You are on page 1of 4

Reflexão Crítica referente à IGE e MAABE Luís Filipe Vilhena Martins – sessão online 6

A Biblioteca Escolar nos Relatórios de Avaliação Externa das Escolas (IGE)

Agrupamento de escolas de S. Escola secundária Dr. Serafim Agrupamento de escolas de


Relatório da IGE João da Madeira (2008) Leite (2009) Arrifana e Escapães (2008)
Domínios avaliados
Caracterização do agrupamento/escola “O agrupamento dispõe apenas de
uma BE/CRE ligada à RBE.”

1. Resultados 1.3 “Os alunos conhecem as


1 .1- Sucesso académico actividades desenvolvidas pela BE
1.2- Participação e desenvolvimento cívico e, muito particularmente pelo
1.3- Comportamento e disciplina desporto escolar...”
1.4- Valorização e impacto das aprendizagens

2. Prestação do Serviço Educativo 2.4. Salienta a “dinamização da


2.1- Articulação e sequencialidade biblioteca”
2.2- Acompanhamento da prática lectiva em sala de
aula
2.3- Diferenciação e apoios
2.3- Abrangência do currículo e valorização dos
saberes e da aprendizagem

3. Organização e Gestão Escolar 3.2. “Periodicamente, os auxiliares 3.3 “A BE encontra-se inserida na 3.3 “O agrupamento dispõe,
3.1- Concepção, planeamento e desenvolvimento da de acção educativa mudam de RBE e responde a múltiplas e apenas de uma BE/CRE … que é
actividade serviço… excepto nos serviços distintas necessidades dos alunos acessível, encontra-se bem
3.2- Gestão e recursos humanos mais específicos, como sejam a e professores… “ organizada, disponibiliza várias
3.3- Gestão dos recursos materiais e financeiros biblioteca e a reprografia.” “a Escola sabe gerir os apoios da” áreas de interesse, facilita
3.4- Participação dos pais e outros elementos da RBE pesquisa dos alunos e acompanha
comunidade educativa 3.3.”A Biblioteca foi ampliada e os tempos de ocupação. As
3.5- Equidade e justiça está bem equipada, sendo dinâmicas da BE/CRE alargam-se
ocupada pelos alunos.” às EB1 e Ji …através das maletas
pedagógicas.”
4. Liderança 4.4. Salienta a adesão à RBE
4.1- Visão e estratégia
4.2- Motivação e empenho
4.3- Abertura à inovação
Reflexão Crítica referente à IGE e MAABE Luís Filipe Vilhena Martins – sessão online 6

4.4- Parcerias, protocolos e projectos

5. Capacidade de Auto-Regulação e Melhoria da


Escola
5.1- Auto-avaliação
5.2- Sustentabilidade do progresso
6. Considerações finais Pontos fortes: “melhoria
progressiva dos equipamentos e a
qualidade de funcionamento da
BE/CRE”
Reflexão Crítica referente à IGE e MAABE Luís Filipe Vilhena Martins – sessão online 6

Comentário crítico

Para realizar este comentário crítico consultei os relatórios de avaliação, compreendidos entre os anos lectivos que foram indicados na
tarefa semanal pelas formadoras, relativos ao agrupamento de escolas onde exerço funções de professor bibliotecário, bem como a
agrupamentos do mesmo concelho e concelho vizinho. Assim, analisei relatórios dos agrupamentos de escolas de S. João da Madeira (2008),
Escola Secundária Dr. Serafim Leite (2009) e Agrupamento de Escolas de Arrifana e Escapães (2008).
Após a análise destes relatórios da IGE, pude constatar que em todos eles a referência à biblioteca escolar é feita principalmente no
domínio da gestão dos recursos materiais e financeiros, onde se referem à biblioteca escolar como um recurso material onde se realizam
algumas actividades. Aqui, devo acrescentar que o relatório do agrupamento de escolas de Arrifana e Escapães descreve com mais pormenor
este descritor, relativamente aos restantes.
Na escola secundária Dr. Serafim Leite, a primeira referência discreta à biblioteca escolar é na página nove de um total de 13, aquando
da abrangência do currículo e valorização de aprendizagens, colocando-a ao mesmo nível dos clubes, desporto escolares e teatro ou das visitas
de estudo, não atribuindo qualquer referência ao valor da biblioteca ou destacando-a das anteriores. No agrupamento de Arrifana e Escapães,
a biblioteca escolar é logo apresentada aquando da caracterização do agrupamento. Contudo, a sua valorização apenas é sublinhada, a meu
ver de forma insatisfatória, quando se refere ao conhecimento por parte dos alunos das actividades que a biblioteca escolar dinamiza. Apenas
no relatório do agrupamento de escolas de S. João da Madeira há referência à biblioteca escolar nos pontos fortes, apenas quando se refere
que a biblioteca tem demonstrado uma melhoria progressiva no equipamento e no funcionamento.
Tal, face à análise realizada nestes três relatórios da IGE em relação às bibliotecas escolares, a meu ver, as escolas continuam a não
valorizar a importância do trabalho realizada nas e pelas bibliotecas escolares face aos resultados escolares dos alunos e ao seu papel na escola
como centro de construção de conhecimento, de serviço pedagógico no sucesso dos alunos, nas suas aprendizagens e na mobilização e
Reflexão Crítica referente à IGE e MAABE Luís Filipe Vilhena Martins – sessão online 6

desenvolvimento de competências dos alunos. Considero que a escola ainda não entende a biblioteca escolar como um meio de
desenvolvimento de literacias (informação, tecnológicas, digitais…) importantes para o sucesso. No entanto, creio que as bibliotecas escolares,
ou neste caso, os recursos humanos afectos a elas, nomeadamente o professor bibliotecário, anteriormente coordenador, e a sua equipa (caso
exista) têm culpa pela inexistência de evidências nestes relatórios por não terem desenvolvido um plano de acção que contemplasse a sua
auto-avaliação, ou pelo menos um plano de marketing que (de)monstrasse às escolas e/ou agrupamentos o que fora feito de valor. Assim, a
aplicação deste modelo de auto-avaliação das bibliotecas escolares, vai permitir estas avaliarem o seu trabalho de uma forma mais rigorosa e
sistemática, desde o seu funcionamento, serviços prestados aos seus utilizadores, as suas parcerias e parceiros no desenvolvimento de
actividades e projectos, quais os impactes nos processos de ensino e de aprendizagem, entre outros.
Para concluir, creio que este modelo, apesar de exigente, pode e tem condições para provocar mudanças nas práticas correntes dos
professores, alunos e escola.A falta de reconhecimento pela IGE da importância da BE na escola/agrupamento em que se insere, traduz um
pouco a indiferença e falta de reconhecimento/valor da própria escola, quer pelos órgãos de gestão, quer pelos órgãos pedagógicos. Esta é
uma atitude que urge modificar, até para que a aplicação do próprio MAABE não seja comprometida.