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Introdução Conto esta historia como me foi contada pelo meu avô.

Ela foi contada a ele por seu avô. Este jurou que ela é fruto do saber que ele obteve em centros de grande erudição como e de um senhor chamado Jose Eustaquio de Nascimento e Isla. Reza a lenda que grande pescador e exímio navegante. O avo de meu avo é meu tataravô. Nunca o vi vivo. Nem morto. Continuando no terreno das lendas, era um homem de renomado saber e de total confiança. De qualquer forma este relato serviu para que ele elaborasse os escritos a quais meu avo me confiou. Meu tataravô teve uma historia de vida atípica. Viajou muito e viveu uma vida longa onde conheceu muita gente e que registrou de uma forma bastante anárquica. De qualquer forma ele conheceu Charles Messier em uma de suas viagens e isto mudou a astronomia amadora no mundo. Amadora no sentido de que praticada por quem ama. Mesmo porque ele mesmo sem saber fez tudo de forma muito profissional. Charles Messier foi um caçador de cometas e elaborou uma lista com (atualmente) 110 objetos nebulosos ou atípicos os quais ele poderia confundir com cometas. Este se tornou um dos primeiros catálogos de objetos de céu profundo na história da humanidade. Embora Messier e seus contemporâneos não soubessem são chamados como objetos de céu profundo: Aglomerados abertos, Aglomerados globulares, nebulosas e galáxias. Alem de outros gêneros mais raros do zoológico universal. De qualquer forma todos os objetos descritos por Messier fazem parte destes grupos. Bem como os encontrados pelo Sr. José Eustáquio. A fim de melhor esclarecer os leitores gostaria de abrir uns pequenos parênteses antes de começar a história que me foi contada por meu avô. “São aglomerados abertos agrupamentos de estrelas frouxamente unidas gravitacional mente. Podem possuir dezenas a centenas de estrelas, em geral muito jovens, nascidas de uma mesma nebulosa. Apresentam muitas vezes uma nebulosidade associada à nuvem de hidrogênio que serviu de matéria prima para as estrelas que agora compõem. Já os chamados aglomerados globulares são muito mais densos e estruturados do que os abertos. São como bolas de milhares a milhões de estrelas, que em contraste com os abertos, são todas muito velhas. São das coisas mais antigas do universo. As galáxias são os chamados “universos ilha”. São sistemas com bilhões estrelas unidas por sua própria gravidade em geral misturadas com poeira e gás. Apresentam diversas arrumações sendo as mais comuns as galáxias em espiral, elípticas, espirais barradas e as chamadas de irregulares. Por nebulosas se podem abarcar diversos animais cósmicos, sendo as mais comuns as chamadas nebulosas de Emissão e de reflexão. São também os berçários estelares. Pode ser também restos de explosões estelares. “De supernovas que representam o fim da vida de estrelas super massivas.”

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Por fim gostaria de deixar claro que diversas explicações de caráter técnico serão apresentadas entre aspas, em itálico e são é fundamentais para o entendimento de nossa história.

Capitulo 1 – O começo de tudo Messier estava à procura do cometa de Halley, e o procurava todas as noites. Ele acreditava piamente no retorno deste previsto por Halley para ocorrer ainda naquele ano. Isto era apenas uma hipótese naqueles tempos. De qualquer forma ele trabalhava para o Sr. Joseph Nicolas Delisle, astronomo da marinha. Ele fora empregado por sua bela caligrafia e acabou sendo instruído no uso de telescópios e afins. Estava ele buscando o cometa de Halley na região prevista para seu retorno quando encontrou uma pequena nebulosidade a qual acreditou ser o cometa. Era o dia 12 de setembro do ano do Senhor de 1758. Como astrônomo precavido que era e ciente de seus deveres para o Senhor Dele Le ele nada anunciou e continuou suas observações por mais alguns dias. Logo percebeu que aquele cometa não se movia em relação às estrelas de fundo. Não era um cometa e sim uma nevoa que habitava aquele lugar do espaço. Esta nevoa viria e se tornar o objeto Messier numero 1 ou M1. Ele só descobriria em 1771 que o objeto por ele avistado já havia sido observado por Jon Bevis em 1731 M 1 é na verdade os restos mortais de uma supernovas que explodiu em 1054. Tornou-se conhecida posteriormente como a nebulosa de caranguejo em razão de sua forma. É um objeto Messier difícil. Com baixo brilho de superfície e com uma magnitude de apenas 8,4. É separada por pouco mais de 1º da estrela Zeta tauri, um dos olhos da constelação de touro. “Magnitude é o brilho de uma estrela (ou um aglomerado, galáxia, planeta e etc..) como ela aparece no céu. Magnitude aparente. Nos primórdios se dividiam em seis grandezas. Sendo a 1ª a mais brilhante e a 6ª o limite da visão. Atualmente certos objetos mais brilhantes têm valor s negativos de magnitude. Sirius, a estrela mais brilhante é cotada em -1.44. O brilho de uma estrela é resultado de sua real emissão de luz e de sua distancia de nós.” José Eustaquio de Nascimento e Islas nasceu em Portugal, mas veio muito cedo para o Brasil., talvez o primeiro bebê a cruzar o atlântico. Este Se nesse tempo o Brasil era longe o pequeno rancho em que ele e seus pais viviam era para lá do o fim do mundo conhecido. Havia índios muito bravos para pouco alem do fim da península. A sorte é que ali havia pouca água. Não se sabe o ano exato de seu nascimento, mas meu tataravô calcula que ele tenha nascido por volta de 1740. Com isto ele teria vivido mais tempo que qualquer ser humano que eu tenha conhecido. Talvez mais que Aureliano Buendía Alguns anos depois de José, pouco antes do natal, houve um naufrágio junto ao Cabo no limite sul da península. Apenas dois marinheiros chegaram até o rancho onde morava Seu José. Pai de nosso José. Foram bem recebidos por ele e sua família.

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Tinham conseguido entrar em um pequeno bote que estava sobre o convés enquanto o barco fazia água rapidamente. Conseguiram jogar algumas caixas para dentro da embarcação, sem saber muito bem o que havia dentro de cada uma. O Capitão enlouquecido dizia que ia matar quem quer que tire algo de sua nau. Em mio a gritos e tiros de bacamarte eles jogaram um bote ao mar. Poucos minutos depois o barco explodiu. Segundo os marinheiros o capitão louco jogou uma lamparina no porão onde carregavam a pólvora. Após algum tempo os marinheiros construíram uma pequena embarcação e resolveram partir a um destino melhor que aquele fim de mundo. Deixou como forma de retribuição pela generosidade de seu José uma caixa com alguns livros. E um tubo com uns vidros em suas pontas que permitia que José avistasse barcos muito ao longe, Era um Telescópio, como muito tempo depois ele veio a saber.Para ele sempre foi a luneta. Aqui é importante relatar, segundos os alfarrábios que me chegaram às mãos, que José Eustaquio é um nome que se repete em varias gerações de uma família. Ou então ele viveu durante mais de cem anos. Aqui cabe mais um espaço para a lenda. Naqueles tempos o Arraial dos Búzios, como séculos depois o local veio a ser chamado, era realmente o fim do mundo. A maior pare da população da terra ainda acredita que o fim da mundo existe. Se você for até lá você cai no espaços vazio e conhece monstros que nenhuma alma humana jamais imaginou. José Eustáquio, devido a sua posição geográfica, já percebera que o fim do mundo não existia. Mais ainda. Como temente a deus ele sabia que o fim do mundo era um lugar no tempo. Não no mundo. E nem no céu. E José Eustaquio (com certeza era o primeiro de nossa saga) gostava do céu. Este José Eustaquio. Segundo deduzi este é o pai do José Eustaquio que meu tataravó conheceu. Ou não. Voltamos a terreno das lendas.Mas ele gostava do céu e o conhecia como colono que era. Mais que isto: navegador. Ele fora marinheiro na Real Marinha, a serviço do rei. Sua família era simples porem antiga Nunca possuiu grande prestigio. Mas serviam a peso as de muito prestigio. Fora bem educado e conseguiram-lhe uma posição, ainda que modesta, na esquadra Real. Daí até o Arraial é uma estória da mais nebulosas. Muito importante é que sabia ler. Os livros deixados foram bíblias para ele. Eram na verdade o baú da dita expedição científica que retornava a Portugal no mal fadado navio. Estamos no meio, aproximadamente, do sec. Xviii. Galileu Galilei não tinha chegado até Lisboa. Bem até tinha. Mas se perdeu a caminho para o futuro arraial. Aliás, o arraial era só um amontoado de Ranchos e mais umas choupanas. Daqui para frente este local vai ser conhecido como Arraial; ficará para a historia como Armação dos Búzios. Em todo caso algo novo havia chegado a Macondo. E José sabia ler. E tinha sido muito bem educado. Ainda que de uma forma totalmente ocasional ele ouvisse muita coisa. Lera muito pouco, mais algo. E agora podia entender a maior parte do saber que lhe chegara. E a volta quântica é que estava tudo em Frances. Improvável porem não impossível. Ele conseguia compreender e aprendeu de fato a língua. Sua mãe, metida à fidalga, aranhava bastante bem a língua dos nobres, e o fizera estudar algo. A outra volta quântica é o fato do Arraial ser freqüentemente visitado por piratas franceses em busca de viveres e porto seguro. De natureza curiosa ele observou, com atenção, o telescópio que lhe foi dado. Percebeu rapidamente que se tratava de uma peça de altíssima qualidade . Todo entalhado, com belíssimos desenhos de conjuntos de estrelas, em madeira de lei e um

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acabamento que demonstrava grande habilidade de artesões de primeira linha. Sua lente tinha cerca de 3 polegadas (75 mm) e era de uma transparência que ele jamais imaginara possível em um vidro ou cristal. E sua estrutura permitia que dois todos corressem dentro deles mesmos. Conforme corriam se podiam ver mais perto ou mais longe. Ele montou hábil que era, uma estrutura de bambu. Ela sustentava sua luneta. Mas foi mais longe ainda. Ela possuía algo como uma cabeça entalhada em madeira nobre. Esta peça, depois de adaptada com maestria, permitia a ele ajustar a altura e direção da luneta. Depois, e só depois, ele apontou seu olho para o céu. No céu ele viu muito mais que estrelas. Ele viu uma estrela com cabelos. Um cometa. Segundo meu tataravô disse na primeira noite Ele esbarrou em seu suporte e seu olho saltou para bem longe. E ele estava lá. Se as notas que o velho deixou forem corretas era novembro de 1758. Foi então que Jose Eustaquio entregou sua alma aos céus e seu coração a o que ele chamava de filosofia natural. Ele vira isto nos livros que haviam chegado. E ia descobrir o que isso significava.

Cap. 2 – França 1757 Meu Tataravô nascera em uma rica família cortesã, no reino de Portugal. Era o quinto filho de seu pai. Há este tempo isto só podia significar uma carreira na igreja. Não se adaptava muito bem aos gostos do velho. Foi um padre nada casto. Mas permitiu a ele se dedicar aos seus estudos com muito afinco. Era considerado um homem de profundo saber e com muitos títulos. Eram tempos de inquisição e esta era extremamente ativa no reino. E ele calava sobre sua biblioteca com muitos do livros proibidos. Copérnico, Galileu Galilei, até mesmo Bruno. Um dia falou mais do que devia e se viu em apuros. Seu pai em uma ação rápida e dispendiosa exportou o rapaz para Paris. Na cidades das luzes sopravam ares mais liberais e o jovem se revelou. Andava nas rodas mais intelectuais e era especialmente amigo de Joseph Nicola Delisle, astrônomo da marinha. Era 1757 e Delisle tinha previsto uma posição para o retorno do grande cometa de 1682 que Edmund Halley havia previsto. O cometa de Halley, como hoje é conhecido, teve sua orbita calculada por Halley em 1705. Ele percebe que se trata de um cometa periódico com uma orbita ao redor do sol de 75 anos O grande astrônomo não sobreviveu para ver seus cálculos se mostrarem precisos porem suas idéias sobreviveu no livro Sinopses Astronomia Cometicae. Don João, como meu tataravô era chamado, se debruçara sobre um exemplar cedido por Delisle estava fascinado pelos cálculos apresentados por Halley. Na verdade encantado pelas diversas obras que ele havia escrito. Diziam até que o grande Principia tinha sido patrocinado por ele, que incentivou Issac Newton a nos deixar esta obra maior no estudo da Ciência natural. Graças a seu enorme interesse por Halley e suas realizações ele se aproxima de Messier, que procurava, ainda que de forma antecipada, pelo retorno do cometa. Faziam observações diárias do observatório da marinha situado em uma torre no hotel de Clugny em Paris. O prédio fora construído em 1480 sobre fundações de uma ruína romana de sec. IV. Era perfeito , escuro e com um horizonte livre em todos as direções. Foi neste lugar que, segundo Don João, ele inventou a caça de cometas. Ele e Charles Messier.

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Eles buscavam pelo cometa na direção dada por Delisle. Ao final de quase um ano de buscas eles já haviam avistado mais de um cometa, porém nada na região esperada. Ao final de 1758 Don João se desesperava e chegou à conclusão que os cálculos de Delisle estavam errados. Estavam nessa condição de dar dó quando Messier localizou a tal nevoa que veio a se chamar M1. Após alguns dias e a realização de que aquilo não era um cometa, Don João diz a seu amigo que as nebulosas que os confundiam deveriam ser catalogadas a fim de não atrapalhá-los em sua busca por cometas. Recordou ainda que Halley havia registrado objetos semelhante em seu catalogo austral de 1679.Assim nasce o Catalogo de Charles Messier. “O catalogo Messier reúne 110º objetos de céu profundo. Ele é como a pedra de roseta para o astrônomo amador no hemisfério norte. Todos os anos astrônomos se reúnem para realizar a chamadas maratonas Messier. O desafio consiste em se observar todos os 110 objetos em uma única noite. Existe uma janela junto à lua nova mais próxima ao equinócio de primavera. A maratona não é plenamente possível no hemisfério sul. De qualquer forma a observação de todos os chamados objetos Messier, mesmo que não em uma única noite, é um divisor de águas para o astrônomo amador Em sua primeira versão o seu catalogo incluía apenas 45 objetos e foi apresentado em 1771.”. De qualquer forma Halley se mostrou correto e o cometa foi localizado por Johan George Palitzsch um Astrônomo amador alemão próximo ao natal de 1758. Messier o localizou de forma independente um mês depois tento concordado com Don João que a área prevista por Delisle estava errada. Delisle só o localiza no dia primeiro de abril de 1759. Ninguém acreditava mais nele e acharam ser uma brincadeira de Dia do Tolo. Por mais curioso que seja o catalogo o Messier foi organizado como locais no céu que não eram para ser olhados. Afinal aquelas nevoas não eram cometas e diversas elementos da intelligentsia acreditavam até mesmo tratarem de fenômeno atmosféricos. Na verdade este mesmo absurdo já havia sido dito dos cometas. Já Dom João acreditava que aqueles eram os locais a serem observados. Ele acreditava que muitas daquelas nevoas eram os recanto secretos que Bruno dizia existirem. Foi provavelmente um dos primeiros homens a cogitar a existência e outras galáxias. Foi um grande incentivador do Catalogo de Messier. Ia o ano de 1771 e Messier, agora já astrônomo da Marinha, acha que é hora de publicar seu Catalogo. Ele possui 43 objetos por ele definidos como nébulas e aglomerados estelares. Dom João, que em meio a uma vida cada vez mais desregrada, ainda encontrava tempo para as estrelas, os amigos e a matemática, considerava um numero suspeito. Ele pesquisava os chamados números perfeitos e estava obcecado pela Irmandade Pitagórica. Na verdade achava que ele, Messier Mechain e Cia. Formavam a versão revista e melhorada da mesma no alvorecer de uma nova ciência. “A perfeição numérica, segundo Pitágoras, depende do numero de divisores (números que vão dividi-lo perfeitamente, sem deixar resto). Segundo Pitágoras os números perfeitos são aqueles cuja soma de seu divisores é igual a ele mesmo. Por exemplo, o seis. 6=3+2+1. Deus criou o mundo em seis dias. O próximo numero perfeito são 28. A lua orbita a terra em vinte oito dias. Os números perfeitos

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apresentam outras propriedades interes antes. Euclides descobre que todos os números perfeitos são múltiplos de 2 números sendo um uma potencia de 2 e o outro a potencia seguinte de 2 menos 1.” Por conta disto Dom João conheceu a Messier de incluir mais dois objetos. Messier escolheu aglomerados já bastante conhecidos . M44 um aglomerado conhecido como presépio e M45 seriam as Plêiades. O verdadeiro motivo acredita-e tenha sido apresentar um catalogo maior, já que 45 não são um numero mais perfeito que 43. O catalogo foi publicado e Dom João teve um da primeiras cópias. O catálogo se iniciava assim: “Catálogo de nébula e aglomerados estelares, Que se revelam entre as estrelas fixas sobre o horizonte de Paris Observado no Observatório da Marinha Com diferentes instrumentos “Por M”. “Messier” A escolha dos dois últimos objetos desagradou Dom João, que acreditava que Messier deveria ter conseguido duas descobertas inéditas. Ou pelo menos mais obscuras. De fato ambas as entradas eram a muito conhecidas. M44 esta registrada como uma nébula em escritos que datam de 320 a.C. (Aratus). Galileu Galilei a identificou como aglomerado. Conhecido como o Presépio. M45 – Conhecido desde a pré- história. Consta do Livro de Jó. Conhecido como as Plêiades. Mas o problemas de Dom João eram maiores que suas rusgas com Messier. Ele estava encaminhado no pecado da luxuria e a honra de uma jovem tinha sido arruinada . O pai, um militar, queria sangue. O sangue dele. Partiu de Paris as pressas. Levava um telescópio, seu exemplar do catalogo, mais alguns livros e algumas roupas. Em Portugal não era bem vindo. Dom João de Silvano e Silva estava com poucas opções. Restava o Brasil. Cap. 3-Os Céus Austrais. Dom João faz uma rápida passagem por Lisboa a caminho do Brasil. Quase totalmente incógnito. Da casa de seu irmão ele organiza sua partida. Ele imagina sua ida para o Brasil como uma grande jornada cientifica. Jamais como uma fuga. Seu irmão atua junto ao Rei para lhe conseguir um posto junto à paróquia da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Dom João é um homem de seu tempo. Ele imagina a ciência como um todo. Tinha profundos interesses em astronomia, botânica, antropologia, geografia. A filosofia natural era uma ciência exata. Racional. Ele acreditava piamente em uma visão mecanicista do universo. Queria descobrir as leis que o regiam. Mas também acreditava muito na intuição, era um cientista, mas também um poeta. Acreditava em um forma incipiente de filosofia natural. De certa forma próxima a escola que viria a se constituir na Alemanha de Goethe. Naturphilosophie, que sugeria uma ponte entre o racional e o intuitivo para se entenderem os fenômenos. Assim como sugerido por Schelling, acreditava que uma unidade subjacente a todas

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as coisas que o homem jamais vai discernir somente pela lógica. Mas mantinha também forte apego ao método cientifico e era rigoroso em suas pesquisas. Procurava reunir a maior quantidade possível de instrumentos para a mensuração cientifica. Telescópio bussola astrolábios, compassos dos mais diferentes tipos. E uma vasta biblioteca para levar saber até as almas que se encontram tão longe. Pensava nos índios que poderia catequizar. Pensava também nas índias desnudas. Após um ou dois meses ele estava pronto. A situação se tornava insustentável e ele já tinha lapidado seu irmão até o limite. Sua partida se deu Lisboa com duas carroças onde levava seu mundo com ele. Depois de longa viagem até o Porto de La Coruña ele é embarcado como capelão e partem rumo às ilhas Canárias, que seriam sua primeira escala Era uma noite de lua nova e as estrelas indicavam o caminho. Ele partia rumo ao sul. Halley passou por lá. La Caille também. Mas ninguém sentou base. Halley foi para Santa Helena e La Caille na Cidade do Cabo. Dom João se acreditava como o Nuncius Australis, aquele que ia levar os céus austrais ao mundo. Mundo que, a seu ver, compreendida do ao Mediterrâneo, quiçá ao Tirreno. Sua expedição ia para alem do mundo. “Bout Du mond” ele gostava de falar. Os ventos ajudaram e após um dia já cruzavam o cabo de Finisterra. Mais uma semana e o sentinela as avistou. No próximo dia baixaram ferros na Grande Canária. Dom João sabia da importância daquela parada. As Canárias eram chamadas de Ilhas Fortunosas e serviam tradicionalmente para os navios espanhóis se abastecerem em caminho ao mundo novo. Era fundamental reabastecerem-se com produtos frescos. Só assim poderiam evitar a praga do escorbuto durante a travessia do Atlântico. O escorbuto é causado pela carência de vitamina c, e embora suas causas não fossem bem entendidas, era certo consenso entre os navegantes que o consumo de alimentos frescos ajudava a combater seu surgimento junto à tripulação. Com seu telescópio montado em terra ele começou suas observações. Ele localizou rapidamente a constelação de Centauro, a qual lhe era pouco conhecida, e começou a explorá-la. Alpha e Beta Centauro apontam para o Cruzeiro do Sul. Olhou primeiro para a brilhante Alpha. Percebeu tratar de um sistema duplo. Com ambos os componentes esbranquiçados e facilmente separáveis por seu poderoso telescópio newtoniano. “A diversos tipos de telescópios. Se dividem em dois grandes grupos. Refratores e refletores. Os primeiros usam lentes para captar e focar a luz. Os segundos usam espelhos e Newton criou um modelo até hoje muito utilizado”. O sistema Alpha Centauro, na verdade consiste em um sistema triplo, porem seu terceiro elemento (Próxima Centauro) não é visível com os aparelhos que Dom João possuía. São as estrelas mais próximas do nosso Sol e estão a cerca de 4 anos luz da Terra. À 1º 12´´ ao sudoeste ele percebeu um rico agrupamento de estrelas bem tênues. Ele registrou em seu diário: “... nunca foi registrado por meus antecessores. Acredito que tanto La caille como Halley não tinham instrumentos suficientemente poderosos para resolver estrelas nesta região do céu. Não achei nenhum registro sobre este pequeno, porém rico aglomerado.” Foi registrado como SS1 por Dom João.

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“Este aglomerado foi registrado, posteriormente, como NGC 5617, e possui magnitude de 6.6.” Na mesma noite deslocou seu telescópio em direção a Omega Centauro. Como descrito tanto por Halley como por La Caille a estrela se revela um enorme nevoa com estrelas se resolvendo em suas bordas. Este imenso aglomerado Globular tornava os famosos aglomerados M13 e M22 que ele já conhecia e faziam parte do catalogo de Messier que ele levava consigo, pequenas manchas. “Omega centauro é o maior aglomerado globular conhecido em nossa galáxia. Ele é constituído de milhões de estrelas e possui em seu centro um buraco negro. Acreditase que tenha se tratado de uma pequena galáxia eclíptica absorvida pela via láctea a bilhões de anos.” A sua estadia nas Ilhas Canárias foi rápida e o clima se mostrou bastante incerto. Segundo seu diário ele só pode observar o céu de forma clara em 7 dos 20 dias que passaram nas Ilhas. Ele dividia seu tempo também coletando diversas espécies vegetais os quais ele buscava com afinco e fazia tanto exicatas como tinturas em busca de substancias úteis para seus estudos de Alquimia. Dom João buscava, como muitos em seu tempo, a Panacéia universal. Esta seria a cura de todos os males e levaria a vida eterna. Eram os primórdios da Química. Ele realizava diversas experiências de caráter alquímico, sempre de forma discreta já que a alquimia era vista como uma forma de feitiçaria e mal vista por muitos. Na verdade o conhecimento da Alquimia era visto como heresia e seu entendimento como proto ciência se mistura a grandes doses de misticismo e em especial á tradição de Hermes Trimegisto. Desta forma Dom João acreditava em um paralelo entre os metais e os planetas. O Sol com o ouro, a lua com a prata, Mercúrio com mercúrio, Venus com o Cobre, Marte com o ferro, Júpiter com o estanho e Saturno com o chumbo. Uma de suas maiores ambições era determinar os componentes que compunham os Planetas e as estrelas. A sua viagem seguiu sem incidentes, embora a ausência de ventos durante a sua passagem pelo o Equador fez com que a travessia durasse 42 dias e as condições a bordo se deterioravam rapidamente quando atingiu a costa nordeste do Brasil. Após alguns dias aportaram na futura cidade de Recife. A área era cercada de manguezais e a população mais abastada se refugiara em Olinda. Uma área mais elevada e de fácil defesa. A região já fora palco de disputas entre portugueses e Holandeses e era uma das áreas mais desenvolvidas do Brasil. Dom João conseguiu alojar-se no recém construído convento de Santo Antonio. Lá se recuperou da longa travessia enquanto aguardava outro barco que fosse rumo ao Sul e o Levasse até o Rio de Janeiro. Capitulo 4 - O encontro. Durante sua não tão curta estada Dom João observou o céu com afinco. Dos registros deixados pode-se acreditar que ele tenha feito entradas no catalogo que vinha organizando. Na verdade ele continuava a se dedicar a constelação de Centauros e buscava esquadrinhá-la em toda sua área a fim de não deixar nada passar desapercebido. Com isto realizou mais quatro entradas no catalogo que ele planejara

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organizar. Também com sua chegada a Recife ele descobriu que outras mentes j[a haviam passado pelo Brasil e que ao contrario de sua crença diversos cientistas já haviam fincado bases na região, em especial os naturalistas da expedição de Mauricio de Nassau. Entre estes se destacam o naturalista Georg Marggraf e o Médico Willem Piso, que estudaram a fundo a fauna e a flora local, sua farmacopea e diversas doenças. Para seu maior choque encontrou estabelecida também uma sinagoga (a mais antiga da America), a Kahar zur Israel. Durante a ocupação holandesa ao longo do sec.XVII, a cidade se tornara cosmopolita e bastante liberal. Seus achados foram catalogados como SS2, SS3, SS4, SS5. Na verdade não eram descobertas originais mais sim objetos austrais do catalogo do amigo Messier. Somente observadas em condições geográficas muito superiores as encontradas pelo mesmo. (veja no apendix “Catalogo J.E.S.S”) Depois achou que era tempo e seguiu Para o Rio de Janeiro. A embarcação era batizada Santa Ifigênia. Era um barco rudimentar com um grupo rude (ou pior) como tripulação.Sua sina estava traçada. O Capitão chamava-se João Batista. Um homem autoritário e temido. Tinha algo como dois metros de altura e mais de cem kilos. Forte.Muito forte. Nunca precisou ser mal. Mais podia. E foi pior. Pelo menos para Silvano Silva. João Batista realmente não estava muito preocupado com sua alma e implicou de cara com o capelão almofadinha que tinha se juntado a seus homens. Achava péssima influencia sobre sua tripulação e o pior de tudo: achava que ele (Don João) achava que não deveria se submeter as suas ordens. Era verdade. E isto permitiu o encontro entre dois homens tão diferentes quanto Don João Silvano e Silva e José Eustáquio de Nascimento e Islas.Como Don João depois entendeu há males que vem pra bem.Após muitos dias de navegação chegou o momento que vinha se anunciando a muito tempo. O Capitão acusa Don João de promover um motim e incitar seus homens a pratica da vadiagem. Para o bem e para o mau Dom João é abandonado em um bote com todo seu equipamento em algum ponto entre Campo dos Goitacazes e a atual região de Cabo Frio. A pequena embarcação estava com a linha d água perigosamente baixa no momento da saída e foram deixados poucos mantimentos e quase nenhuma água potável. Porém a costa era próxima e após dois dias de navegação ao longo da costa em rumo a oeste Don João avista ranchos que diferente das ocas que tinha vislumbrado revelava a presença de europeus. Don João evitara os índios que habitavam a região. Segundo os tripulantes da Santa Ifigênia possuíam hábitos alimentares bastante curiosos. Eram os temidos Tupinambás. Foram praticamente dizimados. Seu desembarque no arraial foi um grande acontecimento. Algo cômico. Um naufrago vestido pomposamente como padre e vermelho como m camarão não passaria de forma discreta nem mesmo em uma cidade grande. No fim do mundo então... Estavam finalmente juntos Silvano Silva e José Eustaquio. Toda a comunidade esperava pela pequena embarcação, que havia sido avistada já há muito tempo graças a Luneta de José Eustaquio. Eles sabiam que era um homem só e não tinham receio. Sua chegada na verdade era um bom agouro. Permitia saber de novidades da civilização e também afastar o tédio. No Arraial havia um clima amigável. Era uma terra de conscritos. Ele era freqüentado por piratas e seus moradores fixos eram um pequeno grupo de pessoas que se encontravam ali por não poderem se encontrar em nenhum outro lugar. Desta

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forma era um local calmo e amigável. Os tupinambás que eram vistos como temíveis canibais na verdade mantinham uma relação bastante cordial com os moradores. José Eustaquio era algo como um político habilidoso e era um misto de prefeito e de cacique no Arraial. Foi ele que primeiro conversou com Silvano Silva. Não se emocionou muito com a história daquele homem, era como um deles. Porem sua bagagem o impressionou bastante. Falou que ele ia ficar em sua casa até que algo melhor fosse providenciado. Disse também que o padre era muito bem vindo. Haviam nascido diversas crianças no Arraial e todas ainda pagãs. Ficou combinado que ele realizaria os batizados o mais rápido possível. Em poucos dias eram grandes amigos. Silvano Silva ainda achava que ia ensinar a um entusiasmado amador os segredos do céu. Mas no caso o céu era o de José Eustaquio.

Cap.5 1770-1780 Don João rapidamente estava instalado em um pequeno rancho, considerado por ele um sensacional posto avançado da ciência. Era na verdade pouco mais que uma choupana. Ele se deliciava com a escuridão da noite no Arraial. Em paris com toda aquela luz ele não podia imaginar um lugar pior para se observar o céu. Pobre Messier. Messier estava em Paris dando prosseguimento a sua eterna busca por cometas. Ele havia conhecido Pierre Mecháin em 1771, pouco depois da partida de Don João. Mecháin se tornaria um grande colaborador e seria responsável por muitos dos objetos descritos na revisão do catalogo de Messier. De qualquer forma Enquanto Don João organizava sua fuga, Messier perscrutava os céus. Em 1772 ele acrescenta M50 a sua lista de nebulosas. Ele anota em seu diário: Abril 5, 1772. 50.6h51min50seg (102d57´28´´)-7d57´42´´ “aglomerado de pequenas estrelas, mais ou menos brilhantes, a direita do unicórnio, acima da estrela theta da orelha do cão maior; & próximo a uma estrela e 7ª magnitude.” Em 1779 houve uma explosão de inclusões enquanto Messier acompanhava a trajetória do cometa 1779 Bode. Messier co-descobriu este cometa junto com Bode que o observou cerca de 13 dias antes.Seguindo o cometa enquanto este passava por

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Virgem levou a diversas inclusões no catalogo.M59 e M60 foram descobertas por Gottfried Koehler ,que também seguia o cometa, em 11 de Abril. Porém não viu M58 que foi descoberta por Messier em abril, 15. Nesta corrida, em cinco de maio, Barnabus Oriani, outro que perseguia o cometa, acha M61. Messier localizou no mesmo dia.Porém achou ser um cometa até perceber ( somente uma semana depois ) que este não se movia.Então achou pela segunda vez M62 que ele já havia avistado em 1771.Porém desta vez marcou sua posição. E M63 é a primeira descoberta de Mecháin. M64 é descoberta por ele em Janeiro de 1780. M64 é uma bela galáxia em espiral, na constelação da Cabeleira de Berenice. Já havia sido avistada por independentemente por Edward Pigott e por Johan Bode em 1779. M65 e M66 são galáxias em espiral e foram encontradas por Messier meio que ao acaso, em Março de 1780. Em abril ele acha M67 e M68. Com isto ele dá por encerrada a segunda edição de seu catalogo. Foi publicado no almanaque francês La Connoissance des Temps ainda naquele ano. Este período foi pródigo também no desenvolvimento do catalogo J.E.S.S. Don João chegou ao Arraial por volta de 1774ou 1775. Esta data é considerada uma boa aproximação .Calculei que em cerca de três mês Don João já tivesse se estabelecido em seu “observatório”. José Eustaquio tinha reavivado seu interesse pela filosofia natural graças a seu encontro com o padre. Ele podia finalmente trocar com alguém que não os rudes habitantes de seu canto da terá. Don João relutara um pouco em aceitar José Eustáquio como um par. Porém o saber natural e seu enorme conhecimento do céu o levaram a se dobrar ao amigo e com o tempo desenvolveu profundo respeito e até mesmo certa reverencia ao astrônomo tupinambá como ele o chamava. José só chamava Don João de Padre.

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Cap. 6-A Primeira Jornada Finalmente chegou o dia. Ambos estavam armados de seus telescópios e Don João achou que ia mostrar coisas que José Eustaquio Jamais sonhara. A surpresa começou cedo aquela noite. Era inverno austral e o Cruzeiro do Sul ia alto ao céu. Eustaquio apontou seu telescópio em Direção a Beta Crux, Ou Mimosa como ele a chamava. Alguns segundos e ele pede para o padre olhar em seu ocular. O que viu surpreendeu Don João. Era linda, uma pequena jóia escondida no céu Austral. Uma linda coleção de estrelas com as mais diversas cores. Uma Linda arvorezinha de natal era a figura mais próxima que lhe ocorria. Era também curiosamente que José Eustaquio dera ao Aglomerado. Este Objeto foi catalogado como J.E. 001 no catalogo de Don João. Don João não quis acreditar que aquele aglomerado não fosse conhecido anteriormente. Só depois de consultar os textos que possuía dos Catálogos de Halley e de Laplace é que ele se conformou que o achado era original de José Eustaquio. O Aglomerado em questão é um aglomerado aberto hoje mais conhecido como A caixa de Jóias, Sua descoberta é normalmente atribuída a John Herschel. È conhecido também como Ngc 4755. É descrito por Dreyer ( O organizador do imenso New General catalog of Star and nebulae ):- Aglomerado aberto denso. Aglomerado, muito grande, estrelas muitos brilhantes. ( Kappa Crux). È um aglomerado bem distante a cerca de 7500 anos luz da terra. Próximo a “Arvore de natal” Eustaquio fez Don João reparar em uma área muito escura junto ao céu. Um Buraco no céu. Esta nebulosa escura virá a ser conhecida como o Saco de Carvão. È um objeto atípico no caso mais parecia um vazio na via láctea. José Eustaquio defendia ser algum tio de matéria escura próxima a terra. Este objeto foi fruto de muita discussão entre José e o abade. De qualquer forma ele apontou sua luneta para borda deste “buraco” e fez surgir mais um pequeno aglomerado o qual ele chamava de “sardinhas”. Este se tornaria o objeto J.E.002. È hoje conhecido como Ngc4609 do catalogo de Dreyer. Ele o descreve assim: - Aglomerado. Bem Grande. Comprimido para leste. O Telescópio de Dreyer era infinitamente mais poderoso que o de nossos heróis. A descrição de sardinhas me é bastante exata depois de observar o aglomerado com um telescópio modesto. (Na verdade com um telescópio refrator de 75 mm e com 50x de magnificação.) A Jornada agora Continuou pelo Cruzeiro. Após mostrar a padre que Acrux (A estrela mais brilhante do Cruzeiro eram na verdade duas estrelas. O fato de o padre já saber disto impressionou muito a Jose Eustaquio, que perdido no arraial há anos achava já que só ele conhecia a filosofia natural e as belezas do céu. NA era verdade, mas ele conhecia os céus austrais como poucos e como o padre começou a perceber como ninguém. A partir de Acrux ele dá um pequeno salto e localiza mais um aglomerado em meio às estrelas do Cruzeiro. Este era muito tênue e visto somente se olhado com muita atenção. O saleiro era como ele o chamava. Hoje é conhecido como NGC4349. Com mais um pequeno salto ele localiza NGC 4439 . A este ele chamava de Saleiro de Jó já que era necessária certa paciência para fazerem saltar as estrelas que o compunham. Muitas noites ele era só uma bruma escondida no céu.

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È importante ressaltar que estes aglomerados só foram catalogados por Dreyer muitos anos após esta primeira jornada observacional de José Eustaquio e de Silvano silva. Estes são também as entradas J.E.003 e J.E.004 do nosso catalogo perdido. Mas noite não acabara e Don João queria mostrar o que sabia. Foi difícil mostrar alguma novidade a caboclo, porém ele tentou. Começou com o Aglomerado de Ptolomeu (M7). Esperava com isto descobrir que os aglomerados no Cruzeiro mostrados por José Eustaquio se apequenassem perante tão belo aglomerado. Mas um alvo visível a olho nu não poderia surpreender o já escolado José Eustaquio. Ele alegou que já conhecia e ainda falou do próximo alvo de Silvano Silva antes dele mostrá-lo. -Se o senhor padre olhar mais acima um pouco vai ver a “borboleta”. O Aglomerado M6 é também conhecido como o aglomerado da Borboleta. José Eustaquio foi provavelmente o primeiro a fazer esta associação ou pelo menos a registrá-la. De Qualquer forma M7 e M6 são muito mais bels vistos do arraial que da poluída Paris. Assim Don João os inclui em seu catalogo como S.S002 e SS003. Mas antes de ir dormir infeliz ele consegue mostrar algo que o pescador não havia achado. Isto surpreendeu o José e fez a felicidade de Don João. M4 um aglomerado globular escondido junto Antares a estrela mais brilhante de Escorpião. Com seus telescópios parecia-lhes uma pequena bola de algodão no céu. Foi assim que José Eustaquio chamou. Don João em mais um caso de apropriação indébita chamou de S.S 004. Ainda era relativamente cedo, porém os mosquitos fizeram Don João Se retirar e se esconder junto à fogueira. Lá ele começou a organizar suas anotações e nasceu o catalogo J.E.S. S de Objetos estelares em sua forma original. Don João desenvolveu um profundo respeito por José Eustaquio naquela noite. Isto o levou a uma forma mais orgânica de compreender o céu. Ele passou a perceber os astros de uma forma holística. A Posição dos astros deixou de ser uma coordenada e passaram a ser algo como uma caçada. Ele ia seguir as trilhas do céu assim como José. E este achava os objetos que ele chamava de pesqueiros, saleiros e tocas como quem acha a pesca no mar. Por pesqueiros ele chamava áreas com grande concentração de objetos de céu profundo. Às vezes se referia a estas áreas como correntes. Já os saleiros eram aglomerados abertos. E tocas eram, em geral, aglomerados globulares e galáxias. Certas galáxias ele chamou de polvos. O céu pra ele era como o mar que conhecia tão bem. Don João tentou manter o linguajar que ele considerava mais cientifico porem podemos observar em seu catalogo a presença do entender de José Eustaquio. Mesmo sem que o padre percebesse. Com o tempo isto se acentuou. E na forma como o catalogo chegou a mim isto é claro. Pouca entrada tem coordenadas celestes associadas. Na verdade ele utilizou mais uma espécie de leitura azimutal. Na verdade isto foi fruto do tipo de montagem que os telescópios apresentavam. “Há diversos tipos de montagem sobre onde esta estruturado o sistema ótico. No caso dos telescópios utilizados por nossos astrônomos eles apresentavam uma montagem chamada azimutal. Isto significa que o instrumento gira sobre de um eixo vertical que desloca o tubo do aparelho paralelamente ao horizonte, e de um horizontal que permite o movimento ao longo da altura. Com isto, como numa bussola, a posição de um astro pode ser dada como um rumo e sua altura como um numero em graus em relação ao horizonte. Assim um objeto que esteja a 90º estará a

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leste e um objeto a 270º estará sobre o horizonte oeste. Sua altura será determinada entre 1º e 90º a partir do horizonte.” De qualquer forma o valores apurados por Don João são aproximados e não confiáveis. O catalogo J.E.S.S revela o céu como se vê e não como uma projeção. Com isto vamos conhecer as primeiras paginas do catalogo J.E.S.S de objetos estelares . Ele não segue nenhuma lógica aparente e sim a ordem das Jornadas. Foi assim que Don João denominou as noites de observação junto a José. Provavelmente inspirado por Galileu em seu “Dialogo”.

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Catalogo de nébulas e aglomerados estelares que se revelam entre as estrelas fixas sobre o horizonte da Vila da Armação. Observado no Litoral do Brasil Com diferentes instrumento Por Dom J. Silvano Silva e J.E. Islas 1ª Jornada Verão - Esta noite eu e José Eustaquio exploramos a região em torno da constelação do Cruzeiro do Sul. Esta representado no desenho 1.1 J.E. 001- Belo aglomerado descoberto por J.E. Islas. A partir de β Crux menos de um grau a leste você vai perceber Kappa Crucis. Um grupo de estrelas muito coloridas fazem lembrar uma pequena Arvore de Natal. È assim que é conhecida por

José Eustaquio. J.E002 - As sardinhas. Aglomerado beira do “furo”. Conto nove estrelas. Fica a um grau e meio de Acrux. Em uma linha em direção a beta centauro. J.E.003-O saleiro. A partir de Acrux, ele estará a cerca de um grau em direção a Gama Crux. Um pequeno aglomerado. Parece realmente um borrifo de sal. J.E.004 O Saleiro de Jó. Um aglomerado discreto. Só visível com instrumentos. Sua Magnitude é inferior a 8.0. A cerca de 1 Grau a leste da Intrometida (épsilon Crucis).

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A segunda jornada A segunda jornada é de certa forma relacionada a uma história que viria se passar muitos anos depois. 1931. Per Collinder estava organizando sua dissertação “ Propriedades estruturais do aglomerados abertos e sua distribuição espacial”.É sua tese de doutorado e um dos mais obscuros “papers” já escritos.Porém em um anexo ele deixa sua maior herança para os amadores do mundo.O catalogo Collinder tem 471 entradas. . . Per Collinder foi um astrônomo sueco e seu catalogo apresentou diversas controvérsia. Diversas de suas entradas são controversas. Há diversos asterismos que não são verdadeiros aglomerados. Alguns objetos não estão localizados corretamente. Mas diversos dos seu objetos são memoráveis. Na verdade Collinder classifica os seus aglomerados os comparando a outros aglomerados muito conhecidos . Assim um aglomerado podia ser do tipo Plêiades, outro do tipo “Presépio” (M44). Era um método eficiente no reconhecimento dos objetos Muitos deles facilmente percebidos de locais escuros. Collinder foi um grande navegador. José Eustaquio também. Novamente reunidos na lua nova (eles sempre se reuniam na lua nova). Os índios acreditavam que o padre e Eustaquio falavam com aquele deus deles pessoalmente durante esse período. Don João não desencorajava aquela crença. Na verdade encorajava. Seguia engajado no seu trabalho de conversão e já tinha dois filhos com duas índias e pretendia continuar o que chamava de conversão carnal. Achava que as índias que compartilha sem de sua intimidade seriam purificadas. Algo como um batismo. José Eustaquio, que conhecia já bem a loucura do homem preferia não contrariar. Ele acreditava piamente que poderia remover o pecado original praticando mais patifaria. Um contra senso teológico. Por essas e outras o nosso bom padre já fora expulso de quase todos os reinos europeus a oeste dos Cáucaso. De qualquer forma agora ele estava no arraial. E de lá ninguém era expulso. De qualquer forma naquela lua nova, até as fogueiras não foram acesas para não atrapalhar o encontro entre aqueles dois homens. José Eustaquio explica: -Muitos cardumes no céu hoje, padre? A corrente vai trazer vários cardumes sudeste e leste. Ela vem com o vento. O vento bom. Don João já se habituara ao falar de José. Ele encarava o céu como o mar e entendia o seu comportamento como um ciclo de marés, migrações e ventos.

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Ele sabia que com aquilo ele queria dizer que a noite ia ser limpa e que poderiam ver diversos aglomerados abertos (os cardumes de José) acompanhando a Via Láctea. A via láctea propriamente ele chamava de Corrente. Naquela noite José ia jogar sua rede nas constelações de Cão Maior e Puppis (a popa do Navio Argos). Era o final da primavera e elas nasceriam no horizonte sul não muito tarde. - Hoje eu vou mostrar para o senhor o “Rabo do Cachorro”, - dito num tom provocador, algo bagaceiro. Como que se referindo ao amor de Don João pelas ancas da indígenas. - Mais antes eu vou te mostrar o coração do Cão de Orion. – O telescópio de Don João apontava para abaixo de Sirius, a estrela mais brilhante do céu. Antes mesmo de olhar pela ocular José dizia- Este é bonito. Um grande cardume com um peixe diferente no meio. É bem circular. Muitas estrelas Era verdade. Don João apontara em direção a M41. Um aglomerado conhecido desde a antiguidade. E que se percebe uma estrela avermelhada próxima a seu centro. Cercada por outras mais esbranquiçadas. entrada de numero 9 no catalogo JESS. È provavelmente o objeto mais tênue observado na antiguidade. Aristóteles um registrou em 325 A.C.. È possível que ele também tenha avistado M39, em Cygnus (o cisne), como um objeto com aparência de cometa. A seguir, em rápida sucessão, mostrou quatro belos aglomerados. Todos desconhecidos por Don João. Mostrando conhecer também os alfarrábios José Eustaquio rapidamente disse: -Partindo de Aludra, na ponta da cauda, você vai perceber uma pequena estrela. Eu chamo de o Pom Pom do cão. Um cardume assustado. (Aludra é como é chamada a estrela ETA Cão Maior. É conhecido hoje em dia como Collinder 140. Descrito por Collinder como do Tipo Plêiades. Continuando a lição - Formando um losango com Adara, Aludra e Wenzen (Épsilon, Eta, e Delta Cão Maior respectivamente) tem este outro cardume . È outro grupo classificado por Collinder. Cr132. Também considerado do tipo Plêiades. Ele considerou 18 estrelas como pertencentes ao aglomerado. E como que fazendo bravata- E logo abaixo deste seu aglomerado manjado é outro de só jogar a rede. E mostrou um grupo com cerca de 20 estrelas. Hoje conhecido com Cr121. Um belo aglomerado aberto disperso também considerado por Collinder como do tipo Plêiades. - E destes que a gente vê até sem luneta seu padre tem este aqui. Desta vez apenas mandou que Don João apontasse seu telescópio para Pi Puppis . Lá estava o que ele chamava do Cardume do Portal. Como que prevendo o futuro ele mostrava a Don João o que séculos depois Collinder batizou de Cr135. O que ele classificou como do tipo nebuloso. Esta é uma classificação duvidosa posto que o aglomerado se resolva claramente e não apresenta indícios de nebulosidade. Ele conta também 16 estrelas . Don João só viu 12. Mas achou o mais belo dos quatro. Parecia lhe realmente como um portal estelar. O batizou de “O portão do Paraíso”. E anotou que será através destas estrelas que a alma dos bem aventurados se dirigiria para o paraíso.

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Dom João ficou encantado. Mas naquela noite José mostrou lhe ser realmente um grande pescador. Depois de uma rápida parada para um beber algo e pitar seus cachimbos ele voltou à carga e mostrou mais maravilhas austrais para Don João. De volta a área na cauda do Cão Maior ele mostra um aglomerado lindíssimo. Também pesca fácil como disse José Eustaquio. A redor de Tau Cão Maior. É o sexto aglomerado aberto mais brilhante do céu. Porém muitas vezes esquecido pelos observadores no hemisfério norte. Foi também posteriormente catalogado no New general catalog of Nebula and Clusters como NGC 2362. Voltando para Puppis (a Popa) ele mostra mais ao sul outro belo aglomerado um daqueles que ele chama de saleiros em vez de cardume. Com uma magnitude geral de 2.8, como calculada por Don João, e uma estrela membro bem brilhante, ele era facilmente percebido a olho nu pelos olhos treinados de José Eustáquio. Se partindo de Pi Puppis em direção a sul se pode notá-lo. Foi catalogado posteriormente como NGC 2451. E ainda perto somente mais um pouco ao sul mais um aglomerado, este mais tênue, mais secreto, uma toquinha como chamou José. Este que é hoje conhecido como NGC 2477. Com magnitude próxima a 6.0 está no limite da visão humana. Um aglomerado bem rico segundo Don João. Estes objetos são, em ordem de apresentação, os objetos JESS de numero 9, 10, 11, 12, 13, 14,15 e 16. Aqui uma tabela para ajudar em seu reconhecimento bem como o mapa da região. Catalogo JESS JESS 009 – Grande cardume JESS 010- O cardume Assustado JESS 011JESS 012 JESS 013- O portal do paraíso JESS014- Tau Cão maior JESS 015JESS016 Outros M41 Cr 140 Cr 132 Cr 121 Cr 135 NGC 2362 NGC 2451 NGC 2477

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Cap. 8- O reino das galáxias. Há uma região no céu que só seriam compreendida séculos depois de sua descoberta. Hoje em dia ela é conhecida como o aglomerado galáctico de Coma – Virgem. Situada entre estas duas constelações é o maior aglomerado galáctico junto a Via láctea. Durante a explosão de inclusões já citadas no catalogo Messier enquanto acompanhava o cometa Bode esta região começou a ser revelada. José Eustaquio já a conhecia bem e chamava a área de “O Arquipélago”. Parecia prever o que Kant iria chamar de Universos – ilha muitos anos depois. Na realidade a verdadeira natureza destas névoas só seria revelada por Edwin Hubble no sec.XX. O conceito de galáxias ainda não existia para nossos heróis embora José Eustaquio perceber que naquela região do céu havia outros tipo de criaturas. O aglomerado Coma- Virgem está a cerca de 60.000.000 de anos luz de nós. Embora Messier tenha catalogado 16 objetos na região isto é apenas uma pequena parcela da massa ai existente. Estudos mais recentes demonstram que há mais de 2000 galáxias individuais na região. Alguns acreditam até que as galáxias do chamado grupo local (do qual fazemos parte) são atualmente membros distantes desta família. As galáxias M84, M86, M87 se localizam junto a centro gravitacional do aglomerado. A Galáxia M87 é uma das mais massivas já descobertas contendo cerca de três trilhões de massas solares. Ela mede cerca de 120.000 anos luz . Isto é um pouco maior que a nossa galáxia. Mas enquanto a Via Láctea é uma galáxia espiral e possuem suas estrelas confinadas em um plano, M87 é uma galáxia elíptica e com isto apresenta um volume muito maior. E é preenchida por algo como 3000.000.000.000 de sóis. Além disto, há mais coisas lá. Em 1918, Heber Curtis descobriu um estranho jato luminoso de material vindo do núcleo de M87. posteriormente se descobriu que a galáxia era uma grande emissora de raios –x .Finalmente o telescópio Hubble mostrou que o jato resultava de um imenso colapso gravitacional em seu núcleo e é alimentado por um imenso buraco negro.

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Ha ainda outros gigantes no coração do aglomerado com mais de três galáxias apresentando massas superiores à 1.000.000.000.000 de sóis. M49 e M60 são exemplos. Com relação à Messier há ainda outro dado interessante. A galáxia hoje chamada de M91 não foi (possivelmente) avistada pelo próprio e foi durante anos considerada uma das galáxias perdidas de Messier. Sua posição dada era similar a de M58 o que levou a controvérsias sobre sua identificação. De qualquer maneira a galáxia hoje aceita como M91 é conhecida também como NGC 4548. Nosso querido padre nada sabia a respeito do “arquipélago”. Ele possuía apenas a primeira versão do catalogo de Messier e este ia somente até a sua entrada de numero 45. Ele também desconhecia o que eram de fato aquelas nebulosas que José Eustaquio prometera lhe mostrar. Na verdade aguardava ansioso. O ano demorava a passar e Eustaquio dizia que as tais ilhas só seriam avistadas quando Vendiamitrix, uma das estrelas mais brilhantes de virgo atingisse sua máxima culminação. Para isto ele aguardava. Enquanto isto Don João mostrava para José duas peças importantes da história cósmica. Surpreendentemente José nunca tinha dado grande atenção a uma das mais manjadas entradas do catalogo Messier. M31 a grande galáxia de Andrômeda. Esta nébula é conhecida desde a mais remota antiguidade e é na verdade a maior galáxia do chamado grupo local, ao qual pertencem diversas galáxias inclusive a nossa. Em um futuro distante a nossa galáxia e a galáxia de Andrômeda devem se fundir formando uma gigantesca galáxia, chamada de Milkomeda (Milk WAP é o nome dado a via láctea em inglês). Este gigante será uma das maiores galáxias conhecidas. De volta ao meu antepassado, ele mostrou a orgulhoso a José a grande nebulosa de Andrômeda. Este rapidamente a reconheceu como uma ilha e foi assim que Don João ficou sabendo do tal arquipélago. M31 teve um papel fundamental no entendimento do universo como nós o entendemos hoje. Embora Don João não percebesse, José tinha certeza de que aquela nébula era formada de estrelas. Tiveram diversas discussões a este respeito sem nunca chegarem a um acordo.Don João chegou dizer que aquilo poderia ser um fenômeno atmosférico.Já José sabia que aquilo estava muito longe.No Céu profundo.Ou para lá do mar aberto com dizia em seu universo “marítimo”. A galáxia de Andrômeda está, sabe-se hoje, a cerca de 2.5 milhões de anos os do sol. Porém isto só foi realmente confirmado com o surgimento de telescópios mais potentes. Somente nos anos de 1920 Hubble reconheceu algumas estrelas chamadas de variáveis cefeídas, que são estrelas variáveis as quais pulsam num ritmo que é associado ao seu brilho intrínseco. Com isto ele pode calcular qual seria o brilho delas em relação a distancia que deveriam estar de nós.Medido o quão brilhantes eram estes marcadores ele fez o universo crescer . O debate a respeito de se as tais nebulosas que eram avistadas desde tempos primitivos faziam parte de nossa galáxia ou se eram corpos muito além dela foi acalorado e um dos mais longos da ciência moderna. Em um primeiro momento os dados para esta averiguação sofriam de problemas materiais. Os telescópios que o homem era capaz de construir não eram, então, capazes de trazer detalhamento algum a aqueles borrões que parecem se espalhar por todo o céu. Herschel, na próxima geração é o primeiro a especular sobre sua natureza. Ele mesmo catalogou mais de 2000 nebulosas. Mas ele acreditava que todas elas eram berçários estelares (o que diversas nébulas o são...) dentro de nossa própria galáxia. Porém, das ilhas que José falava, a natureza era outra. E isto começou

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somente a ser de fato percebido quando Lorde Rosse, um endinheirado nobre, proprietário do castelo de Birr, na Irlanda, construiu o que ficou conhecido como o “Leviatã de Parsontown”. Seu espelho media espantosos 1.8 metros de diâmetro. O telescópio possuía 16,5 metros de comprimento e levou três anos para ser construído. A primeira galáxia a se render ao monstro foi M51, na qual se pode perceber sua estrutura espiralada. Era 1845. Graças a estas novas observações percebeu – se que as tais nébulas eram copo de diferentes tipos de estrutura. Porém medir suas distancias ainda era impossível. O próximo passo para que isto fosse possível foi dado por uma mulher apaixonada pela ciência que muito lutou para realizar seu sonho. Henrietta Leavitt era quase surda e se graduou em Harvard e posteriormente se tornou voluntaria No Harvard College Observatory para catalogar estrelas variáveis. Com isto se tornou uma especialista no assunto. Ao achar Cefeídas na Pequena Nuvem de Magalhães, e em um ato de fé acreditar que estas estariam próximas uma das outras, criou uma vela padrão que permitiria medir as distancias no universo. Todas elas estariam a uma distancia muito maior de nós que umas das outras. Estava feita a mágica. Leavitt descobriu que o brilho das variáveis cefeídas seguia a seguinte relação: quanto mais alta a luminosidade de uma cefeída, mais longo era o período entre seus picos de brilho. José Eustaquio ia adorar a comparação que se pode fazer das estrelas cefeídas com os faróis do mar. A se calcular a disancia de um farol se calcula tambéma a distancia de um ponto em terra (uma vila ou porto...). Foram os faróis de Henrietta que levaram um astrônomo com muito dom para R.P. descobrir a verdade sobre a distancia da tal ilha que Eustaquio já sabia ser longe. Chefão do maior telescópio de seu tempo Edwin Powell Hubble era um showman e a partir dos telescópios de Monte Wilson fez a maior descoberta de sua geração de astrônomos. Usando estes aparelhos Hubble foi capaz de achar estrelas cefeídas em M31, a Grande Nebulosa de Andrômeda. Era 1923. Com isto calcular sua distancia foi o próximo passo. Segundo os cálculos de Hubble esta nebulosa estava a 900.000 anos luz da terra. Ou seja, muito além da nossa galáxia. Na verdade a Grande Galáxia de Andrômeda esta a 2.5 milhões de anos luz da terra. Mas de qualquer forma o homem passou a ter uma vaga idéia das dimensões a nível universal. Após medir a distancia de varias nébulas ele percebeu que não só eram muito distantes como também estavam se distanciando uma das outras. Ainda que sem saber descobrisse que o universo se encontra em expansão. A Próxima jornada reservava varias surpresas para Don João e José Eustaquio ia leva lo ao grande Arquipélago. O aglomerado galáctico de Coma-Virgem. E as luzes mais antigas que ele já vira.

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A terceira jornada – O Arquipélago. Corria o ano de 1776. Com isto em sua terceira jornada os nossos dois astrônomos anônimos se tornaram na verdade os primeiros avistadores de diversas das nebulosas aqui apresentadas. A fim de uma maior clareza elas serão identificadas por seu numero Messier. Nesta jornada todos os objetos apresentados são fruto de observações ainda mais anteriores realizadas pelo senhor José Eustaquio do Nascimento e Islas. Ele, em seu conhecimento orgânico do céu, percebia que estas nebulosas eram de alguma forma associadas e apresentavam uma natureza distinta de diversas outras estruturas já avistadas pelos dois. Ele chamava a região de o arquipélago. A área se faz fronteira com as constelações de Leão, Virgem e com a menos conhecida constelação de Coma Berenice (Cabeleira de Berenice).

Neste mapa podemos localizar a mega estrutura descrita no capitulo anterior e iremos conhecer os membros mais brilhantes deste imenso aglomerado galáctico que foram identificados por nossos heróis. Certa manhã, no outono, chegou um jovem rapaz ao rancho do Dom João interrompendo o seu trabalho de catequese junto a uma jovem índia tupinambá. Após algumas pragas ele aceitou receber o menino que lhe trazia um recado escrito por José. Uma verdadeira raridade já que este não era muito afeito as letras. Dizia apenas: “Hoje à noite vou até o arquipélago. Será uma noite sem fogueiras”. Dom João sabia exatamente o que isto significava e rapidamente despachou a todos. O menino e a indiazinha. Retirou seu equipamento de observação e começou a polir todas as superfícies óticas dos mesmos. Hoje seria uma grande noite. A terceira jornada estava para começar. Pouco antes do entardecer eles se encontraram em uma clareira no alto do morro mais alto do arraial. Há algum tempo que havia mandando limpar aquela are para ser seu observatório. Naquela noite nem mesmo os índios acenderiam fogueiras para que o fumo não atrapalhasse os navegantes das estrelas. José então disse- Aponte para Vindemiatrix. Dom João sabia onde ficava isto. Era a estrela Épsilon de Virgem. Seu nome significa “A Mãe da Colheita”. Assim como Spica, Alfa de Virgem, espiga. Estrelas

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conhecidas há muito tempo e por muitas culturas. Elas indicavam a época do plantio para diversas culturas, no hemisfério Norte. Ela é o porto de onde eles irão partir para explorar o Arquipélago. Por alguma razão ela é uma estrela tão significativa que apresenta vários nomes, embora seja uma estrela de apenas terceira magnitude. Já foi chamada de: Vindemiator, Almuredin, Providemiator, Protrigetrix, Alaraph e diversas variantes dos nomes latinos. José também a chama de Porto Blanco. A partir dali José indicou- lhe o caminho que o levaram até as seguintes galáxias que posteriormente seriam descritas por Messier. Seguindo de leste para oeste ele cravava facilmente elas. Isto sempre será motivo de inveja para o padre que sempre se perdia na região. Nesta noite José Eustaquio apresentou as seguintes nebulosas para Dom João. M60, muito tênue e só percebida por Dom João, era chamada se o fantasma por José. Um pouco mais a oeste esta M59, mais brilhante. Quase igual está M58 a qual ele chamava de Agulhinha. A seguir a mais brilhante delas M87, a qual Dom João via claramente. A seguir duas mito próximas que José definia como parcel. São M86 e M84. E Finalmente seguindo para o nordeste ele apresenta em rápida seqüência M100, M85 e uma galáxia que só seria mapeada ainda nos mais tarde Ngc 4394 a qual forma quase m par com M85 e não foi percebida por Messier. O mapa abaixo indica todas as galáxias descritas por dom João e outras descritas por Messier. Dom João terminou a noite exausto e passou o resto do outono tentando determinar as coordenadas exatas destas nebulosas. No processo ele achou mais algumas nublosas na região, porém os registros são por demais vagos para determinarmos quais seriam estas outras galáxias em uma área tão rica.

O Catalogo Messier e os Objetos Perdidos

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Dom João saiu às pressas de sua querida França. Com isto levou apenas a primeira versão do Catalogo que Messier vinha elaborando. Possuía apenas 45 entradas, todas elas de objetos reais e com sua posição estabelecida com segurança. Enquanto Dom João vivia suas aventuras nas terras e céus austrais o velho caçador de Cometas continuou reunindo os objetos que, curiosamente, não eram para ser observados. A sua versão final foi publicada em 1781. Possui 103 entradas. De alguma forma o catalogo Messier de nossos dias possui 110 entradas. Esta diferença apresenta uma história bastante interessante e que de certa forma lembra o catalogo J.E.S.S. em seu estranho caminho. Charles Messier formulou seu hoje Catalogo em três ocasiões: Sua primeira publicação em 1774 (da qual Dom João tinha uma cópia). Numero de entradas: 45. O seu primeiro complemento foi lançado em 1780 e ia até a entrada de numero 68. Finalmente foi apresentada sua versão final em 1781. Esta ia até o numero 103. Porém ai começa diversas controvérsias. Quatro dos objetos descritos por Messier e suas respectivas posições deixavam duvidas a respeito das informações ali contidas. Messier, ao contrario de diversos contemporâneos que haviam apresentado catálogos com diversas entradas falsas ou equivocadas, era extremamente perfeccionista em sua anotações e conseqüentemente este quatro objetos sempre foram foco de muita especulação. Na verdade cinco objetos. Ficaram conhecidos como os Objetos perdidos de Messier. São estes M 47, M 48, M 91, M 102 e M40. M40 – É na verdade uma estrela dupla, e o mais sem graça dos objetos Messier. Na Verdade Messier buscava na região uma entrada equivocada de um antigo catalogo escrito por Hevelius. Sua posição é correta, porém não se trata de uma nebulosa. È hoje também conhecido como Winnecke 4 M47-Este equivoco pode se dizer que foi um erro de digitação e posteriormente foi confirmado de forma equivocada por Dreyer que declara esta a posição de Ngc 2478 embora na dada posição não exista nenhum objeto. Ele (Messier errou um sinal a partir de 2 Puppis, na época 2 Navis). Posteriormente foi facilmente achado graças a sua descrição. M48- É aceito que este aglomerado seja o mesmo que Ngc 2548. Messier provavelmente errou ao olhar para a carta celeste e marcou sua posição 2,5 graus ao sul de sua posição verdadeira. O Grid era de 5 em 5 graus. M91- É uma entrada mais controversa. Messier mediu esta posição a partir da posição de M89. Porém a controvérsias se ele não teria partido de M58. Com isto pode ser que a galáxia descrita seja Ngc 4548 (o mais aceito) ou a galáxia Ngc 4571 que se encontra mais próxima a posição indicada. Isto tornaria este o objeto mais tênue do catalogo com uma magnitude de 12.0. Poderia ainda ser uma observação repetida de M58. M102- o mais controverso dos objetos Messier. Na verdade uma adição realizada por seu colega Pierre Mechain e por ele mesmo posta em duvida. Messier alega ser uma nébula entre as estrelas Omicron Bootis e Iota Draconis, junto a uma estrela de 6ª magnitude. Mechain posteriormente diz em uma carta que a entrada e um erro e uma

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duplicata. M102 seria a mesma galáxia que M101. Hoje em dia a controvérsia continua sendo candidatas as galáxias Ngc 5866, 5907 e outras galáxias que são membro do mesmo grupo todas situadas a sudoeste de Iota Draconis. Camille Flamarion, que obteve por uma sorte do destino a copia do próprio Messier de seu catalogo defende ser Ngc5866 a galáxia perdida. Na verdade diversos fatos levam a crer que este tenha razão, como a presença de uma estrela que seria perfeita para atender a descrição de Messier. Ela responde pelo nome enigmático de HR5635 e brilha próxima a sexta magnitude. Dom João não soube de nada isto, mas com certeza descobriu, ou melhor, descobriam para ele dois destes objetos. M47 e M48 foram localizados por José Eustaquio muito antes da atualização de Messier. Mas ele só ia descobrir estes tesouros em sua próxima jornada ao longo da constelação favorita de José. Argos, Navio.

O Telescópio de José Eustaquio.

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Dom João estava a se divertir com José Eustaquio. Ele descobriu que o amigo embora um gênio bruto na geometria era um beócio em aritmética. Deliciava-se com truques baratos e com a ignorância do amigo. Como era sempre humilhado durante suas “Jornadas” ele sentia o gosto da revanche. - Veja José eu sou um mago – brincava ele Deixe de besteiras. Padre. Tanto eu quanto você sabemos que isso não existe. – Se revoltava o pescador, que mesmo dentro de seu rústico pensar se indignava que um homem instruído como Dom João falasse da matemática como algo mágico. Ele sabia que não tinha mágica nenhuma. Era uma ciência e com ciência não se devia brincar. Dom João brincava e brincava mais. Para o desespero de José ele ainda tinha a audácia de misturar “pseudo saberes” astrológicos para impressionar os ignorantes. Astrologia era como um palavrão para José. Embora ele chama-se o padre de Alquimista ele Achava que a Astrologia era crime capital. Já a alquimia era a química no seu tempo. Um dos truques que Eustaquio mais odiava era, evidentemente, o que Dom João mais se utilizava. Dom João chegava, sempre para uma dama, e falava que era grande astrólogo. Dava consultas para os reis. - Senhora gostaria de mostrar lhe que sei tudo o que foi e o que será. Diga-me qual foi a ano de seu nascimento. Acredito que a senhora saiba somar. A senhora sabe? Ahhh sabe. Eu sabia. Eu sei tudo- Dom João era um artista- Pois então anote aqui e nem precisa me dizer o Ano de seu nascimento. Agora ainda sem mostrar anote a data do ano do evento mais importante de sua vida. Não me mostre. Assim não precisarei revelar sua idade. Agora escreva no papel e não mostre a ninguém. E por fim a senhora vai escrever quanto tempo faz desde o evento mais importante de sua vida. Muito bem. – fazia uma longa pausa neste momento como que fazendo se concentrando de uma forma extenuante. - Por favor, agora me diga seu signo. Terei então tudo que preciso. - falava Misterioso e terminava- Agora some os quatro números que anotou e não me diga. Em geral demorava algum tempo para que as senhoras conseguissem o prodígio de somar números tão grandes como os anos do sec. XVIII. Ainda deixava-as mais nervosas com comentários como: -Não errem a conta, pois eu vou saber. Ao final ele se adiantava e dizia antecipadamente o valor da soma. José Eustaquio se surpreendia. Ele sempre acertava. E as damas! Estas então ficavam encantadas com seu Rasputin tropical. Dom João dava seu golpe de misericórdia. Dizia só poder fazer esse truque uma vez por mês que aquilo o consumia. José, embora não soubesse exatamente a razão começava a desconfiar. Independentemente de entender a aritmética da coisa ele percebera que ele não repetia o truque porque dava sempre o mesmo numero. Ou quase sempre. Era aí que Eustaquio se perdia. Ele não conhecia os signos do zodíaco. Na verdade aquilo era algo pagão e totalmente fora de seu saber. Dom João conhecia os signos e embora não acreditasse sabia as datas que compreendiam os meses zodiacais. Com isto, ele em sua ultima pergunta. A herética – Qual o seu signo? - Descobria o

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momento do ano que a vitima nascera. Com isto ele determinava com exatidão um dos dois valores. As constelações do zodíaco são doze como os meses do ano. Uma curiosa coincidência. Como será que Dom João fazia o truque. De qualquer forma as constelações têm muito a ver com o nosso Catalogo Jesse de objetos Estelares. De certa forma se relacionam muito. As constelações podem ser divididas em grupos. Ou melhor, em famílias. A primeira delas é associada à Ursa Maior, que é uma das constelações dominantes do céu Boreal, Algo como o Cruzeiro do Sul no céu Austral. São agrupadas nesta família as seguintes constelações: A Ursa Menor (onde habita a estela Polar) O dragão, que é uma das poucas, constelações que lembram realmente sua figura Canes Venatici, os cães de caça, que perseguem o Grande Urso (numa visão moderna). Coma Berenice, A cabeleira de Berenice, que foi uma rainha Egípcia que prometeu seus cabelos a Afrodite e esta os colocaram no céu. Corona Borealis, que por sua vez seria a coroa de Ariadne, colocada no céu por Bacchus (Ovídio). Camelopardalis, a girafa, uma constelação em um local sem muitas estrelas. Lynx, o Lince. O Leão Menor As três ultimas constelações são muito mais recentes e serviram para identificar grupos de estrelas que não se conectavam com nenhuma das constelações antigas. A segunda família é a das constelações Zodiacais. As que faziam a “mágica” de Dom João. São elas: -O Capricórnio, parte peixe e parte bode foi colocado no céu por Zeus, em reconhecimento de sua colaboração na luta com os titãs. Aquário-Há fonte que o associa a Ganimedes servindo vinho a Zeus. (Erastóstenes). Porém a varias outras fontes. Peixes – Cupido e Venus viajando incógnitos ao Egito. Áries – o carneiro com pelo de ouro que os argonautas procuravam. Também é o filho de Netuno com Theophane. Touro – O arquiinimigo de Orion. Gêmeos- Os gêmeos de Zeus. Castor e Pollux. Câncer, o caranguejo. Também associado à família de Hercules. Leão, o rei dos animais. Virgem – associada ora Deusa da Colheita ora Deusa da justiça Libra- A balança Escorpião- Outra constelação que merece seu nome. Sagitário, O arqueiro. Forma um asterismo que recorda a um bule. Uma área riquíssima no céu. Próximo ao centro da galáxia.

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A terceira família é a de Perseu. Basicamente os membros da família real da Etiópia: Cepheus (o rei), Cassiopéia (a rainha), Andrômeda (a princesa), Perseus (o herói da história) Auriga (o carroceiro da história), Cetus (o monstro da história). Cabe ai duas constelações que não tem importância para a história: Lagarto e Triangulo. A família de Hercules Hercules, propriamente dito. Saggita, a seta. Aquila, a águia Lyra, o instrumento. Cygnus, o cisne. Também conhecido como o Cruzeiro do Norte Vulpecula, a raposa. Hydra, a serpente do mar. A maior de todas as constelações. Sextans, o sextante. Moderna Crater, a taça. Ophyucus, o encantador de serpentes. Serpens, a serpente. Scutum, o escudo. Centaurus. Lupus, o lobo. Corona Australis Ara o altar Triangulum Australis. Crux, O Cruzeiro do Sul A família de Orion. Uma família unida. È formada por Orion, o caçador. Seus dois cães: Cão maior e Cão menor. Um Unicórnio. E Hare, a lebre. A família das águas celestiais. È a família da nossa próxima jornada e uma das favoritas de José Eustaquio. Delphinus, o golfinho. Equueleus, o pequenmo cavalo. Eridanus, o rio que corre entre Beta Orionis e Achernar, alfa de Eridanus. Pisces Austrinus. Carina, a quilha do navio Puppis, a popa. Vela. Dispensa apresentações . Pyxis, o compasso. Columba, a pomba. A família Bayer Formada por constelações criadas por Johan Bayer um astrônomo do início do sec. XVII que manteve a tradições e deu nome de criaturas marinhas e animais do hemisfério sul. São todas Austrais. Hydrus, a cobra d’água. Dorado, o peixe Dourado. Volans, o Peixe-Voador. Apus, A ave do paraíso.

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Pavo, o pavão. Grus, outra ave. Phoenyx. A fênix. Tucana, o tucano Indus, o índio. Chamaleon Musca. E por ultimo a mais importante para nosso Livro. São as constelações nomeadas por Nichola Louis Lacaille. A família Lacaille. Ela quebra a tradição e nomeia todas suas constelações, que preenchem os vazios do céu Austral, com o nome de objetos científicos. Se sua constelações são muito modernas e nem tão conhecidas não importa pois sem isto a nossa história não aconteceria. Lacaille, o próprio, é fundamental para nossa história, de qualquer forma vamos apresentar primeiro as constelações por ele criadas. Norma, o nível. Circinus, o compasso. Telescopium Microscope. Sculptor Fornax, a fornalha Caellum, cinzel Horologium, o relógio. Octans, o oitante. Mensa, A montanha da Mesa (na Cidade do Cabo). Recticullum, o reticulo. Pictor, o pincel Antlia, a bomba de ar. Lacaille foi um astrônomo importantíssimo para todos. Porém foi fundamental para o nascimento do Catalogo J.E.S.S. de objetos estelares. Dom João sempre se impressionava com a qualidade do aparelho telescópico Que José possuía. Era um belíssimo refrator. Com cerca de meia braça (~= 0,8m) e um diâmetro de cerca de três polegadas, era uma peça que faria inveja em qualquer grande centro. Era um objeto de grande beleza e de fina engenharia. Ele podia perceber que era algo antigo e que ainda assim mantinha seu valor. Ele sempre perguntava como aquilo teria chegado até as mãos de seu amigo. Este sempre desconversava. Dizia que era uma longa história e que isso e que aquilo porém nunca contava. Na verdade nem ele sabia quão longo está essa história. Nichola Louise de La Caille (Lacaille para a posteridade) nasceu em 15 de março de1713 em um vilarejo com cerca de 400 habitantes na França. Não eram muito ricos. Na verdade seu pai fora bem perdulário. Uma casa nobre nesse tempo não tinha esgotos. Tão pouca água encanada. Lacaille nasceu num buraco. Mas tudo é relativo e em 1713 em Rozoy -em –Thierache a casa deles era ótima. Para sorte de Lacaille nasceram ele e mais quatro irmãos homens e seis irmãs mulheres. Desafiando a lei das probabilidades, sobreviveu Jean Louis e mais três meninas para chegarem à idade adulta. De qualquer forma seu pai, que era uma espécie de inventor os levara a falência com um projeto mal sucedido após o outro.

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De qualquer forma Lacaille conseguiu se graduar mestre em Artes e Bacharel em Teologia. Por alguma razão ele se afastou da teologia, e se iniciou a astronomia. Na verdade, embora conhecido como Abbe Lacaille, há controvérsias sobre sua ordenação. O “Abbe” foi nomeado apenas diácono. Trabalhou posteriormente juntamente com Maraldi e Cassini ( o próprio , o dos anéis de Saturno ) no observatório de Paris. Acabou dando certo como cientista e foi eleito para a Academia de ciências. Posteriormente começou a adquirir os melhores equipamentos óticos que podia. Seu interesse pelos céus austrais ia crescendo. Ele obtivera os textos de Halley que era a primeira tentativa séria de se mapear o céu austral. Lacaille finalmente parte para os mares do sul. Seu objetivo é a cidade de Cape Town. No ano de 1750 o Aeroporto Charles de Gaulle era um projeto distante. Então, assim sendo, o Caminho mais curto entre Paris e O cabo da Boa Esperança era uma viagem de cinco meses com uma escala na Iha da Madeira e outra no Rio de Janeiro (que ainda era também um projeto distante). A viagem de Lacaille a cidade do cabo deixou para a humanidade um legado respeitável: ele determinou a posição de 9800 estrela entre o pólo sul e o trópico de Capricórnio ,localizou 42 “estrelas nebulosas” as quais ele descreveu em seu catalogo, obteve posições acuradas de 240 estrelas importantes, extraiu 1930 estrelas visíveis a olho nu para a criação de um planisfério. Delineou ainda 15 constelações das quais 14 estão em uso até hoje. Desmontou a constelação de Argus a decompondo em Carina, Puppis e Vela. Não bastasse ainda tomou varias medidas de posições planetárias para calcular os paralaxes de cada um deles. Curiosamente segundo todos os registros históricos tudo isso foi feito com equipamentos óticos extremamente minguados para uma expedição de tal monta. Segundo consta todas as Observações de Lacaille foram feitas com lunetas de pequeníssimo diâmetro. Suas objetivas teriam apenas cerca de meia polegada. Isto não condiz com o equipamento considerado de altíssimo nível que Lacaille possuía consigo no observatório do Collége Mazarin. Isto sempre intrigou a Dom João que conhecera o trabalho de Lacaille. O qual fora anterior a de seu amigo Messier. Em todo caso ele nunca estudara o catalogo a fundo. O que ele não sabia é que o catalogo de Lacaille tinha também as mãos de José Eustaquio. A viagem de Lacaille se iniciou em 07h00min da manhã do dia 21 de outubro de 1750. Ele embarca no Le Glorieux onde permanece enjoado durante três semanas. Passam pela Ilha da Madeira no começo de Dezembro e chegam ao Rio de Janeiro em 26 de janeiro de 1951. Anos mais tarde Don João foi visitar seu amigo em seu rancho. Nunca tinha ido até lá. Achava longe. Porém uma grande surpresa o aguardava. Passou pelo pátio onde crianças brincavam provavelmente os filhos de José. Avistou-o cortando bambus ao fundo do terreno, com os quais pretendia construir um encanamento para que sua mulher pudesse ter água mais próxima ao tanque. Ao ver o padre ele rapidamente deu uns gritos. As crianças rapidamente desaparecem e sua mulher se põe a fazer um café. -Caro padre, a que devo uma visita tão ilustre? Vamos entrar e sair do sol.

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A casa é muito simples e se sentam em bancos toscos de madeira em volta de uma mesa. A casa é dividida em apenas dois cômodos e possui chão de areia. No centro se encontra o Telescópio de |José. Ao fundo uma espécie de estante. Na estante vários cacarecos. Na ultima prateleira se vê dois livros. Isto chama atenção de Don João. - Cavalheiro, percebo que possui alguns livros. Quais são? - É herança de meu pai. Ele os amava. Eu mesmo nunca os li. Como sabe leio mal e não entendo nada da língua que foram escritos. Dom João se aproxima da estante e pega um deles com muito cuidado. São encadernações antigas e muito frágeis. Ele olha com cuidado e entra em choque. Ele possui em sua mão uma das obras de Halley, o homem que o levou a amar a astronomia. Ele tinha em suas mãos o grande clássico (como ele disse para José) Sinopses Astronomia Cometicae. O livro em que Halley previu a volta do cometa. Foi buscando por este cometa que ele e Messier iniciaram o grande catalogo de nebulosas. O Outro livro se revelou ainda mais surpreendente. Era o Principia de Isaac Newton. E mais incrível com um grupo de folhas soltas onde se encontravam as descrições das nebulosas de Halley realizadas em Santa Helena. O livro trazia ainda uma dedicatória. Porém o tempo apagara em nome de quem ele havia sido dedicado. Don João percebia apenas os restos mortais de uma letra que lhe parecia um L. Intrigado perguntou como estes valiosos textos de profundo saber teriam chegado às mãos de José Eustaquio Pai. Tudo que José lhe disse foi que eles chegaram pelos mesmos meios que o Telescópio. Já era sabido por Silvano Silva que o telescópio havia sido dado ao pai de José por marinheiros que fugiam de um capitão maluco em meio a uma crise psicótica. A origem do navio também era sabida. O Rio de janeiro nascera da França Antarctica. Os portugueses só deitaram sobre a terra posteriormente. Com o desenvolver da ocupação vieram os engenhos. O navio trazia açúcar logo... O Rio era uma capital já de certo tamanha em 1640. Mais precisamente em 1644 foi criado um imposto sobre a pesca da baleia que florescia na baía da Guanabara. O rio era parada obrigatória para quase todas as expedições para o atlântico sul. Mesmo aquela que buscavam o cabo da Boa Esperança. A circulação oceânica obrigava os navios virem até a América do sul para depois seguir por águas mais austrais rumo à África. Dom João começou a matutar como aquele belo telescópio chegara até as mãos de José. E com suas descobertas ele elaborou uma teoria. Ou pelo menos uma hipótese. Ele sabia que o levantamento de estrelas que havia resultado no Catalogo elaborado pelo Abbe Lacaille, o qual ele conhecia de seus tempos em paris, e fora publicado juntamente com a primeira parte do catalogo Messier por ele tão conhecido, fora todo realizado utilizando telescópios com objetivas com o diâmetro inferior a 50 mm. Ele achava estranho que um levantamento cientifico desta magnitude tenha sido levado a cabo com equipamentos tão obsoletos. Olhando aquele livro e aquele L na dedicatória ele fez a ligação. Aquele era o telescópio de Lacaille. O melhor deles... Lacaille estava no Rio em 1751. Nas contas de nosso querido padre isto fechava o ciclo. Ele nunca mais perguntou...

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A Cosmologia de José Eustaquio Como já devem ter notado Silvano Silva, o padre, era um letrado estudante do céu. José Eustaquio o conhecia de fato. Era o primeiro um intelectual. O segundo um sábio. Curiosamente Dom João é o autor da obra que hoje se torna conhecida como o “Catalogo J.E.S.S. de Objetos Estelares”. A obra que me foi deixada por meus antepassados consiste nos manuscritos desorganizados deixados por Silvano Silva. Esta é a razão de ter eu colocado suas inicias (S.S.) no nome do catalogo. Um dos textos mais confusos deste legado trata de como Dom João Silvano e Silva organiza a forma como seu colega organiza e compreende as coisas que eles caçam pelos céus. Como o caro leitor já deve ter percebido o nosso querido José fazia constantemente associações entre os corpos celestes e o mar. Claro que ele tinha um entendimento muito mais complexo do céu que isto. A partir daqui conto a história como contada por Dom João. Permiti-me transformar seu português arcaico em um mais contemporâneo e menos “empolado”. “José sempre me diz, ao inicio de nossas jornadas, qual o tipo de pesca que vamos realizar. Eu já acostumado sei o que me aguarda. Cardumes, Tocas e Parcéis são seus objetos. Isto quando conversamos junto a telescópio. Porém em suas notas (ele as possui) ele utiliza outro sistema. Esta é a parte secreta de sua cosmologia. JOSÉ É UM PECULIAR ESPECIME DE HOMEM (como grafado por Dom João). Não sei como, mas ele possui um conhecimento acadêmico que ele não pode ter. Ele certamente conheceu Hodierna. Mas isto é impossível. Giovanni Batista Hodierna nasceu em 1597 e faleceu em 1660. Meu colega teria que ter mais de 100 anos. Eu que sou homem de grande saber o conheço e vi sua obra. Hodierna foi astrônomo da corte do Duque de Montechiaro e escreveu uma bela obra: ”De Admirandis Coeli Characteribus”. Neste tratado ele apresenta 40 objetos nebulosos. Era um homem com aparelhos simples com cerca de 20 vezes de magnificação. Eu e Messier só confirmamos 19 de suas entradas. Mesmo assim é um grande feito. De alguma forma José conhece todos estes objetos e eu sei que os classifica da mesma forma que Hodierna em suas anotações. Luminosae- Estrelas (conjunto) visíveis a olho nu Nebulosae- Nebulosas a olho nu, mas que se resolve em estrelas ao telescópio. Occultae- Não se resolvem nem mesmo ao telescópio. Curiosamente meu amigo escreve em latim estes termos. Outra incrível semelhança é que assim como Hodierna ele acredita que todos os objetos que vemos são formados de estrelas. Nós é que não conseguimos resolver alguns grupos em detalhes. È a partir destas premissas que José define então de sua forma natural os objetos. Todos os dois primeiros grupos ele classifica como cardumes. Os objetos que ele percebe somente como nebulosos ele divide em dois grupos. Tocas são objetos nebulosos com forma perfeitamente arredondada ou quase. Objetos com outras formas ele classifica como parcéis.” Este texto é tudo que consegui extrair da garranchada deixada por Dom João. O bom padre foi se tornando um grandíssimo bêbado e o parte final de sua grande obra, como ele chamava suas memórias, é bastante confusa. De qualquer forma é importante para elaboração do catalogo J.E.S.S. Giovanni Batista Hodierna é um astrônomo bastante obscuro e o conhecimento deste por Dom

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João é muito estranha. Nada leva a crer que Messier tenha conhecimento de sua obra. Seu catalogo foi publicado em Palermo em 1654. Na verdade como a segunda parte de uma obra mais ampla (pouparei vocês e eu do nome em latim): Sobre a sistematização da orbita dos cometas e sobre os admiráveis objetos do céu. Este trabalho foi posteriormente acrescentado como uma espécie de apêndice ao trabalho de Lalande ‘Bibliographie Astronomique’ em 1803. Jerome de La Lanche é outro obscuro astrônomo. Desta vez Frances. Entre os objetos verdadeiros descritos por Hodierna, portanto parte do catalogo J.E.S.S. estão: Luminosae ou Cardumes: M45 – As Plêiades Hyades (Mel 45) O Aglomerado de Coma Berenice (Mel 111) O Aglomerado de Alpha Persei (Mel 20) M42 – Classificada como Nebulosae por José Eustaquio. NGC 6231-Próximo a Zeta Scorpio. Nebulosae ou cardumes M44 – O presépio em Câncer M7- O aglomerado de Ptolomeu. NGC869 / 884 – Em Perseu (este não faz parte do catalogo J.E.S.S) M6- O aglomerado da borboleta em Escorpião. M8- A nebulosa da Lagoa. José considerava um parcel no dia a dia. É provável que Hodierna só percebesse o aglomerado aberto Ngc 6530. Este ilumina a nebulosa. M36, M37 e M38- todos em Auriga. Provavelmente descobertas originais de Hodierna. Cr 399- O Aglomerado do Cabide. É na verdade um asterismo Occultae ou Parcéis. M31- Dispensa apresentações... Diversos destes objetos são descobertas originais de Hodierna. A questão é que o trabalho do amigo ficou perdido durante anos e só foi resgatado, de fato, recentemente. O trabalho de Hodierna pode ser encontrado na Net no seguinte site; http://xoomer.virgilio.it/fdemaria2/pag1.html. Esta em Latim. Porém podem lhe encaminhar para uma tradução para o italiano.

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A Linha Mágica Silvano Silva anotava incessantemente os segredos do céu que aprendia com José Eustaquio. O Nome de seu catalogo era o Catalogo Silvano e Silva de Nebulosas e Aglomerados Estelares. Porém em um dia que tomado de grande humildade (talvez o único dia que isto se abateu sobre o padre) ele admitiu que os objetos catalogados eram fruto do catalogo Messier ou descobertas originais de José ele mudou o nome. Ele não gostava de chamar suas queridas nebulosas e aglomerados de objetos estelares. Já José achava que eram todos objetos estelares e que só não se resolviam em estrelas devido a falta de aparatos óticos poderosos o suficiente. De qualquer maneira Dom João achava que mesmo resolvendo estes em estrelas, objetos estelares só deveriam compreender estruturas formadas por uma única estrela. Porém naquele dia único, em que a humildade visitou aquela alma, ele batizou sua grande obra com o belo titulo: O Catalogo J.E.S.S. de Objetos Estelares. Incrivelmente acrescentou o nome de seu companheiro na frente do seu como utilizou sua classificação. Isto se revelou um equivoco. Seria melhor a utilização de nebulosas e aglomerados. Acredito que isto se deveu a uma das mais belas jornadas realizadas por ambos. Nesta José revelou uma percepção que estava há séculos a frente do conhecimento de seu tempo. Isto deve ter impressionado muito a Dom João. De seu jeito rústico ele diferenciou claramente a diferente natureza das estruturas que observavam como ainda detectou a diferente localização em relação ao universo de cada uma destas estruturas. Um feito incrível em um tempo que não se conhecia a estrutura do universo. O conceito de galáxia estava a mais de um século de distancia. Eles se prepararam mais uma vez para sua jornada de Lua Nova. Nada de fogueiras na região. José estava preparado para apresentar o que ele chamava de “A Corrente” para Dom João Silvano e Silva. Em um primeiro momento isto não impressionava muito o padre. Era só como José se referia a Via- Láctea. Por um lado ele estava certo por outro não poderia estar mais errado. Ele ia conhecer seria conhecido como a linha mágica. E na linha mágica a pesca só apresentava cardumes. Isto era fundamental. O que hoje chamamos de aglomerados abertos ou galácticos eram chamados de cardumes por José Eustaquio. Os aglomerados abertos ocorrem apenas em braços da nossa galáxia. . São agrupamentos frouxos de estrelas. Alguns aglomerados abertos são grandes e espalhados. As Hyades (em Touro), as Pleyades (idem) e o Presépio (em Câncer) são desta forma e visíveis são a olho nu. Outros são pequenos e tênues. Suas estrelas não se resolvem e o aglomerado parece uma névoa no céu. Quando podemos ver as estrelas que formam o aglomerado dizemos que ele foi resolvido. De uma forma geral quanto maior o telescópio (Diâmetro), mais aglomerados ele vai resolver. Alguns aglomerados terão apenas poucas estrelas. Outros apresentarão centenas, parecendo um derrame de sal sobre o céu. Tente perceber a diferença de cores nas estrelas que os compõem. Assim como diversos D.S.O. Alguns aglomerados abertos aparecem melhor em telescópios pequenos do que em grandes. M11 (Em Scutum) vale a pena em qualquer tamanho. O Presépio (em Câncer) é melhor em telescópios pequenos. Já Ngc 2158 melhor em grandes.

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Porque estrelas acontecem em aglomerados? Estrelas se formam de gigantes coleções de gás no espaço quando algum tipo de onda de choque passa por estas nuvens de gás as comprimindo e as fazendo colapsar sobre si mesmas formando estrelas. Ao contrario da gente todas as estrelas se formam quase que simultaneamente desta maneira. Através do tempo começam a se afastar uma das outras, mas dependendo de diversos fatores podem permanecer unidas por longos períodos. As gigantes nuvens de gás em que se formam as estrelas se concentram no plano da galáxia, ao longo da Via Láctea. È por isto que a maior parte dos aglomerados abertos aí se encontra. Por isso são chamados também de aglomerados Galácticos. José Eustaquio percebeu que os seus Cardumes ocorriam sempre ao Longo da via láctea e por isso calculou que ao longo daquela mancha no céu estavam sistemas associados. Mais que isto percebeu que outras estruturas tais como as Tocas e parceis se encontravam se olhando para fora da mancha leitosa que cruzava o céu e onde se encontravam os cardumes. Ele dizia que lá as águas eram mais profundas. Ele percebeu algo que só se teve certeza no século XX. Edwin Hubble foi um observador do céu. Assim como José. Edwin Powell Hubble nasceu em 20 de novembro de 1889. Foi ele que conseguiu determinar a distancia das nebulosas que a seculos escondiam dos cientistas sua verdadeira natureza. Ao conseguir determainar a verdadeira distancia destas ele provou que estas se encontravam para muito além da via lactea. Ele utilizou o telescópio de monte Wilson, Um Monstro em comparação ao pequeno aparelho de José Eustaquio. Utilizando variaveis Cefeidas , uma espécie de estrela que pode ser utilizada como um farol cósmico devido que o periodo de variação de seu brilho ser associada a seu brilho intrinseco , que ele conseguiu isolar com seu monstro na então Nebulosa de Andromeda. Posteriormente alargou ainda mais a coompreensão do universo com a maxima que “O universo esta se expandindo”. Sua constante determinou que” quanto mais longe mais rapidamente as outras galaxias se afastam de nossa via lactea.” Ele faleceu em 28de setembro de 1953. José falou: – Caro padre vou lhe mostrar que os cardumes seguem essa corrente . E somente os cardumes seguem a corrente . Era Abril e a Via Lactea dominava o horizonte Sul . Se estendia desde Regor (Y velorum) a Sudoeste até Altair em Aguia . Naquela noite ele ia mostrar para Dom João Silvano e Silva uma coisa que só se saberia em mais ou menos 180 anos. Talvez mais. Os mais belos aglomerados abertos iam se descortinar perante o padre na frente do telescópio de José. E eles todos seguiam a tal corrente. Que desde a mais remota antiguidade era chamada de Via Lactea... Segundo as nota de Silvano Silva que chegaram a meu poder a jornada daquela noite caminhou de Sudoeste para Les- nordeste seguindo a Via Lactea e observando os objetos jé em direção a seu poente. Proximos ao horizonte oeste...

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Começaram por Ngc 2547 , bem próximo a Regor .Em se levando em conta a data esta jornada começou bem cedo . Por volta das 18:00 no horario local. Devido a proximidade de regor não há duvida com relação a este aglomerado. Como todos os aglomerados desta jornada ele se resolvia claramente para nossos observadores. O fato de telescópio de José resolver este aglomerado me leva a acreditar que este realmante tivesse em suas mãos o melhor telescópio que lacaille teria levado para sua expedição já que este não resolveu este aglomerado em seu catalogo . Considerou este uma estrala nebulosa... O furto do seu telescópio permitiu que José fosse o primeiro a ver esta maravilha e desvendar sua verdadeira natureza. Provavelmente seu pai... Lacaille a catalogou como Lac III 2. È possivel percebe-lo a olho nu como uma leve nevoa proxima a Regor(Gama Velorum). O próximo “cardume a cair nas redes de José foi o belo Ngc 2516 . Este em Carina . Este facilmente identificavel devido a palavras de Dom João: “... seguindo – se no prolongamento do falso cruzeiro.” Este aglomerado fica exatamenteno exten~sao de uma linha imaginaria entre Kappa Velorum e Epsilon Carina no astreismo do falso cruzeiro.É outro objeto compartilhado por Lacaille. Como que perseguindo o antigo dono de seu telescópio o próximo objeto é o belo IC 2391 , bem próximo a Delta Velorum. O que não deixa duvidas quanto a quem seja o objeto descrito. O Objeto seguinte é um pouco mais dificil de se estabelecer. Ele é descrito como um cardume e claramente resolvido. Pela sua posição ( As posições registradas por Silvano Silva não são muito confiaveis e José não deixou registros de coordenadas de nenhuma especie.) ele seria Ngc 2669. Como dito ele é bem próximo de Ic 2391 . A questão é que pelo equipamento de nossos amigos ele não se resolveria completamente. E devido a pequeno campo de visão ele não seria tão obvio como em telescópios modernos que utilizando oculares diferentes seriam até mesmpo capaz de ter ambos objetos no mesmo campo ocular. De qualquer forma é a opinião do autor que este objeto foi avistado e coompreendido por José. Ngc 3114 é o próximo objeto. É possivel percebe-lo a olho nú e só por isso foi possivel determinar que objeto seria este . O padre diz apenas – “ pequena nebulosidade próxima a q Carina. Se resolve ao telescópio”. Este seria então uma descoberta original já que só foi registrado muitos anos depois por James Dunlop em 1826. A seguir eles continuam no encalço de Lacaille e esta será uma eterna disputa. Parece que o Astronomo frances deixou uma parte sua na ocular daquele telescópio perdido por ele ou roubado por alguém... Um objeto famoso e facil IC 2602 . As Pleiades do Sul. Este dispensa apresentações e inclui Theta Carina.

Os escritos de José Eustaquio

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Este capitulo trata dos poucos extratos deixados por José Eustaquio escritos por seu próprio punho. A qualidade do manuscrito que a mim chegou era deplorável. Algumas paginas em pedaços e amareladas e que nitidamente viveram muito tempo. É evidente que parte do seu tempo de vida se deu sob a água. Foram meses de esforço e busco aqui reproduzir os pedaços do texto que me chegou as mãos. “... são fundamentais que se observem. Estes objetos seriam as formas estelares fundamentais e que acredito os cientistas naturais devem conhecer todos estes objetos para que possam compreender as marés celestiais. (José sempre acreditou que o céu era como o mar e suas analogias invariavelmente são relacionadas a temas marinhos) Em primeiro lugar eu tenho que enumerar algumas das mais belas Nebulosae. (Como já contei José utilizava a nomenclatura utilizada por Hodierna, um obscuro astrônomo italiano que ele não poderia jamais ter tido acesso. tanto a figura humana como aos escritos.) Nebulosae Fundamentalis: J 1 - Observada a 2ª hora do dia 25 novembro- Alt72º 32´Esta é a mais bela. Facilmente percebe-se sua majestade acima do cinturão do caçador. Posso perceber estrelas que brotam em seu coração. Em noites como essa conto quatro estrelas. A nebulosidade é muito brilhante e se espalha por todo meu campo. A região próxima e recoberta com Luminosae (Aglomerados abertos na terminologia misteriosamente comum a Hodierna e José Eustaquio). Parecem nascer da grande nuvem. J2- Observada a 1ª hora do dia 23 Junho - Rumo 180º Alt. 88º Difícil descrever a beleza desta Nebulosae muito brilhante a percebo por sobre o arqueiro centralizado na grande corrente. A nebulosidade é claramente visível nas noites sem lua mesmo com a vista desarmada. Posso resolver muitas estrelas. É evidentemente uma formação importante. Parece uma lagoa de águas esbranquiçadas. Recorda-me a área em Orion que descrevi primavera passada , batizada como J1 . Evidentemente trata-se de formações da mesma espécie. J3 - Observada a 3ª hora do dia 23 janeiro Rumo 180º alt. 28º Nebulosae muito grande. Diferente das Demais que conheço. Abraça a forte estrela de brilho extremamente variável no Navio. Cobre uma área muito grande e percebo Luminosae na região. Objeto diferente. J4- Observada a 1ª hora do dia 02 de fevereiro Alt.: 44º 50´ Bela Nebulosae. Com aspecto bipolar me parece possuir uma estrela central. Não posso garantir. Parece-me um tipo semelhante a J3. Localizada Junto às fracas estrelas da Raposa. Estas são as Nebulosae que considero importantes para que os cientistas naturais estudem. Representam as diferentes estruturas que se escondem em tais nuvens e que se apresentam dentro da Grande Corrente. “
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Este enigmático texto me levou a longas pesquisas e demonstram a erudição que Dom João duvidava existir em José Eustaquio do Nascimento e Islas. Em primeiro lugar é fundamental entender côo José localizava os objetos. Por suas anotações ele determinava sempre a altitude do objeto no momento que este cruza o meridiano local. Assim seu rumo é sempre ou Norte ou Sul (180º). No caso de J1 e J4 ele sequer dá indicação azimutal. Ele omite o ano em suas anotações o que torna minha vida um pouco mais difícil. Tudo indica que isto foi escrito pelos fins dos anos 1700s. Eu gostaria de acreditar que em 1778. Isto ajudaria muito na minha cronologia. J1 não deixa duvidas. Trata-se de M42 e sabemos pelos escritos de Dom João que era um objeto querido por José. José descreve claramente o Trapézio que ilumina o seu interior. Seu telescópio assim se revela muito bom. E ele pula vários séculos a supor que ali é uma espécie de berçário estelar. A nebulosa de Orion não foi descrita por Ptolomeu ou Al Sufi. Mesmo Galileu, que descreve o Trapézio, não fala a respeito da nebulosa propriamente dita. Provavelmente devido a estreito campo de seus telescópios. Hoje em dia credita-se seu primeiro registro a NicolasClaude Fabri de Peiresc no mesmo ano (1610). Posteriormente ela foi redescoberta de forma independente diversas vezes. Aí incluindo Huygens em 1656 e novamente Messier em 1659 quando publica um belo desenho da nebulosa. J2 também é facilmente identificável. José novamente tem uma percepção a frente de seu tempo. M8, a Nebulosa da lagoa é como ele se tornou conhecida. Em Sagitário. A Nebulosa da Lagoa foi primeiro registrada pelo companheiro impossível de José :Giovanni Hodierna a catalogou em 1654. Posteriormente foi catalogada por La Gentil em 1747. Lacaille a redescobriu e acrescentou a seu catalogo entre 1751/1752. E por fim Messier a inclui em seu catalogo na noite de 23 de maio do ano de 1764. José é de grande precisão em suas plotagens pelo céu. Na verdade muito mais que Dom João. Suas posições apresentam erros de menos de 10´ de arco a maioria das vezes. Por isto posso arriscar com segurança os anos 1750/60/70 para estes escritos. Este 30 anos foram anos dourados para astronomia amadora sendo o período que surgem à maioria dos catálogos clássicos de objetos de céu profundo. Chegamos a J3. É a grande Nebulosa de Eta Carina. E José novamente acerta em tudo que diz. Ela é completamente diferente das demais. E a grande estrela variável é uma variável explosiva. Na verdade o que José via era diferente do que conheço. Eta Carina era muito mais brilhante na época do que é hoje. O primeiro registro conhecido da nebulosa na região é de Lacaille durante sua viagem entre 1751/52.
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Este é um objeto que pode ter sido uma descoberta original de José Eustaquio. Finalmente J4. Sem a menor duvida trata-se da Nebulosa do Halteres. Registrada no catalogo Messier como M27. Foi a primeira nebulosa planetária registrada no catalogo francês. Assim como no catalogo J.E.S.S. A posição dada por José permite que determinemos com bastante precisão o ano de seu registro. 1772. Messier a registrou em 1764. O que não impede de José já a ter visto anteriormente. Outro detalhe importante é como ele caracteriza a sua categoria de Nebulosae apenas incluindo estruturas de aspecto nebuloso que se encontram dentro do disco galáctico. Podemos notar que ele percebe claramente a diferença geográfica destas estruturas para outras estruturas nebulosas que não se encontram no disco. Ai ele não inclui nenhum Globular ou galáxia. Estes normalmente avistados fora do eixo da galáxia, ou em maior numero em direção ao centro (globulares especialmente). Não posso garantir se ele percebia que se tratava de estruturas distintas de fato ou se é apenas devido a sua distribuição espacial que ele as diferencia. De qualquer forma estas estruturas só seriam de fato compreendidas muito tempo depois e ele se mostra novamente a frente de seu tempo tento insights, de uma forma orgânica, muito inspirados.

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