SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA

Sistemas de Informação Geológica

Amândio Cordeiro

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SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA

CAPÍTULO I INTRODUÇÃO

1. CONSIDERAÇÕES GERAIS
Desde o alvôr das primeiras civilizações, a exploração da terra e mais tarde a gestão planeada dos recursos naturais, assim coma as necessidades político-económicas dos estados , conduziu a um cada vez maior ordenamento da informação, para um melhor conhecimento dos condicionalismos a que aquela exploração sempre se encontrou sujeita. Nesse sentido, as cartas geográficas e topográficas têm sido utilizadas, desde a sua concepção, para visualizar informação sobre a superfície terrestre. Navegadores, agrimensores e militares têm utilizado cartas e mapas representando a distribuição espacial de elementos geográficos importantes. A topografia e a cartografia

constituiam uma parte integrante da governação romana. Com o declínio do império romano a topografia e a realização de cartas declinaram igualmente, durante aulgumas centenas de anos, durante a longa “noite medieval”. Foi só a partir do século XVIII que a cartografia foi retomada a mais alto nível na Europa à medida que os governos constatavam a sua importância como um meio de registo e de planeamento da utilização dos seus territórios. Instituições nacionais foram encarregadas de produzirem coberturas inteiras desses territórios. Deste modo foram elaborados mapas e cartas de carácter geral, mostrando o relevo e os limites nacionais e das unidades administrativas. Com o desenvolvimento do estudo dos recursos naturais também cresceu a utilização de cartas temáticas representando a distribuição espacial de ocorrências de carácter geológico, morfológico, de tipos de solos, vegetação, etc.

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No final do sec.XIX e princípios do séc. XX o ritmo da ciência e da tecnologia acelerou-se. Este incremento criou uma procura cada vez maior de informação de dados geográficos de modo a serem representados em forma cartográfica, de aquisição cada vez mais rápida e precisa. Com o desenvolvimento das tecnologias da teledetecção, como a fotografia aérea e imagens via satélite (IVS), tem-se verificado uma explosão na produção de informação geográfica, uma utilização mais alargada e análises cada vez mais sofisticadas. Actualmente a massa de informação geográfica é gerada mais rapidamente do que as capacidades da sua análise. Tradicionalmente a informação geográfica tem sido apresentada sobre a forma cartográfica. Até à existência de computadores esta informação tem sido representada sob a forma de pontos, linhas e áreas marcadas num suporte opaco ou transparente. A sua codificação é formada por símbolos, texturas e cores explicados numa legenda ou texto adjunto. A carta e a sua documentação constituiam uma base de dados geográficos. A utilização de cartas temáticas dos recursos naturais começou como um meio de inventário utilizado no registo e classificação das observações. Os métodos de análise foram inicialmente qualitativos. Quer dizer, a procura e a análise da informação cartográfica dependia basicamente na observação da carta e numa análise intuitiva dos dados. A análise quantitativa duma carta podia ser levado a cabo partindo da medição de distâncias e de áreas por meio de uma quadrícula ou, posteriormente, de um planímetro. Enquanto era relativamento fácil procurar pequenas quantidades de informação ou considerar as relações espaciais de um pequeno número de elementos, aqueles métodos eram correntes, mas tornaram-se cada vez menos eficazes quando grandes volumes de dados estavam em causa. Somente nos anos 70, quando se tornaram acessíveis meios computacionais adequados, é que a tecnologia de tratamento de informação deu um grande passo em frente. Os sistemas de informação geográfica, baseados em computadores, foram desenvolvidos para fornecer um poder de análise de grandes volumes dados geográficos. A carta em suporte material pode ser facilmente produzida em grandes quantidades e armazena uma certa quantidade de informação espacial de uma forma compacta e acessível. Contudo tem um certo número de limitações importantes. Grande parte da informação utilizada na elaboração de cartas tem de ser usualmente generalizada, i.e., a informação deve ser apresentada com menos detalhes e/ou por meio de símbolos ou
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de formatos sem escala, a fim de que as mesmas possam ser facilmente lidas. Áreas cuja extensão excedam à escala o âmbito de uma carta maneável devem ser apresentadas em várias partes (divisão em folhas). Os problemas surgem quando as ligações entre as cartas não se conjugam nas suas margens e quando áreas de interesse se dividem por mais de uma carta. Frequentemente estes problemas resolvem-se deslocando a área das cartas de modo a obter um melhor ajuste. Para aplicações mais críticas pode ser necessário uma nova divisão cartográfica. Actualizar uma carta, nestas condições, é em geral um procedimento moroso e oneroso. Relativamente às modificações as matrizes das cartas terão que ser redesenhadas e as cartas reeditadas. Como consequência, fisicamente, uma carta é um documento relativamente estático. A recolha de uma simples informação de uma carta em suporte material é relativamente fácil; contudo o processo de recolha de grandes quantidades de informação e de combinação de informação espacial a partir de toda uma cartografia é moroso e dispendioso. Durante as décadas de 60 e 70 foi reconhecida a necessidade de manuseamento de grande número de dados geográficos. Por exemplo foi necessária a rápida e precisa integração de dados tão diversos como os relativos a tipos de solos, utilização da terra, vegetação vigente, assim como a de limites administrativos para estudos como os de impacto ambiental. Mesmo decisões relativas à zonagem de áreas começaram a exigir a consideração de múltiplos factores geográficos. A precisa e rápida análise de diferentes conjuntos de dados geográficos foi assim percebida como um requesito para um planeamento mais eficaz. A integração de dados poude ser inicialmente realizada utilizando cartografia em suporte material. A informação cartográfica era conjugada e integrada sobrepondo suportes transparentes sobre uma mesa luminosa, analisando visualmente a co-

ocorrência de factores. Desse modo, áreas com a desejada combinação de factores, podiam ser delineadas marcando os seus limites num outro suporte igualmente transparente. As cartas transparentes eram em geral desenhadas para análise, não só para transformar as cartas de partida numa base comum mas igualmente para codificar cada carta com diferentes graus de cinzento representando diferentes níveis de constrangimento para uma aplicação de planeamento particular. No entanto o procedimento era moroso e, à medida que o número de factores e de níveis de cada factor aumentavam, um limite crítico de ordem prática era rapidamente atingido.

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Na América do Norte os trabalhos no primeiro sistema computacional de informação geográfica começou em meados dos anos 60. Por exemplo, o sistema de informação geográfica do Canadá (CGIS), patrocinado pelo governo canadiano e a Land Use and Natural Resources Inventory of New York States (LUNR), patrocinado pelo estado de Nova York, foi desenvolvido aproximadante na mesma altura. Ambos os sistemas faziam uso intenso de fotografia aérea e de cartografia existente de recursos naturais. Níveis de informação como agricultura, florestas, vida animal, solos e geologia eram considerados. A informação geográfica da cartografia foi então numerizada para posterior análise computacional. Apesar deste desenvolvimento ter início nos anos 60, a parte computacional destes sistemas tornou-se operacional somente no início dos anos 70 quando a tecnologia do acesso directo aos discos foi criada. Estas primeiras implementações de SIG operacionais sobre meios e recursos computacionais estimularam o aparecimento de inovações tecnológicas. Do mesmo modo aqueles sistemas forneceram valiosa experiência de como criar e operar grandes sistemas de informação geográfica. Entretanto, numerosos trabalhos, desde 1976, forneceram conselhos valiosos na implementação, gestão e modo operatório de um SIG que ainda hoje continuam válidos. Ainda no início dos anos 60, o Laboratório Gráfico de Harvard foi um dos grupos de pesquiza mais activos no desenvolvimento de programas de análise cartográfica. Os primeiros programas (SYMAP, GRID e IMGRID) foram elaborados de forma a fornecer os mesmos procedimentos dos métodos manuais, mas com maior rapidez e flexibilidade. O acelerado desenvolvimento da informática nas últimas duas décadas permitiu aos sistemas de informação geográfica libertarem-se mais rapidamente dos antigos sistemas, criando-se os SIG actuais com capacidade de tratamento cada vez mais complexo. A melhoria na velocidade de tratamento tem alterado a abordagem da análise dos sistemas de informação geográfica. Talvez duas das mais importantes melhorias se verifiquem na possibilidade em manter um sistema comum de dados georreferenciados e de eficientemente se poder integrar conjuntos múltiplos de dados. A capacidade de rapidamente se poder actualizar uma base de dados geográfica, a par da rapidez e baixo custo da produção de cartas isoladas, tem tido como significado o facto de uma carta material poder ser usada como um instantâneo de uma base de dados geográficos em contínua evolução. Uma vez que a reanálise dos dados é
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de par com o tratamento da informação dentro do domínio raster. digitalizáveis. o desenvolvimento de novos sistemas. se se usasse os métodos manuais.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 6 . de toda uma evolução. na nossa época. até à informação digitalizada tratada por modernos e potentes computadores. pondo desse modo em realce a importância actual e as capacidades por ora ainda não inteiramente exploradas dos actuais e futuros Sistemas de Informação Geográfica. particularmente no domínio do tratamento em formato vectorial. face à dificuldade em obter determinado tipo de dados de terreno (amostragem). em termos de custos e temporais. o de se constatar uma inflação das potencialidades dos meios de tratamento da informação. Os responsáveis podem propor um grande número de planos alternativos e avaliar cada um pela passagem de cada cenário. comparando os resultados. de modo a definir as modificações propostas. têm conduzido um número inesgotável de portas. passíveis desse tratamento. onde uma enorme massa da dados captados pelos Satélites de Observação da Terra (Landsat. fornecidos pelos sensores da área da Teledetecção. para gerir a e para intervir na utilização de todos os seus recursos. onde a sobreposição das informações permitia o seu cruzamento sugestivo. Desde os suportes opacos e translúcidos e posteriormente os transparentes. problema este que constitui uma das maiores limitações aos SIG. Este é um fenómeno novo. cada vez mais complexos e funcionais. têm sido progressivamente melhorados cenários de planeamento complexo através da reanálise de uma dada planificação. prontas para se abrirem à informação. Os Sistemas de Informação Geográfica (SIG) surgem assim como o culminar. o mesmo não se passa com os dados rasterizados. Daí a necessidade de desenvolvimento de novos SIG onde seja cada vez mais fluido o intercâmbio entre o domínio vectorial e raster. Esta abordagem iterativa e interactiva seria francamente proibitiva. FCUL . Com efeito. Spot. no sentido persistente de georreferenciar de modo sinóptico e mesmo sugestivo o maior número de informações sobre a realidade de toda uma região.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA relativamente pouco dispendiosa e pode ser feita rapidamente. etc) conserva-se adormecida em milhares de bandas magnéticas e mesmo suportes fotográficos. desde os agrimensores egípcios até ao desenvolvimento das projecções cartográficas verificado desde o séc XVIII.

matemática.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA 2. o sistema tenha possibilidade. de múltiplas origens e de diversa natureza. é compreendido. No que diz respeito às entidades que se constituem como informação geográfica. Porém. O QUE É UM SIG ? O termo SIG (SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA). e contrariamente ao que se possa pensar. zoologia. Durante os últimos 30 anos tem havido um rápido desenvolvimento teórico. conforme já se referiu. computadores. à partida. que permitem a integração de informação diversa relativa a realidades geográficas. estatística. botânica. A origem recente e o rápido desenvolvimento não têm ajudado a criar uma definição exacta para os SIG.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 7 . Para o efeito estes sistemas dispõem de grandes capacidades de armazenamento de informação gráfica e alfanumérica em ficheiros e / ou Bases de Dados. tecnológico e organizacional no campo do SIG. com especial relevo nas questões de natureza espacial. incluindo áreas de agricultura. como um produto informático (software) à venda no mercado e que proporciona aos utilizadores a exploração de dados multisectoriais. O campo dos SIG é caracterizado por uma grande diversidade de aplicações e consiste em juntar ideias desenvolvidas em muitas áreas. fotogrametria. culminando num período de intensa actividade nos últimos 10 anos. economia. para além das bases de dados e das capacidades de CAD ( desenho por computador ) . Essas entidades caracterizam-se por uma posição relativa num determinado referencial. Este só existe efectivamente quando. de desenvolver complexas operações de análise espacial. por atributos gráficos e alfanuméricos e por relações espaciais que traduzem a relatividade posicional dos objectos à superfície da terra. poderemos dizer que elas procuram descrever os objectos do mundo real tal como nós os vemos. Podemos também dizer que um SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA. geologia e claro. só para enumerar alguns. bem como a sua manipulação e análise. só as bases de dados e respectivos sistemas de gestão não bastam para que se possa admitir a existência de um SIG. na sua moderna vertente computacional. se traduz num conjunto de meios e ferramentas. Inevitavelmente é difícil de FCUL . Por um número imenso de razões o SIG é mais difícil de se definir do que a princípio se imagina. geografia.

os indivíduos e organizações que trabalham com os SIG têm-se dedicado a desenvolver novos métodos a aplicar o sistema a problemas concretos. uma vez que todos querem estar representados num campo tão vibrante e lucrativo. Todos juntos. fenómenos. dos antigos métodos baseados no desenho temático e FCUL . são as coordenadas dos dados. Também é difícil definir os SIG porque há sempre maneiras diferentes de definir e classificar objectos e assuntos. E. Este facto elege inequivocamente a Cartografia Topográfica (portanto. caracterizando apenas a componente geográfica. atribuindo aos dados de cada linha uma projecção espacial unívoca. Esta afirmação. cada sector tem.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA distinguir entre reinvidicações de várias organizações e indivíduos. não a do Geógrafo. tendência a considerar os SIG como parte integrante da sua área. a definição atrás referida. ela não permite distinguir os modernos e potentes SIG. pelo facto do advento de tais sistemas terem contribuído e certamente virem a contribuir cada vez mais para um grande salto qualitativo na produção de informação e na investigação em todas as ciências da terra. utilizador por excelência dos SIG. mas seguramente a do Engenheiro Geógrafo) como o principal sustentáculo. funcionando em plataformas computacionais de grande capacidade e velocidade operacional. a inabilidade destes sistemas em tratar quaisquer tabelas que não possuam pelo menos duas colunas. Podemos no entanto sublinhar que é frequente na literatura especializada encontrar-se uma definição abreviada dos SIG como sendo um “sistema de informação destinado a tratar dados georreferenciados”. No entanto. A razão final para as dificuldades da definição surge do debate académico sobre o foco central da actual actividade do SIG. por mais especializada que seja. que dão consistência e razão de ser a qualquer Sistema de Informação Geográfica. tem o objectivo de pôr em evidência a base espacial ou “cartográfica” indispensável a qualquer SIG. Algumas pessoas acreditam que o hardware e software são o foco central. Em consequência. com bastante razão. outras defendem que o elemento chave é o processamento da informação ou mesmo as aplicações. produtor da informação de base de qualquer Sistema de Informação Geográfica.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 8 . ocorrências ou valores a tratar. Embora correcta. isto é. estes factores têm conspirado para ofuscar um assunto que raramente tem sido discutido satisfatoriamente ou analisado com detalhe.

específica ou sistemática. em geral.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA sobreposição de diferentes temas em suportes transparentes (SIG manual. não seria demasiado vaticinar uma cada vez menor utilização da cartografia clássica como base de tratamento da informação geográfica. quantificação. dos dados de partida necessário ao funcionamento ocasional. ou permanente (modelado). estará necessariamente no centro desta nova “aventura” do desenvolvimento tecnológico e do conhecimento humano. muitas vezes destinado ao acompanhamento de fenómenos naturais ou ambientais. Em conclusão. analógico? ). acompanhamento e modelação dos fenómenos e recursos naturais. imposto pela facilidade de utilização e leitura por uma grande generalidade de potenciais utilizadores. A INFORMAÇÃO E A DECISÃO Os SIG entram necessariamente na realização de um objectivo. de ser planeado. limitado e estático . são meios informáticos (computacionais) que permitem a integração espacial de dados adquiridos a diferentes escalas e épocas e em diferentes formatos. em favor dos modernos e cada vez mais sofisticados Sistemas de Informação Geográfica. o actual ou o “ainda por fazer”. assim como da actividade antropogénica. OS SIG. deixando contudo de definir a sua principal razão de ser. resultado de uma iniciativa. 3. propomo-nos acrescentar o seguinte: com capacidade de projecção.ENGENHARIA GEOGRÁFICA Este planeamento e o próprio objectivo 9 . FCUL . estaremos sem dúvida mais próximos do que pretendemos abordar. A acção ou conjunto de acções que conduzem à realização desse objectivo necessita. alheando-nos ainda assim do papel determinante de todo o processo preparatório de recolha. Se avançarmos para outra definição do tipo: Os Sistemas de Informação Geográfica. Assim. o Engenheiro Geógrafo. Em todo o caso. particularizado a um projecto. dada o seu carácter demasiado geral.

ENGENHARIA GEOGRÁFICA 10 . É na conjugação do maior número possível de factores com projecção espacial que os SIG computacionais se têm desenvolvido como um poderoso meio de elaboração de dados para obter a informação necessária à tomada de decisões (Quadro 3. FCUL . como apoio à decisão. 3.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA dependem de um certo número de factores. são apoiadas ou geridas por estruturas técnicas ou administrativas ou ainda por grupos de trabalho especializados. OBJECTIVOS INICIATIVA DECISÃO SIG INFORMAÇÃO QUADRO INSTITUCIONAL NÚCLEO COMPUTACIONAL PLANEAMENTO RECOLHA DE DADOS PRE-PROCESSAMENTO MANIPULAÇÃO & ANÁLISE Re-alimentação Quad. AQUISIÇÃO DE DADOS (INPUT) GESTÃO DE DADOS PROCESSAMENTO E ANÁLISE SAÍDA de INFORMAÇÃO (OUTPUT) (RETROACÇÃO) Quad. COMPONENTES ESTRUTURAIS Estas componentes.1. que designamos estruturais. a grande maioria dos factores possuem uma projecção espacial. 4.1. em geral. A sua concepção é indispensável à conceptualização de um Sistema de Informação Geográfica (Quadro 4. correspondem às que basicamente se podem considerar em qualquer Sistema de Informação e que. 4. COMPONENTES DE UM SIG 4. Componentes estruturais de um SIG.1). Se o conjunto de acções é para ser levado a cabo num determinado espaço físico.1 .Papel de um SIG na produção de informação.1) relativa a empreendimentos que impliquem a ocupação de espaços físicos.

4. É grande o peso desta fase em todo o processo de sistematização da informação cartográfica. Num SIG a BD possue necessariamente uma FCUL .1.1. indispensáveis à fase seguinte. definindo em geral os seus atributos sob a forma alfanumérica. Imagens via Satélite (IVS): de preferência após ortoprojecção analítica. Cartografia digital: em formatos muitas vezes diferentes do utilizado. GESTÃO DE DADOS Esta componente engloba todos os procedimentos de manutenção e de preprocessamento dos dados. plantas e mapas em suporte material flexível. A informação. com uma determinada estrutura. com eventual formatação ou reformatação.1. à restruturação de fundo dos organismos envolvidos. a primeira implica frequentemente uma organização complexa levando. susceptível de digitalização. são objecto de um simples carregamento. 4. considerada como dados para o sistema que se pretende alimentar. Fotografia Aérea: digitalizada e analiticamente ortoprojectada ou digitalizada após ortoprojecção analógica. convertendo todo o tipo de dados no seu formato original para um formato utilizável pelo SIG que se pretende implementar.2. Ela ocupa-se de duas entidades consideradas formalmente distintas: Base de Dados (BD): Onde a informação é “arrumada”. Informação Tabelada: relativa a objectos georreferenciados. Nela podemos considerar duas sub-componentes: a da Colheita de dados (Aquisição propriamente dita) e a do Carregamento. Os dados que se apresentam já no formato “legal” do sistema. na implementação de um SIG. Outra informação aero-espacial ( Teledetecção em geral ): idem.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA Passamos a abordar sucintamente cada uma destas componentes. pode-se apresentar em diferentes formas ou formatos: Cartografia analógica em geral: cartas.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 11 . Sob o ponto de vista institucional. AQUISIÇÃO DE DADOS E ARMAZENAMENTO (INPUT) Esta fase inicial do processo tem como objectivo essencial o carregamento do sistema. incluindo a sua organização geral.

FCUL . medição. PROCESSAMENTO E ANÁLISE Componente que inclui dois grupos de funções ou instrumentos. 4. etc. enquadramento temporal com outro tipo de eventos. Outro atributo importante a considerar é o que poderíamos designar por inteligibilidade.período em que os dados de partida foram recolhidos (estação do ano. crédito – período decorrido entre a recolha e a actualidade (validade). regido pelo modo mais ou menos sugestivo em que se dá maior ou menor relêvo aos factores determinantes de uma decisão.1.1. classificação. Entre os factores que condicionam estes atributos contamos os seguintes: exactidão – grau de correcção dos dados. precisão . relacionamento. A BDG constitui uma das maiores responsabilidades de um Engenheiro Geógrafo na constituição e manutenção de um SIG.3. Funções de Análise: Funções que permitem a integração de dados gráficos e alfanuméricos como: acesso. identificação de relações de vizinhança e conectividade. tempo .escala em que os dados são representados (resolução).ENGENHARIA GEOGRÁFICA 12 . SAÍDA DE INFORMAÇÃO (OUTPUT) Os aspectos mais importantes que são de considerar relativamente à informação gerada por um SIG são a qualidade e a fiabilidade. 4.4.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA subdivisão: a Base de Dados Geográficos (BDG).). sobreposição. necessários à produção da informação esperada do sistema: Funções de Processamento: Destinadas a manusear e a transformar os dados de modo a serem submetidos a determinadas funções de análise. pesquisa e extracção da informação contida na Base de Dados. Sistema de Gestão de Base de Dados (SGDB): Subsistema responsável pela organização. período do dia.

2). utilizando redes de comunicação (Quad. seja na forma de dados brutos ou dados tratados. desde a descoberta da escrita.2. necessita de um suporte físico para o seu tratamento ou para o seu manuseamento pelo utilisador final. 4.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 13 . 4. temos a considerar os aspectos a seguir referidos.1. É também evidente que o objectivo a atingir. em qualquer circunstância e do lado do investidor. Do mesmo modo os Sistemas de Informação Geográfica. Disco-óptico) e podendo ainda ser transmitida por meios electrónicos. 4. Assim temos: FCUL .Processador) utilizada e ainda segundo o ambiente ou configuração geral do sistema. um suporte magnético (Disquetes.2. é a melhor relação utilidade/preço. óptico (CD-ROM. SUPORTES DA INFORMAÇÃO A informação pode apresentar-se sobre um suporte material (celulósico ou poliester).2 . 4. possuem igualmente um suporte físico.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA O lado positivo destes atributos possui obviamente um preço. Relativamente aos modernos SIG computacionais. COMPONENTES FÍSICAS De um modo geral a informação.2.Suportes de informação. a fiabilidade e a inteligibilidade. integrando aqui o termo utilidade a qualidade.2. SUPORTES MATERIAL MAGNÉTICO ÓPTICO ELECTRÓNICO Permanente Fácil de apresentar Fácil de manusear Não requer equipamento adicional após impressão Modifica-se interactivamente Permanente ou semi-permanente Requer equipamento informático Fácil de transportar Visualização condicionada Visualização: Monitor “Datashow” Permite a transferência do output para utilizadores distantes fisicamente Plotter Impressora Redes Telefónicas: Analógicas (Modem) Digitais (RDIS) Quad. 4. cassetes ou fitas magnéticas). PLATAFORMAS INFORMÁTICAS As plataformas informáticas ou computacionais (hardware) variam essencialmente segundo o tipo de Unidade de Processamento Central (CPU .

2. Sistema formado por uma plataforma informática (Servidor) com capacidade de “coordenar” vários terminais (Monitor+Teclado) designados por “clientes”. em rede.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 14 1 . FCUL .1. ⇒ Gestores de Sistemas. frequentemente operada em tempo real. ⇒ Especialistas das diferentes áreas envolvidas no SIG a instituir. ⇒ Computadores pessoais (PC´s) De um modo geral o conjunto de componentes físicas e suas caraterísticas designa-se por Configuração do Sistema.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA 4. Ambiente de Utilização ⇒ Sistema Multi-utilizador do tipo Servidor-Cliente1.2. ⇒ Estações individuais. utilizando em comum os mesmos programas. ⇒ Estações individuais em rede.1. permitindo a troca de informações. Assim. desde a sua constituição ao seu funcionamento regular.2. 4. como intervenientes em todo o processo. utilizando o “processamento paralelo” (CPU com processadores montados em paralelo). Tipo de CPU ⇒ Plataformas do tipo Mini ou Main Frame.3.2. funcionando em ambiente multi-utilizador. RECURSOS HUMANOS Os recursos humanos constituem uma das componentes mais críticas no funcionamento de um SIG. ⇒ Estações de Trabalho (Workstations). temos a considerar: ⇒ Fornecedores de Sistemas SIG ⇒ Operadores ⇒ Programadores de Sistemas e especialistas em SIG. 4.2. em virtude das tecnologias e concepções envolvidas exigirem formação ou reciclagem e uma nova atitude mental relativamente ao modo de tratamento da informação. individuais ou em rede.

SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA É frequente ser necessário proceder à formação dos recursos humanos envolvidos e podemos indicar. Considera-se assim a seguinte hierarquia ascendente: FCUL . a título de exemplo. o conjunto de programas (Software. Sobre o Sistema Operativo vêm logicamente imbricados os módulos que compôem o Sistema (Fig. sendo comum a todos a existência de um Sistema Operativo que é activado pela memória da configuração de base: o BIOS. designa igualmente.3). Os diferentes programas que compôem um Sistema Lógico agrupam-se em estruturas ou componentes lógicas. 4.3 . tal como a maior parte das aplicações informáticas.3.Componentes Lógicas dos Sistemas Informáticos. residentes numa plataforma. por sua vez. funcionam apenas com instruções programadas grupadas em Programas que. se agrupam em Módulos (Lógicos) que compôem os Sistemas: INSTRUÇÕES ⇒ PROGRAMAS ⇒ MÓDULOS ⇒ SISTEMAS O Sistema Lógico (singular) de um computador ou simplemente Sistema. as seguintes: ⇒ Informática ⇒ Cartografia ⇒ Implementação do SIG ⇒ Análise Espacial 4. nestes apontamentos. COMPONENTES LÓGICAS Actualmente. Logiciel) SISTEMA MÓDULOS SISTEMA OPERATIVO BIOS Fig. as plataformas computacionais dedicadas aos SIG.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 15 . 4.

Conjunto de módulos que garantem as funcionalidades do Sistema. Para activar as funções são utilizados diversos procedimentos. tal como um SIG. Mas o que distingue um SIG dos outros sistemas é a possibilidade de integrar dados 1 CAD . Pode executar muitas das operações de um SIG.Computer-Aided Design FCUL . São cada vez mais frequentes os sistemas que combinam sobretudo as duas últimas opções.Basic InputOutput System ). atrás referidos. Ícones .todas as funções integradas num só módulo. Menus . Distinguem-se deste modo três tipos de 5. Um CAD. Modular . Aplicações .Comandos grupados em menus.Grupos de funções integram diferentes módulos. podendo ser activados pelo rato ou pelo teclado.é necessário “digitar” ou soletrar através do teclado as respectivas designações.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 16 . utilizados no apoio ao desenho de projectos e à cartografia digitalizada.Sistema de relacionamento da CPU com as diferentes memórias e interfaces.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA BIOS . diferindo a sua predominância de sistema para sistema. se bem que as linhas de comando continuem a ser utilizadas para activar funções menos correntes. incluindo funções de manutenção e controlo. é também um sistema que trabalha com dados georreferenciados. podem apresentar duas estruturas diferentes: Unitária .“Botões” virtuais. Os Sistemas Operativos determinam igualmente dois tipos de ambiente de utilização: Multi-utilizador e Mono-utilizador. activação: Linhas de comando . em particular. SIG e CAD É frequente tomarem-se os correntes Sistemas CAD(1). Relativamente à sua concepção as Aplicações de um modo geral e os SIG. Sistema . por Sistemas de Informação Geográfica. Sistema Operativo . activados pelo rato e o seu ponteiro.Unidade ou super-estrutura lógica que permite a realização de um objectivo.Memória elementar da configuração do sistema (BIOS .

Aquela integração inclui operações como a pesquisa espacial (spatial search) e a sobreposição de níveis de informação (overlay). A grande responsabilidade deste técnico é basicamente a alimentação e manutenção da Base de FCUL . de diferentes formas e perspectivas. APLICAÇÕES DOS SIG Não podiamos deixar de concluir este capítulo introdutório sem uma breve referência aos domínios de aplicação dos SIG. as funções dos SIG têm como objectivo criar informação por integração de vários níveis de dados. De um modo geral todo o domínio de actividade do homem que exija a produção de informação com dados georreferenciados. Outro aspecto que distingue um SIG de outros sistemas é gerar relações entre as diferentes entidades espaciais possibilitando uma melhor análise espacial. habitação. para fazer uma análise dos dados. 6.1 que nenhuma das actividades indicadas se encontra directamente relacionada ou é da responsabilidade do Engenheiro Geógrafo. as funcionalidades do SIG foram sobrepostas a um módulo CAD. As funções de um SIG permitem definir áreas delimitadas segundo um certo número de condições (por ex: visualizar toda a área de uma freguesia X que fica a menos de 1 Km da estrada Y) e sobrepõem informação de diferentes tipos (por ex: floresta. sendo praticamente inviável a elaboração de uma lista exaustiva. A capacidade que o SIG tem de analisar dados espaciais é frequentemente vista como um elemento chave na sua definição e é muitas vezes usado como a característica que distingue o SIG de outros sistemas cujo principal objectivo é a produção cartográfica. O SIG acrescenta outras características que não são avaliadas nestas áreas e uma delas é o ênfase que dá às operações analíticas. assim como fornecer a capacidade de modelar diversos tipos de operações. “cruzando” informação.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA georreferenciados.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 17 . de base. Constata-se portanto no Quadro 6. é um domínio privilegiado de aplicação dos SIG. solos de drenagem.). em alguns sistemas. O Quadro 6. Enquanto que as principais características de outros sistemas cartográficos é gerar mapas em formato digital (armazenados em computador). Um SIG é um pouco a intersecção de todas as áreas e.1 sintetiza algumas das mais importantes aplicações.. Nesta base se compreende que esses domínios sejam inúmeros. etc..

eventualmente.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA Dados Geográfica. além da sua participação do desenho e concepção do Sistema de Informação Geográfica e. o acompanhamento dos resultados.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 18 . FCUL .

ENGENHARIA GEOGRÁFICA 19 . FCUL .SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA INFORMAÇÃO ESPECÍFICA URBANIZAÇÃO GESTÃO AMBIENTAL USO E OCUPAÇÃO DO SOLO SIG BASE DE DADOS GEOGRÁFICOS APROVEITAMENTO ENERGÉTICO VIAS DE COMUNICAÇÃO DISTRIBUIÇÃO DE PRODUTOS INFRASTRUTURAS DIVERSAS CARTOGRAFIA DIGITAL TELEDETECÇÃO Quadro 6.Aplicações dos SIG.1 .

ENGENHARIA GEOGRÁFICA 20 . FCUL . habitação. nomeadamente topográfica. ou mesmo de cartografia convencional. etc A introdução da informação num SIG é quase sempre tarefa morosa. FONTES DE INFORMAÇÃO A informação que sustenta um SIG. geológica. Dados estatísticos emprego. planos de ordenamento. Património histórico. o que obriga a estudo prévio das necessidades de dados geográficos para o carregamento e podem ser. especialmente quando se encontra em formatos pouco compatíveis com o sistema. etc.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA CAPÍTULO II AQUISIÇÃO DE DADOS 7. é muito diversificada e é função da área de trabalho para a qual for planeado e implementado o sistema. Redes de infrastruturas de transporte. saúde. litológica. educação. florestal. relativos à demografia. É o caso das inúmeras listagens de estatística que ainda não se encontrem em formato digital. Imagens Via Satélite (IVS) e Fotografia Aérea. centros de saúde. requerendo frequentemente a sua digitalização manual. hospitais. saneamento. entre outros: Cartografia de base e temática. etc. distribuição de água. energia. hirográfica. Redes de equipamentos sociais. etc. etc. tais como escolas.

métodos estratificados. crédito. MODO DIRECTO A aquisição directa de dados no terreno e/ou no tempo.1. exactidão. 8. Por este motivo se designa por amostragem a aquisição directa de dados nesse contexto.1. tempo. possui necessariamente uma distribuição espacial ou temporal descontínua. Este método pode ser aplicado quando a característica a avaliar tem sub-populações significativas. Atributos: precisão. métodos aleatórios) e indirecto (com base em documentos existentes). alfanumérico. Podemos considerar os dados segundo vários aspectos. que devem ser adoptados caso a caso: a) Amostragem aleatória: A probabilidade de determinado local (ou instante) ser seleccionado é igual à probabilidade de um outro local/instante ser seleccionado b) Amostragem estratificada: Um determinado número de amostras é efectuado em cada sub-população. dado que os atributos já foram referidos na introdução. MODO DE AQUISIÇÃO 8. a saber: 1. raster. c) Amostragem sistemática: As amostras são recolhidas de acordo com uma determinada regra. é determinada pelos objectivos do sistema. A densidade de recolha de dados define a resolução dos FCUL .: em levantamentos topográficos a recolha de pontos deve ser mais densa em áreas de topografia mais complexa do que em áreas planas. Passamos a abordar as duas primeira caracterizações. obviamente.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA 8. temos a considerar os seguintes métodos. ao nível da aquisição. para efeitos de digitalização e carregamento em SIG. CARACTERIZAÇÃO DOS DADOS A natureza e modo de aquisição dos dados é múltipla e variada e. em amostragem.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 21 . 3. Formato: vectorial. Modo de aquisição: directo (amostragem: métodos sistemáticos. é a que possui uma influência determinante da qualidade/fiabilidade dos dados de saída.1. 2. Assim. Esta última caracterização dos dados. Ex.

2. eventualmente no quadro da Teoria de Propagação dos Erros. apesar disso. MODO INDIRECTO A aquisição de dados pelo modo indirecto incide sobre informação existente. cartas. relatórios de amostragens eventualmente realizadas para outros fins.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 22 . por exemplo. Por exemplo a recolha de dados feita hora a hora não consegue captar as variações que podem existir dentro de 1 hora. de ser representativa do fenómeno. 8. FORMATO Considerando que os dados que se pretende adquirir se apresentam num dado suporte material. em grande número de casos. 8. esta informação não é imediata e facilmente acessível.2.: mapas. Os dados adquiridos de modo directo podem ser igualmente designados como de “fonte primária”. em modo matricial (raster) ou ainda sob a forma de tabelas (informação alfanumérica). Nestas circunstâncias é necessário proceder a uma análise dos respectivos efeitos sobre os resultados finais. tabelas.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA dados e assume-se que a sistematização não influencia a amostragem. Ex. o que conduz a falsas espectativas sobre a precisão dos dados e mesmo interpretações erradas de dados. não deixando a amostragem.1. Ex.: recolha espacial de dados todos os 500 m. FCUL . Neste caso é necessário saber mais alguma coisa sobre as fontes de dados. esses dados podem apresentar-se sob três formas: em modo linear (vectorial). que só são postas em evidência em fases posteriores de integração e processamento. entre outros: • o processo de aquisição • a precisão dos dados No entanto. Os dados adquiridos de modo indirecto podem ser igualmente designados como de “fonte secundária”.

mais recentemente (1998) as do 1 Pixel: Abreviatura anglo-saxónica de “Picture Element”. seja de uma forma indirecta.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 23 . IVS e digitalização das fotografias aéreas. Os elementos gráficos são representados da forma mais real possível. o LANDSAT. passando pelo sistema SPOT (10 m em Pancromático).2. há muito que são usados como meio de obtenção de informação cartografável. é obtida através de técnicas de Teledetecção [Aronoff. em que a mais pequena unidade de informação ou pixel1. 8. A fotografia aérea tem sido o método mais comum e convencional. disposta em forma de mosaico ou matriz. por processamento fotogramétrico da fotografia aérea para o formato vectorial. FORMATO VECTORIAL Toda a carta geográfica ou topográfica. Estes últimos processos. Esta evoluiu desde os 79 m iniciais (MSSLandsat) ao recente 1 metro do Satélite IKONOS. que as Imagens Via Satélite (IVS) se tornaram largamente disponíveis com o aumento progressivo da sua resolução espacial. mapa ou região como um espaço coordenado continuamente. Este tipo de informação caracteriza-se por fornecer uma imagem com aspecto fotográfico. e. da União Indiana. por último. no seu subsolo ou nos fundos marinhos. pelos 5.2. obtidas por sensores montados em plataformas orbitais.2. fornecem informação directamente no formato matricial (raster). é considerada no formato vectorial. o formato vectorial é considerado digitalizado e procura representar os objectos por meio de pontos. onde o traço e as cores procuram representar a realidade à superfície da Terra. seja por digitalização por varrimento matricial (scanning) directo da fotografia aérea. Integrado numa plataforma computacional pelos sitemas CAD. com o lançamento do primeiro Satélite de Observação da Terra. à escala ou por simbologia. segmentos de recta e polígonos (áreas). 1989]. FCUL . e em particular a fotografia aérea. Este formato assume a área de uma carta. como “processo de aquisição de informação à distância”.1. por uma utilização das Imagens Via Satélite (IVS). desde 1972. define a resolução que varia consoante os procedimentos e os sistemas. obtida por métodos de reconhecimento. porém. clássicos ou fotogramétricas. É um facto que. a maior parte da informação espacial presentemente usada num SIG. FORMATO MATRICIAL Os produtos da Teledetecção.8 m nominais das imagens no espectro visível (pancromático) do Satélite IRS-1.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA 8. seja.

levando quando muito em consideração o sistema de projecção a que foram referidas.2. uma vez que numa imagem deste tipo não existem elementos espaciais como pontos. por exemplo acerca da ocupação e uso do solo.3. os espaços verdes ou até mesmo zonas de poluição. 8. pelo que requerem uma grande capacidade de armazenamento apesar do aumento cada vez maior desta capacidade em todo o tipo de plataformas computacionais existentes no mercado. FCUL . também tem acompanhado a crescente resolução das imagens de satélite. particularmente no caso em que a informação espacial apenas necessita de ser visualizada. da Earth Watch. Porém. em que o aumento da capacidade de armazenagem. como as bandas do infra-vermelho e das micro-ondas. Outro factor desfavorável nas imagens digitais relaciona-se com o seu armazenamento: podem frequentemente ocupar dezenas e mesmo centenas de megabytes. sem que estas necessitem de ser previamente tratadas. além do visível. Devido a este problema. o problema tem vindo a ser atenuado pela cada vez melhor qualidade e menor preço das plataformas e dos sistemas.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 24 . VECTORIAL VERSUS MATRICIAL As imagens em formato matricial podem ser utilizadas num SIG. Pelo facto de fornecerem igualmente imagens noutras zonas do espectro radiométrico. linhas e polígonos. a densidade populacional duma zona urbana. Com efeito. De qualquer modo é uma realidade o uso cada vez mais frequente de imagens digitalizadas (matriciais) em Sistemas de Informação Geográfica.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA Early Bird 1. é possível obter outro género de informação. em disco. de um modo explícito. neste caso uma dificuldade aparece: torna-se impossível utilizá-las com o objectivo de fazer uma referenciação espacial dos objectos. referindo-nos apenas às imagens comercializadas. tal como para o uso crescente do varrimento digital. sobre o qual podem ser sobrepostos níveis de informação em formato vectorial. As imagens matriciais são uma opção atractiva e de fácil utilização. o formato matricial utiliza-se frequentemente como imagem de fundo.

atributos e referências fornecidas. PROCEDIMENTOS Todos os procedimentos de carregamento da informação para o suporte físico da plataforma computacional podem adoptar designação genérica de digitalização. na medida em que a informação necessita de tomar sempre a forma numérica. as IVS (Imagens Via Satélite) e as coordenadas. Existem 4 formas possíveis para introduzir informação num SIG (Aronoff [1989]).2. Os ficheiros digitais já existentes no formato digital são directamente carregados no sistema pelos suportes físicos e meios electrónicos correntes e compatíveis com as respectivas plataformas informáticas. Apresentam-se em geral sob a forma de tabelas e a referência aos objectos pode ser explícita. 9. TECLADO A utilização do teclado é a maneira mais convencional de introdução de dados num computador.1.2. FORMATO ALFANUMÉRICO É considerada no formato alfanumérico toda a informação textual ou numérica relativa aos objectos cartografados. em linguagem binária. na forma de coordenadas dos objectos afectados. já sob a forma digital. • Digitalização manual.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 25 .SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA 8. CARREGAMENTO DA INFORMAÇÃO 9. FCUL . É o método mais usado para a informação alfanumérica. assim como pelos receptores GPS dedicados a sistemas SIG e CAD. 9. pelas modernas estações totais. em que cada dado se refere a um único objecto.4. Os dados numéricos podem constituir códigos representando atributos dos objectos ou definindo uma simples relação de ordem. já no formato matricial. • Varrimento digital (Scanning) • Ficheiros digitais já existentes. São exemplos deste tipo. sendo as mesmas através de: • Teclado.

e por conseguinte exigem mais trabalho de digitalização. em formato vectorial. 9. o qual gera uma imagem digital do documento em formato matricial.3. com um cursor que percorre os traços e os pontos da carta a digitalizar.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 26 . dedicados à vectorização.2. DIGITALIZAÇÃO POR VARRIMENTO É realizado através de aparelhos de varrimento digital especiais designados em Inglês por Scanner. A eficiência da digitalização manual é dependente da acuidade do sistema de digitalização e da perícia do operador. o que certamente contribui para a degradação da qualidade da digitalização. DIGITALIZAÇÃO MANUAL É um método que tem tido uma utilização cada vez menor no carregamento de informação de carácter espacial. de cartas. uma vez que as escalas maiores têm mais pormenor. em particular. É extremamente repetitivo e monótono pelo que o operador pode cansar-se facilmente. tipo carta ou planta. a digitalização manual gera directamente formatos vectoriais. No fundo trata-se duma conversão analógico-digital de cartas existentes.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA O recurso ao teclado aplica-se particularmente à introdução de coordenadas espaciais dos objectos. Convém dizer porém que. para uma mesma área no terreno. 9. em sistemas de tratamento de imagens matriciais. Este é um procedimento cada vez mais seguido com o aperfeiçoamento de módulos lógicos. No entanto.4. Por natureza. pode passar por um varrimento digital (§ seguinte) seguido de vectorização. seja directamente. seja por cálculo a partir de observações. Para tal é fixada a carta sobre uma mesa (digitalizadora) onde um operador move manualmente um sistema integrador. Fig. A posição do cursor é medida com o grau de precisão requerida por um sistema integrador que gera as coordenadas em formato digital. FCUL . o rato informático. este é um trabalho em geral muito moroso. e são desse modo armazenadas num ficheiro interno criado pelo SIG. para o operador. o carregamento de um documento gráfico de traço. 9. sendo os seus custos mais dependentes da escala da carta.

de certa forma.3 . seja para outro tipo de tratamento de imagem. Mesmo quando este procedimento é recomendado. 9.2 . sendo em média menos oneroso que as mesas digitalizadoras. uma vez que. DIGITALIZAÇÃO MANUAL E POR VARRIMENTO A que se verifica hoje em dia é a tendência cada vez maior para a utilização das técnicas de varrimento digital.5. é consequência da contínua evolução tecnológica dos equipamentos e da capacidade dos sistemas de digitalização. contrariamente ao que acontece na digitalização manual. de modo a produzir informação compatível com o SIG.Scanner Fig. sendo automático. 9. 9.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA Fig. de modo a melhorar a sua qualidade seja para converter a informação matricial em informação de formato vectorial. que ser redesenhadas antes de poderem ser digitalizadas por varrimento. aqueles que preferem a digitalização manual em relação ao varrimento argumentam que as cartas têm. 9. ele é muito mais rápido e requer muito menos meios humanos especializados de produção. O seu custo também tem vindo a ser cada vez menor. quer do varrimento.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 27 . Durante esta fase a cada elemento espacial (pixel) pode ser dada a correspondência a um atributo. FCUL .Mesa digitalizadora Posteriormente. esta última é verificada e possivelmente corrigida. através dum operador. a imagem matricial pode necessitar de sofrer um processamento digital adicional.1 . os defensores da digitalização prévia por varrimento consideram que este acréscimo não impede a redução dos custos quer da digitalização manual (se esta for realizada à custa das cartas renovadas). Esta actual preferência. Em relação às vantagens de um e de outro método. codificado.Rato Fig. Finalmente. em geral. normalmente.

dado constituir o núcleo de qualquer SIG computacional. parcial e virtualmente descrito. pesquisa e extracção da informação contida na Base de Dados. organizada segundo determinados critérios. Ao conjunto assim minimamente organizado dá-se a designação de Base de Dados ou seja: um sistema de armazenamento de dados. INTRODUÇÃO Sempre que a resolução de um problema ou a informação sobre um determinado domínio do conhecimento exija o manuseamento de um grande volume de dados.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA CAPÍTULO III SISTEMAS DE BASE DE DADOS 10. com uma subdivisão: a Base de Dados Geográficos (BDG). 4. ou seja: a uma descrição lógica dos objectos e das relações entre esses objectos. o Sistema de Base de Dados engloba: Base de Dados (BD): Contendo informação de base. eventualmente plataformas computacionais. e com o objectivo de descrever o mundo real. relacionamento. FCUL .1. organizados segundo critérios bem definidos. A representação a ser obtida dependerá necessáriamente de instrumentos.2). impõe-se um certo grau de organização de toda a informação envolvida. A uma Base de Dados corresponde assim um modelo do mundo real. e da concepção do sistema.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 28 . Como foi referido anteriormente (Sec. Os sistemas de informação podem-se apoiar sobre dois tipos de sub-sistemas: o de Base de Dados e o Documental. Apenas o Sub-sistema de Base de Dados constitui objecto da nossa preocupação. Sistema de Gestão de Base de Dados (SGDB): Subsistema responsável pela organização.

teórica.Evolução da organização dos dados.e. dado que a Base e o sistema de Gestão são praticamente indissociáveis: a organização da Base de Dados é garantida pelo Sistema de Gestão. No Sistema de Fichas a consulta é já determinada por dois critérios que introduzem maior eficácia: o critério de classificação é de acesso directo. Agenda). como acontecia com a Lista. Relação. os programas e os dados possuiam ainda entre si uma ligação muito estreita e toda a modificação de estrutura ou suporte exigia uma correspondente alteração dos programas. do utilizador. de acesso sequencial. e o critério interno da Ficha é.. Assim os registos ou 1 Impropriamente designado tambem por Acesso Aleatório FCUL . No entanto. não é necessário percorrer toda a informação incluída nas fichas precedentes. teoricamente. formado por uma colecção de fichas contendo informação sob um determinado tema e ordenadas segundo critério fixo. submetida quando muito a uma rudimentar organização alfanumérica. A introdução do conceito de acesso directo1 em informática conduziu a uma separação conceptual clara entre estrutura lógica e armazenamento físico.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA Na realidade esta divisão é. pouca formação informática. 11. O advento das primeiras plataformas computacionais. 11. i. em muitos casos. O Ficheiro (Sistema de Fichas).ENGENHARIA GEOGRÁFICA 29 . DA AGENDA À BASE DE DADOS A organização da informação e os métodos elementares de consulta tiveram os seus primórdios no simples registo do tipo Lista (Inventário. A actualização não envolve toda a informação. permitiu o bandono da ficha material para o registo magético. desenvolvendo-se inicialmente sistemas simples que exigiam.1 . SISTEMAS DE FICHEIROS FICHEIROS MANUAIS AGENDA SISTEMAS DE BASES DE DADOS Fig. constituiu um grande avanço sobre a agenda e marcou várias gerações. Deste modo a consulta do Sistema de Ficheiros automatizou-se.

O Ficheiro: conjunto de registos. BASES DE DADOS: INDEPENDÊNCIA E ESTRUTURAS A grande tarefa dos Sistemas de Base de Dados consistiu em reduzir ao mínimo.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 30 . facilitada pela separação da estrutura física relativamente à estrutura lógica. E logo que os métodos de acesso contribuem para e gerem a formação de registos. debruçam-se cada vez mais sobre o modo de tratamento dos dados.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA grupos de registos podiam-se encontrar localizados de forma aleatória. tarefa essa altamente apoiada pela evolução do desempenho das plataformas informáticas que iriam permitir. A Base da Dados: conjunto de ficheiros. duas formas de independência entre as estruturas básicas do sistema: a independência lógica e a independência física. Em tabelas corresponde a uma coluna. O edíficio dos modernos Sistemas de Base de Dados poude desse modo crescer e produzir o grau de eficácia que é hoje conhecido. O registo: conjunto de campos. A intersecção com um campo é uma ocorrência. permite a modelação dos dados. A independência lógica possibilita em geral a permanência dos programas mesmo quando a estrutura lógica da informação é modificada A independência física conduz à não perturbação do funcionamento dos programas quando a estrutura física dos dados e princípios de acesso são modificados. as aplicações. Estas unidades dividem-se em campos-chave e campos-descritores. As ocorrências dos campos-chave identificam os registos. Deste modo se impôs a necessidade da formulação de uma verdadeira filosofia sobre métodos de acesso. Surge assim a separação lógica que se estabelece entre Base de Dados e Sistema de Gestão de Base de Dados. A estrutura física é constituída essencialmente pelas seguintes entidades físicas: O campo: conjunto de dados (ocorrências) correspondente a uma categoria ou atributo. Em tabelas corresponde a uma linha. 12. FCUL . ao nível dos Sistemas de Gestão de Base de Dados. a duplicação dos ficheiros e a redundância dos dados. senão eliminar. assim libertas. Assim a independência lógica e física entre os Sistema de Gestão de Base de Dados (SGDB) e a Base de Dados. devendo ser apenas conhecidas as suas localizações.

Se a redundância foi a grande preocupação no desenvolvimento das BD. FCUL . Todas estas ocorrências de nível superior têm em comum a designação de “metadados”.1. a separação alcançada entre a estrutura lógica e física põe claramente em evidência esse facto: ⇒ A nível lógico é alcançada uma visão globalizante dos dados. O esquema conceptual: descrição da estrutura lógica do universo temático. ⇒ A nível físico a redução da redundância traduz-se em maior desempenho do sistema. 12. de registo e de ficheiro como o conjunto das ocorrências dessas entidades. com maior facilidade e clareza.1 . 12. É qualquer dado sem nenhum conceito relacional. O paralelismo entre as duas estruturas são configuradas na Fig.Paralelismo entre estrutras físicas e lógicas. A relação: é a materialização ou formulação de ligações ou atributos comuns entre objectos. ENTIDADES FÍSICAS ENTIDADES LÓGICAS BASE DE DADOS FICHEIRO ESQUEMA CONCEPTUAL RELAÇÃO REGISTO OBJECTO CAMPO CARACTERÍSTICA Fig. O objecto: a mais pequena informação que agrupa e exige um conjunto de características. A estrutura lógica é basicamente constituída pelas seguintes entidades: A característica: é a informação elementar descrita e fornecida pelo SGBD.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA Podemo-nos referir igualmente a ocorrência de campo. com referência a relações.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 31 . constrangimentos de integridade e de constrangimentos de autorização de acesso. Uma ocorrência de Base de Dados vem assim como o conjunto das ocorrências de ficheiro. pondo em evidência as suas relações.

aqueles atributos de nada servirão. menor será a qualidade dos dados (informação) de saída. enquanto que os últimos três se encontram mais relacionados com factores internos. se estes não estiverem disponíveis a tempo de permitirem o tratamento necessário às conclusões. ⇒ Disponibilidade: Mesmo verificando-se actualidade. ⇒ Relevância: Quanto maior for o número de dados tratados.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 32 . por via de regra. ⇒ Legibilidade: O correcto tratamento e aproveitamento dos dados depende do bom entendimento que os mesmos possam ou não sugerir. FCUL . ⇒ Exactidão: Quanto mais os dados estiverem de acordo com a realidade. existem alguns factores determinantes dessa qualidade. dado que os dados só geram informação se forem bem interpretados. relevância e exactidão nos dados de entrada. 4. QUALIDADE DOS DADOS A qualidade e fiabilidade da informação produzida (Sec. que passamos a enunciar: ⇒ Actualidade: Dadas as modificações constantes verificadas nas comunidades e na natureza.1. para estes. em geral dependentes dos meios utilizados. maior dificuldade se tem em chegar às decisões finais. Assim. depende naturalmente da qualidade dos dados de entrada. Informação não relevante ou menos relevante dificulta sempre o processo de análise. maior será a fiabilidade (confiança) da informação final.4).SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA 13. Os dois primeiros atributos tem mais a ver com factores externos ao Sistema. quanto mais recuada no tempo os dados tiverem sido colhidos.

tendo feito as suas provas. Esta filosofia é actualmente dominante. Começam no entanto a ser reduzidos os melhoramentos obtidos dentro desta orientação. FCUL . que designaremos com a sigla OO. Independente destes modelos surgem. agrupados e ligados a uma mesma raíz. Tecnologia de Base de Dados. J. MODELOS PRÉ-RELACIONAIS Destes modelos. eram sugeridos pelos procedimentos aplicados aos ficheiros manuais clássicos. indo-se criando as condições para o desenvolvimento de novos conceitos. todas os 1 PEREIRA. os mais correntes foram o modelo hierárquico e o modelo em rede. 1996. designação atribuída ao topo da ramificação. dados os seu frutos e tido o seu sucesso. assim como no desenvolvimento de Modelos Lógico-dedutivos. 2ª Geração: Fase Relacional: Período de desenvolvimento e vulgarização do modelo relacional.2. 3ª Geração: Fase Pós-Relacional: Centrada no desenvolvimento de extensões do modêlo relacional e sua aplicação nos sistemas em que a integração espacial e a concepção são dominantes. FCA Ed. A partir da raíz. arrumados segundo ficheiros. a saber: 1ª Geração: Fase Pré-Relacional: Período inicial em que a estrutura e manuseamento dos dados.1. No modelo hierárquico os dados são organizados numa estrutura de registos relacionados como os ramos de uma árvore invertida. EVOLUÇÃO Segundo PEREIRA (96)1 a recente evolução das Base de Dados pode ser concebida por ter passado por 3 gerações. A filosofia de organização hierárquica e em rede desenvolveu-se nesta fase..SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA 14 MODELOS DE BASE DE DADOS 14.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 33 .L. em franca ruptura. mantendo estas duas orientações as suas ligações com o modelo relacional. 14. os Modelos Orientados para Objectos (Object-Oriented).

ENGENHARIA GEOGRÁFICA 34 . A redundância é menor mas o estabelecimento das relações entre as entidades é mais complexo. o que introduz uma dificuldade no acompanhamento da evolução das relações entre as diversas entidades. os campos 1 CNIG .F.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA registos estão relacionados com um outro.Vol. surgido em 1980. assistiuse ao surgimento de sistemas de base de dados com algumas alterações relativamente às anteriores concepções. O princípio base do modelo relacional é o conceito de relação. segundo uma sequência hierárquica. o seu autor. podendo relacionar-se igualmente com outros de nível inferior ou registos-filhos. tendo partido da teoria dos conjuntos. investigador na altura da IBM Corp. Esta pesquisa segue as regras das chamadas Linguagens Procedimentais. e concebido uma dezena de anos antes por E. o que implica o procedimento prévio de identificação de todos as unidades. Seguindo a analogia anterior. o relacionamento entre os registos pode-se tornar moroso ou mesmo ineficiente. apresentando-se o conjunto das relações sob a forma de tabelas. e um só.Codd. FCUL . Após o lançamento dos princípios que regiam as Base de Dados Relacionais. MODELOS RELACIONAIS Contrariamente aos modelos anteriores.V. Este facto levou ao estabelecimento das chamadas Doze Regras de Codd. de nível superior. tornando-o mais flexível em relação ao modelo hierárquico.Manual para a Exploração de Sistemas de Informação Geográfica . A activação dos procedimentos pressupõe o conhecimento de toda a estrutura. Sendo as pesquisas feitas sempre através da ramificação.3. onde as pesquisas são frequentemente exploratórias e não podem ser previamente definidas. Outra limitação importante do modelo hierárquico é a não permissão de pesquisas por campos-descritores1. mas reclamando-se desse estatuto. os modelos relacionais foram concebidos de raiz segundo uma filosofia distinta da do manuseamento de ficheiros. um vez que a pesquisa pode já ser feita por “atalhos”. no modelo em rede desaparece o conceito de “filiação”. Este facto constitui um factor negativo em análise de informação geográfica. O primeiro produto comercial desta linha foi o SGBD Oracle. 14. Nestas tabelas. ou registo-pai.

a saber: a) O valor da ocorrência de um atributo num tuplo é atómico. 14. Nos modelos relacionais o conceito de chave é alargado a diferentes tipos e conjuntos. indivisível. c) Os atributos possuem identificadores que devem ser distintos em cada relação. na mesma relação.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 35 . . dado pelo número de atributos considerados numa relação. Qualquer ocorrência fora do domínio. A construção de cada relação opera-se segundo determinados critérios. dois tuplos com as mesmas ocorrências de atributos. ou seja. não podem existir. contendo o registo dos atributos. ATRIBUTOS Cod_produto 321 437 517 267 Designação Opel Corsa Hyundai Ford Fiat Tipo Swing Accent Fiesta Punto Preço 2175 2387 1950 2425 Paralelamente se define cardinalidade da TUPLO Cardinalidade da relação Grau da relação Fig.Exemplo de relação. ou seja. toma em geral o valor null. ou seja. O modelo relacional introduz o conceito de grau da relação. como sejam: FCUL .SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA correspondem aos atributos e às linhas. relação como o número de tuplos. ou desconhecida. b) Cada atributo numa relação possui um domínio de existência comum a todas as ocorrências. d) Os tuplos devem ser todos distintos entre si. dá-se a designação específica de tuplos. É dada a designação de relações virtuais (views) às que são produzidas pelo sistema apenas para efeitos de visualização temporária.2. Às relações registadas na memória permanente das plataformas informáticas atribui-se a designação de relações base. Em contrapartida não é imposta a uma relação qualquer ordem na sequência dos seus tuplos. é bem definido o número e/ou natureza dos respectivos valores que podem tomar.

. chave estrangeira). 14.. estabelece o relacionamento entre tabelas ou relações é em geral designada por join. .. Chave importada: Chave principal (primária) de outra relação (tb. . É este procedimento que permite. chave primária).Os procedimentos para consulta e pesquisa de relacionamentos são independentes da estrutura das tabelas.E... A chave importada numa relação constitui o meio pelo qual se estabelece a interligação com outras relações onde esse conjunto de atributos é chave principal..SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA Superchave: Conjunto de atributos cujos valores.S.... neste modelo. . No processo de pesquisa é sempre possível e desejável definir os atributos a levar em consideração. A função que. cod_dep dfis dmat dinf dmat dinf Fig. ..3 .Guedes A.. .ENGENHARIA GEOGRÁFICA 36 .L. identificam univocamente cada tuplo. O relacionamento objectivo entre relações é assim obtido pela identidade entre os valores dos mesmos atributos.. . Física Matemática Informática Estatítica . Pelo exposto podemos referir as vantagens dos modelos relacionais relativas aos modelos da fase pré-relacional: ⇒ ⇒ Maior flexibilidade .Relacionamento entre tabelas. DEPARTAMENTOS DOCENTES cod_func 42758 87248 91872 23401 25342 Docentes J. FCUL .. em que as SQL são as mais divulgadas. ..S... Chave candidata: Sub-conjunto dos atributos de uma superchave que continua a identificar univocamente um tuplo.N.Matos T. Com base nessa álgebra. cod_dep dfis dmat dinf deio Depart.Cantanhede Categ. . a pesquisa por uma ou mais tabelas. nos sistemas. em grupo.. .Ferreira J. Chave principal: Uma chave-candidata seleccionada (tb.Conceição M.. desde que possuam atributos comuns..Operações sobre tabelas são possíveis como se de conjuntos se tratassem. Aplicação da Álgebra dos Conjuntos .. foram desenvolvidas Linguagens Relacionais específicas. por chave importada.

percursora.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 37 . como: a DB/2 (IBM).: eliminação sistemática de registos idênticos) Havendo contudo algumas desvantagens: ⇒ Maior dificuldade na implementação. verificando-se contudo algumas dificuldades na aplicação aos SIG e mesmo aos CAD e sistemas multimédia1. a Informix (Informix). J.L. a SQL (Microsoft)¸ Sybase SQL (Sybase).. ⇒ Menor redundância (P. dado que estas aplicações necessitam de funcionalidades de difícil implementação nas Bases de Dados da 1ª e 2ª gerações. FCUL . Alem da Base de Dados Relacional Oracle. ⇒ Menor velocidade no processamento.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA ⇒ Maior conviviabilidade . obra citada. outras bases seguem os mesmos princípios. 1 PEREIRA. Procedimentos de aceleramento tem sido propostos. As Bases de Dados Relacionais possuem grande aplicabilidade e têm tido bastante sucesso nos Sistemas de Gestão Empresarial e afins.Por adoptar estruturas de compreensão comum. etc. (96).e. como as tabelas.

SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA CAPÍTULO IV SISTEMAS DE GESTÃO DE BASE DE DADOS 15. LINGUAGENS RELACIONAIS Paralelamente à concepção de bases de dados relacionais. No entanto a primeira aplicação funcional que tenha aplicado os princípios SQL foi a SGBD Oracle. engloba funcionalidades tanto de controlo. (inicialmente SEQUEL) e. existem dois exemplos que mais representam essas duas orientações de linguagens que dialogam com as bases da dados relacionais. Os princípios que presidiram à constituição de linguagens tipo SQL foram inicialmente desenvolvidos pela IBM Corp. Estas linguagens ditas relacionais. funcionalidades até então separadas. que poderíamos traduzir por Linguagem de Inquirição Estruturada.). Os princípios desta linguagem basearam-se no cálculo relacional de domínios e. mais recentemente. São exemplos funcionais o DB2 (IBM Corp. que são abstracções de interfaces reais. próximas do modelo relacional teórico. seja com as variadas aplicações. integradas nos Sistemas de Gestão de Base de Dados e constituindo o interface visível para o utilizador. foi talhada para os pequenos e médios sistemas. basicamente dois tipos de linguagens relativamente diferentes cujo objectivo é desempenhar uma função de interface. sendo de fácil utilização por qualquer utilizador sem conhecimentos de programação. as primeiras versões da ACCESS (Microsoft) e a PARADOX (Borland). desenvolveram-se. têm em geral como fundamento teórico a álgebra e o cálculo relacional. Esta linguagem. Comercialmente. consagrados na SQL92. seja directamente com o utilizador. • QBE (Query By Example). como de definição e manipulação de dados. FCUL . no quadro da 2ª geração de base de dados.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 38 . a saber: • SQL (Structured Query Language).

A linguagem SQL engloba as seguintes funções: ♦ Manipulação de dados. caracterizando-se esta pela sua perenidade e mesmo capacidade de evolução. É o caso da linguagem QUEL ( Query Language ) que deu apenas o sistema relacional designado Ingres. sujeita a revisão como referência.1. MANIPULAÇÃO DE DADOS EM SQL Como Linguagem de Manipulação de Dados (LMD). consiste no seguinte: 1 Excertos de J. A LINGUAGEM SQL1 Originalmente desenvolvida pela IBM Corp. aplicando mais tarde o resultado das pesquisas no DB2. Recentemente. ♦ Definição de dados. o esqueleto de uma inquirição SQL.. À partida. a SQL possui um conjunto de instruções que se podem classificar em dois grupos: → Interrogação da BD (instrução SELECT) → Actualização da BD (instruções INSERT. o facto de a IBM ter sido a percursora. na sua forma mais simples. e não pela IBM. muitos outros interfaces ou linguagens relacionais foram propostas e algumas delas implementadas. 1996. Aparentadas a esta e às outras linguagens existe toda uma lista de aplicações para computadores pessoais (desktop databases) como a família dBase ou XBase (Ashton-Tate).L. tendo o primeiro produto relacional a utilizar o SQL sido avançado pela SGDB Oracle. UPDATE) Começando pela interrogação da BD. propondo-a como referência estandardizada.Pereira.. esta linguagem foi rapidamente adoptada por outros construtores que desenvolveram as suas próprias versões e extensões. ♦ Controlo de dados. Lisboa. preparando-se já uma nova versão com funcionalidades características das linguagens Orientadas para Objectos (OO)1. para além da SQL e QBE.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA No entanto. comercializado com dupla opção: QUEL e SQL. foi a principal razão do seu sucesso. Tecnologia de Base de Dados.. 16. as novas especificações foram designadas por SQL92. FCA Ed. 16.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 39 . FCUL . DELETE.

Quais os clientes que residem em Braga? SELECT * FROM Clientes WHERE localidade = ´Braga´ Em SQL os asterisco na cláusula SELECT indica que se pretende todos os atributos no resultado.. McGraw-Hill Book Co.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 40 . em SQL: 1. cod_agencia.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA SELECT < colunas > FROM < tabelas > [WHERE < condição >] em que: < colunas > < tabelas > especifica a lista de atributos cujos valores interessa conhecer.A. as contas e empréstimos desses clientes nas suas agências. Morgan Kaufmann. agência. saldo) Emprestimos (num_emprestimo.. localidade) Contas (num_conta. FCUL .. valor) Sobre este universo. localidade) Agencias (cod_agencia. Database System Concepts.F. Segundo Korth. Vamos apresentar alguns exemplos2. H. A. cliente. 1991. cod_cliente. Quais os clientes com contas na agência nº 123 ? 1 2 Melton. cod_agencia.. 1993. < condição > traduz a expressão lógica que define os parâmetros de selecção/interrogação a verificar. Consideramse as seguintes relações: Clientes (cod_cliente. especifica quais as tabelas envolvidas no processamento da questão. baseados no universo constituído pelos clientes de um banco. tipo_conta. 2.J. and Simon. As expressões entre parêntesis rectos são optativas. profissão. cod_cliente. podem ser feitas as seguintes interrogações. and Silberschatz. Understanding the new SQL: A complete guide. Quais os clientes deste banco? SELECT cod_cliente. 3. cliente FROM Clientes Corresponde a fazer uma projecção em “cod_cliente” e “cliente” sobre a tabela Clientes.R.

alteração e eliminação de dados).* FROM Clientes.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA SELECT DISTINCT cod_cliente FROM Contas WHERE cod_agencia = ´123´ Dado que nesta agência podem existir clientes com várias contas. associando a esses atributos a identificação da respectiva tabela. FCUL . Agencias WHERE Clientes. Genericamente. na forma geral: INSERT INTO < tabela > [ (<colunas> ] Exemplos: INSERT INTO Clientes VALUES (´1234´. ´Braga´) Este formato implica que todas as colunas são afectadas.localidade = Agencias. A inserção de dados nas tabelas faz-se através do comando INSERT.Silva´. Quais os clientes que residem na mesma localidade das agências onde possuem contas? SELECT Clientes. 4. cliente.localidade Trata-se de uma questão que envolve a junção de tabelas Clientes e Agencias sobre um atributo localidade. Nota: Eventuais ambiguidades são evitadas. Neste caso. sempre que o resultado de uma interrogação sobre uma tabela não traz a chave primária (ou qualquer outra chave candidata) dessa tabela. ´Estudante´. localidade) VALUES (´1235´. quando colunas de diferentes tabelas possuem identificadores iguais. apresentamos também alguns exemplos. A cláusula DISTINCT evita essa duplicação.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 41 . No domínio da actualização da BD (inserção. Outra forma: INSERT INTO Clientes (cod_cliente. ´A. o respectivo valor da tabela (profissão)será nulo (null). ´Guimarães´) Este último formato é utilizado quando um ou mais valores da linha a introduzir na tabela não existem ou não são conhecidos. ´J.Costa´. a forma de evitar a repetição do mesmo “cod_cliente” no resultado final é a utilização da cláusula DISTINCT. poderão surgir resultados duplicados na saída.

de formato geral: DELETE FROM < tabela > [ WHERE < condição >] Exemplo: DELETE FROM Clientes WHERE cod_cliente IN (SELECT cod_cliente FROM Contas WHERE cod_agencia = ´123´ ) Neste exemplo várias linhas são removidas da tabela Clientes.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA A alteração de dados na BD faz-se através do comando UPDATE com o seguinte formato: UPDATE < tabela > SET < coluna > = < expressão > .... os clientes que possuiriam contas na agência nº123.. Exemplo 2: SET saldo = ( SELECT MAX (saldo) FROM Contas WHERE cod_cliente = ´1234´) WHERE cod_cliente = ´1234´ Nesta operação o cliente nº 1234 foi “premiado” com a elevação do saldo de todas as suas contas ao valor do seu maior saldo.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 42 . FCUL . = . A remoção de linhas das tabelas da BD faz-se por meio do comando DELETE. [ WHERE < condição > ] Exemplo 1: UPDATE Contas SET saldo = saldo + 1000 FROM Contas WHERE cod_cliente = ´1234´) WHERE num_conta = ´12345678´ Operação que introduz uma simples actualização do valor de uma coluna numa linha da tabela Contas.

de natureza bastante flexível. como as de Junção (JOIN) de tabelas. SMALLINT. etc. 16. etc). A especificação de domínio de cada atributo consiste em definir o tipo de dados que irá caracterizar as suas ocorrências. CHAR. permissões. As especificações admitidas pela SQL92 são. Em SQL essas especificações adoptam o seguinte formato: CREATE TABLE < nome_tabela > ( < definições de coluna e restrições de integridade > ) A restrição mais simples é a restrição NOT NULL.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA O predicado (opção) IN. Nos sistemas relacionais o dicionário encontra-se organizado por tabelas. cujo conjunto é designado por dicionário ou catálogo. Caso contrário essa declaração deverá ser feita em separado: FCUL . impondo a uma coluna de tabela a não admissão de valores nulos: < atributo > DECIMAL (5. DOUBLE PRECISION. conduz à verificação se um elemento está contido num conjunto dado. No caso da chave primária ser constituida por uma só coluna. BIT. Do mesmo modo que a manipulação de dados é feita com instruções específicas designadas por LMD. TIME. TIMESTAMP. A DEFINIÇÃO DE DADOS EM SQL É no núcleo de qualquer BD que se encontram as especificações relativas aos dados. DECIMAL.2. a LDD.2) NOT NULL A declaração PRIMARY KEY (Chave Primária) inclui a restrição da não repetição do mesmo conjunto ordenado de ocorrências. assim a definição de dados é efectuada pela respectiva linguagem. Uma das principais funções da LDD é criação de tabelas com os seus atributos e domínios respectivos assim como a especificação das restrições de integridade que condicionam a manipulação. assim como toda a informação relativa à gestão da BD (utilizadores. essa restrição pode ocorrer na definição da própria coluna. FLOAT. podendo ser consultado da mesma forma que os dados.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 43 . DATE. VARCHAR. As restrições de integridade são em geral definidas a quando da definição/criação de relações/tabelas. principalmente: INTEGER. Outros tipos de operações são possíveis em SQL.

apenas em alguns produtos relacionais. importada da tabela Departamentos. poderia ser especificada do seguinte modo: CREATE TABLE Docentes ( . constituem chaves candidatas: cod_fornecedor CHAR(4) PRIMARY KEY nome_fornecedor CHAR(20) NOT NULL UNIQUE (nome_fornecedor) A restrição CHECK.. a restrição de integridade referencial relativa à chave estrangeira cod_dep. CHECK (classificação BETWEEN 0 AND 20). Por este motivo as colunas sujeitas a esta restrição classificação SMALLINT.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA cod_aluno CHAR(5) nome_aluno CHAR(40) PRIMARY KEY (cod_aluno.3. estas impedem a realização de actualizações sobre a base de dados que ponham em causa a sua integridade. Quanto às restrições de integridade relacional. CHAR(1). é no entanto a especificação que se aplica a um maior número de casos. ´M´)) a especificação CHECK permite também. permitindo verificar se o conteúdo de uma coluna satisfaz determinada condição ou restrição de domínio: peso sexo INTEGER. No exemplo da Fig. 14. CHECK (sexo IN (´F´. restrições mais complexas como seja a de restringir o valor de uma coluna em função dos valores existentes noutras colunas.. na definição da tabela Docentes. mesmo de tabelas diferentes. cod_dep CHAR(4) FOREIGN KEY (cod_dep) REFERENCES Departamentos (cod_dep) FCUL . nome_aluno) Uma terceira declaração importante é a restrição UNIQUE que também determina a não repetição de ocorrências. . CHECK (peso > 50).ENGENHARIA GEOGRÁFICA 44 . É no entanto possível especificar acções a realizar pelo sistema em casos de remoção de linhas ou de modificações nas chaves primárias das tabelas referenciadas.

portanto.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 45 . sob certas condições expressas.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA ON UPDATE CASCADE ON DELETE SET NULL ) Desta forma. Enquanto estiver activa. 16. modificando as respectivas ocorrências de cod_dep. As tabelas também podem ser alteradas com o comando ALTER TABLE: ALTER TABLE Docentes ADD COLUMN nacionalidade VARCHAR(15) DEFAULT ´portuguesa´ ou ainda: ALTER TABLE Docentes DROP COLUMN nacionalidade A informação pode ser modelada e visualizada consoante as necessidades do utilizador criando. com o comando VIEW. Finalmente.3. tabelas “virtuais” derivadas das tabelas realmente existentes. uma view é tomada como um tabela real e. seja alterando identicamente (ON UPDATE). neste último caso. SQL EM LINGUAGENS DE PROGRAMAÇÃO FCUL . pode-se ainda definir um valor “por defeito” (SET DEFAULT) na tabela referenciadora (Docentes). quando o respectivo valor é removido ou modificado na tabela referenciada (Departamentos). passível de ser requestionada como tal. seja tornando nulas as ocorrências respectivas (ON DELETE). a modificação de uma view pode ser repercutida sobre as tabelas afectadas. Opcionalmente. podendo assim ser utilizada para actualização das tabelas. A instrução DROP aplica-se igualmente à eliminação de uma view existente. a modificação dos valores de cod_dep na tabela Departamentos propaga-se para a tabela Docentes. no seguinte formato: CREATE VIEW < view > [ ( < colunas > ) ] AS < especificação > Onde “< especificação >” pode ser do tipo: (SELECT * FROM Docentes WHERE cod_dep = dmat).

A LINGUAGEM QBE1 17.. uma questão é colocada ao sistema basicamente através da colocação na grelha de um exemplo daquilo que se pretende. Nestes casos é necessário recorrer a linguagens de programação onde se “encaixam” os comando SQL.”. No exemplo apresentado mais adiante utiliza-se a notação QBE do sistema DB2 da IBM Corp. além da primeira ser essencialmente declarativa enquanto que as segundas são utilizadas em aplicações não-declarativas. As variáveis utilizadas no programa podem também ser utilizadas em comandos SQL. Esse exemplo será depois generalizado pelo sistema permitindo obter o resultado pretendido. 17. salvo em Cobol em que esta última deve ser “END-EXEC”.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA As funções codificadas nas linguagens SQL nem sempre respondem às necessidades de aplicações desenvolvidas. Basicamente estas diferenças são resolvidas com a utilização de interfaces adequadas. as linguagens de programação são linguagens orientadas para registos (record-oriented). Em geral. EXEC SQL END DECLARE SECTION. variáveis.1. sempre que haja acesso à BD. A selecção dos atributos a 1 idem. MANIPULAÇÃO DE DADOS Dado não existir um padrão para as QBE.. As dificuldades de integração das duas linguagens residem essencialmente nas suas diferenças estruturais. < declaração de variáveis utilizadas em SQL > ... na base de qualquer interface QBE estão as grelhas correspondentes a esquemas de relações. deve alterar a sua sintaxe enquadrando-a entre palavras reservadas: “EXEC SQL” e “. expressões e marcas especiais. qualquer instrução SQL embutida numa linguagem de programação. desde que declaradas em secção própria: EXEC SQL BEGIN DECLARE SECTION. Em todo o caso. sendo a interacção com o sistema feita através do preenchimento dessas grelhas com valores. FCUL . . os interface adoptados variam bastante de sistema para sistema.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 46 . Enquanto a SQL é considerada uma linguagem orientada para conjuntos (set-oriented). Em QBE.

em que o utilizador manipula os dados e coloca questões directamente ao terminal utilizando a linha de comandos. nome FOR media > 14. da dBase II em 1984 à dBase IV em 1990. Um exemplo de utilização interactiva através da linha de comando seria o seguinte. contudo as questões terão que ser relativamente simples.” nos espaços da grelha. consideramos a seguinte relação: Alunos (numero. que não podem ser colocadas utilizando este interface. nome. como por exemplo as que em álgebra relacional implicam a utilização da operação divisão. Assim. Entre estas a mais difundida tem sido a família Xbase da Ashton-Tate. formatação de saída de dados.2. para o qual possui instruções de controlo de fluxo. OUTROS TIPOS DE LINGUAGEM São bastante vulgarizadas algumas BD para computadores pessoais. FCUL . curso.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA figurar no resultado final faz-se colocando marcas “P. Este produto tem evoluído ao longo de várias versões. correspondentes a esses atributos. utilizando linguagens aparentadas à SQL e QBE. como para o desenvolvimento de aplicações.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 47 . nome P. transformando-se no gestor de bases de dados relacionais dominante para computadores pessoais. com grande divulgação no mercado das pequenas e médias empresas. ano_finalização) A questão “quais os alunos (número e nome) com média final igual a 14?” seria colocada em QBE (em DB2) da seguinte forma: Alunos a b c d e numero P. curso média ano_finalização > 14 A versão correspondente em cálculo relacional de domínios seria: { ab | (∃d) (Alunos (abcde) ∧ d > 14 } Este interface é muito fácil de utilizar. A linguagem utilizada pelos sistemas dBase presta-se tanto a uma utilização interactiva. Existem no entanto questões. etc. media. dentro do exemplo de relação atrás definido: USE alunos DISPLAY ALL FIELDS numero. 17.

Pereira. contribuiram também para busca de soluções diferentes. certamente. É neste contexto que surge o conceito e arquitectura de Data Warehouse. MODELOS PÓS-RELACIONAIS 18. in Prólogo. As áreas de suporte à decisão.1. nunca foi muito bem servida pela tecnologia convencional (BD’s pré-racionais e relacionais)1. FCUL .H.. podendo neste caso diferir o seu carregamento. ou o FoxPro da Fox Software. 3 Idem. 18. Tecnologia de Base de Dados.DBF ”). que concebeu o primeiro compilador para o dBase. 1996. office automation). sobretudo. já na última década do sec. têm surgido no mercado outros produtos como o Clipper. aquelas bases de dados tiveram o seu grande sucesso e constituiram um salto qualitativo considerável no tratamento rápido de um grande número de dados em transacções simultâneas.. Estes produtos têm em geral de comum o mesmo tipo de formato de ficheiros (“ *. ainda as mais importantes necessidades de grandes empresas de distribuição. em tempo real e com acesso por parte de múltiplos utizadores. Lisboa. XX. FCA Ed. onde se pode considerar incluídos os SIG. tem características completamente diversas2: um muito menor número de utilizadores simultâneos (gestores. Lisboa.) da ordem das dezenas.L. lógica e fisicamente 1 2 J. em geral de natureza semelhante. admitindo-se contudo tempos de resposta mais dilatados. perante a necessidade de melhor adequar os Sistemas de Bases de Dados Relacionais a outras áreas bem diferentes das de gestão. Mas não todas: mesmo áreas muito próximas da gestão.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 48 .SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA Dado o sucesso obtido com os dBase.Inmon3 e que tomamos a liberdade de traduzir como Entreposto de Dados. elementos dos departamentos de planeamento e/ou de comercialização. proposto por W. 1996. Com efeito. Segundo Ana Lucas (FCUL). que pode ser definido como uma base de dados para apoio à decisão. CONTEXTO Os modelos de base de dados pós-relacionais nascem. como a do Secretariado Electrónico (Burotique. transações enormes que podem pesquisar milhões de registos. Tecnologia de Base de Dados. Estas são. etc. a conjugação de uma maior diversidade na natureza dos dados e por vezes relativos a épocas diferentes. de transporte aéreo ou ligadas à área financeira. FCA Ed. O tratamento de grande número de variáveis.

existem actualmente 3 linhas de investigação e desenvolvimento da tecnologia de BD.L. Foram deste modo determinadas por aplicações que necessitavam de grande maniabilidade para as suas funcionalidades específicas. Partem do princípio de que o modelo relacional fez as suas provas de eficiência.2. correntes ou com vários níveis de sintetização. Este tipo de BD destina-se a ser actualizada periodicamente. privilegiando a construção de ficheiros dedicados. em diferido (batch) e conterá dados datados. Constitui 1 Se bem que. progressivamente.Pereira.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA separada do sistema operacional. assim como de outras virtudes ainda aproveitáveis (simplicidade de conceitos. 2 J. nos sistemas. ⇒ Dados semanticamente ricos.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 49 . FCUL . ⇒ Transacções com duração relativamente grande. de módulos de leitura e reformatação de dados oriundos de sistemas concorrentes. isto é. constituindo “verdadeiras ilhas isoladas no meio dos sistemas informáticos das organizações1”2. ⇒ Representações de formas elaboradas de conhecimento. com informação sobre o periodo a que se referem e/ou com data de aquisição. estabilidade e segurança. consoante as necessidades. com fraco recurso a bases de dados convencionais. Este facto não deve no entanto impedir o desenvolvimento das novas aplicações que exijam por sua vez o desenvolvimento de BD´s capazes suportar: ⇒ Dados complexos. 18. envolvendo as seguintes áreas: • Extensões ao modelo relacional. Com a utilização de ficheiros dedicados têm surgido contudo alguns aspectos negativos como a tendência para a criação de formatos próprios. ⇒ Registo da evolução dos “objectos” modelados. LINGUAGENS PÓS-RELACIONAIS A mais recente geração de BD surgiu face às diferentes necessidades de grande número de aplicações. etc) e lançam-se na adição de novas características e funcionalidades no sentido de minimizar as suas fraquezas. tenha sido compensado pela integração. idem. 1996. eventualmente de grande dimensão. bom suporte teórico. Neste sentido. Estes podem ser dados históricos. linguagens de manipulação de alto nível.

Ainda ligado ao modelo relacional. • Modelo Orientado para Objectos (OO). Dispõe de grandes capacidades de modelação e adequa-se às áreas de aplicação mais complexas. de armazenar não apenas dados mas também regras que controlam o acesso a esses dados. com algum sucesso.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA um esforço “reformista”. impulsionada pela necessidade inadienável de tratamento e integração de informação via Internet e Sistemas Multimédia. FCUL . mas mais vincadamente evolucionista. Modelo de Base de Dados concebido de raiz e apoiado no desenvolvimento recente das linguagens de programação Orientadas para Objectos.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 50 . se bem que seja uma via ainda em pleno desenvolvimento. no sentido de sobreviver à nova vaga de solicitações da tecnologia de base de dados. É capaz. deste modo. procura levar a cabo uma maior simbiose entre linguagens de programação em lógica e a base de dados. reagem a alterações sobre esses dados e permitem inferir novos dados a partir dos existentes. • Modelo Lógico/Dedutivo.

existe.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 51 . Agregação: o procedimento relacional de reconstituição dos objectos é por excelência a Junção (Join) de registos de diferentes tabelas. e se compararmos este modelo com os relacionais. ou seja: integridade.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA 18. em que estes possuem enormes capacidades no tratamento de grandes tabelas. Não havendo diferença fundamental entre os objectos lidados por umas e outras. Além das razões anteriormente apresentadas. suportado por uma Linguagem com regras bem definidas. Apesar de. Deste modo. apesar destas terem sido determinadas pelas primeiras. mas em reduzido número. o Modelo Orientado para Objectos (OO) é sem dúvida o que apresenta maior potencial de desenvolvimento neste início do século XXI e precisamente o que mais vai ao encontro das necessidades do tratamento cada vez mais complexo da informação geográfica. encontra-se muito mais ao alcance destes modelos que os da geração relacional que os precedeu. distinguindo um objecto persistente de um objecto transiente. Esta realidade introduz um novo conceito nos sistemas de informação. neste mesmo domínio. a corrente complexidade dos objectos. para alem das suas características correntes. no modelo orientado para objectos uma diferença bem marcada entre Linguagens de Programação e Bases de Dados. como Base de Dados. segurança de acessos. levada a cabo pelas linguagens e “existentes” apenas durante a execução do programa. Assim a complexidade dos objectos apontam para duas implicações: Desagregação: para a sua representação em tabelas é necessário desagregar os objectos.3. existindo este apenas durante o período. recuperação e tolerância a falhas. O MODELO ORIENTADO PARA OBJECTOS De entre os Sistemas de Gestão de Base de Dados pós-relacionais. tornandose um procedimento bastante pesado para objectos complexos. assim como a manutenção de várias versões do mesmo objecto. pelo número de tabelas envolvidas. podemos assinalar. de preferência de menor dimensão. o que destaca as Bases de Dados é o facto desses mesmos objectos poderem persistir após a sua criação. ou mesmo as suas versões alternativas. a facilidade dos modelos orientados para objectos em relacionarem a informação de grande número de tabelas. se confundir uma Base de Dados e o seu Sistema de Gestão. na prática. controlo da concorrência. o FCUL . mais próxima do mundo real.

Igualmente.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 52 . permitindo a alteração ou redefinição do objecto (instância) sem alterar o sistema lógico ambiente. O conceito de Objecto. Alem deste aspecto. O conceito de Herança é igualmente uma das conquistas deste novo modelo. E é com esta diferença estabelecida que as novas aplicações se libertam de funcionalidades mais correntes como a decomposição dos objectos em estruturas passíveis de serem armazenadas em ficheiros. É ainda a existência de métodos definidores de classes que introduz uma das diferenças mais importantes entre estes modelos e os das Bases de Dados Relacionais. para alem de corresponder a um conjunto com as mesmas características (atributos) é igualmente caracterizado por possuir os mesmos métodos. Outros conceitos foram necessariamente introduzidas nesta abordagem inteiramente nova no tratamento da informação em que o de “objecto” surge naturalmente em primeira linha do tratamento computacional da realidade. e isto introduz mais uma diferença substancial com os modelos da geração precedente. contrariamente às diferentes manipulações. Consubstancia igualmente a almejada independência entre programação e dados. do topo para a base. assim como a um conjunto de mensagens. respondendo desse modo ao exterior em função da sua “utilidade”. permitindo uma distinção entre propriedades estáticas e propriedades dinâmicas dos objectos. a um conjunto de métodos.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA mais das vezes relativamente efémero. Os modelos OO integram ambos num único objecto. a sua recuperação posterior e a reconstituição dos objectos originais. como um registo composto de diversos atributos. que definiem o seu comportamento ou relação com outros objectos. em programação procedimental (imperativa). sub-classes e super-classes. há que salientar o papel do método como definidores de uma classe. alem desses atributos. vem aqui como estando associado. o conceito de Classe. A organização hierárquica dos objectos em Classes. O conceito de Encapsulamento é igualmente novo. arranjos e interpretações a que as tabelas do modelo relacional podem ser sujeitas. intruduz uma complexidade crescente. Em seguida. uma separação funcional entre dados e código. na medida em que existiu. da execução de um programa. o objecto adquire um comportamento bem definido. pela eliminação de redundância na definição das propriedades de cada objecto. em que a classe inferior “herda” as FCUL . equiparado ao de entidade (feature) no modelo reacional.

o OID (Object IDentifier). sendo um processo corrente utilizar os mecanismos de generalização/ especialização numa dada hierarquia de classes. correspondendo cada um a objextos distintos da realidade. inalterável e não reutilizável. Novo é tambem o definido por Polimorfismo. em prejuízo de uma maior simplicidade do sistema.ENGENHARIA GEOGRÁFICA 53 . Este é o princípio fundamental que permite todo e qualquer tipo de Inquirição. enquanto que a descida para a base exige uma maior especialização.SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA propriedades (dados e métodos) da superior. Este é tambem um processo de criação de objectos a partir doutros. um outro conceito leva à caracterização inequívoca de cada objecto. diferenciando-se da herança simples atrás descrita. propriedade que caracteriza o facto de uma mesma mensagem dirigida a objectos de classes diferentes provocar reacções distintas. mesmo nos seus atributos chave. independentemente do momento em que foi criado (sem data). acrescidos dos restantes dados e métodos característicos e definidores da sua classe. Esta noção de herança é ainda enriquecida com o facto de uma classe poder pertencer a mais de uma super-classe. FCUL . Por último. com a definição de um identificador único. A herança múltipla introduz naturalmente uma diminuição da redundância na definição das propriedades dos objectos. A hieraquia assim definida está intimamente relacionada com os conceito de generalização verificável no topo da mesma. assim como a todo um conjunto de outros objectos referenciados pelo primeiro. O identificador único não impede que um objecto possa ser modificado. verificando-se neste caso uma herança múltipla. Dois objectos em tudo iguais (mesmo estado) podem (e devem) ter identificadores diferentes. Todas estas propriedades das Bases de Dados Orientadas para Objectos não impede que se possa sempre aceder a um objecto que corresponda a uma dada condição.