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Bem-Vindos

ma calorosa saudação de boas-vindas aos novos estudantes de Física, de Engenharia Física e de Engenharia Biomédica! A estas palavras de acolhimento junto duas outras: parabéns e felicidades! Votos das maiores felicidades em todas as etapas desta fase da vida académica que agora principia, e muitos parabéns porque acabam de entrar na prestigiada Universidade de Coimbra. O Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia será a vossa segunda casa e os laços que com ele agora estabelecem perdurarão, estou certo, para toda a vida. No Departamento de Física ensina-se e investiga-se, transmite-se e cria-se conhecimento. É neste ambiente de criatividade científica e tecnológica, e de grande dedicação ao ensino, que vão viver os próximos anos. O Departamento de Física é herdeiro do pombalino Gabinete de Física Experimental e esse passado orgulha-nos e responsabiliza-nos. Somos hoje um Departamento moderno e dinâmico. Podemos afirmar que a investigação que se realiza no Departamento cobre praticamente todas as áreas da física e várias tecnologias sobretudo com ligação directa à medicina. Para além dos cursos de licenciatura em Física e Engenharia Física, e do mestrado integrado em Engenharia Biomédica, o Departamento é responsável por mais nove cursos de segundo e terceiro ciclos. Os próximos três anos, para a maior parte dos estudantes que agora chegam, serão de formação básica. Durante esse período irão conhecer a variada e atractiva oferta pedagógico-científica do Departamento para que possam, esclarecidamente, prosseguir estudos em cursos de mestrado e, eventualmente, de doutoramento. Os quatro centros de investigação que desenvolvem a sua actividade no Departamento são o Centro de Física Computacional, o Centro de Estudos de Materiais por Difracção de Raios X, o Centro de Instrumentação e o Laboratório de Instrumentação e Partículas. A forte ligação

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de ensino e investigação é um dos factores de identidade dos nossos cursos. Com bastante frequência, os nossos alunos podem envolver-se, desde cedo, nas actividades de investigação, muitas vezes beneficiando de bolsas. O Departamento de Física, tal como vários outros sectores da Universidade de Coimbra, acolhe neste ano lectivo um número significativo de alunos oriundos do Brasil, que lutaram e conquistaram uma oportunidade de vir efectuar connosco parte dos seus cursos já iniciados em universidades brasileiras. Dirijo-lhes uma saudação especial, esperando que tenham o sucesso que almejam e dizendo-lhes que é para nós – membros da comunidade universitária de Coimbra − uma honra terem escolhido a nossa Universidade. A Direcção do Departamento de Física, os seus professores, investigadores e funcionários, bem como os alunos que já cá estudam − em particular os do Núcleo dos Estudantes do Departamento de Física −, acolhem de braços abertos os estudantes recém-chegados. À Direcção cabe assegurar o regular funcionamento de toda a vida do Departamento, competindo-lhe pois, nesta fase de início do ano lectivo, prestar toda a colaboração para que os mais novos membros da comunidade se integrem com naturalidade, comodidade e tranquilidade. As portas da Direcção estão sempre abertas para a resolução de quaisquer dificuldades. A todos os que agora a nós se juntam, uma vez mais, parabéns e votos dos maiores sucessos. São esses sucessos, tanto durante os cursos como já na vida profissional, que ajudam a construir a imagem de prestígio de que o Departamento de Física desfruta, e que a todos compete manter e incrementar. Manuel Fiolhais Director do Dept. de Física

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Iniciação das funções do NEDF

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oi no passado dia 28 de Junho que a actual direcção do NEDF/AAC tomou posse e iniciou oficialmente as suas funções. Depois da reestruturação dos pelouros, a nova equipa apresentou-se cheia de vontade de “fazer o que ainda não foi feito”, e de aproximar os estudantes do departamento ao seu núcleo. O mandato iniciou-se da melhor forma, com a abertura da sala de estudo do Departamento durante a noite, de forma a apoiar os estudantes no estudo nocturno inerente à época de exames. Já o pelouro da informática / divulgação reestruturou o site do NEDF (http://nedf.org) tornando-o mais prático e acessível a toda a comunidade.

para os mais desfavorecidos. Da mesma forma, para colmatar falhas existentes no passado, surgiram dois outros novos pelouros: Acção Formação/Saídas Profissionais e Relações Externas. Contando também com os restantes pelouros adjacentes ao núcleo, várias serão as actividades e o apoio fornecido ao estudantes do departamento. Desde diversas tertúlias com ex-alunos, informatização da CENA, passando por torneios das mais diversas modalidades, esperamos conseguir aproximar o NEDF/AAC da comunidade estudantil do departamento e proporcionar bons e proveitosos momentos. Caso estejam interessados em integrar a equipa, fazer sugestões ou tirar algumas dúvidas, não hesitem em contactar-nos ou até mesmo passar na sala B13.

Nuno Lopes
Presidente do NEDF/AAC

Prosseguindo as actividades e aliando-as à chegada dos novos alunos, o NEDF participou a recepção que ocorreu no Pólo 2 da FCTUC (organizada pela DG/AAC). Do kit do novo aluno, fazia parte informação e documentação necessária às suas primeiras semanas na UC. Depois do sucesso do projecto Aprender a Brincar no ano lectivo anterior, de forma a continuar, surgiu um novo pelouro: Intervenção Cívica, que para além de continuar com este projecto, irá realizar diversas campanhas de sensibilização, como forma de angariar fundos

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NTA SE AI JÁ O NDA TEU NÃO NA TENS SAL , AD ON EDF

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Experiência Ex-Caloiros
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ou estudante de Engenharia Física movido pela paixão às novas tecnologias e à compreensão das leis que regem a natureza. Vim de uma pacata aldeia onde Judas perdeu as botas (Cartim, Vale de Cambra). Como podem deduzir a minha vida até então não passava a de um “electrão livre” por entre verdejantes vales. Todavia, tudo mudou naquele dia 21 de Setembro, quando o ardor fulminante do típico bagaço do Pintos me lubrificou do esófago ao esfíncter. A partir de então a boémia e as praxes tornaram-se uma constante da minha vida. Apesar de conturbada, a tradicional praxe coimbrã mostrou-se a mais enriquecedora experiência da Contudo, existe uma mudança drástica no que toca a métodos de ensino e a conteúdos comparativamente ao secundário. Enquanto no secundário as disciplinas eram dadas de uma forma mais contínua, na faculdade é aliciante a hipótese de podermos “baldar-nos” às aulas e aparecer apenas no dia do exame. É obvio que esta não deve ser uma prática recorrente em prejuízo de sermos mal sucedidos. Além disso é como uma droga, pode criar dependência. Em suma, a vida académica é uma delícia para quem a sabe viver, o essencial é regrar a intensa farra e hora de “marrar”. A praxe apesar de ser

minha existência, tanto na sua vertente dionisíaca, como geográfica e até mesmo no conhecimento de pessoas e novas amizades.

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um pouco franzina neste departamento, deve ser encarada como um meio de integração. Julgo que o ano de caloiro é o mais divertido, deO curso, ou pelo menos este primeiro ano, foi vemos aproveitar cada momento, pois o rótulo ao encontro das minhas expectativas. O famoso de “besta” proporciona-nos oportunidades únialto grau de exigência deste curso não passa de cas de extravasar a criança que há em nós. um mito facilmente desconstruído quando há empenho e estudo. É certo que as condições do Departamento de Física não primam pela moCarlos Henriques dernidade, no entanto, a experiência e a competência da equipa docente dar-nos-á com certeza Aluno de Engenharia Física uma boa bagagem científica.

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Experiência Ex-Caloiros
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A Primeira Página De Um Novo Capítulo onde nos propuseram algumas “actividades” que estimularam o nosso sentido de humildade. Afinal de contas, é fundamental para qualquer relação que tenhamos. Narro agora uma experiência que ilustra na perfeição os “riscos” de não se cumprirem os términos do código de praxe. Estava a entrar na rua Padre António Viera, junto ao elevador, quando eu e uns colegas que me ladeavam avistámos uma trupe. Consequentemente, vejo todos a fugir enquanto eu, inebriado pelo espírito académico, recolho-me num gesto de coragem e grito: “Eu sou caloiro!” Devo admitir que os membros da trupe me pareceram simpáticos, embora não me recorde do conteúdo da conversa enquanto sentia o meu cabelo ser dilacerado e queimado naquela colher de pau. Qualquer ego que pudesse possuir, desvaneceu-se totalmente perante o meu reflexo. De qualquer forma, não foi nada que não se resolvesse com recurso a um cabeleireiro profissional. O primeiro ano da universidade é especial e está repleto de experiências que nos marcam intensamente e dão o seu contributo na edificação da nossa personalidade. Torná-lo aprazível e profícuo só depende de nós, por isso, ponham a mão na consciência e, sobretudo, sejam vocês próprios! Emanuel Barata
Aluno de Física

om a entrada na universidade virei uma página na minha vida e fiquei extasiado com as novas personagens e enredos que se impuseram triunfantes neste novo capítulo. Há uma enorme diferença no ritmo das aulas no ensino superior face ao ensino secundário a que nos vamos adaptando gradualmente. Eu escolhi física porque me fascina a demanda incansável do ser humano para desvendar os segredos do Universo. O trabalho é intensivo mas é fundamental como preparação para a jornada profissional que se aproxima. De facto, por mais esforço e sacrifício a que nos sujeitemos, quando gostamos realmente do que fazemos, tudo pode ser ultrapassado. Citando o excelso Fernando Pessoa “Tudo vale a pena. Se a alma não é pequena”. A praxe é um assunto algo controverso porque tem o objectivo de aproximar os alunos que acabam de aceder ao ensino superior à nova vida académica, mas são recorrentemente reportados alguns abusos. Eu parti para a praxe de forma receptiva e, devo dizer, que nunca fui vítima de algum tipo de problema. Aliás, considero mesmo que esta teve um papel preponderante na minha inclusão neste novo meio. Desta forma, penso que está nas mãos do caloiro saber comportar-se, aceitar ou negar as condições que lhe são impostas de acordo com os princípios em que fundamente a sua personalidade. O momento alto da praxe, na minha opinião, aconteceu no botânico,

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Experiência Ex-Caloiros
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PRIMEIRO ANO EM COIMBRA
E o tempo corre rápido e chegam as férias de Natal, quase não há tempo para descansar. Há que organizar cadernos, capas e apontamentos, pois muitas horas de estudo nos esperam para a primeira época de exames. Depois da uma época de exames atribulada, em que algumas cadeiras ficam feitas e outras ficam para o ano seguinte, é a altura de regressarmos todos às aulas. Mais estudo, mais jantares, saídas às terças e quintas-feiras e alguma praxe à mistura: chegou o segundo semestre. É também altura em que os caloiros encontram as longas filas de espera da Toga, para comprar a tão aguardada Capa e a Batina, usada pela primeira vez no dia da Monumental Serenata, com a qual se inicia a Queima das Fitas. Nesta semana, todos os estudantes de Coimbra deixam os livros de lado e trazem as Capas Negras até às ruas da cidade. Durante o dia poucos são aqueles que são vistos, porém à noite todos se juntam para aproveitar aquela semana que todos falam e ansiosamente esperam desde o início do ano. O tempo voa novamente, e o ano parece estar a acabar. É com algumas horas de estudo para os exames e com todas as recordações que nos despedimos da cidade e dos amigos. E no final de mais um ano, olhamos para trás e recordamo-nos de todos os momentos que aqui vivemos. Porque só mesmo quem aqui passa é que poderá perceber o que é ser estudante de e em Coimbra. epois de umas férias em que aproveitámos tudo ao máximo e as “borboletas” na barriga eram uma constante chegámos à cidade dos Estudantes. No nosso caso, ao Departamento de Física. Coimbra é uma nova cidade e Setembro é o mês em que esta se enche de estudantes. Para muitos será uma nova experiência, uma nova cidade, um novo mundo e para outros o recomeçar de tudo.

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Com o passar de algum tempo e com a ajuda da tão temida praxe, passamos a conhecer este e aquele com quem nos cruzamos, a ir jantar a casa de um e de outro, começamos a ter os nossos amigos! Sentimo-nos cada vez melhor na nova “casa” e começamos a formar aquela que será a nossa “família”, aqueles que nos irão ajudar, nos bons e nos maus momentos que iremos viver por aqui. Depois de muitos dias de praxe, de jantares, saídas e de algum estudo à mistura chega a Festa das Latas. Entre concerto e a tenda dos núcleos, entre um copo e outro, nesta semana, doutores e caloiros divertem-se em conjunto. O grande momento da Festa das Latas, é sem dúvida o dia do cortejo, onde os padrinhos caracterizam os seus caloiros que desfilam pela cidade até ao Mondego, para aí serem baptizados.

Mariana Santos
Aluna de Eng. Biomédica

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Universidade de Verão
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nscrevi-me na escola de Verão de Física da Universidade de Coimbra pelo meu gosto pela ciência e vontade de me cultivar nessa área, ao mesmo tempo que quis conhecer outras pessoas que partilhavam os mesmos interesses. Não só consegui isso, como foram excedidas as expectativas que levava. Consegui conhecer professores do Departamento de Física, e ainda fazer amizade com vários estudantes que já frequentavam a Universidade de Coimbra. Fui ste verão realizou-se mais uma Escola de bem acolhido e juntamente com os restantes Verão Física@UC, direccionada a alunos participantes tive uma semana espectacular. do ensino secundário. Os alunos participaram em diversas actividades, desde a descida do Durante as manhãs, assistíamos todos a pales- rio Mondego em canoa, observação nocturna, tras sobre temas recentes de investigação em conheceram alguns pontos fulcrais da Univerfísica, tais como os dados distribuídos por re- sidade de Coimbra e não menos importante, sultados de experiências no LHC, as estrelas de participaram muito intensivamente dentro do neutrões e a sua composição. Nas tardes desen- nosso Departamento. volvíamos um projecto que apresentámos no último dia, sendo eu premiado por fazer parte Durante toda a semana, por iniciativa própria, do grupo que apresentou um dos melhores pro- auxiliei os alunos dentro do Departamento tenjectos. do mesmo assistido com eles às palestras que

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foram dadas e além disso participei com eles num dos projectos que decorriam. Na minha opinião, foram os projectos que mais incentivaram os alunos e que os tornaram cada vez mais próximos, de tal forma que os alunos criaram no Facebook o grupo Física UVC 2010. Claro que a semana não se resumiu apenas a isto; os alunos ainda tiveram várias oportunidades de se lançarem à descoberta da vida nocturna de Coimbra que, claro está, adoraram.

Pude conhecer o Departamento de Física através de uma visita guiada por alguns professores e experimentar a vida nocturna em Coimbra através dos estudantes monitores responsáveis por nós durante os cinco dias.

Da minha parte posso dizer que gostei muito da experiência, espero no próximo ano voltar a repeti-la e no caso do meu irmão, que era um dos alunos participantes, esta experiência ajudou-o no caminho que deve escolher quando se candidatar ao ensino superior.

Muito obrigado a todos os Professores do DeÉ uma experiência insubstituível, e que repete- partamento que tornaram isto possível para os ria se a oportunidade surgisse. alunos. Samuel Marques
Aluno de Física

Marta Henriques
Aluna de Física

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Coimbra...

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omo é recorrente, todos os anos a certa altura chega o afamado mês de Setembro. Mas afinal o que tem ele de tão especial e único? É altura em que a maior parte dos petizes, com tenras idades a rondar os 18 anos, iniciam uma etapa que os marcará para o resto das suas vidas… É a entrada no inesquecível Mundo Universitário.

cultura, era ali que o espírito e tradições académicas transbordavam. Uma semana volvida e estava eu completamente rendido aos encantos desta minha nova realidade, aqui nascia uma memorável história de completa cumplicidade entre um pequeno e inocente miúdo do norte e a mui nobre Cidade de Coimbra.

Todo o meu fascínio foi catapultado inicialmente pelas tradições académicas que envolvem a Universidade, nomeadamente através da praxe académica que possibilitou uma rápida e muito afável integração no seio do meu curso e do próprio Departamento de Física em si. Nostalgicamente recordo-me de quando entoávamos cânticos até a voz faltar, sempre em prol da defesa do curso, de todas as brincadeiras que decorriam enquanto estávamos em locais tão únicos e característicos como o Pintos ou o Couraça e até das diversas rodas de conversas que nos proporcionavam os mais velhos com Decorria o ano de 2005 e sendo eu um garoto o intuito de nos ajudar a perceber e desfrutar como tantos outros: acne no rosto, barba rala, de todo o esplendor que a vida académica em gel no cabelo, algo ingénuo, um pouco imaturo Coimbra proporciona. Enfim, tudo boas vivêne com uma enorme determinação para ingres- cias que eram sempre pautadas com um sentisar no ensino superior…e foi com alguma sur- mento inesquecível de união e companheirispresa, uma vez que não tinha sido a primeira mo entre todos os intervenientes. Durante toda opção, que recebi a noticia de que Coimbra se- a semana essas pessoas eram a minha família e ria o meu destino durante “pelo” menos 5 anos Coimbra a minha aconchegada casa. da minha vida. Acompanhado pela ansiedade de iniciar um objectivo desde sempre perseguido, e com a desorientação e inquietação natural de um caloiro que cai de pára-quedas num local onde não possui qualquer tipo de referências, lá fui passo-a-passo para o meu primeiro dia como estudante universitário. Enquanto caminhava em direcção ao Departamento de Física, que não fazia a mais pequena ideia de onde se situava, ia pensando se aquela seria realmente a cidade onde eu me enquadraria na perfeição. Pois bem, esta incerteza foi-se esvanecendo rapidamente durante a primeira semana. Desde logo percebi que não é à toa que esta é apelidada de “Cidade dos Estudantes”. Era ali que se encontrava toda a essência do que é ser estudante , era ali que se vivia e sentia todo o peso histórico de cerca de 700 anos de existência dedicados ao ensino e à

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À medida que o tempo passava os papeis invertiam-se e aqueles que outrora foram caloiros tornavam-se doutores e sobre eles incidia a responsabilidade de bem receber e orientar todos os que ali de novo chegavam. Guardo como a mais notável memória da minha vida académica o facto de apesar de haver uma constante

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...um passado, presente e futuro!
renovação de gerações: todos os valores, princípios, histórias, conhecimentos e cultura que servem de base à riquíssima história de Coimbra são sempre transmitidos aos mais novos, o que faz com que esta seja a Cidade Universitária por excelência. fado de Coimbra, o presenciar uma serenata feita pela Estudantina a uma menina que está na varanda, percorrer as ruas labirínticas da baixa de tasca em tasca parando no Diligência para ouvir fado, receber dolorosas bengaladas na cartola no último cortejo da Queima quando se é finalista, ser rasgado no final de toda a caminhada por aqueles que acompanharam todos os teus passos durante o curso, são inabalavelmente vivencias únicas e memoráveis que acompanham qualquer estudante que por esta cidade passa.

Por tudo isto Coimbra é como um amor que nasce no interior de cada estudante, que o ajuda a tornar-se alguém perante o mundo e que o acompanha durante toda a vida, afinal como tão bem expressa a balada da despedida do V ano jurídico: “Segredos desta cidade levo coSem sombra de dúvida, esta é uma cidade migo para a vida”. de sensações indescritíveis e inesquecíveis. Momentos como o bater da velha Cabra, as Numa palavra unicamente portuguesa se desimensamente difíceis aulas da manhã em que creve toda a vida académica Coimbrã: Saudaos olhos pesam toneladas, as fatídicas subi- de. das pelas escadas monumentais, o baptismo no rio Mondego na Latada, o vestir a capa e André Santos batina pela primeira vez na Monumental Serenata onde um mar de estudantes se juntam em Mestre em Eng. Biomédica frente à Sé Velha de capa traçada para ouvir o

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eroporto Francisco Sá Carneiro no Porto, 4h da manhã e parte da comitiva de Coimbra encontrava-se já na fila do check-in. A partir daqui esperavam-nos cerca de 9h de viagens, compassos de espera, e escalas até atingirmos o nosso destino: GRAZ!

quentes. Logo aqui se notava o espirito intercultural do ICPS, onde pessoas de todos os países, da Índia ao México, passando pelo Brasil e pela Finlândia, confraternizavam e bebiam uns copos num espirito completamente diferente. O segundo dia começou com sessões de palestras durante a manhã e a tarde. Disseram que foram altamente, visto que nós acordámos à hora de almoço e passámos a tarde na relva a descansar para nos prepararmos para mais uma noite de folia. Neste dia tivemos a “Costume Party”, onde alguns de nós se mascararam e mais uma vez bebemos e confraternizámos com os nossos companheiros.

No dia seguinte após acordarmos à hora de almoço, começámos os preparativos para a Chegados, com paragem pelo meio em Lon- “Nations Party”, onde as nações participantes dres para almoçar, constatámos que não havia apresentam alguns dos seus pratos típicos e cangurus na pista nem nas redondezas do ae- oferecem-nos em conjunto com bebidas tradiroporto. Que desilusão! Depois da noite mal cionais do seu pais. dormida, fomos directos ao hotel, já que ainda faltava ainda um dia para começar o ICPS Esta é uma das festas mais famosas do ICPS, e darmos entrada na residência. Cansados mas visto que existe muita variedade e podemos motivados, fizemos uma pequena visita ao cen- ter um pequeno contacto com muitas culturas tro histórico da cidade (nada de especial), mas de todo o mundo. Cada pais tem ainda uma nas nossas cabeças apenas ecoavam os 5 dias pequena apresentação de músicas e coreograde “ramboiada” que se avizinhavam. fias. De salientar a apresentação dos britânicos Ao dia seguinte, depois de um bom pequeno almoço, seguimos finalmente para o check-in do ICPS. Iniciámos assim uma enorme epopeia, acompanhado de uma bela cerveja austríaca (quentinha!) e já na companhia de alguns dos nossos companheiros de ICPS de muitos países. Depois de um pequeno passeio e de uma visita aos quartos e casas de banho, que por sinal eram muito bons, partimos à aventura do que seria o mais “LEGENDARY” ICPS de sempre (e por sinal o 1º para nós). No primeiro dia reunimo-nos no quarto do costume para começar a noite e atingiu-se o apogeu com a “Welcome Party”. A cerveja, de meio litro, caía que nem ginjas nos nossos estômagos Novembro 2010 :: Anti-Matéria

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Conference of Physicians Students
sempre despida de preconceitos. Nós optamos por mostrar aos nossos companheiros a famosa francesinha, a aguardente, o vinho do Porto e o arroz doce que tanto nos caracterizam. Nas músicas mostramos um pouco do que se faz em Portugal, desde o fado de Coimbra até Buraka Som Sistema, passando pelo grandioso Quim Barreiros. No quarto dia tivémos de acordar cedo, para a visita a um local por nós escolhido. Uns foram ao lago e alguns a Viena. Houve ainda quem fosse ao glaciar e quem optasse por visitar uma fabrica de chocolate. No final do dia, fomos recebidos pelo governador da Styria, província da qual Graz é capital. Acabámos a noite nos bares da cidade. Ao quinto dia houve torneio de futebol no qual nós, Portugueses, saímos vitoriosos! A malta do Porto joga bem, mas o nosso apoio deitados no relvado a beber foi fulcral. À noite comemoramos na residência os 25 anos de existência do ICPS. Finalmente no ultimo dia realizou-se a palestra do tão esperado John Ellis, físico muito conceituado que trabalha actualmente no CERN, ao qual metade das pessoas que estão a escrever este artigo foram assistir, a outra metade foi

comer kebabs para o centro de Graz e procurar cangurus. Depois da cerimónia de encerramento tirámos a habitual fotografia de todo o grupo que participou no ICPS, exceptuando aqueles que estavam a comer kebabs e à procura de cangurus, fazendo assim todos a sua parte. Após isto realizou-se a “Farewell Party”, a última e derradeira festa do ICPS, que encerrou uma semana única de convívio multi-cultural, de enorme enriquecimento interpessoal devido ao enorme número de pessoas que conhecemos e com os quais partilhámos experiências únicas. Na verdade, este texto acaba por ser pouco para descrever a verdadeira essência e experiência que é o ICPS. E assim terminou, com uma sensação de alegria por dias tão bem passados. Aconselhamos todos a participarem pelo menos um vez, pois é uma experiência única e indescritível. Até para o ano na Romenia! Até lá um grande abraço a todos aqueles que connosco lá estiveram! PS: Não há mesmo cangurus na Áustria.

João Nogueira Aluno de Eng. Física Pedro Silva Aluno de Eng. Física

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CCVRC
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Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho, a funcionar no Departamento de Física da Universidade de Coimbra como centro de recursos para o ensino e aprendizagem das escola de física para jovens dirigida a alunos do 11º e 12º anos de escolaridade, provenientes de todo o país. Após Ciência e ficção, este ano as palestras abordam temáticas fronteira da ciência. É bom registar na agenda já dia 28 de Janeiro de 2011 - Robótica, por Joaquim Norberto Pires; segue-se 25 de Fevereiro - Inteligência artificial, por Ernesto Costa; 29 de Abril – Clonagem por João Ramalho-Santos; em 20 de Maio Carlos Fiolhais falará sobre o Universo. A divulgação estará actualizada em www.rc.mocho.pt. Estes são eventos de entrada livre, tal como todos os que acontecem no Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho, e destinados a todos os públicos. Para aliciar ainda a mais leituras, em www. rc.mocho.pt encontram-se apontamentos vídeo sobre as actividades e, ainda, a rubrica “Escolhas de livros de Carlos Fiolhais”, que já conta com mais de uma dezena de propostas e estão a surgir num ritmo de dois por mês.

ciências e difusão da cultura científica, não só proporciona conteúdos ou permite obter informação sobre documentos através da página electrónica, www.rc.mocho.pt, mas também é um espaço aberto ao público de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, no rés-do-chão do Departamento de Física, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Numa visita pela página damos conta de que, na primeira quinta-feira do mês, pelas 18h, acontece o lançamento ou a apresentação dum livro, quando se espreita o evento Café, livros e ciência. As temáticas dão para todos os gostos, ou quase, desde “Ciência da treta” de Ben Goldacre, até “História da luz e das cores” de Luís Miguel Bernardo, passando por “Porquê Deus se temos a ciência?” organizado por Manuel Curado. Na verdade esta é uma actividade do Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho que poderá acontecer também no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra ou, de três em três meses, em Aveiro, na Fábrica Centro Ciência Viva, em virtude de se tratar duma parceria das três estruturas dedicadas à divulgação e promoção da ciência e da cultura científica e tecnológica. Na última sexta-feira de cada mês, pelas 21h15, voltam as palestras da escola Quark:

O Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho completou 2 anos de existência contando com a colaboração de uma equipa que lhe deu e dá corpo, muitos são alunos do Departamento de Física: aqui fica o brinde para todos os que colaboram ou vêm a este centro. Helena Rodrigues CCVRC

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jeKnowledge
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á mais de 700 anos que Coimbra tem vindo a formar na sua Universidade, a elite Portuguesa, sendo pela sua história e legado, uma das universidades com maior visibilidade no estrangeiro. tantemente os números do desemprego em Portugal e no Mundo, é necessária a renovação desta vontade de lutar pela inovação em Coimbra e em Portugal. Não deverá, e não poderá cair toda esta responsabilidade somente sobre a instituição. É necessária a intervenção Actualmente, uma das principais forças motri- estudantil para que desde o início se fomente zes desta demanda pela excelência e procura o espírito empreendedor e inovador dos estudo conhecimento é realizada na Faculdade de dantes da FCTUC. Deste modo pretende-se Ciências e Tecnologia (FCTUC). Estas quali- que a transição para o mundo do trabalho seja dades são amplamente reconhecidas pelo teci- imediata e sobretudo que os estudantes, quando empresarial e pela sociedade em geral. do deixarem de o ser, tenham na sua posse as ferramentas necessárias para avançar numa É expectável, assim, que um número conside- aventura empreendedora. rável de empresas bem sucedidas tenham as suas raízes nesta Universidade. É necessário A jeKnowledge pretende, deste modo, dotar continuar a fomentar o espirito empreende- os seus colaboradores destas ferramentas, e dor e a apoiar as novas ideias que são fruto da colocar-se em conjunto com a FCTUC e com formação na Universidade. É esta a premissa o IPN na linha da frente pela inovação e criasobre a qual o Instituto Pedro Nunes (IPN) as- ção de excelência em Coimbra. senta. A Universidade tem no IPN a mais bem sucedida incubadora de empresas em Portugal, sendo um caso de estudo no estrangeiro Rafael Jegundo pela sua elevada taxa de sucesso. Num momento em que se noticiam consAluno Eng. Física

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CEMDRX
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Centro de Estudos de Materiais por Difracção de Raios-X (CEMDRX) é um centro de investigação financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia que alberga cerca de 20 investigadores que utilizam a difracção de raios-X como técnica principal para estudos das propriedades de uma variada gama de materiais, dos semicondutores aos cristais orgânicos supramoleculares, incluindo também materiais nanoestruturados e outros desenhados para aplicações específicas em farmacologia, engenharia mecânica e noutros domínios. A difracção de raios-X é complementada com outras técnicas tais como a difracção de neutrões, radiação de sincrotrão, espectroscopia µSR, Mössbauer e Raman. Para além dos modernos meios experimentais de que o grupo dispõe no Departamento de Física, os investigadores do CEMDRX participam em experiências realizadas em grandes instrumentos que estão disponíveis em institutos de investigação europeus tais como o ESRF (radiação de sincrotrão), ILL (neutrões), PSI (µSR) e ISIS-RAL (µSR e neutrões). De entre os projectos actualmente em curso destacam-se os relacionados com o desenvolvimento de novos magnetes moleculares, materiais com propriedades ópticas não lineares, desenho de novas moléculas com propriedades anticancerígenas, materiais piezo e ferroeléctricos com aplicações na indústria electrónica, caracterização por RX das propriedades mecânicas de ligas metálicas de alto desempenho e desenvolvimento de novos materiais semicondutores, supercondutores e magnéticos. A investigação cobre não só aspectos de Física da Matéria Condensada, mas também de Ciências de Materiais, Química-Física e Física Aplicada, muitas vezes em contextos interdisciplinares, de que é exemplo um projecto recente da aplicação de técnicas espectroscópicas e de difracção no estudo de obras de arte e de preservação do património. Cabe também realçar as colaborações dos investigadores do CEMDRX com inúmeros grupos de investigação nacionais e estrangeiros e, em particular, a colaboração estreita com o grupo de Física da Matéria Condensada do Centro de Física Computacional do DF. José António Paixão Professor do Dep. Física

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Bolsa de Integração à Investigação oferece uma experiência bastante motivante e enriquecedora, servindo de complemento à formação académica. Permite um primeiro contacto com a vertente de investigação e todo um manancial de actividades que podem ser desenvolvidas a esse nível. Tomei conhecimento da existência dos projectos de investigação através do site www. eracareers.pt. Elaborei um Curriculum Vitae e uma carta de motivação de modo a poder concorrer de acordo com o regulamento, tendo sido seleccionado pelo CEMDRX (Centro de Estudos de Materiais por Difracção de Raios-X) e ficando sob a orientação do professor José António Paixão. O projecto tem a duração de 12 meses, tendo no final do mesmo de ser elaborado um relatório e de ser feita uma apresentação final.

O projecto de investigação em que estou a trabalhar tem como objectivo elaborar os cálculos ab-initio da conformação molecular e estrutura cristalina de polimorfos orgânicos. Os dados recolhidos poderão ser usados para testar a afinidade de moléculas, com posterior aplicação farmacológica/médica. Este projecto permite ainda um primeiro contacto com o modo de elaborar e publicar artigos científicos. A nível pessoal, a experiência está a revelar-se bastante gratificante, permitindo desenvolver o espírito crítico e constituindo uma mais valia curricular e profissional.

Carlos Pereira
Aluno de Eng. Biomédica

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LIP
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LIP é uma associação científica e técnica de utilidade pública que tem por objectivos a investigação no campo da Física Experimental de Altas Energias e da Instrumentação Associada. Os domínios de investigação do LIP têm crescido por forma a englobar a Física Experimental de Altas Energias eAstropartículas, Instrumentação de Detecção de Radiação,Aquisição de Dados e Processamento de Dados, ComputaçãoAvançada e aplicações em outros campos, em particular a Física Médica. As atividades de pesquisa principais do laboratório são desenvolvidas no âmbito de grande colaborações no CERN e em outras organizações internacionais e grandes infraestruturas dentro e fora da Europa, como o ESA, o SNOLAB, o GSI, a NASA e AUGER. O LIP é “um laboratório associado” avaliado como “Excelente” em três avaliações sucessivas pelos painéis internacionais.

É interessante observar como algumas experiencias nos fazem crescer. Esta pequena passagem pelo Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP) surgiu como uma oportunidade única, onde foi possível conhecer um outro lado da ciência.

me de igual modo evoluir a nível pessoal. Enquanto estudante, a gestão do tempo foi uma constante, sendo esta uma característica fulcral para o desenvolvimento da capacidade autodidacta.

Um aspecto também importante e por vezes O meu trabalho neste projecto consistiu na esquecido é ter bom senso e reconhecer os simulação de detectores de partículas e vários nossos erros quando é necessário. phantoms no âmbito da física médica. O importante a reter deste breve testemunho No começo, a incerteza era algo assente e a é para aqueles a quem as oportunidades bagagem curta para aquilo que me esperava. surjam, não as deixem escapar, não tenham As novas linguagens de programação, bem receio de encarar os desafios, pois são novas como determinados conceitos revelaram-se um oportunidades de seguir em frente. entrave. Longas foram as horas de programação e várias as vezes em que as coisas não se desenrolavam da melhor forma, fazendo com que um certo sentimento de incapacidade e até mesmo de angústia se instalassem. Contudo determinação, persistência, pesquisa e devida orientação foram fundamentais para a conclusão de cada etapa que me fora proposta. Esta experiencia, enquanto bolseiro, permitiu“Dez mil dificuldades não constituem uma dúvida”

Mario Ribeiro
Aluno de Eng. Biomédica

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Um mês em África...
O
pelouro da Intervenção Cívica visa promover a necessidade de todos dedicarem alguns dos momentos livres aos outros. Na verdade, o voluntario é definido como o jovem ou o adulto que, devido a seu interesse pessoal e ao seu espírito cívico, dedica parte do seu tempo, sem remuneração alguma, a diversas formas de actividades, organizadas ou não, de bem estar social, ou outros campos… Lembro-me que quando me foram buscar ao aeroporto, enquanto ia no jipe do grupo pela cidade de São Tomé em direcção a Neves (localidade onde o meu grupo ficou) só pensava “Bem… Isto é mesmo pobre… A televisão realmente não exagera…” Mas como tinha sido preparada e tinha tido formações pensei: “Ok calma, eu estou preparada para isto.”… Mas á medida que avançámos naquelas horas de caminho e saíamos da cidade, as casas em ruínas No contexto da sua estadia no arquipélago de que eu achava más começaram a ser substituSão Tomé e Príncipe nas férias passadas, o ídas por barracas com tábuas e chapas a fazer Antimatéria pediu à Ana Margarida (3º ano de de tecto, deixou de haver estrada com buracos Engenharia Biomédica) que nos falasse da sua e passou a haver só um caminho de terra batida experiência no continente Africano. e pedras que mal nos deixavam passar, começaram a aparecer crianças na berma das ruas a Como surgiu a oportunidade desta experiência? Bem, eu faço parte do FAS (Farol de Acção Social) em Espinho há 5 anos, fazemos actividades com crianças, idosos e pessoas com necessidades educativas especiais… Desde sempre tivemos o sonho de ter uma missão no continente africano, mas como sabem nem sempre é fácil… Em primeiro lugar é preciso formação, disponibilidade, financiamento, etc. Este ano, a convite de um grupo de Carregosa (perto de Oliveira de Azeméis), que já tinha projecto em São Tomé há uns anos, surgiu a oportunidade de 5 de nós integrarmos a missão com eles. Fizemos formação e selecção de pessoas e tive a sorte de ser uma das 5 que a ter esta oportunidade. Apesar de sermos só 5 a ir, o grupo e a cidade uniram-se todos para que isto fosse possível. E não teria sido não fossem os patrocínios, formadores e apoios que tivemos. Qual foi o primeiro impacto? Nem sei dizer bem qual foi o primeiro impacto porque cada vez que achamos que não vamos ver nada pior, aparece algo que nos deixa boquiabertos… Daí as missões terem tempo mínimo de estadia de um mês porque, na realidade, isso é o mínimo que podemos ter para nos adaptarmos e fazer qualquer coisa lá…

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pedir coisas, idosos moribundos sentados no chão, animais á solta por todo o lado… Aí posso admitir que comecei a tremer por dentro e dei por mim a pensar: “Eu não fui preparada para isto…” e só olhávamos uns para os outros completamente aterrorizados e aí sim pude

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dizer “A televisão realmente não exagera… A que trabalhar sem ela..” E assim foi… Embotelevisão simplesmente não mostra um terço da ra acredite que nem todos conseguissem reagir miséria que isto é…”. bem a uma missão deste género, acredito que se todos se vissem numa situação destas perceAchas que se todos os cidadãos tivessem tido beriam como somos insignificantes e, acima de a tua oportunidade, a nossa sociedade seria tudo, perceberiam como a felicidade pode estar diferente? Porquê? nas pequenas coisas e na simplicidade de não ter nada. Posso afirmar que recebi muito mais Tenho a certeza que sim… Costumo dizer que do que aquilo que dei. Fui lá para ensinar, mas lá levamos uma grande sova psicológica que quem aprendeu fui eu. Acima de tudo aprendi nos vira completamente do avesso. Lá tudo que não sei nada e que se não fosse a ajuda de aquilo que somos e achamos rotineiro é absolu- muitas das pessoas que lá encontrei eu nunca tamente anormal e ridículo. Os hábitos são ou- teria sobrevivido durante aquele mês. Aprendi tros, a educação, a natureza… Tudo é diferen- que a nossa arrogância e certeza de que vamos te. No primeiro dia que cheguei, um rapaz que para lá mudar o mundo são fruto da nossa inestava em missão lá há um ano foi nos receber, genuidade, pois na realidade nós vamos lá e só queremos agradecer por tudo o que temos…E chegamos cá…e de repente quem não se conforma com o que vê e ouve aqui somos nós…e descobrimos que estaríamos tão melhor se não houvesse tanta coisa que há aqui... E sim, a sociedade seria diferente. Arrisco dizer que seria melhor. Quais os três acontecimentos que mais te marcaram? Como disse, foi um mês repleto de “acontecimentos” e coisas que me marcaram… Cada dia em São Tomé é uma luta… Houve várias situações que me marcaram… Uma delas foi no fim da primeira semana que cheguei… Foi no fim desta semana que nos começaram a aceitar como amigos… Antes disso há sempre alguma desconfiança. O povo São Tomense é um povo revoltado, não gostam de turistas brancos que lá vão tirar fotografias e dar doces aos miúdos e ao fim do dia regressam ao conforto do seu hotel. Quando perceberam que lá estávamos a viver como eles e com as mesmas condições começaram a deixar de nos chamar “brancos” e a chamar-nos amigos. Uma das situações que me marcou foi quando estava com um aluno a ler um texto… Era perto do meio-dia e a ultima vez que eu tinha comido tinha sido um pão ás 6 da manhã… Enquanto estava a ler com ele comecei a sentir-me fraca e tive que me sentar,

lembro-me que lhe disse “Onde é que posso tomar um banho? Não vou conseguir começar a trabalhar sem despertar com um bocado de agua fria…” Ele riu-se e disse-me “Margarida não há agua há 6 dias e sim tu vais conseguir trabalhar sem ela porque simplesmente TENS

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o miúdo percebeu e disse-me “Margarida tens fome não tens? Eu vou apanhar uma banana e divido contigo…” e assim foi, dividimos e em tom de desabafo saiu-me algo como “Obrigada…Estava mesmo com fome, já não comia desde as 6…” o miúdo olhou para mim e disse “Ah… Eu também não comia desde o meio dia de ontem…” Posso dizer que foi um dos momentos que me senti mais ridícula e lembro-me que a custo evitei chorar á frente dele e disse “Desculpa...” mas o miúdo só sorriu e foi-me buscar mais fruta…E esse sorriso aparece á minha frente cada vez que aqui me queixo ou

houve uma noite aqui em que eu adormecesse sem ver o rosto dela á minha frente. Podia escrever paginas e paginas de marcas que São Tomé me deixou… A sensação que tinha quando passava na rua e chamavam o meu nome, só para me dizer adeus ou apresentar-me um filho, um neto, um irmão… Não há nada que consiga descrever o que é fazer parte duma comunidade daquelas, festejar com eles, cantar com eles e trabalhar com eles. Não é possível enumerar momentos porque cada minuto foi um momento único, cada sorriso uma dádiva que me deixou marcas para sempre. Quais são as principais ajudas que São Tomé e Príncipe necessita?

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O grande problema de África é ter ajudas erradas a mais… E passo a explicar, ali há a mentalidade de que tudo aparece… Se não há comida alguém a leva, se não há roupa alguém a leva… Do que eles precisam é de formação, de método… De pessoas que lhes mostrem valores de amizade, de trabalho e de esforço… Há uma grande desorganização social que acaba por levar á pobreza e miséria. Por isso diria que além de alimentos, o que eles precisam mais é ouço alguém queixar-se do que quer que seja… de formadores, de amigos e de pessoas que os Outra das situações difíceis para mim foi a vi- incentivem e acreditem neles. sita que fazia aos idosos que estavam abandonados no meio da floresta em barracas… Um Voltavas a ser voluntária em São Tomé? dia fui levar umas roupas a uma senhora que estava doente. Quando lá cheguei, ela disse- Nem sequer ponho em questão não voltar! -me que não queria as roupas pois em breve ia morrer e pediu-me ajuda…Senti-me impotente, Em três palavras, qual seria a definição desta estava numa barraca minúscula sem luz, com aventura? uma senhora deitada num estrado a pedir-me ajuda e eu não tinha absolutamente nada que Definir esta aventura assim é impossível… Mas a pudesse ajudar…Perguntei-lhe o que podia quando penso no mês que tive só me lembro fazer…Ela disse-me “Há 30 anos que não sei duma palavra “Obrigada.” Pelo que tenho aqui, o que é ter um familiar que goste de mim…”e pelo que sou aqui e pelo que recebi lá... eu fiquei ali, perto de 2 horas a falar com ela, não fiz absolutamente nada, só lhe dei a mão Ana Cortez e contei-lhe episódios da minha vida enquanto ela se ria como se fossem dela… Já regressei Aluna de Eng. Biomédica de São Tomé há mais de um mês e ainda não Novembro 2010 :: Anti-Matéria

Mestrado em Psicoacústica
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ara além dos demais, um dos grandes objectivo do NEDF passa por manter os Estudantes do Departamento de Física informados das variadas possibilidades e oportunidades existentes no mundo universitário, de forma a poderem dar o melhor seguimento à sua carreira académica, de acordo com aquilo que são os seus objectivos pessoais e profissionais. Dessa forma, surge neste espaço a divulgação de um novo Mestrado, que poderá ser deveras interessante, principalmente para os alunos de Engenharia Física e Biomédica. grande potencial de crescimento; o mercado das empresas de próteses auditivas encontra-se em franca expansão, bem como a constituição de equipas hospitalares dedicadas a implantes cocleares. - da investigação e desenvolvimento, ao abrir portas no desenvolvimento de instrumentação auditiva, uma área igualmente florescente no âmbito da investigação nacional e europeia, tanto no meio empresarial, como institucional.

Por fim, para quem já trabalha ou não mora em Qual é o objectivo deste mestrado, e o que é Coimbra, a componente curricular do mestrado a Psicoacústica? apresenta a grande vantagem de se realizar em horário pós-laboral, condensado às sextas-feiras O ciclo de estudos conducente ao grau de Mes- e sábados. tre em Psicoacústica criado pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra é Como e quando é que se realizam as candidauma oferta única, que responde directamente à turas? Há mais informação disponível? necessidade de formação específica em Psicoacústica existente presentemente em Portugal. As candidaturas destinam-se a quem possua uma licenciatura em ciência, engenharia ou saúA Psicoacústica é uma área multi-disciplinar, de, e encontram-se abertas até ao próximo dia que conjuga a Biologia, a Física, a Engenharia 22 de Outubro. Para realizar a candidatura e obe a Audiologia no estudo da percepção auditi- ter mais informações, por favor consulte o site va e no desenvolvimento de instrumentação de da ESTeSC dedicado a este mestrado, apoio auditivo e não só. A Psicoacústica é responsável por imensas coisas que influenciam http://www.estescoimbra.pt/cursos/curso/id/35/ directamente a nossa qualidade de vida, desde idioma/PT/ as próteses auditivas e os implantes cocleares, até ao formato mp3. ou, em alternativa, contacte o coordenador do ciclo de estudos: No final do curso, os alunos terão um conhecimento profundo sobre a percepção auditiva, a João Piroto forma como esta é explicada do ponto de vista Escola Superior de Tecnologia da Saúde de físico e biológico, e as técnicas e mecanismos Coimbra, Instituto Politécnico de Coimbra instrumentais utilizados para manipular e opti- t. +351 239 802 430 mizar essa percepção. Um mestre em Psicoa- f. +351 239 813 395 cústica será assim comparável a um “engenhei- e. piroto@estescoimbra.pt ro da audição”. Há vantagens efectivas em realizar este mestrado? Sim, particularmente em termos de mercado de trabalho nas áreas: - da saúde, onde a Psicoacústica apresenta um David Bento Aluno de Eng. Biomédica

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Saídas Profissionais DG/AAC
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Gabinete das Saídas Profissionais (GSP) tem como principal papel auxiliar o recém-licenciado a ingressar no mercado de trabalho. Para tal promove não só o recrutamento através de sessões com diversas empresas regionais e internacionais, mas também possibilita um enriquecimento profissional dos sócios da Associação Académica de Coimbra através de palestras, workshops e cursos. O GSP possui ainda bastantes parcerias com bastantes entidades de modo a oferecer oportunidades únicas aos seus associados. Convidamos assim todos os estudantes a conhecer estas parcerias e a visitar o GSP para esclarecer quaisquer dúvidas existentes.

Sérgio Pinto Aluno de Eng. Biomédica Novembro 2010 :: Anti-Matéria

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Música
My Bloody Valentine – loVeless

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ormados no início da década de 80, os irlandeses My Bloody Valentine são considerados uns dos pioneiros do shoegazing, estilo musical resultante de uma fusão (teoricamente improvável) do alternativo com o rock pós – moderno, e que começou a dar os primeiros passos no final da mesma década. É um estilo caracterizado pelo uso (por vezes extremo) da distorção e dos efeitos da pedaleira, de modo a criar paredes sonoras que têm tanto de belo como de caótico. Embora não fosse tão marcante no mainstream como o grunge, estilo musical que partilha o início da década de 90 com o shoegazing, é um estilo que ainda hoje é influência para muitas bandas que estão a dar os primeiros passos (um bom exemplo são os excelentes The Pains Of Being Pure At Heart). Loveless é um álbum que data de 1991, e foi repleto de intermitências na sua gravação e lançamento, principalmente devido à falta de apoios e de orçamento. É antes de mais, um álbum que caracteriza na perfeição o shoegaze e os sentimentos que este estilo evoca. Contudo, acaba por ser muito mais que isso, no meio de uma aparente desorganização pseudo – masoquista durante a primeira, talvez segunda e até terceira audição. “Only Shallow” é um exemplo flagrante, pelo modo como os instrumentos entram em conflito com vozes suaves mas obscuras, criando um ambiente sonoro caoticamente belo. Algo que se repete ao longo do disco de uma forma consistente, com elevada nota artística e sem autorização para desligar o botão da distorção (“Loomer”, “Come In Alone”, “What You Want”). Já “I Only Said”, a peça central de Lo-

veless, é um momento único, inovador e quase hipnótico com o decorrer da música. “Blown A Wish” e “To Here Knows When” são baladas fora do contexto e que conseguem ser assustadoramente arrepiantes. “Sometimes” (quem

já viu o Lost In Translation vai-se lembrar!) é o momento mais cheesy do álbum, sem deixar de ser brilhante. “Soon” acaba em grande, num loop de bateria “ridículo” e que esconde o romantismo dentro da guitarra em chamas. Nem teria sentido se assim não fosse.

João Borba Aluno de Eng. Biomédica

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Jazz
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jovem saxofonista e compositor Steve Lehman tem dado que falar. Considerado sucessivamente pelo painel de críticos da revista de Jazz “Downbeat” como “rising star” em todas as votações anuais que ocorreram desde 2006, Steve Lehman tem conseguido surpreender-nos com a qualidade e carácter inovador dos seus trabalhos, sendo justamente reconhecido como uma das vozes mais originais da actual música improvisada. Em 2009 lança um trabalho que foi considerado um dos melhores álbuns de Jazz do ano, com o curioso título “Travail, Transformation and Flow” (Pi recordings). Nele, um octeto dirigido por Lehman interpreta um conjunto de originais de “música espectral”, onde a física do som tem um papel predominante. Recorrendo a sofisticada instrumentação e técnicas de análise de sinal (FFTs), o jovem músico (que tem formação académica e sabe física e matemática) harmoniza as suas

composições tendo em conta não apenas o tom fundamental tocado pelos instrumentos mas também os seus harmónicos. Assim, os harmónicos superiores de uma nota tocada pelo trompete podem reforçar, fundindo-se, com os da tuba ou do vibrafone, conferindo um colorido muito particular à música. Se isto parece muito técnico, não deixa de ser verdade que a música “espectral” de “Travail, transformation and flow” com as suas harmonias microtonais subtis não deixa de nos surpreender pela sua vivacidade e carácter “orgânico”. Steve Lehman já actuou por diversas vezes em Portugal, tendo até registado em Coimbra duas actuações no festival Jazz ao Centro, editadas pela label portuguesa, de projecção mundial, “Clean Feed”. A mesma editora lançou este ano um registo verdadeiramente empolgante da actuação Steve Lehman com um outro grande saxofonista, Rudresh Mahanthappa, de título “Dual Identity”. A não perder! José António Paixão Professor do Dep. Física

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Furo Jornalístico
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uem casa… Agora trabalho. Na verdade estou a estagiar, é tipo um trabalho só que em vez de receber pago propinas. De qualquer maneira a minha vida de estudante tradicional acabou, para mal dos meus pecados. Crises existenciais à parte, agora que tenho um horário laboral decidi procurar casa. Uma coisa calminha e confortável, que me permita dormir sossegado evitando aquelas noites típicas de um estudante que acorda ao lado de 30 cervejas, um sinal de trânsito, e um texugo meio morto. Tudo isto para vos revelar a minha teoria: Todos os senhorios em Coimbra são loucos. É um pré-requisito. Quem nunca entrou numa casa daquelas cheias de bibelots, crucifixos e imagens de santos por todo o lado!? Aparentemente estes crentes apesar de viverem a vida pelas regras do cristianismo acham que Deus não se importa que eles aluguem um quarto por uma exorbitância que tem a insignificante peculiaridade de em vez de mesinha de cabeceira ter uma sanita. Se virmos bem até é útil. Com o tampo fechado cumpre as funções perfeitamente, e quando o abrimos, surpresa! Abre-se toda uma nova panóplia funcional. A meio desta minha jornada épica, estava a tirar aqueles papelinhos dos sinais de trânsito quando reparei no seguinte anúncio: “Alugam-se quartos a estudantes, preferencialmente madeirenses.” Olha o esquisito! Depois venham-me falar de crise, quer alugar um quarto e ainda se arma em picuinhas. A única desculpa que vejo é que queria alguém que entendesse o seu dialecto. E depois, que raio é “preferencialmente”? É como um vegetariano “preferir” uma saladinha, mas se vier um bife ele “mama-o” na mesma. Analisando isto mais ao pormenor, quão caprichosa pode uma pessoa ser? “Alugam-se quartos a estudantes, preferencialmente a Vietcongs leprosos que gostem de passeios na praia e de cangurus. E botas. Da tropa. Verdes. Com aquele camuflado, mas sem ser aquele branco e cinzento, porque esse é para a neve e eu não gosto de neve. Agora que me lembro, preferencialmente o estudante deve não gostar de neve. Quem gosta de neve não pode ser boa pessoa. Boas pessoas são os madeirenses!”. Alexandre Sousa Aluno de Eng. Biomédica

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Ficha Técnica

PASSATEMPO:

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Redactores: Manuel Fiolhais, Nuno Lopes, Carlos Henriques, Manuel Barata, Mariana Santos, André Santos, João Nogueira, Pedro Silva, Samuel Marques, Marta Henriques, Rafael Jegundo, José António Paixão, Carlos Pereira, Mário Ribeiro, Ana Cortez, David Bento, Sergio Pinto, João Borba, Alexandre Sousa. Grafismo e Paginação: Vítor Alves, Rui Venâncio. Produção: Pelouro da Informática/ Divulgação do NEDF/AAC - Vítor Alves, Rui Venâncio, João Borba. Revisão: João Borba, Ana Margarida Matos, Nuno Lopes, Vítor Alves. Propriedade: NEDF/AAC Email: divulgacao_informatica@nedf.org, geral@nedf.org Sede: Rua Larga, Departamento de Física, Sala B13, 3004-516 Coimbra Novembro 2010 :: Anti-Matéria