mecanismo de ação: impede a ligação ao ergosterol da MP fúngica. ao lado do Itraconazol. Porém. Assim. Principais grupos de drogas: 1) Agentes poliênicos – Anfotericina B Mecanismo de ação: liga-se ao ergosterol da MP do fungo. dor abdominal. anemias. Também usada no tratamento de Leishmanioses. você prescreveria o uso prolongado de IFN para este paciente? Por quê? Drogas Antifúngicas A base do tratamento delas é inibir a síntese do esgosterol da membrana celular do fungo. ele é portador de artrite reumatóide (uma das doenças auto-imunes que é tratada com glicocorticóides). Com base no mecanismo de ação descrito acima e aprofundado nas aulas de Imunologia Médica. reações alérgicas. esse ergosterol é muito parecido com a nossa molécula do colesterol. médico. em hipótese alguma. MAS IMPORTANTÍSSIMO: Anfotericina B não pode. toda a atividade imunológica do indivíduo estará comprometida enquanto ele estiver fazendo o uso deste medicamento. Por sinal. Por isso dizemos que os antifúngicos atingem tanto o hospedeiro como o fungo. Para pensar: O tratamento das hepatites virais. suprimindo sua atividade como célula apresentadora de antígeno e silenciando a transcrição dos genes do MHC. ele tem a mesma função do colesterol nas membranas celulares animais. 197 . lesão renal. chega a você. Padrão ouro para cândida. Na sua prática clínica. Porém. pois potencializa a ação e pode causar intoxicação digitálica. ser administrada em pacientes que fazem uso de digitálicos cardíacos (digoxina). Haverá uma aula teórica dentro da disciplina de Imunologia Médica (BP333) para abordar este tema. A droga se confunde e destrói ambos os lipídeos. CURIOSIDADE. Efeitos colaterais: hipotensão. como a hepatite B é feito com altas doses de IFN (interferon).porque essas drogas interferem na ação do IFNγ nos macrófagos.

anemias e discrasias sangüíneas.00 (em 2007). fazendo com que o paciente sinta um gosto amargo de metal durante o tratamento (o que às vezes dificulta a adesão ao mesmo). 4) Derivados azólicos: Cetoconazol. São medicamentos que em geral têm melhor absorção em pH ácido.3) Flucitosina Mecanismo de ação: inibição da síntese de ácidos nucléicos. CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Efeito colateral dos antifúngicos: quase todos eles deixam resíduos metabólicos na cavidade bucal. Fluconazol. Clotrimazol. Pode ser utilizada no tratamento da candidíase sistêmica. Terapia para 5 dias: R$3. porém sua toxicidade é seletiva. São muito caros.000. Portanto é bom recomentar o paciente tomar o medicamento junto às refeições. ou com refrigerante do tipo cola. Itraconazol Mecanismo de ação: inibição da síntese de ergosterol 5) Novas drogas triazólicas: voriconazol e posaconazol (um dos antifúngicos mais fortes que existem). Efeitos colaterais: depressão da medula óssea. Miconazol. O que é o trocisco? 198 .

via saliva.CAPÍTULO 15: HERPES-VÍRUS HHV-1 ou HSV-1: Herpes Simplex Vírus 1 (Herpes bucal – não é oral) HHV-2 ou HSV-2: Herpes Simplex Vírus 2 (Herpes Genital . 199 . conhecida também como doença do beijo (também mais usado para o EBV). Pode fazer carcinoma genital. urina. É o maior herpes vírus humano e só tem um sorotipo. CitoMEGALOvírus. O CMV também pode ser transmitido pelo sangue.hoje em dia 1 e 2 estão em conflito no sítio por causa do sexo oral). Fonte: Fernando Bortolozzi Doença de inclusão citomegálica em pulmão de perinato. sêmen e secreções cervicais. Eles causam a mononucleose infecciosa (esse termo é mais usado para o EBV). Ela é transmitida beijando. Comparar o tamanho desta célula setada com as demais. de maneira siminar) HHV-6: Causa roséola infanto HHV-7 HHV-8: Pode causar o Sarcoma de Kaposi EBV e CMV – Muito comuns e importantes. HHV-3 ou VZV: Varicela Zoster Vírus HHV-4 ou EBV: Epstein-Barr Vírus (Mononucleose infecciosa) HHV-5 ou CMV: Citomegalovírus (Mononucleose também. O nome refere-se a inclusões intranucleares que são respostas características desse patógeno.

Os linfócitos T em guerra são denominados de células de Downey. semelhante aos estragos que as armas bélicas fazem numa região onde está tendo uma guerra. e estes são expressos nas células infectadas. o C3d (CD21). Dissemina-se via linfócitos e monócitos (os MONOMORFONUCLEARES. que estão no núcleo das células infectadas. EBV – Epstein Barr Vírus . testículos e epidídimo. O vírus condiciona-se a células epiteliais. . ANTICORPOS HETEROFÍLOS O EBV se multiplica nos linfócitos B (eles tem na membrana um receptor. túbulos renais. Antigenicamente diferente do CMV. 200 . O QUE É RESPONSÁVEL PELA FORMAÇÃO DOS ANTICORPOS HETERÓFILOS DO EBV – reação com eritrócitos de carneiro ou de cavalo). E essas citocinas das células é quem causam os sintomas da doença. como o IgM para eritrócitos (crioaglutininas). que se liga ao vírus). Essa doença é uma verdadeira "guerra civil imunológica". Há febre e letargia. MMN) e envolve linfonodos e baço (defesa secundária e terciária). Digamos que as células T não se habituam com as células B infectadas em fazem um confronto por meio de citocinas. Conhecida como a DOENÇA DO BEIJO. os antígenos precoces (EA) que são produzidos antes da síntese do DNA viral e os antígenos nucleares associados ao EBV (EBNA).É transmitido pela saliva. . Os linfócitos T respondem imunologicamente às células B infectadas (aumentanto cerca de 50 vezes em número) e aparecem no sangue periférico como "linfócitos atípicos do EBV". glândulas salivares. Uma infecção muitas vezes silenciosa do trato respiratório superior.A infecção pelo CMV geralmente é assintomática. Esses vírus "escapam" das defesas imunológicas. São alvos ruins para as células T citotóxicas por interferirem no transporte de moléculas do MHC-I e induzem a transcrição de genes que codificam receptores Fc.Só tem um sorogrupo. Auto anticorpos também são produzidos.Utilizados no diagnóstico: o capsídeo viral (VCA). Esses linfócitos B infectados são estimulados a diferenciar-se e produzir anticorpos (ativação policlonal das células B. colo uterino.

Hemograma é útil por causa da formação dos linfócitos atípicos. 201 .Linfócitos atípicos do EBV Fonte: Robbins. Ele se associa com algumas espécies de Plasmodium sp. hepatomegalia e linfadenopatia. Ex: gripe. O DNA e o RNA transcritos são encontrados nas células tumorais. como o Plasmodium falciparum ou o Plasmodium infantum. tornando-as suceptíveis a maior formação neoplásica. NEOPLASIAS INDUZIDAS PELO EBV Linfoma de Burkitt: só o EBV não consegue fazer o linfoma. O médico deverá pedir IgM contra o capsídeo viral para o diagnóstico. 2005 Os anticorpos heterofilos são detectados pela Reação de Paul Bunnel (>40 é positivo. Autolimitada é uma doença que se cura sem intervenção medicamentos. bem como o IgG. Outros achados clínicos incluem a esplenomegalia. Não há antiviral eficaz contra o EBV. que também mostram uma translocação dos oncogenes myc no cromossomo 8 para o locus da cadeia pesada da imunoglobulina localizada no cromossomo 14. <40 é negativo) Esses anticorpos podem aparecer na mononucleose infecciosa (+++). o que faz com que a doença siga seu curso autolimitado em pacientes sadios e não-imunocomprometidos. na doença do soro (+++) e mesmo em indivíduos normais (+). 2005 Fonte: Mims. enfraquecendo o controle das células T e talvez causando ativação policlonal das células B. varicela.

2005 Resultado = Fonte: Bogliolo. 2006 Fonte: Mims. 2005 202 .Fonte: Robbins. 2005 Fonte: Robbins.

à direita. possivelmente de nitrosaminas ingeridas com peixes em conserva. 2005 À esquerda. Fonte: Mims. temos como obrigação fazer o diagnóstico. CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Antes de chegar a estas aberrações. HHV-2 faz carcinoma genital e HHV-8 faz Sarcoma de Kaposi. Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta hemolítico do grupo A de Lancefield). entre outros agentes. Fatores genéticos do hospedeiro que controlam o HLA (“human leucocyte antigen”) e a resposta imune podem ser fatores de suceptibilidade. a MEMBRANA nas tonsilas palatinas ocasionada pelo EBV. Boa anamnese e bom exame físico são essenciais. e um cocarcinógeno.Carcinoma Naso-Faringeal: O DNA do EBV é detectável nas células tumorais. Vão prescrever antibióticos para qual dos dois quadros mesmo? Clínica sem diferenciação: Infecções por Streptococcus pyogenes / Haemophilus influenzae / Moraxella catarrhalis Fonte: Fernando Bortolozzi 203 . as placas proporcionadas pelo já conhecido de vocês.

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