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ANÁLISE DA CEIA DE CRISTO - CONFISSÃO DE 1528

Introdução Histórica
A posição luterana sobre a Santa Ceia teve início em 1520, quando Lutero publicou o escrito Do Cativeiro Babilônico da Igreja, confrontando o dogma romano. Mas, muitos adeptos da Reforma não compartilharam da mesma opinião. O primeiro a propor sua interpretação simbólica da presença real do corpo e sangue de Cristo foi Honius, simpatizante da Reforma, que influenciou Zwínglio em 1524. Mas Lutero já havia rejeitado esta intepretação em Wittenberg, no ano de 1521. A defesa da presença real por parte de Lutero teve que se acentuar por causa dos diversos seguidores desta concepção simbólica, espalhados pelas cidades do sul e sudoeste da Alemanha. Estes teólogos foram chamados por Lutero de Schwärmer, sendo pessoas com pensamentos teológicos desconexos e confussos; que estavam inclinados a fugir da realidade e representavam um perigo para os demais cristãos. A questão da Santa Ceia foi o mais longo e mais grave dos conflitos que eclodiram entre os seguidores da Reforma. Desde 1524/25 até o fim de sua vida, Lutero voltou a ocupar-se com esta questão. Ao longo da controvérsia, rompeu-se a unidade do protestantismo, que jamais foi possível reestabelecer. Os principais personagens da controvérsia foram: no lado dos defensores da interpretação simbólica André Karlstadt, os reformadores suíços Ulrico Zwínglio, em Zurique, e João Ecolampádio, em Basiléia, e o teólogo leigo Gaspar Schwenkfeld, na Silésia (Alemanha); do lado luterano: por Lutero, João Bugenhagen e João Brenz. Entre os vários escritos que surgiram nesta questão, destacam-se: de Karlstadt, em 1524, cinco tratados sobre a Ceia, entre eles Contra a missa papista antiga e nova e Diálogo ou livrinho de conversação sobre o abuso horrível e idólatra do digníssimo Sacramento de Jesus Cristo. Lutero respondeu em dezembro de 1524 com a Carta aos cristãos de Estraburgo contra o espírito fanático (WA 15, 391-397) e com o escrito Contra os profetas Celestias, sobre as imagens e o sacramento (WA 18, 62-214). Zwínglio começou a se pronunciar sobre o assunto numa carta em 1524 ao pregador Mateus Alber em Reutlingen (Alemanha) e nos escritos Debate amigável, isto é, exposição do assunto da Santa Ceia, para Martinho Lutero e Resposta cordial e recusa da pregação de Lutero contra os fanáticos, ambos de março de 1527. Na primeira obra, Zwínglio parte de João 6 para caracterizar sua concepção da presença simbólica de Cristo. Toda sua cristologia baseia-se na figura alloesis (uma maneira de falar em que atribuímos a uma natureza as qualidades da outra). A ênfase mais positiva de Zwínglio é que a fé é a apropriação verdadeira de Cristo, um comer carnal de Cristo no sacramento não adiciona algo, mas corrompe a pureza da fé. Uma mental ou espiritual presença de Cristo no sacramento é a única que pode ser afirmada. Por isso, Lutero está errado, pois enfatiza: 1. Que o corpo de Cristo, comido naturalmente no sacramento, é contrário à fé; 2. Que ele perdoa pecados; 3. Que o corpo de Cristo está presente naturalmente quando são recitadas as palavras da instituição; 4. Que o evangelho é apropriado pelo que recebe, e o corpo e sangue de Cristo estão juntos do evangelho. Com essa interpretação e correção por parte de Zwínglio, queria agir amigavelmente para com Lutero, a fim de convidá-lo para formarem um fronte comum contra o romanismo. E Lutero não pôde se calar frente às barbárias da interpretação de Zwínglio. Enquanto isto, Ecolampádio defendeu sua posição em 1525 no escrito Sobre a explicação autêntica das palavras do Senhor: Isto é o meu corpo; em 1525/26 no Anti-escrito; e, em 1526, na Resposta adequada ao relato do Dr. Martinho Lutero referente ao Sacramento.

e. e usa João 6. Lutero também estava preparando a tradução dos profetas do Antigo Testamento.Confissão (Wa 26. a Universidade havia sido transferida para Jena. 3. Ecolampádio defendeu a presença sacramental de Cristo pela fé. Zwínglio consegue enumerar seis novos erros na interpretação luterana: 1. o escrito Sobre o início da revelação salutar do entendimento correto das palavras da Ceia do Senhor e publicou a Confutação da impanação e da transubstanciação. Diálogo. em março de 1527. Que Cristo nos convida a encontrá-lo neste sacramento. em 1525.63 para caracterizar que a presença real na Ceia é um absurdo. o Escrito Suevo. 6. Além disso. em 1529. Em resposta a Lutero. comido espiritualmente. mas foi convencido e realizou-se em outubro de 29. resposta de Ulrico Zwínglio. uma conversação amigável. sob o ponto de vista sistemático.. que faleceu em agosto de 1528. 482-513) e. Martinho Lutero não pode ser sustentado pelas palavras eternamente firmes: ‘Isto é o meu corpo’. Ecolampádio e Schwenckfeld . Que o corpo de Cristo está em qualquer lugar. a segunda resposta adequada de João Ecolampádio e Zwínglio Que as palavras de Jesus Cristo: ‘Isto é o meu corpo que é dado por vós’ terão o antigo sentido inequívico e Martinho Lutero com seu último livro de maneira alguma ensinou nem comprovou o sentido defendido por ele e o papa. entre os escritos sobre a Santa Ceia. Zwínglio e Ecolampádio escreveram Sobre o livro do Dr. o mais acabado. O escrito de Lutero Ceia de Cristo . com base na Escritura. 64-283). foi publicada separadamente. contra os fanáticos (WA 19.Schwenckfel. Martinnho Lutero ‘Confissão’. Esta obra surgiu em meio a um grave problema de saúde de Lutero. O Colóquio de Marburgo foi convocado por Filipe de Hesse.261509). Que o corpo de Cristo. de João Ecolampádio e Ulrico Zwínglio. 2. apresenta. Esboço do Cristo e Significado Histórico e Teológico Parte 1 . comido espiritualmente. A Confissão. Lutero também se pronunciou sobre o assunto nas prédicas da Semana Santa de 1526. com sua divindade. que está à direita de Deus. Bugenhagen escreveu em 1525 a Carta aberta contra o novo erro no sacramento do corpo e sangue de nosso Senhor Jesus Cristo e Bren. o escrito Que estas palavras de Cristo: ‘Isto é o meu corpo’. Que o corpo de Cristo. Em todo caso. Que o corpo de Cristo é um corpo espiritual. ainda continuam firmes contra os espíritos fanáticos (WA 23. concentrando-se na ascensão de Cristo. Descrevendo longamente os princípios escriturísticos das duas naturezas de Cristo. perdoa pecados. isso é. em 1525. em 10 de dezembro nasceu sua filha Elisabete. até se pronunciar no Colóquio de Marburgo. com prefácios de Lutero. Em fins de julho. 4. o Eleitor estava requerendo a assitência de Lutero na visitação às igrejas da Saxônia. juntamente com seu amigo humanista Valentim Krautwald. em dezembro. a terceira parte do escrito. Lutero não queria o colóquio. duas respostas. sob influência de Bucer. Lutero não mais respondeu. Martinho Bucer publicou em junho a Comparação entre a posição do Dr. Zwínglio rebata os argumentos de Lutero. etc. escreveu A Cerca do Rebatismo. sendo reeditada várias vezes.Confissão foi impresso em Wittenberg em fins de fevereiro de 1528. Ecolampádio respondeu a este último escrito de Lutero com Que o entendimento errado do Dr. Dá-nos a fé. pensando até que seria seu último escrito. Lutero e a contraposição quanto à Ceia de Cristo. Teve que tratar de um problema entre Agrícola e Melanchthon e. Outras situações da época: em Wittenberg havia uma peste. publicadas como Sermão sobre o Sacramento do corpo e sangue de Cristo.A resposta de Lutero a Zwínglio. A resposta de Lutero vem com o escrito Da Ceia de Senhor . Da parte luterana. seria sua última tomada de posição nesta controvérsia e teria sua confissão de fé como forma de testamento. ainda. sustenta nosso corpo até a ressurreição. 5.

12 5. sendo que Cristo já se deu por nós na cruz e não faria isso sempre de novo na Ceia. p.1. 231. .8 Esta conclusão de Zwínglio é centrada no princípio de que a interpretação da Escritura Sagrada é avaliar uma passagem pela outra.19..17. assim.13 6. 238.14 1 As citações de Lutero são tiradas da versão portuguesa: Da Santa Ceia de Cristo .11. Lutero acusa seus adversários e cita que Karsladt diz que ‘touto’ estava indicando para o corpo sentado e que Zwínglio afirma que se refere ao pão. enquanto que a posição de Karlstadt não é bem definida. Ef 3. A interpretação dos adversários não é literal e Lutero acusa-os de levarem em consideração a arte da linguagem. 2. a gramática e o tracadilho (tropo) com palavras.9 Lutero justifica sua interpretação com a claridade do texto.1 Com isso. derrubando o argumento zwíngliano.5 Lutero ezemplifica diversas maneiras como se podem criar neologismos a partir de uma palavra. 228. Para Lutero.7 3. Cl 3. todas as palavras da Ceia são palavra-ação ou palavras-mandamentos. já que o imperativo nos leva a praticar algo do passado descrito na história da Ceia.1. que fala por si só. A acusação de que a interpretação de Lutero contrariava a fé. deixando de lado a expressão “. 12 p. 236.Confissão in Obras Selecionadas IV. Zwínglio define que “é” quer dizer “significa” e Ecolampádio diz que simplesmente significa “é”2. Dessa maneira é mister que haja mentiras e diabruras no assunto e nenhum espírito bom”. Zwínglio acusou Lutero de dar forte ênfase às palavras “isto é o meu corpo”.10 4.) Lutero reexamina exegeticamente. 229. e nenhum concorda com o outro em sua interpretação. 10 p. 6 p. 4 p. 226 ss. 7 p.3 Como não conseguem chegar a uma posição comum. 246-248. pois Zwínglio não conseguia entender que se pode ingerir o corpo de Cristo fisicamente. que caracteriza uma presença visível de Cristo na Santa Ceia. 226. descaracterizando. Lutero conclui que seus adversários não podem “chamar nossa intepretação e texto constantemente de errados”.. Utilizou diversos textos para provar que Cristo não está presente neste mundo. requer deles uma posição. a presença real na Ceia. 245. Algumas passagens (Jo 17. 5 p. etc. 14 p. a palavra “é” passaria a equivalar a “significa”. Lutero tinha sido solicitado a caracterizar o “é”. 13 p. Zwínglio caracteriza que não há presença real de Cristo. Como Cristo não está presente visivelmente. Lutero explica que Zwínglio não consegue entender que o mérito de Cristo e a distribuição do mérito são duas coisas bem distintas e as mistura como um porco imundo.4 Como seus inimigos o acusam. Zwínglio argumentou com passagens bíblicas contra Lutero. 9 p. 2 p. 248-254.6 Por isso. 3 p. 234. Ecolampádio pode interpretar metaforicamente “meu corpo” como “sinal de meu corpo”. Em outra questão. 237. Os adversários dividiram as palavras da Santa Ceia em dois tipos: imperativos e descrições. 231-234. “Os fanáticos têm cerca de dez diferentes interpretações das palavras da Santa Ceia. sendo que alguns adversários intepretavam como “significa”. dado a favor de vós”. já que o Espírito Santo não apenas derruba mas constrói e não é essa a situação.11 que dependem de Cristo e não da fé do oficiante. 11 p. 239. Mc 16. Com esta divisão. 8 p.

287. Isto se percebe quando responde à questão de que Cristo está sentado à direita de Deus. O quarto. quando ocupava e preenchia espaço de acordo com sua estatura. 10. conclue que Jesus fala em Jo 6 “do comer de sua carne e depois trata da diferença entre os discípulos que ouvem esse ensinamento. As idéias de Schwenkfeld e Krautwald. podendo decidir se o deixa ser de pão. 19 p. Que a impanação é contrária à palavra oral. O problema do finito e do infinito. 17 FC. tem que admitir um tipo de corpo de Cristo na Santa Ceia. A impanação seria contrária à fé cristã. Lutero explica o argumento: “Meu corpo que é dado por vós é isto” . DS VII. considerando que a palavra não pode se 15 16 p. . verdadeiro e completo numa só pessoa. inseparável e indivisível. Então. 3. Lutero respondeu a esta questão afirmando que em Cristo ambas as naturezas estão presentes. A impanação do corpo de Cristo seria contrária à Escritura. após longa exegese.18 Através destas asserções. E demonstra seus erros: 1. A exegese de Jo 6. 261-262. Lutero faz uso da sinédoque. descreve as possibilidades de se estar presente: local ou circunscriptiva.16 Esta argumentação toda é para descaracterizar o pensamento filosófico de Zwínglio. A alleosis de Zwínglio. De maneira divina e celestial. pois existe o “é” que caracteriza a presença real de Cristo. Lutero. 262-263. Para explicar a presença de Cristo ao mesmo tempo na Ceia e à mão direita do Pai. 21 p. De maneira espiritual. explicando que comemos o corpo de Cristo quando cremos que foi morto em favor de nós.33 para caracterizar o comer espiritual. ilocal e repleta. O outro é que a direita de Deus está em toda parte. a fim de caracterizar sua tese espiritualmente do comer e beber na ceia. Lutero caracteriza este tropo de “sinalismo”22. aquela na qual não ocupa nem cede espaço. Zwínglio analisa os textos da instituição da ceia a partir de Jo 6. no qual é uma só pessoa com Deus. onde se expressa o recipiente em vez de seu conteúdo. A alguns considera carnais. Lutero caracteriza sua doutrina da ubiqüidade do corpo glorificado de Cristo. 258-262. usando as assertivas filosóficas. A exegese é contrária a todas as outras. eles a colocam no fim e querem que tenha o significado de um “alimento espiritual”. A contestação de Ecolampádio.15 Argumentando de acordo com os sofistas escolásticos. e pronuncia a sentença: a carne para nada aproveita. de cerâmica ou de pedra. que Deus tem muitas maneiras de estar em algum lugar e não somente aquela uma. Zwínglio utilizou Jo 6.21 9. Em outras palavras: comer e beber nada aqui significam além de crer. O estar à direita de Deus era apaenas uma forma de falar em que se atribui a uma natureza as qualidades da outra (a alloiosis). Para resolver o problema. 3. especialmente. pois a fé precisa de um objeto espiritual. 23 p. 279-286. do modo como andar fisicamente pelo mundo. 292. De maneira apreensível e corporal. 20 p. o espírito é que dá a vida”. 18 p.19 8. sobre a qual deliram os fanáticos e a qual os filósofos chamam de local”. A cristologia de Zwínglio era muito limitada. que não entendeu a comunicação entre as duas naturezas de Cristo ( a communicatio idiomatum). Mas. 93-103. 2. comparando-o a Zwínglio e Karlstadt.23 Esta conclusão é devido a essência e ao significado do pão. são as mesmas que a Fórmula de Concórdia adotou:17 “O primeiro é este artigo de fé: Jesus Cristo é Deus e homem essencial. sendo o pão natural. O terceiro é que a palavra de Deus não é enganosa e Deus não mente. Para ele. mas atravessa todas as criaturas (quando ele saiu do túmulo). argumenta que Cristo está presente: 1. p. natural. Lutero argumenta que Ecomlampário deveria usar duas expressões sobre a Ceia: uma que fala da essência. a outra.7. 247. 2. a outros espirituais. de madeira.20 onde analisa textos paralelos. Parte diretamente para a análise espiritual. 294. Ecolampádio desenvolveu um tropo no qual conclui que a palavra “corpo” significava “sinal do corpo” ou “sua semelhança”. 4. as razões teológicas.enquanto que os evangelistas e Paulo colocam a palavra “isto” na frente. 22 p. que considera essenciais.

são “o principal”. 325. com a análise bíblica detalhada. descaracterizando as interpretações do significatismo de Zwínglio e do sinalismo de Ecolampádio.A Confissão de Lutero 24 25 p.31 Através do entendimento desta realidade sacramental bíblica. 26 p. o pão e o corpo. Vês que as palavras da Santa Ceia nos oferecem e dão tudo isso.29 Com a análise literal dos evangelistas e de Paulo. Pois isso. dizendo que a palavrinha ‘isto’ estaria se referindo ao pão e não ao corpo. Lutero apresenta sua interpretação. A predicação idêntica defende que “no sacramento não resta essencialmente pão. Lutero analisa cada texto em si e os compara. 321. que é muito usada na Escritura.ligar ao pão. 5. 27 p.24 11. contesta: ele fica com o pão e abandona o corpo. 354-367. 319-320. 30 p. 1 Co 11. mas apenas forma”. que nas obras e palavras de Deus é preciso que toda a razão e inteligência fiquem aprisionados e que quando nos damos por vencidos e confessamos que não compreendemos sua palavra e obra. opino que duas essências diferentes sejam e possam ser chamadas uma coisa só. Lutero caracteriza que no sacramento existe dois elementos. como ele nos prescreveu que falássemos e nos permite falar. visto que o texto diz: ‘Isto é o meu corpo’. está em jogo nossa salvação eterna: as palavras unem o corpo e o cálice. a nova aliança compreende vida eterna e bem-aventurança. 326.26 Argumentanto mais. A análise é longa e é fonte requíssima para a exegese dos textos. que é criatura do mundo. para ele.As palavras da Instituição da Ceia Esta parte é exegese luterana. Wyclif. podemos compreender a paixão com que Lutero se engajou nessa grande controvérsia sobre a Santa Ceia. 6.28 Parte II . Acompanho a Wyclif quando afirma que o pão permanece. Esta é a sinédoque. sendo duas naturezas distintas e são reunidas num só tempo. Pão e cálice compreendem o corpo e o sangue de Cristo: corpo e sangue de Cristo compreendem a nova aliança.27-29 recebe análise especial da parte de Lutero. p. contra toda razão e lógica aguda. nem a qualquer coisa da criação. 329. em última análise. Sobre a predicação idêntica de João Wyclif. porque. Parte III . 31 P. Baseado nos textos bíblicos que relatam a instituição da Ceia. é preciso que nos contentemos e falemos de suas obras de maneira singela usando suas palavras. 320.25 E Lutero ex-plica mais esse argumento: “E afirmam que a palavrinha ‘isto’ não estaria indicando para o pão.27 Concluindo. . Podemos ler esse trabalho nas pp. sendo que não ensinou o que Lutero lhe atribui. menos no pão. mas para o corpo de Cristo.3. Que Cristo está no céu e seu reino não pode estar presente no pão. Lutero diz que a predicação idêntica é fruto da imaginação de Wyclif e dos sofistas. para tornarem-se sacramento. 7. 28 p. e que não tentemos falar de modo diferente e melhor com nossas palavras”. 329-354.30 Para Lutero. conclusão esta a partir da interpretação de que as palavras de Cristo são ação e não de promissão. caracterizando seus pontos de contato e suas divergências quanto ao relato. Que a impanação é contrária à instituição de Cristo e à prática da Igreja Primitiva. 222. De maneira que. 29 p. Que Cristo é rei e sacerdote onde quer que seja. como Cristo Deus e homem são um ser pessoal. por sua vez. Existe a argumentação de que Lutero não possuía informações precisas sobre Wyclif. e nós assimilamos tudo com fé. as palavras bíblicas são decisivas.

3. Através da discussão da presença real. Esta Confissão é citada várias vezes na Fórmula de Concórdia. Lutero influencia na elaboração das primeiras confissões de fé luteranas. Da Ceia de Cristo . A Confissão de Lutero baseia-se no Credo Apostólico. 5) Muitas vezes. a família e a sociedade. Temos muitos motivos para sempre de novo caracterizar na pregação evangelístico-missionária a importância desta presença em meio à igreja. Quando analisa o Terceiro Artigo. no qual caracteriza a doutrina da justificação pela fé como base e centro da fé cristã. As principais diferenças estão basicamente na cristologia (extra-calvinismo é cópia da alloiosis). talvez até solucionando estas questões adiáforas. entre outros. com a mesma convicção que defendeu o Sacramento do Altar. os luteranos são acusados de pregar e crer num Cristo morto. destancando o Segundo Artigo. Bibliografia LUTERO.Ao iniciar esta terceira parte. e Porto Alegre. Um estudo e análise teológica da cristologia presente na ceia traria resultados mais práticos. Lutero diz: “quero confessar perante Deus e o mundo todo. Com isso. que em 1530 tornam-se a Confissão de Augsburgo. Obras Selecionadas IV.63 para a Santa Ceia. caracterizando uma divisão entre luteranos e reformados. Concórdia. entre outros. influenciando a formulação dos Artigos de Schwabach de 1529. 367. até luteranos. Existe uma argumentação de que quando Lutero defendeu a presença de Cristo local e ilocal. sendo que ela é impressa separadamente do escrito. usa-se a Santa Ceia como aplicação de disciplina eclesiástica. deixa bem claro sua posição contra a igreja de Roma e contra os Entusiastas. a base da interpretação de Jo 6. aborda a ética. 32 p. 1993. Martinho. do cálice individual ou coletivo. E isto está na mente de muitos. Lutero caracteriza a presença viva de Cristo em nosso meio. As conseqüências destes assuntos tratados desenvolveram-se mais com o Calvinismo. A leitura de Jo 6 pelos luteranos pode ser uma leitura eucarística? 4. 2. caracterizava-se uma forma panteísta. 8. c) que em muitos casos. Significado Teológico para Hoje 1. minha fé.Confissão. São Leopoldo. a posição luterana. ao falar das três “sagradas ordens em que os cristãos agem movidos pela fé: a igreja. Sinodal. têm sido os principais assuntos tratados em nosso meio. 6) Questões como o uso do pão com e sem fermento. Nesta cristologia. Com base nesta confissão. que jamais mudou.32 Com ela. na qual pretendo permanecer até minha morte. . quer caracterizar seus ensinamentos e fé a respeito dos diversos assuntos da fé cristã. A prática da Santa Ceia tem se caracterizado em nosso meio como: a) via vox evangelii? b) com uma forte ênfase pietista/romana quanto ao se estar “limpo” de seus pecados. nela partir deste mundo (que Deus me ajude) e comparecer ao tribunal de nosso Senhor Jesus Cristo”. ponto por ponto. foi sempre de novo reafirmada.

1970. Sinodal. e Porto Alegre. Concórdia.Livro de Concórdia. São Leopoldo. Hermann. Porto Alegre. Isto é o meu corpo. 1983. Concórdia. . SASSE.