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Teoria de Áudio - O que é vibração, som, harmônicos e timbre.

Autor: Fernando A. B. Pinheiro

Não basta saber mexer nos equipamentos. Conhecer a teoria por trás do funcionamento do áudio é
fundamental para um serviço bem feito. Quanto mais se conhece da teoria, melhor é a prática. Apresento
abaixo alguns conceitos que devem ser conhecidos por todos que trabalham com áudio, cujo
conhecimento é imprescindível para a operação correta dos equipamentos, tais como equalizadores,
compressores e outros.

Som
Sons são produzidos a partir de vibrações. Quando algo “vibra” uma certa quantidade de vezes no tempo
de 1 segundo, ele está produzindo “som”. Para o ser humano, “som” corresponde às vibrações de 20
vezes em um segundo a até 20.000 vezes em um segundo. São as captadas por nossos ouvidos. Os
elefantes sentem vibrações a partir de 12 vezes por segundo, e as baleias a partir de 8 vezes por
segundo. Já os cachorros sentem vibrações até quase 45.000 vezes por segundo.

Hertz
Quando dizemos “vezes por segundo”, chamamos isso de Hertz, ou Hz. Homenagem ao físico alemão
Heinrich Rudolf Hertz, foi quem primeiro descreveu o fenômeno. Existe o kHz, sendo o “k” a expressão de
1.000. Ou seja, 20KHz = 20.000Hz. O "k" é minúsculo, mas é mais comum ver KHz que kHz.

Espectro Audível
A “quantidade” de vibrações que cada espécie animal consegue sentir é chamada de “espectro audível”.
Para o homem, o espectro audível é de 20Hz a 20KHz. O valor máximo (20KHz) se reduz com a idade.
Veja o artigo sobre Presbiacusia: http://www.somaovivo.mus.br/artigos.php?id=61).

Sentimos as vibrações através de dois órgãos: o ouvido e o labirinto. O ouvido é óbvio e dispensa
explicações. O labirinto é o órgão humano responsável pelo equilíbrio, está ligado ao ouvido e é
responsável por “sentir” os sons muito graves (entre 20Hz e 60Hz), que são muito mais “sentidos” pelo
labirinto que “ouvidos” pelo ouvido.

Vibrações
Para se criar um som, é necessário colocar algo para vibrar. O exemplo mais comum são os instrumentos
de corda. Os instrumentos de corda são tocados de diversas maneiras, de forma a produzirem uma
vibração nas cordas. No violão as cordas são dedilhadas. No violino usa-se um arco. No piano, o teclado
aciona martelos que batem nas cordas. O som produzido pelas cordas é fraco, e, é amplificado pelo corpo
do instrumento. A freqüência do som produzido varia de acorda com a espessura, o comprimento e a
tensão da corda. Cordas grossas produzem sons mais graves que cordas finas. Ao deslizar as mãos
sobre o braço do instrumento, os músicos alteram o comprimento das cordas e com isso, obtêm sons de
diferentes freqüências.

Para os instrumentos de sopro, quem vibra é o ar “soprado” dentro de um tubo. Da mesma forma que nos
instrumentos de corda, a freqüência do som produzido varia de acordo com a espessura do tubo, o
comprimento e a forma. Tubos mais grossos (tuba), produzem sons mais graves. Tubos mais finos
(trompetes) produzem sons mais agudos. Os vários orifícios, válvulas e pistões, como em uma flauta,
trompete ou saxofone, por exemplo, alteram o comprimento do tubo e com isso obtêm-se sons diferentes.

Fundamentais e Harmônicos
Quando uma corda ou o ar “vibram”, o fazem em uma freqüência fundamental (ou harmônico fundamental
ou tom fundamental). Mas muito raramente algo produz uma única freqüência (o diapasão produz
freqüências puras).

um contrabaixo gera. mas “soam como se fossem uma coisa só”. na sua corda mais grossa. Não são freqüências distintas. é a vibração gerar uma fundamental e várias outras freqüências.) repete-se várias vezes. e metade da frequência da sua correspondente posterior.. que são chamadas de freqüências harmônicas. Quando ouvimos um instrumento tocando uma nota. Por exemplo. Fundamental: 40Hz 1º harmônico (x2) : 80Hz – uma oitava acima 2º harmônico (x3): 120Hz 3º harmônico (x4): 160Hz – duas oitavas acima 4º harmônico: (x5): 200Hz 5º harmônico: (x6): 240Hz Quando ouvimos um instrumento tocando uma nota. Timbre . gerados por esse instrumento. por exemplo. estamos ouvindo a fundamental mais os harmônicos. sempre múltiplas inteiras da fundamental. Mas pode acontecer. gerados por esse instrumento. estamos ouvindo a fundamental mais os harmônicos.. x8) são chamados de “oitavas”. x4. e os harmônicos perdem força gradativamente. Oitavas Quando o harmônico representa uma potência de base 2 em relação à fundamental (x2. Ré. a fundamental é o som mais forte. e os instrumentos musicais se encaixam nisso. que um determinado harmônico seja mais forte que outros. mas sempre em oitavas diferentes. por exemplo. Mi. principalmente em instrumentos com caixas de ressonância (por exemplo. tons harmônicos ou simplesmente harmônicos. mas “soam como se fossem uma coisa só”. Não são freqüências distintas. Cada nota tem sempre o dobro da frequência da sua correspondente anterior.O mais comum. violão ou violino). O piano (ou teclado eletrônico) é o instrumento que tem diversas oitavas: Cada nota (Dó. Em geral.

no dia-a-dia do operador de som. que é um harmônico dessa frequência. Existem divisores de 1ª ordem (6dB/oitava). É o timbre que nos permite diferenciar uma mesma nota musical (ou seja. Timbre de um oboé e de um clarinete. Alguns exemplos: . Já para idosos a coisa é diferente. É como se fosse a "impressão digital" do instrumento. Essa sonoridade é chamada de timbre. ambos tocando a mesma nota.divisores de frequência (passivos ou crossovers) tem seu trabalho todo baseado em atenuações por oitavas. . .a revista Veja trouxe a notícia de adolescentes que estão usando toques de celular de frequências muito altas para que os adultos não ouçam. com potências diferentes. Aplicação prática Essas pequenas explicações tem diversas aplicações práticas. 3ª (18dB/oitava). temos sonoridades diferentes. mesma frequência fundamental) tocada em um instrumento ou em outro. 100Hz. Música para crianças e adolescentes usa e abusa de sons até 20KHz. 2ª ordem (12dB/oitava). Som para crianças e adolescentes tem que ser absolutamente cristalino de 20 a 20K. mesmo para uma mesma nota musical. caindo o limite máximo do que escutamos com o passar dos anos. Quando percebemos uma frequência "sobrando" muito. o som resultante dos dois instrumentos sendo tocados smultaneamente. Conhecer oitavas e harmônicos é fundamental para a correta regulagem dos equalizadores. 4ª (24dB/oitava). abaixá-la por si só não trará o melhor resultado. pelo simples motivo que ninguém escutou! . Mas certa vez fiz uma reunião com pessoas acima de 50 anos com um chiado horroroso em 16KHz que eu não consegui tirar de jeito nenhum. pois qualquer nuance musical mais aguda eles vão escutar. E alguns estabelecimentos comerciais estão usando sons muito agudos para "espantar" os adolescentes de perto.Como cada instrumento gera uma quantidade de harmônicos diferente dos outros. por exemplo. pois eles ouvem menos agudos. Abaixo. permitindo diferenciá-los.outro exemplo é o uso de um equalizador. . Teremos também que abaixar o 200Hz. É isso que nos permitem diferenciar uma flauta de um violino ou de um teclado. mas ninguém na platéia reclamou. Isso é puramente aplicação prática da teoria.o espectro audível do ser humano é variável com a idade.