Carlota Boto

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ReIletir sobre a concepcão ética de Aristoteles requer alguma investigacão sobre
seu modo de conceber a politica. Para nos, suieitos do Brasil dessa inIlexão entre o
século XX e XXI, ética e politica são dois termos quase contraditorios. Dai decorre
alguma diIiculdade para se pensar uma possibilidade ética que, por ser proietada
em relacão a esIera social e, portanto, a esIera publica, constitui um alicerce para
apreender a cosmovisão do autor. Em ambos o caso ética e politica tratava-se
de postular a obtencão da virtude. Compreendendo o homem como um animal
politico, para os gregos, a idéia de politica - 'quer radique na natureza quer nas
convencões prende-se a acepcão de liberdade, de ausência de um
senhor¨ (RUSS, 1997, p.40). Como destaca Victoria Camps, o prototipo do
virtuoso em Aristoteles seria um suposto ser ativo: ou seia, 'a acão que leva a cabo
inclui uma dose de contemplacão e de teoria, mas não é contemplacão pura, a qual
seria privativa dos deuses e não de humanos para quem a acão é
inevitavel¨ (CAMPS, 1996, p.92). Por politica compreendia-se, pois, a Iorma de
vida que melhor corresponde a condicão humana, embora, paradoxalmente, a
atividade superior resida no campo da teoria pura: 'o suieito da virtude é o homem
publico, posto que a vida privada carece de interesse: é iaion, idiota. Os homens
são, sobretudo, cidadãos: encerrados em si proprios, não viveriam uma vida
racional nem humana¨ (CAMPS, 1996, p.93).
Apreender a idéia aristotélica de ética requer, de qualquer maneira, algum
deslocamento de nosso modo usual de perceber o tema. Para Aristoteles, o obietivo
da ética era a Ielicidade. A Ielicidade, para ele, era a vida boa: e esta
corresponderia como veremos adiante a vida digna. Nessa direcão, haveria uma
subordinacão da ética a politica: 'os tratados éticos e os tratados politicos
pertencem a um mesmo estudo, classiIicado como politica¨ (RUSS, 1997, p.39).
Aristoteles (384-322 a.C.) viveu na Grécia do século IV a.C. Nasceu em Estagira,
na Macedônia. Seu pai, que morreu quando Aristoteles ainda era crianca, chamava-
se Nicômaco e ocupou o posto de médico do rei da Macedônia. Muitos estudiosos
atribuem a essa origem Iamiliar o interesse de Aristoteles por assuntos relativos as
ciências naturais. Muito iovem, Aristoteles entrou, aos dezessete anos, na
Academia de Platão, onde permanece por vinte anos: embora sua doutrina
IilosoIica se caracterizasse pela independência, distanciando-o de seu mestre. Apos
a morte de Platão, Aristoteles deixa a Academia e, alguns anos mais tarde, é
convidado por Filipe, rei da Macedônia, para tomar a Irente da educacão do iovem
Alexandre, herdeiro do trono |1| . Quando Alexandre assume o poder, Aristoteles
regressa a Atenas, apos mais de dez anos de ausência. Fundaria, então, o Liceu,
escola onde ensina até 322, quando apos a morte de Alexandre da Macedônia em
323 seu antigo mestre é 'Iorcado a deixar Atenas por causa de uma explosão de
sentimentos antimacedônicos¨ (LUCE, 1994, p.114).
No Liceu, além de tareIas relativas ao ensino, Aristoteles se dedicaria ao estudo e a
sistematizacão de seus cursos, para os quais - segundo RodolIo MondolIo -
recolhia também materiais de teorias IilosoIicas anteriores (MONDOLFO, 1973,
p.7). Consta que o Liceu de Aristoteles, além do ediIicio que o constituia, era
célebre por seu iardim, ao qual se acoplava uma alameda para caminhar: que os
contemporâneos chamavam de peripatos: 'passeio por onde se anda conversando,
motivo pelo qual a escola aristotélica Ioi chamada peripatética, seia como
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A Ética de Aristóteles
e a Educação
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reIerência a alameda, seia como reIerência ao Iato de que Aristoteles e os
estudantes passeavam por ali discutindo animadamente IilosoIia¨ (CHAUI, 2002,
p.336).
Durante a Idade Média, o corpus aristotelicus passaria para a Biblioteca de
Alexandria, mantendo-se como inIorma Marilena Chaui 'do lado bizantino do
Império Romano. Como conseqüência, o corpus acabou sendo conservado, lido e
traduzido pelos pensadores arabes¨ (CHAUI, 2002, p.341). Foi, então, por
intermédio da presenca dos arabes no Ocidente que grande parte do pensamento
aristotélico chegaria até nos |2| .
Acerca da reIlexão ética de Aristoteles, Jaeger considera a necessidade de
apreensão de sua Etica a Nicômaco e de sua Etica a Euaemo, posto que outros
textos também concernentes ao tema da ética constituiriam mais provavelmente
colecões organizadas e classiIicadas de excertos ou estratos das duas obras acima
reIeridas. Na pratica destaca Jaeger teria ocorrido nitida predominância dos
estudos centrados sobre a Etica a Nicômaco, em virtude do Iato de seu texto ser
compreendido usualmente como um trabalho superior e posterior a Etica a
Euaemo, tanto 'na construcão, na clareza do estilo e na maturidade do
pensamento¨ (JAEGER, 1995, p.262). Neste trabalho, temos a intencão de
investigar, pela apropriacão do discurso ético de Aristoteles, expresso em sua Etica
a Nicômaco, algumas categorias que reputamos interessantes e Iactiveis para se
pensar o ato de educar. Nesse sentido, procuraremos mobilizar do pensamento
aristotélico alguns conceitos, tomados, nesta oportunidade, como categorias
operatorias. Tais conceitos são basicamente os seguintes: virtude: iusto meio:
discernimento: equidade: e amizade.
Em sua Politica, Aristoteles, reportando-se a Etica, destaca que sua idéia de
Ielicidade alia-se a identiIicacão do melhor governo, compreendendo-se este
melhor governo como 'aquele em que cada um melhor encontra aquilo de que
necessita para ser Ieliz¨ (ARISTOTELES, Trataao aa politica, p.45) Um Estado so
pode ser Ieliz nos termos de Aristoteles caso se mantenha nele virtude e
prudência. Na vida coletiva, assim como na conduta individual, Aristoteles entende
o habito como o grande principio regulador da acão. Como sublinha sobre o tema
Solange Vergnieres, Aristoteles situa o ethos como o regulador, o principio e o Iim
da conduta: 'adquire-se tal ou tal disposicão ética agindo de tal ou tal maneira... O
carater não é mais o que recebe suas determinacões da natureza, da educacão, da
idade, da condicão social: é o produto da série de atos dos quais sou o principio.
Posso ser declarado autor de meu carater, como o sou dos meus atos¨ (Vergnieres,
1999, p.105).
No Livro II da Etica a Nicômacos, ha um trecho que expressa, de maneira eximia,
o intuito, o proposito, o obieto e o suieito do estudo da ética:
'Estou Ialando da excelência moral, pois é esta que se relaciona com as emocões e
acões, e nestas ha excesso, Ialta e meio termo. Por exemplo, pode-se sentir medo,
conIianca, deseios, colera, piedade, e, de um modo geral, prazer e soIrimento,
demais ou muito pouco, e, em ambos os casos, isto não é bom: mas experimentar
estes sentimentos no momento certo, em relacão aos obietos certos e as pessoas
certas, e de maneira certa, é o meio termo e o melhor, e isto é caracteristico da
excelência. Ha também, da mesma Iorma, excesso, Ialta e meio termo em relacão
as acões. Ora, a excelência moral se relaciona com as emocões e as acões, nas
quais o excesso é uma Iorma de erro, tanto quanto a Ialta, enquanto o meio termo é
louvado como um acerto: ser louvado e estar certo são caracteristicas da excelência
moral. A excelência moral, portanto, é algo como eqüidistância, pois, como ia
vimos, seu alvo é o meio termo. Ademais é possivel errar de varias maneiras, ao
passo que so é possivel acertar de uma maneira (também por esta razão é Iacil errar
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e diIicil acertar Iacil errar o alvo, e diIicil acertar nele): também é por isto que o
excesso e a Ialta são caracteristicas da deIiciência moral, e o meio termo é uma
caracteristica da excelência moral, pois a bondade é uma so, mas a maldade é
multipla¨ (ARISTOTELES, Etica a Nicômacos, p.42)
Por virtude, Aristoteles compreende uma pratica. A virtude não é, portanto,
natureza: e não haveria um aprendizado suIicientemente eIicaz para garantir a acão
virtuosa. A virtude, contudo, seria a Iorma mais plena da excelência moral: e, por
tal razão, não poderia existir em seres incompletos ainda em Iormacão, como as
criancas. A excelência moral, revelada pela pratica da virtude, seria, antes de tudo,
uma disposicão de carater. Para o exercicio da virtude seria, pois, necessario
conhecer, iulgar, ponderar, discernir, calcular e deliberar. Ao contrario da tradicão
socratica e platônica, não seria o mero conhecimento do bem que poderia dirigir a
acão iusta. A virtude, como excelência moral, corresponderia a idéia de uma razão
reta relativa as questões da conduta. Ora, tal disposicão do carater humano teria
por suposto a precedência de uma escolha dos atos a serem praticados: e de um
habito Iirmado pela repeticão para conduzir a acão reta. Nesse sentido, pode-se
dizer que, na Etica de Aristoteles, virtude é habito habito construido pela
contigüidade da relacão potência e ato:
'... em relacão a todas as Iaculdades que nos vêm por natureza recebemos primeiro
a potencialidade, e, somente mais tarde exibimos a atividade (isto é claro no caso
dos sentidos, pois não Ioi por ver repetidamente ou repetidamente ouvir que
adquirimos estes sentidos: ao contrario, ia os tinhamos antes de comecar a usuIrui-
los, e não passamos a tê-los por usuIrui-los): quanto as varias Iormas de excelência
moral, todavia, adquirimo-las por havê-las eIetivamente praticado, tal como
Iazemos com as artes. As coisas que temos de aprender antes de Iazer, aprendemo-
las Iazendo-as por exemplo, os homens se tornam construtores construindo, e se
tornam citaristas tocando citara: da mesma Iorma, tornamo-nos iustos praticando
atos iustos, moderados agindo moderadamente, e coraiosos agindo coraiosamente.
Essa assercão é conIirmada pelo que acontece nas cidades, pois os legisladores
Iormam os cidadãos habituando-os a Iazerem o bem: esta é a intencão de todos os
legisladores: os que não a põem corretamente em pratica Ialham em seu obietivo, e
é sob este aspecto que a boa constituicão diIere da ma.¨ (ARISTOTELES, Etica a
Nicômacos, p.35-6)
O excerto acima conIirma a perspectiva aristotélica da virtude como uma
Iaculdade pratica: uma razão pratica, na medida em que não depende
necessariamente de conhecimento teorico: mas que é construida pelo habito, pela
acão propositadamente exercitada e repetida, mediante uma Iaculdade ia posta, em
potência, no carater do homem. O comportamento seria, pois, o grande Iator
distintivo da ética: o modo de agir perante os outros, perante si proprio, perante os
que são proximos, perante a Humanidade. A natureza da reta razão estaria
potencialmente presente no ser humano: cumpriria a traietoria da vida, por meio de
escolhas traduzidas em acões, atualizar tal potência. Tal deliberacão exige,
contudo, consciência e discernimento: além de uma predisposicão para a mediania
para a moderacão. Em geral, a escolha seria subordinada a emocões e a
Iaculdades da alma. Nesse caso, a tendência mais prudente e, por decorrência,
mais sabia seria recorrer ao que Aristoteles qualiIica como iusto meio: sempre
eqüidistante entre dois extremos.
Em relacão ao medo e a temeridade, meio termo é coragem. Em relacão a Iruicão
dos prazeres, haveria uma apropriada moderacão entre a insensibilidade na Ialta e a
concupiscência no excesso. Ser generoso corresponde a mediania entre
prodigalidade e avareza. Entre a pretensão e a pusilanimidade, o meio termo é a
magnanimidade. Ser irascivel é excesso e ser apatico é deIiciência: o meio termo,
no caso, seria a amabilidade. Aristoteles supõe haver sabedoria nessa situacão
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intermediaria, que nos inclina para o iusto meio que as vezes se volta para o
excesso e outras vezes tende para a Ialta |3| . Pensar o iusto meio em educacão
seria prescrever a acão sensata aquilo que, nos termos de Aristoteles, 'não é
demais nem muito pouco¨ (ARISTOTELES, Etica a Nicômacos, p.41): a mediatez
eqüidistante entre dois extremos de que nos Iala Daniel Hameline: para quem,
também em educacão, 'tudo se passa no entre¨... (HAMELINE, 1991, p.52-3).
A virtude ética requer escolha, deliberacão, discernimento: exatamente por se
debrucar sobre coisas passiveis de variacão: e, portanto, contingentes. Ao contrario
de realidades expressas por principios primeiros invariaveis, ha uma parte dos
obietos postos diante da razão humana para os quais pode haver calculo e
deliberacão (SILVEIRA, 2001, p.48). Todavia, não é simples o calculo: não é Iacil
a escolha. Pelo contrario: 'as vezes, é diIicil decidir o que devemos escolher e a
que custo, e o que devemos suportar em troca de certo resultado, e ainda é mais
diIicil Iirmar-nos na escolha, pois em muitos dilemas deste gênero o mal esperado
é penoso...¨ (ARISTOTELES, Etica a Nicômacos, p.501). Para Aristoteles, mesmo
nos casos diIiceis, que envolvem o dilema da moralidade em seu limite maximo, o
pior mal residiria na acão iniusta, ia que esta pressupõe a deIiciência moral do
agente. E, de qualquer modo, não se pode esquecer que, para Aristoteles, a
Ielicidade, seia do Estado, seia do individuo, corresponde ao exercicio continuado
da pratica da virtude e da prudência: sendo 'o melhor governo aquele em que cada
um melhor encontra aquilo de que necessita para ser Ieliz¨ (Aristoteles, Trataao aa
politica, p.45). Se a acão humana, no plano dos valores, tem origem na escolha: e
esta tem por Ionte um raciocinio dirigido a um Iim, seria possivel ao homem
possuir 'a percepcão da verdade e a impressão da Ialsidade¨ (ARISTOTELES,
Etica a Nicômacos, p.114), sendo inteligência pratica apreender a verdade
conIorme o deseio correto. Ao deliberar sempre sobre um Iuturo necessariamente
em aberto, o homem exercita a habilidade que, de potência, se transmuta em ato: o
discernimento. Para reIletir sobre essa Iaculdade, Aristoteles vale-se das
caracteristicas intrinsecas as pessoas dotadas do atributo de saber discernir: são
de modo geral aquelas capazes de deliberar bem acerca do que é bom e
conveniente para si mesmas e para os outros em um sentido mais amplo. Tal
habilidade possibilita o reconhecimento do universal na contingência da situacão
particular. Por ser assim, discernir é necessariamente deliberar sobre aspectos
variaveis, cuia escolha permitira sempre especular sobre outras opcões preteridas e
não acionadas. Discernir bem talvez seia, pelas palavras de Aristoteles, possuir e
levar as ultimas conseqüências intuicões e pressentimentos de vida
(ARISTOTELES, Etica a Nicômacos, p.118):
'O discernimento, por outro lado, relaciona-se com as acões humanas e coisas
acerca das quais é possivel deliberar: de Iato, dizemos que deliberar bem é acima
de tudo a Iuncão das pessoas de discernimento, mas ninguém delibera a respeito de
coisas invariaveis, ou de coisas cuia Iinalidade não seia um bem que possamos
atingir mediante a acão. As pessoas boas de um modo geral são as capazes de visar
calculadamente ao que ha de melhor para as criaturas humanas nas coisas passiveis
de ser atingidas mediante a acão. Tampouco o discernimento se relaciona somente
com os universais: ele deve também levar em conta os particulares, pois o
discernimento é pratico e a pratica se relaciona com os particulares. ... O
discernimento se relaciona também com a acão, de tal modo que as pessoas devem
possuir ambas as suas Iormas, ou melhor, mais conhecimento dos Iatos particulares
do que conhecimento dos universais.¨ (ARISTOTELES, Etica a Nicômacos,
p.119)
Das consideracões acima tecidas decorre, no parecer de Aristoteles, a diIiculdade
dos iovens em relacão a pratica do discernimento. 'Não parece possivel que um
iovem seia dotado de discernimento¨ (ARISTOTELES, Etica a Nicômacos,
p.120), iustamente pelo Iato de esse tipo de sabedoria não se resumir ao
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conhecimento dos universais: sendo pelo contrario a Iamiliaridade com os
particulares: o que exige experiência: o que exige tempo de vida e de
amadurecimento. Pode-se, assim, encontrar eximios iogadores de xadrez ainda
adolescentes: existem iovens matematicos brilhantes... Mas, para o caso da politica
- uma ciência pratica - diIicilmente poderiam ser encontrados notaveis iovens
estadistas. Não correspondendo ao conhecimento cientiIico dos universais, o
discernimento estaria atado ao Iato particular para o qual a argucia da percepcão
seria um predicado imprescindivel. Capacidade de coniecturar, calculo, rapidez de
raciocinio para o estabelecimento de inIerências pertinentes, e, sobretudo, correcão
na decisão. Para Aristoteles, em matéria de ética, ha de lembrar que existem
Iormas variadas de errar: uma so de acertar.
E importante recordar que como salienta Ventos agir bem, em Aristoteles,
acarretaria Ielicidade, compreendendo-se que ser Ieliz corresponde a realizacão de
si: ou a traducão da potência em ato: vida digna, vida do bem, autenticidade e
ponderacão |4| : 'Para Aristoteles, como vimos, é boa aquela acão que conduz a
plenitude ou a realizacão do que se é ao exercicio e desenvolvimento das
proprias Iaculdades e de todas as nossas possibilidades¨ (VENTOS, 1996, p.58).
Além disso, são boas as acões que dirigem a condicão humana ao exercicio da sua
plenitude ou da realizacão. Ninguém realiza sua essência enquanto potencialidade.
E somente ao transIormar a potência em ato que poderemos desenvolver ao limite
nossas Iaculdades humanas, obtendo, por tal atividade, a suprema Ielicidade
contida na auto-realizacão: nesse ideal intrinsecamente grego de se 'realizar aquilo
que ia se é¨ (VENTOS, 1996, p.59). A generalidade das leis que os homens a si
proprios se promovem acarretam, para a especiIicidade de cada situacão particular,
possiveis desigualdades e conseqüentes iniusticas. Haveria, para Aristoteles, uma
Iaculdade capaz de, por si propria, corrigir tais desvios, constituindo-se sob tal
enIoque como ato Iundamental de atualizacão da iustica: a equidade.
'Chamamos de iulgamento (isto é, a Iaculdade gracas a qual dizemos que uma
pessoa iulga compreensivamente) a percepcão acertada do que é eqüitativo. Uma
prova disso é o Iato de dizermos que uma pessoa eqüitativa é, mais do que todas as
outras, um iuiz compreensivo, e identiIicarmos a equidade com o iulgamento
compreensivo acerca de certos Iatos. E iulgamento compreensivo é o iulgamento
no qual esta presente a percepcão do que é eqüitativo, e de maneira acertada: e
iulgar acertadamente é iulgar segundo a verdade. Então é razoavel dizer que todas
as disposicões recém-examinadas convergem para o mesmo ponto: com eIeito,
quando Ialamos de iulgamento, de entendimento, de discernimento e de
inteligência atribuimos as mesmas pessoas a posse da Iaculdade de iulgar e
dizemos que elas chegaram a idade da razão e têm discernimento e entendimento,
pois todas estas disposicões se relacionam com o Iundamental e com o particular: e
ser uma pessoa de entendimento e compreensiva consiste em ser capaz de iulgar
acertadamente os Iatos a proposito dos quais se demonstra discernimento, porque
os atos eqüitativos são comuns a todas as pessoas boas em sua conduta nas
relacões com as outras pessoas.¨ (ARISTOTELES, Etica a Nicômacos, p.123)
Pela equidade na acão particular se poderia chegar ao gesto da equidade no seu
sentido universal. Dai, mais uma vez, a tônica do pensamento aristotélico demarcar
a virtude como um habito, que so se consolida na acão. Por não se tratar de assunto
invariavel, não seria tema ensinavel enquanto saber teorico. Seria, antes, um rol de
costumes a ser repetidamente exercitado para com as geracões mais iovens, com o
Iito de que estas venham a adquirir a Iorca moral extraida de três estratégias
educativas essenciais: 'exortacão, exemplo e envolvimento¨ (MARQUES, 2001,
p.50). Sob tal tripé estaria colocada a missão do educador quanto a Iormacão dos
valores: trata-se de crencas, de Iormacão de habitos, de constância, de
perseveranca, de uso repetido, de exercicio reIletido, de exemplos a serem
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seguidos, de acões ponderadas nas trilhas de um percurso sempre e
inevitavelmente incerto...
Note-se que Aristoteles reconhece a Iorca da imitacão como elemento Iundador da
vida social e, mais especiIicamente, do ensino. A idéia condutora de tal concepcão
corresponderia ao anseio de buscar 'que a crianca se esIorce e se erga ao estado de
homem¨ (ALAIN, 1978, p.12). Mais do que conhecer a crianca para instrui-la,
parecia necessario instruir a crianca para conhecê-la. ConIerindo sentido
pedagogico a valorizacão aristotélica do gesto de imitar, Alain dira o seguinte:
'So existe um método para inventar: é imitar. So ha um método para bem pensar: é
continuar algum pensamento antigo e experimentado. Essa idéia é seu proprio
exemplo, circunstância Iavoravel a reIlexão. Porque parece inicialmente muito
comum e bastante Iraca. Mas também so é totalmente Iamiliar a quem tem o
costume de olhar muitas vezes atras de si. E se chegarmos a percorrer novamente o
caminho que vai dos mitos as idéias e o caminho ainda mais antigo que conduz dos
idolos aos mitos, é então somente que compreenderemos toda a idéia, e como
todos os homens pensaram sucessivamente como que no interior de um mesmo
pensamento, até tocar e esclarecer enIim o mundo insensivel das pedras, dos
metais e dos ventos.¨ (ALAIN, 1978, p.133)
Pela mesma reIerência, Azanha indagara das auto-proclamadas pedagogias
renovadas sempre ativas, presentes, atualizadas de acordo com os tempos e,
invariavelmente, com a mesma integral disponibilidade para revolucionar a escola
qual seria o valor abstrato das idéias de originalidade e de criatividade, quando
aplicadas a matéria educativa: 'ser criativo, no Iundo, é ser divergente. Mas
ninguém diverge simplesmente, sem pontos de reIerência. Diverge-se de alguma
coisa, de um modelo, de uma opinião, de uma idéia. ... Não atentando para isso,
iludem-se os tolos pedagogos da criatividade¨ (AZANHA, 1987, p.54): até porque,
além de imitacão, o aprendizado do olhar também requer o habito continuado, o
exercicio, por vezes Iatigante, os usos e os costumes da pratica...
'Dai volto a minha idéia de que é preciso aiudar a crianca, dirigi-la, conduzi-la, e
de que é por esse meio que Iaremos com que ela emita enIim seu pensamento
proprio, coisa rara, coisa preciosa pelo Iato de que valera para todos, assim como
um verso de Homero. Facamos uma simples tentativa, por uma carta, por um
relato, por uma descricão, de conduzir as pesquisas do iovem escritor, de convida-
lo a olhar por mais de uma vez as coisas a respeito das quais deve escrever, de
Iazer com que leia, a releia, repita bons modelos sobre os mesmos temas, de Iazer
com que reuna, por grupos de palavras, o vocabulario de que tera de se servir.
Veremos nascer então a observacão nova, a expressão matizada de um sentimento,
as primeiras marcas de estilo, enIim. E quanto mais tivermos auxiliado, mais
inventara. A arte de aprender se reduz, portanto, a imitar por muito tempo e a
copiar por muito tempo, como qualquer musico sabe, e qualquer pintor. E a escrita
apresenta esta importante verdade aqueles que sabem ver, porque a escrita das
pessoas mal instruidas são semelhantes, e as diIerencas, quando existem, são eIeito
de extravagância ou de acidente. Por outro lado, a escrita do homem culto lhe é
propria, apesar de ser mais submetida ao modelo comum¨(ALAIN, 1978, p.134).
Buscando, nessa digressão, encontrar a atualidade do pensamento de Aristoteles
para reIletir sobre a pratica contemporânea da educacão, não poderia deixar de
assinalar um ultimo aspecto, que me parece essencial ao pensamento ético de
Aristoteles: a idéia de amizade: conceito a meu ver apropriado para pensarmos
as questões de ética proIissional, postas em nosso convivio cotidiano. No Livro IV
da sua Etica a Nicômacos, Aristoteles vale-se de uma categoria introdutoria, para
posteriormente desenvolver o tema da amizade. Diz que, em sociedade, mais
especiIicamente nas reuniões e nos encontros que proporcionam o convivio,
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existiriam algumas pessoas consideradas amaveis. A acepcão de amabilidade
originada, talvez, pela intencão aIavel - corresponderia a um comportamento
padrão que revela uma pré-disposicão para aceitar o outro, uma disponibilidade
para conhecê-lo, para agrada-lo, de maneira também a ser bem-vindo e bem aceito.
Essa disposicão, diz Aristoteles, 'ainda não recebeu um nome, embora ela se
assemelhe muito a amizade¨ (ARISTOTELES, Etica a Nicômacos, p.84). O autor
prossegue, assegurando que, 'com o complemento da aIeicão, da emocão e da
convivência¨ (ARISTOTELES, Etica a Nicômacos, p.84), ser amavel poderia ser
um prenuncio do ser amigo. Porém, na carência desses outros atributos, a
amabilidade reduzir-se-ia a um 'FRPR VH¨ da amizade: 'FRPR VH IRVVH¨ amizade
(ALBERONI, 1992, p.53). Diz Aristoteles que 'as pessoas amaveis convivem com
as demais da maneira certa, mas é com vistas ao que é honroso e conveniente que
elas visam a não causar desgostos ou a contribuir para o prazer. Elas parecem
eIetivamente preocupadas com os prazeres e desgostos no convivio social, e
sempre que não lhes Ior honroso ou Ior preiudicial contribuir para o prazer, elas se
recusarão a Iazê-lo¨ (ARISTOTELES, Etica a Nicômacos, p.85).
E no Livro VIII da Etica a Nicômacos que Aristoteles ocupa-se de examinar a
natureza da amizade. Nessa direcão, esclarece, de imediato, que amizade supõe
convivio, semelhanca, tempo e intimidade. Contudo, se o amor é emocão, a
amizade seria disposicão de carater, o que iustiIica a racionalidade na escolha do
elenco dos nossos amigos. Amizade supõe, portanto, um pacto de reciprocidade, de
aIeicão e de generosidade no sentimento: como se, acompanhadas por amigos, as
pessoas se revelassem mais capazes para melhor agir.
'Mesmo quando viaiamos para outras terras podemos observar a existência
generalizada de uma aIinidade e aIeicão natural entre as pessoas. A amizade parece
também manter as cidades unidas, e parece que os legisladores se preocupam mais
com ela do que com a iustica: eIetivamente, a concordia parece assemelhar-se a
amizade, e eles procuram assegura-la mais que tudo, ao mesmo tempo em que
repelem tanto quanto possivel o Iacciosismo, que é a inimizade nas cidades.
Quando as pessoas são amigas não têm necessidade de iustica, enquanto mesmo
quando são iustas elas necessitam da amizade: considera-se que a mais autêntica
Iorma de iustica é uma disposicão amistosa. E a amizade não é somente necessaria:
ela também é nobilitante, pois louvamos as pessoas amigas de seus amigos, e
pensamos que uma das coisas mais nobilitantes é ter muitos amigos: além disso, ha
quem diga que a bondade e a amizade se encontram nas mesmas
pessoas.¨ (ARISTOTELES, Etica a Nicômacos, p.153-4)
Como sublinha Victoria Camps, o conceito aristotélico de amizade é aristocratico,
posto que a perIeita amizade não seria exatamente aquela em que se procura o
auxilio ou a assistência do amigo. Pelo contrario, a perIeita amizade,
desinteressada, devera, por isso mesmo, ocorrer entre iguais. A amizade, assim
compreendida, acarretaria o reconhecimento de si nos atributos do outro. Para
Camps, 'essa amizade grega vem para cobrir uma necessidade que a iustica não
chega a satisIazer por não poder Iazê-lo¨ (CAMPS, 1996, p.35). A iustica deIende
o individuo contra a arbitrariedade do outro. Mas o Iaz com a necessaria
imparcialidade que a norma ou a lei acarretam. A relacão entre amigos não supõe
nem a deIesa de si perante o outro e nem a rigidez das regulacões externas, que se
pretendem universais. Ser predisposto a amizade conduz, entretanto, a uma atitude
que se predispõe solidaria para com todos os semelhantes. Tal disposicão solidaria
requer o dever de tolerar: de suportar o outro: de não lhe ser indiIerente. Nos
termos de Victoria Camps, 'a solidariedade é uma pratica que esta ao mesmo
tempo aquém e além da iustica: a Iidelidade ao amigo, a compreensão ao
maltratado, o apoio ao perseguido, a aposta em causas impopulares ou perdidas,
tudo isso não se pode constituir propriamente como dever de iustica, mas sim
como dever de solidariedade¨ (CAMPS, 1996, p.34).
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A disposicão amistosa para Iomentar a concordia parece-nos ser um elemento
primordial nas relacões proIissionais da pratica educativa, caso tenhamos o
proposito de construir coletivamente uma ética da amizade: ou, nos termos de
Antonio Novoa, de 'colegialidade docente¨: ou, como nos diria algum bom-senso,
o coleguismo das acões em proIissão (NOVOA, 1991, p.25). Ao distinguir as
varias espécies de amizade, Aristoteles comenta a existência de um dado modo de
se relacionar com os outros, que tem a ver com um suposto interesse comum. A
amizade seria, nesse caso, especiIicamente direcionada para um rumo ia dado e
teria como corolario a perspectiva de ser reciprocamente util a todas as partes.
Aparentemente, tratar-se-ia de um modelo menor de amizade: contudo tal
reIerência constituiria a base da concordia, imprescindivel a acão coletiva e
colegiada das pessoas na vida proIissional. Aristoteles reconhece que não se trata
aqui do tipo mais perIeito de amizade. Porém, trata-se de pensar a possibilidade do
convivio perante praticas de amabilidade: aquela disposicão amistosa para com o
outro, mesmo que o outro não seia necessariamente alguém que, por seus atributos
naturais, nos tenhamos assinalado como nosso amigo. Assumir a amizade como
uma Iorma de concordia para associacão dos homens supõe acreditar em uma dada
proporcionalidade do sentimento, tendo em vista a obtencão do bem comum, que,
no caso, seria uma vantagem para todos os envolvidos. Pensar a vida proIissional a
partir de um ³FRPRVH´ da amizade (ALBERONI, 1992, p.53) signiIica abordar a
dimensão do dever: mas pressupõe também que, ao tratar os outros FRPR VH
Iossem meus amigos - ainda que por dever de consciência proIissional -, eu
obtenha provavelmente uma dose a mais de vida boa, Iiligranas de Ielicidade...
Pelo texto de Aristoteles:
'... a amizade e a iustica parecem relacionar-se com os mesmos obietos e
maniIestar-se entre as mesmas pessoas. Realmente, parece que em todas as Iormas
de associacão encontramos alguma Iorma peculiar de iustica e também de
amizade: nota-se pelo menos que as pessoas se dirigem como amigas aos seus
companheiros de viagem e aos seus camaradas de servico militar, tanto quanto aos
seus parceiros em qualquer espécie de associacão. Mas a extensão de sua amizade
é limitada ao âmbito de sua associacão, da mesma Iorma que a extensão da
existência da iustica entre tais pessoas. O provérbio os bens dos amigos são
comuns` é a expressão da verdade, pois a amizade depende da participacão. Os
irmãos e os membros de uma conIraria têm tudo em comum, mas as outras pessoas
as quais nos reIerimos têm somente certas coisas em comum algumas mais,
outras menos pois nas amizades também ha maior ou menor intensidade. ... As
reivindicacões de iustica também parecem aumentar com a intensidade da
amizade, e isto signiIica que a amizade e a iustica existem entre as mesmas pessoas
e têm uma extensão igual.¨ (ARISTOTELES, Etica a Nicômacos, p.163-4)
Tal proposicão de ética dirigida a disposicão do carater para relacões amistosas
exige, sobretudo, 'boa vontade¨, expressão que Aristoteles deIine como sendo 'um
inicio de amizade, da mesma Iorma que o prazer de olhar é o inicio do
amor¨ (ARISTOTELES, Etica a Nicômacos, p.180). A concordia seria, por seu
turno, o indicio mais pleno da 'amizade politica¨ |5| : e politica em Aristoteles, é
interesse publico, bem comum, iustica e equidade. O obietivo da associacão
politica não seria, pois, apenas o viver em coniunto, mas Iundamentalmente o bem
viver em coniunto: e, se o homem é Ieito para a sociedade civil, é oIicio do homem
a boa vontade na convivência onde 'cada um melhor encontra aquilo de que
necessita para ser Ieliz¨ (ARISTOTELES, Trataao aa politica, p.45). A ética de
Aristoteles não é uma disposicão de coracão: é a revelacão da potência em ato:
disposta a agir em direcão ao bem comum, a Ielicidade publica.
O tema da ética como indagacão universal que percorre a historia do Ocidente
traduz na contemporaneidade anseios, expectativas, crencas e deseios dos suieitos
sociais em seus mais diversos territorios. A procura de valores morais desperta, por
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vezes, sensibilidades religiosas, semeia plataIormas politicas, traduz estados de
espirito mais ou menos racionais. Para o bem, do ponto de vista moral,
comumente o suieito se aIirma sempre disposto. Pequenas traicões desse bem
apregoado - mazelas, misérias cotidianas, pequenezas - tendem a ser amainadas: ou
convenientemente olvidadas da memoria que cada individuo constroi de seus
proprios. atos. Porém, da conviccão, necessariamente se devera proietar pelos usos
e costumes mas também pela crenca habitos de vida ética. Para recorrer as
palavras de Vazquez, 'do ponto de vista moral, o individuo deve sempre estar em
Iorma, preparado ou disposto: e isto é o que se queria dizer, tradicionalmente,
quando se Ialava numa pessoa virtuosa, como disposta sempre a preIerir o bem e a
realiza-lo¨ (VAZQUEZ, 2002, p.215): ainda que o ser humano, enquanto tal, seia
intrinsecamente suieito a Ialhas de percurso, quando os imperativos da acão são
postos na acão rotineira |6| .
'Na ética se debatem conIlitos de atitudes, não de crencas... Por um lado a
educacão ética é uma Iormacão do gosto e da sensibilidade, em direcão a
determinadas atitudes: a criacão e a aquisicão de um ethos, no sentido originario de
carater` e coniunto de habitos`, sem permitir que se caia na inércia do habitual`.
Com tal Iinalidade, a educacão deve tender também a Iormar a razão autônoma,
que assume a responsabilidade de deliberar, argumentar e iustiIicar seus pontos de
vista. Sem duvida alguma, a melhor via não dogmatica para se conseguir esses dois
obietivos educacão de atitudes e educacão na autonomia é o exemplo: também
na retorica classica a personalidade moral do orador constituia um elemento
importante para atrair a atencão e a adesão do publico. O exemplo persuade do
valor intrinseco a certas atitudes e a certos modos de iulgar. As idéias se impõem
quando se sabe deIendê-las, e a deIesa que revela suas proprias perplexidades e
ambigüidades - e se mostra capaz de ponderar sobre elas - pode ser mais
convincente que uma Iirme e segura declaracão de principios¨ (CAMPS, 1995,
p.52).
Seria, contudo, possivel pensar em um consenso no plano da moralidade? Nocões
de Bem, de bem comum, de Ielicidade e até de amizade teriam um minimo
comum passivel de ser posto como universal? Sabemos que, em tal encruzilhada,
situam-se inumeros dos debates e impasses do mundo contemporâneo,
particularmente no Ocidente. Trazendo o tema para o cenario educativo, como
pensar a educacão para o bem agir? Por seu turno, não nos pareceria nem
suIiciente, nem apropriado e nem mesmo ético, aderir ao discurso que assume com
Iranqueza o relativismo moral e cultural em sua radicalidade, mediante a
argumentacão de que diIerentes culturas ou comunidades proietam para si
acepcões diIerenciadas de bem, que deverão ser validadas enquanto tal, posto que
Iruto da tradicão e do habito. Tal relativizacão da questão ética bastante comum
nos tempos que correm reverbera a nocão de que compete a cada grupo social
estatuir seu proprio codigo de valores: e por decorrência, ainda que tacitamente -
não se pensa mais sobre o assunto. A pluralidade cultural, levada ao seu limite,
tornaria inocua a discussão, posto que parte da idéia de que cada comunidade se
torna ' a medida de todas as coisas¨ que nela têm lugar.
Caberia, talvez, deIender a existência de valores sociais que se expressem como
virtudes especiIicas passiveis de serem reputadas como caracteristicas deseiaveis
em distintas sociedades. Discernimento, coragem, Iidelidade, prudência, amizade
não poderiam, como em Aristoteles, ser pensados em sua dimensão universal?
Como sublinha Yves de La Taille, o que diIere nas variadas sociedades seria,
antes, o tratamento conIerido a tais temas. Aquilo que é considerado coragem em
uma dada cultura não o seria necessariamente em outra. Porém, prossegue o
estudioso:
'(...) o Iato de haver sérias discordâncias a respeito do que é a verdadeira
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expressão da coragem, da prudência ou da humildade, longe de depor contra a
importância humana do tema, pelo contrario, a reIorca. Parece que cada cultura em
geral e cada individuo em particular sentem a necessidade de pensar e iulgar tais
caracteristicas humanas que respondem pelo nome de virtudes. Portanto, não é a
presenca ou a ausência do pensar sobre virtudes que diIerencia pessoas ou culturas,
mas sim a qualidade desse pensar. Assim como a racionalidade e a moral, o tema
das virtudes é universal. Tanto é verdade que, nas conversas do cotidiano, elas
estão presentes, e isso ocorre não somente entre os adultos, mas também entre as
criancas (LA TAILLE, 2000, p.111)¨.
Haveria, de alguma Iorma, uma relacão de simpatia entre o ser humano e a
virtude? Como um comportamento que Iavorece o outro e não eu mesmo, mas as
minhas custas, podera ser por mim considerado correto? Como se da, no tabuleiro
social, o reconhecimento e a identiIicacão de virtudes postuladas como validas
para todos? Se isso não Ior possivel, o que resta do discurso sobre a virtude, além
da relatividade intrinseca a qualquer norma que o pudesse regular? |7| Superar o
impasse traicoeiro do relativismo ético requereria transcender alguns limites
circunscritos a mundividências de comunidades: ou as particularidades desta ou
daquela cultura local. Existiriam, em alguma medida, parâmetros passiveis de ser
tomados como suieitos de validade universal ainda que seia por pacto ou
convencão que venhamos a estabelecer tal demarcacão.Como destaca Changeux,
poder-se-ia reconhecer na motivacão moral uma atitude propria da espécie
humana, embora 'o critério da acão moral, dos codigos éticos |seia| uma
construcão cultural, historicamente demarcada em cada sociedade e em cada
época... Esses valores éticos universais corresponderiam a estratégias adquiridas na
sobrevivência dos individuos de nossa espécie, onde a linguagem Iornece o meio
coletivo para expressar o bom, mas, sobretudo, o bom para todos¨(CHANGEUX,
1999, p.26). A despeito de partilharmos de tal conviccão, parece valido explicitar o
alerta exposto por MacIntyre que, ao se reIerir a virtude da iustica, maniIesta
alguma hesitacão para conIerir validade comum a percepcão social que o tema
ganhou em nossa época. Onde localizar alicerces comuns para se reIerir ao tema?
Nos termos do autor:
'Quando louvou a iustica como primeira virtude da vida politica, Aristoteles o Iez
de maneira a sugerir que a comunidade que carece de acordo pratico com relacão a
um conceito de iustica também deve carecer da base necessaria para a comunidade
politica. Porém, a Ialta de tal base deve, portanto, ameacar nossa propria
sociedade. Pois o resultado dessa historia... não tem sido apenas a incapacidade de
concordar a respeito de um catalogo das virtudes, e a incapacidade ainda mais
Iundamental de concordar acerca da importância relativa dos conceitos de virtude
dentro de um esquema moral no qual as nocões de direitos e de utilidade também
têm um lugar essencial. Também tem sido a incapacidade de concordar com
relacão ao teor e o carater de determinadas virtudes. Ja que a virtude agora é
compreendida em geral como uma disposicão ou sentimento que produz em nos
obediência a certas normas, o acordo com relacão a quais serão tais normas é
sempre pré-requisito para o acordo sobre a natureza e o teor de determinada
virtude. Mas esse acordo prévio quanto a normas é... algo que nossa cultura
individualista não pode oIerecer¨ (MACINTYRE, 2001, p.409).
John Rawls sugere que a tradicão do pensamento democratico teria por dever
assinalar a liberdade e a igualdade como valores irredutiveis. A partir deles,
pressupõe-se um coniunto primeiro de virtudes que são na essência o proprio
suposto que oIerece as condicões para ser livre e ser igual. Para conIerir, na
tradicão liberal democratica dos direitos - que Iirma para o ser humano e para a
coletividade as competências da liberdade e da igualdade - teria ocorrido um
consenso primeiro, pactuado como arteIato social, segundo o qual haveria
Iaculdades morais intrinsecamente humanas das quais cada individuo seria
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potencialmente portador: 'a saber, ser capaz de um senso de iustica e de uma
concepcão do bem. O senso de iustica é a capacidade de compreender, aplicar e
respeitar nos seus atos a concepcão publica da iustica... E ser capaz de uma
concepcão de bem é poder Iormar, revisar e buscar racionalmente uma concepcão
de nossa vantagem ou bem¨ (RAWLS, 2000, p.216). Rawls pondera que tal
consideracão deriva basicamente de uma idéia intuitiva, que não deixa, contudo, de
possuir validez operatoria. Também Paul Ricoeur deIinira a ética mediante
relacões de cuidado para com os outros: e os outros são sempre outros, e nunca
serão eu mesmo. Por outro lado, somente a partir de seu reconhecimento social é
que se podera, na coletividade, assegurar critérios para regular intencões de 'vida
boa, com e para os outros, em instituicões iustas (Paul RICOEUR, 1995, p.162)¨.
Nos termos desse autor:
'Si implica o outro de si, a Iim de que se possa dizer de alguém que ele se estima a
si mesmo como um outro. A dizer a verdade, é so por abstracão que se pode Ialar
em estima de si sem pô-la em dupla com uma demanda de reciprocidade, segundo
um esquema de estima cruzado, que resume a exclamacão tu tambem: tu também
és um ser de iniciativa e de escolha, capaz de agir segundo razões, de hierarquizar
teus Iins: e, estimando bons os obietos da tua busca, és capaz de estimar a ti
mesmo. O outro é, assim, aquele que pode dizer eu como eu e, como eu, ser
considerado um agente, autor e responsavel pelos seus atos. Do contrario, nenhuma
regra de reciprocidade seria possivel. O milagre da reciprocidade é que as pessoas
são reconhecidas como insubstituiveis umas as outras na propria troca. Essa
reciprociaaae aos insubstituiveis é o segredo da solicitude... Viver bem, com e
para o outro, em instituicòes iustas. Que a intencão do bem viver envolva de algum
modo o sentido da iustica: isso é exigido pela propria nocão do outro. O outro é
também o outro do tu. Correlativamente, a iustica estende-se para além do Iace-a-
Iace. Duas assercões estão aqui em iogo: de acordo com a primeira, o viver bem
não se limita as relacões interpessoais, mas estende-se a vida nas instituicões: de
acordo com a segunda, a iustica apresenta tracos éticos que não estão contidos na
solicitude, a saber, essencialmente uma exigência de igualdade de uma espécie
diIerente da daquela da amizade. ... Pode-se, com eIeito, compreender uma
instituicão como um sistema de partilha, de reparticão, que se reIere a direitos e
deveres, rendimentos e patrimônios, responsabilidades e poderes: vantagens e
encargos. E esse carater aistributivo no sentido amplo da palavra que põe um
problema de iustica. Com eIeito, uma instituicão tem uma amplidão mais vasta do
que o Iace-a-Iace da amizade e do amor... ¨(Paul RICOEUR, 1995, p.163-4).
Seia como Ior, a idéia de ética comprometida com o espaco publico no qual o
individuo se dara a ver, situa-se como reIlexão sobre o suieito a procura de normas
passiveis de ancorar seu padrão de conduta. Isso supõe escolha e adesão a
determinados valores: mas supõe também o compromisso e a responsabilidade
para manter e sustentar a opcão eIetuada na particularidade das situacões vividas
no dia-a-dia. O proIissionalismo poderia ser pensado como a adequacão de tal
Iinalidade na vida rotineira das instituicões. Com o Iito de, ao menos, tangenciar a
dimensão pedagogica que o tema acarreta, poderiamos concluir meditando sobre a
pertinência da reIlexão ética de Aristoteles para abordarmos nossas atuais relacões
de trabalho: com nossos alunos, com nossos colegas, com nossos pares, enIim. Se
a ética requer a vida ativa que é o que caracteriza a propria condicão humana o
individuo atua como ser ético perante os outros. Não se pode ser ético quando não
se convive: é, portanto, a esIera publica e coletiva que possibilita a expressão da
virtude. Se, por sua vez, a vida boa acarreta Ielicidade, e se a vida boa é a vida
digna, parece licito conIerir signiIicados comuns e partilhados as acões individuais
tomadas em relacão aos outros. Além disso, as virtudes do comportamento
traduzem-se no habito: e não no postulado de intencões. Sera, portanto, necessario
percorrer com ética a propria vida, posto que é mais trabalhoso agir pelo bem do
que dizê-lo. Tal cuidado iustiIica-se também quando nos apresentamos as geracões
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mais iovens. Quais são os exemplos que ensinam pela ética do habito as
virtudes que, de Iato, merecem ser valorizadas?
Para Aristoteles, ética e politica são praticas, que se deIinem pela acão. Agindo
eticamente é que adquiro a pratica da virtude. Educando com correcão é que nos
tornamos educadores. Além disso, educar supõe a mimesis: imitacão de acões
exemplares. Dira o autor da Poetica que, 'segundo o carater, as pessoas são tais ou
tais, mas é segundo as acões que são Ielizes ou o contrario. Portanto, as
personagens não agem para imitar os caracteres, mas adquirem os caracteres gracas
as acões. Assim, as acões e a Iabula constituem a Iinalidade da tragédia, e, em
tudo, a Iinalidade é o que mais importa¨ (ARISTOTELES, Arte Poetica, p.25).
Sobre o tema Kenneth McLeish argumenta que a idéia de imitacão e de mimesis é
o centro da analise estética de Aristoteles: supondo pelo conceito uma
associacão entre o que é apresentado ou representado e a existência prévia da
pessoa: espectador ou aprendiz. A nocão do imitar tem a ver com a perspectiva da
preservacão: imita-se o que se louva: louva-se o que é honrado, e, portanto, o que
deve ser preservado. Na educacão, como na dramaturgia, 'o criador convida o
espectador a se envolver com um desempenho, uma mimesis da realidade, e,
portanto, por delegacão, com a propria realidade¨ (MCLEISH, 2000, p.18).
Haveria, por ser assim, algum envolvimento subietivo no drama. Este se torna
suieito, para o mestre e para o aprendiz. Dai a magia da acão educativa quando
assumimos a conIluência proposta por Aristoteles dessa imitacão/representacão do
bom, do belo e do bem triade necessaria para pensar a Iormacão da virtude ao
educar. Trata-se de habitos: no iusto meio: pela prudência do discernimento:
alicercados pela equidade das praticas: e de criacões de rotinas e de rituais
coletivos, publicos e dirigidos ao bem comum: e, portanto, a Ielicidade - como se
Iosse por amizade...
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* &DUORWD %RWR é licenciada em Pedagogia e em Historia pela USP. E autora do
livro A escola ao homem novo. entre o Iluminismo e a Revolucão Francesa,
publicado pela Editora UNESP em 1996. E proIessora da area de FilosoIia da
Educacão na Faculdade de Educacão da USP. Este trabalho Ioi originalmente
apresentado na I Semana ae Estuaos Classicos e Eaucacão, realizada, sob a
coordenacão da ProIª. Drª. Gilda Naécia Maciel de Barros, entre 22 e 26 de abril de
2002, na FEUSP.
|1| Diz Abbagnano sobre o tributo que o Iuturo imperador teria para com os
ensinamentos que recebera de Aristoteles: 'Na obra de conquista e de uniIicacão
de todo o mundo grego para a qual a educacão de Aristoteles preparou Alexandre,
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agiu seguramente a conviccão por parte de Aristoteles da superioridade da cultura
grega e da sua capacidade de dominar o mundo, se a ela se acrescentasse uma Iorte
unidade politica. O aIastamento entre o rei e Aristoteles so se produziu quando
Alexandre, alargando seus designios de conquista, pensou na uniIicacão dos povos
orientais e adotou as Iormas orientais de soberania¨(Abbagnano, 1981, p.193).
|2| 'Durante a Idade Média, sera por intermédio dos arabes com a conquista da
região do Mediterrâneo e da Peninsula Ibérica que a obra aristotélica voltara a ser
lida na europa, mas ia traduzida para o arabe e para o hebraico. Assim, durante
varios séculos, a obra de Aristoteles eistiu em arabe, hebraico e latim eclasiastico,
de modo que a obra não era lida no original. ' (Chaui, 2002, p.341)
|3| Note-se que como adverte Aristoteles ha excecões para a acepcão de iusto
meio como categoria operatoria. Haveria algumas acões que, em hipotese alguma,
poderiam admitir o meio termo, sem o custo da propria virtude: ia que seus nomes
contêm por deIinicão a maldade e a iniustica: despeito, inveia, adultério, roubo,
assassinato, etc.. Como assinala o autor, o mal, para tais casos, não residiria no
excesso ou na deIiciência: mas no proprio ato. Por suas palavras: 'tampouco a
bondade ou maldade a respeito de tais emocões e acões depende, por exemplo, de
cometer adultério com a mulher certa, no momento certo e de modo certo, mas
simplesmente sentir qualquer destas emocões ou praticar qualquer destas acões é
um erro. Seria igualmente absurdo, então, esperar que em acões iniustas, covardes
e libidinosas houvesse um meio termo, um excesso e uma Ialta, pois seria preciso
admitir a existência de um meio termo de excesso e de Ialta, de um excesso de
excesso e de uma Ialta de Ialta¨ (Aristoteles, Etica a Nicômacos, p.42) Tratar-se-
iam de acões que, qualquer que seia o grau de sua pratica, elas seria sempre erradas
e improprias para a retidão da conduta.
|4| Recordando em seu Trataao aa politica que o bem da vida publica é a iustica,
Aristoteles dira que, tanto na esIera coletiva quanto na acão particular, ' a vida
Ieliz consiste no livre exercicio da virtude e a virtude no meio-termo: donde se
segue, necessariamente, que a melhor vida deve ser a vida média, encerrada nos
limites dum bem-estar que toda a gente pode conseguir. O que dizemos da virtude
e do vicio do Estado deve dizer-se do governo que é a vida de todo o
Estado.¨ (Aristoteles, Trataao aa politica, p.142).
|5| 'A concordia também parece um sentimento amistoso: ela não é, entretanto,
identidade de opinião, pois isto poderia ocorrer até com pessoas que não se
conhecem: tampouco dizemos que ha concordia entre as pessoas que têm os
mesmos pontos de vista sobre todos e quaisquer assuntos por exemplo, as
pessoas que concordam acerca dos corpos celestes ( a concordia a este respeito não
é um sentimento amistoso), mas dizemos que ha concordia numa cidade quando
seus habitantes têm a mesma opinião acerca daquilo que é de seu interesse, e
escolhem as mesmas acões, e Iazem o que resolvem em comum. Dizemos portanto
que ha concordia entre as pessoas em relacão a atos a ser praticados e quando estes
atos podem ter conseqüências, e quando é possivel que neles duas partes, ou todas
elas, obtenham o que deseiam.¨ (ARISTOTELES, Etica a Nicômacos, p.180-1)
|6| '(...) Aristoteles dizia... que a virtude é um habito`, ou seia, um tipo de
comportamento que se repete ou uma disposicão adquirida e uniIorme de agir de
um modo determinado. A realizacão da moral, por parte de um individuo, é, por
conseqüência, o exercicio constante e estavel daquilo que esta inscrito no seu
carater como uma disposicão ou capacidade de Iazer o bem: ou seia, como uma
virtude. O individuo contribui, assim, (isto é, com suas virtudes) para a realizacão
da moral, não mediante atos extraordinarios ou privilegiados (que são proprios do
heroi ou da personalidade excepcional), mas com atos cotidianos e repetidos que
decorrem de uma disposicão permanente e estavel¨ (VAZQUEZ, 2002,p.214-215).
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|7| 'Deve Iicar claro que o relativismo ético não consiste em pôr em relacão uma
norma com uma comunidade respectiva, mas em sustentar que dois iuizos
normativos distintos ou opostos, a respeito do mesmo ato, têm a mesma validade.
Mas o Iato de que duas normas (uma racista e outra anti-racista, por exemplo)
reIiram-se a diIerentes e opostas necessidades sociais não signiIica que seiam
igualmente validas. Suas relacões respectivas com os interesses e as necessidades
de um setor social iustiIicam somente uma validade relativa...: mas a validade de
uma destas normas (a racista) não pode estender-se além dos limites estreitos da
comunidade cuios interesses e necessidades expressa. Na medida em que
transcende estes limites e não pode deixar de transcendê-los, porque as suas
conseqüências aIetam os membros de outra comunidade -, o valido ou iusto se
revela como invalido ou iniusto, precisamente pela impossibilidade de transcender
a sua particularidade (VAZQUEZ, 2002, p.260).
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 &RPR GHVWDFD 9LFWRULD &DPSV R SURWyWLSR GR YLUWXRVR HP $ULVWyWHOHV VHULD XP VXSRVWR VHU DWLYR RX VHMD ³D DomR TXH OHYD D FDER LQFOXL XPD GRVH GH FRQWHPSODomR H GH WHRULD PDV QmR p FRQWHPSODomR SXUD D TXDO VHULD SULYDWLYD GRV GHXVHV H QmR GH KXPDQRV SDUD TXHP D DomR p LQHYLWiYHO´ &$036  S.

 3RU SROtWLFD FRPSUHHQGLDVH SRLV D IRUPD GH YLGD TXH PHOKRU FRUUHVSRQGH j FRQGLomR KXPDQD HPERUD SDUDGR[DOPHQWH D DWLYLGDGH VXSHULRU UHVLGD QR FDPSR GD WHRULD SXUD ³R VXMHLWR GD YLUWXGH p R KRPHP S~EOLFR SRVWR TXH D YLGD SULYDGD FDUHFH GH LQWHUHVVH p LGLRQ LGLRWD 2V KRPHQV VmR VREUHWXGR FLGDGmRV HQFHUUDGRV HP VL SUySULRV QmR YLYHULDP XPD YLGD UDFLRQDO QHP KXPDQD´ &$036  S.

 $SUHHQGHU D LGpLD DULVWRWpOLFD GH pWLFD UHTXHU GH TXDOTXHU PDQHLUD DOJXP GHVORFDPHQWR GH QRVVR PRGR XVXDO GH SHUFHEHU R WHPD 3DUD $ULVWyWHOHV R REMHWLYR GD pWLFD HUD D IHOLFLGDGH $ IHOLFLGDGH SDUD HOH HUD D YLGD ERD H HVWD FRUUHVSRQGHULD ± FRPR YHUHPRV DGLDQWH ± j YLGD GLJQD 1HVVD GLUHomR KDYHULD XPD VXERUGLQDomR GD pWLFD j SROtWLFD ³RV WUDWDGRV pWLFRV H RV WUDWDGRV SROtWLFRV SHUWHQFHP D XP PHVPR HVWXGR FODVVLILFDGR FRPR SROtWLFD´ 5866  S.

 $ULVWyWHOHV  D&.

9 D& 1DVFHX HP (VWDJLUD QD 0DFHG{QLD 6HX SDL TXH PRUUHX TXDQGR $ULVWyWHOHV DLQGD HUD FULDQoD FKDPDYD VH 1LF{PDFR H RFXSRX R SRVWR GH PpGLFR GR UHL GD 0DFHG{QLD 0XLWRV HVWXGLRVRV DWULEXHP D HVVD RULJHP IDPLOLDU R LQWHUHVVH GH $ULVWyWHOHV SRU DVVXQWRV UHODWLYRV jV FLrQFLDV QDWXUDLV 0XLWR MRYHP $ULVWyWHOHV HQWURX DRV GH]HVVHWH DQRV QD $FDGHPLD GH 3ODWmR RQGH SHUPDQHFH SRU YLQWH DQRV HPERUD VXD GRXWULQD ILORVyILFD VH FDUDFWHUL]DVVH SHOD LQGHSHQGrQFLD GLVWDQFLDQGRR GH VHX PHVWUH $SyV D PRUWH GH 3ODWmR $ULVWyWHOHV GHL[D D $FDGHPLD H DOJXQV DQRV PDLV WDUGH p FRQYLGDGR SRU )LOLSH UHL GD 0DFHG{QLD SDUD WRPDU D IUHQWH GD HGXFDomR GR MRYHP $OH[DQGUH KHUGHLUR GR WURQR >@  4XDQGR $OH[DQGUH DVVXPH R SRGHU $ULVWyWHOHV UHJUHVVD D $WHQDV DSyV PDLV GH GH] DQRV GH DXVrQFLD )XQGDULD HQWmR R /LFHX HVFROD RQGH HQVLQD DWp  TXDQGR ± DSyV D PRUWH GH $OH[DQGUH GD 0DFHG{QLD HP  ± VHX DQWLJR PHVWUH p ³IRUoDGR D GHL[DU $WHQDV SRU FDXVD GH XPD H[SORVmR GH VHQWLPHQWRV DQWLPDFHG{QLFRV´ /8&(  S. YLYHX QD *UpFLD GR VpFXOR .

 1R /LFHX DOpP GH WDUHIDV UHODWLYDV DR HQVLQR $ULVWyWHOHV VH GHGLFDULD DR HVWXGR H j VLVWHPDWL]DomR GH VHXV FXUVRV SDUD RV TXDLV  VHJXQGR 5RGROIR 0RQGROIR  UHFROKLD WDPEpP PDWHULDLV GH WHRULDV ILORVyILFDV DQWHULRUHV 021'2/)2  S.

 &RQVWD TXH R /LFHX GH $ULVWyWHOHV DOpP GR HGLItFLR TXH R FRQVWLWXtD HUD FpOHEUH SRU VHX MDUGLP DR TXDO VH DFRSODYD XPD DODPHGD SDUD FDPLQKDU TXH RV FRQWHPSRUkQHRV FKDPDYDP GH SHULSDWRV ³SDVVHLR SRU RQGH VH DQGD FRQYHUVDQGR PRWLYR SHOR TXDO D HVFROD DULVWRWpOLFD IRL FKDPDGD SHULSDWpWLFD VHMD FRPR UHIHUrQFLD j DODPHGD VHMD FRPR UHIHUrQFLD DR IDWR GH TXH $ULVWyWHOHV H RV HVWXGDQWHV SDVVHDYDP SRU DOL GLVFXWLQGR DQLPDGDPHQWH ILORVRILD´ &+$8Ë  S.

PSpULR 5RPDQR &RPR FRQVHTrQFLD R FRUSXV DFDERX VHQGR FRQVHUYDGR OLGR H WUDGX]LGR SHORV SHQVDGRUHV iUDEHV´ &+$8Ë  S.GDGH 0pGLD R FRUSXV DULVWRWHOLFXV SDVVDULD SDUD D %LEOLRWHFD GH $OH[DQGULD PDQWHQGRVH ± FRPR LQIRUPD 0DULOHQD &KDXt ± ³GR ODGR EL]DQWLQR GR . 'XUDQWH D .

 )RL HQWmR SRU LQWHUPpGLR GD SUHVHQoD GRV iUDEHV QR 2FLGHQWH TXH JUDQGH SDUWH GR SHQVDPHQWR DULVWRWpOLFR FKHJDULD DWp QyV >@  $FHUFD GD UHIOH[mR pWLFD GH $ULVWyWHOHV -DHJHU FRQVLGHUD D QHFHVVLGDGH GH DSUHHQVmR GH VXD eWLFD D 1LF{PDFR H GH VXD eWLFD D (XGHPR SRVWR TXH RXWURV WH[WRV WDPEpP FRQFHUQHQWHV DR WHPD GD pWLFD FRQVWLWXLULDP PDLV SURYDYHOPHQWH FROHo}HV RUJDQL]DGDV H FODVVLILFDGDV GH H[FHUWRV RX HVWUDWRV GDV GXDV REUDV DFLPD UHIHULGDV 1D SUiWLFD ± GHVWDFD -DHJHU ± WHULD RFRUULGR QtWLGD SUHGRPLQkQFLD GRV HVWXGRV FHQWUDGRV VREUH D eWLFD D 1LF{PDFR HP YLUWXGH GR IDWR GH VHX WH[WR VHU FRPSUHHQGLGR XVXDOPHQWH FRPR XP WUDEDOKR VXSHULRU H SRVWHULRU j eWLFD D (XGHPR WDQWR ³QD FRQVWUXomR QD FODUH]D GR HVWLOR H QD PDWXULGDGH GR SHQVDPHQWR´ -$(*(5  S.

67Ï7(/(6 7UDWDGR GD SROtWLFD S. 1HVWH WUDEDOKR WHPRV D LQWHQomR GH LQYHVWLJDU SHOD DSURSULDomR GR GLVFXUVR pWLFR GH $ULVWyWHOHV H[SUHVVR HP VXD eWLFD D 1LF{PDFR DOJXPDV FDWHJRULDV TXH UHSXWDPRV LQWHUHVVDQWHV H IDFWtYHLV SDUD VH SHQVDU R DWR GH HGXFDU 1HVVH VHQWLGR SURFXUDUHPRV PRELOL]DU GR SHQVDPHQWR DULVWRWpOLFR DOJXQV FRQFHLWRV WRPDGRV QHVWD RSRUWXQLGDGH FRPR FDWHJRULDV RSHUDWyULDV 7DLV FRQFHLWRV VmR EDVLFDPHQWH RV VHJXLQWHV YLUWXGH MXVWR PHLR GLVFHUQLPHQWR HTXLGDGH H DPL]DGH (P VXD 3ROtWLFD $ULVWyWHOHV UHSRUWDQGRVH i eWLFD GHVWDFD TXH VXD LGpLD GH IHOLFLGDGH DOLDVH j LGHQWLILFDomR GR PHOKRU JRYHUQR FRPSUHHQGHQGRVH HVWH PHOKRU JRYHUQR FRPR ³DTXHOH HP TXH FDGD XP PHOKRU HQFRQWUD DTXLOR GH TXH QHFHVVLWD SDUD VHU IHOL]´ $5.

8P (VWDGR Vy SRGH VHU IHOL] ± QRV WHUPRV GH $ULVWyWHOHV ± FDVR VH PDQWHQKD QHOH YLUWXGH H SUXGrQFLD 1D YLGD FROHWLYD DVVLP FRPR QD FRQGXWD LQGLYLGXDO $ULVWyWHOHV HQWHQGH R KiELWR FRPR R JUDQGH SULQFtSLR UHJXODGRU GD DomR &RPR VXEOLQKD VREUH R WHPD 6RODQJH 9HUJQLqUHV $ULVWyWHOHV VLWXD R HWKRV FRPR R UHJXODGRU R SULQFtSLR H R ILP GD FRQGXWD ³DGTXLUHVH WDO RX WDO GLVSRVLomR pWLFD DJLQGR GH WDO RX WDO PDQHLUD 2 FDUiWHU QmR p PDLV R TXH UHFHEH VXDV GHWHUPLQDo}HV GD QDWXUH]D GD HGXFDomR GD LGDGH GD FRQGLomR VRFLDO p R SURGXWR GD VpULH GH DWRV GRV TXDLV VRX R SULQFtSLR 3RVVR VHU GHFODUDGR DXWRU GH PHX FDUiWHU FRPR R VRX GRV PHXV DWRV´ 9HUJQLqUHV  S.

GD eWLFD D 1LF{PDFRV Ki XP WUHFKR TXH H[SUHVVD GH PDQHLUD H[tPLD R LQWXLWR R SURSyVLWR R REMHWR H R VXMHLWR GR HVWXGR GD pWLFD ³(VWRX IDODQGR GD H[FHOrQFLD PRUDO SRLV p HVWD TXH VH UHODFLRQD FRP DV HPRo}HV H Do}HV H QHVWDV Ki H[FHVVR IDOWD H PHLR WHUPR 3RU H[HPSOR SRGHVH VHQWLU PHGR FRQILDQoD GHVHMRV FyOHUD SLHGDGH H GH XP PRGR JHUDO SUD]HU H VRIULPHQWR GHPDLV RX PXLWR SRXFR H HP DPERV RV FDVRV LVWR QmR p ERP PDV H[SHULPHQWDU HVWHV VHQWLPHQWRV QR PRPHQWR FHUWR HP UHODomR DRV REMHWRV FHUWRV H jV SHVVRDV FHUWDV H GH PDQHLUD FHUWD p R PHLR WHUPR H R PHOKRU H LVWR p FDUDFWHUtVWLFR GD H[FHOrQFLD +i WDPEpP GD PHVPD IRUPD H[FHVVR IDOWD H PHLR WHUPR HP UHODomR jV Do}HV 2UD D H[FHOrQFLD PRUDO VH UHODFLRQD FRP DV HPRo}HV H DV Do}HV QDV TXDLV R H[FHVVR p XPD IRUPD GH HUUR WDQWR TXDQWR D IDOWD HQTXDQWR R PHLR WHUPR p ORXYDGR FRPR XP DFHUWR VHU ORXYDGR H HVWDU FHUWR VmR FDUDFWHUtVWLFDV GD H[FHOrQFLD PRUDO $ H[FHOrQFLD PRUDO SRUWDQWR p DOJR FRPR HTLGLVWkQFLD SRLV FRPR Mi YLPRV VHX DOYR p R PHLR WHUPR $GHPDLV p SRVVtYHO HUUDU GH YiULDV PDQHLUDV DR SDVVR TXH Vy p SRVVtYHO DFHUWDU GH XPD PDQHLUD WDPEpP SRU HVWD UD]mR p IiFLO HUUDU KWWSZZZKRWWRSRVFRPYLGHWXUFDUORWDKWP  KWWSZZZKRWWRSRVFRPYLGHWXUFDUORWDKWP  .. 1R /LYUR .

$ eWLFD GH $ULVWyWHOHV H D (GXFDomR 3DJH  RI  $ eWLFD GH $ULVWyWHOHV H D (GXFDomR 3DJH  RI  H GLItFLO DFHUWDU ± IiFLO HUUDU R DOYR H GLItFLO DFHUWDU QHOH.

67Ï7(/(6 eWLFD D 1LF{PDFRV S. WDPEpP p SRU LVWR TXH R H[FHVVR H D IDOWD VmR FDUDFWHUtVWLFDV GD GHILFLrQFLD PRUDO H R PHLR WHUPR p XPD FDUDFWHUtVWLFD GD H[FHOrQFLD PRUDO SRLV D ERQGDGH p XPD Vy PDV D PDOGDGH p P~OWLSOD´ $5.

3RU YLUWXGH $ULVWyWHOHV FRPSUHHQGH XPD SUiWLFD $ YLUWXGH QmR p SRUWDQWR QDWXUH]D H QmR KDYHULD XP DSUHQGL]DGR VXILFLHQWHPHQWH HILFD] SDUD JDUDQWLU D DomR YLUWXRVD $ YLUWXGH FRQWXGR VHULD D IRUPD PDLV SOHQD GD H[FHOrQFLD PRUDO H SRU WDO UD]mR QmR SRGHULD H[LVWLU HP VHUHV LQFRPSOHWRV DLQGD HP IRUPDomR FRPR DV FULDQoDV $ H[FHOrQFLD PRUDO UHYHODGD SHOD SUiWLFD GD YLUWXGH VHULD DQWHV GH WXGR XPD GLVSRVLomR GH FDUiWHU 3DUD R H[HUFtFLR GD YLUWXGH VHULD SRLV QHFHVViULR FRQKHFHU MXOJDU SRQGHUDU GLVFHUQLU FDOFXODU H GHOLEHUDU $R FRQWUiULR GD WUDGLomR VRFUiWLFD H SODW{QLFD QmR VHULD R PHUR FRQKHFLPHQWR GR EHP TXH SRGHULD GLULJLU D DomR MXVWD $ YLUWXGH FRPR H[FHOrQFLD PRUDO FRUUHVSRQGHULD j LGpLD GH XPD UD]mR UHWD UHODWLYD jV TXHVW}HV GD FRQGXWD 2UD WDO GLVSRVLomR GR FDUiWHU KXPDQR WHULD SRU VXSRVWR D SUHFHGrQFLD GH XPD HVFROKD GRV DWRV D VHUHP SUDWLFDGRV H GH XP KiELWR ILUPDGR SHOD UHSHWLomR SDUD FRQGX]LU D DomR UHWD 1HVVH VHQWLGR SRGHVH GL]HU TXH QD eWLFD GH $ULVWyWHOHV YLUWXGH p KiELWR ± KiELWR FRQVWUXtGR SHOD FRQWLJLGDGH GD UHODomR SRWrQFLD H DWR ³ HP UHODomR D WRGDV DV IDFXOGDGHV TXH QRV YrP SRU QDWXUH]D UHFHEHPRV SULPHLUR D SRWHQFLDOLGDGH H VRPHQWH PDLV WDUGH H[LELPRV D DWLYLGDGH LVWR p FODUR QR FDVR GRV VHQWLGRV SRLV QmR IRL SRU YHU UHSHWLGDPHQWH RX UHSHWLGDPHQWH RXYLU TXH DGTXLULPRV HVWHV VHQWLGRV DR FRQWUiULR Mi RV WtQKDPRV DQWHV GH FRPHoDU D XVXIUXt ORV H QmR SDVVDPRV D WrORV SRU XVXIUXtORV.

67Ï7(/(6 eWLFD D 1LF{PDFRV S. TXDQWR jV YiULDV IRUPDV GH H[FHOrQFLD PRUDO WRGDYLD DGTXLULPRODV SRU KDYrODV HIHWLYDPHQWH SUDWLFDGR WDO FRPR ID]HPRV FRP DV DUWHV $V FRLVDV TXH WHPRV GH DSUHQGHU DQWHV GH ID]HU DSUHQGHPR ODV ID]HQGRDV ± SRU H[HPSOR RV KRPHQV VH WRUQDP FRQVWUXWRUHV FRQVWUXLQGR H VH WRUQDP FLWDULVWDV WRFDQGR FtWDUD GD PHVPD IRUPD WRUQDPRQRV MXVWRV SUDWLFDQGR DWRV MXVWRV PRGHUDGRV DJLQGR PRGHUDGDPHQWH H FRUDMRVRV DJLQGR FRUDMRVDPHQWH (VVD DVVHUomR p FRQILUPDGD SHOR TXH DFRQWHFH QDV FLGDGHV SRLV RV OHJLVODGRUHV IRUPDP RV FLGDGmRV KDELWXDQGRRV D ID]HUHP R EHP HVWD p D LQWHQomR GH WRGRV RV OHJLVODGRUHV RV TXH QmR D S}HP FRUUHWDPHQWH HP SUiWLFD IDOKDP HP VHX REMHWLYR H p VRE HVWH DVSHFWR TXH D ERD FRQVWLWXLomR GLIHUH GD Pi´ $5.

2 H[FHUWR DFLPD FRQILUPD D SHUVSHFWLYD DULVWRWpOLFD GD YLUWXGH FRPR XPD IDFXOGDGH SUiWLFD XPD UD]mR SUiWLFD QD PHGLGD HP TXH QmR GHSHQGH QHFHVVDULDPHQWH GH FRQKHFLPHQWR WHyULFR PDV TXH p FRQVWUXtGD SHOR KiELWR SHOD DomR SURSRVLWDGDPHQWH H[HUFLWDGD H UHSHWLGD PHGLDQWH XPD IDFXOGDGH Mi SRVWD HP SRWrQFLD QR FDUiWHU GR KRPHP 2 FRPSRUWDPHQWR VHULD SRLV R JUDQGH IDWRU GLVWLQWLYR GD pWLFD R PRGR GH DJLU SHUDQWH RV RXWURV SHUDQWH VL SUySULR SHUDQWH RV TXH VmR SUy[LPRV SHUDQWH D +XPDQLGDGH $ QDWXUH]D GD UHWD UD]mR HVWDULD SRWHQFLDOPHQWH SUHVHQWH QR VHU KXPDQR FXPSULULD j WUDMHWyULD GD YLGD SRU PHLR GH HVFROKDV WUDGX]LGDV HP Do}HV DWXDOL]DU WDO SRWrQFLD 7DO GHOLEHUDomR H[LJH FRQWXGR FRQVFLrQFLD H GLVFHUQLPHQWR DOpP GH XPD SUHGLVSRVLomR SDUD D PHGLDQLD ± SDUD D PRGHUDomR (P JHUDO D HVFROKD VHULD VXERUGLQDGD D HPRo}HV H D IDFXOGDGHV GD DOPD 1HVVH FDVR D WHQGrQFLD PDLV SUXGHQWH ± H SRU GHFRUUrQFLD PDLV ViELD ± VHULD UHFRUUHU DR TXH $ULVWyWHOHV TXDOLILFD FRPR MXVWR PHLR VHPSUH HTLGLVWDQWH HQWUH GRLV H[WUHPRV (P UHODomR DR PHGR H j WHPHULGDGH PHLR WHUPR p FRUDJHP (P UHODomR j IUXLomR GRV SUD]HUHV KDYHULD XPD DSURSULDGD PRGHUDomR HQWUH D LQVHQVLELOLGDGH QD IDOWD H D FRQFXSLVFrQFLD QR H[FHVVR 6HU JHQHURVR FRUUHVSRQGH j PHGLDQLD HQWUH SURGLJDOLGDGH H DYDUH]D (QWUH D SUHWHQVmR H D SXVLODQLPLGDGH R PHLR WHUPR p D PDJQDQLPLGDGH 6HU LUDVFtYHO p H[FHVVR H VHU DSiWLFR p GHILFLrQFLD R PHLR WHUPR QR FDVR VHULD D DPDELOLGDGH $ULVWyWHOHV VXS}H KDYHU VDEHGRULD QHVVD VLWXDomR LQWHUPHGLiULD TXH QRV LQFOLQD SDUD R MXVWR PHLR TXH jV YH]HV VH YROWD SDUD R H[FHVVR H RXWUDV YH]HV WHQGH SDUD D IDOWD >@  3HQVDU R MXVWR PHLR HP HGXFDomR VHULD SUHVFUHYHU D DomR VHQVDWD DTXLOR TXH QRV WHUPRV GH $ULVWyWHOHV ³QmR p GHPDLV QHP PXLWR SRXFR´ $5.67Ï7(/(6 eWLFD D 1LF{PDFRV S.

1(  S. D PHGLDWH] HTLGLVWDQWH HQWUH GRLV H[WUHPRV GH TXH QRV IDOD 'DQLHO +DPHOLQH SDUD TXHP WDPEpP HP HGXFDomR ³WXGR VH SDVVD QR HQWUH´ +$0(/.

/9(.5$  S. $ YLUWXGH pWLFD UHTXHU HVFROKD GHOLEHUDomR GLVFHUQLPHQWR H[DWDPHQWH SRU VH GHEUXoDU VREUH FRLVDV SDVVtYHLV GH YDULDomR H SRUWDQWR FRQWLQJHQWHV $R FRQWUiULR GH UHDOLGDGHV H[SUHVVDV SRU SULQFtSLRV SULPHLURV LQYDULiYHLV Ki XPD SDUWH GRV REMHWRV SRVWRV GLDQWH GD UD]mR KXPDQD SDUD RV TXDLV SRGH KDYHU FiOFXOR H GHOLEHUDomR 6.

67Ï7(/(6 eWLFD D 1LF{PDFRV S. 7RGDYLD QmR p VLPSOHV R FiOFXOR QmR p IiFLO D HVFROKD 3HOR FRQWUiULR ³jV YH]HV p GLItFLO GHFLGLU R TXH GHYHPRV HVFROKHU H D TXH FXVWR H R TXH GHYHPRV VXSRUWDU HP WURFD GH FHUWR UHVXOWDGR H DLQGD p PDLV GLItFLO ILUPDUQRV QD HVFROKD SRLV HP PXLWRV GLOHPDV GHVWH JrQHUR R PDO HVSHUDGR p SHQRVR´ $5.

 3DUD $ULVWyWHOHV PHVPR QRV FDVRV GLItFHLV TXH HQYROYHP R GLOHPD GD PRUDOLGDGH HP VHX OLPLWH Pi[LPR R SLRU PDO UHVLGLULD QD DomR LQMXVWD Mi TXH HVWD SUHVVXS}H D GHILFLrQFLD PRUDO GR DJHQWH ( GH TXDOTXHU PRGR QmR VH SRGH HVTXHFHU TXH SDUD $ULVWyWHOHV D IHOLFLGDGH VHMD GR (VWDGR VHMD GR LQGLYtGXR FRUUHVSRQGH DR H[HUFtFLR FRQWLQXDGR GD SUiWLFD GD YLUWXGH H GD SUXGrQFLD VHQGR ³R PHOKRU JRYHUQR DTXHOH HP TXH FDGD XP PHOKRU HQFRQWUD DTXLOR GH TXH QHFHVVLWD SDUD VHU IHOL]´ $ULVWyWHOHV 7UDWDGR GD SROtWLFD S.

67Ï7(/(6 eWLFD D 1LF{PDFRV S. 6H D DomR KXPDQD QR SODQR GRV YDORUHV WHP RULJHP QD HVFROKD H HVWD WHP SRU IRQWH XP UDFLRFtQLR GLULJLGR D XP ILP VHULD SRVVtYHO DR KRPHP SRVVXLU ³D SHUFHSomR GD YHUGDGH H D LPSUHVVmR GD IDOVLGDGH´ $5.

67Ï7(/(6 eWLFD D 1LF{PDFRV S. VHQGR LQWHOLJrQFLD SUiWLFD DSUHHQGHU D YHUGDGH FRQIRUPH R GHVHMR FRUUHWR $R GHOLEHUDU VHPSUH VREUH XP IXWXUR QHFHVVDULDPHQWH HP DEHUWR R KRPHP H[HUFLWD D KDELOLGDGH TXH GH SRWrQFLD VH WUDQVPXWD HP DWR R GLVFHUQLPHQWR 3DUD UHIOHWLU VREUH HVVD IDFXOGDGH $ULVWyWHOHV YDOHVH GDV FDUDFWHUtVWLFDV LQWUtQVHFDV jV SHVVRDV GRWDGDV GR DWULEXWR GH VDEHU GLVFHUQLU VmR ± GH PRGR JHUDO ± DTXHODV FDSD]HV GH GHOLEHUDU EHP DFHUFD GR TXH p ERP H FRQYHQLHQWH SDUD VL PHVPDV H SDUD RV RXWURV HP XP VHQWLGR PDLV DPSOR 7DO KDELOLGDGH SRVVLELOLWD R UHFRQKHFLPHQWR GR XQLYHUVDO QD FRQWLQJrQFLD GD VLWXDomR SDUWLFXODU 3RU VHU DVVLP GLVFHUQLU p QHFHVVDULDPHQWH GHOLEHUDU VREUH DVSHFWRV YDULiYHLV FXMD HVFROKD SHUPLWLUi VHPSUH HVSHFXODU VREUH RXWUDV RSo}HV SUHWHULGDV H QmR DFLRQDGDV 'LVFHUQLU EHP WDOYH] VHMD SHODV SDODYUDV GH $ULVWyWHOHV SRVVXLU H OHYDU jV ~OWLPDV FRQVHTrQFLDV LQWXLo}HV H SUHVVHQWLPHQWRV GH YLGD $5.

 ³2 GLVFHUQLPHQWR SRU RXWUR ODGR UHODFLRQDVH FRP DV Do}HV KXPDQDV H FRLVDV DFHUFD GDV TXDLV p SRVVtYHO GHOLEHUDU GH IDWR GL]HPRV TXH GHOLEHUDU EHP p DFLPD GH WXGR D IXQomR GDV SHVVRDV GH GLVFHUQLPHQWR PDV QLQJXpP GHOLEHUD D UHVSHLWR GH FRLVDV LQYDULiYHLV RX GH FRLVDV FXMD ILQDOLGDGH QmR VHMD XP EHP TXH SRVVDPRV DWLQJLU PHGLDQWH D DomR $V SHVVRDV ERDV GH XP PRGR JHUDO VmR DV FDSD]HV GH YLVDU FDOFXODGDPHQWH DR TXH Ki GH PHOKRU SDUD DV FULDWXUDV KXPDQDV QDV FRLVDV SDVVtYHLV GH VHU DWLQJLGDV PHGLDQWH D DomR 7DPSRXFR R GLVFHUQLPHQWR VH UHODFLRQD VRPHQWH FRP RV XQLYHUVDLV HOH GHYH WDPEpP OHYDU HP FRQWD RV SDUWLFXODUHV SRLV R GLVFHUQLPHQWR p SUiWLFR H D SUiWLFD VH UHODFLRQD FRP RV SDUWLFXODUHV  2 GLVFHUQLPHQWR VH UHODFLRQD WDPEpP FRP D DomR GH WDO PRGR TXH DV SHVVRDV GHYHP SRVVXLU DPEDV DV VXDV IRUPDV RX PHOKRU PDLV FRQKHFLPHQWR GRV IDWRV SDUWLFXODUHV GR TXH FRQKHFLPHQWR GRV XQLYHUVDLV´ $5.67Ï7(/(6 eWLFD D 1LF{PDFRV S.

67Ï7(/(6 eWLFD D 1LF{PDFRV S. 'DV FRQVLGHUDo}HV DFLPD WHFLGDV GHFRUUH QR SDUHFHU GH $ULVWyWHOHV D GLILFXOGDGH GRV MRYHQV HP UHODomR j SUiWLFD GR GLVFHUQLPHQWR ³1mR SDUHFH SRVVtYHO TXH XP MRYHP VHMD GRWDGR GH GLVFHUQLPHQWR´ $5.

 MXVWDPHQWH SHOR IDWR GH HVVH WLSR GH VDEHGRULD QmR VH UHVXPLU DR KWWSZZZKRWWRSRVFRPYLGHWXUFDUORWDKWP  KWWSZZZKRWWRSRVFRPYLGHWXUFDUORWDKWP  .

$ eWLFD GH $ULVWyWHOHV H D (GXFDomR 3DJH  RI  $ eWLFD GH $ULVWyWHOHV H D (GXFDomR 3DJH  RI  FRQKHFLPHQWR GRV XQLYHUVDLV VHQGR ± SHOR FRQWUiULR ± D IDPLOLDULGDGH FRP RV SDUWLFXODUHV R TXH H[LJH H[SHULrQFLD R TXH H[LJH WHPSR GH YLGD H GH DPDGXUHFLPHQWR 3RGHVH DVVLP HQFRQWUDU H[tPLRV MRJDGRUHV GH [DGUH] DLQGD DGROHVFHQWHV H[LVWHP MRYHQV PDWHPiWLFRV EULOKDQWHV 0DV SDUD R FDVR GD SROtWLFD  XPD FLrQFLD SUiWLFD  GLILFLOPHQWH SRGHULDP VHU HQFRQWUDGRV QRWiYHLV MRYHQV HVWDGLVWDV 1mR FRUUHVSRQGHQGR DR FRQKHFLPHQWR FLHQWtILFR GRV XQLYHUVDLV R GLVFHUQLPHQWR HVWDULD DWDGR DR IDWR SDUWLFXODU ± SDUD R TXDO D DUJ~FLD GD SHUFHSomR VHULD XP SUHGLFDGR LPSUHVFLQGtYHO &DSDFLGDGH GH FRQMHFWXUDU FiOFXOR UDSLGH] GH UDFLRFtQLR SDUD R HVWDEHOHFLPHQWR GH LQIHUrQFLDV SHUWLQHQWHV H VREUHWXGR FRUUHomR QD GHFLVmR 3DUD $ULVWyWHOHV HP PDWpULD GH pWLFD Ki GH OHPEUDU TXH H[LVWHP IRUPDV YDULDGDV GH HUUDU XPD Vy GH DFHUWDU e LPSRUWDQWH UHFRUGDU TXH ± FRPR VDOLHQWD 9HQWyV ± DJLU EHP HP $ULVWyWHOHV DFDUUHWDULD IHOLFLGDGH FRPSUHHQGHQGRVH TXH VHU IHOL] FRUUHVSRQGH j UHDOL]DomR GH VL RX D WUDGXomR GD SRWrQFLD HP DWR YLGD GLJQD YLGD GR EHP DXWHQWLFLGDGH H SRQGHUDomR >@  ³3DUD $ULVWyWHOHV FRPR YLPRV p ERD DTXHOD DomR TXH FRQGX] j SOHQLWXGH RX j UHDOL]DomR GR TXH VH p ± DR H[HUFtFLR H GHVHQYROYLPHQWR GDV SUySULDV IDFXOGDGHV H GH WRGDV DV QRVVDV SRVVLELOLGDGHV´ 9(17Ï6  S.

 $OpP GLVVR VmR ERDV DV Do}HV TXH GLULJHP D FRQGLomR KXPDQD DR H[HUFtFLR GD VXD SOHQLWXGH RX GD UHDOL]DomR 1LQJXpP UHDOL]D VXD HVVrQFLD HQTXDQWR SRWHQFLDOLGDGH e VRPHQWH DR WUDQVIRUPDU D SRWrQFLD HP DWR TXH SRGHUHPRV GHVHQYROYHU DR OLPLWH QRVVDV IDFXOGDGHV KXPDQDV REWHQGR SRU WDO DWLYLGDGH D VXSUHPD IHOLFLGDGH ± FRQWLGD QD DXWRUHDOL]DomR QHVVH LGHDO LQWULQVHFDPHQWH JUHJR GH VH ³UHDOL]DU DTXLOR TXH Mi VH p´ 9(17Ï6  S.

 $ JHQHUDOLGDGH GDV OHLV TXH RV KRPHQV D VL SUySULRV VH SURPRYHP DFDUUHWDP SDUD D HVSHFLILFLGDGH GH FDGD VLWXDomR SDUWLFXODU SRVVtYHLV GHVLJXDOGDGHV H FRQVHTHQWHV LQMXVWLoDV +DYHULD SDUD $ULVWyWHOHV XPD IDFXOGDGH FDSD] GH SRU VL SUySULD FRUULJLU WDLV GHVYLRV FRQVWLWXLQGRVH ± VRE WDO HQIRTXH ± FRPR DWR IXQGDPHQWDO GH DWXDOL]DomR GD MXVWLoD D HTXLGDGH ³&KDPDPRV GH MXOJDPHQWR LVWR p D IDFXOGDGH JUDoDV j TXDO GL]HPRV TXH XPD SHVVRD MXOJD FRPSUHHQVLYDPHQWH.

D SHUFHSomR DFHUWDGD GR TXH p HTLWDWLYR 8PD SURYD GLVVR p R IDWR GH GL]HUPRV TXH XPD SHVVRD HTLWDWLYD p PDLV GR TXH WRGDV DV RXWUDV XP MXL] FRPSUHHQVLYR H LGHQWLILFDUPRV D HTXLGDGH FRP R MXOJDPHQWR FRPSUHHQVLYR DFHUFD GH FHUWRV IDWRV ( MXOJDPHQWR FRPSUHHQVLYR p R MXOJDPHQWR QR TXDO HVWi SUHVHQWH D SHUFHSomR GR TXH p HTLWDWLYR H GH PDQHLUD DFHUWDGD H MXOJDU DFHUWDGDPHQWH p MXOJDU VHJXQGR D YHUGDGH (QWmR p UD]RiYHO GL]HU TXH WRGDV DV GLVSRVLo}HV UHFpPH[DPLQDGDV FRQYHUJHP SDUD R PHVPR SRQWR FRP HIHLWR TXDQGR IDODPRV GH MXOJDPHQWR GH HQWHQGLPHQWR GH GLVFHUQLPHQWR H GH LQWHOLJrQFLD DWULEXtPRV jV PHVPDV SHVVRDV D SRVVH GD IDFXOGDGH GH MXOJDU H GL]HPRV TXH HODV FKHJDUDP j LGDGH GD UD]mR H WrP GLVFHUQLPHQWR H HQWHQGLPHQWR SRLV WRGDV HVWDV GLVSRVLo}HV VH UHODFLRQDP FRP R IXQGDPHQWDO H FRP R SDUWLFXODU H VHU XPD SHVVRD GH HQWHQGLPHQWR H FRPSUHHQVLYD FRQVLVWH HP VHU FDSD] GH MXOJDU DFHUWDGDPHQWH RV IDWRV D SURSyVLWR GRV TXDLV VH GHPRQVWUD GLVFHUQLPHQWR SRUTXH RV DWRV HTLWDWLYRV VmR FRPXQV D WRGDV DV SHVVRDV ERDV HP VXD FRQGXWD QDV UHODo}HV FRP DV RXWUDV SHVVRDV´ $5.67Ï7(/(6 eWLFD D 1LF{PDFRV S.

3HOD HTXLGDGH QD DomR SDUWLFXODU VH SRGHULD FKHJDU DR JHVWR GD HTXLGDGH QR VHX VHQWLGR XQLYHUVDO 'Dt PDLV XPD YH] D W{QLFD GR SHQVDPHQWR DULVWRWpOLFR GHPDUFDU D YLUWXGH FRPR XP KiELWR TXH Vy VH FRQVROLGD QD DomR 3RU QmR VH WUDWDU GH DVVXQWR LQYDULiYHO QmR VHULD WHPD HQVLQiYHO HQTXDQWR VDEHU WHyULFR 6HULD DQWHV XP URO GH FRVWXPHV D VHU UHSHWLGDPHQWH H[HUFLWDGR SDUD FRP DV JHUDo}HV PDLV MRYHQV FRP R ILWR GH TXH HVWDV YHQKDP D DGTXLULU D IRUoD PRUDO H[WUDtGD GH WUrV HVWUDWpJLDV HGXFDWLYDV HVVHQFLDLV ³H[RUWDomR H[HPSOR H HQYROYLPHQWR´ 0$548(6  S.

 6RE WDO WULSp HVWDULD FRORFDGD D PLVVmR GR HGXFDGRU TXDQWR j IRUPDomR GRV YDORUHV WUDWDVH GH FUHQoDV GH IRUPDomR GH KiELWRV GH FRQVWkQFLD GH SHUVHYHUDQoD GH XVR UHSHWLGR GH H[HUFtFLR UHIOHWLGR GH H[HPSORV D VHUHP VHJXLGRV GH Do}HV SRQGHUDGDV QDV WULOKDV GH XP SHUFXUVR VHPSUH H LQHYLWDYHOPHQWH LQFHUWR 1RWHVH TXH $ULVWyWHOHV UHFRQKHFH D IRUoD GD LPLWDomR FRPR HOHPHQWR IXQGDGRU GD YLGD VRFLDO H PDLV HVSHFLILFDPHQWH GR HQVLQR $ LGpLD FRQGXWRUD GH WDO FRQFHSomR FRUUHVSRQGHULD DR DQVHLR GH EXVFDU ³TXH D FULDQoD VH HVIRUFH H VH HUJD DR HVWDGR GH KRPHP´ $/$.1  S.

 0DLV GR TXH FRQKHFHU D FULDQoD SDUD LQVWUXtOD SDUHFLD QHFHVViULR LQVWUXLU D FULDQoD SDUD FRQKHFrOD &RQIHULQGR VHQWLGR SHGDJyJLFR j YDORUL]DomR DULVWRWpOLFD GR JHVWR GH LPLWDU $ODLQ GLUi R VHJXLQWH ³6y H[LVWH XP PpWRGR SDUD LQYHQWDU p LPLWDU 6y Ki XP PpWRGR SDUD EHP SHQVDU p FRQWLQXDU DOJXP SHQVDPHQWR DQWLJR H H[SHULPHQWDGR (VVD LGpLD p VHX SUySULR H[HPSOR FLUFXQVWkQFLD IDYRUiYHO j UHIOH[mR 3RUTXH SDUHFH LQLFLDOPHQWH PXLWR FRPXP H EDVWDQWH IUDFD 0DV WDPEpP Vy p WRWDOPHQWH IDPLOLDU D TXHP WHP R FRVWXPH GH ROKDU PXLWDV YH]HV DWUiV GH VL ( VH FKHJDUPRV D SHUFRUUHU QRYDPHQWH R FDPLQKR TXH YDL GRV PLWRV jV LGpLDV H R FDPLQKR DLQGD PDLV DQWLJR TXH FRQGX] GRV tGRORV DRV PLWRV p HQWmR VRPHQWH TXH FRPSUHHQGHUHPRV WRGD D LGpLD H FRPR WRGRV RV KRPHQV SHQVDUDP VXFHVVLYDPHQWH FRPR TXH QR LQWHULRU GH XP PHVPR SHQVDPHQWR DWp WRFDU H HVFODUHFHU HQILP R PXQGR LQVHQVtYHO GDV SHGUDV GRV PHWDLV H GRV YHQWRV´ $/$.1  S.

3HOD PHVPD UHIHUrQFLD $]DQKD LQGDJDUi GDV DXWRSURFODPDGDV SHGDJRJLDV UHQRYDGDV ± VHPSUH DWLYDV SUHVHQWHV DWXDOL]DGDV GH DFRUGR FRP RV WHPSRV H LQYDULDYHOPHQWH FRP D PHVPD LQWHJUDO GLVSRQLELOLGDGH SDUD UHYROXFLRQDU D HVFROD ± TXDO VHULD R YDORU DEVWUDWR GDV LGpLDV GH RULJLQDOLGDGH H GH FULDWLYLGDGH TXDQGR DSOLFDGDV j PDWpULD HGXFDWLYD ³VHU FULDWLYR QR IXQGR p VHU GLYHUJHQWH 0DV QLQJXpP GLYHUJH VLPSOHVPHQWH VHP SRQWRV GH UHIHUrQFLD 'LYHUJHVH GH DOJXPD FRLVD GH XP PRGHOR GH XPD RSLQLmR GH XPD LGpLD  1mR DWHQWDQGR SDUD LVVR LOXGHPVH RV WRORV SHGDJRJRV GD FULDWLYLGDGH´ $=$1+$  S.

 DWp SRUTXH DOpP GH LPLWDomR R DSUHQGL]DGR GR ROKDU WDPEpP UHTXHU R KiELWR FRQWLQXDGR R H[HUFtFLR SRU YH]HV IDWLJDQWH RV XVRV H RV FRVWXPHV GD SUiWLFD ³'Dt YROWR j PLQKD LGpLD GH TXH p SUHFLVR DMXGDU D FULDQoD GLULJLOD FRQGX]LOD H GH TXH p SRU HVVH PHLR TXH IDUHPRV FRP TXH HOD HPLWD HQILP VHX SHQVDPHQWR SUySULR FRLVD UDUD FRLVD SUHFLRVD SHOR IDWR GH TXH YDOHUi SDUD WRGRV DVVLP FRPR XP YHUVR GH +RPHUR )DoDPRV XPD VLPSOHV WHQWDWLYD SRU XPD FDUWD SRU XP UHODWR SRU XPD GHVFULomR GH FRQGX]LU DV SHVTXLVDV GR MRYHP HVFULWRU GH FRQYLGi OR D ROKDU SRU PDLV GH XPD YH] DV FRLVDV D UHVSHLWR GDV TXDLV GHYH HVFUHYHU GH ID]HU FRP TXH OHLD D UHOHLD UHSLWD ERQV PRGHORV VREUH RV PHVPRV WHPDV GH ID]HU FRP TXH UH~QD SRU JUXSRV GH SDODYUDV R YRFDEXOiULR GH TXH WHUi GH VH VHUYLU 9HUHPRV QDVFHU HQWmR D REVHUYDomR QRYD D H[SUHVVmR PDWL]DGD GH XP VHQWLPHQWR DV SULPHLUDV PDUFDV GH HVWLOR HQILP ( TXDQWR PDLV WLYHUPRV DX[LOLDGR PDLV LQYHQWDUi $ DUWH GH DSUHQGHU VH UHGX] SRUWDQWR D LPLWDU SRU PXLWR WHPSR H D FRSLDU SRU PXLWR WHPSR FRPR TXDOTXHU P~VLFR VDEH H TXDOTXHU SLQWRU ( D HVFULWD DSUHVHQWD HVWD LPSRUWDQWH YHUGDGH jTXHOHV TXH VDEHP YHU SRUTXH D HVFULWD GDV SHVVRDV PDO LQVWUXtGDV VmR VHPHOKDQWHV H DV GLIHUHQoDV TXDQGR H[LVWHP VmR HIHLWR GH H[WUDYDJkQFLD RX GH DFLGHQWH 3RU RXWUR ODGR D HVFULWD GR KRPHP FXOWR OKH p SUySULD DSHVDU GH VHU PDLV VXEPHWLGD DR PRGHOR FRPXP´ $/$.1  S.

 %XVFDQGR QHVVD GLJUHVVmR HQFRQWUDU D DWXDOLGDGH GR SHQVDPHQWR GH $ULVWyWHOHV SDUD UHIOHWLU VREUH D SUiWLFD FRQWHPSRUkQHD GD HGXFDomR QmR SRGHULD GHL[DU GH DVVLQDODU XP ~OWLPR DVSHFWR TXH PH SDUHFH HVVHQFLDO DR SHQVDPHQWR pWLFR GH $ULVWyWHOHV D LGpLD GH DPL]DGH FRQFHLWR ± D PHX YHU ± DSURSULDGR SDUD SHQVDUPRV DV TXHVW}HV GH pWLFD SURILVVLRQDO SRVWDV HP QRVVR FRQYtYLR FRWLGLDQR 1R /LYUR .9 GD VXD eWLFD D 1LF{PDFRV $ULVWyWHOHV YDOHVH GH XPD FDWHJRULD LQWURGXWyULD SDUD SRVWHULRUPHQWH GHVHQYROYHU R WHPD GD DPL]DGH 'L] TXH HP VRFLHGDGH PDLV HVSHFLILFDPHQWH QDV UHXQL}HV H QRV HQFRQWURV TXH SURSRUFLRQDP R FRQYtYLR KWWSZZZKRWWRSRVFRPYLGHWXUFDUORWDKWP  KWWSZZZKRWWRSRVFRPYLGHWXUFDUORWDKWP  .

67Ï7(/(6 eWLFD D 1LF{PDFRV S.$ eWLFD GH $ULVWyWHOHV H D (GXFDomR 3DJH  RI  $ eWLFD GH $ULVWyWHOHV H D (GXFDomR 3DJH  RI  H[LVWLULDP DOJXPDV SHVVRDV FRQVLGHUDGDV DPiYHLV $ DFHSomR GH DPDELOLGDGH ± RULJLQDGD WDOYH] SHOD LQWHQomR DIiYHO  FRUUHVSRQGHULD D XP FRPSRUWDPHQWR SDGUmR TXH UHYHOD XPD SUpGLVSRVLomR SDUD DFHLWDU R RXWUR XPD GLVSRQLELOLGDGH SDUD FRQKHFrOR SDUD DJUDGiOR GH PDQHLUD WDPEpP D VHU EHPYLQGR H EHP DFHLWR (VVD GLVSRVLomR GL] $ULVWyWHOHV ³DLQGD QmR UHFHEHX XP QRPH HPERUD HOD VH DVVHPHOKH PXLWR j DPL]DGH´ $5.

67Ï7(/(6 eWLFD D 1LF{PDFRV S. 2 DXWRU SURVVHJXH DVVHJXUDQGR TXH ³FRP R FRPSOHPHQWR GD DIHLomR GD HPRomR H GD FRQYLYrQFLD´ $5.

  S. VHU DPiYHO SRGHULD VHU XP SUHQ~QFLR GR VHU DPLJR 3RUpP QD FDUrQFLD GHVVHV RXWURV DWULEXWRV D DPDELOLGDGH UHGX]LUVHLD D XP ³FRPR VH´ GD DPL]DGH ³FRPR VH IRVVH´ DPL]DGH $/%(521.

67Ï7(/(6 eWLFD D 1LF{PDFRV S. 'L] $ULVWyWHOHV TXH ³DV SHVVRDV DPiYHLV FRQYLYHP FRP DV GHPDLV GD PDQHLUD FHUWD PDV p FRP YLVWDV DR TXH p KRQURVR H FRQYHQLHQWH TXH HODV YLVDP D QmR FDXVDU GHVJRVWRV RX D FRQWULEXLU SDUD R SUD]HU (ODV SDUHFHP HIHWLYDPHQWH SUHRFXSDGDV FRP RV SUD]HUHV H GHVJRVWRV QR FRQYtYLR VRFLDO H VHPSUH TXH QmR OKHV IRU KRQURVR RX IRU SUHMXGLFLDO FRQWULEXLU SDUD R SUD]HU HODV VH UHFXVDUmR D ID]rOR´ $5.

. e QR /LYUR 9.67Ï7(/(6 eWLFD D 1LF{PDFRV S.. GD eWLFD D 1LF{PDFRV TXH $ULVWyWHOHV RFXSDVH GH H[DPLQDU D QDWXUH]D GD DPL]DGH 1HVVD GLUHomR HVFODUHFH GH LPHGLDWR TXH DPL]DGH VXS}H FRQYtYLR VHPHOKDQoD WHPSR H LQWLPLGDGH &RQWXGR VH R DPRU p HPRomR D DPL]DGH VHULD GLVSRVLomR GH FDUiWHU R TXH MXVWLILFD D UDFLRQDOLGDGH QD HVFROKD GR HOHQFR GRV QRVVRV DPLJRV $PL]DGH VXS}H SRUWDQWR XP SDFWR GH UHFLSURFLGDGH GH DIHLomR H GH JHQHURVLGDGH QR VHQWLPHQWR FRPR VH DFRPSDQKDGDV SRU DPLJRV DV SHVVRDV VH UHYHODVVHP PDLV FDSD]HV SDUD PHOKRU DJLU ³0HVPR TXDQGR YLDMDPRV SDUD RXWUDV WHUUDV SRGHPRV REVHUYDU D H[LVWrQFLD JHQHUDOL]DGD GH XPD DILQLGDGH H DIHLomR QDWXUDO HQWUH DV SHVVRDV $ DPL]DGH SDUHFH WDPEpP PDQWHU DV FLGDGHV XQLGDV H SDUHFH TXH RV OHJLVODGRUHV VH SUHRFXSDP PDLV FRP HOD GR TXH FRP D MXVWLoD HIHWLYDPHQWH D FRQFyUGLD SDUHFH DVVHPHOKDUVH j DPL]DGH H HOHV SURFXUDP DVVHJXUiOD PDLV TXH WXGR DR PHVPR WHPSR HP TXH UHSHOHP WDQWR TXDQWR SRVVtYHO R IDFFLRVLVPR TXH p D LQLPL]DGH QDV FLGDGHV 4XDQGR DV SHVVRDV VmR DPLJDV QmR WrP QHFHVVLGDGH GH MXVWLoD HQTXDQWR PHVPR TXDQGR VmR MXVWDV HODV QHFHVVLWDP GD DPL]DGH FRQVLGHUDVH TXH D PDLV DXWrQWLFD IRUPD GH MXVWLoD p XPD GLVSRVLomR DPLVWRVD ( D DPL]DGH QmR p VRPHQWH QHFHVViULD HOD WDPEpP p QRELOLWDQWH SRLV ORXYDPRV DV SHVVRDV DPLJDV GH VHXV DPLJRV H SHQVDPRV TXH XPD GDV FRLVDV PDLV QRELOLWDQWHV p WHU PXLWRV DPLJRV DOpP GLVVR Ki TXHP GLJD TXH D ERQGDGH H D DPL]DGH VH HQFRQWUDP QDV PHVPDV SHVVRDV´ $5.

&RPR VXEOLQKD 9LFWRULD &DPSV R FRQFHLWR DULVWRWpOLFR GH DPL]DGH p DULVWRFUiWLFR SRVWR TXH D SHUIHLWD DPL]DGH QmR VHULD H[DWDPHQWH DTXHOD HP TXH VH SURFXUD R DX[tOLR RX D DVVLVWrQFLD GR DPLJR 3HOR FRQWUiULR D SHUIHLWD DPL]DGH GHVLQWHUHVVDGD GHYHUi SRU LVVR PHVPR RFRUUHU HQWUH LJXDLV $ DPL]DGH DVVLP FRPSUHHQGLGD DFDUUHWDULD R UHFRQKHFLPHQWR GH VL QRV DWULEXWRV GR RXWUR 3DUD &DPSV ³HVVD DPL]DGH JUHJD YHP SDUD FREULU XPD QHFHVVLGDGH TXH D MXVWLoD QmR FKHJD D VDWLVID]HU SRU QmR SRGHU ID]rOR´ &$036  S.

 $ MXVWLoD GHIHQGH R LQGLYtGXR FRQWUD D DUELWUDULHGDGH GR RXWUR 0DV R ID] FRP D QHFHVViULD LPSDUFLDOLGDGH TXH D QRUPD RX D OHL DFDUUHWDP $ UHODomR HQWUH DPLJRV QmR VXS}H QHP D GHIHVD GH VL SHUDQWH R RXWUR H QHP D ULJLGH] GDV UHJXODo}HV H[WHUQDV TXH VH SUHWHQGHP XQLYHUVDLV 6HU SUHGLVSRVWR j DPL]DGH FRQGX] HQWUHWDQWR D XPD DWLWXGH TXH VH SUHGLVS}H VROLGiULD SDUD FRP WRGRV RV VHPHOKDQWHV 7DO GLVSRVLomR VROLGiULD UHTXHU R GHYHU GH WROHUDU GH VXSRUWDU R RXWUR GH QmR OKH VHU LQGLIHUHQWH 1RV WHUPRV GH 9LFWRULD &DPSV ³D VROLGDULHGDGH p XPD SUiWLFD TXH HVWi DR PHVPR WHPSR DTXpP H DOpP GD MXVWLoD D ILGHOLGDGH DR DPLJR D FRPSUHHQVmR DR PDOWUDWDGR R DSRLR DR SHUVHJXLGR D DSRVWD HP FDXVDV LPSRSXODUHV RX SHUGLGDV WXGR LVVR QmR VH SRGH FRQVWLWXLU SURSULDPHQWH FRPR GHYHU GH MXVWLoD PDV VLP FRPR GHYHU GH VROLGDULHGDGH´ &$036  S.

 $ GLVSRVLomR DPLVWRVD SDUD IRPHQWDU D FRQFyUGLD SDUHFHQRV VHU XP HOHPHQWR SULPRUGLDO QDV UHODo}HV SURILVVLRQDLV GD SUiWLFD HGXFDWLYD FDVR WHQKDPRV R SUySRVLWR GH FRQVWUXLU FROHWLYDPHQWH XPD pWLFD GD DPL]DGH RX QRV WHUPRV GH $QWyQLR 1yYRD GH ³FROHJLDOLGDGH GRFHQWH´ RX FRPR QRV GLULD DOJXP ERPVHQVR R FROHJXLVPR GDV Do}HV HP SURILVVmR 1Ï92$  S.

 $R GLVWLQJXLU DV YiULDV HVSpFLHV GH DPL]DGH $ULVWyWHOHV FRPHQWD D H[LVWrQFLD GH XP GDGR PRGR GH VH UHODFLRQDU FRP RV RXWURV TXH WHP D YHU FRP XP VXSRVWR LQWHUHVVH FRPXP $ DPL]DGH VHULD QHVVH FDVR HVSHFLILFDPHQWH GLUHFLRQDGD SDUD XP UXPR Mi GDGR H WHULD FRPR FRUROiULR D SHUVSHFWLYD GH VHU UHFLSURFDPHQWH ~WLO D WRGDV DV SDUWHV $SDUHQWHPHQWH WUDWDUVHLD GH XP PRGHOR PHQRU GH DPL]DGH FRQWXGR WDO UHIHUrQFLD FRQVWLWXLULD D EDVH GD FRQFyUGLD LPSUHVFLQGtYHO j DomR FROHWLYD H FROHJLDGD GDV SHVVRDV QD YLGD SURILVVLRQDO $ULVWyWHOHV UHFRQKHFH TXH QmR VH WUDWD DTXL GR WLSR PDLV SHUIHLWR GH DPL]DGH 3RUpP WUDWDVH GH SHQVDU D SRVVLELOLGDGH GR FRQYtYLR SHUDQWH SUiWLFDV GH DPDELOLGDGH DTXHOD GLVSRVLomR DPLVWRVD SDUD FRP R RXWUR PHVPR TXH R RXWUR QmR VHMD QHFHVVDULDPHQWH DOJXpP TXH SRU VHXV DWULEXWRV QDWXUDLV QyV WHQKDPRV DVVLQDODGR FRPR QRVVR DPLJR $VVXPLU D DPL]DGH FRPR XPD IRUPD GH FRQFyUGLD SDUD DVVRFLDomR GRV KRPHQV VXS}H DFUHGLWDU HP XPD GDGD SURSRUFLRQDOLGDGH GR VHQWLPHQWR WHQGR HP YLVWD D REWHQomR GR EHP FRPXP TXH QR FDVR VHULD XPD YDQWDJHP SDUD WRGRV RV HQYROYLGRV 3HQVDU D YLGD SURILVVLRQDO D SDUWLU GH XP ³FRPR VH´ GD DPL]DGH $/%(521.  S.

67Ï7(/(6 eWLFD D 1LF{PDFRV S. VLJQLILFD DERUGDU D GLPHQVmR GR GHYHU PDV SUHVVXS}H WDPEpP TXH DR WUDWDU RV RXWURV FRPR VH IRVVHP PHXV DPLJRV  DLQGD TXH SRU GHYHU GH FRQVFLrQFLD SURILVVLRQDO  HX REWHQKD SURYDYHOPHQWH XPD GRVH D PDLV GH YLGD ERD ILOLJUDQDV GH IHOLFLGDGH 3HOR WH[WR GH $ULVWyWHOHV ³ D DPL]DGH H D MXVWLoD SDUHFHP UHODFLRQDUVH FRP RV PHVPRV REMHWRV H PDQLIHVWDUVH HQWUH DV PHVPDV SHVVRDV 5HDOPHQWH SDUHFH TXH HP WRGDV DV IRUPDV GH DVVRFLDomR HQFRQWUDPRV DOJXPD IRUPD SHFXOLDU GH MXVWLoD H WDPEpP GH DPL]DGH QRWDVH SHOR PHQRV TXH DV SHVVRDV VH GLULJHP FRPR DPLJDV DRV VHXV FRPSDQKHLURV GH YLDJHP H DRV VHXV FDPDUDGDV GH VHUYLoR PLOLWDU WDQWR TXDQWR DRV VHXV SDUFHLURV HP TXDOTXHU HVSpFLH GH DVVRFLDomR 0DV D H[WHQVmR GH VXD DPL]DGH p OLPLWDGD DR kPELWR GH VXD DVVRFLDomR GD PHVPD IRUPD TXH D H[WHQVmR GD H[LVWrQFLD GD MXVWLoD HQWUH WDLV SHVVRDV 2 SURYpUELR µRV EHQV GRV DPLJRV VmR FRPXQV¶ p D H[SUHVVmR GD YHUGDGH SRLV D DPL]DGH GHSHQGH GD SDUWLFLSDomR 2V LUPmRV H RV PHPEURV GH XPD FRQIUDULD WrP WXGR HP FRPXP PDV DV RXWUDV SHVVRDV jV TXDLV QRV UHIHULPRV WrP VRPHQWH FHUWDV FRLVDV HP FRPXP ± DOJXPDV PDLV RXWUDV PHQRV ± SRLV QDV DPL]DGHV WDPEpP Ki PDLRU RX PHQRU LQWHQVLGDGH  $V UHLYLQGLFDo}HV GH MXVWLoD WDPEpP SDUHFHP DXPHQWDU FRP D LQWHQVLGDGH GD DPL]DGH H LVWR VLJQLILFD TXH D DPL]DGH H D MXVWLoD H[LVWHP HQWUH DV PHVPDV SHVVRDV H WrP XPD H[WHQVmR LJXDO´ $5.

7DO SURSRVLomR GH pWLFD GLULJLGD j GLVSRVLomR GR FDUiWHU SDUD UHODo}HV DPLVWRVDV H[LJH VREUHWXGR ³ERD YRQWDGH´ H[SUHVVmR TXH $ULVWyWHOHV GHILQH FRPR VHQGR ³XP LQtFLR GH DPL]DGH GD PHVPD IRUPD TXH R SUD]HU GH ROKDU p R LQtFLR GR DPRU´ $5.67Ï7(/(6 eWLFD D 1LF{PDFRV S.

 $ FRQFyUGLD VHULD SRU VHX WXUQR R LQGtFLR PDLV SOHQR GD ³DPL]DGH SROtWLFD´ >@  H SROtWLFD HP $ULVWyWHOHV p LQWHUHVVH S~EOLFR EHP FRPXP MXVWLoD H HTXLGDGH 2 REMHWLYR GD DVVRFLDomR SROtWLFD QmR VHULD SRLV DSHQDV R YLYHU HP FRQMXQWR PDV IXQGDPHQWDOPHQWH R EHP YLYHU HP FRQMXQWR H VH R KRPHP p IHLWR SDUD D VRFLHGDGH FLYLO p RItFLR GR KRPHP D ERD YRQWDGH QD FRQYLYrQFLD ± RQGH ³FDGD XP PHOKRU HQFRQWUD DTXLOR GH TXH QHFHVVLWD SDUD VHU IHOL]´ $5.67Ï7(/(6 7UDWDGR GD SROtWLFD S.

 $ pWLFD GH $ULVWyWHOHV QmR p XPD GLVSRVLomR GH FRUDomR p D UHYHODomR GD SRWrQFLD HP DWR GLVSRVWD D DJLU HP GLUHomR DR EHP FRPXP j IHOLFLGDGH S~EOLFD 2 WHPD GD pWLFD ± FRPR LQGDJDomR XQLYHUVDO TXH SHUFRUUH D KLVWyULD GR 2FLGHQWH ± WUDGX] QD FRQWHPSRUDQHLGDGH DQVHLRV H[SHFWDWLYDV FUHQoDV H GHVHMRV GRV VXMHLWRV VRFLDLV HP VHXV PDLV GLYHUVRV WHUULWyULRV $ SURFXUD GH YDORUHV PRUDLV GHVSHUWD SRU KWWSZZZKRWWRSRVFRPYLGHWXUFDUORWDKWP  KWWSZZZKRWWRSRVFRPYLGHWXUFDUORWDKWP  .

$ eWLFD GH $ULVWyWHOHV H D (GXFDomR 3DJH  RI  $ eWLFD GH $ULVWyWHOHV H D (GXFDomR 3DJH  RI  YH]HV VHQVLELOLGDGHV UHOLJLRVDV VHPHLD SODWDIRUPDV SROtWLFDV WUDGX] HVWDGRV GH HVStULWR ± PDLV RX PHQRV UDFLRQDLV 3DUD R EHP GR SRQWR GH YLVWD PRUDO FRPXPHQWH R VXMHLWR VH DILUPD VHPSUH GLVSRVWR 3HTXHQDV WUDLo}HV GHVVH EHP DSUHJRDGR  PD]HODV PLVpULDV FRWLGLDQDV SHTXHQH]DV  WHQGHP D VHU DPDLQDGDV RX FRQYHQLHQWHPHQWH ROYLGDGDV GD PHPyULD TXH FDGD LQGLYtGXR FRQVWUyL GH VHXV SUySULRV DWRV 3RUpP GD FRQYLFomR QHFHVVDULDPHQWH VH GHYHUi SURMHWDU SHORV XVRV H FRVWXPHV ± PDV WDPEpP SHOD FUHQoD ± KiELWRV GH YLGD pWLFD 3DUD UHFRUUHU jV SDODYUDV GH 9i]TXH] ³GR SRQWR GH YLVWD PRUDO R LQGLYtGXR GHYH VHPSUH HVWDU HP IRUPD SUHSDUDGR RX GLVSRVWR H LVWR p R TXH VH TXHULD GL]HU WUDGLFLRQDOPHQWH TXDQGR VH IDODYD QXPD SHVVRD YLUWXRVD FRPR GLVSRVWD VHPSUH D SUHIHULU R EHP H D UHDOL]iOR´ 9È=48(=  S.

 DLQGD TXH R VHU KXPDQR HQTXDQWR WDO VHMD LQWULQVHFDPHQWH VXMHLWR D IDOKDV GH SHUFXUVR TXDQGR RV LPSHUDWLYRV GD DomR VmR SRVWRV QD DomR URWLQHLUD >@  ³1D pWLFD VH GHEDWHP FRQIOLWRV GH DWLWXGHV QmR GH FUHQoDV 3RU XP ODGR D HGXFDomR pWLFD p XPD IRUPDomR GR JRVWR H GD VHQVLELOLGDGH HP GLUHomR D GHWHUPLQDGDV DWLWXGHV D FULDomR H D DTXLVLomR GH XP HWKRV QR VHQWLGR RULJLQiULR GH µFDUiWHU¶ H FRQMXQWR GH µKiELWRV¶ VHP SHUPLWLU TXH VH FDLD QD LQpUFLD GR µKDELWXDO¶ &RP WDO ILQDOLGDGH D HGXFDomR GHYH WHQGHU WDPEpP D IRUPDU D UD]mR DXW{QRPD TXH DVVXPH D UHVSRQVDELOLGDGH GH GHOLEHUDU DUJXPHQWDU H MXVWLILFDU VHXV SRQWRV GH YLVWD 6HP G~YLGD DOJXPD D PHOKRU YLD QmR GRJPiWLFD SDUD VH FRQVHJXLU HVVHV GRLV REMHWLYRV ± HGXFDomR GH DWLWXGHV H HGXFDomR QD DXWRQRPLD ± p R H[HPSOR WDPEpP QD UHWyULFD FOiVVLFD D SHUVRQDOLGDGH PRUDO GR RUDGRU FRQVWLWXtD XP HOHPHQWR LPSRUWDQWH SDUD DWUDLU D DWHQomR H D DGHVmR GR S~EOLFR 2 H[HPSOR SHUVXDGH GR YDORU LQWUtQVHFR D FHUWDV DWLWXGHV H D FHUWRV PRGRV GH MXOJDU $V LGpLDV VH LPS}HP TXDQGR VH VDEH GHIHQGrODV H D GHIHVD TXH UHYHOD VXDV SUySULDV SHUSOH[LGDGHV H DPELJLGDGHV  H VH PRVWUD FDSD] GH SRQGHUDU VREUH HODV  SRGH VHU PDLV FRQYLQFHQWH TXH XPD ILUPH H VHJXUD GHFODUDomR GH SULQFtSLRV´ &$036  S.

 6HULD FRQWXGR SRVVtYHO SHQVDU HP XP FRQVHQVR QR SODQR GD PRUDOLGDGH" 1Ro}HV GH %HP GH EHP FRPXP GH IHOLFLGDGH ± H DWp GH DPL]DGH ± WHULDP XP PtQLPR FRPXP SDVVtYHO GH VHU SRVWR FRPR XQLYHUVDO" 6DEHPRV TXH HP WDO HQFUX]LOKDGD VLWXDPVH LQ~PHURV GRV GHEDWHV H LPSDVVHV GR PXQGR FRQWHPSRUkQHR SDUWLFXODUPHQWH QR 2FLGHQWH 7UD]HQGR R WHPD SDUD R FHQiULR HGXFDWLYR FRPR SHQVDU D HGXFDomR SDUD R EHP DJLU" 3RU VHX WXUQR QmR QRV SDUHFHULD QHP VXILFLHQWH QHP DSURSULDGR H QHP PHVPR pWLFR DGHULU DR GLVFXUVR TXH DVVXPH FRP IUDQTXH]D R UHODWLYLVPR PRUDO H FXOWXUDO HP VXD UDGLFDOLGDGH PHGLDQWH D DUJXPHQWDomR GH TXH GLIHUHQWHV FXOWXUDV RX FRPXQLGDGHV SURMHWDP SDUD VL DFHSo}HV GLIHUHQFLDGDV GH EHP TXH GHYHUmR VHU YDOLGDGDV HQTXDQWR WDO SRVWR TXH IUXWR GD WUDGLomR H GR KiELWR 7DO UHODWLYL]DomR GD TXHVWmR pWLFD ± EDVWDQWH FRPXP QRV WHPSRV TXH FRUUHP ± UHYHUEHUD D QRomR GH TXH FRPSHWH D FDGD JUXSR VRFLDO HVWDWXLU VHX SUySULR FyGLJR GH YDORUHV H ± SRU GHFRUUrQFLD DLQGD TXH WDFLWDPHQWH  QmR VH SHQVD PDLV VREUH R DVVXQWR $ SOXUDOLGDGH FXOWXUDO OHYDGD DR VHX OLPLWH WRUQDULD LQyFXD D GLVFXVVmR SRVWR TXH SDUWH GD LGpLD GH TXH FDGD FRPXQLGDGH VH WRUQD ³ D PHGLGD GH WRGDV DV FRLVDV´ TXH QHOD WrP OXJDU &DEHULD WDOYH] GHIHQGHU D H[LVWrQFLD GH YDORUHV VRFLDLV TXH VH H[SUHVVHP FRPR YLUWXGHV HVSHFtILFDV SDVVtYHLV GH VHUHP UHSXWDGDV FRPR FDUDFWHUtVWLFDV GHVHMiYHLV HP GLVWLQWDV VRFLHGDGHV 'LVFHUQLPHQWR FRUDJHP ILGHOLGDGH SUXGrQFLD DPL]DGH QmR SRGHULDP FRPR HP $ULVWyWHOHV VHU SHQVDGRV HP VXD GLPHQVmR XQLYHUVDO" &RPR VXEOLQKD <YHV GH /D 7DLOOH R TXH GLIHUH QDV YDULDGDV VRFLHGDGHV VHULD DQWHV R WUDWDPHQWR FRQIHULGR D WDLV WHPDV $TXLOR TXH p FRQVLGHUDGR FRUDJHP HP XPD GDGD FXOWXUD QmR R VHULD QHFHVVDULDPHQWH HP RXWUD 3RUpP SURVVHJXH R HVWXGLRVR ³ .

//(  S. R IDWR GH KDYHU VpULDV GLVFRUGkQFLDV D UHVSHLWR GR TXH p D YHUGDGHLUD H[SUHVVmR GD FRUDJHP GD SUXGrQFLD RX GD KXPLOGDGH ORQJH GH GHSRU FRQWUD D LPSRUWkQFLD KXPDQD GR WHPD SHOR FRQWUiULR D UHIRUoD 3DUHFH TXH FDGD FXOWXUD HP JHUDO H FDGD LQGLYtGXR HP SDUWLFXODU VHQWHP D QHFHVVLGDGH GH SHQVDU H MXOJDU WDLV FDUDFWHUtVWLFDV KXPDQDV TXH UHVSRQGHP SHOR QRPH GH YLUWXGHV 3RUWDQWR QmR p D SUHVHQoD RX D DXVrQFLD GR SHQVDU VREUH YLUWXGHV TXH GLIHUHQFLD SHVVRDV RX FXOWXUDV PDV VLP D TXDOLGDGH GHVVH SHQVDU $VVLP FRPR D UDFLRQDOLGDGH H D PRUDO R WHPD GDV YLUWXGHV p XQLYHUVDO 7DQWR p YHUGDGH TXH QDV FRQYHUVDV GR FRWLGLDQR HODV HVWmR SUHVHQWHV H LVVR RFRUUH QmR VRPHQWH HQWUH RV DGXOWRV PDV WDPEpP HQWUH DV FULDQoDV /$ 7$.

´ +DYHULD GH DOJXPD IRUPD XPD UHODomR GH VLPSDWLD HQWUH R VHU KXPDQR H D YLUWXGH" &RPR XP FRPSRUWDPHQWR TXH IDYRUHFH R RXWUR H QmR HX PHVPR PDV jV PLQKDV FXVWDV SRGHUi VHU SRU PLP FRQVLGHUDGR FRUUHWR" &RPR VH Gi QR WDEXOHLUR VRFLDO R UHFRQKHFLPHQWR H D LGHQWLILFDomR GH YLUWXGHV SRVWXODGDV FRPR YiOLGDV SDUD WRGRV" 6H LVVR QmR IRU SRVVtYHO R TXH UHVWD GR GLVFXUVR VREUH D YLUWXGH DOpP GD UHODWLYLGDGH LQWUtQVHFD D TXDOTXHU QRUPD TXH R SXGHVVH UHJXODU" >@ 6XSHUDU R LPSDVVH WUDLoRHLUR GR UHODWLYLVPR pWLFR UHTXHUHULD WUDQVFHQGHU DOJXQV OLPLWHV FLUFXQVFULWRV D PXQGLYLGrQFLDV GH FRPXQLGDGHV RX DV SDUWLFXODULGDGHV GHVWD RX GDTXHOD FXOWXUD ORFDO ([LVWLULDP HP DOJXPD PHGLGD SDUkPHWURV SDVVtYHLV GH VHU WRPDGRV FRPR VXMHLWRV GH YDOLGDGH XQLYHUVDO ± DLQGD TXH VHMD SRU SDFWR RX FRQYHQomR TXH YHQKDPRV D HVWDEHOHFHU WDO GHPDUFDomR&RPR GHVWDFD &KDQJHX[ SRGHUVHLD UHFRQKHFHU QD PRWLYDomR PRUDO XPD DWLWXGH SUySULD GD HVSpFLH KXPDQD HPERUD ³R FULWpULR GD DomR PRUDO GRV FyGLJRV pWLFRV >VHMD@ XPD FRQVWUXomR FXOWXUDO KLVWRULFDPHQWH GHPDUFDGD HP FDGD VRFLHGDGH H HP FDGD pSRFD (VVHV YDORUHV pWLFRV XQLYHUVDLV FRUUHVSRQGHULDP D HVWUDWpJLDV DGTXLULGDV QD VREUHYLYrQFLD GRV LQGLYtGXRV GH QRVVD HVSpFLH RQGH D OLQJXDJHP IRUQHFH R PHLR FROHWLYR SDUD H[SUHVVDU R ERP PDV VREUHWXGR R ERP SDUD WRGRV´ &+$1*(8.  S.

QW\UH TXH DR VH UHIHULU j YLUWXGH GD MXVWLoD PDQLIHVWD DOJXPD KHVLWDomR SDUD FRQIHULU YDOLGDGH FRPXP j SHUFHSomR VRFLDO TXH R WHPD JDQKRX HP QRVVD pSRFD 2QGH ORFDOL]DU DOLFHUFHV FRPXQV SDUD VH UHIHULU DR WHPD" 1RV WHUPRV GR DXWRU ³4XDQGR ORXYRX D MXVWLoD FRPR SULPHLUD YLUWXGH GD YLGD SROtWLFD $ULVWyWHOHV R IH] GH PDQHLUD D VXJHULU TXH D FRPXQLGDGH TXH FDUHFH GH DFRUGR SUiWLFR FRP UHODomR D XP FRQFHLWR GH MXVWLoD WDPEpP GHYH FDUHFHU GD EDVH QHFHVViULD SDUD D FRPXQLGDGH SROtWLFD 3RUpP D IDOWD GH WDO EDVH GHYH SRUWDQWR DPHDoDU QRVVD SUySULD VRFLHGDGH 3RLV R UHVXOWDGR GHVVD KLVWyULD QmR WHP VLGR DSHQDV D LQFDSDFLGDGH GH FRQFRUGDU D UHVSHLWR GH XP FDWiORJR GDV YLUWXGHV H D LQFDSDFLGDGH DLQGD PDLV IXQGDPHQWDO GH FRQFRUGDU DFHUFD GD LPSRUWkQFLD UHODWLYD GRV FRQFHLWRV GH YLUWXGH GHQWUR GH XP HVTXHPD PRUDO QR TXDO DV QRo}HV GH GLUHLWRV H GH XWLOLGDGH WDPEpP WrP XP OXJDU HVVHQFLDO 7DPEpP WHP VLGR D LQFDSDFLGDGH GH FRQFRUGDU FRP UHODomR DR WHRU H R FDUiWHU GH GHWHUPLQDGDV YLUWXGHV -i TXH D YLUWXGH DJRUD p FRPSUHHQGLGD HP JHUDO FRPR XPD GLVSRVLomR RX VHQWLPHQWR TXH SURGX] HP QyV REHGLrQFLD D FHUWDV QRUPDV R DFRUGR FRP UHODomR D TXDLV VHUmR WDLV QRUPDV p VHPSUH SUpUHTXLVLWR SDUD R DFRUGR VREUH D QDWXUH]D H R WHRU GH GHWHUPLQDGD YLUWXGH 0DV HVVH DFRUGR SUpYLR TXDQWR j QRUPDV p DOJR TXH QRVVD FXOWXUD LQGLYLGXDOLVWD QmR SRGH RIHUHFHU´ 0$&.17<5(  S. $ GHVSHLWR GH SDUWLOKDUPRV GH WDO FRQYLFomR SDUHFH YiOLGR H[SOLFLWDU R DOHUWD H[SRVWR SRU 0DF.

 -RKQ 5DZOV VXJHUH TXH D WUDGLomR GR SHQVDPHQWR GHPRFUiWLFR WHULD SRU GHYHU DVVLQDODU D OLEHUGDGH H D LJXDOGDGH FRPR YDORUHV LUUHGXWtYHLV $ SDUWLU GHOHV SUHVVXS}HVH XP FRQMXQWR SULPHLUR GH YLUWXGHV TXH VmR ± QD HVVrQFLD ± R SUySULR VXSRVWR TXH RIHUHFH DV FRQGLo}HV SDUD VHU OLYUH H VHU LJXDO 3DUD FRQIHULU QD WUDGLomR OLEHUDO GHPRFUiWLFD GRV GLUHLWRV  TXH ILUPD SDUD R VHU KXPDQR H SDUD D FROHWLYLGDGH DV FRPSHWrQFLDV GD OLEHUGDGH H GD LJXDOGDGH  WHULD RFRUULGR XP FRQVHQVR SULPHLUR SDFWXDGR FRPR DUWHIDWR VRFLDO VHJXQGR R TXDO KDYHULD IDFXOGDGHV PRUDLV LQWULQVHFDPHQWH KXPDQDV GDV TXDLV FDGD LQGLYtGXR VHULD KWWSZZZKRWWRSRVFRPYLGHWXUFDUORWDKWP  KWWSZZZKRWWRSRVFRPYLGHWXUFDUORWDKWP  .

$ eWLFD GH $ULVWyWHOHV H D (GXFDomR 3DJH  RI  $ eWLFD GH $ULVWyWHOHV H D (GXFDomR 3DJH  RI  SRWHQFLDOPHQWH SRUWDGRU ³D VDEHU VHU FDSD] GH XP VHQVR GH MXVWLoD H GH XPD FRQFHSomR GR EHP 2 VHQVR GH MXVWLoD p D FDSDFLGDGH GH FRPSUHHQGHU DSOLFDU H UHVSHLWDU QRV VHXV DWRV D FRQFHSomR S~EOLFD GD MXVWLoD ( VHU FDSD] GH XPD FRQFHSomR GH EHP p SRGHU IRUPDU UHYLVDU H EXVFDU UDFLRQDOPHQWH XPD FRQFHSomR GH QRVVD YDQWDJHP RX EHP´ 5$:/6  S.

&2(85  S. 5DZOV SRQGHUD TXH WDO FRQVLGHUDomR GHULYD EDVLFDPHQWH GH XPD LGpLD LQWXLWLYD TXH QmR GHL[D FRQWXGR GH SRVVXLU YDOLGH] RSHUDWyULD 7DPEpP 3DXO 5LFRHXU GHILQLUi D pWLFD PHGLDQWH UHODo}HV GH FXLGDGR SDUD FRP RV RXWURV H RV RXWURV VmR VHPSUH RXWURV H QXQFD VHUmR HX PHVPR 3RU RXWUR ODGR VRPHQWH D SDUWLU GH VHX UHFRQKHFLPHQWR VRFLDO p TXH VH SRGHUi QD FROHWLYLGDGH DVVHJXUDU FULWpULRV SDUD UHJXODU LQWHQo}HV GH ³YLGD ERD FRP H SDUD RV RXWURV HP LQVWLWXLo}HV MXVWDV 3DXO 5.

´ 1RV WHUPRV GHVVH DXWRU ³6L LPSOLFD R RXWUR GH VL D ILP GH TXH VH SRVVD GL]HU GH DOJXpP TXH HOH VH HVWLPD D VL PHVPR FRPR XP RXWUR $ GL]HU D YHUGDGH p Vy SRU DEVWUDomR TXH VH SRGH IDODU HP HVWLPD GH VL VHP S{OD HP GXSOD FRP XPD GHPDQGD GH UHFLSURFLGDGH VHJXQGR XP HVTXHPD GH HVWLPD FUX]DGR TXH UHVXPH D H[FODPDomR WX WDPEpP WX WDPEpP pV XP VHU GH LQLFLDWLYD H GH HVFROKD FDSD] GH DJLU VHJXQGR UD]}HV GH KLHUDUTXL]DU WHXV ILQV H HVWLPDQGR ERQV RV REMHWRV GD WXD EXVFD pV FDSD] GH HVWLPDU D WL PHVPR 2 RXWUR p DVVLP DTXHOH TXH SRGH GL]HU HX FRPR HX H FRPR HX VHU FRQVLGHUDGR XP DJHQWH DXWRU H UHVSRQViYHO SHORV VHXV DWRV 'R FRQWUiULR QHQKXPD UHJUD GH UHFLSURFLGDGH VHULD SRVVtYHO 2 PLODJUH GD UHFLSURFLGDGH p TXH DV SHVVRDV VmR UHFRQKHFLGDV FRPR LQVXEVWLWXtYHLV XPDV jV RXWUDV QD SUySULD WURFD (VVD UHFLSURFLGDGH GRV LQVXEVWLWXtYHLV p R VHJUHGR GD VROLFLWXGH 9LYHU EHP FRP H SDUD R RXWUR HP LQVWLWXLo}HV MXVWDV 4XH D LQWHQomR GR EHP YLYHU HQYROYD GH DOJXP PRGR R VHQWLGR GD MXVWLoD LVVR p H[LJLGR SHOD SUySULD QRomR GR RXWUR 2 RXWUR p WDPEpP R RXWUR GR WX &RUUHODWLYDPHQWH D MXVWLoD HVWHQGHVH SDUD DOpP GR IDFHD IDFH 'XDV DVVHUo}HV HVWmR DTXL HP MRJR GH DFRUGR FRP D SULPHLUD R YLYHU EHP QmR VH OLPLWD jV UHODo}HV LQWHUSHVVRDLV PDV HVWHQGHVH j YLGD QDV LQVWLWXLo}HV GH DFRUGR FRP D VHJXQGD D MXVWLoD DSUHVHQWD WUDoRV pWLFRV TXH QmR HVWmR FRQWLGRV QD VROLFLWXGH D VDEHU HVVHQFLDOPHQWH XPD H[LJrQFLD GH LJXDOGDGH GH XPD HVSpFLH GLIHUHQWH GD GDTXHOD GD DPL]DGH  3RGHVH FRP HIHLWR FRPSUHHQGHU XPD LQVWLWXLomR FRPR XP VLVWHPD GH SDUWLOKD GH UHSDUWLomR TXH VH UHIHUH D GLUHLWRV H GHYHUHV UHQGLPHQWRV H SDWULP{QLRV UHVSRQVDELOLGDGHV H SRGHUHV YDQWDJHQV H HQFDUJRV e HVVH FDUiWHU GLVWULEXWLYR ± QR VHQWLGR DPSOR GD SDODYUD ± TXH S}H XP SUREOHPD GH MXVWLoD &RP HIHLWR XPD LQVWLWXLomR WHP XPD DPSOLGmR PDLV YDVWD GR TXH R IDFHDIDFH GD DPL]DGH H GR DPRU ´ 3DXO 5.&2(85  S.

VVR VXS}H HVFROKD H DGHVmR D GHWHUPLQDGRV YDORUHV PDV VXS}H WDPEpP R FRPSURPLVVR H D UHVSRQVDELOLGDGH SDUD PDQWHU H VXVWHQWDU D RSomR HIHWXDGD QD SDUWLFXODULGDGH GDV VLWXDo}HV YLYLGDV QR GLDDGLD 2 SURILVVLRQDOLVPR SRGHULD VHU SHQVDGR FRPR D DGHTXDomR GH WDO ILQDOLGDGH QD YLGD URWLQHLUD GDV LQVWLWXLo}HV &RP R ILWR GH DR PHQRV WDQJHQFLDU D GLPHQVmR SHGDJyJLFD TXH R WHPD DFDUUHWD SRGHUtDPRV FRQFOXLU PHGLWDQGR VREUH D SHUWLQrQFLD GD UHIOH[mR pWLFD GH $ULVWyWHOHV SDUD DERUGDUPRV QRVVDV DWXDLV UHODo}HV GH WUDEDOKR FRP QRVVRV DOXQRV FRP QRVVRV FROHJDV FRP QRVVRV SDUHV HQILP 6H D pWLFD UHTXHU D YLGD DWLYD ± TXH p R TXH FDUDFWHUL]D D SUySULD FRQGLomR KXPDQD ± R LQGLYtGXR DWXD FRPR VHU pWLFR SHUDQWH RV RXWURV 1mR VH SRGH VHU pWLFR TXDQGR QmR VH FRQYLYH p SRUWDQWR D HVIHUD S~EOLFD H FROHWLYD TXH SRVVLELOLWD D H[SUHVVmR GD YLUWXGH 6H SRU VXD YH] D YLGD ERD DFDUUHWD IHOLFLGDGH H VH D YLGD ERD p D YLGD GLJQD SDUHFH OtFLWR FRQIHULU VLJQLILFDGRV FRPXQV H SDUWLOKDGRV jV Do}HV LQGLYLGXDLV WRPDGDV HP UHODomR DRV RXWURV $OpP GLVVR DV YLUWXGHV GR FRPSRUWDPHQWR WUDGX]HPVH QR KiELWR H QmR QR SRVWXODGR GH LQWHQo}HV 6HUi SRUWDQWR QHFHVViULR SHUFRUUHU FRP pWLFD D SUySULD YLGD SRVWR TXH p PDLV WUDEDOKRVR DJLU SHOR EHP GR TXH GL]rOR 7DO FXLGDGR MXVWLILFDVH WDPEpP TXDQGR QRV DSUHVHQWDPRV jV JHUDo}HV PDLV MRYHQV 4XDLV VmR RV H[HPSORV TXH HQVLQDP ± SHOD pWLFD GR KiELWR ± DV YLUWXGHV TXH GH IDWR PHUHFHP VHU YDORUL]DGDV" 3DUD $ULVWyWHOHV pWLFD H SROtWLFD VmR SUiWLFDV TXH VH GHILQHP SHOD DomR $JLQGR HWLFDPHQWH p TXH DGTXLUR D SUiWLFD GD YLUWXGH (GXFDQGR FRP FRUUHomR p TXH QRV WRUQDPRV HGXFDGRUHV $OpP GLVVR HGXFDU VXS}H D PLPHVLV LPLWDomR GH Do}HV H[HPSODUHV 'LUi R DXWRU GD 3RpWLFD TXH ³VHJXQGR R FDUiWHU DV SHVVRDV VmR WDLV RX WDLV PDV p VHJXQGR DV Do}HV TXH VmR IHOL]HV RX R FRQWUiULR 3RUWDQWR DV SHUVRQDJHQV QmR DJHP SDUD LPLWDU RV FDUDFWHUHV PDV DGTXLUHP RV FDUDFWHUHV JUDoDV jV Do}HV $VVLP DV Do}HV H D IiEXOD FRQVWLWXHP D ILQDOLGDGH GD WUDJpGLD H HP WXGR D ILQDOLGDGH p R TXH PDLV LPSRUWD´ $5.67Ï7(/(6 $UWH 3RpWLFD S. 6HMD FRPR IRU D LGpLD GH pWLFD ± FRPSURPHWLGD FRP R HVSDoR S~EOLFR ± QR TXDO R LQGLYtGXR VH GDUi D YHU VLWXDVH FRPR UHIOH[mR VREUH R VXMHLWR j SURFXUD GH QRUPDV SDVVtYHLV GH DQFRUDU VHX SDGUmR GH FRQGXWD .

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 +DYHULD SRU VHU DVVLP DOJXP HQYROYLPHQWR VXEMHWLYR QR GUDPD (VWH VH WRUQD VXMHLWR SDUD R PHVWUH H SDUD R DSUHQGL] 'Dt D PDJLD GD DomR HGXFDWLYD TXDQGR DVVXPLPRV D FRQIOXrQFLD SURSRVWD SRU $ULVWyWHOHV GHVVD LPLWDomRUHSUHVHQWDomR GR ERP GR EHOR H GR EHP ± WUtDGH QHFHVViULD SDUD SHQVDU D IRUPDomR GD YLUWXGH DR HGXFDU 7UDWDVH GH KiELWRV QR MXVWR PHLR SHOD SUXGrQFLD GR GLVFHUQLPHQWR DOLFHUoDGRV SHOD HTXLGDGH GDV SUiWLFDV H GH FULDo}HV GH URWLQDV H GH ULWXDLV FROHWLYRV S~EOLFRV H GLULJLGRV DR EHP FRPXP H SRUWDQWR j IHOLFLGDGH  FRPR VH IRVVH SRU DPL]DGH 5HIHUrQFLDV %LEOLRJUiILFDV $%%$*1$12 1LFROD +LVWyULD GD )LORVRILD YROXPH .1 ePLOH &KDUWLHU. HG /LVERD 3UHVHQoD  $/$.

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EpULFD ± TXH D REUD DULVWRWpOLFD YROWDUi D VHU OLGD QD HXURSD PDV Mi WUDGX]LGD SDUD R iUDEH H SDUD R KHEUDLFR $VVLP GXUDQWH YiULRV VpFXORV D REUD GH $ULVWyWHOHV HLVWLX HP iUDEH KHEUDLFR H ODWLP HFODVLiVWLFR GH PRGR TXH D REUD QmR HUD OLGD QR RULJLQDO ³ &KDXt  S. >@ ³'XUDQWH D .GDGH 0pGLD VHUi SRU LQWHUPpGLR GRV iUDEHV ± FRP D FRQTXLVWD GD UHJLmR GR 0HGLWHUUkQHR H GD 3HQtQVXOD .

>@ 1RWHVH TXH ± FRPR DGYHUWH $ULVWyWHOHV ± Ki H[FHo}HV SDUD D DFHSomR GH MXVWR PHLR FRPR FDWHJRULD RSHUDWyULD +DYHULD DOJXPDV Do}HV TXH HP KLSyWHVH DOJXPD SRGHULDP DGPLWLU R PHLR WHUPR VHP R FXVWR GD SUySULD YLUWXGH Mi TXH VHXV QRPHV FRQWrP ± SRU GHILQLomR ± D PDOGDGH H D LQMXVWLoD GHVSHLWR LQYHMD DGXOWpULR URXER DVVDVVLQDWR HWF &RPR DVVLQDOD R DXWRU R PDO SDUD WDLV FDVRV QmR UHVLGLULD QR H[FHVVR RX QD GHILFLrQFLD PDV QR SUySULR DWR 3RU VXDV SDODYUDV ³WDPSRXFR D ERQGDGH RX PDOGDGH D UHVSHLWR GH WDLV HPRo}HV H Do}HV GHSHQGH SRU H[HPSOR GH FRPHWHU DGXOWpULR FRP D PXOKHU FHUWD QR PRPHQWR FHUWR H GH PRGR FHUWR PDV VLPSOHVPHQWH VHQWLU TXDOTXHU GHVWDV HPRo}HV RX SUDWLFDU TXDOTXHU GHVWDV Do}HV p XP HUUR 6HULD LJXDOPHQWH DEVXUGR HQWmR HVSHUDU TXH HP Do}HV LQMXVWDV FRYDUGHV H OLELGLQRVDV KRXYHVVH XP PHLR WHUPR XP H[FHVVR H XPD IDOWD SRLV VHULD SUHFLVR DGPLWLU D H[LVWrQFLD GH XP PHLR WHUPR GH H[FHVVR H GH IDOWD GH XP H[FHVVR GH H[FHVVR H GH XPD IDOWD GH IDOWD´ $ULVWyWHOHV eWLFD D 1LF{PDFRV S.

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 >@ ³$ FRQFyUGLD WDPEpP SDUHFH XP VHQWLPHQWR DPLVWRVR HOD QmR p HQWUHWDQWR LGHQWLGDGH GH RSLQLmR SRLV LVWR SRGHULD RFRUUHU DWp FRP SHVVRDV TXH QmR VH FRQKHFHP WDPSRXFR GL]HPRV TXH Ki FRQFyUGLD HQWUH DV SHVVRDV TXH WrP RV PHVPRV SRQWRV GH YLVWD VREUH WRGRV H TXDLVTXHU DVVXQWRV ± SRU H[HPSOR DV SHVVRDV TXH FRQFRUGDP DFHUFD GRV FRUSRV FHOHVWHV D FRQFyUGLD D HVWH UHVSHLWR QmR p XP VHQWLPHQWR DPLVWRVR.

 PDV GL]HPRV TXH Ki FRQFyUGLD QXPD FLGDGH TXDQGR VHXV KDELWDQWHV WrP D PHVPD RSLQLmR DFHUFD GDTXLOR TXH p GH VHX LQWHUHVVH H HVFROKHP DV PHVPDV Do}HV H ID]HP R TXH UHVROYHP HP FRPXP 'L]HPRV SRUWDQWR TXH Ki FRQFyUGLD HQWUH DV SHVVRDV HP UHODomR D DWRV D VHU SUDWLFDGRV H TXDQGR HVWHV DWRV SRGHP WHU FRQVHTrQFLDV H TXDQGR p SRVVtYHO TXH QHOHV GXDV SDUWHV RX WRGDV HODV REWHQKDP R TXH GHVHMDP´ $5.67Ï7(/(6 eWLFD D 1LF{PDFRV S.

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$ULVWyWHOHV GL]LD TXH D µYLUWXGH p XP KiELWR¶ RX VHMD XP WLSR GH FRPSRUWDPHQWR TXH VH UHSHWH RX XPD GLVSRVLomR DGTXLULGD H XQLIRUPH GH DJLU GH XP PRGR GHWHUPLQDGR $ UHDOL]DomR GD PRUDO SRU SDUWH GH XP LQGLYtGXR p SRU FRQVHTrQFLD R H[HUFtFLR FRQVWDQWH H HVWiYHO GDTXLOR TXH HVWi LQVFULWR QR VHX FDUiWHU FRPR XPD GLVSRVLomR RX FDSDFLGDGH GH ID]HU R EHP RX VHMD FRPR XPD YLUWXGH 2 LQGLYtGXR FRQWULEXL DVVLP LVWR p FRP VXDV YLUWXGHV.

SDUD D UHDOL]DomR GD PRUDO QmR PHGLDQWH DWRV H[WUDRUGLQiULRV RX SULYLOHJLDGRV TXH VmR SUySULRV GR KHUyL RX GD SHUVRQDOLGDGH H[FHSFLRQDO.

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$ eWLFD GH $ULVWyWHOHV H D (GXFDomR 3DJH  RI  >@ ³'HYH ILFDU FODUR TXH R UHODWLYLVPR pWLFR QmR FRQVLVWH HP S{U HP UHODomR XPD QRUPD FRP XPD FRPXQLGDGH UHVSHFWLYD PDV HP VXVWHQWDU TXH GRLV MXt]RV QRUPDWLYRV GLVWLQWRV RX RSRVWRV D UHVSHLWR GR PHVPR DWR WrP D PHVPD YDOLGDGH 0DV R IDWR GH TXH GXDV QRUPDV XPD UDFLVWD H RXWUD DQWLUDFLVWD SRU H[HPSOR.

UHILUDPVH D GLIHUHQWHV H RSRVWDV QHFHVVLGDGHV VRFLDLV QmR VLJQLILFD TXH VHMDP LJXDOPHQWH YiOLGDV 6XDV UHODo}HV UHVSHFWLYDV FRP RV LQWHUHVVHV H DV QHFHVVLGDGHV GH XP VHWRU VRFLDO MXVWLILFDP VRPHQWH XPD YDOLGDGH UHODWLYD PDV D YDOLGDGH GH XPD GHVWDV QRUPDV D UDFLVWD.

QmR SRGH HVWHQGHUVH DOpP GRV OLPLWHV HVWUHLWRV GD FRPXQLGDGH FXMRV LQWHUHVVHV H QHFHVVLGDGHV H[SUHVVD 1D PHGLGD HP TXH WUDQVFHQGH HVWHV OLPLWHV ± H QmR SRGH GHL[DU GH WUDQVFHQGrORV SRUTXH DV VXDV FRQVHTrQFLDV DIHWDP RV PHPEURV GH RXWUD FRPXQLGDGH  R YiOLGR RX MXVWR VH UHYHOD FRPR LQYiOLGR RX LQMXVWR SUHFLVDPHQWH SHOD LPSRVVLELOLGDGH GH WUDQVFHQGHU D VXD SDUWLFXODULGDGH 9È=48(=  S.

 KWWSZZZKRWWRSRVFRPYLGHWXUFDUORWDKWP  .