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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO - SEÇÃO DE DIREITO PRIVADO

30" Câmara

AGRAVO DE INSTRUMENTO
No.1064392- 0/3

Comarca de PIEDADE 2.V.CÍVEL


Processo 123/02

AGVTE WILSON JOSÉ DA SILVA


AGVDO ALEX VICENTE FERNANDES
ELIZA BERNADETE DOS SANTOS FERNANDES

A C Ó R D Ã O

Vistos, relatados e discutidos estes autos,


os desembargadores desta turma julgadora da Seção
de Direito Privado do Tribunal de Justiça, de
conformidade com o relatório e o voto do relator, que
ficam fazendo parte integrante deste julgado, nesta data,
não conheceram do recurso e, de oficio, decretaram a
nulidade da decisão agravada, por votação unanime.

Turma Julgadora da 3 0" Câmara


RELATOR DES. MARCOS RAMOS
2 o JUIZ DES. ANDRADE NETO
3 o JUIZ DES. LUIZ FELIPE NOGUEIRA JÚNIOR
Juiz Presidente DES. MARCOS RAMOS
Data do julgamento 22/11/06

DES. MARCOS RAMOS


Relator" "
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA

30a CÂMARA DE DIREITO PRIVADO

4842
Agravo de Instrumento n° 1.064.392/03
Comarca: Piedade
Juízo de Origem: 2a Vara Cível
Ação Cível n° 123/02
Agravante: Wilson José da Silva
Agravados: Alex Vicente Fernandes e Eliza Bernadete dos Santos Fernandes

Ementa: Agravo de Instrumento - Ação de


responsabilidade civil - Decisão proferida
quando o réu já havia falecido, decretando sua
revelia, diante de sua inércia em proceder à
habilitação nos autos - Recurso da advogada
do réu alegando que a habilitação deve ser
promovida pelos autores. Falta de interesse
recursal e ilegitimidade de parte - "Decisum"
que ostenta ilegalidade e teratologia evidentes,
razão pela qual, de ofício, é anulado.

Recurso não conhecido e, de ofício, decreta-se


a nutidade da decisão guerreada.

VOTO DO RELATOR

Trata-se de agravo de instrumento interposto em razão de


parte da r. decisão copiada às fls. 117, proferida nos autos"da ação de
responsabilidade civil proposta por Alex Vicente Fernandes e Eliza

Voto n° 4842 7 " V J 1


PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA

30a CÂMARA DE DIREITO PRIVADO

Bernadete dos Santos Fernandes em face de Wilson José da Silva, em


que o MM. Juiz de primeiro grau, diante da inércia do réu em
proceder à habilitação nos autos (artigo 1.055, do Código de Processo
Civil), decretou sua revelia nos termos do artigo 13, inciso II, do
Código de Processo Civil, com os efeitos do artigo 322 do mesmo
diploma legal.

Aduz a advogada constituída pelo réu, Graziela Vellasco,


em síntese, que o Juízo não atentou para o fato de que a habilitação
deveria ser procedida pelos autores e não pelo réu (que veio a falecer
no curso do processo), não havendo que se falar ainda em revelia, pois
esteja havia apresentado defesa na referida ação.

Assim, requer a concessão de efeito suspensivo e o


provimento do recurso para que seja a decisão reformada, e decretada
a suspensão do processo para que os interessados ajuízem a
habilitação e, em caso de descumprimento, seja decretada a extinção
do processo com fundamento no artigo 267, do Código de Processo
Civil.

Recebido o recurso por tempestivo, foi concedida-efeito


suspensivo para obstar o andamento do feito.

Voto n° 4842 2
PODER JUDICIÁRIO
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30a CÂMARA DE DIREITO PRIVADO

O Juízo de origem prestou informações (fls. 133/135).

Os agravados não apresentaram contraminuta (fls. 140).

É o relatório.

O recurso não comporta conhecimento, mas, de ofício,


decreta-se a nulidade da decisão.

Verifica-se nos autos que, em audiência de instrução e


julgamento realizada em 03 de maio do corrente ano, foi noticiado e
comprovado o falecimento do réu através de sua advogada constituída
(fls. 115).

Nessa oportunidade, também foi determinada a suspensão


do processo (artigo 265, § Io, do Código de Processo Civil) e a
realização da habilitação na forma do artigo 1.055, do Código de
Processo Civil.

É certo que o referido artigo dispõe que "a habilitação


tem lugar quando, por falecimento de qualquer das partes, os
interessados houverem de suceder-lhe no processo". \

Voto n° 4842 3
PODER JUDICIÁRIO
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Porém, em sendo o recurso interposto com procuração


inexistente, posto que outorgada por pessoa já falecida no momento
em que foi proferida a r. decisão guerreada, descabe à advogada
constituída prosseguir na ação devido à falta de interesse recursal,
sendo evidentemente, também, parte ilegítima no feito, o que não
permite o conhecimento do recurso.

Outrossim, deve-se salientar que quando constatado o


óbito do réu no processo em andamento, cabe ao autor proceder à
habilitação dos sucessores ou herdeiros da parte falecida.

É indispensável a habilitação para o prosseguimento do


feito, pois não se sabe se eventuais herdeiros ou sucessores tinham
conhecimento da existência da ação proposta contra o "de cujus".

Ademais, mesmo que esses soubessem de tal fato,


certamente não teriam interesse na lide.

Apenas se sabe ao certo que a advogada do recorrido é


conhecedora de sua morte, pois trouxe a notícia e sua fconiprovação
nos autos.

k)
Voto n° 4842 4
PODER JUDICIÁRIO
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O artigo 1.056, inciso I, dispõe que a habilitação pode ser


requerida pela parte, em relação aos sucessores do falecido.

Evidentemente, então, que cabe aos autores nominar os


sucessores do réu, requerendo suas intimações para que seja
promovida habilitação.

O processo só poderá prosseguir se a habilitação for


realizada ou se, intimados, os sucessores não atenderem ao chamado.

Nota-se, portato, que o "decisum" ostenta ilegalidade e


teratologia evidentes, motivo pelo qual, de ofício, decreto sua
nulidade.

Diante do exposto, não conheçtrdo recurso e, de ofício,


decreto a nulidade da decisão atacada. s^T*\

MARCOS RAMOS
Relator

Voto n° 4842 5