Negro e viado Discutir a homossexualidade destr�i mitos do movimento negro Por Beto Sato 21 de março, Dia Internacional de Luta

para Eliminação da Discriminação Racial, a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, Alesp, lançou campanha de conscientização contra o racismo, a SOS Racismo. Na ocasião, a questão do duplo preconceito sofrido por negros GLBTs foi levantanda. A data definida pela Organização das Nações Unidas foi institudda em memória do massacre ocorrido em Johannesburgo, na africa do Sul, em 21 de março de 1960. Na ocasião, 20 mil negros protestavam contra a lei do passe, que os obrigava a portar cartões de identificação especificando os locais por onde eles podiam circular. Segundo o deputado estadual Sebastião Arcanjo, conhecido como “Tiãozinho do PT”, a Alesp resolveu aproveitar a data para lançar a campanha, que envolve várias ações de combate ao preconceito. A Companhia Paulista de Força e Luz, a Comgas e a Eletropaulo, por exemplo, irão imprimir em suas contas frases contra a discriminação. Nesse mes, as mensagens são focadas contra o racismo. No próximo, contra a homofobia, por que não?” Com a campanha, queremos sensibilizar as empresas e os cidadãos a respeito de todos os segmentos discriminados: negros, gays, mulheres, deficientes, disse Tiãozinho. “Ações conjuntas que foquem atitudes Anti-discriminatórias são importantes para o desenvolvimento de politicas focadas no ser humano como um todo, diz a sociloga” Tatiana Cavalcanti. Os individuos não são uma coisa ou outra e um gay negro é duplamente discriminado. Uma lésbica negra, triplamente: por gênero, orientação sexual e cor da pele”, conclui. Segundo Cipriano Filho, membro da Articulação Política da Juventude Negra do Estado de São Paulo, a questão da homossexualida é recente no movimento negro. “A velha guarda ainda se escamoteia e não leva esse assunto devido ao machismo que existe dentro do próprio movimento negro nacional. A juventude negra, no entanto sim, consegue discutir as duas formas de discriminação, racial e por orientação sexual conjuntamente”, afirmou. Vicente Ferreira dos Santos, assessor parlamentar para questões relacionadas a negros e GLBTs, também afirma que a discussão conjunta da discriminação contra gays e negros é coisa recente. “A esquerda histórica resiste discutir racismo e homofobia, assim como não discute o afeto. De modo geral, a esquerda clássica ainda tem como mote a luta de classes e não percebe a existência de lutas paralelas, ligadas a raça, etnia, gênero e orientação sexual”. Santos critica a incorporação de temas relativos à orientação sexual no movimento contra o racismo coloca em xeque estereotipos relacionados aos negros. “A imagem do negro reprodutor ou da negra fogosa são mitos que vem da época da senzala. O negro foi exaustivamente retratado como viril, masculo, garanhão, o que na Época da escravidão animalizava as pessoas. Quando a questões da homossexualidade é introduzida, esses mitos são desconstruidos. A nova sociedade não aceita mais os papéis padrões e, agora, o movimento negro começa, a partir da discussão da sexualidade, perceber que essas imagens estereotipadas são prejudiciais, declarou ao Mix Brasil. “O ser humano não tem padrões ou paradigma”. De acordo com o assessor parlamentar, a “velha guarda” do movimento negro ainda “resiste” a incorporação da homossexualidade em suas bandeiras, mas os jovens tratam do tema. “Não dá mais para ouvir frases do tipo “alem de negro é viado””.