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Superior Tribunal de Justiça

AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1.250.334 - SP (2009/0214391-6) RELATOR AGRAVANTE ADVOGADO AGRAVADO ADVOGADO Vistos. Trata-se de agravo de instrumento interposto pela Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo - BANCOOP contra decisão que inadmitiu recurso especial fundado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, no qual se alega violação aos arts. 3º, 4º, 21, IV e 79 da Lei n. 5.764/79, associada a divergência jurisprudencial. O acórdão vergastado foi assim ementado (e-STJ, fl. 467): : MINISTRO ALDIR PASSARINHO JUNIOR : COOPERATIVA HABITACIONAL DOS BANCÁRIOS DE SÃO PAULO - BANCOOP : NAIRA REGINA RODRIGUES E OUTRO(S) : RODNEY GUARIGLIA : JEFFERSON ULBANERE DECISÃO

"RESCISÃO VENDA COMPROMISSO DE COMPRA E RELAÇÃO ENTRE COOPERATIVA E COOPERADO - APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR, UMA VEZ QUE A NATUREZA DO NEGÓCIO REALIZADO É DE SIMPLES COMPRA E VENDA DE BEM IMÓVEL AUSÊNCIA DE CUMPRIMENTO DO PRAZO DE ENTREGA DA UNIDADE HABITACIONAL COMPROMETIDA COBRANÇA DE PARCELA PÓS-CHAVES MESMO SEM A EDIFICAÇÃO DO PRÉDIO - COOPERADO DEMISSIONÁRIO - CULPA EXCLUSIVA DA RÉ - NECESSIDADE DE DEVOLUÇÃO IMEDIATA DAS QUANTIAS DESEMBOLSADAS SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA EM PARTE - RECURSO IMPROVIDO."

O inconformismo não prospera. À exceção do art. 79 da Lei n. 5.764/79, os demais dispositivos legais, apesar da oposição de embargos de declaração, não foram apreciados pela Corte Estadual, faltando-lhes, assim, o prequestionamento. Incidência, na espécie, da Súmula n. 211 do STJ. No tocante à norma prequestionada, melhor sorte não merece o apelo. O Tribunal de origem, soberana no exame do caderno probatório carreado aos autos, concluiu que não se tratava de ato cooperativo mas de nítido negócio jurídico que, inclusive, submete-se às normas do Código de Defesa do Consumidor. Nesse particular, assim manifestou-se a corte estadual (e-STJ fls. 469-477): "O fato da ré, ora apelante, estar sob as vestes de uma cooperativa não afasta a aplicação do Código de Defesa do Consumidor, dadas as características do negócio de compra e venda de imóvel, in casu.
Documento: 12225940 - Despacho / Decisão - Site certificado - DJe: 19/10/2010 Página 1 de 2

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Em excelente trabalho da Promotora de Justiça do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça do Consumidor, DORA BUSSAB CASTELO, debate-se: Diante de um caso concreto envolvendo Associações ou Cooperativas, no entanto, devemos verificar, preliminarmente, se estamos diante de uma verdadeira Associação ou Cooperativa, ou se se trata da utilização destes institutos como mera fachada. [...] Em se constatando que se trata de mera fachada de Cooperativa ou Associação, exercendo a entidade, na realidade, atividades de incorporação imobiliária, compra e venda de parcelas de loteamento ou desmembramento, consórcio, ou outra atividade empresarial qualquer, como tal deverá ser tratada, e não como verdadeira Cooperativa ou Associação, já que o que efetivamente caracteriza um jurídico não é o nome que se lhe dê, mas sim sua verdadeira natureza (art. 85 do Civil) . [...] É o caso autos, no qual a relação estabelecida entre as partes visa à aquisição de imóvel, o que descaracteriza o ato cooperativo, ex vi do art. 79 e parágrafo único da Lei n° 5.764/71."

Por sua vez, as razões do recurso especial quanto à violação ao art. 79 da Lei n. 5.4764/79 fundamentam-se no argumento de que os atos são cooperativos. Assim, a discussão quanto à infringência a essa norma pressupõe definir se o ato seria ou não cooperativo. Tal questão demandaria o reexame de matéria fático-probatória, o que é inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula n. 7/STJ. Finalmente, o dissídio jurisprudencial tampouco foi demonstrada em face da inexistência de similitude fático-jurídica entre os acórdãos em comparação. Assim, não foram atendidas as regras dos arts. 541, parágrafo único, do CPC combinado com o art. 255 do Regimento Interno do STJ. Ante o exposto, nego provimento ao agravo. Publique-se. Brasília (DF), 11 de outubro de 2010.

MINISTRO ALDIR PASSARINHO JUNIOR, Relator

Documento: 12225940 - Despacho / Decisão - Site certificado - DJe: 19/10/2010

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