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Colégio Ateneu Santista

Química Ambiental
Curso – Técnico em Meio Ambiente
Professora – Anália Christina Pereira Caires
QUÍMICA AMBIENTAL - Teoria

1. Introdução

A Química Ambiental originou-se da Química clássica e hoje é uma ciência interdisciplinar


por envolver não só as áreas básicas da Química como também a Biologia, a Geologia, a
Ecologia e a Engenharia Sanitária. A Química Ambiental estuda os processos químicos
(mudanças) que ocorrem no meio ambiente. Essas mudanças podem ser naturais ou
causadas pelo homem e em alguns casos podem trazer sérios danos à humanidade.
Atualmente há uma grande preocupação em entender a química do meio ambiente, com o
objetivo de melhorar a qualidade de vida em nosso planeta.

1.1. Noção de Poluição e Poluentes.

1.1.1. Poluição
Considera-se poluição das águas, a presença, o lançamento ou a liberação, nas mesmas,
de toda e qualquer forma de matéria ou energia, com intensidade em quantidade, de con-
centração ou características em desacordo com as que foram legalmente estabelecidas,
ou que tornem ou possam tornar as águas:
 impróprias, nocivas ou ofensivas à saúde;
 inconvenientes ao bem-estar público;
 danosas aos materiais, à fauna e à flora;
 prejudiciais à segurança, ao uso e gozo da propriedade e às atividades normais da
comunidade,

1.1.2. Poluente
Considera-se poluente das águas toda e qualquer forma de matéria ou energia que, direta
ou indiretamente, causa poluição das águas.

1.1.3. Contaminação
Considera-se contaminação a água que contiver organismos patogênicos, substâncias tó-
xicas ou resíduos radioativos e outros contaminantes (agentes contaminantes) que consti-
tuam perigo para a saúde pública. Nessas condições toda água contaminada é urna água
poluída, mas nem toda água poluída é contaminada.

1.2. Tipos de poluição


a) Sólida – areia, areia grossa, terra, cinzas, varreduras de qualquer fábrica, mina,
pedreira ou casa; qualquer lama ou matéria sólida de /esgoto i qualquer vegetal ou
outro lixo, sobras ou partes da carcaça de qualquer animal, borracha, madeira pa-
lha, papel ou polpa de papel, e mesmo pão e manteiga.
b) Líquido - material dissolvido, materiais em suspensão, gases dissolvidos

1.3. Classificação dos tipos de poluição das águas


Urna classificação dos tipos de poluição encontrados nos esgotos e águas residuárias in-
dustriais e comerciais é dada na tabela abaixo.

Química Física Fisiológica Biológica


Orgânica – compostos de Cor Gosto Bactérias (patogênicas)
carbono Turbidez Odor Vírus
Inorgânica – compostos Temperatura Animais
minerais Materiais em Suspensão Vegetais
Espuma
Radioatividade

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2. Química ambiental das águas

2.1. Propriedades da Água


A água é o composto químico mais abundante na Terra. Pode ser encontrada na nature-
za em três estados físicos: sólido (gelo), líquido (água líquida) e gasoso (vapor). Algumas
de suas propriedades estão listadas na tabela abaixo:

Propriedades Efeitos e importância


Transporta nutriente e outros produtos, possibilitando pro-
Excelente solvente
cessos biológicos em meio aquoso.
Maior constante dielétrica do que qualquer lí- Alta solubilidade de substâncias iônicas e suas ionizações
quido comum em solução.
Maior tensão superficial do que qualquer outro Controla toda fisiologia aquática, governa os fenômenos do
líquido fundo até a superfície.
Transparente ao visível e a maior fração do Incolor, permitindo que a luz requerida para a fotossíntese
comprimento de onda da luz ultravioleta alcance profundidades consideráveis nos corpos d'água.
O gelo flutua; circulação vertical restringida nas diversas
Densidade máxima como líquido a 4ºC
camadas dos corpos d'água
Determina a transferência de calor e de moléculas entre a
Mais elevado calor de evaporação
atmosfera e os corpos d'água
Maior calor latente de fusão do que qualquer A temperatura é estabilizada no ponto de congelamento da
outro líquido, exceto a amônia água
Maior capacidade calorífica do que qualquer Estabilização da temperatura de organismos e regiões geo-
outro líquido, exceto a amônia gráficas

2.2. Legislação e padrões para águas


As normas e os padrões de potabilidade são definidos pelo Ministério da Saúde para a
certificação de que a água não apresenta nenhum risco para a saúde humana. Esses pa-
drões representam em geral os valores máximos permitidos (VMP) de concentração de
uma série de substâncias e componentes presentes na água destinada ao consumo hu-
mano. É importante ressaltar que os padrões não se restringem às substâncias que po-
dem causar danos à saúde, eles incluem também as substâncias que alteram o aspecto e
o gosto da água, ou causar algum tipo de odor.
A norma atual em vigor é a Portaria 518 de 25/03/2004, que substituiu a portaria 1469. Ela
indica os padrões obtidos por estudos epidemiológicos e toxicológicos realizados por enti-
dades e pesquisadores em todo mundo.
No Brasil o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), por meio da resolução nº
357, de 17/03/2005, estabelece os padrões de qualidade de corpos aquáticos, bem como
os lançamentos de efluentes. As águas residuais, após tratamento, devem atender aos
limites máximos e mínimos estabelecidos pela referida resolução, e os corpos d'água re-
ceptores não devem ter sua qualidade alterada. O padrão de lançamento de efluentes po-
de ser excedido desde que os padrões de qualidade dos corpos d'água sejam mantidos e
desde que haja autorização do órgão fiscalizador, resultante de estudos de impacto ambi-
ental. A origem da água residual a ser tratada pode ser doméstica, industrial ou uma mis-
tura de ambas. O nível de tratamento desejado ou exigido por lei depende das caracterís-
ticas do próprio esgoto e do padrão de lançamento ou mesmo se a água residual tratada
for reutilizada. De um modo geral o que se deseja remover das águas residuais é matéria

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orgânica, sólidos em suspensão, compostos tóxicos, recalcitrantes, nutrientes (nitrogênio


e fósforo) e organismos patogênicos.

2.3. Ciclo das águas


O planeta Terra poderia se chamar "planeta água", já que cerca de ¾ de sua superfície
terrestre é constituído por água. Deste total 97,50% é água salgada, contida nos oceanos
e mares. É importante ressaltar que apenas 0,77% dessa água são imediatamente apro-
veitável para as atividades humanas (a maior parte, águas subterrâneas). Cerca de 1,70%
da água doce se encontra nas Calotas polares e nas geleiras e 0,017% distribuídas entre
o solo, rios e lagos e na atmosfera.
O Brasil detém 8% do potencial de água potável do mundo, sendo que 80% estão con-
centrados na Amazônia e 20% no restante do país.

A reposição natural da água no planeta é constante em virtude de um ciclo dinâmico que


envolve as várias mudanças de estado físico da água. A água evapora da superfície da
Terra, o vapor de água se condensa e formam as nuvens, o vapor de água volta para a
terra como chuva, uma parte para mares, rios e lagos e outra penetra no solo.
O ciclo hidrológico, através da evaporação das águas oceânicas e da precipitação, é o
principal responsável pela reposição da água doce encontrada no planeta.
A água pura (H2O) é um líquido formado por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio
e os cientistas acreditam que apareceu no planeta a cerca de 4,5 bilhões de anos atrás.
O ciclo da água, também denominado ciclo hidrológico, é responsável pela renovação da
água no planeta. O ciclo da água inicia-se com a energia solar, incidente no planeta Terra,
que é responsável pela evaporação e transpiração das águas dos rios, reservatórios e
mares, bem como pela transpiração das plantas.
As forças da natureza são responsáveis pelo ciclo da água. A água é fator decisivo para
que a vida surgisse e se desenvolvesse na Terra.
O vapor d'água forma as nuvens, cuja movimentação sofre influência do movimento de ro-
tação da Terra e das correntes atmosféricas.
A condensação do vapor d'água forma as chuvas. Quando a água das chuvas atinge a
terra, ocorre dois fenômenos: um deles consiste no seu escoamento superficial em dire-
ção dos canais de menor declividade, alimentando diretamente os rios e o outro, a infiltra-
ção no solo, alimentando os lençóis subterrâneos.
A água dos rios tem como destino final os mares e, assim, fechando o ciclo das águas. A
movimentação da água na natureza é mostrada na figura a seguir.

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O volume total da água permanece constante no planeta, sendo estimado em torno de 1,5
bilhão de quilômetros cúbicos. Os oceanos constituem cerca de 97,5% de toda a água do
planeta. Dos 2,5 % restantes, aproximadamente 1,9% estão localizados nas calotas pola-
res e nas geleiras, enquanto apenas 0,6 % é encontrado na forma de água subterrânea,
em lagos, rios e também na atmosfera, como vapor d'água.

2.4. Variáveis para controle da qualidade das águas

2.4.1. Variáveis Químicas


2.4.1.1. Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO)
A Demanda Bioquímica de Oxigênio corresponde à quantidade de oxigênio necessária
para ocorrer à oxidação da matéria orgânica biodegradável sob condições aeróbicas. É a
quantidade de oxigênio utilizada na oxidação bioquímica da matéria orgânica, num deter-
minado período de tempo e é expressa geralmente em miligramas de oxigênio por litro.
A Demanda Bioquímica de Oxigênio é importante para verificar-se a quantidade de oxigê-
nio necessária para estabilizar a matéria orgânica. Esta medida da quantidade de oxigê-
nio consumido no processo biológico de oxidação da matéria orgânica permite chegar à
conclusão de que grandes quantidades de matéria orgânica utilizam grandes quantidades
de oxigênio, assim, quanto maior o grau de poluição, maior será pó valor da DBO.
A presença de um alto teor de matéria orgânica pode induzir ao completo esgotamento do
oxigênio na água, provocando o desaparecimento de peixes e outras formas de vida a-
quática.
Um elevado valor da DBO pode indicar um incremento da microflora presente e interferir
no equilíbrio da vida aquática, além de produzir sabores e odores desagradáveis e, ainda,
pode obstruir os filtros de areia utilizados nas estações de tratamento de água.
No campo do tratamento de esgotos, a DBO é um parâmetro importante no controle das
eficiências das estações, tanto de tratamentos biológicos aeróbios e anaeróbios, bem co-
mo físico-químicos (embora de fato ocorra demanda de oxigênio apenas nos processos
aeróbios, a demanda “potencial” pode ser medida à entrada e à saída de qualquer tipo de

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tratamento). Na legislação a DBO de cinco dias é padrão de emissão de esgotos direta-


mente nos corpos d’água, sendo exigidos ou uma DBO 5,20 máxima de 60 mg/L ou uma e-
ficiência global mínima do processo de tratamento na remoção de DBO igual a 80%. Este
último critério favorece aos efluentes industriais concentrados, que podem ser lançados
com valores de DBO ainda altos.
A carga de DBO, expressa em Kg/dia, é um parâmetro fundamental no projeto das esta-
ções de tratamento biológico. Dela resultam as principais características do sistema de
tratamento como áreas e volumes de tanques, potências de aeradores, etc. Na tabela 1
são apresentados valores típicos de concentração e contribuição unitária de DBO.

Tabela 1 - Concentrações e contribuições unitárias típicas de DBO5,20 de efluentes


industriais

Concentração DBO Contribuição Unitária de DBO


Tipo de Efluente ( mg/l) (kg/dia)
Faixa Valor típico Faixa Valor típico
Esgoto sanitário 110-400 220 54 g/hab. dia
Esgoto sanitário 300 29.2 a 42,7 kg/t -
Têxtil 250-600 - -
Laticínio 1.000-1.500 - 1,5-1,8 kg/m3 leite -
Abatedouro bovino - 1.125 - 6,3 kg/1.000 kg peso vivo
Curtume (ao cromo) - 2.500 - 88 kg/t pele salgada
Cervejaria - 1.718 - 10,4 kg/m3 cerveja
Refrigerante - 1.188 - 4,8 kg/m3 refrigerante
Suco cítrico concentrado - - - 2,0 kg/1000 kg laranja
Petroquímica - - - -
Açúcar e álcool - 25.000 - -

2.4.1.2. Demanda Química de Oxigênio (DQO)


A Demanda Química de Oxigênio, identificada pela sigla DQO, é um parâmetro indispen-
sável nos estudos de caracterização de esgotos sanitários e de efluentes industriais, ela
avalia a quantidade de oxigênio dissolvido (OD) consumido em meio ácido que leva à de-
gradação de matéria orgânica.
A análise dos valores de DQO em efluentes e em águas de superfície é uma das mais
expressivas para determinação do grau de poluição da água, esta análise reflete a quan-
tidade total de componentes oxidáveis, seja carbono ou hidrogênio de hidrocarbonetos,
nitrogênio (de proteínas, por exemplo), ou enxofre e fósforo de detergentes.
A DQO pode ser considerada como um processo de oxidação química, onde se emprega
o dicromato de potássio (K2Cr2O7). Neste processo, o carbono orgânico de um carboidra-
to, por exemplo, é convertido em gás carbônico e água.
Sabe-se que o poder de oxidação do dicromato de potássio é maior do que o que resulta
mediante a ação de microrganismos. A resistência de substâncias aos ataques biológicos
levou à necessidade de fazer uso de produtos químicos, sendo a matéria orgânica neste
caso oxidada mediante um oxidante químico. É justamente aí que a DQO se diferencia da
Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), onde é medida a quantidade de oxigênio ne-
cessária para ocorrer à oxidação da matéria orgânica biodegradável, ou seja, na DBO não
é necessário fazer uso de produtos químicos.
A DQO é muito útil quando utilizada juntamente com a DBO para observar a biodegrada-
bilidade de despejos. O método químico é mais rápido que o da DBO, tem duração de 2 a
3 horas enquanto que o outro equivale ao tempo de cinco dias.

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2.4.1.3. Óleos e Graxas


Os óleos e graxas são substâncias orgânicas de origem mineral, vegetal ou animal. Estas
substâncias geralmente são hidrocarbonetos, gorduras, ésteres, entre outros. São rara-
mente encontradas em águas naturais, normalmente oriundas de despejos e resíduos in-
dustriais, esgotos domésticos, efluentes de oficinas mecânicas, postos de gasolina, estra-
das e vias públicas. Óleos e graxas, de acordo com o procedimento analítico empregado,
consiste no conjunto de substâncias que em determinado solvente consegue-se extrair da
amostra e que não se volatiliza durante a evaporação do solvente a 100ºC. Essas subs-
tâncias, solúveis em n-hexano, compreendem ácidos graxos, gorduras animais, sabões,
graxas, óleos vegetais, ceras, óleos minerais, etc.
Os despejos de origem industrial são os que mais contribuem para o aumento de matérias
graxas no corpos d’água, entre eles os de refinarias, frigoríficos, saboarias, etc. A peque-
na solubilidade dos óleos e graxas constitui um fator negativo no que se refere à sua de-
gradação em unidades de tratamento de despejos por processos biológicos e, causam
problemas no tratamento d’água quando presentes em mananciais utilizados para abas-
tecimento público. A presença de material graxo nos corpos hídricos, além de acarretar
problemas de origem estética, diminui a área de contato entre a superfície da água e o ar
atmosférico, impedindo, dessa maneira, a transferência do oxigênio da atmosfera para a
água.
Os óleos e graxas em seu processo de decomposição reduzem o oxigênio dissolvido ele-
vando a DBO5,20 e a DQO, causando alteração no ecossistema aquático. Na legislação
brasileira não existe limite estabelecido para esse parâmetro.

2.4.1.4. Oxigênio Dissolvido (OD)


O oxigênio proveniente da atmosfera dissolve-se nas águas naturais, devido à diferença
de pressão parcial. A concentração de saturação de oxigênio em uma água superficial é
igual a 9,2 mg/L. A taxa de reintrodução de oxigênio dissolvido em águas naturais através
da superfície depende das características hidráulicas e é proporcional à velocidade, sen-
do que a taxa de reaeração superficial em uma cascata é maior do que a de um rio de ve-
locidade normal, que por sua vez apresenta taxa superior à de uma represa, coma veloci-
dade normalmente bastante baixa.
Outra fonte importante de oxigênio nas águas é a fotossíntese de algas. Este fenômeno
ocorre em maior proporção em águas eutrofizadas, ou seja, aquelas em que a decompo-
sição dos compostos orgânicos lançados levou à liberação de sais minerais no meio, es-
pecialmente os de nitrogênio e fósforo, que são utilizados como nutrientes pelas algas.
Esta fonte não é muito significativa nos trechos de rios à jusante de fortes lançamentos de
esgotos. A turbidez e a cor elevadas dificultam a penetração dos raios solares e apenas
poucas espécies resistentes às condições severas de poluição conseguem sobreviver. A
contribuição fotossintética de oxigênio só é expressiva após grande parte da atividade
bacteriana na decomposição de matéria orgânica ter ocorrido, bem como após terem se
desenvolvido também os protozoários que, além de decompositores, consomem bactérias
clarificando as águas e permitindo a penetração de luz.
Este efeito pode “mascarar” a avaliação do grau de poluição de uma água, quando se to-
ma por base apenas a concentração de oxigênio dissolvido. Sob este aspecto, águas po-
luídas são aquelas que apresentam baixa concentração de oxigênio dissolvido (devido ao
seu consumo na decomposição de compostos orgânicos), enquanto que as águas limpas
apresentam concentrações de oxigênio dissolvido elevadas, chegando até a um pouco
abaixo da concentração de saturação. No entanto, uma água eutrofizada pode apresen-
tar, durante o período diurno, concentrações de oxigênio bem superiores a 10 mg/L,

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mesmo em temperaturas superiores a 20°C, caracterizando uma situação de supersatu-


ração. Isto ocorre principalmente em lagos de baixa velocidade aonde chegam a se for-
mar crostas verdes de algas à superfície.
Nas lagoas de estabilização fotossintéticas, usadas para o tratamento de esgotos, recor-
re-se a esta fonte natural de oxigênio para a decomposição da matéria orgânica pelos mi-
crorganismos heterotróficos que, por sua vez, produzem gás carbônico, matéria-prima pa-
ra o processo fotossintético.
Existem outros processos de tratamento de esgotos em que a aeração do meio é feita ar-
tificialmente, empregando-se aeradores superficiais eletro-mecânico ou máquinas sopra-
doras de ar em tubulações, contendo difusores para a redução dos tamanhos das bolhas.
Novos sistemas de aeração vem sendo continuamente desenvolvidos. São utilizados
também processos nos quais, ao invés de aeração, introduz-se oxigênio puro diretamente
no reator biológico.
Uma adequada provisão de oxigênio dissolvido é essencial para a manutenção de pro-
cessos de autodepuração em sistemas aquáticos naturais e estações de tratamento de
esgotos. Através de medição do teor de oxigênio dissolvido, os efeitos de resíduos oxidá-
veis sobre águas receptoras e a eficiência do tratamento dos esgotos, durante a oxidação
bioquímica, podem ser avaliados. Os níveis de oxigênio dissolvido também indicam a ca-
pacidade de um corpo d’água natural manter a vida aquática.

2.4.1.5. Potencial Hidrogeniônico (pH)


Por influir em diversos equilíbrios químicos que ocorrem naturalmente ou em processos
unitários de tratamento de águas, o pH é um parâmetro importante em muitos estudos no
campo do saneamento ambiental.
A influência do pH sobre os ecossistemas aquáticos naturais dá-se diretamente devido a
seus efeitos sobre a fisiologia das diversas espécies. Também o efeito indireto é muito
importante podendo, em determinadas condições de pH, contribuírem para a precipitação
de elementos químicos tóxicos como metais pesados; outras condições podem exercer
efeitos sobre as solubilidades de nutrientes. Desta forma, as restrições de faixas de pH
são estabelecidas para as diversas classes de águas naturais, tanto de acordo com a le-
gislação federal, quanto pela legislação estadual. Os critérios de proteção à vida aquática
fixam o pH entre 6 e 9.

Nos sistemas biológicos formados nos tratamentos de esgotos, o pH é também uma con-
dição que influi decisivamente no processo. Normalmente, a condição de pH que corres-

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ponde à formação de um ecossistema mais diversificado e a um tratamento mais estável


é a de neutralidade, tanto em meios aeróbios como nos anaeróbios. Nos reatores anaeró-
bios, a acidificação do meio é acusada pelo decréscimo do pH do lodo, indicando situação
de desequilíbrio. A produção de ácidos orgânicos voláteis pelas bactérias acidificadoras e
a não utilização destes últimos pelas metanobactérias, é uma situação de desequilíbrio
que pode ser devido a diversas causas. O decréscimo no valor do pH que a princípio fun-
ciona como indicador do desequilíbrio, passa a ser causa se não for corrigido a tempo. É
possível que alguns efluentes industriais possam ser tratados biologicamente em seus va-
lores naturais de pH, por exemplo, em torno de 5,0. Nesta condição, o meio talvez não
permita uma grande diversificação hidrobiológica, mas pode acontecer que os grupos
mais resistentes, algumas bactérias e fungos, principalmente, tornem possível a manu-
tenção de um tratamento eficiente e estável. Mas, em geral, procede-se à neutralização
prévia do pH dos efluentes industriais antes de serem submetidos ao tratamento biológi-
co.
Nas estações de tratamento de águas, são várias as unidades cujo controle envolve as
determinações de pH. A coagulação e a floculação que a água sofre inicialmente é um
processo unitário dependente do pH; existe uma condição denominada “pH ótimo” de flo-
culação que corresponde à situação em que as partículas coloidais apresentam menor
quantidade de carga eletrostática superficial. A desinfecção pelo cloro é um outro proces-
so dependente do pH. Em meio ácido, a dissociação do ácido hipocloroso formando hipo-
clorito é menor, sendo o processo mais eficiente, conforme será visto. A própria distribui-
ção da água final é afetada pelo pH. Sabe-se que as águas ácidas são corrosivas, ao
passo que as alcalinas são incrustantes. Por isso, o pH da água final deve ser controlado,
para que os carbonatos presentes sejam equilibrados e não ocorra nenhum dos dois efei-
tos indesejados mencionados. O pH é padrão de potabilidade, devendo as águas para
abastecimento público apresentar valores entre 6,5 e 8,5, de acordo com a Portaria 1469
do Ministério da Saúde. Outros processos físico-químicos de tratamento, como o abran-
damento pela cal, são dependentes do pH.
No tratamento físico-químico de efluentes industriais muitos são os exemplos de reações
dependentes do pH: a precipitação química de metais pesados ocorre em pH elevado, à
oxidação química de cianeto ocorre em pH elevado, à redução do cromo hexavalente à
forma trivalente ocorre em pH baixo; a oxidação química de fenóis em pH baixo; a quebra
de emulsões oleosas mediante acidificação; o arraste de amônia convertida à forma ga-
sosa dá-se mediante elevação de pH, etc. Desta forma, o pH é um parâmetro importante
no controle dos processos físico-químicos de tratamento de efluentes industriais.

2.4.1.6. Condutividade
A condutividade é a expressão numérica da capacidade de uma água conduzir a corrente
elétrica. Depende das concentrações iônicas e da temperatura e indica a quantidade de
sais existentes na coluna d’água e, portanto, representa uma medida indireta da concen-
tração de poluentes. Em geral, níveis superiores a 100 µS/cm indicam ambientes impac-
tados.
A condutividade também fornece uma boa indicação das modificações na composição de
uma água, especialmente na sua concentração mineral, mas não fornece nenhuma indi-
cação das quantidades relativas dos vários componentes. A condutividade da água au-
menta à medida que mais sólidos dissolvidos são adicionados. Altos valores podem indi-
car características corrosivas da água.

2.4.1.7. Fenóis

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Os fenóis e seus derivados aparecem nas águas naturais através das descargas de eflu-
entes industriais. Indústrias de processamento da borracha, colas e adesivos, resinas im-
pregnantes, componentes elétricos (plásticos) e as siderúrgicas, entre outras, são respon-
sáveis pela presença de fenóis nas águas naturais.
Os fenóis são tóxicos ao homem, aos organismos aquáticos e microrganismos que tomam
parte dos sistemas de tratamento de esgotos sanitários e de efluentes industriais. Em sis-
temas de lodos ativados, concentrações de fenóis na faixa de 50 a 200 mg/L trazem inibi-
ção, sendo que 40 mg/L são suficientes para a inibição da nitrificação. Na digestão anae-
róbia, 100 a 200 mg/L de fenóis também provocam inibição. Estudos recentes têm de-
monstrado que, sob processo de aclimatação, concentrações de fenol superiores a 1000
mg/L podem ser admitidas em sistemas de lodos ativados. Em pesquisas em que o reator
biológico foi alimentado com cargas decrescentes de esgoto sanitário e com carga cons-
tante de efluente sintético em que o único tipo de substrato orgânico era o fenol puro,
conseguiu-se ao final a estabilidade do reator alimentado somente com o efluente sintéti-
co contendo 1000 mg/L de fenol.
Nas águas naturais, os padrões para os compostos fenólicos são bastante restritivos, tan-
to na legislação federal quanto na do Estado de São Paulo. Nas águas tratadas, os fenóis
reagem com o cloro livre formando os clorofenóis que produzem sabor e odor na água.

2.4.1.8. Metais
a) Alumínio (Al)
O alumínio e seus sais são usados no tratamento da água, como aditivo alimentar, na fa-
bricação de latas, telhas, papel alumínio, na indústria farmacêutica, etc. O alumínio atinge
a atmosfera como particulado, derivado de poeiras dos solos e por erosão originada da
combustão do carvão. Na água, o metal pode ocorrer em diferentes formas e é influencia-
do pelo pH, temperatura e presença de fluoretos, sulfatos, matéria orgânica e outros ligan-
tes. A solubilidade é baixa em pH entre 5,5 e 6,0. As concentrações de alumínio dissolvi-
do em águas com pH neutro variam de 0,001 a 0,05 mg/L, mas aumentam para 0,5-1
mg/L em águas mais ácidas ou ricas em matéria orgânica. Em águas com extrema aci-
dez, afetadas por descargas de mineração, as concentrações de alumínio dissolvido po-
dem ser maiores que 90 mg/L. Na água potável, os níveis do metal variam de acordo com
a fonte de água e com os coagulantes à base de alumínio que são usados no tratamento
da água. Estudos americanos mostraram que as concentrações de alumínio, na água tra-
tada com coagulante, variaram de 0,01 a 1,3 mg/L, com uma concentração média de 0,16
mg/L. O alumínio deve apresentar maiores concentrações em profundidade, onde o pH é
menor e pode ocorrer anaerobiose. Se a estratificação e conseqüente anaerobiose não
forem muito fortes, o teor de alumínio diminui no corpo de água como um todo, à medida
que se distancia a estação das chuvas. O aumento da concentração de alumínio está as-
sociado com o período de chuvas e, portanto, com a alta turbidez. Outro aspecto da quí-
mica do alumínio é sua dissolução no solo para neutralizar a entrada de ácidos com as
chuvas ácidas. Nesta forma, ele é extremamente tóxico à vegetação e pode ser escoado
para os corpos d’água.
A principal via de exposição humana não ocupacional é pela ingestão de alimentos e á-
gua. Não há indicações de que o alumínio apresente toxicidade aguda por via oral, apesar
de ampla ocorrência em alimentos, água potável e medicamentos. Não há indicação que
o alumínio seja carcinogênico.
b) Bário (Ba)
Os compostos de bário são usados na indústria da borracha, têxtil, cerâmica, farmacêuti-
ca, entre outras. Ocorre naturalmente na água, na forma de carbonatos em algumas fon-

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tes minerais, geralmente em concentrações entre 0,7 e 900 µg/L. Não é um elemento es-
sencial ao homem e em elevadas concentrações causa efeitos no coração, no sistema
nervoso, constrição dos vasos sangüíneos, elevando a pressão arterial. A morte pode o-
correr em poucas horas ou dias dependendo da dose e da solubilidade do sal de bário.
c) Cádmio (Cd)
O cádmio é liberado ao ambiente por efluentes industriais, principalmente, de galvano-
plastias, produção de pigmentos, soldas, equipamentos eletrônicos, lubrificantes e aces-
sórios fotográficos, bem como por poluição difusa causada por fertilizantes e poluição do
ar local. Normalmente a concentração de cádmio em águas não poluídas é inferior a 1
µg/L. A água potável apresenta baixas concentrações, geralmente entre 0,01 e 1 µg/L, en-
tretanto pode ocorrer contaminação devido à presença de cádmio como impureza no zin-
co de tubulações galvanizadas, soldas e alguns acessórios metálicos.
A principal via de exposição para a população não exposta ocupacionalmente ao cádmio
e não fumante é a oral. A ingestão de alimentos ou água contendo altas concentrações de
cádmio causa irritação no estômago, levando ao vômito, diarréia e, às vezes, morte. Na
exposição crônica o cádmio pode danificar os rins. No Japão, na década de 60, a conta-
minação da água que irrigava as plantações de arroz causou a doença conhecida como
“Itai-Itai”, caracterizada por extrema dor generalizada, dano renal e fragilidade óssea. Ex-
perimentos com animais demonstram que o metal produz efeitos tóxicos em vários ór-
gãos, como fígado, rins, pulmão e pâncreas. É um metal que se acumula em organismos
aquáticos, possibilitando sua entrada na cadeia alimentar.
d) Chumbo (Pb)
O chumbo está presente no ar, no tabaco, nas bebidas e nos alimentos. Nestes, o chum-
bo tem ampla aplicação industrial, como na fabricação de baterias, tintas, esmaltes, inse-
ticidas, vidros, ligas metálicas etc. A presença do metal na água ocorre por deposição at-
mosférica ou lixiviação do solo. O chumbo raramente é encontrado na água de torneira,
exceto quando os encanamentos são à base de chumbo, ou soldas, acessórios ou outras
conexões. A exposição da população em geral ocorre principalmente por ingestão de ali-
mentos e bebidas contaminados. O chumbo pode afetar quase todos os órgãos e siste-
mas do corpo, mas o mais sensível é o sistema nervoso, tanto em adultos como em cri-
anças. A exposição aguda causa sede intensa, sabor metálico, inflamação gastrintestinal,
vômitos e diarréias. Na exposição prolongada são observados efeitos renais, cardiovascu-
lares, neurológicos e nos músculos e ossos, entre outros. É um composto cumulativo pro-
vocando um envenenamento crônico denominado saturnismo. As doses letais para peixes
variam de 0,1 a 0,4 mg/L, embora alguns resistam até 10 mg/L em condições experimen-
tais.
e) Cobre (Cu)
O cobre tem vários usos, como na fabricação de tubos, válvulas, acessórios para banhei-
ro e está presente em ligas e revestimentos. Na forma de sulfato (CuSO 4.5H2O) é usado
como algicida. As fontes de cobre para o meio ambiente incluem minas de cobre ou de
outros metais, corrosão de tubulações de latão por águas ácidas, efluentes de estações
de tratamento de esgotos, usa de compostos de cobre como algicidas aquáticos, escoa-
mento superficial e contaminação da água subterrânea a partir do uso agrícola do cobre e
precipitação atmosférica de fontes industriais. O cobre ocorre naturalmente em todas as
plantas e animais e é um nutriente essencial em baixas doses. Estudos indicam que uma
concentração de 20 mg/L de cobre ou um teor total de 100 mg/L por dia na água é capaz
de produzir intoxicações no homem, com lesões no fígado. Concentrações acima de 2,5
mg/L transmitem sabor amargo à água; acima de 1 mg/L produz coloração em louças e
sanitários. Para peixes, muito mais que para o homem, as doses elevadas de cobre são
extremamente nocivas. Concentrações de 0,5 mg/L são letais para trutas, carpas, bagres,

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peixes vermelhos de aquários ornamentais e outros. Os micro-organismos morrem em


concentrações acima de 1,0 mg/L.
f) Cromo
O cromo é utilizado na produção de ligas metálicas, estruturas da construção civil, fertili-
zantes, tintas, pigmentos, curtumes, preservativos para madeira, entre outros usos. A
maioria das águas superficiais contem entre 1 e 10 µg/L de cromo. A concentração do
metal na água subterrânea geralmente é baixa (< 1 µg/L). Na forma trivalente, o cromo é
essencial ao metabolismo humano e sua carência causa doenças. Na forma hexavalente,
é tóxico e cancerígeno. Os limites máximos são estabelecidos basicamente em função do
cromo hexavalente.
g) Ferro
O ferro aparece principalmente em águas subterrâneas devido à dissolução do minério
pelo gás carbônico da água, conforme a reação:
Fe + CO2 + ½ O2 à FeCO3
O carbonato ferroso é solúvel e freqüentemente encontrado em águas de poços contendo
elevados níveis de concentração de ferro. Nas águas superficiais, o nível de ferro aumen-
ta nas estações chuvosas devido ao carreamento de solos e a ocorrência de processos
de erosão das margens. Também poderá ser importante a contribuição devida a efluentes
industriais, pois muitas indústrias metalúrgicas desenvolvem atividades de remoção da
camada oxidada (ferrugem) das peças antes de seu uso, processo conhecido por deca-
pagem, que normalmente é procedida através da passagem da peça em banho ácido.
Nas águas tratadas para abastecimento público, o emprego de coagulantes a base de fer-
ro provoca elevação em seu teor.
O ferro, apesar de não se constituir em um tóxico, traz diversos problemas para o abaste-
cimento público de água. Confere cor e sabor à água, provocando manchas em roupas e
utensílios sanitários. Também traz o problema do desenvolvimento de depósitos em cana-
lizações e de ferro-bactéria, provocando a contaminação biológica da água na própria re-
de de distribuição.
No tratamento de águas para abastecimento, deve-se destacar a influência da presença
de ferro na etapa de coagulação e floculação. As águas que contêm ferro caracterizam-se
por apresentar cor elevada e turbidez baixa. Os flocos formados geralmente são peque-
nos, ditos “pontuais”, com velocidades de sedimentação muito baixa. Em muitas estações
de tratamento de água, este problema só é resolvido mediante a aplicação de cloro, de-
nominada de pré-cloração. Através da oxidação do ferro pelo cloro, os flocos tornam-se
maiores e a estação passa a apresentar um funcionamento aceitável. No entanto, é con-
ceito clássico que, por outro lado, a pré-cloração de águas deve ser evitada, pois em caso
da existência de certos compostos orgânicos chamados precursores, o cloro reage com
eles formando trihalometanos, associados ao desenvolvimento do câncer.
h) Manganês
O manganês e seus compostos são usados na indústria do aço, ligas metálicas, baterias,
vidros, oxidantes para limpeza, fertilizantes, vernizes, suplementos veterinários, entre ou-
tros usos. Ocorre naturalmente na água superficial e subterrânea, no entanto, as ativida-
des antropogênicas são também responsáveis pela contaminação da água. Raramente
atinge concentrações de 1,0 mg/L em águas superficiais naturais e, normalmente, está
presente em quantidades de 0,2 mg/L ou menos. Desenvolve coloração negra na água,
podendo se apresentar nos estados de oxidação Mn+2 (mais solúvel) e Mn+4 (menos so-
lúvel). Concentração menor que 0,05 mg/L geralmente é aceita por consumidores, devido
ao fato de não ocorrerem, nesta faixa de concentração, manchas negras ou depósitos de
seu óxido nos sistemas de abastecimento de água. É muito usado na indústria do aço. O
manganês é um elemento essencial para muitos organismos, incluindo o ser humano. A

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principal exposição humana ao manganês é por consumo de alimentos, entretanto devido


ao controle homeostático que o homem sobre o metal, geralmente o manganês não é
considerado muito tóxico quando ingerido com a dieta.
i) Mercúrio
O mercúrio é usado na produção eletrolítica do cloro, em equipamentos elétricos, amal-
gamas e como matéria prima para compostos de mercúrio. No Brasil é largamente utiliza-
do em garimpos para extração do ouro. Casos de contaminação já foram identificados no
Pantanal, no norte brasileiro e em outras regiões. Está presente na forma inorgânica na
água superficial e subterrânea. As concentrações geralmente estão abaixo de 0,5 µg/L,
embora depósitos de minérios possam elevar a concentração do metal na água subterrâ-
nea. Entre as fontes antropogênicas de mercúrio no meio aquático destacam-se as indús-
trias cloro-álcali de células de mercúrio, vários processos de mineração e fundição, eflu-
entes de estações de tratamento de esgotos, indústrias de tintas, etc.
A principal via de exposição humana ao mercúrio é por ingestão de alimentos. O metal é
altamente tóxico ao homem, sendo que doses de 3 a 30 gramas são letais. Apresenta e-
feito cumulativo e provoca lesões cerebrais. A intoxicação aguda é caracterizada por náu-
seas, vômitos, dores abdominais, diarréia, danos nos ossos e morte. Esta intoxicação po-
de ser fatal em 10 dias. A intoxicação crônica afeta glândulas salivares, rins e altera as
funções psicológicas e psicomotoras. Em Minamata (Japão), o lançamento de grande
quantidade de mercúrio orgânico - metil mercúrio - contaminou peixes e moradores da re-
gião, provocando graves lesões neurológicas e mortes. O pescado é um dos maiores con-
tribuintes para a transferência de mercúrio para o homem, sendo que este se mostra mais
tóxico na forma de compostos organo-metálicos.
j) Níquel
O níquel e seus compostos são utilizados em galvanoplastia, na fabricação de aço inoxi-
dável, manufatura de baterias Ni-Cd, moedas, pigmentos, entre outros usos. Concentra-
ções de níquel em águas superficiais naturais podem chegar a 0,1 mg/L; valores elevados
podem ser encontrados em áreas de mineração. Na água potável, a concentração do me-
tal normalmente é menor que 0,02 mg/L, embora a liberação de níquel de torneiras e a-
cessórios possa contribuir para valores acima de 1 mg/L. A maior contribuição antropogê-
nica para o meio ambiente é a queima de combustíveis, além da mineração e fundição do
metal, fusão e modelagem de ligas, indústrias de eletrodeposição, fabricação de alimen-
tos, artigos de panificadoras, refrigerantes e sorvetes aromatizados. Doses elevadas de
níquel podem causar dermatites nos indivíduos mais sensíveis. A principal via de exposi-
ção para a população não exposta ocupacionalmente ao níquel e não fumante é o con-
sumo de alimentos. A ingestão de elevadas doses de sais causa irritação gástrica. O efei-
to adverso mais comum da exposição ao níquel é uma reação alérgica; cerca de 10 a
20% da população é sensível ao metal.
k) Potássio
Potássio é encontrado em baixas concentrações nas águas naturais, já que rochas que
contenham potássio são relativamente resistentes às ações do tempo. Entretanto, sais de
potássio são largamente usados na indústria e em fertilizantes para agricultura, entrando
nas águas doces através das descargas industriais e lixiviação das terras agrícolas.
O potássio é usualmente encontrado na forma iônica e os sais são altamente solúveis. Ele
é pronto para ser incorporado em estruturas minerais e acumulado pela biota aquática,
pois é um elemento nutricional essencial. As concentrações em águas naturais são usu-
almente menores que 10 mg/L. Valores da ordem de grandeza de 100 e 25.000 mg/L, po-
dem indicar a ocorrência de fontes quentes e salmouras, respectivamente.
l) Sódio

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Todas as águas naturais contêm algum sódio já que é um dos elementos mais abundan-
tes na Terra e seus sais são altamente solúveis em água, encontrando-o na forma iônica
(Na+), e nas plantas e animais, já que é um elemento ativo para os organismos vivos. O
aumento dos níveis na superfície da água pode provir de esgotos, efluentes industriais e
uso de sais em rodovias para controlar neve e gelo. A última fonte citada também contri-
bui para aumentar os níveis de sódio nas águas subterrâneas. Nas áreas litorâneas, a in-
trusão de águas marinhas pode também resultar em níveis mais elevados.
Concentração de sódio na superfície natural das águas varia consideravelmente, depen-
dendo das condições geológicas do local, descargas de efluentes e uso sazonal de sais
em rodovias. Valores podem estender-se de 1 mg/L ou menos até 10 mg/L ou mais em
salmoura natural. Muitas águas superficiais, incluindo aquelas que recebem efluentes,
têm níveis bem abaixo de 50 mg/L. As concentrações nas águas subterrâneas freqüente-
mente excedem 50 mg/L. Embora a concentração de sódio na água potável geralmente
seja menor que 20 mg/L, esse valor pode ser excedido em alguns países, porém concen-
tração acima de 200 mg/L pode dar à água um gosto não aceitável.
O sódio é comumente medido onde a água é utilizada para dessedentação de animais ou
para agricultura, particularmente na irrigação. Quando o teor de sódio em certos tipos de
solo é elevado, sua estrutura pode degradar-se pelo restrito movimento da água, afetando
o crescimento das plantas.
m) Zinco
O zinco e seus compostos são muito usados na fabricação de ligas e latão, galvanização
do aço, na borracha como pigmento branco, suplementos vitamínicos, protetores solares,
desodorantes, xampus, etc. A presença de zinco é comum nas águas superficiais natu-
rais, em concentrações geralmente abaixo de 10 µg/L; em águas subterrâneas ocorre en-
tre 10-40 µg/L. Na água de torneira, a concentração do metal pode ser elevada devido à
dissolução do zinco das tubulações. O zinco é um elemento essencial ao corpo humano
em pequenas quantidades. A atividade da insulina e diversos compostos enzimáticos de-
pendem da sua presença. O zinco só se torna prejudicial à saúde quando ingerido em
concentrações muito elevadas, o que é extremamente raro, e, neste caso, pode acumular-
se em outros tecidos do organismo humano. Nos animais, a deficiência em zinco pode
conduzir ao atraso no crescimento. A água com elevada concentração de zinco tem apa-
rência leitosa e produz um sabor metálico ou adstringente quando aquecida.

2.4.1.9. Cloreto (Cl)


O cloreto é o ânion Cl- que se apresenta nas águas subterrâneas, oriundo da percolação
da água através de solos e rochas. Nas águas superficiais são fontes importantes as des-
cargas de esgotos sanitários, sendo que cada pessoa expele através da urina cerca 6 g
de cloreto por dia, o que faz com que os esgotos apresentem concentrações de cloreto
que ultrapassam a 15 mg/L. Diversos são os efluentes industriais que apresentam con-
centrações de cloreto elevadas como os da indústria do petróleo, algumas indústrias far-
macêuticas, curtumes, etc. Nas regiões costeiras, através da chamada intrusão da cunha
salina, são encontradas águas com níveis altos de cloreto. Nas águas tratadas, a adição
de cloro puro ou em solução leva a uma elevação do nível de cloreto, resultante das rea-
ções de dissociação do cloro na água.
Para as águas de abastecimento público, a concentração de cloreto constitui-se em pa-
drão de potabilidade, segundo a Portaria 1469 do Ministério da Saúde. O cloreto provoca
sabor “salgado” na água, sendo o cloreto de sódio o mais restritivo por provocar sabor em
concentrações da ordem de 250 mg/L, valor este que é tomado como padrão de potabili-
dade. No caso do cloreto de cálcio, o sabor só é perceptível em concentrações de cloreto

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superior a 1000 mg/L. Embora haja populações árabes adaptadas no uso de águas con-
tendo 2.000 mg/L de cloreto, são conhecidos também seus efeitos laxativos.
Da mesma forma que o sulfato, sabe-se que o cloreto também interfere no tratamento a-
naeróbio de efluentes industriais, constituindo-se igualmente em interessante campo de
investigação científica. O cloreto provoca corrosão em estruturas hidráulicas, como por
exemplo, em emissários submarinos para a disposição oceânica de esgotos sanitários,
que por isso têm sido construídos com polietileno de alta densidade (PEAD). Interferem
na determinação da DQO e embora esta interferência seja atenuada pela adição de sulfa-
to de mercúrio, as análises de DQO da água do mar não apresentam resultados confiá-
veis. Interfere também na determinação de nitratos.
Também eram utilizados como indicadores da contaminação por esgotos sanitários, po-
dendo-se associar a elevação do nível de cloreto em um rio com o lançamento de esgotos
sanitários. Hoje, porém, o teste de coliformes fecais é mais preciso para esta função. O
cloreto apresenta também influência nas características dos ecossistemas aquáticos natu-
rais, por provocarem alterações na pressão osmótica em células de microrganismos.

2.4.1.10. Fluoreto
O flúor é o mais eletronegativo de todos os elementos químico, tão reativo que nunca é
encontrado em sua forma elementar na natureza, sendo normalmente encontrado na sua
forma combinada como fluoreto. O flúor é o 17º elemento em abundância na crosta terres-
tre representando de 0,06 a 0,9% e ocorrendo principalmente na forma de fluorita (CaF2),
Fluoroapatita (C10(PO4)6) e criolita (Na3AlF6). Porém, para que haja disponibilidade de
fluoreto livre, ou seja, disponível biologicamente, são necessárias condições ideais de so-
lo, presença de outros minerais ou outros componentes químicos e água. Traços de fluo-
reto são normalmente encontrados em águas naturais e concentrações elevadas geral-
mente estão associadas com fontes subterrâneas. Em locais onde existem minerais ricos
em flúor, tais como próximos a montanhas altas ou áreas com depósitos geológicos de o-
rigem marinha, concentrações de até 10 mg/L ou mais são encontradas. A maior concen-
tração de flúor registrada em águas naturais é de 2.800 mg/L, no Quênia.
O fluossilicato de sódio era o composto mais utilizado, tendo sido substituído pelo ácido
fluossilícico em diversas estações de tratamento de água. Apesar da corrosividade do á-
cido, o fato de se apresentar na forma líquida facilita sua aplicação e o controle seguro
das dosagens, condição fundamental para a fluoretação. O fluoreto de sódio é muito caro
e o fluoreto de cálcio, pouco solúvel.
Alguns efluentes industriais também descarregam fluoreto nas águas naturais, tais como
as indústrias de vidro e de fios condutores de eletricidade.
No ar, a presença de fluoreto deve-se principalmente a emissões industriais e sua con-
centração varia com o tipo de atividade. Estima-se um valor de exposição abaixo de
1µg/L, pouco significativo em relação à quantidade ingerida através da água e de alimen-
tos. Todos os alimentos possuem ao menos traços de fluoreto. Os vegetais possuem con-
centrações maiores principalmente devido à absorção da água e do solo. Alguns alimen-
tos tais como peixes, certos vegetais e chá, possuem altas concentrações de fluoreto. O
uso da água fluoretada na preparação de alimentos pode dobrar a quantidade de fluoreto
presente. Estima-se uma quantidade diária ingerida de 0,2 a 3,1 mg para adultos e 0,5 mg
para crianças de 1 a 3 anos.
Outras fontes de fluoreto são pasta de dente, gomas de mascar, vitaminas e remédios. O
uso tópico de fluoreto contribui para uma absorção maior. O fluoreto ingerido através da
água é quase completamente absorvido pelo corpo humano, enquanto que o flúor presen-
te nos alimentos não é totalmente absorvido; em alguns casos como através de peixes e
outras carnes, chega apenas a 25%. Uma vez absorvido, o fluoreto é distribuído rapida-

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mente pelo corpo humano, grande parte é retida nos ossos, enquanto que uma pequena
parte nos dentes. O fluoreto pode ser excretado pela urina e sua eliminação é influenciada
por uma série de fatores tais como o estado de saúde da pessoa e seu grau de exposição
a esta substância. O fluoreto é adicionado às águas de abastecimento público para confe-
rir-lhes proteção à cárie dentária. O fluoreto reduz a solubilidade da parte mineralizada do
dente, tornando mais resistente à ação de bactérias e inibe processos enzimáticos que
dissolvem a substância orgânica protéica e o material calcificante do dente. Constitui-se
também em meio impróprio ao desenvolvimento de Lactobacilus acidophilus.
Nesse sentido, a fluoretação das águas deve ser executada sob controle rigoroso, utili-
zando-se bons equipamentos de dosagem e implantando-se programas efetivos de con-
trole de residual de fluoreto na rede de abastecimento de água, o que nem sempre tem
acontecido.
Os benefícios da aplicação de fluoreto em águas para a prevenção da cárie dentária são
reconhecidos. Estudos desenvolvidos nos Estados Unidos demonstram que, para as con-
dições lá existentes, os seguintes resultados podem ser esperados: o índice utilizado é o
número de dentes cariados, perdidos e obturados por cem crianças. Os estudos são con-
clusivos de que para concentrações de fluoreto acima de 1,5 mg/L, ocorre aumento na in-
cidência da fluorose dentária; para concentrações de fluoreto da ordem de 1,0 mg/L, ocor-
re redução do c.p.o. da ordem de 60% sem ocorrer fluorose; para concentrações de fluo-
reto menores que 1,0 mg/L, ocorrem menores reduções percentuais na redução da cárie.
Na verdade, o que é necessária é a ingestão de 1,5 mg/dia de fluoreto, o que para um
consumo de água de 1,2 a 1,6 litros por dia, resulta em concentrações da ordem de 1,0
mg/L. A Portaria 518 estabelece um valor máximo permitido para fluoreto de 1,5 mg/L na
água potável.

2.4.1.11. Fósforo Total


O fósforo aparece em águas naturais devido principalmente às descargas de esgotos sa-
nitários. Nestes, os detergentes superfosfatados empregados em larga escala domesti-
camente constituem a principal fonte. Alguns efluentes industriais, como os de indústrias
de fertilizantes, pesticidas, químicas em geral, conservas alimentícias, abatedouros, frigo-
ríficos e laticínios, apresentam fósforo em quantidades excessivas. As águas drenadas
em áreas agrícolas e urbanas também podem provocar a presença excessiva de fósforo
em águas naturais.
O fósforo pode se apresentar nas águas sob três formas diferentes. Os fosfatos orgânicos
são a forma em que o fósforo compõe moléculas orgânicas, como a de um detergente,
por exemplo. Os ortofosfatos são representados pelos radicais, que se combinam com cá-
tions formando sais inorgânicos nas águas e os polifosfatos, ou fosfatos condensados, po-
límeros de ortofosfatos. Esta terceira forma não é muito importante nos estudos de contro-
le de qualidade das águas, porque sofre hidrólise, convertendo-se rapidamente em orto-
fosfatos nas águas naturais.
Assim como o nitrogênio, o fósforo constitui-se em um dos principais nutrientes para os
processos biológicos, ou seja, é um dos chamados macro-nutrientes, por ser exigido tam-
bém em grandes quantidades pelas células. Nesta qualidade, torna-se parâmetro impres-
cindível em programas de caracterização de efluentes industriais que se pretende tratar
por processo biológico. Em processos aeróbios, como informado anteriormente, exige-se
uma relação DBO:N:P mínima de 100:5:1, enquanto que em processos anaeróbios tem-
se exigido a relação DQO:N:P mínima de 350:7:1. Os esgotos sanitários no Brasil apre-
sentam, tipicamente, concentração de fósforo total na faixa de 6 a 10 mgP/L, não exer-
cendo efeito limitante sobre o tratamento biológico. Alguns efluentes industriais, porém,
não possuem fósforo em suas composições, ou apresentam concentrações muito baixas.

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Neste caso, deve-se adicionar artificialmente compostos contendo fósforo como o mono-
amônio-fosfato (MAP) que, por ser usado em larga escala como fertilizante, apresenta
custo relativamente baixo. Ainda por ser nutriente para processos biológicos, o excesso
de fósforo em esgotos sanitários e efluentes industriais conduz a processos de eutrofiza-
ção das águas naturais.

2.4.1.12. Ortofosfato Solúvel


Os ortofosfatos são biodisponíveis e uma vez assimilados, são convertidos em fosfato or-
gânico e em fosfatos condensados. Após a morte de um organismo, os fosfatos conden-
sados são liberados na água; entretanto, não estão disponíveis para absorção biológica
até que sejam hidrolizados por bactérias para ortofosfatos.

2.4.1.13. Série de Nitrogênio - (amônia, nitrato, nitrito e nitrogênio orgânico)


As fontes de nitrogênio nas águas naturais são diversas. Os esgotos sanitários constituem
em geral a principal fonte, lançando nas águas nitrogênio orgânico devido à presença de
proteínas e nitrogênio amoniacal, pela hidrólise da uréia na água, etc. Alguns efluentes
industriais também concorrem para as descargas de nitrogênio orgânico e amoniacal nas
águas, como algumas indústrias químicas, petroquímicas, siderúrgicas, farmacêuticas,
conservas alimentícias, matadouros, frigoríficos e curtumes. A atmosfera é outra fonte im-
portante devido a diversos mecanismos como a biofixação desempenhada por bactérias e
algas, que incorporam o nitrogênio atmosférico em seus tecidos, contribuindo para a pre-
sença de nitrogênio orgânico nas águas; a fixação química, reação que depende da pre-
sença de luz, concorre para as presenças de amônia e nitratos nas águas e as lavagens
da atmosfera poluída pelas águas pluviais concorrem para as presenças de partículas
contendo nitrogênio orgânico bem como para a dissolução de amônia e nitratos. Nas á-
reas agrícolas, o escoamento das águas pluviais pelos solos fertilizados também contribui
para a presença de diversas formas de nitrogênio. Também nas áreas urbanas, a drena-
gem das águas pluviais, associadas às deficiências do sistema de limpeza pública, consti-
tuem fonte difusa de difícil caracterização.
Como visto, o nitrogênio pode ser encontrado nas águas nas formas de nitrogênio orgâni-
co, amoniacal, nitrito e nitrato. As duas primeiras chamam-se formas reduzidas e as duas
últimas, oxidadas. Pode-se associar a idade da poluição com relação entre as formas de
nitrogênio. Ou seja, se for coletada uma amostra de água de um rio poluído e as análises
demonstrarem predominância das formas reduzidas significa que o foco de poluição se
encontra próximo; se prevalecer nitrito e nitrato denota que as descargas de esgotos se
encontram distantes. Nas zonas de autodepuração natural em rios, distinguem-se as pre-
senças de nitrogênio orgânico na zona de degradação, amoniacal na zona de decomposi-
ção ativa, nitrito na zona de recuperação e nitrato na zona de águas limpas.
Os compostos de nitrogênio são nutrientes para processos biológicos são caracterizados
como macronutrientes pois, depois do carbono, o nitrogênio é o elemento exigido em
maior quantidade pelas células vivas. Quando descarregados nas águas naturais, conjun-
tamente com o fósforo e outros nutrientes presentes nos despejos, provocam o enrique-
cimento do meio, tornando-o mais fértil e possibilitam o crescimento em maior extensão
dos seres vivos que os utilizam, especialmente as algas, o que é chamado de eutrofiza-
ção. Quando as descargas de nutrientes são muito fortes, dá-se o florescimento muito in-
tenso de gêneros que predominam em cada situação em particular. Estas grandes con-
centrações de algas podem trazer prejuízos aos múltiplos usos dessas águas, prejudican-
do seriamente o abastecimento público ou causando poluição por morte e decomposição.
O controle da eutrofização, através da redução do aporte de nitrogênio é comprometido

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pela multiplicidade de fontes, algumas muito difíceis de serem controladas como a fixação
do nitrogênio atmosférico, por parte de alguns gêneros de algas. Por isso, deve-se investir
preferencialmente no controle das fontes de fósforo.
Deve ser lembrado também que os processos de tratamento de esgotos empregados atu-
almente no Brasil, não são otimizados para a remoção de nutrientes e os efluentes finais
tratados liberam grandes quantidades destes que também podem dar margem à ocorrên-
cia do processo de eutrofização.
Nos reatores biológicos das estações de tratamento de esgotos, o carbono, o nitrogênio e
o fósforo, têm que se apresentar em proporções adequadas para possibilitar o crescimen-
to celular sem limitações nutricionais. Com base na composição das células dos micror-
ganismos que formam parte dos tratamentos, costuma-se exigir uma relação DBO5,20:N:P
mínima de 100:5:1 em processos aeróbios e uma relação DQO:N:P de pelo menos
350:7:1 em reatores anaeróbios. Deve ser notado que estas exigências nutricionais po-
dem variar de um sistema para outro, principalmente em função do tipo de substrato. Os
esgotos sanitários são bastante diversificados em compostos orgânicos; já alguns efluen-
tes industriais possuem composição bem mais restrita, com efeito sobre o ecossistema a
ser formado nos reatores biológicos para o tratamento e sobre a relação C/N/P. No trata-
mento de esgotos sanitários, estes nutrientes encontram-se em excesso, não havendo
necessidade de adicioná-los artificialmente, ao contrário, o problema está em removê-los.
Alguns efluentes industriais, como é o caso dos produtores de celulose, que são compos-
tos basicamente de carboidratos, não possuindo praticamente nitrogênio e fósforo, estes
devem ser adicionados de forma a perfazer as relações recomendadas, utilizando-se para
isto uréia granulada, rica em nitrogênio e fosfato de amônia que possui nitrogênio e fósfo-
ro, dentre outros produtos comerciais.
Pela legislação federal em vigor, o nitrogênio amoniacal é padrão de classificação das
águas naturais e padrão de emissão de esgotos. A amônia é um tóxico bastante restritivo
à vida dos peixes, sendo que muitas espécies não suportam concentrações acima de 5
mg/L. Além disso, como visto anteriormente, a amônia provoca consumo de oxigênio dis-
solvido das águas naturais ao ser oxidado biologicamente, a chamada DBO de segundo
estágio. Por estes motivos, a concentração de nitrogênio amoniacal é importante parâme-
tro de classificação das águas naturais e normalmente utilizado na constituição de índices
de qualidade das águas.
Os nitratos são tóxicos, causando uma doença chamada metahemoglobinemia infantil,
que é letal para crianças (o nitrato reduz-se a nitrito na corrente sangüínea, competindo
com o oxigênio livre, tornando o sangue azul).

2.4.1.14. Série de Enxofre (Sulfeto e Sulfato)


O sulfeto de hidrogênio (H2S) é um composto liberado em vários processos industriais,
tais como o de produção de celulose e papel, curtumes, petroquímicas e cervejarias.
Ele é altamente tóxico para a vida aquática, mesmo em baixas concentrações. Também o
é para a vida humana, podendo causar até a morte. Além disso, suas propriedades corro-
sivas quando em contato com metais e seu forte odor o tornam um subproduto indesejá-
vel.
Atualmente, para o tratamento dessas “águas ácidas”, pode-se optar pelos processos físi-
co-químicos, nos quais são adicionados oxidantes a água residuária, resultando na for-
mação de sulfatos (SO4)2-.
Pode-se também incinerar o H2S em concentrações de 200 a 500 ppm, oxidando-o a dió-
xido de enxofre (SO2), que é um poluente atmosférico. Esses processos possuem um alto
custo operacional, bem como os gastos para o tratamento de sulfato e do solvente ácido
usado nesse processo. Alternativas são a precipitação química e a aeração.

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O processo biológico é um processo alternativo para a remoção do sulfeto, e pode deixar


o efluente com uma concentração menor que 1ppm. Esse processo utiliza bactérias sulfu-
rosas, que podem ser aeróbias ou anaeróbias. O processo anaeróbio é bastante vantajo-
so, pois não há odor, tem-se simplicidade operacional, baixo custo e ainda o produto final
é o enxofre elementar, que possui um maior valor agregado que qualquer outra forma de
enxofre e é utilizado como matéria prima em indústrias de fertilizantes e de materiais ma-
nufaturados, por exemplo.
O sulfato é um dos íons mais abundantes na natureza. Em águas naturais, a fonte de sul-
fato ocorre através da dissolução de solos e rochas e pela oxidação de sulfeto.
As principais fontes antrópicas de sulfato nas águas superficiais são as descargas de es-
gotos domésticos e efluentes industriais. Nas águas tratadas é proveniente do uso de co-
agulantes.
É importante o controle do sulfato na água tratada pois a sua ingestão provoca efeito laxa-
tivo. Já no abastecimento industrial, o sulfato pode provocar incrustações nas caldeiras e
trocadores de calor. E na rede de esgoto, em trechos de baixa declividade onde ocorre o
depósito da matéria orgânica, o sulfato pode ser transformado em sulfeto, ocorrendo à
exalação do gás sulfídrico, que resulta em problemas de corrosão em coletores de esgoto
de concreto e odor, além de ser tóxico.

2.4.1.15. Carbono Orgânico Dissolvido e Absorbância no Ultravioleta


Estas duas variáveis não estão sujeitas à legislação, mas é importante que sejam rotinei-
ramente avaliadas durante um determinado período, para que seja possível obter-se uma
correlação entre estas e a concentração de compostos precursores de trihalometanos, o
que poderá facilitar a detecção quando de possíveis alterações na qualidade da água com
relação à presença desse tipo de compostos.

2.4.1.16. Carbono Orgânico Total (TOC)


O carbono orgânico total é composto pelo carbono orgânico dissolvido e particulado. A
análise de COT independe do estado de oxidação da matéria orgânica e não sofre a inter-
ferência de outros átomos que estejam ligados à estrutura orgânica, quantificando apenas
o carbono presente na amostra. O carbono orgânico em água doce origina-se da matéria
viva e também como componente de vários efluentes e resíduos. Dessa maneira, o car-
bono orgânico total na água é um indicador útil do grau de poluição do corpo hídrico.

2.4.1.17. Hidrocarbonetos Aromáticos Polinucleares (HAP)


Os hidrocarbonetos aromáticos polinucleares são uma classe de compostos orgânicos
semi-voláteis, formados por anéis benzênicos ligados de forma linear, angular ou agrupa-
dos, contendo na sua estrutura somente carbono e hidrogênio. Dos hidrocarbonetos aro-
máticos polinucleares, dezesseis são indicados pela Agência de Proteção Ambiental dos
Estados Unidos como sendo poluentes prioritários, que têm sido cuidadosamente estuda-
dos devido à sua toxicidade, persistência e predominância no meio ambiente, são eles:
acenafteno, acenaftileno, antraceno, benzo(a)antraceno, benzo(a)fluoranteno, ben-
zo(a)pireno, benzo(k)fluoranteno, benzo(g,h,i)perileno, criseno, dibenzo(a,h)antraceno,
fenantreno, fluoranteno, fluoreno, indeno(1,2,3-cd)pireno naftaleno e pireno.
O comportamento, transporte e destino desses compostos no meio ambiente dependem
de suas características físico-químicas e bioquímicas. Geralmente os HAP são persisten-
tes no meio ambiente e possuem baixa solubilidade em água, com exceção do naftaleno,
que é relativamente solúvel (32 mg/L). Na maioria dos casos, essa solubilidade diminui
com o aumento do número de anéis e da massa molecular do composto. Esta é uma das

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propriedades mais importantes no transporte desses compostos no meio ambiente. Os


compostos mais solúveis em água são transportados mais facilmente, pois tendem a ter
uma baixa adsorção nas partículas de solo. Além disso, são mais susceptíveis à biode-
gradação, devido à sua estrutura mais simples.
Os PAHs podem causar efeitos toxicológicos no crescimento, metabolismo e reprodução
de toda a biota (microrganismos, plantas terrestres, biota aquática, anfíbios, répteis, aves
e mamíferos). Estes efeitos podem associar-se à formação de tumores, toxicidade aguda,
bioacumulação e danos à pele de diversas espécies de animais. Os principais objetos de
pesquisa desses compostos têm sido as suas propriedades carcinogênicas, mutagênicas
e genotóxicas.
2.4.1.18. Pesticidas Organoclorados
Os pesticidas podem ser constituídos por substâncias inorgânicas, como enxofre, mercú-
rio, flúor, etc. Como esses pesticidas possuem toxicidade muito elevada, foram substituí-
dos pelos pesticidas orgânicos sintéticos, classificados em clorados ou organoclorados,
piretrinas, fosforados, clorofosforados e carbamatos.
Pesticidas clorados como o DDT, BHC, Aldrin, Lindano, etc apresentam efeito residual
longo. A maioria dos compostos são hidrofóbicos, mas apresentam alta solubilidade em
hidrocarbonetos e gorduras. Os pesticidas organoclorados apresentam baixa toxicidade
aguda, porém apresentam problemas de toxicidade crônica devido a sua capacidade de
acumulação ao longo da cadeia alimentar e em tecidos biológicos, em testes com ratos foi
observado o desenvolvimento de tumores malígnos no fígado. Atualmente o uso dos or-
ganoclorados é proibido ou restrito devido à sua baixa taxa de degradação no meio ambi-
ente.
A afinidade dos pesticidas por adsorção em matéria mineral suspensa e colóides orgâni-
cos é importante para entender a sua mobilidade nos corpos d’água.
A contaminação por pesticidas organoclorados se dá pelas 3 vias de exposição. Podendo
atacar o sistema nervoso central, causando distúrbios sensoriais de equilíbrio, alterações
no comportamento, atividade muscular involuntária, entre outros. Em casos de inalação
pode ocorrer tosse, rouquidão e hipertensão. Em intoxicações agudas podem ocorrer hi-
persensibilidade, convulsões, podendo levar ao coma e até a morte.

2.4.1.19. DDT (Dicloro Difenil Tricloroetano)


O DDT é uma mistura de três formas: p,p’-DDT (85%), o,p’-DDT (15%) e o,o’-DDT (em
valores-traço). Inseticida persistente que tem seu uso restrito ou banido em vários países,
exceto para campanhas de saúde pública no controle de doenças transmitidas por inse-
tos.
O DDT e seus metabólitos podem ser transportados de um meio para outro, no ambiente,
por processos de solubilização, adsorção, bioacumulação ou volatilização. Na superfície
do solo ocorre a foto-oxidação do DDT, sendo a fotodesclorinação a principal reação, que
acontece em dois estágios: rápida redução do cloro alifático e lenta redução do cloro aro-
mático. A reação tem como produtos primários o DDE (Dicloro Difenil Dicloro Etileno), o
DDD (Dicloro Difenil Dicloro Etano) e o ácido clorídrico. Na água, a maior parte do DDT
encontra-se firmemente ligada a partículas e assim permanece, indo depositar-se no leito
de rios e mares.
O DDT, DDE e DDD são altamente lipossolúveis. Esta propriedade, aliada à meia-vida ex-
tremamente longa, tem resultado em bioacumulação, onde os níveis presentes nos orga-
nismos excedem aqueles encontrados no ambiente circundante. O grau de acumulação
varia com a espécie, duração da exposição, concentração da substância no meio e as
condições ambientais. Quando presente na água, o DDT é bioconcentrado no plâncton
marinho e de água doce, em insetos, moluscos, outros invertebrados e peixes.

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Tipicamente, a exposição humana e animal não ocorre apenas ao DDT mas sim a uma
mistura dos três compostos. Isto porque DDE e DDD aparecem como impurezas do DDT,
são produtos de degradação ambiental e são produzidos no processo de biotransforma-
ção do DDT. A via digestiva é considerada a mais significativa via de entrada do DDT no
organismo humano, devido ao consumo de alimentos ou uso de utensílios contaminados.
Os principais efeitos do DDT são: neurotoxicidade, hepatoxicidade, efeitos metabólicos e
alterações reprodutivas e câncer. Nos seres humanos, como em outras espécies, o DDT
se biotransforma em DDE, que é acumulado mais facilmente que o DDT. A Portaria 518
estabelece um valor máximo permitido de DDT (isômeros) de 2 µg/L na água potável..

2.4.1.20. Potencial de Formação de Trihalometanos


A utilização de variáveis não específicas para avaliar a eficiência de um sistema de trata-
mento, bem como a qualidade da água de um determinado manancial é uma prática co-
mum nas Estações de Tratamento de Água (ETAs). O parâmetro turbidez, por exemplo, é
amplamente utilizado nas ETAs para o controle e o monitoramento operacional da remo-
ção de material particulado. Outras variáveis deste tipo utilizadas comumente são a cor e
a densidade de coliformes termotolerantes. Estas variáveis não específicas podem ser
uma valiosa ferramenta para uma primeira avaliação das características da qualidade de
águas em mananciais destinados ao abastecimento público. Também podem ser de
grande utilidade para verificar rapidamente mudanças na qualidade da água dentro do
processo de tratamento.
Além disso, com a preocupação sobre a formação de compostos organoclorados leves
(como por exemplo, clorofórmio) durante o processo de cloração, chamados trihalometa-
nos, torna-se necessária uma avaliação do manancial em relação à quantidade de pre-
cursores destes compostos.
A utilização do potencial de formação de trihalometanos, como um parâmetro não especí-
fico da medida de precursores de THMs, pode ser usado para comparar a qualidade de
vários mananciais de água bruta com potencial para abastecimento, com a possibilidade
de produção de concentrações elevadas de THMs em água tratada durante os processos
de tratamento e na distribuição.

2.4.1.21. Dureza
Em depósitos subterrâneos, a água pode entrar em contato com certos materiais como o
calcário (CaCO3) ou a dolomita (CaCO3 . MgCO3). Dessa forma, passa a existir em sua
composição uma quantidade excessiva de íons Ca2+ e Mg2+, na forma de bicarbonatos
(HCO3-), nitratos (NO3-), cloretos (Cl-) e sulfatos (SO42-) o que a torna imprópria para con-
sumo humano. A esse tipo de água chamamos água dura (com teores acima de 150
mg/L), mole (com teores abaixo de 75 mg/L) ou moderada (com teores entre 75 e 150
mg/L). Então podemos dizer que a dureza na água está relacionada à quantidade de cál-
cio e magnésio existente na mesma.
Quando em contato com sabão, a água dura não faz espuma, pois os íons Ca 2+ e Mg2+
reagem com o sabão e formam um precipitado.
O tratamento da água dura para a retirada de Ca2+ e Mg2+ é conhecido por abrandamento
ou amolecimento e consiste em fazer a água atravessar uma resina que captura os íons
Ca2+ e Mg2+, substituindo-os por íons não prejudiciais ao homem, tais como o Na+ e o H+.
Esse procedimento é chamado de método da troca iônica. A remoção da dureza pode
também ser efetuada por fervura ou pela adição de algumas substâncias amolecedoras,
tais como: Hidróxido de Sódio (NaOH), Carbonato de Sódio (Na 2CO3), Fosfato de Sódio
(Na3PO4) e Sulfato de Alumínio (Al2(SO4)3).

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2.4.1.22. Surfactantes
Analiticamente, isto é, de acordo com a metodologia analítica recomendada, detergentes
ou surfactantes são definidos como compostos que reagem com o azul de metileno sob
certas condições especificadas. Estes compostos são designados “substâncias ativas ao
azul de metileno” (MBAS – Metilene Blue Active Substances) e suas concentrações são
relativas ao sulfonato de alquil benzeno linear (LAS) que é utilizado como padrão na aná-
lise.
Os esgotos sanitários possuem de 3 a 6 mg/L de detergentes. As indústrias de detergen-
tes descarregam efluentes líquidos com cerca de 2000 mg/L do princípio ativo. Outras in-
dústrias, incluindo as que processam peças metálicas, empregam detergentes especiais
com a função de desengraxante, como o percloretileno.
As descargas indiscriminadas de detergentes nas águas naturais levam a prejuízos de or-
dem estética provocados pela formação de espumas. Um dos casos mais críticos de for-
mação de espumas ocorre no Município de Pirapora do Bom Jesus, no Estado de São
Paulo. Localiza-se às margens do Rio Tietê, a jusante da Região Metropolitana de São
Paulo, recebendo seus esgotos, em grande parte, sem tratamento.
A existência de corredeiras leva ao desprendimento de espumas que formam continua-
mente camadas de pelo menos 50 cm sobre o leito do rio. Sob a ação dos ventos, a es-
puma espalha-se sobre a cidade, contaminada biologicamente e impregnando-se na su-
perfície do solo e dos materiais, tornando-os oleosos.
Além disso, os detergentes podem exercer efeitos tóxicos sobre os ecossistemas aquáti-
cos. Os sulfonatos de alquil benzeno de cadeia linear (LAS) têm substituído progressiva-
mente os sulfonatos de aquil benzeno de cadeia ramificada (ABS), por serem considera-
dos biodegradáveis. No Brasil esta substituição ocorreu a partir do início da década de 80
e embora tenham sido desenvolvidos testes padrão de biodegradabilidade, este efeito não
é ainda conhecido de forma segura. Os testes de toxicidade têm sido mais bem desenvol-
vidos e há certa tendência a serem mais utilizados nos programas de controle de polui-
ção.
Os detergentes têm sido responsabilizados também pela aceleração da eutrofização. A-
lém de a maioria dos detergentes comerciais empregados ser rica em fósforo, sabe-se
que exercem efeito tóxico sobre o zooplâncton, predador natural das algas. Segundo este
conceito, não bastaria apenas à substituição dos detergentes superfosfatados para o con-
trole da eutrofização.
Os detergentes em geral são feitos a partir da mistura de alquil-benzeno-sulfonatos. A di-
ferença nos biodegradáveis começa na cadeia carbônica que os constitui.

Repare que a cadeia não possui nenhuma ramificação, é classificada como linear.
Um detergente é considerado não biodegradável se em sua cadeia de hidrocarbonetos
houver ramificações. Como vemos, a estrutura acima está isenta de ramificação, a parte à
esquerda da molécula é considerada linear. Mas veja abaixo:

A estrutura dos detergentes não biodegradáveis possui ramificações na cadeia carbônica,

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observe à esquerda da molécula. A maioria destes detergentes vai parar em rios através
da rede de esgoto, eles são responsáveis pela poluição conhecida como cisnes de deter-
gentes: espumas esbranquiçadas e densas que impedem a entrada de gás oxigênio na
água, o que afeta as formas aeróbicas aquáticas.
Por que as ramificações da cadeia carbônica tornam o detergente não biodegradável?
Os micro-organismos existentes na água produzem enzimas capazes de quebrar as mo-
léculas de cadeias lineares presentes nos detergentes biodegradáveis. Mas essas mes-
mas enzimas não reconhecem as cadeias ramificadas presentes nos detergentes não bi-
odegradáveis, por esse motivo eles permanecem na água sem sofrer decomposição.
Quando for fazer compras, opte por levar o produto com o selinho de biodegradável.
Quem se preocupa com o Meio ambiente fará com certeza esta opção.
Como os detergentes atuam para promover a limpeza de superfícies gordurosas? Você já
percebeu como o detergente é eficiente para limpar recipientes de frituras, mas o mais cu-
rioso é que o segredo para essa ação está nas moléculas de água, sabão e gorduras.
Sobre os detergentes: são compostos orgânicos sintéticos que possuem longas cadeias
de hidrocarbonetos. A parte ativa da molécula de detergente é a catiônica (NH3+), este
cátion é denominado de sal de amônio quaternário.
O nome detergente não podia ser mais apropriado, do grego detergere = limpar. Como a
intenção desse produto sintético é limpar, vejamos como é possível.
A estrutura do sabão possui uma parte polar e outra apolar, veja:

A extremidade apolar é hidrófoba e a polar é hidrófila, ou seja, a cadeia de hidrocarbone-


tos não tem afinidade pela água, mas o grupo polar sim, considerando que a água tam-
bém é polar. Lembre-se da regra: “semelhante dissolve semelhante”.
Até aqui temos uma explicação da atração do detergente pela água, mas o que isso tem a
ver com limpeza? A parte apolar do sabão interage com a gordura (sujeira) ao mesmo
tempo em que a parte polar reage com a água, neste momento são formadas partículas
(micelas) de detergente que ficam espalhadas na água, agilizando o processo de limpeza.

Micela de detergente

As cargas positivas representam a polaridade do cátion NH3+ em meio aquoso.


A limpeza que você realiza dentro de casa pode gerar graves conseqüências fora dela.
Mas como assim? A maioria dos produtos usados para higiene doméstica é responsável
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por poluir rios, lagos e mares, salvo os biodegradáveis que não se acumulam na natureza.
Tudo começa quando você abre a torneira da pia e começa a lavar a louça, toda aquela
espuma característica de detergentes pode parecer bonita naquele momento, mas se tor-
na “horripilante” quando depositada em rios. Como exemplo temos o Rio Tietê, localizado
na cidade de São Paulo, você já reparou naquelas densas espumas escuras? Elas são
provenientes de detergentes e materiais orgânicos.
Mas qual a explicação química para este acúmulo na natureza?
Os resíduos de sabão sofrem decomposição pelos microorganismos existentes na água
dos rios, sendo assim se tornam biodegradáveis, ou seja, não poluem o meio ambiente.
Os detergentes por sua vez se acumulam nos rios formando uma camada de espuma.
Na água existem microorganismos produzindo enzimas capazes de quebrar as moléculas
de cadeia carbônica linear que caracterizam os sabões. Essas enzimas não reconhecem
as cadeias ramificadas presentes nos detergentes, e por isso eles permanecem na água
sem sofrer decomposição, o que ocasiona a poluição.
As espumas de poluição são conhecidas como "cisnes de detergentes", elas impedem a
entrada de gás oxigênio na água, o que afeta as formas aeróbicas aquáticas. Além disso,
as penas das aves cujo habitat natural é nas beiras de rio, passam por uma triste conse-
qüência: em contato com os detergentes elas perdem a secreção oleosa que as imper-
meabiliza impedindo-as de molhar, se as penas se molham ao entrar em contato com a
água, as aves tendem a se afundar e conseqüentemente morrerem afogadas.

2.4.2. Variáveis Físicas

2.4.2.1. Cor
A cor de uma amostra de água está associada ao grau de redução de intensidade que a
luz sofre ao atravessá-la (e esta redução dá-se por absorção de parte da radiação eletro-
magnética), devido à presença de sólidos dissolvidos, principalmente material em estado
coloidal orgânico e inorgânico. Dentre os colóides orgânicos, pode-se mencionar os áci-
dos húmico e fúlvico, substâncias naturais resultantes da decomposição parcial de com-
postos orgânicos presentes em folhas, dentre outros substratos. Também os esgotos sa-
nitários se caracterizam por apresentarem predominantemente matéria em estado coloi-
dal, além de diversos efluentes industriais contendo taninos (efluentes de curtumes, por
exemplo), anilinas (efluentes de indústrias têxteis, indústrias de pigmentos etc.), lignina e
celulose (efluentes de indústrias de celulose e papel, da madeira etc.).
Há também compostos inorgânicos capazes de possuir as propriedades e provocar os e-
feitos de matéria em estado coloidal. Os principais são os óxidos de ferro e manganês,
que são abundantes em diversos tipos de solo. Alguns outros metais presentes em eflu-
entes industriais conferem-lhes cor, mas, em geral, íons dissolvidos pouco ou quase nada
interferem na passagem da luz. O problema maior de cor na água, em geral, é o estético,
já que causa um efeito repulsivo aos consumidores.
É importante ressaltar que a coloração, realizada na rede de monitoramento, consiste ba-
sicamente na observação visual do técnico de coleta no instante da amostragem.

2.4.2.2. Série de Sólidos


Em saneamento, sólidos nas águas correspondem a toda matéria que permanece como
resíduo, após evaporação, secagem ou calcinação da amostra a uma temperatura pré-
estabelecida durante um tempo fixado. Em linhas gerais, as operações de secagem, cal-
cinação e filtração são as que definem as diversas frações de sólidos presentes na água
(sólidos totais, em suspensão, dissolvidos, fixos e voláteis). Os métodos empregados para

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a determinação de sólidos são gravimétricos (utilizando-se balança analítica ou de preci-


são).
Nos estudos de controle de poluição das águas naturais, principalmente nos estudos de
caracterização de esgotos sanitários e de efluentes industriais, as determinações dos ní-
veis de concentração das diversas frações de sólidos resultam em um quadro geral da
distribuição das partículas com relação ao tamanho (sólidos em suspensão e dissolvidos)
e com relação à natureza (fixos ou minerais e voláteis ou orgânicos).
Este quadro não é definitivo para se entender o comportamento da água em questão, mas
constitui-se em uma informação preliminar importante. Deve ser destacado que, embora a
concentração de sólidos voláteis seja associada à presença de compostos orgânicos na
água, não propicia qualquer informação sobre a natureza específica das diferentes molé-
culas orgânicas eventualmente presentes que, inclusive, iniciam o processo de volatiliza-
ção em temperaturas diferentes, sendo a faixa compreendida entre 550-600ºC uma faixa
de referência. Alguns compostos orgânicos volatilizam-se a partir de 250ºC, enquanto que
outros exigem, por exemplo, temperaturas superiores a 1000ºC.
No controle operacional de sistemas de tratamento de esgotos, algumas frações de sóli-
dos assumem grande importância. Em processos biológicos aeróbios, como os sistemas
de lodos ativados e de lagoas aeradas mecanicamente, bem como em processos anaeró-
bios, as concentrações de sólidos em suspensão voláteis nos lodos dos reatores tem sido
utilizadas para se estimar a concentração de microrganismos decompositores da matéria
orgânica. Isto por que as células vivas são, em última análise, compostos orgânicos e es-
tão presentes formando flocos em grandes quantidades relativamente à matéria orgânica
“morta” nos tanques de tratamento biológico de esgotos. Embora não representem exa-
tamente a fração ativa da biomassa presente, os sólidos voláteis têm sido utilizados de
forma a atender as necessidades práticas do controle de rotina. Imagine-se as dificulda-
des que se teria se fosse utilizada, por exemplo, a concentração de DNA para a identifica-
ção da biomassa ativa nos reatores biológicos.
Algumas frações de sólidos podem ser inter-relacionadas produzindo informações impor-
tantes. É o caso da relação SSV/SST que representa o grau de mineralização de lodos.
Por exemplo, determinado lodo biológico pode ter relação SSV/SST = 0,8 e, depois de so-
frer processo de digestão bioquímica, ter esse valor reduzido abaixo de 0,4.
Para o recurso hídrico, os sólidos podem causar danos aos peixes e à vida aquática. Eles
podem se sedimentar no leito dos rios destruindo organismos que fornecem alimentos, ou
também danificar os leitos de desova de peixes. Os sólidos podem reter bactérias e resí-
duos orgânicos no fundo dos rios, promovendo decomposição anaeróbia. Altos teores de
sais minerais, particularmente sulfato e cloreto, estão associados à tendência de corrosão
em sistemas de distribuição, além de conferir sabor às águas.

2.4.2.3. Temperatura
Variações de temperatura são parte do regime climático normal e, corpos de água natu-
rais apresentam variações sazonais e diurnas, bem como estratificação vertical. A tempe-
ratura superficial é influenciada por fatores tais como latitude, altitude, estação do ano, pe-
ríodo do dia, taxa de fluxo e profundidade. A elevação da temperatura em um corpo
d’água geralmente é provocada por despejos industriais (indústrias canavieiras, por e-
xemplo) e usinas termoelétricas.
A temperatura desempenha um papel principal de controle no meio aquático, condicio-
nando as influências de uma série de variáveis físico-químicas. Em geral, à medida que a
temperatura aumenta, de 0 a 30°C, a viscosidade, tensão superficial, compressibilidade,
calor específico, constante de ionização e calor latente de vaporização diminuem, en-
quanto a condutividade térmica e a pressão de vapor aumentam. Organismos aquáticos

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possuem limites de tolerância térmica superior e inferior, temperaturas ótimas para cres-
cimento, temperatura preferida em gradientes térmicos e limitações de temperatura para
migração, desova e incubação do ovo.

2.4.2.4. Transparência
Essa variável pode ser medida facilmente no campo utilizando-se o disco de Secchi, um
disco circular branco ou com setores branco e preto e um cabo graduado, que é mergu-
lhado na água até a profundidade em que não seja mais possível visualizar o disco. Essa
profundidade a qual o disco desaparece, e logo reaparece, é a profundidade de transpa-
rência. A partir da medida do disco de Secchi, é possível estimar a profundidade da zona
fótica, ou seja, mede a profundidade de penetração vertical da luz solar na coluna d’água.
Na zona fótica ocorre a fotossíntese, indicando o nível da atividade biológica de lagos ou
reservatórios.

2.4.2.5. Turbidez
A turbidez de uma amostra de água é o grau de atenuação de intensidade que um feixe
de luz sofre ao atravessá-la (esta redução dá-se por absorção e espalhamento, uma vez
que as partículas que provocam turbidez nas águas são maiores que o comprimento de
onda da luz branca), devido à presença de sólidos em suspensão, tais como partículas
inorgânicas (areia, silte, argila) e de detritos orgânicos, algas e bactérias, plâncton em ge-
ral, etc. A erosão das margens dos rios em estações chuvosas é um exemplo de fenôme-
no que resulta em aumento da turbidez das águas e que exigem manobras operacionais,
como alterações nas dosagens de coagulantes e auxiliares, nas estações de tratamento
de águas. A erosão pode decorrer do mau uso do solo em que se impede a fixação da
vegetação. Este exemplo mostra também o caráter sistêmico da poluição, ocorrendo inter-
relações ou transferência de problemas de um ambiente (água, ar ou solo) para outro.
Os esgotos sanitários e diversos efluentes industriais também provocam elevações na
turbidez das águas. Um exemplo típico deste fato ocorre em conseqüência das atividades
de mineração, onde os aumentos excessivos de turbidez têm provocado formação de
grandes bancos de lodo em rios e alterações no ecossistema aquático.
Alta turbidez reduz a fotossíntese de vegetação enraizada submersa e algas. Esse de-
senvolvimento reduzido de plantas pode, por sua vez, suprimir a produtividade de peixes.
Logo, a turbidez pode influenciar nas comunidades biológicas aquáticas. Além disso, afeta
adversamente os usos doméstico, industrial e recreacional de uma água.

2.5. Índices
As principais vantagens dos índices de qualidade de águas são a facilidade de comunica-
ção com o público não técnico, o status maior do que os parâmetros individuais e o fato
de representar uma média de diversas variáveis em um único número, combinando uni-
dades de medidas diferentes em um única unidade. No entanto, sua principal desvanta-
gem consiste na perda de informação das variáveis individuais e da interação entre as
mesmas. O índice, apesar de fornecer uma avaliação integrada, jamais substituirá uma
avaliação detalhada da qualidade das águas de uma determinada bacia hidrográfica.
A CETESB - Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental utilizou, de 1975 a
2001, o Índice de Qualidade das Águas - IQA, Os parâmetros de qualidade, que fazem
parte do cálculo do IQA refletem, principalmente, a contaminação dos corpos hídricos o-
casionada pelo lançamento de esgotos domésticos. É importante também salientar que
este índice foi desenvolvido para avaliar a qualidade das águas, tendo como determinante

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principal a sua utilização para o abastecimento público, considerando aspectos relativos


ao tratamento dessas águas.
A crescente urbanização e industrialização de algumas regiões do Estado de São Paulo
tem como conseqüência um maior comprometimento da qualidade das águas dos rios e
reservatórios, devido, principalmente, à maior complexidade de poluentes que estão sen-
do lançados no meio ambiente e à deficiência do sistema de coleta e tratamento dos es-
gotos gerados pela população.
Assim, a partir de 2002, a CETESB tem utilizado índices específicos para os principais
usos do recurso hídrico:
 águas destinadas para fins de abastecimento público - IAP;
 águas destinadas para a proteção da vida aquática - IVA e
 águas destinadas para o banho - Classificação da Praia.
O uso de um índice numérico global foi considerado inadequado, devido à possibilidade
de perda de importantes informações, tendo sido proposta a representação conjunta dos
três índices.
O IAP, comparado com o IQA, é um índice mais fidedigno da qualidade da água bruta a
ser captada, a qual, após tratamento, será distribuída para a população.
Do mesmo modo, o IVA foi considerado um indicador mais adequado da qualidade da á-
gua visando à proteção da vida aquática, por incorporar, com ponderação mais significati-
va, parâmetros mais representativos, especialmente a toxicidade e a eutrofização.
Observou-se, ainda, que ambos os índices poderão ser aprimorados com o tempo, com a
supressão ou inclusão de parâmetros de interesse.

2.5.1. IB - Índice de balneabilidade


O Índice de Balneabilidade visa avaliar a qualidade da água para fins de recreação de
contato primário, sendo aplicado em praias de águas interiores, localizadas em rios e re-
servatórios.
Nas praias onde são realizadas classificações semanais, o IB é obtido através de uma
síntese das classificações ao longo das 52 semanas do ano. As praias onde são realiza-
das classificações mensais, o IB é calculado a partir das densidades de E. coli.
Apresentam-se na Tabela a seguir, as especificações que determinam a Qualificação A-
nual para as praias com classificações semanais e mensais.

Número de resultados de Coliformes Termotolerantes


Praias classificadas como EXCE-
ÓTIMA menores do que 250 ou E. coli menores do que 200 em
LENTES em 100% do tempo
100% do ano.
Praias PRÓPRIAS em 100% do Número de resultados de Coliformes Termotolerantes
tempo, exceto as classificadas menores do que 1.000 ou E. coli menores do que 800 em
BOA
como EXCELENTES em 100% 100% do ano, exceto a condição de menores do que 250
do tempo e 200 em 100% do ano.

Praias classificadas como IM- Número de resultados de Coliformes Termotolerantes


REGULAR PRÓPRIAS em porcentagem de maiores do que 1.000 ou E. coli maiores do que 800 em
tempo inferior a 50% porcentagem inferior a 50% do ano.

Praias classificadas como IM- Número de resultados de coliformes Termotolerantes


MÁ PRÓPRIAS em porcentagem de maiores do que 1.000 ou E. coli maiores do que 800 em
tempo igual ou superior a 50% porcentagem igual ou superior a 50% do ano.

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QUÍMICA AMBIENTAL - Teoria

IAP - Índice de qualidade de água bruta para fins de abastecimento público


O IAP é o produto da ponderação dos resultados atuais do IQA (Índice de Qualidade de
Águas) e do ISTO (Índice de Substâncias Tóxicas e Organolépticas), que é composto pelo
grupo de substâncias que afetam a qualidade organoléptica da água, bem como de subs-
tâncias tóxicas. Assim, o índice será composto por três grupos principais de variáveis:

IQA – grupo de variáveis básicas (Temperatura da Água, pH, Oxigênio Dissolvido,


Demanda Bioquímica de Oxigênio, Coliformes Termotolerantes, Nitrogênio Total, Fósforo
Total, Resíduo Total e Turbidez);

ISTO - Índice de Substâncias Tóxicas e Organolépticas

a) Variáveis que indicam a presença de substâncias tóxicas (Teste de Ames - Genotoxici-


dade, Potencial de Formação de Trihalometanos - PFTHM, Número de Células de Ciano-
bactérias, Cádmio, Chumbo, Cromo Total, Mercúrio e Níquel);
b) Grupo de variáveis que afetam a qualidade organoléptica (Ferro, Manganês, Alumínio,
Cobre e Zinco).
O IAP será calculado segundo a seguinte expressão:
IAP = IQA x ISTO

O IAP completo será designado como sendo aquele que inclui no grupo de Substâncias
Tóxicas (ST) do ISTO, o Teste de Ames e o Potencial de Formação de THM, e será apli-
cado para todos os pontos da Rede de Monitoramento que são utilizados para abasteci-
mento público. Nos demais pontos, o IAP será calculado excluindo-se tais parâmetros.
Parte dos parâmetros do ISTO apresentam freqüência semestral, uma vez que os dados
históricos dos mesmos retratam concentrações baixas nas águas. Sendo assim, nos me-
ses onde não existem resultados para esses parâmetros, o ISTO será calculado descon-
siderando tais ausências.

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QUÍMICA AMBIENTAL - Teoria

3. Química ambiental do Ar

3.1. Causas da poluição do ar


A poluição do ar pode ser definida como o resultado da alteração das características físi-
cas e/ou química e/ou biológica da atmosfera de forma a causar danos ao homem e/ou
fauna e/ou flora, e/ou aos materiais ou de forma a restringir o pleno uso e gozo da propri-
edade.
É caracterizada pela presença de gases tóxicos e partículas líquidas ou sólidas no ar. Os
escapamentos dos veículos, as chaminés das fábricas, as queimadas estão constante-
mente lançando no ar grandes quantidades de substâncias prejudiciais à saúde.
A poluição do ar não é um problema recente. A própria natureza tem na sua constituição
fenômenos geológicos e reações químicas que são fontes de poluição. São exemplos dis-
so as erupções vulcânicas que lançam gases e poeira na atmosfera (material particulado
e gases) e os incêndios florestais que produzem muito gás carbônico.
Nos grandes centros urbanos e industriais tornam-se freqüentes os dias em que a polui-
ção atinge níveis críticos. Os escapamentos dos veículos automotores emitem gases co-
mo o monóxido (CO) e o dióxido de carbono (CO2), o óxido de nitrogênio (NO), o dióxido
de enxofre (SO2) e os hidrocarbonetos. As fábricas de papel e cimento, indústrias quími-
cas, refinarias e as siderúrgicas emitem óxidos sulfúricos, óxidos de nitrogênio, enxofre,
partículas metálicas (chumbo, níquel e zinco) e substâncias usadas na fabricação de inse-
ticidas.
Produtos como os aerossóis, espumas plásticas, alguns tipos de extintores de incêndio,
materiais de isolamento de construção, buzinas de barcos, espumas para embalagem de
alimentos, entre vários outros liberam clorofluorcarbonos (CFCs). Todos esses poluentes
são resultantes das atividades humanas e são lançados na atmosfera
Denomina-se por fonte de poluição, toda e qualquer atividade, sistema, processo, opera-
ção, maquinaria, equipamento ou dispositivo, móvel ou não, que direta ou indiretamente,
gerar, produzir, lançar ou liberar poluente, ou induzir a poluição do meio ambiente.
As fontes de poluição do ar são classificadas como:
• Naturais - erupções vulcânicas (partículas e compostos de enxofre), evaporação natu-
ral, tempestades de areia e poeiras em geral, decomposição de vegetais, decomposi-
ção de animais e incêndios florestais.
• Artificiais - estão subdivididas em:
a) Estacionárias: queima de combustível na indústria e emissão por processos e ope-
rações industriais; queima de lixo ao ar livre, incineração de lixo, limpeza a seco, poei-
ras fugitivas em geral, comercialização e armazenamento de produtos voláteis.
b) Móveis: veículos automotores (gasolina, álcool e diesel)
Defini-se poluente como toda a forma de matéria ou energia que causar direta ou indi-
retamente a poluição do meio ambiente
Os poluentes podem ser classificados também conforme:
a) Forma física
• Partículas (ou material particulado) – matéria sólida ou líquida pequena e discreta, co-
mo exemplo temos; poeiras, fumos e névoas. Chama-se de partículas respiráveis, as
que possuem diâmetro aerodinâmico menor que 10 µm.
• Gases e vapores- moléculas muito separadas com grande mobilidade. Não tem forma
ou volume, como exemplo temos: monóxido de carbono (CO), dióxido de enxofre
(SO2), vapores de hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio (NOx).
b) Origem
• Primários – são emitidos diretamente de fontes identificáveis e permanece na atmosfe-
ra na forma em que foram emitidos, pelo menos por certo tempo.

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QUÍMICA AMBIENTAL - Teoria

• Secundários – são formados na atmosfera como resultado de reações entre dois ou


mais poluentes. Como exemplo clássico tem os oxidantes fotoquímicos, principalmente
o ozônio, formado nas reações durante a ocorrência de “smog” fotoquímico, pela rea-
ção entre óxidos de nitrogênio e compostos orgânicos voláteis.
c) Toxicidade e freqüência de ocorrência
• Poluentes padrões – são os que ocorrem com grande freqüência sendo danosos à sa-
úde e ao bem estar geral da população além de comumente causar danos a outros re-
ceptores. São controlados através de padrões de qualidade do ar. No Brasil temos os
seguintes poluentes como padrão: monóxido de carbono, dióxido de enxofre, ozônio e
material particulado
• Poluentes perigosos – são os que podem causar ou contribuir para o aumento da mor-
talidade ou para o aumento da ocorrência de doenças irreversíveis ou reversíveis, mas
incapacitantes. Usualmente causam problemas localizados e são controlados através
de padrões de emissão. Como exemplos têm: asbestos (amianto), benzeno, cloreto de
vinila, berílio, mercúrio e arsênio.
• Poluentes incômodos – são os que apresentam odores como exemplos têm: mercapta-
nas, gás sulfídrico, etc.

3.2. Efeitos da poluição do ar


A emissão excessiva de poluentes tem provocado sérios danos à saúde como problemas
respiratórios (bronquite crônica e asma), alergias, lesões degenerativas no sistema nervo-
so ou em órgãos vitais e até câncer. Esses distúrbios agravam-se pela ausência de ven-
tos e no inverno com o fenômeno da inversão térmica (ocorre quando uma camada de ar
frio forma uma parede na atmosfera que impede a passagem do ar quente e a dispersão
dos poluentes). Morreram em decorrência desse fenômeno cerca de 4.000 pessoas em
Londres no ano de 1952.
Os danos não se restringem à espécie humana. Toda a natureza é afetada. A toxidez do
ar ocasiona a destruição de florestas, forte chuvas que provocam a erosão do solo e o en-
tupimento dos rios. Os principais impactos ao meio ambiente são a redução da camada
de ozônio, o efeito estufa e a precipitação de chuva ácida.

3.2.1. Redução da Camada de Ozônio


A camada de ozônio protege a terra dos raios ultravioleta do sol, que são extremamente
prejudiciais à vida. Ela está situada na faixa de 15 e 50 km de altitude. Os CFCs (cloroflu-
orcarbonos) são compostos altamente nocivos a este escudo natural da terra. O CFC é
uma mistura de átomos de cloro e carbono. Presentes no ar poluído, o CFC é transporta-
do até elevadas altitudes quando é bombardeado pelos raios solares ocasionando a sepa-
ração do cloro e do carbono. O cloro, por sua vez, tem a capacidade de destruir as molé-
culas de ozônio. Basta um átomo de cloro para destruir milhares de moléculas de ozônio
(O3) formando um buraco, pelo qual, os raios UV passam chegando a atingir a superfície
terrestre. Em 1985 os cientistas descobriram um buraco na camada de ozônio sobre a An-
tártida o qual continua se expandindo. A redução do ozônio contribui para o efeito estufa.

3.2.2. Efeito Estufa


É a elevação da temperatura da terra provocada pela introdução na atmosfera de exces-
sivas quantidades de gases estranhos. O principal agente causador do efeito estufa é o
gás carbônico (CO2) resultante da combustão do carvão, lenha e petróleo. Esse efeito é
semelhante à dos vidros fechados de um carro exposto ao sol. O vidro permite a passa-
gem dos raios solares, acumulando calor no interior do veículo, que fica cada vez mais
quente. As conseqüências desse fenômeno são catastróficas como o aquecimento e a al-

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QUÍMICA AMBIENTAL - Teoria

teração do clima favorecendo a ocorrência de furacões, tempestades e até terremotos; ou


o degelo das calotas polares, aumentando o nível do mar e inundando regiões litorâneas;
ou afetando o equilíbrio ambiental com o surgimento de epidemias.

3.2.3. Chuva Ácida


A queima incompleta dos combustíveis fósseis pelas indústrias e pelos veículos produz o
gás carbônico junto com outras formas oxidadas do nitrogênio e do enxofre que são libe-
rados para a atmosfera. Juntando o dióxido de enxofre e o vapor d'água forma-se o ácido
sulfúrico que cai sobre a superfície terrestre em forma de chuva. As conseqüências disto
são a acidez dos lagos ocasionando o desaparecimento das espécies que vivem neles, o
desgaste do solo, da vegetação e dos monumentos.
A água da chuva não é totalmente pura, pois sempre carrega componentes da atmosfera,
o próprio CO2 ao se dissolver na água a torna um pouco ácida, com um pH aproximada-
mente igual a 5,6. A reação da água com o gás carbônico é:

O ácido formado (ácido carbônico), é um ácido muito fraco, o que não compete à água
uma diminuição brusca do pH. A chuva ácida é um fenômeno causado pela poluição da
atmosfera. Ela pode acarretar muitos problemas para as plantas, animais, solo, água,
construções e também às pessoas. Reage com metais e carbonatos atacando muitos ma-
teriais usados na construção civil, como mármore e calcários. Diferentemente do CO 2, os
óxidos de enxofre (SO2 e SO3) e de nitrogênio (N2O, NO e NO2) presentes na atmosfera
formam ácidos fortes, aumentando a acidez da água da chuva.
Na atmosfera ocorre às seguintes reações:

Reações semelhantes ocorrem com os óxidos de nitrogênio. Como o ar é formado de N2


e O2, durante as tempestades, os raios provocam a seguinte reação:

e conseqüentemente:

A chuva ácida pode ser transportada através de longas distâncias, podendo cair em locais
em que não há fonte de poluentes causadores de chuva ácida.

3.2.3.1. Efeitos da Chuva Ácida


a) Nas florestas - Tem sido percebido pelos cientistas ao longo dos anos, que em
muitas florestas as árvores não crescem como deveriam e as folhas, em vez de es-
tarem verdes e normais, ficam castanhas e acabam caindo.
Os investigadores acreditam que o principal fator responsável pelos danos causa-
dos às plantas e a morte de muitas florestas é a chuva ácida.
A chuva ácida não é responsável direta da morte das árvores. O que ocorre geral-
mente é que a árvore enfraquece e as suas folhas morrem, limitando assim os nu-
trientes de que precisa ou envenenando o solo com substâncias tóxicas. De acordo
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QUÍMICA AMBIENTAL - Teoria

com os cientistas, a água acidificada dissolve os nutrientes que estão no solo e ar-
rasta-os rapidamente antes que as plantas os possam utilizar para crescer. A chu-
va ácida pode causar ainda a liberação de algumas substâncias tóxicas como o a-
lumínio no solo, prejudicando sua fertilidade.Mesmo o solo sendo bastante resis-
tente às chuvas ácidas, há que contar com as nuvens e o nevoeiro que muitas das
vezes são ainda mais ácidos que a chuva. As proteções das folhas são destruídas
quando são banhadas por nuvens ácidas, e suas folhas acabam ficando danifica-
das e com manchas castanhas. Para crescerem, as folhas transformam em alimen-
to a luz solar através da fotossíntese. As folhas ao morrerem não podem produzir
energia suficiente para que a árvore se mantenha saudável. Uma vez que as árvo-
res estejam enfraquecidas serão mais facilmente atacadas por doenças e insetos.
b) Nas águas - A maioria dos rios e lagos possuem um pH entre 6 e 8. O pH dos la-
gos no entanto pode atingir valores aproximados a 5 quando os solos e a água não
têm a capacidade de neutralizar a chuva ácida, todos os organismos que vivem em
meios aquáticos poderão morrer por conseqüência deste fenômeno. Os sapos su-
portam as variações de pH maiores e poderiam resistir, mas se o seu alimento
também desaparecer acabarão morrendo. À medida que a acidez dos lagos au-
menta os peixes vão desaparecendo. Mesmo que alguns mais resistentes consi-
gam sobreviver, é muito difícil que a sua continuidade esteja assegurada uma vez
que os seus ovos não têm hipóteses de eclodir.
c) Em construções - A chuva ácida pode ser responsável pela corrosão de pedra,
metal ou tinta. Praticamente todos os materiais se degradam gradualmente quando
expostos à chuva e ao vento. A chuva ácida acelera esse processo, destruindo es-
tátuas, prédios ou monumentos. É importante saber que reparar os estragos cau-
sados pela chuva ácida em casas e prédios pode ser extremamente caro; além do
mais, muitos monumentos encontram-se já muito degradados e a sua recuperação
ou substituição muitas vezes é impossível.O principal constituinte dos mármores,
os quais são utilizados na construção de prédios e monumentos, é o calcário (Car-
bonato de cálcio - CaCO3) que reage com os ácidos contribuintes da acidez da
chuva ácida como na reação a seguir:

3.2.3.2. Possíveis medidas para se evitar a chuva ácida:


a) Purificação do carvão mineral, antes de seu uso;
b) Emprego de caldeiras com sistemas de absorção de SO2;
c) Uso de petróleo de melhor qualidade e purificação de seus derivados;
d) Construção de motores de carros mais eficientes (que destruam os gases nocivos);

3.2.4. Inversão térmica


A concentração de poluentes está fortemente relacionada às condições meteorológicas.
Alguns dos parâmetros que favorecem altos índices de poluição são: alta porcentagem de
calmaria, ventos fracos e inversões térmicas a baixa altitude. Este fenômeno é particular-
mente comum no inverno paulista, quando as noites são frias e a temperatura tende a se
elevar rapidamente durante o dia, provocando alteração no resfriamento natural do ar.
A inversão térmica se caracteriza por uma camada de ar quente que se forma sobre a ci-
dade, “aprisionando” o ar e impedindo a dispersão dos poluentes.
Nos primeiros 10 km da atmosfera, normalmente, o ar vai se resfriando à medida que nos
distanciamos da superfície da terra. Assim o ar mais próximo à superfície, que é mais

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QUÍMICA AMBIENTAL - Teoria

quente, portanto mais leve, pode ascender, favorecendo a dispersão dos poluentes emiti-
dos pelas fontes, conforme se verifica na figura 1.
A inversão térmica é uma condição meteorológica que ocorre quando uma camada de ar
quente se sobrepõe a uma camada de ar frio, impedindo o movimento ascendente do ar,
uma vez que, o ar abaixo dessa camada fica mais frio, portanto, mais pesado, fazendo
com os poluentes se mantenham próximos da superfície, como pode ser observado na fi-
gura 2.

3.3. Medidas para controlar a poluição do ar


•A existência de uma rigorosa legislação antipoluição, que obrigue as fábricas a instala-
rem filtros nas suas chaminés, a tratar os seus resíduos e a usar processos menos polu-
entes. Penalizações para as indústrias que não estiverem de acordo com as Leis;
Controle rigoroso dos combustíveis e sobre seu grau de pureza;
a. Criação de dispositivos de controle de poluição;
b. Vistoria nos veículos automotores para retirar de circulação os desregulados. Nos
modelos mais antigos a exigência de instalação de filtros especiais nos escapamen-
tos;
c. Aplicação de rodízio de carros diariamente;
d. Incentivar as pessoas a deixarem seus carros em casa pelo menos dois dias, orga-
nizando assim, um sistema de caronas e a utilizarem mais os transportes coletivos;
e. Melhoria e segurança no sistema de transporte coletivo;
f. Recolhimento de condicionadores de ar, geladeiras e outros produtos que usam
CFC;
g. Incentivo às pesquisas para a elaboração de substitutos do CFC;
h. Investimentos nas fontes alternativas de energia e na elaboração de novos tipos de
combustíveis como o álcool vegetal (carros), extraído da cana-de-açúcar e do euca-

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QUÍMICA AMBIENTAL - Teoria

lipto, e do óleo vegetal (substitui o óleo diesel e o combustível para a aviação), extra-
ído da mamona, do babaçu, da soja, do algodão, do dendê e do amendoim;
i. Melhor planejamento das cidades, buscando a harmonia entre a natureza e a urba-
nização;
b) Maior controle e fiscalização sobre desmatamentos e incêndios nas matas e flores-
tas;
c) Proteção e conservação dos parques ecológicos;
d) Incentivo à população para plantar árvores;
e) Campanhas de conscientização da população para os riscos da poluição;
f) Cooperação com as entidades de proteção ambiental.

3.4. Padrões de Qualidade do ar


Os padrões de qualidade do ar definem legalmente o limite máximo para a concentração
de um poluente na atmosfera, que garanta a proteção da saúde e do meio ambiente. Os
padrões de qualidade do ar são baseados em estudos científicos dos efeitos produzidos
por poluentes específicos e são fixados em níveis que possam propiciar uma margem de
segurança adequada. Os padrões nacionais foram estabelecidos pelo IBAMA - Instituto
Brasileiro de Meio Ambiente e aprovados pelo CONAMA - Conselho Nacional de Meio
Ambiente, por meio da Resolução CONAMA 03/90.
São estabelecidos dois tipos de padrões de qualidade do ar: os primários e os secundá-
rios. São padrões primários de qualidade do ar as concentrações de poluentes que, ultra-
passadas, poderão afetar a saúde da população. Podem ser entendidos como níveis má-
ximos toleráveis de concentração de poluentes atmosféricos, constituindo-se em metas de
curto e médio prazo. São padrões secundários de qualidade do ar as concentrações de
poluentes atmosféricos abaixo das quais se prevê o mínimo efeito adverso sobre o bem
estar da população, assim como o mínimo dano à fauna e à flora, aos materiais e ao meio
ambiente em geral. Podem ser entendidos como níveis desejados de concentração de po-
luentes, constituindo-se em meta de longo prazo. O objetivo do estabelecimento de pa-
drões secundários é criar uma base para uma política de prevenção da degradação da
qualidade do ar. Devem ser aplicados às áreas de preservação (por exemplo: parques
nacionais, áreas de proteção ambiental, estâncias turísticas, etc.). Não se aplicam, pelo
menos em curto prazo, a áreas de desenvolvimento, onde devem ser aplicados os pa-
drões primários. Como prevê a própria Resolução CONAMA n.º 03/90, a aplicação dife-
renciada de padrões primários e secundários requer que o território nacional seja dividido
em classes I, II e III conforme o uso pretendido. A mesma resolução prevê ainda que en-
quanto não for estabelecida a classificação das áreas os padrões aplicáveis serão os pri-
mários. Os parâmetros regulamentados são os seguintes: partículas totais em suspensão,
fumaça, partículas inalavam dióxido de enxofre, monóxido de carbono, ozônio e dióxido
de nitrogênio. Os padrões nacionais de qualidade do ar são apresentados na tabela a se-
guir.

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QUÍMICA AMBIENTAL - Teoria

Padrões nacionais de qualidade do ar (Resolução CONAMA nº 03 de 28/06/90)

Padrão Primá-
Tempo de Padrão Secundá-
Poluente rio Método de Medição
Amostragem rio µg/m³
µg/m³
partículas totais em 24 horas1 240 150 amostrador de
suspensão MGA2 80 60 grandes volumes
24 horas1 150 150 separação
partículas inaláveis
MAA3 50 50 inercial/filtração
24 horas1 150 100
fumaça refletância
MAA3 60 40
24 horas1 365 100
dióxido de enxofre pararosanilina
MAA3 80 40
1 hora1 320 190
dióxido de nitrogênio quimiluminescência
MAA3 100 100
1 hora1 40.000 - 35 ppm 40.000 - 35 ppm infravermelho
monóxido de carbono
8 horas1 10.000 - 9 ppm 10.000 - 9 ppm não dispersivo
ozônio 1 hora1 160 160 quimiluminescência
1 - Não deve ser excedido mais que uma vez ao ano. 2 - Média geométrica anual. 3 - Média aritmética anual.

A mesma resolução estabelece ainda os critérios para episódios agudos de poluição do


ar. A declaração dos estados de Atenção, Alerta e Emergência requer, além dos níveis de
concentração atingidos, a previsão de condições meteorológicas desfavoráveis à disper-
são dos poluentes.
A Legislação Estadual (DE 8468 de 08/09/76) também estabelece padrões de qualidade
do ar e critérios para episódios agudos de poluição do ar, mas abrange um número menor
de parâmetros. Os parâmetros comuns às legislações federais e estaduais têm os mes-
mos padrões e critérios, com exceção dos critérios de episódio para ozônio. Neste caso a
Legislação Estadual é mais rigorosa para o nível de atenção (200µg/m3). Além dos polu-
entes para os quais foram estabelecidos Padrões de Qualidade do Ar, a CETESB monito-
ra outros parâmetros, como por exemplo, os Compostos de Enxofre Reduzido Total
(ERT).
Critérios para episódios agudos de poluição do ar (Resolução CONAMA nº 03 de
28/06/90)

Parâmetros Atenção Alerta Emergência


3
Partículas totais em suspensão (µg/m ) - 24h 375 625 875
Partículas inaláveis (µg/m3) - 24h 250 420 500
Fumaça (µg/m3) - 24h 250 420 500
Dióxido de enxofre (µg/m3) - 24h 800 1.600 2.100
SO2 X PTS (µg/m3)(µg/m3) - 24h 65.000 261.000 393.000
Dióxido de nitrogênio (µg/m3) - 1h 1.130 2.260 3.000
Monóxido de carbono (ppm) - 8h 15 30 40
Ozônio (µg/m3) – 1h 400* 800 1.000
O nível de atenção é declarado pela CETESB com base na Legislação Estadual que é
mais restritiva (200 µg/m3).
O índice de qualidade do ar é uma ferramenta matemática desenvolvida para simplificar o
processo de divulgação da qualidade do ar. Esse índice é utilizado desde 1981, e foi cria-

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QUÍMICA AMBIENTAL - Teoria

do usando como base uma longa experiência desenvolvida no Canadá e EUA. Os parâ-
metros contemplados pela estrutura do índice da CETESB são:
a) dióxido de enxofre (SO2)
b) partículas totais em suspensão (PTS)
c) partículas inaláveis (MP10)
d) fumaça (FMC)
e) monóxido de carbono (CO)
f) ozônio (O3)
g) dióxido de nitrogênio (NO2)

Para cada poluente medido é calculado um índice, que através do qual obtêm uma quali-
ficação, que é uma espécie de uma nota, feita conforme apresentado na tabela abaixo.

MP10 O3 CO NO2 SO2


Qualidade Índice
(µg/m3) (µg/m3) (ppm) (µg/m3) (µg/m3)
Boa 0 - 50 0 - 50 0 - 80 0 - 4,5 0 - 100 0 - 80
Regular 51 - 100 50 - 150 80 - 160 4,5 - 9 100 - 320 80 - 365
Inadequada 101 - 199 150 - 250 160 - 200 9 - 15 320 - 1130 365 - 800
Má 200 - 299 250 - 420 200 - 800 15 - 30 1130 - 2260 800 - 1600
Péssima >299 >420 >800 >30 >2260 >1600

Para efeito de divulgação utiliza-se o índice mais elevado, isto é, a qualidade do ar de


uma estação é determinada pelo pior caso. Esta qualificação do ar está associada com
efeitos sobre a saúde, independentemente do poluente em questão, conforme tabela a-
baixo:

Qualidade Índice Significado


Boa 0 - 50 Praticamente não há riscos à saúde.
Pessoas de grupos sensíveis (crianças, idosos e pessoas com doenças
Regular 51 - 100 respiratórias e cardíacas), podem apresentar sintomas como tosse seca e
cansaço. A população, em geral, não é afetada.
Toda a população pode apresentar sintomas como tosse seca, cansaço,
ardor nos olhos, nariz e garganta. Pessoas de grupos sensíveis (crianças,
Inadequada 101 - 199
idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardíacas), podem apresen-
tar efeitos mais sérios na saúde.
Toda a população pode apresentar agravamento dos sintomas como tosse
seca, cansaço, ardor nos olhos, nariz e garganta e ainda apresentar falta
Má 200 - 299 de ar e respiração ofegante. Efeitos ainda mais graves à saúde de grupos
sensíveis (crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardía-
cas).
Toda a população pode apresentar sérios riscos de manifestações de do-
Péssima >299 enças respiratórias e cardiovasculares. Aumento de mortes prematuras em
pessoas de grupos sensíveis.

Individualmente, cada poluente apresenta diferentes efeitos sobre a saúde da população


para faixas de concentração distintas, identificados por estudos epidemiológicos desen-
volvidos dentro e fora do país. Tais efeitos sobre a saúde requerem medidas de preven-
ção a serem adotadas pela população afetada.
No inverno, freqüentemente ocorrem dias com baixa umidade do ar e alta concentração
de poluentes. Nessas condições, é comum ocorrerem complicações respiratórias devido

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QUÍMICA AMBIENTAL - Teoria

ao ressecamento das mucosas, provocando sangramento pelo nariz, ressecamento da


pele e irritação dos olhos.
Quando a umidade relativa do ar estiver entre 20 e 30%, é melhor evitar exercícios físicos
ao ar livre entre 11 e 15 horas; umidificar o ambiente através de vaporizadores, toalhas
molhadas, recipientes com água, umidificação de jardins etc.; sempre que possível per-
manecer em locais protegidos do sol ou em áreas arborizadas.
Se a umidade estiver entre 20 e 12%, é recomendável suspender exercícios físicos e tra-
balhos ao ar livre entre 10 e 16 horas; evitar aglomerações em ambientes fechados; e se-
guir as orientações anteriores.
Mas, se a umidade for menor do que 12% é preciso interromper qualquer atividade ao ar
livre entre 10 e 16 horas; determinar a suspensão de atividades que exijam aglomerações
de pessoas em recintos fechados; manter umidificados os ambientes internos, principal-
mente quartos de crianças, hospitais etc. Além dessas medidas é recomendável usar colí-
rio de soro fisiológico ou água boricada para os olhos e narinas e beber muita água.

3.5. Significado dos principais poluente encontrados no ar


A interação entre as fontes de poluição e a atmosfera vai definir o nível de qualidade do
ar, que determina por sua vez o surgimento de efeitos adversos da poluição do ar sobre
os receptores, que podem ser o homem, os animais, as plantas e os materiais. A medição
sistemática da qualidade do ar é restrita a um número de poluentes, definidos em função
de sua importância e dos recursos disponíveis para seu acompanhamento. O grupo de
poluentes que servem como indicadores de qualidade do ar, adotados universalmente e
que foram escolhidos em razão da freqüência de ocorrência e de seus efeitos adversos,
são:

3.5.1. Material particulado


Material Particulado (MP), Partículas Totais em Suspensão(PTS), Partículas Inaláveis
(MP10) e Fumaça (FMC).
Sob a denominação geral de Material Particulado se encontra um conjunto de poluentes
constituídos de poeiras, fumaças e todo tipo de material sólido e líquido que se mantém
suspenso na atmosfera por causa de seu pequeno tamanho. As principais fontes de e-
missão de particulado para a atmosfera são: veículos automotores, processos industriais,
queima de biomassa, ressuspensão de poeira do solo, entre outros. O material particula-
do pode também se formar na atmosfera a partir de gases como dióxido de enxofre (SO 2),
óxidos de nitrogênio (NOx) e compostos orgânicos voláteis (COVs), que são emitidos
principalmente em atividades de combustão, transformando-se em partículas como resul-
tado de reações químicas no ar.
O tamanho das partículas está diretamente associado ao seu potencial para causar pro-
blemas à saúde, sendo que quanto menores maiores os efeitos provocados.
O particulado pode também reduzir a visibilidade na atmosfera.
O material particulado pode ser classificado como:
a) Partículas Totais em Suspensão (PTS) – Podem ser definidas de maneira simpli-
ficada como aquelas cujo diâmetro aerodinâmico é menor que 50 µm. Uma parte
destas partículas é inaláveis e pode causar problemas à saúde, outra parte pode
afetar desfavoravelmente a qualidade de vida da população, interferindo nas condi-
ções estéticas do ambiente e prejudicando as atividades normais da comunidade.
b) Partículas Inaláveis (MP10) – Podem ser definidas de maneira simplificada como
aquelas cujo diâmetro aerodinâmico é menor que 10 µm. As partículas inaláveis
podem ainda ser classificadas como partículas inaláveis finas – MP2, 5 (<2,5µm) e
partículas inaláveis grossas (2,5 a 10µm). As partículas finas, devido ao seu tama-

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QUÍMICA AMBIENTAL - Teoria

nho diminuto, podem atingir os alvéolos pulmonares, já as grossas ficam retidas na


parte superior do sistema respiratório.
c) Fumaça (FMC) - Está associada ao material particulado suspenso na atmosfera
proveniente dos processos de combustão. O método de determinação da fumaça é
baseado na medida de refletância da luz que incide na poeira (coletada em um fil-
tro), o que confere a este parâmetro a característica de estar diretamente relacio-
nado ao teor de fuligem na atmosfera.

3.5.2. Monóxido de Carbono (CO)


É um gás incolor e inodoro que resulta da queima incompleta de combustíveis de origem
orgânica (combustíveis fósseis, biomassa, etc.). Em geral é encontrado em maiores con-
centrações nas cidades, emitido principalmente por veículos automotores. Altas concen-
trações de CO são encontradas em áreas de intensa circulação de veículos.
Pertencente ao grupo de poluentes gasosos, o monóxido de carbono (CO) é um gás ino-
doro, incolor e insípido. Tal poluente é produzido tanto por processos naturais quanto por
processos provocados pelo ser humano. Têm-se como exemplos de fontes de emissão
naturais, as queimadas florestais espontâneas, as erupções vulcânicas e a decomposição
de clorofila.

3.5.3. Hidrocarbonetos: C- H
É uma classe de composto formado por hidrogênio e carbono. Não são necessariamente
perigosos, mas na presença da luz solar formam óxidos de nitrogênio e daí sim produzem
compostos secundários que são nocivos à saúde humana.
São gases e vapores resultantes da queima incompleta e evaporação de combustíveis e
de outros produtos orgânicos voláteis. Diversos hidrocarbonetos como o benzeno são
cancerígenos e mutagênicos, não havendo uma concentração ambiente totalmente segu-
ra. Participam ativamente das reações de formação da “névoa fotoquímica”.

Poderíamos perguntar qual é o combustível que mais polui a atmosfera: O álcool, a


gasolina ou o óleo diesel?
 A gasolina, além de ser derivada do petróleo, lança na atmosfera gases que preju-
dicam a saúde humana e o meio ambiente, pois não há um motor que faz a com-
bustão de forma correta. Mas os hidrocarbonetos que compõem a gasolina são
mais leves do que aqueles que compõem o óleo diesel, pois são formados por mo-
léculas de menor cadeia carbônica (normalmente cadeias de 4 a 12 átomos de
carbono), com isso a gasolina se torna menos poluente do que o diesel.
 O álcool, juntamente com a gasolina, polui consideravelmente menos do que o di-
esel, graças ao catalisador que é uma peça vital para reduzir a emissão de gases
poluentes. Esse importante equipamento faz com que gases mais prejudiciais, co-
mo os monóxidos de carbono, sejam transformados em substâncias menos peri-
gosas. Mas ambos, tanto o álcool como a gasolina, são responsáveis pela emissão
do perigoso dióxido de carbono, que contribui para o efeito estufa e o aquecimento
global. A queima do álcool emite menos gases poluentes na atmosfera, pelo fato
de ser derivado da fermentação da cana-de-açúcar, a queima do álcool produz em
média 25% menos monóxido de carbono e 35% menos óxido de nitrogênio (NO)
que a gasolina. Mas o álcool também polui, é verdade que em menos proporção
que a gasolina, mas não pode ser classificado como não-poluente.
 O diesel, ele se tornou o grande vilão no trânsito, e para agravar a situação, os ve-
ículos movidos a diesel, como ônibus e caminhões, não são equipados com bons

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QUÍMICA AMBIENTAL - Teoria

catalisadores. Metais pesados altamente nocivos fazem parte da composição do


diesel, eles se acumulam no organismo humano e, depois de alguns anos, chegam
a causar até mesmo males neurológicos. Estudos revelaram que as dioxinas pre-
sentes no diesel são responsáveis por provocar as fortes dores de cabeça, distúr-
bios hormonais e câncer no aparelho respiratório. A própria fuligem desse combus-
tível serve como um facilitador para as alergias nas vias aéreas.
Sem dúvidas o combustível que mais polui é o diesel.

3.5.4. NOx - Óxido de Nitrogênio (NO) e Dióxido de Nitrogênio (NO2)


São formados durante processos de combustão. Em grandes cidades, os veículos geral-
mente são os principais responsáveis pela emissão dos óxidos de nitrogênio. O NO, sob a
ação de luz solar se transforma em NO2 e tem papel importante na formação de oxidantes
fotoquímicos como o ozônio. Dependendo das concentrações, o NO2 causa prejuízos à
saúde.
Formam-se quando o N2 do ar reage com o O2 no processo de queima de combustível
fóssil a altas temperaturas. São chamadas de NOx. São produzidos também pela ativida-
de das bactérias que existem no solo. No meio rural sua concentração é baixa e nas zo-
nas urbanas sua concentração é de 10 a 100 vezes maior. Provoca chuva ácida quando
no NO2 oxida e reage coma umidade do ar formando o HNO3 ( acido nítrico) que provoca
chuva ácida.

3.5.5. Ozônio (O3) e Oxidantes Fotoquímicos


“Oxidantes fotoquímicos” é a denominação que se dá à mistura de poluentes secundários
formados pelas reações entre os óxidos de nitrogênio e compostos orgânicos voláteis, na
presença de luz solar, sendo estes últimos liberados na queima incompleta e evaporação
de combustíveis e solventes. O principal produto desta reação é o ozônio, por isso mesmo
utilizado como parâmetro indicador da presença de oxidantes fotoquímicos na atmosfera.
Tais poluentes formam a chamada névoa fotoquímica ou “smog fotoquímico”, que possui
este nome porque causa na atmosfera diminuição da visibilidade.
Além de prejuízos à saúde, o ozônio pode causar danos à vegetação. É sempre bom res-
saltar que o ozônio encontrado na faixa de ar próxima do solo, onde respiramos chamado
de “mau ozônio”, é tóxico. Entretanto, na estratosfera (a cerca de 25 km de altitude) o o-
zônio tem a importante função de proteger a Terra, como um filtro, dos raios ultravioletas
emitidos pelo Sol. É um poluente secundário que se formam através de uma complexa
reação química envolvendo outros poluentes tais como os óxidos de nitrogênio e hidro-
carbonetos. É uma poluição fotoquímica.

3.5.6. Dióxido de carbono (CO2)


É um óxido presente na atmosfera, é associado ao chamado efeito estufa e por isso é
considerado prejudicial ao ambiente. Mais conhecido como gás carbônico, o CO 2 vem
aumentando gradualmente na atmosfera terrestre, você imagina por quê? Os nossos veí-
culos movidos a combustível de petróleo são os principais fornecedores de CO2.
A própria natureza tem uma solução para o problema: a remoção do gás através da fotos-
síntese. Mas infelizmente o homem novamente interfere no processo, o corte indevido de
árvores faz com que a vegetação diminua e conseqüentemente fica mais difícil ocorrer a
purificação do ar pela fotossíntese. E o pior é que além de acabar com as plantas, o ho-
mem ainda se encarrega de realizar as queimadas de extensas áreas verdes, gerando a-
inda mais gás carbônico.

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3.5.7. Enxofre Reduzido Total (ERT)


Sulfeto de hidrogênio, metil mercaptana, dimetil sulfeto, dimetil dissulfeto, são, de maneira
geral, os compostos de enxofre reduzido mais freqüentemente emitido em operações de
refinarias de petróleo, fábricas de celulose, plantas de tratamento de esgoto e produção
de rayon - viscose, entre outras. As demais espécies de enxofre reduzido são encontra-
das em maior quantidade perto de locais específicos. O dissulfeto de carbono, por exem-
plo, é usado na fabricação de rayon-viscose e celofane.
Os compostos de enxofre reduzido também podem ocorrer naturalmente no ambiente
como resultado da degradação microbiológica de matéria orgânica contendo sulfatos, sob
condições anaeróbias, e como resultado da decomposição bacteriológica de proteínas.
Estes compostos produzem odor desagradável, semelhante ao de ovo podre ou repolho,
mesmo em baixas concentrações.

3.5.8. Smog
O Smog é proveniente da queima incompleta dos combustíveis fósseis (à base de petró-
leo). Os gases lançados pelos carburadores dos carros não se acumulam somente ao ní-
vel do solo, eles tendem a subir e formar uma densa neblina. Com certeza a paisagem fi-
ca prejudicada com a presença da fumaça escura, e o pior é que não é só por uma ques-
tão de beleza.
O Smog causa sérios danos à saúde do homem, mais precisamente ao aparelho respira-
tório. Problemas como irritação constante na garganta e narinas, são problemas comuns
aos moradores de capitais onde o tráfego de automóveis se intensifica a cada dia.
Veja agora quais os tipos de Smog existem:
a) Smog urbana: a mais comum é uma mistura de poluentes gasosos, neblina e partí-
culas sólidas (poeira). A coloração escura se deve à junção destes materiais.
b) Smog Industrial: presença de compostos mais nocivos à saúde, como H2SO4 (ácido
sulfúrico), SO2 (dióxido de enxofre), cinzas, fuligem, entre outros. É por isso que a
poluição industrial é considerada um risco à humanidade.
c) Smog fotoquímica: o próprio nome já define, ela ocorre em presença de luz. Esta
neblina é comum nos dias muito quentes e secos, em sua composição encontramos
dióxido de nitrogênio (NO2) provindo de escapamentos de automóveis.

Os locais de intenso tráfego de veículos e luz solar incidente, com altas temperaturas e
ventos calmos, são os pontos mais comuns onde aparecem Smogs fotoquímicos. O grau
de umidade da atmosfera também é um fator favorável devem razão da presença de gotí-
culas de água suspensas no ar. Neste caso uma mistura de névoa com partículas de fu-
maça se acumula nas proximidades do solo em vez de subir.

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4. Química ambiental do solo


O solo é uma camada finamente dividida de minerais resistentes e materiais orgânicos
que favorecem o crescimento das plantas. Para os seres humanos e a maioria dos orga-
nismos terrestres, o solo é a parte mais importante da geosfera. Embora o solo corres-
ponda a uma faixa muito estreita quando comparado com o diâmetro total da Terra, é dele
que provém a maioria dos alimentos requeridos pelos organismos terrestres. Um solo fértil
e um clima que contribui para sua produtividade são valiosos recursos que uma nação
pode ter.
Além de ser o local da maior parte da produção de alimentos, o solo é o receptor de gran-
des quantidades de poluentes. Fertilizantes, pesticidas, e resíduos sólidos depositados no
solo freqüentemente contribuem para poluição da água e do ar.
O solo é formado pelo desgaste de rochas como resultado da interação dos processos
geológico, hidrológico, e biológico. Solos são porosos e verticalmente estratificados em li-
nhas horizontais, como o resultado da filtração de água e de processos biológicos. São
sistemas abertos que sofrem constantes trocas de substâncias e energia com a atmosfe-
ra, hidrosfera e biosfera.
O solo, como recurso natural básico, disponibiliza múltiplas funções ou serviços aos seres
vivos em geral e ao Homem em particular, constituindo:
O homem possui a tendência natural de utilizar o solo como receptáculo de seus resí-
duos. Deste modo, grande quantidade de resíduos é disposta no solo, ocasionando assim
a contaminação e a poluição do mesmo.
Lixo é todo e qualquer resíduo sólido resultante das atividades diárias do homem em so-
ciedade. Pode encontrar-se nos estados sólido, líquido e gasoso. Como exemplo de lixo
tem as sobras de alimentos, embalagens, papéis, plásticos e outros.
A definição de lixo como material inservível e não aproveitável é, na atualidade, com o
crescimento da indústria da reciclagem, considerada relativa, pois um resíduo poderá ser
inútil para algumas pessoas e, ao mesmo tempo, considerado como aproveitável para ou-
tras.
O solo é uma mistura de vários minerais, matéria orgânica e água capaz de manter a vida
das plantas na superfície terrestre. É o produto final das ações dos processos físicos,
químicos e biológicos que degradam as rochas e em grande parte produzem minerais. A
porção orgânica do solo consiste em biomassa de plantas em várias fases de apodreci-
mento. No solo podem ser encontradas muitas populações de bactérias, fungos, e ani-
mais como minhoca; por exemplo.
A fração sólida do solo possui aproximadamente 5% de matéria orgânica e 95% de maté-
ria inorgânica. Alguns solos podem conter até 95% de material orgânico ou menos de 1%
desse material.
Os solos típicos mostram camadas características com o aumento da profundidade. Estas
camadas são chamadas horizontes; os horizontes formam-se como o resultado de intera-
ções complexas que ocorrem devido ao desgaste do solo provocado pelas mudanças ao
longo do tempo.

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A água da chuva que atravessa o solo carrega sólidos dissolvidos e coloidais para hori-
zontes inferiores, onde eles são depositados. Processos biológicos, tais como o apodre-
cimento bacteriano da biomassa das plantas, produzem CO 2 ligeiramente ácido, ácidos
orgânicos, e combinações de complexos que são levados através da água da chuva para
horizontes inferiores, onde eles interagem com areia e minerais, alterando as proprieda-
des dos mesmos.
A camada do topo do solo, de vários centímetros de espessura, é conhecida como o hori-
zonte A, ou camada da superfície do solo. Esta é a camada de máxima atividade biológica
no solo e contém a maior parte de material orgânico.
A camada seguinte é o horizonte B, ou subsolo. Recebe materiais tais como matéria or-
gânica, sais e partículas de areia que são carreadas do horizonte A. O horizonte C é
composto de rochas desgastadas a partir das quais se originou o solo.
Os solos exibem uma grande variedade de características que são usadas para a sua
classificação para vários propósitos, inclusive produção agrícola, construção de estrada e
etc. Outras características do solo incluem resistência, viabilidade, tamanho de partícula,
permeabilidade, e grau de desenvolvimento.

4.1. Compostos químicos existentes no solo

4.1.1. Água no solo


São requeridas grandes quantidades de água para produção da maioria das substâncias
da planta. A água é o meio de transporte básico para levar nutrientes essenciais de partí-
culas sólidas do solo à planta através de suas raízes para as partes mais distantes de sua
estrutura.
Normalmente, devido ao pequeno tamanho de partículas do solo e a presença de peque-
nos vasos capilares e poros, a fase de água não é totalmente independente da parte sóli-
da do solo. A disponibilidade de água para plantas é governada por inclinações do vaso
capilar e forças gravitacionais. Os nutrientes dissolvidos em água dependem da variação
da concentração e dos potenciais elétricos. A presença de água em espaços maiores no
solo é relativamente disponível às plantas e facilmente escoa. A água contida em poros
menores ou entre as partículas de areia é retida mais fortemente.
Um dos efeitos químicos mais marcantes do encharcamento é a redução do potencial de
oxidação (pE) pela ação de agentes redutores orgânicos que agem através de bactérias
catalisadoras. Assim, a condição de oxi-redução do solo torna-se muito mais redutora, e o
pE do solo pode diminuir o pH da água em equilíbrio com o ar (pE= +13.6 a pH 7) para 1
ou menos. Um dos resultados mais significativos desta mudança é a transformação de
ferro e manganês em ferro solúvel (II) e manganês (II) por redução dos seus óxidos inso-
lúveis com maiores graus de oxidação:

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MnO2 + 4H+ + 2e- -------> Mn2+ + 3H2O


Fe2O3 + 6H+ + 2e- -------> 2Fe2+ + 3H2O

Alguns íons de metais solúveis como Fe2+ e Mn2+ são tóxicos às plantas a níveis muito al-
tos. Por outro lado, a oxidação para óxidos insolúveis pode causar formação de depósitos
de Fe2O3 e MnO2 que dificultam o escoamento da água no solo.

4.1.2. A solução solo


A solução solo é a porção aquosa do solo que contém materiais dissolvidos provenientes
dos processos químicos e bioquímicos do solo e provenientes da troca com a hidrosfera e
biosfera. Este meio transporta espécies químicas para as partículas do solo, mantendo
um contato íntimo entre os solutos e as partículas do solo. Além de fornecer água para
crescimento de planta, é um meio essencial para a troca de nutrientes da planta entre as
raízes e terra sólida.
Obter uma amostra de solução de solo é freqüentemente muito difícil porque a parte mais
significante está confinada em vasos capilares e filmes de superfície. O meio mais direto é
a coleta da água de drenagem. A solução do solo pode ser isolada do solo através da se-
paração mecânica por centrifugação, pressão ou tratamento no vácuo.
O material mineral dissolvido no solo está presente na forma de íons. Proeminentes entre
os cátions estão H+, Ca2+, Mg2+, K+, Na+, e normalmente quantidades menores de Fe2+,
Mn2+, e Al3+. Os últimos três cátions podem estar presentes parcialmente hidrolisados co-
mo FeOH, ou complexados através de substâncias ligantes de húmicos orgânicos. Os â-
nions que podem estar presentes são HCO3-, CO32-, HSO4-, SO42-, Cl-, e F-. Além de ser
ligado a H+ em espécies como bicarbonatos (ajuste de acidez), os ânions podem ser
complexados com íons de metal, como em AlF2+. Cátions e ânions de multivalência for-
mam íons emparelhados entre si, por exemplo, CaSO4 e FeSO4

4.1.3. Ajuste de acidez no solo


A maioria das plantas comuns cresce melhor em solos com pH próximo da neutralidade.
Para um solo muito ácido, o ótimo desenvolvimento da planta é alcançado restituindo o
solo com carbonato de cálcio.
Solo} (H+)2 + CaCO3 -------> Solo} Ca2+ + CO2 + H2O
Em áreas de pouca chuva, os solos podem ficar muito básicos (alcalinos) devido à pre-
sença de sais básicos como Na2CO3. Os solos alcalinos podem ser tratados com alumí-
nio ou sulfato de ferro que formam ácido hidrólises:
2Fe3+ + 3SO42- + 6H2O -------> 2Fe(OH)3 + 6H+ + 3 SO42-
O enxofre é usado para acidificar terras alcalinas, sendo oxidado através de reações com
bactérias, produzindo ácido sulfúrico. Altas taxas de enxofre que são eliminadas dos
combustíveis fósseis poluindo o ar, através do dióxido de enxofre, podem fazer o trata-
mento de terras alcalinas, o que é economicamente muito atraente
Água no solo
São requeridas grandes quantidades de água para produção da maioria das substâncias
da planta. A água é o meio de transporte básico para levar nutrientes essenciais de partí-
culas sólidas do solo à planta através de suas raízes para as partes mais distantes de sua
estrutura.
Normalmente, devido ao pequeno tamanho de partículas do solo e a presença de peque-
nos vasos capilares e poros, a fase de água não é totalmente independente da parte sóli-
da do solo. A disponibilidade de água para plantas é governada por inclinações do vaso
capilar e forças gravitacionais. Os nutrientes dissolvidos em água dependem da variação
da concentração e dos potenciais elétricos. A presença de água em espaços maiores no

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solo é relativamente disponível às plantas e facilmente escoa. A água contida em poros


menores ou entre as partículas de areia é retida mais fortemente.
Um dos efeitos químicos mais marcantes do encharcamento é a redução do potencial de
oxidação (pE) pela ação de agentes redutores orgânicos que agem através de bactérias
catalisadoras. Assim, a condição de oxi-redução do solo torna-se muito mais redutora, e o
pE do solo pode diminuir o pH da água em equilíbrio com o ar (pE= +13.6 a pH 7) para 1
ou menos. Um dos resultados mais significativos desta mudança é a transformação de
ferro e manganês em ferro solúvel (II) e manganês (II) por redução dos seus óxidos inso-
lúveis com maiores graus de oxidação:

MnO2 + 4H+ + 2e- ------->Mn2++ 3H2O


Fe2O3 + 6H+ + 2e- -------> 2Fe2+ + 3H2O

Alguns íons de metais solúveis como Fe2+ e Mn2+ são tóxicos às plantas a níveis muito al-
tos. Por outro lado, a oxidação para óxidos insolúveis pode causar formação de depósitos
de Fe2O3 e MnO2 que dificultam o escoamento da água no solo.
A solução solo
A solução solo é a porção aquosa do solo que contém materiais dissolvidos provenientes
dos processos químicos e bioquímicos do solo e provenientes da troca com a hidrosfera e
biosfera. Este meio transporta espécies químicas para as partículas do solo, mantendo
um contato íntimo entre os solutos e as partículas do solo. Além de fornecer água para
crescimento de planta, é um meio essencial para a troca de nutrientes da planta entre as
raízes e terra sólida.
Obter uma amostra de solução de solo é freqüentemente muito difícil porque a parte mais
significante está confinada em vasos capilares e filmes de superfície. O meio mais direto é
a coleta da água de drenagem. A solução do solo pode ser isolada do solo através da se-
paração mecânica por centrifugação, pressão ou tratamento no vácuo.
O material mineral dissolvido no solo está presente na forma de íons. Proeminentes entre
os cátions estão H+, Ca2+, Mg2+, K+, Na+, e normalmente quantidades menores de Fe2+,
Mn2+, e Al3+. Os últimos três cátions podem estar presentes parcialmente hidrolisados co-
mo FeOH+, ou complexados através de substâncias ligantes de húmicos orgânicos. Os
ânions que podem estar presentes são HCO3-, CO32-, HSO4-, SO42-, Cl-, e F-. Além de ser
ligado a H+ em espécies como bicarbonatos (ajuste de acidez), os ânions podem ser
complexados com íons de metal, como em AlF2+. Cátions e ânions de multivalência for-
mam íons emparelhados entre si, por exemplo, CaSO4 e FeSO4.

4.1.4. Ajuste de acidez no solo


A maioria das plantas comuns cresce melhor em solos com pH próximo da neutralidade.
Para um solo muito ácido, o ótimo desenvolvimento da planta é alcançado restituindo o
solo com carbonato de cálcio.
Solo} (H+)2 + CaCO3 -------> Solo} Ca2+ + CO2 + H2O
Em áreas de pouca chuva, os solos podem ficar muito básicos (alcalinos) devido à pre-
sença de sais básicos como Na2CO3. Os solos alcalinos podem ser tratados com alumí-
nio ou sulfato de ferro que formam ácido hidrólises:
2Fe3+ + 3SO42- + 6H2O -------> 2Fe(OH)3 + 6H+ + 3 SO42-
O enxofre é usado para acidificar terras alcalinas, sendo oxidado através de reações com
bactérias, produzindo ácido sulfúrico. Altas taxas de enxofre que são eliminadas dos
combustíveis fósseis poluindo o ar, através do dióxido de enxofre, podem fazer o trata-
mento de terras alcalinas, o que é economicamente muito atraente
Ar no solo

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Aproximadamente 35% do volume de solo é composto de ar nos poros. Considerando


que a atmosfera seca ao nível do mar contém 21% O2 e 0,03% CO2 de volume, estas
porcentagens podem ser bastante diferentes devido à decomposição de matéria orgânica:
{CH2O} + O2 ---------> CO2 + H2O

Este processo consome oxigênio (O2) e produz gás carbônico (CO2). Como resultado, a
quantidade de oxigênio do ar no solo pode ser muito menor que 15%, e a quantidade de
gás carbônico pode ser de um percentual muito maior. Assim, a diminuição de material
orgânico no solo aumenta o nível de equilíbrio de CO2 dissolvido na água presente no so-
lo. Este processo diminui o pH e contribui para formação de minerais de carbonato, parti-
cularmente carbonato de cálcio. O CO2 também dificulta o equilíbrio do processo pelo
qual as raízes absorvem íons metálicos do solo.
Os componentes inorgânicos do solo
O desgaste das rochas e minerais inorgânicos que compõem o solo contribui na formação
de colóides inorgânicos. Estes colóides são repositórios de água e nutrientes da planta
que estão disponíveis de acordo com suas necessidades. Colóides inorgânicos absorvem
freqüentemente substâncias tóxicas do solo, fazendo um papel de desintoxicação de
substâncias que, caso contrário, prejudicariam as plantas. A abundância e o tipo de mate-
rial coloidal inorgânico no solo são fatores importantes na determinação da produtividade
do solo.
A absorção dos nutrientes da planta através das raízes envolve freqüentemente intera-
ções complexas entre a água e as fases inorgânicas, este processo é influenciado forte-
mente pela estrutura iônica do material inorgânico do solo.
Os elementos mais comuns na crosta terrestre são oxigênio, sílica, alumínio, ferro, cálcio,
sódio, potássio, e magnésio. Assim, os minerais compostos destes elementos - particu-
larmente sílica e oxigênio - constituem a maior fração mineral da terra. Os componentes
minerais mais comuns do solo são divididos finamente em quartzo (SiO 2), ortoclásio (KAl-
Si3O8), epidote (4CaO.3(AlFe)2O3.6SiO2.H2O), geothite (FeO(OH)), magnetita (Fe3O2),
carbonatos de cálcio e magnésio (CaCO3 e MgCO3) e óxidos de manganês (MnO2) e titâ-
nio (TiO2).

4.1.5. Nitrogênio
Na maioria dos solos, mais de 90% do nitrogênio contido é orgânico. Este nitrogênio or-
gânico é, principalmente, o produto da biodegradação de plantas e animais mortos. Ele é
eventualmente hidrolisado à NH4+ (nitrogênio inorgânico), o qual pode ser oxidado à NO3-
(nitrogênio inorgânico) pela ação das bactérias presentes no solo.
O nitrogênio confinado no solo é especialmente importante para manter a fertilidade
do solo. Ao contrário do potássio ou fosfato, o nitrogênio não é um significante produto do
desgaste mineral. Uma das fontes de nitrogênio no solo é a atmosfera, o qual é transfor-
mado por bactérias fixadoras de nitrogênio através de um processo bioquímico:
3{CH2O} + 2N2 + 3H2O + 4H+ → 3CO2 + 4NH4+
No entanto, as bactérias fixadoras de nitrogênio não fornecem nitrogênio suficiente
para manter a fertilidade do solo. O nitrogênio inorgânico, proveniente de fertilizantes ou
da água da chuva, é freqüentemente perdido, em grande parte, pela lixiviação. O húmus
do solo, porém, serve como um reservatório do nitrogênio que as plantas necessitam.
O nitrogênio é um dos principais componentes das proteínas e da matéria viva. Plan-
tas e cereais cultivados em solos ricos em nitrogênio não somente rendem mais, como
também são freqüentemente ricas em proteínas e, conseqüentemente, mais nutritivas.

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4.1.6. Fósforo
Embora o percentual de fósforo nas plantas seja relativamente baixo, ele é um com-
ponente essencial às plantas. O fósforo, como o nitrogênio, deve estar presente em uma
forma inorgânica simples para que possa ser assimilado pelas plantas. Dentro de uma fai-
xa de pH, as espécies presentes na maioria dos solos são ortofosfatos, H 2PO4- e HPO42-.
O ortofosfato é mais disponível para as plantas em valores de pH perto da neutralida-
de. Acredita-se que em solos relativamente ácidos, os íons ortofosfatos são precipitados
ou absorvidos por espécies de Al3+ e Fe3+. Em solos alcalinos, o ortofosfato pode reagir
com carbonato de cálcio para formar um composto relativamente insolúvel:
3 HPO42- + 5CaCO3(s) + 2H2O -------> Ca5(PO4)3(OH) ↓ + 5HCO3- + OH-

4.1.7. Potássio
O potássio é essencial para o crescimento das plantas. O potássio ativa algumas en-
zimas e desempenha um papel importante no equilíbrio de água nas plantas. É também
essencial para algumas transformações de carboidratos. O rendimento de uma colheita
está diretamente relacionado com a quantidade de potássio presente no solo. Quando fer-
tilizantes de nitrogênio são adicionados ao solo para aumentar a produtividade, aumenta a
remoção do potássio. Sendo assim, o potássio pode se tornar um nutriente limitante em
solos fertilizados com grande quantidade de outros nutrientes.
O potássio é um dos elementos mais abundantes da crosta terrestre, cerca de 2,6%;
porém, muito desse potássio não está disponível para as plantas, pois geralmente se a-
presenta sob a forma de minerais (silicatos que contém o potássio, por exemplo - K2O .
Al2O3 . 4SiO2).

4.1.8. Matéria orgânica no solo


Embora um solo produtivo seja composto de menos que 5% de matéria orgânica esta
determina em grande parte a produtividade do solo. Serve como uma fonte de alimento
para microrganismos através de reações químicas, influenciando nas propriedades físicas
do solo. Algumas combinações de compostos orgânicos contribuem até mesmo no des-
gaste de matéria mineral, o processo pelo qual o solo é formado. Por exemplo, C2O22-,
(íon de oxalato), produzido através do metabolismo de fungos do solo, quando presente
na água do solo, dissolve minerais, enquanto acelera o processo de desgaste, aumentan-
do assim a disponibilidade de espécies de íons nutrientes. Este processo de desgaste en-
volve complexação de oxalato de ferro ou alumínio em minerais, representados pela rea-
ção abaixo na qual M é Al ou Fe.

3H+ + M(OH)3(s) + M(C2O4)2-(aq) + 2Ca2+(aq) + 3H2O


Componentes biologicamente ativos da fração orgânica do solo incluem polissacarí-
deos, aminoácidos, nucleotídeos, enxofre orgânico e combinações de fósforo. Húmus, um
material insolúvel em água que biodegrada muito lentamente, compõe a maior parte da
matéria orgânica do solo.

4.1.9. Fertilizantes
Fertilizante é um produto destinado para melhorar as condições nutritivas das plantas e a
produtividade do solo. As plantas necessitam de nutrientes como o nitrogênio, potássio e
fósforo, e uma das formas de obter esses nutrientes é através dos fertilizantes quando
depositados no solo. O nitrogênio mantém a fertilidade do solo, portanto, alimentos e plan-
tas cultivados em solos com nitrogênio são ricos em proteínas; o potássio é essencial pa-
ra o crescimento das plantas e o fósforo é um elemento essencial para todo tipo de plan-

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QUÍMICA AMBIENTAL - Teoria

tas porque é um macronutriente importante, que a planta precisa para poder completar
seu ciclo produtivo.
Os fertilizantes a base de fósforo são obtidos a partir de rochas fosfáticas, principalmente
as apatitas-hidroxiapatita, Ca5(PO4)3OH, e fluoroapatita, Ca5(PO4)3F, pelo tratamento com
ácido sulfúrico. Assim, o fósforo está presente nestes fertilizantes na forma de superfosfa-
tos simples e triplos e contém basicamente fosfato monocálcico monohidratado
[Ca(H2PO4)2.H2O], e os fosfatos mono [NH4H2PO4] e diamônico [(NH4)2HPO4].

4.1.10. Componentes Orgânicos do solo


Húmus é o resíduo da degradação do apodrecimento de plantas, em grande parte C, H e
O. É o componente orgânico mais abundante no solo e melhora propriedades físicas do
solo, troca de nutrientes, reservatório de N fixo. Dos componentes orgânicos listados, o
húmus do solo é o mais significante. Húmus é composto de frações solúveis chamadas
ácidos húmicos e fúlvicos, e uma fração insolúvel chamada humina. É o resíduo originado
quando bactérias e fungos biodegradam o material das plantas. A maior parte da biomas-
sa da planta consiste em celulose relativamente degradável e lignina resistente à degra-
dação. Entre os principais componentes químicos da lignina estão os anéis aromáticos
conectados por cadeias de alquilas, grupos metilas, e grupos hidroxilas. Estes artefatos
estruturais acontecem no húmus do solo e dão a ele muitas de suas propriedades carac-
terísticas.
Gorduras, resinas e ceras extraídos de lipídios através de solventes orgânicos. Pequena
parte da matéria orgânica do solo pode afetar as propriedades físicas do solo repelindo
água, pode ser fitotóxico.
Sacarídeos Celulose, amido, hemicelulose, gomas - Principal fonte de alimento para mi-
crorganismos do solo, ajuda na estabilização de agregados do solo.
Nitrogênio orgânico Nitrogênio ligado ao húmus, aminoácidos e outras composições. For-
nece nitrogênio para fertilidade do solo.
Compostos de fósforo Éster fosfatos, inositol fosfatos (ácido fítico), fosfolipídios. Fonte de
fosfato para a planta.
O acúmulo de matéria orgânica no solo é influenciado fortemente pela temperatura e pela
disponibilidade de oxigênio. Como a taxa de biodegradação diminui com o declínio da
temperatura, a matéria orgânica não degrada rapidamente em climas mais frios e tende a
formar o solo. Em água e em solos com grandes quantidades de água, a vegetação que
se deteriora não tem acesso fácil a oxigênio, acumulando matéria orgânica. O conteúdo
orgânico pode alcançar 90% em áreas onde plantas crescem e se deterioram em solos
saturados com água.

4.1.11. Substâncias Tóxicas Persistentes


Como o próprio nome diz, as STPs são substâncias altamente tóxicas, formadas por
compostos químicos orgânicos semelhantes aos dos seres vivos. Entre eles destacam-se
os POPs (Poluentes Orgânicos Persistentes) e o metais pesados produzidos pela indús-
tria química. Os POPs estão em todo lugar e são repassados de geração a geração, a-
cumulando-se no meio ambiente e nos corpos das pessoas, animais e plantas.
Estas substâncias tóxicas são geradas em diversos processos industriais, entre eles:
Produção do PVC: plástico utilizado em brinquedos, utensílios domésticos, tubos e cone-
xões, embalagens de alimentos etc;
Produção de papel: através do processo de branqueamento com cloro;
Geração e composição de produtos agrícolas: um grande número de herbicidas, insetici-
das e fungicidas;
Incineração de lixo: doméstico, industrial e hospitalar;

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Processos industriais: todos os que empregam cloro e derivados do petróleo.


No mês de novembro de 2000, representantes de mais de 100 países se reuniram em Jo-
hannesburg, África do Sul, para discutir a eliminação de 12 tipos diferentes de POPs (o
chamado Protocolo POPs). Os 12 Poluentes cuja eliminação foi discutida são: Aldrin,
Clordano, Dieldrin, DDT, Dioxinas, Furanos, Endrin, Heptacloro, Hexaclorobenzeno, Mi-
rex, PCBs e Toxafeno.
Os POPs são tóxicos à todos os seres vivos, inclusive as plantas, por serem bioacumula-
tivos, ou seja, não são eliminados com o tempo pelo organismo e resistentes à degrada-
ção química, biológica e fotolítica (da luz), afetando a saúde humana e os ecossistemas,
mesmo em pequenas concentrações

4.2. Poluição do solo


A poluição do solo é causada pelo contato com ar ou águas poluídas com resíduos indus-
triais ou agrícolas e principalmente por lixo e substâncias tóxicas jogadas diretamente so-
bre ele, transportados pelo ar, pela chuva e pelo homem. O uso indevido do solo e de
técnicas ultrapassadas na agricultura , os desmatamentos, as queimadas, o lixo, os esgo-
tos, a chuva ácida, a mineração são agentes causadores do desgaste de nossa litosfera
Até pequenos desmatamentos podem causar sérios problemas de erosão. A Mata Atlânti-
ca já perdeu 93% de sua área original, e essa destruição agora avança sobre o Cerrado e
a Amazônia.
O uso inadequado da terra e práticas de agricultura impróprias (queimadas, desmatamen-
tos, etc.) causam a desertificação, ausência de vegetação pelo empobrecimento dos so-
los.

4.2.1. Prevenção e Tratamento da Poluição do Solo


Dentre os agentes poluentes do solo o uso de substâncias químicas na agricultura e o lixo
urbano são os mais comuns. Como prevenção/tratamento do uso de substâncias na agri-
cultura a única saída é a Agricultura Sustentável que permite a utilização das terras sem
degradação. O lixo influencia bastante na poluição do solo quando não rejeitado de ma-
neira correta. Algumas medidas quanto ao destino do lixo são primordiais para evitar a po-
luição do solo e dos outros compartimentos.
O lixão é apenas a disposição do lixo a céu aberto em terrenos baldios onde fica exposto
sem nenhum tratamento e sem nenhum critério sanitário de proteção ao ambiente, provo-
cando intensa proliferação de moscas, mosquitos, baratas e ratos, e ainda é aproveitado
pelos "catadores de lixo" que correm o risco de contrair doenças.
Outro inconveniente é o "chorume", líquido que resulta da decomposição do lixo que pos-
sui alta taxa de compostos orgânicos de difícil degradação e que polui o solo e os lençóis
d'água.
Os gases também produzidos pela decomposição do lixo poluem o ar e são vetores de
doenças através de germes patológicos.

4.2.2. Lixo
O lixo constitui-se de uma grande diversidade de resíduos sólidos de diferentes proce-
dências, gerados por aglomerações urbanas ou processos produtivos, incluindo o resíduo
sólido urbano que é gerado em nossas residências. O IPT/CEMPRE (1995), define-o co-
mo restos das atividades humanas, consideradas pelos geradores inúteis, indesejáveis ou
descartáveis. Normalmente apresenta-se em estado sólido, semi-sólido ou semilíquido

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QUÍMICA AMBIENTAL - Teoria

O lixo urbano é constituído predominantemente por matéria orgânica e como tal sofre in-
tensa decomposição, permitindo a reciclagem. A decomposição pode ser feita por dois
processos: aeróbio e anaeróbio. A decomposição aeróbia é muito mais rápida, e os resí-
duos resultantes são: gás carbônico, sais minerais e alguns compostos orgânicos que,
mais resistentes à biodegradação, não chegam a se decompor totalmente. A decomposi-
ção anaeróbia, entretanto pode originar compostos nocivos, como gás sulfídrico, mercap-
tanas e outros compostos que podem ser tóxicos ou exalar mau cheiro.
Segundo a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB), realizada em 1989 pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e editada em 1991 (IPT/CEMPRE,
1995), "o brasileiro convive com a maioria do lixo que produz. São 241.614 toneladas de
lixo produzidas diariamente no país. De todo esse lixo, 76% fica a céu aberto (lixão), ape-
nas 24% recebe um tratamento mais adequado".
De acordo com Figueiredo (1995), 13% da parte do lixo que recebe algum tipo de trata-
mento ainda contamina lençóis freáticos, sendo depositados em aterros controlados, e
10% dos aterros sanitários, não são eficientes e nem possui um certo grau de qualidade
devido à necessidade constante de controle e manutenção, o que nem sempre acontece.

4.2.3. Resíduos industriais


Geralmente, sob a denominação de resíduos industriais se enquadram sólidos, lamas e
materiais pastosos oriundos do processo industrial metalúrgico, químico ou petroquímico,
papeleiro, alimentício etc. e que não guardam interesse imediato pelo gerador que deseja,
de alguma forma, se desfazer deles. Há três classes de resíduos industriais: os inertes, os
não inertes e os perigosos. Cada uma dessas classes traz dificuldade diferenciada ao
empresário para se ver livre do resíduo, desde o transporte até o destino final. Os méto-
dos clássicos empregados vão, desde a reciclagem no próprio processo em outra unidade
da fábrica, passando pela venda ou doação, a incineração e a disposição em aterros. Ca-
da um desses destinos guarda procedimentos bem definidos na legislação ambiental.
Praticamente, toda atividade industrial é obrigada pela lei ambiental a apresentar periodi-
camente ao órgão de controle ambiental um relatório que demonstre quantidade, tipo, ca-
racterísticas fisico-químicas, formas de armazenamento e estoque e ainda, a destinação
dos resíduos gerados e que estão estocados e com destinação ainda não definida
(http://www.gpca.com.br/poluicao3.htm). Porém, os especialistas do setor acreditam que
boa parte desses resíduos está sendo depositada de forma inadequada, através de um
esquema que o jargão denomina de "Boca de Porco". Por esse esquema, os geradores
contratam empresas de conduta duvidosa, a preços normalmente bem abaixo dos prati-
cados no mercado, que encontram um destino para o resíduo. Só não se sabe como nem
onde.
Os resíduos industriais se contam entre os principais responsáveis pela poluição da água
O gerenciamento dos resíduos sólidos industriais é hoje um dos principais problemas vi-
venciados pelas empresas na área de meio ambiente. A principal atividade industrial ge-
radora de resíduos perigosos é a química, que gera 177 mil t/ano, o que corresponde a
aproximadamente 33% do total de resíduos Classe I (perigosos) gerados no estado de
São Paulo.
Com a aprovação da Lei de Crimes Ambientais, no início de 1998, a qual estabelece pe-
sadas sanções para os responsáveis pela disposição inadequada de resíduos, as empre-
sas que prestam serviços na área de resíduos sentiram um certo aquecimento do merca-
do - houve empresas que tiveram um aumento de 20% na demanda por serviços logo a-
pós a promulgação da lei - mas tal movimento foi de certa forma arrefecido com a emis-
são da Medida Provisória que ampliou o prazo para as empresas se adequarem à nova

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legislação e emissão da Medida Provisória que ampliou o prazo para as empresas se a-


dequarem à nova legislação.

4.2.4. Resíduos domésticos e hospitalares


Os resíduos domésticos são aqueles resíduos sólidos ou pastosos gerados nos lares,
escritórios, escolas, hotéis, restaurantes, nas varreduras etc
(http://www.gpca.com.br/poluicao3.htm). Constituído de restos de alimentos, poeira do-
méstica, embalagens e vasilhames que são eliminados no cotidiano (http://www.tema-
poluir.hpg.ig.com.br/nsolu.htm). Já, os chamados resíduos hospitalares são aqueles gera-
dos nos hospitais, incluindo-se aí os oriundos dos laboratórios de análises clínicas, con-
sultórios odontológicos, médicos e de ambulatórios que causam danos à saúde humana.
As destinações desses resíduos domésticos podem ser os aterros sanitários, as usinas de
reciclagem ou a incineração. Já, os resíduos hospitalares devem ter destinação mais cui-
dadosa, seguindo princípios específicos, desde sua coleta até a sua destruição
Na medida em que a maioria dos resíduos é ainda depositada no solo sem qualquer con-
trole, levando a ele os lixiviados produzidos e não recolhidos para posterior tratamento,
esses resíduos contaminam facilmente solos e águas.

4.2.5. Resíduos Agrícolas


Os resíduos sólidos das atividades agrícolas e da pecuária, como embalagens de adubos,
defensivos agrícolas, ração, restos de colheita, esterco animal, etc., constituem uma cres-
cente preocupação. A questão das embalagens dos agroquímicos (adubos e defensivos),
geralmente muito tóxicos, têm sido alvo de legislação específica, definindo os cuidados na
sua destinação final, e por vezes, co-responsabilizando a própria indústria fabricante des-
ses produtos. Uma lei em vigor desde junho de 2000 (Lei no 9.974) que altera a Lei no
7.802 de julho de 1989 estabelece regras e responsabilidades sobre o destino final das
embalagens de produtos de defensivos agrícolas. O descarte anual de embalagens des-
tes produtos no Brasil é de cerca de 115 milhões de unidades. A idéia, já praticada por
empresas internacionais, é a reciclagem deste material, que envolve a lavagem do mes-
mo para reutilização, reciclagem ou inutilização
.
4.2.6. Resíduos de Portos, Aeroportos, terminais Rodoviários e Ferroviários e Pos-
tos de Fronteira
Os resíduos gerados nos portos, aeroportos, terminais rodoviários e ferroviários, constitu-
em resíduos sépticos, ou seja, aqueles que contêm ou podem conter germes patogênicos
trazidos a esses locais basicamente através de material de higiene, asseio pessoal, e res-
tos de alimentação que podem veicular doenças provenientes de outras cidades, estados,
ou países.

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4.3. Classificação de Resíduos


A NBR 10004 - Resíduos Sólidos - Classificação estabelece critérios para a classificação
de resíduos. Por esta norma os resíduos são classificados conforme:

4.3.1. Resíduo Perigoso – Classe I


São assim denominados os resíduos que apresentam periculosidade, riscos a Saúde Pu-
blica (mortalidade, Incidência de doenças), riscos ao Meio Ambiente, ou quando o seu ge-
renciamento for inadequado.
Os resíduos perigosos apresentam as seguintes características:

a) Inflamabilidade: código D001


Líquido com ponto de fulgor inferior a 60°C, exceto solução aquosa com 24% álcool (v/v)
Não líquido e ser capaz a 25°C e 1 atm de produzir fogo sob fricção, absorção de umida-
de ou alterações químicas e quando inflamado, queimar vigorosa e persistentemente
Ser oxidante, liberando oxigênio, estimulando a combustão
Ser gás comprimido inflamável

b) Corrosividade: código D002


Líquido: com pH < 2 ou pH > 12,5 ou se sólido, sua mistura 1:1 (em peso) com água pro-
duzir pH < 2 ou pH > 12,5
Ser líquido ou quando misturado com quantidade equivalente de água, corroer o aço
(COPANT 1020) a uma taxa de 6,35 mm / ano (temperatura 55°C)

c) Reatividade: código D003


Instável e reagir de forma violenta, sem detonar,
Reagir violentamente com a água
Formar misturas potencialmente explosivas com água
Gerar gases, fumos ou vapores tóxicos
Possuir os íons cianeto ou sulfeto em concentração capaz de liberar:
> 250 mg de HCN / kg resíduo
> 500 mg de H2S / kg resíduo

d) Toxicidade: código D005 a D052


extrato obtido do ensaio de lixiviação for superiores as limites estabelecidos no anexo F
possuir 1 ou mais substâncias constantes anexo C (periculosidade) e apresentar toxidade:
a) natureza do constituinte do resíduo
b) concentração do constituinte do resíduo
c) potencial de migração p/ o Meio Ambiente
d) potencial p/ degrada-se em constituintes não perigosos
e) extensão em que é capaz de bioacumulação nos ecosistemas
f) efeito nocivo (presença agente teratogênico, mutagênica, carcinogênica ou ecotó-
xico)
g) restos de embalagem contaminadas com substâncias-anexo D ou E
h) derramamento / produtos fora de validade contaminada - anexo D ou E
i) ser comprovadamente letal ao homem.
j) Possuir substância em concentração letal (DL50 < 50 mg/kg)

e) Patogenicidade - código D004

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Amostra representativa resíduo contiver ou houver suspeita de conter microorganismos


patogênicos, proteínas virais, DNA ou RNA recombinantes, organismos geneticamente
modificados, plamídios, cloroplastos, mitocôndrias ou toxinas capazes de produzir doença
em homens, animais ou vegetais
Resíduos de serviços de saúde deverão ser classificados conforme NBR 12808.
Resíduos de estações de tratamento de esgoto doméstico e os resíduos sólidos domicilia-
res, não são classificados seguindo os critérios de patogenicidade, exceto os originados
na assistência à saúde da pessoa ou animal

4.3.2. Resíduo não Perigoso


Este grupo está dividido em
a) Resíduo Classe II A - Não Inertes – é o resíduo que após o ensaio de solubili-
zação tiver algum de seus constituintes com concentração superiores aos padrões
de potabilidade da água, conforme indicado anexo G
b) Resíduo Classe II B – Inertes – é o resíduo que após o ensaio de solubilização
não tiverem nenhum de seus constituintes com concentração superiores aos pa-
drões de potabilidade da água, exceto aspecto, cor, turbidez, dureza e sabor, con-
forme indicado anexo G

4.3.3. Critério para classificação de resíduos


Para classificar um resíduo temos que efetuar as seguintes etapas:

a) Etapa 1 – Verificar a origem do resíduo


 Origem conhecida - quando o resíduo for de uma fonte conhecida, deve-se verifi-
car se é algum dos resíduos listados no Anexo A e B da NBR 10.004 se ele tem
patogenicidade e/ou se existe alguma das substâncias dos Anexos C, D e E da
NBR 10.004. Caso algum destes estiver acima padrão, o resíduo é classificado
como Perigoso Classe I, não haveria necessidade de efetuar nenhum outro teste
 Origem desconhecida - realizar ensaios no resíduo bruto. Os ensaios a serem re-
alizados são: corrosividade e/ou Inflamabilidade e/ou ensaio de cianeto (liberação
HCN) e/ou ensaio de sulfeto (liberação H2S). Caso algum destes estiver acima do
padrão, o resíduo é classificado como Perigoso Classe I, não haveria necessidade
de efetuar nenhum outro teste

b) Etapa 2 - Ensaios resíduo bruto estão dentro dos padrões:


Lixiviação - realizar o ensaio de lixiviação conforme descrito na NBR 10.005, e avaliar o
resultado das análises do extrato da lixiviação, comparando com os padrões listados no
Anexo F da NBR 10.004. Se algum dos resultados apresentarem acima dos padrões o re-
síduo é Perigoso Classe I, não haveria necessidade de efetuar nenhum outro teste. Se
todos os resultados estiverem abaixo dos valores o resíduo é Não Perigoso Classe II, po-
dendo ser: Classe II A - Não Inerte ou Classe II B – Inerte.

c) Etapa 3 - Ensaio lixiviação dentro dos padrões:


Solubilização - efetuar ensaio de solubilização (NBR 10.006) e avaliar o resultado das
análises do extrato da lixiviação, comparando com os padrões listados no Anexo G da
NBR 10.004, se algum dos resultados estiver acima dos padrões, o resíduo e classificado
como- Classe II A - Não Inerte, se estiver abaixo dos padrões, ele é Classe II B - Inerte.

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QUÍMICA AMBIENTAL - Teoria

Fluxograma para classificação de resíduos

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NBR 10.004 Anexo F - Padrões p/ ensaio lixiviação


Código de Limite máximo CAS – Chemical
Parâmetro
identificação no extrato (mg/l) Abstrat Substance
Inorgânicos
Arsênio D005 1,0 7440-38-2
Bário D006 70,0 7440-39-3
Cádmio D007 0,5 7440-43-9
Chumbo D008 1,0 7439-92-1
Cromo total D009 5,0 7440-47-3
Fluoreto D010 150,0**
Mercúrio D011 0,1 7439-87-6
Prata D012 5,0* 7440-22-4
Selênio D013 1,0 7782-49-2
Pesticidas
Aldrin + dieldrin D014 0,003** 309-00-2;60-57-1
Clordano (todos os isôme-
D015 0,02 57-74-9
ros)
DDT (p,p´DDT + p,p´DDD +
D016 0,2 50-29-3
p,p´DDE)
2,4 – D D026 3,0 94-75-7
Endrin D018 0,06 72-20-8
Heptacloro e seus epóxidos D019 0,003 76-44-8
Lindano D022 0,2 56-89-9
Pentaclorofenol D024 0,9 87-86-5
Toxafeno D025 0,5* 8001-35-2
2,4,5 - T D027 0,2** 93-76-5
2,4,5 -TP D028 1,0* 93-72-1
Outros orgânicos
Benzeno D030 0,5* 71-43-2
Benzo(a)pireno D031 0,07 50-32-8
Cloreto de vinila D032 0,5 75-01-4
Clorobenzeno D033 100* 108-90-70
Clorofórmio D034 6,0* 67-66-3
Cresol total*** D035 200,0*
o-Cresol D036 200,0* 95-48-7
m-Cresol D037 200,0* 108-39-4
p-Cresol D038 200,0* 106-44-5
1,4-Diclorobenzeno D039 7,5* 106-46-7
1,2-Dicloroetano D040 1,0 107-06-2
1,1-Dicloroetileno D041 3,0 75-35-4
2,4-Dinitrotolueno D042 0,13* 121-14-2
Hexaclorobenzeno D021 0,1 118-74-1
Hexaclorobutadieno D043 0,5* 87-68-3
Hexacloroetano D044 3,0* 67-72-1
Metiletilacetona D045 200,0* 78-93-3
Nitrobenzeno D046 2,0* 98-95-3
Piridina D047 5,0* 110-86-1
Tetracloreto de Carbono D048 0,2 56-23-5
Tetracloroetileno D049 4,0 127-18-4
Tricloroetileno D050 7,0 79-01-6
2,4,5 Triclorofenol D051 400,0* 95-95-4
2,4,6 Triclorofenol D052 20,0 88-06-2

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NBR 10.004 Anexo G - Padrões p/ ensaio solubilização

Limite máximo no extrato


Parâmetro
(mg/l)
Aldrin e dieldrin 3,0 x 10-5
Alumínio 0,2
Arsênio 0,01
Bário 0,7
Cádmio 0,005
Chumbo 0,01
Cianeto 0,07
Clordano (todos os isomeros) 2,0 x 10-4
Cloreto 250,0
Cobre 2,0
Cromo Total 0,05
2,4 – D 0,03
DDT (todos os isômeros) 2,0 X 10-3
Endrin 6,0 x 10-4
Fenóis totais 0,01
Ferro 0,3
Fluoreto 1,5
Heptacloro e seu epóxido 3,0 x 10-5
Hexaclorobenzeno 1,0 x 10-3
Lindano (γ BHC) 2,0 x 10-3
Manganês 0,1
Mercúrio 0,001
Metoxicloro 0,02
Nitrato (expresso em mg/l N) 10,0
Prata 0,05
Selênio 0,01
Sódio 200,0
Sulfato (expresso em mg/l
250,0
SO4)
Surfactantes 0,5
Toxafeno 5,0 x 10-3
2,4,5 - T 2,0 x 10-3
2,4,5 - TP 0,03
Zinco 5,0

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4.4. Tratamento de Resíduos

4.4.1. Aterros Sanitários


Esclarecemos inicialmente que existe uma enorme diferença operacional, com reflexos
ambientais imediatos, entre Lixão e Aterro Sanitário.
O Lixão representa o que há de mais primitivo em termos de disposição final de resíduos.
Todo o lixão coletado é transportado para um local afastado e descarregado diretamente
no solo, sem tratamento algum.
Assim, todos os efeitos negativos para a população e para o meio ambiente, vistos anteri-
ormente, se manifestarão. Infelizmente, é dessa forma que a maioria das cidades brasilei-
ras ainda "trata" os seus resíduos sólidos domiciliares.
O Aterro Sanitário é um tratamento baseado em técnicas sanitárias (impermeabilização
do solo/compactação e cobertura diária das células de lixo/coleta e tratamento de ga-
ses/coleta e tratamento do chorume, entre outros procedimentos técnico-operacionais
responsáveis em evitar os aspectos negativos da deposição final do lixo, ou seja, prolife-
ração de ratos e moscas, exalação do mau cheiro, contaminação dos lençóis freáticos,
surgimento de doenças e o transtorno do visual desolador por um local com toneladas de
lixo amontoado.
Entretanto, apesar das vantagens, este método enfrenta limitações por causa do cresci-
mento das cidades, associado ao aumento da quantidade de lixo produzido.
O sistema de aterro sanitário precisa ser associado à coleta seletiva de lixo e à recicla-
gem, o que permitirá que sua vida útil seja bastante prolongada, além do aspecto alta-
mente positivo de se implantar uma educação ambiental com resultado promissores na
comunidade, desenvolvendo coletivamente uma consciência ecológica, cujo resultado é
sempre uma maior participação da população na defesa e preservação do meio ambiente.
As áreas destinadas para implantação de aterros têm uma vida útil limitada e novas áreas
são cada vez mais difíceis de serem encontradas próximas aos centros urbanos. Aperfei-
çoam-se os critérios e requisitos analisados nas aprovações dos Estudos de Impacto Am-
biental pelos órgãos de controle do meio ambiente; além do fato de que os gastos com a
sua operação se elevam, com o seu distanciamento.
Devido a suas desvantagens, a instalação de Aterros Sanitários deve planejada sempre
associada à implantação da coletiva seletiva e de uma indústria de reciclagem, que ganha
cada vez mais força.
Os resíduos industriais não podem ser colocados em aterros sanitários
Um aterro controlado caracteriza-se, segundo a ABNT/NBR-8849/85, pela disposição do
lixo em local controlado, onde os resíduos sólidos recebem uma cobertura de solos ao fi-
nal de cada jornada. Como não possuem impermeabilização dos solos nem sistema de
dispersão de chorume e gases, é muito comum nesses locais a contaminação de águas
subterrâneas.
O chamado aterro sanitário não é um processo de tratamento. Consiste na decomposição
de camadas de lixo alternadas com camadas de argila auxiliando na impermeabilização e
materiais inertes, como mantas de polietileno em terrenos com sistemas de drenagem pa-
ra o chorume. Nessas condições as camadas de lixo sofrem decomposição aeróbia e de-
pois anaeróbia.
Além do sistema de drenagem para o chorume, é necessário também um sistema de dre-
nagem de tubos para os gases, principalmente o gás carbônico, o gás metano e o gás
sulfídrico, pois, se isso não for feito, o terreno fica sujeito a explosões

4.4.2. Compostagem

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A compostagem é uma forma de tratamento biológico da parcela orgânica de um resíduo,


permitindo uma redução de volume dos mesmos e a transformação destes em composto
a ser utilizado na agricultura, como recondicionante do solo. Trata-se de uma técnica im-
portante em razão da composição do lixo urbano do Brasil.
Pode enfrentar dificuldades de comercialização dos compostos em razão do comprome-
timento dos mesmos por contaminantes, tais como metais pesados existentes no lixo ur-
bano, e possíveis aspectos negativos de cheiro no pátio de cura.
No processo de compostagem, o material orgânico do lixo é segregado e sofre um trata-
mento biológico do qual resulta o chamado "composto", material utilizado na fertilização
(como adubo na agricultura) e recondicionamento do solo ou em ração para animais

4.4.3. Incineração
Este tratamento é baseado na combustão (queima) do resíduo.
É um processo que demanda custos bastante elevados e a necessidade de um super e
rigoroso controle da emissão de gases poluentes gerados pela combustão.
Com o avanço da industrialização, a natureza dos resíduos mudou drasticamente. A pro-
dução em massa de produtos químicos e plásticos torna, hoje em dia, a eliminação do lixo
por meio da incineração um processo complexo, de custo elevado e altamente poluidor.
A incineração acaba gerando mais resíduos tóxicos, tornando-se uma ameaça para o
ambiente e a saúde humana.
Os incineradores não resolvem os problemas dos materiais tóxicos presente no lixo. Na
verdade, eles apenas convertem esses materiais tóxicos em outras formas, algumas das
quais podem ser mais tóxicas que os materiais originais.
As emissões tóxicas, que são liberadas mesmo pelos incineradores mais modernos (ne-
nhum processo de incineração opera com 100% de eficácia), são constituídas por três ti-
pos de poluentes altamente perigosos: os metais pesados, os produtos de combustão in-
completa e as substâncias químicas novas, formadas durante o processo de incineração.
Inúmeras organizações internacionais de defesa ambiental, inclusive o Greenpeace, de-
fendem a implementação de estratégias e planos que promovam a redução, a reutilização
e a reciclagem de matérias, produtos e resíduos. A incineração não tem lugar em um futu-
ro sustentável.
A Convenção de Estocolmo, um tratado assinado por 151 países, inclusive o Brasil, tem o
objetivo de acabarem com a fabricação e utilização de 12 substâncias tóxicas, os chama-
dos "Doze Sujos". Entre elas, estão às dioxinas e os furanos, substâncias potencialmente
cancerígenas.
A Convenção classifica os incineradores de resíduos e os fornos de cimento para co-
geração de energia por meio da queima de resíduos, como sendo uma das principais fon-
tes de dioxinas, furanos e PCBs ("Polychlorinated Biphenuyls").
Além disso, recomenda o uso de tecnologias alternativas para evitar a geração desses
subprodutos. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) reportou
que os incineradores são a fonte de mais de 60% das emissões mundiais de dioxinas
A corrida desenfreada na produção de bens de consumo pelo ser humano associada à
escassez de recursos não renováveis e contaminação do meio ambiente, leva-o a ser o
maior predador do universo.
Este problema tem despertado no ser humano o pensar mais profundamente sobre a re-
ciclagem e reutilização de produtos que simplesmente seriam considerados inservíveis.
A reciclagem e a reutilização estão sendo vistas como duas importantes alternativas para
a redução de quantidade de lixo no futuro, criando com isso bons hábitos de preservação
do meio ambiente. O que nos leva a economizar matéria-prima e energia.

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Em países desenvolvidos, como o Japão, a reciclagem e reutilização já vêm sendo incen-


tivadas e realizadas há vários anos, com resultados positivos. No Brasil já temos grupos
que estão atentos aos problemas mencionados e buscando alternativas para resolvê-los.
Indústrias nacionais e subsidiárias estrangeiras já iniciaram programas de substituição de
embalagens descartáveis, dando lugar e materiais recicláveis.
A incineração é um processo dispendioso, no qual o lixo é queimado em fornos de alta
temperatura, propiciando uma relativa redução no volume do lixo, além de destruir a maio-
ria do material orgânico e dos
contaminantes que causam problemas nos aterros. Além de calor, a incineração gera dió-
xido de carbono, óxidos de enxofre e nitrogênio, dioxinas e outros contaminantes gaso-
sos, cinzas voláteis e resíduos sólidos que não se queimam e que concentram substân-
cias tóxicas com potencial de contaminação do Meio Ambiente. As dioxinas são conside-
radas uma das substâncias mais tóxicas presentes no ambiente. Além de serem de difícil
destruição, elas podem causar sérios efeitos à saúde humana. As cinzas resultantes po-
dem também ser usadas na indústria de fertilizantes

4.5. Controle de resíduos


Os 3Rs para controle do resíduos são reduzir, reutilizar e reciclar. Reduzindo e reutilizan-
do se evitará que maior quantidade de produtos se transforme em lixo. Reciclando se pro-
longa a utilidade de recursos naturais, além de reduzir o volume de lixo. Exemplos:
Cacos de vidros são usados na fabricação de novos vidros, o que permite a economia de
energia.
O reaproveitamento do plástico ajuda a poupar petróleo e, portanto, dinheiro.
Reciclar papel, além da economia, significa menos árvores derrubadas.

a) Reduzir: implica em reduzir o consumo de tudo o que não nos é realmente neces-
sário. Isto significa rejeitar produtos com embalagens plásticas e isopor, preferindo
as de papelão que são recicláveis, que não poluem o ambiente e desperdiçam me-
nos energia.

b) Reutilizar: significa usar um produto de várias maneiras. Como exemplos: reutilizar


depósitos de plásticos ou vidro para outros fins, como plantar, fazer brinquedos;
reutilizar envelopes, colocando etiquetas adesivas sobre o endereço do remetente
e destinatário; aproveitar folhas de papel rasuradas para anotar telefones, lembre-
tes, recados; instituir a feira de trocas para reciclar, aproveitando ao máximo os
bens de consumo, como: roupas, discos, calçados, móveis.

c) Reciclar: é uma maneira de lidar com o lixo de forma a reduzir e reusar. Este pro-
cesso consiste em fazer coisas novas a partir de coisas usadas. A reciclagem re-
duz o volume do lixo, o que contribui para diminuir a poluição e a contaminação,
bem como na recuperação natural do meio ambiente, assim como economiza os
materiais e a energia usada para fabricação de outros produtos. Três setas com-
põem o símbolo da Reciclagem, cada uma representa um grupo de pessoas que
são indispensáveis para garantir que a reciclagem ocorra. A primeira seta repre-
senta os produtores, as empresas que fazem o produto. Eles vendem o produto pa-
ra o consumidor, que representa a segunda seta. Após o produto ser usado ele po-
de ser reciclado. A terceira seta representa as companhias de reciclagem que cole-
tam os produtos recicláveis e através do mercado, vendem de volta o material usa-
do para o produtor transformá-lo em novo produto.

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Reciclagem de papel
Tipos Cuidados
Folhas soltas, jornais, listas telefônicas, folhetos co- Devem estar limpos, secos e de preferência não
merciais, revistas, papéis de embrulho, caixas de pa- amassados. As caixas devem estar desmonta-
pelão, caixas longa vida, das.
Papel e absorvente higiênico, papel plastificado, metalizado, parafinado, fotografia, etiquetas, papel
de fax ou carbono não devem ser colocados junto a esse material!

Reciclagem de vidro
Tipos Cuidados
Devem estar limpos, podem estar inteiros ou
Garrafas, copos, potes, cacos de vidro, lâmpadas
quebrados. Se quebrados, devem ser embalados
incandescentes e frascos
em papel grosso (jornal).
Vidros planos, do tipo pirex e similares, pratos, espelhos, cristais, ampolas de remédios e cerâ-
micas não devem ser colocados junto a esse material!

Reciclagem de plástico
Tipos Cuidados
Embalagens, garrafas tipo "PET", sacos, brinque-
dos, utensílios domésticos, canos, potes em ge- Devem estar limpos e sem tampa.
ral.
Fitas adesivas não devem ser colocadas junto a esse material!

Reciclagem de metais
Tipos Cuidados
latas, objetos de alumínio, cobre, latão, chumbo, Devem estar limpos. As tampas devem ser pres-
bronze, ferro ou zinco e pequenas sucatas. sionadas para dentro. Podem estar amassados.

Materiais que contaminam a natureza: Pneus, lâmpadas fluorescentes, pilhas, baterias,


resíduos contidos em embalagens de materiais de limpeza, inseticidas, herbicidas, cos-
méticos, restos de tintas, produtos químicos e remédios. As empresas que os produzem
estão sendo obrigadas por lei a recolher esses produtos.

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5. Planos de controle e monitoramento de poluentes


A ISO 14.001 no requisito 4.5.1 requer a obrigatoriedade do estabelecimento e implemen-
tação de procedimentos para monitorar e medir regularmente as características principais
de uma organização que pode causar um impacto ambiental significativo.
Desta maneira torna-se imprescindível a criação de planos de monitoramento para medir,
avaliar e controlar todos os poluentes emitidos por uma determinada organização.

5.1. Planejamento
Planejamento é a elaboração de um roteiro para realização de determinada tarefa. Ao co-
letar, deve-se realizar um planejamento para obter uma amostra representativa e resulta-
dos satisfatórios dentro da realidade da amostragem. Um bom planejamento de amostra-
gem inclui:
a) metodologia de coleta;
b) tipos de amostras (simples ou composta);
c) pontos de amostragem;
d) tempo de coleta;
e) preservação;
f) transporte;
g) equipamentos necessários;
h) coletor bem treinado;
i) parâmetros a serem analisados.

5.2. Amostragem de Efluentes Líquidos


De acordo com as normas, todos os efluentes de uma atividade devem ser lançados num
só ponto do corpo receptor. Antes da coleta, deve ser verificado o atendimento a essa
condição, isto é, se não há pontos de lançamento clandestinos. Todos os pontos de lan-
çamento (clandestinos ou não) devem ser amostrados e devidamente identificados nos
frascos e fichas de coleta. Para avaliação das características do efluente final a amostra
deve ser coletada pouco antes do mesmo atingir o corpo receptor. Se for necessária a de-
terminação do impacto do efluente sobre o corpo receptor, coletar outras duas amostras,
uma a montante do lançamento e outra a jusante. A coleta deve ser feita com o uso de
balde, a partir do qual se transfere a amostra homogeneizada para os respectivos frascos.
A tabela abaixo apresenta o tipo de frasco, volume mínimo de amostra, preservação, pra-
zo para análise e acondicionamento para transporte para coleta de amostras de efluentes.

5.3. Interferências nas condições de coleta e estocagem


Algumas determinações são mais influenciadas pela estocagem do que outras, deste mo-
do alguns cuidados devem ser tomados durante a coleta e estocagem das amostras antes
da realização dos ensaios.
Certos cátions são sujeitos a perdas por adsorção ou por troca iônica com as paredes do
frasco coletor. Alumínio, cádmio, cromo, ferro, manganês, prata e zinco são melhor cole-
tados em frascos limpos e acidificados com ácido nítrico a pH < 2, para minimizar a preci-
pitação e adsorção nas paredes. Alguns compostos orgânicos também são sujeitos a per-
da pela adsorção nas paredes do frasco.
Algumas determinações sofrem alteração com o tempo. A temperatura muda rapidamente
até atingir equilíbrio com o meio ambiente. O pH pode mudar significativamente em minu-
tos. Gases dissolvidos (Oxigênio, Dióxido de Carbono)podem ser perder. Por este motivo
as determinações de temperatura, potencial redox e gases dissolvidos devem ser feitas

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no local de coleta. As determinações de pH, condutividade, turbidez e alcalinidade devem


ser feitas o mais rápido possível após a coleta.
Muitos compostos orgânicos são sensíveis a mudanças de pH e/ou temperatura, resul-
tando redução em sua concentração durante a estocagem.
Mudanças no balanço de pH – CO2 – Alcalinidade podem causar precipitação de carbona-
to de cálcio (CaCO3), diminuindo os teores de cálcio e dureza.
A coleta, manuseio e preservação das amostras devem ser feitos com cuidados, para evi-
tar a introdução de contaminantes.
Não se deve enviar ao laboratório, porções da amostra que tenham sido utilizadas para
determinações de campo.
A parte interna dos frascos e das tampas não deve ser tocada com as mãos.
Os recipientes para amostras só devem permanecer abertos no tempo necessário ao seu
preenchimento, e devem ser mantidos ao abrigo do sol.
O responsável da coleta deve estar com as mãos limpas, e não deve fumar enquanto ma-
nusear a amostra.
Na tabela a seguir estão listadas as condições necessárias para preservar a integridade
das amostras, de modo a garantir uma confiabilidade dos resultados obtidos nos ensaios
a serem realizados. Nesta tabela estão especificados os itens:
Determinação – são os diversos ensaios a serem realizados na amostra
Frasco – são relacionados os tipos de frascos que podem ser utilizados durante o manu-
seio da amostra. Os frascos que podem ser utilizados são:
P – frasco de plástico (polietileno ou equivalente),
PA ou VA – frasco de vidro ou plástico, lavado com ácido nítrico 1:3;
V – frasco de vidro;
VB – frasco de vidro borosilicato;
Vc – frasco de vidro, de boca larga e calibrado;
VS – frasco de vidro lavado com solvente orgânico.
VR – vials com septo e selados, tampado, próprios para análise por GCMS.
Volume – é a quantidade mínima a ser coletada para a realização de um determinado
ensaio
Tipo – especifica os tipos de coleta que podem ser utilizados na amostra. Existem 2 tipos
de coletas:
Coleta simples (s) – quando é realizada uma única coleta da amostra
Coleta composta (c) – quando a coleta é feita de forma contínua, sendo que a intervalos
pré estabelecidos, recolhe-se uma amostra e adicionam-se as demais coletas.
Preservação - especifica as condições para a preservação da amostra, de forma a man-
ter sua integridade, sendo que:
Refrigerar – indica que a amostra deve ser guardada ou estocada na temperatura de 4  2
°C, ou a especificada.
Analisar imediatamente – a análise deve ser realizada dentro de 15 minutos após a coleta
da mesma.
Estocar no escuro – a amostra deve ser guardada, ou estocada em lugar escuro, ou de
forma que a mesma seja protegida da ação direta da luz solar.
Prazo – indica o tempo máximo que amostra pode ser guardada ou estocada. Após este
prazo as análises não devem ser realizadas, pois os resultados obtidos estariam foram da
confiabilidade.

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Tabela – Preservação de amostras para análise

Determinação Amostra Frasco Volume (ml) Tipo Preservação


Acidez Efluente P,VB 100 s Refrigerar
Alcalinidade Efluente P,V 200 s Refrigerar
DBO Efluente P,V 1000 s, c Refrigerar
Boro Efluente P 1000 s, c HNO3 até pH < 2
Brometo Efluente P,V 100 s, c Não requer preservação
Carbono Orgânico Analisar imediatamente ou refrigerar e adi-
Efluente VB 100 s, c
Total - TOC cionar HCl, H3PO4 ou H2SO4 até pH < 2
Dióxido Carbono Efluente P,V 100 s, c Analisar imediatamente
Analisar o mais rápido possível, ou adicionar
DQO Efluente P,V 100 s, c
H2SO4 até pH < 2; refrigerar
Cloreto Efluente P,V 50 s, c Não requer preservação
Cloro residual Efluente P,V 500 s Analisar imediatamente
Dióxido de Cloro Efluente P,V 500 s Analisar imediatamente
Sem filtração – no escuro, 4°C; refrigerar
Clorofila Efluente P,V 500 s Filtrada – no escuro, a –20°C ( não freezer
frost-free)
Cor Efluente P,V 500 s, c Refrigerar
Condutividade Efluente P,V 500 s, c Refrigerar
Adicionar NaOH até pH > 12; refrigerar e es-
Cianeto Total Efluente P,V 1000 s, c
tocar no escuro
Cianeto sensível a Adicionar 0,6 g de ácido ascóbico se houver
Efluente P,V 1000 s, c
cloração presença de cloro; refrigerar
Fluoreto Efluente P 100 s, c Não requer preservação
Dureza Efluente P,V 100 s, c Adicionar HNO3 ou H2SO4 até pH < 2
Iodeto Efluente P,V 500 s Analisar imediatamente
Para metais dissolvidos, refrigerar, filtrar em
membrana de 0,45 m e adicionar HNO3
Metais (geral) Efluente PA,VA 1000 s, c até pH < 2. Manter em refrigeração.Para me-
tais totais adicionar HNO3 até pH < 2 e man-
ter em refrigeração
Cromo VI Efluente PA,VA 1000 s Refrigerar
Cobre por fotome-
Efluente P,V 1000 s, c Refrigerar
tria
Adicionar HNO3 até pH < 2 , 4°C; refrigerar.
Alternativamente adicionar 2 ml/ l amostra de
Mercúrio Efluente PA,VA 1000 s, c K2Cr2O7 20 % (m/v) preparada com HNO3
1:1. Estocar em refrigerador isento de con-
taminação de mercúrio
Nitrogênio Amoni- Analisar o mais rápido possível, ou adicionar
Efluente P,V 500 s, c
acal H2SO4 até pH < 2 e refrigerar
Nitrato Efluente P,V 100 s, c Analisar o mais rápido possível , refrigerar
Nitrito + Nitrato Efluente P,V s, c Adicionar H2SO4 até pH < 2 e refrigerar
Nitrito Efluente P,V s, c Analisar o mais rápido possível , refrigerar
Nitrogênio Orgâni-
Efluente P,V s, c Refrigerar e adicionar H2SO4 até pH < 2
co
Odor Efluente P s, c Analisar o mais rápido possível , refrigerar
Adicionar HCl ou H2SO4 até pH < 2 e refrige-
Óleo e Graxa Efluente Vc 1000 s
rar
Orgânicos - Fenol Efluente VS 500 s, c Refrigerar, adicionar H2SO4 a pH < 2
Matriz com cloro residual (água tratada) –
Orgânicos - Herbi-
Água tratada Vr 2 x 40 s adicionar 2 mg Sufito de Sódio / 40 ml de
cidas
amostra.

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QUÍMICA AMBIENTAL - Teoria

Determinação Amostra Frasco Volume (ml) Tipo Preservação


Matriz sem cloro residual (água bruta ou re-
Orgânicos - Herbi- siduária). Encher o frasco com a amostra
Efluente Vr 2 x 40 s
cidas deixando espaço p/ expansão no freezer.
Colocar a 4°C
Matriz com cloro residual (água tratada) –
Orgânicos – Pesti-
Água tratada P,V 1000 s, c adicionar 8 mg tiossulfato de sódio / 100 ml
cidas Carbamatos
de amostra, no frasco de coleta.
Orgânicos – Pesti- Matriz sem cloro residual (água bruta ou re-
Efluente P,V 1000 s, c
cidas Carbamatos siduária) -
Orgânicos – Pesti-
cidas Organoclora- Água tratada Matriz com cloro residual (água tratada)
dos
Orgânicos – Pesti-
Matriz sem cloro residual (água bruta ou re-
cidas Organoclora- Efluente
siduária) -
dos
Orgânicos – Pesti- Matriz com cloro residual (água tratada)
cidas Organofosfo- Água tratada
rados
Orgânicos – Sur-
factantes Aniônicos Efluente P,V 250 s, c Refrigerar
(MBA)
Matriz com cloro residual (água tratada) - A-
Orgânicos Voláteis
dicionar 25 mg ácido ascóbico / 40 ml de
- Halocarbonos e Água tratada Vr 2 x 40 s
amostra e 4gotas de HCl até pH < 2 e refri-
Aromáticos
gerar
Orgânicos Voláteis Matriz sem cloro residual (água bruta ou re-
- Halocarbonos e Efluente Vr 2 x 40 s siduária) - adicionar HCl até pH < 2 e refrige-
Aromáticos rar
Orgânicos Voláteis Matriz com cloro residual (água tratada) –
- Trihalometanos Água tratada Vr 2 x 40 s Refrigerar
(THM)
Orgânicos Voláteis Matriz sem cloro residual (água bruta ou re-
- Trihalometanos Efluente Vr 2 x 40 s siduária) – adicionar opcionalmente HCl até
(THM) pH < 2.Refrigerar;
Matriz com cloro residual (água tratada)–
Orgânicos Voláteis
Água tratada Vr 2 x 40 s Refrigerar
– EDB / DBCP
Orgânicos Voláteis Matriz sem cloro residual (água bruta ou re-
Efluente Vr 2 x 40 s
– EDB / DBCP siduária) – Refrigerar
Lavar o frasco com Acetona ou Cloreto de
Metila e secar. Não ambientar o frasco com
a amostra.
Para amostragem composta mantenha o
Orgânicos – Semi - VS am- frasco de coleta refrigerado a 4°C e protegi-
Efluente 1000 s, c
voláteis bar do da luz. Encher o frasco e se a matriz tiver
cloro residual, adicionar 80 mg /l de Tiossul-
fato de Sódio e misturar bem. Mantenha to-
das as amostras refrigeradas a 4°C desde a
coleta até a extração da amostra
OD por Eletrodo Efluente V, DBO 300 s Analisar imediatamente
OD por Winkler Efluente V, DBO 300 s Titulação deve ser feita após a acidificação
Ozônio Efluente V 1000 s Analisar imediatamente
pH Efluente P,V 50 s Analisar imediatamente
Para fosfato dissolvido, filtrar imediatamente,
Fosfato Efluente P,V 100 s
refrigerar
Fósforo Total Efluente P,V 100 s, c Adicionar H2SO4 até pH < 2 e refrigerar
Salinidade Efluente V, selo 240 s Analisar imediatamente ou usar selo
Sílica Efluente P 200 s, c Refrigerar, não congelar

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QUÍMICA AMBIENTAL - Teoria

Determinação Amostra Frasco Volume (ml) Tipo Preservação


Sólidos Efluente P,V 200 s, c Refrigerar
Sulfato Efluente P,V 100 s, c Refrigerar
Refrigerar, adicionar 4 gotas de acetato de
Sulfeto Efluente P,V 100 s, c Zinco / 100 ml amostra, adicionar NaOH a
pH > 9
Temperatura Efluente P,V - s Analisar imediatamente
Analisar no mesmo dia, estocar no escuro
Turbidez Efluente P,V 100 s, c
até 24 horas, refrigerar

5.4. Parâmetros mais Comuns por Atividade Poluidora


A tabela abaixo apresenta os principais parâmetros a serem analisados, de acordo com a
atividade poluidora, para o caso de pesquisa para identificação de algum dano causado.
Entretanto, na fiscalização de rotina devem ser observados os parâmetros constantes da
licença ambiental do empreendimento.

Indústria Parâmetros
Amônia, Coliformes Fecais e Totais, Fosfatos, N-Total, N-Amoniacal, N-
Abatedouros e Frigoríficos
Orgânico, Nitritos, Nitratos, Óleos e Graxas, Surfactantes.
Açúcar e Álcool Óleos e Graxas, Surfactantes.
Amônia, Fosfatos, N-Total, N-Amoniacal, N-Orgânico, Nitritos, Nitratos,
Alimentícia
Óleos e Graxas.
Amianto Cromo Total, Fosfatos, Óleos e Graxas, Sulfatos, Zinco.
Cádmio, Chumbo, Cianeto, Cobre, Cromo Hexavalente , Cromo Total,
Estanho, Fenol, Ferro Solúvel, Níquel, N-Total, N-Amoniacal, N-
Automóveis
Orgânico, Nitritos, Nitratos Óleos e Graxas, Solventes Aromáticos (BT-
XE), Solvenes Halogenados, Sulfatos, Surfactantes, Zinco.
Cádmio, Chumbo, Cobre, Cromo Total, Ferro Solúvel, Fosfatos, Níquel,
Baterias Óleos e Graxas, Solventes Aromáticos (BTXE), Solv. Halogenados, Sul-
fatos, Sulfetos, Surfactantes, Zinco.
Fosfatos, N-Total, N-Amoniacal, N-Orgânico, Nitritos, Nitratos, Óleos e
Bebidas
Graxas, Surfactantes
Chumbo, Cromo Total, Óleos e Graxas, Solventes Aromáticos (BTXE),
Borracha
Solv. Halogenados, Sulfetos, Surfactantes, Zinco.
Amônia, Fenol, Fosfatos, N-Total, N-Amoniacal, N-Orgânico, Nitritos, Ni-
Celulose e Papel tratos, Óleos e Graxas, Solvente Aromáticos (BTXE), Solventes Haloge-
nados, Sulfatos, Sulfetos, Surfactantes, .
Cereais Óleos e Graxas.
Arsênio, Cádmio, Chumbo, Cobre, Cromo Hexav. , Cromo Total, Esta-
Componentes Eletro-
nho, Ferro Solúvel, Fluoretos, Óleos e Graxas, Selênio, Solventes Aro-
Eletrônicos
máticos (BTXE), Solventes. Halogenados.
Concreto, Cal, Cimento e Cromo Total, Ferro Solúvel, Fosfatos, Óleos e Graxas, Sulfatos, Sulfe-
Gesso tos, Zinco.
Colif. Fecais e Totais, Cromo Total, Mercúrio, N-Total, N-Amoniacal, N-
Curtumes Orgânico, Nitritos, Nitratos, Óleos e Graxas, Solventes Aromáticos (BT-
XE), Solv. Halogenados, Sulfatos, Sulfetos, Surfactantes, .
Estação de Trat. de Água – Alumínio, Colif. Fecais e Totais, Ferro Solúvel, Óleos e Graxas, Solven-
ETA tes Aromáticos (BTXE), Solv. Halogenados.
Alumínio, Amônia, Cádmio, Chumbo, Cianeto, Cobre, Colif. Fecais e To-
tais, Cromo Total, Fenol, Ferro Solúvel, Fosfatos, Mercúrio, Níquel, N-
Estação de Tratamento de
Total, N-Amoniacal, N-Orgânico, Nitritos, Nitratos, Óleos e Graxas, Sol-
Esgoto – ETE
ventes Aromáticos BTXE, Solv. Halogenados, Sulfatos, Sulfetos, Surfac-
tantes, Zinco.
Alumínio, Amônia, Arsênio, Cádmio,Cromo Total, Ferro Solúvel, Fluore-
Fertilizantes tos, Fosfatos, Manganês, Mercúrio,N-Total,N-Amoniacal,N-Orgânico,
Nitritos, Nitratos, Óleos e Graxas,Sulfatos , Sulfetos, Zinco.

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Indústria Parâmetros
Chumbo, Cromo Hexav., Cromo Total, Fenol, Ferro Solúvel, Manganês,
Fundição de Ferro
Níquel, Óleos e Graxas, Prata, Zinco.
Cádmio, Chumbo, Cianeto, Cobre, Cromo Hexav, Cromo Total, Estanho,
Ferro Solúvel, Fosfatos, Manganês, Mercúrio, Níquel, Óleos e graxas,
Galvanoplastia
Prata, Solv. Aromáticos (BTXE), Solv. Halogenados, Sulfatos, Sulfetos,
Surfactantes, Zinco.
Colif. Fecais e Totais, Fosfatos, N-Total, N-Amoniacal, N-Orgânico, Nitri-
Laticínios
tos, Nitratos, Óleos e Graxas, Surfactantes.
Cádmio, Chumbo, Cianeto, Cobre, Fenol, Fosfatos, N-Total, N-
Materiais Plásticos e Sintéti-
Amoniacal, N-Orgânico, Nitritos, Nitratos, Oleos e Graxas, Solv. Aromá-
cos
ticos (BTXE), Solv. Halogenados, Sulfatos, Zinco.
Alumínio, Cádmio, Chumbo, Cianeto, Cromo Hexav., Cromo Total, Es-
Metalúrgicas tanho, Fenol, Ferro Solúvel, Fluoretos, Fosfatos, Níquel, Óleos e Gra-
xas, Prata, Solv. Aromáticos (BTXE), Solv. Halogenados, Zinco.
Mineração Bário, Fenol.
Arsênio, Cromo Total, Óleos e Graxas, Solv. Aromáticos (BTXE), Solv.
Móveis de Madeira
Halogenados.
Amônia, Chumbo, Cobre, Cromo Total, Fenol, Ferro Solúvel, Fosfatos,
N-Total, N-Amoniacal, N-Orgânico, Nitritos, Nitratos, Oleos e Graxas,
Petroquímica e Refinaria
Solv. Aromáticos (BTXE), Solv. Halogenados, Sulfatos, Sulfetos, Surfac-
tantes, Zinco.
Chumbo, Cromo Total, Ferro Solúvel, Fluoretos, Fosfatos, Níquel, Oleos
Porcelana
e Graxas, Solv. Aromáticos (BTXE), Solv. Halogenados, , Zinco.
Alumínio, Cianeto, Cromo Total, Cobre, Fluoretos, Estanho, Fenol, Ferro
Processamento de Alumínio
Solúvel, Mangânes, Níquel, Óleos e Graxas, Sulfatos, Zinco.
Chumbo, Cobre, Cromo Total, Ferro Solúvel, Níquel, Óleos e Graxas,
Processamento de Cobre
Zinco.
Produção de Óleos e Vege- Amônia, Fosfatos, N-Total, N-Amoniacal, N-Orgânico, Nitritos, Nitratos,
tais Oleos e Graxas.
Amônia, Fosfatos, N-Total, N-Amoniacal, N-Orgânico, Nitritos, Nitratos,
Produtos Farmacêuticos
Oleos e Graxas, Solv. Aromáticos (BTXE), Solv. Halogenados.
Alumínio, Arsênio, Boro, Cádmio, Chumbo, Cianeto, Cromo Total, Ferro
Produtos Inorgânicos Solúvel, Fluoretos, Fosfatos, Mercúrio, N-Total, N-Amoniacal, N-
Orgânico, Nitritos, Nitratos, Oleos e Graxas, Sulfatos, Sulfetos.
Amônia, Cádmio, Chumbo, Cianeto, Cobre, Cromo Total, Estanho, Fe-
nol, Ferro Solúvel, Fosfatos, Manganês, Mercúrio, Níquel, N-Total, N-
Produtos Orgânicos
Amoniacal, N-Orgânico, Nitritos, Nitratos, Oleos e Graxas, Solv. Aromá-
ticos (BTXE), Solv. Halogenados, Zinco.
Amônia, Cádmio, Chumbo, Cianeto, Cromo Total, Estanho, Fenol, Ferro
Siderúrgica Solúvel, N-Total, N-Amoniacal, N-Orgânico, Nitritos, Nitratos, Oleos e
Graxas, Sulfatos, Sulfetos, Zinco.
Arsênio, Cádmio, Chumbo, Cianeto, Cobre, Cromo Total, Estanho, Fe-
Têxteis nol ,Ferro solúvel, Níquel, Òleos e Graxas, Solv. Aromáticos (BTXE),
Solv. Halogenados, Sulfatos, Sulfetos, Surfactantes, Zinco.
Vegetais e Frutas Enlatadas N-Total, N-Amoniacal, N-Orgânico, Nitritos, Nitratos, Óleos e Graxas .
Cádmio, Chumbo, Cianeto , Cobre, Cromo Total, Estanho, Fenol, Ferro
Vidro e Cerâmica Solúvel, Fluoretos, Manganês, Mercúrio, Óleos e Graxas, Prata, Sulfatos
e Zinco.

6. Referência Bibliográfica
6.1. BARD, C - Química Ambiental – 2ª edição, Bookman Companhia Editora, 2002
6.2. AGUDO, E. G e ali – Guia de coleta de amostras – 1ª edição – CETESB, 1988
6.3. Site http://www.uenf.br/uenf/centros/cct/qambiental/ acessado em 02/02/2010
6.4. Site http://www.cetesb.sp.gov.br/ acessado em10/02/2010

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