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Fernando Nunes, Enfº

Coordenador de Transplante
GCCT CHP-HSA
Etimologia
Do Latim
Trans – cruzar, passar de um lado
para o outro

Plantare – colocar em sitio diferente
Transplante

Transferir um tecido ou orgão de um corpo
ou parte do corpo para outro.
Utilizado pela 1ª vez em 1778, por Hunter
A transplantação de orgãos sólidos ocupa um pequeno
espaço na história da Medicina e Cirurgia… Na verdade
é uma história com cerca de meio século.
No entanto, neste pequeno período da história, o transplante
tornou-se a opção de tratamento de eleição para doentes
com doença terminal de determinados orgãos.
Contudo e apesar dos muitos sucessos, vários são os
obstáculos existentes para que esta opção terapêutica seja a
técnica exclusiva e ao alcance de todos … profissionais e
doentes.
Objectivos I
História da Transplantação

•Passado – Pioneiros
•Imunologia – Imunossupressão
Lei / Ética / Organização

•Lei da Transplantação
•Bioética – Na Colheita e no Transplante
•Coordenador de Transplante / GCCT / ASST
Objectivos II
Dador de Orgãos

•Potencial Dador / Dador Vivo / Dador Coração Parado
•Critérios de Morte Cerebral
•Manutenção do Dador
•Colheita e Preservação de Orgãos para Transplante
Transplante como Opção Terapêutica

•Orgãos e Tecidos
Estatísticas

•Portugal e o Mundo
Debate…..
S. Cosme e S. Damião Séc. I DC
No imaginário do homem a ideia de substituir orgãos doentes por saudáveis
esteve sempre presente.

Na Bíblia criou-se vida através de uma costela de Adão.

Nas culturas egípcia, grega, hindú e azteca existem imagens que representam
imagens humanas a quem tinham sido substituídas partes do corpo.

No séc. XVII foram tentadas as primeiras transfusões sanguíneas, inclusivé
com sangue de animais, mas …. Grande desastre

No fim do séc. XVIII e séc. XIX – essencialmente membros amputados ,
cirurgia reconstrutiva, cirurgia dentária (Hunter)
O autotransplante de pele foi demonstrado com sucesso por Jean Guyon
em 1869.

Sec. XX - Alex Carrel – anastomoses vasculares (1902)
Prémio Nobel em 1912
Foi o 1º a identificar o fenómeno da rejeição

O primeiro transplante de córnea foi executado por Eduard Zirm na Áustria
em 1906.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Harold Gillies, cirugião, desenvolveu a
técnica de enxerto com pediclo do local doador até que o enxerto
estabeleça o seu próprio fluxo de sangue.

Em 1962 foi efectuada a primeira cirurgia de reimplantação de membro
amputado.
• Transplantação de órgãos sólidos
– 50 anos de história
– Sucessos e insucessos dos seus pioneiros
– Iniciou-se com a tx renal (órgão par, diálise,
facilidade nas anastomoses vasculares,
monitorização da urina)
– Merrill e Murray (1954) – o marco …
– Tx hepático - Starlz – 1963
– Tx coração – Barnard - 1967


Marcos Importantes:


1954 – 1º transplante renal com sucesso, entre dois irmãos gémeos

1959 – descoberta da azatioprina

1962 – Starzl combina azatioprina com corticoide para alotransplante

1963 – 1º transplante de fígado

1967 – 1º transplante de fígado com sucesso

1967 – 1º transplante de coração com sucesso

1970 – descoberta da ciclosporina

1995 – 1º transplante domino
• Rejeição

– meados do séc. XVI Tagliacozzi falou de uma força e poder
desconhecido - rejeição

– Até ao séc. XIX a transplantação estava restringida a
processos de autotransplantação (pele)

– Sec. XIX experiências com xenotransplantação …
• Rejeição

– Séc. XX a rejeição começou a ser investigada clinicamente
devido às experiências de alotransplantes
– II Guerra mundial
– Em 1950 Simonson e Mitchison – rejeição aguda mediada por
anticorpos e que os linfócitos destruiam os “enxertos
estranhos”
– Em 1954 – Merril, Murray e colegas Tx renal dom dador vivo
(gémeos) com êxito
– Em 1960 – 1970 histocompatibilidade base genética para a
rejeição
O nosso Sistema Imunitário - O Sistema HLA
O Sistema Imunitário reconhece tudo o que lhe é estranho e assim responde a
agentes infecciosos, mas também responde aos tecidos ou órgãos de dadores
geneticamente diferentes Essa resposta imunitária é feita contra antigénios de
histocompatibilidade expressos nas células do enxerto, antigénios HLA, e pode ser
mediada por anticorpos ou pelas células T
antigénios que se expressam na superfície dos nossos leucócitos e são
conhecidos como antigénios HLA - “Human Leucocyte Antigens”
ou seja, “Antigénios Leucocitários Humanos”.

Os antigénios HLA estão principalmente ligados à nossa defesa imunitária e
permitem que os nossos linfócitos T possam responder a esses antigénios.

Na transplantação de órgãos, o principal problema que pode surgir é um
doente ter anticorpos pré-formados contra os antigénios HLA do dador.
Para evitar esta situação um dos exames feitos na urgência laboratorial que
antecede o transplante é a prova cruzada ou “crossmatch”

• Imunossupressão – o factor dominante para o sucesso
na transplantação de órgãos

– Em 1950 – TBI – total body irradiation
– Em 1960 - azatioprina, corticóides
– Em 1970 - Ciclosporina – alterou a ciência e a prática da
transplantação aumentando de uma forma espectacular a
sobrevivência dos enxertos
– Nos últimos 10 anos explosão de imunossupressores
combinados
• Classificação Segundo o local anatómico

– Ortotópico – implante no local anatómico
– Heterotópico – implante num lugar anatómico diferente

• Classificação Segundo Relação par Dador/Receptor

– autotransplante
– Isotransplante (dador e receptor genéticamente idênticos:
gémeos)
– Alo ou Homotransplante : da mesma espécie
– Xenotransplante: entre diferentes espécies
História da Transplantação
Portugal
– 5 pioneiros em Portugal

• Prof. Linhares Furtado – HUC (rim/fígado/pâncreas)
• Dr. João Pena – Curry Cabral (rim)
• Prof. Queiroz e Melo – Santa Cruz (coração)
• Prof. Rui Bento – Santa Marta (coração)
• Prof. Mário Caetano Pereira – HGSA (rim)


Tx renal – 1969 . HUC – dador vivo

1980 – HUC, Cruz Vermelha
1983 – HGSA, HSJ

Tx Hepático – 1990
Sequencial (1995), dador vivo, split

Tx coração + 2 pulmões - 1991

Tx coração – 1996

Tx Pancreas - 2000

Tx pulmão - 2001
História da Transplantação
Portugal
Sem dadores não há colheitas …
Sem colheitas, não há orgãos …
Sem órgãos não há transplantes …
Para haver transplante têm que
existir órgãos, tecidos e células
 do cadáver
 do vivo
 do animal de outra espécie
 da clonagem ?...

• Descrita pela 1ª vez em 1959 por Moularet e Goulon
– (coma depassé)
(a transplantação era uma actividade experimental)

• Quais os factores que intervieram nesta situação?
– Desenvolvimento das técnicas de reanimação
– Aperfeiçoamentos técnicos na substituição das
funções vitais (ventilação, circulação, depuração de
dos produtos metabólicos - UCI)

Em resumo, a morte cerebral é uma consequência
dos avanços tecnológicos observados nas UCI
A morte cerebral
• Porquê não suportar as funções vitais de um
cadáver?
– Ansiedade e sofrimento dos familiares
– Desmoralização dos profissionais que os têm a
seu cargo
– Negação de recursos limitados, àqueles que
deles poderiam beneficiar
– Relação custo / beneficio
Ética
• solidariedade
• respeito pelos princípios
• consentimento
Lei 12/93
1ª Lei 55/76
Colheita e Transplantação de Orgãos e Tecidos
Legislação Aplicável
 Lei 12/93 de 22 Abril - DR -I Série A - 22/04/93
“Lei dos Transplantes”
 Portaria 1245/93 de 6 de Dezembro - DR - I Série B - 06/12/93
Regulamenta criação de novas unidades
 Declaração da Ordem dos Médicos - DR - I Série B nº 235 de 11/10/94
“Critérios de Morte Cerebral”
 Despacho nº 257/96 da Ministra da Saúde - DR nº 204 - II Série
Cria a Organização Portuguesa de Transplantação na
dependência do Gabinete da Ministra
 Despacho nº 259/96 da Ministra da Saúde - DR nº 204 - II Série -
03/09/96
Nomeia o Coordenador Nacional de Transplantação e seu Adjunto
Colheita e Transplantação de Orgãos e Tecidos
Legislação Aplicável
 Lei 141/99 de 28 de Agosto - DR - I Série A - 28/08/99
“Critérios de Morte Cerebral - estabelece os princípios em que se
baseia a verificação de morte cerebral”
 Despacho 14530/98 do Secretário de Estado da Saúde - DR - II Série -
19/08/98
“Incentivos à Colheita e Transplantação de Orgãos e Tecidos”

 Revisão da Lei dos Transplantes
Lei nº 22/2007, de 29 de Junho
 Criação da ASST
Decreto Regulamentar 67/2007, 29 de Maio
 Entidade de Verificação da Admissibiliade da Colheita para Transplante
Despacho nº 26951/2007, 26 de Novembro
 GCCT
Portaria nº 357/2008, 9 de Maio
Dador cadáver
Consentimento presumido – (já existia desde 1976)
RENNDA - REgisto Nacional de Não DAdores
Pressuposto de que
Quem não estiver inscrito
Não se opõe à dádiva
Pode ser dador

Lei 12/93 / actual Lei 12/2007
37.380
0
1000
2000
3000
4000
5000
6000
1
3
1389
2041
892
923
5389
5162
4987
4985
5287
4559
1764
Inscritos
Número de Inscritos p/ Grupo Etário
s/data
0 a 4
5 a 10
11 a 12
13 a 14
15 a 24
25 a 34
35 a 44
45 a 54
55 a 64
65 a 74
75 a 120



Organização Portuguesa de
Transplantação 1996
 Dinamizar, Acompanhar e Avaliar toda a actividade da Colheita e
Transplantação de Orgãos

 Estabelecer normas de articulação com os G.C.C.O.T.’s, com os C.H. e
Unidades de Colheita e Transplantação

 Promover a organização das actividades de colheita e transplantação de
orgãos e tecidos

 Dinamizar a Colheita e Transplantação de Orgãos e Tecidos, emitindo
orientações às instituições do S.N.S.

 Fomentar o intercâmbio, a nível nacional e internacional

 Promover a divulgação dos princípios gerais da Bioética relacionados
com a transplantação
Organização Nacional

Autoridade para os Serviços de Sangue e Transplantação

www.asst.min-saude.pt
A ASST tem por missão fiscalizar a qualidade e segurança da dádiva, colheita,
análise, processamento, armazenamento e distribuição de sangue humano e de
componentes sanguíneos, bem como garantir a qualidade da dádiva, colheita,
análise, manipulação, preservação, armazenamento e distribuição de órgãos,
tecidos e células de origem humana. 
(Artigo 2.º do Decreto Regulamentar n.º
67/2007, de 29 de Maio)
GCCT
HGSA
GCCT
HUC
GCCT
HS José
GCCT
HSJoão
GCCT
HS Maria
ASST – Autoridade para os Serviços de Sangue e Transplantação
COORDENAÇÃO DE TRANSPLANTE
Autoridade para os
Serviços de
Sangue e
Transplantação
G.C.C.T.
Gabinetes
Coordenadores de
Colheita e
Transplantação
Hospitais de
colheita UCI’s
Transplantação
Doação
•Os hospitais dadores são responsáveis pela
detecção de 32% do total de dadores efectivos
no país.

•É tão importante o hospital que detecta 1
dador por ano como aquele que detecta 10 ...

•A informação, sensibilização e formação é
muito importante e deve ser feita “à medida”
de cada hospital dador
G C C T - 1994 
•Atribuições:
 Articulação inter-institucional na área da Colh. e Tx
 Identificação de potenciais dadores de órgãos e
referência ás equipes de transplantação
 Sensibilização formal para a dádiva de órgãos e
tecidos
 Coordenação logística das actividades de colheita e
transplante a nível nacional e internacional
 Operacionalização da consulta ao RENNDA
Coordenadores de Transplante Nacionais

Enfermeiros – 10
Médicos 5
Outros – 1
2010
Disponibilidade Total
Relações Humanas

Formação de Base dos Coordenadores Europeus
Profiles of European Transplant Co-ordonators 2002/3
Dados European Transplant Coordinators Organization - National Key Member
Committee
0%
5%
10%
15%
20%
25%
30%
35%
40%
40%
25%
22%
9%
3%
1%
Enf. Especialistas
Médico UCI
Médico especialista
Outros
Nefrologistas
Cirurgiões
Perfil dos Coordenadores por País
Profiles of European Transplant Co-ordonators 2002/3
Dados European Transplant Coordinators Organization - National Key Member
Committee
41%
15%
46%
0% 20% 40% 60%
Enf., Méd. e outros
Só médicos
Só enfermeiras

Os coordenadores hospitalares são aqueles que catalisam a detecção de
dadores. São eles que levam a cabo a tarefa do dia a dia, a parte mais dura e
muitas vezes a mais delicada de todo o processo.
Esta tarefa não está tão bem definida como pode estar a de um cardiologista o a
de uma enfermeira do bloco operatório....
É algo que os coordenadores foram aprendendo com o seu trabalho diário.
A concepção que se tem do coordenador de transplante foi-se modificando ao
longo do tempo no diferentes países e também em Portugal.
O coordenador de transplante é o profissional de saúde responsável por
todo o processo de doação e colheita de órgãos e tecidos (procurement
coordination). TPM – certificação europeia - profissionalização
No HSA assume também a coordenação da transplantação de órgãos e tecidos (clinical
coordination).
COORDENAÇÃO HOSPITALAR
 Referenciação e avaliação pré-transplante
 Acompanhamento pré-transplante
 Coordenação perioperatória
 Coordenação pós-transplante (inpatient)
 Coordenação pós-transplante (out patient)
 Coordenação de transplante com dador vivo

In “Core Competencies for Clinical Transplant Coordinator” NATCO 2003
COORDENAÇÃO DE TRANSPLANTE Ligação
Alerta de potencial
dador
Colheita de Órgãos
Avaliação do dador
História do dador
Critérios de doação
Exames laboratoriais e MAD
Manutenção do dador
Verificação e certificação da MC
Consulta ao RENNDA
Transplante de Órgãos
Receptores
Estudo Clínico
Lista activa
Ensino
Chamada para o hospital
Preparação pré operatória
Cirurgia de transplante
Pós operatório e follow-up
Equipa
Local
Alocação
Equipas
COORDENAÇÃO DE TRANSPLANTE Registos
Registo da actividade
Informação actualizada
Folha do dador
Relatório da
coordenação da
colheita e transplante
Nº de alertas
Nº de colheitas
Destino dos órgãos e tecidos
Base de Dados
Monitorização dos
indicadores de qualidade


Avaliação específica por Órgão e critérios de selecção

Rim:
Sem limite de idade;
A história clínica deve considerar Hipertensão Arterial crónica, Diabetes Mellitus, albuminúria
e doença renal;
Relativamente à função considerar a diurese horária, os níveis de creatinina, ureia plasmáticos
e se necessário o clearance da creatinina urinária, proteinúria, sedimento urinário. Efectuar
ecografia dos rins e vias urinárias.

Fígado:
Sem limite de idade;
A história clínica deve considerar a antecedentes de doença virica (B ou C), de consumo de
álcool, de obesidade, de deslipidemia, de cirurgia hepato-biliar, infecção abdominal activa,
trauma e intoxicações;
Na função considerar as transaminases, bilirrubina sérica, fosfatase alcalina, LHD, albumina e
a coagulação. Efectuar ecografia para avaliar tamanho e ecogenecidade.

Coração:
Idade ideal até 54 anos;
A história clínica deve considerar doença cardíaca prévia (valvular, isquémica, etc.), HTA,
Diabetes Mellitus, consumo de tabaco ou álcool, arteriosclerose, dislipidemia, trauma torácico,
tempo de Paragem Cardio-Respiratória (PCR não é contra-indicação), tempo de internamento
em Cuidados Intensivos e perfusão de vasopressores.
A investigação analítica deve incluir a Troponina, CPK e CPK-MB. Electrocardiograma
normal. Ecocardiograma é também mandatório para avaliação da contractibilidade, função e
anatomia valvulares e fracção de ejecção.
Pâncreas:
Idade ideal até 45 anos;
A história clínica deve considerar doença pancreática prévia, alcoolismo, Diabetes Mellitus,
infecção abdominal activa, trauma abdominal, obesidade, dias de internamento em Cuidados
Intensivos, tempo de paragem cardio-respiratória e hipotensão; A função pancreática deve
considerar a glicemia e as necessidades de insulina, as enzimas pancreáticas, os níveis de cálcio
e em determinadas situações a hemoglobina glicosilada. A eco abdominal também pode ajudar
na avaliação morfológica.

Pulmão:
Idade ideal até 60 anos e tempo de ventilação < 72 horas.
A história clínica deve considerar doença pulmonar prévia, tabagismo, infecção pulmonar
activa, aspiração de corpo estranho (vómito ...,), secreções purulentas, trauma torácico e
cirurgia torácica prévia. As trocas gasosas devem ser adequadas. A PaO
2
deve ser pelo menos
de 300 mmHg com uma FiO
2
de 1 (100%) e PEEP de 5 cm de H
2
0. O Rx do tórax deve ser
efectuado e quando indicado a broncofibroscopia.

Tecidos:
A colheita de válvulas cardíacas ou osso é efectuada durante a colheita multiorgânica. Os
critérios para a selecção de órgãos sólidos também são aplicáveis para os tecidos.
Reunidos os Requisitos para
Certificação de Morte Cerebral
1as Provas MC
<54 anos
Colher:
Serologia
Tipagem ABO
Eco Abdominal
Ecocardiograma
Rx Torax
Função:
Hepática
Renal
Pancreática
Cardíaca
Gsa
Monitorização:
Hemodinâmica
Diurese
electrolitos
2as Provas MC
>54 anos
Colher:
Serologia
Tipagem ABO
Eco Abdominal
Rx Torax
Função:
Hepática
Renal
Gsa
Monitorização:
Hemodinâmica
Diurese
electrolitos

Manutenção
Regra dos 10
PVC > 10 mmHg
TAs > 100 mmHg
Diurese > 10 ml/h
Contacto com GCCT
Marcação de hora de colheita
Contacto com GCCT
(Coordenador Hospitalar
de Doação)
Contacto com GCCT
(se ainda não efectuado)

ALGORITMO DE
IDENTIFICAÇÃO DE
POTENCIAL DADOR
A transplantação de órgãos é uma actividade
eminentemente multidisciplinar
A articulação entre a coordenação de transplante
e as equipas de enfermagem e médica, é
fundamental
A uniformização da manutenção dos dadores
mediante a existência de protocolos aumenta a
eficácia
Aceitação de
política referente à
verificação da
morte cerebral

CONSCIENCIALIZAR, FORMAR e
MOTIVAR os profissionais a fim de
aumentar a detecção e
referenciação de potenciais
dadores
• Mais formação em doação e transplantação de órgãos
e tecidos;
• Mais formação para a identificação de potenciais
dadores;
• Mais informação sobre doação e transplantação;
• Claro reconhecimento e apoio à actividade de
identificação de potenciais dadores;
• Mais estimulo à boa relação existente entre as
Unidades de Cuidados Intensivos e os G.C.C.T.
 Dadores cadáver
 Morte cerebral
 Coração parado (assistolia)

 Dador vivo
 Rim
 Fígado
 Medula óssea (tecido / substância regenerável)

 “Resíduo cirúrgico” (cabeças de fémur,
calotes crânio, pele, fígado PAF)
Caracterização do dador
CRITÉRIOS DE DOAÇÃO / EXCLUSÃO DE ÓRGÃOS

NÃO devem ser considerados potenciais dadores os
portadores de:

 Marcadores Víricos (VHB, VHC, HIV) que tiverem
resultados positivos pelo risco de transmissão de doença
infecciosa
 Sepsis
 Neoplasias (excepto carcinoma in situ do colo do útero e
neoplasias do SNC com baixo potencial de metastização
 Doenças sistémicas e linfoproliferativas
 Toxicodependência intravenosa
 Comportamento sexual de risco

Potencial Dador

Todo o indivíduo que está conectado ao
ventilador com funções vitais mantidas
artificialmente com perda total e
irreversível das funções do tranco cerebral
- morte cerebral verificada e certificada

Dador Efectivo

Potencial dador que não inscrito no
RENNDA e ao qual já foram aplicados os
critérios de contraindicação absoluta para
a doação de órgãos
O nº de dadores em morte cerebral
depende fundamentalmente :
 Da existência de lesão cerebral irreversível
 Traumática
 Vascular
 Outra (Anoxia, Tumoral, Etc)

 Da existência de meios adequados ao tratamento
destes doentes críticos e á manutenção do
cadáver em morte cerebral
 O GCCT deve ser contactado após terem sido efectuadas as
primeiras provas de verificação de morte cerebral ou na
eminência da sua realização.

 Para uma atempada decisão dos órgãos a colher devem estar
disponibilizados os resultados dos seguintes exames:
 Grupo sanguíneo
 Hemograma
 Bioquímica: ionograma, ureia, glicose, creatinina, bilirrubinas,
transamínases, gama-gt, fosfatase alcalina, amílase, DHL, CK,
CK-MB
 Estudo da coagulação (PT, APTT, INR)
 Sedimento urinário e proteinúria
 Hemoculturas (se suspeita de infecção)
 Vírus da hepatite (B+C), HIV I e II, HTLV I e II, CMV
 TPHA (serológica da sífilis)
 Rx pulmonar
 ECG
 Ecocardiograma
 Ecografia Abdominal
A cessação irreversível da circulação e da
respiração significa a morte do doente como
um todo. Não significa necessariamente a
morte imediata de todas as células do corpo.

A cessação irreversível das funções do tronco
cerebral significa a morte do cérebro como um
todo. Não significa necessariamente a morte
imediata de todas as células do cérebro.

Portugal adoptou o Conceito de Morte do
Tronco Cerebral
Diagnóstico e Certificação da Morte:

– Perda irreversivel da função cardiorespiratória

– Perda irreversível da função cerebral
• Mecanismos da morte do tronco cerebral:
– Aumento da pressão intra craneana
Cintilografia de perfusão cerebral
Condições:
Causa da lesão cerebral perfeitamente esclarecida
Exclusões:
Hipotermia Severa (< 32.2ºC)
Choque de qualquer etiologia
Doenças metabólicas (hepatopatia, ...)
Presença de drogas depressoras do SNC
Antagonistas
Quantificar
Esperar descida de níveis


Fluidoterapia/
Componentes Sangue
Aquecimento Activo
Tratamento
Regras de semiologia
“...1 - O diagnóstico de morte cerebral implica a ausência
na totalidade dos seguintes reflexos do tronco cerebral:
a) Reflexos fotomotores com pupilas de diâmetro fixo;
b) Reflexos oculocefálicos;
c) Reflexos oculovestibulares;
d) Reflexos corneopalpebrais;
e) Reflexo faringeo
2 - Realização da prova de apneia confirmativa da
ausência de respiração espontânea...”

A morte cerebral
Regras de semiologia

2 - Realização da prova de apneia confirmativa da
ausência de respiração espontânea...”

• Hiperoxigenação anterior à prova (10 min.) - O
2
a
100%
• Colocação de cateter de oxigenoterapia com 6 l/min.
de oxigénio ao nivel da carena
• Monitorização focalizada de ECG, Tensão arterial e
Saturação de oxigénio
• Colheita de sangue arterial no inicio da prova e 10
min após.
Inversão do Tratamento
Manutenção do dador
 Perda da respiração espontânea
 Perda do controlo hemodinâmico e da T.A.
por alteração do controlo vasomotor
 Perda do controlo da temperatura corporal
 Perda do controlo do balanço
hidroelectrolitico
 Alteração do equilibrio hormonal


Manutenção do dador
PROCESSOS FISIOPATOLÓGICOS DECORRENTES DA MORTE DO TRONCO CEREBRAL
Perda da respiração espontânea

• Substituição por ventilação mecânica
(Normoventilação)
• Edema pulmonar neurogénico
• Cuidados gerais ao doente ventilado

 Objectivo principal : adequado
fornecimento O2 aos orgãos e tecidos
Manutenção do dador
 Controlo vasomotor pelo sistema simpático
 Mecanismos de controlo da T.A. : resistências
periféricas, vasoconstrição venosa e
estimulação cardiaca (choque neurogénico)
 acidose (metabolismo anaeróbio)

 Objectivo principal : correcta perfusão dos
orgãos e tecidos
Perda do controlo hemodinâmico e da
T.A. por alteração do controlo vasomotor (1)
Manutenção do dador
 Volume Intravascular (Desidratação
terapêutica, perdas hemáticas, diabetes
insípida)
 Função cardiaca (alt. freq., arritmias - alt.
electrolíticas)


 Objectivo principal : correcta perfusão dos
orgãos e tecidos
Perda do controlo hemodinâmico e da
T.A. por alteração do controlo vasomotor (2)
Manutenção do dador
 Arritmias cardíacas
 Depressão do miocárdio (baixo débito)
 Complicações metabólicas: hiperglicemia,
desiquilibrios electrolíticos, alterações da
coagulação
 Hipoperfusão tecidular

 Objectivo principal : correcta perfusão dos
orgãos e tecidos
Perda do controlo da temperatura corporal
A Transplantação
A manutenção do dador
 Diabetes insípida (15 l diurese / dia)
 Perdas de electrólitos pela urina (K, Ca, Mg)
 Concentrações plasmáticas hormonais baixas Þ
alterações do metabolismo aérobio
 Objectivo principal : correcta perfusão dos
orgãos e tecidos
Perda do controlo do balanço hidroelectrolítico
e alteração do equilíbrio hormonal
Manutenção do dador
O que fazer ?

A que é que devemos estar atentos?
Manutenção do dador
Objectivo principal:

• Homeostasia

• Manter as variáveis hemodinâmicas e os valores
laboratoriais dentro dos valores normais

• Desvio dos valores e parãmetros normais terão que
ser avaliados pelos coordenadores de transplante e
pelas equipas de transplantação
Manutenção do dador
• Monitorizar

• Tomar atitudes dentro da área de enfermagem

• Comunicar alterações potencialmente lesivas

• Cuidados gerais
Existência de Protocolos com a lista de problemas e
respectivas intervenções
Manutenção do dador
 Monitorizar
 Frequência cardiaca / repercussão hemodinâmica (100 bpm)
 Tensão arterial (TA Sist. 100 mmHg- >85 mmHg)
 PVC (100 mm H2O) ou PAP e PCP
 Débitos urinários (100 ml/ h - = 1 ml / kg )
 SaO
2
(100% - >95-90%)
 Perfusão periférica
 Temperatura (> 35º C)
SEMPRE QUE POSSIVEL EM CONTÍNUO
 Equilíbrio hidro-electrolítico e ácido-base (balanço, perfil
bioquímico, ph)
Regra dos 100
Manutenção do dador
 Manipulação de fármacos vasoactivos
(por objectivos e protocularmente)

 Despiste de condicionantes de certos problemas
(Glicemia capilar, hipotensão ??, hipoxémia, poliúria,
densidade urinária)

 Prevenção (Hipotermia, desidratação)
Intervenções Enfermagem
 Comunicar alterações potencialmente
lesivas

 Hipotensão continuada / sustentada, que
não cede a medidas simples
 Débitos urinários baixos continuados /
sustentados
 Hipoperfusão periférica
 Disritmias (com repercussão
hemodinâmica)
Intervenções Enfermagem
 Cuidados gerais

 Cuidados de higiene, Mobilização no leito, Prevenção
da infecção
 Cuidados específicos em relação a certos tecidos e
orgãos:
 Córneas:
 Pulmões:
 Coração:
 Rim: Evitar oligúria
 Evitar hipotensão
 Apoio aos familiares (informação, luto, disponibilidade
- empatia)
Intervenções Enfermagem
O melhor potencial dador é aquele ao
qual foram prestados os melhores
cuidados enquanto doente
Manutenção do dador
Transplantação
A Transplantação
A cirurgia de colheita
 A qualidade dos orgãos para transplante
depende:
 Boa oxigenação e perfusão dos mesmos
enquanto no indivíduo dador
 Tempo de isquémia quente
 Tempo de isquémia fria
 Manipulação dos mesmos
A Transplantação
A cirurgia de colheita
Colheita Multi – Orgânica
1 Coração, 2 Pulmões, 1 Fígado, 2 Rins,
1 Pâncreas, 2 Córneas, Enxertos
vasculares, Osso e Pele.
 Isquémia quente:
 Tempo de falta de perfusão / oxigenação do
órgão, com temperatura normal (37º C) -
metabolismo orgânico anaeróbio
 Isquémia fria:
 Tempo de falta de perfusão no órgão, com
temperatura abaixo do normal - de
preservação
(4º C) - metabolismo orgânico quase nulo
A Transplantação
A cirurgia de colheita
EuroCollins
UW–University Wisconsin
Celsior
Solução Actualmente Utilizada por todos os Gabinetes no Território Nacional

Dadores PCR súbita

Dadores cuja morte é expectável

Mudar mentalidades

Motivar os profissionais

Organizar Logística Intra e Extra-Hospitalar
• Tempo de isquemia quente inferior a 15 minutos

• Tempo total após inicio de manobras até bypass 120 minutos

• Tempo total de bypass 4 horas

????
• Suporte Pré-Hospitalar adequado
• Selecção dos dadores criteriosa (critérios de exclusão mais
alargados: idade 18-55 anos)
• Equipas e logística bem organizada
Transplantação Hepática - Indicações
Doença hepática crónica avançada
• Doenças colestáticas (CBP, CEP,Atrésia biliar)
• Doenças hepatocelulares (VHB,VHC,ALD,)
• Doenças hepáticas vasculares (Budd-Chiari, veno-oclusiva)
Tumores hepáticos não ressecáveis
• carcinoma hepatocelular
Doença hepática metabólica
• Doença de Wilson
• Hemocromatose
• PAF
Falência hepática fulminante
• Víricas, intoxicações, autoimune, Dça Wilson
Congénitas
Aplasia
Hipoplasia
Rim em ferradura

Metabólicas
Hiperoxaluria
Nefrocalcinose
Oxalose
Amiloidose
Cistinose

Nefropatias hereditárias
Sindroma de Alport
Doença Poliquística
Doença quística medular

Nefropatias Tóxicas
Chumbo
Analgésica

Uropatia Obstrutiva
Adquirida
Congénita

Tumoral
Carcinoma
Tumor de Wilms
Esclerose Tubular
Indicações para Transplante Renal
Nefrectomia traumática

Doença vascular renal
Oclusão da artéria renal
Trombose da veia renal

Falência aguda irreversível
Necrose Cortical
Síndrome urémico hemolítico
Glomerulonefrite aguda e subaguda
Púrpura anafilactoide (Schonlein-Henoch)
Necrose tubular aguda

Falência renal crónica irreversível
Pielonefrite crónica
Glomerulonefrite crónica
Nefropatia diabética (Síndrome Kimmelstiel-Wilson)
Síndrome Goodpastur
Nefroesclerose hipertensiva

Outras
Mieloma múltiplo
Macroglobulinemia
Doença de Wegner
Esclerodermia
Lúpus Eritematoso
Poliarterite (periarterite nodosa)
 Insuficiência cardíaca irreversível, com importante dispnéia e
fadiga extrema, resistente a tratamentos clínicos.

 Cardiopatias dilatadas primárias ou secundárias a um enfarte do
miocárdio);

 Hipertrofia

 doenças específicas do músculo cardíaco, como as miocardites,
cardiopatias congênitas
Indicações para Transplante Cardíaco
Alguns dados estatísticos
Newsletter Transplant, Vol 14. nº 1, Set 2009
Newsletter Transplant, Vol 14. nº 1, Set 2009
Newsletter Transplant, Vol 14. nº 1, Set 2009
Newsletter Transplant, Vol 14. nº 1, Set 2009
Newsletter Transplant, Vol 14. nº 1, Set 2009
Evolução da Colheita em Cadáver – 2008
26,7 por milhão habitantes
Relatório 2008, ASST
Colheita Renal
Transplantação Renal
Colheita Multiorgânica
Transplantação Hepática
Transplantação Hepática Sequencial
Transplantação Pâncreas / Rim
Transplantação Renal (Dador Vivo)
1990 1993 2003 2000 2009 1997
Banco de Córneas
1995 2004
Colheita de Órgãos
1983-2009
Total – 856
9
8
10
13
20
29
34
29
41 41
39
44
48
49
37 37
32
39
32
25
27
32
24
30
33
40
54
1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009
Transplante Renal 1983 - 2009
Total – 1993
1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009
7
16
20
26
38
60
62
56
70 70
71
72
79
84
75
72
78
81
70
69
68
96
72
74
95
100
112
Transplante Hepático
1995 - 2009
Total – 804
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
4
29
38
42
56
54
46
57
53
61
63
74
79
79
69
198
68
74
62
56
59
36
59
67
141
109
157
119
117
92
107
136
129
141
120
151
139
90
122
101
72
88
111
142
145
Transplante de Córnea 1970-2009
Total 3208
1 1 1
2 2
7
13
8
11
9
15
17
19
1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009
Transplante Renal Dador Vivo
1983-2009
Total 106
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
3
4
8
10
12
9
13
18
14
21
Transplante Reno-Pancreático
2000-2009
Total 112
- princípios
•Não maleficência
•Beneficência
•Autonomia da pessoa
•Justiça

Beauchamp and Childress

1. Diagnóstico de morte cerebral
2. Tráfico lucrativo de órgãos
3. Turismo de Transplantação
4. Indução da doação
5. Doação em vida
6. Órgãos “sub óptimos”
7. Receptores (no limiar da indicação)
8. Distribuição dos órgãos
9. Células Estaminais / Clonagem
10. Xenotransplantação
“A morte não existe, existo, sim, eu, que morrerei”
Prof. Daniel Serrão