FORMAÇÃO E PRÁTICA EM PSICOLOGIA JURÍDICA Fabíola Braz da Silva Isadora Rodrigues Castelo Jéssica Leal Kamilla Fernandes Titan

Luan Sampaio da Silva Mauro César de Morais Nathália Moreira Monteiro

RESUMO A Psicologia Jurídica é uma das áreas da Psicologia que mais cresceram nos últimos anos, é uma emergente área de especialidade da ciência psicológica. A marca desta área é sua interface com o Direito, com o mundo jurídico, resultando encontro e desencontros epistemológicos e conceituais que permeiam a atuação do psicólogo jurídico. Existem diferentes setores na Psicologia Jurídica, há os mais habituais, como a atuação em fóruns e prisões, como há também as atuações mais inovadoras como a Mediação e a Autopsia Psicológica, uma avaliação retrospectiva mediante informações de terceiros. O principal objetivo deste artigo é mostrar o quanto esta área cresceu desde seu surgimento, mostrar como ocorre o trabalho do psicólogo no mundo jurídico, apresentar as principais tendências inovadoras da área e detalhar quais são os requisitos básicos para a formação profissional do psicólogo jurídico. O método utilizado para a coleta de dados desta pesquisa descritiva foram entrevistas feitas com 04(quatro) psicólogos da área, que ocupam cargos diferenciados, contendo 12 (doze) perguntas abertas, onde foi apresentado um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e permissão para gravar a entrevista. Após a coleta de dados foi feita uma análise das informações colhidas de acordo com a fundamentação teórica sobre o assunto.

Palavras-chave: Psicologia Jurídica. Tendências inovadoras. Atuação do Psicólogo.

já que a subjetividade humana era vista como uma interferência negativa na veracidade dos dados colhidos os tornaria não científicos. (BRITO apud CRUZ. o diálogo entre Psicologia e Direito e o modo como este pode contribuir para a sociedade em geral. XIX e fez surgir a ³psicologia do testemunho´ que objetivava constatar. sensação e percepção. consideradas neutras e objetivas. uma caracterização das principais tendências inovadoras e os requisitos básicos para a formação do psicólogo jurídico. como previsto pelo Positivismo. que tinha por preferência o método científico empregado pelas ciências naturais. Dar relevância a este estudo é importante para refletirmos sobre a prática profissional de psicologia junto as instituições do Direito e sobre as mudanças que ocorreram desde o surgimento até os dias atuais. através do estudo experimental dos processos psicológicos. exame criminológico e parecer psicológico baseado no psicodiagnóstico. derivou uma prática virada quase que somente para a realização de perícia.FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2. p. um detalhamento das principais atividades do psicólogo jurídico. a fidedignidade do relato do sujeito envolvido em um processo jurídico. Nesse sentido. área de especialização da ciência psicológica que se relaciona com o sistema de justiça. 2001) A partir desta história inicial. Abordam-se no presente trabalho alguns aspectos históricos. fundamentais ao exame de testemunhos. procurou desenvolver principalmente técnicas psicológicas. tanto nacionalmente quanto internacionalmente. 2.1) Breves considerações históricas: A primeira aproximação da Psicologia com o Direito ocorreu no final do séc. estudos sobre memória. MACIEL e RAMIREZ. . Assim o indivíduo passava a ser medido quantitativamente.10) Dessa forma.1-INTRODUÇÃO Este artigo tem como finalidade propor uma reflexão acerca da Psicologia Jurídica. fizeram parte de pesquisas e trabalhos compreendidos nos primeiros laboratórios de Psicologia Experimental. (ALTOÉ. Um dos ramos da Psicologia que mais cresceram nos últimos anos. Esta fase inicial foi bastante influenciada pelo ideário positivista. Busca-se levar o futuro profissional a conhecer com profundidade a referida área de atuação. indicando novas perspectivas para o século XXI.

permitindo ao juiz aplicar a Lei. nos casos de separação. abandono e riscos. sempre levando em consideração a subjetividade de cada um. Psicologia Penitenciária (fase de execução): O Psicólogo atual acompanhando o cumprimento da pena restritiva de direito (prestação de serviço à comunidade). o Psicólogo atua designado pelo juiz. atualmente a Psicologia Jurídica é entendida como um serviço em prol da cidadania e da saúde mental. através da constatação dos indicadores da situação familiar. o Psicólogo atua quando se faz necessário a realização de exames de corpo de delito. regulamentação de visitas e na destituição do pátrio poder. indenizações. indenização. o Psicólogo atua nos casos de interdição. promotores. O trabalho do psicólogo pode auxiliar e nortear a atuação de advogados. mas também as pessoas que precisam de um trabalho de intervenção. entre outros procedimentos. e insanidade mental.2) Detalhamento das principais atividades e respectivos contextos relacionados á área específica de atuação: Segundo França (2004) a Psicologia Jurídica está subdividida da seguinte forma: Psicologia Jurídica e as questões da infância e da juventude: O Psicólogo atua na promoção dos direitos da criança e do adolescente enquanto sujeitos de direito e na denuncia a todas as formas de segregação. dentro dos fins sociais. 2. militar e do exército. Psicologia Jurídica e o Direito de Família: Nesta área da Psicologia Jurídica. visando a uma relação democrática.Segundo França (2004). disputa de guarda. . por isso os fatos constatados pelo psicólogo jurídico não são repassados somente aos juristas. juízes. Psicologia Policial e das Forças Armadas: O Psicólogo Jurídico atua na seleção e formação geral ou específica de pessoal das polícias civil. de esperma. justa e igualitária. Psicologia Jurídica do Trabalho: O Psicólogo atua nos casos relacionados a acidentes de trabalho. entre outras ocorrências cíveis. reconhecendo a necessidade de uma ação em conjunto com os demais profissionais na construção de um saber que auxilie a expressão da Justiça. Psicologia Jurídica e o Direito Penal (fase processual): Designado pelo juiz. abusos. Psicologia Jurídica e Direito Cível: Designado pelo juiz.

y y Apesar desses novos temas abordados em cada setor. a criação de medidas preventivas e a aten integral ção centrada nos âmbitos psico-socio-jurídicos. atendimento a famílias vitimizadas. seleção de magistrados. Mediação: Considerado um dos setores recentes da Psicologia Jurídica e uma forma inovadora de fazer justiça. variação de penalidade. Vítimas da Violência e seus Familiares. Porém. Psicologia Jurídica e Ministério Público: o trabalho do Psicólogo. 2. y Proteção e Testemunhas. como disciplina eletiva em alguns cursos de Psicologia no Brasil. Psicologia Jurídica e Magistrados: modelos mentais. na Psicologia Penitenciária. Busca-se o estudo.4) Requisitos básicos para a formação profissional incluindo aspectos éticos: A Psicologia Jurídica existe. a intervenção no processo de vitimização. Segundo alguns Psicólogos que participaram de uma pesquisa realizada por Elizabeth de Melo Bonfim da UFMG. assassinato de Psicologia Jurídica e Direitos Humanos: psicologia e direitos humanos na área Dano psíquico: dano psicológico em perícias acidentárias. tomada Proteção e testemunhas: o trabalho multidisciplinar num programa de Apoio e Vitimologia: violência doméstica contra a mulher. y adolescentes. há uma concentração de psicólogos jurídicos atuantes nos setores mais tradicionais. perícias no âmbito cível. Depoimento sem dano: escuta de crianças em situação de risco Mediação: no âmbito do direito da família e no direito penal. Não há um consenso sobre a necessidade da existência desta disciplina nos cursos de graduação. y y de decisão dos juízes. As partes são as responsáveis pela solução do conflito com ajuda de um terceiro imparcial que atuará como mediador. hoje. y jurídica. o que se julga necessário é a introdução de uma visão . contata-se que a Psicologia Jurídica brasileira atinge quase a totalidade de seus setores. 2.Vitimiologia: O Psicólogo atua dando a devida atenção a vítima.3) Caracterização das principais tendências emergentes/inovadoras: Os setores e temas mais recentes no âmbito da Psicologia Jurídica são: y Autopsia Psicológica: avaliação retrospectiva mediante informações de terceiros. como por exemplo.

MÉTODO 3. Graduou-se na União de Ensino Superior do Pará (UNESPA). também. Ao profissional em exercício na área seriam necessários. b) Conhecimento sobre instituições penais. quer via cursos de graduação. y Violência contra crianças e adolescentes e ações junto às delegacias especializadas. em especial às crianças e adolescentes em situação de risco. com especial atenção a: y Violência contra a mulher e ações junto às delegacias especializadas. Possui outros cursos superiores e atualmente atua como Psicóloga Jurídica há 2(dois) anos. y Crimes sexuais. d) Conhecimentos sobre violência. as principais contribuições dos sistemas teóricos da Psicologia ao campo do Direito (teoria psicanalítica.1) Tipo de pesquisa: Pesquisa Descritiva 3. as técnicas de exame e as entrevistas. Graduou-se na Universidade Federal do Pará (UFPA). que inclui conhecimentos sobre a questão do aprisionamento. a importância de se enfatizar na área o aconselhamento psicológico e as técnicas psicoterápicas como alternativas às práticas periciais que servem somente de subsídios às provas judiciais. quer via cursos de especialização. campos de atuação e pesquisa e a aplicação prática da Psicologia Jurídica). Justiça do Trabalho e da família. sobre as legislações com as quais se poderá trabalhar. segundo os Psicólogos que participaram desta pesquisa. assim como a legislação e a atribuição específica do Psicólogo. Possui outros cursos superiores e atualmente atua como Analista Judiciário há 6(seis) ou 7(sete) anos. e) Conhecimentos sobre elaboração de laudos e perícias psicológicas no assessoramento à Justiça. . 3.geral da área. conhecimentos referentes à: a) Domínio das principais noções de Direitos Humanos e Institucionais. envolvendo a legislação e a atuação do Psicólogo nas Comissões Técnicas de Classificação. envolvendo o psicodiagnóstico. Acrescenta-se. criminais.2) Participantes: O sujeito 01 é do sexo feminino e tem 30(trinta) anos de formado. caracterização e fundamentação da Psicologia Jurídica (conceituação. incluindo os direitos de crianças e adolescentes. O sujeito 02 é do sexo masculino e tem 21(vinte e um) anos de formado. c) Conhecimentos sobre as varas cíveis. e noções de vitimologia. teoria behaviorista e teorias tipológicas).

Após todas as informações colhidas. 3. O sujeito 04 é do sexo masculino e trabalha na Promotoria da Infância e no Ministério Público.3)Local: Três das quatro entrevistas foram realizadas na Universidade da Amazônia (U NAMA) e a outra foi realizada no Tribunal de Justiça do Estado do Pará Comarca de Castanhal. o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e foi solicitada a permissão para gravar. Nas entrevistas foram apresentados ao psicólogos os objetivos da pesquisa.O sujeito 03 é do sexo feminino e tem 8(oito) anos de formado. Não possui outros cursos superiores e atualmente atua como Analista Judiciário há 2(dois) anos. foi feita uma análise de acordo com a fundamentação teórica sobre o assunto abordado . foram elaboradas 12 perguntas abertas para o roteiro de entrevista. 3.4) Procedimentos: Inicialmente. Graduou-se na Universidade Federal do Pará (UFPA).

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